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Endereço da página:
https://novaescola.org.br/conteudo/7572/estabelecer-
uma-rotina-produtiva
Publicado em NOVA ESCOLA Edição 33, 15 de Dezembro | 2015
Planejamento | Como Aproveitar Bem O Tempo | Reportagens
Estabelecer uma rotina
produtiva...
...garante que ninguém fique parado à toa e mostra que a
equipe é capaz de integrar os cuidados com o ato de
educar
Adriana Toledo
Pensar numa rotina eficiente para bebês e crianças pequenas exige, é claro,
coordenar a intenção de cuidar com o ato de educar. "Nessa fase, as
necessidades biológicas, como sono, alimentação e higiene, são tão
importantes quanto as afetivas, motoras, cognitivas e sociomorais", destaca a
psicóloga Luciene Tognetta, da Universidade Estadual de Campinas, no
interior de São Paulo. Infelizmente, essa ainda não é a prática mais comum
em nosso país: a maior parte das creches é focada apenas na questão dos
cuidados, provavelmente porque essas instituições antigamente eram ligadas
às secretarias de Assistência Social, cujo principal objetivo era exatamente
esse.
O ideal, dizem os especialistas, é ter intenções educativas e definir as
atividades em função delas. Dessa forma, a rotina passa a ser um elemento
organizador do cotidiano. Para as crianças de até 3 anos, ter atividades
regradas garante mais conforto e segurança, pois eles se acostumam com a
seqüência de acontecimentos e conseguem prever o que virá depois. Isso
também permite que os pequenos conheçam seus limites e entendam que as
coisas nem sempre podem ser realizadas na hora e do jeito que eles
desejam. "A assimilação de normas desde a primeira infância é imprescindível
para que, no futuro, todos se tornem adultos seguros e tolerantes, capazes
de lidar com frustrações", explica a psicóloga Carolina Zambotto, de São
Paulo.
Um bom começo é considerar a faixa etária da turma e conhecer bem as
teorias sobre o desenvolvimento infantil. Não é possível estabelecer uma
rotina fixa para os bebês, que dormem mais e precisam ter as fraldas
https://novaescola.org.br/conteudo/7572/estabelecer-uma-rotina-produtiva
trocadas muitas vezes. Mas à medida que eles vão crescendo isso se torna
essencial. Sabe-se que, quanto menor a idade, maior a necessidade de
repetir a rotina até todos assimilarem as regras. Aos 2 anos, por já saberem
andar e entender quase tudo o que lhes é dito, as crianças têm muito mais
facilidade para se adaptar. Entender o contexto social do grupo e a relação
da turma com a família também ajuda a criar rotinas mais adequadas.
Finalmente, o tempo de adaptação às atividades precisa ser levado em conta.
"É importante que tudo o que é planejado possa ser concluído com
tranqüilidade", aconselha a psicóloga Roberta Rocha, da Universidade
Estadual de Campinas. Os de 1 ano e meio, por exemplo, demoram mais para
chegar ao parque do que os maiores e, por isso, é preciso sair da sala um
pouco mais cedo. Nunca é demais lembrar que a capacidade de concentração
aumenta gradativamente, conforme a idade. Ou seja, nada de prever tarefas
muito longas para não desanimar a criançada.
 
Os fixos e os variáveis
No cotidiano, a chegada da turma é um momento muito especial. É preciso
acolher um a um e manter entretidos os que já estão na escola. Organize a
sala (ou o pátio) em cantos de atividades diversificadas. Assim, o dia começa
de forma agradável e tranqüila. Assim como essa "recepção", outros
momentos merecem ser tratados como "intocáveis", caso do descanso e das
refeições. Portanto, comece definindo esses horários e, depois, divida o dia
em grandes blocos, que permitam variações de tarefas (confira um modelo
de rotina da creche da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no quadro
abaixo).
O planejamento diário é outro elemento indispensável e pode ser feito numa
roda de conversa. Peça que os pequenos participem dando sugestões sobre
o que fazer (propor atividades estimula a autonomia e o raciocínio). "Use
fotos e desenhos para ilustrar cada atividade e promover o hábito e a
previsibilidade da seqüência", sugere a psicóloga Beatriz Cunha, da
Universidade Estadual de São Paulo em Assis, no interior paulista.
A rotina, é importante destacar, não precisa ser sempre a mesma. Pense, por
exemplo, na seqüência roda de conversa-parque-lanche. Num dia, você pode
contar uma história no parque e, em outro, na sala de aula. "Em
comemorações como a festa junina e o encerramento do ano letivo, que
ocorrem sempre na mesma época do ano, aproveite para criar atividades
mais marcantes", recomenda a professora Maria Carmen Barbosa, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Os eventos podem variar,
contanto que todos sejam previamente avisados e preparados."
Em todos os casos, os cuidados devem estar vinculados ao ato de educar.
"São ocasiões especiais de intimidade, sobretudo por causa da chance de
oferecer um tratamento individual à meninada", diz Karina Rizek. Ao trocar a
fralda e pedir que a criança segure a pomada contra assaduras, o educador
estimula a autonomia e a participação. Incentivar a comer com a própria
colher, por sua vez, favorece a capacidade motora. E conversar durante o
banho desenvolve a linguagem oral e o relacionamento afetivo.
Atenção do primeiro ao último minuto
Crianças da Creche da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: o bom
planejamento ajuda a manter todos bem cuidados e aprendendo
Confira a seguir como a equipe da Creche da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, em Porto Alegre, organiza um dia de trabalho. Algumas
tarefas são flexíveis e podem ser alternadas entre si.
Entrada (das 7h30 às 9h) - Quatro professores se dividem entre
acompanhar as brincadeiras dos bebês e das crianças e acolher os que
chegam com os pais.
Lanche
Roda de conversa - As crianças se reúnem com o professor para falar
sobre um assunto previamente determinado e planejar a rotina.
Atividade dirigida (sujeita a variação de acordo com o clima) - Em sala,
pode ser contação de história, desenho, pintura etc. No parque, a
pedida é movimento, faz-de-conta etc.
Almoço
Descanso
Higiene - Ao despertar, as crianças lavam as mãos, escovam os dentes e
têm as fraldas trocadas. Todos os colchões são empilhados na sala
Atividade em roda - É hora de jogar, cantar ou combinar algo
Atividade dirigida (sujeita a variação de acordo com o clima) - Em sala,
pode ser contação de história, desenho, pintura etc. No parque, a
pedida é movimento, faz-de-conta etc.
Jantar
Higiene
Saída (18h30)
 Espaço e materiais
O ambiente e os recursos disponíveis na escola são tão importantes quanto a
organização do tempo. "Os pequenos adquirem experiência por meio da
ação, do desafio, da exploração prática do espaço e dos objetos", afirma
Maria Carmen. É tocando, mordendo, chutando, dançando, pegando e
transpondo obstáculos que eles assimilam conhecimentos. Por isso, alterne
as atividades realizadas no interior da sala com outras em espaços externos
(dentro e fora da escola) e abuse de cores, texturas, tamanhos, formas e
temperaturas. Não basta explicar o que é um objeto redondo. É preciso dar
uma bola para a criança.
Para garantir que todo esse planejamento seja bem-sucedido no dia-a-dia,
tenha sempre livros para as atividades de contação de história, tintas para as
pinturas, giz de cera para os desenhos, fantasias para o faz-de-conta, bolas e
colchonetes para as atividades de movimento e assim por diante. Em outras
palavras, estimule as crianças a mexer o corpo, testar diferentes materiais,
brincar, pensar soluções, transpor desafios, interagir com os colegas.
 
Do papel para a sala
Uma vez que você já sabe o que pretende fazer a cada dia, nada melhor do
que reunir todo o material necessário com antecedência. Isso evita deixar a
turma sem ter o que fazer na hora de passar de uma atividade para outra. O
ideal, aliás, é que essa transição seja gradual. Nada de interromper
bruscamente uma brincadeira só porque chegou a hora de almoçar. Da
mesma forma, se uma criança fez xixi e está adorando folhear um livro, sugira
que ela o leve para o fraldário.
Por mais que você consiga montar um bom planejamento,é bom contar com
imprevistos e, o mais importante, respeitar o ritmo individual. Deixar alguém
ocioso, esperando que os colegas concluam uma tarefa, também é mau
negócio. "Isso costuma gerar conflito e desordem", diz Roberta. Por isso, é
bom ter algumas cartas na manga para poder oferecer opções para os mais
apressados. Esse raciocínio vale para os que não querem dormir no
momento previsto para o descanso.
Para as crianças com deficiência, não há recomendações específicas. O
melhor é que elas façam tudo junto com os colegas. "Basta que o professor e
a turma as ajudem a superar suas limitações", diz Luciene Tognetta. Se uma
usa cadeira de rodas, os demais podem pensar em como incluí-la num
esconde-esconde. "Essa é uma oportunidade para ensinar a conviver com as
diferenças."
Quer saber mais?
Contatos
Creche da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, R. São Manoel,
s/nº, 90620-110, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3308-5273, creche@ufrgs.br
Secretaria Municipal de Educação de Amparo, Av. Francisco Prestes
Maia, 1119, 13900-200, Amparo, SP, tel. (19) 3807-2855
Bibliografia
Por Amor e por Força - Rotinas na Educação Infantil, Maria Carmen
Silveira Barbosa, 240 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 42 reais
Fotos: Marcelo Kura e Tamires Kopp; Agradecimentos: Best Baby, Ecobaby, Imaginarte
Empório Lúdico, Le Postiche e Ri Happy
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	Do papel para a sala
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	Fotos: Marcelo Kura e Tamires Kopp; Agradecimentos: Best Baby, Ecobaby, Imaginarte Empório Lúdico, Le Postiche e Ri Happy

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