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INTRODUÇÃO A presente apostila tem por finalidade apresentar uma análise dos desafios e das oportunidades para uma empresa se debruçar sobre o Planejamento Estratégico de Marketing. Para isso, primeiramente, apresentamos uma definição PEM e iremos propor um modelo para estruturar um plano de marketing. Em seguida, discutiremos os fatores que servem de parâmetros de análise para os ambientes externo, organizacional e do consumidor, os quais impactam a demanda dos nossos produtos e serviços, bem como toda a nossa estratégia de marketing. Por fim, estudaremos como definir metas e objetivos com base nas análises feitas no módulo anterior, e veremos como elaborar e implementar um plano de marketing. Bem-vindos ao grande desafio dos profissionais de marketing! Boa leitura! SUMÁRIO MÓDULO I – ESTRUTURA DO PLANO DE MARKETING ...................................................................... 7 MARKETING: CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE ................................................................ 7 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING (PEM): UMA DEFINIÇÃO ........................................ 9 Benefícios do desenvolvimento do PEM .............................................................................. 10 SISTEMA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING (PEM) ......................................... 11 ESTRUTURA DO PEM ....................................................................................................................... 14 Sumário executivo ................................................................................................................... 16 MÓDULO II – ANÁLISE DOS AMBIENTES DE MARKETING ............................................................... 19 ANÁLISE DOS AMBIENTES MERCADOLÓGICOS ........................................................................... 19 Análise do ambiente externo ................................................................................................. 21 Ambiente econômico ......................................................................................................... 24 Fatores socioculturais ........................................................................................................ 25 Ambiente demográfico ...................................................................................................... 27 Ambiente da concorrência ................................................................................................ 27 Fatores políticos, fiscais e legais ....................................................................................... 32 Fatores tecnológicos .......................................................................................................... 32 Mercado ............................................................................................................................... 35 Análise do ambiente interno .................................................................................................. 36 Missão organizacional ....................................................................................................... 37 Visão organizacional .......................................................................................................... 40 Valores organizacionais ..................................................................................................... 41 Políticas organizacionais .................................................................................................... 43 Estruturas e processos organizacionais .......................................................................... 43 AMBIENTE DO CONSUMIDOR ........................................................................................................ 45 Fatores pessoais ................................................................................................................. 46 Valor percebido pelo consumidor .................................................................................... 47 Estratégias de posicionamento ........................................................................................ 48 Mapa de posicionamento .................................................................................................. 51 Mapa de empatia ................................................................................................................ 52 MÓDULO III – IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE MARKETING ........................................................ 55 ANÁLISE SWOT ................................................................................................................................. 55 METAS E OBJETIVOS DE MARKETING ............................................................................................. 57 PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DO PEM ............................................................................ 60 JUSTIFICATIVA DO PEM .................................................................................................................... 64 Análise financeira: orçamento e controle ............................................................................. 64 Indicadores de desempenho de marketing ......................................................................... 64 Balanced Scorecard (BSC) ....................................................................................................... 64 Dimensões do BSC ............................................................................................................. 65 Indicadores ou métricas .................................................................................................... 66 BSC: um mapa estratégico ................................................................................................ 68 CONCLUSÃO ......................................................................................................................................... 69 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 70 PROFESSOR-AUTOR ............................................................................................................................. 71 Neste primeiro módulo, apresentaremos uma discussão sobre o que é, efetivamente, o Planejamento Estratégico de Marketing (PEM), e qual a sua importância para as empresas e os profissionais da área. Também iremos propor um modelo de Plano de Marketing, no qual sistematizamos todo o processo de concepção, delimitação e implementação do plano de marketing. Marketing: contextualizando historicamente O que vem à sua mente quando falamos a palavra marketing? Provavelmente, vendas, propaganda e comunicação. Pois é, marketing passou a ser tão falado quanto globalização e economia de mercado. No entanto, isso é uma história recente, já que o marketing era um ilustre desconhecido há algumas décadas. Como a maioria das teorias da administração, o berço do Marketing está nos estados Unidos e só foi difundido para o resto do mundo a partir do fim da Segunda Guerra Mundial (1945), quando esse país ganhou a hegemonia global. No Brasil, segundo o professor Raimar Richers (2000, p. 13) o termo marketing começou a ser empregado a partir de 1954, na recém-criada Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), da Fundação Getúlio Vargas. Na época, segundo o professor, tínhamos dúvidas de que uma palavra de origem norte- americana pudesse ser difundida no Brasil. Desse modo, foi cunhado o termo mercadologia, que não se firmou no meio acadêmico nem no meio empresarial, como a história é testemunha. E o que teria acontecido, no Brasil, para que a incorporação da palavra marketing ao vocabulário popular pudesse ser explicada? MÓDULO I – ESTRUTURA DO PLANO DE MARKETING 8clientes e segmentos de mercado a serem atendidos, e sistemas operacionais mais eficazes a serem adotados –, possibilita-nos estender nossa definição de missão. A definição de missão sob o aspecto social nasce do comprometimento da organização com a comunidade na qual está inserida. A crescente pressão da sociedade, dos consumidores e do governo para que as organizações assumam um compromisso com as causas sociais e com a preservação do meio ambiente tem feito com que elas reflitam essa demanda social no escopo do seu negócio e nas suas declarações de missão. No curto prazo, atender essa demanda pode até diminuir sua rentabilidade, no entanto, a médio e longo prazos, resulta em ganhos significativos na imagem corporativa e na de seus produtos, proporcionando mais satisfação e orgulho para seus clientes. Apesar de as ações de apoio à preservação do meio ambiente e dos interesses maiores da comunidade representarem um aumento de custo, o que se verifica é que a organização acaba sendo reconhecida e recompensada pela sua clientela. 39 A declaração de missão também precisa responder às seguintes questões, agora e no futuro (Drucker, 1973, capítulo 7): Qual é o nosso negócio? Quem é o nosso consumidor? Onde será nossa base? Quais são nossas prioridades? Qual é nossa estratégia de segmentação? Como atingiremos isso? Qual é nosso desafio? Qual é nosso diferencial? Com qual finalidade estamos nesse negócio? Atendemos a que grupos de interesse? A declaração de missão deve ser bem divulgada, principalmente, entre os colaboradores, com o intuito de desenvolver um senso comum de oportunidade, rumo e significância, servindo como um guia para que os esforços individuais e independentes sejam compatíveis e coordenados com o coletivo. A seguir, temos vários exemplos de missão. Grupo Gerdau O Grupo Gerdau é uma organização empresarial focada na siderurgia, com a missão de satisfazer as necessidades e de criar valor para os acionistas, comprometida com as pessoas e com o desenvolvimento sustentado. Fundação Getulio Vargas Avançar nas fronteiras do conhecimento na área das Ciências Sociais e afins, produzindo e transmitindo ideias, dados e informações, além de conservá-las e sistematizá-las, de modo a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do País, para melhoria dos padrões éticos nacionais, para uma governança responsável e compartilhada e pela inserção do País no cenário internacional. O Boticário Criar produtos e serviços que enalteçam a beleza e promovam o bem-estar das pessoas, traduzindo essa intenção em valores percebidos pelos clientes, para conquistar sua fidelidade e assegurar o crescimento e a rentabilidade do negócio. 40 Sadia O atendimento das necessidades de alimentação do ser humano, com produtos saborosos e saudáveis, criando valor para o acionista e para o consumidor, contribuindo para o crescimento e a felicidade das pessoas. Marcopolo Oferecer soluções, bens e serviços para satisfazer clientes e usuários, com tecnologia e performance, remunerar adequadamente o investimento, atuando para que seja priorizado o transporte coletivo de passageiros e contribuindo para melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e da sociedade. Visão organizacional As organizações são criadas e existem para realizar algum propósito. Quando um negócio é iniciado, frequentemente, seus fundadores têm uma visão de futuro e valores pessoais bem claros, mesmo que não formalizados. À medida que o tempo vai passando, muitas coisas acontecem: as condições de mercado mudam, a empresa muda de porte e seu mix de produtos é alterado. Além disso, devido aos mais variados motivos, seus fundadores são afastados da administração ou ficam em posições distantes da maioria dos funcionários. Nesse contexto, faz-se necessário que sejam formalizadas as declarações de visão, de políticas e dos valores da organização para orientar e alinhar a direção de todos os que têm interesse no sucesso da organização – usualmente, chamados de stakeholders: acionistas, colaboradores, fornecedores, prestadores de serviços, administradores, clientes, governo e a comunidade em geral (Ansoff, 1990, p. 51). A visão de futuro é o ponto de partida do planejamento estratégico, é o que se idealiza para a empresa. As declarações de visão das organizações devem ser construídas com base nos seus valores e nos seus mais acalentados sonhos, desejos e ambições, para poder, no longo prazo, servir de forma alentadora como um norte aos esforços coletivos de seus colaboradores. A declaração de visão deve ser redigida de forma ampla, para canalizar positivamente todos os seus anseios coletivos da organização em direção àquele objetivo que é quase impossível de se alcançar: a organização dos nossos sonhos (Armstrong, 1995, p. 24). Vejamos alguns exemplos de visões de empresas brasileiras relevantes em 2017: Grupo Gerdau “Ser uma empresa siderúrgica internacional de classe mundial”. 41 O Boticário “Ser reconhecido por colaboradores, parceiros, clientes e segmento onde atua, como uma das mais importantes referências mundiais em beleza e fazer que suas ações para a preservação da vida estabeleçam uma forte identificação com a sociedade”. Vale “A empresa se diferenciará pela imagem de sua marca, por excelência nos serviços, inovação e qualidade dos p Transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável”. Natura “Segundo o entendimento da Natura, uma visão tem como matéria prima fundamental o sonho. Ela é a projeção futura de um ideal que, mesmo distante, já se torna verdade concreta em nossos corações. A sua definição é: a Natura será um dos líderes em seu mercado, diferenciando-se pela qualidade das relações que estabelece, por suas crenças e valores expressos de forma radical através de produtos, serviços e comportamento empresarial que promovam a melhor relação da pessoa consigo mesma, com a natureza e com todos que a cercam”. Valores organizacionais Por valores são entendidas as crenças básicas, os ideais e a ética levados em consideração por ocasião da tomada de decisão na organização (Joyce, 1999, p. 32). As organizações que possuem valores positivos arraigados levam vantagem sobre as demais, uma vez que, nos períodos de crise, eles são muito importantes na construção da reação da empresa. Nesse caso, não basta que apenas a alta administração esteja sinceramente comprometida com os valores da organização, é preciso que todos os seus colaboradores compartilhem desses mesmos ideais. Empresas com valores não definidos criam uma ambiência interna sem limites, ou seja, com ausência de ética, crenças e ideais. Consequentemente, com caminhos diversos para diferentes posturas e atitudes. A escala de valores define a hierarquia de prioridades em uma organização assim como serve de base para o estabelecimento das regras de conduta de todos os seus componentes. Em vista do exposto, é recomendável que os programas de incentivo e os sistemas de avaliação de desempenho das organizações encontrem alguma forma de recompensar os funcionários que apresentarem comportamentos compatíveis com seus valores culturais (David, 1995, p. 251). 42 A seguir, vejamos alguns exemplos de valores: Grupo Gerdau cliente satisfeito; pessoas realizadas; segurança total no ambiente de trabalho; qualidade em tudo que faz; segurança e solidez; seriedade com todos os públicos e lucro como medida de desempenho. O Boticário respeito e comprometimentos mútuos; participação e trabalho em equipe; objetivos e metas claras e definidas; reconhecimento pela contribuição para os resultados; desenvolvimento pessoal e profissional; valorização da vida e do meio ambiente; inovaçãoe qualidade, e empreendedorismo e ousadia. Marcopolo cliente – contato permanente para orientar nossas ações; lucro – essencial para o desenvolvimento e perpetuação da empresa; mercado – liderança permanente; ser humano – respeitado, comprometido e valorizado, é a segurança do nosso sucesso; comunicação – ágil, clara e objetiva e imagem – patrimônio a ser preservado e fortalecido. Natura Para a Natura, a vida é um encadeamento de relações. No universo, nada existe por si só, tudo é interdependente. Acredita, profundamente, na percepção da importância das relações e da oportunidade de uma grande revolução humana na busca da harmonia, da beleza do ser. Com base nisso, suas crenças são: a busca permanente do aperfeiçoamento é que promove o desenvolvimento das organizações e da sociedade; o compromisso com a verdade é o caminho para o aperfeiçoamento e a qualidade das relações; 43 a vida se manifesta por meio da diversidade e a busca da beleza, como aspiração da alma, da mente e do corpo, deve estar livre de preconceitos e manipulações. Políticas organizacionais Políticas são as formas pelas quais as organizações se relacionam com seus stakeholders, ditando os seus escopos de atuação competitiva. A definição de políticas e sua formalização parametrizam os limites da ação individual e servem de referência para decisões (Kotler, 2000, p. 88). Nem sempre o caminho a seguir é muito claro e os colaboradores nem sempre têm um nível ético elevado. Em vista disso, faz-se necessário que a organização desenvolva políticas, ou seja, amplas orientações que defina o seu padrão ético geral e ao qual todos devem-se submeter. Muitas vezes, os problemas éticos que os profissionais enfrentam não são fáceis de resolver. Alguns julgam que tudo aquilo que o sistema de livre mercado e a legislação do país permitem é moralmente correto, é passível de ser adotado. Outros julgam que as organizações são compostas por pessoas que possuem uma consciência social que não as permite fazer determinadas coisas que julgam não serem corretas, mesmo que aceitas pela sociedade (Thompson, 2000, p. 390). A definição das políticas da organização deve considerar esses aspectos e, usualmente, é agrupada em dois documentos principais: Compromisso Público – voltado para o público externo. Ele abrange a declaração dos princípios e valores da organização e seus compromissos com os clientes, com os sócios e investidores, e com os colaboradores. Código de Conduta – voltado para o público interno. Trata das regras de conduta dos colaboradores e dos sócios envolvidos na gestão do negócio. Atualmente, é muito importante que as políticas (e práticas) organizacionais estejam alinhadas com os conceitos fundamentais de ESG. Por definição, ESG está associado às ações organizacionais como também ao meio ambiente (Environment), às dimensões sociais (Social) e à governança corporativa (Governance). Estruturas e processos organizacionais Michael Porter propôs a cadeia de valor como uma ferramenta para identificar as maneiras pelas quais se pode criar mais valor para os clientes (ver figura a seguir). Segundo ele, toda empresa representa um conjunto de atividades que são desenhadas para projetar, produzir, comercializar, entregar e sustentar seu produto. A cadeia de valor identifica nove atividades estrategicamente relevantes, que criam valor e custo em determinado negócio. Essas atividades criadoras de valor consistem em cinco atividades principais e quatro atividades de apoio, conforme podemos ver na figura a seguir. 44 Figura 7 – Cadeia de valor Fonte: Porter, 2000. As principais atividades são: trazer materiais para dentro da empresa (logística interna), convertê-los em produtos finais (produção), expedir estes produtos finais (logística externa), comercializá-los (marketing e vendas) e prestar assistência técnica aos clientes (serviço). As atividades de apoio – aquisição, desenvolvimento de tecnologia, gerência de recursos humanos e infraestrutura da empresa – são realizadas em determinados departamentos, mas não apenas ali. Outros departamentos podem realizar alguma atividade de aquisição ou contratação de pessoal, por exemplo. A tarefa das empresas é examinar seus custos e seu desempenho em toda a sua atividade que gera valor, buscando sempre o aprimoramento de seus processos. O sucesso da empresa não depende apenas do grau de excelência com que cada departamento desempenha seu trabalho mas também do grau de excelência de coordenação das diversas atividades departamentais. Muito frequentemente nas empresas, departamentos agem para maximizar seus lucros, e não os da empresa e de seus clientes. 45 Ambiente do consumidor Na terceira e última parte da análise ambiental, o gerente de marketing deve examinar o ambiente do consumidor para avaliar a situação atual e futura a respeito dos mercados-alvos da empresa. Durante essa análise, deve-se coletar informações que identifiquem: os consumidores atuais e potenciais da empresa; as necessidades prevalecentes dos consumidores; as características básicas dos produtos da empresa e dos concorrentes que atendem às necessidades dos consumidores e as mudanças previstas nessas necessidades. Nessa etapa, é fundamental que saibamos expandir o modelo dos 5W para a análise do consumidor que foi adaptado por Donald Lehmann e Russell Winer, no artigo Analysis for Marketing Planning. Vejamos: 1. Quem são nossos consumidores atuais e potenciais? a. Quais as características demográficas, geográficas, psicográficas deles? b. Quem compra nossos produtos realmente? c. Esses compradores diferem dos usuários de nossos produtos? d. Quem são os principais influenciadores da decisão de compra? e. Quem é financeiramente responsável pela compra? 2. O que os consumidores fazem com o nosso produto? a. Em que quantidade e combinações nossos produtos são comprados? b. Como os grandes usuários de nossos produtos diferem dos pequenos? c. Há o uso de produtos complementares durante o consumo do nosso produto? d. O que nossos consumidores fazem com nossos produtos ou nossas embalagens? 3. Onde os consumidores compram nosso produto? a. De que tipo de intermediários nossos produtos são comprados? b. O comércio eletrônico tem efeito sobre nossa demanda? c. Nossos consumidores estão aumentando as compras em varejo nas lojas, na internet? 4. Quando os consumidores compram nossos produtos? a. A compra é sazonal? b. Até que ponto os eventos promocionais afetam a demanda? c. A nossa demanda varia em função da vizinhança física ou social, das percepções de tempo? 46 5. Por que e como os consumidores selecionam nossos produtos? a. Quais as características básicas de nossos produtos versus os da concorrência? b. Quais as necessidades dos consumidores que são atendidas pelos benefícios proporcionados pelo nosso produto e pelos da concorrência? c. Quão bem nosso produto e os da concorrência atendem às necessidades dos clientes? d. Como as necessidades de nossos consumidores tendem a mudar no futuro? e. Qual o método de pagamento mais utilizado na compra de nossos produtos? f. Nossos consumidores estão propensos a desenvolver relacionamentos de longo prazo com nossa empresa e com as empresas concorrentes, ou eles se preocupam apenas com as vantagens oferecidas (preço, conveniência)? 6. Por que os consumidores potenciais não compram nosso produto? a. Quais as necessidades básicas dos não consumidores que não estão sendo atingidas? b. Quais as características, benefícios, ou vantagens dos produtos concorrentes que afastam os não consumidores de nossa empresa? c. Há problemas relacionados à distribuição, promoção e preço? d. Qual o potencial de transformar os não consumidores em consumidores de nossos produtos? Fatorespessoais As decisões do comprador também são influenciadas por características pessoais, como idade e estágio do ciclo de vida, ocupação, circunstâncias econômicas, estilo de vida, personalidade e autoimagem. Idade e estágio no ciclo de vida vão influenciar, por exemplo, o tipo de alimento consumido (de papinha para bebê a dietas especiais), tipo de roupa, móveis, carro etc. O padrão de consumo também é moldado conforme o ciclo de vida da família (solteiro jovem que mora com os pais; recém-casados sem filhos; ninho cheio, variando com a faixa etária dos filhos; sobrevivente solitário com atividade profissional; sobrevivente solitário e aposentado). Em que ciclo de vida você está e como isso tem impacto seus hábitos de consumo ultimamente? Ocupação do consumidor e o impacto das circunstâncias econômicas irão determinar a escolha do produto. Em outras palavras, nosso nível de demanda é diretamente ou inversamente proporcional à renda disponível, débitos, capacidade de endividamento. Desse modo, as empresas de produtos sensíveis ao nível de renda prestam atenção às tendências de renda pessoal, economias e taxas de juros. Se os indicadores econômicos apontarem para uma recessão, os profissionais de marketing podem tomar providências para reformular, reposicionar, reestudar os preços de seus produtos para continuar a oferecer valor aos clientes-alvo. Como a sua profissão e as circunstâncias econômicas do Brasil têm influenciado os seus hábitos de consumo? Estilo de vida é o padrão de vida da pessoa, que é expresso por atividades, interesses e opiniões, representando a pessoa por inteiro e como ela interage com o meio ambiente. Pessoas da mesma subcultura, classe social e ocupação podem ter estilos de vida bem diferentes. Psicografia é 47 a ciência da mensuração e categorização do estilo de vida de um consumidor. Um dos sistemas de classificação mais usados é o VALS 2 (Values and Lifestyles) da SRI International (www.future.sri.com). Ele classifica todos os adultos norte-americanos em 8 grupos, com base em atributos psicológicos. Vejamos: 1. atualizados – bem-sucedidos, sofisticados, ativos que gostam de produtos caros e sofisticados; 2. satisfeitos – maduros, satisfeitos que dão preferência à durabilidade e funcionalidade dos produtos; 3. empreendedores – bem-sucedidos, orientados para a carreira de trabalho, gostam de produtos de prestígio que demonstrem seu sucesso; 4. experimentadores – jovens, vigorosos, impulsos e rebeldes, que gastam muito em roupa, música, cinema, fast-food; 5. crédulos – conservadores, convencionais e tradicionais, gostam de marcas conceituadas; 6. lutadores – instáveis, inseguros, buscam aprovação, têm recursos limitados, por isso, buscam produtos da moda que os igualem ao público de maior poder aquisitivo; 7. executores – práticos, autossuficientes, tradicionais, orientados para a família, focam em ferramentas, veículos, equipamento de pesca, entre outros, e 8. esforçados – resignados, passivos, velhos, com recursos limitados, que são cautelosos e fiéis às marcas tradicionais. Qual é o seu estilo de vida? Como você se vê? Como os outros lhe veem? Por fim, temos a personalidade e a autoimagem, ou seja, características psicológicas distintas, que levam a reações relativamente coerentes e contínuas no ambiente. A personalidade pode ser uma variável útil para analisar o comportamento do consumidor, uma vez que os tipos de personalidade podem ser classificados com precisão, e existem fortes correlações entre certos tipos de personalidades e as escolhas de produtos e marcas. Da mesma forma, a autoimagem do consumidor pode ser inflada pelos profissionais de marketing (ideal versus real). Os produtos que você compra refletem o que você realmente é ou o que gostaria de ser? Valor percebido pelo consumidor O Valor Percebido pelo Consumidor (VPC) corresponde à taxa os Benefícios Recebidos pelos Consumidores (BRC) e aos Custos para os Consumidores (CC). O objetivo de um PEM é maximizar o VPC, ou seja, aumentar os BRC e minimizar os CC. Os benefícios recebidos pelos consumidores (BRC) são avaliados em função da qualidade do produto ou serviço em si (características, marca, estilo, garantia, durabilidade, facilidade de uso, imagem, prestígio), da qualidade dos serviços (empatia dos funcionários, confiabilidade) e da qualidade baseada na experiência (atmosfera, publicidade, decoração da loja, propaganda, promoção). 48 Os custos para os consumidores (CC) refletem todos os gastos e esforços que os consumidores têm para adquirir nossos produtos ou serviços. Tais custos podem ser pecuniários (financeiros) ou não pecuniários, como o tempo gasto no deslocamento, o risco percebido na localização do nosso negócio. Podemos reduzir os custos para os nossos clientes oferecendo serviços gratuitos ou a instalação do produto. Estratégias de posicionamento Há três diferentes estratégias de posicionamento, segundo Porter. A primeira se chama estratégia de diferenciação. Essa estratégia consiste, basicamente, em desenvolver as atividades de uma empresa, buscando agregar valor aos seus produtos e serviços. Dessa forma, a empresa desenvolve uma oferta única no âmbito de todo seu mercado, oferecendo produtos e serviços com atributos distintos e valorizados pelos clientes. É importante observar que essa diferenciação pode se dar de várias formas: no projeto do produto, na imagem de marca, na aplicação da tecnologia, nos serviços de pós-venda e atendimento, no sistema de distribuição, e assim por diante. Com isso, a empresa cria condições para cobrar preços acima da média de seus concorrentes, obtendo maior competitividade em seu mercado, ou mantém o mesmo preço médio de seus concorrentes, entregando maior valor ao mercado. Isso dependerá das condições competitivas do mercado em que a empresa está inserida. Uma empresa que opte pela diferenciação deve sempre procurar formas de obter um preço premium superior ao custo da diferenciação. Essa estratégia leva em consideração atributos que o mercado ou um segmento relevante valoriza (Porter, 1989, p. 12 e p. 111). Para que a estratégia de diferenciação possa ser implementada, é importante que a empresa leve em consideração algumas características inerentes a esta formulação estratégica: é necessário reservar recursos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e a área de P&D da empresa deve-se integrar com a área de marketing. Isso é crucial, uma vez que, se não existir tal integração, todo o esforço de desenvolvimento de novos produtos, imagem de marca, sistemas de atendimento e demais atividades podem estar fora de sincronia com o que o mercado percebe como valor, gerando um descasamento entre o custo da estratégia de diferenciação e o valor agregado por ela. Esse é um dos principais riscos envolvendo a formulação estratégica via diferenciação. Uma empresa só terá um diferencial competitivo sustentável acima da média da sua indústria se a adoção desse diferencial tiver uma relação favorável de custo versus benefício. Outra exigência muito importante para a estratégia de diferenciação é a boa comunicação com seu mercado alvo, que precisa ser convencido dos benefícios decorrentes dos diferenciais vinculados às suas atividades. Além disso, ter um atendimento excelente e um sistema de relacionamento com seus clientes são condições importantíssimas para sustentar a diferenciação ao longo do tempo. 49 Outros autores de estratégia, como Mintzberg (2000), defendem que a estratégia de diferenciação pode ser tipificada por meio das seguintes diferenciações: por preços – simplesmente cobrar o preço mais baixo; por imagem – realizada por meio de propaganda, promoção, embalagem e aumentos de preço, e por suporte – realizada por meio dos serviços agregados e da oferta de produtos. Marketing de projetos complementares: por qualidade – a empresa desenvolve um produto melhor do que o dos concorrentes em relação à confiabilidade, durabilidade e ao desempenho superior; por design – essa diferenciação se dá por meio de um projeto diferenciado, e não melhor do que os dos concorrentes necessariamente, e por não diferenciação, que é, basicamente, copiar ações de outras empresas, desde que haja espaço no mercado para tal e a empresa opte, deliberadamente, por um caminho de seguidora ou imitadora dos lançamentos dos concorrentes, mas com ações inovadoras e eficientes em marketing. É sempre importante frisar que toda estratégia é uma escolha e, como toda escolha, envolve vantagens e desvantagens associadas. A estratégia de diferenciação envolve alguns riscos. O primeiro deles é a imitação pura e simples por parte dos concorrentes, e o segundo existe caso a empresa não consiga expor para o mercado o valor diferenciado que desenvolveu em suas atividades, de modo que o custo de diferenciação é maior do que a lealdade do mercado em relação à empresa. Isso é particularmente importante quando a empresa não possui uma adequada integração entre Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e a área de marketing. Como exemplo de empresa que possui estratégia de diferenciação, podemos citar O Boticário. A empresa investe pesadamente em P&D, mas isso não seria suficiente, caso não existisse, na própria organização, uma alta sintonia entre P&D e a percepção do mercado. Essa percepção garante que muitas inovações, aparentemente sem utilidade ou valor, possam atender reais necessidades e reais clientes e, dessa forma, são desenvolvidos novos produtos inovadores. A segunda é chamada de estratégia de liderança no custo. A partir dessa estratégia, entende-se que uma empresa deve desenvolver uma oferta de produtos e serviços com desempenho próximo ou comparável aos demais concorrentes do mercado, mas desenvolvendo o menor custo possível. Obter um desempenho equivalente com menor custo é o principal recurso de competitividade nessa estratégia, proporcionando maior margem para investimentos ou menores preços para os clientes (Porter, 1989, p. 57). É importante observar que essa estratégia não implica, necessariamente, redução de preços ao mercado. As empresas que optam por essa estratégia, geralmente, atendem a amplos segmentos, já que está intimamente ligada a ganhos de escala. Apesar disso, as fontes que geram reduções de custos variam e dependem bastante do tipo de indústria em estudo, podendo estar ligada entre outros fatores a: 50 economia de escala; estágio da curva de experiência; existência de tecnologia patenteada; acesso preferencial às matérias-primas; estrutura organizacional mais otimizada; uso exclusivo de novas tecnologias de produção e criação de parcerias estratégicas. Para que essa estratégia possa ser implementada, é necessário que a empresa busque não apenas reduzir custos mas ser líder no custo em seu mercado em comparação a seus concorrentes. É interessante notar que tal estratégia não pode ser executada por várias empresas de uma mesma indústria durante muito tempo. Isso ocorre porque a busca incessante pela liderança no custo poderia gerar uma competição tão acirrada que acabaria com a rentabilidade da indústria a longo prazo, o que seria ruim para todos os competidores. Por último, há a estratégia de nicho ou estratégia de enfoque. Por meio dela, uma empresa procura priorizar o atendimento a determinado segmento ou grupo de segmentos de mercado e adapta sua estratégia para atendê-los. Utilizando suas atividades para os segmentos-alvo, a empresa procura obter uma vantagem competitiva no segmento em questão, embora não possua uma vantagem competitiva geral (Porter, 1989, p. 13 e p. 166). Essa estratégia possui duas variantes: enfoque no custo (vantagem de custo no seu segmento alvo) e enfoque na diferenciação (diferenciação em seu segmento-alvo). Porter (1986) afirma que, em ambos os casos, a estratégia se baseia em diferenças significativas entre os segmentos-alvo da empresa comparada aos demais segmentos da indústria. A vantagem competitiva surge uma vez que a empresa explora tais diferenças, atendendo seu segmento-alvo de forma superior em relação a concorrentes não focados ou não diferenciados por segmento. É interessante observar que, se o segmento-alvo escolhido pela empresa não possuir um conjunto de valor e de percepções diferentes dos segmentos de mercado, a estratégia de enfoque não terá êxito. Um produto pode adotar, simultaneamente, mais de uma das três estratégias genéricas descritas. Isso é possível, mas não é recomendável por muito tempo. A opção por uma única estratégia tem-se mostrado com o melhor desempenho já no médio prazo. A realidade da diferenciação é que toda estratégia envolve trocas entre custos e benefícios da diferenciação, conhecidas como trade-offs. Dessa forma, uma empresa deve escolher o tipo de vantagem competitiva que tem intenção de preservar no longo prazo. 51 Mapa de posicionamento Por definição, “posicionamento” é a ação de projetar a oferta de um produto ou serviço, ou ainda, a imagem da empresa para que ela ocupe um lugar diferenciado na mente do público-alvo, visando maximizar a vantagem potencial do produto, da marca ou da empresa. Neste sentido, há uma ferramenta gerencial muito valiosa, a qual nos permite visualizar que posição estão os nosso produto, serviço ou marca na mente do nosso público-alvo, vis-a-vis nossos concorrentes diretos e indiretos. Para desenhá-lo devemos, antes de mais nada, fazer uma pesquisa de marketing, a qual nos indicará: quais são os atributos mais valorizados pelo nosso público-alvo; como este nos percebe e como percebe nossos concorrentes. Vamos a um exemplo? Imagine que você é o gerente de marketing de uma marca de cerveja (marca C), que é destinada às classes sociais C e D. Sabe-se que estas classes sociais preferem cervejas mais encorpadas. Após a pesquisa realizada, o mapa de posicionamento ficou estruturado como a figura a seguir. Você acha que o seu produto está bem ou mal posicionado? Que ações estratégicas podem ser tomadas? Figura 8 – Mapa de posicionamento Note que, em termos de sabor, a sua marca está muito bem posicionada, pois é a mais encorpada em relação aos concorrentes. Todavia, em termos de preço, as marcas A e B são mais baratas. A marca A tem a desvantagem de ser percebida como suave; já a B, não é tão encorpada quanto à C. Assim, devemos nos perguntar, em que medida os nossos consumidores estão dispostos a pagar um pouco mais para ter uma cerveja mais encorpada? 52 Este trade-off3 deve ser o foco do nosso planejamento estratégico de marketing, até porque as demais concorretes D e E são muito mais caras. Mapa de empatia Existe uma outra ferramenta gerencial, chamada de Mapa de Empatia, que possibilita-nos entender o nosso público-alvo, as suas dores e as suas necessidades. “Empatia” significa se colocar no lugar de outra pessoa e experimentar a sua visão de mundo. Assim, o mapa de empatia é desenvolvido a partir de algumas perguntas: 1 – Com quem estamos sendo empáticos? Para responder esta pergunta valemo-nos de pesquisas de marketing que retratem os nossos consumidores, o seu perfil, os seus hábitos e os seus valores. Aqui devemos adicionar alguns detalhes que podem parecer muito simples, mas que são muito úteis: gênero, idade, classe social, profissão, interesses, características físicas e outros dados importantes. Cabe também refletirmos sobre o atual estágio de vida desta persona, que representará todos os nossos consumidores. 2 – O que ele precisa fazer? Aqui buscamos identificar quais são as metas do nosso consumidor, os seus desejos e as suas necessidades, o que nos permite apreender as suas decisões de compra. Algumas perguntas a serem respondidassão: Quais são os desafios enfrentados pelo cliente potencial? Que pressões ele enfrenta? O que ele precisa fazer de diferente? Que tarefas ele precisa que sejam feitas? Que decisões ele precisa tomar? 3 Trade off, em inglês, é uma situação em que há conflito de escolha, o qual resulta em uma ação econômica que visa à resolução de problema mas acarreta outro, obrigando uma escolha 53 3 – O que ele vê? Nesta terceira etapa, busca-se estimular visualmente o cliente, assim como descobrir as influências que interferem no seu cotidiano, ou seja, O que ele vê no seu meio profissional? O que ele vê no seu ambiente familiar? O que ele nota os outros falando e fazendo? O que ele está lendo e assistindo? Qual é o tipo de empresa ideal para o seu negócio? 4 – O que ele fala? Nesta etapa, deve-se coletar (ou conjecturar) dados por meio de eventuais falas e opiniões sobre o nosso público-alvo. Isto é feito com base em como a pessoa se comunica, a linguagem que usa e como ela gosta de ser contatada. Isto pode ser feito por meio das mídias sociais. 5 – O que ele faz? Neste momento, dedicamo-nos às atitudes e aos comportamentos do público-alvo: o seu dia típico, assuas atividades diária. Assim, perguntamos: O que ele faz hoje no dia? Qual comportamento dele já observamos? 6 – O que ele escuta? Aqui pesquisamos sobre as influências que ele recebe e de que fontes (pessoais, mídia tradicinal, redes sociais): O que ele escuta as outras pessoas dizerem? O que ele ouve dos seus amigos e familiares? As mídias, músicas e sons ambiente que ele ouve? 7 – O que ele pensa e sente? Neste momento, após conhecer profundamente o público-alvo, você deve, de fato, se colocar no lugar dele e entender quais são os seus pensamentos e sentimentos. Quais são os seus medos, frustrações e ansiedades? Quais são as suas vontades, necessidades, esperanças e sonhos? Como a persona se sente em relação ao mundo? 54 8 – Quais são as suas dores e necessidades? Esse é o último passo para criar um Mapa de Empatia e nele você deve entender quais são as dúvidas e obstáculos que o seu público precisa superar para consumir os seus produtos ou serviços. Vamos ver como fica o desenho do mapa de empatia? Figura 9 – Mapa de empatia Neste módulo, veremos como sistematizar todas as informações levantadas nas análises dos ambientes de marketing, por meio de uma ferramenta gerencial chamada Análise SWOT. Com base nessa análise, estudaremos como definir as metas e os objetivos de marketing, e como alcançá-las. Em outras palavras, veremos como elaborar e implementar um plano de marketing. Análise SWOT O primeiro e, aparentemente mais simples, instrumento analítico de que dispomos é uma análise chamada SWOT, que vem do inglês Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats. Em português, seria algo como FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. A seguir, vejamos o que representa cada um desses elementos. Forças são todos os aspectos endógenos que favorecem a empresa, como a sua capacidade de obtenção de financiamento, a fidelidade de seus clientes, as patentes, a modernidade de suas instalações, os funcionários bem-treinados, um corpo gerencial moderno, o investimento em TI, entre outros. Fraquezas são todos os aspectos endógenos que desfavorecem a empresa, como uma linha de produtos muito estreita, uma fraca imagem de mercado, um alto custo operacional, gerência antiquada, entre outras. Oportunidades são todos os aspectos exógenos que favorecem a empresa. Aqui, entra a capacidade de o profissional avaliar o mercado, montar cenários e estratégias. Podemos citar as eventuais mudanças econômicas, políticas, sociais, culturais, jurídicas, tecnológicas e a evolução da indústria na qual nosso negócio está inserido. MÓDULO III – IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE MARKETING 56 Ameaças são aqueles fatores exógenos que desfavorecem a empresa, por exemplo, a mudança das políticas governamentais, as variações nos gostos dos consumidores e a entrada de novos concorrentes. Obviamente, é muito mais fácil mudarmos nossa situação interna do que a conjuntura externa. Você conhece um texto chamado “Atitude” de Charles Swindoll? Figura 10 – Análise SWOT É fundamental que fique claro que marketing não é só propaganda ou “oba-oba”, como se diz em muitas empresas. Os profissionais de marketing são homens e mulheres sensíveis ao ser humano, que têm um sólido fundamento de finanças e sabem que a sua área faz investimentos, que resultam em retornos positivos e não meramente despesas. forças vantagens de custos lealdade dos consumidores instalações modernas patentes oportunidades aumentar linha de produtos entrar em novos mercados adquirir novas tecnologias ameaças mudança nos gostos dos consumidores entrada de novos concorrentes políticas governamentais desfavoráveis fraquezas linha de produtos muito estreita fraqueza gerencial instalações obsoletas capacidade de financiamento inadequada fraca imagem de mercado Análise SWOT vulnerabilidade alavancagem problemas co nstr angim ento s/a m eaça s 57 Observe a análise SWOT e lembre-se de que seu maior objetivo é ajudar a utilizarmos nossas forças para minimizar fraquezas, alavancar oportunidades e enfrentar as ameaças. Enfim, as análises que começamos a ver irão garantir às empresas a busca pelo lucro por meio da satisfação de seus clientes. Agora, vamos pensar nos macroaspectos como ameaças e oportunidades. Em termos de economia, qual a importância de sabermos a taxa Selic em vigor? A taxa do dólar? A taxa de desemprego? A propensão marginal a consumo? Pense na área de atuação de sua empresa, no desempenho econômico de seu município. Qual o impacto dos novos prefeitos em seu negócio? As eleições de 2002 posam como ameaça ou oportunidade? Em que o Brasil mudou socialmente nos últimos 10 anos? Isso significou ameaças para uns, oportunidades para outros. Você pode dar alguns exemplos? Nossas leis também mudaram. O que isso significou para a Petrobrás, por exemplo? E para a MCI? Pense nos aspectos internos: as forças e fraquezas da empresa, inclusive, na integração entre os departamentos. Qual foi a importância dos módulos de finanças e recursos humanos para o curso de pós-graduação em Marketing? Metas e objetivos de marketing Planejamento estratégico é uma ferramenta para atingir os objetivos que você traçou. Objetivo pode ser entendido como a descrição de um estado futuro a ser alcançado. Usualmente, a definição de um objetivo deve responder à seguinte questão: o que e quanto se deseja alcançar? Na elaboração de um planejamento de longo prazo, você não vai poder esperar muitos anos para saber se seu plano funcionou ou não, se ele precisará de ajustes ou se terá de ser mudado radicalmente. Quais são as potencialidades do negócio ou da empresa em função do tamanho do mercado, taxa de crescimento, preço, diversificação, estrutura competitiva, lucratividade da indústria, bem como os aspectos técnicos, sociais, ambientais, legais e humanos. Para permitir o controle e o acompanhamento do PEM, é preciso que se estabeleçam metas. Aqui, entendemos metas como os diferentes pontos intermediários que almejamos atingir no caminho em direção aos objetivos, que são definidos de forma específica e mensurável. Esses pontos intermediários devem ser passíveis de controle e acompanhamento, de forma que devem ter prazo para serem alcançados e a indicação de um responsável pela execução. Durante o processo de seleção dos objetivos, devemos lembrar que, com o desdobramento do planejamento, eles deverão ser transformados em metas que a empresa deverá atingir no futuro. Quanto mais distante no tempo estiverem os objetivos, maior será a importância das metasintermediárias. Dentro dessa perspectiva, para se tornarem metas, os objetivos precisam ser quantificáveis e ter um horizonte temporal (Ansoff, 1990, p. 52). 58 Usualmente, são analisados o ambiente interno (forças e fraquezas) e o ambiente externo (oportunidades e ameaças), à luz das suposições de como esses diferentes fatores poderão afetar os resultados. Somente após essa etapa são definidos os objetivos gerais de marketing (Kotler, 2000, p. 101). Os objetivos são construídos a partir de (Kotler, 2000): Um medidor de eficiência de um atributo específico. Por exemplo: volume de vendas. Um padrão ou escala em que o atributo é medido. Por exemplo: número de unidades vendidas. Definição de metas, que são valores específicos na escala indicada. Por exemplo: vender 100 mil unidades no próximo ano. Em Marketing, objetivos são alvos almejados, de forma que, resumidamente, pode-se afirmar que se relacionam com a venda de produtos novos em mercados novos ou existentes, e com a venda de produtos existentes em mercados novos ou existentes. Afinal, com a implementação do PEM, o desempenho efetivo só poderá ser mensurado se os critérios utilizados forem claros. Essa etapa é denominada formulação de metas, porque as metas, como visto, são os objetivos quantificados e com diferentes prazos intermediários. As metas são pontos essenciais para um bom planejamento, para uma boa implementação, bem como para um bom controle e acompanhamento. O planejador busca alcançar um conjunto de objetivos para os negócios de sua organização, que devem ser escolhidos e hierarquizados do mais importante para o menos. Os objetivos também devem ser flexíveis, porque as mudanças na economia mundial são constantes, de forma que é preciso estar pronto para adaptar-se, rapidamente, às mudanças do mercado. Não podemos ficar presos a um plano só porque ele deu muito trabalho para ser elaborado e envolveu muitas pessoas. Devemos estar prontos para mudar de rota sempre que for necessário. Os objetivos também devem ter a função de estimuladores, criando um clima de colaboração ou competição saudável entre os funcionários da organização. Na verdade, a organização funciona como um repositório dos objetivos individuais dos diferentes stakeholders. Por meio de uma negociação interna, chega-se a um consenso dos propósitos coletivos que são considerados válidos. Os acionistas almejam aumentar o retorno do seu investimento – esse objetivo é usual nas organizações –, no entanto, se os seus colaboradores não se beneficiarem também, pode ocorrer de não se sentirem motivados para alcançá-lo. Com isso, fica clara a necessidade de que os objetivos sejam condensados previamente. 59 Os objetivos podem ser (Kotler, 2000): Financeiros – são os vinculados à preocupação da organização na obtenção de resultados econômicos, tais como lucro, faturamento ou margem de contribuição. Sociais – decorrentes das demandas geradas pelos colaboradores, pela comunidade em que a organização está inserida e pelos órgãos governamentais. Como exemplo, podemos citar o compromisso de diminuir o impacto das operações da organização no meio ambiente ou a implantação de um plano de saúde patrocinado pela organização para a família dos colaboradores. Há objetivos que devem ser atingidos no curto, médio ou longo prazos. Além disso, os objetivos selecionados devem ser traduzidos em metas atingíveis, consistentes, definíveis, quantificáveis, realistas, relevantes e temporais. Detalhando cada característica, temos: Atingíveis – as metas podem e devem ser ambiciosas, estimulando as pessoas e a empresa rumo à sua superação. No entanto, devem ser percebidas como atingíveis por todos os envolvidos nas ações da empresa. Os melhores resultados são conseguidos quando todos na empresa estão motivados e comprometidos com a obtenção de resultados. Para que isso aconteça, é preciso que os envolvidos entendam os objetivos e as metas da empresa, e os considerem como possíveis de serem alcançados. Caso contrário, haverá desmotivação e, consequentemente, uma queda nos resultados da organização. Consistentes – o planejador precisa fazer escolhas entre as diferentes opções disponíveis, já que ele precisa formular metas que não sejam conflitantes entre si, nem com a visão, a missão e os valores da organização. Tomando dois objetivos que são usuais em marketing – aumentar vendas e aumentar lucratividade –, sabemos que é difícil ter sucesso neles ao mesmo tempo. Isso ocorre porque, para aumentar vendas, comumente precisamos aumentar promoção ou baixar preços – duas ações que implicam diminuição da lucratividade. Os diferentes objetivos selecionados não podem competir entre si. Em conjunto, devem formar um todo harmônico que irá conduzir a organização na direção apontada por sua visão e missão. Definíveis e quantificáveis (sempre que possível) – devem ser evitadas expressões vagas – tais como melhorar, incrementar, minimizar e maximizar – na formulação de objetivos ou metas para a empresa, pois dificultam a mensuração. Nesse caso, recomenda-se que uma meta – por exemplo, aumentar o lucro líquido – deva ser reformulada para: aumentar o lucro líquido em 5% no próximo ano. Como pode ser observado, a inclusão de uma data limite e a quantificação do crescimento esperado nos fornecem a precisão necessária. Certamente, há objetivos de marketing legítimos – como melhorar a imagem e fortalecer a marca –, que não são facilmente mensuráveis. Nesse caso, devemos buscar alguma maneira de medir o resultado das ações que serão tomadas, provavelmente por meio de pesquisas, de tal maneira que possamos saber se ações programadas estão atingindo os níveis planejados, se a relação custo-benefício é satisfatória ou se precisamos implementar correções de rumo em nossas ações. 60 Realistas – as metas devem ser formuladas a partir de uma análise criteriosa de todo o ambiente na qual a organização está inserida, principalmente, das oportunidades e forças ao alcance da empresa e nunca a partir dos devaneios ou dos anseios pessoais de alguns de seus dirigentes. Assim sendo, quanto mais o plano for aderente à realidade da organização, maior será a sua probabilidade de sucesso. Mais uma vez, convém lembrar que metas ousadas e difíceis de serem alcançadas sempre são bem-vindas, desde que conscientemente aceitas pelos componentes da organização como um desafio a ser vencido, porque a levam como um todo a se comprometer com um esforço de superação. Relevantes – as metas são resultados que a empresa assume o compromisso de alcançar, de modo que precisam ser relevantes. Sabemos que as pessoas têm dificuldade de trabalhar com muitas variáveis simultaneamente. Em função disso, elas selecionam e hierarquizam, inconscientemente, as metas mais importantes, nas quais deverão prestar mais atenção. Sabendo disso, os planejadores devem escolher as metas mais abrangentes e importantes para os negócios. Esse pensamento não impede que as metas específicas se multipliquem, à medida que o planejamento se aproxime do operacional, de tal maneira que sirvam de ferramenta para o acompanhamento e o controle detalhado. Temporais – as metas precisam ter um prazo para serem alcançadas. Não basta atingirmos uma meta, é preciso que ela seja atingida dentro de um prazo adequado. A geração de metas a partir dos objetivos é decorrência da necessidade de avaliar e controlar o desempenho que estamos obtendo nos negócios da organização. Planejamento e implementação do PEM Aqui, veremos como a empresa atingirá seus objetivos por meio da seleção e análise do segmento-alvo, bem como com a criação e manutenção de um composto de marketing adequado. A seleção mercado-alvo é a primeira etapa desse processo e deve ser feita com base nas variáveis culturais, demográficas, psicográficas etc. É no nível do composto de produtoque a empresa detalhará como vai conseguir obter uma vantagem competitiva. Para consegui-la, ela deve ser melhor do que a concorrência ou em produto (qualidade, atributos, marcas), preço, distribuição (conveniência) ou promoção. A parte final da seção estratégia é dedicada à avaliação das possíveis reações dos consumidores, de o que eles esperam da empresa e como eles vão reagir à estratégia de marketing. Para elaborarmos uma estratégia de marketing, devemos: definir nossos mercados-alvo; elaborar um composto de marketing para cada mercado; definir nossos melhores clientes, mantendo um marketing de relacionamento com eles e conhecer nossos concorrentes melhor do que eles se conhecem. 61 O planejamento pode ser entendido como um processo que estimula o pensamento das pessoas sobre o futuro de forma lógica, racional e sistemática, obrigando as empresas a focarem nos seus objetivos. Obviamente, para elaborarmos um plano estratégico, devemos saber quem somos, de que recursos financeiros, humanos e tecnológicos e para onde queremos ir. É óbvio que um plano feito para uma pequena empresa em Campo Grande (MS) vai ser totalmente diferente de outro elaborado para uma média empresa em Salvador (BA), ou seja, devemos conhecer o ambiente que atuamos. Um projeto de marketing nada mais é do que um relatório em que é formalizado, de forma resumida, o planejamento de marketing para cada objetivo, que pode variar de um único produto a uma linha completa. A elaboração de um projeto de marketing envolve muitos detalhes, o que torna a atividade de planejamento a mais importante para um profissional de marketing, já que ele precisa reduzir riscos e incertezas associadas a esses detalhes. O mundo atual está em constante evolução. Por esse motivo, o planejamento é um processo contínuo, que deve permitir que a empresa tome decisões precisas rapidamente, evitando desperdícios de recursos, esquecimentos e improvisações. A complexidade da economia não permite devaneios. Criatividade e capacidade de inovar é um fator muito importante para o sucesso. No entanto, como disse Einstein: “o único lugar que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”. Nesse sentido, não percamos o foco que para sermos bem-sucedidos – 10% é inspiração e 90% é transpiração. Transpiração significa estudo... e muito! De cada cinco empresas brasileiras, três fecham as portas antes de completar três anos de vida. Segundo o Sebrae, cerca de 80% dos empreendedores que faliram têm certeza de que o principal motivo foi o desconhecimento do mercado e a incapacidade de analisar o ambiente a sua volta. Há também o reconhecimento de que, apesar das condições econômicas pouco favoráveis, o que realmente atrapalhou foi falta de planejamento. Finalmente, verificou-se que, no Brasil, não falta espírito empreendedor. Na realidade, nosso percentual de população que trabalha por conta própria é superior ao da Alemanha e do Japão. A diferença está na baixa qualificação dos nossos empreendedores. A nossa proposta para esta disciplina é que você monte um esqueleto do seu plano de marketing. A partir de agora, você terá disciplinas bem instrumentais, as quais deverão alimentar este plano de marketing. Podemos pensar em um check list para as disciplinas que você já teve e para as que ainda terá. Elabore uma lista de perguntas pertinentes para cada etapa do curso; nos seus professores e tutores, veja profissionais do mercado que trabalharão como consultores. Esse check list serve como uma memória com todos os itens que precisam ser examinados na elaboração de um Plano de Marketing e ajuda na ordenação do pensamento, uma vez que é necessário desenvolver um raciocínio lógico e racional para ordenar os itens. 62 A tendência a se valer do check list como um modelo ou questionário a ser respondido dever ser evitada ao máximo, já que essa prática pode embotar o pensamento e induzir ao erro. Vejamos alguns exemplos de perguntas que podem constar no seu check list: a) Comportamento do consumidor e pesquisa Qual o seu segmento de mercado? Como foi segmentado? Qual o tamanho desse segmento? Como esse público-alvo se comporta? Quais atributos do produto esse público valoriza? O que agrega valor para esse público? Quais fontes de pesquisa foram utilizadas? Como esses dados foram trabalhados? Qual é sua previsão de venda? b) Gestão de produtos e marcas Qual é a ideia, imagem e conceito do meu produto? Haverá um mix de produtos? Como será administrado – BCG ou Matriz GE? Qual o ciclo de vida do setor ou da indústria que operamos? Que estratégia de lançamento usar? Que estratégia de marca? Que estratégia de embalagem e rotulagem? Aspectos econômicos, políticos, tecnológicos, jurídicos, ecológicos que impactam a produção desse produto e sua eventual demanda? Análise SWOT de seu produto ou linha? Mapa de posicionamento de seu produto em função do valor percebido pelos consumidores? c) Distribuição Qual o tipo de canal distribuição será utilizado? Para cada linha de produto, segmento ou região a ser atendida, avaliar a taxa de uso e consumo do produto, a dispersão do mercado, o número de usuários, o volume de compras e o custo no atendimento direto. A distribuição é mono ou multicanal? Quais os custos? Qual o perfil dos canais? Como deve ser o trade marketing? 63 d) Preços e matemática financeira Para cada linha de produto, segmento ou região, avaliar: Qual deve ser a política de preços frente aos concorrentes? Qual a política de preço para o trade e cliente final? Qual o investimento inicial do seu projeto? Quais os lucros e as perdas dos 3 primeiros anos? Qual o pay-back? Qual o break-even? Qual é a TIR do projeto? Qual é o ROI do projeto? Qual o VPL do projeto? e) Administração de vendas Para cada linha de produto, segmento ou região, avaliar: Você tem usuários decisores, influenciadores e compradores diferentes? Qual deve ser o perfil de sua equipe comercial? Como dimensionar a equipe? Como remunerar a equipe? Como recrutar e treinar a equipe? f) Propaganda e promoção Para cada linha de produto, segmento ou região, avaliar: Qual deve ser a política de propaganda e promoção? Como acessar os diferentes públicos (usuários, decisores, influenciadores, compradores), se for o caso? Qual a política para o trade e para o cliente final? Haverá investimento no plano de mídia? Como será feito? Usaremos mídia on-line ou off-line? g) Direito do consumidor Que leis regulam esse mercado? Que informações devo prestar os meus consumidores nas embalagens e nos rótulos, por exemplo? As perguntas não se exaurem aqui. Para cada disciplina, haverá questionamentos diferentes em função do objeto do seu plano de marketing. 64 Justificativa do PEM Análise financeira: orçamento e controle Receita é o valor monetário recebido por uma empresa por seus bens e serviços, isto é, o preço menos os descontos. Ela pode ser classificada como bruta, líquida, operacional. Já custos são os encargos ocorridos em função do funcionamento da empresa. Eles podem ser gerais, diretos, indiretos, fixos e variáveis. A rigor, há uma diferença entre custos, despesas, investimento e custeio. Lucro, por sua vez, não pode ser reduzido apenas ao resultado da subtração entre o dinheiro que entra e o dinheiro que sai. Ele pode ser expresso de diferentes maneiras nas organizações. Por exemplo, pode ser lucro de negociações, retorno sobre vendas (ROS) ou valor econômico agregado (EVA). Indicadores de desempenho de marketing Existem vários indicadores de desempenho de marketing, por exemplo, o market share (participação do mercado) e o market share relativo. Balanced Scorecard (BSC) Balanced Scorecard (BSC) é umametodologia de medição e gestão de desempenho desenvolvida, em 1992, por Robert Kaplan e David Norton, que são professores da Harvard Business School (HBS). Essa metodologia inclui alguns passos, que partem da definição da estratégia empresarial, gerência do negócio, gerência de serviços e gestão da qualidade. Efetivamente, Balanced Scorecard é uma ferramenta gerencial que nos possibilita mensurar perspectivas que, muitas vezes, são qualitativas. O BSC está fundamentado na representação equilibrada de indicadores financeiros e operacionais, organizados em quatro perspectivas: financeira, marketing (clientes externos), processos internos e aprendizagem e crescimento, conforme retratado na figura a seguir. 65 Figura 11 – Proposta do Balanced Scorecard Fonte: Norton; Kaplan, 2009. Note que, com base na missão e visão da empresa, são analisadas quatro dimensões, que implicam quatro questionamentos. A seguir, vamos conhecer as quatro dimensões. Dimensões do BSC Na dimensão financeira, a questão-chave é: para termos sucesso financeiramente, como devemos aparecer para os nossos investidores? Obviamente, nossos investidores desejam rentabilidade e lucratividade, não só agora, mas também no longo prazo. Esse bom desempenho financeiro da empresa depende de outras dimensões, como o sucesso de seus produtos e serviços, bem como de sua eficiência operacional. Tais dimensões são decorrentes, entre outros fatores, da qualidade dos empregados da empresa. Desse modo, a segunda dimensão é a dos clientes. Nela, buscamos responder a seguinte pergunta: para alcançar nossa visão, como devemos ser vistos pelos nossos clientes? Repare que esse é o conceito de posicionamento! 66 No que se refere à dimensão dos processos organizacionais, também chamada de processos internos dos negócios, o objetivo é responder a seguinte pergunta: para satisfazer nossos clientes, em que processos devemos nos sobressair? Por último, há a dimensão do aprendizado e crescimento, na qual o foco é determinar como sustentar a habilidade de mudar e progredir para alcançar a nossa missão? Para cada dimensão, estipulamos um ou mais objetivos. Como já vimos, objetivos são qualitativos. Dessa forma, podemos definir que, na dimensão financeira, queremos que a empresa seja lucrativa; na de clientes, que ela tenha clientes satisfeitos; na de processos internos de negócios, que a empresa seja eficiente e, finalmente, na de aprendizado e treinamento, que os empregados sejam bem treinados. Você acha que apenas essas propostas vagas nos possibilitam traçar e mensurar nosso PEM? Há um ditado no mercado que diz que “o que não se mede não se gerencia”. Nesse sentido, precisamos definir nossas metas. Como vimos anteriormente, ao contrário dos objetivos, metas são quantitativas. Como transformar algo qualitativo (objetivos) em algo quantitativo (metas)? Indicadores ou métricas Precisamos estipular instrumentos de medição, os quais são chamados de indicadores ou métricas. É o equilíbrio entre as quatro perspectivas no BSC que permitirá estabelecermos objetivos organizacionais e retroalimentarmos o processo contínuo de elaboração de estratégias. Por esta razão, ao um criar um BSC, as empresas devem escolher um conjunto de indicadores que reflita, precisamente, os fatores críticos dos quais depende o sucesso da estratégia, que mostrem as relações de causa e efeito entre os indicadores individuais (de maneira que fique evidenciado como os objetivos não financeiros de longo prazo) e proporcionem uma visão abrangente e atualizada sobre a organização (Serra; Serra; Torres, 2004). Dessa forma, os indicadores devem: estar integrados à estratégia e aos objetivos estratégicos; ser fácil e precisamente quantificáveis; ter simplicidade e clareza; ser específico; ser de fácil aferição e rapidamente disponíveis e ter baixo custo de implementação. A rigor, ao montarmos um BSC, podemos utilizar dois diferentes tipos de indicadores: os de ocorrência e os de tendência. Indicadores de ocorrência (lagging indicators) são parâmetros para fenômenos já ocorridos, tais como resultado operacional do ano anterior. Já os indicadores de tendência (leading indicators) retratam progressos (variações) que, no futuro, afetarão o desempenho da empresa estudada. 67 O uso dos indicadores permitirá que nossos objetivos sejam transformados em metas. Vamos voltar ao exemplo anterior. Havíamos estipulado os seguintes objetivos: dimensão objetivo financeira ser lucrativa clientes ter clientes satisfeitos processos internos dos negócios ser eficiente aprendizado e crescimento ter empregados bem-treinados Que métricas (indicadores) você proporia para cada dimensão? A dimensão financeira talvez seja a mais fácil, uma vez que, para avaliarmos se uma empresa é lucrativa, podemos usar o indicador de lucro operacional, por exemplo. E qual seria o indicador para saber se nossos clientes estão satisfeitos? Erroneamente, muito respondem “pesquisa”. No entanto, pesquisa é um instrumento de medição, não um indicador. Aqui, podemos usar como métrica a taxa de recompra de nosso produto, o número de reclamações, a taxa de devolução, por exemplo. Como medir a eficiência? Se nossa empresa for uma fábrica, podemos usar o indicador de produção X homens X hora, por exemplo. Já no que se refere ao aprendizado e crescimento, podemos usar o percentual da força de trabalho já treinada ou ainda a ser treinada. Uma vez definidas as metas para cada dimensão, iremos propor um plano de iniciativas para atingi-la. 68 BSC: um mapa estratégico Ao montarmos um BSC, resumidamente, o que obtemos é: dimensão objetivo indicador meta iniciativa financeira ser lucrativa lucro operacional R$ 200.000.000 plano de alavancagem financeira clientes ter clientes satisfeitos número de reclamações reduzir em 40% PEM processos internos dos negócios ser eficiente produção versus homens versus hora aumentar em 20% plano de eficiência máxima aprendizado e crescimento ter empregados bem-treinados percentual da força de trabalho treinada treinar 50% dos empregados em 2018 e 90% em 2019 plano de treinamento e capacitação Veja como essa ferramenta é útil para repesarmos nosso PEM e seus desdobramentos por todas as áreas da empresa. Atualmente, o BSC é usado como ferramenta gerencial em diversas empresas: Banco do Brasil, Petrobrás, GE, Gerdau, Santista, Embrapa, Tetra-Pak, entre outras. Ele é visto como um painel de controle, que possibilita uma visão geral da área ou da empresa, como um todo. É como se a empresa fosse um avião, o gerente fosse o piloto e o BSC, os instrumentos que lhe fornecessem nível de combustível, altitude, localização GPS, rota, previsão do tempo e de turbulências etc. A questão-chave é sempre nos lembrarmos que empresas não implementam estratégias. Pessoas implementam estratégias, consequentemente, a mera utilização do BSC como ferramenta gerencial não garante o sucesso futuro de uma organização. Ao longo desta apostila, estudamos a importância de uma empresa elaborar um Planejamento Estratégico de Marketing (PEM), no sentido de garantir sua sobrevivência. Para fazê-lo, propusemos um modelo de plano de marketing que sistematiza todo o processo, desde a concepção à implementação. No entanto, seria ingênuo de nossa parte garantir que esta disciplina exaure todos os dilemas e desafios que vocês encontrarão ao longo de sua carreira, uma vez que não podemos ter respostas prontas para perguntas que estão sempre mudando. Desse modo, lembrem-se que a proposta de plano de marketing deve servir para que vocês sempre estejam atentos às mudanças no comportamento do consumidor, às novas tecnologias, legislações, bem como às eventuais turbulências econômicas e políticas e osurgimento de novos concorrentes (considerando que muitos não fazem exatamente a mesma coisa que fazemos). Leiam muito, leiam sempre, estejam sempre atentos! Sucesso na empreitada como profissionais de marketing! CONCLUSÃO 70 BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10520: Apresentação de citações em documentos. Regras Gerais. Rio de Janeiro, jul. 2017. _______. NBR 14724: Informação e documentação. Trabalhos acadêmicos. Apresentação. Rio de Janeiro, dez 2017. _______. Referências bibliográficas: NBR 6023. Rio de Janeiro, 2017. BASTOS, Lília da Rocha et al. Manual para a elaboração de projetos e relatórios de pesquisa, teses, dissertações e monografias. Rio de Janeiro: LTC, 2000. CURADO, Isabela Baleeiro et al. Diretrizes para citações e referências. 4. ed. São Paulo: FGV-SP, 2007. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 2000. FERREL, O. Estratégia de marketing. São Paulo: Atlas, 2000. KOTLER, P. Administração de marketing. 10. ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2000. McDONALD, M. Planos de marketing: como criar e implementar planos eficazes. São Paulo: Elsevier, 2004. NORTON, D.; KAPLAN, R. Mapas estratégicos. São Paulo: Elsevier, 2004. WESTWOOD, J. Como preparar um plano de marketing. 5. ed. São Paulo: Clio, 2001. 71 PROFESSOR-AUTOR Hélio Arthur Irigaray é doutor em Administração de Empresas pela FGV-EAESP (2008), mestre em Administração de Empresas pela PUC-Rio (1997) e bacharel em Economia pela University of Northern Iowa, EUA (1986). Professor Adjunto da FGV/EBAPE, onde coordena os cursos internacionais, além de editor associado do Cadernos EBAPE.BR, e professor em cursos de graduação e pós-graduação. É consultor em organizações públicas e privadas em Planejamento Estratégico e Experiência Profissional, especialmente nas áreas de Gerenciamento de Projetos de Responsabilidade Social Corporativa e Gestão de Produtos e Marcas.É necessário que contextualizemos historicamente esta discussão. A partir da década de 1950, o Brasil se engajou num processo de substituição das importações e de industrialização, tanto que o slogan do governo JK foi “50 anos em 5”. Aos nos transformarmos em uma economia industrializada, vimo-nos obrigados a adotar novas tecnologias e práticas administrativas, entre elas, o marketing! Como a economia é a força motriz de toda mudança, não tardou para que as instituições de ensino criassem cursos universitários e especiais, os quais têm ajudado a formar milhares de profissionais de marketing, cujo papel fundamental nas empresas é aumentar a participação de mercado (market share), a lucratividade e a rentabilidade das empresas – obviamente, sem negligenciar os preceitos da ética, da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental corporativa. Finalmente, devemos considerar que o ser humano se sente atraído por tudo o que é novo, falado, famoso e tenha appeal. Isso tem acontecido com o Marketing, que ganhou milhares de sinônimos, desde vendas à comunicação. Para você, o que é Marketing? Vamos voltar aos anos de 1950, quando existia uma grande demanda latente e o principal papel fundamental do profissional de marketing era comunicar e vender um produto para determinado público-alvo. Entende agora por que o marketing ficou tão associado a vendas? Conforme os consumidores passaram a ter um papel mais ativo na cadeia de valores, a importâncias dessas pessoas – como veremos mais adiante – tomou outra proporção. Quanto à definição, durante anos, prevaleceu a elaborada pela AMA – American Marketing Association –, para a qual o Marketing abrange todas as atividades que envolvem fluxo de bens e serviços entre o produtor e o consumidor. No entanto, essa definição não resistiu às críticas vindas dos meios acadêmicos e dos profissionais da área, uma vez que ela negligenciava dois aspectos fundamentais da atividade: a responsabilidade administrativa (administração de marketing) e a abordagem sistêmica, que se preocupa coma integração ordenada entre os diversos instrumentos que participam de um processo mercadológico. À medida que os avanços tecnológicos e os movimentos dos consumidores mundiais prosseguiram, o conceito de marketing também se modificou. Nos dias de hoje, ele não está mais restrito, exclusivamente, às empresas privadas, e a palavra relacionamento entrou em voga. Atualmente, o conceito de marketing também abrange os fatores macroambientais – como funções do Estado e das comunidades – bem como atividades de organizações sem fins lucrativos (terceiro setor) – ONG’s, hospitais, igrejas ou partidos políticos. O marketing foi além dos limites comerciais, ganhou contornos sociopolíticos e culturais, em apoio a todas as atividades humanas que, no meio ambiente, procuram formas de ampliar e fortalecer estruturas, as quais podem, por conseguinte, ser usadas como promotoras de um produto, de uma marca e da própria organização. 9 Planejamento Estratégico de Marketing (PEM): uma definição O marketing deve ser visto sob uma ótica pragmática: aquele que procura prestar serviços à empresa, de forma que ela possa penetrar a fundo no mercado e, em última análise, fortalecer sua imagem e vender mais. Nesse sentido, marketing pode ser definido como a intenção de entender e atender o mercado. Na prática, essa definição deve-se converter em práticas operacionais que visam a atender melhor o consumidor. Para isso, devemos entender o seu comportamento, os seus desejos e as suas necessidades, para que possamos transformá-los em demanda, a qual está associada ao poder aquisitivo do nosso público-alvo. O resultado do planejamento estratégico de mercado, descrito até agora, é uma série de planos destinada a cada área funcional da organização. Para o departamento de marketing, o plano de marketing expõe uma formulação detalhada das ações necessárias para conduzir o programa de marketing. Muito esforço e comprometimento organizacional são exigidos para a criação e a implementação de um plano de marketing. Tal estruturação será detalhada a seguir. O plano de marketing é um documento que expõe as informações detectadas no processo de planejamento – os resultados da análise ambiental, das metas e dos objetivos de marketing, dos principais elementos da estratégia de marketing. Em outras palavras, é um documento de ação, um manual para a implementação, avaliação e controle de marketing. Um aspecto crítico do plano de marketing é sua habilidade de informar outras pessoas, particularmente, à alta administração, que o examina para obter explanação dos elementos da estratégia de marketing e conhecer a justificativa dos recursos necessários, apresentada no orçamento de marketing1. O plano de marketing também dá informação aos gerentes de linha e aos funcionários, apresentando pontos de referência para mapear o progresso da implementação de marketing. Uma pesquisa realizada com executivos sobre a importância do plano de marketing revelou que o processo de preparar o plano é mais importante do que o documento em si. De fato, um plano de marketing exige atenção. Ele faz a equipe de marketing concentrar-se no mercado, nos objetivos da empresa e nas estratégias e táticas apropriadas a esses objetivos. É um mecanismo para sincronizar a ação. 1 SUTTON, Howard. The marketing plan in the 1990s. New York: The Conference Board, 1990. 10 Benefícios do desenvolvimento do PEM O maior benefício de elaborarmos um Planejamento Estratégico de Marketing (PEM) está no fato dele ser centrado nos clientes; portanto, o primeiro passo é definir quem é o nosso público-alvo. Você se recorda do conceito de segmentação? Se resgatarmos o conceito de comportamento do consumidor, partirmos da premissa de quem compra o produto ou serviço, não é, necessariamente, quem paga ou usa. Pense por exemplo numa fralda: quem usa é o bebê, o pai pode ir à farmácia comprar, mas a mãe pode decidir que marca é a melhor. O mesmo vale para os remédios que demandam prescrição médica e tantos outros casos. Além disso, quando pensamos em elaborar um PEM, devemos pensar, antes de mais nada: qual é o nosso objetivo? Empreender? Lançar um novo produto ou serviço? Reposicionar ou refrescar nossa carteira de produtos e serviços? Dessa forma, além de produtos ou serviços, um PEM pode ter como objeto: experiências – viagem em uma nave espacial, escala do monte Everest, um safari na África etc.; eventos – jogos olímpicos, aniversário de empresas, eventos esportivos etc.; pessoas – artistas, músicos, empresários, políticos e lugares – cidades, estados, países. A rigor, o PEM demanda que os profissionais marketing definam em que tipo de mercado atuarão. Desse modo, na elaboração de um PEM, devemos estabelecer se atuaremos no: mercado consumidor, que reflete a venda em massa, o que requer um público-alvo bem-definido, uma imagem e estratégia de marca, enfim, um posicionamento; mercado empresarial (ou organizacional), em que empresas negociam diretamente com empresas e lidam com profissionais de compras bem-treinados e informados, que possuem técnicas para avaliar ofertas competitivas; mercado global, que significa lidar com diversas realidades econômicas, políticas, sociais, tendo de optar por uma estratégia de penetração em novos mercados – franquia, joint-venture, parceria estratégica global – e adaptar os produtos às realidades locais, e mercado sem fins lucrativos (terceiro setor) – como igrejas, ONG’s, instituições de caridade e órgãos públicos. No limite, o benefício central do PEM está na visualização concreta de nossa base de ativos (tangíveis e intangíveis), na obrigatoriedade de definir e entender o valor a ser entregue a nossos clientes, determinando nossa proposição de valor e monitorandoesse valor. 11 Sistema de Planejamento Estratégico de Marketing (PEM) Por definição, o Planejamento Estratégico de Marketing é uma sequência lógica de atividades que resultarão na determinação de metas e objetivos de marketing, a partir dos quais serão elaborados os planos para atingi-los. Geralmente, as empresas formulam um PEM em função de quatro objetivos: 1. maximização de receita; 2. maximização de lucros; 3. maximização de retorno sobre investimento (ROI) e 4. minimização de custos. Notem que são quatro métricas financeiras, que se desdobram das métricas de marketing, como por exemplo, market share, brand awareness, brand equity, entre tantas outras. As correlações entre esses indicadores ficarão evidenciadas quando estudarmos uma ferramenta gerencial chamada BSC – Balanced Scorecard. O PEM é uma parte do planejamento corporativo. No seu plano de negócios, uma empresa elabora um planejamento estratégico, no qual define os mercados e as indústrias que pretende operar. Com base nisso, são construídos planos financeiros, operacionais, de recursos humanos e de marketing. No plano de marketing, há o esforço consciente para alcançar resultados de troca desejados como desejo-alvo. No entanto, qual filosofia deve guiar os esforços de marketing de uma empresa? Vejamos: Orientação de produção – sustenta que os consumidores dão preferência a produtos fáceis de encontrar e de baixo custo. Orientação de produto – sustenta que os consumidores dão preferência a produtos que oferecem qualidade e desempenho superiores ou que tenham características inovadoras. Orientação de vendas – parte do princípio que os consumidores e a empresa, por vontade própria, não costumam comprar os produtos da organização em quantidade suficiente. Desse modo, a organização deve empreender um serviço agressivo de vendas e promoção. Orientação de marketing – sustenta que a chave para alcançar as metas organizacionais está no fato de a empresa ser mais efetiva do que a concorrência na criação, entrega e comunicação de valor para o cliente de seus mercados-alvos selecionados – “Amar o cliente, e não o produto”. 12 Mudar a orientação da empresa, da produção para o cliente final, requer quebrar paradigmas, pensar de uma forma diferente. Essa revolução pode ser refletida na Figura 1, vejamos: Figura 1 – Marketing nos organogramas das empresas Fonte: Kotler, 2000. Planejar é uma atividade inerente ao ser humano. O sucesso da humanidade está muito ligado ao planejamento, utilizado tanto para organizar a caçada a um mamute na pré-história quanto para realizar uma viagem à Lua. Todos fazemos planos na vida cotidiana, a fim de atingir diversas metas pessoais e profissionais. A necessidade do planejamento advém do fato de as atividades humanas exigirem a utilização de recursos, tecnologia, processos e pessoas, coordenados de forma integrada para atingir resultados. A necessidade se reforça ao lembrarmos que tais atividades acontecem em uma realidade complexa, caracterizada como um contexto mutável e repleto de variáveis incontroláveis. Nesse sentido, o planejamento estratégico pode ser definido como um processo gerencial voltado a criar a adequação dos objetivos e recursos da empresa às mudanças de oportunidades de mercados. Na prática, isso significa planejar de modo a fazer com que a empresa descubra e aproveite as oportunidades da maneira mais inteligente e compatível aos seus recursos – dinheiro, capital humano, intelectual, produtos diferenciados, outras vantagens frente aos concorrentes –, estabelecendo objetivos – o que se deseja atingir – e estratégias factíveis – como chegar aos objetivos (Cobra, 1989). Desse modo, o planejamento estratégico direciona as ações da empresa na busca de resultados, lucros, crescimento e desenvolvimento que assegurem seu sucesso. 13 No entanto, por que falamos de Planejamento Estratégico de Marketing (PEM)? Ao agregarmos o conceito marketing ao planejamento estratégico, ampliamos bastante seu escopo. O resultado disso é a orientação da empresa para o mercado, o que a torna mais competitiva. Como podemos perceber, a relevância do PEM é imensa. No entanto, há algumas vozes dissonantes quanto à importância do planejamento, vindas da teoria e da prática empresarial. A rigor, há duas grandes alternativas no que tange a estratégia de marketing: a primeira, observa um caráter prescritivo. Neste caso, advoga-se a necessidade de que se elabore um plano estruturado de ações mercadológicas. Entretanto, há quem defenda que as empresas devam adotar estratégias emergentes, isto é, em que não há um plano fixo, apenas linhas mestras e, por isso, deve-se lidar com as oportunidades e os desafios a medida em que eles aparecem. Quem já conheceu um empresário de sucesso intuitivo que construiu um patrimônio milionário, sem sequer imaginar o que é um PEM? Como explicar essa situação? Será que planejar é, realmente, algo tão relevante? Essas dúvidas se tornam ainda mais complexas em organizações nas quais o processo de planejamento estratégico existe, mas está desacreditado ou se tornou apenas uma burocrática metodologia imposta pela alta administração e descolada da realidade dos negócios. Quantas empresas se perdem em orçamentos e reuniões intermináveis, tentando “planilhar” e prever o futuro, sem vincular esse trabalho às efetivas necessidades e possibilidades do mercado? O resultado pode ser um frustrante e enciclopédico plano estratégico – um calhamaço pouco prático destinado a ocupar as gavetas dos diretores e gerentes, sem sair de lá nunca mais. O fato de a metodologia do planejamento estratégico ser, muitas vezes, usada de maneira estática e, por isso, tornar-se irrelevante, reflete uma visão equivocada e ultrapassada, já que pressupõe um ambiente de negócios e um mercado relativamente estável ao longo do tempo. Talvez, isso fosse o retrato dos negócios nos primórdios da teoria do planejamento estratégico, nos idos anos 1950 e 1960, na realidade norte-americana. No entanto, o mundo mudou. Em pleno século XXI, temos de repensar a metodologia e a prática do planejamento estratégico, de modo que ele seja dinâmico, sintonizado com o mercado e antecipador de mudanças. É, sem dúvida, um modo contemporâneo de usar o planejamento estratégico, que se torna um verdadeiro PEM quando a visão de marketing é considerada. Nessa compreensão “evoluída”, o PEM passa a ser uma ferramenta fundamental na gestão empresarial, uma vez que congrega as atividades da empresa em estratégias claras, servindo, ainda, para o alinhamento da visão dos gestores e o direcionamento de recursos – uma excelente forma de conquistar clientes e mercados. De qualquer forma, em essência, o sistema do PEM continua o mesmo: parte de uma definição de metas com base na análise dos ambientes nos quais a empresa está inserida; baseia-se em uma profunda revisão da situação da empresa; em seguida, formula-se a estratégia, alocam-se os recursos necessários e, por fim, avalia-se o êxito do PEM. 14 Estrutura do PEM Um bom plano de marketing requer muitas informações de fontes diferentes. Dessa forma, o grande desafio é reunir todas as informações de maneira eficiente e pontual, selecionando as que são efetivamente relevantes. Infelizmente, a adoção de uma perspectiva holística é difícil na prática. É fácil envolver-se, profundamente, no desenvolvimento da estratégia de marketing para descobrir, somente depois, se ela era ou não apropriada ao ambiente de marketing da organização. Pense em quantos produtos fracassam – ou não atingem o resultado esperado – pelo fato de os Gerentes de Produtos (GP) não refletirem o mercado externo e sua volatilidade. Por exemplo, quando a P&G lançou seu produto premium no Brasil – o Ariel, que era líder de vendas em outros países latino-americanos –, a empresa esperava abocanharuma boa fatia de mercado da sua grande rival, a Unilever, fabricante do OMO. Um dos diferenciais do Ariel, e que era valorizado por outros consumidores, era o fato de ele não fazer muita espuma. Só que esse foi o problema. Os brasileiros, em geral, associam a eficácia do sabão de lavar roupa à quantidade de espuma que ele faz. Pensem nos desafios das tradicionais empresas de jornais, dos taxis e dos hotéis ao lidarem com concorrentes absolutamente novos: a mídia digital, Uber e o BNB. Como não considerar os avanços tecnológicos quando pensamos em um novo produto? As cadeias de fast food podem fazer planos para o futuro e esquecer que as novas gerações se preocupam com a saúde? Nesse contexto, o marco de um plano de marketing bem-desenvolvido é uma análise bem- fundamentada dos ambientes e, com base nessa análise, a definição das metas e dos objetivos exequíveis, assim como das estratégias para atingi-los. Todo plano de marketing deve ser organizado de forma a assegurar que todas as informações relevantes foram consideradas e incluídas. O esquema de plano de marketing típico é mostrado na Figura 3 – o esqueleto de um plano de marketing, que deverá servir de modelo para você montar o seu plano de marketing. Vale lembrar que as empresas adotam muitas abordagens de planejamento diferentes, com planos dirigidos para UENs2 (Unidades Estratégicas de Negócios), linhas de produtos, marcas individuais, mercados específicos, etc. 2 UEN – Unidades Estratégicas de Negócios 15 Figura 2 – Modelo de plano de marketing I. Sumário Executivo a. Sinopse b. Principais aspectos do plano II. Análise ambiental a. Análise do ambiente externo b. Análise do ambiente do consumidor c. Análise do ambiente organizacional III. Análise SWOT a. Forças b. Fraquezas c. Oportunidades d. Ameaças IV. Metas e objetivos de marketing a. Metas de marketing b. Objetivos de marketing V. Estratégias de marketing a. Mercados-alvo b. Composto de marketing para cada mercado-alvo c. Principais clientes e reações da concorrência VI. Implementação de marketing a. Assuntos estruturais b. Abordagem para a implementação c. Marketing interno d. Atividades, responsabilidades e orçamentos e. Programação de implementação VII. Avaliação e controle a. Avaliação financeira b. Controle de marketing 16 Figura 3 – Representação de ambiente Sumário executivo O sumário executivo é uma sinopse do plano de marketing global, cobrindo os pontos principais da estratégia de marketing e sua execução. Seu propósito é fornecer uma visão geral do plano, de maneira que o leitor possa identificar, rapidamente, os principais problemas ou preocupações relacionadas a seu papel no processo de planejamento. Desse modo, o sumário executivo não fornece as informações detalhadas encontradas na análise ambiental ou na SWOT, ou quaisquer outras informações que apoiam o plano final. A sinopse introduz os principais aspectos do plano de marketing, incluindo projeções de vendas, custos e medidas de avaliação de desempenho. Os gerentes podem precisar saber qual informação está contida no plano para assuntos de planejamento e implementação. No entanto, alguns detalhes podem ser ignorados, por exemplo, o presidente pode estar mais preocupado com o custo global e o retorno esperado do plano, e menos interessado em como o plano deve ser implementado. Outras pessoas de fora da empresa podem receber uma cópia do plano: um banco ou uma instituição financeira, como aval para aprovar linhas de crédito, ou fornecedores, investidores, acionistas etc. Embora o sumário seja a primeira fase de um plano de marketing, ela deve ser a última parte a ser escrita, uma vez que é muito mais fácil redigi-la após a conclusão do trabalho. 17 Como já vimos, o PEM faz parte de um planejamento corporativo, e as empresas, salvo algumas exceções, têm por objetivo maximizar seus lucros e otimizar sua rentabilidade. Dessa forma, como profissionais de marketing, temos a obrigação de saber justificar nossas propostas financeiramente. De que adianta propormos o lançamento de um novo produto, o reposicionamento de um serviço, a utilização de um novo canal de distribuição, um plano de comunicação inovador, ou o uso das mídias e tecnologias digitais se não soubermos responder a seguinte pergunta: vamos investir quanto, para ter quanto de volta, em quanto tempo? A capacidade de justificar um plano de marketing estrategicamente é o que torna um empreendedor bem- sucedido, um profissional de marketing desejado no mercado. Isso é o que nos torna gerentes! Neste módulo, discutiremos os fatores que servem de parâmetros de análise para os ambientes externo, organizacional e do consumidor. Tais fatores impactam a demanda dos produtos e serviços, bem como toda a estratégia de marketing. Análise dos ambientes mercadológicos Agora, veremos as informações que dizem respeito ao ambiente externo, ao ambiente do consumidor (mercado-alvo) e ao ambiente interno (organizacional). A análise do ambiente externo deve incluir todos os fatores relevantes econômicos, políticos, sociais, jurídicos, culturais, demográficos, tecnológicos, entre outros, que possam impactar as atividades de marketing da empresa. Pense como a pandemia de Covid-19 impactou drasticamente a indústria de turismo; por outro lado, abriu grandes oportunidades para as empresas de entrega. Em geral, todas as organizações tiveram que repensar o seu modus operandi e recalcular as suas estruturas de custo, pois a demanda se alterou. No limite, o ambiente externo diz respeito a todos aqueles fatores que não controlamos: preço do petróleo, taxa de juros, taxa de câmbio, distribuição etária da população na região na qual operamos. Já a análise do ambiente do consumidor deve analisar a situação atual a respeito das necessidades do mercado-alvo (quem compra, quem decide e quem usa o produto ou o serviço), as mudanças antecipadas dessas necessidades e como os produtos da empresa estão atualmente atendendo a estas necessidades. MÓDULO II – ANÁLISE DOS AMBIENTES DE MARKETING 20 Aqui devemos entender o comportamento do consumidor, o qual sofre influência, por exemplo, das tecnologias disponíveis. Por exemplo, a forma como consumimos filmes hoje em dia é totalmente diferente da do início deste século; ou ainda, quando o 5G estiver totalmente operante, a internet das coisas (IoT) não será mais ficção científica. Da mesma forma, o avanço das redes sociais, reconfiguram como as pessoas apreendem o mundo. Por fim, a análise do ambiente interno da empresa deve considerar a disponibilidade e a alocação dos recursos humanos (idade, taxa de turn-over, absenteísmo), a capacidade dos equipamentos e da tecnologia, a disponibilidade de recursos financeiros, o poder e as lutas políticas dentro da empresa. Nesta dimensão, é fundamental que conheçamos a fundo a organização na qual trabalhamos: o seu propósito, a sua missão, a sua visão, a sua estrutura, os seus processos, bem como a sua cultura. A análise ambiental clara e abrangente é uma das partes mais difíceis do desenvolvimento de um plano de marketing. Essa dificuldade surge porque a análise ambiental deve ser abrangente em escopo e estar focada nos assuntos-chave, para evitar a sobrecarga de informações – tarefa que se torna mais complicada em função dos avanços tecnológicos. É só nos lembrarmos que qualquer smartphone topo de linha processa as informações sete vezes mais rapidamente do que todos – sim todos! – os computadores usados pela NASA para levar o homem à Lua em 1969. Para evitar a sobrecarga de informações, a coleta e organização dos dados ambientais deve ser um esforço progressivo. Uma vez coletados e organizados, esses dados podem ser armazenados eanalisados pelo sistema de informações de marketing da empresa, permitindo que as informações atualizadas sobre o ambiente estejam disponíveis, quando necessárias. Tal sistema pode dar uma contribuição relevante para a análise SWOT, ao sintetizar as constatações em uma série de conclusões. Vejamos: Ambiente externo forças competitivas; crescimento e estabilidade econômica; tendências políticas; fatores legais e reguladores; mudanças na tecnologia e tendências culturais. Ambiente do consumidor Quem são nossos consumidores atuais e potenciais? O que os consumidores fazem com o nosso produto? Onde os consumidores compram o nosso produto? Quando os consumidores compram o nosso produto? Por que e como os consumidores selecionam o nosso produto? Por que os consumidores potenciais não compram o nosso produto? 21 Ambiente interno objetivos e desempenho atual; nível de recursos disponíveis e cultura e estrutura organizacional. Análise do ambiente externo O ambiente externo inclui os fatores econômicos, sociais, políticos, demográficos, culturais que podem exercer pressões consideravelmente diretas e indiretas sobre as atividades de marketing domésticas e internacionais. Por exemplo, o avanço da tecnologia “robou” passageiros de negócios das companhias aéreas, pois não é mais necessário deslocarmo-nos fisicamente para realizarmos uma reunião. Essa pode ser feita via plataformas como Zoom, Teams, Google Meet. Há ainda novos modelos de negócio, como Uber e AirBnB, que também colocaram em xeque indústrias tradicionais como os taxis e os hotéis. A seguir, vejamos um quadro sinóptico do roteiro para análise do ambiente externo. 1. Forças competitivas a. Quem são os principais concorrentes em produto, marca? Quais são suas características em termos de tamanho, crescimento, rentabilidade, estratégia e mercados-alvo? b. Quais as principais forças e fraquezas de nosso concorrente? c. Quais as principais capacidades de marketing de nossos concorrentes em relação à distribuição, à promoção e ao preço? d. Que resposta pode ser esperada de nossos concorrentes se as condições ambientais mudarem ou se mudarmos nossa estratégia de marketing? e. É provável que esse conjunto de forças competitivas mude no futuro? Em caso afirmativo, como? Quem são nossos prováveis novos concorrentes? 2. Forças econômicas a. Quais as condições econômicas gerais do país, do estado e da região onde a empresa opera? b. Nossos consumidores estão otimistas ou pessimistas quanto à economia? (Propensão marginal ao consumo ou propensão marginal à poupança). c. Qual o poder de compra do nosso mercado-alvo? d. Quais os padrões de compra dos nossos consumidores? Estão comprando mais ou menos do nosso produto? Por quê? 22 3. Forças políticas a. Recentemente, houve eleições que mudaram o panorama dos mercados doméstico ou internacional? b. O que estamos fazendo para manter boas relações com os candidatos eleitos? 4. Forças legais e regulamentadoras a. Que mudanças nas leis internacionais, nacionais, estaduais ou municipais estão sendo feitas ou propostas que possam afetar nossos negócios? b. As decisões judiciais recentes sugerem que devemos modificar nossas atividades de marketing? c. Qual o efeito dos acordos comerciais globais (Mercosul, Gatt) em nossas oportunidades de marketing internacional? 5. Forças tecnológicas a. Qual o impacto da mudança tecnológica sobre nossos consumidores? b. De que forma as mudanças tecnológicas afetarão nosso modus operandi e nossa produção? c. Há qualquer tecnologia atual que não estejamos usando em pleno potencial para tornar nossas atividades de marketing eficientes ou eficazes? d. Algum avanço tecnológico ameaça deixar nosso produto ou serviço obsoleto? 6. Forças socioculturais a. Como as condições demográficas ou de valores de nossa sociedade estão mudando? Que efeitos terão sobre nosso marketing mix? b. Que problemas ou oportunidades essas mudanças estão trazendo para nossos consumidores e funcionários? c. Qual a atitude geral da sociedade sobre nosso setor, nossa empresa e nosso produto? d. Quais grupos de consumidores ou ambientalistas podem intervir em nosso setor ou empresa? O que podemos fazer? e. Que problemas éticos devemos destacar? Podemos pensar ainda em: Estilo de vida roupa mais informal e globalizada; menos tempo para atividades de lazer; mais comum ficar em casa; surgimento da geração shopping-center; maior foco em saúde e esporte e maior tempo de uso do computador. 23 Tendência demográfica envelhecimento dos revolucionários da década de 1960; crescimento dos pais-solteiros; maior número de pessoas morando sozinhas; maior número de mulheres trabalhando fora de casa e aumento da emigração. Fatores culturais aumento do consumo conspícuo; crescente preocupação com o meio-ambiente; menor tolerância à corrupção; menor tolerância ao fumo em ambientes públicos; maior tolerância aos diversos estilos de vida e aumento da população evangélica. Quando pensamos em forças competitivas, não podemos esquecer do conceito de miopia de marketing (Theodore Leavitt), que nos remete à conclusão de que, nem sempre, o concorrente é aquele oferece um produto similar ao nosso. De fato, o que disputamos é o dinheiro em circulação. Por exemplo, se a necessidade do consumidor é matar a sede, podemos pensar na concorrência das marcas – Coca-Cola e Pepsi –, na concorrência de produtos – refrigerante X, chá X, suco X, cerveja –, na concorrência genérica com a água ou, ainda, na concorrência pelo orçamento total – chocolate em barra, batatinha ou chiclete. Um outro exemplo é o caso da adolescente que fará 15 anos e fica em dúvida entre uma grande festa ou uma viagem sozinha para a Disney. Repare que, no limite, o que disputamos é o dinheiro em circulação. Para realizarmos essa avaliação, devemos fazer uma análise competitiva, que passa pelos seguintes estágios: identificar todas as marcas potenciais e atuais, os produtos, os genéricos e o orçamento total dos concorrentes; avaliar cada concorrente-chave por tamanho, crescimento, rentabilidade, objetivos, estratégias e mercado-alvo; avaliar as forças e fraquezas de cada concorrente, incluindo as principais competências individuais em suas áreas funcionais (Marketing, P&D, Produção, RH, etc.); focar a análise nas capacidades de marketing de cada concorrente em termos de seus produtos, preços, distribuição e promoção; estimar as estratégias mais prováveis de cada concorrente e suas respostas sobre diferentes situações ambientais, bem como suas reações aos esforços de marketing da própria empresa. Desse modo, os fatores que compõem o ambiente externo são chamados também de exógenos, uma vez que a empresa não tem o menor controle sobre eles. Por exemplo, se faz frio, uma fábrica de cobertores venderá mais. No entanto, qual o controle que o dono tem sobre o tempo? Da mesma forma, se o dólar ficar mais baixo, a demanda por vinhos chilenos aumentará; 24 por outro lado, será mais difícil para os fabricantes brasileiros exportarem seus produtos, já que seus custos (em dólares) estarão mais altos. No entanto, que poder de controle temos sobre a taxa de câmbio? O mesmo raciocínio vale para a taxa de desemprego, o perfil etário da população e as políticas de importação para países os quais exportamos. Pensem nas restrições a alguns produtos agrícolas, aves, gados e suínos brasileiros, por parte dos países da União Europeia e da Rússia... Vamos começar pelo ambiente econômico, já que ele é o mais nevrálgico em qualquer análise. Ambiente econômico Os fatores econômicos podem refletir tanto ameaças quanto oportunidades para as empresas, e são os mais relevantes para determinar a capacidadede demanda de um público-alvo. Nesse contexto, que indicadores podemos usar para saber se um país, estado, região ou cidade vai bem economicamente? Entre os fatores podemos citar: a inflação, a taxa de câmbio, o preço da energia, a burocracia, a corrupção, a disponibilidade de materiais, o custo de transporte, a violência, a política econômica do governo. A seguir, vamos definir alguns dos fatores que podem ser considerados os mais importantes. a) Taxa de inflação – É o aumento no nível de preços, isto é, a média do crescimento dos preços de um conjunto de bens e serviços em determinado período. Pense como o aumento dos preços tende a afetar muito mais as camadas sociais média e as mais baixas. Se, por acaso, nosso produto ou serviço for percebido como supérfluo, em momentos de crise econômica ou alta inflação, nossa demanda tende a cair. b) PIB (Produto Interno Bruto) – Representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região, durante determinado período. Trata-se de um bom indicador para determinarmos se um mercado é atrativo para o nosso tipo de produto ou serviço. c) Taxa de juros – Equivale ao preço do dinheiro. A taxa básica de juros da economia brasileira é chamada de SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). Ela é usada nos empréstimos feitos entre os bancos e também nas aplicações feitas por essas instituições bancárias em títulos públicos federais. A Selic é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil). A partir da Selic, os bancos definem a remuneração de algumas aplicações financeiras feitas pelos clientes. Além disso, a Selic é usada como referência de juros para empréstimos e financiamentos. Quando a Taxa Selic está muito alta, o valor do dólar tende a diminuir no país. Isso ocorre, porque muitos investidores externos fazem aplicações no Brasil atreladas aos juros. Entrando e circulando mais dólares na economia brasileira, essa moeda se desvaloriza, enquanto o real ganha força. Outro impacto de uma alta taxa 25 SELIC é o encarecimento dos financiamentos e o aumento dos juros cobrados em cartões de crédito, de modo que fica mais caro comprar de forma parcelada. Dessa forma, a Selic alta desestimula o consumo, reduzindo a venda de mercadorias e serviços. As empresas brasileiras e os consumidores acabam sendo prejudicados com esse fator. É lógico que esses fatores não exaurem todas as análises que devem ser feitas, mas já podem dar a ideia de quão robusta deve ser a análise dos ambientes. Não é algo que se faça em uma hora, já que deve ser feito de forma muito responsável. Fatores socioculturais Nesse campo, as principais vertentes que impactam no comportamento do consumidor são: cultura, subcultura e classes sociais. No campo da cultura, vemos que, à medida que a criança cresce, adquire valores, percepções, preferências e comportamentos de sua família e de outras instituições. No Brasil, por exemplo, as crianças são o centro da atenção do núcleo familiar. O mesmo não ocorre em outros países. Mesmo assim, o Brasil não é um país homogêneo, e nossa sociedade tem mudado muito ao longo dos anos. De fato, até os conceitos de família e casamento foram ressignificados pela nossa Suprema Corte. Como falamos, o nosso país é heterogêneo, de modo que há múltiplas subculturas que fornecem a identificação e socialização do indivíduo. Aqui, entram as diversas nacionalidades que deram origem ao nosso povo, religião, grupos raciais, regiões geográficas. Muitas culturas criam segmentos específicos que merecem a atenção dos profissionais de marketing, por exemplo, a linha de cosméticos e revistas para pessoas negras. Há ainda as classes sociais, que correspondem à estratificação que reflete a renda e também indicadores, como ocupação, grau de instrução e área de residência. As classes sociais têm várias características: em primeiro lugar, seus componentes tendem a se comportar da mesma maneira; em segundo lugar, as pessoas são vistas como ocupantes de posições superiores ou inferiores, conforme sua classe social; em terceiro lugar, a classe social é indicada por várias variáveis – renda, ocupação, propriedades, grau de instrução, orientação para valores. Não podemos deixar de considerar que, durante a vida, uma pessoa pode mudar de classe social. Você sabe como o Brasil está estratificado socialmente? E sua região? Para você, o que é uma pessoa rica? Veja como a renda brasileira ficou dividida em 2020, segundo levantamento da FGV: Classe A: R$ 19.400,00 (3%); Classe B: R$ 6.200,00 – R$ 19.399,00 (12%); Classe C: R$ 2.600,00 – R$ 6.199,00 (24%); Classe D: até R$ 2.599,00 (61%). 26 Que conclusões podemos tirar? Compare a situação de duas famílias: a primeira tem uma renda mensal de R$ 5.000,00, paga aluguel, mora em uma cidade pequena (portanto, não gasta com transporte) e os avós tomam conta dos netos; a segunda tem renda de R$ 10.000,00, mas mora em São Paulo, paga aluguel e tem de arcar com os custos de babás ou escolinhas. Qual é a com maior poder aquisitivo? Isso mostra que a análise não pode ser reducionista. Obviamente, quando elaboramos um planejamento, também devemos projetar o futuro. Você consegue fazer um prognóstico para as classes sociais brasileiras? Como o seu poder aquisitivo se comportará? Veja o que diz o relatório da Consultoria Tendências, publicado em dezembro de 2020. Figura 4 – Prognóstico do poder aquisitivo por classes sociais Fonte: Consultoria Tendências, 2020. 27 Ambiente demográfico Outro fator externo é a composição demográfica da população. Esse fator é importante, já que determinará o tipo de consumo de um país. A seguir, vejamos a pirâmide etária brasileira em 2013 e o prognóstico para 2040 e 2060, segundo o IBGE. Figura 5 – Pirâmide etária brasileira – 2013, 2040 e 2060 Fonte: (IBGE, 2017) O envelhecimento da população impacta não só a previdência e a política de saúde pública, mas também os tipos de produtos e serviços que a população vai demandar. E será que todo idoso é igual? Mais uma vez, não podemos ser reducionistas. Haverá membros desse segmento que serão esportistas e viajarão, já outros serão hipocondríacos. Ambiente da concorrência Para analisar a concorrência, devemos focar na estrutura do setor, isto é, na composição das empresas que o constituem, em sua posição e reputação, bem como das nossas. Devemos também mensurar a dimensão da capacidade de produção do mercado. Para isso, utilizamos os Sistemas de Informação de Marketing. Na verdade, para elaborarmos um PEM, temos de conhecer os nossos concorrentes melhor do que a nós mesmos. Nesse sentido, precisamos levantar a seguintes informações sobre os nossos concorrentes: capacidade de produção; recursos humanos e materiais; saúde financeira; acordo com fornecedores, distribuidores; 28 quem são os principais clientes; estrutura dos custos operacionais; investimentos recentes e passados; efeitos de alteração do preço no seu ROI, volume de vendas, custos de investimentos e fontes de recursos. Geralmente, quando pensamos em concorrência, pensamos naqueles que atuam no mesmo segmento que nós atuamos. No entanto, Theodore Leavitt escreveu um artigo chamado “Miopia de marketing” (1960), em que afirma que, na realidade, as empresas disputam o dinheiro em circulação, e não market share. No entanto, o que o marketing realmente faz é comercializar ideias! Charley Revson afirmou que: “Na fábrica, fazemos cosméticos; nas lojas, vendemos esperança”. Pense que um comprador de furadeira está comprando um furo na realidade. Desse modo, quando falamos de competição, podemos estar falando de: Competição de marcas – empresas oferecem produtos ou serviços similares para o mesmo público-alvo. Por exemplo, quaisfabricantes de carro disputam o mercado de carros populares? Competição na indústria – empresas competindo com todas as empresas que fabricam o mesmo produto. Por exemplo, considerando a elasticidade da demanda e uma possível econômica favorável no país, um carro popular pode disputar mercado com um produto mais caro. Competição de forma – a empresa compete com todas as outras que fornecem o mesmo tipo de serviço. Por exemplo, em que medida um carro não disputa mercado com uma motocicleta ou scooter? Competição genérica – a empresa compete pelo dinheiro em circulação. Por exemplo, uma fabricante de automóveis não compete apenas com todos os meios de transportes mas também com os outros bens de consumo durável, férias no exterior e casas. Porter, em seu livro Vantagem competitiva, identificou 5 forças que determinam a atividade intrínseca de lucro no longo prazo de um mercado ou segmento de mercado: concorrentes do setor, novos concorrentes potenciais, substitutos, compradores e fornecedores. Vejamos: 29 Figura 6 – Forças de Porter Fonte: Porter, 2000. 1. Ameaça de rivalidade intensa no segmento – um segmento não é atraente se já possui concorrentes poderosos, agressivos ou em grande número. É ainda menos atraente se for estável ou estiver com em declínio, se os acréscimos à capacidade produtiva ocorrerem em grandes incrementos, se os custos fixos forem altos, se as barreiras à saída forem grandes ou se os concorrentes possuírem grande interesse em permanecer nesse segmento. Essas condições levarão a frequentes guerras de preços, batalhas no campo da propaganda e lançamento de novos produtos – o que tornará a competição onerosa. 30 2. Ameaça de novos concorrentes – a atividade de um segmento varia conforme se configuram as barreiras à entrada e à saída do segmento. O segmento mais atraente é aquele em que as barreiras à entrada são grandes e as barreira à saída são pequenas. barreiras à saída b a rr e ir a s à e n tr a d a pequenas grandes pequenas retornos baixos e estáveis retornos baixos e arriscados grandes retornos altos e estáveis retornos altos e arriscados Essas barreiras à entrada, à mobilidade e à saída podem ser: a estrutura de custo; o grau de integração vertical (retrógrada ou à frente) ou o grau de globalização (parcerias estratégicas, joint-ventures). Poucas empresas novas conseguem entrar no setor, e as empresas de fraco desempenho saem dele facilmente. Quando as barreiras à entrada e as barreiras à saída são grandes, o potencial de lucro é elevado, mas as empresas enfrentam riscos maiores, uma vez que as empresas de desempenho insatisfatório permanecem no setor e continuam na luta. Quando as barreiras à entrada e as barreiras à saída são pequenas, as empresas entram e saem do setor facilmente, e os retornos são estáveis e baixos. O pior caso é quando as barreiras à entrada são pequenas e as barreiras à saída são grandes. Nesse caso, as empresas entram nos períodos bons, mas acham difícil sair nos períodos difíceis. O resultado é a capacidade excessiva e ganhos achatados para todos. E que é concorrência, afinal de contas? Será que nossos concorrentes são apenas aqueles que atuam no mesmo setor que nós? É apenas aquele grupo de empresas que oferece um produto ou uma categoria de produtos que são substitutos ou próximos ao nosso? Mais uma vez vale a pena resgatar o conceito de miopia de marketing, proposto por Leavitt, e como ele influencia a forma como as empresas se percebem. companhia definição do produto definição do mercado Xerox fazemos copiadoras ajudamos a aumentar a produtividade no escritório Warner Bros. fazemos filmes comercializamos entretenimento LATAM vendemos passagem aérea vendemos sonho 31 O importante é sabermos classificar o setor no qual atuamos ou pretendemos atuar quanto à sua estrutura. Tal estrutura pode ser: a) monopólio puro, em que somente uma empresa oferece o produto; b) oligopólio, em que uma pequena quantidade de grandes empresas fabrica produtos que variam de altamente diferenciados a padronizados; c) concorrência monopolista, em que muitos concorrentes são capazes de diferenciar suas ofertas no todo ou em parte (restaurantes, salões de beleza). Nesse caso, os concorrentes focam nos segmentos do mercado aos quais podem atender as necessidades dos clientes de modo superior e impor um preço premium. Por fim, há a d) concorrência pura, em que o preço é determinado pela demanda e oferta, e o produto é comoditizado. 3. Ameaça de produtos substitutos – um segmento não é atraente quando há substitutos reais ou potenciais para o produto. Os substitutos limitam os preços e os lucros de um segmento. A empresa tem de monitorar as tendências de preços atentamente. Se houver avanços tecnológicos ou aumento de concorrentes nesses setores substitutos, os preços e os lucros no segmento tendem a cair. 4. Ameaça do poder de barganha cada vez maior dos compradores – um segmento não é atraente se os compradores possuírem um poder de barganha grande ou em crescimento. Os compradores tenderão a forçar uma queda de preços, exigirão mais qualidade e opções de serviço e colocarão os concorrentes um contra os outros – tudo isso custando a lucratividade da empresa vencedora. O poder de barganha dos compradores cresce à medida que eles se organizam e se concentram mais, quando o produto representa uma parcela significativa dos custos do comprador, quando o produto o produto não é diferenciado (commodities), quando os custos de mudança dos compradores são baixos, quando os compradores são sensíveis ao preço devido a margens de lucro baixas ou quando os compradores podem integrar estágios anteriores da cadeia produtiva. Para se proteger, as empresas devem selecionar compradores que possuam uma menor capacidade de negociação e de mudança de fornecedor. A melhor defesa consiste no desenvolvimento de ofertas superiores, que não possam ser rejeitadas por compradores de peso. 5. Ameaça do poder de barganha cada vez maior dos fornecedores – um segmento não é atraente se os fornecedores da empresa puderem elevar ou reduzir as quantidades fornecidas. Os fornecedores tendem a ser poderosos se estiverem concentrados ou organizados, se houver poucos substitutos, se o produto fornecido for um material importante, se os custos para mudança de fornecedor forem altos e se os fornecedores puderem se integrar a estágios posteriores na cadeia produtiva. As melhores defesas são construir relações com fornecedores em que todas as partes saem ganhando e usar várias fontes de fortalecimento. 32 Fatores políticos, fiscais e legais Nessa dimensão, devemos considerar questões que podem afetar nossos negócios, como nacionalização, leis trabalhistas, leis que coíbem o trabalho infantil, trabalho em situações análogas à escravidão, aumento de tarifas controladas pelo governo, restrições regulamentadoras, políticas e visões do partido político no poder e em maioria no Congresso, políticas que impactam as estratégias de marcas, embalagens e rotulagens, propaganda e comunicação. Nessa dimensão, também devemos refletir: quais tributos iremos pagar? Qual o impacto desses tributos sobre o preço final de nosso produto ou serviço? E, finalmente, precisamos mensurar quanto este aumento de preço refletirá sobre a nossa demanda final. É claro que esse cálculo dependerá de nosso produto ou serviço ter uma demanda elástica ou inelástica, ou se são bens esdrúxulos. Por definição, tributo é toda prestação pecuniária compulsória – em moeda ou cujo valor se possa exprimir por moeda – que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Em termos gerais, classificam-se cinco espécies de tributos: impostos, taxas, contribuições de melhoria,empréstimos compulsórios e contribuições parafiscais. De forma muito sintetizada, os impostos são as cobranças que incidem sobre a propriedade de imóvel urbano (IPTU), a disponibilidade de renda (imposto sobre a renda), a propriedade de veículo automotor (IPVA), entre outros. Já as taxas decorrem de atividades estatais, tais como os serviços públicos ou do exercício do poder de polícia. Por exemplo, custas judiciais e a taxa de licenciamento de veículos. As contribuições de melhoria, por sua vez, originam-se da realização de obra pública que implique valorização de imóvel do contribuinte. Por exemplo, benfeitorias no entorno do imóvel residencial. Os empréstimos compulsórios têm por finalidade buscar receitas para o Estado, a fim de promover o financiamento de despesas extraordinárias ou urgentes, quando o interesse nacional esteja presente. Por fim, as contribuições parafiscais são tributos instituídos para promover o financiamento de atividades públicas. Desse modo, são tributos finalísticos, ou seja, a sua essência pode ser encontrada no destino dado, pela lei, ao que foi arrecadado. Fatores tecnológicos Nos fatores tecnológicos, analisamos como a tecnologia disponível no mercado, no qual operamos, impacta na decisão de compra do nosso público-alvo. Por exemplo, um brasileiro de classe média, jovem e urbana não é propenso a comprar um rádio de pilha, já um indivíduo similar, que more no interior da África, sem acesso à energia elétrica, estará). 33 Entre as mudanças tecnológicas recentes e as tendências factíveis para o futuro próximo, podemos citar: Big data – geração de dados de transações financeiras por diferentes tipos de sensores e medidas, redes sociais e outras fontes que aumentam exponencialmente em termos de volume, variedade e velocidade. Blockchain (ou protocolo de confiança) – trata-se de uma tecnologia de resgistro descentralizado de informações para transações financeiras. Cloud computing (ou computação na nuvem) – tecnologia de uso remoto de recursos compartilhados para acesso de qualquer dispositivo com conexão com a internet. Design e-customer experience – soluções baseadas na empatia com o consumidor, nos desejos e nas emoções das pessoas que irão usar o produto. Interligação entre valores humanos, tecnologia e negócios. Modelos inovadores de negócios e serviços – empresas baseadas em ciência ou tecnologia com modelos de negócios completamente novos. Inteligência artificial – tecnologia de softwares desenvolvida para realizarem funções designadas aos humanos, como identificar a linguagem falada ou escrita, com aprendizado contínuo. Internet das Coisas (IoT) e M2M (máquina a máquina) – tecnologias que permitirão que os objetos da vida cotidiana estejam conectados à internet e entre si, agindo de modo inteligente e sensorial. Conexão de máquinas para máquinas e de máquinas com ferramentas, que permitirá um novo alcance de aplicações para melhorar a produtividade e aumentar a eficiência. Gamificação – estratégia de interação entre pessoas e empresas com base em incentivos que engajam o público de maneira lúdica, que instiga duas fortes características do ser humano – a cooperação e a competitividade. Lugares inteligentes para trabalhar e viver – envolve padrões aprimorados em vários aspectos da vida cotidiana, que vão desde domicílios, locais de trabalho e a forma como as pessoas são transportadas dentro das cidades. Tecnologias limpas – serviços e produtos inovadores superiores em termos de performance e redução dos impactos ecológicos, além de contribuírem para uma maior produtividade e responsabilidade em relação aos recursos. Rastreabilidade na cadeia de valor – rastreamento de bens e materiais ao longo da cadeia de suprimentos. Método de produção empregado e habilitado por agentes da cadeia de fornecimento, adotando padrões e fornecendo certificados que demonstram práticas e métodos específicos. Serviços baseados em localização geográfica – acessado por um dispositivo móvel (controle para localização de filhos, promoções em shoppings, lojas e cinemas, meteorologia, esportes etc.). 34 Tecnologias vestíveis ou wearables – dispositivos tecnológicos que podem ser utilizados pelos usuários como peças do vestuário (óculos, relógios, sapatos, pulseiras, camisas etc.). A linha de eletrodomésticos incluirá refrigeradores, fogões, fornos de micro-ondas, máquinas de lavar roupa e aspiradores de pó – todos eles conectados a smartphones e às TVs. Economia colaborativa e compartilhada – sistema socioeconômico construído em torno da partilha de recursos humanos e físicos (crowdsourcing). Ela inclui criação, produção, distribuição, comércio compartilhado, e consumo de bens e serviços por pessoas e organizações diferentes, de diversos lugares e culturas. Pagamentos mobile, digital e bitcoins – instrumentos utilizados para liquidação financeira de uma operação, que requeiram a existência de canais de distribuição e infraestrutura para a captura e o processamento das transações. Impressoras 3D – atualmente, as empresas utilizam a manufatura aditiva em grande parte para protótipo de peças e acelerar a produção na indústria, mas deseja-se chegar ao produto final, inclusive com melhores materiais. Realidade ampliada – interação do usuário com o mundo dentro da tela, mesmo estando fora dela. É um ambiente que envolve tanto realidade virtual como elementos do mundo real, criando um ambiente misto em tempo real. Cidades inteligentes – infraestrutura de rede flexível e inteligente. Nas redes tradicionais, a geração de energia segue a demanda. No futuro, o consumo de energia virá depois da geração, e não o contrário. Robótica – ciência que estuda a elaboração, montagem e programação de robôs para execução de tarefas de forma automática. Utilizada para ganhar produtividade e menor custo de qualquer sistema. Fábricas inteligentes – considerada a nova revolução industrial por integrar a manufatura com o estado da arte da tecnologia de informação e comunicação, conectando pessoas, máquinas e processos inteligentemente. Materiais avançados – avanços tecnológicos na produção e na qualidade de materiais. Surgem do desenvolvimento da ciência dos materiais que oferecem novas perspectivas. Segurança cibernética – também conhecido como segurança da tecnologia da informação, é um sistema de proteção de computadores, redes, programas e dados contra acesso não intencional ou não autorizado, ou alteração ou destruição dos mesmos. Speech analytics – soluções relacionadas a quesitos críticos de negócios, como satisfação do cliente, experiência e retenção de problemas, efetividade da operação e efetividade das vendas e do marketing. Carros autônomos – veículos terrestres de transporte de pessoas ou bens sem a utilização de um condutor humano. Com a integração de um conjunto de tecnologias de sensores, sistemas de controle e atuadores para analisar o ambiente e determinar as melhores opções de ação, executando-as de forma mais segura e confiável. 35 Telemática e conexões espaciais – adequada combinação das tecnologias associadas à eletrônica, informática e telecomunicações, aplicada aos sistemas de comunicação e sistemas embarcados. Pelo estudo das técnicas para geração, tratamento e transmissão da informação. Inclui aplicações ligadas ao espaço. Nanotecnologia – criação, manipulação e exploração de materiais com escala nanométrica (10 elevado a -9), por meio da reestruturação atômica. Máquinas e equipamentos que potencializarão a fabricação de produtos mais seguros, duráveis, inteligentes e muito menores. Autenticação biométrica – tecnologias que medem e analisam as características do corpo humano, tais como impressões digitais, retinas e íris, padrões de voz e faciais e medições de mão, para fins de autenticação. Computação quântica – execução de cálculos fazendo uso direto das propriedades da mecânica quântica, tais como sobreposição e interferência. Resolução de algoritmos em tempo eficiente. Quantified self – autoconhecimento por meio de números, automonitoramento. Mercado Para elaborarmos nosso PEM, devemos mensurar o tamanho do mercado atual e do mercado potencial, no qual poderemos atuar, em termos de valores e volumes. Essa análise também deverá contemplar as perspectivas de crescimento e eventuais tendências de mudanças. Como vimos em outros ambientes, devemos estar atentos a mudanças demográficas do país bem como ao comportamento do consumidor. Vale lembrar que, ainda no final da década de 1990, o consumidor brasileiro era extremamente resistente a fazer compras online e, hoje em dia, essa modalidade de comércio não só é aceita como corresponde a um enorme volume de compras. Há ainda outras características e tendências de mercado que não podemos negligenciar, no que tange à área de marketing. No que se refere aos produtos que são consumidos, qual é o seu uso final? Quais são as características – pesos, tamanhos, dimensões, embalagens – mais valorizadas pelos consumidores? Por exemplo, para a Pfizer, o Viagra não deve ser de uso recreativo, no entanto, essa é a razão de compra para a maior parte dos consumidores. Um smartphone deve ser pequeno ou grande? Que características são fundamentais para a compra de um? A resposta para essa questão é fundamental para que a Apple, Samsung, Nokia e demais fabricantes pensem nos próximos modelos que lançarão. Em termos de preços, temos de averiguar em que faixa de preços deveremos atuar, que regulações oficiais limitam nossa atuação, bem como quais são os termos e as condições de vendas e práticas comerciais adequadas para o nosso produto ou serviço. 36 Já no que se refere às políticas de distribuição, devemos estudar como otimizar o uso dos possíveis canais que temos à nossa disposição. Essa decisão é pautada, obviamente, nos padrões de compra de nossos consumidores, sua capacidade de lucro e sua localização geográfica. Lembrem-se de que, mesmo que compremos um faqueiro ou uma geladeira online, eles não sairão automaticamente da tela ou da impressora, de modo que precisamos de uma estratégia logística de entrega. Há as decisões que se referem à estratégia de comunicação, ou seja, à escolha de métodos de contato com os nossos consumidores: mídias online, off-line ou uma mescla das duas. Aqui, contempla-se o uso das redes sociais bem como sistemas de relacionamento com os clientes – os chamados Customer Relationship Management (CRM). Análise do ambiente interno Finalmente, devemos fazer uma análise crítica do ambiente atual e futuro da empresa em relação aos seus objetivos e desempenhos, à alocação de recursos, às características estruturais e às lutas políticas e de poder. Os principais aspectos foram sintetizados a seguir. 1. Revisão das metas, objetivos e desempenho de marketing a) Quais são as metas e objetivos atuais? b) As metas de marketing são consistentes com as metas da empresa? c) Quais são os parâmetros de nossas estratégias de marketing: volume de vendas, market share, rentabilidade, grau de fidelização de clientes? d) Como está o desempenho de nossa empresa comparado com o de outras do setor (benchmarking)? e) Se o nosso desempenho está em declínio, qual é a causa mais provável? Nossos objetivos de marketing são inconsistentes? A estratégia foi mal implementada? f) Se nosso desempenho está melhorando, que ações podemos adotar para assegurar esta continuidade? 2. Revisão dos recursos organizacionais atuais e previstos a) Qual é a atual situação de nossos recursos organizacionais: financeiros, humanos, experiência, relacionamento com fornecedores e com clientes-chaves? b) Há probabilidade de esses recursos mudarem para melhor ou pior? c) Se a mudança for para melhor, como poderemos utilizá-los para melhor atender às necessidades de nossos clientes? d) Se for para pior, o que poderá ser feito para compensar esta restrição de recursos? 37 3. Revisão dos problemas atuais e previstos a) Quais são os aspectos positivos e negativos da cultura organizacional da empresa? Em que pode ser mudada? A que custo? Em quanto tempo? b) Que problemas relacionados às lutas políticas e de poder podem afetar nossas atividades de marketing? c) Como as demais áreas funcionais visualizam a posição atual e a importância do marketing? d) Como a orientação global da empresa em relação ao consumidor afeta à estratégia de marketing? e) Geralmente, a empresa opera no longo ou no curto prazo quando se trata de planejamento? f) Atualmente, já problemas associados à motivação dos funcionários, especialmente aos da linha de frente? Missão organizacional À medida que a organização é implantada e o tempo vai transcorrendo, aumenta a importância de passar a todos uma ideia clara a respeito de qual é o seu propósito empresarial atual e futuro. Essa formalização, bem como a sua posterior assimilação e comprometimento por todos os colaboradores permite que a organização se consolide como uma entidade independente de seus fundadores, permite que ela ganhe vida própria. A declaração de missão deve ser um guia motivador para os colaboradores e precisa estar fortemente vinculada às competências da organização (Kotler, 2000, p. 88). Podemos definir missão como a função ou poder que se confere a alguém para fazer algo, como um encargo, uma incumbência, uma obrigação, um compromisso, um dever a cumprir (Ferreira, 1986, p. 1141). A partir da definição ampla de missão, fica mais fácil entender o significado de missão corporativa, que implica o entendimento do propósito de uma organização e de qual é o seu negócio, permitindo o estabelecimento de prioridades, estratégias e planejamento da alocação dos seus recursos. O enunciado da missão deve ser construído visando ao longo prazo, já que a definição de missão tem vocação para a eternidade. Dessa forma, é preciso resistir à tentação de alterar a declaração de missão a cada sacudida na economia. Não é raro que as pessoas acabem por confundir os objetivos de curto prazo com a missão da organização, principalmente, quando se trata da obtenção de lucros, aumento das vendas ou da participação de mercado. A construção de uma declaração de missão implica a seleção de crenças norteadoras com base na visão empresarial com a qual as pessoas se identificam, depositando sua fé e esperança no futuro. Nesse sentido, a declaração de missão é elaborada com a expectativa que dure para sempre. No entanto, a prática tem mostrado que as organizações devem ficar atentas às modificações do mercado, para atualizar a missão quando necessário. Os interesses dos stakeholders influenciam diretamente na definição da missão, conforme demonstrado no Quadro 1 (Joyce, 1999, p. 32). 38 Quadro 1 – Stakeholders e variáveis de interesse acionistas retorno do capital investido e perpetuação da empresa consumidores qualidade, satisfação, preço e prazo colaboradores salários, benefícios, qualificação, reconhecimento, estabilidade, condições de trabalho e desenvolvimento profissional comunidade preocupação com meio ambiente, qualidade de vida, geração de empregos e renda fornecedores relações comerciais éticas, estáveis, colaborativas e mutuamente vantajosas governo Geração de tributos, investimentos e cooperação com as políticas governamentais. Para tanto, devem ser observados os dois aspectos seguintes: reconciliar e hierarquizar os interesses e conciliar os interesses hierarquizados com a missão. Fonte: Joyce, 1999, p. 32. A confrontação dos interesses dos stakeholders da organização, devidamente conciliados e hierarquizados com os demais aspectos da missão – tais como linha de produtos a serem ofertados,