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GUIA DIDÁTICO – TEOLOGIA E PRÁTICAS 
 PASTORAIS 
 
 EMERSON CAVALHEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
Introdução ......................................................................................................... 4 
CAPÍTULO 1 - A TEOLOGIA PASTORAL ........................................................ 6 
1.1 O que é teologia pastoral? ........................................................................ 6 
1.2 Desenvolvimento histórico da teologia pastoral ........................................ 7 
1.3 O ministério pastoral ............................................................................... 10 
1.4 A interface entre a teologia pastoral e outras áreas ............................... 11 
1.5 O Chamado Pastoral .............................................................................. 12 
1.6 A Chamada de Deus – Universal ............................................................ 12 
1.7 A Chamada Específica ........................................................................... 14 
1.8 A confirmação do chamado .................................................................... 17 
CAPÍTULO 2 - O PASTOR E O CARÁTER..................................................... 20 
2.1 O que é caráter? ..................................................................................... 20 
2.2 A Palavra de Deus e o caráter do obreiro ............................................... 21 
2.3 O Pastor e a Formação ........................................................................... 27 
2.4 A necessidade do preparo ...................................................................... 28 
CAPÍTULO 3 - O PASTOR E A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA ................... 35 
3.1 O que é administração eclesiástica? ...................................................... 35 
3.2 A visão da administração ........................................................................ 37 
3.3 Princípios aplicados à administração ...................................................... 38 
3.4 Administrando a Igreja do Senhor .......................................................... 39 
3.5 O Pastor e a Administração dos Recursos ............................................. 41 
3.6 Administração de Recursos Humanos .................................................... 42 
3.7 A administração dos recursos financeiros .............................................. 44 
CAPÍTULO 4 - PRÁTICAS PASTORAIS ......................................................... 48 
4.1 O Pastor e o Culto .................................................................................. 48 
4.2 As dimensões do culto ............................................................................ 49 
4.3 Elementos do culto ................................................................................. 51 
4.4 Tipos de Culto ......................................................................................... 52 
4.5 Evangelização: uma ordenança .............................................................. 53 
4.6 O Pastor e a evangelização .................................................................... 55 
4.7 Formas de evangelização ....................................................................... 56 
4.8 As Cerimônias da Igreja .......................................................................... 57 
4.8.1 Apresentação de Crianças ................................................................... 57 
4.8.2 Congressos .......................................................................................... 58 
4.8.3 Casamento .......................................................................................... 59 
4.8.4 Batismos .............................................................................................. 60 
4.8.5 Eventos cívicos .................................................................................... 61 
4.8.6 Aniversários ......................................................................................... 62 
4.8.7 Velórios ................................................................................................ 62 
4.9 A Etiqueta ............................................................................................... 63 
4.9.1 O que é etiqueta? ................................................................................ 64 
4.9.2 O Pastor e a Etiqueta........................................................................... 64 
4.9.3 A Higiene do Pastor ............................................................................. 65 
4.9.4 O Pastor nas cerimônias ...................................................................... 67 
4.9.5 A etiqueta nas refeições ...................................................................... 68 
4.9.6 A etiqueta no púlpito ............................................................................ 69 
CONCLUSÃO .................................................................................................. 72 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 74 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
 
 Deus tem levantado Homens para fazer a sua Obra nesta Terra! Ao longo 
de toda a trajetória bíblica, deparamo-nos com pessoas que se colocaram à 
disposição para serem usadas como instrumentos afinados em suas mãos. O 
Senhor, então, tem chamado pessoas para que cumpram o seu propósito de 
servir e guiar pessoas. No Antigo Testamento, por exemplo, havia a figura do rei, 
do sacerdote e do profeta. Cada um deles, em suas funções, deveriam glorificar 
a Deus, enquanto serviam ao povo. 
 Porém, por meio de um salto, nos deparamos com a realidade trazida pelo 
Novo Testamento, que surge com a grande profecia veterotestamentária se 
cumprindo: o nascimento do Salvador. A vinda de Cristo teve um objetivo único 
e maior: morrer em prol da humanidade, a fim de que o ser humano pudesse 
chegar a Deus novamente. 
 Nenhuma religião, enquanto sistema humano de tentativa de religação ao 
Criador, poderia obter êxito nesta empreitada. Somente Cristo pode fazê-lo, 
inaugurando um novo tempo, onde nasceria um povo especial, zeloso e de boas 
obras, a Igreja (Tt 2.14). A certeza da ressurreição de Cristo é a certeza da vitória 
da Igreja e da verdadeira aproximação do Criador (Mt 28; Mc 16). 
 Certamente, a Igreja é a amada do Senhor, a noiva ataviada do Cordeiro 
e, por meio dela, o mundo pode conhecer o brilho, a formosura e a glória de 
Deus. Esta Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos 
profetas, de maneira que o seu cabeça é Cristo (Sl 118.22; At 4.11; Ef 2.20; I Pe 
2.6,7). O mesmo Senhor, Jesus Cristo, tem chamado e capacitado pessoas para 
o exercício da liderança, especialmente, o da liderança pastoral. 
 A linguagem bíblica que melhor expressa a ideia de amor, amparo, 
cuidado, proteção, alimentação e salvação, é a que traz a figura do pastor de 
ovelhas. Sem dúvida, no contexto agrário e pastoril de Israel, o pastor de ovelhas 
denotava profundo senso de responsabilidade para com aqueles animais. A 
Palavra de Deus usa a mesma expressão para explicar o que é o chamado 
5 
 
pastoral e salienta como deve proceder quem é encarregado desta nobre 
missão. 
 Pastorear é conduzir pessoas a Cristo por meio da devoção, fé e 
conhecimento de Deus, daqui deste mundo, para a eternidade no céu com Deus. 
Não é uma tarefa simples, pois, exige do obreiro comprometimento, sabedoria e 
força para lidar com as intempéries que surgem no caminho, porém, é um 
trabalho glorioso, pois, não há coisa melhor do que investir na eternidade, em 
Deus e com Deus, onde as coisas não fenecem e não são transitórias! 
 Mas, é certo que o Pastor deve ser chamado por Deus! Ele deve ter a 
convicção de que o dono da Seara o alistou para exercer uma tarefa nobre, de 
maneira que nãofunção de líder ou administrador principal da igreja que serve”. 
Os autores ainda salientam que “administrar não é fazer ‘mil coisas’. É a ciência 
de gerar um organismo retirando-o da inércia, levando-o à melhor 
funcionalização dos recursos que justificaram sua criação, com o mesmo 
dispêndio (gasto) e sem lhe comprometer o futuro” (p. 17). 
 A explicação trazida por Kessler e Câmara evidenciam que a 
administração eclesiástica tratará de gerir os recursos que a Igreja possui, sejam 
eles, humanos ou físicos/materiais, como o dinheiro, por exemplo, de maneira 
que a Instituição se mantenha organizada e frutífera. Uma empresa trabalha para 
obter lucros, caso contrário, entrará em falência, por isso, há necessidade de 
uma boa administração, que funcione por meio de regras sólidas, que 
alavanquem o seu crescimento. 
 Com a Igreja não é diferente! O Pastor deve administrar para lucrar, de 
maneira que, nesse caso, não se trata do lucro financeiro ou do seu próprio 
enriquecimento, antes, a ideia de lucrar aqui significa que a Igreja deve crescer 
36 
 
com os recursos que tem, de forma que mais e mais vidas sejam alcançadas 
para Cristo e, por meio de uma boa gerência, os crentes sejam estimulados ao 
desenvolvimento pessoal e ministerial, fazendo com que o “corpo” cresça mais 
e mais. Isso é, verdadeiramente, um precioso lucro! 
 Certamente, com o crescimento da Igreja, as finanças também crescem, 
logo, o Pastor precisa ser bíblico e comprometido com Deus, para que faça o 
uso correto do dinheiro, aplicando-o de forma correta e íntegra, para o bem 
comum da Obra de Deus e, consequentemente para maior expansão e 
desenvolvimento da Igreja, sempre priorizando as pessoas, os seres humanos. 
 Há dois tipos de administradores eclesiásticos. O primeiro tipo de 
administrador é aquele que sabe gerir a Igreja, de forma pontual e eficiente, 
desenvolvendo uma visão macro da administração, sabendo conduzir 
estrategicamente os recursos. Este obreiro, geralmente, é bem-sucedido na 
missão, pois a Obra de Deus precisa de regras, controle, planejamento e 
gerência, a fim de que caminhe bem e glorifique ao Senhor! Geralmente, este 
líder, além do chamado e, até mesmo, de alguma habilidade natural para a 
liderança, costuma aperfeiçoar-se por meio do estudo e de cursos voltados à 
liderança e a administração. 
 Por outro lado, o segundo tipo, faz referência ao líder que não se ocupa 
em promover uma boa administração da Casa do Senhor. Não há controle, não 
há planejamento e, muito menos, gerência eficaz dos recursos, de maneira que 
as coisas estão sempre desorganizadas, simplesmente correndo conforme os 
acontecimentos. Esse tipo de administrador não consegue transmitir segurança 
à Igreja e para os seus liderados, além do que, pode trazer prejuízos e dívidas 
para aquela comunidade. Geralmente, esse líder não se ocupa em melhorar o 
seu desempenho por meio de estudos e cursos e pode, simplesmente, 
espiritualizar a questão, alegando que Deus é quem o dirige nos negócios! Além 
de trazer prejuízo, ainda transfere para Deus a responsabilidade que é toda sua! 
 Nos tempos modernos, o cenário que envolve a administração está cada 
vez mais complexo, sendo assim, é necessário que o Pastor se aprimore na arte 
da administração, a fim de que consiga fazer, com eficácia, a gestão de pessoas, 
por meio de seus talentos, a gestão dos recursos disponíveis, o que inclui as 
37 
 
finanças, além, óbvia e prioritariamente, da gestão espiritual, motivo principal 
pelo qual o Pastor fora chamado. 
 
3.2 A visão da administração 
 
 Para que a administração seja bem-sucedida, o Pastor precisa 
desenvolver cinco habilidades: a de prever, organizar, comandar, coordenar e 
controlar. Vejamos o significado de cada um deles: 
 Prever está ligado à capacidade de planejar, de estabelecer planos de 
ação antecipadamente, com os olhos voltados para o futuro. O 
administrador que não planeja os seus próximos passos e os próximos 
passos da Igreja poderá não ter êxito em sua missão. O planejamento 
envolve considerar o futuro, ter ciência dos objetivos a serem alcançados, 
estabelecer a sequência e prioridade dos passos (programação), o tempo 
para a execução (cronograma), orçamento, métodos padronizados para 
chegar ao objetivo (procedimentos) e elaboração de políticas, ou seja, 
saber lidar com os desafios e problemas que surgirão ao longo do 
processo e que precisam ser tratados para que a organização não fique 
comprometida. 
 Organizar – “É reunir meios e recursos materiais e humanos, distribuídos 
racionalmente e de tal forma harmonizados que possam funcionar como 
um todo, e sem solução de continuidade” (KESSLER; CÂMARA, 1992, p. 
18). Para que exista uma boa organização é necessário fazer a 
distribuição dos cargos, por meio da estrutura da organização, no caso 
em questão, da Igreja, delegar e estabelecer relações, de forma que haja 
o espírito de colaboração e cooperativismo. 
 Comandar – é trabalhar para que a equipe funcione organizadamente, 
dentro das normas e regras necessárias para o bom desempenho do 
trabalho. Implica em tomar decisões, estabelecer boa comunicação entre 
os liderados, para que não haja ruídos, que interferem negativamente nos 
pares; motivar, inspirando as pessoas a lutar pelo objetivo comum da 
organização; incentivar e envolver pessoas nos cargos, nas funções da 
38 
 
Igreja e ajudá-las a serem melhores, por meio de cursos e capacitação, 
sempre desenvolvendo as suas competências, atitudes e habilidades. 
 Coordenar – refere-se ao acompanhamento dos processos, atuando 
para que o desenvolvimento do trabalho ocorra, de maneira regular e 
equilibrada, gerindo bem as equipes de trabalho, que devem atuar de 
forma harmônica, sem maiores problemas ou atritos, fazendo boa gestão 
do tempo. 
 Controlar – o controle está atrelado à avaliação constante do trabalho 
que vem sendo executado. É preciso avaliar os resultados, pedir 
feedbacks (opiniões, retornos do que foi feito), a fim de aprimorar ainda 
mais as tarefas, alcançando melhores resultados e, consequentemente, 
a expansão, o crescimento do trabalho. 
 
3.3 Princípios aplicados à administração 
 
 Há seis princípios fundamentais que regem a administração, que são: 
legalidade, moralidade, impessoalidade, razoabilidade, transparência e 
eficiência. Uma administração séria e comprometida jamais deixará de observar 
cada aspecto ligado a estes princípios, pois eles podem determinar o sucesso, 
o êxito ou o fracasso de uma organização, o que, certamente, envolve a Igreja 
do Senhor. Abaixo, o significado de cada termo: 
 Legalidade – o administrador, no caso em questão o Pastor, deve atuar 
de acordo com as leis que regem a nação, respeitando-as integralmente. 
 Moralidade – as ações devem ser pautadas na justiça, honestidade e 
caráter. 
 Impessoalidade – não deve haver interesses pessoais ou de 
autopromoção por parte do administrador ou Pastor. 
 Razoabilidade – o equilíbrio deve reger o administrador, a fim de que não 
se perca nos abusos e gastos desnecessários. 
 Transparência – está ligada à prestação de contas acerca das despesas 
realizadas no investimento. É preciso prudência e cautela, de maneira que 
39 
 
não haja mal-entendido e desconfiança por parte da Igreja. Saber lidar 
com o que é sigiloso e o que deve ser divulgado é fundamental. 
 Eficiência – está ligada à competência, à sabedoria, à estratégia e à 
perícia do administrador, na observância dos processos, a fim de que 
chegue aos objetivos traçados, à meta estipulada de crescimento. 
 Quando estes princípios são levados à sério e postos em prática pelo 
obreiro, seu ministério é honrado e a Igreja passa a respeitá-lo, honrando-o e 
abraçando as causas pelas quais ele batalha. Por isso, o Pastor que, antes de 
tudo, é crente em Jesus, deve andar na luz, de maneira que os seus feitos e 
ações sejam transparentes, porque, agindo assim,ganhará a credibilidade da 
Igreja que, por sua vez, engrandecerá o nome de Cristo. 
 Por outro lado, se estes princípios não forem observados e, o que é pior, 
forem quebrados, certamente haverá vergonha para o Pastor, que perderá a 
credibilidade e o voto de confiança dado a ele pela Igreja. Quando há pecado 
nesta área, muitas pessoas, especialmente, as que contribuíram, ficam 
machucadas, sendo que algumas delas deixam de congregar, correndo o risco 
de abandono da fé. Nesse caso, o nome do Senhor não é glorificado! Que Jesus 
guarde os seus obreiros, para que administrem com sabedoria, prudência e, 
principalmente, com temor ao Senhor, consciente de que o dono da Obra está 
observando todas as coisas! 
 
3.4 Administrando a Igreja do Senhor 
 
 A Igreja do Senhor exige sabedoria e perícia na sua administração. Sendo 
assim, é importante que o Obreiro sempre traga à sua memória, que ela é um 
organismo vivo, que está em franco crescimento, pois, mais e mais pessoas 
recebem a Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas, porém ela é, também, 
uma organização que precisa ser comandada, por meio de regras e princípios, 
conforme estudado a pouco. 
 Há variados ministérios, com diversificadas estruturas organizacionais, 
portanto, cabe a cada obreiro atuar em sintonia com o modelo traçado pela 
40 
 
Instituição que faz parte, a fim de que administre pontualmente e com destreza. 
Há de se considerar que, além das tratativas com os departamentos da Igreja, o 
Pastor precisa se apropriar das normas jurídicas que validam a existência, a 
regulamentação e o funcionamento da Igreja. 
 Para que isso aconteça, é necessário estabelecer uma Diretoria, 
geralmente, composta pelo Pastor Presidente e seu Vice, pelo conselho fiscal, 
tesouraria, secretaria e pelo conselho disciplinar. Outrossim, devem ser 
elaboradas as atas de reuniões, onde são tomadas as decisões norteadoras da 
comunidade eclesiástica e outras providências, além do Estatuto, que deve ser 
registrado no Cartório de Direito Civil de Pessoas Jurídicas. Reis (2014, p. 214) 
afirma que: “A existência do Estatuto Social é justificada em razão do registro da 
Igreja junto ao Cartório. Sem o estatuto social, é impossível o registro e, 
consequentemente, a obtenção do CNPJ”. 
 Além disso, a Igreja é composta por vários departamentos, responsáveis 
pela gestão de pessoas e dos ministérios. Dentre os vários setores e 
departamentos, destacam-se: secretaria, tesouraria ou financeiro, educação 
cristã, crianças, adolescentes, jovens, feminino, masculino, de visitação, 
assistência social, música, teatro, missões, construções, dentre outros. 
 O Pastor deve ter uma visão ampla, de maneira que consiga perceber as 
qualidades a serem reforçadas e as vulnerabilidades que precisam ser 
trabalhadas, melhoradas, em cada setor ou departamento. Ele deve delegar 
tarefas, escolhendo pessoas capazes para que estejam à frente destes 
trabalhos, pois, se centralizar e atrair tudo para si não dará conta, podendo 
adoecer, o que acarretará em prejuízos para si, para sua família e, 
evidentemente, para a Igreja. 
 Há líderes que apresentam dificuldades em delegar tarefas. Eles têm 
dificuldade em acreditar que o seu liderado desempenhará um bom trabalho ou, 
quem sabe, fica inseguro diante do potencial de êxito dele. Tratar a insegurança 
é fundamental! A Igreja é um corpo, composto por pessoas hábeis e talentosas, 
chamadas por Deus para o desenvolvimento de sua Obra na Terra. 
 Quando o líder consegue fazer uma boa seleção de pessoas para ajudá-
lo no ministério há grande possibilidade de que a Igreja cresça em todos as 
41 
 
instâncias, ou seja, nos aspectos materiais e espirituais. Porém, é salutar que o 
Pastor valorize os seus liderados, reconhecendo o esforço de cada um, 
promovendo encontros, não apenas para prestação de contas e para correção 
daquilo que não está dando certo, mas, para elogiar, parabenizar as conquistas 
e o trabalho desempenhado. É importante que as equipes sejam motivadas e 
que haja confraternizações e, quem sabe, premiações pelas tarefas realizadas 
em prol do Reino. Isso, em nada diminui o caráter espiritual da Instituição, da 
mesma forma que, em nada se perde a autoridade do Pastor. Antes, pelo 
contrário, ele conseguirá estruturar e manter seus liderados em espírito de união, 
coesos, sempre trabalhando pelo bem comum: a expansão do Reino de Deus, o 
serviço melhorado à Igreja e à glória do nome do Senhor Jesus! 
 A Bíblia Sagrada apresenta vários nomes que se destacaram na arte da 
liderança e da administração: Noé, José, Moisés, Jetro, Josué, Neemias, Daniel, 
os apóstolos e, sem sombra de dúvida, o Senhor Jesus Cristo que treinando e 
capacitando doze homens amou-os e motivou-os, sendo-lhes exemplo e 
orientando-os a seguir e perseguir uma causa maior, a causa do Reino de Deus, 
ficando firmes, pois, do alto viria a recompensa deles. O administrador Jesus 
geriu tão bem sua equipe, de maneira que, por meio de doze homens, o mundo 
foi alcançado e o Evangelho foi pregado chegando até o tempo presente, a você 
e ao autor desta disciplina. 
 
3.5 O Pastor e a Administração dos Recursos 
 
 Os recursos são dados por Deus para que o Pastor administre com 
sabedoria e prudência. Na verdade, como a Igreja poderia se manter, em todos 
os aspectos, sem recursos? Tanto os recursos materiais e financeiros, quanto 
os recursos humanos, são de extrema importância para que a Obra do Senhor 
seja realizada com excelência. Para tanto, compete ao Obreiro desenvolver 
estratégias para melhor adequação desses recursos, sempre objetivando a 
melhoria e o crescimento da Obra do Senhor, que fora colocada sob a sua 
responsabilidade. Este é o tema a ser discutido a seguir. 
 
42 
 
3.6 Administração de Recursos Humanos 
 
 A Igreja é um organismo vivo, formada por pessoas inteligentes, dotadas 
de capacidades e habilidades concedidas por Deus. Além disso, a unção e a 
presença do Espírito Santo na vida dos membros são elementos que fazem toda 
a diferença para o desenvolvimento e, consequentemente, para o crescimento 
da Obra do Senhor. 
 O Pastor deve procurar conhecer os talentos de cada pessoa disposta a 
trabalhar para o Mestre, para que os departamentos sejam preenchidos por 
irmãos e irmãs que apresentem o perfil que esteja de acordo com cada um deles. 
Um crente, que tem habilidade para trabalhar com crianças, pode encontrar 
dificuldade para servir ao Senhor no departamento de adultos ou entre os jovens. 
Isso não o diminui, antes, é necessário que ele seja bem aproveitado no lugar 
certo, na função correta. Quando o Pastor age assim, o cristão fica satisfeito e 
desenvolve a Obra do Senhor com excelência! 
 Este é apenas um exemplo de toda a complexidade que envolve a escolha 
de pessoas para os cargos corretos. Há aquelas que são hábeis na arte de 
secretariar, mas, não têm desenvoltura para trabalhar com finanças e, o contrário 
também é verdadeiro. Há cristãos que são excelentes servos na limpeza, 
decoração e organização da Igreja, porém, não suportam a exposição pública, 
preferindo ficar em silêncio, no lugar delas. Estas, com toda a certeza, não são 
menos importantes do que aqueles que pregam, que cantam ou que estão na 
direção de um departamento. Na verdade, todos se completam e o Reino ganha! 
 O problema é quando não há sabedoria para gerir os recursos humanos, 
de forma que tudo é feito de qualquer maneira à luz da conveniência do líder ou 
do momento. Quem não canta, é colocado para cantar; quem não prega, para 
pregar; quem não ensina, para ensinar e, quem não administra, para administrar. 
Peças fora do lugar não completam o quebra-cabeça. Essa simbologia ajuda a 
entender o motivo pelos quais muitos departamentos e Igrejas sofrem. Se cada 
um permanecer naquilo para o qual foi chamado, de acordo com a sua vocação, 
certamente a Casa de Deus não enfrentará muitos problemas de ordens 
relacionaise administrativas (I Co 7.20). 
43 
 
 Isso também se aplica à escolha e consagração de obreiros. Se alguém 
tem vocação para servir no diaconato, poderá apresentar dificuldades para o 
serviço no presbitério, e vice-versa. Uma função não é superior à outra, ainda 
que muitos insistam ainda em pensar desta forma. A diferença é que alguns 
cargos podem, aparentemente, oferecer maior status ou reconhecimento, 
porém, é necessário lembrar sempre que a glória não pertence ao Homem e que 
quanto mais ele ascende ministerialmente mais deve descer pelos degraus da 
humildade e do serviço. Quem se utiliza da visibilidade ministerial para se sentir 
importante ou reconhecido, precisa buscar tratamento para sua inferioridade e 
insegurança. 
 Deus continua levantando obreiros para ocupar os mais variados setores 
da sua Obra, mas, compete ao Pastor orar, buscar a direção divina e observar 
os conhecimentos, as habilidades e as atitudes daqueles que são possíveis 
candidatos ao trabalho da Casa do Senhor. Algumas coisas não saem de moda 
nunca e, certamente, uma delas é a necessidade de ter a direção do céu para o 
chamamento de obreiros. É sempre bom lembrar que, antes de chamar os 
discípulos o Senhor Jesus passou a madrugada em oração (Lc 6.12-16). 
 Se o Pastor deve ter clareza ao escolher pessoas, segundo a direção do 
Senhor, ele precisa, também, ter habilidades para conduzir a sua equipe de 
trabalho. Embora a ideia de equipe seja amplamente utilizada nos aspectos 
empresariais e comerciais, é certo que na Igreja todos aqueles que labutam pela 
causa do Reino fazem parte de uma equipe. Desta forma, não pode haver 
espaço para competitividades e cisões, pois, se isso ocorrer o corpo sofrerá. 
 O trabalho em equipe pressupõe que várias pessoas, de diferentes 
personalidades, aptidões e gostos, estão reunidas para, em conjunto, 
batalharem por propósitos comuns. No caso da Igreja, as equipes devem 
trabalhar juntas para, em primeiro lugar, glorificar a Deus, agradecendo a Ele 
pela salvação graciosa concedida por Cristo e, em segundo lugar, para o 
aprimoramento dos crentes e consequente crescimento da Obra do Senhor. 
 Na equipe não há espaço para arrogância, prepotência e sentimento de 
superioridade de uns para com os outros, antes, o alvo a ser alcançado é o bem 
comum de todos, sendo que cada um deve, de acordo com as suas 
44 
 
possibilidades, oferecer sua inteligência, dedicação e competência para atingi-
lo. Por isso, trabalho em equipe deve ser regido pela participação coletiva, pela 
produtividade e sinergia, que é a capacidade de trabalhar com espírito 
colaborativo, visando um denominador comum. 
 Para que uma equipe funcione de forma adequada, é necessário que haja 
entre seus membros, o respeito, a confiança, a boa comunicação e a 
proatividade. A proatividade é a capacidade que as pessoas têm de lidar com os 
problemas, seja prevendo-os, por meio de medidas evitativas ou, solucionando-
os, por meio de recursos e estratégias interventivas. O Pastor pode estimular 
estas qualidades na sua equipe, de maneira que o trabalho seja facilitado e flua 
bem, em direção ao crescimento. 
 Por outro lado, líderes inseguros encontrarão dificuldades para 
desenvolver uma equipe destemida e trabalhadora, pois receiam que podem 
perder o seu lugar, a sua liderança. Nesse caso, é preciso trazer à memória o 
chamado do Senhor, até porque, quando o líder foi colocado por Deus, há o 
testemunho do Espírito na vida da Igreja e o respeito à liderança, por parte dos 
liderados. 
 Há vários outros fatores que poderiam ser aqui elencados, porém, 
considera-se importante e basilar tratar destes que foram apresentados, sendo 
que o estudante pode buscar outras fontes de informação, no tocante ao 
desenvolvimento dos recursos humanos. Seja um Pastor motivador que 
incentiva a sua equipe de trabalho e não seja alguém que se coloca na posição 
de sabotador, prejudicando a Igreja, pois, o dono da Obra está contemplando a 
tudo e a todos, nada escapa ao seu santo domínio! 
 
3.7 A administração dos recursos financeiros 
 
 A obra de Deus na Terra é sustentada por crentes fiéis, que entendem os 
princípios dos dízimos e das ofertas. Sem esta compreensão manter todo o 
trabalho seria desafiador, haja vista que, para as coisas há necessidade do 
dinheiro. O dízimo, que significa dez por cento, é uma prática recorrente desde 
45 
 
o Antigo Testamento, anterior, até mesmo, à lei, que permanece vigorando até 
o presente (Gn 14; Dt 12.11; 14.22; 16,17; II Cr 31.5,6). Os profetas falaram 
amplamente sobre o dízimo e sobre as consequências da recusa em entregar 
aquilo que pertence ao sustento da casa e da Obra de Deus (Ml 3.10-12). 
 No Novo Testamento, Jesus não retirou o princípio do dízimo. Isso ficou 
claro quando Ele falou aos fariseus (Mt 23.23) e, também, o escritor aos Hebreus 
citou o caso do dizimista Abraão (Hb 7) quando se encontrou com 
Melquisedeque, de Salém. Além do dízimo, a Palavra de Deus apresenta outra 
modalidade de recurso financeiro destinado ao sustento da casa de Deus: a 
oferta (II Co 9.6,7). 
 Além da manutenção da Casa de Deus, os dízimos são destinados ao 
sustento do Obreiro. Há claras recomendações para isso, desde os tempos do 
Antigo Testamento, até chegar ao Novo Testamento, a nova aliança em Cristo 
Jesus (Lv 2.3; 10.13; Nm 3.48; Dt 18.3; II Rs 12.16; Mt 10.10; Lc 10.7; Gl 6.6; I 
Co 9.7,13,14; I Tm 5.17,18). 
 Bruce (2021, p. 1412) comenta o que Paulo escrevera a Timóteo, na 
primeira carta, capítulo 5, versículos 17 e 18: 
Tendo estabelecido as qualificações para os “bispos” (3.1-7), 
Paulo agora se volta para a atitude responsável que se deveria 
ter para com eles. Ele usa o termo sinônimo presbíteros, e, 
embora seja a mesma palavra que no v. 1 é traduzida por 
homem idoso, está claro que aqui traz o seu sentido técnico. A 
primeira recomendação do apóstolo é que deveria haver uma 
estimativa realista das necessidades pessoais do presbítero. 
Dupla honra: a expressão contém os dois elementos do respeito 
e da remuneração. “É impossível evitar a conclusão de que a 
recompensa financeira, ou ao menos material, seja a intenção 
primeira aqui” (J. N. D. Kelly). Visto que a assistência dada às 
viúvas dependia de elas satisfazerem certas condições, assim 
merecem não somente respeito, mas também remuneração 
adequada esses presbíteros que estão engajados nas tarefas 
exigentes da liderança (proistémi – “governo”, lit. “estar à frente 
de”), da pregação e do ensino. Essa ordem é fundamentada com 
duas citações, uma de Dt 25.4 e outra de palavras faladas pelo 
Salvador (Lc 10.7). Paulo, possivelmente, ouviu estas do próprio 
Lucas, que com toda probabilidade já havia concluído o seu 
evangelho a essa altura. 
 
46 
 
 Frente ao exposto, fica claro que os dízimos e ofertas devem ser 
canalizados para o sustento do obreiro, que se dedica fiel e intensamente para 
a Igreja do Senhor. Isto é digno e justo! No entanto, é preciso que os recursos 
financeiros sejam geridos com seriedade e temor do Senhor. Segundo Lima 
(2014, p. 36): 
O pastor presidente, o administrador, o tesoureiro, o secretário 
e demais membros da diretoria da igreja deverão ser homens e 
mulheres de confiança, tendo a responsabilidade de trabalhar de 
forma íntegra e fiel para que a obra de Deus avance. O 
tesoureiro, primeiramente, tem de ser cristão fiel, temente a 
Deus, membro da igreja local; em segundo, tem de ser uma 
pessoa discreta e de confiança; em terceiro, precisa ter uma 
conduta ilibada dentro e fora da igreja; em quarto lugar, tem de 
ser submisso à liderança da igreja e humilde; em quinto, tem de 
trabalhar com ética e sigilo, haja vista que as informações 
financeiras da igreja não devem ser veiculadas ou divulgadas 
sem prévia autorização do líder da igreja ou do conselho 
administrativo; em sexto, ter a consciência de que o dinheiro é 
da Obra de Deus, sendo administrado pela igreja e por sua 
liderança;ser atencioso e gostar do serviço que faz. 
 
 Deus tem compromisso com a sua Obra de forma integral, o que inclui, 
certamente, a administração dos recursos financeiros. O Pastor e seus liderados 
devem se submeter à mordomia financeira, entendendo que o dinheiro não lhes 
pertence, antes, são os responsáveis por administrar, gerindo os recursos para 
o sustento, melhoria e expansão da Obra de Deus na Terra. Quem brinca com 
esta área ou pensa que pode subornar ou enganar a Igreja, extraindo o que não 
lhe pertence, haverá de prestar contas ao Senhor, pois, a desonra pertence aos 
desonestos. 
 Por isso, há necessidade de contínuo registro de entradas e saídas e, 
sobretudo, da fiel prestação de contas, por meio de documentos comprobatórios 
dos investimentos e despesas que foram feitos. O departamento próprio, 
responsável para cuidar das finanças e da contabilização delas é a tesouraria. 
Lima (2014, p. 35, 36) explica que: 
A tesouraria tem a função de: a) receber, guardar e depositar as 
arrecadações na agência bancária com a qual a igreja trabalha; 
b) registrar o movimento financeiro em livro próprio; c) manter 
organizados os livros financeiros da igreja; d) apresentar o 
relatório mensal e o balanço anual à liderança e à igreja; e) 
47 
 
informar à liderança da igreja a ocorrência de qualquer 
problema; f) não omitir do pastor presidente nenhuma 
informação financeira; g) sempre que solicitado, deve apresentar 
o movimento financeiro à comissão de contas ou ao conselho 
fiscal. [...] A tesouraria deve possuir alguns documentos, como 
livros próprios de tesouraria, recibos, relatórios, livro de 
dizimistas. É bom a tesouraria possuir os seguintes materiais: 
cofre, armário de arquivo, mesas, cadeiras, canetas, 
computador, impressora, envelopes pequenos e grandes. Um 
fator importante nos dias atuais é a informatização – muitos 
profissionais da área da informática estão desenvolvendo 
programas de tesouraria de igreja, nos quais fornecem modelos 
de relatório, balancete, balanço, movimento de entrada e saída, 
planejamento financeiro e ordem cronológica dos pagamentos. 
 
 O trabalho sério e bem feito por parte da tesouraria, além de glorificar o 
nome do Senhor, promove alegria em contribuir por parte da Igreja, que vê suas 
doações e recursos sendo aplicados de forma honesta, íntegra e justa. Para que 
isso ocorra, é sempre importante que seja desenvolvido o planejamento 
financeiro. Por meio desse planejamento é possível ver novos horizontes de 
expansão, novos objetivos e metas a serem alcançados. Para isso, o controle de 
receitas (entradas) e despesas (saídas) precisa estar bem ajustado. 
 Se a Igreja está tendo mais despesas do que receitas algo precisará ser 
ajustado. Talvez, os gastos estejam sendo maiores do que as entradas. Por outro 
lado, se a tesouraria acha o equilíbrio, é possível pagar as despesas fixas 
mensais, tais como luz, água, aluguel, prebendas, dentre outros e, ainda investir 
em melhorias para a Obra do Senhor, sejam melhorias físicas, por meio de 
reformas, construções ou humanas, através de cursos, palestras, treinamentos, 
dentre outros. 
 Por fim, é de todo necessário encarar com extrema seriedade esta área 
que envolve o trabalho do Senhor. Tanto a administração dos recursos humanos, 
quanto a dos recursos financeiros são fundamentais para que haja equilíbrio, 
maturidade e crescimento da Igreja. Que o Senhor levante homens idôneos, 
sérios e de caráter ilibado para tratarem com esta área tão sensível da Igreja, a 
fim de que o Evangelho não seja envergonhado ou ridicularizado, como tem 
acontecido por meio de alguns; antes, que a Igreja e sua liderança sejam 
conhecidas pela retidão do comportamento frente às finanças. 
48 
 
CAPÍTULO 4 - PRÁTICAS PASTORAIS 
 
 
 Para fechar com chave de ouro o estudo desta disciplina, Teologia e 
Práticas Pastorais, serão apresentados temas voltados às práticas pastorais, tais 
como, o culto, com seu significado e importância, ao trabalho da evangelização 
e, por fim, sobre as cerimônias da Igreja e o manejo por parte do Pastor, a fim 
de que tudo seja feito com excelência para a glória de Deus. 
 
4.1 O Pastor e o Culto 
 
 Um dos conceitos mais importantes da vida eclesiástica é aquele que está 
ligado ao culto. A religião é caracterizada pelo culto em todas as culturas e 
credos, o que inclui, evidentemente, a fé cristã. A diferença, porém, é que o 
Cristianismo cultua ao Deus verdadeiro, Eterno, Imortal, Onipotente, 
Onipresente e Onisciente. Sendo assim, esse culto é prestado pelo Homem e 
recebido e avaliado pelo Senhor Deus. 
 A palavra “culto” é bastante comum no contexto religioso, especialmente, 
no segmento protestante. Mas, o que é culto? O dicionário define culto como 
sendo “uma homenagem prestada ao que é considerado sagrado ou divino; a 
maneira através da qual uma divindade é adorada”3. O termo culto é oriundo do 
latim “cultu”. Agora, é importante considerar o sentido bíblico para a ideia de 
culto, no quesito bíblico judaico-cristão: 
Os principais termos que descrevem o ato/atitude de “culto” são 
o Hebraico, hhv (shachah) e o Grego, προσκυνέω 
(proskuneo). Essas duas palavras e seus derivados 
correspondem a 80% do uso cúltico bíblico. O primeiro vocábulo, 
shachah, significa “inclinar-se, prostrar-se”, como, por exemplo: 
“E acontecerá que desde uma lua nova até a outra, e desde um 
sábado até o outro, virá toda a carne a adorar [lit. “prostar”] 
perante mim, diz o Senhor” (Is. 66:22). A segunda 
palavra, proskuneo, indica originalmente “abaixar-se para 
 
3 Extraído de: https://www.dicio.com.br/culto/ Acesso em 14.11.2022. 
https://www.dicio.com.br/culto/
49 
 
beijar”, vindo a indicar “prostrar-se para adorar”, “reverenciar”, 
“homenagear”, etc. O exemplo clássico sai da boca de Jesus: 
“Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram 
[προσκυνοῦντας] o adorem [προσκυνεῖν] em espírito e em 
verdade” (Jo. 4:24). Há ainda dois importantes termos que 
expressam ideias de culto. O primeiro é db[ (abad), “servir”, 
“trabalhar”. Por exemplo, Yaweh diz a Moisés: “Certamente eu 
serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando 
houveres tirado do Egito o meu povo, servireis a Deus neste 
monte” (Êx 3:12). A segunda palavra é λατρεία (latreia), “servir”, 
como visto no diálogo de Cristo com o Diabo: “Então ordenou-
lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu 
Deus adorarás [προσκυνήσεις], e só a ele servirás [λατρεύσεις]” 
(Mt 4:10). É interessante notar que um dos locus classicus de 
adoração e culto utiliza este termo para descrever a entrega do 
corpo a Deus como “culto racional” [λογικὴν λατρείαν] (Rm. 
12:1). O que se pode concluir deste rápido estudo etimológico? 
“Cultuar” envolve tanto a ‘homenagem ou reverência’ a Deus, 
quanto o ‘serviço’ a sua Pessoa!4 
 O conceito bíblico de culto é abrangente e deve ser vivido e ensinado pelo 
Pastor. Infelizmente, há cristãos que ainda pensam que o culto se resume ao ato 
de ir à Igreja. Na verdade, ir à Igreja é apenas um dos aspectos que envolvem o 
culto, que é quando a coletividade presta a sua adoração e o seu serviço a Deus. 
Porém, o culto verdadeiro se dá por meio de outras dimensões, conforme serão 
apresentadas abaixo. O que precisa ficar evidenciado é que o culto deve 
acontecer vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias no ano 
e, se o ano for bissexto, trezentos e sessenta e seis dias, afinal, o verdadeiro 
culto é oferecido pelo cristão, na medida que entende que a sua vida é um 
serviço e um sacrifício vivo a Yahweh (Rm 12.1,2). 
 
4.2 As dimensões do culto 
 
 De acordo com Macarthur (2018) o culto que agrada a Deus possui três 
dimensões: externa, interior e superior. Na dimensão externa, os atos e 
comportamentos do cristão para com o próximo, refletem diretamente sobre o 
culto. Romanos 14.18, por exemplo, fala do irmão maisfraco, ao passo que, 
 
4 Extraído de: https://teologiabrasileira.com.br/o-culto-e-os-seus-principios/ Acesso em 
14.11.2022. 
https://teologiabrasileira.com.br/o-culto-e-os-seus-principios/
50 
 
Romanos 15.16 trata da evangelização como sendo uma forma cúltica que 
agrada ao Senhor. As ofertas semeadas na Obra do Senhor, apresentadas pelo 
apóstolo Paulo, em Filipenses 4.18, representam um dos aspectos do culto 
ligados à dimensão externa. 
 Por outro lado, no tocante à dimensão interior, o culto refere-se ao 
comportamento individual do crente: 
Efésios 5.8-10 afirma: “Andai como filhos da luz (pois o fruto do 
Espírito está em toda bondade, justiça e verdade), aprovando o 
que é agradável ao Senhor”. A palavra agradável vem de uma 
palavra grega que significa “aceitável”. Nesse contexto, Paulo 
refere-se à bondade, à justiça e à verdade, dizendo claramente 
que fazer o bem é um ato aceitável de culto a Deus. Ele inicia 1 
Timóteo 2 incentivando os cristãos a orar pelos que estão em 
posição de autoridade, a fim de que tenhamos vidas tranquilas, 
com piedade e honestidade. O versículo 3 prossegue dizendo: 
“Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador”. 
Assim, além do compartilhar (isto é, o efeito do culto nos outros), 
fazer o bem é também um ato de culto (isto é, seu efeito em 
nossa própria vida) (MACARTHUR, 2018, p. 255). 
 
 Por fim, na dimensão superior, está o relacionamento direto do crente para 
com Deus (Hb 13.15,16). Ele é reconhecido por meio da rendição, dos louvores 
e da ação de graças ao Senhor. O Todo-Poderoso é digno de ser adorado pela 
grandeza do seu poder, pelos seus feitos gloriosos e, acima de tudo, pelo seu 
caráter, por ser quem é. O cristão, quando se depara com a magnitude divina, 
cai sob seus joelhos, cultuando em espírito e em verdade ao seu Deus. Aliás, 
diga-se de passagem, os verdadeiros adoradores, adoram ao Pai em espírito e 
em verdade (Jo 4). 
 Macarthur (2018, p. 258) assevera que: “O culto é o primeiro fator 
essencial na vontade de Deus – o grande sine qua non de toda experiência 
cristã, e o serviço é uma decorrência maravilhosa e necessária disso”. 
Outrossim, promove uma reflexão quando afirma que: 
Temos muita atividade e pouco culto. Somos grandes em 
ministério e pequenos em adoração. Somos desastrosamente 
pragmáticos. Só queremos saber do que funciona. Queremos 
fórmulas e truques e, de alguma maneira, no meio do processo, 
deixamos de fora a tarefa para a qual Deus nos chamou. Somos 
Marta em excesso e Maria de menos. Estamos tão envolvidos 
no fazer que perdemos o ser. Somos programados, informados, 
51 
 
planejados e ocupados – mal cultuamos! Temos nossas 
funções, nossas promoções, nossos objetivos, nossos esforços 
voltados para o sucesso, preocupados com números, 
tradicionais e até passageiros. Porém, é muito comum nos 
escapar um culto aceitável, verdadeiro e espiritual 
(MACARTHUR, 2018, p. 259). 
 
 Que haja no coração pastoral o desejo profundo de levar os seus liderados 
ao verdadeiro significado do culto ao Senhor, resgatando princípios bíblicos, a 
fim de que não haja hipocrisia, falta de sinceridade e recusa por parte do Senhor 
em receber do cristão o seu serviço, o seu sacrifício, por não ser reto e 
verdadeiro diante d’Ele. 
 Por outro lado, o culto que agrada a Deus, além de levar o cristão ao 
profundo quebrantamento e ao reconhecimento da grandeza e majestade do 
Senhor, atrai a manifestação da sua glória, de maneira que, quando isso 
acontece, manifestações sobrenaturais acontecem no meio do povo e, também, 
no interior do crente, afinal, o culto ofertado com vida ao Deus de Abraão, Isaque 
e de Jacó, move o coração daquele que é vivo e age poderosamente no arraial 
dos seus servos e filhos. 
 
4.3 Elementos do culto 
 
 É sabido que cada denominação possui a sua forma litúrgica no tocante 
ao culto ao Senhor. Até mesmo as igrejas que pertencem ao mesmo segmento 
denominacional podem apresentar diferenças na liturgia, quer seja por questões 
culturais e sociais, quer seja por regionalismos. 
 Sendo assim, esta disciplina não se propõe a apresentar uma liturgia 
considerada padrão ou correta, pois, cometeria equívoco ao pensar e agir desta 
forma. Porém, é fato que, alguns elementos não podem estar ausentes no culto, 
que são: oração, louvor a Deus, por meio de cânticos e louvores a Deus, leitura 
da Palavra, ofertas, pois a Obra do Senhor na Terra é sustentada por meio delas 
e, evidentemente, a ministração da Palavra (Dt 6; Js 1; Sl 1; I Co 14.26; I Tm 
2.1,2; Ne 8.8,9; Sl 19; 104; 119; At 20.35; II Tm 2.15). 
52 
 
 Cada um desses elementos precisa ter o seu espaço prioritário, porém, a 
pregação deve ser destacada e não tratada com leviandade como acontece em 
alguns lugares, com o menor espaço de tempo no culto. É no momento em que 
a Escritura - que promovem a fé no coração - será ministrada com ousadia, 
sabedoria, correta interpretação e graça, que promoverá no coração do homem 
confronto, arrependimento, fé e conversão. 
 
4.4 Tipos de Culto 
 
 Evidentemente, culto é culto e mantém sempre as características 
apresentadas acima, porém, para fins didáticos e de objetivo, são apresentados 
abaixo alguns tipos de culto, a saber: 
1. Culto de Ensino – culto voltado à maior exposição sistematizada de assuntos 
e doutrinas contidas na Palavra de Deus. 
2. Culto em Ação de Graças – culto de gratidão pelos feitos do Senhor. 
3. Culto de Santa Ceia – momento de adorar a Deus, em gratidão pelo sacrifício 
realizado por Cristo Jesus na cruz do calvário, a fim de salvar a humanidade. 
4. Culto Evangelístico – voltado para a proclamação do Evangelho aos que 
ainda não conhecem a Cristo. Pode acontecer no templo, mas, especialmente, 
deve acontecer fora dos muros da Igreja, nas ruas e nas praças, sempre 
respeitando as normas e horários estipulados pela sociedade. 
5. Culto Missionário – ênfase em missões, sejam elas nacionais e 
internacionais, culturais e transculturais. Neste culto, há oração pelas 
necessidades missionárias, apresentações missionárias, as ofertas podem ser 
destinadas às missões e a pregação da Palavra deve despertar os crentes à 
consciência missionária. 
6. Culto doméstico – realizado nas casas dos irmãos, a fim de que, 
especialmente os vizinhos, sejam evangelizados. 
 Duas verdades precisam ser enfatizadas aqui. A primeira delas diz 
respeito à programação de cada culto, que deve ser feita com ordem, decência 
53 
 
e com prioridades espirituais. A segunda verdade é que devem ser realizados de 
acordo com a ética, com respeito aos horários estipulados, ao uso do som com 
bom senso, dentre outros. 
 
4.5 Evangelização: uma ordenança 
 
 O trabalho de evangelização não é uma opção da Igreja, é uma ordenança 
à Igreja. A ordem expressa veio da parte do Cristo, o Senhor, o dono da Igreja 
(Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.46-49; Jo 20.21; At 1.8). Os textos bíblicos 
apresentados são ordens claras, expressas pelo Senhor para o seu povo. 
 Evangelizar é, portanto, um imperativo! A Igreja que não se ocupa do labor 
evangelístico está perdida em seu propósito! Uma comunidade cristã que vive 
para si, que trabalha apenas para si e para os seus membros precisa, 
urgentemente, voltar aos princípios da Palavra, pois há tempos se perdeu! 
 Jesus veio para resgatar os perdidos, esse foi o propósito da sua vinda 
(Mc 10.45; Lc 19.10; Jo 4.32,33). Aliás, diga-se de passagem, é preciso revisitar 
o texto de João 3.16, a fim de que se compreenda a profundidade do inexplicável 
e imensurável amor de Deus, sendo que este amor, para muito além das 
palavras, foi atitudinal, levando o Senhor a enviar o Seu Filho Jesus a este 
mundo, a fim de que entregasse a sua vida à morte pela humanidade caída. 
 A poderosa mensagem de salvação é esta: Cristo, o Deus vivo e 
poderoso, tomou a forma humana, veio a este mundo em carne, a fim de morrerpelos pecados do Homem (Jo 1). Não há nada que o ser humano possa fazer 
para chegar a Deus, pois o seu pecado causou completo afastamento, todavia, 
por intermédio de Cristo é plenamente possível voltar ao Pai, ter amizade e 
comunhão com Ele através da graça, do favor imerecido do Senhor. Essa 
salvação pela graça só pode ser alcançada por meio fé, logo, não há outra forma, 
outro caminho, nem há no mundo todo dinheiro, ouro ou prata, que paguem 
tamanha salvação (Is 59.1,2; Rm 5; Ef 2; Tt 2.11-13; I Pe 1.18-23). 
 Portanto, de posse dessa verdade, a evangelização é o ato de sair em 
busca daqueles que estão sem paz e sem a certeza da vida eterna. A Igreja não 
54 
 
pode ficar trancada, fechada dentro de quatro paredes, ele deve sair, ela deve 
ir. Atualmente, há muitos recursos disponíveis para o trabalho evangelístico. Um 
deles, sem dúvida, é a tecnologia, especialmente através das mídias sociais. 
 Encontrar ferramentas diversas é dever da Igreja, a fim de que o 
Evangelho seja pregado enquanto é dia, enquanto há tempo, porém, é preciso 
sair, é preciso ir. Macarthur (2018, p. 319) afirma que: 
Evangelização bíblica é ir, ou seja, sair à busca das almas 
perdidas deste mundo. Muitos pastores caem no erro de pensar 
que, se os pecadores entre as nações quiserem ser salvos, 
devem vir à igreja. O maior motivo pelo qual a igreja está 
declinando é que ela tem deixado de sair à procura dos perdidos. 
Por alguma razão, a evangelização passou a ser algo feito entre 
as quatro paredes da igreja. Hoje a igreja espera que os 
incrédulos cheguem a ela, quando na verdade a igreja deveria ir 
a eles. A expansão efetiva ocorrerá quando os cristãos 
entenderem que o ponto de partida da Grande Comissão é sair 
das zonas confortáveis das estruturas eclesiásticas e entrar na 
vida dos perdidos à sua volta. Do púlpito para a multidão – do 
pastor para os paroquianos – a concepção de evangelização 
deve ser a de um empreendimento ativo. 
 
 Cada estudante desta disciplina deve observar como está a sua vida de 
evangelização e o conceito que tem dela. O autor supracitado foi cirúrgico ao 
traçar um diagnóstico da Igreja moderna: a passividade na evangelização. Em 
muitos lugares, o “ide” tem sido substituído pelo “vinde!”, sendo que, o sentido 
do “vinde” é totalmente diferente do sentido bíblico do “ide”. É necessário, 
primeiramente ir, para que as pessoas queiram “vir” (Rm 10.12-15). 
 Na medida em que o Evangelho vai sendo pregado, vidas vão sendo 
salvas e transformadas. A Escritura diz que as boas novas são o poder de Deus 
para a salvação, logo, a mensagem está pronta, o esboço e o sermão também 
estão. O conteúdo é Cristo, o verbo encarnado, o cordeiro de Deus que tira o 
pecado do mundo (Jo 1.29). A mensagem da salvação é simples, porém, gloriosa 
e poderosa, pois o Senhor para salvar espera que o homem faça duas coisas: 
arrependa-se dos seus pecados e receba o perdão e a salvação oferecidos por 
intermédio de Cristo (At 2.40; 14.15; 17.30; 20.21; 26.18). 
 Após a evangelização e os frutos dela, por meio da salvação, o Pastor 
tem o dever de acompanhar os novos crentes por meio do discipulado (Mt 28.20). 
55 
 
O discipulado é o ato de preparar o novo crente, o novo discípulo, para que seja, 
dia a dia, cada vez mais parecido com Cristo (Ef 4.11-16), haja vista que, o 
cristão deve andar como Jesus andou (I Jo 2.6). Na medida em que se conhece 
mais e mais a Deus a santificação acontece, e o novo crente passa a ter a mente 
de Cristo (Os 6.3; I Ts 4.3-8; I Pe 1.15,16; Rm 12.1,2; I Co 2.16). 
 
4.6 O Pastor e a evangelização 
 
 Em primeiro lugar, é necessário que o Pastor tenha a consciência plena 
do papel da Igreja no que diz respeito à evangelização. Se ele não tiver essa 
consciência precisa dar meia volta e resgatá-la onde foi perdida. Se nunca a 
teve, precisa cair aos pés de Cristo e debruçar-se sobre a Palavra de Deus para 
que reveja os conceitos do seu ministério. 
 Uma Igreja dificilmente terá a visão da evangelização se o seu Pastor não 
a tiver. É o líder quem deve inspirar os liderados no exercício de uma tarefa, 
logo, se ele não evangeliza como esperará que o povo faça isso? Pode 
acontecer que alguns crentes acabem por fazê-la, por consciência adquirida por 
meio da Palavra, porém, a comunidade de fé, propriamente dita, se espelhará 
no Pastor tanto com relação ao evangelismo e missões, como para outros 
aspectos da vivência cristã. Macarthur (2018, p.327) corrobora, afirmando que: 
Se um pastor ganha almas, incentivará seu povo a seguir o seu 
exemplo. Spurgeon escreve em seu clássico The Soul Winner 
[O Ganhador de Almas]: “Precisamos sempre nos apresentar 
como exemplos sinceros. Um ministro lento, não terá uma igreja 
viva e zelosa, tenho certeza. Um homem que seja indiferente ou 
que não faça seu trabalho como deve ser feito não deve esperar 
ter em torno de si um rebanho determinado acerca da salvação 
das almas”. Estamos prontos para esse trabalho? Estamos 
frustrados porque nosso povo é indolente e apático na busca de 
outras pessoas? Talvez precisemos avivar as brasas, dispondo-
nos a fazê-lo por nós mesmos. Então, nosso povo seguirá o 
exemplo. 
 
 É comum que se diga que, muito mais do que as palavras, o exemplo 
arrasta. Logo, o obreiro deve procurar motivar a Igreja para o trabalho 
56 
 
evangelístico indo a campo, colocando, ele mesmo, a “mão na massa”, a fim de 
que seus liderados também se sintam inspirados a agir da mesma forma. 
 Evidentemente, para que isso ocorra, o homem de Deus precisa ter amor 
e compaixão pelas almas assim como Jesus o teve (Mt 9.35-38; 14.14; 15.32). 
Macarthur (2018, p. 325) expressa que: “A raiz da evangelização está no amor 
pelos pecadores. O amor mobilizou Deus (Jo 3.16), mobilizou Cristo (Lc 19.10) 
e a Igreja primitiva. [...] É uma grande contradição ser chamado filho de Deus, 
ou até pior, ministro cristão, sem ter amor pelas almas perdidas”. 
 O amor e a obediência devem conduzir o Pastor e a Igreja ao trabalho 
missionário e evangelístico (I Co 9.16,17; II Co 5.14, 18-21). Na medida em que 
entende essa verdade, o líder é movido a trabalhar, não somente para que a 
casa de Deus se encha, mas, muito mais, para ver o inferno sendo saqueado e 
vidas sendo levadas para Cristo rumo ao céu. 
 Quando se tem a percepção da eternidade, fica mais clara a necessidade 
da pregação do Evangelho. Já parou para pensar que, apenas no espaço de 
tempo em que este capítulo está sendo estudado, milhares de pessoas partiram 
para a eternidade sem Cristo? Já pensou também que, neste exato momento, 
há alguém à beira da morte no hospital, reconhecendo a Jesus, como Salvador? 
Se parar para refletir, a Igreja constatará que está muito falha quanto à real 
necessidade de evangelização. 
 
4.7 Formas de evangelização 
 
 Há diversas formas de realizar o trabalho de evangelização. Cada Igreja 
deve conhecer a realidade do local onde está instalada e, junto ao Pastor, 
estabelecer estratégias evangelísticas. Podem ser realizados trabalhos sociais, 
cruzadas, teatros, apresentações musicais, dentre outros. Evidentemente, além 
dos trabalhos coletivos, cada crente deve evangelizar. O evangelismo pessoal 
sempre será uma das grandes formas de alcançar vidas para Cristo. 
 Além disso, conforme fora dito anteriormente, nos dias atuais o mundo 
pode ser evangelizado por meio das tecnologias e mídias sociais. Quanta 
57 
 
facilidade para se pregar o Evangelho, especialmente, no Ocidente! Que 
desculpas a Igreja dará a Deus no dia de prestação de contas? É sempre bom 
lembrar que evangelizar não é atacar ou ofender a fé alheia, antes, significa 
apresentar a boa nova de salvação em Cristo. 
 Além de tudo, é maravilhoso saber que não é papel do crente convencer 
o homem dos seus pecados. Ele jamais conseguiria fazer isso, por mais que 
fosse persuasivo e convincente. É o Espírito Santo quem realiza tal obra, 
portanto, compete à Igreja pregar e, o restanteEle fará (Jo 16.8,9). A eternidade 
se encarregará de revelar os frutos da evangelização da Igreja, por isso, cada 
crente deve ser inspirado a executá-la, afinal, “o que ganha almas sábio é” (Pv 
11.30). 
 
4.8 As Cerimônias da Igreja 
 
 As cerimônias da Igreja são trabalhos importantes realizados pelo Pastor. 
Casamentos, festividades e congressos, cerimônias cívicas, batismos, 
aniversários e velórios são alguns dos eventos conduzidos pelo Obreiro ou, que 
têm sua participação. É essencial que o servo de Deus saiba conduzi-los com 
sabedoria, aproveitando cada oportunidade para trazer as verdades de Cristo e 
das Escrituras para o povo. 
 
4.8.1 Apresentação de Crianças 
 
 Embora haja denominações evangélicas que têm por prática fazer uso do 
batismo infantil, a maior parte delas costuma fazer a apresentação, assim como 
Jesus fora apresentado no Templo (Lc 2.22-40). Apresentar uma criança tem 
significado e simbolismo importante para a Igreja e, especialmente para os pais, 
pois, é o momento em que o recém-nascido é oficialmente consagrado a Deus 
a fim de que viva para ele e seja uma bênção para a família e para sociedade. 
58 
 
 Geralmente, o Pastor faz a leitura bíblica e, em seguida leva os pais a 
assumirem alguns compromissos diante de Deus e da Igreja, onde os cristãos 
servem de testemunhas do voto feito. Um desses compromissos é o de conduzir 
e ensinar a criança nos caminhos do Senhor. Em seguida, o Pastor toma a 
criança em seus braços e faz a oração colocando a vida do recém-nascido e da 
família nas mãos do Senhor. Alguns textos que podem ser lidos, são: Sl 127.3-
5; Pv 22.6; Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 2. 25-33; 18.15-17. 
 É importante que o Pastor tenha cuidado ao pegar a criança no colo e, 
especialmente, ao levantá-la para fazer a oração, a fim de que nenhum 
imprevisto ou, até mesmo, acidente aconteça. Algumas Igrejas têm o hábito de 
entregar aos pais um certificado de batismo, que é uma forma de registrar na 
História esse momento importante realizado na Casa de Deus. 
 
4.8.2 Congressos 
 
 Muitas Igrejas têm o costume de realizar festividades de departamentos, 
chamados de congressos. Nesses encontros, a programação costuma ser 
diferenciada, pois, conjuntos de outras Igrejas são convidados e, também, 
cantores e pregadores. São momentos especiais de confraternização, louvor e 
gratidão a Deus por todos os seus feitos. 
 O Pastor precisa observar o espaço onde o evento será realizado, se há 
segurança, se acomoda a Igreja e os convidados, dentre outros. Outro aspecto 
está relacionado ao som. É importante que o som seja adequado ao ambiente, 
de maneira que não traga problemas durante o culto. O fator tempo é essencial 
de ser observado. Há festividades onde o tempo é extrapolado, causando alguns 
problemas para membros e para o Pastor. A obra de Deus deve ser feita com 
ordem, cautela e programação. 
 A Palavra de Deus precisa ter a primazia nos congressos. Infelizmente, 
em muitos lugares, há amplo espaço para apresentações musicais e pouco 
tempo para a exposição da Palavra. Outrossim, na hora da pregação muitas 
59 
 
pessoas saem e não ouvem o que o Senhor está dizendo por meio da 
instrumentalidade do pregador convidado. 
 É dever do Pastor supervisionar, a fim de que isso não aconteça, 
orientando a Igreja a se comportar de maneira correta, para que o nome de Cristo 
seja glorificado. Além do que, as festividades devem ter como uma de suas 
prioridades a salvação de pessoas por meio do encontro com Jesus, portanto, 
vizinhos, familiares e amigos que não são crentes devem ser convidados e bem 
recepcionados em cada ocasião. 
 
4.8.3 Casamento 
 
 Sem sombra de dúvida, o casamento é uma das cerimônias mais lindas e 
importantes da Igreja, quando um homem e uma mulher tomam a decisão de se 
unirem diante de Deus e das testemunhas. Esse é o momento onde o Pastor 
pode ministrar sobre a importância da união do casal em Deus, assumindo o 
firme compromisso de guardar a aliança no Senhor, e, também, é a oportunidade 
de falar sobre os desafios da relação matrimonial. 
 É importante observar o tempo da cerimônia, haja vista que o ministro não 
deve ser prolixo, extenso em demasia na sua condução. Há pastores que 
ministram por cerca de uma hora, uma hora e quinze o sermão, tornando-se 
exaustivo e fazendo com que as pessoas fiquem dispersas e cansadas. É 
possível ser objetivo e, ainda assim, deixar uma excelente mensagem de 
reflexão para os cônjuges e para os presentes. 
 Outrossim, o Pastor deve conhecer a programação do casamento com 
antecedência, a fim de que não cometa equívocos ou gafes. É importante que o 
obreiro tenha um tempo com os noivos antes da cerimônia, a fim de que algumas 
coisas sejam alinhadas, para que tudo ocorra da melhor forma possível. 
 
 
 
60 
 
4.8.4 Batismos 
 
 O Senhor Jesus deixou duas ordenanças para a sua igreja: o batismo e a 
santa ceia, portanto, um dos cultos ou eventos mais importantes é aquele em 
que o batismo acontece. Geralmente, no dia do batismo há também a santa ceia, 
de modo que a festa fica completa. Ver pessoas descendo às águas é, sem 
dúvida, uma emoção sem igual, pois, significa que o novo nascimento ocorreu e 
que elas estão testemunhando publicamente que desejam seguir a Cristo, o 
Senhor. 
 O Pastor deve observar o local onde o batismo ocorrerá, de modo que 
ofereça segurança aos batizandos, à Igreja e aos convidados, especialmente se 
ocorrer em algum rio. Atualmente, as Igrejas costumam ter seus tanques 
batismais, o que torna o trabalho mais fácil, todavia, ainda são muitas as que 
procuram os rios. 
 É importante que os batizandos recebam curso de capacitação antes do 
batismo, a fim de que sejam instruídos sobre o seu significado e sua seriedade. 
No dia, é salutar que haja organização, havendo espaços específicos para troca 
de roupas, de maneira que homens e mulheres se sintam confortáveis em fazê-
la. 
 Deve-se haver um cuidado especial quando os obreiros realizarem o 
batismo de idosos ou de pessoas que apresentam algum problema de ordem 
física, como de coluna, por exemplo. A cautela é essencial, a fim de que não 
aconteça algum imprevisto, causando um prejuízo para a vida da pessoa. 
Outrossim, o Pastor deve procurar acalmar alguns batizandos, que costumam 
ficar muito tensos, receosos de que poderão se afogar. 
 Neste quesito, a prudência é fundamental! Após os votos feitos, o novo 
membro é descido às águas. Não se deve, jamais, manter a pessoa debaixo 
d’água por longo tempo. Isso é inadmissível, pois, pode acarretar em graves 
problemas. Após a fórmula batismal, que é “em nome do Pai, e do Filho e do 
Espírito Santo”, o Pastor deve apenas descer a pessoa à água e imediatamente 
levantá-la. 
61 
 
 Além das fotos, algumas igrejas têm por hábito entregar um certificado de 
batismo nas águas, a fim de que a pessoa guarde como recordação este 
momento tão importante na sua história de vida. 
 
4.8.5 Eventos cívicos 
 
 Existem datas cívicas em que o Pastor pode ser convidado apenas para 
participar enquanto representante da Igreja ou, até mesmo, para ser o orador ou 
o ministro da ocasião. É importante que o texto bíblico e a mensagem sejam 
adequados à ocasião, para que o ministre não seja ridicularizado pelos não 
crentes. Geralmente, essas cerimônias têm caráter formal e protocolar, logo, o 
Pastor deve procurar conhecer as regras e respeitá-las. 
 Se for o orador principal da cerimônia, deve estar atento ao tempo, a fim 
de não o extrapolar. Deve dirigir-se às autoridades com respeito e cortesia, 
tratando-as formalmente, mediante os pronomes de tratamento que lhes são 
devidos. Por isso, é importante que o Pastor procure conhecer esses pronomes 
de tratamento, a fim de que não passe vergonha. 
 Os eventos cívicos são excelentes oportunidades que o Pastor tem para 
testemunhar da grandeza e do poderio de Deus, além, evidentemente, da 
salvaçãoem Cristo. Ele jamais deve atacar outras igrejas ou religiões, pois, se 
fizer isso, causará um profundo mal-estar e descontentamento no público. Não 
é o momento para falar de assuntos políticos e, sim, para falar do tema do evento 
à luz da Palavra de Deus. 
 Por fim, antes de qualquer evento cívico, é importantíssimo que o Pastor 
procure conhecer a História ligada àquele evento para que não passe vergonha, 
especialmente, se for o ministro ou o orador oficial. É uma ocasião excelente 
para que a Igreja se posicione, demonstrando sua força em Deus, 
testemunhando sobre o caráter do Senhor Jesus Cristo. 
 
62 
 
4.8.6 Aniversários 
 
 Não raras vezes o Pastor é convidado a participar de aniversários de 
membros da família da Igreja, seja aniversário de criança, de adolescente, ao 
completar quinze anos ou, ainda, de idosos. Nessas ocasiões, o Pastor deve ser 
breve em suas reflexões, caso seja convidado a fazê-las, haja vista que a 
ocasião pede objetividade. Se for extenso demais poderá cansar as pessoas, 
causando desinteresse em ouvi-lo. A mensagem pode ser curta, mas, o seu 
conteúdo, se bem exposto, poderá tocar vidas. Não é pelo muito falar nessa 
ocasião que o Pastor será ouvido. 
 Após ministrar, deve orar pelo aniversariante rogando as bênçãos de 
Deus sobre a sua vida e de sua família, despedindo-se após, para que a 
confraternização tenha sequência. O ministro deve ter toda cautela para não 
entrar em assuntos que não convém, sempre lembrando que, geralmente, em 
ocasiões como estas, há pessoas que não conhecem a Cristo e pertencem a 
outras religiões. Deve-se aproveitar a oportunidade para falar do amor e da graça 
de Deus, sem que seja ofensivo em relação às outras manifestações de fé. 
 
4.8.7 Velórios 
 
 Determinados eventos trazem muita alegria ao coração do Pastor e da 
Igreja, tais como, casamentos, congressos, apresentação de crianças, dentre 
outros, porém, os velórios são ocasiões de sofrimento e profunda dor, 
especialmente para a família que perdeu seu ente querido. Lidar com a perda 
não é fácil para ninguém! Por mais que uma pessoa ou um cristão afirme que 
está preparado para passar pela morte ou para lidar com a perda de uma pessoa 
amada, na prática, não é tão fácil assim, haja vista que não fomos criados para 
perder, não fomos criados para a morte, antes, fomos feitos para a vida. 
 O velório é um momento de muito choro, de comoção e tristeza, porém, é 
o local onde muitas reflexões sobre a vida e, principalmente, sobre a morte, 
acontecem. Ali, todo ser humano se depara com a verdade da finitude da 
63 
 
existência, ao mesmo tempo que tem, ao menos, alguma convicção de que tudo 
não acaba ali, antes, há vida além-túmulo. 
 Por isso, o Pastor deve aproveitar a ocasião para trazer uma palavra vinda 
da parte de Deus, para consolar os enlutados, mas, também, para alertar os 
presentes acerca da necessidade de conhecer a Deus, por meio da entrega da 
vida a Cristo Jesus, o Salvador. Muitas conversões acontecem nos cultos 
fúnebres, pois, por estarem sensíveis, as pessoas acabam se convencendo de 
que estão perdidas. Evidentemente, quem traz o convencimento é o Espírito 
Santo. 
 A pregação e o culto não devem ser longos. É preciso respeitar o espaço 
da família. Se houver música, deve ser apropriada para a ocasião. Jamais o 
Pastor deve ofender os presentes que não são crentes por meio de ataques à fé 
deles. Por mais que se saiba que a segurança da salvação está em Cristo 
somente, não deve o homem de Deus ser agressivo em relação às crenças 
alheias. É sempre importante lembrar que a Palavra deve ser pregada, pois, o 
Evangelho é suficiente para alcançar o coração de todo pecador. 
 O Pastor pode e deve orar pelos familiares e pelos amigos, a fim de que 
o Espírito Santo continue trabalhando no interior deles, trazendo o consolo e o 
conforto nesta difícil hora. Por fim, é imprescindível que o líder se coloque à 
disposição da família para ajudar naquilo que estiver ao seu alcance. Após o 
sepultamento, o Pastor não deve abandonar os familiares, antes, pode e deve 
visitá-los, se houver abertura para isso, a fim de levar-lhes a Palavra de Deus e 
a oração. 
 
4.9 A Etiqueta 
 
 O Pastor deve ser exemplo em todas as coisas, inclusive na maneira 
como se porta diante de eventos, compromissos sociais, cívicos, nas residências 
das pessoas, dentre outros. Por isso, conhecer algumas noções de etiqueta é 
fundamental, a fim de que ele não se veja em situações embaraçosas. A seguir, 
64 
 
serão apresentadas algumas regras que poderão ser úteis, se colocadas em 
prática no cotidiano do Obreiro. 
 
4.9.1 O que é etiqueta? 
 
A etiqueta é um conjunto de regras, de normas, que orientam o 
comportamento de uma pessoa em diferentes ocasiões sociais, tanto na 
convivência comum, no cotidiano, como em situações formais, como em eventos 
cívicos, religiosos, empresariais, comerciais, matrimoniais, funerais, dentre 
outros. 
 A história remonta ao século XVI para o surgimento da prática da etiqueta, 
no continente europeu, especialmente, na França, Alemanha, Itália e Inglaterra, 
em um tempo onde as cortes estavam em franco crescimento, logo, quem a 
conhecia eram as pessoas da alta classe social. Foi atribuído a Erasmo de 
Roterdam, no período conhecido como Renascimento, o significado da ideia de 
civilidade e teria sido ele o criador do primeiro manual de boas condutas e 
maneiras, de modo que, quanto mais instruído nas regras da etiqueta fosse uma 
pessoa, maior seria o seu status social e econômico. 
 Atualmente, a etiqueta está relacionada aos bons costumes e práticas que 
se evidenciam nas relações sociais e devem ser observadas por todas as 
pessoas, independentemente da condição econômica e social, pois, as boas 
maneiras podem ser aprendidas e postas em prática por todos os seres 
humanos. 
 
4.9.2 O Pastor e a Etiqueta 
 
 A partir de agora, serão elencadas várias situações que envolvem a 
etiqueta e o obreiro. É sempre importante lembrar que o Pastor é exemplo para 
o rebanho, em todas as situações. Ele não é perfeito, mas esmera-se em 
oferecer o melhor de si, para a aprendizagem e o aprimoramento de seus 
65 
 
liderados. Um Pastor sem modos, acaba por envergonhar o seu povo, ao passo 
que, um líder que se esmera em ser prudente, agindo com boas maneiras, é 
elogiado pela Igreja, que o exalta, reconhecendo a sua sabedoria. 
 
4.9.3 A Higiene do Pastor 
 
 A higiene faz parte da vida. Todo ser humano precisa se preocupar com 
questões básicas que estão relacionadas ao próprio corpo e ao ambiente onde 
mora. Ninguém gosta de estar em lugares onde reinam a bagunça e a sujeira. 
Da mesma forma, as pessoas encontram dificuldade em permanecer diante de 
um ser humano que não cuida da sua higiene básica. 
 Sempre é recomendável que se tome banho. Na verdade, o obreiro não 
deve deixar de banhar-se, ao menos uma vez ao dia. É natural que o corpo 
humano transpire, especialmente, nas axilas, seja pelo calor, seja pelas 
atividades cotidianas, portanto, banhar-se é a melhor forma de lidar com o mal 
cheiro exalado e eliminar o suor. Todo ser humano passa pelo mesmo processo, 
sendo assim, o banho é uma necessidade que alcança a todos. 
 O Pastor, por exemplo, que faz o uso da Palavra e dos gestos, tende a 
transpirar bastante durante a direção do culto ou na ministração de sua prédica, 
sendo assim, se ele não tomar banho e não fizer uso de produtos de higiene que 
amenizem o cheiro do suor, poderá causar má impressão e, até mesmo, 
afastamento por parte dos ouvintes. 
 Não é apenas o banho que conta, antes, há de se considerar em alta 
estima, a higiene bucal. Escovar os dentes é essencial para que o obreiro não 
fique com mal hálito. A halitose costuma trazer má impressão para o obreiro, 
pois, pode demonstrar falta de cuidados com a escovação e com os dentes. É 
sabido que há problemas estomacais que podem ocasionar o malhálito, 
portanto, se o Pastor identificar isso em si, deve recorrer ao apoio médico. 
 E as unhas, são importantes? A resposta é sim. As unhas precisam estar 
limpas e cuidadas, de maneira que estejam bem cortadas ou aparadas. Não é 
recomendável que o obreiro fique com sujeira nelas, antes, deve limpá-las bem, 
66 
 
tanto as das mãos, quanto as dos pés. Há aqueles que trabalham em serviços 
que colaboram para que as mãos e unhas fiquem sujas, todavia, os obreiros que 
se veem nesta situação, devem fazer um esforço maior de maneira que estejam 
apresentáveis perante o público. Certa feita, houve mal-estar em uma Igreja 
porque na hora da santa ceia, ao pegar o pão, o obreiro estava com as unhas 
sujas e cheias de graxa. De fato, ele estava limpo, tinha se banhado, mas o 
detalhe da unha passou desapercebido, ocasionando certo desconforto por parte 
de alguns irmãos. Todo cuidado é pouco! 
 Outro fator importante está ligado à barba e ao cabelo. O obreiro precisa 
estar atento a estes dois elementos. Se usa barba ou cavanhaque, que sejam 
bem cuidados e, com relação aos cabelos, devem estar sempre limpos e bem 
penteados. Se isso não acontece, o líder passa a má impressão de desleixo em 
relação à sua aparência. 
 É necessário, também, ser cauteloso com relação ao uso de perfumes. 
Estar perfumado é bom, pois ajuda o obreiro a manter-se bem apresentável, 
porém, deve-se observar o excesso. Perfumes adocicados ou amadeirados 
quando em exagero, podem causar desconforto em que está perto, sendo que 
alguns podem desencadear forte dor de cabeça ou ter crises alérgicas, como 
rinite, por exemplo. Parece um simples detalhe, mas, para o obreiro toda 
prudência é fundamental! 
 Por fim, é preciso observar as vestimentas. A roupa que uma pessoa veste 
fala muito de si, portanto, a maneira como o obreiro está vestido costuma refletir 
quem ele é. É necessário que as roupas estejam limpas e passadas. Um obreiro 
não deve se apresentar com roupas sujas, malcheirosas e amarrotadas. 
Outrossim, deve haver harmonia na combinação das cores e das peças. Cores 
demasiadamente chamativas, sem combinação, podem tirar a atenção do 
público e o obreiro pode ser motivo de deboche. 
 Há pessoas que confundem estar bem vestido com estar vestido de 
roupas caras ou de marca, de grife. Isso não é verdade e não reflete a realidade! 
Não se trata de vestir roupa cara ou roupa barata, pois isso indefere ao obreiro. 
Cada um deve vestir-se, de acordo com suas condições e possibilidades. O foco 
67 
 
não é o valor da roupa, mas o asseio e a boa apresentação pessoal, que se dá, 
também, por meio da vestimenta. 
 A higiene pessoal será bem-vinda em todos os lugares e, quando o Pastor 
entender que além de suas palavras, o seu corpo e a maneira como se apresenta 
ao público também falam, certamente, será mais prudente em suas 
apresentações. Com isso, por meio do exemplo, contribuirá para o 
desenvolvimento dos seus liderados no tocante aos aspectos sociais, causará 
boa impressão nos não crentes e glorificará o nome do Senhor Jesus! 
 
 
4.9.4 O Pastor nas cerimônias 
 
 Geralmente, o Pastor é convidado para participar de várias cerimônias, de 
maneira que é muito importante que ele observe determinadas regras de 
etiqueta, para que seu comportamento seja adequado e ele não passe por 
constrangimentos desnecessários, ocasionados pela falta de conhecimento. 
 É importante destacar o fator pontualidade. Na cultura brasileira, é comum 
que as pessoas cheguem aos compromissos atrasadas, assim como, muitos 
compromissos costumam começar com atraso. Porém, é importante frisar que 
ser pontual não saiu de moda. A virtude está na pontualidade e não na sua 
ausência. Imprevistos podem acontecer, mas eles não podem ser regra na vida 
do Pastor, pois, quando assim é, sua fama é de que nunca chega no horário, ou 
a de que nunca começa os eventos no tempo certo. 
 Ser pontual é uma atitude de respeito para aqueles que se esmeraram em 
observar o horário do compromisso, ao passo que o contrário também é 
verdadeiro. Não é chique atrasar-se para os compromissos como pensam 
alguns, antes, é deselegante! Há pregadores que acham bonito chegar, quase 
na metade do culto, para que sejam admirados ao entrarem na Igreja. É preciso 
resgatar a convicção de que as coisas de Deus devem ser tratadas de forma 
séria e, certamente, isso inclui a responsabilidade com os horários de cultos e 
compromissos. 
68 
 
 Diante disso, as observações abaixo são úteis para a postura do Pastor 
nas cerimônias: 
 
 
Casamentos 
Se for o celebrante, chegar com antecedência, de preferência 
uma hora antes, a fim de ter conhecimento dos detalhes da 
cerimônia; falar moderadamente, vestir-se mais formalmente, 
ser prudente nas brincadeiras, cuidado com a fala, com gestos 
e comportamentos, porque, atualmente, além das câmeras 
profissionais, as pessoas costumam gravar pelo celular e 
colocar nas mídias sociais. 
 
Eventos 
Cívicos 
Vestir-se formalmente, chegar no horário, cumprimentar as 
pessoas com discrição, e, também, ser discreto nas atitudes. 
Se for o orador, deve observar bem o tempo, ser cauteloso no 
discurso, não sendo prolixo e, evidentemente, não gritar. 
 
Funerais 
Ser objetivo e breve no sermão, sendo que a pregação deve 
conter palavras de consolo à família enlutada. Deve fazer parte 
do culto, a oração, hinos específicos e a ministração da Palavra 
de Deus, de forma calma, sem gritos. Não é o momento para 
piadas ou brincadeiras. O Pastor deve estar vestido de forma 
discreta, deve saber o nome do falecido, evitar muitas 
perguntas à família, além de colocar-se à disposição dela. 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2022. 
 Estas informações são úteis para que o servo de Deus faça um bom 
trabalho e, com isso, represente bem a Igreja do Senhor, glorificando, assim, o 
nome do Altíssimo. 
 
4.9.5 A etiqueta nas refeições 
 
 O Obreiro precisa observar as regras da etiqueta na hora das refeições. 
Algumas das regras são: 
1. Se for ao restaurante acompanhado da esposa, deve entrar à frente ou ao 
lado dela, se houver espaço no local. 
69 
 
2. O Pastor deve puxar a cadeira para a esposa sentar e fazer o pedido, após 
verificarem o cardápio. 
3. Evitar exageros na fala e nos comportamentos. 
4. Se for convidado para almoçar ou jantar na casa de alguém, não levar 
estranhos. 
5. Evite orações longas, se for convidado para comer na casa de alguém ou em 
um restaurante. 
6. Não palitar os dentes publicamente. 
7. Não comer com a boca aberta. 
8. Não falar com a boca cheia. 
9. Se for ao banheiro, vá com discrição, sem levar outras pessoas consigo. 
10. Evite piadas ou brincadeiras com os funcionários do local. 
11. Manuseie de forma correta os talheres e faça uso correto do lenço ou do 
guardanapo para limpar a boca. Não apoie os cotovelos na mesa. 
12. Ao terminar, posicione os talheres de forma correta. 
 Estes e outros detalhes, com toda certeza, fazem toda a diferença para o 
Pastor, que está sendo observado pela sociedade e pelos seus liderados. 
Segundo Lemos (2011, p. 103): 
A verdade é que a etiqueta à mesa, ao contrário do que muitos 
pensam, tem um valor prático muito grande, ela existe para 
facilitar a vida e, principalmente, para valorizar um momento tão 
especial como as refeições que compartilhamos, momento esse 
que vem sendo cada vez mais ameaçados pela correria da vida 
moderna e, por isso mesmo, se torna cada vez mais especial. A 
moderação é sempre recomendável em todas as atividades da 
vida, inclusive no ato de alimentar-se. Nunca se esqueça de, ao 
concluir sua refeição, agradecer às pessoas que a prepararam. 
A demonstração de gratidão, além de ser um bom exemplo de 
cortesia, enobrece o ser humano. 
 
4.9.6 A etiqueta no púlpito 
 
70 
 
O púlpito é o local onde o Pastor mais costuma ficar e é de lá que é 
observado pela Igreja. Sendo assim, o homem de Deus deve ser cauteloso, 
desenvolvendocomportamentos sadios, que sirvam de exemplo para a 
comunidade. Algumas regras são: 
1. Postura no sentar. Há obreiros que pensam estar na sala de casa, não sentam 
adequadamente. 
2. Cuidado com a linguagem. O púlpito não é lugar de palavras chulas, diga-se 
de passagem, que não combinam com o verdadeiro obreiro. Não é lugar para 
indiretas, ofensas a membros, obreiros ou autoridades civis e religiosas. 
3. Cuidado com brincadeiras que podem ofender e magoar alguém. Se o Pastor 
desejar falar algo de forma descontraída, reflita antes. O púlpito não é para 
piadas. 
4. Observar o tempo do culto e da pregação. 
5. Não ficar conversando com outros obreiros. Isso, além de atrapalhar o culto 
de quem está ao lado, tira a concentração dos membros, fazendo com que eles, 
também, não prestem o culto ao Senhor da forma como deveriam. 
6. Não ficar lendo a Bíblia ou outro livro qualquer. 
7. Gesticular com naturalidade, sem exageros. 
8. Vestir-se de forma adequada, discreta, sem chamar à atenção para si. 
9. Receber pessoas e obreiros com cordialidade, gentileza e simpatia. 
10. Apresentar os visitantes da forma correta, sem constrangimentos, citando o 
nome de onde a pessoa veio. Se for cristã, identificar se ela possui algum cargo 
ou desempenha alguma função em sua igreja. 
11. Cumprimentar as pessoas com as mãos, com firmeza, não a ponto de apertá-
las em demasia. Não é recomendável que o Obreiro fique dando abraços e/ou 
beijos nos membros da Igreja, especialmente na pessoa do sexo oposto. O 
Pastor deve ser prudente, para não dar lugar à carne, ao diabo e ao falatório das 
pessoas. 
71 
 
12. Todo cuidado é pouco nas tratativas com a pessoa do sexo oposto. O Pastor 
deve ser prudente, jamais ficando a sós, seja na Igreja, seja no seu gabinete. É 
recomendável que sua esposa participe dos momentos de orientação e 
aconselhamento de mulheres. Por outro lado, a esposa do Pastor deve ser sábia 
e sigilosa, jamais abrindo para outras pessoas conteúdos que foram tratados no 
gabinete pastoral. Se ela assim o fizer, trará prejuízos ao ministério do marido, 
para a Igreja e machucará a pessoa que buscou ajuda. Acerca disso, foi tratado, 
também, nos capítulos introdutórios quando foi apresentada a Ética Pastoral. 
 Sem dúvida, há várias outras informações importantes sobre a etiqueta, 
logo, o obreiro que se inteirar acerca delas será mais instruído e tenderá a ser 
mais bem-sucedido em seus compromissos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
 
CONCLUSÃO 
 
 Estudar Teologia e Práticas Pastorais é um caminho inspirador e 
fascinante! De pronto, percebe-se o mistério e a bondade infinita de Deus, ao 
escolher homens falhos, finitos e imperfeitos para que tratem diretamente com 
algo sublime e sobrenatural: a sua Igreja. A Igreja é o corpo de Cristo na Terra, 
formado por pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações, que 
reconheceram a graciosa salvação que somente pode ser alcançada por meio 
dele. 
 Que privilégio e, ao mesmo tempo, quanta responsabilidade estar diante 
de tão grande desafio! A caminhada pastoral é permeada pela ambiguidade 
trazidas por duas situações: a alegria e a tristeza. Alegria porque, certamente, 
não há nada melhor do que levar pessoas a Deus, primeiramente, pela 
conversão, e, depois, pelo acompanhamento e treinamento constantes por meio 
do culto, da pregação e do aconselhamento, para que estejam prontas para o 
enfrentamento da vida cristã e, sobretudo, para que possam morar no eterno céu 
com o amado Jesus. 
 Por outro lado, a caminhada do Pastor também é cercada pela tristeza, 
que é advinda por meio dos dissabores, das traições, das ingratidões, das perdas 
e das frustrações do labor pastoral. A senda pastoral possui flores, mas, também, 
espinhos que não raras vezes, fazem com que ele atravesse períodos de vale, 
de lágrimas e de dor. 
 Assim foi também com Cristo e com os homens que batalharam pela 
causa do Evangelho. A História está repleta deles! Esses servos valorosos do 
Senhor triunfaram, venceram e, todos os dias servem de fonte de inspiração para 
a caminhada ministerial. De fato, ao nosso redor, há uma nuvem de testemunhas 
afirmando que é possível vencer, portanto, não nos permitamos ser ou ficar 
embaraçados com os negócios desta passageira vida! 
 Meu desejo, do fundo do meu coração, é que ao final desta disciplina, 
que não teve, em momento algum, a intenção de esgotar todo o amplo assunto 
voltado à Teologia e Práticas Pastorais, cada estudante decida caminhar até o 
73 
 
fim, seguindo e servindo a Cristo de todo o coração, até o último suspiro nesta 
Terra ou, até à sua iminente volta, agindo como um vencedor, para a Glória 
exclusiva do nosso Deus (Hb 12.1). No amor de Cristo Jesus, 
Professor Emerson Cavalheiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
BIBLIA SAGRADA. Edição Revista e Atualizada. São Paulo: SBB, 2020. 
BRUCE, Frederick F. Comentário Bíblico Bruce – Antigo e Novo Testamentos 
NVI. São Paulo: Editora Vida, 2021. 
CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: 
Hagnos, 2015. 
KESSLER, Nemuel; CÂMARA, Samuel. Administração Eclesiástica. Rio de 
Janeiro: CPAD, 1992. 
LEMOS, João Kolenda. Ética Pastoral – Conselhos de uma Jornada Ministerial. 
Pindamonhanga/SP: Editora IBAD, 2011. 
LIMA, QUEMUEL. CELP – Curso de Especialização em Liderança Pastoral – 
Pindamonhangaba/SP: Editora IBAD, 2014. 
LOPES, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor – Princípios para ser um pastor 
segundo o coração de Deus. São Paulo: Hagnos, 2016. 
MACARTHUR Jr, John. Ministério Pastoral – Alcançando a excelência do 
ministério cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2018. 
REIS, Claudio. CELP – Curso de Especialização em Liderança Pastoral – 
Pindamonhangaba/SP: Editora IBAD, 2014. 
RIGGS, Ralph M. O Guia do Pastor. Editora Vida: São Paulo, 1998. 
SOUZA, Elyseu Queiroz de. O Ministério Pastoral. Rio de Janeiro: CPAD, 1982. 
SOUZA, João A. Filho. Manual do Ministério Pastoral – Um guia de referência 
prático e repleto de experiências. Belo Horizonte: Editora Atos, 2001.se pode recuar, negligenciar ou barganhar com outras coisas. 
Quem não é, verdadeiramente, chamado, dificilmente conseguirá lidar com os 
desafios propostos pelo ministério, porém, aqueles que estão no Senhor, 
convictos de suas tarefas, indubitavelmente, triunfarão, andando de glória em 
glória, de vitória em vitória. 
 Esta disciplina aprofundará os conhecimentos do estudante sobre a 
Teologia Pastoral. O material didático está dividido em quatro capítulos. No 
primeiro capítulo, falar-se-á sobre o privilégio de ser Pastor. No segundo 
capítulo, tratar-se-á sobre o Caráter do Líder, ao passo que, no terceiro capítulo, 
serão apresentados pontos importantes ligados à administração da Igreja e dos 
Recursos. Por fim, no capítulo quatro, elencar-se-ão os principais aspectos 
voltados às práticas cotidianas pastorais. 
 Que este conteúdo sirva de bênção e edificação para a vida de todos os 
estudantes comprometidos em fazer a Obra de Deus neste tempo que resta, com 
sabedoria, amor e compromisso, pois, assim deseja o Senhor que seus filhos 
ajam. Toda honra e toda a glória sejam dadas ao Deus Todo Poderoso, Criador 
e Sustentador de todas as coisas, o Senhor nosso! 
Bons estudos! 
 
 
 
6 
 
CAPÍTULO 1 - A TEOLOGIA PASTORAL 
 
 A Teologia Pastoral é um dos vários braços ligados à ciência maior, que 
é a Teologia. A Teologia é o estudo acerca de Deus, a partir de sua revelação, 
as Sagradas Escrituras. Já a Teologia Pastoral, é a disciplina que trata dos 
diversificados aspectos que envolvem o trabalho de um Pastor, escolhido por 
Deus para amar e cuidar de um rebanho. Neste capítulo serão apresentados os 
conceitos ligados à Teologia Pastoral e sua abrangência, bem como identificar-
se-á a definição de “ministério”, à luz da Palavra de Deus. 
 
1.1 O que é teologia pastoral? 
 Definir Teologia Pastoral não é tão simples, dada à sua natureza abstrata 
e complexa. Thomas C. Oden, explica que: 
A teologia pastoral é aquele ramo da teologia cristã que lida com 
o ofício, os dons e as funções do pastor. Sendo um estudo 
teológico, a teologia pastoral procura refletir aquela 
autorrevelação de Deus que confere testemunho às Escrituras, 
mediada pela tradição refletida por meio do raciocínio crítico e 
incorporada à experiência pessoal e social (ODEN, Thomas C., 
1983 apud MACARTHUR, 2018, p. 53,54). 
 
 A partir da definição proposta, constata-se que a teologia pastoral lida com 
as questões que envolvem o chamado do pastor e suas atribuições ou funções, 
sendo que as Escrituras Sagradas são o elemento norteador de toda a práxis 
pastoral, que reverbera no seu ser e nas relações sociais cotidianas. 
 Outra definição é proposta por Champlim e Bentes (2015, p. 381): 
A teologia pastoral também é conhecida como pastoralia, o seu 
nome técnico, derivado do latim. Trata-se de um dos ramos da 
educação teológica que se preocupa com os labores pastorais 
teóricos e práticos. Varia consideravelmente, dependendo de 
cada denominação ou instituição de ensino teológico. A 
prioridade é dada à vida espiritual pessoal do indivíduo que está 
sendo treinado; ao seu treinamento nas Sagradas Escrituras; ao 
desenvolvimento da sua sensibilidade às necessidades das 
pessoas; às habilidades com as quais poderá servir bem ao 
próximo; ao lado prático do ministério para com os enfermos e 
outros, em cooperação com agências sociais e governamentais; 
7 
 
à efetivação de cultos normais e especiais, como a ministração 
de ordenanças, casamentos, funerais, etc. 
 
 A definição proposta por Champlim e Bentes elucidam o significado da 
teologia pastoral, bem como apresentam a sua abrangência, ou seja, seu foco 
de estudo está centrado na figura do Pastor, nas tratativas para consigo e, 
especialmente, no manejo para com o próximo. Riggs (1980, p. 95) afirma que: 
O vocábulo pastor (Efésios 4:11) tem a mesma raiz da palavra 
‘pastagem’. Esses termos nos fazem lembrar de cenas 
rurais, das tranquilas pastagens de ovelhas e dos cuidados 
do desvelado pastor pelo rebanho. Em várias passagens 
da Bíblia o povo é chamado de ovelhas, e aqueles que 
deles cuidam são denominados pastores (Salmo 100:3; 
João 10. 1-29; Atos 20:28; I Pedro 5:2-5). O dever do pastor 
é alimentar, guiar, proteger e ajudar as ovelhas. Ele as ama 
e segue à frente. Com o cajado e a vara ele serve. Que 
belo quadro do terno ministério de um pastor do povo de 
Deus. 
 
 Todas as definições trazem em comum a importância da figura do Pastor, 
enquanto aquele que recebe o chamado de Deus para doar-se em favor da sua 
Igreja. Macarthur (2018) reitera que o Pastor é conhecido por meio de várias 
ilustrações e identificações, como por exemplo: governante, embaixador, 
despenseiro, ministro, defensor, servo e exemplo (I Ts 5.12; I Tm 3.4,5; 5.17; II 
Co 5.20; I Co 4.1; Fp 1.7; II Co 4.5; I Tm 4.12; I Pe 5.3). Além disso, ele deve 
desenvolver várias atividades, tais como: pregar (I Co 1.17); alimentar (I Pe 5.2); 
edificar a Igreja (Ef 4.12), edificar (II Co 13.10); orar (Cl 1.9); velar pelas almas 
(Hb 13.17); lutar (I Tm 1.18); convencer (Tt 1.9); consolar (I Co 1.4-6); repreender 
(Tt 1.13); alertar (At 20.31); admoestar (II Ts 3.15) e exortar (Tt 1.9; 2.15). 
 
1.2 Desenvolvimento histórico da teologia pastoral 
 
 É possível identificar o desenvolvimento da teologia pastoral desde os 
tempos bíblicos, portanto, Antigo e Novo Testamentos abordam a temática, que 
se estende pela História da Igreja, até chegar ao tempo presente. Perceba que 
o Salmo 23, um dos mais belos e conhecidos salmos das Escrituras, apresentam 
8 
 
o Senhor como um Pastor, que ama e se doa por suas ovelhas. Outras 
passagens bíblicas apontam para a relação pastor-ovelha, estabelecida entre 
Deus e Israel (Sl 44.22; 100.3; 119.176; Jr 23.1; 50.6). 
 O Novo Testamento não foge à regra. A presença do Pastor é marcante, 
sendo que Cristo é o Pastor por excelência. Ele é o bom pastor que deu a sua 
vida pelas ovelhas (Jo 10.11-16). As ovelhas, agora, são todos aqueles que 
pertencem ao rebanho do Senhor, à Igreja. De fato, a Igreja é o grande aprisco 
onde todo esse rebanho é amado, guardado, tratado e curado, acariciado e 
alimentado (Ef 1.22; 5.23-25). 
 Há cinco termos que se referem ao ofício pastoral, conforme se observa 
abaixo: 
1. Presbítero ou ancião 
(presbyteros) 
Um título que destaca a direção administrativa e 
espiritual da igreja (At 15.6; 1 Tm 5.17; Tg 5.14; 1 
Pe 5.1-4). 
2. Bispo ou supervisor 
(episkopos) 
Que salienta a direção, a supervisão e liderança na 
igreja (At 20.28; Fp 1.1; 1 Tm 3.2-5; Tt 1.7). 
3. Pastor (poimen) Uma posição que denota liderança e autoridade (At 
20.28-31; Ef 4.11), bem como direção e provisão (1 
Pe 2.25; 5.2-3). 
4. Pregador (kerux) Que indica a proclamação pública do Evangelho e 
ensino do rebanho (Rm 10.14; 1 Tm 2.7; 2 Tm 
1.11). 
5. Mestre (didaskalos) O responsável pela instrução e exposição das 
Escrituras, cujo ensino é tanto instrutivo (1 Tm 2.7) 
como corretivo (1 Co 12.28,29). 
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Macarthur, 2018, p. 56. 
 
 Certamente, estes cinco termos apresentam com clareza o ofício pastoral, 
ilustrando qual deve ser o papel, de maneira que execute com maestria o seu 
chamado. Os apontamentos bíblicos quanto ao chamado e o papel esperado são 
claros, lúcidos e bem evidentes, conforme sinaliza Macarthur (2018, p. 57): 
9 
 
As Escrituras são claras quanto ao ofício e funções do pastor. O 
padrão bíblico descreve um homem cheio do Espírito Santo, que 
supervisiona, pastoreia, dirige, ensina e admoesta, fazendo tudo 
com espírito de amor, consolo e compaixão. Todas essas 
funções eram evidentes na Igreja Primitiva. Naquele primeiro 
estádio, ela destacava-se pela pureza (incluindo-se a disciplina), 
pelo primitivismo (simplicidade típica do Novo Testamento), pelo 
espírito voluntário (participação não obrigatória), pela tolerância 
(não havia perseguição contra os que pensavam de outra 
maneira),pelo zelo evangelístico (atividade missionária), pela 
observância das ordenanças bíblicas (batismo e ceia do 
Senhor), pela ênfase no Espírito Santo e pelo ministério 
dinâmico (envolvendo tanto o pastor como os membros), não 
pela tradição, corrupção ou hierarquia. 
 
 A Igreja Primitiva era centrada na verdadeira adoração e no verdadeiro 
culto ao Senhor Jesus Cristo. Seus obreiros eram comprometidos com o Reino 
e tudo faziam para agradar ao seu senhor. No decurso do tempo, por meio da 
História da Igreja, homens se levantaram como baluartes, como ensinadores e, 
até mesmo, como defensores da fé cristã. 
 Frente a isso, é possível citar Policarpo (70-55 d.C.) que enfatizava que 
os presbíteros deveriam ser tomados pela compaixão, misericordiosos e ir atrás 
daqueles que tinham se afastado da casa de Deus, sempre cuidando dos órfãos 
e das viúvas. Clemente de Alexandria (155-220 d.C.) deu a mesma ênfase de 
Policarpo, afirmando que foi o Senhor quem escolheu os obreiros para o seu 
serviço. 
 João Crisóstomo (347-407 d.C.) escreveu sobre a teologia pastoral e 
asseverou que que o pastor deveria viver sendo exemplo, desejando 
ardentemente que a Palavra de Deus fosse abundante sobre a humanidade. 
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) foi um ardoroso defensor do ministério 
pastoral, promovendo reflexões importantes sobre esta sublime área. Macarthur 
(2018, p. 60) afirma que: “O ministério de Agostinho incluía muitas funções 
bíblicas bem articuladas, entre eles a de apologista, administrador, assistência 
aos aflitos, pregador professor, juiz e líder espiritual”. 
 Na Idade Média, quando as condições espirituais da Igreja eram 
declinantes, grupos especiais se levantaram e, dentre os seus principais 
destaques, encontra-se o cuidado e zelo que possuíam para com o ministério 
10 
 
pastoral: paulicianos (625 d.C.), cátaros (1050 d.C.), albingenses (1140 d.C.) e 
valdenses (1180). Neste cenário ainda, encontram-se os pré-reformadores, tais 
como: John Wicliffe (1324-1384) e John Huss (1373-1415), que deram muito 
valor ao ministério pastoral. 
 Nos tempos da Reforma Protestante, evidentemente, destacam-se 
importantes nomes: Martinho Lutero (1483-1546 d.C.) e João Calvino (1509-
1564 d.C.). No período moderno, que começou em 1649 e tem se estendido até 
à atualidade, diversos nomes despontaram como significativos em larga escala 
no que diz respeito ao ministério pastoral. 
 Dentre todos eles, pode-se destacar, Richard Baxter (1615-1691 d.C.) que 
foi um dos exemplos de servos de Deus que contribuiu para o progresso e o 
desenvolvimento da ideia do ministério eclesiástico bíblico; Jonathan Edwards 
(1703-1758 d.C.), Charles Spurgeon (1834-1892 d.C.), D. Martin Lloyd-Jones 
(1939-1981 d.C.), dentre outros. 
 
1.3 O ministério pastoral 
 
 Inicialmente, é importante que se identifique o que, de fato, significa a 
palavra “ministério”. Para muitos, a ideia de ministério está ligada à promoção, 
status, sucesso, honrarias, dentre outros. De fato, é privilégio e honra ser 
chamado por Deus para o exercício do santo ministério, porém, é preciso lembrar 
que isso não deve produzir no ser humano, por conta do seu chamado, algum 
sentimento de superioridade ou de grandeza, em relação às demais pessoas na 
casa de Deus, antes, é preciso descer mais um degrau, reconhecendo que ser 
ministro é servir, doar-se pelo próximo, pois a palavra “ministério”, denota, 
“cargo”, ou ainda, “um ofício ou função a ser executada”. De acordo com 
Macarthur (2018, p. 80): 
O ministério pastoral é um chamado divino e inigualável, 
concedido a homens eleitos por Deus para serem ministros de 
sua Palavra e servos de sua igreja. Os homens chamados para 
este trabalho sentem-se indignos (1 Tm 1.12-17) e 
desqualificados (2 Co 3.4-6) para tarefa tão preciosa. Mas, aos 
separados para o ministério, aplica-se o clamor do apóstolo 
Paulo: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para 
11 
 
que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 
4.7). 
 
 No Antigo Testamento, o ministério estava ligado à três classes 
importantes: sacerdote, que cuidava do culto e dos sacrifícios (Êx 28); profeta, 
homem de Deus, que trazia a mensagem divina para o povo (Is 1) e o rei, aquele 
que deveria conduzir os destinos da nação, sempre obedecendo aos 
mandamentos do Senhor (livro de Reis). Essa tríade era responsável por servir 
aos homens de Israel. 
 No Novo Testamento, Paulo, o apóstolo, escreve aos Efésios, dizendo 
que havia cinco classes ministeriais, responsáveis pela edificação e 
aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11), que são: apóstolos (inicialmente, os doze 
e, também, o título pode ser aplicado àqueles que realizam obras pioneiras); 
profetas (mensageiros que zelam pelas Escrituras e pelas sãs doutrinas, 
proclamando-as com integridade); evangelistas (ganhadores de almas), 
pastores (apascentadores do rebanho) e mestres (servos dotados de 
capacidade de ensino). 
 Deus continua levantando obreiros para dar sequência à Obra que ainda 
não está terminada nesta Terra. Ele tem chamado homens que se colocam à 
disposição do Reino, de maneira que são fonte de bênçãos onde estão 
plantados. Quando o ministério é desenvolvido com seriedade e compromisso, 
a Igreja é edificada em amor, arraigada na Palavra e profunda na comunhão com 
o Senhor Jesus Cristo. 
 
1.4 A interface entre a teologia pastoral e outras áreas 
 
 Como fora dito anteriormente, a teologia pastoral é um dos braços ligados 
ao eixo maior, que é a Teologia. Ela não está isolada, embora apresente caráter 
próprio enquanto disciplina, com suas especificidades. No entanto, ela se une ao 
espectro maior, onde concentram-se os primorosos estudos teológicos, a fim de 
somar, de contribuir para a formação de novos obreiros e capacitação ou 
reciclagem daqueles que já estão no labor ministerial. 
12 
 
 Sendo assim, há plena conexão ou interface com outras áreas da 
Teologia, a saber: Teologia Sistemática, Teologia Bíblica, História da Igreja, 
Hermenêutica, Exegese, Homilética, Geografia Bíblica, Ética Cristã, Educação 
Cristã, Apologética, Missiologia, dentre outras. Além disso, a Teologia Pastoral 
se comunica com outros ramos do conhecimento científico que, também, ligam-
se à Teologia, ajudando a construir saberes ligados à fé e ao ser humano, como 
por exemplo: as ciências sociais, a psicologia, a filosofia, a administração, etc. 
 
1.5 O Chamado Pastoral 
 
 Ser Pastor é muito mais do que um ofício, um cargo, ou um lugar a ser 
ocupado. Antes de qualquer coisa, ser Pastor é ser chamado por Deus para uma 
sublime, porém, árdua tarefa, que envolve o amar, o acolher, o orientar e o cuidar 
de pessoas nesta Terra, a fim de que sejam preparadas para serem ótimas 
cidadãs aqui, mas, sobretudo, possam morar no céu, na eternidade com Deus. 
 
1.6 A Chamada de Deus – Universal 
 
 Inicialmente, é necessário falar sobre a chamada que Deus faz à 
salvação, por meio de Jesus Cristo. Deus deseja que o homem, morto em seus 
delitos e pecados, tenha um encontro com a vida por meio do sacrifício de Cristo 
na cruz do Calvário (Ef 2.1; Cl 2.13; Jo 3.16; 14.6). Esta salvação maravilhosa é 
fruto exclusivo da graça de Deus, que só pode ser alcançada por meio da fé (Rm 
5.1; Tg 2.11). Todos os homens podem acessá-la, portanto, é de caráter 
universal (Jo 3.16; Tg 2.11). 
 Após a experiência da salvação, há o chamado para o serviço (Ef 2.10). 
Segundo Macarthur (2018, p. 115,116): 
Deus não nos predestinou apenas à salvação, mas a uma vida 
de serviço. Servir é privilégio e obrigação de todos os cristãos. 
Esse chamado ao serviço implica que nós, como cristãos, 
constituímos o “sacerdócio real” (1 Pe 2.9). Nosso privilégio é 
anunciar as virtudes daquEle que nos chamou das trevas para a 
13 
 
sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9). Käsemann o vê como uma 
referência ao fato de que aquele que provou pessoalmente o 
poder gracioso de Deus tem a responsabilidadede reconhecer 
esta experiência publicamente. Assim, todos os crentes devem 
se engajar no ministério do serviço como sacerdotes ao Senhor. 
Para cumprir esse ministério, devem possuir o Espírito Santo, o 
qual lhes concede habilidades espirituais (1 Co 12.11). Esses 
dons espirituais expressam o propósito de servir para o bem 
comum da igreja (1 Co 12.7). O apóstolo Paulo escreveu aos 
efésios: “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a 
medida do dom de Cristo” (Ef 4.7). Esses dons estão alistados 
em 1 Coríntios 12.8-10, 28-30 e Romanos 12.6-8. Os cristãos 
são mordomos desses dons e vão prestar contas de sua 
mordomia (1 Pe 4.10). 
 
 Deus tem chamado os seus servos, a sua Igreja, para o serviço. Ele tem, 
também, distribuído os dons, capacitando o seu povo, de forma multifacetada, 
para o melhor desempenho das funções essenciais para a propagação da sua 
Obra na Terra. Que privilégio poder ser chamado pelo Todo Poderoso para 
contribuir para a expansão do seu Reino no presente século! 
 O Senhor Deus tem chamado os crentes para que se entreguem ao seu 
trabalho, pois é um investimento eterno. Tudo o que é feito na vida terrena 
adquire um valor que transcende ao tempo e a matéria, adentrando na 
eternidade, onde haverá recompensas. Na verdade, mesmo que não houvesse 
nenhum tipo de recompensa, o maior pagamento ou presente fora dado, a 
entrega de Cristo à salvação da humanidade. A bondade de Deus é sem igual, 
a ponto dEle ainda galardoar os trabalhadores da sua seara (I Co 3.11-15). 
 Os cristãos precisam estar ligados a Cristo, para que sejam frutíferos em 
sua obra. A passagem da videira ilustra, pontualmente, esta importância, de 
maneira que, sem estar ligado a Ele, o destino é ser cortado e lançado fora, 
afinal, sem a sua presença nada pode ser feito por ninguém (Jo 15). Por outro 
lado, aquele que estiver ligado a Ele, será um ramo limpo pelo próprio Pai, de 
maneira que produzirá mais fruto ainda. 
 Jesus disse que os seus discípulos fariam obras maiores que as que Ele 
mesmo fizera (Jo 14.12). Tanto em Mateus 28, quanto em Marcos 16, há 
explicações dadas pelo Senhor acerca da missão dos discípulos e os resultados 
advindos dessa gloriosa missão. Eles deveriam pregar, anunciar o Evangelho e, 
14 
 
os sinais, haveriam de segui-los: expulsariam demônios, curariam os enfermos, 
dentre outros. 
 Portanto, é dever de todo crente, ou seja, todo servo de Deus fora 
chamado para pregar o Evangelho sem desculpas. O poder do Espírito Santo foi 
derramado, a fim de que os discípulos fossem testemunhas a partir de 
Jerusalém, rumo a todas as nações desta terra (At 1.8). A Igreja Primitiva foi 
pujante nesta missão. Logo que o Espírito Santo veio sobre os irmãos, a 
pregação começou a ser prioridade dos apóstolos (At 5.29). Mesmo com a 
resistência inicial em sair pelo mundo, após a perseguição que se levantou sobre 
a Igreja, registrada em Atos 8, a pregação expandiu-se para outras regiões, 
levando muitas pessoas aos pés de Cristo. 
 Como é maravilhoso saber que Deus confiou aos homens, a sublime 
tarefa de conduzir pessoas a Cristo, tirando-as da perdição eterna, levando-as à 
vida eterna na Glória, com o Senhor! Pregar é um chamado a todo crente, 
independentemente se ele tem alguma posição eclesiástica ou não. O “ide” é 
para os discípulos, para aqueles que o próprio Cristo morreu, entregando-se na 
cruz para salvá-los! 
 
1.7 A Chamada Específica 
 Além da chamada geral ou universal, Deus chama pessoas para o 
exercício ministerial. Essa é a chamada específica. Riggs (1999, p. 20) afirma 
que: “certas pessoas têm sido escolhidas pelo Senhor para servir de modo 
definido e marcante, como propagadores da fé”. Macarthur (2018, p. 116) 
corrobora, dizendo que: 
Além de chamar os cristãos ao uso de seus dons espirituais, 
Deus estende esse chamado ao ministério vocacional de 
liderança. Conscientes de que todo crente deve se envolver na 
obra do Senhor, vamos usar o termo ministério no presente 
contexto para nos referir a um tipo especifico de serviço prestado 
à igreja por um grupo particular de líderes. O chamado para a 
liderança implica homens dotados e concedidos à igreja pelo 
Senhor da igreja (Ef 4.12). Essa responsabilidade é tanto geral 
– exercer liderança em adoração, pregação, ensino, pastorado 
e evangelização – como específica – discipulado e 
aconselhamento. 
15 
 
 
 O Senhor tem levantado pessoas para que estejam na linha de frente, 
desenvolvendo ofícios que servem para estruturar a sua casa, a Igreja, e, 
também, para promover o crescimento da sua Obra, sempre reiterando que o 
objetivo maior de todas as coisas é a glorificação do seu nome. Souza (1982, p. 
10) afirma que: 
Deus não tem um método estabelecido para chamar o homem. 
a) Às vezes chama por meio de visões, ou revelações 
extraordinárias, como no caso de Moisés, de Paulo e de muitos 
dos profetas do Velho Testamento. b) Outras vezes, a chamada 
é subjetiva: Deus fala pelo Espírito Santo silenciosamente, no 
coração da pessoa, que fica possuída do desejo de pregar a 
Palavra e ganhar almas. Essa convocação é como um fogo 
queimando no coração. Seja como for, a iniciativa é sempre de 
Deus. 
 
 Dentre as várias manifestações do chamado, para os diversificados 
serviços que, em conjunto, contribuem para o bem do corpo, está o chamado 
pastoral. O Pastor é escolhido e chamado por Deus para apascentar o rebanho. 
Na linguagem simbólica, apascentar significa cuidar, levar a ovelha ao pasto, 
para que receba alimento saudável. É observar como está o pasto e se tem algo 
que representa perigo. Sendo assim, apascentar, também é proteger dos 
possíveis ataques do mal. 
 Semelhantemente, Deus tem levantado pastores para que assim façam 
com o rebanho que Ele lhes confiou. Este rebanho está espalhado em todos os 
lugares do mundo, sob diferentes culturas, hábitos, idiomas, porém, fazem parte 
do mesmo corpo, o corpo de Cristo, e têm um mesmo Senhor. Apesar das 
diferenças socioculturais, todas as ovelhas precisam ser apascentadas, 
cuidadas, alimentadas e protegidas. 
 Ao referir-se sobre o pastorado, Macarthur (2018, p. 123, 124) afirma que: 
Tanto em Atos 20.18 como em 1 Pedro 5.2, ordena-se que os 
líderes da igreja alimentem o rebanho de Deus. Alimentar o 
rebanho diz respeito à função de ensinar. De fato, as tarefas 
relativas ao pastoreio estão estreitamente ligadas às tarefas 
didáticas. Em Efésios 4.11, Paulo combina as duas tarefas no 
título “pastor-mestre”. Ainda assim, a Bíblia faz distinção entre 
pastorear e ensinar. O ensino comunica uma série de 
16 
 
conhecimentos, mas o pastoreio comunica a vida de um modo 
mais amplo. Paulo mostra essa distinção em 1 Tessalonicenses 
2.8, quando diz: “Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa 
vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho 
de Deus [ensino], mas ainda a nossa própria alma [pastorado]. 
 
 Observe que o Pastor é chamado para a missão de cuidar de um rebanho 
que não lhe pertence, antes, pertence ao Senhor (At 20.28, I Pe 5.2). Os 
apóstolos Pedro e Paulo, deixam evidente que as ovelhas são de Cristo e não 
dos homens. Não pode haver confusão nesse quesito. O Pastor que pensa que 
a Igreja que lhe pertence, que ele é o dono do povo da comunidade que está sob 
a sua liderança, perdeu-se no chamado, se é que, algum dia, o teve. Não se vê 
Paulo, Pedro, João ou qualquer outro apóstolo tratando o rebanho como se lhes 
fossem propriedade particular, antes, serviam no temor do Senhor, cônscios que 
eram mordomos, trabalhadores na seara do Mestre. 
 A confusão de papéis adoece a Igreja. O Pastor foi chamado para ser 
agente de cura, de restauração e não para ser opressor, dominador, um 
verdadeiro capataz ou xerife dos crentes. Quem assim age, deve repensar o seu 
chamado e buscar ajuda espiritual e profissional. Há pessoas que não se 
resolveram na vida e encontram na Igreja a fonte para a realização de seus mais 
profundos desejosfrustrados. 
 Ovelha precisa ser tratada como ovelha. Ovelha não é funcionária, não 
está para agradar ao ego do Pastor, não está para ser seu serviçal. Ela deve, 
sim, honrar, amar, servir, ajudar e obedecer ao seu Pastor, desde que ambos 
saibam qual é o devido lugar deles. É significativo trazer à memória o que o 
escritor aos Hebreus evidenciou em sua epístola: “Obedecei a vossos pastores 
e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de 
dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não 
vos seria útil” (13.17). Esse texto fala à ovelha e fala ao Pastor. Se a orientação 
trazida por ele for seguida, certamente, haverá êxito, porém, o seu 
descumprimento, trará consequências negativas para ambos. 
 
17 
 
1.8 A confirmação do chamado 
 
 Quando Deus chama uma pessoa para a sua Obra Ele mesmo se 
encarrega de confirmar esse chamado. Por outro lado, é notório, também, que 
os outros passem a identificar esse chamado na vida da pessoa escolhida pelo 
Senhor. Riggs (1999, p. 28) afirma que: 
Ao se tornarem claras e definidas a chamada e a direção de 
Deus, far-se-ão perceptíveis certas expressões embrionárias do 
dom e do ministério que futuramente se exercerá. Os colegas 
ministros e crentes em geral notarão a chamada de Deus que 
repousa sobre nós. Haverá a confirmação da chamada de 
numerosas maneiras, bem como a aprovação geral do nosso 
desejo de servir ao Senhor como ministro. A consagração que o 
próprio Senhor inicialmente nos propiciou será depois 
confirmada pela consagração da Igreja através de seus líderes. 
Esse é o plano de Deus para o desenvolvimento do ministério. 
 
 Quando o Senhor chama, as pessoas começam a perceber na pessoa 
que recebera o chamado as evidências de que fora escolhido para a nobre tarefa 
de servir ao Reino de Deus, na Terra. O cristão que se sente comissionado ou 
convocado para servir à Obra, sente arder em seu coração a chama pelo 
ministério, pelo desejo de servir ao próximo e, sobretudo, ao Senhor da Seara. 
Na medida em que isso ocorre, a congregação vai percebendo os sinais da 
chamada que vão se confirmando. 
 Deus tem chamado milhares de pessoas ao longo da História, para que 
sua obra seja realizada neste mundo. Não importa a raça, a condição econômica 
e social ou qualquer outro fator, é fato que o Senhor chama diferentes pessoas, 
com diferentes modos de ser, com suas estruturas de personalidade e 
temperamento, dentre outros fatores, para que o seu propósito se cumpra. Na 
medida em que o chamado ocorre, sua confirmação começa a ser evidenciada, 
por Deus e pelos homens. Mediante o correto preparo do obreiro, o ministério 
começa a ser desempenhado de forma eficaz, gerando, com isso, frutos sadios 
para o Reino. 
 Ainda sobre a confirmação pública do ministério, observa-se que: 
18 
 
Em Atos 16.1,2, compreende-se a importância do 
reconhecimento público na confirmação do chamado para o 
ministério e liderança. Timóteo foi, provavelmente, um 
convertido de Paulo em sua primeira viagem missionária (veja 
At 14.6). Paulo o chamou de meu verdadeiro filho na fé” (1 Tm 
1.2). Ao iniciar a segunda viagem missionária, Paulo passou 
pelas regiões que havia visitado em sua primeira viagem, 
“confirmando as igrejas” (At 15.41). Ele chegou à cidade de 
Timóteo e descobriu que este possuía bom testemunho dos 
irmãos que estavam em Listra e Icônio (At 16.2). A consequência 
foi: “Paulo quis que Timóteo fosse com ele” (At 16.3). A 
confirmação pública de Timóteo transformou-o em uma 
aquisição desejável para a equipe missionária de Paulo. Mais 
tarde, quando Paulo escreveu a Timóteo, ele o lembrou de sua 
confirmação pública, referindo-se “à imposição das mãos do 
presbitério” (1 Tm 4.14). Tanto Paulo como os líderes da 
comunidade local haviam visto como Deus abençoou e usou 
Timóteo no serviço local. Assim, ele foi reconhecido e 
comissionado para servir a Deus no ministério internacional. 
 
 A confirmação do ministério do jovem Timóteo serve de parâmetro para 
que se constate com se dá a percepção por parte da Igreja, quando alguém é 
chamado por Deus para o trabalho do ministério. Sem dúvida, é um privilégio e, 
ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade, desenvolver a tarefa confiada 
pelo Senhor, mas, a garantia da sua presença e, a certeza de que os sinais 
seguirão aos que crerem, devem levar o obreiro à total entrega ao serviço do 
Mestre! 
 O chamado vem de Deus, portanto, aqueles que verdadeiramente são 
escolhidos, podem repousar na certeza de que, por onde passarem, estando 
cheios do Espírito e de sua unção, deixarão marcas profundas e indeléveis nas 
vidas que por eles forem tocadas, seja através da pregação, do ensino, do 
aconselhamento, da libertação espiritual, da ajuda nas necessidades físicas, ou 
qualquer outro suporte oferecido pelo obreiro. 
 Aqueles que são chamados podem ter a convicção de que, por mais 
espinhosa e árdua que seja a missão, valerá a pena porque o Senhor da seara 
voltará, e recompensará a cada um, por seu labor, dedicação e investimento no 
Reino (Sl 126.6; Cl 3.23,24). Sendo assim, prepare-se, caminhe mais um pouco, 
dedique-se mais, cumpra com alegria o ministério para o qual o Senhor te 
chamou, porque dEle vem a recompensa. Lembre-se, tudo nesta vida é 
19 
 
passageiro, a começar pela própria existência, porém, todo investimento 
ministerial tem peso na eternidade, sendo assim, invista naquilo que é eterno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
CAPÍTULO 2 - O PASTOR E O CARÁTER 
 
 “Assim como o fruto é determinado pela espécie da árvore, o ministério 
inteiro de um homem de Deus será influenciado e será qualificado pelo tipo de 
homem que ele é” (RIGGS, 1999, p. 52). O pensamento do autor reflete bem o 
que este capítulo desejar tratar: o caráter do Pastor. É imprescindível que o 
Homem de Deus tenha seu caráter depurado, moldado segundo à vontade de 
Deus, para que o seu ministério não caia em descrédito, perdendo, assim, toda 
a credibilidade. Há quem diga que o caráter é o sinal digital da alma, logo, é algo 
essencial, de primeira linha, que não pode ser relegado a segundo plano. 
 
2.1 O que é caráter? 
 
 O caráter diz respeito à forma como uma pessoa age diante das 
circunstâncias, sejam elas boas ou más. Essas ações acabam por distingui-la 
dentre as demais, sendo que também está ligado à sua formação moral e de 
princípios. O caráter está ligado à sua índole, ao temperamento e à 
personalidade. 
 Os estudos, especialmente, os ligados à Psicologia, apontam que o 
caráter começa a ser formado na mais tenra infância e recebe influência 
significativa do ambiente, especialmente do núcleo familiar. Nesse caso, os pais 
exercem um papel preponderante, pois são eles os responsáveis por educar, por 
ensinar valores, princípios, normas e regras da vida e do comportamento 
humano. 
 Uma criança precisa de referenciais positivos para que sua infância se 
desenvolva de maneira tranquila e segura. Isto influencia, diretamente, a 
formação do caráter e da personalidade. Os pais ou aqueles que exercem à 
função paterna precisam estar conscientes de que aquilo que é semeado na 
infância, será preponderante para o desenvolvimento da vida pessoal, 
repercutindo na vida adulta, na realidade, por toda a vida. 
21 
 
 Sendo assim, o caráter precisa ser moldado desde muito cedo e isso 
inclui, com toda a certeza, a inserção cotidiana dos padrões cristãos de conduta, 
pautados nas Sagradas Escrituras, que são a fonte de orientação para a 
existência e que agradam a Deus. Na medida em que o ser humano vai 
adquirindo esse padrão bíblico, seu caráter é refinado, provado no fogo e ele 
estará apto para enfrentar a existência, como alguém que é reconhecido por ser 
do bem, que reflete o caráter e a glória do Cristo. 
 
2.2 A Palavra de Deus e o caráter do obreiro 
 
 A Palavra de Deus trata sobre o caráter do obreiro.Ela apresenta 
orientações específicas para que o Homem de Deus seja aprovado em seu labor 
ministerial. Há livros, como o de Provérbios, por exemplo, que trazem lições que 
devem ser aprendidas por todos, incluindo, obviamente, o obreiro, o Pastor. Mas, 
veja o que Paulo escreve a Tito, Pastor designado para a Ilha de Creta: 
Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha 
filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem 
são desobedientes. Porque convém que o bispo seja 
irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não 
soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, 
nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, 
amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo 
firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja 
poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para 
convencer os contradizentes (1.6-9). 
 
 Tito recebe do apóstolo dos gentios recomendações claras sobre como 
deveria ser a sua postura e o seu caráter perante a Igreja e a comunidade de 
Creta. A observação primária diz respeito à irrepreensibilidade, ou seja, o Pastor 
deve primar por uma vida irrepreensível, ilibada. A expressão “irrepreensível” 
vem do grego “anengklêtos” e está intimamente ligada à piedade, ou à vida de 
piedade. Macarthur (2018, p. 100) explica que: 
Literalmente, o pastor não “será reprovado” ou, em outras 
palavras, ele será “inculpável” ou estará “livre de ressalvas”. 
Estas devem ser as características constantes de sua vida, uma 
vez que assume a mordomia do ministério de Deus (1.7). Esse 
termo aplica-se aos diáconos em 1 Timóteo 3.10, formando 
22 
 
assim uma estreita associação com ανεπιλημπτος 
(anepilêmptos), palavra usada para bispos em 1 Timóteo 3.2. 
“Irrepreensível” não se refere a uma perfeição impecável, pois, 
nesse caso, nenhum ser humano estaria qualificado para o 
ofício, mas a um padrão elevado e maduro que implica em um 
exemplo coerente. É exigência de Deus que seu despenseiro 
viva de maneira santa, de tal forma que sua pregação nunca seja 
contraditória ao seu estilo de vida, que suas falhas nunca tragam 
vergonha ao ministério e sua conduta não mine a confiança do 
rebanho no ministério de Deus. 
 
 O autor supracitado apresenta alguns termos que são imprescindíveis de 
reflexão e que estão ligados ao caráter do Pastor. Viver uma vida santa e 
irrepreensível é o caminho para que suas ações falem mais alto do que suas 
palavras. É estar acima da mediocridade e das circunstâncias, pois, o padrão 
elevado e maduro coloca o líder em uma condição altaneira, que glorifique a 
Deus. Isso só pode ser obtido pelo exemplo, pois a vida exemplar do líder é um 
espelho para os seus seguidores ou, para o rebanho que foi confiado a si pelo 
Senhor. 
 O oposto é verdadeiro! Líderes que não têm compromisso com o caráter, 
seja por meio de ações errôneas, conscientes ou inconscientes, causam grande 
prejuízo para a Obra de Deus, pois, a inconstância e a imaturidade fazem com 
que ele seja um péssimo exemplo para a Igreja, que fica desacreditada, gerando, 
inclusive perdas para a sociedade. Como é lastimável quando a sociedade 
aponta os dedos para um homem que se diz Pastor, mas que não vive uma vida 
irrepreensível! Ele serve de escárnio, de deboche e de zombaria, refletindo 
diretamente sobre a Igreja que está sob sua responsabilidade e, por fim, sobre 
o Reino de Deus. 
 Vive-se um tempo em que o perfil bíblico para a escolha de obreiros, 
infelizmente, não é mais observado em muitos lugares. As escolhas são feitas, 
meramente, em nome da necessidade, da demanda, do carisma pessoal, das 
vantagens e aproximações, dos conchavos políticos eclesiásticos, das ordens 
familiares, dentre outros elementos. Parece que o caráter e a vida irrepreensível 
do obreiro não são levados em conta. A consequência disso é que, no dia a dia, 
descobrem-se novos escândalos, desvios, desmandos, problemas com a 
imoralidade sexual, vícios, dentre outros. 
23 
 
 Todas as vezes em que se foge ao perfil bíblico para a escolha de 
obreiros, especialmente, a de pastores, obtém-se resultados funestos para o 
Reino de Deus. Ser irrepreensível não é ser perfeito, mas, sobretudo, é estar em 
constante busca de aperfeiçoamento, por meio da santidade, do ser mais 
parecido com Cristo, a fim de que Ele possa ser visto na vida e nas atitudes do 
obreiro. Quando isso ocorre, o nome do Senhor é glorificado e o obreiro, bem 
como a Igreja, honrados! 
 Por outro lado, há quem use esse discurso da não perfeição para viver 
engodado no pecado, praticando atos abomináveis aos olhos do Senhor, 
escondendo-se sob o manto da imperfeição e da humanidade caída, para 
manter-se na vida suja. A explicação para isso é evidente, o caráter não está 
pronto, não foi apurado, não passou pela prova, pelo teste da transformação do 
Espírito, logo, não reflete o caráter do Cristo, Senhor da Igreja. Estes, que 
consciente andam no pecado, nos atos enganosos e no suborno, terão um 
encontro com Deus e grande será, se não se converterem, a ruína e a queda. 
 Isto posto, convém observar os outros elementos apresentados pelo 
apóstolo Paulo a Tito. Ele trata a moralidade sexual do obreiro, dizendo que ele 
deve ser marido de uma única mulher. Isso significa que o obreiro deve ter sua 
esposa, deve amá-la, honrá-la, em exclusividade, não havendo espaço para a 
bigamia, poligamia ou para o adultério. Macarthur (2018, p. 101, 102) é assertivo 
na denúncia, ao afirmar que: 
Mas, esse é só o ponto de partida. Há uma porção de homens 
que só tem uma esposa, mas não são homens de uma só mulher 
(Mt 5.27,28). São maridos de uma, mas amantes de outras duas 
ou três. Em seu aspecto primário, homem de uma só mulher 
significa um homem devotado à mulher que é sua esposa. Seus 
olhos e coração permanecem centrados nela. [...] Este mundo 
transborda de pecados sexuais, e Paulo orienta a igreja a 
ordenar como líderes homens que tenham reputação impecável. 
[...] O problema é o caráter moral, não o estado civil. [...] O pastor 
deve ter uma reputação de ser sexualmente puro. [...] O pecado 
sexual desqualifica qualquer homem para o pastorado. 
 
 Parece que esta exortação paulina precisa ser amplamente difundida no 
século XXI, na escolha de novos obreiros, àqueles que estão à frente do 
rebanho, servindo à Igreja de Deus. Determinadas práticas mundanas e 
24 
 
pecaminosas jamais terão espaço no altar, pois, a doutrina bíblica sobre o 
casamento é solida, de Gênesis a Apocalipse, de maneira que, o que passar 
disso, não passará de manejos humanos que são colocados para dar jeitinhos 
explicativos ou que justifiquem a falta de caráter no tocante à vida matrimonial. 
 O Pastor precisa saber que seu casamento é espelho para muitos casais 
e famílias da Igreja, portanto, quão terrível é, quando ele se perde neste 
importante aspecto, pois as sequelas vêm, não somente sobre si, a esposa e os 
filhos, mas, também, sobre a Igreja que Jesus colocou sob sua responsabilidade. 
Em tempos de normalização do pecado, os santos homens de Deus, de caráter 
ilibado, precisam manter bem alta a bandeira da honradez. 
 Se o casamento deve ser observado, devem ser, ainda, outros aspectos 
apresentados por Paulo, tais como, o não ser soberbo, não ser iracundo, não ser 
dado ao vinho, não ser espancador e não ser cobiçoso de torpe ganância. É 
importante que se faça uma reflexão sobre cada termo, embora, obviamente, 
não é intenção desta disciplina dissecar cada aspecto. 
 Não ser soberbo significa que o obreiro não deve priorizar o seu “eu”, o 
seu ego, antes, deve amar o próximo, amar a Igreja que o Senhor lhe confiou, 
jamais sendo arrogante e cheio de si. Não ser iracundo, significa que não deve 
ser uma pessoa que vive irada, com raiva e que estoura fácil, mediante toda e 
qualquer situação. Sentir raiva ou ficar irado é uma condição humana, 
existencial, mas o Pastor precisa dominar-se, saber lidar com estesentimento, 
a fim de que não promova circunstâncias e tenha reações que não coadunam 
com o seu caráter. 
 Não ser dado ao vinho quer dizer que o Pastor ou o obreiro não deve estar 
“ao lado do vinho” (gr. – “paroinon”). Qualquer tipo de bebida que cause 
embriaguez, ou que afete sua vida, seja nos pensamentos, seja nos 
comportamentos, deve, imediatamente, ser repelido pelo Pastor. Não se deve 
brincar com esta área. Um abismo chama outro abismo e, geralmente, um ébrio 
começou a viciar-se por meios dos primeiros flertes com a bebida. É impensável 
a realidade de um Pastor que seja amigo da bebida que embriaga. Portanto, 
alguém que se ache nesta condição deve, imediatamente, buscar ajuda pastoral 
e ministerial, bem como da rede de apoio, que envolve a família, suporte 
25 
 
profissional com psicólogos e, até mesmo, medicamentoso, por intermédio de 
médicos especializados na área. 
 O Pastor de caráter firme não é espancador. Macarthur (2018, p. 110) diz 
que: 
Este quarto termo ocorre somente aqui em 1 Timóteo 3.3. Trata-
se, basicamente, de pessoas que usam a mão, o pulso, uma 
vara ou uma pedra para atingir alguém. Era um modo comum de 
as pessoas lidarem com os conflitos nos tempos antigos. Não 
está descartado atualmente, mas a maioria é mais discreta. 
Hoje, talvez, as pessoas prefiram usar métodos mais sutis de 
vingança. [...] Quem anda batendo nas pessoas obviamente não 
pertence ao ministério pastoral. Em 2 Timóteo 2. 24,25, 
observamos que o servo do Senhor, enquanto ministra, deve 
procurar promover a paz, não a dissensão. O líder espiritual 
deve resolver os conflitos pacificamente, de modo piedoso, 
gentil e humilde. 
 
 O Pastor não é cobiçoso de torpe ganância. Isso significa que ele não 
trabalha para ganhar dinheiro simplesmente, para lucrar ou para enriquecer às 
custas do povo de Deus. Quem assim age, está fora do padrão bíblico e é 
desonesto. As motivações erradas têm consequências negativas para a Igreja 
do Senhor. É claro e evidente que o obreiro é digno ser honrado e de receber 
salário, assim como é digno que um pregador seja abençoado por meio de 
ofertas, porém, se o obreiro ou o pregador trabalha apenas em função disso, 
para obter vantagens, certamente perdeu a essência da vida cristã e do 
evangelho (I Co 9.14; I Tm 6.5-11; I Pe 5.2). 
 Mas, no texto de Tito, apresentado neste capítulo, Paulo trata de algumas 
características que devem nortear o caráter do Pastor. Ele deve ser hospitaleiro, 
amigo do bem, moderado, justo, santo e temperante. A hospitalidade, no sentido 
bíblico, estava ligada à disposição em atender as pessoas com aquilo que se 
tinha, com os próprios recursos. 
 O sentido do termo estava atrelado ao acolhimento de estrangeiros, 
estando-lhes solícitos, a fim de que pudessem ser ajudados em suas 
necessidades. Isso passou a ser verdade quando os primeiros cristãos integram 
a Igreja de Cristo. Macarthur (2018, p. 112) escreve que: “O pastor deve ser um 
26 
 
homem generoso. Longe de amar o lucro, ele vê tudo o que possui como um 
meio de atender às necessidades do próximo”. 
 Se ele é hospitaleiro, deve ser, também, amigo do bem. O Pastor deve ter 
seu caráter permeado pela bondade, pelo desejo de fazer o bem. Ele sabe que 
é imperioso fazer o bem e esmera-se em fazê-lo (Tg 4.17; Fp 4.8). A amizade 
com o mal e o desejo de praticá-lo não coadunam com o caráter pastoral, que 
deve refletir o amor para com o próximo. Assim como a hospitalidade e a 
bondade, a moderação está inclusa no pacote do caráter pastoral. Macarthur 
(2018, p. 112) afirma que: 
Este terceiro aspecto positivo é outra daquelas palavras 
compostas: uma combinação de phroneo (que refere-se ao 
processo de raciocínio) e sozo (eu salvo). A palavra descreve 
um homem que tem pensamentos de salvação. Ele está no 
controle de sua mente, e seus pensamentos são redimidos e 
estão livres do que seja mundano, terreno e inferior. Pode-se 
dizer que este homem resgata sua mente de dentro do abismo, 
elevando-a acima do trivial e do passageiro. Esse homem não é 
um palhaço ou um comediante, mas possui uma sabedoria firme 
e confiável. Ele é imparcial, cuidadoso nos julgamentos, 
ponderado, sábio e profundo. Tal é o fruto de uma mente 
disciplinada. Esse é o tipo de homem que pode ser pastor. 
 
 Quantas palavras importantes a citação supracitada apresenta sobre a 
moderação do Pastor. Suas atitudes e palavras devem externalizar o domínio 
que possui em sua mente, de maneira que seja hábil em manejar os conflitos e 
os problemas seus e os da igreja. A prudência e a sabedoria são suas 
companheiras, especialmente, nas tomadas de decisão. Isso implica em ser 
justo, agir com justiça e equilíbrio, outra recomendação paulina. O Pastor é justo, 
a partir dos padrões de justiça estabelecidos na Palavra de Deus, de maneira 
que a Igreja e a sociedade veem a sua retidão. 
 Por fim, o Pastor é santo e temperante. Ele é santo porque consagra sua 
vida no altar do seu Deus, mantendo-se afastado do pecado. Isso não quer dizer 
que ele não erre ou que não possa pecar, mas, está sempre reconhecendo seus 
erros, confessando-os e reparando-os. A graça e a misericórdia do Senhor estão 
disponíveis, também, para ele (MACARTHUR, 2018). 
27 
 
 A temperança está ligada à gestão da própria vida. É preciso ter o controle 
de si, dos próprios pensamentos e sentimentos. Quem não tem esse controle, 
dificilmente, conseguirá exercer o chamado pastoral. É autogestão porque não 
é possível ter alguém acompanhando a vida do pastor o tempo todo. Sobre isso, 
Macarthur (2018, p. 113) diz que: 
Você não consegue me acompanhar 24 horas por dia. Se eu for 
tão frágil que precise de alguém me vigiando o dia inteiro, não 
posso ser pastor de ninguém. Se não houver um compromisso 
interior com a piedade, que mantenha minha vida no eixo, não 
adianta você tentar me controlar pelo lado de fora e esperar que 
eu lhe ministre como se eu mesmo me controlasse. O caráter do 
pastor vem de dentro. Não consigo pensar em uma observação 
final melhor do que essa, pois é assim que o Espírito de Deus 
conclui o assunto no texto de Tito 1.6-8. 
 
 É fato que, muitas outras coisas, poderiam ser tratadas neste capítulo 
acerca do caráter do Pastor, portanto, jamais, foi intenção esgotar o assunto, 
pois seria ingenuidade tentar fazê-lo. Todavia, é certo que o Pastor que se 
apropria dos aspectos apresentados por Paulo a Tito, certamente, terá seu 
caráter lapidado e estará apto para desenvolver o santo ministério, pois, 
mediante qualquer outra coisa que possa surgir, as bases para a atuação estão 
ligadas ou ancoradas nos elementos que aqui foram ajustados. 
 Que haja mais sabedoria e prudência na seleção de obreiros e pastores. 
Que nenhuma aptidão, talento, carisma, parentesco ou grau de proximidade fale 
mais alto que o perfil estabelecido pela Palavra de Deus. Aptidão, talento, 
carisma, parentesco ou grau de proximidade, com caráter e chamado, são 
bênçãos para a Igreja e para o Reino, porém, aptidão, talento, carisma, 
parentesco ou grau de proximidade, sem caráter e chamado, somente atrairão 
mal testemunho, desonra e consequente vergonha, para si e para a Igreja do 
Senhor. 
 
2.3 O Pastor e a Formação 
 
 A formação é essencial para a vida do Pastor, pois, está ligada ao seu 
preparo, de maneira que, quanto mais apto estiver, melhor executará o chamado 
28 
 
de Deus para a sua vida. Infelizmente, quando não se dedica tempo à formação 
pastoral, em todas as instâncias importantes e necessárias, a Igreja sofre e, o 
próprio líder, sente-se limitado diante dos desafios que lhe são impostos no 
cotidiano. A seguir, serão estudados os elementos que devem fazer parte da 
vida do Pastor no tocante à sua formação ministerial. 
 
2.4 A necessidade do preparo 
 
 Preparar os obreiros para o exercício da Obra de Deus é fundamental e 
deve ser de caráter obrigatório. Não há espaço para negociação no tocante a 
este ponto.Em tempos difíceis, o preparo e a formação serão verdadeiros 
suportes para que o Pastor exerça seu ministério com eficiência e eficácia. As 
demandas humanas e sociais clamam por líderes capacitados, prontos para 
responder aos clamores espirituais e sociais (I Pe 3.15). 
 Para tanto, é importante compreender como se dá esse preparo, essa 
formação e, da mesma maneira, em que instância ela deve ocorrer. Recorrer-
se-á ao pensamento de Riggs (1999, p. 30) que afirma que “a preparação para 
o ministério pode ser encarada sob duas fases: experiência e educação”. Nesta 
mesma linha de raciocínio, Macarthur (2018, p. 131) amplia a ideia, dizendo que: 
 Especificamente, o treinamento para o ministério exige o 
cumprimento de pelo menos três fases do treinamento 
destacadas na exortação de Paulo a Timóteo (1 Tm 4.12-16): 
caráter piedoso (aquilo que a pessoa deve ser), conhecimento 
bíblico (o que deve saber) e habilidades ministeriais (o que deve 
ser capaz de fazer). Antes que alguém comece a servir 
oficialmente como pastor, deve atingir certo nível de 
desenvolvimento em cada uma dessas três áreas, com um zelo 
permanente de continuar crescendo à medida que serve. 
 
 Negligenciar os aspectos apresentados por ambos os autores, é cometer 
grave erro, que pode prejudicar o ministério de um Pastor. Antes de entrar, 
especificamente, nos pontos apresentados, cabe uma reflexão de extrema 
importância: o preparo e a formação são necessários porque ninguém está 
pronto; não há ser humano, obreiro ou Pastor que tenha chegado ao ápice do 
saber, de maneira que não precise buscar mais e mais instrução e 
29 
 
conhecimento. O fracasso de um líder começa quando ele pensa que já sabe 
tudo ou, que já sabe o suficiente para realizar o seu ministério. Macarthur (2018, 
p. 130,131) explica que: 
A preparação para o ministério pastoral é uma jornada 
multifacetada, um processo extenso que consiste em diversas 
etapas. Ao contrário das expectativas de alguns seminaristas, 
três ou quatro anos não é o suficiente para completar o 
processo. Antes, é uma peregrinação que nunca termina, 
exigindo um compromisso de busca contínua. O significado 
etimológico da palavra seminário, por exemplo, inclui a ideia de 
“sementeira”. É isso que o treinamento para o ministério deve 
implicar, seja ele formal, seja informal, seja dentro da estrutura 
de um seminário, seja incorporado à vida diária de um pastor ou 
de uma igreja local. Em qualquer situação, as sementes devem 
ser cuidadosa e sistematicamente irrigadas, fertilizadas, 
cultivadas, podadas e protegidas. Só então surgirão os frutos. 
 
 Outrossim, é necessário que o líder tenha humildade para sentar e dispor-
se a aprender. Reconhecer o “lugar do não saber” denota o seu caráter, que 
entende que, pelo fato de ser autoridade eclesiástica, não é superior a ninguém, 
antes, é alguém que precisa do próximo, dos conhecimentos do outro, sendo 
que este “outro”, pode e costuma ser o membro da Igreja que está sob sua 
responsabilidade ou, quem sabe, de um obreiro que está sob o seu comando. 
 De posse disso, evidencia-se a primeira necessidade: a do preparo 
espiritual. O preparo espiritual é o passo primário para todas as demais etapas 
da vida, sendo que, a experiência inicial, sem dúvida, é a conversão. Na 
conversão ocorre o novo nascimento, condição ao Homem pecador (Jo 3.3). 
Quando nasce de novo, o ser humano passa a compreender coisas sob a ótica 
da espiritualidade, o que não é possível para aquele que não conhece a Deus (I 
Co 2.14-16). 
 A conversão implica em uma profunda mudança interna, tanto nos 
pensamentos e nas emoções, quanto nos sentimentos. A mente é transformada 
e vai se submetendo ao senhorio de Cristo, a fim de que não seja moldada pelo 
sistema que rege este mundo, antes, volta-se à renovação, para o conhecimento 
da boa, perfeita e agradável vontade de Deus. O cristão passa a ter a mente de 
Cristo (Rm 12.2; I Co 2.16). 
30 
 
 Na medida em que caminha pelas trilhas da santidade, a sua vida vai se 
tornando mais e mais piedosa. A vida piedosa é uma vida quebrantada, rendida, 
santificada, entregue completamente ao Senhor Jesus Cristo. O piedoso anda 
com Deus em verdade. A piedade não está ligada à estereotipia física, ou seja, 
não está no andar cabisbaixo, desleixado, com roupas velhas ou surradas, antes, 
a piedade se mostra na profunda comunhão com o divino, manifesta em atitudes 
e obras sãs, da luz (1 Pe 1.15,16). Macarthur (2018, p. 131) escreve: 
Em 1 Timóteo 4.7, Paulo exorta Timóteo: “Exercita-te a ti mesmo 
em piedade”. Ele conclui o capítulo admoestando o jovem 
pastor: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera 
nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo 
como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16). O ponto focal de qualquer 
ministério é a piedade. O ministério é, e sempre deve ser, o fluir 
de uma vida piedosa. Paulo compreendia sua importância no 
ministério: “Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, 
para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma 
maneira a ficar reprovado (1 Co 9.27; veja também 1 Tm 4.8; 
6.3; II Tm 2.3-5). 
 
 Outro fator essencial na experiência com Deus, diz respeito ao ser cheio 
do Espírito Santo. A terceira Pessoa da Trindade, tão importante e detentora dos 
mesmos atributos da primeira e da segunda Pessoa, precisa estar no coração, 
atuando na vida do obreiro. Sem o Espírito Santo e o seu grandioso poder, todo 
ministério será seco, vazio e infrutífero. Por meio do Espírito Santo, o obreiro é 
revestido de poder do alto, de maneira que pregue e testemunhe com ousadia 
(At 1.8; 2.38,39). 
 Os discípulos foram orientados por Jesus a que esperassem em 
Jerusalém, até que, do alto, fossem revestidos de poder. Eles não deveriam fazer 
nada antes deste revestimento, que ocorreu em Pentecostes. É o Espirito Santo 
quem capacita o Pastor para a missão de pastorear e é Ele quem convence o 
homem do pecado, da justiça e do juízo. Ninguém conseguirá alcançar êxito 
ministerial sem estar em comunhão, harmonia e sintonia com o amado Espírito 
Santo (Lc 24.47-49; Jo 14.16-27; 15.26; 16.7-11; At 1.4-8; Ef 5.18). 
 Riggs (1999, p. 33) afirma que: 
Todo crente batizado no Espírito Santo deve passar pela 
transformação de caráter e ao aprofundamento nas experiências 
31 
 
da vida íntima com Cristo. Essas experiências diárias, ao andar 
no Espírito e ao aprender as lições da vida cristã, são igualmente 
necessárias como qualificação para um ministério cristão eficaz. 
 
 Este mesmo autor, sinaliza que há uma escola da experiência, que sucede 
às experiências iniciais da conversão e do revestimento do poder do Espírito. Ele 
reitera que: 
O mestre cristão deve conhecer aquilo que irá ensinar. É sua 
prerrogativa não somente ensinar a doutrina e o esboço geral da 
fé cristã, mas também as experiências reais que os crentes 
enfrentam diariamente. O adversário não é apenas uma ideia 
teórica; ele é real e intensamente agressivo. Ele ataca todo 
crente com toda variedade de armas. Faz parte da tarefa do 
pastor conduzir seu povo pela mão, a fim de guiá-lo através das 
experiências quando tomado de perplexidade e confusão. 
Enquanto de um lado o inimigo procura derrotar os crentes e pô-
los por terra, é tarefa do pastor, do outro lado, levantá-los e 
firmá-los na fé. Mas este estará totalmente despreparado para 
tal ministério a menos que já tenha passado por experiências 
semelhantes. É preciso que o indivíduo passe pessoalmente 
pelo moinho, a fim de que seja feito pão para os outros. O andar 
na fé, por exemplo, é algo que ninguém pode compreender a 
não ser que se aprenda a fazê-lo pessoalmente. O 
descobrimento de Cristo como “o quarto homem” que está 
conosco na fornalha ardente, nos dará uma atitude positiva e de 
grande alegria. Poderemos então explicar aos outros que 
estejam passando por sua prova de fogo, que perto deles, 
também, sempre encontrarão a presença do Filho de Deus. 
 
 A escolada experiência forja o caráter do obreiro. Há, infelizmente, nos 
dias atuais, homens que não estão maduros o suficiente para dar conta do 
rebanho do Senhor. Eles atuam como meninos inexperientes, que envergam e 
quebram na primeira tempestade que aparece. Quem deseja o episcopado 
precisa saber que a caminhada é gloriosa, porém, espinhosa, porque não são 
poucos os levantes que cruzam a estrada pastoral, porém, na medida em que 
ele é cheio do Espírito e suporta as experiências da vida ministerial, vai-se 
tornando mais e mais apto, experimentado no labor do Reino de Deus. 
 Lopes (2016) faz uma análise da vida do profeta Elias, a fim de ilustrar 
acerca do preparo do Pastor. É sabido que o cenário histórico, político e social 
de Elias era caótico. Havia apostasia, crises econômicas e grandes barreiras 
espirituais. O rei Acabe e sua esposa Jezabel, eram extremamente ímpios. É 
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justamente aqui que entra e cena, Elias, um homem desconhecido, longe dos 
palcos e das luzes da fama (1 Rs 17.1), que tinha um Deus poderoso agindo em 
sua vida (1 Rs 17.2-5). O autor comenta que: 
Deus trabalha em nós, antes de trabalhar através de nós. Deus 
tira o profeta do palco, debaixo dos holofotes, debaixo das luzes 
da ribalta, e o envio para o deserto, para a solidão. No deserto 
Deus nos prova. Ele nos manda para a solidão do deserto a fim 
de nos desmamar do mundo. O deserto não é um acidente, mas 
uma agenda de Deus. É Deus quem nos manda para o deserto. 
O deserto é a escola superior do Espírito Santo, onde Deus 
treina os seus líderes mais importantes. No deserto, Deus treina 
seus obreiros para a sua obra. No deserto, Deus trabalha em 
nós, antes de trabalhar através de nós. Na verdade, Deus está 
mais interessado em quem nós somos do que naquilo que nós 
fazemos. Vida com Deus precede trabalho para Deus (LOPES, 
2016, p. 51,52). 
 
 O deserto tem duas características importantes: a primeira, é que ele é 
lugar de passagem e, a segunda é que, nele, o homem aprende várias lições, se 
souber aproveitar as experiências negativas, extraindo delas, verdades 
preciosas para a existência. Além do deserto, outro fator fez parte do preparo de 
Elias: a fornalha (I Rs 17.8-10). “Sarepta significa fornalha, cadinho. Antes de 
Deus usar você, Deus o depurará. O fogo só queima a escória” (LOPES, 2016, 
p. 54). 
 Tendo trabalhado a primeira etapa, essencial à formação de um obreiro, 
que abordou, especificamente, do nível experiencial do obreiro, convém, agora, 
tratar da segunda etapa, que também é de extrema importância, assim como a 
primeira é: a educação. O obreiro precisa buscar constante aperfeiçoamento, por 
meio da escolarização e de outros cursos que possam capacitá-lo a melhor 
desempenhar o ministério que o Senhor colocou em suas mãos. 
 Esse aperfeiçoamento deve acontecer, tanto por meio da escolarização 
formal, como por meio da educação informal, aprendida no dia a dia, por meio 
das experiências e dos relacionamentos. Riggs (1999, p. 41) expressa que: “Há 
vantagens notórias para aqueles que tenham recebido uma boa educação 
secular, ao preparar-se para o ministério. [...] a habilidade de aprender e reter o 
que se lê só se desenvolve após longa prática de estudo em sala de aula”. 
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 A perspicácia e a visão de Riggs, o fizeram enxergar algo que se cumpre 
cabalmente no século XXI: “Posto que a cultura se torna cada vez mais comum, 
as nossas audiências incluirão um número cada vez maior de pessoas cultas, e 
convém ao ministro do evangelho estar em condições de ministrar 
adequadamente” (1999, p. 42). 
 E, não é exatamente assim o presente tempo? As pessoas, cada vez 
mais, têm acesso à informação de todo o tipo, graças ao avanço da tecnologia e 
das mídias sociais. O fenômeno da internet tornou o mundo completamente 
interligado, como se o que distanciasse um país de uma ponta do mundo ao país 
da outra ponta extrema, fosse apenas uma pequena cerca. O mundo pode ser 
alcançado por meio de apenas um toque no celular. 
 Não é incomum ver pessoas checando na internet se está certo ou errado, 
se é verdadeiro ou falso o que foi dito pelo Pastor na hora do culto ou, quem 
sabe, pelo professor, enquanto ministra a sua aula. As pessoas não são como 
páginas em branco, cujo conteúdo será escrito por meio do líder religioso ou do 
mestre, antes, a bem da verdade, elas trazem em suas bagagens, ampla 
experiência e uma gama de informações, por mais que se tenha a clareza de 
que não são poucas as que sequer sabem fazer o bom uso do conhecimento 
que têm, ou, que não conseguem trazer o conhecimento para a vida prática. O 
conhecimento, portanto, fica apenas no nível da racionalidade e não consegue 
atingir o coração e a alma, que é a sede dos pensamentos, sentimentos e 
emoções. 
 Se buscar a educação, portanto, é fundamental à vida do Pastor, convém 
que ele busque faculdades e outros cursos de capacitação. A Teologia, por 
exemplo, é uma área que o Pastor deve se debruçar, procurando conhecer mais 
e mais a Palavra do Senhor e o desenvolvimento histórico do pensamento 
cristão. Por meio desta área do saber, o líder aprenderá disciplinas de extrema 
importância, como aquelas que tratam da exploração minuciosa do texto 
sagrado, tais como, a hermenêutica, a exegese, dentre outras. 
 Lemos (2011, p. 63) pergunta: “Se mais e mais pessoas são educadas 
nas faculdades e universidades, como pode o pastor não buscar também uma 
educação teológica?” A grande verdade é que o estudo da Palavra é tão 
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essencial que, sem ele, “a pessoa não pode crescer espiritualmente e formar um 
caráter piedoso, nem pode ministrar de modo eficaz e significativo. Sola 
scriptura1 e Sola fide2 são o cimento que liga os tijolos do ministério” 
(MACARTHUR, 2018, p. 135). 
 Além da Teologia, o Pastor deve aperfeiçoar-se em outras áreas do 
conhecimento, que podem ser ferramentas para o seu labor ministerial. Ele pode 
cursar: Administração, Ciências Sociais, Direito, Filosofia, História, Psicologia, 
Pedagogia, Letras, dentre outros, bem como participar de cursos rápidos de 
formação em diversas áreas. Há diversos cursos que podem ser feitos em casa, 
de forma virtual, pela internet, no conforto do lar e que são ofertados, inclusive, 
gratuitamente, logo, só não estuda quem não quer, salvo mediante alguma 
condição que realmente cause impossibilidade. 
 É salutar frisar que a busca por crescer intelectualmente, não esfriará o 
obreiro, não o tirará da presença de Deus ou, ainda, não diminuirá a unção que 
está sobre si. Uma coisa não tem relação com a outra, portanto, se uma destas 
situações acontecerem, é porque algo já estava desajustado na vida do Pastor, 
que vinha se perdendo e, acabou encontrando nesta justificativa, um meio de 
amparar a sua realidade. O conhecimento, por outro lado, fará com que o Pastor 
tenha gabarito para ministrar com maior profundidade e ousadia. Busque 
conhecimento! 
 
 
 
 
 
 
 
1 Expressão que significa “somente as Escrituras”, trazendo a ideia de sua 
exclusividade. 
2 Expressão que significa “somente a fé”, denotando que a fé basta e é suficiente para 
o cristão. 
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CAPÍTULO 3 
O PASTOR E A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA 
 
 Administrar é uma das funções pastorais. Além dos aspectos espirituais, 
que estão voltados à oração, à ministração da Palavra, à visitação, ao 
aconselhamento, dentre outros, paira sobre o obreiro a responsabilidade de 
administrar a Igreja, enquanto organização social, como uma instituição que tem 
direitos e deveres a cumprir, até porque, a Igreja é formada por pessoas e, onde 
as pessoas estão, faz-se necessária a boa administração. É sobre isso que este 
capítulo tratará, a partir de agora. 
 
3.1 O que é administração eclesiástica? 
 
 De acordo com Kessler e Câmara (1992, p. 13) a “administração 
eclesiástica é o estudo dos diversos assuntos ligados ao trabalho do pastor no 
que tange à sua

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