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Disciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Unidade 1 Ética e Política Aula 1 Vida Coletiva e Padrões de Comportamento Éticos Vida coletiva e padrões de comportamento éticos Vida coletiva e padrões de comportamento éticos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Aqui iniciamos nossa jornada em direção à complexa rede de relações, valores e estruturas que compõem a realidade brasileira. Este material se baseia no conhecimento sistematizado por Hugo Conti e Patrícia Alves (2019). Em sua opinião, nossa sociedade tem como orientação principal de funcionamento os princípios ou poder? Agimos coletivamente em função de uma busca para estabelecermos aquilo que consideramos correto ou nossa realidade pode ser mais bem compreendida a partir das relações de força que são estabelecidas em nosso país? Repare que essa busca pela ação correta pode incluir processos amplos de nossa vida em coletividade: há problema em empresas privadas financiarem campanhas políticas? Seria correto manter benefícios para funcionários AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA públicos que já recebem salários altíssimos? Há, ainda, decisões que envolvem a nossa vida privada: se uma regra nos parece injusta, devemos obedecê-la? Considerar uma ação correta ou incorreta é algo que se faz sozinho ou deve- se levar em conta aspectos sociais? A mesma abrangência deve ser considerada na análise das relações de poder, já que elas se manifestam em escalas elevadas: até onde deve ir à intervenção do Estado brasileiro em nossa sociedade? A maioria deve sempre se impor? E em nosso cotidiano individual: serviço público que utilizo é um favor que me foi oferecido ou é um direito que me é assegurado? Meu ato individual pode ter impacto na sociedade? Portanto, se pretendemos analisar a diversidade de fatores da vida coletiva de nosso país, é provável que estas duas orientações - princípios e poder apareçam em nossa análise (Conti, Alves, 2019). Por isso, é interessante recorrermos a dois domínios do conhecimento voltados a esses assuntos: a ética e a política. Embora esses temas sejam tratados frequentemente em nosso dia a dia, estudo mais aprofundado desses campos do conhecimento, conforme faremos nesta primeira unidade, será um AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA importante suporte para compreendermos ambiente que nos cerca e até mesmo nosso próprio cotidiano. A partir de uma compreensão humanista do que consiste a vida em sociedade, poderemos, então, identificar alguns requisitos para uma participação cidadã na comunidade que nos abriga. As respostas a essas e outras indagações serão trabalhadas à medida que analisarmos os fundamentos da filosofia ética e suas relações com os dilemas que despontam em nosso cotidiano, bem como os diferentes tipos de organização política e seus vínculos com nosso desenvolvimento enquanto sociedade. Vamos Começar! Vamos Começar! Se é verdade que os juízos morais podem concordar com uma norma jurídica ou mesmo com duas normas que, em um caso concreto, são conflitantes -, é crucial observar que esses valores derivam de uma consciência moral, a qual reflete valores e sentimentos pessoais. Na formação da moral, mais relevante do que a existência de uma lei, estão AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA as convições individuais, que podem ou não coincidir com a norma jurídica. Nesse contexto, a moral de uma pessoa pode até mesmo contradizer uma norma social; contudo, a ética deve guiar a condução de nossas vidas. termo "ética" deriva da palavra grega "ethos", cujo significado em nosso idioma está relacionado às ideias de "modo de ser" ou "bom costume". Isso revela que, pelo menos desde a Grécia Antiga, homem se dedica a analisar de que maneira as condutas dos indivíduos podem contribuir para uma convivência satisfatória. Dessa forma, a ética se consolida como campo do conhecimento voltado para a determinação racional das finalidades boas e más a serem buscadas pelos seres humanos. Ela investiga a essência das condutas consideradas certas ou erradas, assim como os fundamentos dos princípios e valores que embasam os juízos, obrigações e deveres que condicionam e qualificam comportamento humano. Trata-se de uma disciplina fortemente normativa, que prescreve ações e julgamentos a serem valorizados na condução de nossas vidas, em vez de apenas retratar a realidade observada. Além disso, ao destacar a razão como método para perceber caráter correto ou incorreto de uma ação, a ética fortalece a responsabilização individual por uma AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA conduta, uma vez que ser humano dispõe de mecanismos racionais para identificar a justiça ou injustiça de seus atos. Entretanto, a ética não é um conhecimento encerrado, com determinações já totalmente reveladas, mas sim que estabelecerá fundamentos amplos para a apreciação da conduta adequada em uma situação. A resposta à pergunta "qual a conduta correta para aprimoramento de nossa convivência coletiva?", abrange diversos componentes da vida social, como a organização política, as ciências e a moral. Esses elementos exercem influência nas maneiras de conceber a ética. No que diz respeito à moral, alguns esclarecimentos se tornam necessários. A classificação de um comportamento como "moral" ou "imoral" gera efeitos semelhantes à afirmação de que uma conduta é "ética" ou "antiética". Isso ocorre porque esses termos são frequentemente utilizados como se fossem conceitos equivalentes, inclusive em obras clássicas do campo de estudo. No entanto, é crucial reconhecer a existência de importantes diferenças entre esses conceitos. Etimologicamente, a palavra "moral" deriva do termo latino "moralis", cujo significado se aproxima de "relativo aos AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA costumes". Trata-se de um conjunto de normas que regulamenta a conduta dos indivíduos na sociedade, seguindo tradições, referências educacionais, culturais e práticas rotineiras. Siga em Frente... Siga em Frente Ética e moral Embora tanto a ética quanto a moral busquem orientar que é certo e errado nas ações humanas, a ética pressupõe que essa qualificação resulte de uma elaboração baseada na coletividade, ultrapassando os indivíduos considerados isoladamente não existe, portanto, uma "ética individual". Já a moral fundamenta sua apreciação na razão e consciência pessoais, levando em conta as repercussões e influências sociais do ato. Assim, a moral pode apresentar maior diversidade, refletindo condutas, práticas e desejos variáveis para cada AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA indivíduo, tempo e local da ação. Por outro lado, a ética se ocupa da sistematização da moralidade, objeto de seu estudo, apresentando, portanto, princípios e regras relativamente mais amplos e duradouros. Essas diferenças possibilitam divergências entre enquadramentos éticos e morais, pois uma convenção moralmente aceita em uma sociedade específica pode não satisfazer uma reflexão ética, por não se adequar a princípios gerais do que seria bom, justo ou correto. Nesse mesmo sentido, é comum que grupos distintos de indivíduos, mesmo compondo uma mesma coletividade, tenham comportamentos orientados por padrões diferentes do que consideram moralmente aceitável. Isso ocorre devido às diferenças nos costumes, tabus e vontades incorporados por cada um deles. No entanto, quando tratamos da ética, tais divergências são superadas, pois as concepções morais são interpretadas para identificar padrões éticos aplicáveis a todos (Conti, Alves, 2019). A problematização de aspectos da vida social, equivocadamente equiparados à ética, não ocorre apenas com a moral, mas também com a religião, que é muitas vezes aplicada em situações que exigiriam uma análise ética. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA A origem dessas confusões reside no fato de que tanto a ética quanto a religião prescrevem regras de conduta e postura aos indivíduos. Contudo, ética e religião apresentam divergências que justificam sua distinção como campos autônomos do saber. A ética é eminentemente racional, baseada em processos lógicos inteligíveis, enquanto a compreensão religiosa, em seus diversos credos, possui forte componente dogmático, valendo-se de liturgias, mandamentos e sacralizações que transcendem os limites racionais. Além disso, a fundamentação ética busca regramentos aplicáveis a toda a coletividade, diferenciando- se da pluralidade religiosa presente na sociedade. Embora componentes éticos possam existir nos preceitos religiosos, é esperado que outros mandamentos da religião difiram dos procedimentos racionais defendidos pela ética. Inversamente, a ética não se vincula aos preceitos de um credo religioso específico, sendo plenamente viável que um indivíduo ou sociedade desprovidos de confissões religiosas recorram ao campo ético, já que os dilemas cotidianos não são exclusivos de uma crença específica. Quando nos deparamos com uma situação em que nenhuma ação está livre de efeitos morais negativos, sem uma solução óbvia e inquestionável, ou quando a resposta AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA preconizada pela lei, tradição ou outra fonte de orientação parece confrontar uma racional relevante, enfrentamos um dilema moral. Dilemas morais Os dilemas morais evidenciam a complexidade no exercício de nossa liberdade de escolha, pois a existência de consequências negativas decorrentes de nossas decisões, ou a apreciação dos valores a serem preferidos em um caso concreto, demandam estabelecimento de certos critérios racionais que podem não ser tão evidentes. Imagine, estudante, um médico legista que tenha acesso aos corpos de vítimas de acidentes fatais. Preocupado com a baixa disponibilidade de órgãos para doação, médico resolve, por conta própria e sem qualquer autorização formal, extrair dos finados os órgãos que permanecem funcionais, destinando-os à doação. A atitude do médico pode ser considerada correta? Se você acredita que sim, provavelmente fundamentou sua decisão no fato de que tal conduta apresenta efeitos positivos, na medida em que novas vidas poderão ser salvas a partir da doação. Essa justificativa se aproxima do raciocínio consequencialista, que busca nos resultados de um ato sua validação. Esse critério AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA de análise é representativo da filosofia utilitarista, que defende a maximização da utilidade, ou da capacidade de produzir bem-estar e felicidade coletivos, algo que pode ser inclusive quantificado pelo número de pessoas, intensidade ou duração envolvidos no benefício em questão, conforme argumentava Jeremy Bentham (1748- 1832) e John Stuart Mill (1806-1873). Se, em sentido oposto, você rejeita a conduta do médico, deve ser porque considera ato de retirar os órgãos sem qualquer autorização prévia do falecido ou de seus familiares como sendo uma atitude por si só incorreta. Trata- se, nesse caso, de uma abordagem deontológica, que categoriza a ação humana a partir de percepções principiológicas dos deveres e direitos existentes, relativizando suas consequências, à luz do que defendia Immanuel Kant (1724-1804). Considere-se, agora, de férias em um país estrangeiro; você repara que nesse Estado é comum que crianças comecem a trabalhar desde idades muito precoces. Ao classificar tal fato como algo incorreto, você provavelmente acredita que existem padrões mínimos de respeito à infância que devem ser observados no Brasil, no país onde você se encontra e em qualquer outro lugar do mundo, sob uma perspectiva AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA universalista. Se, no entanto, você admite que existem particularidades culturais desse povo que justifiquem tal situação, é enfoque relativista que se sobrepõe em seu raciocínio. Esses impasses e outros dilemas morais presentes em nossas vidas ressaltam a pluralidade de situações em que não há respostas absolutas ou preconcebidas, elevando a importância do estudo da ética em nosso desenvolvimento individual e coletivo. A emergência dessas questões é algo incontornável da vida humana, e a desatenção em relação aos dilemas tende a ser ainda mais problemática do que as dúvidas por eles suscitadas, na medida em que sugere uma condução automatizada dos afazeres cotidianos, cujo efeito prático é a negação da própria liberdade (Conti, Alves, 2019). Passados mais de dois mil anos do advento da ética enquanto campo fundamental do conhecimento humano, continuamos a deparar com situações nas quais exercício de nossa liberdade de escolha encontra-se cheio de dúvidas e angústias diante da inexistência de valores ou critérios incontestáveis para agir humano. Se é verdade que os avanços tecnológicos nos auxiliam a encontrar algumas respostas para problemas cotidianos que atingem a humanidade, formulando maiores certezas em temas antes AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA duvidosos, temos de reconhecer que as potencialidades oferecidas pelo desenvolvimento científico contemporâneo abrem novos campos de discussão envolvendo a ética. Ética e tecnologia Inovações nas áreas de biotecnologia, tecnologia da informação e automação, por exemplo, ao mesmo tempo em que ampliam os horizontes da ação humana, levantam questionamentos éticos essenciais: devemos clonar seres humanos? As empresas de telecomunicação deveriam assumir compromissos no combate à propagação de notícias falsas? Podemos criar robôs militares com capacidade letal? Assim, a expansão das atividades que conseguimos realizar eleva proporcionalmente os questionamentos sobre que efetivamente devemos fazer. Nesse sentido, a ampliação das capacitações humanas contrasta com a persistência de desafios para os quais a humanidade já dispõe de soluções tecnológicas, revelando que a continuidade de certos problemas individuais e/ou coletivos não se deve a questões técnicas, mas sim às escolhas que fazemos enquanto sociedade organizada. Isso revela um vínculo primordial entre a ética e a política. zelo pela convivência coletiva defendido pela filosofia ética AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA enriquece toda a rede de relações em que nossa existência se desenvolve, reconhecendo os aspectos valorativos essenciais de nossa condição humana. Perceba a função emancipadora do saber ético, garantindo que a inexistência de modelos predeterminados do que deve constituir agir humano não seja considerada uma limitação às nossas vidas. Pelo contrário, essa condição permite exercício integral de nossas liberdades, estimulando a reflexão constante sobre mundo que nos cerca e sobre os caminhos para uma existência plena e em harmonia com os fundamentos de nossa humanidade. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? A liberdade é um dos valores fundamentais e marcantes da existência humana. ser humano encontra, na utilização de sua racionalidade e no exercício de seu livre arbítrio, a capacidade de fazer escolhas diante de uma situação concreta. Essa liberdade de julgamento e conduta é AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA essencial, pois as situações que enfrentamos ao longo da vida são inúmeras e imprevisíveis (Conti, Alves, 2019). Vivendo em comunidades, os seres humanos buscam assegurar que as avaliações e condutas individuais criem entre si uma relação humanizada, estabelecendo um entendimento coletivo direcionado ao aprimoramento da vida em grupo. Isso representa desenvolvimento do nosso saber ético. Apesar de nossas liberdades permitirem que nos manifestemos de acordo com nossas individualidades, existem referências compartilhadas daquilo que devemos assumir como condutas e finalidades éticas, diferindo dos padrões morais e religiosos aceitos por cada indivíduo. Assim, raciocínio ético é uma atividade eminentemente humana. A ética não está sujeita a processos de codificação e programação, como aqueles observados na construção de máquinas, limitando uso da tecnologia em contextos nos quais podemos deparar com dilemas morais. Embora a evolução da tecnologia forneça incontáveis benefícios para a organização e funcionamento de nossas sociedades, é crucial lembrar que essas inovações auxiliam, AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA mas não substituem raciocínio humano e as avaliações éticas necessárias ao nosso cotidiano. Definir que a vida humana importa mais do que bens materiais, que a gravidade de uma doença justifica adiantar um paciente na fila de atendimentos médicos ou que a função de salvar vidas pode justificar excesso de velocidade de um automóvel são ponderações éticas que apenas os humanos são capazes de realizar. Máquinas podem ser programadas de acordo com algumas considerações éticas estabelecidas por seres humanos. Contudo, as diferentes justificativas para um mesmo ato e a impossibilidade de prever todas as situações cotidianas que envolvem um juízo ético apresentam limites para a visão tecnicista de que a tecnologia oferece solução para todos os problemas humanos. Esse posicionamento reflete uma postura humanista que, no pleno exercício de nossas liberdades, rejeita uma condução automatizada, mecanicista e, por que não dizer, antiética de nossas vidas. Saiba mais AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Saiba mais véu da ignorância Resumidamente, a maior ingerência do Estado nos setores da vida cotidiana, por meio, por exemplo, da prestação de serviços públicos gratuitos ou a preços módicos eleva os custos do governo, que, frequentemente, passam a ser compensados por maiores impostos cobrados da coletividade. Imagine que você seja muito mais rico do que na situação financeira em que agora se encontra e, portanto, capaz de pagar por todos os serviços que utiliza; você seria favorável ao aumento da tributação para compensar esses gastos governamentais, que você sequer utiliza? Agora, em sentido inverso, imagine-se muito pobre, dependendo quase que integralmente da assistência pública; a sua opinião anterior sobre a justiça na concessão desses serviços seria mantida ou alteraria seu posicionamento? Não seria interessante considerarmos a justiça dessas prestações governamentais de modo independente da AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA situação em que atualmente nos encontramos? Esse é propósito do filósofo John Rawls em sua teoria do "véu da ignorância", explicada no vídeo "O que é um bom começo?" (2015), da Universidade de Harvard. 15. QUE é um bom começo? [S.I.]: Harvard University, 15 nov. 2015. Postado pelo canal Fundação Ivete Vargas. 1 vídeo (25min42s) Referências Referências ALT, F.; LAMA, D. apelo do Dalai Lama ao mundo: ética é mais importante que religião. Salzburg: Benevento Publishing, 2017. ARENDT, (1963). Eichmann in Jerusalem: a report on the banality of evil. New York: Penguin Books, 2006. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA ARENDT, H. Entre passado e futuro. São Paulo: Perspectiva, 2005. ARENDT, H. Responsabilidade e julgamento. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. ARISTÓTELES. A política. 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Aula 2 Possibilidades Éticas no Mundo Contemporâneo Possibilidades éticas no mundo contemporâneo Possibilidades éticas no mundo contemporâneo AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Ponto de Partida Olá, estudante! Não é necessário ser muito atento à realidade brasileira para perceber que alcançar sucesso profissional, plena satisfação pessoal, segurança financeira e a capacidade de vivenciar em total liberdade que AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA valorizamos constituem objetivos desafiadores, não é mesmo? Vivemos em um mundo repleto de obstáculos e hostilidades que dificultam a trilha que estabelecemos em nosso desenvolvimento pessoal (Conti; Alves, 2019). Diante de uma variedade de dificuldades impostas pela vida contemporânea as quais não originamos, mas resultam da forma como a sociedade optou por se organizar -, seria razoável que fôssemos cobrados por adotar um comportamento que valorize a manutenção e articulação dos vínculos sociais? Ou mundo contemporâneo demanda que nos concentremos exclusivamente em nossas próprias vidas, buscando que é melhor para nós mesmos, sem sermos responsabilizados por problemas e situações que estão além de nossa esfera particular? Se a competição para conquistar uma vaga na faculdade e, posteriormente, um emprego satisfatório, é acirrada, devo ponderar sobre que é benéfico para a sociedade ou apenas assegurar meu crescimento pessoal? Se não determino diretamente os rumos da sociedade, por que deveria assumir a responsabilidade de alertar para os erros que a coletividade eventualmente produz? Se os padrões de felicidade individual acarretam efeitos colaterais prejudiciais, cabe ao indivíduo questionar esses padrões? AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Em síntese, é viável manter, nos dias de hoje, condutas voltadas ao desenvolvimento da sociedade, ou a realidade contemporânea exige que indivíduo abandone perspectivas coletivas em prol de seus ganhos individuais? As respostas a essas perguntas demandarão a análise de elementos de nosso regime econômico, social e político. Este material está embasado no conhecimento organizado por Hugo Conti e Patrícia Alves (2019). Vamos investigar preceitos do sistema capitalista que nos conduzirão a reflexões sobre que podemos compreender por liberdade e responsabilidade nos tempos atuais. Vamos Começar! Vamos Começar! Capitalismo e individualismo Você já percebeu que determinados temas relacionados à vida e à organização coletiva têm poder de suscitar acaloradas polêmicas em nossas discussões cotidianas, AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA assim como em níveis mais elevados de debates acadêmicos e políticos? sistema capitalista, sem dúvida, está entre esses temas. Ao abordarmos capitalismo, é preciso reconhecer que esse sistema econômico, político e social evoluiu de diferentes maneiras desde suas primeiras manifestações, ainda de forma incipiente, na Europa Ocidental do século XVIII, até se consolidar como regime predominante no mundo contemporâneo, incluindo sua aplicação em nosso país. Contudo, algumas características fundamentais do capitalismo são essenciais para definir esse sistema, como veremos a seguir. Primeiramente, observamos que um regime capitalista adota mercado como principal meio de produção e distribuição de bens e serviços, onde compradores e vendedores interagem para satisfazer suas necessidades. Adicionalmente, a presença da propriedade privada constitui um elemento fundamental do capitalismo, com uma série de direitos garantindo domínio exclusivo sobre determinados bens. Além disso, capitalismo requer que uma parcela da população venda sua força de trabalho no mercado para garantir seu sustento. Por fim, identificamos como quarto elemento do capitalismo comportamento individualista AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA dos agentes econômicos (compradores e vendedores), aspecto que merece atenção especial em nosso estudo, uma vez que, como discutimos anteriormente, ética e política são conceitos coletivos por natureza. aspecto individualista do capitalismo foi enfatizado em suas origens por Adam Smith (1723-1790), um dos clássicos do pensamento econômico. Smith argumentou que a prosperidade econômica é essencial para a busca da felicidade humana e deve, portanto, ser objetivo primordial das sociedades e de seus governantes. Segundo autor, esse nível mais elevado de produção não decorre da benevolência ou solidariedade dos indivíduos, mas, ao contrário, da busca de cada um por sua própria felicidade. Existem diversas tarefas necessárias à vida coletiva, e, segundo Smith, cada indivíduo deveria se especializar naquilo que lhe proporcionasse maiores vantagens e resultados individuais. Esse comportamento egoísta, de acordo com pensamento do autor, leva os indivíduos a trocarem entre si que produzem e não consomem, resultando em maior prosperidade econômica e satisfação para toda a sociedade. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA No século com a consolidação da Revolução Industrial e fortalecimento do modo de produção baseado na divisão do trabalho, a relação entre sistema capitalista e comportamento individualista recebeu ênfase significativa no pensamento do economista e filósofo britânico Friedrich August von Hayek (1899-1992). Hayek argumentava que a ausência de barreiras aos empreendimentos individuais era fundamental para satisfazer os gostos, inclinações e desejos dos indivíduos, algo alcançado por meio da competição. Segundo autor, ambiente social deveria estabelecer limites para que os indivíduos pudessem buscar seus próprios valores e preferências, sem a necessidade de princípios amplos compartilhados pela coletividade (Conti, Alves, 2019). Na prática, individualismo ressaltado por esses dois representantes da economia capitalista sugere que devemos focar apenas em nossos próprios interesses, pois não haveria referências externas para orientar nosso comportamento cotidiano. Essa perspectiva, expressa na frase "cada um cuida da sua vida", diminuiria a importância e a aplicabilidade de orientações coletivas, como ética e política, para a compreensão e melhoria de nossa sociedade. Contudo, uma análise mais profunda desses argumentos e da realidade em que vivemos aponta limitações para AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA classificar individualismo como único fator da ação e organização humanas, como veremos adiante. De imediato, percebemos que a competição individualista pode acarretar profundos efeitos sociais negativos. Embora a disputa entre pessoas ou empresas possa impulsionar a constante inovação e a consolidação de métodos mais eficientes, é necessário também focar naqueles que não conseguem êxito no processo competitivo. A supervalorização do individualismo e a consequente negação dos vínculos coletivos humanos ignoram a emergência de problemas generalizados que prejudicam funcionamento da sociedade e impactam todos os indivíduos, ainda que em diferentes graus. Questões como desemprego, a desigualdade social e a violência, por exemplo, podem estar relacionadas aos efeitos prejudiciais de uma competição individualista extrema, demandando uma reavaliação de nossa realidade que inclua considerações de cunho coletivo. Além disso, ao direcionarmos foco para a conduta humana, é crucial reconhecer que existem fatores que condicionam comportamento individual que não estão estritamente vinculados ao individualismo ou ao AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA autointeresse. Em alguns casos, nossa conduta não busca apenas ganhos pessoais, mas é motivada por sentimento de solidariedade ou simpatia, que justificam a realização de doações e trabalhos voluntários, por exemplo. Da mesma forma, podemos orientar nossas ações por compromissos com causas maiores, sejam elas abstratas, como a justiça, ou concretas, como a preservação de um rio específico, mesmo que isso ocasionalmente limite nossos benefícios pessoais. Além disso, estabelecimento de padrões de comportamento social específicos pode envolver variáveis distintas do autointeresse na ação humana. Assim, realizamos ou deixamos de realizar determinadas atividades não apenas pelos resultados materiais que elas proporcionam, mas também pelos efeitos de inclusão ou pertencimento social que essas condutas geram (Conti, Alves 2019). Siga em Frente... Siga em Frente AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Amartya Sen Embora se possa argumentar que todas as motivações mencionadas eventualmente resultam em autointeresse, seja através da satisfação individual proveniente de condutas solidárias, comprometidas ou inclusivas, é crucial reconhecer que essas motivações se diferenciam essencialmente dos ganhos econômicos e do egoísmo mencionados anteriormente. Essa distinção é destacada pelo economista indiano Amartya Sen (1933 -), autor de uma crítica substancial ao individualismo como característica incontornável de nosso sistema econômico. De acordo com Sen, a valorização de critérios como utilidade, racionalidade, produtividade ou eficiência, elementos importantes no regime econômico vigente no Brasil e em grande parte do mundo, não deve se dissociar do que é ético. Abordar a produção e distribuição de riqueza apenas por meio de considerações matemáticas de eficiência ou lucratividade, ou restringir comportamento humano ao egoísmo individualista cada um cuidando de sua própria vida seria um erro grave e frequente na compreensão da economia. Isso ocorre porque a ética constitui uma qualidade fundamental para sistema econômico, AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA reconhecida inclusive pelos clássicos da teoria de livre mercado, como próprio Adam Smith. Portanto, percebemos que estudo da ética não apenas é plenamente compatível com os padrões contemporâneos de organização política, econômica e social característicos do regime capitalista, mas também fornece um instrumento valioso para enfrentar os problemas sociais decorrentes desse sistema e compreender as motivações do comportamento humano nessa realidade. Uma consequência imediata da afirmação da ética como valor indispensável no mundo contemporâneo é a necessidade de repensarmos como indivíduo se insere na rede de relações sociais que constitui nossa coletividade. Em outras palavras, dado que ditado popular "cada um cuida da sua vida", como vimos, não se aplica de modo absoluto em nossa realidade contemporânea, como devemos abordar essa relação entre indivíduo e a sociedade? Hannah Arendt Neste estudo, as contribuições da filósofa Hannah Arendt (1906-1975) se revelam incrivelmente enriquecedoras, pois vínculo entre ser humano e a coletividade ao seu redor AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA impõe características específicas ao desfrute de sua liberdade e ao exercício de sua responsabilidade (Conti, Alves, 2019). Segundo Arendt, em meio ao contexto de afirmação do sistema capitalista, que se estende dos séculos XVIII ao XX, conceito de liberdade começa a refletir valores e perspectivas liberais, concentrando-se nos aspectos da vida privada dos seres humanos. No âmbito deste estudo, esses objetivos privados podem ser compreendidos como atividades voltadas para a satisfação de metas e necessidades estritamente pessoais, diferenciando-se, assim, de outras práticas focadas na esfera da vida pública, que, por definição, levam em consideração aspectos que ultrapassam os interesses de um único indivíduo. Dessa maneira, exercício da liberdade, na perspectiva privada, estaria vinculado à busca constante pelo acúmulo de riquezas ou ao consumo desenfreado, bem como ao usufruto do livre arbítrio e dos direitos civis específicos da esfera particular, alinhando-se ao individualismo já mencionado. ser humano passaria a reduzir sua vida a um ciclo de trabalho árduo que permite a prática dessas atividades individualistas, apresentando um comportamento AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA automatizado e superficial, no qual a exploração e a insatisfação pessoal se tornariam constantes. Liberdade e responsabilidade Ao criticar essa perspectiva, Arendt apresenta uma compreensão da liberdade completamente oposta a esse modelo, vinculando conceito ao pleno exercício de práticas públicas. Argumenta que os seres humanos nascem livres para estabelecer diversas relações entre si, organizando sua vida coletiva. Assim, surge uma ligação inseparável entre liberdade e política, e campo onde a liberdade passa a ser desenvolvida deixa de ser a esfera particular, transformando-se no espaço público. Nas palavras da autora, "ação e política, entre todas as capacidades e potencialidades da vida humana, são as únicas coisas que não poderíamos sequer conceber sem ao menos admitir a existência da liberdade" (Arendt, 2005, p. 191). A classificação da liberdade como ação política destaca a potência desse valor ao estimular a ação conjunta que decide sobre questões de interesse comum, constantemente estabelecendo novas formas de construir a realidade. Os vínculos significativos estabelecidos por Hannah Arendt entre indivíduo e a sociedade em sua compreensão da AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA liberdade também são evidentes quando voltamos nossa atenção para outra faceta da natureza humana: a responsabilidade. Assim como rejeita isolamento individual sugerido pelo ditado "cada um cuida da sua vida", a visão arendtiana sobre a responsabilidade nega a ideia comum em nossa sociedade de que não temos condições para avaliar a justiça ou injustiça da conduta alheia, expressa na frase "quem sou eu para julgar que ele fez?". Arendt propõe que, dado que os seres humanos possuem a capacidade inata de fazer reflexões, há um comprometimento de cada indivíduo, mesmo que não seja voluntariamente assumido, em estabelecer juízos e refletir sobre os acontecimentos. A capacidade racional e, portanto, a responsabilidade não seria exclusividade de filósofos ou governantes, uma vez que todos têm potencial para pensar, estabelecer juízos e recordar eventos passados, criando assim um padrão comum daquilo que aceitamos enquanto sociedade, percebido por todos os indivíduos. Esse processo é particularmente crucial à medida que os hábitos, costumes e tradições sociais se transformam com tempo, exigindo de nosso juízo e pensamento a responsabilidade de evitar que essas mudanças conduzam à prática do mal. Nesse contexto, a realização do mal não AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA requer necessariamente uma intenção cruel ou objetivo deliberado de praticar injustiças. A simples negação individual de utilizar senso de responsabilidade pessoal, a recusa em exercer pensamento crítico sobre a correção dos acontecimentos, pode permitir que barbaridades ocorram, um processo descrito por Arendt como a "banalidade do mal" (Conti; Alves, 2019). A renúncia ao processo individual de pensar ou a tentativa de se eximir da responsabilidade por meio de um juízo crítico, como "Quem sou eu para julgar?" ou "Se fazem assim é porque deve estar certo...", acaba por negar a própria condição de pessoa dos seres humanos. Arendt, alinhada com a afirmação da autonomia no exercício do pensar, critica a ideia de responsabilidade coletiva, exemplificada por expressões como "É porque todo mundo faz desse jeito", já que a responsabilização coletiva impede que cada indivíduo assuma sua responsabilidade individual. Os efeitos práticos do conceito de responsabilidade de Hannah Arendt são cruciais para reforçar a importância do estudo da ética no mundo contemporâneo, pois negam isolamento do indivíduo em relação ao grupo social do qual ele faz parte. Isso ressalta a necessidade de analisarmos como nos inserimos na realidade brasileira e reconhecermos AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA compromisso de cada indivíduo perante os problemas atuais do nosso país. Assim, percebemos que não apenas é possível manter um comportamento ético em tempos contemporâneos, como essa conduta se torna extremamente necessária para ajustarmos compreensões tradicionais de nossa sociedade, como individualismo capitalista, assegurarmos a evolução harmoniosa de nossa espécie respeitando nosso ambiente e perspectivas científicas e solidificarmos uma inserção libertadora e responsável dos indivíduos em nossa comunidade (Conti; Alves, 2019). Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Ao analisarmos cuidadosamente as perguntas que iniciaram este estudo, constatamos que os problemas observados têm em comum estabelecimento de uma relação de oposição, de contraste, entre a busca de ganhos individuais e as necessidades coletivas de uma sociedade. Nesse sentido, pareceria inviável assumir individualmente um AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA comportamento baseado na valorização dos laços sociais e no aprimoramento da vida coletiva temas essenciais à conduta ética. A necessidade de progredirmos individualmente que a realidade nos impõe deixaria em segundo plano, nessa situação de contraste entre a pessoa e grupo, os preceitos de uma vida ética (Conti, Alves, 2019). Entretanto, como vimos, a afirmação da esfera individual não exige necessariamente a negação da vida coletiva, e vice- versa, mas existem vínculos de complementaridade que possibilitam que esses dois campos se afirmem mutuamente. Sob a lógica econômica do capitalismo, percebemos que individualismo não é único fator de motivação individual; por vezes, é justamente a consideração de aspectos coletivos que orienta a conduta individual. Além disso, identificamos que autointeresse nem sempre produz bem-estar coletivo, sendo necessário, mais uma vez, reconhecimento de juízos éticos para que indivíduo e sociedade progridam de modo simultâneo. Ao assumirmos as compreensões de Hannah Arendt para os valores da liberdade e da responsabilidade, evitamos também a relação de oposição entre a esfera privada e a AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA vida pública. A liberdade individual está fortemente ligada à ação pública, assim como a responsabilidade individual garante compromisso com a defesa da ética na esfera coletiva. Mais uma vez, indivíduo e sociedade se ligam, potencializando progresso de ambos ao mesmo tempo. Assim, percebemos que a sustentação de uma perspectiva humanista das atividades cotidianas, baseadas na ética, não só demonstra que é possível ser ético no mundo contemporâneo, mas que é necessário manter a ética como diretriz de nossas vidas, individual e coletiva. Saiba mais Saiba mais Competição versus coordenação A competição entre os agentes garante ao vencedor sempre melhor resultado possível? Ou a coordenação entre os indivíduos pode levar a soluções mais proveitosas a todos eles? matemático norte-americano John Nash (1928-2015) AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA investigou essas questões para aprofundar conhecimento sobre a Teoria dos Jogos, um ramo da matemática que analisa escolhas e resultados estratégicos na interação entre agentes distintos. Assistir ao filme "Uma Mente Brilhante", cinebiografia de Nash, proporciona uma visão prática de como essa lógica é aplicável tanto em complexas discussões políticas quanto em contextos informais, como a paquera em um bar. Refletir sobre a utilidade dos argumentos explicitados no filme em relação a temas importantes de nossa atualidade se torna fundamental. A partir da narrativa do filme, somos conduzidos a compreender como as estratégias e escolhas individuais podem impactar não apenas indivíduo, mas também a dinâmica de grupos e até mesmo panorama político. A Teoria dos Jogos, como evidenciada por Nash, oferece insights sobre como a cooperação pode ser mais benéfica do que a competição em determinadas situações. A relevância desses conceitos na contemporaneidade é evidenciada quando aplicamos essa lógica a questões atuais, sejam elas políticas, sociais ou econômicas. Analisar como a coordenação e a cooperação entre os agentes podem gerar resultados mais vantajosos do que uma abordagem puramente competitiva é crucial para a compreensão e resolução de desafios complexos. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Dessa forma, filme e a Teoria dos Jogos de John Nash proporcionam uma base sólida para a reflexão sobre como as interações humanas, mesmo as mais simples, podem ser moldadas por estratégias que visam benefício mútuo. Essa perspectiva é valiosa não apenas no campo acadêmico, mas também na aplicação prática em diversas esferas da vida moderna. UMA MENTE brilhante. Direção Ron Howard. Produção: Brian Grazer, Ron Howard. Intérpretes: Russel Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly. Roteiro: Akiva Goldsman. [S./.]: Universal Pictures; DreamWorks, 2001. (135min), son., color., 35 mm. Referências Referências ALT, F; LAMA, D. apelo do Dalai Lama ao mundo: ética é mais importante que religião. Salzburg: Benevento Publishing, 2017. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA ARENDT, (1963). Eichmann in Jerusalem: a report on the banality of evil. New York: Penguin Books, 2006. ARENDT, H. Entre passado e futuro. 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Aula 3 Importância do Debate Político Importância do debate político AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Importância do debate político Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Ponto de Partida Olá, estudante! Certamente, em algum momento, você se viu envolvido em uma discussão sobre política, mesmo que involuntariamente, não é mesmo? Seja como uma forma de manter a interação com um desconhecido em uma conversa casual no elevador, ou como uma afirmação de suas convições mais profundas em uma acalorada discussão sobre que julga mais importante nesta vida, a política é um tema recorrente em nosso dia a dia (Conti; Alves, 2019). Basta recordarmos os impasses que surgem em nossas redes sociais ou em nossas reuniões familiares para percebermos que, mesmo entre pessoas que não dedicam suas vidas a estudar a política, este tema está presente em nossos cotidianos. Nesse sentido, não seria difícil lembrar pelo menos uma discussão política que você presenciou ou da qual participou nas últimas eleições, não é mesmo? Se a frequência com que tratamos deste tema é alta, a profundidade das argumentações envolvidas nos debates rotineiros nem sempre apresenta a mesma estatura, seja em função da natureza complexa dos conceitos ou da repulsa atribuída a este assunto. desafio que esta situação exige de nós é um estudo mais cuidadoso sobre as características AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA da política, em benefício de nossas conversas cotidianas e de uma infinidade de aspectos da vida que se relacionam com esta matéria. Um bom começo para nossa reflexão é questionarmos se a administração pública atividade essencial da política funciona de modo semelhante à administração privada. Administrar um Estado é uma empreitada semelhante a cuidar, por exemplo, de uma casa ou de uma empresa? Ou existem motivações e objetivos especiais da política que tornam essa área algo diferente daquilo que fazemos em nossa vida particular? Se, mesmo em uma empresa, a "gestão dos negócios" é algo diferente da "política da organização", seria possível tratar a qualidade das políticas públicas como sendo uma questão apenas de gestão? Se queremos um país democrático, basta que as coisas funcionem como previsto ou é preciso pensar em valores que devem orientar este funcionamento? Essas reflexões se apoiam no conhecimento produzido por Hugo Conti e Patrícia Alves (2019) e, ao final desta aula, nossas frequentes conversas sobre política poderão se desenvolver do modo mais embasado, como também nossas próprias percepções, mais prazerosas e emancipadoras, AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA acerca do caráter abrangente e transformador da política em nossa realidade. Vamos Começar! Vamos Começar! Você já parou para refletir sobre motivo de vivermos em sociedade? Se temos interesses, afinidades e temperamentos diferentes, por que decidimos passar nossas vidas convivendo com outras individualidades tão distintas daquilo que nos constitui? Certamente, muitas pessoas encontrarão sua resposta na inércia ou na ausência de alternativas viáveis; se já nascemos em um ambiente coletivo, torna-se extremamente penoso romper com esse padrão. questionamento persiste: que, então, ocorre para que tenhamos essa origem já comunitária? A percepção de que, praticamente em todo globo, ser humano se organiza em agrupamentos sejam eles aldeias, tribos ou cidades em uma prática que atravessa séculos e mais séculos da história humana, nos sugere que pode existir algum fator intrínseco à condição humana que nos AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA torna efetivamente seres voltados à vida em grupo. Esta indagação nos remete, mais uma vez, à Grécia Antiga (Conti; Alves, 2019). Aristóteles (384-322 a.C.) Segundo Aristóteles (384-322 a.C.), os seres humanos apresentam limitações individuais, compreensíveis em razão de nossa condição imperfeita. Essa imperfeição motiva a busca por outros indivíduos para a satisfação de nossas necessidades, em um processo de composição coletiva. Isso é particular da espécie humana, permitindo-nos acordar e discernir que constitui bem e mal, útil e nocivo, justo e injusto atividades basilares da vida coletiva. Aristóteles argumenta que homem é, portanto, um "animal político", ou seja, orientado por sua própria natureza para desenvolvimento social e cívico em coletividades organizadas. Nessa condição, a estruturação de sociedades não visaria apenas à sobrevivência da espécie humana, mas também à promoção do bem-estar, compreendido igualmente como desígnio natural da essência humana. A negação do aspecto cívico do homem, na perspectiva aristotélica, produziria seres detestáveis, predispostos à exploração imoral dos outros e à guerra contínua. AnhangueraDisciplina SOCIEDADE BRASILEIRA E Anhanguera CIDADANIA Ao vincular a felicidade humana ao pleno exercício dessa natureza cívica, Aristóteles conecta a satisfação individual ao engajamento em processos coletivos de busca de um bem comum. Dessa forma, diferencia os habitantes dos cidadãos, na medida em que estes últimos não apenas residem em sociedade organizada, como os primeiros, mas também atuam em prol dessa concepção coletiva da existência humana. Diante desse impulso para a atividade e da nossa relação com a realidade social que nos circunda, termo "política" certamente se insere no rol de vocábulos utilizados cotidianamente, que, no entanto, não apresenta uma conceituação evidente ou um único sentido. Cabe-nos, portanto, delimitar essa pluralidade de significados aplicáveis ao termo, ressaltando os sentidos e conceitos que a palavra "política" introduz no âmbito de nosso presente estudo. Siga em Frente... Siga em Frente Anhanguera

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