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História da Alimentação Aula 06 A transformação do processo de consumo de alimentos e do perfil nutricional Popkin (2006) Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos Primeira fase: começa com a sociedade de caçadores-coletores, em que se incluem plantas e animais com baixo teor de gordura e uma dieta muito variada. Os seres humanos apresentavam um pouco de deficiência nutricional; foram robustas e magras, mas tiveram muitas doenças infecciosas sem epidemias em uma população de jovens morando em áreas “rurais”. Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos Na segunda fase ou estágio de escassez: a dieta ficou menos variada, e os cereais predominavam, levando ao início de armazenamento de comida em uma economia de agricultura e monocultura. A população ainda vivia predominantemente em áreas rurais, mas já existiam algumas cidades com população considerável. A deficiência nutricional e epidemias começaram a surgir nesse estágio, e por consequência a população começou a apresentar poucos idosos e uma alta taxa de mortalidade. Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos O terceiro estágio: redução da fome quando há incrementos na renda - segunda revolução da agricultura e industrialização O consumo de mais frutas, vegetais e proteínas de animais resultou na redução da taxa de mortalidade, o que consequentemente elevou o número de idosos. Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos O terceiro estágio: redução da fome quando há incrementos na renda - segunda revolução da agricultura e industrialização Mais mulheres juntaram-se à força de trabalho e houve a migração das pessoas do campo para as cidades – início da construção de megacidades – e imigrações internacionais, além do aumento da produção de alimentos processados, consequência do emprego de novas técnicas no processo de produção de alimentos. Pronto tão RAPIDAMENTE.... e tem um gosto tão BOM Tão NUTRITIVO quanto FÁCIL! Refeições para proteger/salvar esposas “não ficar irritado pois tendo esses dois tipos de produtos é possível consertar qualquer refeição” Nada de cozinhar! Até as crianças podem fazer isso para você no último minuto! Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos Quarta fase: problema de obesidade, doenças crônicas de coração e outras, como câncer, além de aumentar a taxa de mortalidade dos idosos. A economia passou a ser formada por atividades que desempenhavam menos força física e maior mecanização do setor de serviços. A renda aumentou em grandes quantidades, e a população nessa fase se concentrava mais em áreas urbanas e menos em áreas rurais. Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos No último estágio, há uma mudança no comportamento das pessoas em relação ao consumo de alimentos, o que começa a inverter as tendências negativas dos primeiros estágios. Houve um crescimento da preocupação com melhora da qualidade de vida, o que influenciou a queda do número de doenças associadas com os estágios anteriores. Principais estágios do desenvolvimento histórico na transição de alimentos Estamos nesse estágio? Sobre o perfil corporal da população brasileira e como os padrões alimentares o influenciou Século 19 - 1801 a 1900 Têm-se poucas evidências a respeito da situação nutricional da população brasileira. Uma publicação (1865) dos Annaes Brazilienses de Medicina do Manoel da Gama Lobo chamada “Da oftalmia brasiliana” associava este quadro a uma doença carencial (hoje reconhecida como hipovitaminose A); Raimundo Nina Rodrigues - “O regime alimentar do Norte do Brasil” (1881), falava sobre as deficiências provocadas pelo regime alimentar à base de farinha de mandioca, habitual na região do Maranhão; Rodolfo Marcos Teófilo traz três estudos (1880 e 1890) que discutiam a alimentação (principalmente as carências alimentares) do povo brasileiro da época. Século 20 - 1901 a 2000 Houve políticas mais embasadas que resultaram em um diagnóstico confiável 1932 – Josué de Castro realiza pesquisa “As condições de vida das classes operárias no Nordeste”. 1940 - Serviço de Alimentação da Previdência Social – o SAPS 1943 - a Conferência de Alimentação de Hot Springs - foi definida a criação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – Food and Agriculture Organization (FAO) 1945 - Comissão Nacional de Alimentação (CNA) (estudos e propor as normas da política nacional de alimentação); Século 20 - 1901 a 2000 1946 - Josué de Castro publicou o livro “Geografia da fome”. Geografia da fome: o autor distribui o Brasil em áreas de acordo com a gravidade da fome observada, assim o país seria dividido em cinco diferentes áreas alimentares Século 20 - 1901 a 2000 Geografia da fome Objetivo: realizar uma sondagem sobre o fenômeno da fome no Brasil, orientado pelos princípios geográficos da localização, extensão, causalidade, correlação e unidade terrestre. Informações: Vasconcelos, FAG. Josué de Castro e a Geografia da Fome no Brasil. Cad. Saúde Pública vol.24 no.11 Rio de Janeiro Nov. 2008 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001100027 Século 20 - 1901 a 2000 Geografia da fome Século 20 - 1901 a 2000 a Área Amazônica Predominância da cultura indígena sobre os brancos portugueses e negros africanos; Fauna aquática e terrestre; Frutos regionais; Conclusão do autor: “uma alimentação pouco trabalhada e atraente e que sua análise biológica e química revelava inúmeras deficiências nutritivas” Século 20 - 1901 a 2000 a Área Amazônica área de fome endêmica uma determinada área geográfica em que pelo menos metade da população apresenta nítidas manifestações de carências nutricionais permanentes. Século 20 - 1901 a 2000 a Área Amazônica Carências proteicas, de vitamina B2; de ferro e de cloreto de sódio. "a preguiça dos povos equatoriais é um meio de defesa ou sobrevivência, funcionando como um sinal de alarme numa caldeira que diminui a intensidade de suas combustões, quando lhe falta o combustível". Século 20 - 1901 a 2000 2) o Nordeste Açucareiro ou Zona da Mata Nordestina; inter-relação das culturas alimentares dos indígenas, dos portugueses e de africanos. Destacam-se alimentos marinhos, o coco e o caju. Tabus alimentares da região, sobretudo em relação ao consumo de frutas como manga, jaca, abacaxi, melancia, abacate, laranja, entre outras. Século 20 - 1901 a 2000 2) o Nordeste Açucareiro ou Zona da Mata Nordestina carências calóricas, de vitaminas A, B1 e B2 e dos minerais ferro e cloreto de sódio. Em relação às carências minerais, a deficiência de ferro (anemia alimentar) como a manifestação endêmica mais generalizada, seria responsável pelo estereótipo de palidez, apatia e depressão física do habitante do brejo - o Jeca-Tatu Nordestino. Século 20 - 1901 a 2000 3) Sertão Nordestino áreas de fome epidêmica uma determinada área geográfica em que pelo menos metade da população apresenta nítidas manifestações nutricionais transitórias. Século 20 - 1901 a 2000 3) Sertão Nordestino influência cultural colonial (árabe-portuguesa), sendo o mais isento das influências das culturas dos índios e negros. Século 20 - 1901 a 2000 3) Sertão Nordestino Destaque para milho associado ao do leite (“combinação nutricional muito feliz”). "É esta mesma parcimônia calórica, sem margens a luxo, que faz do sertanejo um tipo magro e anguloso, de carnes enxutas, sem arredondamentos de tecidos adiposos e sem nenhuma predisposição ao artritismo, à obesidade e ao diabetes, doenças essas provocadas, muitas vezes, por excesso alimentar" (p. 207). Século 20 - 1901 a 2000 3) Sertão Nordestino cíclicas dos períodos de seca e consumo de "iguarias bárbaras" do sertão: raízes, sementes, frutos e animais resistentesà seca. "Quando o sertanejo lança mão destes alimentos exóticos é que o martírio da seca já vai longe e que sua miséria já atingiu os limites de sua resistência orgânica. É a última etapa de sua permanência na terra desolada, antes de se fazer retirante e descer aos magotes, em busca de outras terras menos castigadas pela inclemência do clima". Século 20 - 1901 a 2000 3) Sertão Nordestino Eram epidemias de fome global quantitativa e qualitativa. Carências proteicas, de vitaminas A, B1, B2, C e niacina e dos minerais cálcio, ferro e cloreto de sódio. Carência de iodo (bócio). Século 20 - 1901 a 2000 4) Centro-Oeste Dieta de "alto valor calórico“ mas ganha valor biológico a partir do consumo associado de vegetais verdes; Não havia deficiência calórica na região, pelo contrário, deveria haver excesso calórico. Século 20 - 1901 a 2000 4) Centro-Oeste Concluiu sua análise de forma um tanto preconceituosa: "maior incidência da obesidade e do diabete, e na formação do tipo biológico dos mineiros lentos e pesados, conservadores e pachorrentos" (p. 267). Século 20 - 1901 a 2000 4) Centro-Oeste áreas de subnutrição área geográfica em que os desequilíbrios e as carências alimentares, sejam em suas formas discretas ou manifestas, atingem grupos reduzidos da população. A única forma endêmica descrita foi a carência de iodo (bócio endêmico). Século 20 - 1901 a 2000 5) Extremo-Sul À época a área mais rica e de maior desenvolvimento foi considerada a região de maior variedade alimentar; Alto consumo de verduras e frutas; Fatores econômicos e geográficos (clima, solo, pluviosidade etc.) As distintas etnias que migraram para a região, compostas por italianos, japoneses, alemães, poloneses, lituanos, entre outros, em muito contribuíram para a constituição do seu diversificado mosaico alimentar. Século 20 - 1901 a 2000 5) Extremo-Sul Alerta para o aumento da incidência da carência de proteínas, entre crianças das classes pobres e proletárias dos grandes centros urbanos da região, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Século 20 - 1901 a 2000 Nenhum plano de desenvolvimento é válido, se não conduzir em prazo razoável à melhoria das condições de alimentação do povo, para que, livre do peso esmagador da fome, possa este povo produzir em níveis que conduzam ao verdadeiro desenvolvimento econômico equilibrado, daí a importância da meta “Alimentos para o povo”, ou seja, “a libertação da fome”. (Josué de Castro) Século 20 - 1901 a 2000 Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF) Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) Século 20 - 1901 a 2000 Século 21 - 2001 - Dados de consumo e aquisição de alimentos disponíveis através do IBGE pelas publicações da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares). Avalia as estruturas de consumo, de gastos, de rendimentos e parte da variação patrimonial das famílias, oferecendo um perfil das condições de vida da população a partir da análise dos orçamentos domésticos. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/protecao-social/19877-2002-2003.html?edicao=10569&t=o-que-e Início de pesquisas mais estruturadas para a análise do perfil nutricional; Século 21 – 2001 - POF 2002-2003 POF 2008-2009 POF 2017-2018 Século 21 Século 21 - 2001 - https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50063.pdf Dados de consumo alimentar Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - Século 21 - 2001 - http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atlas_situacao_alimentar_nutricional_populacao_adulta.pdf Século 21 - 2001 - Qual a região com maior número de pessoas eutroficas? image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.jpeg image8.jpg image9.jpg image10.png image11.png image12.png image13.jpg image14.jpg image15.jpg image16.png image17.png image18.jpg image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image1.png