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CQ311 – Química Orgânica Experimental - 1 - APOSTILA EXPERIMENTAL CQ311 – QUÍMICA ORGÂNICA EXPERIMENTAL Prof. Responsável: Kahlil S. Salome Técnicas responsáveis: Carolina Camargo e Tamiris Kostianovicz Cronograma de Atividades Semana Dia Atividade Programada 1ª 24/02 Sem aula – Semana calouro(a) 2ª 04/03 Solubilidade de compostos orgânicos 3ª 11/03 Extração simples e múltipla 4ª 18/03 Extração ácido-base 5ª 25/03 Extração por arraste a vapor 6ª 01/04 Cristalização I (escolha de solvente) 7ª 08/04 Cristalização II (técnica) 8ª 15/04 Revisão teórica 9ª 22/04 P1 10ª 29/04 Destilação simples 11ª 06/05 Sem aula – JOFAR 12ª 13/05 Sem aula – Escola Paranaense de RMN 13ª 20/05 Destilação fracionada 14ª 27/05 Cromatografia em Camada Delgada 15ª 03/06 Cromatografia em Coluna 16ª 10/06 Revisão teórica 17ª 17/06 Sem aula – 49ª Reunião Anual Sociedade Brasileira de Química 18ª 24/06 P2 19ª 01/07 Prova final CQ311 – Química Orgânica Experimental - 2 - APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA OBJETIVOS: - Ensinar a utilização de técnicas básicas e equipamentos típicos de química orgânica. - Treinar o (a) aluno (a) para buscar as informações necessárias à realização do experimento, bem como os conceitos básicos que auxiliam a compreensão das atividades desenvolvidas no laboratório, na bibliografia disponível. - Preparar o (a) aluno (a) à organização e à programação para a execução de um experimento de laboratório. ORGANIZAÇÃO DA DISCIPLINA: O conteúdo programático será dado em aulas práticas presenciais e uma aula teórica antes de cada prova (P1 e P2). A apresentação do cronograma da disciplina e a formação das equipes de laboratório serão discutidas na primeira aula. Cada aluno (a), individualmente, deverá se preparar para a aula, estudando antecipadamente a prática. Dúvidas serão esclarecidas no início da aula experimental assim como os fundamentos de execução das técnicas, serão abordados durante as aulas. Na aula presencial, todos deverão comparecer usando jaleco de segurança de algodão e de mangas compridas. Ao terminar o experimento todos devem deixar bancada em ordem, o que inclui: vidraria lavada e disposta nas bandejas de plástico ao lado da estufa, assim como a bancada limpa. Os (as) estudantes devem anotar todas as observações importantes durante o experimento. Todos deverão ter um caderno de laboratório para anotar tais informações, além da presente apostila. Composição da Nota = P1*0,5 + P2*0,5 CQ311 – Química Orgânica Experimental - 3 - INSTRUÇÕES GERAIS PARA O TRABALHO NO LABORATÓRIO. A entrada no laboratório só é permitida com a utilização da vestimenta correta. As roupas e o jaleco devem cobrir o corpo todo. Não é permitido o uso de roupas que não cubram as pernas (saias, vestidos, shorts, bermudas e análogos). Assim como sapatos abertos. É proibido comer, beber ou fumar dentro do laboratório. Cabelos compridos devem estar presos durante a permanência no laboratório. Verifique rótulos de frascos e voltagens das tomadas antes de utilizar os reagentes e aparelhos. Mantenha a bancada limpa durante e após a aula. Nada é descartado na pia sem autorização. Cuidado para não misturar os descartes. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA ASSUMPÇÃO, R.M.V. & MORITA T. Manual de Soluções, Reagentes & Solventes. São Paulo: Edgard Blücher. 1968. BUDAVARI, S. (editor) The Merck Index - An Encyclopedia of Chemical, Drugs, and Biologicals.12. ed. Whitehouse Station: Merck (1996). LIDE, D.R. (editor). CRC Handbook of Chemistry and Physics. 76.ed. New York: CRC Press (1995). MANO, E.B., SEABRA, A.P. Práticas de Química Orgânica. 3.ed. São Paulo: Edgard Blücher (1987). NIMITZ, J.S. Experiments in Organic Chemistry from Microscale to Macroscale. New Jersey: Prentice Hall (1988). PAVIA, D. L.; LAMPMAN, G. M.; KRIZ, G. S. Introduction to Organic Laboratory Techniques. A contemporary Approach. Saunderes College Publishing, 1988. PAWLOWSKY, A.M., SÁ, E.L., MESSERSCHMIDT, I. SOUZA, J.S., CÉSAR- OLIVEIRA, M.A.F., SIERAKOWSKI, M.R., SUGA, R. Experimentos de química geral. 1.ed. Curitiba: Editora da UFPR (1994). PERRIN, D.D., ARMAREGO, W.L.F. Purification of Laboratory Chemicals 3.ed. New York: Pergamon Press (1988). SHRINER, R.L., FUSON, R.C., CURTIN, D.Y., MORRIL, T.C. Identificação Sistemática de Compostos Orgânicos. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Dois (1983). CQ311 – Química Orgânica Experimental - 4 - SOARES, B.G., SOUZA, N.A., PIRES, D.X. Química Orgânica - Teoria e Técnica de Preparação, Purificação e Identificação de Compostos Orgânicos. Rio de Janeiro: Guanabara Dois (1988). VOGEL, A.I. Química Orgânica. Análise Orgânica Qualitativa. 3.ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico (1971). SOARES, B.G., SOUZA, N.A., PIRES, D.X. Química Orgânica - Teoria e Técnica de Preparação, Purificação e Identificação de Compostos Orgânicos. Rio de Janeiro: Guanabara Dois (1988). CQ311 – Química Orgânica Experimental - 5 - Solubilidade de compostos orgânicos Objetivo da prática: determinar a solubilidade e miscibilidade de compostos orgânicos Parte 1 – solubilidade de sólidos: Adicione 40 mg de benzofenona em 4 tubos de ensaio. Em seguida adicione 1,0 mL de água no tubo 1; 1,0 mL de metanol no tubo 2; 1,0 mL de hexano no tubo 3. O tubo 4 servirá como controle. Agite por ao menos 1 minuto. Verifique se o sólido é solúvel, parcialmente solúvel (~50%) ou insolúvel. Parte 2 – solubilidade de líquidos: Adicione 1,0 mL de água a um tubo de ensaio e 1,0 mL de hexano a outro tubo de ensaio. Em cada tubo, adicione 1,0 mL de 1-octanol gota a gota. A cada gota adicionada, observe o que acontece, agite o tubo, e observe novamente. Determine se o álcool é solúvel, parcialmente solúvel ou insolúvel. Repita o procedimento para os álcoois 1-butanol e metanol. Parte 3 – miscibilidade: Para cada um dos seguintes pares de compostos, adicione 1,0 mL de cada líquido ao mesmo tubo de ensaio. Utilize um tubo de ensaio diferente para cada par. Agite o tubo de ensaio por dez a vinte segundos para determinar se os dois líquidos são miscíveis (formam uma camada) ou imiscíveis (formam duas camadas). Água e etanol, água e éter etílico, água e cloreto de metileno (diclorometano), água e hexano, hexano e diclorometano Parte 4 – solubilidade de ácidos e bases Coloque 30,0 mg de ácido benzoico em três tubos de ensaio. Então, adicione 1,0 mL de água ao primeiro tubo, 1,0 mL de NaOH 1,0 mol L-1 ao segundo, e 1,0 mL de HCl 1,0 mol L-1 ao terceiro. Agite a mistura em cada tubo de ensaio por dez a vinte segundos. Observe se o composto é solúvel ou se é insolúvel. Agora, adicione 1,5 mL da solução de HCl no segundo tubo. Agite a mistura durante e anote o resultado. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 6 - Extração simples e múltipla Objetivo da prática: avaliar a eficiência relativa entre os métodos de extração simples e múltipla de uma substância dissolvida em fase aquosa. Procedimento experimental: Separe 2,0 mL das soluções de sulfato de cobre e vermelho de metila cada uma em um tubo de ensaio. Essas são amostras controle. Para a extração simples, transfira para o funil de separação 20,0 mL da solução de sulfato de cobre e 10,0 mL da solução de vermelho de metila (volume final da solução aquosa 30,0 mL). Adicione 30,0 mL de acetato de etila em uma porção única e faça a extração simples. Colete cada extração em tubos de ensaio. Compare as cores das porções extraídas com o controle. Agora, misture novamente as soluções de sulfato de cobre e vermelho de metila no funil e faça a extração múltipla com 30,0 mL de acetato de etila, compare as cores das porções extraídas. Em seguida, realize o mesmo procedimento, mas trocando o solvente extrator para hexano e compare os resultados. CQ311 – Química Orgânica Experimental- 7 - Extração ácido-base Objetivo da prática: avaliar a eficiência da separação de compostos orgânicos com diferentes características ácido-base. Procedimento experimental: Dissolva 1,0 g de dibenzalacetona e 1,0 g de ácido benzoico em 30 mL de éter etílico. Transfira a mistura para um funil de separação e faça uma extração múltipla com essa mistura utilizando 30 mL de bicarbonato de sódio a 5%. A fase orgânica deve ficar secando na capela para determinação de rendimento na aula seguinte. A fase aquosa deve ser acidificada com HCl diluído até a formação de precipitado. Coloque em banho de gelo para acelerar a formação de precipitado. Filtre em funil de Buchner e lave com água gelada. O sólido deve ficar secando na capela para determinação de rendimento na aula seguinte. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 8 - Extração por arraste a vapor Objetivo da prática: extrair compostos orgânicos de matrizes vegetais Procedimento experimental: Monte um sistema de destilação simples utilizando um balão de 100,0 mL para destilar e um balão de 50,0 mL para coletar. Pese 3,0 g de anis, misture com 40 mL de água no balão de fundo redondo, adicione 4 pérolas de ebulição e reconecte a vidraria. Certifique-se que todo o anis esteja totalmente umedecido. Ligue a água refrigerante no condensador e comece a aquecer a mistura, a fim de proporcionar uma taxa de destilação constante. Se ocorrer a aproximação do ponto de ebulição muito rapidamente, você poderá encontrar dificuldade com espumação ou projeção do líquido. Será preciso descobrir qual total de aquecimento propicia uma taxa de destilação constante, mas evita a espumação e/ ou projeção do líquido. Uma boa taxa de destilação permitirá que uma gota de líquido seja coletada a cada dois ou cinco segundos. Faça uma extração múltipla com 15,0 mL de diclorometano. Evapore o solvente e determine o rendimento da extração. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 9 - Cristalização I Objetivo da prática: determinar o solvente ideal para a cristalização de uma substância Procedimento experimental: Coloque 100 mg da substância-problema em um tubo de ensaio. Adicione 1,0 mL do solvente a ser testado e agite. Se a amostra se dissolver completamente em 1,0 mL do solvente frio ou com leve aquecimento, esse solvente não é apropriado. Caso todo o sólido não se dissolva, adicione o solvente em porções de 0,5 mL. Se ainda não houver dissolução, aqueça o tubo em banho-maria até a ebulição após cada adição. Se, mesmo após a adição de 3,0 mL do solvente, a substância não se dissolver a quente, esse solvente também deve ser descartado. Se a substância não se dissolver a frio, mas se dissolver completamente a quente, resfrie o tubo de ensaio para verificar se ocorre a formação de cristais. Se houver cristalização por resfriamento, o solvente é considerado adequado. É comum haver certa demora na formação dos cristais durante o resfriamento da solução. A agitação do tubo de ensaio ou o atrito nas paredes internas com um bastão de vidro pode acelerar esse processo. Esses procedimentos só devem ser realizados se a cristalização não ocorrer espontaneamente. Devem ser testados os seguintes solventes: água, etanol, acetona, acetato de etila, éter de petróleo e uma mistura 50% v/v de água e etanol. Anote os resultados obtidos e escolha o melhor solvente para a recristalização da substância. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 10 - Cristalização II Objetivo da prática: purificar um sólido por recristalização. Procedimento experimental: Pese 2,0 g da substância a ser purificada e transfira para uma vidraria adequada. Adicione o solvente selecionado, respeitando a proporção massa/volume determinada na prática anterior. Aqueça a solução até a ebulição. Caso o sólido não se dissolva completamente, adicione um pouco mais de solvente quente. Adicione carvão ativo (cerca de 1% da massa inicial) e mantenha a solução em ebulição por no máximo 5 minutos. Atenção: o uso excessivo de carvão ativo deve ser evitado, pois pode resultar na adsorção da substância a ser purificada. Se necessário, adicione mais solvente para evitar a deposição de cristais no papel de filtro durante a filtração a quente. Deixe cerca de 10% do volume total de solvente adicional aquecendo separadamente sobre a placa de aquecimento. Enquanto isso, prepare um papel de filtro pregueado e um funil de filtração, mantendo ambos aquecidos. Filtre a mistura ainda quente, recolhendo o filtrado em um Erlenmeyer limpo e seco. Deixe a solução resfriar primeiro à temperatura ambiente e, em seguida, em banho de gelo. Não agite e não resfrie bruscamente a solução. Filtre os cristais formados usando funil de Büchner, transfira-os para um vidro de relógio e deixe-os secar na capela até a próxima aula. Em seguida, pese os cristais obtidos e calcule o rendimento da recristalização. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 11 - Destilações simples e fracionada Objetivo da prática: Separar uma mistura bicomponente de líquidos miscíveis por meio das técnicas de destilação simples e destilação fracionada. Procedimento experimental: Em balões de fundo redondo, limpos e secos, adicione 60,0 mL do líquido a ser purificado. Coloque aproximadamente 5 pedras porosas e monte a aparelhagem para a destilação simples ou fracionada. Aqueça lentamente as misturas. Registre a temperatura inicial de destilação, ou seja, o momento em que as primeiras gotas do destilado alcançam o condensador. Descarte essas primeiras gotas em um tubo de ensaio. Em seguida, colete o destilado anotando a temperatura a cada 5,0 mL recolhidos. Ao atingir 50,0 mL ou quando cessar o gotejamento, retire a fonte de calor e encerre a destilação. É importante manter o aquecimento constante, evitando flutuações bruscas de temperatura. Construa uma tabela com os dados de volume versus temperatura do destilado (a cada 5,0 mL). A partir desses dados, será possível traçar os gráficos de aquecimento para comparar a eficiência dos métodos. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 12 - Cromatografia em Camada Delgada Objetivo da prática: separar compostos orgânicos, aplicando conceitos de interações intermoleculares. Procedimento experimental: Com os extratos preparados, inicie a montagem da cuba cromatográfica colocando um papel de filtro no interior e adicionando 1,0 mL da fase móvel (FM). Feche a cuba e deixe-a em repouso, sem movimentação. Em uma placa de CCD, aplique com um capilar uma gota do extrato de cada amostra de tomate e cenoura a aproximadamente 1 cm da base da placa, formando um ponto de aplicação para cada extrato. Coloque a placa na cuba cromatográfica, tomando cuidado para que a fase móvel não agite a placa. Assim que a fase móvel atingir a extremidade superior da placa, retire-a da cuba e deixe o solvente evaporar. Compare os padrões de manchas observados na placa para cada extrato. Repita o procedimento utilizando outras fases móveis, para comparar a eficiência da separação. CQ311 – Química Orgânica Experimental - 13 - Cromatografia em Coluna Objetivo da prática: separar pigmentos da mistura da prática anterior usando a técnica de cromatografia em coluna (CC). Procedimento experimental: Prepare a coluna cromatográfica colocando um pequeno pedaço de algodão no fundo do tubo de vidro, auxiliando-se de um bastão de vidro. Em seguida, preencha a coluna com aproximadamente 5 cm de sílica gel (fase estacionária). Adicione 20 mL da fase móvel para empacotar adequadamente a coluna. Com uma pipeta, adicione cuidadosamente o total do extrato sobre a superfície da fase estacionária, evitando qualquer perturbação que possa desorganizar o empacotamento. Elua a coluna inicialmente com hexano, até que o composto esperado seja eluído.Depois, altere para a fase móvel indicada para eluir os demais compostos. Recolha as frações em volumes de 10 mL cada.