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TERMODINÂMICA Pollianna Jesus de Paiva Mendes Godoi Energia e transferência de energia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Listar as formas de energia. � Identificar as formas de transferência de energia. � Explicar a primeira lei da termodinâmica. Introdução Neste capítulo, você vai estudar a energia, grandeza física muito utili- zada na engenharia para o funcionamento de diversos equipamentos, ferramentas e máquinas. A energia é a capacidade de algo realizar um trabalho e pode ser transitória ou permanente. A energia transitória é o calor, a energia mecânica, o trabalho, entre outros e a energia permanente é a potencial, a interna, entre outras. Neste capítulo, você aprenderá conceitos básicos sobre energia e tipos e formas de transferência de energia, conceitos importantes para a engenharia. Formas de energia A energia é a capacidade de um corpo ou objeto para realizar trabalho e produzir força. No caso da engenharia, pode ser a ação de motores em equipamentos de forma a modificar a sua potencialidade. Existem várias formas de energia, como térmica, mecânica, cinética, potencial, elétrica, magnética, química e nuclear (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). Essas formas de energia estão presentes na natureza, em corpos e em diversos aparelhos fabricados pelo homem. Energia cinética Energia cinética é a energia que um corpo tem para se movimentar, isto é, o trabalho que determinado corpo ou objeto apresenta ao acelerar-se. De acordo com Çengel e Boles (2013), a energia macroscópica de um sistema está relacionada ao movimento e à influência de alguns efeitos externos como gravidade, magnetismo, eletricidade e tensão superficial. A energia que um sistema tem como resultado de seu movimento relativo a algum referencial é chamada de energia cinética em kJ. Quando todas as partes de um sistema se movem com a mesma velocidade, a energia cinética é expressa como: Onde m é a massa do corpo e V é a velocidade. Energia potencial Energia potencial é a energia armazenada em um sistema, por meio da inte- ração de corpos. Porém, esse armazenamento se dá pela associação do corpo ao sistema físico, conforme as forças do peso e elástica. Energia potencial gravitacional é a energia do corpo sob influência de campo gravitacional, que é medido por meio do trabalho pelo peso do corpo, considerando a locomoção da posição inicial até a posição final. Energia potencial elástica está armazenada a partir da deformação de um elástico cuja deformação pode gerar um movimento de impulsão em um corpo. Conforme dizem Çengel e Boles (2013), a energia que um sistema apresenta como resultado de sua altura em um campo gravitacional é chamada de energia potencial em kJ, e é expressa como: EP = mgz Onde g é a aceleração gravitacional e z é a elevação do centro de gravidade do sistema com relação a algum nível de referência escolhido arbitrariamente. Energia e transferência de energia2 Energia interna Energia interna é a soma da energia cinética e potencial das moléculas. As formas de energia relacionadas com a estrutura molecular de um sistema e com o grau de atividade molecular são chamadas de energia microscópica. A soma de todas as formas microscópicas de energia é denominada energia interna do sistema (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). A energia interna pode ser entendida como a soma das energias cinética e potencial das moléculas. A parte da energia interna associada com a energia cinética das moléculas é denominada energia sensível ou calor sensível. A velocidade média e o grau de atividade das moléculas são proporcionais à temperatura. Assim, em altas temperaturas, as moléculas têm energia cinética alta e, consequentemente, o sistema apresenta alta energia interna (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). A energia interna é também associada com as forças intermoleculares entre as moléculas de um sistema. Essas forças ligam as moléculas umas às outras e, como previsto, são mais fortes em sólidos e mais fracas em gases. Se energia suficiente for adicionada às moléculas de um sólido ou líquido, ela romperá essas forças moleculares e transformará o sistema em gás. Tal processo é denominado mudança de fase e, por causa dessa energia adicionada, o sistema na fase gasosa tem um nível de energia interna maior que na fase sólida ou líquida. A energia interna associada com a fase de um sistema é chamada de energia latente ou calor latente (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). A energia interna, a pressão e a temperatura são propriedades de suma importância. Toda substância tem energia interna; se há atividade molecular, há energia interna (POTTER; SOMERTON, 2017). Energia mecânica Energia mecânica está relacionada à capacidade de determinado corpo gerar trabalho, por meio de força. A energia mecânica pode ser definida como a forma de energia que pode ser convertida completa e diretamente em trabalho mecânico por um dispositivo mecânico ideal, como uma turbina ideal. As energias cinéticas e potencial são as formas conhecidas de energia mecânica. Entretanto, energia térmica não é energia mecânica, uma vez que não pode ser convertida direta e completamente em trabalho (a segunda lei da termo- dinâmica) (ÇENGEL; BOLES, 2013). 3Energia e transferência de energia Assim, a energia mecânica de um fluido em escoamento pode ser expressa por unidade de massa como: Onde P/ρ é a energia de pressão, V ²/2 é a energia cinética e gz é a energia potencial do fluido, todas por unidade de massa. Energia total Segundo Çengel e Boles (2013), a soma de todas as formas de energia constitui a energia total E de um sistema. A energia total de um sistema com base em uma unidade de massa é indicada por e (kJ/kg). Ela pode ser expressa como: Onde E é a soma das formas de energia do sistema e m é a massa. Segundo Çengel e Boles (2013), os efeitos magnéticos, elétricos e de tensão superficial são significativos apenas em alguns casos específicos e, geralmente, ignorados. Na falta de tais efeitos, a energia total de um sistema consiste nas energias cinética, potencial e interna, e é expressa como: Onde U é a energia interna, EC é a energia cinética e EP é a energia potencial. Energia e transferência de energia4 O calor latente, citado em energia interna, é a quantidade de energia a ser transferida na forma de calor para uma substância mantida sob pressão constante visando à mudança de fase. O calor latente de fusão ou vaporização é a quantidade de energia gasta pela massa. A variação da energia está relacionada ao calor latente, pois quanto maior for, maior será a variação da energia resultante da modificação do arranjo molecular do corpo. Formas de transferência de energia Transferência de energia por calor O calor é uma forma de energia de determinado corpo e pode ser transferido quando corpos estão em contato um com o outro. É definido como a forma de energia que pode ser transferida de um sistema para outro em consequência da diferença de temperatura entre eles. A ciência que estuda as taxas de transfe- rência do calor é chamada transferência de calor (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). Os três mecanismos básicos de transferência de calor são condução, convec- ção e radiação, e discutimos o conceito de condutividade térmica. Condução é a transferência de energia resultante da interação de partículas de maior energia de uma substância com partículas adjacentes de menor energia. Con- vecção é o modo de transferência de calor entre uma superfície sólida e um líquido ou gás adjacente que está em movimento, e esse processo envolve os efeitos combinados de condução e movimento do fluido. Radiação é a energia emitida pela matéria em forma de ondas eletromagnéticas (ou fótons), como resultado das mudanças nas configurações eletrônicas de átomos ou moléculas (ÇENGEL; GHAJAR, 2012). Segundo Çengel e Boles (2013), a transferência de calor (kJ/kg) por unidade de massa de um sistema é indicada por q e é determinada por: 5Energia e transferência de energiaTransferência de energia por trabalho e formas de trabalho O trabalho, assim como o calor, é uma interação de energia entre um sistema e sua vizinhança. A energia pode atravessar a fronteira de um sistema fechado na forma de calor ou de trabalho. Assim, se a energia que cruza a fronteira de um sistema fechado não é calor, ela deve ser trabalho. O calor é fácil de reconhecer: sua força motriz é uma diferença de temperatura entre o sistema e sua vizinhança. Podemos simplesmente dizer que o trabalho é uma interação de energia que não é causada por uma diferença de temperatura entre um sistema e sua vizinhança. Mais especificamente, o trabalho é a transferência de energia associada a uma força que age ao longo de uma distância. Um pistão em ascensão, um eixo em rotação e um fio elétrico que atravessa as fronteiras do sistema estão associados a interações de trabalho (ÇENGEL; BOLES, 2013). Segundo Çengel e Boles (2013), o trabalho realizado por unidade de massa de um sistema é indicado por w (kJ/kg) e expresso como: A palavra trabalho é tão ampla que é preciso ser muito específico na sua definição técnica. Ela precisa incluir, por exemplo, o trabalho realizado pela expansão dos gases de descarga após a combustão ocorrer no cilindro de um motor automobilístico. A energia liberada durante o processo de combustão é transferida para o virabrequim (Figura 1) por meio da haste conectora na forma de trabalho. Assim, o trabalho pode ser considerado uma transferência de energia pela fronteira de um sistema, sendo o sistema os gases no cilindro (POTTER; SOMERTON, 2017). O trabalho, designado por W, costuma ser definido como o produto de uma força pela distância de deslocamento na direção da força. Essa é uma definição mecânica de trabalho. Uma definição mais geral é a definição termodinâmica: trabalho é uma interação entre um sistema e sua vizinhança; é realizado por um sistema se o único efeito externo sobre a vizinhança for, por exemplo, a elevação de um peso. A magnitude do trabalho é o produto do peso pela distância que poderia ser erguido (POTTER; SOMERTON, 2017). Energia e transferência de energia6 Figura 1. Virabrequim. Fonte: Dezay/Shutterstock.com. Primeira lei da termodinâmica A primeira lei da termodinâmica, também conhecida como princípio da conser- vação de energia, estabelece que a energia não pode ser criada nem destruída durante um processo; pode apenas mudar de forma. Assim, toda quantidade de energia deve ser computada durante um processo. O princípio da conservação de energia (ou balanço de energia) para qualquer sistema sofrendo qualquer processo pode ser expresso da seguinte maneira: a variação líquida (aumento ou diminuição) na energia total de um sistema durante um processo é igual à diferença entre a energia total recebida e a energia total rejeitada pelo sistema durante o processo. Segundo Çengel e Ghajar (2012): Eent (energia total na entrada do sistema) - Esai (energia total na saída do sistema) = ΔEsistema (mudança de energia total no sistema) Segundo Çengel e Ghajar (2012), a energia pode ser transferida para ou do sistema por meio de calor, trabalho e fluxo de massa; a energia total de um sistema simples e compressível é a soma das energias interna, cinética e potencial e o balanço de energia para qualquer sistema sofrendo qualquer processo. 7Energia e transferência de energia Em disciplinas de física básica, o estudo da conservação de energia enfatiza as mudanças em energia cinética e potencial e sua relação com o trabalho. Uma forma mais geral de conservação de energia inclui os efeitos da transferência de calor e as mudanças na energia interna. Essa forma mais geral normalmente é chamada de primeira lei da termodinâmica. Outras formas de energia, como eletrostática, magnética, tensão e superfície, também podem ser incluídas (POTTER; SOMERTON, 2017). Eficiência de conversão de energia Representada pelo símbolo η, a eficiência de conservação de energia é a razão entre a saída útil e a entrada da máquina de conversão de energia. Ela depende da utilidade da saída. Parte do calor ou o completo calor produzido pela queima de um fluido pode ser rejeitado pelo calor residual, isso ocorre se o trabalho for a saída almejada em um ciclo termodinâmico. Em um conversor de energia acontece a transformação de energia, em que a eficiência é considerada um termo técnico ou físico. Por meio do link a seguir, você pode acessar o vídeo que fala sobre a primeira lei da termodinâmica, para melhor entendimento. https://qrgo.page.link/sc8dT Sobre a conversão de energia, o carro converte energia química do fluido e do oxigênio no motor em energia mecânica do movimento do motor. A lâmpada converte a energia química para a radiação eletromagnética (luz). Os moinhos de vento convertem a energia do vento em energia mecânica, ao movimentar a turbina, e, em seguida, em energia elétrica. Energia e transferência de energia8 ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. ÇENGEL, Y. A.; GHAJAR, A. J. Transferência de calor e massa: uma abordagem prática. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. POTTER, M. C.; SOMERTON, C. W. Termodinâmica para engenheiros. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017. (Coleção Schaum). Leituras recomendadas ENERGIA cinética. [S. l.: s. n.], 2017. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal Responde aí. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DpwdATCXoGk. Acesso em: 28 jun. 2019. FÍSICA: termologia: transferência de calor. [S. l.: s. n.], 2017. 1 vídeo (19 min). Publicado pelo canal Aula de. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jWqS9OpFjuA. Acesso em: 28 jun. 2019. IENO, G.; NEGRO, L. Termodinâmica. São Paulo: Pearson, 2006. MORAN, M. J. et al. Princípios de termodinâmica para engenheiros. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. NETZ, P. A.; ORTEGA, G. G. Fundamentos de físico-química. Porto Alegre: Artmed, 2014. PRIMEIRA lei da termodinâmica. [S. l.: s. n.], 2013. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal Kuadro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JNrvOgn205w. Acesso em: 28 jun. 2019. SEARS, F. et al. Física: termodinâmica e ondas. 10.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. v. 2. WYLEN, G. V.; SONNTAG, R.; BORGNAKKE, C. Fundamentos da termodinâmica clássica. 4. ed. São Paulo: Bluncher, 1995. 9Energia e transferência de energia