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AULA 2 
ADMINISTRAÇÃO 
DE CARTEIRAS 
Profª Ana Paula Mussi Szabo Cherobim 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
As carteiras de investimento, conceituadas no capítulo anterior, investem 
em produtos financeiros. Existem inúmeros produtos financeiros, e o mercado 
cria novos produtos a cada instante. No entanto, algumas classificações básicas 
nos permitem organizar esses produtos: quanto à forma de remuneração, ao 
risco envolvido, quanto ao agente emissor, entre outras. 
TEMA 1 – O QUE SÃO PRODUTOS FINANCEIROS? 
Produtos financeiros são todas as oportunidades de investimento para o 
agente superavitário fazer a aplicação de recursos excedentes de modo a 
satisfazer uma das características da moeda: transação, precaução ou 
especulação. Sob a ótica do agente deficitário, são todas as oportunidades de 
captação de recursos financeiros. 
1.1 Produtos financeiros e as características da moeda 
Por que estudar a Teoria da Moeda sobre Administração de Carteiras? As 
carteiras de investimento escolhem os produtos financeiros de acordo com os 
objetivos do investidor; portanto, é necessário conhecer as funções da moeda e 
analisar se os papéis a serem adquiridos permitem atingir aqueles objetivos 
• Transação: Dinheiro em espécie e contas correntes bancárias. O objetivo 
é efetuar os pagamentos do dia a dia, por isso atendem ao objetivo de 
transação. Nesse quesito, prevalece a liquidez dos papéis. 
• Precaução: Aplicações financeiras de baixo risco e alta liquidez. 
Cadernetas de Poupança, títulos do Tesouro Direto, fundos de 
investimento de baixo risco e liquidez diária. Visam formar reserva de 
emergência. 
• Especulação: O termo pode ter caráter pejorativo, mas a busca por 
investimentos de maior retorno deixa de ser uma aposta ou jogo, ao 
utilizar as ferramentas de análise risco X retorno. A decisão de 
investimento passa a considerar as características do investidor desde 
seu apetite ao risco até as suas condições financeiras e ciclo de vida. Com 
isso, é possível formar um patrimônio financeiro consistente. 
 
 
3 
Os produtos de investimento de renda fixa e renda variável, incluindo 
ações, derivativos e moedas estrangeiras, são oportunidades de investimento 
para essa categoria. Os fundos de investimento mais agressivos fazem parte da 
estratégia de especulação do investidor. O investimento em imóveis, joias e 
outros ativos reais também se caracterizam como especulação, mas não são 
nosso objeto de estudo. 
TEMA 2 – PRODUTOS FINANCEIROS E LEGISLAÇÃO 
Estudamos, no capítulo anterior, sobre o que são carteiras de 
investimento, os produtos financeiros de forma genérica e as especificações 
legais para um produto financeiro se caracterizar como um valor mobiliário. Ao 
longo desse capítulo, vamos especificar cada um desses produtos, 
independente de se caracterizarem como valores mobiliários ou não. 
2.1 Produtos de renda fixa 
Os produtos de renda fixa se caracterizam por apresentar prazo de 
vencimento estabelecido, taxa de juros combinada e garantias. O prazo de 
vencimento estabelece o dia para liquidação da operação. 
A taxa de juros se refere à remuneração, que pode ser pré-fixada quando 
a taxa de juros é previamente estabelecida; ou, quando a taxa de juros da 
operação é vinculada a algum indicador (IPCA, CDI, SELIC, a remuneração é 
pós-fixada. 
As garantias são estabelecidas em contrato. Podem ser fidejussórias, 
vinculadas a outros ativos e depósitos em garantia e ainda ao FGC – Fundo 
Garantidor de Crédito, criado em 1995, para dar mais segurança ao investidor 
em papéis emitidos pelos bancos1. 
2.1.1 Caderneta de Poupança 
É a forma mais tradicional para guardar dinheiro no Brasil. A rentabilidade 
é baixa comparada a outras formas de aplicação, mas é segura, fácil de operar, 
e está disponível em todos as instituições financeiras tradicionais. É 
recomendada para as pessoas com poucos recursos disponíveis e sem 
 
1 Para maiores informações, consulte o site disponível: . Acesso em: 
30 set. 2022. 
 
 
4 
conhecimento do mercado financeiro. O PIX, inovação financeira criada pelo 
Banco Central do Brasil em 19 de fevereiro de 2020, aumentou ainda mais a 
facilidade de uso e a liquidez das contas de poupança, aumentando sua 
utilização como conta corrente bancária. 
2.1.2 Títulos Públicos 
São papéis emitidos pelo Governo Federal com vistas a captar recursos 
para a execução da política monetária, financiamento da dívida pública e de 
alguns objetivos de política econômica. O investimento em títulos públicos está 
acessível ao pequeno investidor, por meio do site do Tesouro Direto. As 
tesourarias dos bancos operam diariamente com títulos de públicos, em especial 
nas operações compromissadas. 
2.2 Produtos de emissão de instituições financeiras 
Os bancos são grandes intermediadores de papéis. Além de viabilizarem 
a transação de papéis de terceiros, podem emitir papéis para captar recursos e 
emprestá-los para terceiros. 
2.2.1 CBD, RDB 
O CDB – Certificado de Depósito Bancário é um título de emitido por 
bancos. O investidor “empresta” dinheiro aos bancos e recebe uma remuneração 
calculada por meio de taxas de juros pré ou pós-fixadas. O FGC garante o 
principal aplicado até R$ 250mil para pessoas físicas, em caso de “quebra” do 
banco; tornando atrativas as aplicações em bancos pouco conhecidos, que 
oferecem taxas de juros maiores. 
Os RDBs – Recibos de Depósitos Bancários são papéis semelhantes, 
mas não permitem a negociação antes do vencimento. 
2.2.2 Letras Financeiras 
São títulos emitidos por bancos, com prazo de vencimento, remuneração 
combinada e garantias. Diferem dos CDBs, porque são de médio e longo prazo 
e não têm a garantia do FGC. Podem ser consideradas as “debêntures” dos 
bancos. 
 
 
5 
2.2.3 Outros 
Os bancos podem também emitir papéis de dívida lastreados em suas 
operações de crédito. 
• LCI – Letras de Crédito Imobiliário: são lastreadas em operações de 
crédito imobiliário, garantidas por hipoteca ou alienação fiduciária dos 
imóveis financiados. 
• LH – Letras Hipotecárias: são lastreadas em operações de crédito 
garantidos por hipotecas. 
• LCA – Letras de Crédito Agrário: são lastreadas por operações de crédito 
ao agronegócio. 
• LCI, LH e LCA são protegidos pelo FGC e, em setembro de 2022, estavam 
isentas de Imposto de Renda, tornando-se boa alternativa de investimento 
para as Carteiras de Investimento. 
2.4 Produtos de emissão de empresas 
As empresas podem emitir papéis, que, conforme a Lei n. 10.303/2001, já 
apresentada no primeiro capítulo dessa obra, são chamados de Valores 
Mobiliários. Nesse item, apresentamos as emissões de Renda Fixa: representam 
títulos de dívida, têm prazo de vencimento, taxa de juros e garantias 
especificados no Prospecto de Emissão. 
2.4.1 Debêntures 
É o principal papel de dívida emitido por empresas. Visa a captar recursos 
para investimentos de longo de prazo e/ou readequar o perfil de endividamento 
das empresas. Sua emissão é fiscalizada pela CVM e a comercialização se dá 
por meio de corretoras e distribuidoras de valores. A negociação desses papéis 
em mercado secundário (depois da emissão e antes do vencimento) vem 
expandindo no Brasil, tornando esse investimento mais interessante para as 
carteiras de Investimento. 
As debêntures só podem ser emitidas por empresas constituídas na forma 
de Sociedade Anônima. 
 
 
 
6 
2.4.2 Notas Promissórias ou Commercial Papers 
As Notas Promissórias são semelhantes às Debêntures, mas com prazo 
de vencimento menor. Além disso, diferem quanto aos possíveis emissores: 
além das sociedades por ações, sociedades limitadas e cooperativas do 
agronegócio podem emitir a Nota Promissória, também conhecida por 
Commercial Papers. 
Essa é uma boa alternativa para investidores que não precisam de 
liquidez, porque o mercado secundário desses papéis ainda é incipiente no 
Brasil. Isso dificultasua aquisição por Administradores Profissionais de 
Carteiras. 
2.4.3 CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários 
São títulos de crédito emitidos por Companhias Securitizadoras de 
Recebíveis Imobiliárias, que não são instituições financeiras. Essas empresas 
são constituídas na forma de sociedade por ações, adquirem recebíveis 
imobiliários (por exemplo, contratos de aluguel de imóveis industriais e 
comerciais) e os transformam em títulos negociados no mercado. São 
considerados Valores Mobiliários. 
Diferem dos LCI quanto ao emissor: estes são de emissão de instituição 
financeira; os CRI são emitidos por Securitizadoras; os CRIs não são protegidos 
pelo FGC; além das diferenças nos contratos de emissão. 
2.4.4 CRA - Certificados de Recebíveis do Agronegócio 
Semelhantes ao CRI, são títulos de crédito emitidos por Companhias 
Securitizadoras, mas os recebíveis securitizados se relacionam ao Agronegócio. 
TEMA 3 – PRODUTOS DE RENDA VARIÁVEL 
Considera-se produto de renda variável todo aquele sem remuneração 
previamente estabelecida. A promessa é de retorno caso o empreendimento 
tenha sucesso. 
A renda variável atende à função de especulação da moeda, pois visa a 
entregar altos retornos ao investidor, mas se reveste de riscos. Relacionamos, a 
 
 
7 
seguir, os principais títulos, papéis e aplicações caracterizados como renda 
variável. 
3.1 Ações 
É a vedete das aplicações de renda variável. Pode ser entendida como a 
menor parcela do capital social de uma empresa, constituída na forma de 
sociedade por ações. As ações estão presente em praticamente todas as 
Carteiras de Investimento de perfil mais arrojado. 
As possibilidades de ganho são de duas fontes principais: você se torna 
sócia da empresa, podendo vender suas ações por um preço maior do que o de 
aquisição, realizando ganhos de capital. E como sócio você tem direito a receber 
parte dos lucros na forma de dividendos, juros sobre capital próprio, distribuição 
de direitos de subscrição e bonificações. O risco está na possibilidade de perda, 
caso a empresa não tenha lucros e as ações se desvalorizem no mercado. 
3.2 Ouro e moedas 
Conforme já explicado no primeiro capítulo, ouro e moedas estrangeiras 
têm possibilidade de aumentar ou diminuir de valor, caracterizando-se como 
renda variável. Para fazer parte de Carteiras de Investimento, esses dois ativos 
“se transformam” em títulos financeiros, chamados de derivativos. Tornam-se 
lastro para contrato de opções e contratos futuros. 
3.3 Contratos de Investimento Coletivo – Equity Crowdfunding 
O contrato de investimento coletivo é uma forma de captar recursos de 
vários investidores para financiar determinado empreendimento. O 
empreendedor se compromete a dividir os lucros com os investidores. 
Considerados um tipo de valor mobiliário, são regulados e fiscalizados pela CVM. 
As plataformas de Equity Crowdfunding são o tipo de investimento coletivo 
mais conhecido atualmente. Diferentes investidores aportam recursos em 
projetos de menor porte, ou seja, aquelas empresas sem capacidade para emitir 
ações em bolsas de valores. Esse aporte é feito por meio das Plataformas de 
Investimento, registradas na CVM. Caso a empresa tenha sucesso, o investidor 
passa a ser acionista dessa empresa, ou vende suas cotas. É um investimento 
de risco, pode fazer parte de Carteiras de Investimento individuais. 
 
 
8 
É importante distinguir o Equity Crowdfunding das outras formas de 
investimento coletivo. Existe o Debt Crowdfunding, no qual o investidor empresta 
dinheiro para pequenas empresas e recebe de volta parcelas de amortização de 
capital mais juros, como uma operação de renda fixa. Existe também a “vaquinha 
virtual”, mas, apesar de seguir a lógica da arrecadação de recursos entre muitas 
pessoas físicas, usar o software das plataformas não se caracteriza como 
investimento, porque seu objetivo é social: auxiliar alguém em dificuldades 
financeiras. Essas inovações financeiras estão em constante evolução, sendo 
importante se manter informado sobre suas alterações tecnológicas e legais. 
3.4 Private Equity 
O investimento em empresas novas com grande potencial de valorização, 
conhecidas como start ups, reveste-se de algumas características inovadoras. o 
investidor pode aportar recursos ainda na fase de criação da empresa 
(“investidor anjo” ou angel capital), pode aportar recursos na fase pré-
operacional (“capital semente” ou seed capital), e também pode aportar recursos 
quando a empresa já existe e sinaliza grande potencial de crescimento (private 
equity). A principal característica financeira do investimento é o alto potencial de 
valorização, e o diferencial do negócio é a possibilidade de o investidor fazer 
parte da gestão da empresa. 
Os FIP (Fundos de Investimento em Participação) são a forma mais usual 
para aportar recursos nessas empresas na fase private equity. As cotas dos FIPs 
podem fazer parte das Carteiras de Investimento. 
3.5 Outros 
Com vistas a facilitar a captação de recursos para atividades relacionadas 
à cultura e outras inciativas das diferentes esferas governamentais, a CVM 
normatiza a emissão de alguns papéis, normalmente criados por lei. Citamos 
alguns a seguir, destacando sua característica de Renda Variável, ou seja, não 
há garantia de retorno. 
• CPAC – Certificado de Potencial Adicional de Construção: são emitidos 
por prefeituras, com o objetivo de captar recursos para o município, 
mediante a cessão de direitos de construção em espaços e com 
características que extrapolam a Lei de Zoneamento do município. 
 
 
9 
• CAV – Certificado de Investimento Audiovisual: são emitidos por 
produtores independentes para financiar diferentes produções 
audiovisuais, como filmes de curta e longa metragem e outros. São 
autorizados por meio da Lei n. 8.685, de 20 de julho de 1993. 
Podemos resumir os produtos financeiros em produtos de Renda Fixa e 
Variável, de emissão de instituições financeiras, empresas e outras 
organizações. Para o administrador de carteiras, é importante conhecer todos os 
tipos de papéis e também pesquisar entre as instituições financeiras, empresas 
e outros emissores as alternativas de aplicação em cada tipo de papel. 
Apresentamos a seguir os fundos de investimento. Cada fundo pode ser 
entendido como uma Carteira de Investimento, reunindo papéis de acordo com 
sua política de investimento; mas também a aquisição de cotas desses fundos 
pode é uma alternativa de investimento. 
TEMA 4 – FUNDOS DE INVESTIMENTO 
Fundos de Investimento é a reunião de recursos financeiros para serem 
aplicados em um conjunto de papéis do mercado, formando uma carteira de 
investimentos com características previamente definidas. O objetivo é 
proporcionar rentabilidade aos participantes do fundo a partir da somatória das 
rentabilidades de cada um dos papéis que compõem o fundo (Lemes Jr.; Rigo, 
Cherobim, 2022, p. 273). 
4.1 Conceitos 
Os fundos de investimento são pessoas jurídicas constituídas para investir 
em produtos financeiros. Apresentam CNPJ, ou seja, podem ser considerados 
uma organização independente. A seguir, apresentamos alguns conceitos 
tradicionais e, ao longo desse item, procuramos mostrar na prática como 
entender esses fundos. 
A CVM conceitua Fundos de Investimentos como condomínios 
constituídos com o objetivo de promover a aplicação coletiva dos recursos de 
seus participantes. Constituem-se um mecanismo organizado, com a finalidade 
de captar e investir recursos no mercado financeiro, transformando-se numa 
forma coletiva de investimento, com vantagens, sobretudo, para o pequeno 
investidor individual (CVM, 2019 p. 78). 
 
 
10 
Oliveira Filho, em livro específico sobre fundos e sua avaliação, simplifica 
o conceito, afirmando: “Os fundos de investimentos aplicam seus recursos em 
ativos financeiros cuja emissão ou negociação tenham sido objeto de registro ou 
de autorizaçãopela CVM” (Oliveira Filho, 2019, p. 19). 
A indústria de fundos de investimento no Brasil é ampla e diversificada. 
Em julho de 2022, essa indústria reunia R$ 7.200.456,2 milhões de reais, 
distribuídos entre 27.972 fundos2. 
Ao longo desse capítulo, se você refletir sobre os conceitos, classificação 
e tipos de fundos, vai entender que fundos na prática são Carteiras de 
Investimento administradas por profissionais do mercado e delimitadas por 
parâmetros dos órgãos reguladores. 
4.2 Elementos de um fundo de investimento 
Os órgãos reguladores, estudados no primeiro capítulo desse livro, 
estabelecem parâmetros para a organização dos fundos de investimento. 
Apresentamos, a seguir, esses elementos, os quais devem ser analisados pelo 
investidor na escolha do fundo, e pelo profissional de mercado na constituição 
do fundo. 
• Prospecto: é o documento que reúne todas as informações de política de 
investimento do fundo, rentabilidade alvo, perfil da carteira de 
investimentos. É uma síntese do contrato social registrado em cartório. 
• Lâmina: é o documento resumido que apresenta algumas características 
básicas do fundo, entre elas a rentabilidade histórica do fundo e o valor 
das cotas. 
• Administrador: é a instituição financeira que organiza a oferta do fundo, 
cria a pessoa jurídica titular do fundo, responde aos órgãos de fiscalização 
sobre a política de investimento e, entre outras funções, calcula 
diariamente o valor da cota do fundo. O administrador faz a “burocracia” 
do fundo. 
 
2 Para atualizar essas informações consulte o relatório Consolidado histórico de Fundos de 
Investimento, disponível em: . Acesso em: 22 set. 2022. 
 
 
11 
• Gestor: é a pessoa física ou jurídica que faz as aplicações e os resgates 
dos papéis do fundo, seguindo os parâmetros estabelecidos no prospecto. 
Há de ser registrada na CVM. 
• Custodiante: empresa autorizada pelo Bacen para guardar os títulos da 
carteira do fundo. Essa guarda não é mais de papéis físicos, mas de 
registros informacionais, em que constam os números dos papéis, prazos, 
datas e valores escriturais pertencentes ao CNPJ do fundo. Quando um 
papel é vendido, a titularidade desse papel é transferida para outro CNPJ 
ou CPF, cuja transferência está sob responsabilidade das centrais de 
custódia. 
• Cotista: é o investidor que aplica recursos no fundo, em que o montante 
é convertido em cotas (pequena fração da carteira). A vantagem é poder 
aplicar em vários papéis simultaneamente. Além de contar com a seleção 
de carteira mais técnica por parte do gestor, aumentam as possibilidades 
de diversificação, porquanto individualmente o investidor não teria capital 
suficiente para adquirir grande variedade de papéis. 
• Patrimônio: é o montante de recursos aplicado em papéis da carteira de 
investimentos do fundo. O valor do patrimônio é calculado diariamente 
pelo administrador, de acordo com o valor de mercado de cada um dos 
papéis do fundo. 
4.3 Classificação 
Os fundos podem ser classificados conforme a composição de sua 
carteira, seus objetivos, ou, ainda, conforme a sua forma de operação e gestão 
de risco. A CVM classifica os fundos a partir da composição da carteira, e a 
Anbima parte da classificação da CVM e faz o detalhamento de risco. 
A classificação dos fundos de investimento nos ajuda a compreender os 
tipos de fundos. Uma vez definido qual é o tipo de fundo, o gestor é obrigado a 
seguir as exigências daquele fundo. Por exemplo, um Fundo de Investimento em 
Ações precisa, necessariamente manter 67% do patrimônio do fundo em ações; 
o restante da carteira pode estar aplicado em outros papéis, por exemplo Títulos 
Públicos. 
 
 
12 
4.3.1 Classificação dos fundos conforme instrução CVM 555/2014, com 
base na composição de sua carteira 
A composição da carteira se refere ao tipo de papéis o fundo compra para 
investir os seus recursos. Os principais são: Renda Fixa, Ações, Multimercado e 
Cambial. 
4.3.1.1 Fundos regidos pela Instrução CVM 555 
• Fundo de Renda Fixa: deve investir ao menos 80% dos recursos em 
papéis de renda fixa. Pode ser RF simples (95% em títulos públicos), RF 
curto prazo (carteira com prazo médio máximo de 60 dias), RF 
referenciado (95% dos papéis com rentabilidade indexada a determinado 
índice CDI, SELIC e 80% dos recursos aplicados em títulos públicos ou 
ativos de renda fixa, com baixo risco de crédito). 
Aqui, cabe um alerta: esses fundos precisam ter taxas de administração 
muito baixas, especialmente quando as taxas de juros estão baixas; isso porque 
a baixa rentabilidade dos papéis pode não compensar altas taxas de 
administração cobradas. 
• Fundos Multimercado: devem investir em ativos de diferentes mercados, 
de forma a diversificar o risco e, ainda assim, manter elevada 
rentabilidade. Podem investir em ativos de renda fixa, ações, câmbio e 
derivativos. 
• Fundos de Ação: devem investir no mínimo 67% do seu patrimônio em 
ações de empresas listadas em bolsa ou no mercado de ações. Existem 
os fundos de ação com os papéis da carteira negociados pelos gestores, 
de acordo com a política de investimento do fundo. O investidor compra 
cotas, por intermédio da corretora. Caso esses fundos invistam em ações 
especificas, por exemplo, ações de empresas negociadas em balcão, 
essa especificidade deve vir no nome do fundo. 
• Fundo de Investimento Imobiliário (FII): investem em projetos 
imobiliários comerciais e industriais, por exemplo, edifícios garagem, 
shopping centers, edifícios de escritórios. Podem também investir em 
papéis relacionados ao mercado imobiliário. As cotas dos fundos 
valorizam, a depender da valorização do ativo real imóvel vinculado, e 
 
 
13 
também distribuem dividendos, relacionados ao rendimento dos imóveis, 
por exemplo, aluguel das salas comerciais. 
Cabe destacar ser esse um fundo de renda variável, mesmo quando 
distribui rendimentos mensalmente. Não existe o resgate das cotas do fundo; 
quando o investidor quer se desfazer do investimento, vende para outro 
investidor suas cotas, tal qual ocorre com o investimento em ações. 
• Fundo de Índices (ETF – Exchange Traded Fund): esses são papéis 
negociados em bolsa que correspondem a um fundo porque estão 
vinculados ao desempenho de determinado índice ou a um conjunto 
específico de empresas listadas em bolsa. Por exemplo, AGRI11 é um 
ETF administrado pela corretora do Banco do Brasil e vinculado a 
empresas do agronegócio, listadas em bolsa. 
• Fundo de Investimento em Participações (FIP): também conhecidos 
por Fundos de Private Equity, investem em ações, debêntures e outros 
títulos de companhias registradas na CVM, diferenciam-se dos fundos de 
ação, porque sua participação no capital das empresas investidas é 
grande e garante o poder de interferir nas decisões das empresas 
investidas. 
4.3.1.2 Outros fundos de investimento 
Existem outros tipos de fundo com investimento, por exemplo os fundos 
de previdência, ou os fundos com políticas de investimento em ativos bem 
específicos, por exemplo os fundos de privatização. Vamos destacar aqui os 
fundos de previdência, para auxiliar você a pensar na sua formação de poupança 
para aposentadoria. 
• Fundos de Previdência Abertos: diferenciam-se dos fundos tradicionais, 
porque seu objetivo é possibilitar aos investidores fazer retiradas 
periódicas, uma única retirada em sua aposentadoria. Ou seja, são fundos 
de caráter previdenciário. Os fundos abertos podem receber aportes de 
qualquer pessoa física, e, em algumas situações, empresas fazem 
contribuições aos fundos de previdência, proporcionais a de seus 
funcionários, como forme de incentivos funcionais. A supervisão desses 
 
 
14 
fundos não está sob a égide da CVM, mas da SUSEP – Superintendência 
de Seguros Privados, por isso não aparecem nasclassificações CVM3. 
• Fundos de Previdência Fechados: conhecidos como fundos de pensão, 
são fundos organizados por empresas para proporcionar complemento à 
aposentadoria de seus funcionários. Também são fundos de caráter 
previdenciário. O maior fundo de pensão do Brasil é o Previ, dos 
funcionários do Banco do Brasil. Esses fundos são supervisionados pelo 
Conselho Nacional de Previdência Complementar e fiscalizados pela 
PREVIC4 . 
4.3.2 Classificação dos fundos conforme a possibilidade de aporte 
O administrador de Carteiras e o investidor individual não têm acesso a 
todos os tipos de fundo. Conforme a política do fundo de investimento, pode 
existir um limite de Patrimônio Líquido, para facilitar a gestão do fundo. 
• Fundos Abertos: são aqueles com capacidade para receber novos 
aportes de recursos de novos e de antigos cotistas. 
• Fundos Fechados: em função do aumento no patrimônio do fundo, ele 
fecha para aportes, porque atingiu o limite de sua capacidade de absorção 
de mais recursos e aplicação, conforme sua política. Em outras palavras, 
o fundo atingiu sua “capacity”. Por exemplo, um fundo de ações, com 
política de investimento em empresas de pequeno porte, “small caps”, 
está com um volume de recursos financeiros tão grande que não 
consegue mais achar boas oportunidades de investimento em ações de 
empresas de pequeno porte. 
Atenção: não confundir com os fundos de previdência fechados e 
abertos, explicados no item anterior. 
4.3.2 Tipos de fundos conforme suas características operacionais 
Essa é mais uma característica a limitar o investimento, compra de cotas, 
de um fundo. 
 
3 Mais informações: Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2022. 
4 Disponível em: . Acesso em: 22 set. 
2022. 
 
 
15 
• Fundo Master: são fundos fechados para aplicação direta dos cotistas. 
São criados pelas instituições financeiras para “alimentar” os fundos de 
investimento em cotas de participação. Desse modo, a instituição cria um 
fundo de gestão ativa, com boa diversidade de títulos na carteira e os seus 
FICs “compram” parte das cotas do fundo principal. 
• Fundos em Cotas de Investimento: investem em cotas de outros fundos 
e podem atender diferentes perfis de clientes das instituições financeiras. 
Como não é permitido criar diferentes condições de operação para um 
mesmo fundo, os FICs equalizam as condições de taxa de administração, 
valor mínimo de aplicação, valor mínimo de permanência, condições de 
resgate e outras características. 
Como já destacamos, os fundos são carteiras de investimento 
sistematizadas por classificações dos órgãos reguladores e gerenciadas de 
forma profissional pelos administradores e gestores do fundo. Podem se 
constituir como boa alternativa de investimento para quem não tem 
conhecimento, tempo e/ou interesse de estudar todos os ativos financeiros. Por 
outro lado, os fundos constituem oportunidades de trabalho para os profissionais 
de mercado. 
TEMA 5 – PRÁTICAS: ESCOLHENDO PRODUTOS PARA A COMPOSIÇÃO DE 
UMA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS 
Vamos auxiliar Anaximandro a montar sua carteira de investimento. Ele 
está em busca de novas alternativas de investimento. Ele é um adulto jovem, 
está na faixa dos quarenta anos de idade. Trabalha em regime CLT para uma 
grande empresa. É o responsável financeiro por sua família. Sua esposa, Hanna, 
tem atividade profissional remunerada e assume pequena parte das despesas 
familiares. Eles têm dois filhos estudando em colégio particular, o plano de saúde 
é pago pela empresa e sua residência é simples, mas está quitada. 
O patrimônio da família é composto pela residência, por um automóvel 
financiado e pela antiga casa de seus pais, recebida em herança e atualmente 
alugada para um escritório de contabilidade. As receitas da família, incluindo o 
aluguel recebido, totalizam aproximadamente R$ 16.000,00. 
As despesas fixas (escola, despesas de moradia, prestação do 
automóvel, lazer e cursos) somam R$ 7.000. As despesas variáveis (presentes, 
 
 
16 
viagens, remédios eventuais, vestimenta e outros) variam entre R$ 3.000 e R$ 
5.000). 
Você deve auxiliar Anaximandro a estabelecer uma estratégia de 
investimentos: 
a) Qual valor pode ser destinado mensalmente para a formação de 
poupança e investimento? 
b) Considerando a atual fase de vida é importante ter uma reserva para 
emergências? Por quê? 
c) Considerando a inexperiência com investimentos financeiros do 
Epaminondas, ele decidiu aplicar em produtos de renda fixa, tradicionais. 
Indique alguns produtos financeiros para ele aplicar. 
d) Faça uma busca simples na internet para identificar as taxas de juros 
pagas nessas aplicações. 
Algumas orientações gerais para delimitar sua escolha: 
1. Você pode usar uma ferramenta de busca (você será assediado por 
inúmeras propagandas, mantenha o foco e pesquisa as taxas, para os 
valores disponíveis); 
2. Se preferir, você pode acessar o site do seu banco ou corretora e para 
escolher os produtos; dessa forma, você pode usar essa pesquisa para 
seus investimentos pessoais; 
3. Nessa fase do trabalho, Anaximandro irá investir apenas em um produto 
de renda fixa. Nas próximas etapas vamos sofisticar essa carteira de 
investimentos; 
4. Considere indiferente a escolha da corretora ou do banco intermediário. 
Ou seja, o foco da sua análise é o produto financeiro e não os custos da 
instituição ou a facilidade de uso do site ou do aplicativo; 
5. Não existem benefícios de reciprocidade; por exemplo, associar-se a 
determinada instituição financeira e receber benefícios como Passe Livre 
em salas VIP de aeroportos, bônus em compras, dias sem juros no 
cheque especial. 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Mercado de Valores Mobiliários 
Brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro: CVM, 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 22 set. 2022. 
LEMES JR., A. C.; RIGO, C. M.; CHEROBIM, A. P. M. S. Fundamentos de 
Finanças Empresariais: técnicas e práticas essenciais. 2. ed. Barueri: Atlas, 
2022. 
OLIVEIRA FILHO, B. G. Gestão de Fundos de Investimento. São Paulo: Saint 
Paul, 2019.

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