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AULA 2 ADMINISTRAÇÃO DE CARTEIRAS Profª Ana Paula Mussi Szabo Cherobim 2 INTRODUÇÃO As carteiras de investimento, conceituadas no capítulo anterior, investem em produtos financeiros. Existem inúmeros produtos financeiros, e o mercado cria novos produtos a cada instante. No entanto, algumas classificações básicas nos permitem organizar esses produtos: quanto à forma de remuneração, ao risco envolvido, quanto ao agente emissor, entre outras. TEMA 1 – O QUE SÃO PRODUTOS FINANCEIROS? Produtos financeiros são todas as oportunidades de investimento para o agente superavitário fazer a aplicação de recursos excedentes de modo a satisfazer uma das características da moeda: transação, precaução ou especulação. Sob a ótica do agente deficitário, são todas as oportunidades de captação de recursos financeiros. 1.1 Produtos financeiros e as características da moeda Por que estudar a Teoria da Moeda sobre Administração de Carteiras? As carteiras de investimento escolhem os produtos financeiros de acordo com os objetivos do investidor; portanto, é necessário conhecer as funções da moeda e analisar se os papéis a serem adquiridos permitem atingir aqueles objetivos • Transação: Dinheiro em espécie e contas correntes bancárias. O objetivo é efetuar os pagamentos do dia a dia, por isso atendem ao objetivo de transação. Nesse quesito, prevalece a liquidez dos papéis. • Precaução: Aplicações financeiras de baixo risco e alta liquidez. Cadernetas de Poupança, títulos do Tesouro Direto, fundos de investimento de baixo risco e liquidez diária. Visam formar reserva de emergência. • Especulação: O termo pode ter caráter pejorativo, mas a busca por investimentos de maior retorno deixa de ser uma aposta ou jogo, ao utilizar as ferramentas de análise risco X retorno. A decisão de investimento passa a considerar as características do investidor desde seu apetite ao risco até as suas condições financeiras e ciclo de vida. Com isso, é possível formar um patrimônio financeiro consistente. 3 Os produtos de investimento de renda fixa e renda variável, incluindo ações, derivativos e moedas estrangeiras, são oportunidades de investimento para essa categoria. Os fundos de investimento mais agressivos fazem parte da estratégia de especulação do investidor. O investimento em imóveis, joias e outros ativos reais também se caracterizam como especulação, mas não são nosso objeto de estudo. TEMA 2 – PRODUTOS FINANCEIROS E LEGISLAÇÃO Estudamos, no capítulo anterior, sobre o que são carteiras de investimento, os produtos financeiros de forma genérica e as especificações legais para um produto financeiro se caracterizar como um valor mobiliário. Ao longo desse capítulo, vamos especificar cada um desses produtos, independente de se caracterizarem como valores mobiliários ou não. 2.1 Produtos de renda fixa Os produtos de renda fixa se caracterizam por apresentar prazo de vencimento estabelecido, taxa de juros combinada e garantias. O prazo de vencimento estabelece o dia para liquidação da operação. A taxa de juros se refere à remuneração, que pode ser pré-fixada quando a taxa de juros é previamente estabelecida; ou, quando a taxa de juros da operação é vinculada a algum indicador (IPCA, CDI, SELIC, a remuneração é pós-fixada. As garantias são estabelecidas em contrato. Podem ser fidejussórias, vinculadas a outros ativos e depósitos em garantia e ainda ao FGC – Fundo Garantidor de Crédito, criado em 1995, para dar mais segurança ao investidor em papéis emitidos pelos bancos1. 2.1.1 Caderneta de Poupança É a forma mais tradicional para guardar dinheiro no Brasil. A rentabilidade é baixa comparada a outras formas de aplicação, mas é segura, fácil de operar, e está disponível em todos as instituições financeiras tradicionais. É recomendada para as pessoas com poucos recursos disponíveis e sem 1 Para maiores informações, consulte o site disponível: . Acesso em: 30 set. 2022. 4 conhecimento do mercado financeiro. O PIX, inovação financeira criada pelo Banco Central do Brasil em 19 de fevereiro de 2020, aumentou ainda mais a facilidade de uso e a liquidez das contas de poupança, aumentando sua utilização como conta corrente bancária. 2.1.2 Títulos Públicos São papéis emitidos pelo Governo Federal com vistas a captar recursos para a execução da política monetária, financiamento da dívida pública e de alguns objetivos de política econômica. O investimento em títulos públicos está acessível ao pequeno investidor, por meio do site do Tesouro Direto. As tesourarias dos bancos operam diariamente com títulos de públicos, em especial nas operações compromissadas. 2.2 Produtos de emissão de instituições financeiras Os bancos são grandes intermediadores de papéis. Além de viabilizarem a transação de papéis de terceiros, podem emitir papéis para captar recursos e emprestá-los para terceiros. 2.2.1 CBD, RDB O CDB – Certificado de Depósito Bancário é um título de emitido por bancos. O investidor “empresta” dinheiro aos bancos e recebe uma remuneração calculada por meio de taxas de juros pré ou pós-fixadas. O FGC garante o principal aplicado até R$ 250mil para pessoas físicas, em caso de “quebra” do banco; tornando atrativas as aplicações em bancos pouco conhecidos, que oferecem taxas de juros maiores. Os RDBs – Recibos de Depósitos Bancários são papéis semelhantes, mas não permitem a negociação antes do vencimento. 2.2.2 Letras Financeiras São títulos emitidos por bancos, com prazo de vencimento, remuneração combinada e garantias. Diferem dos CDBs, porque são de médio e longo prazo e não têm a garantia do FGC. Podem ser consideradas as “debêntures” dos bancos. 5 2.2.3 Outros Os bancos podem também emitir papéis de dívida lastreados em suas operações de crédito. • LCI – Letras de Crédito Imobiliário: são lastreadas em operações de crédito imobiliário, garantidas por hipoteca ou alienação fiduciária dos imóveis financiados. • LH – Letras Hipotecárias: são lastreadas em operações de crédito garantidos por hipotecas. • LCA – Letras de Crédito Agrário: são lastreadas por operações de crédito ao agronegócio. • LCI, LH e LCA são protegidos pelo FGC e, em setembro de 2022, estavam isentas de Imposto de Renda, tornando-se boa alternativa de investimento para as Carteiras de Investimento. 2.4 Produtos de emissão de empresas As empresas podem emitir papéis, que, conforme a Lei n. 10.303/2001, já apresentada no primeiro capítulo dessa obra, são chamados de Valores Mobiliários. Nesse item, apresentamos as emissões de Renda Fixa: representam títulos de dívida, têm prazo de vencimento, taxa de juros e garantias especificados no Prospecto de Emissão. 2.4.1 Debêntures É o principal papel de dívida emitido por empresas. Visa a captar recursos para investimentos de longo de prazo e/ou readequar o perfil de endividamento das empresas. Sua emissão é fiscalizada pela CVM e a comercialização se dá por meio de corretoras e distribuidoras de valores. A negociação desses papéis em mercado secundário (depois da emissão e antes do vencimento) vem expandindo no Brasil, tornando esse investimento mais interessante para as carteiras de Investimento. As debêntures só podem ser emitidas por empresas constituídas na forma de Sociedade Anônima. 6 2.4.2 Notas Promissórias ou Commercial Papers As Notas Promissórias são semelhantes às Debêntures, mas com prazo de vencimento menor. Além disso, diferem quanto aos possíveis emissores: além das sociedades por ações, sociedades limitadas e cooperativas do agronegócio podem emitir a Nota Promissória, também conhecida por Commercial Papers. Essa é uma boa alternativa para investidores que não precisam de liquidez, porque o mercado secundário desses papéis ainda é incipiente no Brasil. Isso dificultasua aquisição por Administradores Profissionais de Carteiras. 2.4.3 CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários São títulos de crédito emitidos por Companhias Securitizadoras de Recebíveis Imobiliárias, que não são instituições financeiras. Essas empresas são constituídas na forma de sociedade por ações, adquirem recebíveis imobiliários (por exemplo, contratos de aluguel de imóveis industriais e comerciais) e os transformam em títulos negociados no mercado. São considerados Valores Mobiliários. Diferem dos LCI quanto ao emissor: estes são de emissão de instituição financeira; os CRI são emitidos por Securitizadoras; os CRIs não são protegidos pelo FGC; além das diferenças nos contratos de emissão. 2.4.4 CRA - Certificados de Recebíveis do Agronegócio Semelhantes ao CRI, são títulos de crédito emitidos por Companhias Securitizadoras, mas os recebíveis securitizados se relacionam ao Agronegócio. TEMA 3 – PRODUTOS DE RENDA VARIÁVEL Considera-se produto de renda variável todo aquele sem remuneração previamente estabelecida. A promessa é de retorno caso o empreendimento tenha sucesso. A renda variável atende à função de especulação da moeda, pois visa a entregar altos retornos ao investidor, mas se reveste de riscos. Relacionamos, a 7 seguir, os principais títulos, papéis e aplicações caracterizados como renda variável. 3.1 Ações É a vedete das aplicações de renda variável. Pode ser entendida como a menor parcela do capital social de uma empresa, constituída na forma de sociedade por ações. As ações estão presente em praticamente todas as Carteiras de Investimento de perfil mais arrojado. As possibilidades de ganho são de duas fontes principais: você se torna sócia da empresa, podendo vender suas ações por um preço maior do que o de aquisição, realizando ganhos de capital. E como sócio você tem direito a receber parte dos lucros na forma de dividendos, juros sobre capital próprio, distribuição de direitos de subscrição e bonificações. O risco está na possibilidade de perda, caso a empresa não tenha lucros e as ações se desvalorizem no mercado. 3.2 Ouro e moedas Conforme já explicado no primeiro capítulo, ouro e moedas estrangeiras têm possibilidade de aumentar ou diminuir de valor, caracterizando-se como renda variável. Para fazer parte de Carteiras de Investimento, esses dois ativos “se transformam” em títulos financeiros, chamados de derivativos. Tornam-se lastro para contrato de opções e contratos futuros. 3.3 Contratos de Investimento Coletivo – Equity Crowdfunding O contrato de investimento coletivo é uma forma de captar recursos de vários investidores para financiar determinado empreendimento. O empreendedor se compromete a dividir os lucros com os investidores. Considerados um tipo de valor mobiliário, são regulados e fiscalizados pela CVM. As plataformas de Equity Crowdfunding são o tipo de investimento coletivo mais conhecido atualmente. Diferentes investidores aportam recursos em projetos de menor porte, ou seja, aquelas empresas sem capacidade para emitir ações em bolsas de valores. Esse aporte é feito por meio das Plataformas de Investimento, registradas na CVM. Caso a empresa tenha sucesso, o investidor passa a ser acionista dessa empresa, ou vende suas cotas. É um investimento de risco, pode fazer parte de Carteiras de Investimento individuais. 8 É importante distinguir o Equity Crowdfunding das outras formas de investimento coletivo. Existe o Debt Crowdfunding, no qual o investidor empresta dinheiro para pequenas empresas e recebe de volta parcelas de amortização de capital mais juros, como uma operação de renda fixa. Existe também a “vaquinha virtual”, mas, apesar de seguir a lógica da arrecadação de recursos entre muitas pessoas físicas, usar o software das plataformas não se caracteriza como investimento, porque seu objetivo é social: auxiliar alguém em dificuldades financeiras. Essas inovações financeiras estão em constante evolução, sendo importante se manter informado sobre suas alterações tecnológicas e legais. 3.4 Private Equity O investimento em empresas novas com grande potencial de valorização, conhecidas como start ups, reveste-se de algumas características inovadoras. o investidor pode aportar recursos ainda na fase de criação da empresa (“investidor anjo” ou angel capital), pode aportar recursos na fase pré- operacional (“capital semente” ou seed capital), e também pode aportar recursos quando a empresa já existe e sinaliza grande potencial de crescimento (private equity). A principal característica financeira do investimento é o alto potencial de valorização, e o diferencial do negócio é a possibilidade de o investidor fazer parte da gestão da empresa. Os FIP (Fundos de Investimento em Participação) são a forma mais usual para aportar recursos nessas empresas na fase private equity. As cotas dos FIPs podem fazer parte das Carteiras de Investimento. 3.5 Outros Com vistas a facilitar a captação de recursos para atividades relacionadas à cultura e outras inciativas das diferentes esferas governamentais, a CVM normatiza a emissão de alguns papéis, normalmente criados por lei. Citamos alguns a seguir, destacando sua característica de Renda Variável, ou seja, não há garantia de retorno. • CPAC – Certificado de Potencial Adicional de Construção: são emitidos por prefeituras, com o objetivo de captar recursos para o município, mediante a cessão de direitos de construção em espaços e com características que extrapolam a Lei de Zoneamento do município. 9 • CAV – Certificado de Investimento Audiovisual: são emitidos por produtores independentes para financiar diferentes produções audiovisuais, como filmes de curta e longa metragem e outros. São autorizados por meio da Lei n. 8.685, de 20 de julho de 1993. Podemos resumir os produtos financeiros em produtos de Renda Fixa e Variável, de emissão de instituições financeiras, empresas e outras organizações. Para o administrador de carteiras, é importante conhecer todos os tipos de papéis e também pesquisar entre as instituições financeiras, empresas e outros emissores as alternativas de aplicação em cada tipo de papel. Apresentamos a seguir os fundos de investimento. Cada fundo pode ser entendido como uma Carteira de Investimento, reunindo papéis de acordo com sua política de investimento; mas também a aquisição de cotas desses fundos pode é uma alternativa de investimento. TEMA 4 – FUNDOS DE INVESTIMENTO Fundos de Investimento é a reunião de recursos financeiros para serem aplicados em um conjunto de papéis do mercado, formando uma carteira de investimentos com características previamente definidas. O objetivo é proporcionar rentabilidade aos participantes do fundo a partir da somatória das rentabilidades de cada um dos papéis que compõem o fundo (Lemes Jr.; Rigo, Cherobim, 2022, p. 273). 4.1 Conceitos Os fundos de investimento são pessoas jurídicas constituídas para investir em produtos financeiros. Apresentam CNPJ, ou seja, podem ser considerados uma organização independente. A seguir, apresentamos alguns conceitos tradicionais e, ao longo desse item, procuramos mostrar na prática como entender esses fundos. A CVM conceitua Fundos de Investimentos como condomínios constituídos com o objetivo de promover a aplicação coletiva dos recursos de seus participantes. Constituem-se um mecanismo organizado, com a finalidade de captar e investir recursos no mercado financeiro, transformando-se numa forma coletiva de investimento, com vantagens, sobretudo, para o pequeno investidor individual (CVM, 2019 p. 78). 10 Oliveira Filho, em livro específico sobre fundos e sua avaliação, simplifica o conceito, afirmando: “Os fundos de investimentos aplicam seus recursos em ativos financeiros cuja emissão ou negociação tenham sido objeto de registro ou de autorizaçãopela CVM” (Oliveira Filho, 2019, p. 19). A indústria de fundos de investimento no Brasil é ampla e diversificada. Em julho de 2022, essa indústria reunia R$ 7.200.456,2 milhões de reais, distribuídos entre 27.972 fundos2. Ao longo desse capítulo, se você refletir sobre os conceitos, classificação e tipos de fundos, vai entender que fundos na prática são Carteiras de Investimento administradas por profissionais do mercado e delimitadas por parâmetros dos órgãos reguladores. 4.2 Elementos de um fundo de investimento Os órgãos reguladores, estudados no primeiro capítulo desse livro, estabelecem parâmetros para a organização dos fundos de investimento. Apresentamos, a seguir, esses elementos, os quais devem ser analisados pelo investidor na escolha do fundo, e pelo profissional de mercado na constituição do fundo. • Prospecto: é o documento que reúne todas as informações de política de investimento do fundo, rentabilidade alvo, perfil da carteira de investimentos. É uma síntese do contrato social registrado em cartório. • Lâmina: é o documento resumido que apresenta algumas características básicas do fundo, entre elas a rentabilidade histórica do fundo e o valor das cotas. • Administrador: é a instituição financeira que organiza a oferta do fundo, cria a pessoa jurídica titular do fundo, responde aos órgãos de fiscalização sobre a política de investimento e, entre outras funções, calcula diariamente o valor da cota do fundo. O administrador faz a “burocracia” do fundo. 2 Para atualizar essas informações consulte o relatório Consolidado histórico de Fundos de Investimento, disponível em: . Acesso em: 22 set. 2022. 11 • Gestor: é a pessoa física ou jurídica que faz as aplicações e os resgates dos papéis do fundo, seguindo os parâmetros estabelecidos no prospecto. Há de ser registrada na CVM. • Custodiante: empresa autorizada pelo Bacen para guardar os títulos da carteira do fundo. Essa guarda não é mais de papéis físicos, mas de registros informacionais, em que constam os números dos papéis, prazos, datas e valores escriturais pertencentes ao CNPJ do fundo. Quando um papel é vendido, a titularidade desse papel é transferida para outro CNPJ ou CPF, cuja transferência está sob responsabilidade das centrais de custódia. • Cotista: é o investidor que aplica recursos no fundo, em que o montante é convertido em cotas (pequena fração da carteira). A vantagem é poder aplicar em vários papéis simultaneamente. Além de contar com a seleção de carteira mais técnica por parte do gestor, aumentam as possibilidades de diversificação, porquanto individualmente o investidor não teria capital suficiente para adquirir grande variedade de papéis. • Patrimônio: é o montante de recursos aplicado em papéis da carteira de investimentos do fundo. O valor do patrimônio é calculado diariamente pelo administrador, de acordo com o valor de mercado de cada um dos papéis do fundo. 4.3 Classificação Os fundos podem ser classificados conforme a composição de sua carteira, seus objetivos, ou, ainda, conforme a sua forma de operação e gestão de risco. A CVM classifica os fundos a partir da composição da carteira, e a Anbima parte da classificação da CVM e faz o detalhamento de risco. A classificação dos fundos de investimento nos ajuda a compreender os tipos de fundos. Uma vez definido qual é o tipo de fundo, o gestor é obrigado a seguir as exigências daquele fundo. Por exemplo, um Fundo de Investimento em Ações precisa, necessariamente manter 67% do patrimônio do fundo em ações; o restante da carteira pode estar aplicado em outros papéis, por exemplo Títulos Públicos. 12 4.3.1 Classificação dos fundos conforme instrução CVM 555/2014, com base na composição de sua carteira A composição da carteira se refere ao tipo de papéis o fundo compra para investir os seus recursos. Os principais são: Renda Fixa, Ações, Multimercado e Cambial. 4.3.1.1 Fundos regidos pela Instrução CVM 555 • Fundo de Renda Fixa: deve investir ao menos 80% dos recursos em papéis de renda fixa. Pode ser RF simples (95% em títulos públicos), RF curto prazo (carteira com prazo médio máximo de 60 dias), RF referenciado (95% dos papéis com rentabilidade indexada a determinado índice CDI, SELIC e 80% dos recursos aplicados em títulos públicos ou ativos de renda fixa, com baixo risco de crédito). Aqui, cabe um alerta: esses fundos precisam ter taxas de administração muito baixas, especialmente quando as taxas de juros estão baixas; isso porque a baixa rentabilidade dos papéis pode não compensar altas taxas de administração cobradas. • Fundos Multimercado: devem investir em ativos de diferentes mercados, de forma a diversificar o risco e, ainda assim, manter elevada rentabilidade. Podem investir em ativos de renda fixa, ações, câmbio e derivativos. • Fundos de Ação: devem investir no mínimo 67% do seu patrimônio em ações de empresas listadas em bolsa ou no mercado de ações. Existem os fundos de ação com os papéis da carteira negociados pelos gestores, de acordo com a política de investimento do fundo. O investidor compra cotas, por intermédio da corretora. Caso esses fundos invistam em ações especificas, por exemplo, ações de empresas negociadas em balcão, essa especificidade deve vir no nome do fundo. • Fundo de Investimento Imobiliário (FII): investem em projetos imobiliários comerciais e industriais, por exemplo, edifícios garagem, shopping centers, edifícios de escritórios. Podem também investir em papéis relacionados ao mercado imobiliário. As cotas dos fundos valorizam, a depender da valorização do ativo real imóvel vinculado, e 13 também distribuem dividendos, relacionados ao rendimento dos imóveis, por exemplo, aluguel das salas comerciais. Cabe destacar ser esse um fundo de renda variável, mesmo quando distribui rendimentos mensalmente. Não existe o resgate das cotas do fundo; quando o investidor quer se desfazer do investimento, vende para outro investidor suas cotas, tal qual ocorre com o investimento em ações. • Fundo de Índices (ETF – Exchange Traded Fund): esses são papéis negociados em bolsa que correspondem a um fundo porque estão vinculados ao desempenho de determinado índice ou a um conjunto específico de empresas listadas em bolsa. Por exemplo, AGRI11 é um ETF administrado pela corretora do Banco do Brasil e vinculado a empresas do agronegócio, listadas em bolsa. • Fundo de Investimento em Participações (FIP): também conhecidos por Fundos de Private Equity, investem em ações, debêntures e outros títulos de companhias registradas na CVM, diferenciam-se dos fundos de ação, porque sua participação no capital das empresas investidas é grande e garante o poder de interferir nas decisões das empresas investidas. 4.3.1.2 Outros fundos de investimento Existem outros tipos de fundo com investimento, por exemplo os fundos de previdência, ou os fundos com políticas de investimento em ativos bem específicos, por exemplo os fundos de privatização. Vamos destacar aqui os fundos de previdência, para auxiliar você a pensar na sua formação de poupança para aposentadoria. • Fundos de Previdência Abertos: diferenciam-se dos fundos tradicionais, porque seu objetivo é possibilitar aos investidores fazer retiradas periódicas, uma única retirada em sua aposentadoria. Ou seja, são fundos de caráter previdenciário. Os fundos abertos podem receber aportes de qualquer pessoa física, e, em algumas situações, empresas fazem contribuições aos fundos de previdência, proporcionais a de seus funcionários, como forme de incentivos funcionais. A supervisão desses 14 fundos não está sob a égide da CVM, mas da SUSEP – Superintendência de Seguros Privados, por isso não aparecem nasclassificações CVM3. • Fundos de Previdência Fechados: conhecidos como fundos de pensão, são fundos organizados por empresas para proporcionar complemento à aposentadoria de seus funcionários. Também são fundos de caráter previdenciário. O maior fundo de pensão do Brasil é o Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. Esses fundos são supervisionados pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar e fiscalizados pela PREVIC4 . 4.3.2 Classificação dos fundos conforme a possibilidade de aporte O administrador de Carteiras e o investidor individual não têm acesso a todos os tipos de fundo. Conforme a política do fundo de investimento, pode existir um limite de Patrimônio Líquido, para facilitar a gestão do fundo. • Fundos Abertos: são aqueles com capacidade para receber novos aportes de recursos de novos e de antigos cotistas. • Fundos Fechados: em função do aumento no patrimônio do fundo, ele fecha para aportes, porque atingiu o limite de sua capacidade de absorção de mais recursos e aplicação, conforme sua política. Em outras palavras, o fundo atingiu sua “capacity”. Por exemplo, um fundo de ações, com política de investimento em empresas de pequeno porte, “small caps”, está com um volume de recursos financeiros tão grande que não consegue mais achar boas oportunidades de investimento em ações de empresas de pequeno porte. Atenção: não confundir com os fundos de previdência fechados e abertos, explicados no item anterior. 4.3.2 Tipos de fundos conforme suas características operacionais Essa é mais uma característica a limitar o investimento, compra de cotas, de um fundo. 3 Mais informações: Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2022. 4 Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2022. 15 • Fundo Master: são fundos fechados para aplicação direta dos cotistas. São criados pelas instituições financeiras para “alimentar” os fundos de investimento em cotas de participação. Desse modo, a instituição cria um fundo de gestão ativa, com boa diversidade de títulos na carteira e os seus FICs “compram” parte das cotas do fundo principal. • Fundos em Cotas de Investimento: investem em cotas de outros fundos e podem atender diferentes perfis de clientes das instituições financeiras. Como não é permitido criar diferentes condições de operação para um mesmo fundo, os FICs equalizam as condições de taxa de administração, valor mínimo de aplicação, valor mínimo de permanência, condições de resgate e outras características. Como já destacamos, os fundos são carteiras de investimento sistematizadas por classificações dos órgãos reguladores e gerenciadas de forma profissional pelos administradores e gestores do fundo. Podem se constituir como boa alternativa de investimento para quem não tem conhecimento, tempo e/ou interesse de estudar todos os ativos financeiros. Por outro lado, os fundos constituem oportunidades de trabalho para os profissionais de mercado. TEMA 5 – PRÁTICAS: ESCOLHENDO PRODUTOS PARA A COMPOSIÇÃO DE UMA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS Vamos auxiliar Anaximandro a montar sua carteira de investimento. Ele está em busca de novas alternativas de investimento. Ele é um adulto jovem, está na faixa dos quarenta anos de idade. Trabalha em regime CLT para uma grande empresa. É o responsável financeiro por sua família. Sua esposa, Hanna, tem atividade profissional remunerada e assume pequena parte das despesas familiares. Eles têm dois filhos estudando em colégio particular, o plano de saúde é pago pela empresa e sua residência é simples, mas está quitada. O patrimônio da família é composto pela residência, por um automóvel financiado e pela antiga casa de seus pais, recebida em herança e atualmente alugada para um escritório de contabilidade. As receitas da família, incluindo o aluguel recebido, totalizam aproximadamente R$ 16.000,00. As despesas fixas (escola, despesas de moradia, prestação do automóvel, lazer e cursos) somam R$ 7.000. As despesas variáveis (presentes, 16 viagens, remédios eventuais, vestimenta e outros) variam entre R$ 3.000 e R$ 5.000). Você deve auxiliar Anaximandro a estabelecer uma estratégia de investimentos: a) Qual valor pode ser destinado mensalmente para a formação de poupança e investimento? b) Considerando a atual fase de vida é importante ter uma reserva para emergências? Por quê? c) Considerando a inexperiência com investimentos financeiros do Epaminondas, ele decidiu aplicar em produtos de renda fixa, tradicionais. Indique alguns produtos financeiros para ele aplicar. d) Faça uma busca simples na internet para identificar as taxas de juros pagas nessas aplicações. Algumas orientações gerais para delimitar sua escolha: 1. Você pode usar uma ferramenta de busca (você será assediado por inúmeras propagandas, mantenha o foco e pesquisa as taxas, para os valores disponíveis); 2. Se preferir, você pode acessar o site do seu banco ou corretora e para escolher os produtos; dessa forma, você pode usar essa pesquisa para seus investimentos pessoais; 3. Nessa fase do trabalho, Anaximandro irá investir apenas em um produto de renda fixa. Nas próximas etapas vamos sofisticar essa carteira de investimentos; 4. Considere indiferente a escolha da corretora ou do banco intermediário. Ou seja, o foco da sua análise é o produto financeiro e não os custos da instituição ou a facilidade de uso do site ou do aplicativo; 5. Não existem benefícios de reciprocidade; por exemplo, associar-se a determinada instituição financeira e receber benefícios como Passe Livre em salas VIP de aeroportos, bônus em compras, dias sem juros no cheque especial. 17 REFERÊNCIAS CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro: CVM, 2019. Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2022. LEMES JR., A. C.; RIGO, C. M.; CHEROBIM, A. P. M. S. Fundamentos de Finanças Empresariais: técnicas e práticas essenciais. 2. ed. Barueri: Atlas, 2022. OLIVEIRA FILHO, B. G. Gestão de Fundos de Investimento. São Paulo: Saint Paul, 2019.