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Microbiologia da carne Objetivos da Aula Compreender os principais microrganismos que contaminam a carne. Identificar as fontes e vias de contaminação. Avaliar os riscos microbiológicos no consumo e na manipulação da carne. Discutir estratégias de controle e prevenção. Importância do Tema na Nutrição Papel da carne na alimentação humana. Alto valor biológico Fonte de micronutrientes importantes Diversidade de preparações Potencial de contaminação microbiana é elevado Classificação dos Microrganismos Relevantes Bactérias patogênicas (ex: Salmonella, Listeria monocytogenes) Bactérias deteriorantes (ex: Pseudomonas spp.) Fungos e leveduras (menos comuns, mas relevantes em carnes curadas) Salmonella spp. Principais Patógenos Veiculados por Carne Escherichia coli Listeria monocytogenes Clostridium perfringens Staphylococcus aureus Toxinas produzidas por bactérias Fontes de Contaminação No abate (trato intestinal, fezes) Manipulação (equipamentos, utensílios, mãos) Ambiente (ar, superfícies) Transporte e armazenagem Fatores que Influenciam o Crescimento Microbiano na Carne pH Composição da carne (proteínas, água, gordura) Umidade Embalagem (vácuo, atmosfera modificada) Temperatura Alterações Microbiológicas na Carne Alterações organolépticas (odor, cor, textura) Produção de gases e exsudato Formação de biofilmes Alteração da Cor A carne fresca apresenta coloração vermelho-brilhante devido à oximioglobina. Quando deteriorada: Torna-se parda, esverdeada ou acinzentada, devido à oxidação da mioglobina ou ação de bactérias produtoras de pigmentos (Pseudomonas spp.). Sintomas de Alteração da Carne Alteração do Odor A carne estragada emite odores desagradáveis, como: Cheiro de amônia Cheiro azedo, pútrido ou rançoso Produzido por microrganismos como Clostridium e Proteus Sintomas de Alteração da Carne Alteração do Sabor Embora geralmente percebido apenas após o preparo, carnes deterioradas podem apresentar sabor amargo, ácido ou metálico, causado por produtos do metabolismo bacteriano. Sintomas de Alteração da Carne Alteração da Textura A carne pode ficar: Viscosa ao tato, devido à formação de biofilme bacteriano. Amolecida ou pegajosa, como resultado da degradação de proteínas. Produção de Gases A decomposição microbiana pode causar formação de gases dentro de embalagens, principalmente a vácuo ou em atmosfera modificada. Esse fenômeno é comum em contaminação por Clostridium spp. e Enterobacteriaceae. Sintomas de Alteração da Carne Métodos de Detecção Microbiológica Cultivo em meios específicos Testes rápidos (PCR, ELISA) Análises sensoriais e físico-químicas como indicadores indiretos Exemplos de meios: MacConkey Agar – enterobactérias SS Agar – Salmonella e Shigella Agar Cetrimida – Pseudomonas spp. Meio de Listeria seletivo – Listeria monocytogenes Boas Práticas de Fabricação (BPF) Higiene pessoal e ambiental Cadeia do frio (refrigeração e congelamento) Monitoramento de pontos críticos (APPCC) Controle e Prevenção Surto de E. coli em carne moída nos EUA Casos Reais e Surtos Associados Educação nutricional e sanitária Qual o papel do Nutricionista na Segurança alimentar? Controle de qualidade em serviços de alimentação Atuação interdisciplinar com médicos veterinários e engenheiros de alimentos Microbiologia dos Pescados Microbiologia dos Pescados Pescado inclui organismos aquáticos de ambientes fluviais, marinhos ou estuarinos para consumo humano. É importante na alimentação humana. Rico em aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais. Sua estrutura tecidual e alto teor de água o tornam vulnerável a processos enzimáticos, oxidação e contaminação microbiológica. Microbiologia dos Pescados A deterioração do peixe é causada pela atividade microbiana. Refrigerar o peixe retarda o crescimento microbiano e prolonga o frescor. Manuseio e armazenamento inadequados podem transformar o peixe em vetores de patógenos nocivos, como vírus e bactérias. Conservação Adequada do Pescado A segurança e qualidade do pescado estão diretamente ligadas às práticas adotadas durante sua manipulação, processamento e conservação. Esses cuidados devem ser mantidos desde o momento da captura até o produto chegar ao consumidor final, garantindo a integridade microbiológica do alimento. Segurança e qualidade alimentar Microbiologia dos Pescados O pescado é altamente perecível devido à sua composição rica em água (70- 80%), proteínas, lipídios insaturados e um pH neutro, o que favorece o crescimento microbiano. Fisiologia do animal: peixes com metabolismo mais ativo apresentam degradação mais rápida após a morte. Fatores que Influenciam a Contaminação: Modo de vida e alimentação: peixes carnívoros tendem a acumular mais patógenos. Tipo de água (doce/salgada): afeta a microbiota natural. Região temperada vs. tropical: águas tropicais abrigam maior diversidade microbiana. Época do ano: influência na carga microbiana (águas quentes = maior deterioração). Microrganismos que habitam o trato intestinal ou a superfície dos peixes, desempenhando funções vitais para a saúde do animal, como auxiliar na digestão e no desenvolvimento do sistema imunológico.Pseudomonas, Shewanella, Photobacterium, Moraxella Acinetobacter. Microbiologia Inicial A microbiota de um pescado recém-capturado inclui espécies como: Contaminação e Deterioração em Peixes Microbiota Natural dos Peixes A microbiota dos peixes varia conforme: Ambiente da espécie (água doce ou salgada); Profundidade em que vive; Nível de poluição da água. Localização dos Microrganismos Microrganismos não são encontrados no tecido muscular saudável. Estão presentes em: Muco da superfície; Brânquias; Trato gastrointestinal. Química da Deterioração A deterioração ocorre pela degradação de proteínas e lipídios, com formação de compostos como trimetilamina (TMA) e amônia, responsáveis pelo odor desagradável. Características Organolépticas da Deterioração: Odor de amônia e ranço. Textura viscosa. Mudança na coloração da pele e olhos opacos. Controle da Deterioração: Conservação sob refrigeração ou congelamento. Boas práticas de manipulação (BPM). Atmosfera modificada. Tipos Capacidade de desenvolvimento Faixa de Temp. ótima (°C) Psicrófilos Podem se desenvolver a 0°C 20 – 35 Mesófilos Não se desenvolvem a 0°C e 55°C 25 – 45 Termófilos Podem se desenvolver a 55°C 40 – 60 Desenvolvimento de Microrganismos Temperatura Temperatura é um dos fatores que mais influenciam no crescimento de microrganismos. Cada microrganismo possui uma temperatura ótima de crescimento. Classificação de microrganismos com relação à temperatura Grupos Capacidade de desenvolvimento Bactéria aeróbica Necessita de O₂ para seu desenvolvimento Bactéria microaerofílica Necessita de O₂, mas desenvolve-se melhor em baixa pressão Bactéria anaeróbica facultativa Utiliza O₂, mas pode se desenvolver na sua ausência Bactéria aerotolerante Não utiliza O₂, mas a presença de O₂ não a prejudica Bactéria anaeróbica Morre na presença de O₂ Desenvolvimento de Microrganismos Oxigênio A demanda por oxigênio (O₂) varia de acordo com a espécie microbiana. Classificação de microrganismos pela demanda de O₂ Grupos Capacidade de Desenvolvimento Exemplos de Bactérias Bactéria aeróbica Necessita de O₂ para seu desenvolvimento Pseudomonas aeruginosa, Mycobacterium tuberculosis Bactéria microaerofílica Necessita de O₂, mas desenvolve- se melhor em baixa pressão Campylobacter jejuni, Helicobacter pylori Bactéria anaeróbica facultativa Utiliza O₂, mas pode se desenvolver na sua ausência Escherichia coli, Salmonella spp. Bactéria aerotolerante Não utiliza O₂, mas a presença de O₂ não a prejudica Lactobacillus spp., Streptococcus pyogenes Bactéria anaeróbica Morre na presença de O₂ Clostridium botulinum, Clostridium perfringens Desenvolvimento de Microrganismos Oxigênio A demanda por oxigênio (O₂) varia de acordo com a espécie microbiana. Classificaçãode microrganismos pela demanda de O₂ Grupos Capacidade de desenvolvimento Grupos Bactéria não-halofílica Bactéria não-halofílica - Bactéria sensível ao sal Não se desenvolve em concentrações superiores a 2% - Bactéria sensível ao sal - Bactéria tolerante ao sal Pode se desenvolver em concentrações superiores a 2%, mas o desenvolvimento é favorecido