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ABSORÇÃO VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS FÁRMACOS Curso de Graduação em Odontologia Disciplina de Bases Farmacológicas Bárbara GurgelProfessora & Introdução à farmacologia Farmacocinética Farmacodinâmica Unidade I O que o corpo faz com o fármaco. O que o fármaco faz no corpo. Termos importantes - Farmacocinética Biodisponibilidade (F): fração do fármaco administrado que alcança a circulação sistêmica sem alteração; Clearance (depuração): volume de plasma totalmente “limpo” do fármaco por unidade de tempo; Meia-vida (t½): tempo necessário para reduzir a concentração plasmática do fármaco à metade; Volume de distribuição (Vd): relação entre a quantidade total de fármaco no organismo e sua concentração plasmática; Concentração plasmática máxima (Cmax): maior concentração atingida no plasma; A Absorção D Distribuição M Metabolização E Excreção FARMACOCINÉTICA ABSORÇÃO É o processo pelo qual o fármaco passa do local de administração para a circulação sistêmica, tornando-se disponível para distribuição aos tecidos e para exercer seus efeitos farmacológicos. pH do meio e grau de ionização do fármaco Solubilidade lipídica e tamanho molecular Condições clínicas do paciente Área de superfície de absorção Tempo de contato com a superfície absortiva Vias de administração Formas farmacêuticas FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO pH do meio e ionização do fármaco FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO pH do meio e ionização do fármaco FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO A maioria dos fármacos é ácido fraco ou base fraca, e sua absorção depende do grau de ionização, que por sua vez depende do pH do meio. Princípio fundamental Forma não ionizada (lipossolúvel) → atravessa membranas com facilidade → maior absorção Forma ionizada (hidrossolúvel) → atravessa pouco as membranas → menor absorção Ácidos fracos Forma não ionizada: HA Forma ionizada (perde H⁺): A⁻ + H⁺ Portanto, ácido ionizado = A⁻ Bases fracas Forma não ionizada: B Forma ionizada (ganha H⁺): BH⁺ Portanto, base ionizada = BH⁺ A equação de Henderson–Hasselbalch descreve a relação entre pH, pKa e grau de ionização do fármaco. pH do meio e ionização do fármaco FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO pH do meio e ionização do fármaco Relação prática Ácidos fracos absorvem-se melhor em meio ácido (ex.: estômago) Bases fracas absorvem-se melhor em meio alcalino (ex.: intestino) Qual a consequência clínica disto ? Alterações do pH gástrico (antiácidos, IBP) podem modificar a absorção de alguns medicamentos; Alterações do pH urinário podem aumentar ou reduzir a eliminação de fármacos; Em intoxicações, a alcalinização ou acidificação urinária pode acelerar a eliminação de certos fármacos. FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO Solubilidade lipídica e tamanho molecular A membrana celular é formada principalmente por bicamada lipídica, portanto: Fármacos lipossolúveis atravessam facilmente a membrana → absorção mais rápida Fármacos hidrossolúveis atravessam com mais dificuldade → absorção mais lenta ou dependente de transportadores Maior lipossolubilidade geralmente aumenta: Velocidade de absorção Penetração tecidual (ex.: SNC) Volume de distribuição Tamanho molecular Moléculas pequenas difundem-se mais facilmente pelas membranas → maior absorção Moléculas grandes → difusão limitada e frequentemente necessitam de transportadores ou vias especiais (ex.: proteínas, biológicos) FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO Solubilidade lipídica e tamanho molecular A absorção de um fármaco tende a ser maior quando: RESUMO CLÍNICO Não ionizado Lipossolúvel De pequeno tamanho molecular Condições clínicas do paciente, área de superficie de absorção, tempo de contato com a superfície absortiva FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO Doenças gastrointestinais Síndrome de Crohn Cirurgias gastrointestinais Interações medicamentosas e alimentares Perfusão sanguínea reduzida Idade Vias de administração 1 2 3 Oral (VO) Sublingual Retal Via enteral Via parenteral Intravenosa (IV) Intramuscular (IM) Subcutânea (SC) Intradérmica Intratecal / epidural Cutânea (tópica) Transdérmica (adesivos) Oftálmica Otológica Nasal Vaginal Inalatória (pulmonar) Via tópica Realizada através do trato gastrointestinal, permitindo que o fármaco seja absorvido pela mucosa digestiva antes de alcançar a circulação sistêmica. Realizada fora do trato gastrointestinal, geralmente por injeções, permitindo que o fármaco alcance diretamente os tecidos ou a circulação sistêmica. Realizada diretamente sobre a pele ou mucosas, com o objetivo de produzir efeito local, podendo em alguns casos também gerar efeito sistêmico. Vias de administração Fatores que influenciam na escolha das vias de administração dos fármacos 1.Urgência do efeito terapêutico Situações emergenciais exigem vias rápidas (ex.: intravenosa). 2.Propriedades do fármaco Estabilidade no TGI, solubilidade, irritação local, metabolismo de primeira passagem. 3.Condição clínica do paciente Consciência, vômitos, doenças gastrointestinais, perfusão periférica. 4.Local de ação desejado Efeito sistêmico (oral, IV) Efeito local (tópico, inalatório) 5.Tempo de resposta e duração do efeito pretendida Algumas vias permitem efeito mais prolongado (transdérmica, IM depot). 6.Conveniência e adesão do paciente Vias menos invasivas geralmente aumentam adesão (oral) 7.Disponibilidade medicamentosa Características principais Via mais utilizada, segura e conveniente Adequada para tratamentos agudos e crônicos Vantagens Fácil administração Baixo custo Boa adesão do paciente Não invasiva Desvantagens Absorção pode ser variável Não indicada em pacientes com vômitos, inconsciência ou emergência Vias de administração Via enteral Oral (VO) Mecanismo/efeito de primeira passagem Tempo de início de ação 30 a 60 minutos Mecanismo/efeito de primeira passagem Mecanismo/efeito de primeira passagem 1.O fármaco é absorvido no trato gastrointestinal. 2.Entra na circulação porta hepática. 3.Passa inicialmente pelo fígado, onde enzimas metabolizadoras (ex.: CYP450) transformam parte do fármaco. 4.Apenas a fração que não foi metabolizada chega à circulação sistêmica ativa. É um fenômeno em que parte do fármaco administrado, principalmente por via oral, é metabolizada no fígado e na mucosa intestinal antes de alcançar a circulação sistêmica, reduzindo a quantidade de fármaco biologicamente disponível (biodisponibilidade). Mecanismo/efeito de primeira passagem Mecanismo/efeito de primeira passagem Qual a consequência clínica disto ? Altera biodisponibilidade, intensidade do efeito e também o tempo de início/duração da ação; Alguns fármacos apresentam grande metabolismo de primeira passagem e, por isso, necessitam de doses orais maiores para produzir efeitos desejáveis; Pacientes com doença hepática devem ser monitorados com cautela; Via enteral Sublingual Vias de administração Tempo de início de ação 3 a 5 minutos Via enteral Características principais Absorção rápida, devido à rica vascularização da mucosa sublingual Evita o efeito de primeira passagem hepática, aumentando a biodisponibilidade Indicada para situações que exigem início rápido de ação Vantagens Início de ação rápido Fácil administração Evita degradação gastrointestinal e metabolismo hepático inicial Desvantagens Apenas pequenas doses podem ser administradas Nem todos os fármacos possuem características adequadas (precisam ser lipossolúveis e potentes) Sublingual Vias de administração Via parenteral Intravenosa Vias de administração Características principais Biodisponibilidade de 100% Início de ação imediato Permite controle preciso da dose administrada Vantagens Efeito rápido Possibilidade de administrar grandes volumes e infusão contínua Útil quando o paciente não pode utilizar via oral Desvantagens Procedimento invasivo Maior risco de reações adversas imediatas Necessita técnica adequada e condições assépticas Não permite retirada do fármaco após administraçãoTempo de início de ação imediato Via parenteral Intramuscular Vias de administração Características principais Absorção geralmente mais rápida que a subcutânea e mais lenta que a intravenosa Permite administrar soluções aquosas e oleosas Pode ser usada para formulações de liberação prolongada (depot) Vantagens Boa absorção para diversos medicamentos Possibilidade de efeito prolongado Alternativa quando a via oral não é possível Desvantagens Procedimento invasivo e doloroso Risco de lesão nervosa ou vascular Absorção pode ser reduzida em estados de choque ou baixa perfusão Tempo de início de ação 10 a 15 minutos Via parenteral Subcutânea e Intradérmica Vias de administração Via subcutânea (SC) Administração do fármaco no tecido subcutâneo, abaixo da pele. Início de ação: aproximadamente 15 a 60 minutos Absorção mais lenta que a intramuscular Pode ser utilizada para insulina, heparina e alguns hormônios Absorção depende do fluxo sanguíneo local (reduzida em choque) Via intradérmica (ID) Administração do fármaco na derme, camada superficial da pele. Início de ação: geralmente lento, utilizada principalmente para efeito local Indicada para testes diagnósticos (ex.: testes alérgicos, teste tuberculínico) Pequenos volumes são administrados Tempo de início de ação 15 a 60 minutos Via parenteral epidural Vias de administração Características principais Produz bloqueio sensitivo e/ou motor em áreas específicas do corpo Muito utilizada em anestesia obstétrica, cirurgias e controle de dor crônica Pode ser administrada em dose única ou infusão contínua por cateter Vantagens Analgesia regional eficaz Menor depressão sistêmica quando comparada à anestesia geral Possibilidade de controle prolongado da dor com cateter Desvantagens / riscos Procedimento invasivo Risco de hipotensão Possível cefaleia pós-punção Necessidade de técnica especializada Tempo de início de ação 10 a 20 minutos Via tópica Cutânea Vias de administração 1. Efeito local (cremes, pomadas, géis) Início geralmente em minutos a poucas horas Depende da penetração do fármaco na pele e da formulação 2. Efeito sistêmico (adesivos transdérmicos) Início mais lento: geralmente horas (2–12 h) até atingir níveis terapêuticos Proporciona liberação contínua e prolongada Tempo de início de ação Minutos a horas Via tópica mucosa Vias de administração Tempo de início de ação variável Administração sobre tecidos mucosos, que possuem maior vascularização: Oral (sublingual, bucal) Nasal Oftálmica Vaginal Retal Diferença essencial Cutânea: pele Mucosa: superfícies mucosas (absorção geralmente mais rápida) Via tópica Inalatória Vias de administração Tempo de início de ação segundos a poucos minutos Características principais Absorção muito rápida, devido à extensa vascularização pulmonar Pode produzir efeito local (ex.: broncodilatadores) ou efeito sistêmico Evita o efeito de primeira passagem hepática inicial Vantagens Ação rápida Necessita doses menores para efeito local Menores efeitos sistêmicos quando o objetivo é pulmonar Desvantagens Depende da técnica correta de inalação Pode causar irritação das vias aéreas em alguns pacientes Óxido Nitroso FARMACOTÉCNICA FÓRMULA FARMACÊUTICA FORMA FARMACÊUTICA TRANSFORMAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS, (MATÉRIAS-PRIMAS), EM MEDICAMENTOS, POR MEIO DE PROCESSOS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS QUE LEVAM A FORMA FARMACÊUTICA; CONJUNTO DE SUBSTÂNCIAS QUE ENTRAM NA CONSTITUIÇÃO DE UM MEDICAMENTO; ESTADO FINAL DE APRESENTAÇÃO DA FÓRMULA FARMACÊUTICA. Formas farmacêuticas COADJUVANTE TERAPÊUTICO COADJUVANTE FARMACOTÉCNICO ESTABILIZANTES E CONSERVANTES FORMAS FARMACÊUTICAS FORMAS SÓLIDAS FORMAS LÍQUIDAS FORMAS SEMISSÓLIDAS GASOSAS Forma de apresentação do medicameto que permite sua administração segura e eficaz Soluções Suspensões Emulsões Xaropes Elixires Gotas Pomadas Cremes Géis Pastas Aerossóis / inaladores Comprimidos Cápsulas Drágeas Pós Granulados Pastilhas Supositórios Emulsão Suspensão Solução SISTEMA QUÍMICO HETEROGÊNEO CONSTITUÍDO POR DOIS LÍQUIDOS IMISCÍVEIS (ÁGUA E ÓLEO, EM GERAL). CONSTITUI EM UMA DISPERSÃO GROSSEIRA, EM QUE A FASE EXTERNA É UM LÍQUIDO E A FASE INTERNA É UM SÓLIDO INSOLÚVEL, QUE É O PRINCÍPIO ATIVO DO MEDICAMENTO. MISTURA DE DUAS OU MAIS SUBSTÂNCIAS HOMOGÊNEAS. AS FORMULAÇÕES FARMACÊUTICAS SÃO SEMPRE LÍQUIDAS E OBTIDAS PELA DISSOLUÇÃO DE UM SÓLIDO, OU LÍQUIDO EM LÍQUIDO. COMPRIMIDOS CÁPSULAS DRÁGEAS Formas sólidas Forma sólida obtida por compressão do fármaco com excipientes. Podem ser simples, revestidos, mastigáveis, sublinguais ou de liberação controlada. Geralmente mais estáveis e baratos. Cápsulas duras ou moles Cápsulas duras compostas por duas extremidades e facilmente digerida pelo TGI Cápsulas moles geralmente utilizadas para formulações oleosas Normalmente o comprimido é revestido por uma substância resistente à acidez gástrica, sendo liberado no intestino. Ajuda a eliminar o sabor e odor. SUSPENSÃO GOTAS XAROPES Formas líquidas Partículas sólidas dispersas no líquido (precisa agitar). Suspensão oral Suspensão injetável Preparações líquidas administradas em pequenas quantidades (oral, nasal, oftálmica, otológica). Soluções aquosas concentradas em açúcar, geralmente para uso oral. XAROPES Formas líquidas Soluções aquosas concentradas em açúcar, geralmente para uso oral. Escolhas inteligentes na farmacologia Como diferenciar rapidamente Se a bula disser “agite antes de usar” → é suspensão Se não precisar agitar → provavelmente é solução/xarope Verdadeiro Falso Não existe diferença de início de ação terapêutica entre formas líquidas e solidas ingeridas por via oral. Existe diferença de início de ação terapêutica entre formas líquidas e solidas, ingeridas por via oral, e a forma líquida, geralmente é a que tem início de ação mais rápido. Em condições usuais, por via oral... Formas líquidas: início do efeito geralmente em 15–30 minutos Comprimidos/cápsulas tradicionais: cerca de 30–60 minutos Diferença média: aproximadamente 15–30 minutos mais lenta para formas sólidas, porque precisam primeiro desintegrar e dissolver antes da absorção. Essa diferença pode variar conforme: Tipo do fármaco Presença de alimento no estômago Formulação específica Motilidade gastrointestinal POMADAS CREMES GÉIS Formas semissólidas Início: mais lento que cremes Duração: mais prolongada, pois formam camada oclusiva que aumenta a permanência do fármaco na pele Início: mais rápido que pomadas Duração: intermediária Melhor absorção cutânea e menor efeito oclusivo Início: geralmente mais rápido Duração: menor que pomadas, pois evaporam mais facilmente e não são oclusivos Aerossóis/inaladores Formas gasosas Administrados na forma de gases ou vapores, geralmente por via inalatória, com absorção rápida pelos pulmões. Agora é com você! Estudo dirigido sobre absorção e vias de administração dos fármacos Defina absorção farmacológica. Quais fatores influenciam a absorção? Explique o efeito de primeira passagem. Diferença entre via enteral e parenteral. Como o pH influencia a absorção de ácidos e bases fracas? Por que a via sublingual evita primeira passagem hepática? Qual via apresenta absorção mais rápida? Cite situações clínicas que alteram a absorção. POR ONDE ESTUDAR? MSc Bárbara Gurgel Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial barbara.gurgel@upe.br