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AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ADMINISTRAÇÃO DE 
CARTEIRAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Paula Mussi Szabo Cherobim 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Qualquer carteira de investimentos é composta por papéis, ou títulos do 
mercado financeiro. Esta etapa apresenta a administração de carteiras à luz da 
principal teoria sobre administração desse conjunto de ativos: Portfolio Selection, 
desenvolvida em 1952 por Harry Markowitz. 
Vários autores e profissionais de mercado fizeram boas contribuições para 
o estudo da administração de carteiras. Os clássicos aprofundaram a questão do 
risco, por exemplo, Sharpe (1964), Lintner (1965), Fama (1970); Kahneman e 
Tversky (1979) incluíram fatores menos reacionais e mais psicológicos à análise, 
iniciando o estudo de Finanças Comportamentais. Outros profissionais analisaram 
a questão das bolhas de mercado, e mais recentemente, fortaleceram o status do 
investimento financeiro como direcionador da Nova Ordem Mundial, como Soros 
(2008). Porém, os princípios da Teoria de Carteiras de Markowitz estão validos 
até hoje, setenta anos depois. 
Além dessa introdução, esta etapa visa a apresentar a modelagem da 
Teoria de Carteiras de Markowitz, explicar de forma conceitual e estatística a 
diversificação e a correlação de ativos; para então desenhar a fronteira eficiente. 
Antes de terminar o capítulo, diferenciamos a gestão ativa da gestão passiva de 
carteiras e desenvolvemos alguns princípios práticos para elaborar e administrar 
uma carteira de investimento. 
TEMA 1 – MARKOWITZ E A MODERNA TEORIA DE CARTEIRAS – PORTFOLIO 
SELECTION 
Todo investidor e/ou administrador carteiras procura aplicações financeiras 
com maior retorno. Ao procurar papéis com o objetivo de poupar por precaução, 
investir por especulação e aumentar seu patrimônio, o investidor usualmente 
concentra sua busca em papéis que oferecem maior taxa de juros, na renda fixa, 
e maior perspectiva de ganhos, na renda variável. Markowitz dá mais 
complexidade a esse raciocínio: não basta procurar maiores taxas e/ou ganhos: a 
fonte de geração desses ganhos precisa ser diferente. Em outras palavras: os 
papéis da carteira precisam variar de forma diferente entre si e em relação ao 
mercado. E assim apresentamos a primeira grande contribuição de Markowitz: o 
conceito de diversificação. 
 
 
3 
Várias vezes ocorrem perdas no valor dos papéis e nas remunerações 
esperadas. Em momentos de crises econômicas, os papéis tendem a perder valor: 
ações; títulos emitidos pelos governos; moedas e outros ativos. No entanto, nem 
todos os ativos perdem valor, se desvalorizam com a mesma intensidade: por 
exemplo, moedas de países com economia mais forte, tendem a se valorizar, o 
mesmo ocorrendo com títulos de governo de países mais ricos; e em relação às 
empresas, o preço de algumas ações pode até subir, a depender de sua atividade, 
ou ao menos, vão sofrer menor impacto da tendência geral de queda. 
Por outro lado, quando a economia melhora, nem todos os ativos reagem 
com a mesma velocidade; ou seja, alguns recuperam valor mais rapidamente e 
outros podem até nunca mais se recuperar. O investidor precisa, portanto, 
identificar como os ativos se comportam em relação ao mercado. A segunda 
grande contribuição de Markowitz foi estabelecer a base para o estudo da relação 
risco X retorno dos ativos. 
A rentabilidade de uma carteira de investimentos é consequência da 
rentabilidade dos papéis que compõem essa carteira. O investidor tende a tomar 
a decisão de investimento a partir do seu conhecimento de mercado e suas 
expectativas futuras. Para Markowitz essa preocupação é necessária, mas não 
suficiente. Para avaliar corretamente a rentabilidade de cada um dos papéis da 
carteira é necessário também compreender qual o nível de risco desse papel. 
Portanto, a análise deve ser sempre da relação “risco X retorno”. 
1.1 Risco x retorno 
Conforme já destacado, a diversificação é a principal contribuição de 
Markowitz para a Administração de Carteiras. Porém, antes de aprofundarmos as 
estratégias de diversificação, precisamos entender a relação risco X retorno. 
Em uma economia relativamente estável, todos os agentes econômicos 
estão em busca da satisfação de suas necessidades, dentre elas a valorização do 
seu patrimônio: em ativos reais e ativos financeiros. O mercado financeiro viabiliza 
a troca desses ativos; contudo, as perspectivas e possibilidades de ganho são 
diferentes. Os projetos podem não obter o sucesso esperado, limitando ganhos, 
causando perdas e prejuízos. Essa variabilidade dos retornos é chamada de risco 
e precisa ser considerada na tomada de decisão de investimento. Alguns 
exemplos, a seguir, procuram evidenciar essa relação “risco X retorno”. 
 
 
4 
a) Os analistas de mercado dificilmente recomendam o investimento em 
Caderneta de Poupança no Brasil, em função de seu rendimento ser um 
dos mais baixos do mercado. Sob a ótica do retorno, a não recomendação 
está perfeita. No entanto, além da facilidade de aplicação, liquidez e 
padronização do produto em todas as instituições financeiras, as 
aplicações em Caderneta de Poupança têm baixíssimo risco. Ou seja, para 
quem não tem conhecimento de mercado, pode ser uma boa alternativa de 
investimento. 
b) O investimento em ouro é uma forma de preservação de valor. Em 
momentos de crise, esse ativo financeiro tende a se valorizar; mas quando 
a economia do país se fortalece o preço do metal tende a cair. 
O Gráfico 1, Ouro X PIB, apresenta a variação mensal do PIB e do ouro 
para o período novembro 2021 a julho 2022. Podemos perceber a flutuação 
inversa das variações nos meses de março, maio e junho de 2022. 
Gráfico 1 – Ouro x PIB 
 
c) O investimento em ações oferece melhores perspectivas de retorno, no 
entanto, o investidor corre riscos relacionados às empresas investidas e ao 
mercado financeiro, em especialmente variações na bolsa de valores. Por 
outro lado, o investimento em títulos públicos é mais conservador: menos 
arriscado porque há mais segurança entre receber juros do governo e 
-0,1000
-0,0500
 -
 0,0500
 0,1000
 0,1500
nov/21 dez/21 jan/22 fev/22 mar/22 abr/22 mai/22 jun/22 jul/22
Variação Ouro X PIB
 Ouro PIB
 
 
5 
auferir ganhos de capital e proventos pagos pelas empresas listadas em 
bolsa. 
O Gráfico 2, Ações X Taxa SELIC, evidencia o aumento de investimento 
em fundos de ações quando a taxa SELIC cai ao longo dos últimos 20 anos. 
Gráfico 2 – Ações X taxa SELIC 
Fonte: Anbima; Bloomberg; Nord Research. 
Naturalmente muitos outros fatores influenciam essas variações, mas os 
gráficos nos ajudam a compreender os movimentos da relação risco X retorno. 
1.2 Diversificação 
A Teoria de Markowitz destaca a diversificação como uma estratégia de 
evitar a correlação entre os ativos. 
Portanto, diversificar não é procurar ativos diferentes, mas é sim procurar 
ativos que se comportem de maneira diferente em face ao mesmo problema ou 
situação. 
O administrador de Carteiras pode “fugir” dessa correlação buscando 
diferentes classes de ativos: 
 
 
6 
• Tipos diferentes de ativos: renda fixa X renda variável; 
• Na renda fixa: títulos públicos X títulos privados 
• Em títulos privados: setores econômicos diferentes 
• Na renda variável: Ações X Moedas X Derivativo 
• Em ações: empresas de segmentos diferentes, empresas de grupos 
econômicos diferentes. 
• Em moedas: dólar, euro, criptomoedas 
Essa busca tem características qualitativas. A efetiva diversificação vai 
ocorrer a partir da aplicação de técnicas estatísticas para analisar o 
comportamento dos retornos desses ativos, em relação ao comportamento do 
mercado. Desse modo, as técnicas quantitativas contribuem para a seleção dos 
ativos a comporem a carteira. 
TEMA 2 – DIVERSIFICAÇÃO E CORRELAÇÃO DE ATIVOS 
Os métodos estatísticos usando para calcular a diversificação recorrem ao 
tradicionalcálculo de médias e desvios padrão. Apresentamos a seguir um breve 
roteiro e uma aplicação “didática” usando ativos e retornos criados para mais bem 
explicar a utilização do modelo: 
1. Reunir informações sobre o retorno dos ativos a serem analisados; caso 
não seja possível reunir o histórico, é necessário fazer uma projeção dos 
retornos esperados. 
2. Calcula-se o retorno médio. 
3. Calcula-se o desvio padrão, com vista a mensurar a variabilidade dos 
retornos. 
4. Calcula-se a relação risco retorno. A maneira mais simples é dividir o 
retorno médio pelo desvio padrão. O ativo com maior relação 
retorno/desvio padrão é o mais interessante. 
5. Para elaborar a carteira, atribuímos inicialmente a mesma participação 
percentual para cada ativo na carteira. 
6. Calculamos o retorno médio da carteira, por meio da média ponderada: 
somatório dos retornos, ponderados pela participação média de cada ativo 
na carteira. 
7. Calculamos o desvio padrão médio ponderado da carteira. 
8. Calculamos a relação risco retorno da carteira. 
 
 
7 
2.1 Histórico de retornos 
O quadro 1 apresenta quatro ativos e sua rentabilidade ao longo dos 
últimos doze meses. Não sabemos que tipo de ativo é: renda fixa ou variável, 
emitido por banco, empresa ou governo. Vamos fazer a análise apenas 
considerando o histórico de retornos. 
Quadro 1 – Histórico de retornos dos ativos 
A partir da análise risco retorno, o ativo KKK apresenta o menor retorno 
0,45% com o maior risco, representado pelo desvio padrão de 0,0090314. Essa 
escolha é corroborada pela menor relação retorno/desvio padrão, entre os quatro 
ativos 0,5028748. Esse ativo será retirado da carteira. 
2.2 Cálculo do risco x retorno da carteira: 
Vamos trabalhar com apenas três papéis na nossa carteira: MMM, YYY, 
ZZZ. 
Continuamos a análise da carteira calculando o retorno médio ponderado, 
o desvio padrão médio ponderado e a relação retorno desvio padrão média 
ponderada. O Quadro 2 evidencia esses cálculos: 
 
Retorno Retorno Retorno Retorno
jan/x0 0,50% jan/x0 0,80% jan/x0 0,45% jan/x0 -0,50%
fev/x0 0,40% fev/x0 0,90% fev/x0 0,60% fev/x0 -0,70%
mar/x0 0,60% mar/x0 0,30% mar/x0 0,60% mar/x0 1,25%
abr/x0 0,55% abr/x0 -0,50% abr/x0 0,60% abr/x0 1,80%
mai/x0 0,70% mai/x0 -0,50% mai/x0 0,70% mai/x0 -0,01%
jun/x0 0,80% jun/x0 0,70% jun/x0 0,60% jun/x0 1,20%
jul/x0 0,50% jul/x0 0,65% jul/x0 0,65% jul/x0 1,50%
ago/x0 0,65% ago/x0 0,35% ago/x0 0,60% ago/x0 1,30%
set/x0 0,70% set/x0 -0,35% set/x0 0,65% set/x0 0,75%
out/x0 0,75% out/x0 2,00% out/x0 0,70% out/x0 -0,55%
nov/x0 0,70% nov/x0 1,90% nov/x0 0,75% nov/x0 1,10%
dez/x0 0,65% dez/x0 -0,80% dez/x0 0,70% dez/x0 1,20%
Média de retorno 0,63% Média de retorno 0,45% Média de retorno 0,63% Média de retorno 0,70%
Desvio Padrão 0,001177439 Desvio Padrão 0,0090314 Desvio Padrão 0,000778 Desvio Padrão 0,008863
Retorno/dp 5,308128626 Retorno/dp 0,5028748 Retorno/dp 8,135314 Retorno/dp 0,784136
Ativo KKK - histórico 
de retornos
Ativo MMM - histórico de 
retornos
Ativo YYY - histórico 
de retornos
Ativo ZZZ - histórico 
de retornos
 
 
8 
Quadro 2 – Relação risco retorno da carteira 
O Quadro 2 nos mostra uma carteira composta por três ativos. A 
participação percentual de cada um é proporcional, 33,% cada. O retorno médio 
é 0,65%, com risco medido pelo desvio padrão de 0,003606. 
É necessário ainda calcular como cada ativo se comporta em relação ao 
outros. Isso é possível por meio do cálculo da correlação dos ativos, apresentada 
no Quadro 3. 
Quadro 3 – Correlação dos ativos 
Os ativos MMM e YYY são bastante correlacionados, as suas 
possibilidades de retorno se comportam de modo semelhante. O ativo ZZZ 
apresenta retornos mais independentes do retorno de YYY e MMM. 
A otimização da carteira se dá por meio da melhor combinação dos ativos. 
O Quadro 4 mostra simulações para a essa composição. As três primeiras colunas 
simulam uma carteira composta apenas por um ativo, ou seja, a relação risco 
retorno da carteira é igual a relação risco retorno do ativo. 
As colunas seguintes mostram diferentes combinações, mostrando maior 
retorno quando o ativo ZZZ participa com maior peso, porém aumentando o risco. 
A melhor combinação, dentre as calculadas é a última coluna: 20% de MMM; 47% 
de YYY e 33% de ZZZ. O retorno médio é 0,652%, o segundo mais alto dentre os 
apresentados, e o segundo menor risco 0,00353; sendo essa a melhor relação 
risco retorno. 
retorno dp ret/dp Peso
MMM 0,63% 0,0011774 5,308129 0,33 
YYY 0,63% 0,0007785 8,135314 0,33 
ZZZ 0,70% 0,0088633 0,784136 0,33 
carteira 0,65% 0,003606 4,74 
MMM YYY ZZZ
MMM 1,00 
YYY 0,4959 1,00 
ZZZ 0,1812 0,1825 1,00 
 
 
9 
A utilização da ferramenta “solver” do Excel permite inúmeras simulações, 
até encontrar a relação risco retorno ótima. 
TEMA 3 – FRONTEIRA EFICIENTE 
A partir da combinação de diferentes ativos podemos calcular diferentes 
relações risco retorno. Se considerarmos um número limitado de ativos 
disponíveis podemos estabelecer diferentes relações risco retorno ótimas. A 
depender do apetite de risco do investidor, podemos selecionar ativos para 
carteiras mais arriscadas, aumentando as expectativas de retorno; o risco 
assumido será maior; porém a relação risco retorno também deve ser a maior. Por 
outro lado, se o investidor é conservador, não quer assumir riscos, é possível 
selecionar ativos menos arriscados para a carteira, usualmente com promessa de 
retorno menor; mas entre esses ativos menos arriscados é preciso escolher 
aqueles com retornos maiores, mantendo a maior relação risco retorno possível. 
Essas combinações permitem traçar o gráfico da Fronteira Eficiente. 
3.1 O gráfico da Fronteira Eficiente 
A Fronteira Eficiente é traçada em um plano onde o eixo horizontal 
representa o nível de risco, aumentado da esquerda para a direita e o nível de 
retorno está representado no eixo vertical, quanto mais para cima, maior o retorno. 
Ao longo da linha preta estão as combinações possíveis de risco x retorno. 
MMM 0% 0% 100% 33% 40% 25% 28% 20%
YYY 0% 100% 0% 33% 30% 25% 28% 47%
ZZZ 100% 0% 0% 33% 30% 50% 45% 33%
100%
retorno da carteira 0,70% 0,63% 0,63% 0,651% 0,649% 0,662% 0,659% 0,652%
desvio padrao cart 0,00886 0,00078 0,00118 0,00361 0,00336 0,00492 0,00453 0,00353 
Ret/risco carteira 0,7841 8,1353 5,3081 4,7425 4,7991 3,7529 4,0498 5,1440 
 
 
10 
 
Qualquer carteira, prometendo maiores ou menores retornos, ao seguir a 
Teoria de Markowitz irá escolher ativos com a relação risco X retorno plotada na 
linha da Fronteira Eficiente. 
3.2 Fazendo escolhas corretas 
Se considerarmos as figuras geométricas como ativos plotados conforme 
sua combinação risco retorno, podemos afirmar: 
• O ativo hexágono está na fronteira eficiente; o papel aceita menor retorno, 
porque corre menor nível de risco. 
• O ativo quadrado também está na fronteira eficiente: assume mais risco, 
em função da possibilidade de auferir maiores retornos. 
• O ativo losango assume maior risco e a perspectiva de retorno é igual ao 
ativo hexágono; ou seja, losango não está na Fronteira Eficiente, assume 
riscos desnecessários. 
• O ativo pentágono, tal qual o hexágono não está na fronteira eficiente, a 
sua relação risco retorno. 
 
 
 
 
11 
TEMA 4 – GESTÃO ATIVA E GESTÃO PASSIVA 
A administração de carteira acontece segundo o objetivo do investidor, no 
caso de investimentos individuais ou conforme a política do Fundo de 
Investimentos, no caso de investidores institucionais. Não há consenso sobre a 
superioridade de um tipo de gestão sobre outro. A gestão ativa seleciona uma 
estratégia, estuda os indicadores e procura ganhos acima do mercado, a partir da 
compra e venda de títulos. A gestão passiva, procura manter na carteira papéis 
cuja rentabilidade siga um índice pré-definido na política de investimentos.4.1 Conceito de gestão de carteiras 
A gestão de carteiras é bastante evidente quando a carteira se refere ao 
um fundo de investimento, registrado na CVM. Para isso existem parâmetros de 
quais tipos de papel devem compor a carteira e em que proporção. 
A forma de relacionamento com os investidores, cotistas do fundo, também 
faz parte da gestão da carteira do fundo. Para atender as condições de resgate, 
por exemplo D+1, o gestor da carteira do fundo deve manter recursos em caixa, 
de forma a ter a liquidez necessária para os honrar os pedidos de resgate. 
4.2 Gestão ativa 
Entenda por “ativa” o frequente acompanhamento do mercado, para 
encontrar papéis sub avaliados e que possam entregar retornos acima dos 
parâmetros esperados na política de investimento da carteira. Mesmo papéis de 
renda fixa, podem obter ganhos adicionais quando sua precificação está superior 
ao esperado no vencimento. Isso pode acontecer, por exemplo, quando as 
perspectivas são de redução da inflação, com consequente queda nas taxas de 
juros no futuro. Os papéis pré-fixados, a taxas de juros acima das taxas esperadas 
sofrem aumento de valor durante um intervalo de tempo, antes do seu vencimento. 
O gestor ativo, vende esses papéis, trazendo um ganho adicional para a carteira. 
Essa atuação exige equipes de analistas certificados. As premissas da gestão 
ativa estão na baixa eficiência dos mercados e nas diferentes expectativas de 
retorno e risco (Knight; Sachtel, 2002, citados por Oliveira Filho, 2019, p. 111). 
 
 
 
 
12 
4.2.1 Administração profissional de carteiras de terceiros 
Os princípios de administração e carteiras são válidos para qualquer 
administrador. A administração profissional deve segregar as funções da gestão 
do patrimônio próprio da instituição coma gestão do patrimônio de terceiros, 
prática conhecida por Chinese Wall. Essa exigência da CVM deu origem a 
empresas especializadas, conhecidas por Assets Management: o investidor 
estabelece uma tese de investimento junto aos profissionais da empresa e os 
resultados almejados serão obtidos mediante o trabalho de equipes, estruturadas, 
conforme Oliveira Filho (2019) em: gestão de portfólio, com especialistas em 
setores do mercado; análise econômica; pesquisa; gestão de risco; compliance e 
controles internos; administração e Back office; e distribuição. 
4.3 Gestão passiva 
É a gestão na qual não é necessário buscar papéis a cada instante. A 
carteira é formada a partir da política de investimento, sempre vinculando os 
papéis a um benchmarking. A administração de carteiras passiva pode ser 
relacionada à crença no Mercado Eficiente. Conforme Fama (1970), o 
comportamento dos preços dos ativos em um mercado eficiente reflete todas as 
alterações de mercado. 
No caso dos fundos de investimento, a gestão passiva precisa obter 
retornos acima do benchmarking do fundo, para poder custear a taxa de 
administração. Se o gestor se limitar a investir em papéis vinculados ao 
benchmarking do fundo, poderá ter problemas na hora de entregar a rentabilidade 
liquida do fundo. 
4.3.1 Benchmarketing 
A política de um investidor e/ou de um fundo de investimento pode 
estabelecer um parâmetro de rentabilidade. Normalmente são escolhidos índices 
do mercado, por exemplo a taxa SELIC, a taxa CDI ou, no caso de aplicações em 
ações, algum índice da Bolsa de Valores. A variação desses índices é o mínimo 
de rentabilidade a ser obtida pelo gestor da carteira. A expressão benchmarking 
vem do marketing e procura expressar quem ou o que é o espelho, é o objetivo 
daquele produto, no caso de carteiras de investimento, quem é o exemplo, ou qual 
é a meta do administrador da carteira. 
 
 
13 
A administração de carteiras se torna ainda mais complexa quando 
incluímos as diferentes formas de avaliar, mensurar e incluir o risco na decisão de 
investimento das carteiras. Esse tema é objeto do quarto capítulo desse livro. 
TEMA 5 – PRÁTICAS – DESVELANDO O CAMINHO PARA A ELABORAÇÃO E 
ADMINISTRAÇÃO DE UMA CARTEIRA DE INVESTIMENTOS 
Para analisar investimentos algumas “máximas do mercado” devem ser 
conhecidas, e preferencialmente respeitadas: 
5.1 A maldição do vencedor 
Esse é um alerta para a tomada de decisão de investimento: a ideia por 
trás dessa heurística do mercado financeiro está na tentação dos investidores 
escolherem seus investimentos se baseando no histórico de rendimentos do 
produto financeiro. No caso dos fundos de investimentos, a maldição do vencedor 
está em tomar a decisão baseado nos retornos verificados, sem analisar a 
perspectiva de retornos futuros. Isso pode ser feito de forma qualitativa analisando 
as perspectivas dos ativos da carteira e de forma quantitativa, calculando a 
evolução da relação risco X retorno. 
5.2 Alterações de mercado: bear market e bull market 
Os ativos de renda variável podem ter altas e baixas nos seus preços. Essa 
é a característica principal para serem classificados com renda variável. 
Existe um jargão de mercado para quando os preços caem 
sistematicamente, ao longo de um período: bear market. 
O nome está associado ao urso (bear, em inglês). O urso ataca sua presa 
de cima para baixo. 
O bear market só é caracterizado se o índice de referência cair 
sistematicamente. Usualmente, o pessimismo com as perspectivas de mercado 
acompanha um bear market. Nesse caso, pode ocorrer o fly to quality, ou fuga 
para qualidade. 
No mercado acionário brasileiro, usamos o índice Ibovespa ou o IBRX. Se 
o índice cai ao longo de um período, o investidor identifica o bear market, para 
seu horizonte de investimento e tende a vender suas ações, ou posições em 
 
 
14 
ações, e compra títulos públicos. A mesma fuga pode acontecer entre mercados 
de diferentes países. 
Alerta: vender ativos em mercados em queda pode significar perda de 
dinheiro, mas se a tendência do ativo é continuar em queda, acompanhando a 
queda do mercado, então você estará fazendo um “stop loss”, ou limitação de 
perdas. 
Alerta: se o mercado está em queda, mas você identifica a possibilidade de 
alta em alguma(s) ação(es) específicas, pode ser interessante “comprar na baixa” 
para depois “vender na alta”. 
O jargão de mercado para quando os preços sobem sistematicamente, ao 
longo de um período é o: bull market. 
O nome está associado ao touro (bull, em inglês). O touro ataca sua presa 
de baixo para cima. O folclore do mercado financeiro associa o touro a grandes 
ganhos, por isso a presença de um touro fabricado em bronze próximo à Bolsa de 
Valores de Nova York, emblema repetido em frente a outras bolsas de valores do 
mundo. 
O mercado em ascensão bull market pode trazer novos investidores, mas 
também os mais experientes tendem a realizar seus ganhos, vendem as ações. A 
depender da proporção de novas aquisições e realização de ganhos de capital, a 
tendência de mercado de alta pode se confirmar ou se reverter. 
5.3 Os principais critérios de análise para escolher administradores de 
carteira 
Estabelecida a sua estratégia de investimentos, é necessário escolher o 
administrador de sua carteira, ou caso você resolva decidir individualmente, basta 
selecionar um operador. 
Você pode operar com várias corretoras e bancos, mas isso vai trazer um 
trabalho adicional: além de comparar os produtos de investimento, precisa 
comparar os administradores. 
Para analisar as casas de investimento ou assets: 
• Verificar quais as assets existentes. 
Essa busca pode ser ativa: levantar todas ou algumas com auxilio das 
informações sistematicamente publicadas pela Anbima. Em julho de 2022 
existiam 101 administradores de fundo registrados na Anbima. Disponível em: 
 
 
15 
https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/ranking/fundos-de-
investimento/administradores.htm. Acesso em: 11 out. 2022. 
Ou a busca pode ser passiva: pesquisar apenas aquelas corretoras e 
instituições financeiras de seu relacionamento. 
Compararas características dessas instituições: 
• Histórico do administrador 
• Perfil dos gestores 
• Tipos de papéis oferecidos. 
• Facilidade de acesso 
• Outras especificidades relacionadas aos seus interesses particulares. Por 
exemplo, facilidade de uso do aplicativo e/ou site da administradora. 
Na sequência você vai escolher os papéis, conforme sua política pessoal 
de investimento, ou então vai estabelecer sua estratégia, junto a um administrador 
profissional. 
Alguns produtos de investimento mais “populares” são oferecidos em 
diferentes casas de investimento, mas você pesquisa primeiro os papéis e fundos 
da(s) asset(s) selecionadas. 
Alerta: A depender do seu porte de investidor você poderá ter acesso a 
inúmeras informações e aos gestores. No entanto, se o seu porte de investimento 
é menor, nem sempre todas essas informações estarão disponíveis e/ou o gestor 
estará acessível. Você deverá desenvolver capacidade de análise e rapidamente 
selecionar quais relatórios interessam para sua decisão de investimento. Caso 
contrário você vai gastar muito tempo lendo relatórios, sem, contudo, relacionar 
essas informações aos seus investimentos. 
Alerta: Teoria de Agência. O pessoal das corretoras visa a proporcionar 
bons retornos aos seus clientes, porém eles têm seus interesses particulares e 
podem receber incentivos para oferecer outros produtos financeiros com 
perspectivas de retornos não tão boas para você. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
FAMA, E. Efficient capital markets: a review of theory and empirical work. Journal 
of Finance, v. 25, n. 2, p. 383-417, 1970. 
KAHNEMAN, D.; TVERSKY, A. Prospect theory: an analysis of decision under 
risk. Econometrica, v. 46, p. 171-185, 1979. 
LINTNER, J. The valuation of risk assets and the selection of risky investments in 
stock portfolios and capital budgets. The Review of Economic Statistics, v.47, 
p.13-37, 1965. 
OLIVEIRA FILHO, B. G. Gestão de Fundos de Investimento. São Paulo: Saint 
Paul, 2019. 
SHARPE, W. E. Capital asset prices: a theory of market equilibrium under 
conditions of risk. Journal of Finance, v. 19, p. 425-442, 1964. 
SOROS, G. The new paradigm for financial markets: the credit crisis of 2008 
and what it means. New York: PublicAffairs, 2008.

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