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ESPIRITUALIDADE EM TEMPOS DE CONECTIVIDADE Aline Amaro Silva – Aula 03 APRESENTAÇÃO DE APOIO Mestre e doutor em Ciências da Comunicação, Moisés Sbardelotto é jornalista, escritor, tradutor e palestrante. É professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), coordenador do Grupo de Reflexão sobre Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Grecom/CNBB), pesquisador do Núcleo de Estudos em Comunicação e Teologia (Nect/PUC Minas) e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos (IHU). Há quase duas décadas, atua na pesquisa, ensino e consultoria em Comunicação e em Comunicação Religiosa. Já ministrou aulas e palestras em diversas cidades brasileiras, além de países como Argentina, Canadá, Chile, Dinamarca, Estados Unidos, Itália, Peru e Uruguai. É autor dos livros "Comunicar a fé: por quê? Para quê? Com quem?" (Editora Vozes), "E o Verbo se fez rede: religiosidades em reconstrução no ambiente digital" (Paulinas Editora) e "E o Verbo se fez bit: a comunicação e a experiência religiosas na internet" (Editora Santuário), além de inúmeras outras publicações na área. Foi membro da Comissão Especial para o "Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil", da CNBB, e coordenador do escritório brasileiro da Fundação Ética Mundial (Stiftung Weltethos), fundada pelo teólogo suíço Hans Küng. MOISÉS SBARDELOTTO Professor Convidado ALINE AMARO DA SILVA Professora PUCRS Jornalista, com atuação em Marketing e Estratégia Digital, Escritora, Palestrante, Mestra e Doutora em Teologia. Professora Adjunta da PUC Minas, Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Comunicação e Teologia (NECT) e Professora Convidada da PUCRS. Idealizadora e Cofundadora da Agência Nefesh Comunicação e Marketing Digital. Integro o Grupo de Reflexão sobre Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, do Grupo de Pesquisa Internacional de Teologia Comunicativa e do Global Network for Digital Theology. Pesquiso temas relacionados à Teologia, Comunicação, Humanidades e Cultura Digital. Professores Mudanças antropológicas na era da conectividade: comunicação, linguagem, relação, cultura e sociedade. A questão de Deus na ambiência digital. Fundamentos teológicos para a vivência interpessoal da fé mediada pelas TICs. Cybergrace: as espiritualidades que emergem da rede. Detox, ascese e etiqueta digital: construindo um equilíbrio dinâmico para o ser humano. A redescoberta do discernimento: passos para a conexão e o compartilhamento consciente da vida. Ação contemplativa e contemplação ativa: bases da espiritualidade inaciana para a era digital. Ementa da disciplina Caminhos da Pesquisa Cultura Digital Comunicação Teologia Juventudes Recapitulando… • Mudanças antropológicas na era da conectividade: comunicação, linguagem, relação, cultura e sociedade. • Detox, ascese e etiqueta digital: construindo um equilíbrio dinâmico para o ser humano. Metanoia digital por uma mudança de mentalidade 4 “Os bispos, presbíteros, diáconos permanentes, consagrados e consagradas, leigos e leigas, são chamados a assumir uma atitude de permanente conversão pastoral, que envolve escutar com atenção e discernir “o que o Espírito está dizendo às Igrejas” (Ap 2,29) através dos sinais dos tempos nos quais Deus se manifesta (DA 366) 5 O que é a rede? ✖ A internet não é apenas uma estrutura técnica, é experiência de relações ✖ Não é um ambiente neutro, é um espaço qualificado pelas nossas ações. ✖ Lugar antropológico, ético, social. É ainda um lugar sagrado, ambiente de prática e cultivo da fé. 6 O que é a rede? ✖ “A rede é um lugar rico em humanidade, pois a rede não é constituída por fios e cabos, mas por pessoas humanas”. (Papa Francisco) ✖ “Experiência da rede é experiência de relações”. (Antonio Spadaro) 7 O que é real? “[...] não esquecendo que o continente digital, antes de ser uma mera realidade tecnológica, é acima de tudo um lugar de encontro de homens e mulheres cujas aspirações e desafios não são virtuais, mas reais e que necessitam de uma resposta concreta” (Papa Francisco 2014) 8 O que é realidade? Para o crente, Deus é a realidade fundante que abarca toda a realidade. A rede nos ajuda a perceber que a realidade vai além da materialidade. A experiência digital é real. 9 O ambiente digital É um espaço transnacional e desterritorializado, universo de informações caracterizado pela ubiquidade, tempo real e espaço não-físico. Complexificador do real, isto é, uma entidade real que aumenta nossa percepção sobre a realidade. (André Lemos) 10 METAVERSO: ambiente socio-cultural de comunicação Mescla de realidade aumentada, mídias sociais, cultura dos games e ambientes digitais, combinando várias tecnologias. transcender META UNIVERSO 3 EXPERIÊNCI AS IMERSÃO INTERAÇÃO COLABORAÇà O Oral Escrita Impressa Massa Digital Cultura das Mídias CULTURAS COMUNICATIVAS: A forma como a Igreja se comunica muda o que ela é. 1º - COMUNICAÇÃO FACE A FACE/ UM PARA UM 2º - COMUNICAÇÃO DE MASSA/ UM PARA MUITOS 3º - COMUNICAÇÃO “PEER TO PEER”/ MUITOS PARA MUITOS O que vamos ver hoje: • A questão de Deus na ambiência digital. Fundamentos teológicos para pensar a fé nos tempos da rede. • Cybergrace: as dinâmicas da graça na era onlife. • Espiritualidade em tempos de conectividade: discernimento, ação contemplativa e contemplação ativa. As 7 principais abordagens entre Teologia e Comunicação TEOLOGIA E COMUNICAÇÃO TEOLOGIA COMUNICATIVA TEOLOGIA SISTEMÁTICA DA COMUNICAÇÃO TEOLOGIA PASTORAL DA COMUNICAÇÃO TEOLOGIA MORAL DA COMUNICAÇÃO CIBERTEOLOGIA TEOLOGIA DIGITAL EM QUE TEMPO VIVEMOS? EM QUE LUGAR HABITAMOS? QUE TIPO DE PESSOA SOMOS? “Não há uma teologia concisa que seja privada de um enraizamento histórico e que não faça referência ao tempo, lugar e pessoa”. (Francisco) As tecnologias estão assumindo cada vez mais um valor que toca as mais altas dimensões do ser humano: pensar, expressar-se, comunicar- se, compreender o mundo. Precisamos ver com novos olhos a tecnologia e seus produtos, perguntando-nos sobre seu significado e valor no projeto de Deus para o mundo. ESTUDOS DE MÍDIA E RELIGIÃO NO BRASIL • A tradição brasileira dos estudos sobre mídia e religião, midiatização da religião, embora desenvolvidos no campo da comunicação, foram preparando o terreno para a ideia da Ciberteologia que chegou ao Brasil em 2012, despertando a curiosidade da comunidade eclesial e teológica. IGREJA E INTERNET • O objetivo da Igreja não é estar atualizada, mas procurar o valor espiritual da Internet. Não é suficiente evangelizar, precisamos de uma nova visão sobre a tecnologia (A. Spadaro) LUGARES TEOLÓGICOS • “são os domicílios de todos os argumentos teológicos, nos quais os teólogos encontrarão de que alimentar todas as suas reflexões”. • Divididos em: lugares próprios, que vem da autoridade divina, e anexos, provenientes da razão humana (a história como evento e ciência). • (Melchor Cano) LUGAR TEOLÓGICO COMO LUGAR SOCIAL • Experiência humana e cotidiano: lugares de descoberta do agir de Deus e, por conseguinte, espaço de possibilidade de teologizar (LIBÂNIO, MURAD, 2005, p. 34). SINAIS DOS TEMPOS • O Concílio Vaticano II reconheceu o pluralismo na teologia para criar a partir dos ‘grandes territórios socioculturais’ (AG 22,2), dos ‘sinais dos tempos’ (GS 4,1) e dos ‘problemas novos’ (GS 62,2) novos campos teológicos. • Sinais dos tempos são os fenômenos que, por sua universalidade e frequência, caracterizam a época e por meio dos quais se exprimem as necessidades e anseios da humanidade contemporânea • Duas concepções distintas de lugar teológico: • as fontes dos argumentos teológicos postuladas por Melchior Cano, • e o lugar social de onde o teólogo se situa ao ler e interpretar as próprias fontes da teologia. • A rede tem caráter de lugar teológico como acontecimento histórico,nas categorias de Melchior Cano, e como “sinal dos tempos”, de acordo com o Concílio Vaticano II, ambiente de prática da fé e da espiritualidade dos fiéis. • 1. teologia dos significados da comunicação social na era da internet – uma teologia da comunicação digital. • 2. reflexão pastoral sobre a forma de anunciar o Evangelho usando as características próprias da rede. • 3. mapa fenomenológico da presença do religioso na net. • 4. a ciberteologia seria a navegação na internet em busca das manifestações espirituais. • 5. Teologia da Tecnologia. Ciberteologia: um conceito em construção OUTRAS DISTINÇÕES • Teologia “no” ambiente digital: coleta de conteúdos teológicos acessíveis na web. • Teologia “do” ambiente digital: conjunto de contribuições teológicas que auxiliam na compreensão da rede. • Teologia “para o” ambiente digital: compilação de sites em que se pretende fazer teologia na rede. CIBERTEOLOGIA • Se a internet mudou a nossa forma de pensar, ela também não muda a forma de pensar e de viver a fé? • Se a teologia é Intelectus Fidei (pensar a fé), a rede não mudou também nosso modo de fazer teologia? • Ciberteologia: “Pensar a fé cristã em tempos de rede”. *Antonio Spadaro “A única estrada para poder estudar ciberteologia é a experiência: experiência da fé e da rede”. Ciberteologia: pensar a fé na era digital ‘Eu acredito que o Reino de Deus não seja virtual, mas real. Pois Jesus falou: “onde duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome eu estarei presente”. E quando Jesus diz que está ali presente, ele não quer dizer que estará lá com o seu avatar. O nosso problema é que pensamos que o processo comunicativo é um processo virtual, potencial, mas não real. Eis aqui um desafio teológico, porque somente a reflexão teológica não confunde virtual e espiritual. Aquilo que é espiritual não é virtual. Assim, a teologia se torna modelo para compreendermos a dinâmica da comunicação. A CIBERTEOLOGIA: • Não é uma teologia da comunicação • Nem uma teologia contextual • Mas reflete sobre a vida hipercomunicativa vivida a nível global • Dialoga com o ser humano, a cultura e o mundo de hoje • Não é uma teologia “de cima para baixo” ou “de baixo para cima” • É peer-to-peer: de nó a nó, de pessoa a pessoa, num modelo de um Deus próximo, presente, encarnado, “um Deus conosco”. TEOLOGIA DIGITAL A TEOLOGIA DIGITAL: • Faz parte da grande tenda das humanidades digitais ou antropologias digitais • A teologia digital protestante nasceu oficialmente, em 2014, com a criação do CODEC Research Centre for Digital Theology na Universidade de Durham, Inglaterra, com três linhas de pesquisa: instrução bíblica, cultura digital e pregação contemporânea 4 CATEGORIAS DA TD: 1 – Educação mediada: como as tecnologias digitais são usadas no ensino teológico 2 – Pesquisa disponível digitalmente: como a cultura e comunicação digital facilitam a pesquisa teológica oportunizando a criação de redes internacionais colaborativas entre pesquisadores 3 – Engajamento da teologia com a cultura digital: a teologia digital considera a cultura digital como o contexto no qual a teologia é feita. Aqui ocorre um diálogo genuíno entre cultura digital e teologia 4 – Crítica ético-teológica sobre a cultura digital CIBERTEOLOGIA & TEOLOGIA DIGITAL • Embora possuam origem e propostas diferentes, ambas se referem ao estudo teológico sobre o fenômeno da cultura digital que proporcionou uma experiência humana hipercomunicativa. Deste modo, abrangem mais do que a construção de uma teologia da comunicação digital. • Com a intensificação do processo de digitalização durante a pandemia do coronavírus, elas foram convergindo em uma mesma tarefa teológica global. Dessa forma, se passou a utilizar também na teologia católica o termo teologia digital por abarcar mais amplamente a realidade contemporânea. TEOLOGIAS DA COMUNICAÇ ÃO • Como se observa, não há apenas esta forma de relacionar comunicação e teologia. Por isso, se sugere dizer “teologias” da comunicação no plural. Teologia da Comunicação Teologia Comunicativa Ciberteologia / Teologia Digital Prática da fé Deus Triúno Comunhão Comunicação Relação Revelaçãp Salvação Graça Método ICT de Ruth Cohn Teologia moral Teologia Sistemática Teologia Pastoral Teologia e Comunicação Comunicar-se na teologia e comunicar bem a teologia Eclesiologias digitais Novas analogias para o ser e agir da Igreja hoje 37 • [...] uma sociedade que apresenta um novo paradigma, uma nova economia, uma nova cultura, uma nova identidade e uma nova organização, exige também um novo modelo de Igreja. Uma Igreja que saiba transmitir as verdades antigas (o Evangelho) com uma linguagem nova, com a nova “gramática digital”, a fim de ser compreendida e aceita por todos (ZANON, 2019, p. 72). Igreja Farol IGREJA TRADICIONAL com uma estrutura fixa e luz bem visível que orienta, conduz e dá segurança às pessoas. Igreja Tocha IGREJA PEREGRINA A Igreja deve ser também uma tocha que acompanha as pessoas onde quer que estejam. As pessoas esperam uma Igreja que caminhe com eles, oferecendo escuta ativa e testemunho, como Jesus fez com os discípulos de Emaús. Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são. IGREJA EM SAÍDA • Método Ir, Ver e Compartilhar • “Nada Substitui o ver pessoalmente”. Algumas coisas só se aprende, experimentando-as. • Existe um ver pessoalmente também no encontro mediado pelo digital • Desafio de se conectar • Não apenas lançar as redes, mas lançar-se nas redes Igreja como cidade A Igreja pode ser entendida como uma cidade que emite luz não como um fim em si mesma, mas porque é uma rede viva de relações entre as pessoas. Focada não no anúncio direto, mas no cultivo de relações comunitárias autênticas. O FAROL NA CIDADE Uma Igreja que não é uma coisa ou outra, para um ou outro, mas que integra e inclui, uma Igreja que é "de todos para todos", "Casa de Todos".(Papa Francisco) IGREJA PRÓXIMA: o Povo de Deus conectado e em comunhão • A visão da Igreja não mais atrelada ao lugar territorial sagrado • A pessoa como lugar Sagrado, templo vivo, em que a Igreja acontece • Uma Igreja mais leiga e colaborativa, testemunhal Igreja Hierárquica – Comunicação de Massa One-to-many Cristo Papa BisposBispos Padres Padres Padres PadresPadres LeigasLeigas LeigasLeigas LeigosLeigos Leigos ReligiosasReligiosas Religiosas Religiosos Bispos Igreja em rede, colegialidade – Comunicação Digital – Corpo Conectado de Cristo Cristo Papa Bispos Bispos Bispos Padres Padres Padres PadresPadres Leigas Leigas Leigas LeigasLeigas Leigas Leigas Leigos Leigos Leigos Leigos Leigos Leigos Religiosas Religiosas Religiosas Religiosas Religiosas Religiosas Religiosos Religiosas DO FÍSICO AO DIGITAL IGREJA ON-LIFE • Uma Igreja presente em todo os espaços que o ser humano habita. • A pastoral digital não substitui o encontro físico, mas deve ser considerada e integrada como parte importante de toda a ação da Igreja a partir de agora. ✖ Ser cristã (o) onlife não é postar tudo o que faz, responder todos em tempo real, estar sempre conectado, é buscar a integração, harmonia e equilíbrio nas relações em todos os ecossistemas comunicativos que habitamos. 49 Quais palavras vem à mente quando pensam em espiritualidade? • inteirez a • consciên cia • coerência • autenticida de • consistênc ia • equilíbrio • caminho • vivências Como viver bem em tempos hiperconectivos? O que a fé pode contribuir para as pessoas viverem bem na sociedade em rede? Contextualizando: No campo religioso, o séc. XX foi marcado pela Teoria da Secularização que previa o fim das religiões. Peter Berger, um dos principais defensores dessa teoria há alguns anos admitiu seu erro. Ao invés da extinção, o que se vê cada vez mais é o fenômeno do pluralismo religioso e forte busca por espiritualidades.O ser humano é um ser espiritual. Fé & Espiritualidade: Se a fé é um nascimento para a vida nova, deve também haver um crescimento na fé. Crescimento interior da vida no Espírito: vida espiritual. * Jürgen Moltmann, A Fonte da Vida, 1997, p. 40. *Graça *dom universal e "gratuito que Deus nos dá" para sermos "capazes de agir por amor d’Ele", para satisfazermos nossas necessidades espirituais ou materiais e para tornar-nos filhos de Deus e participantes da natureza divina, da Vida Eterna". Graça x grátis Graça é “dedicação benéfica de Deus ao ser humano”* É relação e encontro no drama de uma história de amor: trata de Deus que se volta ao ser humano e do que acontece com o ser humano que se encontra com Deus. A graça não é de graça, foi conquistada a um caro preço.*HILBERATH In SCHNEIDER, 2009, p. 14. O que você entende por tecnologia? 56 *Mística e Espiritualidade *A mística se refere a experiência de Deus, ao passo que a espiritualidade se refere a todo o processo de crescimento, da inautenticidade à relação concreta com Deus e a posse de sua verdade como imagem de Deus. *A vida espiritual é radicalmente mística e essencialmente pessoal e relacional *[...] a experiência mística: “Deus está em nós e nossa alma está em Deus”. TECNOLOGIA E ESPIRITUALIDADE • A tecnologia é um fato profundamente humano, ligado à autonomia e à liberdade do homem. (p.16) Na técnica se exprime e se confirma o senhorio do espírito sobre a matéria. • A tecnologia é a força de organização da matéria por parte de projeto humano consciente do homem como ser espiritual. • Somos chamados a compreender a natureza e a vocação da tecnologia digital em relação à vida do espírito. TECNOLOGIA E ESPIRITUALIDADE • O cérebro mecânico vem em auxílio do cérebro espiritual. • Tecnologia: o esforço de infundir em instrumentos mecânicos o reflexo de funções espirituais. • Paulo VI sentia sair do homo tecnologicus o gemido de aspiração de um grau superior de espiritualildade. • O homem tecnológico é homem espiritual. O que é espiritualidade? Espiritualidade é viver com espírito, dimensão constitutiva do ser humano. [...] a totalidade do ser humano enquanto sentido e vitalidade, [...] viver segundo a dinâmica profunda da vida. [...] tudo na existência é visto a partir de um novo olhar onde o ser humano vai construindo a sua integralidade e a sua integração com tudo que o cerca.*Marisa Campio MüIler. Espiritualidade e qualidade de vida. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004, p. 9. Espiritualidade Cristã Na tradição cristã, a palavra espírito refere-se ao Espírito de Deus. Na Bíblia, “espírito do homem” diz respeito não a uma parte do ser humano, mas ao todo em sua relação com Deus. A espiritualidade não é a exclusão da materialidade, mas a relação/união da pessoa humana inteira – corpo e alma – com o Espírito Santo. *ZILLES In TEIXEIRA, 2004, p. 13. A Espiritualidade Cristã Não se reduz a sentimento, interioridade ou necessidade subjetiva da pessoa. Também se tende a reduzi-la a regras e práticas. Espiritualidade é conceito moderno, antes se falava em Teologia Espiritual, ascese e mística cristã, ou apenas vida cristã. *ZILLES In TEIXEIRA, 2004, p. 14. Características da Espiritualidade Cristã: • Teocêntrica: Não se trata de satisfação subjetiva, nem da salvação da alma, mas da entrega a Deus, a seu amor. • Cristocêntrica: Em Cristo, toda a criação está unida ao Pai. Através Dele recebe salvação e bênção. • Eclesial: A Igreja é o lugar no qual o Senhor reúne os que se confiam a Ele na fé, no amor e na esperança. • Sacramental. Através dos sacramentos, o Senhor glorifica o Pai na sua Igreja e conduz os fiéis à salvação *ZILLES In TEIXEIRA, 2004, p. 15. Características da Espiritualidade Cristã: • Pessoal. A graça só frutifica na medida em que recebida com fé e amor e levada à eficiência ética. • Comunitária: a cristã e o cristão ativam sua espiritualidade na comunidade. • Escatológica. A espiritualidade cristã é marcada pela esperança que mantém o cristão vigilante e o prepara para a vinda definitiva de Cristo. *ZILLES In TEIXEIRA, 2004, p. 15. A Espiritualidade Cristã Em suma, traduz os ensinamentos revelados por Deus para a vida cotidiana. Relaciona a finitude humana com o mistério e a realidade divina que se revela e manifesta na criação. A vida cristã é um configurar-se a Cristo, ser sua presença viva no mundo. *ZILLES In TEIXEIRA, 2004, p. 14. Vocês preferem ouvir primeiro a notícia boa ou a ruim? “É preciso ler os sinais dos tempos para anunciar melhor o Evangelho. Isso é o que os cristãos desejam hoje, uma Igreja que saiba andar com eles, oferecendo-lhes o testemunho da fé que nos torna solidários [...]. Quantos homens e mulheres, nas periferias existenciais geradas pela sociedade consumista, aguardam a nossa proximidade e a nossa solidariedade”. (Francisco 2015) A Internet como periferia existencial “Periferia é a situação limite, a fronteira do humano, a condição onde os valores se encontram sob ameaça de toda a miséria do pecado, dor, injustiça e ignorância”. (Papa Francisco) INFLUENCIADORES E ECONOMIA DA ATENÇÃO “Utilizamos serviços gratuitos porque nós somos o produto”. Quanto vale a nossa atenção? Economia da atenção ✖ O que e quem nos distrai, nos rouba a atenção? ✖ Monetização da atenção: “a lógica dos influenciadores digitais não é propor um caminho de libertação, mas de captura. O que garantirá seu sucesso não é tornar os usuários livres por meio de seus conteúdos, mas dependentes dele”. ✖ O direcionamento de conteúdos e persuasão contínua embotam a capacidade crítica. ✖ Espiritualidade madura: “[...] apenas um espírito forte, amadurecido e convicto é capaz de discernir o que de fato alimenta sua vida daquilo que, travestido de tesouro, suga-lhe as forças”. (Gregory Rial, Revista ANEC, 2020, p. 34-35) Dra. Aline Amaro da Silva DESARMONIA • TROLLS, Fakes, Cyberbulling, personalidade múltipla, deep web. • Depressão de Facebook • Transtorno de Dependência da Internet • O efeito Google: a tendência do cérebro humano de reter menos informação porque ele sabe que as respostas estão ao alcance de alguns cliques. Causas: anonimato na rede, sobrecarga de respostas (informações) a perguntas que nunca fizemos. CONCEITO DE PECADO • ato consciente e desordenado com qualificação moral negativa, contra a lei eterna que gera um afastamento de Deus. • o pecado afeta a humanidade e a criação inteira, prejudica o ser em todas as dimensões: emocional, física, moral, social e espiritual. • pecado pessoal: disposição contínua da liberdade, exercida como rejeição da comunhão entre o ser humano e Cristo e encerramento do indivíduo em si mesmo causando a perda do sentido PECADO ESTRUTURAL: “a maldade pessoal que o homem comete acaba também se condensando nesses fios que sustentam o fato comunitário; e não se condensa exclusivamente na história pessoal de cada um. Todo pecador é pecador pessoal e também social. [...] todo pecado pessoal se converte em um “pecado original originante” para o próximo”. (VIDAL, p. 366) CIBERPECADO existe tanto um pecado estrutural na internet (padrão da rede desenvolvido com características desumanizantes) quanto pecados pessoais e sociais, cujo impacto é potencializado pelas dinâmicas de divulgação, interação, promoção e compartilhamento de ações ou ideias da rede. • Juntos, formam um tecido de pecado, uma ‘anti-rede’, a degeneração de seus vínculos e a desvirtuação do sentido último da rede que é a união fraterna de todo o gênero humano. • Os pecados no ciberespaço não são causados pela rede em si, a internet potencializa a visibilidade e o impacto social tanto do bem quanto do mal. EXISTE RECONCILIAÇÃO NA WEB? • Uma das implicações é a impossibilidade do esquecimento, assim, nossas ações e escolhas se tornam praticamente incanceláveis na internet. • Hoje se compreende como o perdãonão coincide com o esquecimento, e que o perdão autêntico é uma intervenção que transcende minha história e escapa do sistema das minhas possibilidades, sendo fundado sobre a alteridade de Deus. No mundo em que “o meu pecado está sempre a minha frente” (Sl 50,5) e tudo é digitalmente salvo, como pensar a salvação, dar a volta por cima e recomeçar? (SPADARO, Cybergrace) Narcisismo e Hedonismo “[...] as redes sociais são importantes meios de afirmação porque, ali, há a possibilidade de realização da aparência e uma espécie de supervalorização do subjetivismo, em constantes fotos, vídeos ou ditos que querem chamar a atenção” (Antonio Manzatto, Entrevista 2022). Imediatismo e Efemeridade Ansiedade e Dependência Fake News e Pós-Verdade Anonimato e irresponsabilidade A característica do anonimato ajuda a fortalecer uma atitude covarde de se esconder por trás de perfis falsos e mensagens criptografadas, e não assumir a responsabilidade por suas próprias ações. Polarização e Fragmentação Isolamento e Indiferença • Fechamento em si e falta de empatia • Cultura do Descartável • Pandemia da Indiferença “Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos”. (EG n. 87) “Onde abunda o ‘metapecado’ superabunda a ‘metagraça’. Toda essa potência de comunicação que a internet nos oferece tanto para o bem quanto para o mal, exige de nós uma responsabilidade e capacidade de discernimento, de filtro e tomada consciente de decisão muito maiores. Exige uma espiritualidade mais madura. HARMONIA EG 87: Neste tempo em que as redes e instrumentos de comunicação alcançaram progressos inauditos, sentimos o desafio de descobrir e transmitir a «mística» de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada. As maiores possibilidades de comunicação traduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos. A VIDA ESPIRITUAL É INTERIOR OU INTERATIVA? • Substancialmente podemos constatar que o homem de hoje, habituado a interatividade, interioriza as experiências se forem capazes de se ampliarem para tecer uma relação viva e não puramente passiva, receptiva. O homem de hoje considera válidas as experiências nas quais é requisitada a sua participação e o seu envolvimento. Existem experiências de interioridade espiritual que requerem explicitamente uma interação? INTERNET E COMUNHÃO “A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias, mas a pessoa comunica-se a si mesma”. (Bento XVI, 2013) DEUS PODE HABITAR NO CIBERESPAÇO? • No mundo da internet, que permite que bilhões de imagens apareçam em milhões de monitores, deverá sobressair o rosto de Cristo e ouvir-se a sua voz, porque, “se não há espaço para Cristo, não há espaço para o homem”. (Verbum Domini, p. 202) COMUNHÃO DO ESPÍRITO ‘Pelo Espírito somos recebidos na eterna comunhão de vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e nossa vida humana limitada participa da eterna circulação da vida divina. Na comunhão do Espírito experimentamos a proximidade de Deus e nossa própria vida como vida eterna. Na comunhão do Espírito, a Trindade divina possui uma abertura tamanha que toda a criação encontra lugar nela’. • A comunicação faz parte da essência de nosso ser, de toda a natureza e da Trindade Criadora. Fechar-se em si mesmo e romper a comunicação com Deus e com os outros é fazer a experiência do inferno, é desumanizar-se. À medida que o homem, pelo desenvolvimento tecnológico e esforço, é dotado de melhores capacidades comunicativas, ele está se assemelhando mais a Deus, o comunicador por excelência. A REDE É UM LUGAR DENSAMENTE ESPIRITUAL. • A fé diz ao ser humano que ele não pode ser sustentado só pelo que é visível e tangível, pelo mensurável, mas o impele a uma abertura para o Logos, o sentido. Para Ratzinger, Deus invisível, puro espírito, é o fundamento do real, e a fé é a forma básica de relacionar-se com o ser, com a existência e com toda a realidade. • A teologia ajuda a humanidade a compreender a dinâmica da vida e comunicação digital, pois entende que o espiritual não é virtual, mas real. Portanto, o digital é real. “A culpa das relações superficiais ou falsas não é da rede, mas de nosso coração. Não devemos culpar à técnica, mas fazer um exame de consciência de como eu vivo as relações”. (Spadaro) “As redes sociais são alimentadas pelas aspirações enraizadas no coração humano” (Bento XVI) “Os problemas na rede são frutos da falta de equilíbrio de vida, má educação, e a culpa é especialmente da minha geração que diz: a amizade de Facebook é falsa, o que conta é a amizade face a face – e assim nós criamos uma geração de esquizofrênicos. Pois se um jovem pensa que tudo o que faz na internet é falso, então ele pode fazer o que quiser. A única resposta: a nossa vida é uma, seja no físico ou no digital, ambas são verdadeiras. Esse é o caminho para encontrar o equilíbrio: a harmonia”. (Antonio Spadaro) Discernimento e Relações Profundas Deus pode habitar o espaço digital: • através de nós. Deus é comunicação, é relação, é amor. Portanto, “onde há compaixão e amor, Deus aí está”. • Deus é comunhão: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei presente”. E quando Jesus diz isso, ele não quer dizer que estará lá com o seu avatar, mas realmente. • No momento em que o Verbo se fez carne, Deus passou a habitar em todo o humano: linguagem, corpo, mundo. “É possível encontrar a Deus em todas as coisas” (St. Inácio de Loyola) Se Jesus andava nas casas dos pecadores, nos espaços públicos do seu tempo, por que hoje ele não estaria presente onde mais se encontram as mulheres e homens atuais? o O nosso problema é que pensamos que o processo comunicativo é um processo virtual, potencial, mas não real. Eis aqui um desafio teológico, porque somente a reflexão teológica não confunde virtual e espiritual. Aquilo que é espiritual não é virtual. Assim, a teologia se torna modelo para compreendermos a dinâmica da comunicação. Somos aquilo que postamos, curtimos e compartilhamos. Evangelizar nas redes é testemunhar não só com palavras mas com vida e atitude. CULTURA DO ENCONTRO • não só vendo mas olhando, não só ouvindo mas escutando, não só cruzando-se com as pessoas mas detendo-se com elas, não só dizendo «que pena!» mas deixando-se arrebatar pela compaixão; «e depois aproximar-se, tocar e dizer: “Não chores” e dar ao menos uma gota de vida». • se não paro, se não olho, se não toco, se não falo, não posso realizar um encontro, não posso ajudar a construir uma cultura do encontro». (FRANCISCO, 13 de set. de 2016) ESPIRITUALIDA DE NA ERA DIGITAL • Ex: a dificuldade de silenciar, parar e escutar das gerações digitais. • refere-se ao entendimento das características da cultura, sujeito e contexto atual, identificando o efeito desses fatores na vivência espiritual. ESPIRITUALIDA DE DIGITAL •As experiências espirituais vividas e mediadas pelas plataformas digitais que auxiliam o cultivo da fé. Uma espiritualidade que suscite questões importantes: “não é preciso nunca responder as perguntas que ninguém se faz [...] é necessário saber se inserir no diálogo com os homens de hoje para compreender suas expectativas, dúvidas e esperanças” (EG 155). Uma espiritualidade que suscite questões importantes: “Viver na fé significa debater-se incessantemente com questões da vida e da fé. A fé tornaa vida interessante, porque somos sempre de novo confrontados com perguntas para as quais temos de encontrar respostas”. *Jürgen Moltmann Vida interior e interativa: • Os jovens tem uma grande capacidade para a experiência espiritual por meio da interatividade, engajamento e colaboração. • Se eles não se envolvem e contribuem, não fazem a experiência. Ascese e Detox Digital • É importante criar bons hábitos, ter momentos de pausa das conexões, limpar a mente através do silêncio e meditação. Proximidade e autenticidade: Consciência Ecológica e Transformação Social Discernimento e Maturidade “Uma tal consciência crítica impele-nos, não a demonizar o instrumento, mas a uma maior capacidade de discernimento e a um sentido de responsabilidade mais maduro, seja quando se difundem seja quando se recebem conteúdos. Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controle que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as. Todos estamos chamados a ser testemunhas da verdade: a ir, ver e partilhar”. (FRANCISCO 2021) Espiritualid ade da Palavra: Espiritualidade da Sede Espiritualidade da Escuta e do Silêncio Escutar com o ouvido do coração A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso “inclina o ouvido” para o escutar. *Papa Francisco 2022 Espiritualidade Comunitária e Sinodal“deu-se início a um processo sinodal. [...] que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. [...] a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes. *FRANCISCO 2022 Capa ESPIRITUALIDADE EM TEMPOS DE CONECTIVIDADE Número do slide 2 Número do slide 3 Aula 03 - Aline Amaro da Siva Caminhos da �Pesquisa Número do slide 3 Metanoia digital Número do slide 5 O que é a rede? O que é a rede? O que é real? O que é realidade? O ambiente digital Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 As 7 principais abordagens �entre Teologia e Comunicação Em Que tempo vivemos? ��Em Que lugar habitamos? ��Que tipo de pessoa somos? Número do slide 17 Número do slide 18 Estudos de Mídia e Religião no Brasil Igreja e Internet Lugares teológicos Lugar teológico como lugar social Sinais dos Tempos Número do slide 24 Número do slide 25 Outras distinções Ciberteologia Número do slide 28 Número do slide 29 A ciberteologia: Teologia Digital A Teologia Digital: 4 categorias da TD: Ciberteologia & Teologia Digital Teologias da Comunicação Número do slide 36 Eclesiologias digitais Número do slide 38 Número do slide 39 Número do slide 40 Número do slide 41 Número do slide 42 Número do slide 43 Número do slide 44 Número do slide 45 Igreja Hierárquica – �Comunicação de Massa�One-to-many Igreja em rede, colegialidade – Comunicação Digital – Corpo Conectado de Cristo Número do slide 48 Número do slide 49 Número do slide 50 Número do slide 51 Número do slide 52 Número do slide 53 Graça Número do slide 55 O que você entende por tecnologia? Mística e Espiritualidade Tecnologia e Espiritualidade Tecnologia e Espiritualidade Número do slide 60 Número do slide 61 Número do slide 62 Número do slide 63 Número do slide 64 Número do slide 65 Número do slide 66 Número do slide 67 Número do slide 68 Influenciadores e economia da atenção Economia da atenção Desarmonia Conceito de pecado pecado estrutural: ciberpecado Número do slide 75 Existe reconciliação na web? Número do slide 77 Número do slide 78 Número do slide 79 Número do slide 80 Número do slide 81 Número do slide 82 Número do slide 83 Número do slide 84 Número do slide 85 Harmonia A vida espiritual é �interior ou interativa? � Internet e Comunhão Deus pode habitar no ciberespaço? Comunhão do Espírito Número do slide 91 A rede é um lugar densamente espiritual. Número do slide 93 Número do slide 94 Discernimento e Relações Profundas Número do slide 96 Número do slide 97 Número do slide 98 Número do slide 99 Cultura do encontro Espiritualidade na era digital Espiritualidade digital Número do slide 103 Número do slide 104 Número do slide 105 Número do slide 106 Número do slide 107 Número do slide 108 Número do slide 109 Número do slide 110 Número do slide 111 Número do slide 112 Número do slide 113 Capa Número do slide 4