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Portfólio de UE
Portfólio de Maria Clara de Paula
Fonte: @maidoodles Instagram)
Portfólio de UE 1
Meu nome é Maria Clara de Paula, sou estudante de Medicina da PUC Minas e tive a oportunidade de fazer meu internato 
de Urgência e Emergência em um serviço hospitalar de pronto atendimento. Durante esse tempo, pude acompanhar de 
perto a rotina do setor e atender casos de diferentes níveis de complexidade, trabalhando principalmente na sala verde.
Essa vivência me permitiu ter contato direto com o fluxo do pronto-socorro, conhecer melhor a dinâmica da equipe e 
entender qual é o papel do estudante nesse ambiente tão dinâmico. Neste portfólio, compartilho experiências que foram 
muito importantes para minha formação, com destaque para o raciocínio clínico, a organização do atendimento e a 
compreensão prática de como funciona a urgência no dia a dia.
Expectativas iniciais
Iniciei o internato com a expectativa de vivenciar um ambiente intenso, marcado por decisões rápidas e casos de maior 
gravidade. Para ser honesta, estava esperando uma rotina mais caótica, muita adrenalina, pouco recurso e a equipe 
“dando um jeitoˮ para tudo funcionar, acho que minhas expectativas foram muito influenciadas pela série médica “The 
Pitt ,ˮ que retrata o que foi possivelmente o pior e mais azarado plantão de uma equipe de saúde (risos). 
Acabou não sendo exatamente assim, houveram os dias mais agitados, claro, mas no geral a organização e preparo da 
equipe fizeram as coisas se desenrolarem de forma mais tranquila. A emergência se mostrou um espaço muito mais 
heterogêneo: entre um caso mais grave e outro, apareciam as viroses clássicas, as queixas inespecíficas e os 
atendimentos típicos de sala verde. O trabalho existia, o fluxo estava lá, mas não era aquela correria ininterrupta que eu 
tinha imaginado. Dava tempo de respirar, pensar e conduzir os atendimentos com mais calma.
Essa quebra de expectativa foi curiosa. A emergência não se apresentou como um caos constante, mas como um 
ambiente que mistura momentos de tensão com muitos atendimentos simples, repetitivos e necessários para o 
funcionamento do serviço. Com o tempo, fomos nos adaptando ao ritmo do Júlia e entendendo que a urgência também se 
constrói nesses dias menos cinematográficos, mas igualmente formativos.
No fim, o que eu esperava mesmo era desenvolver maior segurança na condução inicial dos pacientes, aprender a 
priorizar atendimentos e compreender melhor meu papel em um cenário de urgência, saio do estágio sentindo que esses 
objetivos foram alcançados.
Portfólio de UE 2
Sala Vermelha
Síndrome HELLP 
Joyce Celestina Xavier 
Situação 
 Síndrome HELLP  30/11 TGO 100 / TGP 125/ LDH 624/ Plaq. 101 mil/ bili total 0,95
 G1/P1/A0  No D1 de pós parto cesária  Ig: 37 semanas  1 dia (dum incerta / 1º usg em 27/03/25 com ig 6 semanas 1 
dia) GSHG O positivo
Contexto 
Paciente admitida para indução do trabalho de parto em 29/10/2025 devido a HAC  PE sobreposta sem critérios de 
gravidade CIUR I, porém à admissão apresentou-se com epigastralgia e PA de 200130 mmhg, com relato de aferição 
domiciliar antes de vir ao hospital de 170110 mmhg. Paciente evoluiu com Síndrome HELLP e necessidade de parto 
imediato, apresentou segundo relatos da GO, hipotonia uterina controlada, sendo admitida na SE estabilidade 
hemodinamicamente. Administrado Sulfato de Magnésio em 29/10/25 às 0620 e interrompido às 0720 de 30/10/25
PNAR
 HAC com loa (renal) + pe sobreposta, sem critérios de gravidade CIUR I
Portfólio de UE 3
 DMG a2
 Tabagismo 2 cigarros/dia)
 Eutireoidismo com TSH limítrofe - sem necessidade de tratamento
 Obesidade grau II
Medicação em Uso
Sulfato ferroso 40mg  01 cp/dia
Metildopa 250mg tid - modificada em 23/05
Insulina NPH 26018 ui (reajuste em 15/10/25  durante o processo de indução 1400
Exames
Últimas ultrassonografias:
14/10/25 ig 346sem | pfe 1648 g (p. 2 | ca 266 (p. 2 | cf 59 mm | cef | lan - ila 13,4 mbv 3,6 cm | plac ant grau 2 | 
acm ip 1,45 | au ip 0,99 | rel acm/au 1,50 | doppler normal
24/10/25 ig 362 | cefálico | lan | pca g2 | doppler sem alterações
Exames laboratoriais:
31/10/25 Hm 4,60/ Hb 13,9/ hm 41,9% / Leu 11390/ seg 58%/ plaq 117000MIL/ ur 14/ crea 0,5/ ac 3,4/ TGO 61/ TGP 97/ Bt
0,58/ LDH 467/
Avaliação
Avalio paciente no leito, no D1 pós-parto cesária, eupneica, em ar ambiente. Hemodinamicamente estável sem drogas 
vasoativos, monitorizada, com extremidades quentes com boa perfusão capilar. Paciente sem queixas de cefaleia, 
escotomas visuais, dor epigástrica ou abdominal, apresentando colostro em mamas, lóquios fisiológicos preservados, 
utero contraindo abaixo da cicatriz umbilical. Tolerando bem dieta, diurese presente SVD, última evacuação no 29/10.
Ao Exame Físico
FC 74bpm / Sat 96% / FR 13 irpm / PA 141/96
ACV RCR, BNF, sem sopros TEC  3, extremidades quentes.
AR MV presentes, sem ruidos adventícios.
ABD RH , abdome globoso, timpânico, útero contraindo abaixo da cicatriz umbilical, com dor palpação, FO em supra 
púbica, limpa e seca, sem secreções.
MMII edemas 2/4, com panturrilhas livres.
Conduta
Vigilância hemodinâmica
Mantendo anti-hipertesivos.
Aguardando avaliação da GO.
Solicito vaga para enfermaria.
Portfólio de UE 4
Referencial Teórico
HISTÓRIA CLÍNICA
Hipertensão pré gestacional
Hipertensão em IG  20 semanas
QUADRO CLÍNICO
Presença de sintomatologia sugestiva de iminência de eclâmpsia ou epigastralgia
intensa?
PROPEDÊUTICA HELLP
Hemograma com pesquisa de esquizócitos,
Creatinina, Ácido úrico, TGO, TGP, LDH, Bilirrubina total e frações
PROTEINÚRIA
24 horas / Relação PC /Proteína de fita, se necessário
Portfólio de UE 5
Ficha Laranja
Hemorragia Digestiva 
Situação:
Paciente do sexo masculino, etilista crônico, admitido no pronto atendimento com quadro de hematêmese volumosa após 
episódios repetidos de vômitos. À chegada, apresentava sinais de repercussão hemodinâmica e hematimétrica, exigindo 
monitorização contínua e abordagem imediata.
Durante a avaliação inicial, foram consideradas hipóteses de sangramento digestivo alto, incluindo lesões ulceradas e 
neoplasia, diante do volume do sangramento e do histórico clínico do paciente. Foram iniciadas medidas de suporte, com 
reposição volêmica conforme necessidade, além de preparo para investigação endoscópica de urgência.
Conduta e Evolução:
O paciente foi submetido à endoscopia digestiva alta sob sedação e monitorização contínua. Durante o exame, observou-
se grande quantidade de conteúdo alimentar no estômago, além de laceração em cárdia compatível com lesão de Mallory-
Weiss e uma úlcera pequena, coberta por fibrina clara, classificada como Forrest III, localizada no corpo proximal, na 
parede póstero-lateral direita. O procedimento ocorreu sem intercorrências, com estabilização clínica progressiva do 
paciente após as medidas adotadas. 
Portfólio de UE 6
Mallory-Wells Tears 
Portfólio de UE 7
Sobre a parte escura na imagem… Palpite dos acadêmicos e residentes: Tumor. Confirmado pelo colonoscopista: Comida! 
Portfólio de UE 8
Referencial Teórico
A hemorragia digestiva alta pode se manifestar por hematêmese, melena ou ambos, e apresenta ampla variação 
de gravidade. Lesões de Mallory-Weiss são lacerações da mucosa da junção esofagogástrica, geralmente 
associadas a episódios repetidos de vômitos, sendo mais comuns em pacientes etilistas. Na maioria dos casos, o 
manejo envolve suporte clínico e monitorização, reservando intervenções específicas para situações de 
sangramento persistente ou instabilidade.
Ficha Amarela 
TEP
Descrição do caso
Paciente adulto admitido na unidade de pronto atendimento com queixa de dispneia súbita, associada a dor torácica de 
característica inespecífica e sensação de mal-estar geral. À admissão, encontrava-se hemodinamicamente estável, porém 
taquipneico, com saturação periférica de oxigênio limítrofe em ar ambiente. Não apresentava febre nem sinais claros de 
infecção respiratória.Durante a avaliação inicial, chamaram atenção a desproporção entre a intensidade da dispneia e o exame físico pulmonar 
pouco expressivo, além da presença de fatores de risco para tromboembolismo venoso. Gasometria arterial evidenciou 
alcalose respiratória com hipocapnia e leve hipoxemia, reforçando a suspeita diagnóstica.
Diante do quadro clínico e da estratificação de risco, foi levantada a hipótese de tromboembolismo pulmonar, sendo 
iniciado o protocolo de investigação conforme disponibilidade do serviço, com monitorização contínua e suporte clínico 
enquanto aguardava definição diagnóstica e conduta definitiva.
Portfólio de UE 9
TEP como padrão recorrente na urgência
Ao longo do internato, o tromboembolismo pulmonar se mostrou um diagnóstico frequente na ficha amarela do serviço, 
especialmente no Hospital Júlia. Muitas vezes, não se apresentava de forma clássica, surgindo como dispneia 
inespecífica, dor torácica atípica ou apenas queda de saturação sem grandes alterações ao exame físico. Essa recorrência 
reforçou a importância de manter sempre a suspeição clínica elevada e evitar subestimar quadros aparentemente estáveis.
attachment:d4623812-bd854993-a5211520d4af4f6d:IMG_5623.mov
Gasometria Arterial:
pH 7,52
pCO2 20 mmHg
pO2 62 mmHg
НСО3 16,3 mEq / L
СОТ 16,9 mmol /L
BE 4,1 mmol /L
Saturação O2 91,2 %
MetHb: 0 %
Portfólio de UE 10
https://www.notion.so/signed/attachment%3Ad4623812-bd85-4993-a521-1520d4af4f6d%3AIMG_5623.mov?table=block&id=2c47157c-0eb6-8186-b4ad-da5259d7c51b&spaceId=093cda80-07e6-418e-bfed-82f9e0ce9a15&userId=f4715d37-a645-4b1f-b968-2519dd9e7e87&cache=v2
Tromboembolismo venoso (TEV)
1 TVP  trombose venosa pulmonar
2 TEP  tromboembolismo pulmonar
TRÍADE DE VIRCHOW
Hipercoagulabilidade
Lesão endotelial
Estase sanguínea
Fatores de risco:
 Hereditários → trombofilias…
 Adquiridos:
Pós-operatório (principal = ortopedia)
Medicamento ACO
Neoplasia maligna
Imobilização
Ficha Verde 
Portfólio de UE 11
Obstrução Intestinal
Descrição do caso
Paciente admitido inicialmente no pronto atendimento com quadro clínico pouco específico, sem sinais claros de 
gravidade à primeira avaliação. A apresentação inicial sugeria uma condição mais simples, compatível com manejo 
ambulatorial ou observação breve, o que levou à classificação inicial como ficha verde.
Ao longo da permanência no serviço, no entanto, o paciente passou a apresentar piora progressiva do quadro clínico, com 
distensão abdominal importante e sinais sugestivos de acometimento abdominal mais significativo. A investigação 
complementar revelou um quadro de obstrução intestinal, com achado de alça intestinal bastante distendida, contrastando 
de forma marcante com a apresentação inicial aparentemente tranquila.
Principais causas de obstrução:
 Aderência 
 Hérnia
 Diverticulite 
 Fecaloma
SAMU
Esperávamos só uma pneumonia e demos de cara com um intestino gigante. 
Portfólio de UE 12
Acidente Moto vs. Bicicleta
Contexto da vivência
Durante os plantões no SAMU tive a oportunidade de acompanhar atendimentos em ambiente pré-hospitalar, o que trouxe 
uma perspectiva diferente da urgência vivenciada dentro do hospital. O deslocamento até o local, a limitação de recursos 
e a necessidade de decisões rápidas fora de um ambiente controlado tornaram essa experiência particularmente 
marcante.
Entre os atendimentos do dia, um acidente envolvendo moto e bicicleta se destacou pelo impacto do cenário e pelas 
decisões necessárias ainda no local.
Descrição do atendimento
No momento da chegada da equipe, a paciente encontrava-se deitada na maca da ambulância, sem uso de prancha rígida, 
mantendo colar cervical. Foi realizada a avaliação primária conforme o protocolo XABCDE. Não havia hemorragias 
exsanguinantes visíveis. A via aérea estava pérvia, sem dor à palpação ou mobilização cervical, permitindo a retirada do 
colar. A ventilação era adequada, com expansão torácica simétrica, murmúrios vesiculares presentes, embora houvesse 
dor à palpação em arcos costais à direita. Saturava 98% em ar ambiente, com frequência respiratória de 22 irpm.
Do ponto de vista circulatório, apresentava frequência cardíaca de 115 bpm, pressão arterial de 140/90 mmHg, tempo de 
enchimento capilar inferior a dois segundos, abdome inocente à palpação, pelve estável e FAST negativo na admissão. 
Neurologicamente, encontrava-se lúcida, com Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes e glicemia capilar de 82 mg/dL. À 
exposição, observavam-se escoriações em membros superiores e inferiores, ferimento corto-contuso em joelho direito, 
além de edema em punho direito e tornozelo esquerdo.
A partir da cinemática do trauma, foram consideradas possíveis lesões cranioencefálicas, cervicais, torácicas, abdominais 
e de extremidades, orientando a condução do caso e o encaminhamento hospitalar adequado.
Aprendizado no atendimento pré-hospitalar
O atendimento evidenciou a importância de uma abordagem sistematizada mesmo em cenários adversos. A aplicação do 
XABCDE permitiu organizar o raciocínio, identificar prioridades e reduzir o risco de omissões, mesmo diante de um 
ambiente com menos recursos e múltiplos estímulos externos. Além disso, ficou claro como o contexto do trauma, a 
cinemática e a observação cuidadosa muitas vezes orientam tanto quanto os achados objetivos, especialmente fora do 
ambiente hospitalar.
Conclusão
O contato frequente com queixas prevalentes do pronto atendimento trouxe familiaridade com o cotidiano da urgência e 
ajudou a desenvolver mais segurança na abordagem inicial dos pacientes. As discussões de casos e os GDs com as 
preceptoras foram fundamentais nesse processo, ajudando a organizar o raciocínio clínico e a transformar situações 
comuns em aprendizado consistente.
Ao mesmo tempo, reconheço que minha exposição a pacientes críticos e procedimentos complexos foi menor do que eu 
imaginava no início do estágio, o que contrastou com a expectativa inicial, mas esse contraste foi por si só um 
aprendizado importante sobre a realidade do serviço e sobre o papel do estudante dentro da urgência.
Esse estágio me trouxe mais segurança para priorizar atendimentos, reconhecer limites, pedir ajuda quando necessário e 
entender que a classificação de risco é dinâmica. Aprendi a não subestimar quadros aparentemente simples e a respeitar 
o tempo do paciente e do serviço.
Sou grata aos professores e preceptoras que estiveram presentes, disponíveis para discutir casos, orientar condutas e 
dividir a experiência. À equipe multiprofissional, que sustenta o funcionamento do serviço nos detalhes do dia a dia. E, 
principalmente, aos pacientes, que confiaram seus medos, dores e histórias a uma estudante ainda em formação, mas 
disposta a ouvir e aprender.
Saio do internato com menos idealizações e com um olhar mais atento e realista sobre a urgência. Levo comigo 
aprendizados práticos e humanos que certamente vão atravessar minha formação daqui para frente.
Portfólio de UE 13
Fim!
Portfólio de UE 14

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