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Dislipidemia Metas terapêuticas A principal meta a ser alcançada é a redução do LDL-c. ● Nos pacientes de muito alto risco, as metas de devem ser menores do que 50 mg/dl. ● Naqueles de alto risco, o valor de LDL-c a ser atingido é menor que 70 mg/dl. ● Nos casos de risco intermediário e baixo risco, as metas são menores do que 100 e 130 mg/dl, respectivamente. Uma meta secundária é o valor do colesterol não HDL. Aqui, tem uma regra simples: ● A meta do não HDL-c deve ser 30 mg/ dl acima da meta para o LDL-c; ● Portanto, para muito alto risco, a meta deve ser 3 a 7 vezes o LSN com sintomas toleráveis, é necessária a redução da dose, seguida de uma monitorização mais cautelosa da CPK. ● Na presença de sintomas intoleráveis e elevação da CPK entre 3 a 7 vezes o LSN, a suspensão da estatina é necessária, com monitorização periódica dos níveis de CPK a cada 4 a 6 semanas. ● Caso os níveis de CPK aumentem > 7 vezes o LSN, a suspensão da medicação deve ser feita, independentemente da presença de sintomas; ● Se os sintomas persistirem após a suspensão da estatina, avaliar a possibilidade de miopatia não relacionada ao uso da estatina e de miopatia autoimune necrosante induzida pela estatina. E como fica a toxicidade hepática? É recomendada a avaliação basal das enzimas hepáticas (ALT e AST) antes do início do tratamento. As estatinas devem ser suspensas em caso de hepatotoxicidade (2 ou + dos seguintes): ● Icterícia; ● Hepatomegalia; ● Aumento da bilirrubina direta; ● Aumento do tempo de protrombina (INR). Quando suspender o uso de estatina? ● Sintomas musculares intoleráveis + elevação da CPK > 3 a 7x o LSN; ● Elevação da CPK > 7x o LSN, independentemente da presença de sintomas; ● Sintomas de hepatotoxicidade (icterícia, hepatomegalia, aumento da bilirrubina direta ou do INR). Tratamento recomendado de acordo com os riscos cardiovasculares: Risco muito alto e alto Estatinas de alta potência (redução de > 50% de LDL-c) ● Atorvastatina 40-80 mg ● Rosuvastatina 20-40 mg ● Sinvastatina 40 mg/ezetimiba 10 mg Risco intermediário Estatina de moderada potência (redução de 30- 50% de LDL-c) ● Lovastatina 40 mg ● Sinvastatina 20-40 mg ● Pravastatina 40-80 mg ● Fluvastatina 80 mg ● Pitavastatina 2-4 mg ● Atorvastatina 10-20 mg ● Rosuvastatina 5-10 mg Risco baixo Individualizar conduta – pacientes sem resultado com MEV ● Lovastatina 40 mg ● Sinvastatina 20-40 mg ● Pravastatina 40-80 mg ● Fluvastatina 80 mg ● Pitavastatina 2-4 mg ● Atorvastatina 10-20 mg ● Rosuvastatina 5-10 mg Ezetimiba ● Atua inibindo a absorção e o transporte do colesterol no intestino delgado; ● Se usada isoladamente, reduz cerca de 10 a 25% do LDL-c, tendo seu efeito potencializado quando associada à estatina; ● É empregada em dose única de 10mg ao dia, em qualquer horário, com raros efeitos colaterais. Resinas ● Reduzem a absorção de sais biliares e, consequentemente, do colesterol; ● Podem ser usadas em crianças e são o único hipolipemiante liberado para mulheres no período reprodutivo, durante a gestação e a amamentação; ● Assim como a ezetimiba, têm seu efeito potencializado em associação com a estatina, com redução de, aproximadamente, 20% do LDL-c; ● A colestiramina é a única resina disponível no Brasil. A posologia inicial é de 4g ao dia, podendo atingir, no máximo, 24g. Doses superiores a 16g por dia dificilmente são toleradas. Seus principais efeitos colaterais: ● Estão relacionadosà intolerância gastrointestinal e à diminuição da absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e ácido fólico; ● São eles: obstipação (principalmente em idosos), plenitude gástrica, náuseas e meteorismo, além da exacerbação de hemorroidas preexistentes. ● Também pode provocar aumento dos TG, devendo ser evitada na hipertrigliceridemia (TG > 400 mg/dl). Tratamento da hipertrigliceridemia Não há evidências de que o tratamento farmacológico da hipertrigliceridemia diminua o risco de eventos cardiovasculares! O principal objetivo do tratamento é reduzir o risco de pancreatite, geralmente quando os TG estão acima de 500 mg/dl. ● Na hipertrigliceridemia isolada a principal medicação são os fibratos, seguidos pelo ácido nicotínico. ● Já na hiperlipidemia mista, a taxa de TG vai orientar como o tratamento farmacológico será iniciado. ➔ Se as taxas estiverem > 500 mg/ dl, deve-se iniciar o tratamento com fibratos, adicionando, se necessário, ácido nicotínico ou ômega 3. ➔ Caso as taxas de TG estejam 500 mg/dl). ● Agem aumentando a produção e a ação da lipase lipoproteica, reduzindo o nível dos TG de 30 a 60% e aumentando o HDL-c de 7 a 11%. Sua ação sobre o LDL-c é variável, podendo diminuir, não modificar ou até aumentar seus níveis; Efeitos colaterais ● São raros, mas podem ocorrer distúrbios gastrointestinais, mialgia, astenia, litíase biliar (mais comum com o clofibrato), diminuição da libido, erupção cutânea, prurido, cefaleia e perturbação do sono. Ácido nicotínico (niacina) ● Reduz a ação da lipase tecidual nos adipócitos, diminuindo a liberação de ácidos graxos livres para a corrente sanguínea e a produção hepática de TG; ● Recomenda-se iniciar com 500 mg ao dia, com aumento gradual até 1 a 2g. O efeito sobre o perfil lipídico ocorre somente após vários meses de tratamento; ● Também reduz o LDL-c em 5 a 25%, o TG em 20 a 50% e aumenta o HDL-c em 15 a 35%; ● Devido aos efeitos colaterais com a formulação de liberação imediata (rubor e prurido) e a relatos de hepatotoxicidade com a forma de liberação lenta, prefere-se a forma de liberação intermediária. Ácidos graxos ômega 3 ● São poli-insaturados derivados dos óleos de peixes de água fria e de certas plantas e nozes; ● Em altas doses (4 a 6 g/dia), reduz o TG e eleva discretamente o HDL-c, entretanto, pode aumentar o LDL-c.