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RACIOCÍNIO Prof. Luciane Martins Para Damásio (2015), nossa capacidade de raciocinar depende da nossa capacidade de aprender e evocar. Além disso, a capacidade de aprendizagem e evocação nos permite imaginar, planejar para o futuro e, de modo mais geral, criar novas soluções para diferentes problemas. De acordo com a neurociência, o raciocínio ocorre constantemente, pois o cérebro processa informações vindas do mundo interno e externo. Assim, raciocinar não se limita apenas ao uso da razão, como define o dicionário, mas envolve todo o processamento neural das experiências e estímulos que recebemos. O que é Raciocínio? A lógica não é a única representante de nossos raciocínios mais típicos. Temos várias outras formas e nos levam a dividi-los em métodos fortes e métodos fracos Métodos Fortes: Baseiam-se em dados, evidências e lógica formal. Sequencia leva a uma verdade pura; Partimos de algumas verdades anteriores e temos a garantia de chegar a uma verdade pronta Produzem conclusões mais confiáveis e objetivas. Métodos Fracos: Fundamentam-se em opiniões, crenças ou intuições. As conclusões são menos seguras e mais subjetivas. Produzem algo que tem boa chance de ser verdadeiro, mas não tem, garantia absoluta Métodos fortes: Dedução → Conclusão obtida com perfeição1 Os métodos dedutivos são fortes e todos eles garantem que a conclusão a que chegamos é verdadeira — desde que nosso ponto de partida também seja verdadeiro. Um exemplo típico de raciocínio dedutivo segue: A conclusão será verdadeira desde que nosso "ponto de partida" (premissas) também seja verdadeiro. Observe que se as premissas são verdadeiras (baleias são mamíferos e mamíferos têm pulmões) não há como a conclusão ser falsa. As premissas implicam na veracidade da conclusão. Esta é a força inabalável do raciocínio dedutivo Premissa 1: Todos os seres humanos são mortais. Premissa 2: Sócrates é um ser humano. Conclusão: Portanto, Sócrates é mortal. Métodos Fracos: Indução → Conclusão não é certeira apenas provável 2 Em geral descrevem diversos tipos de raciocínios que têm em comum o fato de não garantirem a veracidade de suas conclusões. Mas nem por isso podem ser desprezados. Não se garante uma conclusão verdadeira. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira. Ninguém pode afirmar com certeza absoluta que todos os corvos são pretos. Entretanto, nossa experiência passada nos permite assumir que todos os corvos sejam provavelmente pretos. Não há garantias formais de que isto seja verdadeiro, mas é uma aproximação que pode ser útil. Portanto, a indução é um tipo de raciocínio que assume o futuro como repetição do passado. É um ato de confiança, uma postura de esperança de que o futuro repetirá os resultados que obtivemos antes. Frequentemente é muito útil termos acesso a alguma conclusão, mesmo que não seja certeira. O critério óbvio que devemos empregar é preferir, sempre que possível, as deduções. Entretanto, como nem sempre podemos contar com elas, é comum apelarmos para as induções: Observação 1: Peguei num saco um biscoito de chocolate. Observação 2:Retirei um novo biscoito do saco e ele era de chocolate. Observação 3: Numa terceira tentativa, peguei um biscoito de chocolate no saco. Conclusão: Logo, todos os biscoitos do saco são de chocolate Métodos Fracos/fortes: Abdução → O raciocínio abdutivo pode ser forte ou fraco, dependendo de como é aplicado — mas em geral, ele é considerado um método mais fraco do que o dedutivo e o indutivo. 3 o raciocínio lógico por abdução observa-se um fenômeno e, a partir dele criamos ou elaboramos uma premissa. Caso essa premissa seja verdadeira, ela poderia explicar o fenômeno que estamos observando. Premissa: carros da marca ABCD sempre provocam acidentes. Busca de uma conclusão, tendo como base a interpretação de sinais, indícios, evidências. Se essa premissa for verdadeira, é "natural" que se sofra um acidente com o carro que é da marca ABCD. Assim, por abdução, entende-se que, provavelmente, é verdade que os carros da marca ABCD sempre causam acidentes. Essa relação de causalidade ou causa-efeito pode não ser verdadeira. No nosso exemplo, o acidente poderia ter sido provocado por qualquer outro motivo e, não necessariamente, em função da marca do carro. Esse tipo de raciocínio é muito comum no senso comum. "Não te avisei que essa marca não prestava". Além disso, as áreas de marketing usam desse tipo de raciocínio para venderem seus produtos. Exercitando: Luciana, 22 anos, estudante universitária, procura atendimento com queixas de ansiedade intensa antes de apresentações acadêmicas. Relata sintomas fisiológicos (sudorese, tremores), cognitivos (pensamentos de fracasso, medo do julgamento) e comportamentais (evitação de situações de fala em público). Menciona que o problema se intensificou após uma experiência de humilhação em sala de aula no ensino médio, quando foi alvo de piadas durante uma apresentação. Questões para Discussão em Grupo: 1. Qual tipo de raciocínio (dedutivo, indutivo, abdutivo) é mais útil para iniciar a análise do caso? Justifique. 2. Que hipóteses podem ser levantadas sobre a origem e a manutenção do comportamento de evitação? 3. Que padrões podem ser observados no relato de Luciana? Que generalizações podem ser feitas? 4. Como diferentes tipos de raciocínio podem contribuir para compreender o caso e planejar uma intervenção? 1. (Fundação Santo André/IBFC/2019) Considere: "Sempre que uma premissa for verdadeira, não há como a conclusão ser falsa. Trata-se do raciocinio _____” Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente a lacuna. a) Argumentativo b) Intuitivo c) Dedutivo d) Indutivo 1. (Fundação Santo André/IBFC/2019) Considere: "Sempre que uma premissa for verdadeira, não há como a conclusão ser falsa. Trata-se do raciocinio _____” Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente a lacuna. a) Argumentativo b) Intuitivo c) Dedutivo d) Indutivo 2. (Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho/IBFC/2019) Considere o excerto abaixo. "Quando o céu está azul não chove. Se o céu está azul agora, então não choverá até o final do dia" Assinale a alternativa que classifica corretamente a lógica adotada na argumentação exposta. a) Dedução b) Falácia c) Indução d) Tautologia 2. (Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho/IBFC/2019) Considere o excerto abaixo. "Quando o céu está azul não chove. Se o céu está azul agora, então não choverá até o final do dia" Assinale a alternativa que classifica corretamente a lógica adotada na argumentação exposta. a) Dedução b) Falácia c) Indução d) Tautologia