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SEMIOLOGIA SEMIOLOGIA DA CRIANÇA SUMÁRIO 1. Semiologia da criança ................................................................................................. 3 2. Exame físico da criança ............................................................................................... 3 3. Exame físico do lactente ............................................................................................. 4 4. Exame físico do pré-escolar ....................................................................................... 5 5. Exame físico do escolar ............................................................................................... 6 6. Técnicas de exame....................................................................................................... 7 7. Exame físico ............................................................................................................... 11 8. Conclusão ................................................................................................................... 16 Referências ..................................................................................................................... 17 Semiologia da Criança 3 1. SEMIOLOGIA DA CRIANÇA A semiologia pediátrica, diferente da realizada em adultos, exige uma abordagem especial. As crianças não têm a mesma percepção, paciência e compreensão que um adulto, e por isso, requerem uma abordagem mais cuidadosa e afetuosa. 2. EXAME FÍSICO DA CRIANÇA Abaixo estão algumas dicas cruciais para uma avaliação clínica bem-sucedida: • Respeite a Criança: Antes de iniciar qualquer procedimento ou exame, é fundamen- tal pedir permissão à criança. Isso não apenas a ajuda a se sentir respeitada, mas também a entender que tem algum controle sobre a situação. Esta simples ação pode diminuir a ansiedade da criança e facilitar a cooperação durante o exame. • Tenha Paciência: Crianças têm um ritmo diferente dos adultos. Podem se distrair facilmente ou ficar impacientes quando algo não é do seu agrado. Portanto, é vital ter paciência e adaptar-se ao ritmo da criança. Falar com calma, usar uma linguagem adequada à idade e dar-lhes tempo para processar a situação são medidas essenciais. • Inicie com Manobras Menos Incomodativas: Antes de proceder a manobras que possam ser desconfortáveis, inicie por aquelas que são mais tranquilas e que exigem silêncio, como a ausculta pulmonar e cardíaca. Isso permite que a criança se acostume com a sua presença e com o procedimento, além de garantir que as avaliações que necessitam de quietude sejam realizadas antes da criança se tornar impaciente ou inquieta. • Abuse de Recursos Lúdicos: As crianças comunicam-se e entendem o mundo através do jogo. Utilizar recursos lúdicos, como brinquedos, desenhos ou histórias, pode tornar a experiência menos ameaçadora e mais agradável para a criança. Por exemplo, mostrar como um estetoscópio funciona em um ursinho de pelúcia pode desmistificar o instrumento antes de usá-lo na criança. • Reconheça o Limite da Criança: Por mais preparado que você esteja, nem sempre é possível completar todos os exames e manobras. Se uma criança estiver muito irritada, chorando excessivamente ou mostrando sinais de estresse, é importante reconhecer o seu limite. Forçar a realização de um procedimento pode ser traumá- tico para a criança e para os acompanhantes, além de ineficaz em termos clínicos. Em algumas situações, pode ser mais apropriado pausar e tentar novamente em um momento mais oportuno. Semiologia da Criança 4 Dessa forma, a semiologia da criança exige empatia, paciência e flexibilidade. Entender e respeitar as particularidades desse público tornará o processo de avaliação mais eficaz e menos estressante para todos os envolvidos. 3. EXAME FÍSICO DO LACTENTE Ao realizar um exame físico em lactentes, existem especificidades que diferenciam essa população do restante das crianças e dos adultos. Os lactentes, dada a sua vulne- rabilidade e estágio de desenvolvimento, requerem abordagens delicadas e adaptadas às suas necessidades emocionais e fisiológicas. Abaixo, detalhamos algumas dicas essenciais para uma avaliação bem-sucedida. • Nunca examine o lactente com fome: Os lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, têm ciclos de alimentação frequentes. Um bebê com fome pode estar mais irritado e menos disposto a cooperar durante o exame. Assim, garantir que o lactente esteja bem alimentado pode ser crucial para a tranquilidade do procedimento. • Comece o exame no colo dos pais: O colo dos pais é um ambiente seguro e re- conhecido pelo lactente. Iniciar o exame enquanto o bebê está no colo de seus cuidadores pode reduzir o estresse e a ansiedade, facilitando a realização das manobras e procedimentos necessários. Este conforto e familiaridade são fun- damentais para um exame produtivo. • Fale baixo e com sons infantis: Os sons suaves e melodias infantis têm um efeito calmante em muitos lactentes. Ao se comunicar durante o exame, use uma voz suave e, se possível, incorpore sons que sejam reconhecidos e apreciados pelo bebê. Canções de ninar ou mesmo balbucios suaves podem ser ferramentas úteis para manter a criança tranquila. • Considere a Ansiedade de Separação entre 9 a 15 meses: Durante este período específico do desenvolvimento, muitos lactentes desenvolvem uma “ansiedade de separação”. Eles podem ficar extremamente desconfortáveis ou ansiosos quando separados de seus pais ou cuidadores principais. Por isso, durante esta fase, é recomendado realizar um exame físico rápido, com o mínimo de interação e, sempre que possível, com o bebê no colo dos pais. Em suma, o exame físico do lactente é uma tarefa que requer sensibilidade, com- preensão e adaptação às particularidades desta fase da vida. A adoção dessas dicas pode ajudar a tornar o processo mais suave para o bebê, os pais e o profissional de saúde envolvido. Semiologia da Criança 5 4. EXAME FÍSICO DO PRÉ-ESCOLAR Realizar o exame físico em uma criança pré-escolar apresenta desafios distintos em comparação aos lactentes ou adultos. Esta é uma fase da vida em que a criança começa a desenvolver uma compreensão mais profunda do mundo ao seu redor, ao mesmo tempo em que mantém uma vulnerabilidade característica da infância. A seguir, apresentamos algumas dicas cruciais para garantir um exame físico eficaz e ameno para o pré-escolar: • Pais devem evitar associar a consulta com um castigo: É vital que os pais ou cui- dadores evitem, a todo custo, associar a ida ao médico ou a realização do exame físico com um castigo ou consequência negativa. Essa associação pode criar ansiedade e medo desnecessários na criança, dificultando a cooperação durante a consulta e possivelmente gerando receios futuros relacionados à assistência médica. • Seja sincero e acalme a criança desde o início da consulta: A sinceridade é a cha- ve. Explicar à criança, de forma simples e amigável, o que vai acontecer durante o exame pode desmistificar o processo e torná-lo menos assustador. Tranquilizar a criança e garantir que ela saiba que está em um ambiente seguro é crucial para uma interação positiva. • Seja gentil e converse bastante: O diálogo com a criança pré-escolar é funda- mental. Use uma linguagem apropriada para a idade e mostre interesse genuíno em ouvir o que a criança tem a dizer. Conversar ajuda a estabelecer uma relação de confiança e pode desviar a atenção da criança de qualquer desconforto que possa sentir. • O exame pode ser feito no chão, com os brinquedos: Os pré-escolares são natu- ralmente curiosos e adoram brincar. Utilizar o chão como ambiente para o exame e incorporar brinquedos no processo pode tornar a experiência mais amigável e lúdica. Essa abordagem pode transformar a percepção da criança sobre o exame, fazendo-o parecer mais uma atividade divertida do que um procedimento médico. • Evite despir a criança logo no começo: Começar o exame despir a criança pode ser invasivo e causardesconforto ou timidez. Em vez disso, inicie o exame com procedimentos menos intrusivos, e somente quando for estritamente necessário, e com a devida preparação e explicação, proceda com as partes do exame que requerem que a criança esteja desvestida. Em resumo, o exame físico do pré-escolar deve ser uma combinação de empatia, comunicação eficaz e adaptabilidade às necessidades da criança. Com as abordagens corretas, é possível garantir uma experiência positiva para a criança, seus cuidadores e o profissional de saúde. Semiologia da Criança 6 5. EXAME FÍSICO DO ESCOLAR Ao lidar com crianças em idade escolar, entramos em uma fase onde elas já possuem um nível maior de compreensão, curiosidade e desejo de autonomia. Elas começam a se familiarizar com as regras do mundo ao seu redor e têm uma capacidade crescente de interação e comunicação. No contexto do exame físico, isso se traduz em novas abordagens e considerações. Aqui estão algumas dicas para garantir uma experiência bem-sucedida: 5.1. Determine as Regras Já no Início da Consulta É importante estabelecer as expectativas e regras logo no começo. Crianças em idade escolar já têm uma compreensão básica das regras e normas sociais, e definir claramente o que é esperado delas durante a consulta pode ajudar a manter a ordem e a cooperação. Isso não significa ser autoritário, mas sim claro e firme em suas instru- ções, garantindo que a criança saiba como a consulta será conduzida. 5.2. Explique Tudo do Exame Físico A curiosidade é uma característica marcante das crianças em idade escolar. Ao invés de simplesmente realizar o exame, tome um momento para explicar o que cada etapa envolve. Isso não apenas satisfaz a curiosidade da criança, mas também a ajuda a se sentir mais confortável e envolvida no processo. Saber, por exemplo, o que é um estetoscópio e como funciona pode transformar um objeto potencialmente assustador em algo interessante. 5.3. Responda às Perguntas Dada a sua curiosidade natural, é provável que a criança tenha perguntas durante ou após o exame. Seja paciente e responda a cada uma delas de forma clara e adequada à idade. Ao fazer isso, você não só estará validando a curiosidade da criança, mas também construindo uma relação de confiança e respeito mútuo. Com isso, ao examinar crianças em idade escolar, é crucial abordá-las com clareza, paciência e respeito. Valorizar sua curiosidade e envolvê-las no processo pode tornar o exame físico uma experiência educativa e positiva para ambas as partes. Semiologia da Criança 7 6. TÉCNICAS DE EXAME Quando nos referimos às técnicas de exame no contexto pediátrico, abordamos um conjunto de procedimentos que nos permitem avaliar, de forma objetiva, a saúde e o desenvolvimento de uma criança. Cada etapa é essencial para garantir uma compre- ensão abrangente do estado de saúde da criança. Uma das técnicas fundamentais é a inspeção geral, e dentro dela, a antropometria ocupa um papel central. Vamos detalhar mais sobre essa técnica a seguir. 6.1. Inspeção geral A inspeção geral envolve a avaliação visual inicial da criança. Esta fase permite ao profissional de saúde observar a postura, o comportamento, a interação e outros as- pectos visuais que podem indicar questões de saúde ou desenvolvimento. É a primeira impressão da criança e fornece um contexto valioso para os exames mais específicos que se seguirão. 6.2. Antropometria A antropometria se refere ao estudo das medidas e proporções do corpo humano. No contexto pediátrico, essas medições são essenciais para monitorar o crescimento e o desenvolvimento da criança. Algumas das medidas fundamentais incluem peso, altura e perímetro cefálico.Vamos detalhar melhor cada um dos parâmetros a seguir. 6.2.1. Peso Dentro das técnicas de exame pediátrico, a medição do peso desempenha um papel fundamental. Esta medição, realizada corretamente e interpretada dentro do contexto adequado, oferece insights cruciais sobre o crescimento e desenvolvimento da criança. Até os 2 anos de idade, é aconselhável pesar a criança usando uma balança horizon- tal. Esta balança é projetada para acomodar o corpo mais pequeno e frágil de um bebê, permitindo uma medição precisa. No entanto, é fundamental prestar especial atenção entre a idade de 1 ano e 3 meses a 1 ano e 6 meses. Neste intervalo, muitas crianças experimentam o que é chamado de “ansiedade de separação”. Como resultado, elas podem se tornar inquietas e até tentar se jogar da balança. Uma estratégia útil nesse cenário é permitir que os pais ou cuidadores estejam próximos e envolvidos na pesagem. O profissional de saúde pode então observar de uma distância segura e anotar o peso. A partir da idade de 1 ano e meio a 2 anos, ou assim que a criança demonstrar a capacidade de ficar em pé sozinha sem apoio, é possível fazer a transição para a ba- lança vertical. Este tipo de balança é mais comum em ambientes clínicos e permite uma medição rápida e fácil do peso à medida que a criança cresce. Semiologia da Criança 8 A importância de monitorar o peso da criança regularmente não pode ser subestimada. O peso é um indicador vital do bem-estar geral da criança,além de ser fundamental para uso como cálculo de doses ideais de medicamentos. Ao acompanhar o peso ao longo do tempo, os profissionais de saúde podem garantir que a criança esteja crescendo de forma saudável e adequada para sua idade. Flutuações significativas ou anormais no peso podem ser sinais de problemas nutricionais, distúrbios metabólicos ou outras condições médicas que necessitam de atenção. Na prática! Uma das principais variáveis que influenciam a dosagem correta, especialmente em crianças, é o peso do paciente. A dosagem imprecisa em crianças pode resultar em subdosagem ou superdosagem. A subdosagem pode não ser eficaz no tratamento da condição médica, deixando a criança vulnerável à progres- são da doença. Por outro lado, a superdosagem pode causar toxicidade, resultando em complicações que variam de leves a graves, podendo até mesmo ser fatais. Diferentemente dos adultos, as crianças experimentam rápidas variações de peso à medida que crescem. Isso significa que uma dosagem que era apropriada há alguns dias até meses pode não ser mais adequada agora. Portanto, é essencial atualizar regularmente o peso da criança ao prescrever e administrar medicamentos. Saiba mais! A farmacocinética e farmacodinâmica referem-se, res- pectivamente, à forma como o corpo processa um medicamento e ao efeito desse medicamento no corpo. Em crianças, ambos os processos podem variar considera- velmente em comparação com adultos. Isso ocorre devido a diferenças na absorção, distribuição, metabolismo e excreção de medicamentos. A dosagem pediátrica, portanto, não é uma mera questão de reduzir proporcionalmente a dosagem adulta, mas exige cálculos precisos com base no peso e, às vezes, na superfície corporal. Se liga! Na correria do cotidiano, profissionais de saúde podem ser tentados a estimar o peso de uma criança ou a confiar em informações desatu- alizadas. No entanto, esta é uma prática arriscada que deve ser evitada. Sempre que possível, o peso deve ser obtido usando balanças calibradas e precisas. Semiologia da Criança 9 6.2.2. Altura Assim como o peso, a estatura da criança é um indicador vital do seu crescimento. Comparando a altura da criança com padrões estabelecidos para sua idade, é possível identificar potenciais desvios no padrão de crescimento. 6.2.3. Perímetro Cefálico O perímetro cefálico é uma medida essencial na avaliação do desenvolvimento neu- rológico e crescimento cerebral das crianças. Para uma medição precisa, o perímetro cefálico deve ser medido da glabela até a proeminência occipital, passando pelas pro- eminências parietal e frontal. Esta técnica correta é vital para evitar diagnósticos errô- neos e proporcionar uma avaliação precisa do desenvolvimento cerebral da criança. Ao longo do tempo, monitorar essa medida ajuda os profissionais desaúde a compreender o padrão de crescimento cerebral da criança, assegurando um cuidado mais eficaz. 6.3. Pressão Arterial A pressão arterial é um dos sinais vitais cruciais e tem um protocolo específico quando se trata de pediatria. Em crianças saudáveis e sem condições pré-existentes, a pressão arterial é geralmente aferida a partir dos 3 anos de idade, sendo recomendado realizar essa medição uma vez por ano. Entretanto, em certas situações de risco, a afe- rição pode começar muito antes. Condições como malformações renais, cardiopatias congênitas, prematuridade com menos de 32 semanas, peso extremamente baixo ao nascer, cateterismo umbilical e doenças associadas à hipertensão, como neurofibro- matose, esclerose tuberosa e anemia falciforme, necessitam de atenção especial. Além disso, a obesidade também é identificada como um fator de risco para hipertensão, requerendo aferições regulares. A escolha do manguito é um detalhe crucial na aferição da pressão arterial em crian- ças. Manguitos inadequados podem distorcer a leitura: os muito grandes subestimam a pressão, enquanto os pequenos a superestimam. Para determinar o manguito adequado, é essencial medir a circunferência braquial da criança. Essa medição é realizada no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, utilizando uma fita métrica. O manguito ideal deve ter uma largura que corresponda a 40% dessa circunferência e um comprimento entre 80% e 100% da mesma. Embora a técnica de aferição em crianças seja semelhante à dos adultos, há algumas peculiaridades a serem consideradas. Por exemplo, pode ser desafiador identificar os sons de Korotkoff, especialmente em crianças com excesso de peso ou que estejam inquietas. Nesses casos, observar o batimento da agulha do esfigmomanômetro pode ser útil. No entanto, é vital lembrar que a percepção dos batimentos pela observação da agulha ocorrerá cerca de 10 mmHg acima da detecção por auscultação. Semiologia da Criança 10 A interpretação da pressão arterial em crianças é feita considerando-se tabelas de percentis, que levam em conta a estatura, idade e sexo da criança. Existem cursos e materiais, como o oferecido pelo IBGE, que detalham essa avaliação e ajudam profis- sionais de saúde a entender e aplicar corretamente esses valores no contexto clínico. 6.4. Frequência cardíaca Ao abordar a frequência cardíaca em crianças, é essencial mencionar que a pulsação pode ser um pouco difícil de detectar perifericamente, especialmente quando a criança está chorando. Em certas situações, pode ser necessário detectar o pulso femoral ou braquial ou mesmo obter diretamente a frequência cardíaca ao auscultar o coração. É vital que os profissionais de saúde estejam cientes dos valores normais da frequ- ência cardíaca para cada faixa etária. Esta variação, no contexto pediátrico, abrange os valores considerando cerca de dois desvios padrão. Conhecer e monitorar esses valores é fundamental para a avaliação precisa da saúde cardiovascular da criança. Você pode consultar esses valores no quadro a seguir. Quadro 1. Valores normais da frequência cardíaca por faixa etária pediátrica Idade Frequência média Variação (+/2 dp) 60 ipm 2-12 meses > 50 ipm 1-5 anos > 40 ipm > 5 anos > 20 ipm Fonte: Elaborado pelo autor. 7. EXAME FÍSICO 7.1. Cabeça A avaliação da cabeça em crianças, especialmente em lactentes, é crucial devido à presença de suturas e fontanelas que ainda estão abertas. Duas fontanelas principais são a fontanela anterior, localizada na parte frontal da cabeça, e a fontanela posterior. A identificação correta do tamanho e do momento de fechamento das fontanelas é essen- cial para avaliar o desenvolvimento apropriado da criança. A fontanela anterior, também conhecida como bregmática, possui um formato losangular, com um diâmetro que varia de 1 a 4 centímetros, fechando geralmente entre 8 a 9 meses de vida. Já a fontanela pos- terior, ou lambdoide, tem uma forma triangular e é menor, variando de 0,5 a 1 centímetro, fechando até os 2 meses. A palpação das fontanelas pode fornecer informações sobre o estado hemodinâmico da criança e a pressão intracraniana. Por exemplo, uma fontanela deprimida pode indicar desidratação, enquanto uma fontanela protuberante pode ser um sinal de pressão intracraniana elevada ou apenas um reflexo de choro. 7.2. Pescoço Linfadenopatia, ou aumento dos gânglios linfáticos, é comum em crianças, espe- cialmente entre 8 a 16 anos. No entanto, em lactentes, é raro, em parte devido à forma como examinamos os bebês e à falta de crescimento significativo dos linfonodos nesta idade. O critério para considerar um linfonodo como aumentado varia conforme sua localização: inguinais acima de 1,5 cm, cervicais e axilares acima de 1 cm, epitrocleares e poplíteos acima de 0,5 cm, e qualquer aumento nos linfonodos supraclaviculares é anormal. Em sua maioria, a linfadenopatia é uma resposta a infecções virais. No en- tanto, certos sinais de alerta, como localização anormal (por exemplo, supraclavicular), duração superior a 4 semanas, aumento progressivo ou tamanho superior a 2-3 cm, consistência endurecida e indolor, aderência a tecidos vizinhos e sintomas sistêmicos (como febre, suores noturnos, perda de peso) podem indicar condições mais graves, incluindo patologias inflamatórias e oncológicas, como linfoma e leucemia. Semiologia da Criança 12 7.3. Ouvido Ao examinar o ouvido pediátrico, a avaliação da audição é crucial, especialmente em lactantes. O comportamento da criança perante estímulos sonoros nos dá pistas sobre sua capacidade auditiva. Por exemplo, entre 0 a 2 meses, os bebês reagem a sons súbitos e são acalmados por vozes tranquilizadoras. A partir dos 6-7 meses, viram-se para ouvir conversas, indicando claramente sua capacidade de audição. Quanto à otoscopia em pré-escolares, existem técnicas específicas como a da criança deitada e a da criança sentada no colo dos pais. É fundamental direcionar a orelha corretamente e optar pelo espéculo maior para obter uma visualização adequada da membrana timpânica. 7.4. Boca e faringe A avaliação da boca e faringe pode ser desafiadora, principalmente devido à neces- sidade ocasional de um abaixador de língua. Em lactantes, é recomendado examinar durante o choro, aproveitando a boca já aberta. Em pré-escolares, conversar e pedir uma abertura ampla da boca pode ser suficiente. Às vezes, a contenção é necessária para garantir a segurança da criança durante o exame. Com relação às amígdalas, é importante notar que seu crescimento é mais signifi- cativo entre 8 e 16 anos. A classificação de Brodsky é uma ferramenta utilizada para avaliar o tamanho das amígdalas, permitindo uma descrição padronizada que pode auxiliar na determinação da necessidade de tratamento ou intervenção cirúrgica. Esta classificação é baseada na extensão com que as amígdalas ocupam o espaço orofa- ríngeo.A seguir, detalhamos os graus da classificação: • Grau 1: Amígdalas contidas inteiramente dentro dos pilares amigdalianos, ou seja, não se estendem além desses pilares. • Grau 2: Amígdalas que se projetam além dos pilares amigdalianos, mas que não ocupam mais da metade do espaço orofaríngeo. • Grau 3: Aqui, as amígdalas ultrapassam os pilares amigdalianos e ocupam entre 50 a 75% do espaço orofaríngeo, evidenciando uma maior proeminência e possível obstrução parcial das vias aéreas. • Grau 4: Este é o grau mais severo da classificação. Neste estágio, as amígdalas são tão grandes que chegam a se tocar na linha média, ocupando quase todo o espaço orofaríngeo. Isto pode resultar em obstrução significativa e frequentemente indica a necessidade de intervenção. Semiologia da Criança 13 Semiologia da criança 14 Imagem 1. Classificação de Brodsky Fonte: Acervo Sanar. Ao avaliar pacientes, especialmente aqueles com sintomas de obstrução das vias aéreas ou apneia do sono, a utilização da classificação de Brodsky pode ser de extrema importância. Descrever adequadamente o tamanho das amígdalas em um exame físico, com base nesta classificação, ajuda na comunicação clínica e na decisão terapêutica. 7.5. Tórax e pulmões Todas as agravatórias do pulmão possuem especificidades únicas. Em bebês, a parede torácica é fina e pouco musculosa, resultando em uma fácil transmissão dos ruídos cardíacos e pulmonares. Por vezes, ao auscultar o pulmão, o que parece ser um problema pulmonar é, na verdade, apenas catarro no nariz. A transmissão destes sons ocorre de maneira intensa. Vale lembrar que os bebês apresentam respiração periódica, alternando entre momentos de respiração normal e pequenas pausas res- piratórias. Diferenciar os sons provenientes das vias aéreas superiores dos inferiores pode ser desafiador, mas em geral, roncos das vias superiores são mais audíveis na região cefálica, enquanto os das vias inferiores são mais localizados e assimétricos. Durante a ausculta, é preciso adaptar-se à criança, que muitas vezes não compreende comandos respiratórios. 7.6. Coração No exame cardíaco pediátrico, existem particularidades importantes. A frequência cardíaca pode variar com a respiração, acelerando durante a inspiração e desaceleran- do na expiração. Alguns sopros cardíacos benignos são característicos em crianças, sendo sistólicos, suaves, de curta duração e com uma qualidade musical. A intensidade Imagem 1. Classificação de Brodsky Fonte: Acervo Sanar. Ao avaliar pacientes, especialmente aqueles com sintomas de obstrução das vias aéreas ou apneia do sono, a utilização da classificação de Brodsky pode ser de extrema importância. Descrever adequadamente o tamanho das amígdalas em um exame físico, com base nesta classificação, ajuda na comunicação clínica e na decisão terapêutica. 7.5. Tórax e pulmões Todas as agravatórias do pulmão possuem especificidades únicas. Em bebês, a parede torácica é fina e pouco musculosa, resultando em uma fácil transmissão dos ruídos cardíacos e pulmonares. Por vezes, ao auscultar o pulmão, o que parece ser um problema pulmonar é, na verdade, apenas catarro no nariz. A transmissão destes sons ocorre de maneira intensa. Vale lembrar que os bebês apresentam respiração periódica, alternando entre momentos de respiração normal e pequenas pausas res- piratórias. Diferenciar os sons provenientes das vias aéreas superiores dos inferiores pode ser desafiador, mas em geral, roncos das vias superiores são mais audíveis na região cefálica, enquanto os das vias inferiores são mais localizados e assimétricos. Durante a ausculta, é preciso adaptar-se à criança, que muitas vezes não compreende comandos respiratórios. Semiologia da Criança 14 7.6. Coração No exame cardíaco pediátrico, existem particularidades importantes. A frequência cardíaca pode variar com a respiração, acelerando durante a inspiração e desacelerando na expiração. Alguns sopros cardíacos benignos são característicos em crianças, sendo sistólicos, suaves, de curta duração e com uma qualidade musical. A intensidade destes sopros pode mudar com a posição da criança, tornando-se mais intensos quando deita- da. Além disso, é essencial estar familiarizado com os sopros benignos como o sopro distil, carotídeo e o zumbido venoso, diferenciando-os através de manobras específicas. 7.7. Abdome No exame abdominal, lactentes frequentemente apresentam diástase de reta abdomi- nal, que tende a melhorar com o tempo. É comum a palpação de um fígado ligeiramente proeminente e, ocasionalmente, um “rinho”. Durante a palpação, alguns lactentes podem ficar tensos, sendo útil flexionar suas pernas para facilitar o exame. Já pré-escolares e escolares são frequentemente sensíveis à palpação, sentindo cócegas. Para minimizar isso, pode-se usar a mão da própria criança para auxiliar na palpação. Órgãos como o fígado ainda podem ser palpáveis, mas devem apresentar características benignas e facilmente deslocáveis. 7.8. Sistema musculoesquelético No exame do sistema músculo-esquelético, é essencial lembrar que lactentes possuem genu varo, ou “joelhos para fora”, até aproximadamente os 18 meses. Em contraste, pré-escolares e escolares podem apresentar genu valgo, ou “joelhos para dentro”, que tende a se corrigir por volta dos 9 aos 10 anos. Estas são características normais do desenvolvimento e frequentemente geram dúvidas por parte dos pais. É vital educá-los sobre estas peculiaridades e garantir-lhes que tais características são normais durante o crescimento. 7.9. Genitália Ao examinar a genitália pediátrica, é fundamental pedir permissão à criança, desta- cando a importância desta prática como uma medida de prevenção de violência sexual. No sexo masculino, em pré-escolares e escolares, é importante observar o reflexo do cremacérico e verificar a posição dos testículos. Quanto à questão da fimose, é relevante esclarecer que só há presença de fimose quando existe um anel fibroso que impede o deslocamento da pele; simples aderências não configuram fimose. Em lactentes do sexo feminino, a aderência dos pequenos lábios pode ocorrer, sendo fundamental orientar os pais sobre a correta higienização e, em alguns casos, sugerir tratamentos específicos para solucionar a aderência. Semiologia da Criança 15 Saiba mais! A classificação de Kayaba sobre fimose na faixa etária pediátrica é uma forma de categorizar os diferentes graus de fimose em crianças. Esta classificação é baseada na observação da abertura prepucial e na capacidade de retrair o prepúcio. Ela é frequentemente utilizada por pediatras e urologistas para avaliar a necessidade de tratamento ou intervenção cirúrgica em casos de fimose. É dividida em diferentes graus, que variam de acordo com a severidade da fimose: • Tipo I: Nenhuma retração do prepúcio é possível. • Tipo II: Somente o meato uretral é exposto. • Tipo III: Metade da glande pode ser exposta. • Tipo IV: A glande é quase completamente exposta, mas o sulco coronal ainda está recoberto por aderência prepucial. • Tipo V: A glande pode ser completamente exposta com facilidade. O tratamento para fimose varia de acordo com o grau e a idade da criança. Em muitos casos, a fimose fisiológica (natural) se resolve espontaneamente à medida que a criança cresce. No entanto, em casos mais graves ou quando há complica- ções associadas, como infecções recorrentes, pode ser necessário um tratamento mais específico, incluindo a circuncisão. É importante consultar um pediatra ou urologista para uma avaliação adequada e orientação sobre o tratamento mais apropriado para cada caso. Semiologia da criança 16 SAIBA MAIS! A classificação de Kayaba sobre fimose na faixa etária pediátrica é uma forma de categorizar os diferentes graus de fimose em crianças. Esta classificação é baseada na observação da abertura prepucial e na capacidade de retrair o prepúcio. Ela é frequentemente utilizada por pediatras e urologistas para avaliar a necessidade de tratamentoou intervenção cirúrgica em casos de fimose. É dividida em diferentes graus, que variam de acordo com a severidade da fimose: • Tipo I: Nenhuma retração do prepúcio é possível. • Tipo II: Somente o meato uretral é exposto. • Tipo III: Metade da glande pode ser exposta. • Tipo IV: A glande é quase completamente exposta, mas o sulco coronal ainda está recoberto por aderência prepucial. • Tipo V: A glande pode ser completamente exposta com facilidade. O tratamento para fimose varia de acordo com o grau e a idade da criança. Em muitos casos, a fimose fisiológica (natural) se resolve espontaneamente à medida que a criança cresce. No entanto, em casos mais graves ou quando há complica- ções associadas, como infecções recorrentes, pode ser necessário um tratamento mais específico, incluindo a circuncisão. É importante consultar um pediatra ou urologista para uma avaliação adequada e orientação sobre o tratamento mais apropriado para cada caso. Imagem 2. Classificação de Kayaba. Fonte: Acervo Sanar. Imagem 2. Classificação de Kayaba. Fonte: Acervo Sanar. Semiologia da Criança 16 7.10. Sistema nervoso Em lactentes, é essencial avaliar os reflexos primitivos e os marcos do desenvolvi- mento neuropsicomotor. Estas avaliações ajudam a entender a progressão natural do desenvolvimento infantil. Outro aspecto crucial é observar a interação entre o bebê, o cuidador e o ambiente, já que essa dinâmica influencia significativamente no desen- volvimento neuropsicomotor da criança. Em escolares, os marcos do desenvolvimento continuam a ser essenciais, sendo que atividades como desenhar e brincar podem ofe- recer valiosos insights sobre o progresso do desenvolvimento da criança. Portanto, é recomendável ter materiais como papel, lápis e brinquedos no consultório para auxiliar na avaliação. 8. CONCLUSÃO Em suma, a semiologia pediátrica e as técnicas de exame em crianças diferem significativamente das aplicadas em adultos. Cada fase da infância, seja ela lactente, pré-escolar ou escolar, exige uma abordagem única e adaptada às necessidades e características específicas da criança. A empatia, paciência, comunicação eficaz e compreensão são essenciais para garantir uma avaliação clínica bem-sucedida. Além disso, o monitoramento regular do peso e outras medidas antropométricas são cruciais para acompanhar o crescimento e desenvolvimento saudável da criança, bem como para determinar dosagens adequadas de medicamentos. Portanto, é imperativo que os profissionais de saúde estejam bem equipados e treinados para abordar e avaliar crianças de maneira eficaz e cuidadosa, garantindo seu bem-estar e saúde ótimos. Semiologia da Criança 17 REFERÊNCIAS 1. BICKLEY, Lynn S. Bates Propedêutica médica. Oitava edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2005. 2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento científico de nefrologia. Hipertensão arterial na infância e adolescência. Manual de orientação. Abril. 2019 3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Linfonodomegalia periférica na criança e no ado- lescente: quando pensar em câncer. Julho. 2019. 4. University of Wisconsin-Madison. Departmente of Pediatrics. AOM images. https:// www.pediatrics.wisc.edu/education/acute-otitis-media/exercises/images/ Escrito por Larissa Meirelles sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. Sanar Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770 6.3. Pressã 6.4. Frequê 6.5. Frequê 7.3. Ouvido 7.4. Boca e faringe 7.6. Coraçã 7.7. Abdome 7.8. Sistema musculoesquelé 7.9. Genitá 1. SEMIOLOGIA DA CRIANÇA 2. EXAME FÍSICO DA CRIANÇA 3. EXAME FÍSICO DO LACTENTE 4. EXAME FÍSICO DO PRÉ-ESCOLAR 5. EXAME FÍSICO DO ESCOLAR 6. TÉCNICAS DE EXAME 7. EXAME FÍSICO 8. CONCLUSÃO REFERÊNCIAS