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Técnica Dietética Básica Prof. Esp. Ana Caroline Nutricionista CRN6: 39462 Esp. em Nutrição Clínica Hospitalar e Ambulatorial Pós-graduanda em Gestão do Controle de Infecções relacionadas à assistência à saúde e da segurança do paciente O QUE É TÉCNICA DIETÉTICA PARA VOCÊ? INTRODUÇÃO Técnica dietética é a área da nutrição que estuda e aplica os métodos de preparo, manipulação e conservação dos alimentos com o objetivo de preservar ou melhorar o seu valor nutritivo, sensorial e higiênico-sanitário. PRINCIPAIS OBJETIVOS 1.Preservar os nutrientes durante o preparo (evitando perdas por calor, água, oxidação, etc.). 2.Melhorar a digestibilidade e biodisponibilidade dos nutrientes (ex: demolhar grãos, germinar sementes). 3.Garantir a segurança alimentar (evitar contaminações). 4.Aprimorar o sabor, textura, cor e apresentação dos alimentos. 5.Adequar os alimentos às necessidades nutricionais de diferentes pessoas (como dietas hospitalares ou para atletas). COMPREENDENDO Por exemplo, quando você prepara um frango na sua casa, para que ele fique do jeito que você gosta e possa comer, você faz com que ele passe por diversas transformações: corta, limpa, tempera, cozinha... ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA Especificamente na atuação do nutricionista, é muito importante conhecer esses processos pelos quais os alimentos passam. Dessa forma, é possível garantir um planejamento adequado, além de apropriada assistência nutricional, seja em escala individual ou coletiva. OBJETIVOS DA DISCIPLINA 1.Compreender os fundamentos da técnica dietética; 2.Conhecer as técnicas básicas para o preparo de alimentos; 3. Identificar as características dos alimentos pertencentes ao grupo de cereais, massas e pães. E as técnicas dietéticas adequadas para esse grupo; 4. Identificar as características dos alimentos pertencentes ao grupos de verduras e legumes. E as técnicas dietéticas adequadas para esse grupo. CONCEITOS A Técnica Dietética é o estudo dos processos pelos quais os alimentos são submetidos, desde seu processamento até o consumo final (PHILIPPI, 2014). CONCEITOS 1.Dietético: baseia-se em ajustar a qualidade, quantidade e forma do preparo dos alimentos de acordo com as necessidades fisiopatológicas individual ou coletiva (PHILIPPI, 2014). Por exemplo, quando calculamos uma dieta com as calorias necessárias para aquela pessoa, estamos utilizando esse objetivo; Objetivos proposto pela técnica dietética: CONCEITOS 2. Digestivo: com o objetivo de contribuir para a digestão, os alimentos passam por processos culinários. Além desses processos, a digestibilidade também é definida pelas condições de todo o trato digestório. Podemos adequar as técnicas de acordo com a necessidade do indivíduo ou grupo, por exemplo, alimentos podem ser oferecidos liquidificados ou cozidos, bem macios, para facilitar a mastigação e digestão de crianças, idosos e doentes (PHILIPPI, 2014); CONCEITOS 3. Nutritivo: utilização de métodos para manter o máximo possível o valor nutritivo de determinado alimento. Deve-se levar em consideração esse aspecto em todas as etapas em que o alimento passar, como seleção até armazenamento (PHILIPPI, 2014). Por exemplo, cozinhar alimentos no vapor pode reduzir a perda de algumas vitaminas, portanto, vai de encontro a esse objetivo; CONCEITOS 4. Higiênico: prevenção contra fatores externos que podem prejudicar a qualidade do alimento, bem como estender a sua vida útil. Os alimentos podem ser fonte de contaminação biológica, física ou química que prejudicam a saúde. Por isso, é tão importante seguir técnicas adequadas de manipulação, preparo, distribuição e armazenamento (PHILIPPI, 2014); CONCEITOS 5. Sensorial: Trabalhar o alimento de forma a ressaltar, modificar ou preservar suas características sensoriais (sabor, aparência, cor, odor, textura e consistência) utilizando técnicas culinárias (PHILIPPI, 2014). Esse é um objetivo muito importante, pois as características sensoriais são as que despertam nosso desejo de se alimentar, de um determinado alimento. Para pacientes hospitalizados, é um fator de grande relevância, pois pode aumentar a aceitação; CONCEITOS CONCEITOS 6. Operacional: Preparar e organizar os espaços que sejam físicos, equipamentos, materiais e utensílios. Treinar funcionários, bem como planejar cardápios (PHILIPPI, 2014). Imagine colocar no cardápio frango assado, sendo que o forno está na assistência técnica... Por isso e outros fatores, é importante ter um adequado planejamento operacional; CONCEITOS 7. Econômico: estabelecer as técnicas a serem utilizadas de acordo com os recursos financeiros, humanos e materiais disponíveis. Envolve planejamento de cardápio, compra de alimentos (importante considerar a safra e disponibilidade), quantidade per capita, armazenamento, pré-preparo, entre outros (PHILIPPI, 2014). PESOS E MEDIDAS A utilização de medidas usuais de consumo ou medidas caseiras, como xícaras, copo, colheres, concha, escumadeira é um bom recurso. Mas, é importante lembrar, que esses recipientes apresentam diferentes tamanhos (copo que eu tenho na minha casa não é o mesmo copo que você tem na sua...), por isso, pode haver variações nos valores de gramas (g) e mililitros (mL). DESVANTAGEM Portanto, uma das desvantagens de ser utilizar essa medida é que se pode obter um produto diferente por conta dessas variações, a cada reprodução da receita. VANTAGEM Por outro lado, a grande vantagem é a fácil disponibilidade de utensílios domésticos (presentes em qualquer cozinha), além de ser fácil de utilizar e possui baixo custo (PHILIPPI, 2014). MENSURAÇÃO DOS ALIMENTOS É fundamental utilizar uma balança de precisão, observando a capacidade máxima do equipamento, além de regulá-la periodicamente. TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Ingredientes secos: os alimentos secos podem apresentar diversas formas (pós, grãos, pedaços, tabletes, entre outros), por isso é necessária uma atenção especial para garantir a pesagem e medição precisas. Alimentos como aveia, farinha, açúcar e grãos não devem ser pressionados no momento da medição. TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Os alimentos devem ser colocados no utensílio de medida com o auxílio de uma colher até encher por completo. Em seguida, usando o lado cego de uma faca ou uma espátula deve-se nivelar o conteúdo do ingrediente, retirando o excesso (PHILIPPI, 2014); TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Ingredientes líquidos: nesse tipo de alimento, devemos nos atentar aos quesitos temperatura e nivelamento. TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Ingredientes gordurosos ou pastosos: é necessário trabalhar com esses ingredientes em temperatura ambiente e assim como o caso anterior, devem ser colocados no utensílio com o auxílio de uma colher. Esses alimentos devem ser pressionados para ficarem mais bem acomodados no utensílio, assim, previne-se a formação de bolhas de ar. Quando alcançada a medida desejada, deve-se, como no caso dos alimentos secos, nivelar a superfície utilizando o lado cego de uma faca ou uma espátula. TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: INDICADORES DO PREPARO DE ALIMENTOS TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Conhecido também como Fator de Correção, é especialmente importante para o planejamento de cardápios e dietas. Prevê perdas inevitáveis que ocorrem no pré-preparo (limpeza, descascamento, desosso etc.) INDICADOR DE PARTE COMESTÍVEL (IPC) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: O IPC, conforme fórmula abaixo, é calculado pela divisão do Peso Bruto em gramas (PB) pelo Peso Líquido em gramas (PL): INDICADOR DE PARTE COMESTÍVEL (IPC) Veja como interpretar: IPC > 1,0 = Perda. IPC = 1,0 = Peso bruto é igual ao peso líquido. IPCque trabalha em UAN em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), solicitou a compra de 800 gramas de tomate. Após a lavagem e pré-preparo do ingrediente, no qual o funcionário retirou partes não comestíveis como cabos e pequenas folhas, o peso do tomate ficou em 710 gramas. Você sabe calcular o IPC desse alimento? IPC= 1,12, ou seja, houve perda do alimento. TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Esse índice é muito importante, pois a ausência do uso desse indicador pode aumentar os custos, elevar o desperdício de alimentos e aquisição superabundante. Além disso, é necessário considerar que técnicas empregadas no pré-preparo de alimentos, utensílios, equipamentos, recursos humanos, formas de apresentação e de consumo podem influenciar o valor do IPC (PHILIPPI, 2014). INDICADOR DE PARTE COMESTÍVEL (IPC) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Os alimentos podem modificar seu peso por conta da cocção. Essa modificação pode ser quantificada pelo Indicador de Conversão (IC), apresentado na seguinte fórmula: INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) Interpretação do IC: IC 1 – ganho na cocção TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Podemos utilizar essa fórmula também para saber o peso de um alimento que passa por descongelamento. Nesse caso então, seria a divisão do peso do alimento já descongelado pelo peso do alimento congelado (PHILIPPI, 2014). INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: No caso de preparações mais elaboradas, como feijoada e escondidinho, devemos dividir o peso o final pela soma do peso de todos os componentes da receita (PHILIPPI, 2014). INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Qual seria o IC do camarão que quando cru pesava 350 gramas e após cocção ficou com o peso de 270 gramas? INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Qual seria o IC do camarão que quando cru pesava 350 gramas e após cocção ficou com o peso de 270 gramas? INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) IC = 0,77, ou seja, perda na cocção TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: Esse indicador é muito usado para grãos, como arroz e feijão, e alimentos deixados no remolho (imergido em água). Por conta desse processo em que é submetido, o alimento ganha peso por conta da hidratação (PHILIPPI, 2014). INDICADOR DE REIDRATAÇÃO (IR) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: A cozinheira de uma UAN pesou 250 gramas de feijão para fazer uma receita. Após a reidratação, o ingrediente passou a pesar 500 gramas. Vamos calcular o IR: INDICADOR DE REIDRATAÇÃO (IR) TÉCNICAS DE PESAGEM PARA OS ALIMENTOS: A cozinheira de uma UAN pesou 250 gramas de feijão para fazer uma receita. Após a reidratação, o ingrediente passou a pesar 500 gramas. Vamos calcular o IR: INDICADOR DE REIDRATAÇÃO (IR) IR = 2 Quanto maior o tempo de reidratação, menor será o tempo de cocção do alimento. LEITURA Existência de indicadores de alimentos nas unidades de alimentação e nutrição dos serviços hospitalares https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6771875.pdf https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6771875.pdf TÉCNICAS BÁSICAS MÉTODOS DE DIVISÃO Divisão simples: nesse processo, o alimento é fracionado como cortado ou picado, bem como moído, triturado ou amassado (PHILIPPI, 2014). São exemplos de divisão simples: cortar um pepino para uma salada, moer uma carne etc. Primeiramente, fazemos o pré-preparo do alimento. Exemplos de tipos de divisão de alimentos no pré-preparo: MÉTODOS DE DIVISÃO Divisão com separação de partes: consiste em fracionar o alimento, sendo que cada parte terá uma seção do alimento. Para ingredientes líquidos podemos decantar ou centrifugar. No primeiro, deixamos o alimento descansando para que ocorra a separação, devido à diferença de densidades, como a gordura se separa do molho. Já no segundo, utilizamos uma centrífuga para ocorrer essa separação. Para os alimentos sólidos podemos: pelar ou descascar; peneirar e moer, mas, nesse caso, com o objetivo de separar as partes diferentes do alimento, como separar germes dos cereais. Ainda existe uma última possibilidade, que é separar um sólido de um líquido. Nesse caso, podemos espremer, coar ou filtrar, sedimentar e centrifugar. MÉTODOS DE UNIÃO Podemos realizar operações com o objetivo de unir ingredientes, como: Misturar (unir com energia mecânica); Bater (quando a mistura é um pouco mais difícil e precisamos de mais velocidade, podemos utilizar uma batedeira ou fazer de forma manual); Amassar ou sovar (método utilizado especialmente para massas, em que é necessária uma união uniforme dos ingredientes para o desenvolvimento do glúten) (PHILIPPI, 2014). MÉTODOS DE COCÇÃO Calor úmido: pode ocorrer por meio de líquido quente ou vapor. A cocção em líquido baseia-se em cozinhar os alimentos em água, que pode ser por fervura em fogo lento (cocção de longa duração de até 95° e água cobrindo o alimento, muito utilizada em carnes mais duras e doces) e fervura em ebulição (cocção em água a 100° para legumes e massas, por exemplo). Já no caso do vapor, este envolve o alimento e pode ser realizado sem pressão ou com pressão utilizando panelas de pressão (PHILIPPI, 2014); MÉTODOS DE COCÇÃO Calor seco: ocorre a desidratação do alimento. Quando se utiliza gordura, podemos saltear ou fritar. Já para o calor seco sem gordura, podemos assar ou grelhar (PHILIPPI, 2014); MÉTODOS DE COCÇÃO Calor misto: é realizado em duas etapas. Na primeira, emprega-se gordura para formar uma camada no alimento e em seguida, o alimento é submetido ao calor úmido. São exemplos de calor misto: brasear, refogar e ensopar (PHILIPPI, 2014). MÉTODOS DE COCÇÃO A cocção é a aplicação do calor em um alimento, e pode ser transmitido por irradiação, convecção ou condução. A irradiação é a transmissão do calor em formas de ondas, como acontece com o micro-ondas, por exemplo. MÉTODOS DE COCÇÃO A convecção ocorre pelo deslocamento das moléculas para cima, enquanto as mais frias descem. Isso acontece, pois a molécula aquecida fica menos densa. É um exemplo que ocorre com alimentos líquidos. Na condução, o calor é conduzido de uma molécula para outra por contato em alimentos sólidos e semissólidos. MÉTODOS DE COCÇÃO Diversos objetivos pode ser alcançados por meio da cocção, como aprimorar atributos sensoriais, diminuir atividade de água, eliminação ou prevenção contra microrganismos, aumentar a digestibilidade, reduzir ou inativar fatores antinutricionais, entre outros. MÉTODOS DE COCÇÃO Em relação às frituras, é importante saber que é dividida em três fases: Na fase 1 ocorre o aquecimento inicial e a evaporação da água; Na fase 2 ocorre a troca da água presente no alimento pelo óleo da fritura. O alimento se torna desidratado na parte exterior, enquanto na parte interior, a água que ainda resta proporciona o cozimento; Na fase 3 e última, é formada aquela crosta externa característica de frituras. OBRIGADA!