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Prova de Microbiologia Médica
Rafaela Fonseca de Carvalho 
118053212
1 - Ao detectar uma ferida infeccionada na sua pele, você resolve abrir o armário de remédios da cozinha de casa e se automedicar com antimicrobianos. Uma caixa de metronidazol e outra de clindamicina estavam disponíveis, e sem hesitar você toma essas drogas por 3 dias. A infecção na pele passou, mas você ficou com uma diarreia severa. Responda: Você acredita que existe uma correlação entre o uso dos antimicrobianos e a diarreia? Como você explicaria essa correlação?
O uso desses antibióticos de forma indevida pode causar a morte de bactérias da nossa microbiota, causando um desequilíbrio nas populações do nosso trato gastrointestinal. Em contra partida, o uso irresponsável de antibióticos também irá causar a seleção de cepas resistentes aos mesmos. A nossa microbiota é populada por bactérias que normalmente não apresentam risco a nossa saúde, porém em situações de disbiose, o microambiente criado é afetado uma vez que o consorcio de bactérias se autorregula, produzindo antibióticos, bacteriocinas próprias e oferecendo uma competição por nutrientes que impede o crescimento exacerbado umas das outras. Além disso, nossa microbiota apresenta também uma grande resistência a adesão de bactérias exógenas ao nosso organismo
Uma bactéria que é regulada pela microbiota e cuja infecção é muito atrelada ao uso de antibióticos é a Clostridium difficile, que possui caráter oportunista, se aproveitando da disbiose causada pelo uso de antibióticos e aderindo à mucosa do trato intestinas, produzidn enterotoxinas e enzimas hidrolíticas. A presença de enterotoxinas induz um processo pró inflamatório, aumentando a permeabilidade do tecido com ajuda das enzimas hidrolíticas que desfazem as tight junctions do tecido, levando ao quadro de colite pseudomembranosa, com indução de uma diarreia aquosa. 
Portanto sim, acredito que existe a correlação entre o uso do antibiótico e a diarreia.
2 - Se você fosse um bioterrorista e tivesse a intenção de criar um novo patógeno bacteriano, que fatores de patogenicidade você incluiria nessa bactéria? Escolha pelo menos dois e explique como esses fatores funcionariam no hospedeiro e que tipo de sintomas você espera observar.
O primeiro fator de patogenicidade incluído seria seu potencial de transmissão via aerossol, por ser uma forma rápida de infecção de um numero grande de pessoas. 
O segundo fator seria a produção de neurotoxinas que bloqueiem a liberação de acetilcolina na junção nervo-musculo. Esse fator funciona se ligando a membrana pré sináptica dos neurônios motores na junção neuro-muscular, bloqueando a liberação de acetilcolina e impedindo a contração do musculo, causando a paralisia flácida e levando a morte. 
Por não ter certeza se o primeiro fator conta como fator de patogenicidade (mesmo que se eu fosse uma bioterrorista esse seria o ponto de maior relevância, ao meu ver) vou acrescentar mais um fator. 
Outro fator seria a inibição de respostas inflamatórias pelas células hospedeiras, onde se é inibido os recrutamentos das células do sistema imune pela inativação da via MAPK pela produção de IpaH, OspG e OspF, o que poderia reduzir a apresentação dos sintomas no hospedeiro, facilitando a disseminação do patógeno no organismo e possivelmente entre a população dependendo das características de disseminação do patógenos entre hospedeiros. 
3 - As micobactérias apresentam uma estrutura de parede celular singular. Apesar da baixa sensibilidade, o método baseado na coloração de Ziehl-Neelsen é o mais utilizado na baciloscopia. No entanto, a identificação deve ser através da cultura e outros métodos de identificação definitiva. Analisando as particularidades do gênero Mycobacterium, o que você considera como desafios para o diagnóstico e tratamento das infecções causadas por micobactérias?
Os desafios quanto ao diagnóstico estão atrelados a grande semelhança entre as diferentes espécies de micobactéria, o que dificulta a determinação do patógeno. Métodos mais exatos (apesar de ainda estarem suscetíveis a erros pela proximidade genética e de perfil cromatográfico entre algumas espécies) tendem a ser custosos e pouco acessíveis. 
O tratamento dessas micobactérias é complicado devido a sua alta resistência a antibióticos e produção de biofilme que aumenta sua sobrevivência no meio e no hospedeiro, protegendo-as de ações do sistema imune e de tratamentos. Devido a essas dificuldades impostas pelo microrganismo, o tratamento tende a ser longo, podendo demorar mais de um ano, o que apresenta mais um dificultante uma vez que muitos descontinuam o tratamento com o desaparecimento dos sintomas, levando ao aumento da resistência bacteriana e o retorno eventual da doença.
4 - Um paciente adulto, homem, de 25 anos, apresentou diarréia por 3 dias, com febre intensa, após almoçar em um restaurante indiano. Na requisição, o médico pediu um exame de coprocultura, alegando suspeita de infecção intestinal. a) Na análise dos meios, não foram observadas colônias características patogênicas na cultura primaria, entretanto, a cultura enriquecida em selenito gerou placas de HE com colônias enegrecidas. Qual o possível agente etiológico descrito e quais outros testes são necessários para confirmar o diagnóstico? Justifique suas escolhas com base nas características do microrganismo. b) Na sua opinião, a presença do histórico alimentar do paciente pode enviesar o analista? Se sim, quais as vantagens de se ter o histórico? Se não, quais as desvantagens de não se ter o histórico?
a) Se trata da Salmonella uma vez que as colônias se tornam pretas devido a liberação de H2S como produto da fermentação de lactose realizada pela bactéria no meio enriquecido. Para confirmar o diagnóstico deve-se realizar o teste de gram, verificando se é negativo, e analisar a morfologia celular, verificando se são bacilos curtos. Devem ser realizados outros testes bioquímicos, verificando se ocorrem a fermentação de glicose, produção de gás, e produção de enzimas catalase positivo, oxidase negativo e redução de nitrato em nitrito,
b) Os sintomas da salmonela são semelhantes aos de diversas outras enterobactérias, sendo normalmente autolimitados e facilmente tratados com reposição de líquidos e eletrólitos. Os alimentos que comumente estão associados à salmonela são alimentos que fazem base da dieta comum humana e que também estão associado a outras enterobactérias– frango, carne bovina, ovo, leite, queijos, etc. – sendo assim, eu acredito que seja importante o histórico alimentar do paciente mais por questões sanitárias, no que desrespeito a notificar as autoridades sanitárias caso o paciente tenha consumido algum possível foco de salmonela no restaurante em questão, de forma que verifiquem se o restaurante está seguindo as normas sanitárias. Porém do ponto de vista diagnóstico, o método de testagem tende a ser bastante eficaz e o paciente não apresenta nenhum sintoma relativamente grave. 
5 - A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) de um hospital determinou que todos os pacientes internados por mais de 4 dias, ou que estão se recuperando de um procedimento cirúrgico precisam ser submetidos a culturas e exames de sangue a cada 2 dias. Na sua opinião, esse procedimento ajuda a controlar infecções hospitalares? Que tipos de infecções hospitalares podem ser encontradas com esses exames? Quais outros procedimentos podem ser instaurados para o melhor controle das infecções hospitalares?
Caso o paciente já tenha algum cateter disponível para retirada rápida de sangue sem necessitar realizar a introdução de novas agulhas, pode ser uma forma de se verificar infecções. Porém a quebra da pele para retirada repetida de sangue sem a devida justificativa pode apresentar mais um canal de entrada para microrganismos por acesso venoso, podendo apresentar um risco ao paciente de adquirir uma infecção. 
Por esses exames pode-se encontrar infecções do tipo Infecção sanguínea associada a linha central, Infecções associadas a sítios cirúrgicose, uma vez que pacientes de cirurgia tendem a ser tratados preventivamente com antibióticos, Infecções por Clostridioides difficile.
Acredito que a implementação rígida de procedimentos de higienização antes, durante e no pós cirúrgico assim como um acompanhamento apropriado do paciente, garantindo também um ambiente sem estresse e com boa nutrição para a recuperação do paciente sejam formas de prevenir e evitar a disseminação das infecções, assim como maior cuidado no uso indiscriminado de antibióticos para evitar aumento na resistência dos patógenos já existentes. 
6 - Como é o funcionamento do principal fator de virulência de Vibrio cholerae, a toxina colérica? Como você trataria um paciente acometido com um caso grave de cólera?
A toxina colérica possui uma subunidade A, de atividade catalítica, e 5 subunidade B, responsáveis pela ligação da toxina ao seu alvo (receptor GM1) nas células epiteliais do intestino e pela internalização da subunidade A. Após a sua internalização a subunidade A ativa a adenilatociclase, passando a produzir proteína G, que por sua vez age ativando a denilato ciclase. Assim, o ATP é transformado em AMPciclico, abrindo canais de água, cloro, bicarbonato e potássio na membrana da célula, causando a perda desses componentes, e inibindo a absorção de potássio pelas células. Isso resulta na perda excessiva de água e eletrólitos. 
A primeira e mais importante etapa do tratamento de um caso grave de cólera é a reposição imediata de eletrólitos e fluidos. A suplementação de zinco tem sido usada como forma de otimizar essa reposição. Em casos graves, deve-se iniciar também o tratamento com antibióticos, usando Azitromicina ou doxiciclina ou ciprofloxacina.
7 - A penicilina é um antimicrobiano efetivo contra o Treponema pallidum. Apesar disso, alguns pacientes infectados desenvolvem sequelas de estágio terciário. Na sua opinão, por que isso acontece?
Apesar de facilmente tratada, muitos paciente não tratam a sífilis em seu estágio primário, uma vez que o sintoma inicial denominado Cancro Duro é indolor e pode passar desapercebido e desaparece relativamente rápido, de forma que muitos não buscam ajuda profissional por sentirem uma falsa sensação de cura. 
Uma vez que a fase primária não é tratada, a doença entra em sua fase latente, que culmina na fase secundária, que é uma doença de sintomas que se assemelham a diversas outras doenças, e nem sempre é identificada como sífilis, os sintomas também desaparecem subitamente dando mais uma vez a impressão de uma falsa cura.
Assim, é possível que a fase primária e secundária passe desapercebida, levando a disseminação generalizada do microrganismo pelo sistema. Caso o microrganismo venha a sair da fase latente, entrando na terceira fase da doença, ela acomete sistemas muito delicados, gerando lesões irreversíveis que podem ocasionar em aneurismas cardiovasculares no caso da sífilis cardiovascular; AVC, demência e perda motora, no caso da neurosífilis; Juntas de Charcot, que é uma deformidade articular e juntas de clutton, que são efusçoes bilaterais do joelho.
Essa terceira etapa também é facilmente tratada com penicilina G, porém seus danos são graves e mesmo curado da sífilis, o paciente carregará as sequelas pelo resto da vida. 
8 - Furúnculo é uma infecção de pele, que se inicia nos folículos pilosos e glândulas sebáceas. Essa infecção é comumente causado pela bactéria Staphylococcus aureus. Jamais devemos espremer o furúnculo, porque isso pode ter consequências graves para a saúde. a) Quais são essas consequências graves? b) Quais estruturas na célula estafilocócica protegem a bactéria da fagocitose?
a)Quando se espreme um furúnculo, pode-se expor vasos e facilitar a entrada das bactérias a corrente sanguínea.
b) Capsula e presença da proteína A associada a superfície bacteriana
9 - Quais são as opções de diagnóstico de Helicobacter pylori para pacientes cardiopatas graves que não podem fazer endoscopia com biópsia?
Pode ser feito o diagnóstico por PCR a partir de material obtido das fezes, porém é um método pouco indicado uma vez que é um material muito contaminado. 
Pode ser realizado o teste respiratório para urease, avaliando uma amostra respiratória coletada em um balão, após ingestão de cápsulas de ureia C14. 
Pode ser realizado também uma analise imunológica, onde se busca detectar anticorpos específicos a bactéria por um teste ELISA do sangue do paciente.
10 - Um swab de orofaringe de um paciente com dores e vermelhidão na garganta foi semeado em agar sangue e agar manitol salgado. Como resultado, observamos no Agar Sangue colônias pequenas, brancas e arredondadas com um halo de hemólise ao redor. No Agar Manitol Salgado não foi detectado crescimento. Na coloração de Gram das colônias foi observado a presença de cocos gram positivos. Qual seria o diagnóstico provável, e que testes você faria para confirmar a espécie do microrganismo?
Se trata de um uma Estreptococos Beta hemolítico.
Para determinar a espécie pode-se realizar testes para identificação presuntiva, como Teste da Bacitracina (se não for resistente é o S. puoginos), Teste do CAMP (se positivo S. agalactiae) , Teste do Pirrolidonil Arilamidase (PYR – se positivo, grupo A) e o Teste de Sensibilidade a Optoquina (S. pneumoniae é sensível). Caso seja possível, pode-se realizar a identificação definitiva por sorologia.

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