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METODOLOGIA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E GERENCIAL ©2021. FATECNA - Faculdade CNA a Distância Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei Nº 9.610). Fotos Banco de imagens do SENAR Getty Images Shutterstock Informações e Contato SBN – Quadra 1, Bloco F. 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...................................................................................................................10 Introdução do módulo .............................................................................................................11 Tema 1: Histórico da assistência técnica no Brasil ..........................................................14 Introdução ..............................................................................................................................14 Tópico 1: Contextualização da realidade rural brasileira ...............................................16 Tópico 2: Origem e evolução da assistência técnica .......................................................26 Tópico 3: A importância da assistência técnica ................................................................36 Tópico 4: Métodos de disseminação de assistência técnica ..........................................39 Tópico 5: Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural ...........................54 Encerramento do tema ........................................................................................................61 Atividade de Passagem ........................................................................................................62 Tema 2: A Assistência Técnica e Gerencial ........................................................................63 Introdução ..............................................................................................................................63 Tópico 1: Organização de assistência técnica ..................................................................65 Tópico 2: Modelo da Assistência Técnica e Gerencial .....................................................68 Tópico 3: Aprofundando o modelo de Assistência Técnica e Gerencial ......................77 Tópico 5: A importância da formação continuada no processo de assistência técnica ...................................................................................................................................127 Encerramento do tema ......................................................................................................132 Atividade de Passagem ......................................................................................................133 Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 5 Tema 3: Técnicas de abordagem ao produtor rural ...................................................... 134 Introdução ............................................................................................................................134 Tópico 1: Estabelecendo uma relação de confiança com o produtor ........................136 Tópico 2: Entendendo o comportamento humano ......................................................146 Tópico 3: Mantendo o equilíbrio emocional ...................................................................159 Tópico 4: Relacionamento interpessoal e autocontrato de mudança .......................168 Tópico 5: Comunicação assertiva .....................................................................................174 Atividade de Passagem ......................................................................................................188 Encerramento do módulo .................................................................................................... 189 Final de etapa ......................................................................................................................... 191 Gabarito das Questões......................................................................................................... 194 Referências bibliográficas .................................................................................................. 197 Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 6 Início da jornada Olá, tudo bem? Bem-vindo ao curso a distância Assistência Técnica e Gerencial | Pecuária, da Faculdade CNA. Este curso tem como principal objetivo abordar a dinâmica no campo e o dia a dia de um assistente técnico, capacitando você para as diferentes situações que envolvem a Assistência Técnica e Gerencial da propriedade rural. O curso tem caga horária total de 150 horas, por isso, foi dividido em 5 módulos de 30 horas cada. Dessa forma, você pode se organizar e realizar seus estudos com tranquilidade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 7 Leia o infográfico a seguir e conheça os objetivos de cada um dos módulos. Você está aqui! Início da jornada Final da jornada Módulo 1 Metodologia da Assistência Técnica e Gerencial Aprimorar conhecimentos metodológicos para o desempenho necessário de ações de assistência técnica, destacando as competências requeridas ao exercício da atividade. Módulo 2 Gerencial I da Assistência Técnica e Gerencial Reconhecer os conceitos gerenciais da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 4 Gerencial III da Assistência Técnica e Gerencial Calcular e interpretar indicadores técnicos e econômicos nas principais cadeias produtivas da pecuária ou da agricultura.Módulo 3 Gerencial II da Assistência Técnica e Gerencial Contextualizar os conceitos gerenciais da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 5 Planejamento da Propriedade Rural Definir em que consiste o planejamento estratégico da propriedade rural assistida pela Metodologia de ATeG, facilitando sua compreensão e aplicabilidade. Os conteúdos trabalhados em cada módulo são interligados e complementares entre si. Sendo assim, ao final do curso, sua formação na Assistência Técnica e Gerencial será completa. Desafios da jornada Como o conteúdo é todo interligado, você deverá acessar o curso de forma linear. Ou seja, precisa explorar o primeiro tema, todos os tópicos e realizar a Atividade de Passagem para, depois, acessar o tema seguinte. Veja a seguir os tipos de desafios que você encontrará ao longo dos módulos, que servirão para reforçar o conteúdo apresentado. Pense e Decida Situações práticas e objetivas em que você deve analisar o cenário e tomar uma decisão. Não possui valor para a certificação, mas permite reforçar conceitos importantes e fixar esse conhecimento de forma prática. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 8 Atividade de Passagem Composta por apenas uma questão, ae Pecuária do Brasil sendo um deles. A iniciativa privada e a assistência técnica No modelo tradicional do mercado privado de ATeG no Brasil, consolidado por meio das cadeias produtivas, foram priorizados os serviços de venda e pós- venda de insumos e equipamentos, bem como a compra de matéria- prima agropecuária pelas agroindústrias. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 60 De acordo com a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), o seguinte contexto é apresentado: O país tem um perfil rural e uma economia agropecuária muito diversificada. Um modelo ou sistema único de ATeG dificilmente atenderia a toda a demanda potencial existente. A iniciativa privada surge como uma oportunidade de somar esforços às demais entidades do setor público, originando novos modelos de assistência técnica. O pluralismo de modelos que combinem financiamento e agentes públicos e privados atendendo todos os públicos, é a melhor saída para um desenvolvimento mais rápido e sustentável da agropecuária nacional por meio da Ater. Nesse sentido, o Estado ainda tem um papel a cumprir: gerar maior estímulo ao financiamento público para contratação de serviços estatais ou privados de Ater. Você sabia? O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) se inseriu nesse processo a partir do ano de 2013, com sua Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), contribuindo ainda mais para a multiplicação da difusão do conhecimento no campo. Bacana, não é? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 61 Resumindo o tópico Neste quinto tópico, você: Conheceu a linha do tempo referente à evolução dos serviços de assistência técnica e extensão rural no Brasil. Compreendeu a importância da iniciativa privada para o desenvolvimento mais rápido e sustentável da agropecuária nacional por meio da Ater. Encerramento do tema Você chegou ao final deste primeiro tema e, durante os estudos, pode reconhecer a importância da assistência técnica no meio rural. Agora, finalizada esta etapa, será capaz de: Destacar os pontos mais relevantes da realidade rural brasileira e descrever as classes de produtores rurais no Brasil. Discorrer sobre a origem e as fases da extensão rural, sobre a Política Nacional de Assistência Técnica, bem como os principais conceitos de assistência técnica. Abordar os métodos de disseminação de conhecimentos nas atividades rurais, relacionando a ação de assistência técnica ao processo educativo do produtor rural. Essa primeira etapa de preparação para um trabalho de excelência no campo foi intensa! Porém ela é essencial para que você cumpra a nobre missão de contribuir para a melhoria da qualidade de vida no meio rural. Para finalizar, que tal retornar ao Ambiente de Estudos, assistir ao vídeo “Encerramento de Tema” e seguir acompanhando o Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 62 Atividade de Passagem Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu! Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo estudado até aqui para passar para o próximo tema. Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor. Questão Segundo Rogers (2003), no processo mental de tomada de decisão, desde o primeiro contato com uma tecnologia até a sua adoção, o produtor rural passa por alguns estágios. Nesse sentido, escolha qual das alternativas indica corretamente as etapas do esquema proposto por Rogers (lembre-se de considerar a ordem em que cada uma acontece). a. Toma conhecimento da tecnologia, podendo ou não se interessar. Em caso de interesse, faz uma avaliação mental, inicia uma etapa de julgamento e, por fim, valida a ideia. b. Inicia um processo de discussão sobre a tecnologia. Em caso de interesse, faz uma avaliação mental e, por fim, valida a ideia. c. Toma conhecimento da tecnologia, podendo ou não se interessar. Em caso de interesse, inicia uma etapa de julgamento, faz uma avaliação mental – comparando o novo com o tradicional – e, por fim, procura validar a ideia. d. Toma conhecimento da tecnologia e compara o novo com o tradicional, podendo ou não se interessar. Em caso de interesse, inicia um processo de julgamento, faz uma avaliação mental e, por fim, adere à tecnologia proposta. e. Inicia um processo de validação e compara o novo com o tradicional, podendo ou não se interessar. Em caso de interesse, faz o julgamento e, por fim, adere ou não à tecnologia. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 63 Tema 2: A Assistência Técnica e Gerencial Introdução Você está iniciando o segundo tema do módulo. A partir de agora, conhecerá um pouco mais sobre a estruturação da assistência técnica na atualidade e sobre as organizações prestadoras. Verá também o modelo de Assistência Técnica e Gerencial do Senar, para entender suas particularidades e seu diferencial em relação ao modelo tradicional. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 64 Dessa forma, ao final dos estudos deste tema você será capaz de: • reconhecer as organizações de assistência técnica, • conhecer as etapas do processo, • discorrer sobre a importância de um modelo de assistência técnica associado à consultoria gerencial, diferenciando-o do modelo tradicional, • identificar o perfil ideal dos agentes, suas atribuições e responsabilidades para o bom andamento do processo de Assistência Técnica e Gerencial. Estrutura do tema Para que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema foi dividido em tópicos. Conheça a seguir o objetivo de cada um deles. Tema 2 Tópico 1 Tópico 2Tópico 5 Tópico 4 Tópico 3 Organização de assistência técnica Reconhecer as organizações de assistência técnica. Modelo da Assistência Técnica e Gerencial Conhecer a importância de um modelo de assistência técnica associado à consultoria gerencial, descrevendo as etapas que compõem o processo da Assistência Técnica e Gerencial. A importância da formação continuada no processo da assistência técnica Compreender a importância da qualificação no desempenho das competências requeridas para a função do Técnico de Campo. Responsabilidades e o papel de cada agente Conhecer o perfil, atribuições e responsabilidades para o exercício dos agentes da Assistência Técnica e Gerencial, destacando as vantagens de uma visita técnica e gerencial, correlacionando com aspectos essenciais de cada uma. Aprofundando o modelo de Assistência Técnica e Gerencial Entender o modelo de estrutura operacional da Assistência Técnica e Gerencial, descrevendo os passos da ATeG na propriedade. Visto o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e ótimos estudos! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 65 Tópico 1: Organização de assistência técnica Você entende a relação entre os caminhos do desenvolvimento do agronegócio brasileiro e o andar da Assistência Técnica e Extensão Rural? Durante este tópico você vai conhecer e se aprofundar nos aspectos relativos às organizações de assistência técnica. Os caminhos do desenvolvimento do agronegócio brasileiro se cruzam com o andar da Assistência Técnica e Extensão Rural. Em todas as fases desse desenvolvimento a Ater esteve presente com seus diferentes formatos e estruturas, seja supervisionando crédito, seja levando as políticas de cada governo que se instalava. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 66 A Ater atuou e atua: • na transferência de conhecimento e na difusão de tecnologias, • nas ações de bem-estar social e de saúde pública, • na tomada de crédito rural para a produção de commodities, • no incentivo à diversificação. Em alguns momentos dirige o foco para os grandes produtores; em outros, tenta resgatar os pequenosou mesmo promover o incremento na renda das famílias do campo. Assim é a Ater! Sempre promovendo o bem-estar e buscando recuperar a dignidade do homem do campo. Em todos os momentos, a sua missão é aproximar o produtor da pesquisa, ser o elo entre a academia, as em- presas agroindustriais e o ambiente onde ocorre a produção. Já a Assistência Técnica e Gerencial vem com uma nova proposta, mais abrangente e, ao mesmo tempo, desafiadora: olhar além dos aspectos produtivos e tecnológicos. Ou seja, olhar para os processos de gestão, ignorados por muitas empresas no Brasil, tanto rurais como urbanas, o que talvez explique o encurtamento da vida e os resultados insatisfatórios alcançados por uma parcela significativa delas. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 67 Os serviços públicos e privados de assistência técnica buscam estimular e apoiar iniciativas de desenvolvimento rural sustentável, envolvendo as atividades agropecuárias, florestais, pesqueiras e de extrativismo. Seu objetivo é o fortalecimento da produção agropecuária em geral, visando o aumento de renda da família no campo e a melhoria da qua- lidade de vida da população rural. Por consequência, estimula também as atividades agroindustriais. Para que esses serviços sejam realizados, é necessário o apoio de instituições e organizações comprometidas a fomentar a assistência técnica, como é o caso do Senar. Resumindo o tópico Neste primeiro tópico, você: Entendeu a importância da Ater nos caminhos do desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Compreendeu a amplitude da Assistência Técnica e Gerencial e sua importância no fortalecimento da produção agropecuária em geral. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 68 Tópico 2: Modelo da Assistência Técnica e Gerencial Qual é a diferença entre a Assistência Técnica Gerencial e o modelo de Assistência Tradicional? No decorrer do tópico, você entenderá a importância do modelo de assistência técnica associado à consultoria gerencial que baseia a Assistência Técnica e Gerencial. Após a dissolução da Embrater, o processo de trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural começou a sofrer descontinuidade e falta de padronização, o que acarretou: A fragmentação e a pulverização da sua atuação em nível nacional. A ausência de políticas públicas integradoras e gestoras dos processos, criando uma lacuna na prestação de serviços. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 69 Como já visto, o Censo Agropecuário de 2006 (IBGE) demonstrou que: • 4,7 milhões de propriedades rurais não receberam ou receberam ocasionalmente algum tipo de assistência técnica. • 482.452 (9,32%) receberam regularmente algum tipo de Assistência Técnica e Extensão Rural. O mesmo Censo apontou que tanto a produtividade quanto a renda média dos produtores rurais brasileiros são muito baixas. O que significa que a assistência técnica, especialmente quando combinada com consultoria gerencial, pode ser o apoio que esses produtores precisam para elevar sua produtividade e sua renda, tornando as empresas rurais lucrativas e sustentáveis. A Metodologia de ATeG O Senar, utilizando sua enorme capacidade e acreditando que pode contribuir ainda mais para a multiplicação do conhecimento, deu início à criação e à implantação da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial em 2013. Chamando para si a responsabilidade de atender os produtores da classe C e de promover a ascensão dos produtores das classes D e E superior, o Senar se propôs a seguir o seguinte esquema. Observe! **Classe D mais estrato da classe E passível de mobilidade para a classe D. Fonte: Censo Agropecuário de 2006 (IBGE/FGV). Classes A e B 301 mil Classe C – 796 mil Classes D e E* – 1,46 milhão Classes D e E – 2,61 milhões Assistência Técnica e Gerencial Extensão Rural Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 70 Classe Valor da Renda Líquida Mensal Sem correção Corrigido* A e B Acima de R$ 4.083,00 Acima de R$ 6.848,00 C R$ 947,00 a R$ 4.083,00 R$ 1.588,00 a R$ 6.848,00 D e E Inferior a R$ 947,00 Inferior a R$ 1.588,00 *Dados corrigidos pelo IGP/DI de 06/2015 O principal objetivo da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) é: Atender produtores rurais de todas as regiões brasileiras, possibilitando o acesso a um modelo de assistência técnica associado à consultoria geren- cial, de acordo com as ações de Formação Profissional Rural. A Formação Profissional Rural é um processo educativo, sistematizado, que se integra aos diferentes níveis e modalidades da educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. Ela tem o objetivo de desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para a vida produtiva e social, atendendo as necessidades de efetiva qualificação para o trabalho com perspectiva de elevação das condições sociais e profissionais do indivíduo. É possível destacar que: Por um lado, o modelo tradicional de assistência técnica tem seu foco voltado para as tecnologias, visando à maximização da produção. Por outro lado, a Assistência Técnica e Gerencial tem foco nas pessoas, na maximização dos lucros e no uso eficiente dos recursos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 71 Vale destacar que a ATeG ainda utiliza tecnologia como meio para alcançar o fim desejado: a sustentabilidade econômica, ambiental e tecnológica do produtor. Os resultados esperados com a aplicação dessa Metodologia são: • A capacitação do produtor para assumir uma postura de empresário e empreendedor diante de sua propriedade rural. • Que o produtor utilize os recursos naturais de forma eficiente e consciente com bons resultados na atualidade, sem comprometer a possibilidade de exploração das próximas gerações. • Que o produtor saiba escolher as tecnologias mais adequadas à sua realidade, de forma a elevar produtividade e renda, tornando a propriedade uma empresa sustentável e lucrativa. Espera-se ainda a formação de profissionais de assistência técnica, a fim de que se tornem aptos para a atuação nas diversas áreas do agronegócio brasileiro, dando acesso ao mundo do trabalho, desenvolvimento e formação continuada. A realidade do campo Analisando o cenário rural brasileiro, é certo que existe um desafio pela frente: produtores com baixa escolaridade, sem preparo suficiente para a gestão eficiente do seu negócio, descapitalizados e, o pior, desassistidos. Essa é a realidade que você enfrentará e, por isso, esta formação é tão essencial. Mesmo não existindo uma fórmula mágica para equacionar essa situação, alguns elementos são básicos e serão detalhados no módulo gerencial. São eles: Equilíbrio entre custos e receitas Eficiência no uso dos recursos Tecnologia a serviço do retorno econômico Melhoria das técnicas de produção Muito trabalho! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 72 Consultoria x Assistência técnica É comum encontrarmos uma infinidade de conceitos sobre consultoria e assistência técnica, por isso, procuramos definir os mais importantes para o trabalho e orientação dos profissionais de ATeG. Conheça essas definições a seguir. A assistência técnica é um trabalho desenvolvido por meio de informações orientadas aos produtores rurais e direcionada à atividade técnica, tendo como objetivo solucionar questões relacionadas com a produção. É a atividade profissional de transferência de conhecimentos, contratada para formulação de diagnósticos ou soluções para as necessidades específicas dos clientes, não se alinhando jamais com ações assistencialistas. Como a consultoria é um produto ou serviço diferenciado, exige que os Técnicos de Campo sejam autênticos agentes de mudança nas empresas, que vivenciem a cultura e conheçam profundamente as organizações que atendem. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 73 Na prática Para poderapresentar soluções adequadas ao produtor, é necessário que você, técnico, conheça detalhadamente o manejo, os indicadores técnicos e os econômicos. É importante ter conhecimentos gerenciais e dos softwares de gestão rural. Além disso, você precisa ter a capacidade de leitura e análise, para que consiga elaborar um bom diagnóstico, identificando os gargalos da unidade produtiva e planejando suas soluções. Relação benefício x custo Sempre que você se coloca como consumidor, com certeza leva em conta algumas situações, como preço, qualidade, atendimento, comprometimento, pós-venda, honestidade de quem o atendeu, entre outras situações. O que se espera é que os benefícios oferecidos pelo produto ou serviço superem os esforços empreendidos para sua obtenção. Você espera poder dizer: valeu a pena comprar tal produto, valeu a pena contratar tal serviço, não é mesmo? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 74 Na proposta de metodologia de assistência técnica associada à consultoria gerencial, o raciocínio é o mesmo do conceito de relação benefício x custo. A expectativa é de que o produtor possa dizer: valeu a pena receber esse serviço, participar dos eventos e realizar o que foi orientado. O produtor fará essa análise constantemente e, para conquistá-lo, é preciso que você ofereça um trabalho diferenciado, demonstrado por meio de ações, comprometimento, profissionalismo, conhecimento, responsabilidade e, acima de tudo, resultado econômico. Desafios da Assistência Técnica e Gerencial Toda evolução e melhoria implica mudar a forma como estamos fazendo as coisas. A mudança de uma assistência técnica convencional para a Assistência Técnica e Gerencial provoca alguns desarranjos, até porque o produtor não está habituado a olhar a sua propriedade como uma empresa. A realidade do campo Um desafio desse modelo na prática é não ter um pacote tecnológico para ser repassado. Por isso, será necessário personalizar a assistência e encontrar soluções adequadas para cada situação específica. Outro desafio são as dificuldades financeiras para realizar investimentos, casos em que você deverá fazer o possível com os recursos de que se dispõe no momento. Você encontrará produtores extremamente resistentes a inovações e a mudanças, que vão exigir uma boa dose de paciência e habilidade de sua parte. Além disso, poderá enfrentar algumas situações relacionadas à sucessão familiar no campo, pois, em alguns casos, os filhos querem continuar a atividade dos pais naquele modelo já estabelecido. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 75 Agora, conheça alguns pontos importantes sobre a ATeG! Metodologia ATeG Foi um desafio para o Senar desenvolver uma metodologia aplicável a qualquer cadeia e em todas as regiões brasileiras, tornando possível ações de benchmarking entre propriedades diferentes. Essa metodologia se propõe a servir de base para a tomada de decisões em relação a ações a serem empreendidas pelo Senar, podendo basear políticas públicas para o agronegócio. Vantagens da ATeG A estrutura da Assistência Técnica e Gerencial do Senar permite oferecer ao produtor assistido: • a elaboração do diagnóstico do seu empreendimento, determinando os pontos fortes e fracos da propriedade; • soluções específicas criadas por meio da elaboração de planejamento estratégico, cuja execução é acompanhada pelo Técnico de Campo, em visitas personalizadas; • soluções criadas a partir das necessidades e dos recursos de que a propriedade dispõe ou consegue adquirir, sem oferecer um pacote tecnológico predeterminado; • opções de inovações que gerem resultado produtivo e principalmente econômico. Por que o Senar? A estrutura nacional do Senar, por causa da sua capacidade, missão, objetivos estratégicos, técnicos e operacionais voltados à educação rural, pode prestar um serviço de Assistência Técnica e Gerencial em nível nacional com qualidade e eficiência, incorporando as ações de Formação Profissional Rural (FPR) e Promoção Social (PS). De forma geral, o maior desafio da assistência técnica (depois da aceitação da própria assistência) é contribuir para a sustentabilidade econômica, ambiental e tecnológica dos empreendimentos rurais assistidos, maximizando o uso de recursos disponíveis nas propriedades. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 76 Resumindo o tópico Neste segundo tópico, você: Conheceu o Senar e a sua importância para a Assistência Técnica e Extensão Rural. Entendeu a relação benefício x custo em que se baseia a Metodologia da ATeG. Entendeu em que se baseia a Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar. Compreendeu a definição de Assistência Técnica e a de Consutoria para a ATeG. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 77 Tópico 3: Aprofundando o modelo de Assistência Técnica e Gerencial Você já refletiu sobre como é o modelo de assistência técnica e toda estrutura existente nele? A partir de agora, você vai entender o que é e como funciona, na prática, o modelo de Assistência Técnica e Gerencial, compreendendo a importância da sua estrutura para esse atendimento ao produtor rural. O modelo de Assistência Técnica e Gerencial adotado pelo Senar possui uma organização cujos agentes são os responsáveis pelo serviço de atendimento ao produtor rural e ainda abordam as ações que vão nortear as etapas do trabalho realizado no âmbito do campo e da coordenação. Observe o organograma a seguir: Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 78 Coordenação Supervisão Demanda Capacitação Técnico de Campo Adesão do Produtor Sensibilização Seleção de Prioridades Formação de grupos produtores Assistência Técnica e Gerencial na Propriedade Diagnóstico Produtivo Individualizado Capacitação Profissional Complementar Planejamento Estratégico Adequação Tecnológica Avaliação Sistemática de Resultados Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 79 Adesão do produtor à Assistência Técnica e Gerencial A partir de demanda de Assistência Técnica e Gerencial identificada pela regional, é iniciada a sensibilização dos produtores rurais de determinada região por meio de eventos (reuniões de produtores, dias de campo, palestras, entre outros), com o objetivo de apresentar a Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Ao participar da sensibilização, o produtor terá a oportunidade de assinar uma lista de intenção que o credencia a seguir para a próxima etapa. Fazenda Santa Felicidade Como exemplo, temos a história do Sr. Ariovaldo, da Fazenda Santa Felicidade. Antes de ser assistido pela ATeG, ele participou de um encontro, durante o qual o técnico Marcelo apresentou o projeto para proprietários da região. Sr. Ariovaldo se identificou com os problemas apresentados e queria ajuda para resolvê- los. Dessa forma, ao final do encontro, ele assinou a lista de interesse para adesão. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 80 Seleção das propriedades e dos produtores Depois de sensibilizar e coletar uma lista de interessados, a próxima fase é levantar todas as informações sobre as propriedades e os produtores e, a partir de critérios adotados na metodologia Assistência Técnica e Gerencial, selecionar quais serão assistidos. Entenda melhor o tema no quadro Assuntos do Campo! A pauta agora é “Seleção das propriedades e dos produtores”. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 81 Assuntos do campo Vamos tratar d a fase de seleção das propriedades e dos produtores que serão atendidos pela ATeG. Essa é uma fase muito importante, pois é nesse momento que você vai levantar todas as informações necessárias sobre as propriedades e os produtores, de acordo com os critérios adotados na metodologia. Para realizar essa triagem, é aplicado um questionário. Nele, você vai coletar dados referentesao produtor rural e à atividade desenvolvida, sobre temas relacionados à produção, à comercialização, ao perfil tecnológico, ao sistema organizacional, à área produtiva disponível e aos aspectos socioeconômicos. Nessa etapa, o número de propriedades avaliadas é cerca de 20% a 25% maior do que as que realmente serão atendidas. É um número expressivo! Em seguida, a administração regional do Senar indica uma equipe técnica para analisar as respostas e selecionar aquelas propriedades com perfil mais adequado para receber a assistência. Então, os produtores selecionados firmam o compromisso por meio de um Termo de Adesão, documento que consolida a responsabilidade do produtor para com o trabalho a ser desenvolvido. Nesse momento são explicados os direitos e deveres das duas partes para alcançarem os resultados esperados durante o processo de gestão da propriedade. Agora é seguir para a prática! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 82 Formação dos grupos de produtores Na metodologia desenvolvida na ATeG, leva-se em consideração: • o público atendido (produtores rurais), • o objetivo (educar para que eles se tornem capazes de gerenciar suas propriedades rurais). Os trabalhos deverão ser desenvolvidos em grupos de produtores a serem atendidos, que por sua vez precisam apresentar a melhor homogeneidade possível. Entenda! Um dos fatores essenciais para a realização das ações previstas é que o produtor rural tenha, como perfil, valores e características que vão contribuir para o sucesso do trabalho. São eles: • Comprometimento. • Responsabilidade. • Flexibilidade. • Humildade. • Otimismo. • Iniciativa e proatividade. • Espírito de colaboração. Valores • Possuir disponibilidade de tempo. • Participar dos treinamentos, dos eventos técnicos e de outras atividades. • Estar presente na visita do Técnico de Campo previamente agendada. • Seguir as orientações técnicas e gerenciais conforme o planejamento. • Fornecer os dados sobre a propriedade rural. • Ter interesse por inovações tecnológicas. • Estar aberto a mudanças. • Ter espírito de equipe. Características Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 83 A realidade do campo Quando você for realizar uma formação num grupo composto por 25 a 30 produtores, será necessário buscar a homogeneidade. Ou seja, considerar fatores que alinhem essas pessoas para que possam interagir. Entre os fatores a serem considerados para esse momento, pode-se destacar: • Atividade rural trabalhada. • Formação e escolaridade. • Localização da propriedade. • Características regionais e de cultura. • Índices de produtividade e tamanho das propriedades. • Maturidade gerencial, tecnológica e técnica instalada na fazenda. Isso facilita o trabalho, garante maior envolvimento e entendimento de todos. Etapas da Assistência Técnica e Gerencial na propriedade A Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial está fundamentada em cinco etapas, que abrangem todo o processo a ser aplicado no desenvolvimento da propriedade rural atendida. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 84 ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS Agora, conheça melhor cada etapa! Primeira etapa: Diagnóstico Produtivo Individualizado ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 85 Esse diagnóstico é realizado a partir de dados coletados e da percepção do técnico. Observe! Dados coletados do questionário socioeconômico, do inventário de recursos*, de informações técnicas e econômicas Percepção técnica que partiu da observação dos processos que envolvem a atividade Diagnóstico Produtivo Individualizado Inventário de Recursos: Consiste em levantar todos os recursos de que a propriedade dispõe: terras, construções e benfeitorias, animais, equipamentos, plantações, recursos financeiros e recursos humanos. Vale destacar que a coleta de informações técnicas e econômicas é realizada pelo levantamento de dados junto ao produtor durante o diagnóstico, que servirá de base para todas as demais etapas do processo da ATeG. São coletadas informações de produção e um breve histórico de comercialização e de produtividade básica. Essas informações são registradas no perfil da propriedade em sistema, inventário de recursos, cadastro das áreas e indicador ISA (Indicador de Sustentabilidade) nas propriedades em que for utilizada a ferramenta. Para a elaboração do diagnóstico é utilizada uma ferramenta conhecida como Matriz FOFA, ou análise SWOT. Você conhecerá essa ferramenta em detalhe no módulo 5 deste curso, ok? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 86 Segunda etapa: Planejamento Estratégico ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS O planejamento estratégico anual da propriedade é desenvolvido com base no diagnóstico da situação atual em conjunto com o produtor, abrangendo os aspectos levantados que vão nortear as principais implementações futuras. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 87 A elaboração do planejamento é iniciada pela definição de objetivos e metas, depois pelos planos de ações – a descrição do passo a passo para alcançar o resultado pretendido (metas). Vale destacar que deve ser definido um plano para cada meta estabelecida. Na ATeG, a ferramenta 5W3H é usada para elaborar o plano de ação e o método PDCA para fazer a gestão do planejamento. O PDCA (sigla em inglês cuja tradução significa Planejar, Executar, Verificar, Agir) é usado em todas as fases do planejamento, ou seja, na sua construção, execução, checagem dos resultados alcançados e tomada de decisões para novas ações de melhoria do que não deu certo, ou então de padronização do que se considera excelente. Com o PDCA faz-se o monitoramento e a adequação das estratégias com vistas à melhoria contínua dos processos de produção e de gestão e, por consequência, dos resultados. Você conhecerá a ferramenta 5W3H e o método PDCA em detalhes também no módulo 5. Aguarde! Terceira etapa: Adequação Tecnológica ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 88 Nesta etapa ocorrem os controles e o monitoramento do processo produtivo, com todos os registros necessários ao acompanhamento da produção, que são executados pelo produtor com supervisão e auxílio do técnico. Essa atividade poderá ser feita por meio de um software e de cadernos próprios do Senar. Conforme foram determinadas nas metas do planejamento estratégico, as intervenções técnicas para a adequação tecnológica são implementadas com o intuito de melhorar a eficiência produtiva e a rentabilidade da atividade. São propostas de soluções que se enquadram na capacidade operacional, gerencial e econômica do produtor, visando a uma evolução sustentável de seus negócios. O diagrama a seguir demonstra o equilíbrio que o produtor deve buscar em relação à gestão técnica e à econômica. Ele mostra que não basta buscar a maximização da produção, e que o resultado virá com o retorno econômico. Ou seja, nem sempre produzir mais é o melhor negócio. Observe! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 89 ÓTIMO PRODUTO X ÓTIMO ECONÔMICO Gestão Técnica Intensificação,maximização da produção Tecnologia avançada, técnica a serviço do resultado econômico MÁXIMO RETORNO ECONÔMICO Gestão Técnica Fonte: Prof. Marcos Jank - Esalq/USP Quarta etapa: Capacitação Profissional Complementar ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS As ações de Formação Profissional Rural tradicionalmente realizadas pelo Senar e a Assistência Técnica e Gerencial são complementares no processo de atendimento às demandas dos produtores rurais. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 90 O Técnico de Campo deverá contribuir para a identificação das necessidades de capacitação dos produtores assistidos. Dessa forma, ao serem apontadas as principais carências relacionadas ao processo produtivo, será possível planejar e executar as ações de capacitação direcionadas à maior efetividade das orientações realizadas nas visitas da ATeG, as quais poderão ser ofertadas por meio de cursos e treinamentos. Quinta etapa: Avaliação Sistemática de Resultados ASSISTÊNCIA CONTÍNUA 02 01 0304 05 DIAGNÓSTICO PRODUTIVO INDIVIDUALIZADO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADEQUAÇÃO TECNOLÓGICA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL COMPLEMENTAR AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DE RESULTADOS Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 91 Completado o primeiro ciclo produtivo, os técnicos de ATeG do Senar e o produtor, fazem a avaliação do modelo de produção e dos resultados alcançados. Com base nos indicadores de desempenho estabelecidos no planejamento da propriedade, é identificada a evolução em relação à adoção de tecnologias, à produtividade e à rentabilidade. Os resultados da avaliação de resultados darão condições ao produtor e ao técnico para tomar decisões e projetar os próximos passos da em- presa rural. O diagrama a seguir demonstra o fluxo das informações e as etapas para controlar os custos, receitas e dados de produção. O primeiro passo é o lançamento dos dados pelo produtor no caderno do produtor, depois, o lançamento dos dados no SISATeG pelo técnico. Após o processamento e a geração dos indicadores, técnico e produtor discutem e analisam os resultados. Observe! Produtor e Técnico de Campo ETAPAS PARA CONTROLAR OS CUSTOS Produtor Coleta de dados Com auxílio do Técnico de Campo Produtor Registros das informações diariamente Caderno do Produtor Técnico de Campo Lançamento SISATeG Foco no trabalho do Técnico e do Produtor Produtor e Técnico de Campo Discussão dos resultados Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 92 Você sabia? O SISATeG está disponível para o Técnico de Campo que atua com a Metodologia de AteG a partir da primeira visita. Nele, são lançados todos os dados referentes ao inventário de recursos, ao diagnóstico, aos dados de produção e às receitas e as despesas. A ferramenta executa o processamento dos dados e gera os indicadores da propriedade. Os lançamentos são realizados mensalmente pelo técnico e os resultados são discutidos com o produtor. Vale destacar que as etapas de AteG apresentadas podem dar uma ideia de linearidade, onde uma seguida da outra, porém é preciso compreender que algumas podem acontecer simultaneamente. É possível estar no momento de elaboração do plano e, ao mesmo tempo, fazendo uma adequação tecnológica e recebendo uma formação complementar. A ideia das etapas é para que nenhuma delas deixe de ser realizada. Para concluir, volte ao Ambiente de Estudos e assista ao vídeo do Senar em Campo sobre a Metodologia de ATeG. Estrutura institucional e operacional da ATeG A figura a seguir demonstra como está estruturada a Rede de Assistência Técnica e Gerencial do Senar. Observe! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 93 PA R C E R IA S E ST R A T É G IC A S Gestor Nacional CNA/ SENAR Nacional Gestor Estadual Federação/ SENAR AR Gestor Local SENAR AR/ Sindicato Central de Inteligência Coordenador Regional Técnicos de Campo Núcleo de Projetos Supervisores Produtores Rurais 1 Supervisor para até 15 Técnicos de Campo 1 técnico para 20 a 30 produtores Capacitação de Equipe Técnica Norteador da Metodologia Administrativo Financeiro De forma geral, as administrações regionais do Senar localizadas nos estados e no Distrito Federal são responsáveis por: Operacionalizar a Assistência Técnica e Gerencial, disponibilizando uma Coordenação Regional, Supervisores e Técnicos de Campo. Zelar pelo cumprimento das obrigações assumidas na Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Garantir a frequência, o sigilo e a qualidade dos dados coletados pelos Técnicos de Campo, via SISATeG. Indicar o Coordenador, os Supervisores e os Técnicos de Campo para serem treinados na metodologia, sempre que necessário para compor ou recompor o quadro da equipe técnica, bem como sugerir capacitações complementares que se fizerem pertinentes.Atender as demandas por ações de Formação Profissional Rural (FPR) indicadas pelos técnicos da ATeG. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 94 Coordenação Regional A Coordenação Regional de cada estado tem a função de operacionalização da Assistência Técnica e Gerencial por meio das seguintes ações: • Dar suporte à equipe técnica. • Acompanhar a evolução dos resultados. • Atender as demandas por formação de grupos de produtores. • Estabelecer as estratégias de ações internas e externas. Administração Central do Senar A Administração Central do Senar, com sede em Brasília, assegura suporte metodológico em Assistência Técnica e Gerencial às Administrações Regionais do Senar. A Administração Central do Senar tem as seguintes funções: Desenvolver e disseminar a Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial do Senar. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 95 Elaborar os recursos instrucionais necessários para divulgação, capacitação e execução das ações de Assistência Técnica e Gerencial do Senar. Disponibilizar o software (SISATeG) para coleta e armazenamento dos dados técnicos e gerenciais a serem coletados nas propriedades rurais atendidas. Ofertar capacitação na Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial na modalidade a distância para as equipes técnicas das administrações regionais. Fornecer o suporte técnico e metodológico contínuo às Administrações Regionais. Manter e coordenar a Central de Inteligência. A Administração Central do Senar também tem a função de estruturar a ATeG, propondo sugestões a respeito das prioridades e das principais finalidades de cada projeto, de acordo com a região a ser contemplada. Além disso, também deve apresentar e esclarecer as particularidades da metodologia adotada em relação ao desenvolvimento das ações, à condução dos programas e à análise dos resultados obtidos com a prestação do serviço. Central de Inteligência da Assistência Técnica e Gerencial do Senar A Central de Inteligência é a estrutura do Senar Central responsável pela compilação dos resultados e pela geração de indicadores de eficiência técnica e econômica de cada atividade inserida na Assistência Técnica e Gerencial. Além disso, é responsável por diversas ações. Observe! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 96 Controle e manutenção dos cadastros das equipes técnicas nas regionais do Senar e os respectivos cadastros de usuário. Criação e disponibilização de material para capacitação dos profissionais das equipes técnicas nas regionais do Senar. Capacitação e suporte direto aos Coordenadores e Supervisores de ATeG nas regionais do Senar. Criação e disponibilização de ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) • Softwares e aplicativos para a coleta de questionários socioeconômicos que permitam selecionar e pré-cadastrar propriedades e produtores rurais.• Softwares e aplicativos para a coleta dos dados técnicos e gerenciais das propriedades atendidas. • Plataformas de bancos de dados para armazenamento dos dados cadastrais dos projetos, equipes técnicas e propriedades/ produtores atendidos nas regionais do Senar nos estados. • Painéis de Business Intelligence (BI) para demonstração de resultados consolidados, indicadores e comparativos gerais. • Demonstrativos de benchmarking nos diversos níveis (atividade exploratória, projeto, regional etc.). • Falhas nos sistemas. • Dúvidas operacionais e metodológicas. • Solicitações de manutenção dos cadastros e acessos das equipes nas regionais. • Sugestões de melhorias etc. Controle e manutenção de uma Central de Ajuda, que recebe demandas. Controle dos cadastros dos projetos de ATeG por regional, propriedades e produtores rurais atendidos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 97 Software e banco de dados Os Técnicos de Campo utilizam um sistema chamado SISATeG, desenvolvido pelo Senar, para atender todas as cadeias assistidas. Ele está disponível como aplicativo, podendo ser baixado em tablets, notebooks e smartphones. Conheça! O aplicativo funciona online e offline, permitindo a coleta de dados na propriedade mesmo sem sinal de internet. Os dados ficam armazenados no equipamento dos técnicos de ATeG. Após a inserção de dados é realizada a sincronização quando houver acesso à internet de qualidade. Depois da sincronização, os dados dos relatórios são acessados por meio de uma plataforma online, estruturada na modalidade “em nuvem”, o que possibilita o acompanhamento e a validação das operações em tempo real. A figura a seguir apresenta o fluxo de informações, que tem início com a coleta de informações e dos lançamentos do produtor no caderno do produtor, que é passado para o técnico. Os dados desse caderno são inseridos no SISATeG pelo supervisor, através da plataforma online do SISATeG, e chegam à central de inteligência, onde ficarão armazenados em um banco de dados. Observe! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 98 Fluxo de Informações Produtor Rural Anotações de dados (Caderno do Produtor) Análises específicas de cada cadeia do agronegócio Interface WEB para os fluxos de dados Análise de consistência CENTRAL DE INTELIGÊNCIA Banco de dados geral Coleta dados mensais (Software ATeG-SENAR) Analisa dados (Software ATeG-SENAR) Técnico(a) de Campo Supervisor Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 99 Resumindo o tópico Neste terceiro tópico, você: Conheceu melhor o modelo de Assistência Técnica e Gerencial. Conheceu a estrutura institucional e operacional da ATeG do Senar. Compreendeu como funciona o fluxo das ações relacionadas à aplicação da ATeG. Explorou as 5 etapas que fundamentam a aplicação da ATeG. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 100 Tópico 4: Responsabilidades e papel de cada agente A ATeG possui uma estrutura robusta e que envolve diversos agentes. Você imagina o perfil, as atribuições e responsabilidades de cada um deles na prática? A partir de agora, você se aprofundará nos perfis e atribuições dos agentes envolvidos nas ações de ATeG, compreendendo as vantagens de uma visita técnica e gerencial. Compreender quem é quem neste processo é fundamental para melhor funcionamento dessa estrutura. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 101 Coordenador técnico Coordenador(a) Técnico Supervisor(a) Técnico Técnico(a) de Campo O coordenador técnico deve preferencialmente ter nível superior com experiência na área de assistência técnica. Ele é responsável pela elaboração de projetos, prospecção de parceiros e acompanhamento da execução da ATeG, apoiando a equipe no cumprimento das metas, assegurando as condições adequadas, em consonância com os objetivos de sua região. Também deve realizar o alinhamento das necessidades de capacitação demandadas pelos Técnicos de Campo para os produtores atendidos com as ações de FPR realizadas na região. Conheça o perfil desejado para esse profissional e as suas atribuições. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 102 Perfil Para exercer a coordenação de ATeG é recomendado que o profissional tenha o perfil de acordo com as responsabilidades e atribuições inerentes ao agente. É importante, antes de tudo, que ele apresente características como: • liderança e capacidade de incentivar e estimular o aprendizado da equipe, • competências e proatividade para favorecer a implementação de ações inovadoras e mudanças estratégicas, estimulando a criatividade dos envolvidos no processo, • bom relacionamento e boa comunicação com diferentes níveis, desde os membros da coordenação e da equipe até as pessoas do meio rural. Importante! Deve ter ética e firmeza em suas ações, tomar decisões justas e direcionadas ao êxito das ações de ATeG. Atribuições • Acompanhar o desenvolvimento da equipe técnica de ATeG, sugerindo, corrigindo, orientando e direcionando suas ações. • Prospectar, estabelecer e fortalecer as parcerias estratégicas para condução da ATeG. • Promover reuniões periódicas para discussão, alinhamento e avaliação dos resultados obtidos, compartilhamento das linhas de trabalho, lições aprendidas e outras informações que possam contribuir e/ou impactar na melhoria contínua dos processos de ATeG. • Monitorar os dados qualitativos e quantitativos, tanto técnicos quanto econômicos, inseridos no sistema de monitoramento de dados, relacionados à sua coordenação, primando sempre pela sua consistência. • Reunir-se com o grupo de produtores na ocasião da implantação da ATeG e sempre que se fizer necessário. • Conhecer a Metodologia de ATeG, tendo clareza em relação aos conceitos aplicados. • Interagir com os supervisores e técnicos, de modo a garantir o suporte técnico e os metodológico necessários à condução das suas atividades. • Incentivar a capacitação da equipe de ATeG para a melhoria contínua do seu desempenho. • Gerenciar as dificuldades encontradas. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 103 Supervisor técnico Coordenador(a) Técnico Supervisor(a) Técnico Técnico(a) de Campo Supervisor é o agente responsável por acompanhar e avaliar as ações da Metodologia de ATeG, com o propósito de contribuir para a melhoria do processo de desenvolvimento da metodologia. Esse profissional precisa ter formação em Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Técnico Agrícola, Técnico Agropecuário ou áreas afins, com experiência em assistência técnica. Ele ficará responsável pelo acompanhamento sistemático das ações desenvolvidas na ATeG. Esse profissional precisa estar sempre em sintonia com o Técnico de Campo para que, em conjunto, eles se envolvam em ações a serem de- senvolvidas para os produtores rurais assistidos. A supervisão técnica deve assegurar a execução da ação supervisionada de forma eficiente, eficaz e efetiva. Conheça o perfil desejado para esse profissional e as suas atribuições. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 104 Perfil O perfil desse profissional se baseia em alguém que conheça profundamente a Metodologia de ATeG e tenha expressivo conhecimento técnico. Além disso, ele também deve ter: • identificação com o meio rural, • conhecimento da região onde atuará, • habilidade para trabalhar em equipe, • boa comunicação verbal e escrita, • responsabilidade, • espírito de colaboração, • equilíbrio emocional, • disciplina, • imparcialidade, • ética, • capacidade criativa, • visão crítica e holística, • motivado e motivador, • iniciativa e proatividade, • otimismo, • objetividade. Atribuições • Analisar as metas estabelecidas de planejamento de cada propriedade com a real situação. • Comparar as descrições registradas no relatório realizado pelo Técnico de Campo com o executadona atividade. • Apoiar no aspecto tecnológico e no metodológico os Técnicos de Campo. • Garantir a execução da metodologia da Assistência Técnica e Gerencial. • Solicitar a adequação, quando necessária, dos dados técnicos e econômicos coletados pelos Técnicos de Campo. • Validar os documentos referentes às visitas realizadas pelos Técnicos de Campo. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 105 • Supervisionar a evolução dos técnicos e dos grupos de produtores. • Identificar, em conjunto com a Coordenação, as demandas de cursos de FPR para os produtores, de acordo com as necessidades apresentadas pelos Técnicos de Campo. • Colaborar na construção do itinerário formativo das ações a serem ofertadas para os grupos de produtores. • Administrar os conflitos dentro de sua alçada. • Planejar a supervisão in loco com objetivos e estratégias bem definidos. • Formar um bom relacionamento interpessoal com superiores e Técnicos de Campo. • Utilizar corretamente a técnica de observação durante as visitas às propriedades rurais, atentando para não intervir diretamente na condução dos trabalhos do Técnico de Campo. • Realizar visitas aos produtores atendidos, sem a presença do Técnico de Campo, com o objetivo de avaliar a atuação e o cumprimento do serviço executado pelo técnico. • Subsidiar os Técnicos de Campo, sempre que possível, com informações técnicas, por meio de material impresso, cursos a distância, palestras e outras formas, para que sirvam como base para o crescimento profissional e complementação tecnológica. • Estabelecer as reuniões periódicas com os Técnicos de Campo para alinhamento dos serviços prestados e atualização tecnológica. • Ser o responsável por realizar o acompanhamento das ações e da operacionalização tanto in loco quanto a distância, dependendo da necessidade e da análise da coordenação. Diante desse contexto de acompanhamento in loco ou a distância, é fundamental que a supervisão se firme como um ponto de suporte para alcançar os objetivos e as metas propostas. Dessa forma, o profissional assume uma função essencial no sentido de buscar um desenvolvimento satisfatório das ações de ATeG. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 106 Assim sendo, serão realizadas supervisões que poderão acontecer da seguinte forma: Supervisão in loco Visitas às propriedades rurais sem a presença do técnico para avaliação da evolução da propriedade atendida. Análises das programações planejadas. Visitas às propriedades rurais com a presença do técnico. Relatórios disponibilizados no sistema. Reuniões e encontros com Técnicos de Campo e parceiros. Prestações de contas e outras atividades relacionadas. Observações das ações. Supervisão a distância Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 107 Cada supervisor acompanha até 15 Técnicos de Campo. Supervisor Acompanha até 15 Técnicos de Campo Técnico de Campo Coordenador(a) Técnico Supervisor(a) Técnico Técnico(a) de Campo Técnico de Campo é o agente responsável pelo atendimento direto aos produtores rurais por meio de visitas às propriedades rurais. Tem como foco a transmissão de conhecimentos relacionados à gestão da empresa rural e técnicas de manejo relacionadas às atividades desenvolvidas nas propriedades. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 108 Destaca-se a sua função educativa, construtora de conhecimento em um processo interativo com os produtores rurais. Deverá trabalhar de forma participativa, desempenhando um papel educativo e atuando como facilitador de processos de desenvolvimento rural. Deve ter formação em Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Técnico Agrícola, Técnico Agropecuário ou áreas afins, além de domínio técnico na área de atuação. Conheça o perfil desejado para esse profissional e as suas atribuições. Perfil Aliadas com a capacidade técnica do profissional, algumas características relacionadas ao comportamento dos Técnicos de Campo vão ajudar na execução do trabalho em campo. Elas são necessárias para garantir sempre a clareza e a transparência nas relações interpessoais que poderão ser construídas com a atuação na área de assistência técnica a produtores rurais. Além delas, ainda fazem parte do perfil desejado, ter: • flexibilidade, • capacidade analítica • capacidade de síntese, • discrição pessoal e institucional, • pontualidade, • honestidade, • compromisso, • tolerância, • empatia, • conhecimento técnico atualizado, • humildade, • capacidade de comunicação, • proatividade, • habilidade para ouvir, • equilíbrio emocional, • motivação e vontade de aprender, • capacidade de aceitar críticas e de ser autocrítico, • confiança nas orientações, • boa comunicação verbal e escrita. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 109 Atribuições • Transmitir a metodologia com clareza e objetividade. • Acompanhar a rentabilidade da propriedade rural no aspecto técnico e no gerencial, visando gerar recomendações que viabilizem maior rentabilidade da propriedade atendida. • Definir o planejamento de cada propriedade em conjunto com o produtor rural. • Orientar os produtores para atingirem resultados econômicos satisfatórios e com sustentabilidade, promovendo o aprendizado de técnicas gerenciais. • Promover a implantação de soluções que contribuam para melhoria ou mudanças importantes no cotidiano de trabalho. • Analisar as situações encontradas de forma holística, abrangendo todos os aspectos que podem influenciar na mudança do perfil das propriedades assistidas. • Manter-se atualizado sobre o mercado e as melhores práticas na sua área de atuação. • Tranquilidade e serenidade ao abordar o produtor. • Adaptar-se às mudanças e necessidades emergentes. • Inovar em busca de soluções viáveis e adequadas para a resolução de situações-problema em conjunto com seu supervisor. • Realizar as metas e atividades nos prazos estabelecidos. • Manter o diálogo e a comunicação horizontalizada. • Usar linguagem adequada, mesmo que em assuntos técnicos, possibilitando a compreensão por todos. • Elaborar o relatório, as orientações ou os e-mails com clareza. • Discrição pessoal e institucional. • Visão crítica e holística. • Inserir os dados e as informações no sistema de monitoramento, por meio do software. Ao saber que atuam em sua carreira profissional como formadores de opinião, esses profissionais se constituem um elemento essencial no processo de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 110 Cada Técnico de Campo pode atender até 30 propriedades, dependendo do projeto que está sendo executado. Técnico de Campo Atende até 30 propriedades Os agentes da ATeG possuem muitas atribuições e responsabilidades, não é? Então, o que acha de pensar um pouco sobre isso e verificar se as coisas estão claras? Pense e decida Um produtor rural está ansioso para começar as ações de melhoria na sua propriedade. Porém, ele precisa de orientações mais específicas sobre uma ferramenta que faz parte da solução desenhada para ele. Então, ele procura você para receber esse treinamento o mais rápido possível. O que você faz?. Você se organiza e prepara esse treinamento antes mesmo da próxima visita. Encaminha o mais rápido possível essa solicitação ao supervisor técnico. Justifique aqui a sua escolha! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 111 Feedback Você se organiza e prepara logo esse treinamento, não é mesmo? Porque, embora a supervisão tenha conhecimento e abrangência para realizar um treinamento caso seja necessário, a função dela é educativa e construtora de conhecimento em um processo interativo com os produtores rurais e assegurar a execução da ação supervisionada de forma eficiente, eficaz e efetiva. Deve sempre trabalhar de forma participativa e atuar como facilitador de processos de desenvolvimentorural. Você deve verificar a necessidade de treinamento e, caso precise, avisar ao supervisor. Depois, avisar ao Senar/Sindicato, para que o produtor possa ser inserido em um treinamento do assunto que necessita aprender. Já a função do Técnico de Campo é educativa e construtora de conhecimento em um processo interativo com os produtores rurais. Por isso, trabalhe sempre de forma participativa e atue como facilitador de processos de desenvolvimento rural. Você deve verificar a necessidade de treinamento e, caso precise, avisar ao supervisor. Depois, avisar ao Senar/Sindicato, para que o produtor possa ser inserido em um treinamento do assunto que necessita aprender. O Senar em Campo também tem um vídeo bem interessante sobre a estrutura da ATeG. Quer conhecer essa estrutura? Vá ao Ambiente de Estudos e complemente tudo o que você já viu sobre esse assunto! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 112 Organograma da Assistência Técnica e Gerencial De forma mais ampla, o organograma da ATeG é o seguinte. Observe! Coordenador Regional Técnico de Campo Gestor Nacional SENAR Supervisor Visitas do Técnico do Campo às propriedades rurais As visitas têm o objetivo de atender os produtores do setor agropecuário para transmitir informações e tecnologias, trocar aprendizados e aplicar conceitos gerenciais que possam proporcionar a elevação da renda e a melhoria da qualidade de vida das pessoas do meio rural. Uma visita deve ser planejada e proporciona benefícios para o processo da assistência. Entenda! • Assistência personalizada, atendendo as demandas e necessidades específicas de cada produtor. • Conhecimento dos custos de produção e receitas inerentes a cada atividade. • Observação de prováveis problemas e apontamento de possíveis soluções. • Auxílio externo para identificação de oportunidades. • Obtenção de parâmetros para tomada de decisões. Benefícios da visita • Agendamento prévio. • Presença do produtor ou responsável pela propriedade. • Ocorrência mensal. • Cumprimento da carga horária estabelecida. • Realização da coleta de dados técnicos e econômicos. • Preenchimento e discussão de relatório com o produtor no final de cada visita. Aspectos relevantes para a visita Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 113 Periodicidade e carga horária das visitas Na Metodologia de ATeG, as visitas às propriedades rurais acontecem mensalmente, chegando a uma carga horária total de 2, 4, 6 ou 8 horas, conforme o que descreve a metodologia. É importante considerar que as atividades produtivas possuem suas especificidades, apresentando demandas com complexidade e tempo variáveis ao longo do período de desenvolvimento. Tudo isso, em decorrência de aspectos como: Nível tecnológico Sistema produtivo adotado Ciclo produtivo e as fases que fazem parte Período de plantio Safra e entressafra Condições edafoclimáticas da região Para isso, é importante assistir com máxima eficiência as atividades produtivas, possibilitando o acompanhamento técnico e gerencial coordenado conforme o desenvolvimento produtivo. É proposto que as visitas sejam realizadas com periodicidade e carga horária parcialmente flexíveis, respeitando as indicações de mínimo e máximo. Veja na tabela! Carga horária e periodicidade de visitas por atividade produtiva Atividade produtiva Carga horária Periodicidade N° de visitas/mês N° de visitas/ano Agricultura anual 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Agricultura orgânica 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Apicultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Avicultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Agroindústria 2,4,6 ou 8 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 114 Bovinocultura de corte 2, 4 ou 8 horas Mensal/bimensal/ bimestral 0 a 2 6 a 24 Bovinocultura de leite 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Cafeicultura 2, 4, 6 ou 8 horas Mensal/bimensal/ bimestral 0 a 2 6 a 24 Cana de açúcar 2, 4 ou 8 horas Mensal/bimensal/ bimestral 0 a 2 6 a 24 Carcinicultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Floresta 4, 6 ou 8 horas Mensal/bimestral/ trimestral/ semestral 0 a 1 2 a 24 Floricultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Fruticultura perene 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Maricultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Olericultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Ovinocaprinocultura de corte 2, 4 ou 8 horas Mensal/bimensal/ bimestral 0 a 2 6 a 24 Ovinocaprinocultura de leite 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Piscicultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 Suinocultura 2 ou 4 horas Mensal/bimensal 1 a 2 12 a 24 As visitas ainda podem ser planejadas para os momentos de maior demanda, como na formação da lavoura, plantio e tratos culturais, evitando períodos em que o produtor está totalmente focado na atividade prática, como na colheita. • Em atividades agrícolas com ciclo produtivo definido, como a cafeicultura, por exemplo, poderá manter o número de horas em 4 horas/dia e aumentar o intervalo de visitas. Em vez de mensal, passa a ser bimestral ou até trimestral. • Em atividades agrícolas com ciclo produtivo definido e longo, como a silvicultura, por exemplo, poderá manter o número de horas em 4 horas/dia e aumentar o intervalo de visitas. Em vez de mensal, passa a ser bimestral, trimestral ou ainda semestral. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 115 Cronograma das visitas Os produtores assistidos pela ATeG receberão visitas dos Técnicos de Campo. Na Metodologia de ATeG, adota-se um cronograma. Antes de iniciarmos, conheça alguns elementos que fazem parte das visitas, para melhor compreender o que deve ser feito em cada uma delas. T0 (tempo zero) Trata-se do marco inicial ou ponto de partida do trabalho de Assistência Técnica e Gerencial na propriedade. Momento anterior ao cronograma de visitas, essencial para todo o processo. Caderno do Produtor É onde o produtor fará o lançamento dos dados de produção, das receitas, das despesas e de eventos ocorridos no sistema produtivo. O caderno é fornecido pelo Senar e facilita o trabalho do produtor, que só precisará preencher os campos correspondentes, uma vez que o material está organizado por seções. Exemplo: nascimento de animais, mortes, vendas, contratação de serviços, entre outros. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 116 Medidas de Impacto São medidas simples, de baixo ou nenhum custo, que proporcionam resultados imediatos e contribuem para conquistar a confiança quando se inicia o trabalho com algum produtor. Como o planejamento estratégico somente será concluído por volta do sexto mês, algumas intervenções precisam ser feitas para quebrar a ansiedade do técnico e também do produtor em relação a ver algo prático acontecendo. A orientação para realizar medidas de impacto não precisa ser feita necessariamente na primeira visita, e sim no momento que o técnico julgar mais oportuno. Exemplos dessa ação na atividade leiteira: formar lotes de vacas para suplementar o concentrado conforme a produção de cada lote, formular ração, calcular o custo de produção e fazer manutenção adequada das máquinas, organizar galpões e pátios mudando o aspecto visual. Diagnóstico técnico e econômico Diagnóstico técnico: consiste na identificação das deficiências e potencialidades da propriedade, no que se refere às tecnologias utilizadas, ao sistema de produção, ao manejo etc. Diagnóstico econômico: é realizado a partir do resgate, que compreende o levantamento de dados de produção, receitas e despesas e o inventário de recursos de um período anterior à assistência técnica (período mínimo de um ano). Entendido alguns conceitos, conheça em detalhes o cronograma de visitas e a programação proposta para cada uma delas. Módulo 1 Metodologia de assistênciatécnica e gerencial pg. 117 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Apresentação do Técnico de Campo ao produtor e sua família. • Construir o acordo de convivência (técnico e produtor, esclarecimento das regras das visitas). • Repassar as informações sobre os procedimentos relacionados à ATeG. • Informar ao produtor sobre os seus direitos, deveres e as responsabilidades de ambas as partes. • Realizar o levantamento das informações iniciais para o cadastro da propriedade e gerar o QR CODE. • Iniciar o levantamento das necessidades dos cursos de formação profissional e promoção social. • Iniciar o diagnóstico produtivo individualizado – DPI T0. • Iniciar o registro dos itens de inventário de recursos. • Propor as primeiras medidas de impacto que podem conter orientações gerenciais, organizacionais e técnicas. • No check-out, realizar agendamento da próxima visita e informar quais ações serão realizadas. Entregas: • Entregar o termo de adesão. • Entregar o caderno do produtor e dar as orientações a respeito da sua utilização na coleta e registro dos dados. • Realizar o registro dos dados do cadastro do produtor e da propriedade no sistema de monitoramento. • Realizar o registro do DPI T0 no sistema de monitoramento. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. • Prestar orientações técnicas e gerenciais para a próxima visita. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 118 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Questionar sobre a experiência de fazer registros e caso tenha havido alguma dificuldade, reforçar a importância das anotações. • Continuar o diagnóstico produtivo individualizado – DPI T0. • Organizar os dados para elaborar o DPI T0 (custos e indicadores resgatados). • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Avaliar com o produtor as anotações do fluxo de caixa da atividade referente ao primeiro mês de atendimento. • Acompanhar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor e no relatório de visita. • Intensificar as orientações técnicas e gerenciais. • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos. • Registrar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor e no relatório de visita. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Realizar o registro dos dados do diagnóstico econômico / inventário de recursos (IR) no sistema de monitoramento. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 119 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Questionar sobre a experiência de fazer registros e caso tenha havido alguma dificuldade, reforçar a importância das anotações. • Continuar e finalizar o DPI T0. • Discutir o fluxo de caixa. • Continuar a coleta e análise dos dados do caderno do produtor. • Observar os resultados das medidas de impacto. • Finalizar o resgate. • Prestar orientações técnicas e gerenciais. • Acompanhar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor e no relatório de visita. • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Entregar o DPI T0 ao produtor e orientá-lo a se preparar para a elaboração do planejamento estratégico (PDCA) T1. • Entregar o relatório de orientação de medidas de impacto, que pode conter orientações gerenciais, organizacionais e técnicas. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 120 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Discutir os custos da atividade (custo operacional efetivo, custo operacional total, custo total e outros indicadores) e o fluxo caixa da atividade rural. • Realizar orientações técnicas e gerenciais. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). • Concluir a análise do DPI T0 com o produtor e orientá-lo a se preparar para a elaboração do planejamento estratégico (PDCA) T1. • Iniciar o planejamento estratégico (PDCA) T1. • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Acompanhar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor / agroindústria e no relatório de visita. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Entregar o DPI T0, caso ainda não tenha sido entregue. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 121 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Discutir o fluxo de caixa. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). • Realizar orientações técnicas e gerenciais • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Monitorar as ações orientadas, permitindo ajustes conforme as situações identificadas. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Entregar o planejamento estratégico (PDCA) T1 com registro no sistema de monitoramento. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 122 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Discutir o fluxo de caixa. • Realizar orientações técnicas e gerenciais. • Acompanhar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor / agroindústria. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Monitorar as ações recomendadas, permitindo ajustes conforme as situações identificadas. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 123 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor • Discutir o fluxo de caixa. • Realizar orientações técnicas e gerenciais. • Acompanhar o andamento das recomendações feitas na visita anterior no caderno do produtor / agroindústria. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produçãoe na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). • Verificar em campo as ações programadas e realizadas. • Monitorar as ações orientadas, permitindo ajustes conforme as situações identificadas. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Finalizar e apresentar DPI T1 na 12ª visita. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 124 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Oferecer orientações técnicas e gerenciais conforme o planejamento. • Analisar indicadores de benchmarking: renda bruta, taxa de remuneração do capital, relação benefício/custo, capital empatado por unidade do produto dentro do grupo de produtores, entre regiões e entre estados. • Destacar as principais recomendações implementadas. • Discutir as dificuldades encontradas. • Destacar os resultados alcançados. • Estabelecer o plano de melhorias. • Aplicar a gestão à vista. • Discutir os custos da atividade (COE, COT, CT e outros indicadores) com o produtor. • Analisar e discutir os dados gerenciais e técnicos, orientando o produtor a sempre buscar atingir o maior nível na produção e na redução de custos (maior nível na produção e redução de custo). • Elaborar o planejamento estratégico (readequar o PDCA) T2. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Entregar o DPI T1. • Entregar o 2o caderno do produtor. • Apresentar o planejamento estratégico (PDCA) T2. • Elaborar o relatório de visita com os indicadores do benchmarking. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 125 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Oferecer orientações técnicas e gerenciais conforme o planejamento. • Apresentar os resultados da atividade (gestão à vista). Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica. • Elaborar o relatório de visita no sistema de monitoramento. 1ª visita 2ª visita 3ª visita 4ª visita 5ª visita 6ª a 11ª visita 12ª visita 13ª visita 14ª a 13ª visita 24ª visita 1ª visita • Coletar e analisar os dados do caderno do produtor. • Readequar o planejamento estratégico (PDCA) para o T3. Entregas: • Registrar no sistema de monitoramento os dados coletados na visita técnica, • Entrega final: » Elaborar o relatório geral. » Atualizar o DPI T2 na 24ª visita. » Realizar o comparativo dos diagnósticos DPI T0, T1 e T2. » Entregar o planejamento estratégico (PDCA) T3. » Entregar o comparativo de indicadores. » Prestar as orientações finais. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 126 No decorrer das visitas, caso o técnico e o supervisor se deparem com dúvidas sobre manejo e tecnologias, ou tenham necessidade de mais informações sobre determinado assunto, podem acionar, por meio de solicitação ao Senar Administração Central, o apoio dos especialistas chamados Consultores Master. Esses profissionais, com notável conhecimento nas devidas áreas em que foram identificados obstáculos no trabalho realizado, podem dar um apoio a distância ou in loco, de acordo com a complexidade da situação abordada. Que tal finalizar este tópico assistindo a um vídeo do Senar em Campo sobre o que é a Assistência Técnica e Gerencial? Retorne ao seu Ambiente de Estudos para assistir ao vídeo! Saiba Mais Técnicos de Campo e Supervisores discutiram, em uma live, as oportunidades e desafios da ATeG em tempos de pandemia. Você pode assistir a essa conversa tão interessante no Youtube, busque pelo nome: “Live - // oportunidades e Desafios para atuação da ATeG, na visão do Técnico de Campo e Supervisor”. Resumindo o tópico Neste quarto tópico, você: Compreendeu quem são os agentes que fazem parte da prática da ATeG, seus perfis e responsabilidades. Conheceu como funcionam as visitas, além da sua periodicidade e carga horária. Entendeu como realizar as visitas a partir de um cronograma e da programação já proposta. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 127 Tópico 5: A importância da formação continuada no processo de assistência técnica Você já parou para pensar na importância da qualificação e da formação profissional para o técnico e para o produtor rural? Neste tópico você entenderá a importância da qualificação no desempenho das competências exigidas do Técnico de Campo, assim como a formação profissional que é fundamental para o produtor rural. No intuito de melhorar o desempenho dos profissionais envolvidos no processo da Assistência Técnica e Gerencial do Senar, a qualificação dos agentes envolvidos nessa ação é fundamental. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 128 Por isso, a formação não tem foco apenas na área técnica e gerencial, mas também no desenvolvimento de competências de liderança, habi- lidades de relacionamento e capacidade de persuasão. Dessa forma, existirá maior envolvimento nos conceitos das competências essenciais, principalmente nas abordagens de conhecimentos, habilidades e atitudes. Nesse contexto, se reforça que a capacitação tem papel importante para viabilizar o desenvolvimento da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Capacitação dos produtores rurais assistidos pela ATeG No que se refere à capacitação dos produtores rurais atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial do Senar, é fundamental que esse público participe das ações de Formação Profissional Rural (FPR) referentes à atividade desenvolvida. Espera-se, com essas qualificações, viabilizar ações direcionadas para maior efetividade das orientações realizadas nas visitas técnicas da ATeG. Entenda melhor… O Técnico de Campo tem papel fundamental no encaminhamento dos produtores às ações de FPR, que deve ser contínuo. Ele define o perfil e as necessidades das propriedades atendidas. No início do trabalho, como regra, o Técnico de Campo propõe um cronograma de participações em ações (treinamentos, cursos e programas) que fazem parte do planejamento da propriedade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 129 Capacitação dos Técnicos de Campo da ATeG O técnico que atuará na ATeG precisa ser muito bem capacitado para o exercício de suas funções. Ele precisa conhecer profundamente o produtor, sua família, seus costumes e suas dificuldades. Assim, será mais fácil se aproximar dele e conquistar sua confiança, viabilizando a adoção das tecnologias propostas. Historicamente, as instituições de assistência técnica no Brasil ado- tam a rotina de capacitar todos os técnicos que entram para o sistema. Mesmo assim, os conhecimentos tecnológicos adquiridos nos bancos das escolas precisam ser aprimorados. A grande diversidade de escola- ridade, renda, costumes, crenças, valores e tradições das pessoas que vivem no campo requerem do técnico muito preparo para lidar com tan- tas diferenças. O técnico que vai trabalhar com o produtor rural, seus empregados e sua família necessita se capacitar para trabalhar com a educação de adultos, com base nos conceitos e princípios da andragogia, uma área de estudo cujo objetivo é a educação e o desenvolvimento de adul- tos e, portanto, tem características específicas diferenciadas da educação de crianças e jovens. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 130 Assim, entendemos que a sala de aula não deve ser o local único e preferido para capacitar produtores rurais. É sempre melhor que eles tenham atividades e treinamentos mais próximos do local onde as suas operações produtivas acontecem. BaseadoAtividade de Passagem tem o objetivo de verificar se você teve um bom aproveitamento em relação ao conteúdo do tema correspondente. É importante responder a atividade para poder acessar o tema seguinte. Estudo de Caso Obrigatório e de valor avaliativo, o Estudo de Caso consiste em uma questão reflexiva, relacionada aos temas estudados. No primeiro módulo, como resposta para a questão, você deverá gravar um vídeo atuando como protagonista dele, respondendo oralmente a pergunta lançada no Estudo de Caso. A partir do segundo módulo a resposta será por texto escrito. Simulado Ao finalizar o conteúdo, depois de passar por todos os temas do módulo e tiver completado a última atividade, você deverá responder o Simulado. Ele é composto por 17 questões de múltipla escolha, que você pode responder até três vezes para se preparar adequadamente para a Avaliação. Avaliação A Avaliação é obrigatória e tem como objetivo verificar o seu desempenho em cada módulo. Ela é composta por 17 questões objetivas, assim como o Simulado, e será realizada depois de que os três temas de estudo tiverem sido concluídos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 9 Outra atividade importante para realizar no Ambiente de Estudos é a pesquisa de satisfação. Com essa pesquisa, poderemos analisar a qualidade do curso por meio das suas respostas e, assim, melhorá-lo cada vez mais. E como tudo isso é somado para garantir o seu certificado? Composição da nota de cada módulo A nota do módulo é composta por uma média simples, que pode variar de 0 a 10. MÉDIA PARA APROVAÇÃO = 6 ou mais 2 AVALIAÇÃO Correção automática ESTUDO DE CASO Nota enviada depois com o feedback do tutor Certificado Ao final da sua jornada, com o desempenho esperado, você terá o seu certificado de conclusão do curso. Então, para garantir isso, você deve: percorrer o conteúdo dos módulos e seus temas realizar a atividade de aprendizagem de cada tema realizar o Simulado de cada módulo realizar a Avaliação de cada módulo responder o Estudo de Caso em cada módulo alcançar um desempenho de 60% na média final do curso Fórum O Fórum proporciona o debate e a troca de conhecimento entre você e o tutor. Existe um Fórum por módulo, que fica aberto durante todo o seu período de estudos na respectiva fase, permitindo que você faça a postagem de novas percepções, enquanto trilha seu processo de aprendizagem. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 10 Vamos começar? Agora que você já conhece o percurso e as informações necessárias, já pode começar a sua jornada de aprendizado. Conte sempre com a ajuda da tutoria e da monitoria caso tenha alguma dúvida sobre o curso ou sobre o Ambiente de Estudos. Aproveite a oportunidade para participar das atividades propostas, como os fóruns e as enquetes. Explore tudo que temos disponível! Lembre-se! Você terá sucesso garantido na busca por crescimento pessoal e profissional, se mantiver a organização e a dedicação durante o caminho. Siga em frente e bons estudos! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 11 Introdução do módulo Bem-vindo! A partir de agora você vai participar do módulo Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Observe no infográfico a sua posição no curso e atente-se ao seu progresso! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 12 Você está aqui! Início da jornada Final da jornada Módulo 1 Metodologia da Assistência Técnica e Gerencial Aprimorar conhecimentos metodológicos para o desempenho necessário de ações de assistência técnica, destacando as competências requeridas ao exercício da atividade. Módulo 2 Gerencial I da Assistência Técnica e Gerencial Reconhecer os conceitos gerenciais da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 4 Gerencial III da Assistência Técnica e Gerencial Calcular e interpretar indicadores técnicos e econômicos nas principais cadeias produtivas da pecuária ou da agricultura.Módulo 3 Gerencial II da Assistência Técnica e Gerencial Contextualizar os conceitos gerenciais da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 5 Planejamento da Propriedade Rural Definir em que consiste o planejamento estratégico da propriedade rural assistida pela Metodologia de ATeG, facilitando sua compreensão e aplicabilidade. Na prática, este módulo tem o objetivo de prepará-lo para que você possa expressar todo o seu potencial de trabalho no campo e tenha plena condição de conduzir o processo de formação das pessoas e de transformação dos resultados das propriedades atendidas. Para isso, o módulo foi dividido em três temas: Tema 1 Histórico da assistência técnica no Brasil Tema 2 Assistência Técnica e Gerencial Tema 3 Técnicas para abordar o produtor rural Nossa expectativa é que, ao final do módulo, você conheça a trajetória da assistência técnica no Brasil, tenha condições de discernir sobre os modelos tradicionais de assistência técnica e Assistência Técnica e Gerencial, e domine algumas técnicas para abordar o produtor. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 13 Tudo isso para que você possa se tornar um autêntico educador agente de transformações no campo, capaz de: • acessar o produtor, transferir conhecimento e melhorar seus resultados produtivos e econômicos, • conduzi-lo por um processo de formação e de desenvolvimento de sua autonomia, de forma que os resultados continuem acontecendo mesmo quando acabar o período de atendimento. Praticando… Agora que você conhece os temas que serão trabalhados no módulo, o que acha de ver esses conceitos de forma mais prática? Volte ao Ambiente de Estudos online e assista a um vídeo que vai ajudar você a entender como poderá praticar e refletir durante todo o módulo, acompanhando a história do Técnico Marcelo e da Fazenda Santa Felicidade. Tome nota Como você já ficou sabendo qual é o contexto, conseguiria responder todas as dúvidas do Marcelo? Você já passou por essas situações? Aproveite este momento e nos responda quais são as suas expectativas para este módulo. Anote suas respostas aqui! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 14 Tema 1: Histórico da assistência técnica no Brasil Introdução Você está iniciando o primeiro tema do módulo. O objetivo é que você conheça a breve caminhada da assistência técnica no Brasil, bem como as fases vivenciadas, as dificuldades, os avanços e, acima de tudo, sua contribuição para o desenvolvimento desse tão importante setor de nossa economia. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 15 Ao final deste tema, você será capaz de: • discorrer sobre aspectos relevantes da realidade rural brasileira; • identificar as classes de produtores rurais, os princípios e as diretrizes da Política Nacional de Assistência Técnica; • compreender os principais conceitos da assistência técnica, os métodos e as técnicas de difusão de conhecimentos nas atividades rurais; • entender a correlação entre a assistência técnica e o processo educativo do produtor rural. Estrutura do tema Grandes são os desafios enfrentados pelos agentes da assistência técnica, por isso é necessário que todos estejam preparados e munidos de informações e conhecimentos. Para facilitar o entendimento do conteúdo e garantir o acesso, cada tema é dividido em tópicos. Conheça a seguir o objetivo de cada um. Tema 1 Tópico 1 Tópico 2Tópico 5 Tópico 4 Tópico 3 Contextualização da realidade rural brasileira Reconhecer a importância da assistência técnica para o meio rural, destacando pontos relevantes da realidade rural brasileira e descrevendo a classe de produtores rurais no Brasil. Origem, evolução e filosofia da assistência técnica Identificar a origem e as fases da extensão rural no Brasil, discorrer sobre os princípios e diretrizes que orientam a Política Nacionalnesse conceito, o Senar adotou o lema “aprender a fazer, fazendo”. Isso significa que é sempre recomendável usar técnicas de demonstração de métodos ou resultados quando se pretende introduzir uma tecnologia. Não basta ao técnico conhecer as tecnologias, se não souber como “repassá-las” para os produtores. Pode-se dizer que muito do insucesso nos processos educativos e de assistência técnica passa pela falta de competências e habilidades dos técnicos. É comum, por um “instinto de defesa”, que o técnico justifique a falta de bons resultados pelas falhas do produtor. Muitas vezes, no entanto, trata-se de falhas de comunicação do próprio técnico. O papel do Técnico de Campo como agente de mudanças O grande desafio de levar o conhecimento ao homem do campo é o Técnico de Campo, o agente de mudanças, promover as mudanças. É dele o desafio de estimular o produtor a entender as necessidades de fazer diferente para melhorar sua renda e a qualidade de vida da sua família. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 131 Então, siga algumas orientações! Não perca tempo e estude sempre! Procure se preparar continuadamente, lendo, estudando e fazendo cursos de aperfeiçoamento. As mudanças são as grandes certezas do mundo moderno e os técnicos que desejam se sustentar e crescer, profissional e pessoalmente, não podem deixar de acompanhá-las. Comunique-se! É preciso manter um contato frequente com as universidades, com os centros de pesquisa e com as empresas do agronegócio. A Embrapa e as empresas estaduais de pesquisa e extensão rural, por meio de suas diversas unidades em todo o país, reúnem grandes conhecimentos que devem ser repassados ao setor produtivo. Além disso, realizam periodicamente dias de campo e cursos para disseminar o uso das tecnologias. Use e abuse da internet! Obtenha no setor público ou no privado as informações e os conhecimentos que melhor atendam aos produtores rurais que você assiste. Sempre que possível, vá a congressos, faça cursos e procure ler muito sobre os assuntos relacionados ao seu trabalho. Resumindo o tópico Neste quinto tópico, você: Entendeu como o Senar valoriza a educação continuada no processo da ATeG. Compreendeu a responsabilidade do Técnico de Campo na Formação Profissional Rural do produtor para promover mudanças efetivas. Recebeu orientações expressas de como o Técnico de Campo deve buscar conhecimento contínuo. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 132 Encerramento do tema De acordo com o conteúdo estudado, a maioria dos produtores rurais brasileiros não recebe nenhum tipo de assistência técnica e, quem recebe, é de forma eventual e descontinuada. Agora, você será capaz de: Explorar a organização da assistência técnica, das principais organizações que prestam esse serviço, sua estrutura operacional e os cinco passos da assistência. Descrever as responsabilidades de cada agente envolvido, sua rotina de visitas e a importância da formação continuada do produtor e do técnico durante o processo. Apresentar o modelo de ATeG, as etapas que compõem esse processo e a importância que esse modelo tem quando associado à consultoria gerencial. A segunda etapa deste módulo foi bem intensa e bem relevante para você que deseja fazer a diferença no trabalho do campo. Para encerrar este tema, vá ao Ambiente de Estudos e assista ao vídeo para acompanhar o Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 133 Atividade de Passagem Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu! Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo estudado até aqui para passar para o próximo tema. Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor. Questão A Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial está fundamentada em cinco etapas, que abrangem todo o processo a ser aplicado no desenvolvimento da propriedade rural atendida. Nesse contexto, identifique qual das alternativas abaixo mostra todas essas etapas, inclusive na ordem em que elas devem acontecer: a. Planejamento estratégico, diagnóstico produtivo individualizado, adequação tecnológica, capacitação profissional complementar e avaliação sistemática de resultados. b. Aproximação do produtor, diagnóstico individualizado, planejamento estratégico, avaliação sistemática de resultados e disseminação de novas tecnologias. c. Diagnóstico produtivo individualizado, planejamento estratégico, adequação tecnológica, capacitação profissional complementar e geração de confiança. d. Conquistar a confiança do produtor, diagnóstico produtivo individualizado, planejamento estratégico, adequação tecnológica e avaliação sistemática de resultados. e. Diagnóstico produtivo individualizado, planejamento estratégico, adequação tecnológica, capacitação profissional complementar e avaliação sistemática de resultados. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 134 Tema 3: Técnicas de abordagem ao produtor rural Introdução Este é o início da terceira etapa de construção do seu conhecimento e autodesenvolvimento, para se tornar cada dia melhor e mais efetivo em seus resultados. Você estudará as técnicas de abordagem ao produtor rural, para compreender como fazer uma abordagem efetiva que estabeleça uma relação de confiança com o produtor. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 135 Por isso, o objetivo deste tema é que você seja capaz de: • compreender os aspectos que contribuem para a construção de um ambiente favorável para a assistência técnica de qualidade, • identificar os comportamentos mais adequados, • reconhecer os circuitos positivos e negativos da comunicação entre técnico e produtor, • compreender aspectos da personalidade humana, a fim de gerar um clima de confiança e tranquilidade, mantendo o equilíbrio emocional. Para que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema foi dividido em tópicos. Conheça a seguir o objetivo de cada um deles. Tema 3 Tópico 1 Tópico 2Tópico 5 Tópico 4 Tópico 3 Estabelecendo uma relação de confiança com o produtor Reconhecer a forma de criar um ambiente favorável à ATeG, destacando o poder da Assistência Técnica e Gerencial em estipular regras para maior clareza de papéis. Entendendo o comportamento humano Descrever como o comportamento do técnico e o do produtor interferem nas ações de assistência técnica. Comunicação assertiva Identificar os circuitos positivos e negativos da comunicação e seus impactos no relacionamento entre técnico e produtor rural, utilizando o conceito de fluência comportamental. Relacionamento interpessoal e autocontrato de mudança Identificar práticas e comportamentos que influenciem de forma positiva o ambiente da Assistência Técnica e Gerencial, utilizando os conceitos de reconhecimento, fluência comportamental e contrato de mudança. Mantendo o equilíbrio emocional Identificar comportamentos favoráveis ao trabalho de ATeG utilizando conceitos do funcionamento da personalidade humana. Conhecido o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e ótimos estudos! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 136 Tópico 1: Estabelecendo uma relação de confiança com o produtor Já parou para pensar sobre a relação entre o comportamento dos técnicos e dos produtores com a implementação de tecnologias e o estabelecimento da confiança em todo esse processo? No decorrer deste tópico você verá como os aspectos comportamentais dos envolvidos na assistência técnica interferem de forma positiva ou negativa no processo de desenvolvimento de um negócio rural. Os aspectos comportamentais, tanto do técnico como do produtor, interferem de forma positiva ou negativa no processo de desenvolvimentode um negócio rural. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 137 O sucesso da Assistência Técnica e Gerencial depende de diversos fatores, entre eles o comportamento das pessoas envolvidas. Sendo assim, é primordial que o técnico identifique como seus comportamentos estão interferindo nos resultados da assistência técnica. Pare para pensar Diante da afirmação deste começo de tópico, reflita sobre algumas questões: • Como é possível identificar, nas propriedades rurais, uma cultura comportamental que favoreça a implementação de práticas tecnológicas e gerenciais? • Como você pode diagnosticar comportamentos disfuncionais em uma propriedade rural e intervir de forma adequada? • De que forma o seu comportamento interfere na assistência técnica? Esse é o primeiro passo para mudanças positivas no processo! Estabelecendo a relação de confiança com o produtor Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 138 Os resultados de um projeto de assistência técnica serão mais efetivos se a transferência de conhecimentos e as orientações ocorrerem em um ambiente de harmonia e confiança entre técnico e produtor. Veja a seguir, no quadro Assuntos do Campo, como estabelecer esse ambiente harmônico e, junto com ele, a relação de confiança com o produtor. Assuntos do campo Vamos falar sobre confiança? Esse aspecto tão importante em nossos relacionamentos também faz toda a diferença na ATeG. Se o produtor rural sentir confiança no técnico de campo, ficará mais aberto para receber as orientações da assistência. Para isso, ele precisa sentir que vocês dois têm a mesma intenção real de contribuir para os resultados da propriedade. A relação de confiança entre vocês será a base para que haja envolvimento de ambos na implementação das práticas tecnológicas, operacionais e gerenciais na propriedade rural. Essa confiança é construída por meio das relações interpessoais, e consolidada pelas ações e atitudes das duas partes. Neste caso, porém, você, técnico, tem um papel fundamental na criação de um ambiente favorável para isso acontecer. Um ambiente positivo, baseado na confiança, pode ser conquistado. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 139 Basta estimular com relações interpessoais positivas, com o cumprimento de acordos e com a prática de valores éticos. Um ambiente criado nesses moldes permite um clima de trabalho saudável e satisfatório, tanto para o produtor como para você, gerando melhores resultados à propriedade e à família rural. Então é isso! Conquiste a confiança dos produtores e colha os frutos de uma relação positiva. Além dos conhecimentos técnicos e gerenciais, o profissional da assistência técnica também precisa entender os aspectos da personalidade humana para atender aos objetivos de seu trabalho. Uma nova prática de gestão pode ser recebida com resistência, em virtude das crenças, valores e estado emocional do produtor. Entenda! Este foi o caso do Sr. Ariovaldo! Mesmo aberto a mudanças, ele sentiu receio de descobrir o custo de produção da propriedade, com medo de tomar contato com a realidade de seu negócio. Fazenda Santa Felicidade Por isso, também é função do técnico ajudar o produtor a entender a importância de conhecer os seus custos de produção para orientá-lo na tomada de decisões, garantindo que o produtor compreenda claramente as razões para ele fazer as anotações e gerar os indicadores. Nesse caso, alguma crença do Sr. Ariovaldo estava interferindo no desenvolvimento do trabalho de Marcelo. Não demorou muito, mas ele chegou a evitar realizar as orientações de Marcelo para o levantamento dos custos da propriedade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 140 Outros aspectos relevantes para a confiança Existem outros aspectos de grande relevância para o estabelecimento da confiança entre você e o produtor. Conheça! A clareza dos objetivos é fundamental, pois se define o que será feito, quem vai fazer, os procedimentos que serão desenvolvidos durante o prazo de execução dos trabalhos e os resultados esperados. Cabe a você reservar tempo para conversar com o produtor sobre como os trabalhos serão desenvolvidos, apresentando a Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial e estabelecendo a frequência e o horário das visitas, assim como as responsabilidades do produtor. A confiança será criada na medida em que os acordos forem cumpridos. Nesse caso, enxergar os resultados concretos gera um fator motivador para a realização das demais etapas acordadas. Objetivos Alcançáveis Para que haja o envolvimento do produtor nos procedimentos e atividades propostas, a confiança no técnico deve estar presente. Ela só é possível com a prática de valores baseados na ética. A construção da confiança tem relação direta com a integridade. Integridade é honestidade, sinceridade. Uma pessoa íntegra é correta, justa e não se desvia do caminho, não tem duas caras. Uma pessoa sincera não disfarça seus erros, e sim os assume. Prática de Valores Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 141 De forma prática, informar ao produtor, por meio de suas atitudes, que está engajado na obtenção dos resultados contratados no serviço de assistência técnica, significa: • tratar o produtor de igual para igual, • cumprir acordos e contratos, • respeitar sua cultura, • apresentar informações adequadas à realidade dele, • seguir os protocolos operacionais de seu trabalho, • demonstrar intenção real de contribuir com o desenvolvimento da propriedade rural. Fica evidente que as responsabilidades do técnico da assistência técnica vão além das competências tecnológicas. Poder e assistência técnica O técnico exerce poder de influência na propriedade rural, uma vez que é um provedor de soluções úteis ao seu desenvolvimento. Esse poder pode ser duradouro ou não, dependendo da forma como for utilizado. Um produtor pode seguir as orientações do técnico apenas no período em que está sendo visitado, ou incorporá-las na rotina da propriedade, sem necessidade de supervisão. Como o poder de influência do técnico pode contribuir para ambas as situações? Através dos conceitos de fontes de poder contextual e pessoal. Veja! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 142 Poder Contextual O poder contextual ou funcional está ligado à função dentro de uma estrutura determinada. Ou seja, surge do lugar que a pessoa ocupa na estrutura social, seja uma sociedade, seja um grupo ou uma empresa produtora de bens e serviços. Poder Pessoal O poder pessoal independe do status e dos papéis que o indivíduo representa e ocupa no contexto social. Ele vem do próprio indivíduo, se refere às suas características de personalidade, experiências, vivências, conhecimento, energia vital, motivações interiores, criatividade, capacidade de enfrentar desafios, maturidade emocional, competência técnica, nível de assertividade, intuição e competência interpessoal. Poder Contextual O profissional da assistência técnica possui esse poder, decorrente das atribuições de sua função. O poder contextual pode ser subdividido em: O profissional da assistência técnica possui esse poder, decorrente das atribuições de sua função. Coerção Posição Recompensa O poder por meio da coerção tem como base ameaças e chantagens e coloca como perspectiva penalizações e punições para quem não seguir o que foi proposto. O poder por meio da posição é exercido fazendo-se valer da posição ou cargo ocupado em uma hierarquia ou posição social. O poder por recompensa se faz gerando uma perspectiva de retribuição, concessão de benefícios ou vantagens a quem seguir as recomendações. Na falta do equilíbrio e do bom senso em sua utilização, essa fonte de poder pode se tornar agressiva e manipuladora. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 143 Opoder contextual pode e deve ser utilizado, porém de forma consciente e equilibrada. Ou seja, em raros momentos e situações em que são necessárias ações corretivas e de ajuste de conduta e que a utilização do poder pessoal se mostrar insuficiente para resolver as situações apresentadas. Poder Pessoal É uma fonte interna de poder, individual e intransferível. Quem concede esse poder ao profissional da assistência técnica é o produtor rural, ou seja, ele é conquistado por meio de comportamentos e atitudes. Rosa Krausz (1991) afirma que: “O poder pessoal potencializa as capacidades humanas, desenvolve a auto- confiança, a iniciativa, o entusiasmo, a inovação e o dinamismo organizacio- nal necessários ao acompanhamento das transformações que se sucedem cada vez mais rapidamente no meio ambiente.” O poder de conhecimento é composto por um conjunto de conquistas pessoais, como habilidades, experiências, informações, observações e conhecimentos acumulados no decorrer da vida, resumidos como competência técnica ou profissional. Em essência, trata- se da credibilidade inspirada pelo saber e pelo fazer. O poder de conexão é capaz de motivar, estimular e envolver as pessoas sob o seu âmbito de influência em atividades, causas e objetivos comuns. Ele leva as pessoas a se sentirem suficientemente seguras para aceitar desafios e correr riscos. Cria solidariedade, identificação grupal, espírito de equipe e corresponsabilidade. O poder de competência, também interpessoal, é entendido como um conjunto de atributos pessoais desenvolvido por meio de vivências, treinamento, crescimento e desenvolvimento de potencialidades humanas. Abrange, por exemplo, a capacidade de comunicação, flexibilidade, intuição, abertura, capacidade de processar feedback, autoconhecimento, sensibilidade, equilíbrio emocional e bom senso. Esse tipo de poder flui naturalmente e quem o tem é admirado por quem o cerca – não por aquilo que tem ou conquistou, mas pelo que é, por sua coerência e tranquilidade. O poder pessoal ainda pode ser subdividido em: Conhecimento Conexão Competência Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 144 É esperado que o produtor rural adote os procedimentos e tecnologias apresentados pelo técnico e os incorpore nas práticas produtivas e gerenciais da propriedade. A forma como o técnico utiliza seu poder para influenciar essas implementações será decisiva para a continuidade dessas práticas. Na prática Se você utilizar o poder pessoal por meio do conhecimento, da conexão ou da competência interpessoal, conseguirá fazer com que o produtor aceite e execute as recomendações de forma livre e espontânea, pelo entendimento de que está fazendo o melhor. Utilizando o poder contextual por meio da coerção, da posição ou da recompensa, as recomendações, quando seguidas, serão acatadas de maneira forçada, sendo abandonadas assim que o técnico deixar de assistir a propriedade. Dessa forma, está claro qual poder você vai usar, não é mesmo? Fica evidente que o poder pessoal do técnico é fundamental para o trabalho de Assistência Técnica e Gerencial, elevando sua capacidade de influência positiva no ambiente da propriedade rural: • estimulando a criatividade, a autonomia e a corresponsabilidade por resultados, • aumentando a possibilidade de que as orientações sugeridas sejam incorporadas no sistema de gestão da propriedade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 145 Contrato e clareza de papéis Existe um ditado popular que diz: “O que é combinado não é caro”. Isso pode ser aplicado nos serviços de Assistência Técnica e Gerencial. Essa “combinação” deve estar bem clara no início dos trabalhos, para evitar possíveis conflitos ou desentendimentos futuros. É a clareza contratual que vai gerar confiabilidade aos serviços de as- sistência técnica, quando técnico e produtor entendem quais são os passos que deverão ser seguidos por ambos rumo à obtenção dos ob- jetivos definidos. Por isso, sempre mantenha os acordos firmados em dia! Resumindo o tópico Neste primeiro tópico, você: Compreendeu a importância de estabelecer uma relação de confiança com o produtor rural, garantindo um processo de assistência harmônico e positivo. Conheceu o poder contextual e o pessoal, entendendo as características de cada um e a aplicabilidade deles na sua rotina. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 146 Tópico 2: Entendendo o comportamento humano Você entende o comportamento humano e o quanto ele interfere no seu redor? Neste tópico você verá como o comportamento do técnico e do produtor interferem na assistência técnica e gera consequências que podem modificar o rumo do trabalho feito. O trabalho de assistência técnica não depende apenas do conhecimento técnico do profissional. Existem diversos fatores comportamentais que interferem diretamente nos resultados. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 147 A realidade do campo Você poderá se deparar com produtores que dificultam o relacionamento e a aceitação das orientações e mudanças. Esses contextos exigirão de você um entendimento sobre aspectos da personalidade humana para saber como intervir. Infelizmente, não é raridade. Quando isso ocorrer, você deverá analisar a situação e aplicar os conhecimentos que serão apresentados. Crenças e suas influências “A maior descoberta de qualquer geração é a de que os seres humanos só podem alterar sua vida se alterarem sua atitude mental.” William James. Quando criança, o ser humano tem a necessidade de ser aceito pelos pais, irmãos, avós, professores, ou seja, por aquelas pessoas que são figuras de autoridade em seu meio. Para isso, experimenta comportamentos e atitudes que são aceitos por eles e, com o passar do tempo, são incorporados à sua Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 148 personalidade. Como a criança está aprendendo a viver, tentando descobrir o que é certo e errado ou o que é aceito pelos adultos, ela vive experimentando formas de lidar com as situações. A criança descobre que recebe atenção quando fica triste, então, quando quer que os adultos a percebam, demonstra sentimento de tristeza. Se os pais achavam graça quando a criança fazia alguma arte, existe a tendência de continuar fazendo travessuras para receber atenção. Assim acontece a moldagem do comportamento humano, testando padrões de comportamento que dão certo para receber atenção e incorporando os que dão resultados positivos. Esse processo começa no nascimento, executado primeiro de forma intuitiva e, depois, de forma consciente, com o desenvolvimento da estrutura de sua personalidade. Isso faz de cada indivíduo um ser único, com personalidade diferente, pois cada um reage do seu jeito diante dos acontecimentos. Os principais aspectos da personalidade humana são definidos na infân- cia e têm grande impacto na vida adulta. Crenças não atualizadas Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 149 Durante a formação da personalidade, vão se definindo alguns padrões de comportamento e os valores, como honestidade, integridade e transparência, além dos padrões limitantes, como “você não consegue, isso não é pra você, nascemos assim e vivemos assim”. A pessoa se reconhece de uma determinada forma e pensa que não é possível mudar; que esse “mudar” depende de algo externo, de alguém ou algo que mude o rumo das coisas. Essa pessoa desenvolveu crenças limitantes e que podem não ser atualizadas. Nessa condição, o cérebro não identifica que está no momento atual, muito distante do que aconteceu no passado, e que pode pensar de forma diferente. Trata-se de uma pessoa adulta, com vários recursos para lidar com o que está acontecendo, os quais não estavam disponíveis na infância. Crenças não atualizadas no meio rural São as crenças aprendidas e cristalizadas a partir de experiências passadas. As crençasnão atualizadas fazem com que as pessoas não tenham senso de realidade, tomando como verdade o que foi assimilado algum dia no passado, especialmente na infância. Dessa forma, se torna necessária uma análise dessas crenças, para ver se ainda fazem sentido no momento presente. Durante suas experiências com produtores, é possível que você se depare com algumas crenças que evidenciam o medo que eles sentem em fazer algo diferente do que sempre se fez. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 150 Pode significar que a sua família viveu essa experiência e não teve os resultados que esperava. Pode ser que ele tenha visto seus pais trabalharem muito, do amanhecer ao anoitecer, entendendo que essa é a atitude correta. Isso pode estar relacionado ao medo do produtor de conhecer a realidade e não saber lidar com ela. A pergunta que cabe nesse momento, relativamente ao produtor rural, é a seguinte: quais são as crenças desenvolvidas na infância e que até hoje o influenciam? Uma conversa honesta e empática pode ajudar o entendimento! Na prática É muito provável que você encontre situações como essa no dia a dia do campo. Esse é o momento em que você deve entrar em cena como o agente de mudança que ajuda o produtor a tomar consciência de sua realidade e entender o que está acontecendo. Além disso, você deve mostrar as consequências, apresentando informações atualizadas para fazer algo que seja condizente com o “aqui e agora”, sempre de acordo com a realidade atual da propriedade e com os resultados que se quer alcançar. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 151 Cuidados na comunicação com o produtor rural Ao perceber que o produtor está tomando por fato informações e crenças não atualizadas, sem concordância com a realidade presente, o técnico precisa tomar alguns cuidados na comunicação com ele. Não faça orientações nesse momento, pois pode ocorrer resistência. Ouça atentamente o produtor e busque identificar quais crenças estão envolvidas. Interprete a conversa e procure caminhos para reverter a situação. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 152 Uma forma de atualizar crenças dessa natureza é apresentar ao produtor exemplos de outros produtores que estão fazendo o que está sendo proposto e estão obtendo bons resultados. Tome nota É preciso perceber em que momento o produtor se mostra receptivo para receber a nova informação. Isso evita desgastes e conflitos e, por consequência, tornará o trabalho do técnico mais efetivo, com resultados muito superiores. Caso a situação seja urgente e o técnico deixe para passar a orientação na visita seguinte, pode não surtir o mesmo efeito. Quando encontrar o momento certo, a abordagem precisa ser consistente e sustentada por argumentos sólidos, gerando a percepção de que o produtor terá ganhos em segui-la. Anote que esse é o pulo do gato! Tenha em mente que é necessário ter uma percepção apurada, uma comunicação assertiva, efetiva e, acima de tudo, uma postura adequada. Demonstre total convicção do que está orientando e seu interesse nos resultados. Os cuidados na comunicação são decisivos para obter êxito na Assistência Técnica e Gerencial, uma vez que as crenças não atualizadas podem manter, de forma sutil, o status quo da propriedade. Status quo é uma expressão do latim que significa estado atual ou situação atual. Isso justifica a importância de que o técnico faça uso do seu poder pessoal, utilizando sua intuição, capacidade de comunicação, empatia, sensibilidade e bom senso em todo o processo de Assistência Técnica e Gerencial. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 153 Estados emocionais da personalidade humana O técnico somente terá condições de realizar um bom trabalho se estiver bem emocionalmente, comportando-se de forma condizente com a sua função. Durante o dia a dia podemos viver dois estados emocionais: sistema vencedor e sistema não vencedor. Conheça a seguir: O sistema vencedor, quando ativado, nos permite conhecer o sentido da vida, temos atitudes e comportamentos que trazem paz interna e felicidade. Sentimos que nossos objetivos estão acontecendo a partir de nossas ações concretas. Também nos sentimos confiantes, acreditamos em nosso potencial, temos consciência de nossas qualidades e limitações, aprendemos com as experiências, estabelecemos metas realistas. O sistema não vencedor, quando ativado, nos faz sentir tensão, ansiedade e desconforto. Não acreditamos no potencial que temos, imaginamos que não conseguiremos mudar a realidade. Temos resistência para acreditar em nós mesmos e nas pessoas que estão ao nosso redor. É aquele momento em que iniciamos várias coisas e não as terminamos, aplicamos muito esforço e obtemos pouco resultado no trabalho, nos envolvemos com frequência em conflitos interpessoais. Existe pouco ânimo para resolver o que é necessário ou iniciar novos projetos. Podemos mudar de sistema de um momento para o outro, dependendo do que nos acontece e, principalmente, pela forma como encaramos o sucedido. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 154 Quando somos convidados ao estresse, ao desapontamento, a sentir culpa, raiva, medo e outras emoções, o que vai fazer a diferença é o nosso nível de consciência e preparo para lidar com tudo isso. Ou seja, se temos ou não a capacidade de respirar fundo e analisar as situações de uma forma mais profunda e decidir se aceitamos ou não o convite. Essa atitude influenciará diretamente os resultados que vamos alcançar, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Impacto do estado emocional do Técnico de Campo O conhecimento dos aspectos tecnológicos e gerenciais de uma propriedade rural não garantem a satisfação do técnico com seus serviços. Isso significa que os resultados alcançados, mesmo baseados em conhecimento, podem influenciar diretamente o estado emocional do Técnico de Campo. Esse é o assunto do quadro Assuntos do Campo, que por sua vez, é sempre atual e muito relevante para a sua saúde emocional. Leia e conheça! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 155 Assuntos do campo O assunto agora é profundo e essencial. Vamos bater um papo sobre o impacto do estado emocional do técnico na Assistência Técnica e Gerencial. Você já deve saber que trabalhar com estresse elevado, não sentir segurança e não acreditar no potencial de mudança do produtor dificultam a construção uma relação de confiança, não é? Por isso, é muito importante que você acredite em si mesmo, cuide da sua saúde física e mental e tenha consciência dos impactos do seu comportamento sobre outras pessoas. Isso fará com que aumentem as chances de criar empatia com o produtor rural e de apresentar de forma adequada as informações tecnológicas e gerenciais necessárias para o desenvolvimento da propriedade dele. Aspectos como um produtor difícil de lidar, contratos não cumpridos, metas não atingidas e autocobrança por perfeição podem tirar você do sistema vencedor. Sabendo disso, fica mais fácil perceber quando será necessário se esforçar e voltar ao sistema vencedor, para não prejudicar seus relacionamentos e não comprometer seus resultados. Entender que somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos e fazemos é fundamental para que sejamos proativos e tenhamos um estado de bom humor, confiança e entusiasmo. Isso tornará a sua presença agradável, seus relacionamentos saudáveis e seu poder de influência muito maior. Guarde isso para a vida! Seu estado emocional, quando positivo, permite que você transforme seus resultados e as propriedades que atende. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 156 Auxiliando o produtor a encontrar soluções para a propriedade rural Os sistemas vencedor e não vencedor influenciam o estilo de gestão do produtorrural. É possível perceber comportamentos proativos em empresários rurais que permanecem a maior parte do tempo com o sistema vencedor ativado. O empreendedorismo é percebido quando o sistema vencedor está ativado, levando o produtor a buscar soluções para sua propriedade, novos padrões de tecnologia, inovar, aprender com seus erros e equacionar seus próprios problemas. Por outro lado, aqueles com o sistema não vencedor ativado mostram comportamentos passivos, evitam os problemas, não agem ou sua ação é deslocada e são resistentes. Produtores com o sistema não vencedor ativado têm a tendência de desqualificar a realidade, ignorando dados de sua propriedade. Não realizam nenhum tipo de controle e não buscam encontrar formas para mudar a situação, até porque não acreditam na sua capacidade e pensam que não cabem a eles as decisões de fazer diferente e de mudar seus resultados. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 157 Cabe ao técnico identificar essas situações e, com muita paciência, persistência e habilidade, convidar essas pessoas a acionarem o sistema vencedor. Tudo isso provocado por suas atitudes e comportamentos, servindo de espelho e inspiração. Para poder lidar com produtores que permanecem com o sistema não vencedor ativado, é necessário que o técnico esteja com o sistema vencedor ativado, mantendo equilíbrio emocional para lidar com as diversas resistências que o produtor possa apresentar. O técnico precisa ter recursos para lidar com o produtor quando perce- ber que ele está desqualificando a sua realidade. Ou seja, o produtor tem um problema a ser resolvido, porém não emprega a energia neces- sária para a sua resolução. Uma boa forma para lidar com situações como essa é conduzir a conversa por meio de perguntas, mantendo uma sequência lógica, estimulando o raciocínio, a reflexão e a autonomia do produtor. Observe! Como você controla a entrada e a saída de dinheiro da propriedade? Como você controla o custo de alimentação dos animais? Que tipo de anotações você faz? Quais consequências podem ocorrer para uma propriedade que não controla seus gastos? Qual seria a importância de conhecer o destino que se dá ao dinheiro da propriedade? Você sabe me dizer quanto custa um litro/quilo/arroba/ saca dos produtos comercializados aqui na propriedade? Você gostaria de receber informações sobre como controlar os gastos da propriedade? Como você pode se organizar para fazer as anotações desses controles? Nesse momento, você apresenta os controles pertinentes à propriedade, ensinando o produtor a fazê-los e esclarecendo todas as dúvidas. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 158 Dessa forma, fica evidente que a função do técnico não é apenas repassar informações tecnológicas ao produtor, mas também diagnosticar o comportamento apresentado pelo produtor no momento da visita. Assim, o técnico saberá se o produtor está disponível para receber as informações, ou se precisa ouvi-lo primeiro, para evitar que as resistências do sistema não vencedor influenciem o projeto de assistência técnica. Resumindo o tópico Neste segundo tópico, você: Conheceu alguns conceitos importantes a respeito do comportamento humano e suas crenças. Compreendeu a importância do técnico como agente de apoio para que o produtor rural encontre soluções para os seus problemas. Compreendeu como realizar uma comunicação efetiva e cuidadosa com o produtor rural. Entendeu como funcionam os estados da personalidade humana e sua influência na relação entre o técnico e o produtor rural. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 159 Tópico 3: Mantendo o equilíbrio emocional Como o técnico pode se manter no sistema vencedor? No decorrer deste tópico você conhecerá ferramentas eficazes para o técnico se manter no sistema vencedor e ampliar seu poder de conexão e competência interpessoal. Um bom caminho para isso é tomar consciência de seu estado emocional, comportamentos e atitudes e adotar ações concretas para mudar o que está acontecendo. Acompanhe! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 160 Ações para manter o equilíbrio emocional Para começar, conheça um princípio que deve ser reforçado: Nascemos para sermos felizes, dar certo na vida, sermos leves, ter sen- timentos de alegria, amor e usar nossas potencialidades de forma ple- na. Isso é uma crença que deve prevalecer! Existem momentos na vida em que percebemos que os projetos vão bem, sentimos paz interna, os relacionamentos são agradáveis e surgem novas oportunidades. É um momento favorável em que estamos curtindo os benefícios de quem está com o sistema vencedor ativado. Por outro lado, em virtude de alguns acontecimentos, como doenças na família, objetivos não alcançados, trabalho em excesso, decepção amorosa, noites mal dormidas, entre outros, podemos entrar no sistema não vencedor sem nos darmos conta. É no sistema não vencedor que o cérebro traz à tona as mensagens negativas registradas na mente, nos tirando o equilíbrio e trazendo sintomas psicossomáticos e psicológicos, como: • dor de cabeça, • problemas de estômago, • tensão muscular, • alteração da pressão arterial em conjunto com ansiedade, • culpa, • pensamento acelerado. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 161 Pare para pensar Algumas vezes, saímos do sistema vencedor de forma sutil e, quando nos damos conta, estamos no sistema não vencedor há algum tempo. Uma noite de sono mal dormida pode nos fazer acordar com mal-estar e ficarmos o resto do dia dessa forma. Já aconteceu com você? É importante reparar se esse estado emocional é frequente e se ocorre sempre ao acordar. Podemos então perceber a quantidade de dias que estamos no sistema não vencedor sem nos darmos conta. O que acha de prestar atenção a esse aspecto? Ações de descongelamento Ficar atento aos fatores que nos tiram o equilíbrio emocional faz a diferença entre estar bem ou não em nossa vida. Alguns são externos e estão fora de controle. Outros são internos e podem acontecer de maneira involuntária. Por exemplo, um dia com temperatura muito elevada ou a lembrança de algo desagradável do passado são estímulos que interferem no es- tado emocional aos quais qualquer ser humano está sujeito. Porém, a forma como cada indivíduo lida com as consequências desses fatores é de responsabilidade pessoal, uma vez que o ser humano possui recur- sos internos para retomar o equilíbrio, por meio de ações que ativem o sistema vencedor. Essas ações são chamadas de descongelamento e têm a finalidade de colocar em funcionamento as potencialidades que ficaram imobilizadas ou congeladas a partir do fator que tirou o equilíbrio emocional. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 162 É uma ação consciente para fazermos algo que nos deixe bem, com a certeza de que voltaremos ao equilíbrio emocional e sentiremos nossa energia vital alterar de maneira positiva o estado de ânimo. A certeza de que podemos ficar bem deve estar presente em todos os momentos, mesmo naqueles dias difíceis. Nem sempre será possível ficar bem apenas dizendo a si mesmo “agora vou mudar o que estou pensando e me sentirei melhor”. Todos nós nascemos para sermos felizes e utilizarmos de forma plena nossas potencialidades. Nascemos para dar certo na vida, livres de comportamentos inadequados ou irrelevantes. É bom nos lembrarmos sempre disso. Quando não estamos nos sentindo bem, é o momento de acreditar que não somos assim e que esse estado pode ser mudado, utilizando algumas estratégias para a ação de descongelamento, com o intuito de ativar o sistema vencedor. Responsabilidade emocional Também é responsabilidade do técnico da assistência técnica ter seus recursos para estar bem consigo mesmo,uma vez que seu estado emocional e seu comportamento vão influenciar a condução de seus trabalhos na propriedade rural, ainda mais quando atender a um produtor que esteja com o sistema não vencedor ativado. O ser humano não consegue viver sozinho. Ele precisa da presença do outro para sobreviver. Tanto isso é verdade que, na prisão, o principal castigo aos presos não é a violência física, mas sim a privação do contato humano, quando colocam um preso na solitária. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 163 Para ficarmos bem, ações de descongelamento do sistema vencedor que envolvam outras pessoas tendem a ser muito potentes. Conheça algumas! Falar com pessoas em quem confiamos e que estão dispostas a ouvir sobre o que está acontecendo em nosso íntimo. Pode ser o marido, a esposa, os amigos, ou seja, alguém com quem nos sentirmos confortáveis. Isso nos ajuda a tomar contato com o que se passa em nossa mente, fortalece as relações e altera de forma positiva o estado de humor. Fazer alguma coisa que ajude alguém, um ato de caridade. Isso ajuda tanto quem está recebendo quanto quem está ajudando. Faça algo inesperado, que possa ajudar de alguma forma outra pessoa, e perceba como ficará o seu estado de humor. Participe de grupos de amigos, grupos na igreja, grupos de caridade, ou seja, algum grupo com o qual você se identifique e que não tenha relação com o trabalho. Pode ser na igreja, numa entidade beneficente etc. A convivência em grupo nos ajuda a criar novos laços de amizade e a recebermos reconhecimento positivo. Conversar com amigos Atos de ajuda ao próximo Participar de grupos Vale destacar que o caminho para entrarmos e ativarmos o sistema vencedor é a confiança de que podemos estar bem, a consciência da forma como estamos pensando, sentindo e agindo de forma concreta. Isso é responsabilidade de cada um. Permita-se experimentar novas formas de pensar, agir e sentir, e descubra os ótimos resultados que poderá obter. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 164 Usando sua autonomia Confiança, consciência e ação são os caminhos que nos levam ao sistema vencedor. Esse caminho só pode ser traçado pela pessoa que deseja estar bem consigo, independentemente do que outras pessoas estão fazendo e dizendo e do que aconteça no ambiente externo, fora de nosso controle. Estar bem é uma decisão própria. O técnico não deve cair na armadilha de culpar outras pessoas ou até o produtor rural pelo que está sentin- do. Somos responsáveis pelo que estamos pensando e sentindo, e o estado emocional que esses pensamentos e sentimentos causam refle- tem na forma como reagimos diante dos acontecimentos da vida. E como isso ocorre na prática? Observe o exemplo! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 165 Cinco pessoas estão em uma viagem de carro, já se passaram várias horas e elas estão cansadas. De repente, fura um dos pneus. Elas têm que tirar todas as malas do veículo para trocar o pneu furado. Isso vai levar um certo tempo e elas vão chegar atrasadas ao seu destino final. Um pode ficar com raiva, falar palavrões, ficar reclamando o tempo todo; outro pode culpar o motorista pelo ocorrido. viagem. Isso ressalta a forma com que cada um lida com os acontecimentos da vida, Será que todos vão reagir da mesma forma? Cada um vai lidar com a situação de acordo com seu estado emocional. Também é possível que um dos passageiros lide com calma diante da situação, resolvendo o que está acontecendo, fazendo uma ação concreta para realizar a troca do pneu o quanto antes e dar sequência à Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 166 podendo reagir com defensividade ou proatividade. O que é defensividade? Significa não fazer algo para mudar o que é necessário. É uma fuga para não lidar de forma consciente com o que está acontecendo. Ela é usada para evitar respostas autônomas, muitas vezes até estimulando outras pessoas a assumirem o controle da situação criada por esse tipo de comportamento. Isso gera dependência, ou seja, o indivíduo cria uma expectativa de que outras pessoas resolvam o que está acontecendo, ou até mesmo culpa o outro por algo que é de sua própria responsabilidade. Esse ciclo vicioso o mantém no sistema não vencedor, uma vez que ele não toma a iniciativa para resolver o que está acontecendo e cria uma expectativa de que algo ou alguém possa assumir a ação que é de sua responsabilidade. Tome nota A defensividade é reforçada quando o indivíduo encontra pessoas que estimulam sua dependência e fazem coisas ou tomam decisões sem consciência de que essa atitude de ajuda no curto prazo não ajuda no longo prazo. Nem sempre quem tomou a decisão pelo outro estará presente em novas oportunidades, deixando o indivíduo sozinho e sem experiência para usar suas potencialidades. Além da dependência, a defensividade gera também insegurança, e o indivíduo não consegue ter novas atitudes, assumir novos desafios e tomar suas próprias decisões. Anote isso e se mantenha alerta para esse tipo de comportamento! No meio rural, é comum encontrar produtores com comportamentos de defensividade, acreditando que o técnico tenha que fazer ações ou tomar decisões que são de responsabilidade do produtor. Entenda! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 167 Fazenda Santa Felicidade Sr. Ariovaldo passou por um período emocional difícil e o técnico Marcelo acabou tomando a frente de algumas ações. Em curto prazo, a propriedade obteve bons resultados, a partir das diretivas do técnico. É função do Técnico de Campo identificar situações como essa e adotar técnicas comportamentais para estimular a autonomia do produtor rural no desenvolvimento da propriedade. Então, Marcelo verificou o momento adequado, chamou o Sr. Ariovaldo para uma conversa e, depois de ouvi-lo, mostrou-lhe dados, para que ele se empolgasse com seus negócios. Porém, quando Marcelo se deu conta de que já estava numa fase avançada do contrato, percebeu que se continuasse fazendo tudo pelo proprietário, os procedimentos implantados na propriedade poderiam não se manter por ele não estar lá. O técnico pode contar com vários recursos para estimular o produtor, como: • ter clareza no contrato de trabalho, • usar o poder de conexão e competência interpessoal, • auxiliar o produtor a tomar consciência de seu estilo de gestão, com suas causas e consequências, • identificar o momento adequado para apresentar informações, • não impor ações, • estimular o produtor a planejá-las e implementá-las. Resumindo o tópico Neste terceiro tópico, você: Compreendeu ações importantes para manter o equilíbrio emocional. Entendeu que confiança, consciência e ação são efetivas para obter o equilíbrio emocional e manter o sistema vencedor ativo. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 168 Tópico 4: Relacionamento interpessoal e autocontrato de mudança Você entende a importância da criação de um ambiente favorável para o fortalecimento das relações interpessoais com o produtor? Neste tópico você entenderá como os reconhecimentos e a fluência comportamental podem contribuir para a manutenção da confiança entre o técnico e o produtor rural. O profissional da assistência técnica mantém um trabalho de longo prazo com o produtor rural, sendo fundamental a criação de um ambiente favorável para o fortalecimento das relações interpessoais. Explore como isso pode acontecer! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 169 Os reconhecimentos e suas influências na propriedade rural Agora você vai entender o poder do “aqui e agora” nos relacionamentos interpessoais. O ser humano tem necessidade de ser reconhecido, pois esse aspecto vai além de um elogio. O reconhecimento proporciona o sentimento de “estar vivo”, muito necessário para todos e que demonstraa “importância” de alguém. De forma simples, o reconhecimento pode ser um elogio, um cumpri- mento, um olhar, um aceno com a cabeça, um ouvir atento. Ou seja, qualquer sinal de que um reconheça a presença do outro. Nesse caso, o “aqui e agora” é fundamental nos reconhecimentos e contribui de for- ma imensa nos relacionamentos interpessoais. Então, de acordo com esse conceito, significa que ouvir a outra pessoa com atenção e engajamento é um sinal de respeito e demonstração de que ela é o que importa no momento. É muito bom perceber quando alguém está nos dando atenção. Todos se sentem importantes e reconhecidos. Isso faz nos sentirmos bem, vivos, alertas e aceitos. É um ouvir e interagir de ser humano para ser humano, sem críticas e julgamentos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 170 Em maior profundidade, o reconhecimento aumenta o sentido individual de bem-estar, apoia a inteligência e geralmente causa satisfação. Também pode dar às pessoas uma informação sobre sua competência e ajudá-las a se tornarem mais conscientes de seus recursos e habilidades individuais. Os reconhecimentos são divididos em dois grupos: condicionais e incondicionais. O almoço que você fez ficou ótimo. Parabéns! Reconhecimento Condicional É um reconhecimento a partir de algo que o outro fez. Gosto muito da companhia de vocês! Reconhecimento incondicional Está relacionado ao que a pessoa é, ao seu ser, independentemente de suas ações. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 171 Segundo Krausz (1991), os reconhecimentos incondicionais são uma força poderosa de crescimento ou de destruição, pois expressam acei- tação ou rejeição total da pessoa a quem são dirigidos. Eles podem ser subdivididos em positivos e negativos. Os positivos convidam quem está recebendo o reconhecimento a se sentir bem. Os negativos levam o outro a se sentir mal. As consequências dessas formas de reconhecimento são as seguintes. Entenda! Consequência Desmotivam, geram insegurança e limitam certas capacidades. Exemplo "Essa propriedade está uma bagunça! Vocês são muito relaxados." Consequência Desestimulam o desenvolvimento das potencialidades. Exemplo "Não tenho tempo a perder com você." Consequência Modelam e reforçam comportamentos. Exemplo "Os controles gerenciais realizados por vocês estão ótimos. Parabéns!" Consequência Levam ao crescimento, estimulam a autoestima e a segurança. Exemplo "É um prazer poder atender à sua propriedade. Sinto-me muito bem aqui." Condicional Positivo Tipos de reconhecimento Condicional Negativo Incondicional Positivo Incondicional Negativo Vale destacar que os reconhecimentos condicionais negativos, em alguns momentos são adequados, no sentido de dar informações ao produtor rural sobre aspectos que podem ser melhorados na propriedade. Nesse caso, cabe o cuidado de não fazer desse momento um estímulo para desmotivar, gerar insegurança ou desmerecer a atitude do produtor, mas auxiliar no desenvolvimento da propriedade rural. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 172 Reconhecimentos verbais e não verbais Os reconhecimentos ainda podem se apresentar sob duas formas: No reconhecimento verbal, são usadas palavras para expressá-lo. Verbais São enviados por meio de gestos, postura, expressão facial e olhar. Não verbais A forma não verbal é um meio muito mais potente e sutil do que a linguagem verbal no processo de relacionamento interpessoal. Isso acontece porque está menos sujeita ao controle consciente das pessoas, pois expressa seus reais sentimentos, sensações, opiniões e posicionamentos. Na prática No seu dia a dia vão aparecer situações em que você deverá se comunicar com o produtor, considerando as formas apresentadas até agora. Porém, é importante seguir algumas orientações e lembrar que elas vão ajudar você a manter uma comunicação e um ambiente harmoniosos. • Não coloque julgamentos em sua fala, como por exemplo: “Vocês não fazem nada direito”, “Vocês são irresponsáveis”. • Seja descritivo ao invés de avaliativo, para que não contenha julgamentos. Nesse caso, o produtor pode ficar na defensiva e não ouvir o que você tem para dizer. • Seja específico ao invés de geral, apresentando os fatos e dados da situação na qual você deseja contribuir para o desenvolvimento. • Seja oportuno, perceba se o momento e o ambiente são adequados para dar a informação. Para isso, algumas perguntas podem ser feitas para checar essa situação: » O produtor pode ficar constrangido se eu lhe der um reconhecimento condicional negativo perto de outras pessoas? » É melhor falar de forma particular? » O produtor está disposto a me ouvir neste momento? » Ele está tranquilo ou nervoso? » O momento de falar é agora ou é melhor deixar passar a raiva? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 173 Tenha sempre em mente que o que você tem a dizer é para contribuir com o desenvolvimento do produtor rural. A forma como você fala e o momento vão ou não contribuir para isso. Pense e decida A semana foi intensa, em vários momentos o seu sistema não vencedor foi ativado, mas hoje você acordou bem. Isso é bom, pois é dia de dar o reconhecimento a um produtor que precisa urgentemente de mudanças na sua propriedade. Ao chegar para o encontro, você sente que há uma tensão entre você e o produtor. E agora? Continua a conversa, de forma mais branda. Afinal, você está bem para esse momento. Usa o encontro para entender o motivo da tensão e se conectar com o produtor. Justifique aqui a sua escolha! Feedback Entender o motivo da tensão ajuda você a se certificar de que, realmente, o seu sistema vencedor está ativado. Ele é essencial para dar esse tipo de reconhecimento e não correr o risco de se tornar um incondicional negativo, o que poderia interferir de forma negativa nos resultados da Assistência Técnica e Gerencial realizada na propriedade. Por isso, é muito importante entender o motivo da tensão primeiro, pois isso ajuda você a se certificar de que, realmente, o seu sistema vencedor está ativado. Ele é essencial para dar esse tipo de reconhecimento e não correr o risco de se tornar um incondicional negativo, o que poderia interferir de forma negativa nos resultados da Assistência Técnica e Gerencial realizada na propriedade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 174 Resumindo o tópico Neste quarto tópico, você: Conheceu comportamentos que influenciam de forma positiva o ambiente da ATeG. Entendeu como as formas de reconhecimento podem tornar um ambiente positivo ou negativo. Compreendeu a importancia de saber como e quando fazer reconhecimentos em um diálogo com o produtor rural. Tópico 5: Comunicação assertiva Qual o papel que a comunicação desempenha no processo de desenvolvimento rural? No decorrer deste tópico você verá como os circuitos positivos e negativos da comunicação impactam no relacionamento entre técnico e produtor rural, utilizando o conceito de fluência comportamental. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 175 Para realizar a Assistência Técnica e Gerencial, além de conhecer e aplicar os princípios tecnológicos, gerenciais, sociológicos, psicológicos, antropológicos e éticos, é necessário conhecer os princípios da comunicação, pois o técnico é um comunicador, educador e agente de mudanças. A comunicação é a principal ferramenta de trabalho deste profissional. Você sabia? Segundo Seaman Knapp, pai da metodologia de extensão rural na América do Norte, o técnico tem por missão “ajudar os agricultores a se ajudarem”. Ele diz que “um homem pode duvidar do que ouve. Pode também duvidar do que vê; só não pode, porém, duvidar do que faz”. Daí vem o princípio “ensinar a fazer, fazendo”, por meio de uma comunicação que motive e induza mudanças de comportamento, habilidades e atitudes.a produtividade da atividade leiteira? O senhor deve trocar seus equipamentos, pois estão com baixa eficiência. Produtor Técnico de Campo Seria bom, mas eu não tenho recursos financeiros. Então faça um financiamento! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 183 Produtor Técnico de Campo Mas as taxas de juros são altas e eu não gosto de financiamentos. Então, venda algo que não esteja usando. Produtor Técnico de Campo Não costumo vender nada do que tenho. Por que não vê com a empresa que vende equipamentos? Talvez possa parcelar a compra deles. Produtor Técnico de Campo Veja, vocês dão muitas sugestões, mas não conhecem a realidade. Apenas queremos que sua propriedade melhore. Fazemos de tudo para ajudar. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 184 É importante que o técnico se comunique no circuito positivo. Do contrário, gerará a insatisfação do produtor, achando que não foi bem tratado e buscando outras pessoas para fazer parte desse circuito negativo da comunicação. Vale destacar que depois de um desentendimento, é comum o produtor relatar sua insatisfação para outros produtores, supervisor ou respon- sáveis por entidades parceiras, afirmando que o técnico não está reali- zando um bom trabalho. Quando existe incidência da comunicação no circuito negativo, a resolução do problema real fica em segundo plano, fazendo com que o trabalho de Assistência Técnica e Gerencial não evolua. Os dois se isentam de suas responsabilidades, colocando a culpa no outro. A consequência disso é a ausência de mudanças na propriedade. Produtor Técnico de Campo Deixa para lá. Conversamos sobre isso depois. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 185 Exteriorizando comportamentos funcionais É função do técnico identificar comportamentos disfuncionais no circuito negativo da comunicação, entendendo a probabilidade de que o produtor não tenha consciência do impacto de seu comportamento na propriedade. Para isso, é preciso utilizar técnicas comportamentais que convidem a criar soluções, mostrando que acredita no potencial do produtor. Assim, busque agir da seguinte forma: • Tenha relacionamentos saudáveis com o produtor rural. • Apoie, incentive-o a se superar. • Se necessário, apresente o certo e o errado, compartilhe valores que levem ao bem comum. • Quando oportuno, peça permissão para informar ou solicite informações. • Não faça prejulgamentos. • Ouça com atenção e escuta ativa. • Seja espontâneo, apresente suas ideias de forma isenta e livre de julgamentos. • Exteriorize suas emoções. • Reconheça, trabalhe em equipe, discuta ideias, contrate resultados e procedimentos. • Faça acordos e, acima de tudo, cumpra a sua palavra. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 186 Se não estiver confortável com o que está contratando, rediscuta o acordo dentro de suas possibilidades e faça com que seja cumprido. Isso gerará confiança. Faça o que assumiu com responsabilidade. Eis o principal sustento da cooperação! Resumindo o tópico Neste quinto tópico, você: Conheceu os princípios da comunicação assertiva, ferramenta fundamental para o trabalho do Técnico de Campo. Compreendeu o funcionamento da comunicação no círculo positivo e negativo. Entendeu a importância de manter a comunicação no circuito positivo na ATeG. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 187 Encerramento do tema Durante o tema, foi visto que para realizar um bom trabalho como Técnico de Campo é preciso bem mais que conhecimento técnico e disposição para o trabalho. Você pôde compreender A necessidade de estar bem, ter um relacionamento saudável com o produtor e uma comunicação eficiente. A necessidade de manter o controle emocional para ficar em condições de auxiliar os produtores, que então poderão ter consciência da realidade e encará-la, tomar decisões mais assertivas e alcançar melhores resultados. Os aspectos do comportamento humano, identificando crenças limitantes e situações de desequilíbrio emocional, podendo lidar com essas adversidades e conquistar a confiança do produtor. A terceira etapa foi um trabalho de conhecimento emocional e comportamental abrangente e importante para o seu trabalho. O interessante é que são lições que levamos para a vida e não as deixamos apenas no âmbito profissional, não é? Agora, para finalizar o tema, volte ao Ambiente de Estudos e assista ao vídeo para acompanhar o Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade! Siga em frente para encerrar este módulo! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 188 Atividade de Passagem Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu! Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo estudado até aqui para finalizar este módulo e seguir para a Avaliação. Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor. Questão Para que tenhamos efetividade na adoção das orientações técnicas, gerando melhoria nos resultados da propriedade rural atendida, sabemos que é fundamental a criação de um ambiente favorável para a assistência técnica, de modo que a confiança seja a base da relação entre Técnico de Campo e produtor rural. De que forma o técnico pode contribuir para a criação desse ambiente? Selecione a alternativa correta. a. Tratando o produtor de igual para igual, cumprindo acordos e contratos, respeitando sua cultura, apresentando informações adequadas à realidade, seguindo os protocolos operacionais de seu trabalho, demonstrando intenção real em contribuir com o desenvolvimento da propriedade e se engajando na obtenção dos resultados contratados no serviço de assistência técnica. b. Passando de forma clara as regras do programa e realizando todas as mudanças que ele entender necessárias na propriedade, analisando se a atividade assistida necessita de novos investimentos. Se o produtor não dispuser de recursos, encaminhá-lo a uma instituição financeira idônea. c. Priorizando os aspectos tecnológicos, que representam o grande gargalo da maioria dos produtores, fazer com que o produtor aumente sua produção e esteja mais satisfeito. d. Aproveitando ao máximo o tempo junto ao produtor, fazendo recomendações técnicas e gerenciais para melhorar os resultados da propriedade e tomando as decisões necessárias, já que o produtor tem menos conhecimentos. e. Evitando ouvir palpite dos outros membros da família, o técnico deve se ater ao contato com o responsável pela propriedade. Se muitos derem palpite, vira bagunça e o ambiente fica conflituoso. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 189 Encerramento do módulo Durante este módulo, foram abordados temas importantes, como histórico da assistência técnica no Brasil, Assistência Técnica e Gerencial e técnicas de abordagem ao produtor rural. Dentro de cada tema, foram explorados conceitos essenciais. Relembre! • A realidade rural brasileira, a origem, a evolução e a filosofia da assistência técnica. • A importância da Assistência Técnica e Gerencial no meio rural, meios de disseminação dela e da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. • A organização, as responsabilidades e o papel de cada agente, bem como a importância da formação continuada no processo de Assistência Técnica e Gerencial. • O estabelecimento de uma relação de confiança com o produtor, entendendo o comportamento humano e mantendo o equilíbrio emocional, o relacionamento interpessoal, o autocontrato de mudança e a comunicação assertiva. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 190 O objetivo é garantir que você se aproprie de conhecimentos e tenha o desenvolvimento de competências que o deixem em condições de transferi- los de maneira mais eficientee efetiva ao produtor, tornando-se um legítimo promotor de mudanças e transformações. A partir de agora você está preparado para desempenhar um trabalho de qualidade nas atividades de assistência técnica e, acima de tudo, ajudar o produtor rural a melhorar suas condições de vida no campo. Antes de finalizar este módulo, retorne ao Ambiente de Estudos e assista ao vídeo de encerramento! Siga para o Ambiente de Estudos e acesse o Estudo de Caso, o Simulado e a sua Avaliação. Sucesso e até o próximo módulo! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 191 Final de etapa Parabéns pelo seu percurso até aqui! Este é mais um momento para você aplicar os seus conhecimentos! Então, para finalizar o módulo, você deverá realizar três atividades no Ambiente de Estudos do seu curso. Veja o que deve ser feito! Estudo de Caso Será apresentada para você, no Ambiente de Estudos, uma situação-problema relacionada aos temas estudados no módulo. Responda, fazendo uma análise da situação. Aqui no Módulo 01, você deverá gravar um vídeo de até 3 minutos respondendo a pergunta lançada no Estudo de Caso. O upload do vídeo deverá ser feito no LMS dentro da atividade Estudo de Caso. Essa atividade será corrigida pelo tutor, que dará uma nota e um feedback. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 192 Simulado Também no Ambiente de Estudos você encontrará 17 questões objetivas sobre os três temas deste módulo. Você pode realizar o Simulado três vezes, permitindo que você se prepare bem para a Avaliação. A realização dessa atividade é obrigatória, porém não vale nota. Ela é uma ótima oportunidade para verificar o seu conhecimento, estudar e ter uma prévia de como será a Avaliação. Aproveite! Avaliação Depois de realizar o Simulado, você terá acesso à Avaliação. Ela também é composta por 17 questões objetivas de múltipla escolha e é composta por todo o conteúdo estudado no módulo. Essa atividade online é obrigatória e vale nota. O seu desempenho nela será contabilizado na sua média. A correção é automática, ou seja, é o LMS que fará a correção da atividade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 193 Onde acessar? Para acessar essas atividades, clique no menu do seu Ambiente de Estudos e depois em Minhas Avaliações. Início | Ambientação | Conteúdo | Biblioteca | Minhas Avaliações | Turma | Comunicação | Importante! A Avaliação estará disponível somente depois que você passar pelo Simulado. Comece apenas quando tiver a segurança e a confiança necessárias nos seus estudos, pois você terá somente uma tentativa de acerto. Ah! Caso falte energia durante a Avaliação, não se preocupe, pois o sistema de avaliações, incluindo o Simulado, são salvos automaticamente. Você não perderá nada do que já respondeu! Para obter informações mais detalhadas sobre o acesso ou se tiver qualquer dúvida, por favor, entre em contato pelo Tira-Dúvidas ou pelo e-mail faleconoscoead@faculdadecna.com.br ou ainda pelo telefone 0800 006 4849 de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, no horário de Brasília. Até o próximo módulo! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 194 Gabarito das Questões Tema 1 Alternativa (c) A alternativa (a) está incorreta por inverter a sequência proposta por Rogers (2003), colocando como segundo passo a avaliação e o julgamento como terceiro passo, quando o correto seria o inverso. A alternativa (b) está incorreta por não seguir a ordem proposta por Rogers (2003), colocando como primeiro passo a discussão, quando seria tomar conhecimento; e como segundo passo o interesse, quando seria o julgamento. A alternativa (c) está correta por representar a sequência lógica do processo mental de tomada de decisão para a adoção de novas tecnologias, segundo o esquema proposto por Rogers (2003). Segundo o autor, o primeiro passo é a tomada de conhecimento da nova tecnologia pelo produtor, podendo interessar-se ou ficar indiferente. O segundo passo, caso tenha se interessado, é iniciar um processo de julgamento. Em seguida, fazer uma avaliação mental, procurando comparar o novo com o tradicional. Por fim, validar a ideia. A alternativa (d) está incorreta por trazer como primeiro passo a comparação do novo com o tradicional, ao invés de tomar conhecimento. Como quarto passo está a adesão da tecnologia, quando seria a validação. A alternativa (e) está incorreta por apresentar como primeiro passo a validação, quando seria a tomada de conhecimento da tecnologia. Como segundo está a comparação, ao invés de fazer julgamento. Como terceiro passo apresenta o julgamento, quando seria avaliação mental, e como quarto passo traz a adesão, quando seria a validação. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 195 Tema 2 Alternativa correta (e) A alternativa (a) está incorreta por não apresentar as cinco etapas na ordem em que elas devem ocorrer. Apresenta o diagnóstico produtivo individualizado após o planejamento estratégico, o qual deveria vir antes, até porque o diagnóstico seve de base para a realização do planejamento. A alternativa (b) está incorreta por apresentar como etapas a aproximação do produtor e a disseminação de novas tecnologias. Apesar de importantes, não são consideradas etapas da Assistência Técnica e Gerencial. Além disso, a questão negligencia as etapas adequação tecnológica e capacitação profissional complementar. A alternativa (c) está incorreta por apresentar como etapa a geração de confiança e por não contemplar a etapa avaliação sistemática de resultados. A geração de confiança é, sem dúvida, fundamental e necessária, porém, não figura como uma das cinco etapas previstas na metodologia. A alternativa (d) está incorreta por não apresentar a etapa formação profissional complementar, prevista na metodologia, e por citar como etapa a conquista da confiança do produtor. A alternativa (e) está correta por apresentar as cinco etapas da Assistência Técnica e Gerencial, obedecendo a ordem em que elas devem ocorrer. Tema 3 Alternativa (a) A alternativa (a) traz algumas questões importantes e apresentadas no conteúdo estudado, fundamentais para a geração de um ambiente favorável para a assistência técnica. Envolvem questões éticas e a prática de valores que irão contribuir para que a confiança entre ambos aconteça - lembrando que a confiança é a base de qualquer relacionamento duradouro. A alternativa (b) está incorreta por insinuar que o Técnico de Campo é quem dita as regras em relação a mudanças que ele achar necessárias na Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 196 propriedade, e também por afirmar que deve encaminhar o produtor a uma instituição financeira que achar idônea. Isso fere os princípios da metodologia. A alternativa (c) está incorreta por dar uma ideia de que o Técnico de Campo deve priorizar os aspectos tecnológicos, buscando simplesmente o aumento da produção, esquecendo das questões relacionadas ao relacionamento com o produtor, além da questão gerencial. A alternativa (d) está incorreta por usar o tempo de forma eficiente junto ao produtor, mas não fazer a devida aproximação para melhor conhecê-lo e compreendê-lo. Também por afirmar que o técnico é quem deve tomar as decisões na propriedade, fato que confronta a metodologia. A alternativa (e) está incorreta por afirmar que o Técnico de Campo deve ouvir apenas o responsável pela propriedade, evitando maior contato com os demais membros da família, situação contrária ao que prega a metodologia. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 197 Referências bibliográficas ASBRAER. Assistência técnica e extensão rural no Brasil: um debate nacional sobre as realidades e novos rumos para o desenvolvimento do país. Minas Gerais, 2014. Disponível em: http://goo.gl/TkNzhO. Acesso em: 9 mar. 2017. BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB). Manual de crédito rural. Brasília, 2015. Disponívelda Assistência Técnica e descrever os principais conceitos da assistência técnica. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural Conhecer a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. Métodos de disseminação da assistência técnica Destacar os métodos e técnicas de difusão de conhecimentos nas atividades rurais e correlacionar a ação da assistência técnica ao processo educativo do produtor rural. A importância da assistência técnica para o meio rural Identificar a importância da assistência técnica no desenvolvimento da agropecuária brasileira. Entendido o que esperar de cada tópico? Então, siga em frente e tenha ótimos estudos! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 16 Tópico 1: Contextualização da realidade rural brasileira Você conhece a diversidade da realidade rural brasileira na prática? No decorrer deste tópico você conhecerá pontos relevantes da realidade rural brasileira e as classes de produtores rurais existentes no país. Quando se trata do meio rural, o Brasil é um país de muitos contrastes. A renda bruta per capita dos produtores é muito variada. Observe no infográfico alguns pontos relevantes da realidade rural brasileira que descreve a classe de produtores rurais no Brasil. Atividade Leiteira Segundo o Censo Agropecuário de 2006, 78,8% dos produtores têm renda inferior a R$ 1.588,00/mês. Apenas 25% dos estabelecimentos brasileiros a realizam – os índices de produção e produtividade são muito baixos. A produtividade da vaca brasileira é muito baixa, se comparada com a de outros países. Observe! São 1.350.000 produtores 70 litros em média por dia. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 17 Nos tópicos seguintes será abordada a realidade rural brasileira, mostrando como estão estruturados os estabelecimentos de produção rural e de que forma os produtores estão classificados. Siga em frente! A realidade rural brasileira Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira que vivia no campo em 1970 era de 41,6 milhões de habitantes (43%). Já em 2010, eram apenas 29,8 milhões de brasileiros vivendo na zona rural. Considerando que, em 2010, a população brasileira era de 160,9 milhões de habitantes, a população rural foi reduzida significativamente para apenas 15,6% dos habitantes do país. Isso quer dizer que muita gente foi viver nas cidades. Observe esses dados no gráfico a seguir. População rural brasileira, e milhões de habitantes, de 1940 a 2010 28,4 33,2 39,0 41,6 39,1 36,0 31,8 29,8 45 40 35 30 25 20 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Fonte: IBGE, Censo Demográfico (2010) Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 18 O que explica o êxodo tão elevado? Condições de infraestrutura, como estradas, comunicação, saúde, lazer e educação induzem a migração do homem do campo para as cidades. A Assistência Técnica e Extensão Rural pode representar um papel relevante para reduzir essa migração, promovendo o desenvolvimento do meio rural brasileiro e melhorando as condições socioeconômicas das famílias que ali vivem e trabalham. Por exemplo: É preciso perceber em que momento o produtor se mostra receptivo para receber a nova informação. Oferecer assistência técnica para melhorar a renda rural Levar informação sobre crédito rural e condições dos mercados agropecuários Na tabela a seguir, é possível verificar que nas regiões Norte e Nordeste, o percentual da população rural é mais elevado. Já no Sudeste e no Centro- Oeste, esse percentual é menor. Observe! Censo Demográfico 2010 – População urbana e rural Regiões Urbana Rural % Total Total Brasil 160.925.804 29.829.995 15,6 190.755.799 Norte 11.664.509 4.199.945 26,5 15.864.454 Nordeste 38.821.258 14.260.692 26,9 53.081.950 Sudeste 74.696.178 5.668.232 7,1 80.364.410 Sul 23.260.896 4.125.995 15,1 27.386.891 Centro-Oeste 12.482.963 1.575.131 11,2 14.058.094 Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 19 Até a década de 1960, período considerado como de agricultura tradicional no Brasil, o crescimento ocorreu por causa do aumento da área cultivada e pela inserção de trabalhadores rurais no processo produtivo. Da década de 1970 em diante, o crescimento e a sua concentração em poucos estabelecimentos são explicados pela adoção da tecnologia. Os fatores terra e trabalho ficaram menos importantes em relação aos fatores tecnológicos. O gráfico a seguir mostra o crescimento da produtividade da terra. Contribuição da terra e do rendimento para o crescimento do produto Fonte: Gasques et al. (Apresentação Eliseu Alves, Congresso da FAPEG, em Goiânia, 2016) É possível perceber que a produção aumenta, mas a área cultivada praticamente se mantém inalterada. Já no período de 1975 a 2011, o rendimento da área cultivada quase quadruplicou. Potencial de crescimento O Brasil é o país que apresenta o potencial mais elevado para crescimento da produção de alimentos no mundo. Diferente de muitos países, o Brasil possui uma dimensão continental, de 8.500.000 km², e tem poucas restrições climáticas e de topografia, reunindo assim as melhores condições para o cultivo de plantas e a criação de animais. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 20 No mapa a seguir você poderá conhecer essas características diferentes. 1 2 3 4 5Muitos locais dos Estados Unidos da América (EUA) ficam impossibilitados de produzir durante vários meses do ano, por causa das condições climáticas. No estado de Wisconsin (EUA), para viabilizar o manejo das vacas de leite, é necessário construir instalações muito caras e esse alto investimento onera a produção, afetando a competitividade dessa atividade naquela região. Em Israel, que também possui pouco espaço, o desafio para produzir é tão grande que uma das formas de se utilizar a água doce é por meio da dessalinização da água do mar, o que custa muito para a sociedade. A Austrália tem um terço do seu território muito seco, com pouca ou nenhuma condição para produção. Existem outros países do mundo cuja capacidade produtiva é limitada por disporem de uma área pequena, como é o caso da Nova Zelândia, que possui pouco espaço para ampliar a produção. Em vários países da Europa, pouco ou quase nada se produz durante seis meses do ano, por causa do frio e da neve. A Rússia, por exemplo, é outro país de grande dimensão e com grande restrição climática. Aqui no Brasil, a natureza favorece a produção. Além de muita área, temos clima, chuvas e condições edafoclimáticas* para produzir alimentos para toda a população brasileira e com excedente para exportação, o que se traduz em uma grande oportunidade para a sustentabilidade do agronegócio. Condições edafoclimáticas: O termo condições edafoclimáticas se refere a um conjunto de características relativas ao solo, ao relevo, ao clima, à intensidade de chuvas e à temperatura de uma certa região. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 21 Por essa razão, o mundo todo está de olho no Brasil. Quando se fala nas projeções da produção de alimentos para 2050, estima-se que: Limitadores do crescimento Dentro desse cenário potencial, existem questões que limitam o crescimento do país – entre elas destacamos a baixa escolaridade e a baixa produtividade. O baixo nível de escolaridade do produtor brasileiro limita, significantemente, a ampliação do uso de tecnologia. Ainda são muitos os produtores que não sabem ler e escrever, diferentemente da realidade de outros países desenvolvidos do mundo. Você sabia? Em Israel, onde a produção é feita de forma muito técnica e os recursos naturais são muito escassos, a maioria dos produtores têm formação superior. Na Nova Zelândia, um dos mais eficientes produtores de leite do mundo, para que um jovem produtor possa ingressar na atividade leiteira ele precisa passar por umaem: http://www3.bcb.gov.br/mcr. Acesso em: 9 mar. 2017. BORDENAVE, J. E. D. Comunicação rural: discurso e prática. In: XI Congresso Brasileiro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 1988. BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. p. 292 BRASIL. Lei no 4.829, de 5 de novembro de 1965. Institucionaliza o crédito rural. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4829.htm. Acesso em: 15 mar. 2017. BRASIL. Lei no 8.171, de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política agrícola. 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L8171.htm. Acesso em: 15 mar. 2017. BRASIL. Lei no 12.188, de 11 de janeiro de 2010. Institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária - PNATER e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária - PRONATER, altera a Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, e dá outras providências. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12188. htm. Acesso em: 15 mar. 2017. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Política Nacional de Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 198 Assistência Técnica e Extensão Rural. Brasília, 2007. Disponível em: www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_arquivos_64/Pnater-4. doc. Acesso em: 6 abr. 2017. BRASIL. 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Nessas condições, os mais jovens, que deveriam ser os sucessores do trabalho nos estabelecimentos rurais, se recusam a continuar a atividade dos pais, por falta de atratividade econômica. Essa é uma realidade de todo o Brasil, mas podemos destacar que nos estados do Sul o problema sucessório é ainda mais acentuado. Os mais velhos, imigrantes italianos e alemães, predominantes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, hoje já estão muito sozinhos nas propriedades. É comum ver ranchos caindo, cercas remendadas e máquinas envelhecidas. Tudo isso é consequência da falta de uma boa gestão técnica e econômica do sistema de produção, tanto na pequena, quanto na média ou na grande propriedade. Pare para pensar Muitos produtores, como os de hortaliças, mandioca, galinha caipira, gado bovino de corte ou de leite, entre outras cadeias, não conseguem produzir e guardar em sua estrutura orçamentária o valor equivalente à depreciação das benfeitorias, máquinas e instalações. Isso quer dizer que, se a casa envelhece, eles não têm dinheiro para reformar ou construir uma nova. Se o trator fica obsoleto, falta recurso para trocar. Se a cerca enferruja, existe dificuldade financeira para refazer ou consertar. Então você entende a importância da educação financeira para melhorar produtividade? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 23 A importância da assistência Diante do que você viu até aqui, podemos dizer que a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) nas propriedades é urgente, tanto para preservá-las quanto para que soluções mais lucrativas cheguem aos produtores. Segundo o Censo Agropecuário de 2006, o Brasil tem: estabelecimentos rurais, dos quais. declaram produção e utilizam a terra. Existe uma grande variação entre os produtores no que se refere ao tamanho da propriedade, ao nível de tecnificação empregada, ao nível de escolaridade e à sua capacidade de investimento. Esse cenário apresenta o grande desafio que o profissional do agronegócio terá pela frente ao trabalhar na assistência técnica. Podemos imaginar que cada um desses milhões de estabelecimentos é conduzido por pequenos, médios e grandes empresários, com realidades completamente diferentes umas das outras. No que se refere à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), observe a tabela a seguir com os dados do Censo de 2006. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 24 Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil Quantidade de estabelecimentos Não receberam Receberam regularmente Receberam ocasionalmente Qtd. % Qtd. % Qtd. % 5.175.489 4.030.473 77,88 482.452 9,32 662.564 12,8 Atendimentos de Ater nos estabelecimentos rurais do Brasil. Fonte: Censo IBGE (2006). Classe de produtores rurais no Brasil A classificação econômica norteia o foco das ações de assistência técnica. Mas como se classificam os estabelecimentos rurais no Brasil? O Censo Agropecuário de 2006 (IBGE) permite observar que: • 23.306 estabelecimentos geraram 51% do Valor Bruto da Produção (VBP), • 500 mil estabelecimentos geraram 87% do valor da produção, • 3,9 milhões de estabelecimentos ficaram à margem da modernização e geraram 13% do VBP, • 2,9 milhões de produtores são muito pobres, com meio salário mínimo de VBP mensal por estabelecimento. Nas tabelas a seguir, os produtores foram classificados segundo a renda líquida mensal. Observe: Número de produtores por classes econômicas Classes Número de produtores % A e B 301 mil 5,8 C 796 mil 15,4 D e E 4,070 milhões 78,8 Total 5,167 milhões 100 Fonte: Censo Agropecuário IBGE (2006). Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 25 Valor de renda líquida mensal por classes Classes Valor da renda líquida mensal Sem correção Corrigido A e B Acima de R$ 4.083,00 Acima de R$ 6.847,00 C R$ 947,00 a R$ 4.083,00 R$ 1.588,00 a R$ 6.847,00 D e E Inferior a R$ 947,00 Inferior a R$ 1.588,00 Não informantes - - Fonte: Censo Agropecuário IBGE (2006) – Dados corrigidos pelo IGP/DI (jun. 15). Como pode ser observado, o número de produtores com renda inferior a R$ 1.588,00 representa quase 80%. Isso significa dizer que a necessi- dade de intervir no processo de produção desses estabelecimentos é uma grande oportunidade. Resumindo o tópico Neste primeiro tópico, você: Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 26 Tópico 2: Origem e evolução da assistência técnica Já parou para pensar sobre como e onde a assistência técnica foi criada? Neste tópico você conhecerá a história e as fases da extensão rural no Brasil, além dos princípios e diretrizes que orientam a Política Nacional de Assistência Técnica. O Serviço de Extensão Rural foi criado em 6 de dezembro de 1948, com a assinatura do convênio entre a Associação Internacional Americana (AIA) e o governo do estado de Minas Gerais. Mas os pioneiros da assistência técnica atribuem o início do Serviço de Extensão às atividades em Santa Rita do Passa Quatro/MG e em São José do Rio Pardo/MG, a partir de 1947, também com a participação da AIA. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 27 Existem registros de que as primeiras atividades extensionistas no Brasil aconteceram em torno de 1910 em Lavras/MG, realizadas pelo agrônomo Prof. Benjamim H. Hunnicutt, da Universidade Federal de Lavras. Naquela época, Hunnicutt procurou dar cursos e treinamentos para os agricultores usando algumas metodologias de extensão, como aulas, palestras, demonstrações de resultados e distribuição de folhetos ao produtor. Dizem também que os primeiros passos da extensão se deram em Viçosa/MG, em 1929, com a criação da “Semana do Fazendeiro”, que é realizada até os dias de hoje. O objetivo era difundir técnicas relacionadas à escolha de sementes, plantio, espaçamento e colheita para as culturas de milho, arroz e feijão. As dificuldades no início foram muitas. Entre elas, podemos destacar o preconceito em relação a mulheres trabalhando no campo ao lado de homens, à falta de pessoal habilitado, às estradas intransitáveis e à falta de meios de locomoção e de recursos para implementar o crédito rural brasileiro. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 28 Pare para pensar Inicialmente, o trabalho de extensão era difícil, pois havia a desconfiança dos beneficiários e até mesmo das pessoas da cidade. Enquanto isso, assustados com a grande curiosidade alheia sobre seu trabalho dos extensionistas, os agricultores tinham receio de que iriam ter de pagar mais impostos ou de que o governo fosse lhes tomar alguma coisa. Assim, um técnico recém-formado podia enfrentar muita resistência para propor as novas tecnologias. Hoje em dia, essas questões ainda fazem parte dos pensamentos de um técnico? Foi a Associação de Crédito e Assistência Rural (Acar) que introduziu no meio rural mineiro os primeiros fertilizantes químicos e defensivos agrícolas, a vacina da aftosa e o milho híbrido. Além de difundir a tecnologia, os técnicos da Acar inicialmente tiveram que comercializar esses produtos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 29 Fases da extensão rural no Brasil A extensão rural teve origem nos Estados Unidos da América e foi trazida para o Brasil no século XX. No começo, eram seguidos os modelos, os objetivos e as práticas norte-americanas. Até chegar aos dias atuais, a extensão rural no Brasil passou por uma evolução, vivendo diferentes momentos no que se refere à sua forma de atuação. Entenda! Primeira fase Período Conhecida como Humanismo Assistencialista, esta primeira fase ocorreu de 1948 a 1963. Começou no estado de Minas Gerais, coma criação da Acar – um serviço de cooperação técnica e financeira americana que disponibilizava linhas de crédito por meio de assistência técnica, de forma a repassar aos produtores os insumos e as práticas agrícolas que os enquadrariam na chamada agricultura moderna. A extensão rural tornou-se um sistema nacional a partir da criação da Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR), em 1956. Descrição O objetivo da extensão da ABCAR era aumentar a produtividade agrícola e proporcionar melhores condições de vida para as famílias rurais por meio do aumento da renda. Isso se estendeu aos diversos estados da federação, através da Acar. Nos escritórios locais dessa entidade havia equipes formadas por extensionistas da área agrícola e da área de economia doméstica, que se preocupavam com as ações de bem-estar social das famílias rurais. A atuação dos técnicos, apesar de levar em consideração o fator humano, era marcada por uma relação paternalista. Ou seja, eles apenas procuravam induzir mudanças comportamentais por meio de métodos preestabelecidos, que não favoreciam a construção crítica e participativa dos indivíduos assistidos e quase sempre visavam resultados imediatos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 30 Segunda fase Público O público-alvo era composto preferencialmente pelos pequenos produtores, mas não havia distinção clara de quem seria atendido. As unidades eram utilizadas como meios de intervenção em grupos e comunidades, lideranças comunitárias, famílias e jovens da zona rural organizados em grupos. Cabia aos extensionistas promover mudanças de comportamento e de mentalidade, além de supervisionar a aplicação do crédito concedido às famílias. Metodologia As metodologias utilizadas eram campanhas e programas de rádio, visitas às propriedades rurais, decisões conjuntas quanto à aplicação de recursos do crédito rural, treinamentos, reuniões e demonstrações técnicas e de resultados. Período Esta fase, chamada de Difusionismo Produtivista, durou de 1964 a 1980 e foi caracterizada pela abundância de crédito rural subsidiado. Durante essa época, os produtores adquiriram um pacote tecnológico modernizante atrelado ao uso de muito capital subsidiado, que foi investido em máquinas e outros insumos industrializados, como fertilizantes e sementes selecionadas. A Ater servia para inserir o homem do campo nas regras da economia de mercado, com o objetivo de aumentar a produtividade e a mudança da mentalidade dos produtores, do “tradicional” para o “moderno”. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 31 Descrição A extensão atuava com o objetivo de convencer os produtores a adotar novas tecnologias. Os conhecimentos empíricos (baseados na experiência, sem bases científicas) dos produtores, assim como as suas necessidades tradicionais, não eram considerados. A Ater agia de uma forma protecionista e paternalista. A Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater) foi criada nesse período, quando houve uma grande expansão do serviço de extensão rural no país. Em 1960, apenas 10% dos municípios brasileiros contavam com os serviços de Ater. Já em 1980, a extensão rural atingiu aproximadamente 80% dos municípios do país. Público Como o crédito rural era o principal indutor de mudanças, os pequenos agricultores familiares ficavam à margem do serviço de extensão rural, já que não possuíam uma estrutura produtiva compatível com as garantias e exigências bancárias. Foi também na metade dos anos 1970 que as associações de crédito e as Aters foram transformadas em empresas estatais. Por isso, o público prioritário era composto de médios e grandes produtores. Muitos projetos grandes foram realizados. Metodologia As metodologias utilizadas para difundir tecnologias eram os programas de rádio, as campanhas, os dias de campo, as reuniões, as demonstrações de resultados, as palestras e os treinamentos, além das visitas técnicas às propriedades. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 32 Terceira fase Período Essa fase, chamada de Humanismo Crítico, durou de 1980 a 1989. Principalmente por causa do esgotamento do modelo de crédito rural subsidiado, teve início no país uma nova proposta de extensão rural, que previa a construção de uma “consciência crítica” nos extensionistas. Descrição As mudanças no meio rural contribuíram para a revisão da missão extensionista frente às consequências negativas (sociais e ambientais) da modernização parcial da agricultura brasileira. De acordo com essa nova filosofia, as metodologias de intervenção deviam ser fundamentadas nos princípios participativos, levando em conta os aspectos culturais dos produtores e de suas famílias. Na segunda metade dos anos 1980 houve redução do financiamento externo, crise fiscal e diminuição dos investimentos públicos, mas o foco no aumento da produção e na especialização produtiva regional era mantido. Diante disso, tiveram início mudanças na concepção e na prática da extensão. Público Apesar da nova orientação para seguir princípios participativos, as empresas de Ater continuavam a atender os pequenos e médios agricultores, que haviam sido deixados de lado pelo processo seletivo de modernização dos anos 1970, tornando-os dependentes dos insumos industrializados e subordinados ao capital industrial. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 33 Última fase Metodologia O planejamento participativo era um instrumento de ligação entre os técnicos de Ater e os produtores, com base na pedagogia da libertação desenvolvida por Paulo Freire. O grande desafio da época para as instituições de ensino, pesquisa e movimentos sociais era o de criar meios de colocar em prática as metodologias participativas de Ater e envolver os produtores, desde a concepção até a adoção das tecnologias, tornando-os parte do processo. Período Em 1990 começou o período conhecido pela Diversificação Institucional, com a extinção Embrater e do Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater). Essa é a fase atual, caracterizada pela criação do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) e pela reestruturação institucional da Ater. Descrição As mudanças já ocorridas nesse período influenciaram a diversificação das organizações, das entidades e das instituições prestadoras de Ater (ONGs, prefeituras, sindicatos, cooperativas, agroindústrias, lojas agropecuárias etc.), que passaram a buscar novas fontes de recursos para a intervenção e a reivindicar políticas sociais, levando à criação do Pronaf, em 1996. Metodologia É uma fase em que se dá um valor maior aos aspectos gerenciais da propriedade. A visão da produção deixa de ser voltada para a máxima produção (ótimo produtivo) e busca o melhor resultado econômico (ótimo econômico). Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 34 Entenda os termos Ótimo produtivo é o ponto conhecido como o limite da capacidade produtiva da unidade, independentemente dos custos necessários para se alcançar esse nível de produção. Exemplo: uma propriedade que produz leite com 10 vacas fez todos os ajustes e investimentos necessários e conseguiu alcançar a produtividade média de 30 litros por vaca por dia e alcançou um montante de 9.000 litros/mês. Ou seja, alcançou sua capacidade máxima de produtividade e de produção. Ótimo econômico é o nível de produção que confere o melhor resultado econômico. Se produzir menos, o resultado piora e a redução da renda é maior do que a redução dos custos. Se produzir mais o resultado também piora, pois os custos aumentam mais do que a renda. Isso significa que não basta adotar tecnologias e obter produções elevadas com aumento de despesas, sem que haja resultados econômicos. Da mesma forma, não se pode olhar apenas para o fator custo e limitar a produção por falta de estrutura ou do aporte de insumos. Exemplo:a mesma propriedade de produção de leite analisou seus custos e rendas e fez os ajustes necessários. Mesmo com a produtividade caindo para 27 litros por vaca por dia e sua produção mensal caindo para 8.100 litros, conseguiu obter um resultado econômico melhor do que na situação anterior. Isso acontece quando a redução ocorrida nos custos é mais significativa do que a redução na renda pela queda do volume produzido. Nesse caso usado como exemplo, o produtor sai na vantagem se produzir 27 litros por vaca por dia, em vez de 30 litros, encontrando assim o ótimo econômico. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 35 Para alcançar seus objetivos, a partir desse novo modelo, a assistência técnica passou a realizar intervenções nas propriedades, oferecendo ao produtor uma análise econômica voltada à obtenção de resultados e lucratividade. E foi com base nessa nova realidade que em 2013 foi desenvolvido o modelo de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Resumindo o tópico Neste segundo tópico, você: Entendeu melhor a importância da assistência técnica para o agronegócio brasileiro. Compreendeu que a assistência técnica e a extensão rural são muito importantes para o desenvolvimento sustentável do país. Conheceu as fases da extensão rural no país e a sua evolução até os dias de hoje. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 36 Tópico 3: A importância da assistência técnica Você consegue imaginar a importância e o alcance da Assistência Técnica e Extensão Rural? A partir de agora, você vai compreender a importância da assistência técnica no desenvolvimento e na realidade prática da agropecuária brasileira. A assistência técnica e a extensão rural têm uma grande importância no processo de educação e desenvolvimento do produtor rural e também no crescimento do agronegócio. Isso porque suas ações levam consigo as informações sobre novas tecnologias, inovações e pesquisas, entre outros conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento das atividades do agronegócio. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 37 O Brasil tem avançado muito em algumas cadeias produtivas no que se refere à introdução de tecnologias e ao aumento da produtividade. Bons exemplos desse elevado nível de tecnicismo na integração lavou- ra-pecuária são as cadeias das frutíferas e olerícolas, da soja, da suino- cultura e da avicultura. Esse avanço se tornou mais relevante a partir da criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 26 de abril de 1973. No caso da soja, a tabela a seguir revela indicadores de como evoluiu a adoção de tecnologias atuais e projetadas para o Brasil. Observe! Avanço da tecnologia na cultura da soja no Brasil Período Ciclo (dias) Plantas (ha) Produtividade (kg/ha) 1990/1991 140-150 550 2.400 2011/2012 120-125 250 4.200 2020/2030 110-115 200 8.400 Fonte: Fapeg (2016). A assistência técnica, por meio da divulgação e do auxílio para implantação de tecnologias, pode impactar positivamente no desenvolvimento da agropecuária brasileira. Veja o esquema a seguir e entenda! As tecnologias poupam terra e trabalho, que têm custos altos, fazendo surgir uma nova organização. Temos como exemplo a produção de leite, carne e aves – quando movemos os animais para o confinamento, liberamos a terra para outras explorações. A mecanização da agricultura também serve de exemplo. A adoção da tecnologia reduz o custo de produção e aumenta a competitividade. Isso faz com que o mercado estimule ainda mais a expansão e o desenvolvimento das atividades rurais. O aumento da especialização das regiões em grãos, hortaliças, frutas, gado de corte e leite, avicultura e florestas, por exemplo, proporciona a diminuição do custo de produção. A tecnologia eleva a qualidade e o padrão dos produtos do agronegócio, melhorando também a sua sanidade, além de eliminar o desperdício até que cheguem ao consumidor. Poupa terra e trabalho Aumenta especialização Reduz custo Aumenta competitividade Qualidade, padrão e desperdício Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 38 Por ser o serviço de maior alcance no meio rural, a assistência técnica exerce papel fundamental no desenvolvimento do homem no campo e se firma cada vez mais como o principal meio de ligação entre as políticas públicas e o agronegócio. A assistência técnica procura se adaptar ao novo modelo de desenvolvimento sustentável, que exige profissionais diferenciados, que tenham conhecimento sobre novas tecnologias, mas que também saibam trabalhar com as questões econômicas e gerenciais, sociais, institucionais e ambientais. Pare para pensar Já parou para pensar no motivo de, muitas vezes, o produtor não adotar uma tecnologia? Você consegue responder se ele tem o preparo suficiente para lidar com situações em que o técnico sugere a implementação de mudanças que implicam importância e responsabilidade? O proprietário pode ter diversos motivos para ter receios para implementar mudanças, dentre eles dificuldade de entender que implementar melhorias não significa gastar dinheiro. Por isso, a Assistência Técnica e Gerencial tem um papel muito importante neste contexto, pois desenvolve as pessoas da área rural. Ao verificar quais são os maiores receios do produtor que você está atendendo, você conseguirá sugerir adotar a melhor forma de dialogar com ele e apresentar as melhorias pensadas para atividade dele. Dessa forma, ele estará mais seguro para receber e avaliar as alternativas apresentadas! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 39 Tópico 4: Métodos de disseminação de assistência técnica Você conhece todas as formas usadas para a disseminação dos conhecimentos existentes na assistência técnica? No decorrer deste tópico, você vai entender a relação entre a ação de assistência técnica e o processo educativo do produtor rural, conhecendo métodos e técnicas de disseminação de conhecimentos nas atividades rurais. Resumindo o tópico Neste terceiro tópico, você: Entendeu que o trabalho de um profissional da assistência técnica pode proporcionar um grande desenvolvimento da agropecuária brasileira. Soube que o Brasil tem avançado muito em algumas cadeias produtivas, com a introdução de tecnologias e o aumento da produtividade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 40 No processo de decisão, desde o primeiro contato com uma tecnologia até a sua adoção, o produtor em geral passa por alguns estágios. Rogers (2003) propõe um modelo com cinco estágios e explica como ocorre o processo mental para a adoção de tecnologias. Conheça como isso acontece, acompanhando um exemplo! 1º Estágio Conhecimento Exposição à inovação Neste estágio, o produtor toma conhecimento de uma tecnologia e pode ser despertado por ela ou manter-se indiferente. O Técnico de Campo apresentou para o produtor uma técnica de plantio de uma nova variedade de milho, recém-lançada pela Embrapa, de elevada produtividade. Por ser um produtor aberto a mudanças, ele ouviu com alegria. 2º Estágio Interpretação e julgamento Processo cognitivo No segundo estágio, depois de ter conhecido e se interessado pela tecnologia, o produtor inicia uma etapa de julgamento. Como ele já plantou variedades de pouco rendimento, sentiu receio em iniciar essa nova técnica imediatamente. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 41 3º Estágio Avaliação mental Vantagem comparativa Na sequência, o produtor faz uma avaliação mental e procura comparar o novo com o tradicional. Pensando na nova variedade de milho, o produtor inicia a etapa de avaliação. Com as informações que o Técnico de Campo levou, ele faz comparações entre a nova variedade e a variedade que ele conhece. 4º Estágio Experimentação Validação No quarto estágio, o produtor procura validar a ideia e este é o momento em que a assistênciatécnica deve apresentar o suporte, oferecendo a oportunidade para que ele teste e experimente a novidade. Esse estágio é chamado de validação. O Técnico de Campo, percebendo o receio do produtor, mesmo desejando a nova técnica, acha melhor apresentar uma propriedade já com a nova variedade em ação, para deixá-lo mais confiante. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 42 Também é possível que, ao testar uma novidade, a experiência do produtor não corresponda à sua expectativa. Nesse caso, cabe ao técnico avaliar os motivos da falha – se está relacionada à técnica ou ao produtor – para resgatar os benefícios da mudança sugerida. Alguns fatores são determinantes no processo de adoção de novas tecnologias. Exemplos: • as exigências de mercado; • a necessidade de aumento da escala e da renda por parte dos produtores; • a forma como as tecnologias são apresentadas aos produtores. Você, profissional de Assistência Técnica e Gerencial do Senar, tem a missão de conduzir os produtores para a tomada da melhor decisão, da escolha da tecnologia mais adequada para a realidade de cada um, ok? O que acha de ver um exemplo disso? Retorne ao Ambiente de Estudos e assista ao vídeo do Senar em Campo que mostra a história de sucesso da pastagem de uma propriedade no MS. 5º Estágio Adoção Uso contínuo Uma vez obtido êxito com o teste, o produtor tem toda a chance de passar para o quinto estágio e adotar a nova tecnologia sugerida pela assistência técnica. Depois de ver um caso de sucesso, o produtor inicia a prática dessa nova técnica na sua propriedade. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 43 Métodos e técnicas de assistência técnica Existem diferentes métodos e técnicas* para trabalhar com o produtor durante o processo de adoção de tecnologias. É preciso conhecê-los bem para saber o momento certo de utilizá-los. Para serem eficientes, é essencial que esses métodos e técnicas sejam adequados ao público-alvo. Métodos e técnicas de assistência técnica são os meios ou instrumentos utilizados pelos técnicos para difundir conhecimentos sobre as atividades rurais e a gestão da empresa rural. É importante ter em mente que a relação ideal entre o técnico e o produtor aconteça com o diálogo de indivíduo para indivíduo. Os métodos devem ser utilizados considerando um relacionamento estreito entre você e o produtor. Ele deve ser o sujeito de seu próprio aprimoramento, sendo estimulado a pensar em alternativas de soluções que promovam o desenvolvimento de sua realidade. Na prática No início, é possível adotar uma estratégia genérica. Ou seja, trabalhar com grupos de produtores que levem o conhecimento ao maior público possível. Os produtores que se manifestarem interessados na assistência técnica seriam, então, reunidos em grupos, o mais homogêneo que o técnico conseguir. Nesses grupos seriam trabalhadas as ações de forma a viabilizar o estreitamento das relações entre eles, para facilitar a troca de experiências, difundir conhecimentos e tecnologias. Não existe um método perfeito de assistência técnica para a divulgação de tecnologias e processos gerenciais. Mas existem diversos métodos, todos com Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 44 suas vantagens e desvantagens para cada caso particular de comunicação. Por outro lado, existe a possibilidade de combinar vários desses métodos para obter determinada evolução tecnológica e gerencial. Para isso, o técnico deve conhecer todos os métodos de divulgação que pode selecionar e que sabe como empregar, sempre de acordo com as suas necessidades de comunicação com os produtores. A seleção e o uso dos métodos de divulgação em assistência técnica dependem: do tipo de público com o qual deseja se comunicar, da natureza da mensagem que se quer comunicar, do objetivo da comunicação, da disponibilidade de material. Isso pode ser exemplificado em algumas situações, como as que seguem. • Divulgar uma variedade de feijão exige métodos diferentes dos necessários para introduzir um sistema de poda ou de irrigação. • O nível de conhecimento do público e a sua capacidade de leitura determinam o uso e a importância dos métodos escritos em relação aos falados. • Comunicar aos produtores uma situação de mercado requer técnicas muito diferentes das utilizadas para mudar hábitos alimentares, e uma dessas comunicações pode ser mais eficaz se feita por escrito. • Existe diferença entre os métodos para ensinar uma só pessoa e aqueles utilizados para trabalhar com grupos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 45 Categorias De acordo com esses aspectos, podemos dividir os métodos em quatro categorias: massa, grupal, individual e digital. Quer conhecer mais sobre o assunto? Acesse o Ambiente de Estudos e assista ao vídeo “Métodos de massa x grupais x individuais x digitais”. Entendido como funciona cada categoria, observe o seguinte exemplo prático! Na prática Uma universidade acabou de desenvolver uma técnica de recuperação de pastagem. Ela pode levar essa novidade diretamente ao produtor ou, o que é mais provável e eficiente, o faz por meio de uma demonstração para os técnicos. Como o desejo da universidade é divulgar a nova descoberta para um grande número de pecuaristas, realiza um dia de campo em uma fazenda que já testou o novo produto. A partir disso, o técnico da assistência técnica procura produtores interessados e organiza reuniões técnicas para aprofundar a divulgação da tecnologia. Os oito métodos Seguindo esse caso prático apresentado, considere que o passo seguinte é validar a tecnologia na propriedade de um dos produtores interessados. Isso pode ser feito por meio de uma visita do técnico para fazer uma demonstração da técnica na propriedade que provavelmente aplicará a nova tecnologia. Esse seria um dos oito tipos de métodos existentes para fazer a divulgação. Conheça cada um deles! Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 46 1. Visita técnica É um método de alcance individual, planejado e realizado no campo e que envolve relacionamento interpessoal. Realizada in loco, ou seja, na propriedade do produtor, deve ter uma agenda de: • planejamento, • análise de dados, • avaliação de resultados, • demonstrações de técnicas. A visita técnica permite verificar o cumprimento de compromissos, correções de rotas e discussões sobre resultados alcançados. 2. Dia de campo É um método planejado para mostrar uma tecnologia ou prática a um grupo de produtores, podendo envolver também líderes, autoridades, agentes financeiros e comerciais, além de técnicos de outras entidades. É realizado numa propriedade de colaboradores, unidades demonstrativas, centros de treinamentos ou estações experimentais. Ele não se limita apenas a uma atividade, mas sim a um conjunto delas, com a finalidade de sensibilizar o público para sua adoção. Além disso, é bem relevante para demonstrar experiências bem-sucedidas ou casos de produtores de sucesso em uma ou mais tecnologias. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 47 Normalmente, o dia de campo é organizado em estações técnicas*, que variam de quatro a cinco, e são estrategicamente localizadas na propriedade. Cada momento na estação dura de 20 a 30 minutos e todos os grupos circulam por elas até que todos tenham percorrido o circuito completo. Estações técnicas são unidades “montadas” no dia de campo, nas quais são tratados os temas técnicos a serem apresentados para grupos menores de produtores participantes. O número de estações varia de um dia de campo para outro, ficando em torno de quatro, com apresentações de 25 minutos em cada estação por onde todos os grupos circulam. Exemplo: se o dia de campo é para apresentar um produtor de leite bem- sucedido, é possível criar cinco estações, conforme apresentado na imagem. Estação 4 – qualidade do leite (na sala de ordenha).Estação 5 – resultados econômicos da propriedade (na sede da propriedade). Estação 1 – pastejo rotacionado (nos piquetes). Estação 2 – recria de fêmeas (no local onde as bezerras são manejadas). Estação 3 – suplementação para o período seco (no canavial). Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 48 3. Palestra É um método de comunicação verbal em que um orador fala para um grupo de pessoas sobre um assunto previamente determinado. Geralmente, a palestra é adotada para divulgar tecnologias a um grande número de interessados. Na prática Ao planejar uma palestra, lembre-se de que ela deve ter um tempo para a apresentação (em torno de 1 hora) e um tempo para os debates (de 15 a 20 minutos). Além disso, as palestras podem ser realizadas em locais e horários mais adequados a cada região ou público-alvo. O levantamento das necessidades é uma boa estratégia. Sendo assim, antes de iniciar a palestra, você, técnico, ou os organizadores devem conhecer as necessidades do momento. Já o palestrante, que na maioria das vezes vem de outros ambientes, conhece melhor aquele contexto. O número de participantes vai variar, sempre de acordo com o local disponível. Porém, é importante reunir a maior quantidade possível. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 49 4. Reunião técnica É um encontro organizado quando se pretende abordar um ou mais assuntos técnicos em detalhes com um grupo de produtores. O tema da reunião técnica pode ser tratado pelo grupo com a mediação do técnico que o assiste ou por algum convidado. Para isso acontecer, é importante: • planejar com antecedência: público-alvo, objetivo, conteúdo e tipo de reunião, • montar um roteiro ou uma pauta, • escolher local, época, duração, técnicas, recursos e materiais necessários. Na prática Durante a reunião, é essencial ser claro e atribuir papéis. O tempo não deve exceder uma hora por assunto e, para cada um deles, quem estiver à frente da reunião deve apresentar conhecimentos em profundidade. Por exemplo, caso você assista um grupo de 20 produtores, é importante avaliar anualmente as ações de interesse coletivo dos produtores beneficiários ou discutir os índices econômicos e técnicos apurados no grupo. 5. Demonstração de Método (DM) ou Demonstração de Técnica (DT) A Demonstração de Método (DM) ou Demonstração de Técnica (DT), como os próprios nomes dizem, é utilizada para se demonstrar uma tecnologia para um ou poucos produtores. Esse método ajuda a desenvolver destrezas e habilidades, levando os beneficiários da ação a “aprender a fazer, fazendo”. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 50 Na prática Geralmente, uma demonstração dessa é realizada em dias de visitação técnica, durante um curso ou em um dia de campo. Faça também, sempre que a ocasião permitir! 6. Demonstração de Resultado (DR) Método utilizado para comparar uma técnica que se quer introduzir em uma propriedade rural com uma prática tradicional utilizada (testemunha). Deve ser feita com orientação, acompanhamento e controle de um técnico. O objetivo é comparar técnicas rotineiras e tradicionais com as novas recomendações e, assim, comprovar a viabilidade e a adequação de novas tecnologias às condições locais. Na prática No dia a dia, a DR pode ser usada durante a implantação de uma tecnologia que deve ser comparada com práticas tradicionais adotadas naquela propriedade. Ao longo do tempo, elas são comparadas e os resultados são demonstrados. Existem muitos bons exemplos do uso da DR, como a introdução de novas variedades de milho ou de pasto, a adubação, o sistema de recria de fêmeas com fornecimento de concentrados etc. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 51 7. Excursão É o método em que o técnico reúne um grupo de pessoas com interesses comuns para se deslocarem a determinado lugar onde existam experiências com técnicas e práticas passíveis de serem adotadas. O objetivo é mostrar a aplicação prática de tecnologias implantadas, facilitando a compreensão do grupo. Para realizar a atividade usando esse método, é necessário planejar com cuidado: • o público a ser convidado, • o objetivo, • o local, • a duração, • as etapas, • o transporte, • os custos, • as facilidades para os participantes. Além disso, o técnico ainda deve se preocupar com o roteiro, escolha de conteúdo, definir objetivos em termos educacionais, selecionar métodos e técnicas e preparar o material de apoio necessário. Na prática Um exemplo da eficácia desse método é quando um produtor tem seu interesse despertado ao ver a produção satisfatória numa cultura tecnicamente conduzida por outro produtor em condições semelhantes às suas, contrastando com as menores produções que vem alcançando. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 52 8. Conferência web Trata-se de um método que possibilita o encontro virtual entre duas ou mais pessoas, que mesmo distantes geograficamente, conseguem compartilhar áudio, vídeo, textos, imagens, quadro branco e tela de seus computadores ou celulares. Na prática Por causa da restrição social imposta pela pandemia da covid-19, o produtor atendido em projeto de assistência técnica não poderá mais receber visita presencial. Então, o técnico faz reuniões virtuais com todos os produtores do seu grupo por um aplicativo disponibilizado pela instituição e coleta dados da produção mensal, receitas e despesas. É possível realizar dois ou mais métodos juntos, sempre considerando as características do grupo que está sendo assistido por você. Benchmarking Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 53 É um processo de comparação de produtos, serviços, indicadores e práticas empresariais, ou seja, valores de referência de empresas de produção bem- sucedidas. Serve para conhecer o que já deu certo, podendo ser um fator de estímulo e motivação para que as empresas agropecuárias melhorem seus processos de produção. O benchmarking compara os resultados entre propriedades com a mesma realidade de produção ou entre propriedades de uma mesma região. É possível comparar os índices econômicos de um grupo de produtores com os 25% mais bem-sucedidos, por exemplo. Resumindo o tópico Neste quarto tópico, você: Compreendeu a importância do uso de métodos de disseminação de informação e conhecimento para assistência técnica. Explorou os oito tipos de métodos disponíveis para uso na assistência técnica, incluindo medidas digitais. Conheceu os 5 estágios para adoção de novas tecnologias. Conheceu o processo de benchmarking e como o usar na sua rotina. Entendeu como funcionam as 4 categorias de métodos. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 54 Tópico 5: Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural Você conhece a política que rege todas as ações de Assistência Técnica e Extensão Rural aplicadas no país? Neste tópico você conhecerá a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e toda a sua relevância para o incentivo, manutenção e evolução da agricultura no Brasil. Desde que foi iniciada, a Assistência Técnica e Extensão Rural passou por evoluções, incluindo aspectos relativos à política. Estamos falando de quase um século de serviços. Acompanhe, na linha do tempo a seguir, como tudo isso aconteceu. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 55 Os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural foram iniciados na década de 1940, fundamentados em uma diretriz de incentivo ao desenvolvimento no período do pós- guerra. Eles tinham como principal objetivo, a promoção de melhoria das condições de vida da população rural e o apoio ao processo de modernização da agricultura. Na verdade, isso fazia parte das estratégias direcionadas à política de industrialização do Brasil, por meio do fornecimento de matérias-primaspara a indústria, da liberação de mão de obra e do abastecimento alimentar a preços compatíveis. A assistência técnica atuava como um serviço privado e paraestatal, com o apoio de entidades públicas e privadas. Nesse ano foi criada a Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR), integrando um sistema nacional articulado com associações de crédito e assistência rural nos estados. Paraestatal: entidade paraestatal ou serviço social autônomo é uma pessoa jurídica de direito privado criada por lei, atuando sem submissão à administração pública, para promover o atendimento de necessidades assistenciais e educacionais de certas atividades ou categorias profissionais que arcam com sua manutenção mediante contribuições compulsórias. Em meados da década de 1970, o serviço de Ater foi estatizado, surgindo o Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater). Ele era coordenado pela Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater) e executado nos estados por uma empresa de Ater, a chamada Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater). Nessa época, a participação do governo federal nas ações de Ater chegou a representar 40% do total dos recursos orçamentários das Ematers, alcançando 80% em alguns estados. Nesse ano a Embrater foi extinta. Assim, o Sibrater foi esquecido, causando o sucateamento de toda a sua estrutura. Ainda existiu a tentativa de gestão da Ater por meio da Embrapa e, posteriormente, pelo Ministério da Agricultura. Porém, todo esse esforço não foi suficiente para evitar a quase extinção das contribuições financeiras do governo federal. 1940 1970 19901956 Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 56 O distanciamento do governo federal desencadeou um forte golpe nos serviços de Ater estruturados de maneira centralizada, causando uma crise relevante na Ater oficial, principalmente nos estados e municípios mais pobres. Na tentativa de prosseguir com a política pública de Ater, de extrema importância, e não podendo contar mais com o apoio do governo federal, alguns estados passaram a fomentar os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural com recursos próprios. A realidade do campo É possível citar as entidades apoiadas financeiramente pelas prefeituras municipais, as organizações não governamentais e as organizações de agricultores (associações e cooperativas) como exemplos da situação da época. Também vale ressaltar que, ainda hoje, você consegue enxergar como a insuficiência dos serviços de ATeG pode ser relacionada ao afastamento do Estado, gerando a redução da oferta de um serviço público aos produtores rurais do Brasil. A nova Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural A lei no 12.188, de 2010, chamada de Nova Lei da Ater, instituiu a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (Pronater). Entenda melhor essa nova lei no quadro Assuntos do Campo! O assunto do quadro é “A nova Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural”. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 57 Assuntos do campo Estamos começando mais um episódio do nosso quadro Assuntos do Campo! E o papo é sobre uma lei. Mais especificamente, sobre como a assistência técnica e extensão rural é descrita por ela. Nossa legislação atual define a extensão rural pública como: “O serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades agroextrativistas, florestais e artesanais.” Ufa! Esse é o texto oficial. Mas, na prática, para que essa política funcione, é necessário que alguém a execute. E é aqui que entra a nova Lei da Ater, estabelecendo que as entidades responsáveis por executar o Pronater devem preencher determinados requisitos e obter o credenciamento como entidade executora do programa. As ações geradas pela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural têm contribuído para a implementação de diversos programas e políticas, alguns exclusivos para o meio rural e outros não. Nesse contexto, tivemos ainda a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, conhecida como Anater, por meio da Lei nº 12.897, de 2013, e regulamentada em 2014 pelo Decreto nº 8.252. A Anater é uma instituição paraestatal que credencia entidades públicas e privadas capazes de prestar serviços de assistência técnica e extensão rural. Assuntos do campo Estamos começando mais um episódio do nosso quadro Assuntos do Campo! E o papo é sobre uma lei. Mais especificamente, sobre como a assistência técnica e extensão rural é descrita por ela. Nossa legislação atual define a extensão rural pública como: “O serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades agroextrativistas, florestais e artesanais.” Ufa! Esse é o texto oficial. Mas, na prática, para que essa política funcione, é necessário que alguém a execute. E é aqui que entra a nova Lei da Ater, estabelecendo que as entidades responsáveis por executar o Pronater devem preencher determinados requisitos e obter o credenciamento como entidade executora do programa. As ações geradas pela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural têm contribuído para a implementação de diversos programas e políticas, alguns exclusivos para o meio rural e outros não. Nesse contexto, tivemos ainda a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, conhecida como Anater, por meio da Lei nº 12.897, de 2013, e regulamentada em 2014 pelo Decreto nº 8.252. A Anater é uma instituição paraestatal que credencia entidades públicas e privadas capazes de prestar serviços de assistência técnica e extensão rural. Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 58 Agora observe, na linha do tempo a seguir, como foi a evolução cronológica da Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil. 1948 1956 1969 1974 1990 2003 2010 2010 Acar Minas Gerais Abcar Abcar Vinculada ao Ministério da Agricultura Presente em 1.025 municípios Embrater - Sibrater Presente em 4.056 municípios Extinção da Embrater Ater no MDA Lei Geral de Assistência Técnica e Extenção Rural Anater Ela também qualifica os profissionais que prestam essas assistências, contrata e disponibiliza serviços, transfere tecnologia, faz pesquisas, monitora e avalia resultados e, por fim, gerencia as entidades quanto à qualidade do serviço prestado. De forma objetiva, a Anater surgiu para suprir, de forma mais eficiente, as demandas de Ater no país. Para isso, assumiu o papel de coordenar as competências e os recursos financeiros existentes em nível federal, tendo a participação tanto de órgãos federativos – de estados e municípios –, quanto da iniciativa privada. Entender o que a lei define e o objetivo das instituições criadas para atender as políticas públicas é essencial para saber como elas podem ser efetivas para o seu trabalho no campo. Por isso, mantenha-se sempre atualizado sobre essas questões, ok? Módulo 1 Metodologia de assistência técnica e gerencial pg. 59 A Anater se mantém no desafio de integrar, de forma consolidada, a Assistência Técnica e Extensão Rural ao Sistema Brasileiro de Pesquisa Agropecuária, o ensino e a organização de um amplo universo de agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural. Fazem parte do seu Conselho de Administração integrantes de vários ministérios e do setor privado, com a Confederação da Agriculturaem: http://www3.bcb.gov.br/mcr. Acesso em: 9 mar. 2017. BORDENAVE, J. E. D. 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