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Indaial – 2019
Políticas de informação
Profª. Daniella Camara Pizarro
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Profª. Daniella Camara Pizarro
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
P695p
 Pizarro, Daniella Camara
 Políticas de informação. / Daniella Camara Pizarro. – Indaial:
UNIASSELVI, 2019.
 180 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0401-7
 1. Políticas públicas de informação. - Brasil. II. Centro Universitário 
Leonardo Da Vinci.
CDD 020
III
aPresentação
Prezado acadêmico, seja bem-vindo!
É uma satisfação estar aqui para refletirmos sobre este importante 
elemento curricular de sua formação acadêmica e profissional. Este livro 
didático, direcionado à disciplina de “Políticas de Informação”, pretende 
proporcionar a você conhecimentos obrigatórios presentes na ementa desta 
referida disciplina. 
Para facilitar nossa caminhada, vamos trabalhar esses conteúdos 
reagrupados e inter-relacionados de forma coerente em três unidades. 
Na Unidade 1, vamos compreender o que significa o desenvolvimento de 
coleções, bem como refletir algumas questões: por que, para quem, onde 
e como desenvolvemos coleções. E, por fim, compreender a finalidade da 
Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções. 
Na Unidade 2, vamos estudar os aspectos sociais, políticos e análise 
de políticas públicas, seguido da contextualização de políticas públicas 
culturais. 
Na Unidade 3, abordaremos as políticas públicas de informação no 
cenário nacional, as políticas públicas do livro, leitura e bibliotecas no país. 
E, por fim, as políticas públicas relacionadas às minorias sociais, como, por 
exemplo, os idosos e as populações de origem africana.
Sugerimos a leitura atenta de cada unidade deste livro didático, bem 
como após cada leitura, exercite seus conhecimentos por intermédio das 
respostas das autoatividades. Estas foram preparadas visando auxiliar você 
a reforçar e fixar seu aprendizado nesta disciplina. É importante lembrar que 
devemos ter uma boa gestão do tempo de estudo na qual possamos praticar 
uma leitura atenta, calma e que possamos nos concentrar nas reflexões aqui 
propostas. Desejamos um ótimo estudo e que este material possa contribuir 
para a sua formação e para sua prática futura como bibliotecário!
Tudo de bom!
Profª. Daniella Camara Pizarro
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer teu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em tuas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela terás 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar teu crescimento.
Acesse o QR Code, que te levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nessa caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E 
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO ..........................................................1
TÓPICO 1 – O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO ....................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 O QUE SÃO POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO? ...............................................................................3
2.1 TIPOS DE POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO .................................................................................7
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................10
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................11
TÓPICO 2 – PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO ..............................................13
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................13
2 ABORDAGENS SOBRE AS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA CIÊNCIA DA 
INFORMAÇÃO: BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................................14
2.1 O ESTADO INFORMACIONAL E A POLÍTICA DE INFORMAÇÃO ....................................16
2.2 O EXERCÍCIO DA CIDADANIA E A INFORMAÇÃO COMO DIREITO UNIVERSAL 
 DE TODO CIDADÃO .....................................................................................................................18
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................22
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................24
TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE 
INFORMAÇÃO ................................................................................................................27
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................27
2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: O QUE SÃO? ......................................................27
3 POLÍTICA NACIONAL DE INFORMAÇÃO E OS CONCEITOS DE 
 INFRAESTRUTURA DE INFORMAÇÃO E DA “SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO .........30
4 POLÍTICAS PÚBLICAS, MICROPOLÍTICAS E O REGIME DE INFORMAÇÃO .................35
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................40
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................52
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................54UNIDADE 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E 
 CULTURAIS ...................................................................................................................57
TÓPICO 1 – ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS 
 PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS .......59
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................59
2 POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PAPÉIS DO GOVERNO E SEUS ATORES...............................60
3 ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS ............................................................................................63
4 MODELOS TEÓRICOS PARA COMPREENSÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS ..................67
4.1 MODELO SEQUENCIAL OU DO CICLO POLÍTICO (POLICY CICLE) ................................67
sumário
VIII
4.1.1 Metáfora dos fluxos múltiplos (Multiple Streams Framework) ...........................................69
4.1.2 Modelo do equilíbrio interrompido (Punctuated Equilibrium Theory) .............................73
4.1.3 Quadro teórico das coligações de causa ou de interesse (Advocacy Coalition 
 Framework – ACF) ....................................................................................................................75
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................83
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................93
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................95
TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS .........................................................................97
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................97
2 O QUE SÃO POLÍTICAS CULTURAIS? .........................................................................................97
3 POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL ......................................................................99
4 PLANO NACIONAL DE CULTURA (PNC) ..................................................................................102
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................105
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................107
UNIDADE 3 – DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO 
 NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA 
 E PARA BIBLIOTECAS ............................................................................................109
TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL.......111
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................111
2 GOVERNO ELETRÔNICO COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA DE INFORMAÇÃO .......112
3 PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, O LIVRO VERDE E O LIVRO 
 BRANCO ..............................................................................................................................................115
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................120
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................128
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................130
TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
 NO BRASIL ......................................................................................................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133
2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS BIBLIOTECAS NO BRASIL .............................................133
3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: CONHECENDO A POLÍTICA 
 NACIONAL DO LIVRO E O PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA (PNLL) .....138
3.1 EIXO 1 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO...........................................................................140
3.2 EIXO 2 – FOMENTO À LEITURA E À FORMAÇÃO DE MEDIADORES ...........................142
3.3 EIXO 3 – VALORIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA LEITURA E INCREMENTO DO 
 SEU VALOR SIMBÓLICO ............................................................................................................143
3.4 EIXO 4 - DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DO LIVRO..............................................145
3.5 POLÍTICA NACIONAL DE LEITURA E ESCRITA (PNLE) ...................................................146
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................149
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................150
TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: 
CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS POLÍTICAS 
INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO ...........................................153
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................153
2 POLÍTÍCAS PÚBLICAS PARA AS PESSOAS IDOSAS: BREVE 
 CONTEXTUALIZAÇÃO ...................................................................................................................154
IX
2.1 POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO ...........................................................................................158
2.2 ESTATUTO DO IDOSO .................................................................................................................160
2.3 POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA .....................................................160
2.4 PENSANDO O IDOSO E O ACESSO ÀS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO 
 E INFORMAÇÃO (TICs) ..............................................................................................................161
3 POLÍTICAS PÚBLICAS PELA PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL: 
 MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS E A INFLUÊNCIA EM POLÍTICAS PÚBLICAS
 PARA A POPULAÇÃO NEGRA .....................................................................................................163
3.1. SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE 
 (SEPPIR) E AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA POPULAÇÃO NEGRA E 
 QUILOMBOLA .............................................................................................................................165
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................167
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................169
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................171
X
1
UNIDADE 1
POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: 
CONCEITUAÇÃO, PANORAMA 
E POLÍTICAS PÚBLICAS DE 
INFORMAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer os aspectos conceituais e tipologias das políticas de informação;
• entender o panorama histórico das políticas de informação;
• aprender sobre a legislação que promove o acesso à informação e à cultura;
• compreender a sociedade da informação e sua relação com as políticas 
públicasde informação.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer desta unidade, você 
irá encontrar autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.
TÓPICO 1 – O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO
TÓPICO 2 – PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO
TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS 
DE INFORMAÇÃO
 Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
O CONCEITO DE POLÍTICA DA 
INFORMAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
A informação é fundamental na vida de qualquer ser humano. Quando 
iniciamos a leitura de um livro, de um artigo, de letreiros em outdoors ou em 
propagandas na televisão estamos obtendo informações que poderão ser úteis 
para a transformação de nossas vidas nos mais diferentes contextos, tais como 
educacional, profissional, político, econômico etc.
Com a chegada da internet, diariamente somos bombardeados com 
informações que, em sua maioria, não são relevantes para o nosso dia a dia. 
No entanto, é um direito do cidadão que o uso da internet permita o acesso às 
informações. Entre os tipos de informações que os sujeitos possuem estão as 
informações governamentais, por exemplo, que permitem o acompanhamento 
e controle das ações do Estado e também sobre os gastos e investimentos. As 
políticas de informação permitem que as pessoas tenham acesso às informações 
governamentais, assim como a algumas informações que envolvem organizações, 
instituições e demais órgãos controlados pela administração pública. 
Neste tópico, será apresentado o conceito de política da informação, além 
das suas características, história, legislação e sua relação dentro da sociedade da 
informação, biblioteconomia e ciência da informação.
2 O QUE SÃO POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO?
Considerada uma das formas mais antigas de governança, a política de 
informação tem sofrido diversas mudanças a partir das sucessivas alterações 
passadas pelo Estado, principalmente, após a década de 1990. Desde o período 
de 1960, tomou-se consciência da rapidez das mudanças ocorridas entre o espaço, 
tempo e fronteiras, assim como, dos processos decisórios (PINHEIRO, 2011). A 
UNESCO, na década de 1950, incentivou a formação dos centros nacionais de 
informação, aqueles que, posteriormente, passaram a ter a função de definir o 
que seriam políticas de informação e de estabelecer os sistemas de informação 
específicos de cada país (PELUFÊ; SILVA, 2004).
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
4
A implementação de políticas de informação tem sido um desafio em 
diversos países para que estes possam ingressar e participar efetivamente da 
chamada Sociedade da Informação (FERREIRA; SANTOS; MACHADO, 2012). 
Conforme a filósofa Maria Nélida González de Gómez (2003), a Sociedade 
da Informação se convencionou tendo como base o aporte teórico da filosofia 
da linguagem. Nesse sentido, a linguagem e a natureza comunicativa da 
humanidade perpassam todos os âmbitos do agir e do fazer, assim como das 
esferas das relações de poder. Ao se pensar a concepção de política como a 
definição do bem comum, é necessário pensar no cuidado com a comunicação, já 
que esta é carregada de conteúdos informacionais e deve conduzir os indivíduos 
a alcançarem sua condição humana em todas as possibilidades coletivas de 
dignidade e de felicidade (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003).
Para se compreender o que são políticas de informação, é necessário 
o entendimento dos conceitos de política e informação de forma separada. 
Política é definida como “o estabelecimento, por parte de um país, estado, 
município, organização, comunidade ou grupo, de estratégias e diretrizes de 
atuação com uma visão macroeconômica” (LLARENA; PINHO; NÓBREGA, 
2013, s.p.). A política pode ser entendida como arte ou ciência da organização, 
direção e administração de nações ou Estados. Toda política precisa de um 
plano ou planejamento, definidos como “componentes da política nacional de 
desenvolvimento das nações, esta que pressupõe a concepção de um modelo 
global de desenvolvimento” (LLARENA; PINHO; NÓBREGA, 2013, s.p.). Sobre 
o processo de criação de políticas, leis, normas ou regras, este possui seu início 
com uma “demanda de institucionalização de uma determinada atividade ou 
problema, e, além de um conhecimento técnico para a resolução de problemas, é 
primordial a criação de significado, além da concordância da solução encontrada 
entre os atores envolvidos” (BASTOS, 2013, p. 20). 
Quanto à informação, esta é uma força constitutiva na sociedade e pode ser 
definida como um fenômeno humano e derivado das interações sociais, situada 
entre o conhecimento e as comunicações (RIBEIRO, 2004). Farias e Vital (2007, 
s. p.) lembram que “por denotar poder e ser um elemento essencial em todos os 
processos organizacionais, a informação nunca é neutra, e nem todas as pessoas 
têm interesse que ‘tudo’ circule nos diferentes setores”.
Para compreender mais sobre o conceito de informação, acesse o vídeo “O 
pensamento vivo da informação”, com Armando Malheiro.
DICAS
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO
5
FONTE: <https://youtu.be/b_tA5SL--8A>. Acesso em: 30 set. 2019.
Conforme o seu histórico evolutivo, as políticas de informação têm levado 
os Estados a promoverem os avanços científico e tecnológico (DUTRA; CORRÊA; 
RUAS, 2013). A política de informação aponta a agenda proveniente da tomada 
de decisão que envolve os atores políticos e sociais, as instituições e seus processos 
informacionais (COELHO, 2019). Foi a partir dos anos 1950, com o crescimento de 
alguns Estados do Ocidente, que começou a construção de políticas de informação 
com o objetivo de produzir os avanços científico e tecnológico sob incentivo dos 
Estados. Estes passaram a promover a importância da ciência e da tecnologia (C 
& T) como elementos de modernização da estrutura produtiva, conforme afirma 
Pinheiro (2011; 2012). 
O início do uso do conceito começou na área governamental como uma 
política de Estado e o termo foi criado no pós II Guerra Mundial enquanto um 
“implemento para as áreas de ciência e tecnologia militar” (DUTRA; CORRÊA; 
RUAS, 2013, p. 24). Ainda com relação ao conceito, Choo (2011, p. 314) define 
as políticas de informação como procedimentos operacionais das próprias 
organizações, assim, são vistas como:
regras que especificam o sistema de comunicação que dirige e delimita 
o fluxo e o uso da informação. Em particular, essas regras definem as 
características da informação que entra na organização, distribuição 
e condensação da informação recebida, a distribuição e condensação 
da informação gerada internamente e as características da informação 
que devem sair da organização.
 
Para Davenport (1998, p. 52), a política de informação é um componente 
crítico que “envolve o poder proporcionado pela informação e as responsabilidades 
da direção em seu gerenciamento e uso”. Enquanto isso, González de Gómez 
(1999, p. 11) considera que as políticas de informação são “um conjunto de práticas 
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
6
e ações encaminhadas à manutenção, reprodução, mudança e reformulação de 
um regime de informação, no espaço local ou global”.
Quanto à abordagem sobre o estudo da política de informação, Braman 
(2006, p. 9) afirma que este:
[...] deve começar com a questão o que é informação. Não há uma 
resposta fácil [...]. Os debates sobre o direito comercial internacional, 
por exemplo, são consistentemente marcados por diferenças entre 
aqueles que veem fluxos de informações internacionais, como filmes, 
programas de televisão e filmes, e aqueles que veem esses meios de 
comunicação como potentes forças culturais. 
Já em 1980, Garcia afirmou que uma política no campo da informação 
científica ou tecnológica indica que há princípios sobre o que é desejávele 
realizável para um país em termos de: produção, transparência e acesso à 
informação. Assim,
 
por um lado, há uma idealização, por outro, objetivos de atuação 
e de transformação da realidade numa determinada direção. A 
operacionalização de uma política inicia-se com a tradução dos 
princípios de transformação da realidade, através do detalhamento 
e da delimitação do campo de ação, seguindo-se a formulação de 
metas, ou seja, dos resultados concretos a serem obtidos dentro de um 
prazo determinado, visando à implementação da (s) política (s) e das 
diretrizes (GARCIA, 1980, p. 5).
Ficou com dúvidas ainda sobre as políticas de informação? Veja este vídeo 
disponibilizado pela Profa. Bárbara Coelho intitulado “O que é política de informação”, no 
qual entrevista as especialistas em Política de Informação, Dra. Terezinha Elisabeth da Silva 
(Câmara dos Deputados) e Dra. Joana Coeli Garcia (UFPB), no Enancib em Salvador.
DICAS
FONTE: <https://youtu.be/4urX9CmMVUg>. Acesso em: 17 jun. 2019.
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO
7
2.1 TIPOS DE POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO 
A informação possui um caráter público, material e social da informação 
desde o início dos tempos. Para os estudos da informação, há a importante tarefa 
de buscar “conciliar estudos sobre o fenômeno da informação em nosso tempo 
com estudos das práticas sociais e públicas, das realidades políticas, da economia 
e da cultura” (FROHMANN, 2006, p. 1).
 
As organizações (bibliotecas, unidades de informação, empresas, 
instituições, universidades etc.) diariamente são influenciadas pela informação e 
a cada momento a informação está sob ação do poder, da política e da economia. 
Dessa forma, o olhar consciente e sistemático para as políticas de informação de 
dentro de uma organização – seja ela privada ou governamental – é um elemento 
natural e inevitável para o aperfeiçoamento do uso de sistemas de informação e 
do conhecimento (DAVENPORT, 1998). 
Entre os fatores que levam à escolha de determinada política de informação 
para uma organização estão: o tamanho, o seu ramo de atividade, a estrutura 
da organização, e essencialmente, quem faz as escolhas e as consequências à 
organização (DAVENPORT, 1998).
Conforme Davenport (1998), existem diversos modelos viáveis para 
governar a informação em uma instituição, entre eles, destacam-se quatro 
modelos: o federalismo, feudalismo, monarquia e anarquia. Cada um desses 
modelos pode ser adequado para um determinado tipo de organização, e 
formam “a evolução do controle local em contraposição ao controle centralizado 
do ambiente informacional” (DAVENPORT, 1998, p. 91-92).
FIGURA 1 – A EVOLUÇÃO DO CONTROLE DA INFORMAÇÃO
Monarquia Federalismo Feudalismo Anarquia
Maior controle
Central
Menor controle
Central
FONTE: <https://ppgic.files.wordpress.com/2018/07/davenport-t-h-2002.pdf>. 
Acesso em: 16 jun. 2019.
Davenport (1998, p. 92 apud FARIAS; VITAL, 2007, s.p.) teve os cinco tipos 
de política da informação sintetizados da seguinte forma: 
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
8
Utópico tecnocrático – a forte abordagem técnica como solução para 
todos os problemas. Enfoca fortemente a modelagem e categorização 
da informação e está sempre atenta a novas tecnologias de software e de 
hardware. A política utópica tecnocrática dá mais ênfase à tecnologia 
que à informação, tecnologia é um suporte que torna possíveis a 
circulação, armazenamento e disseminação da informação com maior 
eficácia, com importância indiscutível no processo de gestão da 
informação. Porém, aliadas à tecnologia, a qualidade, a confiabilidade 
e a precisão da informação são elementos fundamentais, definidores 
do ‘sucesso’ da gestão e algumas vezes são negligenciados na política.
Anárquico – inexistência de qualquer política de gerenciamento 
de informação. Os indivíduos determinam seus próprios sistemas 
de informações e a forma de gerenciamento. A política anárquica 
não seria exatamente uma política, mas sim a falta dela. Davenport 
(1998) diz que esse tipo de política é frequente em locais onde os 
funcionários trabalham essencialmente com conhecimento, como 
cientistas, consultores, programadores. Cada um cria seu ‘sistema de 
informação’. Em empresas menores, a situação também é frequente, 
e possível pelo fato de o presidente ou diretor ter conhecimento e 
domínio sobre todos os processos, correndo o risco de, na falta do 
diretor, o caos ser instaurado.
Feudalista – o gerenciamento da informação por unidades ou funções 
individuais, que definem suas próprias necessidades de informações, 
reportando somente parte das informações para a organização. A 
política feudalista dificulta ou impede a disseminação da informação 
na organização como um todo. Sabendo-se que a maior parte da 
informação que uma empresa necessita encontra-se dentro dela mesma, 
esse tipo de política cria sérios entraves ao fomento e compartilhamento 
de informações entre os diferentes pares. O feudalismo não leva em 
consideração o contexto mais amplo, delimitando-se aos problemas 
informacionais do setor.
Monárquico – o gerenciamento da informação é ditado pelo líder da 
organização que define o sistema de informações e o nível de acesso 
dos demais componentes da organização. A política monárquica 
apresenta características similares à feudalista, sendo que o poder de 
decisão sobre as informações, fontes que irão circular pela organização, 
encontra-se centrado em uma pessoa.
Federalista – o gerenciamento da informação é feito com a participação 
de todos os elementos da organização, poucas decisões centralizadas. 
O objetivo é que a política seja determinada como resultado do 
consenso. Há uma certa autonomia dos diferentes setores, porém, 
o objetivo final é sempre compartilhado por todos os membros e as 
decisões são discutidas com toda a organização. 
Para Farias e Vital (2007), esses diferentes tipos de políticas de informação 
trazem vantagens e desvantagens, além de sofrerem com a influência do 
contexto no qual estão inseridos. Dessa forma, para as autoras, o profissional da 
informação deve realizar o diagnóstico para saber qual é a política de informação 
que predomina na organização para trabalhar os seus pontos fortes e fracos de 
forma a democratizar o acesso, a disseminação e o uso da informação.
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO
9
 Deve haver uma mudança na cultura da organização e das novas tecnologias 
via gerenciamento da política de informação (DAVENPORT; ECCLES; PRUSAK, 
1992 apud FARIAS; VITAL, 2007). O gerenciamento da política, apoiado por todos 
os gerentes da organização e tendo a informação como um elemento fundamental 
para o sucesso, é algo que deve ser focado nos ambientes das organizações. Os 
próprios tomadores de decisão dentro de uma organização devem identificar suas 
necessidades de informação e buscar supri-las de forma a obter o conhecimento 
necessário para a resolução dos seus problemas do cotidiano profissional junto 
aos contextos políticos e econômicos da sociedade (FARIAS; VITAL, 2007).
Para conhecer um exemplo de política da informação, recomenda-se a leitura 
da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde, com elaboração em 2016 pelo 
Ministério da Saúde.
DICAS
FONTE: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_infor_
informatica_saude_2016.pdf>. Acesso em: 2 ago. 2019.
10
 Neste tópico, você aprendeu que: 
• A política de informação é uma das formas mais antigas de governança. 
• A UNESCO incentivou a formação de centros nacionais de informação, os 
quais definiriam o que são políticas de informação e quais os sistemas de 
informação de cada país.
• Um dos desafios encontra-se na implementação de políticas de informação, 
pois sem elas os países estariam fora do que se convencionou chamar de 
Sociedade da informação.
• As políticas de informação não podem ser compreendidas sem antes 
compreender o que são políticas e o que é informação.
• Porconta da política de informação, os países têm investido na promoção da 
ciência e da tecnologia. Foi nos Estados do Ocidente que começou a construção 
de políticas para os avanços científico e tecnológico. 
• Existem diversos conceitos de políticas de informação. O conceito de Choo 
(2011) afirma que políticas de informação são regras que especificam o sistema 
de comunicação que dirige e delimita o fluxo e o uso da informação.
• Os cinco tipos de política de informação são: utópico-tecnocrático, feudalista, 
monárquico, anárquico e federalista.
• O profissional da informação deve fazer o diagnóstico da organização para 
saber qual política de informação melhor se encaixa.
RESUMO DO TÓPICO 1
11
1 Considerando o tópico estudado, responda com verdadeiro (V) ou falso (F) 
para as seguintes sentenças:
a) ( ) As políticas de informação são desnecessárias à gestão das organizações.
b) ( ) Os diferentes tipos de política sofrem com a influência do contexto e das 
especificidades que caracterizam cada organização.
c) ( ) O profissional da informação precisa realizar um estudo de comunidade 
dentro da organização, buscando compreender os pontos fortes e fracos, 
assim como as melhores formas de democratizar o uso e o acesso à 
informação.
d) ( ) O gerenciamento das políticas da informação não necessita do apoio dos 
gerentes da organização, pois há a informação como elemento para o 
sucesso.
e) ( ) Uma política no campo da informação científica ou tecnológica indica 
que há princípios sobre o que é desejável e realizável para um país em 
termos de: produção, transparência e acesso à informação, além da sua 
estrutura, recursos de informação e necessidades informacionais de seus 
usuários (GARCIA, 1980).
2 Identifique qual é o propósito/objetivo da Política Nacional de Informação e 
Informática em Saúde – PNIIS, disponibilizada como leitura complementar 
do Tópico 1 desta unidade.
I. Promover o uso inovador, criativo e transformador da tecnologia da 
informação, melhorando os processos de trabalho em saúde e, assim, 
resultando em um Sistema Nacional de Informação em Saúde (SNIS) 
articulado e que produza informações para os cidadãos, a gestão, a prática 
profissional, a geração de conhecimento e o controle social, garantindo 
ganhos de eficiência e qualidade mensuráveis através da ampliação de acesso, 
equidade, integralidade e humanização dos serviços de saúde, contribuindo, 
dessa forma, para a melhoria da situação de saúde da população. 
II. Identificar as necessidades informacionais, o mapeamento dos fluxos 
formais (conhecimento explícito) de informação nos diferentes ambientes 
da organização, até a coleta, filtragem, análise, organização, armazenagem 
e disseminação, objetivando apoiar o desenvolvimento das atividades 
cotidianas e a tomada de decisão no ambiente corporativo.
III. Uma ação que promoverá a conquista da “cidadania digital” e contribuirá 
para uma sociedade mais igualitária, com a expectativa da inclusão social.
IV. Levantar algumas referências da abordagem cognitiva de análise de políticas 
públicas para a compreensão da constituição da educação básica do campo, 
um referencial que integra, na atualidade, a política educacional brasileira.
V. Direcionar, para escolas rurais com turmas multisseriadas, a instauração de 
uma nova prática pedagógica, buscando promover a melhoria da qualidade 
do ensino fundamental.
AUTOATIVIDADE
12
Conforme os itens descritos, marque a resposta CORRETA:
a) ( ) As questões I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a questão I está correta.
c) ( ) As questões I, II e III estão corretas.
d) ( ) As questões IV e V estão corretas.
e) ( ) As questões II, III e IV estão corretas.
f) ( ) Somente a questões IV está correta.
g) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
3 Conforme Davenport (1998), existem cinco tipos de políticas de informação. 
Entre os tipos, encontra-se a política anárquica, que se refere:
a) ( ) À ênfase ligada à tecnologia. Tecnologia é um suporte que torna 
possíveis a circulação, armazenamento e disseminação da informação 
com maior eficácia, com importância indiscutível no processo de gestão 
da informação.
b) ( ) À inexistência de qualquer política de gerenciamento de informação. 
Os indivíduos determinam seus próprios sistemas de informações e a 
forma de gerenciamento. A política não seria exatamente uma política, 
mas sim a falta dela. 
c) ( ) Ao gerenciamento da informação por unidades ou funções individuais. 
Estas definem suas próprias necessidades de informações, reportando 
somente parte das informações para a organização.
d) ( ) À apresentação de características similares à feudalista, sendo que o 
poder de decisão sobre as informações, fontes que irão circular pela 
organização encontra-se centrado em uma pessoa.
e) ( ) Ao objetivo que a política seja determinada como resultado do consenso. 
Há uma certa autonomia dos diferentes setores, porém, o objetivo 
final é sempre compartilhado por todos os membros e as decisões são 
discutidas com toda a organização.
4 Para González de Gómez (1999, p. 11), as políticas de informação são “um 
conjunto de práticas e ações encaminhadas à manutenção, reprodução, 
mudança e reformulação de um regime de informação, no espaço local ou 
global”. A partir da leitura deste tópico, elabore um conceito de políticas de 
informação para a sua organização. 
5 Como foi percebido ao longo do Tópico 1, existem desafios para a 
implementação de políticas de informação. Qual é o principal deles?
a) ( ) Planos e planejamento. 
b) ( ) Filosofia da linguagem.
c) ( ) Concepção política.
d) ( ) Sociedade da informação.
e) ( ) Fenômenos humanos e sociais.
13
TÓPICO 2
PANORAMA DAS POLÍTICAS DE 
INFORMAÇÃO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
No contexto da sociedade da informação, as mudanças mundiais 
demarcadas fortemente pelos paradigmas técnicos, econômicos e das tecnologias 
da informação têm incentivado a competitividade entre Estados. A informação 
é poder, e o estabelecimento de uma sociedade da informação permeada pelo 
poder do controle da informação e do capital se tornou o principal objetivo 
daqueles que desejam ser considerados países de primeiro mundo.
Embora se tenha como afirmativa de que estamos na sociedade da 
informação, é preciso compreender que sociedades como a brasileira ainda 
não levam a informação para todo e qualquer cidadão. Comunidades carentes, 
ribeirinhas, indígenas, carcerárias, entre outras, ainda estão longe de possuírem 
o acesso às informações que, de fato, tragam mudanças efetivas para suas vidas. 
Mesmo que diuturnamente se tenha contato com uma gama de informações, a 
maioria daquilo que se recebe não é relevante para a transformação de sujeitos 
pertencentes a determinadas classes sociais, econômicas, de cor, religião, 
sexualidade ou cultura.
Como profissionais da informação e bibliotecários, deve-se refletir sobre o 
papel da informação, seu acesso e uso pelas populações que compõem a sociedade 
brasileira. Dessa forma, neste tópico, será apresentada a informação como um 
direito universal a partir das declarações de direitos humanos e da Constituição 
Federal Brasileira.
Neste tópico, você estudará as políticas da informação e as contribuições 
da Ciência da Informação para a discussão desse campo, bem como sobre o 
conceito de estado informacional, estabelecido por Sandra Braman e as legislações 
de promoção de acesso à informação.
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
14
2 ABORDAGENS SOBRE AS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA 
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO
As sociedades têm criado historicamente seus próprios parâmetros para 
institucionalizar as informações que produzem buscando que estas sejam mais 
ou menos dependentes da ação do Estado (LIMA; MALIN, 2011). Em diferentes 
países, “o conflito que tem se estabelecido para os diferentes Estados é o de 
pertencimento ou não à sociedade que rebatiza o mundo com uma novaera” 
(AUN, 2000, p. 1). Os Estados estão buscando reestruturar suas políticas de 
informação e as substituindo por programas de curto prazo como solução de 
emergência à participação neste ambiente. 
González de Gómez é uma das epistemólogas da Ciência da Informação 
a enfatizar que “a política de informação emerge como tema e domínio 
relativamente autônomo, em nível nacional e internacional, no cenário do pós-
guerra, associada às políticas de ciência e tecnologia” (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 
2002, p. 27). A ligação entre a informação e a política encontra-se estabelecida pela 
inclusão da informação na esfera de intervenção do Estado (País), em especial, 
no que se refere à dimensão de racionalidade administrativa, onde a informação 
torna-se um dos fatores estratégicos do desenvolvimento científico-tecnológico 
(SILVA; PINHEIRO, 2011). 
A Ciência da Informação tem discutido sobre política de informação, 
embora ainda precise de maior aprofundamento em seus aspectos teóricos e 
contextuais, como elencam os autores Frohmann (1995), McClure e Jaeger (2008) e 
Silva e Pinheiro (2011). Especificamente sobre o conceito de política de informação, 
Aun (2000) e Silva e Pinheiro (2011) apontam que ainda existem na literatura 
algumas dificuldades quanto aos aspectos semânticos e conceituais entre os 
termos política, planos, programas, diretrizes, regras que levam à confusão sobre 
a utilização adequada dos termos. Como mudança, a sociedade contemporânea 
passa a possuir uma nova configuração e a dar uma nova dimensão à política da 
informação.
 
Outra questão levantada na literatura refere-se à confusão semântica e 
conceitual que há entre os termos política, planos, programas, regras e diretrizes, 
como resultado de uma mudança nas formas de gestão dos Estados a partir 
do processo neoliberal. Essa nova configuração da sociedade contemporânea 
modifica a “face da informação” e o seu contexto social se transfigura, dando 
nova dimensão à política de informação (SILVA; PINHEIRO, 2011). 
As transformações ocorridas na sociedade fazem com que ocorra um 
deslocamento dos discursos sobre as políticas de informação dando um lugar de 
neutralidade. No entanto, não se pode esquecer que as políticas são os resultados 
das relações de poder e, portanto, a neutralidade não existiria na política visto 
que “onde há poder, o poder se exerce, mesmo que não se consiga determinar 
a titularidade desse poder”, conforme aponta Foucault (1989) citado por Silva e 
Pinheiro (2011, p. 1631).
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO
15
A Ciência da Informação originalmente se preocupou com a geração, o 
armazenamento e a disseminação da informação para seu uso de forma efetiva 
vinculada a campos temáticos da ciência e tecnologia. Posteriormente, trouxe 
seu olhar para os movimentos da globalização e seu impacto na comunicação e 
transferência da informação, conduzindo “a um estado de tensão na distribuição 
de informação de valor agregado ou de mercado e as informações de bem público 
e de livre acesso” (AUN, 1997, p. 1). Entre as questões a serem definidas nas 
políticas de informação, encontram-se a dosagem, as prioridades e valores da 
informação, assim como a duplicidade entre o acesso e o limite, o direito público 
e o privado.
 
Frohmann (1995) aborda a política pública como área da pesquisa dentro 
da Ciência da Informação. Para o autor, existiram muitos debates sobre o tema, 
não havia sinais de que as políticas de informação tenham sido implementadas. 
O tema da política da informação possui um leque de problemas devido às 
diferentes concepções trazidas, tornando o tema complexo (FROHMANN, 1995). 
Dentro das limitações sobre o tema política de informação dentro da Ciência da 
Informação, o autor destaca:
• a interpretação da questão da política de informação sob o foco da 
produção documental governamental, ou seja, a política do governo 
para os documentos do governo;
• a restrição do foco da pesquisa em política de informação diante 
dos problemas de produção, organização e disseminação das 
informações científica e tecnológica;
• o foco epistemológico estreito da Ciência da Informação sobre 
política de informação;
• o caráter instrumental da pesquisa, com ênfase nas maximizações 
técnica e gerencial do fluxo da informação (ênfase para a 
implementação de tecnologias, aprimoramento da comunicação 
entre departamentos no âmbito da administração pública, aumento 
do acesso aos documentos governamentais) e;
• a ausência de ênfase na relação entre informação e poder 
(FROHMANN, 1995, s.p.). 
Na evolução do tema política da informação, a conexão entre tecnologia 
e seus papéis humano e social vinculados à preocupação com as políticas de 
informação e o privilégio dado a determinados campos conceituais e teóricos 
passaram a ser o foco de pesquisas da área a partir da década de 1970 (AUN, 
1997). O tema política de informação, na opinião de Silva e Pinheiro (2011), tem 
que ser refletivo e verificado sobre a necessidade de atualização conceitual. 
Também é importante compreender que a sociedade da década atual é diferente 
daquela de 1970 e 1980, período quando as pesquisas e produções sobre política 
de informação dentro da Ciência da Informação começaram a ser evidenciadas. 
“Intensas transformações afetaram profundamente a sociedade nessas [...] 
décadas, modificando também a maneira como pensamos, agimos e trabalhamos 
as questões da informação” (SILVA; PINHEIRO, 2011, p. 1627).
 
Dentro do Estado Brasileiro, as atividades informacionais sempre 
estiveram ligadas à figura gestora do país. Com relação aos novos modos de 
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
16
institucionalização e de disseminação da informação, estes têm sido criados 
tanto no contexto nacional como internacional, um resultado dos esforços 
organizados e mobilizados pela sociedade civil na sua relação com o Estado 
(LIMA; MALIN, 2011). 
Na década de 1980, o quadro institucional começou a incorporar de 
forma mais explícita uma nova organização, parceria e mediadora envolvendo 
os movimentos sociais e de organizações da sociedade civil, tais como as 
Organizações Não Governamentais (ONGs) (LIMA; MALIN, 2011).
O governo brasileiro buscou introduzir-se na chamada Sociedade da 
Informação a partir do ano de 1996, por intermédio do Conselho Nacional 
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, programa que foi lançado em 
dezembro de 1999 e coordenado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia. 
2.1 O ESTADO INFORMACIONAL E A POLÍTICA DE 
INFORMAÇÃO
O Estado informacional se refere a uma “fase da evolução humana em 
que o poder informacional é fator decisivo para os Estados, em seus processos 
de disputa e controle” (PINHEIRO, 2011, p. 1487). De forma emergente, o 
“poder informacional permeia os meios clássicos de poder estatal: instrumental, 
estrutural e simbólico, constituindo-se como um quarto instrumento” 
(PINHEIRO, 2011, p. 1487).
Para Braman (2006), o Estado sabe muito mais sobre indivíduos do que 
os indivíduos sobre o Estado. Com o advento da democracia representativa, 
o conhecimento individual sobre as atividades e processos realizados pelos 
governos e também o conhecimento sobre os próprios cidadãos se tornaram algo 
que muitos buscam apreender para repartir os recursos e a representação.
As exigências informativas do Estado acabaram por aumentar, buscando 
conhecer os indivíduos, grupos e comunidades que seriam utilizadores de 
suas políticas. Nas décadas após o estabelecimento de agências reguladoras e 
de programas de redes de segurança, as leis e os regulamentos foram também 
criados para aumentar a simetria entre o conhecimento do cidadão sobre o Estado 
e do Estado sobre o cidadão (BRAMAN, 2006). No entanto, Braman (2006) afirma 
que nunca houve de fato uma simetria absoluta ou a completa transparência, 
pois a necessidade de proteção da segurança nacional manteve em sigilo as 
informações críticas sobre o governo e as leis de privacidadebuscam proteger 
algumas informações e pessoas do governo.
Com o estado informacional, no entanto, aumenta a capacidade estatal 
de reunir e processar informações sobre seus cidadãos. Em contrapartida, a 
capacidade de o cidadão aprender o que o governo tem realizado, investido, 
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO
17
decidido ou exterminado tem diminuído. Isso tem acontecido, pois o uso das 
técnicas de vigilância sobre o indivíduo tem aumentado (BRAMAN, 2006). 
Atualmente, se forem analisadas as mídias sociais como facebook, 
instagram, twitter e demais redes sociais, percebe-se que as informações pessoais 
se encontram cada vez menos sigilosas e a privacidade ameaçada. Para utilizar 
uma mídia social como o facebook, por exemplo, é preciso cadastrar seus dados 
pessoais e assinar os termos de privacidade dessas redes. Os aplicativos em 
smartphones, jogos on-line e demais produtos e serviços como a internet banking 
coletam informações dos seus clientes e depois as comercializam para empresas 
e prestadores de serviços. 
FIGURA 2 - PÁGINA INICIAL DE CADASTRO NO FACEBOOK E A RELAÇÃO DE DADOS 
SOLICITADOS
FONTE: <https://www.facebook.com/>. Acesso em: 17 jun. 2019.
No que se refere ao Estado, observa-se que há uma demanda da 
sociedade para que o Estado aumente a sua transparência. Entre as informações 
governamentais que mais causam interesse nos cidadãos estão as informações 
legislativas e as informações que embasam a construção de políticas públicas. 
Estas são necessárias para a implementação de ações que promovam a igualdade 
de direitos e o pleno exercício da cidadania dos cidadãos a partir do acesso à 
informação sobre o tema (CERÓN; LIMA, 2013). Entretanto, há uma precariedade 
da organização da informação governamental, conforme afirmam Ceron e Lima 
(2013), e isso afeta a eficácia das formulações de políticas públicas de informação, 
que deixam de levar em consideração os requisitos necessários de informação 
para a formulação e suporte.
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
18
2.2 O EXERCÍCIO DA CIDADANIA E A INFORMAÇÃO 
COMO DIREITO UNIVERSAL DE TODO CIDADÃO
A informação é construtora da cidadania. A cidadania é observada 
como um conjunto de conquistas que perpassam as questões políticas, civis 
e sociais e está contextualizada a diversos acontecimentos resultantes da 
ação dos sujeitos de nossa sociedade. No entanto, quando se analisa o que é 
repassado à sociedade no que se refere à informação, percebe-se que o repasse 
está aquém do que é necessário para mudanças efetivas da sociedade (PELUFÊ; 
SILVA, 2004). O conceito de cidadania presume a participação do indivíduo na 
sociedade, sendo que seu exercício se dará de maneira mais efetiva e consciente 
se ele possuir embasamento crítico acerca dos acontecimentos político-sociais 
(PELUFÊ; SILVA, 2004).
Ao se refletir sobre a informação, deve-se buscar entender quais os 
instrumentos normativos a indicam como um direito humano. Comecemos, 
então, com a Declaração dos Direitos Humanos – anteriormente intitulada de 
Universal dos Direitos do Homem – aprovada pela Assembleia Geral das Nações 
Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948, um dos primeiros documentos criados 
em prol da atribuição dos direitos e deveres das pessoas (ORGANIZAÇÃO DAS 
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009). 
Em seu artigo 19, a Declaração infere que “todo o homem tem direito 
à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem 
interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias 
por quaisquer meios, independentemente de fronteiras” (ORGANIZAÇÃO 
DAS NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009, s.p., grifo nosso). Desse aspecto, pode-se 
entender que é a partir do acesso à informação que surgirá uma conscientização 
crítica sobre a realidade, pois, pelo intercâmbio de informações, os sujeitos 
sociais se comunicam, tomam conhecimento de seus deveres e direitos e 
também tomam decisões sobre suas vidas em todos os níveis (educacional, 
profissional, coletivo, individual, econômico etc.) (ORGANIZAÇÃO DAS 
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009).
Após essa Assembleia Geral da ONU, foi solicitado aos países-membros 
que os mesmos publicassem o texto da Declaração para que ele fosse disseminado, 
lido e explicado, em especial nas escolas e demais instituições educacionais, sem 
distinção política ou econômica dos Países ou Estados (ORGANIZAÇÃO DAS 
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009).
Quarenta anos após, na Constituição da República Federativa do Brasil de 
1988, artigo 5º, inciso XIV, passa a ser “assegurado a todos o acesso à informação 
e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional” 
(BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso). Ainda no artigo 5º, no inciso XXXIII, a 
Constituição afirma que:
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO
19
todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu 
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão 
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas 
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado (BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso).
Sobre o item, a Constituição traz um regulamento identificado pela 
Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que vigora para os órgãos públicos 
integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário 
e do Ministério Público, além das autarquias, fundações públicas, sociedades 
de economia mista, empresas públicas e demais entidades que sejam direta ou 
indiretamente controladas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios 
(BRASIL, 2011). Conhecida desde sua implementação como Lei de Acesso à 
Informação, a lei e seus procedimentos buscam assegurar ao cidadão o direito 
fundamental de acesso à informação. A Lei traz ainda as diretrizes para que seja 
executada:
I- observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como 
exceção;
II- divulgação de informações de interesse público, independentemente 
de solicitações;
III- utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia 
da informação;
IV- fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na 
administração pública;
V- desenvolvimento do controle social da administração pública 
(BRASIL, 2011, s.p.).
Com relação aos conceitos, a Lei aborda os conceitos de:
 
a) Informação: refere-se a dados, processados ou não, contidos em determinado 
meio, suporte ou formato, que podem ser usados para produção e transmissão 
de conhecimento;
b) Documento: refere-se à unidade de registro de informações em quaisquer 
formatos ou suportes;
c) Informação sigilosa: refere-se àquela informação submetida de forma 
temporária para restrição de acesso público em razão de ser imprescindível à 
segurança da sociedade e do Estado;
d) Informação pessoal: refere-se à informação relacionada à pessoa natural 
identificada ou identificável;
e) Tratamento da informação: refere-se ao conjunto de ações relacionadas 
à produção, recepção, classificação, acesso, uso, reprodução, transporte, 
transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação, 
avaliação, destinação ou controle da informação;
f) Disponibilidade: a qualidade da informação que pode ser usada e conhecida 
pelos indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados;
g) Autenticidade: refere-se à qualidade da informação produzida, expedida, 
recebida ou modificada por determinada pessoa, equipamento ou sistema;
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
20
h) Integridade: refere-se à qualidade da informação não modificada, incluindo a 
sua origem, trânsito e destinação;
i) Primariedade: relaciona-se à qualidade da informação que foi coletada 
na fonte, com o máximo de detalhes possíveis, sem nenhuma modificação 
(BRASIL, 2011).
Com relação ao acesso à informação e à divulgação, a Lei infere que cabe 
aos órgãos e às entidades do poder público o seguinte:
a) A gestão transparenteda informação, de forma a propiciar o amplo acesso à 
mesma e a sua divulgação;
b) A proteção da informação, de forma a garantir a sua disponibilidade, 
autenticidade e integridade;
c) A proteção das informações sigilosas e da informação pessoal, observadas a 
disponibilidade, autenticidade, integridade e a restrição ao acesso (BRASIL, 
2011). 
Entre os direitos observados, encontra-se o direito da obtenção à:
a) Orientação quanto aos procedimentos para a consecução de acesso, assim 
como a localização da informação para sua obtenção e uso;
b) Informação contida em registros ou documentos que tenham sido produzidos 
ou acumulados por órgãos ou entidades, recolhidos ou não aos arquivos 
públicos;
c) Informação que tenha sido criada ou custodiada por pessoa física ou alguma 
entidade privada decorrente de vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo 
que esse vínculo não exista mais;
d) Informação primária, íntegra, autêntica e atual;
e) Informação referente às atividades exercidas por órgãos e entidades, incluindo 
aquelas relativas à política, organização e serviços;
f) Informação relacionada à administração do patrimônio público, utilização de 
recursos de ordem pública, licitação de contratos administrativos;
g) Informação relativa à implementação, acompanhamento e resultados de 
projetos, programas e ações de órgãos e entidades públicas, além de metas e 
indicadores. Ainda, informações relativas ao resultado de auditorias, prestações 
e tomadas de contas, inspeções feitas por órgãos de controles interno e externo, 
inclusive prestações de contas relativas a exercícios anteriores.
Com relação às informações que não são compreendidas pelas Lei de 
acesso à informação, estão aquelas que fazem parte de projetos de pesquisa e 
desenvolvimento científicos ou tecnológicos onde o sigilo é necessário para a 
segurança da sociedade e do país.
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO
21
 Sobre as informações parcialmente sigilosas, a lei afirma que está 
assegurado ao cidadão o acesso à parte não sigilosa por intermédio de certidão, 
extrato ou cópia com as partes sob sigilo ocultadas do documento apresentado.
Como podemos observar, a Lei de acesso à informação tem propiciado ao 
cidadão a oportunidade de obter maior controle sobre as informações públicas. 
Assim, consegue participar dos processos de tomada de decisão de forma mais 
crítica e exigir ações do Estado, assim como o monitoramento para ações de 
combate à corrupção (FERREIRA; SANTOS; MACHADO, 2012).
Acesse o site da Organização das Nações Unidas (ONU) e leia na íntegra a 
Declaração Universal: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/10/DUDH.pdf.
DICAS
22
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• As sociedades têm criado historicamente seus próprios parâmetros para 
institucionalizar as informações que produzem buscando que estas sejam mais 
ou menos dependentes da ação do Estado.
• Os Estados estão buscando reestruturar suas políticas de informação e as 
substituindo por programas de curto prazo como solução de emergência.
• A política de informação emerge como tema e domínio relativamente 
autônomo, em nível nacional e internacional, no cenário do pós-guerra, 
associada às políticas de ciência e tecnologia.
• A Ciência da Informação tem discutido sobre política de informação, embora 
ainda precise de maior aprofundamento em seus aspectos teóricos e contextuais, 
como elencam os autores Frohmann (1995), McClure e Jaeger (2008) e Silva e 
Pinheiro (2011).
• A sociedade contemporânea passa a possuir uma nova configuração e a dar 
uma nova dimensão à política da informação.
• As transformações ocorridas na sociedade fazem com que ocorra um 
deslocamento dos discursos sobre as políticas de informação.
• Frohmann (1995) aborda a política pública como área da pesquisa dentro da 
Ciência da Informação. Para o autor, existiram muitos debates sobre o tema, 
não havia sinais de que as políticas de informação tenham sido implementadas. 
Considera que o tema política da informação possui um leque de problemas 
devido às diferentes concepções trazidas.
• Para Frohmann (1995), existem limitações do tema política de informação 
dentro da CI.
• Na evolução do tema política da informação, a conexão entre tecnologia e 
seus papéis humano e social vinculados à preocupação com as políticas de 
informação e o privilégio dado a determinados campos conceituais e teóricos 
passaram a ser o foco de pesquisas da área a partir da década de 1970.
• Dentro do Estado Brasileiro, as atividades informacionais sempre estiveram 
ligadas à figura gestora do país.
23
• O Estado informacional se refere a uma “fase da evolução humana em que o 
poder informacional é fator decisivo para os Estados, em seus processos de 
disputa e controle”.
• Para Braman (2006), o Estado sabe muito mais sobre indivíduos do que os 
indivíduos sobre o Estado.
• Com o estado informacional, no entanto, aumenta a capacidade estatal 
de reunir e processar informações sobre seus cidadãos. Em contrapartida, 
a capacidade de o cidadão aprender sobre o que o governo tem realizado, 
investido, decidido ou exterminado tem diminuído.
• Há uma demanda da sociedade para que o Estado aumente a sua transparência.
• Entre as informações governamentais que mais causam interesse nos cidadãos, 
estão as informações legislativas e as informações que embasam a construção 
de políticas públicas.
24
1 Conforme o material estudado, identifique quais as limitações elencadas 
por Frohmann sobre o tema da política de informação na Ciência da 
Informação.
I. A interpretação da questão da política de informação sob o foco da 
produção documental governamental, ou seja, como política do governo 
para os documentos do governo;
II. A restrição do foco da pesquisa em política de informação diante dos 
problemas de produção, organização e disseminação das informações 
científica e tecnológica;
III. O foco epistemológico estreito da Ciência da Informação sobre política de 
informação;
IV. O caráter instrumental da pesquisa, com ênfase na maximização técnica 
e gerencial do fluxo da informação (ênfase para a implementação de 
tecnologias, aprimoramento da comunicação entre departamentos no 
âmbito da administração pública, aumento do acesso aos documentos 
governamentais) e;
V. A ausência de ênfase na relação entre informação e poder. 
Após a leitura das sentenças, marque a resposta correta:
a) ( ) As respostas I e II estão corretas.
b) ( ) As respostas III e IV estão corretas.
c) ( ) As respostas I, II e III estão corretas.
d) ( ) As respostas III, IV e V estão corretas.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
2 Leia a sentença a seguir:
Nas décadas após o estabelecimento de agências reguladoras e de 
programas de redes de segurança, as leis e os regulamentos foram também 
criados para aumentar a simetria entre o conhecimento do cidadão sobre o 
Estado e do Estado sobre o cidadão (BRAMAN, 2006). Para Braman (2006), 
nunca houve de fato uma simetria absoluta ou a completa transparência, 
visto que:
a) ( ) O comportamento informacional se refere ao modo como os indivíduos 
lidam com a informação, o que inclui a busca, o uso, a alteração, a troca 
e o acúmulo.
b) ( ) A necessidade de proteção da segurança nacional manteve em sigilo as 
informações críticas sobre o governo e as leis de privacidade buscam 
proteger algumas informações pessoais do governo. 
c) ( ) É necessário entender que mudar a maneira como as pessoas usam 
a informação e construir uma cultura informacional são desafios da 
gestão da informação nas organizações.
AUTOATIVIDADE
25
d) ( ) A necessidade de formação e capacitação continuada dos recursos 
humanos para o uso adequado dessas ferramentas e para o 
desenvolvimento das potencialidades das aplicações em prol das 
atividades desempenhadas pelo Centro de Pesquisa.
e) ( ) Uma organização processa a informação para dar sentido a seu ambiente, 
para criar novos conhecimentos e para tomar decisões.3 Conforme a Lei de Acesso à informação, existe um tipo de informação que 
se refere àquela informação submetida de forma temporária à restrição de 
acesso público em razão de ser imprescindível à segurança da sociedade e 
do Estado. Marque a resposta em que aparece a qual tipo de informação o 
conceito se refere:
a) ( ) Informação pessoal.
b) ( ) Informação sigilosa. 
c) ( ) Informação primária.
d) ( ) Informação de organizações não-governamentais.
e) ( ) Informação relacionada ao patrimônio público.
4 A lei de acesso à informação aborda as informações que não são 
contempladas por sua implementação. Quais tipos de informação são 
excluídos da referida lei?
5 Conforme a Lei de Acesso à informação, quais os conceitos de autenticidade, 
integridade e primariedade?
26
27
TÓPICO 3
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E 
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A sociedade da informação tem sido discutida desde o final do século 
XX, início do século XXI. Tal termo foi criado para tentar explicar de uma forma 
mais fácil sobre constituição da sociedade pós-industrial e do paradigma técnico-
econômico (WERTHEIN, 2000). Dentro das transformações que fazem parte da 
sociedade da informação está a constituição de sociedades menos industrializadas 
e onde o paradigma da tecnologia da informação e da comunicação está presente 
nas transformações existentes dentro das sociedades. Dentro deste contexto da 
sociedade da informação, a informação é a matéria-prima, na qual as tecnologias 
penetram e afetam as atividades humanas (tanto individual ou coletivas) sob o 
predomínio da sociedade em rede (CASTELLS, 2000; WERTHEIN, 2000).
Atrelado ao desenvolvimento da sociedade da informação, encontram-se 
as ações realizadas pelo governo que se destinam a resolver obstáculos presentes 
dentro dos setores (saúde, educação, economia etc.) daquele país. Tais ações são 
as conhecidas políticas públicas, criadas pelos governos em forma de atividades 
que são elaboradas visando agir e influenciar na vida dos cidadãos. 
Neste tópico será apresentado o conceito de políticas públicas, além das 
políticas públicas de informação, alguns tipos de políticas públicas no contexto 
da gestão da informação, assim como, uma breve contextualização sobre políticas 
nacionais de informação, os conceitos de “infraestrutura de informação” e da 
“sociedade da informação”.
2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: O QUE SÃO?
As políticas públicas de informação têm sido estudadas dentro da 
Ciência da Informação juntamente com os esforços para a compreensão do papel 
do Estado e suas implicações na sociedade atual. Dessa forma, o estudo das 
políticas públicas tem buscado observar qual a lógica existente entre o Estado e a 
Sociedade, identificando as relações existentes entre seus atores e compreendendo 
as dinâmicas da ação pública (JARDIM; SILVA; NHARRELUGA, 2009).
28
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
Para saber um pouco mais sobre o conceito de política pública, acesse e leia o 
Diccionario Crítico de Ciencias Sociales.
DICAS
As políticas públicas são compreendidas como o “Estado em ação” e, 
conforme Muller e Surel (2004, p. 11), 
a ação do Estado pode ser considerada como o lugar privilegiado em 
que as sociedades modernas, enquanto sociedades complexas, vão 
colocar o problema crucial de sua relação com o mundo através da 
construção de paradigmas ou referenciais, sendo que o conjunto de 
matrizes cognitivas e normativas intelectuais determina, ao mesmo 
tempo, os instrumentos graças aos quais as sociedades agem sobre 
elas mesmas.
Quanto ao conceito, este encontra-se entre os interesses e as metas políticas 
e burocráticas, mas não necessariamente de forma congruente, manifestando-se 
como algo além do aparato governamental. Dessa forma, a política de informação 
se expressa para além do campo formal das leis e dos regulamentos, incluindo 
práticas e ações informacionais de determinados contextos em que se integram 
sujeitos, instituições e interesses, cujas manifestações nem sempre são reveladas 
por mecanismos formais (SILVA, 2011; PEREIRA; SILVA, 2015; BARCELOS; 
PEREIRA; SILVA, 2017).
FONTE: FERRI DURÁ, J. Políticas públicas. In: REYES, R. Diccionario crítico de ciencias sociales. 
2004. Disponível em: http://www.ucm.es/info/eurotheo/diccionario. Acesso em: 1° out. 2019.
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
29
Dessa forma, assim como as “políticas públicas são desenvolvidas para 
serem implementadas em contextos específicos de informação, as políticas 
de informação também dependem dos diversos segmentos e contextos 
comunitários para se desenvolverem no cotidiano das pessoas” (PEREIRA; 
SILVA, 2015, p. 7-8). Desse modo, as políticas de informação são elaboradas e 
direcionadas com o intuito de atender às demandas, suprir as necessidades e 
atender às exigências das comunidades. Portanto, encontram-se além do que o 
aparato governamental engloba. De fato, pelo caráter público dessas políticas, 
há a multiplicação de seu desempenho e a inter-relação com o governo e a 
sociedade (PEREIRA; SILVA, 2015).
Entre os tipos de Políticas Públicas de Educação no contexto da gestão da 
informação, podemos citar como exemplos:
a) Sistema Integrado de Gestão Educacional (SIGE): o sistema é o de 
gerenciamento de informações da Secretaria de Educação do Estado do Ceará-
SEDUC. Desenvolvido em parceria com o CETREDE da Universidade Federal 
do Ceará, objetiva a otimização e modernização dos processos administrativos 
e de compartilhamento e integração de informações entre as instituições de 
ensino e a SEDUC (PEREIRA; SILVA, 2015).
FIGURA 3 – SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO EDUCACIONAL
FONTE: <https://docs.google.com/file/d/0B6WATAW0l5S9alM0OXEzcVQ5aWs/edit>. 
Acesso em: 17 jun. 2019.
30
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
b) Sistema de Acompanhamento das Ações do Paic (SAAP): é um sistema 
informatizado de gerenciamento de informações desenvolvido visando à 
coleta de informações para o município poder entender a sua rede escolar, 
direcionar e acompanhar as ações de gestão e das práticas educacionais do 
Programa de Alfabetização na Idade Certa – PAIC (PEREIRA; SILVA, 2015).
c) Plano de Ações Articuladas (PAR): o planejamento multidimensional da 
política de educação colocou à disposição dos municípios, estados e do Distrito 
Federal, instrumentos para avaliação e de implementação de políticas de 
melhoria da qualidade da educação, em especial da educação básica pública 
(BRASIL, 2007). Desse modo, o PAR “apresenta o detalhamento das ações e 
subações selecionadas por cada estado ou município” (BRASIL, 2007, s.p.) e 
é coordenado pelas secretarias municipais e estaduais de educação, contando 
com a participação de gestores, de professores e da comunidade local em seu 
processo de elaboração (PEREIRA; SILVA, 2015).
FIGURA 4 – PLANO DE AÇÕES ARTICULADAS (PAR)
FONTE: <https://www.fnde.gov.br/images/headers/par-1240-247.jpg>. Acesso em: 17 jun. 2019.
Para aprender mais sobre o Plano de Ações Articuladas (PAR) do Ministério 
da Educação, visite o Relatório Público disponibilizado no site: http://simec.mec.gov.br/cte/
relatoriopublico/principal.php.
DICAS
3 POLÍTICA NACIONAL DE INFORMAÇÃO E OS CONCEITOS 
DE INFRAESTRUTURA DE INFORMAÇÃO E DA “SOCIEDADE 
DA INFORMAÇÃO 
Política e informação se relacionam, dentro do escopo e abrangência do 
paradigma de soberania da atualidade, por uma duplicada referência ao Estado e 
a uma constituição de comunicação flexível e desigual. A partir da década de 1950, 
essa relação começa a ser explicitada em programas de governos e de políticas 
públicas. Entre os fatos que demarcaram a construção do campo das políticas de 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
31
informação, encontra-se o “Weinberg Report” (U.S. President’s Science and Advisory 
Commitee, 1963) dos EUA –que define o escopo e a abrangência de uma política de 
informação - além das agendas internacionais da ONU para a Educação, Cultura 
e Ciência (UNESCO). Com suas ações, o objetivo era o estabelecimento de um 
programa intergovernamental e cooperativo visando à promoção e otimização 
do acesso e do uso da informação. Dessa forma, objetivava-se a superação de 
lacunas científicas e informacionais entre os mais diversos países de diferentes 
graus de desenvolvimento (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).
Com a organização da definição da política de informação, haveria o 
Estado como agente privilegiado de sua elaboração e implantação, e a ciência 
e a tecnologia estariam sob o seu domínio. Além disso, a convicção do papel da 
informação no desenvolvimento de um mundo moderno não se mostrou eficaz 
para a formulação de estruturas institucionais, informação científico-tecnológica 
e em parâmetros tecnológicos e organizacionais (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).
O que acontece de fato é que os sistemas nacionais de informação científica 
e tecnológica não conseguem ser expressos em um domínio que seja estável e 
transparente dentro de instituições, pautas como agendas de elaboração de 
políticas públicas. Isso acontece porque a informação é objeto de políticas tácitas e 
indiretas, ou porque o escopo e a abrangência dessas políticas, quando colocados 
juntos ao grande volume de políticas públicas, são deslocados, reformulados 
ou realocados conforme as prioridades dadas pela conjuntura e que estão em 
constante mudança (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).
No final da década de 1970, começou a construção de um cenário com a 
unificação das novas tecnologias da informação e da comunicação, denominadas 
TICs. Passaram a ser utilizados recursos diferenciados, assim como diferentes 
abordagens para o estudo das relações entre as TICs e as transformações culturais 
nos processos de trabalho, nas práticas e nos modelos de gestão (GONZÁLEZ 
DE GOMÉZ, 2002). Assim, deu-se a passagem para o que para alguns chamou-se 
de mudança revolucionária nos modos de produzir, e para outros concretizou 
a ruptura na passagem de uma sociedade industrial para uma pós-industrial 
(BELL, 1976 apud GONZÁLEZ DE GOMÉS, 2002). Para outros, tratou-se de uma 
ruptura estabelecida na passagem de uma sociedade focada no modo fordista 
para um modo pós-fordista de produção. 
Esses novos arranjos relacionados ao Estado encontram-se expressos 
pelos intelectuais Manuel Castells (1999) e Bruno Latour (2000) ao utilizarem o 
conceito de rede para a sua representação.
Para Castells, o Estado-rede representa uma nova fórmula político-
institucional, caracterizada pela redistribuição de competências 
e recursos de coordenação entre distintos atores, jurisdições e 
níveis institucionais e organizacionais governamentais e não-
governamentais, compondo os processos decisórios contemporâneos. 
As novas tecnologias de comunicação e informação forneceriam 
32
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
os meios para manter ativas as relações entre os agentes e as 
instituições envolvidos nas novas cadeias decisionais e acionais, com 
diversas modalidades de complexidade e extensão: locais, regionais, 
transnacionais (CASTELLS, 1999; JESSOP, 1998). Sem entrar neste 
momento na discussão dos grandes quadros teóricos ou históricos, 
interessa-nos resgatar enunciados e acontecimentos mais específicos 
que contribuam para o reconhecimento do estatuto atual da relação 
entre política e informação (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 29).
No final da década de 1970 que começaram a se desenvolver atividades 
econômicas com a principal função de produção, processamento ou distribuição 
da informação. Isso acontecia de forma diferente daquelas atividades em que a 
informação era colocada como secundária ou subordinada à função principal, 
conforme afirma Porat (1977) citado por González de Goméz (2002). A partir 
disso, estabeleceu-se o que hoje se chama de quarto setor, que era um pouco mais 
autônomo que os sistemas anteriores e que afetou a economia como um todo.
Assim, os discursos sobre os sistemas nacionais de informação científico-
tecnológica enquanto algo do Estado passaram a ser substituídos por um discurso 
focado no econômico. González de Goméz (2002, p. 29) traz como exemplo:
Zurkowski (1984), presidente da Associação das Indústrias da 
Informação, usa o conceito de ‘infoestrutura’ como uma composição 
dos termos ‘informação’ e ‘estrutura’ para designar “a miríade de 
elementos necessários para sustentação da sofisticada capacidade 
de manipulação da informação”. Ao mesmo tempo em que procura 
mapear essa “infoestrutura” em suas crescentes complexidade e 
expressão, Zurkowski se pergunta pelas possibilidades de integração 
das tecnologias, dos mercados e dos diferentes segmentos das indústrias 
da informação como o caminho de sobrevivência e oportunidade de 
fortalecimento do setor, superando suas atuais segmentações, suas 
justaposições e conflitos, suas formas oportunistas e imprevisíveis de 
agregação e de expansão.
A indústria da informação desde seu início busca a integração econômica 
no polo da produção. Assim, passaram a existir duas tendências: a primeira 
tendência indicava uma crescente importância e a autonomia nos campos 
econômicos, políticos e sociais dos fenômenos comunicacionais e informativos, 
onde os novos modelos tecnológicos e econômicos passam a ser estruturais e 
estruturantes das atividades sociais. A segunda “sustentando a constituição 
de um setor diferenciado das atividades, da indústria e dos mercados de 
informação, “o quarto setor”, diferenciado do setor de serviços” (GONZÁLEZ 
DE GOMÉZ, 2002, p. 30). No entanto, houve, ao que parece, uma interceptação 
do desenvolvimento da segunda tendência por parte da primeira, em que, 
segundo Maria Nélida Gonzaléz de Goméz (2002), os fenômenos, os processos 
e as atividades informacionais passaram a ser identificados como planos de 
construção das atividades e manifestações sociais, econômicas e culturais.
Para a autora, isso se deve à sociedade da informação e à infraestrutura da 
informação. Há o que a autora chama de “deslocamento discursivo” no campo 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
33
estratégico do Estado para o campo da economia, onde ocorre a passagem do 
modelo do ‘quarto setor’ à ‘infraestrutura de informação’, perpassando todas 
as atividades sociais. Assim, ocorre uma profunda alteração nos “cenários da 
informação e a reformulação dos agregados de atores políticos, econômicos e 
sociais que deveriam compor os novos arranjos organizacionais do domínio” 
(GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30). Castells esclarece o ponto principal dessa 
mudança ao inferir que:
O termo sociedade da informação destaca o papel desta última na 
sociedade. Sustentarei, porém, que a informação, em seu sentido 
mais amplo, ou seja, como ‘comunicação do conhecimento’, tem sido 
fundamental em todas as sociedades, incluída a Europa medieval, 
que estava estruturada e em certa medida unificada em torno do 
escolasticismo, isto é, em conjunto, um marco intelectual... Em 
contraste, o termo informacional indica o atributo de uma forma 
específica de organização social na qual a geração, processamento e 
transmissão da informação convertem-se em fontes fundamentais da 
produtividade e do poder, devido às novas condições tecnológicas que 
surgem no período histórico (CASTELLS, 1997, p. 47 apud GONZÁLEZ 
DE GOMÉZ, 2002, p. 30).
Em 1994, um dos carros-chefes da política norte-americana do governo 
Clinton foi o programa da Global Information Infrastructure (GII), apresentado em 
1994 na reunião Internacional Telecommunication Union naquele ano em Buenos 
Aires. Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, consolidou, na reunião de 
apresentação, a associação entre infraestruturas e informação ao conceito de rede, 
mercado e globalização.
A ruptura paradigmática ocorreu a partir do conceito de infraestrutura 
ser anexado juntamentecom o termo informação. Infraestrutura é genericamente 
atribuída como um conjunto de instalações, recursos, meios que são requeridos 
para que uma atividade, organização ou sociedade funcione (GONZÁLEZ DE 
GOMÉZ, 2002).
A infraestrutura de informação propõe-se como comunicacional e 
produtiva, nela acontece tanto a transmissão como a geração de valor. 
Liderando um modelo aberto e expansivo da “pax” globalizada, 
lançava-se uma convocatória de investimento nesse novo tipo de 
infraestrutura que, diferentemente das redes viárias e territoriais, 
caracterizava-se por seu alcance global e sua capilaridade local, sua 
capacidade de ligar nações e domicílios, organizações poderosas e 
indivíduos anônimos, sem passar necessariamente pelas fronteiras 
instituídas: as geopolíticas, as institucionais, as disciplinares 
(GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30). 
Dessa forma, no programa apresentado por Al Gore, GII aconteceria 
visando aos mercados e a “universalização do acesso aconteceria pela facilitação da 
aquisição de equipamentos tecnológicos (preços acessíveis para as pessoas de todos 
os níveis de renda) e pela padronização, interoperabilidade e transportabilidade 
de produtos e serviços” (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30). Dessa forma, a 
34
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
economia da informação seria renovada e o projeto moderno de integração seria 
reformulado na aposta de conjugação da democracia neoliberal, a “pax” global e 
os mercados concorrenciais. 
Enquanto isso, a sociedade europeia elaborou um documento intitulado 
‘Europa e a Sociedade Global da Informação” – também conhecido como 
Bangemann Report – e o apresentou na reunião de 1994 do Conselho Europeu, 
em Corfu. O documento em forma de relatório se refere à “revolução baseada 
na informação, mesma expressão do conhecimento humano”. A sociedade da 
informação passa a ser o termo utilizado para designar as transformações em vez 
de infraestrutura. Sociedade é indicativo de convocação de atores da iniciativa 
privada para implementação das mudanças e o termo informação foca nas 
aplicações e conteúdos culturais, visando atender tanto a diversidade linguístico-
cultural da Europa como as potencialidades de seu capital artístico-intelectual.
Dada a importância de manter a integração tecnológica e comunicacional 
dos países membros da Comunidade Europeia, será necessário 
desenvolver ações de coordenação e de harmonização das estruturas 
reguladoras e organizacionais. “Comitês” interorganizacionais e 
outras figuras de cooperação autorreguladoras (como os “consórcios”) 
surgirão para atender às novas situações, estabelecer padrões e 
prover a interconexão de redes e serviços nas principais atividades 
econômicas, culturais e sociais (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 31). 
Já na década de 1990, a Unesco, “cujas intervenções no domínio da 
informação tiveram sempre um papel significativo em nível internacional 
e na América Latina”, passou a modificar os seus principais programas 
envolvendo informação, em especial o General Information Programme (PGI) e o 
Intergovernmental Informatics Programme (IIP). Segundo a própria Unesco, com a 
revolução informacional houve a crescente justaposição de ambos os programas 
e dessa forma foi preciso reformular a inserção organizacional. Assim, a partir 
do ano de 1996, passa a existir uma única secretaria, a Divisão de Informática e 
Informação. O objetivo do novo programa era a contribuição na configuração da 
sociedade da informação (UNESCO, 2000 apud GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002). 
Em 1995, um grupo intitulado Grupo dos 7 anunciou que colaboraria para 
a construção de uma infraestrutura global de informação com princípios idênticos 
aos apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em reunião 
ocorrida em Buenos Aires, referindo-se aos aspectos considerados tecnológicos, 
como a interoperabilidade, a interconectividade, o acesso aberto. Assim como 
outras iniciativas europeias, o Grupo dos 7 trouxe diretrizes sobre os conteúdos 
e os canais de informação (BORGMANN, 2000 apud GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 
2002). González de Goméz (2002, p. 31) sintetiza dizendo que a “relação entre 
política e informação deverá ser reconstruída a partir de sua ‘imersão’ nas novas 
configurações das infraestruturas de informação e da Sociedade da Informação”. 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
35
4 POLÍTICAS PÚBLICAS, MICROPOLÍTICAS E O REGIME DE 
INFORMAÇÃO
A relação entre política e informação, nos novos cenários, deverá ser 
compreendida quando inserida nos domínios econômicos e tecnológicos, nos quais 
atua o plano implícito de micropolíticas, que pode ser inscrito nos “componentes 
técnicos e não técnicos do desenho e operacionalização dos dispositivos de 
informação ou através de figuras econômicas – como as tendências oligopólicas 
ou monopólicas” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32). 
Em seu sentido mais amplo, o conceito de ‘infraestrutura de informação’ 
se refere à “convergência das tecnologias da comunicação, telecomunicação 
e informática, tendo a internet como principal locus de realização dessa 
convergência” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32).
 
Ao se analisar de forma breve os aspectos próprios das redes e da 
infraestrutura, se permite reconhecer a existência de um plano de conexo entre 
a informação e a política como expressividades de interesses, desejos, escolhas e 
tomadas de decisão (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002). Conforme Maria Nélida 
González de Gómez (2002, p. 32): 
Em primeiro lugar, consideraremos que políticas tácitas estão 
embutidas no design e formas de operação das infraestruturas de 
redes. A inscrição de padrões nas infraestruturas de informação 
– não visíveis ou implícitos desde o ponto de vista dos usuários – 
faz aparecer, como determinações funcionais e instrumentais, as 
decisões e alternativas que resultam das negociações de interesses, 
dos objetivos, projetos e escolhas organizacionais que, de modo 
prescritivo, antecipam operações e relações preferenciais nas redes, 
entre sujeitos, organizações e informações. 
Desse modo, existiriam os “padrões”, que seriam regras construídas por 
“atores em práticas sociais e operações técnico-instrumentais”. Esses atores podem 
“ser ‘de jure’, sancionados em processos institucionais ou jurídicos, ‘formais’ ou 
convencionais, gerados em processos ‘quase democráticos’, por corpos colegiados 
e “padrões de fato”, embutidos com caráter prescritivo em processos, serviços 
e produtos pelas forças do mercado” (GONZÁLEZ DE GOMES, 2002, p. 32). 
Assim, “seriam esses padrões de comunicação infraestrutural os que produzem 
nas redes um primeiro plano de zoneamento discursivo. São facilitadas certas 
relações, trajetórias e ocorrências semânticas, enquanto outras são desativadas ou 
dificultadas” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32). 
A autora traz como reflexão as escolhas de um ou outro sistema 
operacional (Windows ou Lynnus) a ser utilizado em redes de comunicação via 
computador (como escolas, hospitais, universidades etc.). É preciso lembrar 
do caráter regulatório dos padrões tecnológicos, que estão inferidos enquanto 
micropolíticas tácitas sobre os processos de informação e comunicação.
36
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
Com relação aos macrosistemas tecnológicos, a autora informa que estes 
não seguiram uma trajetória de estabilidade obrigatória, mas respondem à 
negociação de interesses.
 
Latour chama de “tradução” o modo como os interesses são 
negociados, buscando corporalizar-se e constituir caixas-pretas 
ou cadeias de relações irreversíveis (LATOUR, 2000). Os sistemas 
tecnológicos passariam assim por fases, estando nas fases iniciais mais 
sujeitos à negociação (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32). 
A convergência tecnológica, por sua vez, tornava favorável a formação 
de grandes corporações, oligopólios e quase-monopólios. Dessa forma, essa 
convergência pode incorporar“os mais diversos segmentos das indústrias 
eletrônicas, audiovisuais, editoras, empresas de telecomunicação, rádio, 
televisão, cadeias de broadcasting, publicações, serviços audiovisuais, serviços 
de informação on-line (acesso a bases e bancos de dados)” (GONZALEZ DE 
GOMEZ, 2002, p. 33). 
Segundo Mosco (1999) apud González de Gomez (2002, p. 33), os 
princípios das convergências tecnológica e econômica tornavam favorável a 
repetição, via internet, de arranjos monopólicos já experimentados no domínio 
das telecomunicações. Dessa forma, a internet encontra-se no que o autor 
considera como uma “encruzilhada entre o desenvolvimento de experiências 
democráticas e inovadoras ou o fortalecimento de tendências monopólicas, 
sobrecodificadoras, de regulamentação”. Segundo Mosco (1999) citado por 
González de Gomez (2002, p. 33): 
O grupo de pesquisa sobre governos eletrônicos, CYPRG, por 
exemplo, considera que a motivação inicial de dar à publicidade as 
informações públicas teria dado lugar a uma preocupação maior 
com as “estratégias de navegação” e com um estilo jornalístico de 
construção discursiva, em uma crescente ‘mediatização’ da Web. Não 
seria, porém, a política de informação a única afetada pelas novas 
formas de vinculação e desvinculação de sujeitos, informações e 
discursos: o que estaria em jogo, após ser verificada a impossibilidade 
de vigência ou reformulação da “constituição comunicacional”, seria a 
possibilidade do político, em geral. 
Para Knoche (1996) citado por González de Gomez (2002, p. 33), a 
concretização dos modelos de Estado Organizacional ou da chamada sociedade-
rede tornará cada subsistema funcional e desenvolveria autonomamente suas 
próprias semânticas especializadas. Dessa forma, “cada subsistema constrói uma 
imagem tematicamente diversificada do social, comprometendo toda composição 
político-cognitiva de uma visão abrangente do social”. 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
37
Sem ‘algo em comum’, que teria proporcionado à modernidade a garantia 
e a possibilidade de uma vontade do coletivo. Um impasse não só para “as 
expectativas de uma democracia extensível à sociedade, mas também ao próprio 
conceito de ‘política’, provocando a perda de sentido da questão da política 
informacional” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 33). 
Definidos à luz das formas modernas de soberania, os sujeitos 
políticos da informação estariam sujeitos às mesmas questões e 
tribulações dos grandes atores dos cenários modernos. Os sujeitos 
informacionais e os contextos institucionais de ação, articulados 
por ontologias classificatórias comuns, ofereciam um horizonte 
antropológico constante que permitia traçar linhas de continuidade 
entre as micropolíticas inscritas nos dispositivos de informação e 
as macropolíticas que exprimiam conflitos e interesses em figuras 
hegemônicas organizadas pelo Estado (GONZALEZ DE GOMEZ, 
2002, p. 33). 
As redes sociais de comunicação e informação acompanhariam, 
simultaneamente, “em cada um de seus elos, momentos e configurações, uma teia 
social singularizada por sua ancoragem no tempo e no espaço”, conforme infere 
Maria Nélida González de Gómez (2002, p. 34). Existe, então, a dificuldade para 
um observador que busca reconstruir a identificação dos sujeitos em ambientes 
de redes, visto que a dificuldade é equivalente à de encontrar indivíduos e grupos 
para o desenvolvimento de seus processos individuais de subjetividades dentro 
dessas interfaces (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002).
Os ambientes de rede, por sua heterogeneidade, pela desativação 
das formas prévias das vinculações social e discursiva e também pela 
desconexão dos contextos já habituais das mensagens, nem sempre 
respondem aos critérios de valor e aos procedimentos estabelecidos de 
confiabilidade da informação, que foram constituídos nos diferentes 
espaços sociais de práticas e interações comunicacionais (GONZALEZ 
DE GOMEZ, 2002, p. 34).
Dessa forma, como consequência, a ausência de regras e padrões sociais e 
valores explícitos, reconhecidos e aceitos pelos sujeitos envolvidos em um processo 
de comunicação em redes, geraria uma nova forma de “anomia informacional. 
Além disso, os novos cenários trariam a necessidade de revisão das categorias de 
análises e dos procedimentos metodológicos. 
Para tal, o conceito de ‘regime de informação’ passaria a designar o 
modo de produção informacional dominante em uma formação social. Serão 
definidos sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e 
os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos 
organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação 
e distribuição.
38
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
Um “regime de informação” constituiria, logo, um conjunto mais ou 
menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais. 
Informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de 
diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e 
organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes 
usuários específicos ou públicos amplos. O regime de informação 
não tem a configuração de um sistema de informação ou de um 
“sistema de sistemas”. É uma morfologia de rede. Uma figura mais 
ou menos discernível por suas zonas de desigual densidade e seus 
planos agregados de fluxos e estruturas de informação, de desigual 
estabilidade (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 34).
Assim, um regime de informação é constituído, em cada caso, por 
encadeamentos de relações pluridiversas, tais como:
 
a) Intermediáticas – que se referem à TV, jornais, conversas informais, Internet 
etc.; 
b) Interorganizacionais – ligadas à empresa, universidade, domicílios, associações 
etc., e;
c) Intersociais – referentes a atores comunitários, coletivos profissionais, agências 
governamentais etc. 
Logo,
Um regime de informação pode considerar-se, logo, como equivalente 
aos dispositivos de Foucault, destacando seu ser definido só por meio 
de sua operacionalização. Nunca é plenamente constituído por uma 
intenção a priori e carece, ao mesmo tempo, de uma neutralidade tal 
que possa ser considerado um mero instrumento a receber, a posteriori, 
um fim. As regras e o desenho de sua constituição operacional levam 
as marcas das condições de sua emergência e realização – tecnológicas, 
organizacionais, econômicas, culturais. Diferentemente do sistema, 
o dispositivo é opaco, complexo, nada antecipa nem garante a 
equifinalidade de suas partes (GONZALEZ DE GÓMEZ, 2002). 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
39
FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UM EXEMPLO DE REGIME DE INFORMAÇÃO
FONTE: <http://www.scielo.br/pdf/pci/v15n3/07.pdf>. Acesso em: 17 jun. 2019.
Regime de Informação
Atores Sociais
Ação de
Informação
Dispositivos de 
Informação
Artefatos de 
Informação
Atores Sociais
Dispositivos de Informação
Artefatos de Informação
Ação de Informação
Fatores ou Relação Externa
Interferência ou elo
Exemplos
Com relação ao conceito de “regime de informação”, este demarcaria, 
conforme González de Gómez (2002, p. 35), um amplo e exploratório domínio 
onde a “relação entre a política e a informação ficaria em observação, permitindo 
incluir tanto políticas tácitas e indiretas quanto explícitas e públicas, micro e 
macropolíticas, articulando, em um plexo de relações por vezes indiscerníveis, 
as políticas de comunicação, cultura e informação”.
40
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
LEITURA COMPLEMENTAR
Vamos reforçar o aprendizado sobre políticas públicas de informação?
Leia o texto a seguir:
ESTADO INTELIGENTE: BASE PARA CONSTRUÇÃO 
DE POLÍTICAS
Marta Pinheiro Aun
No ambiente da “sociedade em redes”, Bourguinat (1998) propõe aos 
estados uma economia que ele denomina de “moral” para que a esfera econômica 
não venha afetar as aquisições institucionaisobtidas pelas diferentes sociedades. 
Para o autor, a revolução informacional, constituída pelo “trio mágico: informática-
telecomunicação-eletrônica”, potencializado pela multimídia, possibilitou uma 
realidade inegável, a do processo de globalização.
Na prática dessa economia, ao invés de negar através de críticas a 
globalização, esta deve ser encarada na forma como tem afetado cada estado em 
sua individualidade e não de maneira única, global. Para o autor, como também 
para Lojkine (1998) e Serfati (1999), o que não se pode aceitar seria a fatalidade 
de um pensamento único, de uma única forma de se colocar no mundo. É como 
se todos estivessem atrasados para um “grande acontecimento”. Para ele, não 
são as nações ou estados a desaparecer, mas o pensamento único, tornando 
irreconhecíveis. É como se pensar e agir politicamente se tornassem ações 
“atrasadas” em relação a medir e a disputar reputação e credibilidade junto às 
altas esferas financeiras da Tríade 2. O mundo abandona o construído. O discurso 
da urgência substitui os pianos de longo prazo. O importante nesse ambiente do 
“novo”, um novo que parece ter que vir pronto, sem processo de princípio, meio 
e fim, é que os estados não percam a consciência da realidade. 
Chesnais (1996) e Boyer (1998) alertam para a dificuldade dos estados 
na coordenação dos espaços verdadeiramente de interesse de suas sociedades. 
A perspectiva internacional direciona para a equação do lucro imediato, 
competitividade e curto prazo, minando as possibilidades das perspectivas sociais 
e culturais, da elaboração de conteúdos regionalizados, que exigem políticas de 
longo prazo, principalmente em relação à informação.
 
Esses autores, reconhecendo a realidade da atual fragilidade dos estados, 
consideram como primordial o estabelecimento de estratégias que permitam 
a cada país estabelecer a sua margem de manobra nesse contexto tendendo ao 
perfilamento ideológico. 
Os Estados Unidos como nação soberana, ao contrário do que é pregado 
pelo sistema neoliberal, o mercado como coordenador, continua tendo, na figura do 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
41
seu governo, a representação da força de poder e de decisão, como já foi apontado 
por Cassiolato (1997). Quais seriam então as iniciativas para a preservação dos 
territórios, sociedades, culturas, economias, identidades? Bourguinat (1998) 
considera que para serem conservadas essas identidades seria necessário que 
os estados aceitassem o dever de um inventário. Inventariar: quem somos e o 
que podemos ser no contexto mundializado também denominado de sociedade 
da informação. E assim ele fala da França: “Mesmo que isso venha a nos custar 
muito, saibamos perder o que é acessório para conservar o que é essencial”. A 
visão do que seja essencial é que parece rarefeita. Assim, o “inventário” deveria 
ser iniciado pelos estados determinando seus objetivos em relação à sociedade da 
informação. Para tanto, é necessário ao Estado conhecer as necessidades do seu 
povo, as organizações dos seus funcionários e as escolas de seus alunos.
Na ambiência do mundo atual, muitas vezes parece que o estado, política 
e poder são conceitos que vão se tornando peças de um jogo de adivinhação. 
Programas, planos e objetivos governamentais são tomados por políticas ou 
como ações de interesses políticos. O poder parece ser dado aos que correm 
contra o tempo, o poder de atender à urgência. O estado parece ter se tornado 
figura fragilizada, envolvido pela gama de movimentos imprevisíveis da esfera 
econômica, sendo rotulado de ter se tornado máquina pesada e “inchada” até 
mesmo por seus próprios governantes (ANDERSON, 1996). O poder não é mais 
nomeado e até a tecnologia passa a ser detentora desse poder e responsabilizada 
por todas as transformações. Como se encontram então essas peças institucionais 
tão importantes: estado, política e poder?
A política constitui conceito claro e bem definido. Sua origem, a cidade 
grega, a polis, significa a comunidade organizada de homens livres e o termo tem 
em Aristóteles uma definição precisa: a arte e a maneira de conduzir os trabalhos 
públicos, de regrar as relações entre os indivíduos e os grupos ou, dito de outra 
forma, a arte de governar. Conforme apontado por Maille (1995), o estado 
existindo há mais de dez séculos é produto do encontro da política e da história, 
é a instituição das instituições e seu desenvolvimento advém de certo número 
de elementos imprescindíveis: a) Um território, delimitado geograficamente. b) 
Um meio militar e diplomático, pois sempre foi através de conquistas e tratados 
que os estados ganharam suas extensões territoriais. c) Uma população. d) Uma 
língua. e) Uma cultura que se liga à língua. f) Uma economia, um princípio para 
garantir a subsistência da população e como forma de poder.
O poder foi definido por Heródoto a.c. como sendo a modalidade de 
exercício da autoridade. Uma definição mais simples e elucidativa citada por 
Maille (1995) é a capacidade de agir de um indivíduo ou de um grupo sobre 
outro indivíduo ou grupo. O fim da bipolaridade política mundial e todas as 
transformações econômicas mundiais foram substituídos pela penetração 
de um capitalismo comum de contenção de gastos sociais e de equilíbrio pela 
esfera econômica. Sua penetração encontrou no desenvolvimento das redes 
tecnológicas instrumento possibilitador do processo de globalização. Uma 
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
42
aparente homogeneização política acabou por camuflar a clareza do emprego dos 
conceitos de estado, política e o conhecimento transparente da distinção entre 
espaço público e espaço privado. O conhecimento do que era público em distinção 
ao conhecimento do espaço privado torna-se cada vez menos perceptível no 
mundo contemporâneo.
Alguns autores, como Foray e Lundvall (1996), afirmam que a tradicional 
dicotomia entre conhecimento público e conhecimento privado tem se tornado, 
portanto, menos relevante. Segundo eles, formas híbridas de conhecimento têm 
sido colocadas social e politicamente não sendo nem completamente públicas 
nem completamente privadas. Se o conhecimento e a competência estão sendo 
desenvolvidos interativamente em redes, as mudanças podem ser vistas como 
um mudar histórico, um processo de transformação social onde começamos a 
perguntar sobre velhos atores com papéis e pontos definidos anteriormente no 
bloco histórico para que possamos dimensionar o espaço da informação e do 
conhecimento nesse novo tempo e sua relação com as atuais transformações do 
estado e suas políticas, sobretudo de informação. Contemporaneamente, em lugar 
de força ou poder do estado, fala-se de força econômica mundial determinada em 
um espaço restrito pela competência científico-tecnológica e pela força oligopólica 
financeira.
 
Koenig (1995) e Ianni (1996) assim afirmam e ainda consideram 
que as formas de poder e os espaços de politização se transformam em um 
espaço crescentemente despolitizado pelo enfraquecimento dos estados-
nação e esse poder hoje não está mais atrelado à figura do estado, mas ao 
papel desempenhado pela informação e ao conhecimento pela emergência da 
sociedade da informação. 
Nos conceitos gramscianos, o estado enfraquecido assumido 
representativamente por uma classe dominante quando não consegue cumprir 
todos os papéis, principalmente o de condensador de forças dos coletivos, 
estabelece, então, aparelhos de coerção (polícias, tribunais, normas, “regras de 
mercado” opostos à construção hegemônica. Já o estado forte tem seu campo 
de poder na legitimidade ativa das classes. O poder do estado legitimado pela 
sociedade civil transforma uma sociedade política forte, não perdendo sua 
representatividade junto à sociedade. Ao estado, cabe a decisão do saber, “o 
saber prudente”. Seria o estado forte ou poderíamos nomeá-lo, na ambiência 
informacional, de estado inteligente. A construção do conceito de conhecimentose faz então à luz do poder do estado, que representa o próprio conhecimento, a 
informação como realização da racionalidade, o consentimento ativo dado pela 
sociedade civil, os “elos formados por interesses comuns através da informação” 
(GÓMEZ, 1997), tendo um papel essencial no seio da superestrutura mundial.
Foucault (1995) relata o poder como uma realidade plural, não podendo, 
portanto, ser classificado pela sua natureza ou essência e, portanto, ser 
caracterizado universalmente (não hegemônico, portanto). O autor estabelece 
que o poder não é único, globalizado e que na verdade ele pode ser percebido em 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
43
formas heterogêneas, diferenciadas, em constantes transformações. O poder para 
Foucault é uma relação social e, por isso, constituído historicamente representando 
a ação sobre a ação. Assim, o autor argumenta que o estado não pode ser 
considerado como aparelho central e exclusivo de poder. O que existe é uma 
articulação com diferentes poderes locais, específicos, anônimos, pertencentes 
a uma única área de ação, a da instituição. A mecânica do poder se expande, 
se difunde pela sociedade em formas moleculares caracterizadas, às vezes, por 
micro ou subpoderes. Há uma forma funcional de troca de informações, sendo 
estabelecidos hierarquias e valores, sanções normalizadoras. A informação passa 
a ser então o dispositivo dos dispositivos, a instituição das instituições.
Já Latour (1994) atua em um processo de tradução das redes. Vê, no 
estado, uma “criatura artificial”, composta de cidadãos que estão unidos na 
aparência por uma autorização dada por alguém que representa, tendo o poder 
da representação. A questão para ele reside no fato de a constituição moderna 
inventar uma separação entre o poder científico encarregado de representar 
as coisas, a natureza e o poder político encarregado de representar os sujeitos, 
a sociedade. A competência da representação do sujeito fica com o estado. 
A natureza fica como “estrangeira e até hostil”. Os erros causados são então 
colocados na tecnologia, tecnologia que Latour vê como integrante da sociedade 
dando estabilidade e durabilidade. 
Para Latour, sociedade e tecnologia devem funcionar num programa 
de ação e relação com momentos de separação e de ligação em associações e 
desassociações contingenciais. Ligados ao estado aparecem o campo do poder 
e o capital político e dentro do campo de poder está o capital da informação. 
Mais englobante que o capital cultural, o conhecimento reconstitui as relações 
sociais. O conhecimento deve ser mutável, passar por processos através de 
cadeias de associações: um trabalho de rede, onde cabe o trabalho de tradução, 
evitando a separação do mundo das coisas. Sociotécnicas, as redes para ele são 
a representação que engloba também o científico e o político. A centralização do 
poder informacional, para Latour, parece inviável. Os estados se subdividem 
em microestados ou se aglutinam em blocos contemplando ora a técnica, ora a 
sociedade. As redes estabelecem diferentes pontos de integração, permitindo 
passar do local para o global e vice-versa. Segundo Latour, as redes, saindo de 
sua clandestinidade, representarão governos, as técnicas.
Castells (1997) e Gómez (1997) veem a sociedade da informação como 
uma sociedade em rede, onde múltiplas formas de poder estão representadas. 
Propõe-se a visão de um estado que não se resuma em representar a única forma 
de poder ou que apoie uma forma de poder anônimo que considere natural a 
desintegração dos coletivos. Defendemos a presença forte de um estado que, 
integrado à sociedade, a represente em uma rede mundializada. A rede como 
“representação dos coletivos” divulga um estado legitimado pela sociedade 
civil e em constante transformação, criando associações em ações heterogêneas e 
desassociações em relações contingenciais de uma sociedade em transformação 
despertada pela informação e pelo conhecimento.
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
44
Estado como coordenador
Segundo Levy (1996), o poder da inteligência coletiva, acoplando a 
inteligência individual à memória dinâmica dos coletivos, cria e modifica as 
representações e a linguagem. Transforma e cria valores, modificando, deslocando. 
O autor visualiza a possibilidade de um metamercado integrado, instrumento de 
uma avaliação cooperativa distribuído à sociedade por ela mesma, onde o estado 
deve representar com políticas dos coletivos. 
Janni (1996), de forma menos otimista, diz que um poder anônimo se 
instala na forma de um supersistema padronizador de formas de pensar e de 
agir sem a consciência “inteligente” dos coletivos. No supersistema, o estado 
é localizado como subsistema em relação ao sistema social enquanto sistema 
político, estabelecendo seu vínculo através do estabelecimento de políticas, mesmo 
que estas estejam em transformação. Estados sempre sofreram pressões externas 
e internas interferindo em seu processo de construção política, políticas sempre 
elaboradas em consonância com esses desafios. Hoje, os estados fragilizados, 
vivendo um clima de incertezas, são o reflexo claro dos problemas. O problema 
é que essas forças não podem ser aceitas pacificamente como “incontroláveis” 
ou “naturais”. Assim, os governos convivem hoje com mudanças que não advêm 
somente do seu interior. 
Du Castel (1995) afirma que os governos têm cada vez mais dificuldade de 
rivalizar com as potências transnacionais que desafiam toda a forma de controle 
por parte dos estados no exercício de sua soberania nacional, sobretudo em relação 
à comunicação. Para Diniz (1996), os estados são permeados por um sistema de 
intermediação de interesses oligopolísticos que não garantem governabilidade, 
criando gargalos nas políticas.
 
 Sofrendo cobranças e pressões externas e internas, cabe ao estado, mais 
que em outras épocas, o papel de coordenador e implementador. Dentre os 
autores que não acreditam na falência dos estados, citamos Diniz (1996) que, 
como tantos outros, vê o fortalecimento no uso da governance ou coordenação 
como forma política dos novos tempos. “A capacidade governativa no sentido 
amplo, envolvendo a capacidade de ação estatal na implementação das políticas e 
na consecução das metas coletivas. É o conjunto dos mecanismos e procedimentos 
para lidar com a dimensão participativa e plural da sociedade, o que implica 
expandir e aperfeiçoar os meios de interlocução e administração do jogo de 
interesses” (DINIZ, 1996). A eficácia da ação do estado não depende apenas da 
capacidade de tomar decisões, mas de adequar as suas políticas a partir de arenas 
de discussão e de negociação, implementando uma gestão articulada.
Diante das pressões internacionais que todos os estados têm sofrido, a 
governance surge como forma de governar com maior flexibilidade, ao serem 
descentralizadas funções e transferidas responsabilidades a parceiros sociais, 
ampliando o “universo dos atores participantes”, sem que o estado tenha que 
abrir mão de seus instrumentos de coordenação, controle e de supervisão, tendo 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
45
ainda o respaldo social para as suas ações externas (DINIZ, 1996). Os estados 
procuram mudar internamente através de serviços públicos mais transparentes, 
mais eficazes, menos rotineiros, em diálogo aberto com a sociedade. A importância 
de um estado é conquistada pelas suas práticas sociais. A participação social 
exige hoje uma comunicação direta. As redes podem tornar isso possível se os 
objetivos forem claros e os interesses nacionalizados. De forma já generalizada, 
seguindo a mão única do tecnomemado, vão acontecendo altos investimentos 
sem uma seleção prévia das tecnologias mais apropriadas às necessidades da 
sociedade. Assim, são estabelecidos planos de curto prazo, atendendo à urgência, 
um selecionar único para municípios, empresas e instituições de ensino.Influência da urgência
A questão da urgência está normalmente associada às TIs e é vista por 
determinados autores com reserva. Giddens (1991) e Monnoyer-Smith (1998), 
por exemplo, apontam que a representação do tempo, acelerada pelas técnicas, 
seja uma das consequências da modernidade, influenciando sociedades e seus 
governos a darem uma conotação obsessiva ao fator tempo. Isso, para Monnoyer-
Smith, vem gerando ao modelo ocidental de cultura temporal duas características 
(i) o tempo agora é tomado como termo de eficácia e por eficiência. O autor 
atribui essa particularidade à invasão da lógica de mercado em todas as esferas 
da economia e da sociedade; (ii) a rapidez é encorajada e valorizada. A rapidez 
de respostas e de ações passa a ser elemento da competitividade das empresas. 
Como consequência da supervalorização do tempo, surge a ideologia da 
urgência, que aparece claramente em nível político como uma forma de ação-
resposta às crises crônicas enfrentadas pelos governos. Quando não se fala nos 
discursos em urgência, emergência, fala-se de atraso e sempre do atraso técnico 
(gestão da técnica) ou de domínio da técnica (gestão técnica do sociocultural). 
Monnoyer-Smith (1998) argumenta que a urgência vem para preencher um 
vazio conceitual, próprio à transição e assim cita Aubert: “A urgência se presta a 
dissimular a perda de significado que afeta nossas sociedades”(AUBERT, citado 
por MONNOYER-SMITH, 1998).
 
Uma ilustração da evolução de urgência, da questão da temporalidade 
na esfera política fica clara nos discursos dos primeiros ministros das maiores 
potências da Europa. Para Monnoyer-Smith, assiste-se à emergência da temática 
da urgência como garantia de legitimidade da ação política. O autor argumenta 
que a urgência se coloca de forma obrigatória dentro do discurso político, para 
assim o governo agir mais livremente em resposta à esfera econômica. Por outro 
lado, a situação de “começo” é então apresentada como ruim, dramatizada pelo 
discurso do atraso. 
Numa situação colocada de urgência permanente, a lógica das ações rápidas 
e planos de curto prazo vem justificar a substituição das políticas de longo prazo. 
Da crise ao vazio social, cria-se a necessidade de ações urgentes apresentadas 
dentro dos programas governamentais, de forma dominante e necessária. Agindo 
46
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
dessa maneira, a garantia do desenvolvimento sustentável torna-se imprevisível. 
Os estados, mesmo nos países desenvolvidos, têm-se tornado mais modestos 
em suas atuações sociais. As cotas com a educação, saúde e segurança têm sido 
menores. Seus governos encaram com naturalidade a fragilidade dos sindicatos 
e sua perda do adquirido (LOJKINE, 1998). Sua capacidade de coordenação, 
de governance fica comprometida. Evidentemente que o ritmo e a orientação do 
desenvolvimento tecnológico dependem de decisões políticas, tanto públicas 
como privadas.
Castells (1998) salienta o papel do estado: “O estado (bloqueia, aciona 
ou conduz a inovação técnica) exerce um papel decisivo. Gera exprimindo 
e organizando as forças sociais e culturais que prevalecem em determinado 
momento e lugar. A técnica revela em grande parte a capacidade de uma 
sociedade de se lançar no domínio tecnológico através das instituições sociais que 
compreendem o estado. O processo histórico pelo qual produzo desenvolvimento 
das forças produtivas define as características das técnicas e a maneira pela qual 
acontecem as relações sociais” (1998). Sem sentido é pensar e aceitar o fim de 
estados. Ao contrário, é preciso pensar e compreender sua nova formatação 
ao tentar acompanhar as ondas de transformações da nova era da informação. 
As intervenções institucionais sobre a técnica não vêm mais só do estado, mas 
de centros de decisão públicos e privados. Mas sempre é o institucional, o 
político é que determina o técnico. Sozinho, sem o patrocínio institucional, um 
cidadão, uma pequena empresa, navegarão sem rumo pelas redes. Portanto, 
para participar da sociedade da informação de forma mais positiva, exige-se, 
acima de tudo, a construção de políticas nacionais que atendam aos interesses 
sociais. Para a construção do novo quadro político, os estados parecem encontrar 
importantes desafios. Experiências analisadas nos países da Europa ocidental 
para a concretização dessa nova sociedade informacional fazem-nos acreditar em 
possíveis vivências e experiências positivas observadas na Alemanha, França e 
Reino Unido.
Políticas de informação: políticas emergentes na 
sociedade da informação 
A partir da década de 1950, num desenvolvimento originado nos estados 
mais desenvolvidos do ocidente, tem início a construção de políticas de informação 
voltadas para os desenvolvimentos científico e tecnológico, incentivadas pelos 
estados que passam a promover a importância da ciência como modernizadora 
da estrutura produtiva (SILVA, 1993). 
O advento do Sputnik, que a URSS lança em 1957, surpreende os países 
de pesquisa científica mais avançada. Para Cacaly (1990) e Browne (1997), esse 
inesperado evento faz o governo dos Estados Unidos concluir que a informação 
científica circulava mal mundialmente. Movidos pela carência e ineficácia, os Estados 
Unidos iniciam uma política de informação científica e tecnológica de aspecto mais 
abrangente. Essa política é explicitada através do documento Weinberg (nome do 
relator do projeto), dando início a esse novo formato de construção política que 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
47
é divulgada pelo presidente Kennedy em 1963. No documento, a comunidade 
científica e o governo são responsabilizados pela transferência de informações. 
Esse relatório faz um alerta às principais comunidades científicas mundiais, que 
passam, junto a seus governos, a estabelecer políticas de informação nas quais 
o poder do controle da informação, responsável pelo desenvolvimento técnico-
produtivo, fica dividido entre os estados e a ciência ou a comunidade científica.
Até a década de 1990, na tentativa de melhorar a eficácia na transferência 
de informações na Europa, a França, a Alemanha e o Reino Unido, embora tenham 
adotado políticas nacionais diferentes, estabeleceram, como ponto comum, a 
centralização das ações para a elaboração dessas políticas em um só órgão. A esses 
órgãos cabia a responsabilidade do mapeamento da produção científica nacional, 
gerando as fontes para o desenvolvimento de bases de dados referenciais, 
além de outros recursos, instrumentos e serviços orientados a propiciar melhor 
disseminação da informação, servindo de insumo à construção de indicadores de 
modernidade.
No período que cobre as décadas de 70 e 80 do século XX, observa-se 
um grande esforço de desenvolvimento das telecomunicações, da informática 
e da eletrônica através de políticas implementadas que privilegiam essas 
áreas, e bibliotecas brasileiras começam a sua automação. A emergência da 
nova era é acelerada com a rápida difusão dos computadores pessoais e com a 
expansão e desenvolvimento da interface das áreas de informática, eletrônica e 
telecomunicações. Populariza-se, então, a expressão ‘sociedade da informação’ e 
o mundo assiste ao movimento de uma nova forma de comunicação social, onde 
a informação passa a ser disseminada através de redes que se expandem vindo a 
afetar diretamente as esferas econômicas, políticas e sociais. 
O processo de transformações tecnológicas e econômicas modifica a 
sociedade mundial, a construção de suas políticas de informação, obrigando-
as a se reestruturarem. Dos diferentes países vem, então, a necessidade de 
estabelecerem programas ou políticas nacionais de informação que contemplem 
o estabelecimento de conteúdos regionalizados aliados ao desenvolvimento de 
tecnologias informacionais e o estabelecimento de infraestrutura tecnológica 
como condição básica. 
Trabalhos da OCDE (1997) e do governo francês PAGSI (1999) explicitamque, com a emergência da nova era informacional, economias e sociedades muito 
têm a ganhar se souberem aproveitar essas oportunidades, mas que se torna 
fundamental a todos os países a consciência de que o processo de integração 
dependerá de uma série de fatores. Destacamos, então, a importância da educação 
com novas possibilidades técnicas. Se bem utilizadas, empregando as novas 
tecnologias informacionais, haverá um melhor nível de prestação de serviços 
sociais, maior acesso à cultura, ao lazer e ao emprego. 
Esses trabalhos, entretanto, alertam para o fato de que todos os ganhos 
são dependentes da possibilidade de acesso a um novo sistema mundializado 
48
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
que exige tecnologia de redes, domínio das tecnologias de informação. A 
complexidade maior será sempre em relação ao acesso aos conteúdos pertinentes. 
O cenário de construção de políticas de informação tem refletido o processo de 
transformações em vigor. 
Diversos autores, dentre os quais destacam-se Bowne (1997), Rowlands 
(1997), Moore (1997), Cacaly (1990) e Du Castel (1997), argumentam que se 
clareiem os conceitos básicos de política de informação e a abrangência dessas 
políticas. Para os autores, é importante a explicitação de diferentes conceitos 
sobre a abrangência da política de informação.
 
Em primeiro lugar, o conceito de política tem que ser diferido do conceito 
de plano. O plano se traduz por um programa de atividades (informacionais no 
nosso tema) dirigidas à construção das culturas de organizações, sejam públicas 
ou privadas, numa operacionalização de estabelecimento de metas, linhas de 
ação. As condições de elaboração e agentes responsáveis são direcionadas pelas 
organizações ou instituições e não têm a obrigatoriedade de uma explicitação 
legal. O plano possui um horizonte temporal mais curto por estar ligado 
diretamente à operacionalização. Políticas são bem mais complexas. Abrangendo 
uma temporalidade de longo prazo, são explicitadas através de leis, decretos ou 
documentos aprovados por um governo em exercício, como forma de intervenção 
de sua administração (MOORE, 1998).
 
Para Orna, política é o termo mais empregado para descrição de estratégias 
ou metas governamentais, sendo também usado em referência às estratégias 
usadas pelos setores público e privado e pelo setor das organizações em geral. 
Para Harnon, Burgei e Braman, as políticas de informação referem-se ao processo 
de transferência da informação, dentro de um contexto social que gera o ciclo de 
vida da informação. Para E isenschitz (apud BOWNE, 1997), o mais importante é 
o estabelecimento de mecanismos que garantam todo o processo de transferência 
de informação, garantindo, ao final da cadeia, a assimilação da informação por 
usuário, assegurando o acesso ao conhecimento. Já Moore, Meyriat, Kristiansson 
e Orna atualizam seus conceitos de ambiência do processo global da sociedade 
da informação, sugerindo as políticas de informação como uma resposta às 
influências externas. Dentro desses conceitos, as TIs ganham maior importância 
pela necessária conecção em redes.
Política de informação: movimento de transição
Rowlands (1996) afirma que grande parte do interesse atual pela política de 
informação advém da ampla discussão sobre a necessidade de desenvolvimento 
das infovias de informação. Segundo ele, dois fatores são responsáveis pelas 
novas visões e experimentos em política de informação: a) a convergência de 
mídias, tecnologias e serviços (conduzindo a mudanças no estabelecimento 
de políticas e sistemas de regulação); b) a atual visão de que as políticas de 
informação acarretam um potencial de contribuição positiva ao bem-estar social 
e econômico no aproveitamento da potencialidade transformadora em ganhos de 
produtividade e na melhoria da qualidade de vida. 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
49
Segundo estudos de Weingarten (1989), hoje, há maior complexidade 
envolvida na construção dessas políticas. Para ele, a questão fundamental é 
equacionar efetivos compromissos com interesses competitivos. Cabe lembrar 
que, no progressivo estabelecimento dessa nova era, o controle dos fluxos de 
informação e do conhecimento representa crescentemente fonte importante de 
poder. Argumenta-se, então, que a política de informação atual tem que ser 
flexível, dinâmica, respondendo às circunstâncias de mudanças que ocorrem em 
maior velocidade. O processo de construção política deve hoje considerar que o 
novo cenário repleto de impactos e incertezas tem dificultado o estabelecimento 
dos objetivos das políticas de informação, redimensionando os processos 
políticos através de variáveis que podem ser conceitualizadas como dependentes 
e independentes.
Considerando políticas de informação como variáveis independentes, 
podem ser analisados o impacto e o êxito sobre outros planos e dimensões 
de processos políticos mais amplos, como sociais, econômicos, educacionais. 
Considerando como variáveis dependentes, sofrem as contingências da 
ambientação mundial, não se limitando hoje às fronteiras nacionais, acarretando 
a característica de aparente emergencialidade. Burger (1993) apresenta três níveis 
hierarquizados de políticas de informação: 
a) Política de infraestrutura: estabelece as cotas de emprego, concessões e 
políticas de educação aplicadas à sociedade e em todo o seu contexto. 
b) Política de informação horizontal: aplicação específica e impactos sobre o setor 
de informação, como provisão estatutária de serviços de bibliotecas, formação 
de coleções, leis de proteção de dados. 
c) Política de informação vertical: aplicações para setores específicos de geração 
e uso da informação, tal como a comunidade geográfica de informação.
Para Bowne (1997), no processo de transição, os países, ao buscarem espaço 
na nova era da informação, necessitam de modelos que os ajudem a analisar de 
forma mais ampla os fenômenos influenciados pelas mudanças no ambiente 
tecnoeconômico-social global. Há, então, maior necessidade de valor crítico no 
processo de construção de política de informação para melhor equilíbrio entre 
os campos tecnológico e sociocultural, ou seja, entre o continente e o conteúdo. 
Os pesos e medidas passam a ser outros, respeitando, principalmente, a vocação 
da sociedade e das empresas de cada país. Sem a precisão de modelos que os 
auxiliem a acompanhar tantas transformações de forma positiva, correm o risco 
ao elaborarem programas emergenciais. 
Hill (1995) adverte que os países devem ter consciência que o mais 
importante das políticas de informação é que elas podem vir a minimizar barreiras 
se proporcionarem o bom uso da informação ou penalizarem as sociedades, se 
houver mau uso ou um mau emprego da informação. Assim, é muito importante 
a seleção de conteúdos socioculturais que garantam qualidade da informação e 
não só a quantidade, respeitando as especificidades.
50
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
O autor, dando um enfoque mais industrial ao processo, destaca ainda 
que as políticas devem trabalhar com quatro níveis de recursos (tecnologia 
de informação; indústrias de informação; sistemas de informação e recursos 
humanos), assegurados por programas intensivos de informação (ensino, 
educação, pesquisa), programas de inovação, desenvolvimento de coleções, 
tomada de decisão, controle de informação, informação econômica, produção e 
invenção, distribuição e comercialização, administração de risco, coordenação, 
processamento, administração, atividades governamentais, além de um programa 
que acoberte todo o ciclo de vida da informação, desde a sua criação e produção 
à distribuição e uso. 
Complementando, Boyer (1998) assinala que os governos estão 
excessivamente preocupados com as transações financeiras, esquecendo-se de que 
se as políticas são bem estruturadas podem garantir as finanças e nãoo contrário. 
Para satisfação do mercado financeiro, muitos países estão voltando atrás com 
programas intensos e fundamentais nas áreas de educação, de saúde e segurança. 
É a lógica do sistema capitalista, excluindo a maior força política de um país: 
um povo educado, saudável e seguro, pondo em risco a formação de um povo 
determinado politicamente pelo seu nível de conhecimento. A subordinação, 
visando somente às transações econômicas do comércio eletrônico e à corrida às 
bolsas, nas quais, como argumenta Chesnais (1996), “informações são vendidas 
antes mesmo de existem”.
Hoje, o processo de construção de políticas de informação é, em toda a sua 
complexidade, bastante diferente do que foi até o início da década de 70, quando, 
seguindo um modelo pós-fordista, privilegiava os desenvolvimentos científico 
e tecnológico através da sua sustentação informacional no desenvolvimento de 
coleções e na criação de bases de dados especializadas, incluindo os conteúdos 
por áreas de conhecimento. A diferença é que agora a orientação dessas políticas 
volta-se para empresas, negócios, serviços comerciais, de educação, de saúde, 
domiciliares. Busca-se, então, disponibilizar toda a informação em redes, com 
segurança de qualidade, autenticidade e proteção dos direitos e das próprias 
informações. “Estar disponível” ou produzido não garante a sua transformação 
em conhecimentos tácitos. Portanto, as demandas de construção política em 
seus múltiplos aspectos agora são outras e muito mais complexas. Exigem dos 
indivíduos, empresas e instituições governamentais uma nova capacitação de 
busca, a criação de conteúdos pertinentes e a definição do instrumental necessário 
ao atendimento dessa exigência. 
O desafio reside, então, no equilíbrio e na vontade explícita dos governos 
em formarem cidadãos conscientes para participarem mais ativamente da 
sociedade da informação, orientados politicamente para um mundo com maior 
visão social, contribuindo para que o crescimento das atuais múltiplas formas de 
pobreza não conduza o mundo a incontroláveis formas de barbárie. 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO
51
Moore (1996) e Browne (1997) alertam para o fato de que as políticas de 
informação tenham sido realizadas sem fortes bases intelectuais que venham 
dar suporte aos seus elaboradores, principalmente em relação à regulação e ao 
tratamento dos conteúdos. Esses autores consideram que o campo de estudo na 
área ainda é “novo” em relação às reorientações internacionais a serem submetidas 
às especificidades socioculturais dos diferentes países.
Ainda é, portanto, necessária a sua integração aos estudos de ciências 
políticas e de política internacional, tornando-se interdisciplinar para que não 
se percam as orientações e o embasamento de outros processos anteriores de 
construção política.
* Partes do texto foram retiradas visando tornar a leitura mais dinâmica 
e acessível.
Para ler o texto na íntegra: AUN, Marta Pinheiro. Políticas públicas de 
informação e desenvolvimento. In: PAIM, Isis. A Gestão da informação e do 
conhecimento. Belo Horizonte: Escola da Ciência da Informação, 2003.
52
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Políticas públicas, o papel do Estado e suas implicações na sociedade atual têm 
sido questões estudadas na Ciência da Informação.
• O estudo das políticas públicas tem buscado observar qual a lógica existente 
entre o Estado e a Sociedade, identificando as relações existentes entre seus 
atores e compreendendo as dinâmicas da ação pública.
• As políticas públicas são compreendidas como o “Estado em ação”.
• A política de informação se expressa para além do campo formal das leis e 
dos regulamentos, incluindo práticas e ações informacionais de determinados 
contextos, integrando sujeitos, instituições e interesses, cujas manifestações 
nem sempre são reveladas por mecanismos formais.
• As políticas públicas são desenvolvidas para serem implementadas em 
contextos específicos de informação. Também dependem dos diversos 
segmentos e contextos comunitários para se desenvolverem no cotidiano das 
pessoas.
• Os sistemas nacionais das informações científica e tecnológica não conseguem 
ser expressos em um domínio que seja estável e transparente dentro de 
instituições.
• A partir da década de 1970, os discursos sobre os sistemas nacionais de 
informação científico-tecnológica enquanto algo do Estado passaram a ser 
substituídos por um discurso focado na economia.
• Um dos carros-chefes da política norte-americana do governo Clinton foi o 
programa da Global Information Infrastructure (GII), apresentado em 1994 na 
reunião Internacional Telecommunication Union em Buenos Aires.
• Já na Europa, o documento “Europa e a Sociedade Global da Informação”, 
também conhecido como Bangemann Report, foi apresentado na reunião de 
1994 do Conselho Europeu, em Corfu. O documento, em forma de relatório, 
refere-se à “revolução baseada na informação, expressão do conhecimento 
humano”.
53
• Infraestrutura, conceito oriundo da ruptura de paradigmas, é genericamente 
atribuída como um conjunto de instalações, recursos, meios que são requeridos 
para que uma atividade, organização ou sociedade funcione.
• O conceito de ‘infraestrutura de informação’ se refere à “convergência das 
tecnologias comunicação, telecomunicação e informática, tendo a Internet 
como principal locus de realização dessa convergência.
• O conceito de ‘regime de informação’ passaria a designar o “modo de 
produção informacional dominante em uma formação social. Serão definidos 
sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e os 
recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos 
organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação 
e distribuição”.
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pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
CHAMADA
54
1 Considerando o Tópico 2, você aprendeu alguns tipos de Políticas Públicas 
de Educação no contexto da gestão da informação. Dessa forma, responda 
com verdadeiro (V) ou falso (F) as seguintes sentenças:
a) ( ) O Plano de Ações Articuladas (PAR) se refere a um sistema informatizado 
de gerenciamento de informações desenvolvido visando à coleta 
de informações para o município poder entender a sua rede escolar, 
direcionar e acompanhar as ações de gestão e das práticas educacionais 
do Programa de Alfabetização na Idade Certa – PAIC.
b) ( ) O Plano de Ações Articuladas (PAR) apresenta o detalhamento das 
ações e subações selecionadas por cada estado ou município.
c) ( ) O Sistema Integrado de Gestão Educacional (SIGE) é o sistema de 
gerenciamento de informações da Secretaria de Educação do Estado do 
Maranhão-SEDUC.
d) ( ) Entre os tipos de políticas públicas para gerenciamento de informações 
do campo da educação, encontram-se: Sistema Integrado de Gestão 
Educacional (SIGE), Plano de Ações Articuladas (PAR) e o Sistema de 
Acompanhamento das Ações do Paic (SAAP):
2 Conforme Gonzaléz de Gómez (2002), existem alguns fatos que demarcaram 
a construção do campo das políticas de informação. Marque qual (is) 
resposta (s) corresponde (m) a esses marcos.
a) ( ) Weinberg Report – que define o escopo e a abrangência de uma política 
de informação e a UNESCO – com a realização de suas ações buscavam 
o estabelecimento de um programa intergovernamental e cooperativo 
visando à promoção e à otimização do acesso e do uso da informação. 
b) ( ) A UNESCO, reconhecendo os desenvolvimentos científico e tecnológico 
como pressupostos básicos para redução das desigualdades entre países, 
incentiva não só a criação de bases e sistemas nacionais de informação, 
como também a integração em nível internacional, principalmente da 
América do Norte.
c) ( ) General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), atual Organização 
Mundialdo Comércio – OMC, demonstrou que existem grupos tanto 
nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento que 
estão plenamente conscientes da importância cultural e constitutiva da 
informação, de seu processamento, fluxos e uso.
d) ( ) Actor Network Theory (ANT) observa os processos e as práticas 
informacionais nos artefatos híbridos (atores humanos e não humanos) 
através da mediação, esta que busca ressignificações do social numa 
linguagem intersubjetiva.
AUTOATIVIDADE
55
3 Leia a passagem a seguir:
A ciência e a tecnologia encontram-se sob o domínio do Estado, o qual é 
o responsável por organizar e definir quais as políticas de informação que serão 
realizadas por ele, o agente privilegiado de sua elaboração e implantação. Em 
países em desenvolvimento como o Brasil, ainda não há uma efetiva aplicação e 
desenvolvimento de políticas de informação. Além disso, a convicção do papel 
da informação no desenvolvimento de um mundo moderno não se mostrou 
eficaz para a formulação de estruturas institucionais, informação científico-
tecnológica e em parâmetros tecnológicos e organizacionais (GONZÁLEZ DE 
GOMÉZ, 2002).
Conforme a autora, os sistemas nacionais de informação científico-
tecnológica não conseguem expressividade em domínios que não sejam 
estáveis e transparentes dentro das instituições. Dessa forma, marque qual o 
motivo que a autora elenca para que isso não ocorra.
a) ( ) Isso ocorre, porque a informação ainda não se configura na sociedade 
contemporânea como fenômeno estruturante e inter-relacional de 
práticas sociais, políticas e econômicas dentro de uma coletividade, e 
ainda incide diretamente na formação política de uma sociedade devido 
à importância fenomênica na produção de novos conhecimentos.
b) ( ) Isso acontece porque a informação é objeto de políticas tácitas e 
indiretas, ou porque o escopo e a abrangência dessas políticas quando 
colocados juntos ao grande volume de políticas públicas são deslocados, 
reformulados ou realocados conforme as prioridades dadas pela 
conjuntura. 
c) ( ) Isso ocorre por não ter sido desenvolvido um escopo teórico-conceitual 
para a delimitação e compreensão do objeto da Ciência da Informação, 
entendendo a informação como pragmática de ações de informação.
d) ( ) Isso ocorre por ser necessário um aporte conceitual da gestão 
informacional visando às práticas de políticas de informação nas esferas 
do Estado e do setor privado ou público em uma relação intrínseca de 
gestão-informação-poder, considerando um envolvimento complexo 
entre atores humanos e não humanos (sujeitos, dispositivos, artefatos, 
ações, regras etc.).
4 Com base no material estudado, escreva o que você compreende pelo 
conceito de infraestrutura definido por Maria Nélida González de Gomez 
(2002).
56
57
UNIDADE 2
POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS 
SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer as políticas públicas, o papel do governo e os atores que o 
compõem;
• entender como ocorre a análise de políticas públicas e os tipos de análises 
de política;
• aprender os quatro modelos teóricos para compreensão das políticas 
públicas;
• aprender noções de políticas públicas culturais e a evolução histórica 
desde a Era Vargas até o governo Temer;
• conhecer o Sistema Nacional de Cultura (SNC), seu objetivo e princípios;
• estudar o Plano Nacional de Cultura (PNC), os eixos que o norteiam e seus 
componentes.
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.
TÓPICO 1 – ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS 
DE POLÍTICAS PÚBLICAS
TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS
 Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em 
frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
58
59
TÓPICO 1
ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E 
DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: 
DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Como já foi estudado na unidade anterior, a origem e desdobramentos, 
trajetórias e perspectivas das políticas de informação são importantes para ser 
possível compreender o porquê de sua existência e qual seu papel na sociedade 
contemporânea.
A política surge em forma de declarações gerais sobre as prioridades, 
regulamentos, diretrizes, procedimentos, padrões ou regras. Em seu conceito mais 
simples, a política pode se referir a um caminho de ação tomado para alcançar os 
objetivos que se deseja em um determinado contexto, direcionando a tomada de 
decisão de uma organização ou indivíduo (MACHAY; SHXTON, 2005).
A política pública é aquilo que o governo escolhe fazer ou não fazer. Trata-
se de uma decisão tomada pelo governo para agir ou não quando se quer resolver 
um problema. A política pública é uma ação em curso que orienta uma série de 
ações relacionadas em um determinado campo (MACHAY; SHXTON, 2005). 
As políticas raramente lidam com um só problema, mas sim com 
conjunto de problemas entrelaçados e de longo prazo. A política pública 
fornece orientação aos governos e links de prestação de contas aos cidadãos. 
Em alguns momentos, a tomada de decisão é regida por valores, em vez de se 
basear puramente em dados objetivos. A maioria das questões tende a envolver 
valores ou interesses profundamente arraigados, além de serem regidas por 
grandes quantias de dinheiro, tornando o processo político algo complexo 
(MACHAY; SHXTON, 2005).
Neste tópico, serão apresentadas as políticas públicas vinculadas aos 
aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e educacionais. Além disso, serão 
trazidos modelos de políticas públicas com base em teorias e estudos realizados.
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
60
2 POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PAPÉIS DO GOVERNO E SEUS 
ATORES
Nos Estados Unidos, a política pública é vista tanto como área do 
conhecimento quanto disciplina acadêmica nascida nas universidades, sem 
qualquer relação com as bases teóricas do governo e o papel do estado, tendo 
como maior ênfase os estudos sobre as ações dos governos (SOUZA, 2006). 
No período pós-guerra, a análise de políticas públicas como campo 
disciplinar de estudos teve seu desenvolvimento potencializado, pois, por um 
lado, havia a expansão das áreas de intervenção do estado, buscando a resolução 
de problemas e exigindo informações sobre os mais diversos assuntos e setores 
da sociedade. Por outro lado, nas universidades americanas era difundida a ideia 
de desenvolvimentos do conhecimento e da informação, pois estes favoreciam a 
governança, em especial, no que se referia às políticas públicas que visassem à 
melhoria das condições de vida de cidadãos americanos (PARSONS, 1995 apud 
ARAÚJO; RODRIGUES, 2017). 
Os cientistas sociais norte-americanos Harold Lasswell, Herbert Simon, 
Charles Lindblom e David Easton são considerados os “fundadores” do 
estudo das políticas públicas pelos trabalhos seminais desenvolvidos 
por volta dos anos 50 (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 13).
Na Europa, a política pública nasceu a partir de trabalhos baseados em 
teorias explicativas sobre o papel a ser desempenhado pelo Estado e pelo governo, 
este último considerado produtor de políticas públicas por excelência (SOUZA, 
2006). Conforme Souza (2006, p. 25), “as definições de políticas públicas, mesmo 
as minimalistas, guiam o nosso olhar para o locus. Os embates em torno de 
interesses, preferências e ideias se desenvolvem, isto é, os governos”. Para Araújo 
e Rodrigues (2017, p. 12):
As políticas públicas, enquanto objeto de estudo, configuram, em 
primeiro lugar, processos complexos e multidimensionais que se 
desenvolvem em múltiplos níveis de ação e de decisão. Em segundo 
lugar, envolvem diferentes atores – governantes, legisladores, eleitores, 
administraçãopública, grupos de interesse, públicos-alvo e organismos 
transnacionais –, que agem em quadros institucionais e em contextos 
geográficos e políticos específicos, visando à resolução de problemas 
públicos, mas também à distribuição de poder e de recursos.
Com relação a quem realiza as políticas públicas, pode-se dizer que elas 
se originam a partir daqueles que possuem autoridade legítima para poder 
impor diretrizes normativas para ação. As políticas públicas são realizadas por 
funcionários eleitos – como ministros, por exemplo – que agem em parceria com 
assessores de níveis superiores da administração pública. Os ministros ganham 
o direito de articular políticas públicas e as autoridades não eleitas são obrigadas 
a realizar a implementação de tais políticas por intermédio de programas 
(MACHAY; SHAXTON, 2005).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
61
O quadro de políticas públicas se refere a um amplo conjunto de políticas 
regentes de ações de grupos e organizações. O vasto conjunto de políticas se 
entrelaça e impacta no desenvolvimento de novas políticas e emendas de políticas. 
A presença ou a ausência de uma política pública afeta outras esferas de políticas 
dentro da sociedade (MACHAY; SHAXTON, 2005).
Existe um ciclo de políticas públicas, cujo processo é interativo e não 
linear. Existem, atualmente, cinco fases principais que resultam nas políticas 
públicas, a saber:
a) O surgimento de um problema que precisa de atenção do público e dos 
tomadores de decisão.
b) Colocar o problema na agenda do governo para busca de uma solução;
c) Formular alternativas para a resolução do problema em questão;
d) Adotar uma política;
e) Implementar e avaliar uma política (MACHAY; SHAXTON, 2005).
A partir dos cinco passos, o pensamento sobre as políticas é organizado 
e ordenado. Dentro do ciclo, encontra-se uma variedade de atores considerados 
elementos-chave para o desenvolvimento de políticas em seus diferentes estágios. 
Indivíduos, instituições e agências envolvidos no processo de estabelecimento 
de políticas recebem o nome de atores. O governo é considerado como a única 
entidade envolvida no processo de elaboração de políticas. É ele quem possui 
o poder de financiar e de tomar a decisão final sobre o processo, no entanto, há 
diversos atores que contribuem para a construção de políticas públicas. Nesse 
sentido, são estabelecidos os atores que fazem parte do ciclo de políticas:
• Governo: possui o controle social do comportamento e poder de coerção;
• Gabinete: possui o monopólio sobre a oferta de legislação. É considerado o 
lócus do poder onde poucas pessoas tomam decisões;
• Servidores públicos: atuam com o conhecimento técnico e assessoria política, 
são aqueles considerados como prestadores de serviços;
• Partidos políticos: buscam desenvolver relações em troca de apoio político;
• Mídia: visa reportar informações ao público e gerar interesse, além de moldar 
a opinião pública sobre o assunto;
• Grupos de interesse: visam antecipar os interesses dos membros, além de 
terem uma grande influência na rede política de força;
• Sistema legal: considerado o intérprete das leis, atua de forma independente;
• Público: é aquele que elege governo, forma opiniões, junta grupos de interesse 
e coligações. Ainda, depende da mídia para obter informações sobre o que está 
acontecendo no país e no mundo (MACHAY; SHAXTON, 2005).
Quanto aos instrumentos de políticas, estes podem ser considerados 
técnicas à disposição do governo, implementando os objetivos da política. 
Depois que o problema é definido, as ferramentas são utilizadas visando alcançar 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
62
o resultado desejado. Exemplos de instrumentos de política utilizados são: 
gastos, regulamentos, parcerias, troca de informações, tributação, licenciamento, 
prestação direta de serviços, contratos e subsídios (MACHAY; SHAXTON, 2005). 
Com relação aos objetivos desses instrumentos, os mesmos buscam:
 
• Proporcionar mudanças de comportamento nos indivíduos;
• Trazer condições sociais, políticas ou econômicas à população;
• Fornecer serviços ao público, conforme demanda (MACHAY; SHAXTON, 
2005).
A escolha de instrumentos de política pelo governo é mais importante 
que as ações realizadas no passado (instrumentos de política que o governo atual 
usou no passado). No quadro político, outras restrições podem surgir, tais como 
pressões financeiras, sociais, internacionais e culturais. Os tipos de instrumentos 
de política disponíveis para o governo incluem:
• Doing nothing (Fazer nada): decidir não intervir. Pode não haver problemas, 
restrições financeiras ou precedentes que façam com que o governo escolha 
não fazer nada. Ou, o problema pode ser autocorretivo;
• Information-based (Baseado em informação): influencia as pessoas através 
da transferência de conhecimento, comunicação e persuasão moral (o 
comportamento é baseado em conhecimentos, crenças e valores). É o menos 
coercitivo dos instrumentos;
• Expenditure-based (Baseado em despesas): o dinheiro é usado como um 
instrumento direto para alcançar o resultado (doações, contribuições, vales 
etc.);
• Regulation (Regulamento): os papéis do governo são comandar e proibir – o 
instrumento/ferramenta mais utilizado. Define normas e comportamento 
aceitável ou limita atividades;
• Acting directly (Agir diretamente): fornece um serviço direto para alcançar o 
resultado (ao invés de trabalhar através de cidadãos ou organizações para 
atingir metas). Exemplos incluem: educação, coleta de lixo, parques e recreação 
(MACHAY; SHAXTON, 2005).
Quanto às influências, os instrumentos de política utilizados pelos 
governos estão agora sendo influenciados por:
• Governo e governança: os instrumentos de políticas financeira e regulatória 
são limitados dentro de um novo ambiente de governança (aumento nas redes 
de políticas);
• Influência internacional: política ambiental, tributação e política fiscal estão 
agora sujeitas à pressão internacional (MACHAY; SHAXTON, 2005).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
63
3 ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Iniciada no início da década de 1960, nos Estados Unidos, a análise de 
políticas públicas visa colocar em pauta tanto a política quanto a política pública, 
procurando conhecer e descrever as ações do governo e também analisar e 
prescrever as políticas públicas. A análise de política visa diminuir problemas 
sociais por intermédio do aperfeiçoamento na formulação e na implementação de 
políticas públicas (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). Busca ainda, entender o porquê 
e para quem uma política foi criada, e não só olhar o conteúdo em si de tal política 
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).
A análise de políticas públicas – compreendida como uma ciência social 
– originou-se de duas vertentes de interesse: a) a partir das dificuldades que as 
pessoas idealizadoras e elaboradoras de políticas tinham frente à complexidade 
dos problemas; e b) a atenção dada por pesquisadores e acadêmicos em ciências 
sociais que buscavam estudar questões relacionadas às políticas públicas visando 
à aplicação do seu conhecimento na resolução de problemas concretos no setor 
público (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).
 
A partir do movimento de políticas públicas – que buscava soluções 
para as falhas ocorridas na administração pública –, as agências governamentais 
passaram a inserir, em seu quadro de funcionários, analistas políticos que 
possuíam como objetivo utilizar de técnicas e práticas que visassem, por exemplo, 
analisar os custos e os benefícios, orçamentos de programas e análises de impacto 
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).
Na ciência política, o estudo de políticas públicas está centrado no 
poder e suas relações, assim como nos processos de aquisição dos recursos de 
poder, processos de participação no poder, competição e nas aliançasrealizadas 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017). 
A análise das políticas públicas partiu das bases teóricas trazidas da ciência 
política, assim como da economia, psicologia, sociologia, história e estudos das 
organizações. O campo de estudos é considerado específico e pluridisciplinar, que 
abre espaços para o desenvolvimento de novas teorias (pensando a longo e médio 
prazo), de políticas públicas, permitindo a compreensão dos modos e regras para 
o funcionamento da ação pública. Além disso, a partir dessa compreensão, são 
analisadas as continuidades, as rupturas e os processos de seu desenvolvimento 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017). 
Assim, é preciso demonstrar como ocorre a lógica da ação pública, além 
das continuidades e rupturas dentro das políticas públicas, as regras para o 
seu funcionamento, a afetação de recursos e o papel e a interação de atores e 
instituições nos processos políticos (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
64
A análise de políticas públicas trouxe benefícios para o desenvolvimento 
de quadros teóricos, conceitos e disciplinas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017). Ruas 
(2014, p. 20) afirma que a análise de política possui como objetos “os problemas 
com que se defrontam os formuladores de política (policy makers), auxiliando o 
seu equacionamento”.
Para Estevão e Ferreira (2018), existem diferentes tipos de análises de 
política e a escolha de qual análise será utilizada dependendo do analista que 
desenvolve. Entre os tipos de análise estão:
 
a) Estudo do conteúdo das políticas públicas: o analista investiga como 
determinada política surgiu, foi implementada e quais os resultados obtidos a 
partir de sua implementação;
b) Estudo da elaboração das políticas: é a atenção dada para questões que fazem 
parte das influências na formulação de políticas;
c) Estudo dos resultados das políticas: este visa identificar porque gastos e 
serviços são variáveis em diferentes áreas, buscando compreender as políticas 
no que se refere aos fatores sociais, econômicos, tecnológicos etc.
d) Avaliação de políticas: procura identificar os impactos das políticas sobre a 
população;
e) Informação para elaboração de políticas: busca organizar os dados para 
auxiliar os elaboradores de políticas na tomada de decisão;
f) Defesa do processo de elaboração da política: os estudos são focados no 
melhoramento dos processos de elaboração de políticas e a máquina do 
governo;
g) Defesa de políticas: o analista defende a adoção de ideias e opções no processo 
de elaboração de políticas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
Como objetivo, a análise de políticas públicas visa tornar a ação pública 
um objeto de estudo, visto como uma “caixa preta” do sistema político.
FIGURA 1 – MODELO DE SISTEMA POLÍTICO
FONTE: Estevão e Ferreira (2018, p. 170)
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
65
No sistema político, são evidenciados os inputs (entradas) e os outputs 
(saídas). As entradas são as demandas e apoio (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). As 
demandas se referem a ações de sujeitos e grupos de indivíduos na busca por 
recursos, visando suprir seus interesses.
Quanto aos exemplos de demandas, estas podem ser bens e serviços, 
como saúde, educação, estradas, transporte, segurança pública etc. Com 
relação ao apoio, este pode ser de ações, como pagamento de taxas, o ato 
de votar, apoio a um partido político, respeito à autoridade de governantes 
etc. (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). Depois de serem processadas, as entradas 
teriam como resultado as respostas em forma de decisões políticas ou da 
própria política pública. O sistema se retroalimentaria com essas saídas 
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).
O processo político é um processo que visa equilibrar as diferentes 
soluções para os diferentes aspectos de um grupo de problemas. Uma política 
possui três elementos-chave: uma definição de problema, metas a serem 
atingidas e os instrumentos de política para abordagem do problema. A política 
pode ser caracterizada como formal ou informal. A política formal pode ser um 
documento político planejado que foi escrito, discutido, revisado, aprovado 
e publicado por um órgão responsável para formulação de políticas. Pode ser, 
por exemplo, um plano nacional do governo para a promoção da leitura e da 
biblioteca. Uma política informal é aquela que pode ser considerada uma prática 
geral não escrita, mas amplamente reconhecida ou uma compreensão dentro de 
uma organização de que determinada ação tem um curso a seguir. Desse modo, 
mesmo que a política informal não esteja explicitada de forma escrita, ela ainda 
existe na prática (MACHAY; SHAXTON, 2005).
Para Estevão e Pereira (2018), existe uma questão importante a ser 
observada na análise de políticas públicas, que é a relação entre as tomadas de 
decisões, as decisões tomadas, a estrutura da instituição e a distribuição de poder 
no Estado e sociedade. Nesse sentido, o analista precisa estudar o processo de 
elaboração de políticas para levantar questões sobre o papel do Estado, além 
de questões sobre a distribuição de poder entre diversos grupos sociais na 
sociedade contemporânea (HAM; HILL, 1993 apud ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). 
O levantamento realizado pelo analista deve explorar três diferentes níveis de 
análise:
a) O funcionamento da estrutura administrativa;
b) O processo de decisão;
c) A relação entre o Estado e a sociedade.
A partir desses três níveis, são indicadas as relações políticas com os atores 
envolvidos.
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
66
QUADRO 1 – NÍVEIS DE ANÁLISE DE POLÍTICAS
Níveis de análise de políticas
1º Nível
Funcionamento 
da estrutura 
administrativa 
(institucional)
2º Nível
Processo de decisão
3º Nível
Relações entre Estado 
e Sociedade
Quando a análise está 
direcionada ao processo 
de decisão no interior 
das organizações e nas 
relações ocorridas.
O segundo nível busca explicar 
o funcionamento institucional 
e as características da política. 
Dessa forma, são pesquisadas 
as relações que se estabelecem 
entre esses atores-chave e os 
grupos externos, além das 
relações de poder, coalizações 
de interesse, formação de 
grupos etc.
O terceiro nível busca a 
compreensão, a partir do 
conhecimento do modo 
de produção capitalista, 
do porquê das relações 
se estabelecerem entre as 
várias porções do Estado 
com a sociedade.
É o nível da aparência 
ou superficial.
É o nível dos interesses dos 
atores.
É o q u e s e p o d e 
denominar como nível 
da essência ou estrutural.
FONTE: Adaptado de Estevão e Ferreira (2018)
Para compreender mais sobre políticas públicas e o ciclo de políticas públicas, 
assista às partes 1 e 2 dos vídeos do Prof. Leonardo Secchi, da Universidade do Estado de 
Santa Catarina.
DICAS
O QUE SÃO POLÍTICAS PÚBLICAS? 
Entrevista Leonardo Secchi
 Parte 1
FONTE: <https://youtu.be/tWnZrMRLtCQ>. Acesso em: 8 out. 2019.
CICLO DE POLÍTICAS PÚBLICAS: O que é? | 
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
67
Entrevista Leonardo Secchi 
Parte 2
FONTE: <https://youtu.be/N8phb0UN2WY>. Acesso em: 8 out. 2019. 
4 MODELOS TEÓRICOS PARA COMPREENSÃO DAS 
POLÍTICAS PÚBLICAS
A seguir, serão apresentados os quatro modelos teóricos para compreensão 
do processo e problemas das políticas públicas, a saber:
 
a) o modelo sequencial ou do ciclo político;
b) o modelo dos fluxos múltiplos;
c) o modelo do equilíbrio interrompido e;
d) o quadro analítico das coligações de causa ou de interesse (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
4.1 MODELO SEQUENCIAL OU DO CICLO POLÍTICO 
(POLICY CICLE)
No modelo, as políticas públicas são entendidas como resultado de 
um processo desenvolvido por etapas em um ciclo político que se repete. O 
importante é compreender os modos da ação pública, demonstrar continuidades 
e as rupturas, assim como as regras de funcionamento específicas daspolíticas 
públicas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
O modelo foi proposto por H. Lasswell no fim da década de 1950. O 
autor propôs uma análise estruturada do processo político, incentivando a sua 
decomposição em fases sucessivas, relacionadas entre si seguindo uma forma 
lógica e sequencial. 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
68
O modelo foi criado a partir da abordagem sistemática trazida por Easton, 
que visava à construção do modelo Policy Cycle (também conhecido como modelo 
das etapas), propondo que as políticas públicas possam ser analisadas enquanto 
um resultado de um ciclo político desenvolvido por etapas. Na proposta de 
Lasswell, as fases do modelo possuem contributos decisivos para a criação de um 
mapa de conceitos para a orientação da análise das políticas públicas: informação, 
promoção, prescrição, inovação, aplicação, conclusão e avaliação (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
Enquanto objetivo, o modelo possibilita a exploração e investigação do 
processo de políticas públicas visando reduzir sua complexidade. Assim, a ação 
pública é “analisada como um processo sequencial e inacabado que se repete 
e reconstrói, em resultado de mudanças induzidas por efeito de feedback das 
próprias políticas públicas, ou por alterações do contexto ou da relação entre os 
atores e instituições” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 18).
Já na década de 1970, Charles O. Jones (1984) desenvolveu uma classificação 
contendo 10 etapas, a partir daquela já realizada por H. Lasswell. As etapas eram: 
percepção do problema, agregação, organização, representação do público-alvo, 
agendamento, formulação, orçamentação, concretização, avaliação, ajustamento 
ou conclusão (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
Embora muitos outros autores tenham sugeridos etapas, ciclos, fases ou 
sequências, Araújo e Rodrigues (2017) destacam quatro etapas que são comuns 
em todas as propostas:
a) Definição do problema e agendamento: referem-se ao contexto e ao processo 
de emergência das políticas públicas. 
b) Formulação das medidas de política e legitimação da decisão: referem-se aos 
processos de tomada de decisão e de elaboração de argumentos que expliquem 
uma ação política, objetivos e estratégias para a resolução de problemas, de 
escolha de alternativas além de mobilização das bases de apoio político.
c) Implementação: refere-se ao processo de fomentação de recursos institucionais, 
organizacionais, burocráticos e financeiros para a concretização de medidas 
de política.
d) Avaliação e mudança: referem-se aos processos de acompanhar e avaliar os 
programas de ação e das políticas públicas, visando seus impactos e efeitos, a 
distância para alcance dos objetivos e metas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
Entretanto, o modelo sequencial ou do ciclo político tem recebido críticas 
por se basear em uma metodologia restrita de análise que acaba por criar uma 
visão artificial do processo político (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
69
4.1.1 Metáfora dos fluxos múltiplos (Multiple Streams 
Framework)
John Kingdon desenvolveu o modelo analítico Multiple Streams em sua 
obra “Agendas, Alternatives and Public Policies” (2003). Nas obras, o autor explica 
como problemas se transformam em problemas políticos (ARAÚJO; RODRIGUES, 
2017). Em outras palavras, “como uma ideia se insere no conjunto de preocupações 
dos formuladores de políticas, transformando-se em uma política pública?” 
(CAPELLA, 2005, p. 2). Para o autor, as políticas públicas são um conjunto de 
quatro processos que englobam: “o estabelecimento de uma agenda de políticas; 
a especificação de alternativas a partir das quais as escolhas vão ser realizadas; 
a escolha dominante entre o conjunto de alternativas disponíveis” (CAPELLA, 
2005, p. 2) e, por fim, a implementação da decisão.
FIGURA 2 – LIVRO AGENDAS, ALTERNATIVES, AND PUBLIC POLICIES, DE JOHN KINGDON
FONTE: <https://image.isu.pub/181024185530-db1feb381625ffec70d0e69da4cb8cdf/jpg/
page_1_thumb_large.jpg>. Acesso em: 15 jul. 2019.
Em seu modelo, Kingdon (2003) se preocupa com dois processos chamados 
pelo autor de estágios pré-decisórios: a formação de agenda (agenda-setting) e a 
especificação (policy formulation) (CAPELLA, 2005).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
70
Nem todas as questões presentes na sociedade podem se tornar problemas 
políticos que precisam de intervenção do governo. Somente alguns deles chegam 
de fato a captar a atenção do público e dos políticos e, assim, são inseridos na ação 
pública. No modelo de análise, é procurada a resposta para as seguintes questões: 
a) Por que os decisores políticos prestam atenção em um determinado assunto 
em detrimento de outros? 
b) Como e por que se alteram as agendas políticas ao longo do tempo?
c) Como os decisores políticos selecionam as soluções para aqueles problemas 
dentre um conjunto vasto de alternativas? (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
Assim, o autor do modelo utiliza uma metáfora e três conceitos centrais 
para a sua elaboração, a saber: comunidades políticas, empreendedores políticos 
e a janela de oportunidade política. O primeiro conceito engloba investigadores, 
deputados, funcionários públicos, grupos de interesse, analistas e membros 
que se preocupam com um determinado tema ou problemas e que constroem e 
difundem ideias em diferentes fóruns.
 
O segundo conceito é constituído de atores específicos atuantes na 
mediação e negociação de processos de agendamento; e o terceiro conceito 
se refere à janela que se abre quando convergem a percepção pública dos 
problemas (fluxo dos problemas), o conhecimento de soluções técnicas e 
políticas adequadas aos valores dominantes (também chamado de fluxo de 
políticas) e as condições de governação (conhecidas por fluxo da política). Esses 
três fluxos confluem no sistema político, utilizando regras e dinâmicas próprias 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
O modelo de Kingdon foi inicialmente pensado para analisar políticas 
públicas na área da saúde e na área de transportes do governo norte-americano. 
Posteriormente, tornou-se referência para estudos voltados para a análise da 
formulação de políticas do governo. A agenda governamental – definida como 
um conjunto de assuntos, os quais o governo e pessoas ligadas a ele focam sua 
atenção por um determinado momento – é onde são colocados os temas de 
interesse para a criação de políticas públicas. Os temas só são inseridos na agenda 
governamental após passarem pela agenda decisional, onde são decididos quais 
os temas ou questões que serão discutidas ativamente pelos formuladores de 
políticas. No modelo de Kingdon, a mudança na agenda governamental é o 
resultado da convergência dos fluxos dos problemas (problems), das soluções ou 
alternativas (policies) e das políticas (politics) (CAPELLA, 2006).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
71
FIGURA 3 – O FLUXO DO MODELO DE KINGDON
FONTE: Capella (2005, p. 12)
Ainda com relação aos fluxos, o quadro a seguir demonstra como Kingdon 
aborda cada um dos três fluxos.
PROBLEM STREAM
(Fluxo de problemas)
Indicadores;
Crises;
Eventos focalizadores;
Feedback de ações.
POLICY STREAM
(Fluxo de soluções)
Viabilidade técnica;
Aceitação pela 
comunidade;
Custos toleráveis.
POLITICAL STREAM
(Fluxo político)
"Humor nacional";
Forças políticas
organizadas;
Mudanças no governo.
AGENDA - SETTING
Acesso de uma
questão à agenda.
OPORTUNIDADE DE MUDANÇA
(Windows)
Convergência dos fluxos 
(coupling) pelos empreendedores
(policy entrepreneurs)
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
72
FLUXO DE PROBLEMAS FLUXO DE POLÍTICAS FLUXO DA POLÍTICA
Kingdon aborda os problemas como 
construções sociais estabelecidas por 
intervenção de atores – comunidades 
políticas – nos processos das políticas 
públicas. 
Estabeleceuma distinção entre 
questões e problemas políticos, 
considerando que uma questão 
– definida como uma situação 
socialmente percebida – só se 
transforma num problema quando 
os decisores políticos consideram 
que deve ser encontrada uma 
solução para a questão. Atendendo 
ao grande número de questões e 
à impossibilidade material dos 
decisores de lidarem com todas elas, 
a emergência de um problema é 
condicionada por mecanismos que 
contribuem para que a atenção dos 
decisores se centre em determinadas 
questões em detrimento de outras. 
Esses mecanismos são indicadores, 
eventos, crises, símbolos e feedback 
da ação política.
A construção de argumentos, 
baseados em dados e informações, 
a elaboração de narrativas sobre 
as causas dos problemas e as 
respetivas soluções, a difusão desses 
argumentos e informações fazem 
parte da atividade das comunidades 
políticas, que são mais ou menos 
fragmentadas, integrando uma 
diversidade de pontos de vista e 
de ideias. Também os organismos 
internacionais desempenham neste 
processo um papel importante. A 
definição dos problemas constitui uma 
etapa fundamental, determinando o 
sucesso da ação política (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
Composto pelo conjunto 
de alternativas e soluções 
disponíveis, geradas no 
interior das comunidades 
políticas. Para explicar a 
forma como são geradas 
as alternativas no interior 
das comunidades políticas, 
Kingdon utiliza a metáfora 
da “sopa primordial” 
(primeval soup). 
Ideias fluem no interior 
das comunidades (policy 
primeval soup), algumas 
tornam-se proeminentes 
e n q u a n t o o u t r a s 
desaparecem, em resultado 
de um processo evolutivo 
de amadurecimento, em 
que as ideias se confrontam 
e se combinam das mais 
variadas formas: eventuais 
consensos decorrem de 
processos de persuasão e 
de difusão de ideias. As 
alternativas de solução não 
decorrem necessariamente 
da prévia identificação 
e p e r c e p ç ã o p o l í t i c a 
dos problemas; o autor 
afirma inclusivamente 
q u e m u i t a s ve z e s a s 
soluções são construídas 
e só posteriormente são 
identificados os problemas.
Não obstante a importância 
crucial que Kingdon confere 
às ideias e à existência de 
alternativas tecnicamente 
viáveis, considera que estas 
não representam, só por 
si, um fator gerador do 
agendamento (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
Respeita a dimensão política que 
segue um curso independentemente 
dos problemas e das soluções 
políticas. O autor inclui neste fluxo 
três feixes de variáveis decisivas 
para alteração ou influência no 
processo de agendamento:
 - O sentimento nacional (national 
mood) , que caracteriza como 
“situações em que um grande 
número de pessoas num país 
partilha ideias comuns […]. O 
sentimento nacional sofre mudanças 
no tempo, de uma forma perceptível, 
e essas mudanças têm importantes 
impactos nas agendas e nos 
resultados políticos” (KINGDON, 
2003, p. 146).
– As forças políticas organizadas, 
onde os atores centrais são os 
partidos políticos e os grupos 
de interesse. A percepção que 
os decisores têm da forma como 
esses atores se inter-relacionam 
é de importância crucial para o 
desenvolvimento das políticas.
– As mudanças governamentais 
( g o v e r n m e n t a l t u r n o v e r ) , 
n o m e a d a m e n t e m u d a n ç a s 
de ciclo político, remodelações 
e reconfigurações de governos 
e parlamentos, mudanças nas 
hierarquias da administração, 
sendo a mudança de governo o 
fator mais propício à ocorrência de 
alterações na agenda política. Ao 
contrário do que acontece no fluxo 
das políticas, em que o consenso é 
produto de processos de persuasão 
e difusão, no fluxo da política os 
consensos são construídos através 
de intensos processos negociais e 
pelo estabelecimento de coligações 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
QUADRO 2 – RELAÇÃO DOS FLUXOS DOS PROBLEMAS, DAS POLÍTICAS E DA POLÍTICA
FONTE: Araújo e Rodrigues (2017, p. 21-22)
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
73
O modelo Multiple Streams diferencia dois conjuntos de atores:
 
a) Conjunto de atores visíveis – também chamados de visible cluster: são mais 
“expostos à pressão e atenção pública, incluindo o governo, o parlamento e os 
membros da administração” com poder de decisão.
b) Conjunto de atores invisíveis – ou hidden cluster: grupos de interesse, 
pesquisadores, burocratas, acadêmicos, partidos políticos e opinião pública 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
No modelo, cada conjunto utiliza recursos diversos e distintos. O conjunto 
de atores visíveis irá dispor de uma autoridade formal e de prerrogativas legais 
concedidas pelo próprio estatuto. Já os atores invisíveis detêm maior controle 
sobre as alternativas e as soluções disponíveis. O modelo Multiple Streams 
tem sido “objeto de propostas de alteração e de introdução de novos fatores 
e mecanismos de análise, ultrapassando limitações apontadas” (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017, p. 23).
4.1.2 Modelo do equilíbrio interrompido (Punctuated 
Equilibrium Theory)
O modelo foi desenvolvido por Frank Baumgartner e Bryan Jones. 
É constituído com base no princípio: “os processos políticos são geralmente 
caracterizados por estabilidade e incrementalismo, pontuados ou interrompidos, 
ocasionalmente, por mudanças de larga escala” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 
24). Estabilidade se refere àquela que caracteriza a maioria das áreas de política, 
embora as crises dentro do meio também ocorram. Assim, compreender o que é 
o processo político significa analisar as condições de estabilidade e, ao mesmo 
tempo, verificar as condições de mudança (TRUE; JONES; BAUMGARTHER, 
2007, p. 155-156 apud ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 22).
No modelo, os autores Frank Baumgather e Bryan Jones tinham como 
objetivo constituir uma abordagem que explicasse as descontinuidades ou 
interrupções das políticas. “A teoria do equilíbrio pontuado procura explicar 
uma observação simples: os processos políticos são, muitas vezes, guiados por 
estabilidade e incrementalismo, mas às vezes produzem também mudanças em 
grande escala” (BAUMGARTNER; JONES, 1999, p. 97).
Propõem, então, uma metodologia que combinasse estudos qualitativos 
de políticas públicas com estudos quantitativos e longitudinais, seguindo as 
mudanças de políticas em grandes períodos de tempo. Trazem o conceito de 
imagem política, que se refere à forma como a política é percebida e discutida 
e os processos de mudança nas políticas públicas são realizados. Definem 
a imagem política como ideias que permitem que os problemas e as soluções 
sejam compreendidos e comunicados de forma simples e partilhados por uma 
comunidade (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
74
Quando uma imagem é largamente partilhada e aceita, constitui-
se como monopólio político. Os monopólios políticos mantêm o 
equilíbrio e a estabilidade dos sistemas. Quando há divergências em 
relação a uma imagem, os defensores de ideias diferentes podem 
conseguir desestabilizar o monopólio. Imagens políticas alternativas 
são desenvolvidas com base em dois tipos de componentes: (1) 
informações e dados empíricos e (2) apelos emotivos (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017, p. 24).
Além disso:
As policy images são desenvolvidas com base em dois componentes: 
informações empíricas e apelos emotivos (tone). O tone é considerado, 
pelos autores, um fator crítico no desenvolvimento das questões, 
uma vez que mudanças rápidas no campo dos “apelos emotivos” da 
imagem podem influenciar a mobilização em torno de uma ideia. A 
imagem criada em torno da potência norte-americana é um exemplo 
desse tipo de situação: enquanto predominava uma imagem associada 
aos progressos econômico e científico, existia um policy monopoly. 
No entanto, a partir do momento em que ameaças de segurança e 
degradação ambiental apareceram, houve, pois, um esgotamento 
do monopólio. Novas imagens podem atrair novos participantes 
(ou afastá-los), bem como criar oportunidadespara promover 
determinadas questões (ou desencorajar) (CAPPELA, 2006, p. 40).
Assim, o modelo intitulado “Punctuated Equilibrium” defende que no 
interior dos subsistemas políticos que são processados os problemas e toda a 
informação disponível. Os subsistemas políticos são, assim, entendidos como 
mecanismos que permitem ao sistema político assegurar o ‘processamento 
paralelo’ (parallel processing) de grandes volumes de informação diversificada 
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
Assim, o modelo é percebido como uma nova ferramenta para olhar as 
políticas públicas, explicando os longos períodos de estabilidade que caracterizam 
a ação pública e também as rápidas e explosivas mudanças que pontuam o 
equilíbrio, elegendo os subsistemas políticos como arranjos institucionais e 
garantindo a estabilidade, onde as ideias ocupam um lugar essencial (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
Com relação às limitações do modelo, a metodologia utilizada permite 
a identificação de associações existentes, mas não identifica as relações causais 
entre as agendas da opinião pública, das arenas políticas com os resultados das 
políticas. Em um segundo momento, a outra limitação se refere ao fato de que o 
modelo negligencia a capacidade que os decisores políticos possuem de formatar 
as decisões de acordo com as suas preferências (JOHN, 2013 apud ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2017).
Assim, a imagem política é central “não só para a definição de problemas, 
mas também para a seleção de soluções no modelo proposto pelos autores, 
devendo, assim, ser considerada no contexto institucional em que é desenvolvida” 
(CAPPELA, 2006, p. 40).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
75
4.1.3 Quadro teórico das coligações de causa ou de 
interesse (Advocacy Coalition Framework – ACF)
O modelo Advocacy Coalition Framework – ACF (Modelo de Coalizão de 
Defesa) foi criado na década de 1980 por Paul Sabatier e Jenkins-Smith e tem sido 
uma das mais importantes alternativas para refletir sobre o processo político. O 
modelo busca a compreensão da formulação e dos padrões de mudanças ocorridos 
nas políticas públicas a partir de uma perspectiva temporal de uma década ou 
mais. Orienta-se pelo entendimento de que as políticas públicas nas sociedades 
contemporâneas são complexas, englobam conflitos de metas, importantes 
disputas técnicas, diversos atores e os mais variados níveis governamentais.
Há diversas traduções possíveis para Advocacy Coalition Framework (ACF): 
modelo das coalizões de advocacia; modelo das coalizões de defesa; enquadramento das 
coalizões de advocacia; e enquadramento das coalizões de defesa.
IMPORTANT
E
O Modelo ACF propõe-se, em um primeiro momento, a encontrar 
uma alternativa ao modelo heurístico das etapas, que dominava o campo de 
estudo das políticas. Em um segundo momento, buscava sintetizar os melhores 
contributos das abordagens top-down e bottom-up, e por fim, visava incorporar 
informações técnicas nas teorias do processo político (ARAÚJO; RODRIGUES, 
2017). Dessa forma, seu objetivo foi explicar, de forma coerente, os principais 
fatores e dinâmicas que afetam o processo político.
Com relação às características do modelo, podem ser destacados a “inserção 
de crenças, valores e o papel da aprendizagem política como importantes conceitos 
no processo de construção de mudanças nas políticas públicas” (SABATIER; 
JENKINS-SMITH, 1993 apud VICENTE; CALMON, 2011, p. 2). 
Coalização de defesa é definida como “pessoas de diversas posições 
(representantes eleitos e funcionários públicos, líderes de grupos de interesse, 
pesquisadores, intelectuais etc.) que (i) compartilham determinado sistema de 
crenças: valores, ideias, objetivos políticos, formas de perceber os problemas 
políticos, pressupostos causais e que (ii) demonstram um grau não trivial das 
ações coordenadas ao longo do tempo” (SABATIER, 1988, p. 139 apud VICENTE; 
CALMON, 2011, p. 2). 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
76
O que aglutina uma coalização de defesa é o compartilhamento de crenças 
de seus membros sobre os assuntos políticos fundamentais. Em outras palavras, 
são os sistemas de crenças que irão determinar a direção que uma coalizão dará 
a um programa ou política pública (WEIBLE; SABATIER, 2009 apud VICENTE; 
CALMON, 2011). 
Após a formação das coalizações de defesa, estas irão traduzir suas 
crenças compartilhadas em políticas públicas ou programas governamentais, e 
assim, mobilizarão recursos políticos e participarão de processos contínuos de 
aprendizagem política, como o policy-oriented learning (também chamado de 
aprendizado orientado à política pública) (SABATIER; JENKINS-SMITH, 1993 
apud VICENTE; CALMON, 2011). 
As ações e interações feitas são importantes na formulação de políticas 
públicas. Assim, o espaço ou o ambiente onde essas interações ocorrem é chamado 
de subsistema de políticas públicas. Esses subsistemas são descritos como um 
conjunto de atores (individuais ou coletivos) de várias organizações públicas, 
privadas ou da sociedade civil (ONGs) em um determinado espaço geográfico 
que está ativamente preocupado com uma questão de política pública específica, 
buscando influenciar as decisões naquele domínio (SABATIER; JENKINS-SMITH, 
1993 apud VICENTE; CALMON, 2011).
Existem, conforme os autores Sabatier e Jenkins-Smith (1999, p. 118-120), 
cinco pressupostos básicos do ACF:
(i) a compreensão dos processos de mudança política e o papel da 
aprendizagem política requerem uma perspectiva ampliada de tempo 
(uma década ou mais); (ii) a unidade de análise mais útil para o 
estudo dessa mudança é por meio de subsistemas políticos; (iii) esses 
subsistemas têm que incluir a dimensão intergovernamental; (iv) 
políticas públicas – ou programas – podem ser conceituadas da mesma 
maneira por sistemas de crenças; e (v) o papel central das informações 
técnicas e científicas no processo de mudança política, facilitando o 
aprendizado político.
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
77
FIGURA 4 – DIAGRAMA DO MODELO ACF
Parâmetros
relativamente
estáveis do
sistema
1. Atributos
básicos da área
do problema
2. Distribuição
básica de 
recursos 
naturais
3. Valores 
socioculturais
fundamentais 
e estrutura 
social.
4. Estrutura
constitucional
básica (regras)
Estruturas de
oportunidade
das coalizões
(longo prazo)
1. Grau de
consenso
necessário
para mudança
substancial
2. Abertura
do sistema
político
Eventos 
externos
(Dinâmicos)
1. Mudanças 
nas condições
socieconômicas
2. Mudanças na
opinião pública
3. Mudanças 
nas coalizações 
governamentais
4. Decisões 
políticas e 
impactos 
de outros 
subsistemas
Limitações e 
recursos dos 
atores do 
subsistema
(curto prazo)
COALIZÃO A
• crenças políticas
• recursos
COALIZÃO B
• crenças políticas
• recursos
Policy brokers
agentes
negociadores
Estratégia 
Instrumentos de 
ação da coalização
Estratégia 
Instrumentos de 
ação da coalizaçãoDecisões deautoridades
governamentais
Regras institucionais, alocação de
reursos e indicações para cargos públicos
Produção das políticas públicas (Outputs)
Impactos das políticas públicas
SUBSISTEMA DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS
FONTE: Vicente e Calmon (2011, p. 4)
O modelo ACF apresentado possui, do lado esquerdo, dois conjuntos de 
eventos exógenos. Os Parâmetros relativamente estáveis do sistema são considerados 
um conjunto bastante estável e os Eventos externos são o conjunto mais dinâmico. 
Ambos afetam “as restrições e oportunidades dos atores dentro do subsistema” 
(VICENTE; CALMON, 2011, p. 4). Do lado direito, encontra-se “a dinâmica dos 
componentes internos do subsistema político, ocorrendo a dinâmica do policy-
oriented learning (fatores cognitivos). A mudança na política pública é interpretada 
como uma função tanto da competição no interior do subsistema quanto da 
influência dos eventos exógenos” (VICENTE;CALMON, 2011, p. 4).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
78
QUADRO 3 – DESCRIÇÃO DOS ELEMENTOS COMPONENTES DO DIAGRAMA DO ACF
Eventos exógenos ao subsistema que afetam as mudanças
Os parâmetros relativamente 
estáveis: Externamente ao subsistema, 
colocam-se os parâmetros relativamente 
estáveis do sistema como: 
a) Os atributos básicos da área do 
problema ou bem, objeto de uma 
determinada área de política 
pública (características-chave desse 
problema ou bem e necessidades 
de intervenção estatal sobre o 
mesmo); 
b) Distribuição básica de recursos 
naturais: a abundância ou carência 
de recursos naturais disponíveis 
em uma sociedade condicionam 
suas possibilidades de desenvolver 
diferentes setores econômicos e 
determinam a viabilidade das 
opções de políticas públicas. 
c) Valores socioculturais fundamentais 
e estrutura social: significativas 
mudanças no poder, na influência 
e nos recursos financeiros de 
vários grupos sociais normalmente 
requerem diversas décadas. Para 
muitos grupos de interesses, os 
recursos políticos, ou mesmo a falta 
deles, mudam muito lentamente 
no tempo e os atores dentro de 
um subsistema devem levar isso 
em conta na formulação de suas 
estratégias de curto e de médio 
prazo.
d) Estrutura constitucional das 
regras básicas do sistema político, 
extremamente difíceis de serem 
alteradas (VICENTE; CALMON, 
2011).
Os eventos externos (Dinâmicos):
Os eventos externos ao subsistema são 
variáveis consideradas mais dinâmicas do que 
os parâmetros estáveis, pois podem apresentar 
mudanças no decorrer de uma década ou mais. 
Os eventos externos ou choques incluem:
a) Amplas mudanças nas condições 
socioeconômicas e na opinião pública 
que podem afetar substancialmente um 
subsistema a ponto de enfraquecer os 
pressupostos causais que justificam a atual 
política pública ou podem alterar o suporte 
político à determinada coalizão. São fatores 
mais permeáveis a mudanças, especialmente 
no espaço de uma década ou mais. 
Abrangem também os eventos externos. 
b) As mudanças nas coalizões governamentais, 
pois alterações nos padrões políticos 
partidários são fundamentais no desenho 
das coalizões, 
c) As decisões políticas e impactos de outros 
subsistemas, e essa variável é importante 
porque os subsistemas são parcialmente 
autônomos. As decisões e impactos de 
outros subsistemas são elementos dinâmicos 
que afetam um subsistema específico. A 
influência dos fatores exógenos é mediada 
pelo grau de consenso necessário para 
a mudança na política, pelo grau de 
abertura do regime político, bem como 
pelas limitações e recursos dos atores do 
subsistema. 
De uma forma geral, os eventos políticos 
ou econômicos exógenos ao subsistema são 
essenciais para que agências governamentais 
alterem sua posição em direção às coalizões 
concorrentes. Isto é, os subsistemas não 
são imutáveis ante os eventos externos. Os 
subsistemas operam dentro de um ambiente 
político mais amplo e são definidos por 
parâmetros relativamente estáveis e eventos 
externos. Além disso, são constrangidos pelas 
estruturas de oportunidade de longo prazo 
das coalizões, pelas restrições de curto prazo, 
pelos recursos disponíveis aos atores do 
subsistema e pelos eventos de outro subsistema 
político (FENGER; KLOK, 2001 apud VICENTE; 
CALMON, 2011).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
79
Eventos internos ao subsistema
É no âmbito interno do subsistema que são gerados os programas ou políticas 
públicas (policy outputs) que frequentemente incorporam elementos ou princípios 
defendidos por diferentes coalizões. Esses policy outputs são resultados dos processos de 
interação das coalizões no âmbito do subsistema na Figura 4, e decorrem de mudanças 
nas regras institucionais e de alocação de recursos impostas pela coalizão vencedora. 
Nesse sentido, cada coalizão detém determinado conjunto de recursos e opta por 
estratégias específicas, influenciadas pelo sistema de crenças, para atingir seus objetivos 
políticos (VICENTE; CALMON, 2011).
Sabatier e Jenkins-Smith apontam uma série de instrumentos, em tese, disponíveis 
para atuação das coalizões. Uma coalizão pode tentar influenciar direta e indiretamente 
as decisões das agências administrativas governamentais, apelando para os tomadores 
de decisões nos planos legislativo, executivo, judiciário ou intergovernamental. São 
exemplos de atuação direta sobre decisões relativas à regulação e orçamento e outras 
políticas específicas: persuadir agentes públicos por meio de testemunho; a troca de 
pessoas, dentro de agências e instituições governamentais, o que afeta os recursos 
políticos de uma coalizão e sua capacidade de influenciar decisões coletivas relativas aos 
parâmetros da política pública; tornar públicos pela mídia os gaps de desempenho da 
agência governamental; providenciar relatórios de pesquisa; oferecer estímulos, como 
propinas ou ofertas de futuros empregos. São exemplos de atuação indireta por meio 
dos dirigentes políticos: conduzir revisão sistemática das regras da agência; alterar 
indicações políticas; caminhar para o litígio; tentar mudanças na legislação; tentar 
mudanças no orçamento da agência; mudar as preferências políticas pela via eleitoral; 
e influenciar a opinião pública e, por decorrência, os tomadores de decisão (VICENTE; 
CALMON, 2011). 
Geralmente, a implementação desses instrumentos de ação, visando à alteração 
de programas e/ou políticas públicas, provoca conflitos pela incompatibilidade entre 
as ideias e as crenças das coalizões concorrentes. Em regra, a resolução desses conflitos 
não é tarefa simples, pois esses atores percebem o mundo por meio de lentes distintas 
e também frequentemente interpretarão as peças das evidências de forma diferente 
(VICENTE; CALMON, 2011).
Para isso, existe internamente ao subsistema a categoria dos policy brokers 
(mediadores), constituída por burocratas, parlamentares, juízes de cortes, promotores 
de Justiça e, mesmo, o conjunto de cidadãos no exercício do voto, que podem atuar 
no sentido de se chegar a acordos razoáveis que reduzam a intensidade de conflito 
entre as coalizões no âmbito do subsistema e geralmente tentam não ser membros das 
coalizões. São atores com algum poder para fazer com que compromissos entre coalizões 
competidoras sejam assumidos e ocorram de fato (VICENTE; CALMON, 2011). No caso 
brasileiro, podem ser claramente visualizados como um papel assumido pelo Ministério 
Público (GURGEL, 2007 apud VICENTE; CALMON, 2011).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
80
Sistemas de crenças
As polít icas públicas são 
conceituadas como sistemas de crenças 
(beliefs systems). Políticas públicas 
incorporam teorias sobre como atingir 
determinados objetivos, portanto, 
envolvem valores, problemas que 
devem receber as mais altas prioridades, 
relações causais e percepções da 
magnitude dos problemas e da eficácia 
dos instrumentos de intervenção. A 
possibilidade de relacionar crenças 
e políticas públicas oferece melhor 
condição de análise da influência de 
vários atores no tempo. 
Os “sistemas de crenças” têm a 
função dupla de moldar uma perspectiva 
normativa para fundamentar a interpretação e 
o discernimento de soluções (diagnóstico) em 
relação a certos fenômenos percebidos. Estes 
“sistemas de crenças” são, assim, importantes 
porque (i) em geral as ações humanas são 
orientadas pelo sentido e porque (ii), na prática 
política, a persuasão é um fator central para 
justificar o acesso ao poder e legitimar aqueles 
que estão no poder (VICENTE; CALMON, 
2011).
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
81
O s i s t e m a d e c r e n ç a s é 
organizado conforme uma estrutura 
hierárquica tripartite, disposta segundo 
o grau decrescente de resistência às 
mudanças (VICENTE; CALMON,2011): 
• Núcleo duro (deep core) – axiomas 
normativos e ontológicos 
fundamentais. São exemplos de 
crenças integrantes do núcleo 
duro (deep core): as concepções 
sobre a natureza humana, as 
prioridades relativas a valores 
fundamentais como direito à vida, 
dignidade da pessoa humana, 
liberdade, segurança, poder, 
conhecimento, saúde, amor, beleza, 
e outras, os critérios básicos de 
justiça distributiva, a identidade 
sociocultural etc. (VICENTE; 
CALMON, 2011).
• Núcleo político (policy core) - 
posições mais importantes sobre 
a política pública, concernentes 
às estratégias básicas, às opções 
programáticas e à teoria de ação 
para se atingir os valores do deep core 
no âmbito do subsistema. Colocam-
se no núcleo político (policy core) 
preceitos normativos essenciais, 
como a orientação sobre prioridades 
valorativas básicas e a identificação 
de grupos sociais ou outras 
entidades cujo bem-estar é objeto 
de maior consideração, bem como 
preceitos com componente empírico 
substancial, como os referentes 
a: causas básicas do problema, 
distribuição adequada de autoridade 
entre o governo e o mercado e entre 
os diferentes níveis de governo, 
prioridades entre os diferentes 
instrumentos de política pública, 
preferências políticas de destaque 
(policy core, policy preferences) etc. 
(VICENTE; CALMON, 2011).
O modelo apresenta h ipóteses 
relativas à estrutura das coalizões e de seus 
sistemas de crenças, às mudanças políticas 
e ao aprendizado político entre as coalizões.
• Hipótese de coalizão (relativas às coalizões 
de defesa): são baseadas na premissa de 
que seu principal elemento aglutinador 
é a concordância sobre crenças do núcleo 
político. Essas hipóteses postulam que os 
grupos de aliados e os de oponentes num 
dado sistema permanecem estáveis durante 
períodos de até uma década ou mais. O ACF 
pressupõe que está essencialmente no núcleo 
político (policy core) o consenso necessário 
para a existência da coalizão. Discorda que 
crenças específicas sejam, na prática, mais 
relevantes do que crenças abstratas. Os 
aspectos instrumentais são entendidos como 
componentes mais negociáveis no âmbito do 
subsistema (VICENTE; CALMON, 2011).
• Hipóteses de mudança (relativas às mudanças 
na política pública): postulam que uma 
política pública tende a permanecer por 
tanto tempo quanto permanecer no poder 
a coalizão que a criou, tida como coalizão 
dominante. Segundo essas hipóteses, a única 
maneira de mudar os atributos do núcleo 
político de uma política governamental 
numa dada jurisdição é por meio de algum 
evento originado fora do subsistema, capaz 
de alterar substancialmente a distribuição de 
recursos políticos ou os pontos de vista das 
coalizões no âmbito desse subsistema. Mas, 
após alguns ajustes de redação, deixou-se 
claro que perturbações externas constituem 
causa necessária, porém não suficiente, 
para alterações nos atributos fundamentais 
de um programa governamental e que as 
autoridades governamentais, em certos 
casos, têm poder para revisar os programas, 
mesmo sem mudanças na situação de 
dominância entre coalizões (VICENTE; 
CALMON, 2011).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
82
• Aspectos instrumentais (secondary 
aspects) - decisões instrumentais, as 
medidas e as informações necessárias 
para implementar o policy core. A maior 
parte das preferências concretas em 
termos da política pública está inserida 
no nível dos aspectos instrumentais 
Assim, são exemplos de crenças do nível 
dos aspectos instrumentais: preferências 
políticas de menor destaque; crenças de 
menor amplitude referentes à seriedade 
de aspectos específicos do problema 
em locais específicos ou à importância 
relativa de fatores causais em diferentes 
momentos e locais; decisões sobre 
alocação de recursos orçamentários; 
interpretação de normas; informações 
sobre o desempenho de programas ou 
instituições específicas etc. Mudanças 
nesse nível são relativamente fáceis. 
É no nível dos aspectos instrumentais 
que está a maior parte do policy making 
administrativo e mesmo legislativo 
(VICENTE; CALMON, 2011). 
• Hipóteses de aprendizado (relativas 
ao processo de aprendizado 
orientado às políticas públicas): 
aplicam-se às condições conducentes 
à aprendizagem política entre 
sistemas de crenças, ou seja, entre 
coalizões. Baseando-se na premissa 
de que as coalizões resistem às 
mudanças em seu núcleo político ou, 
mesmo, em aspectos instrumentais 
importantes de seus sistemas de 
crenças, esse grupo de hipóteses 
defende que apenas evidências 
empíricas bastante sólidas podem 
conduzi-las a rever pontos de vista 
(VICENTE; CALMON, 2011).
FONTE: Vicente e Calmon (2011, p. 6-8)
Quer estudar mais sobre os modelos de análise de políticas públicas? Leia o 
artigo a seguir! 
FONTE: ALMEIDA, Lia de Azevedo; GOMES, Ricardo Corrêa. Processo das políticas públicas: 
revisão de literatura, reflexões teóricas e apontamentos para futuras pesquisas. Caderno 
EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 16, n. 3, 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cebape/
v16n3/1679-3951-cebape-16-03-444.pdf. Acesso em: 10 jun. 2019.
DICAS
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
83
LEITURA COMPLEMENTAR
Para conhecer um estudo sobre política pública e ações de incentivo à 
leitura, recomenda-se a leitura do texto a seguir:
POLÍTICAS PÚBLICAS E AÇÕES DE INCENTIVO À LEITURA 
PROMOVIDAS POR ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS SOB A 
ÓTICA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL
Adam Felipe Ferreira
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação 
pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio 
de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília.
E-mail: adam.f.ferreira@hotmail.com
Íris Marques Tavares Sardelari
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação 
pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio 
de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília.
E-mail: irismtavares@hotmail.com
Claudio Marcondes de Castro Filho
Doutor em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo – USP
Professor do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da 
Documentação da FFCLRP/USP e do Programa de Pós-Graduação em Ciência 
da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual 
Paulista "Júlio de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília. E-mail: 
claudiomarcondes@ffclrp.usp.br
Contextualização: A descoberta da imprensa possibilitou o acesso a obras 
literárias e à informação, antes restritas aos detentores do poder, como ordens 
religiosas, reis ou nobres. Entretanto, os altos índices de analfabetismo ainda eram 
uma barreira para que cada vez mais pessoas tivessem acesso à informação. Até 
meados do século XX, metade da população brasileira ainda era analfabeta, mas 
o estabelecimento de políticas públicas e ações da iniciativa privada contribuíram 
para mudar esta realidade. 
Objetivo: O objetivo deste artigo é discorrer sobre políticas públicas 
e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais, no 
âmbito de suas estratégias de responsabilidade social, que contribuíram para a 
mudança dessa realidade. Metodologia: por meio de uma pesquisa de natureza 
exploratória e qualitativa, elaboramos uma revisão da literatura com o objetivo 
de apresentar as políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura, bem como, com 
base no ranking da Revista Fortune das maiores empresas, escolhemos as sete 
empresas brasileiras constantes desse ranking para demonstrar o que elas têm 
feito para incentivar a leitura no Brasil. 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
84
Resultados: No âmbito das políticas públicas de incentivo à leitura, no 
período de 2006 a 2010, verificou-se que a cadeia do livro passou a ser valorizada 
enquanto negócio rentável; houve a instalação de grandes grupos editorias e apoio 
de organismos internacionaiscomo OEI, UNESCO, entre outros. A partir de 2012, 
os incentivos públicos se concentraram em ações mais descentralizadas, como 
realização de reuniões, seminários e encontros. No âmbito das ações de incentivo 
à leitura da iniciativa privada as sete organizações estudadas apresentaram ações 
específicas voltadas ao incentivo à leitura. 
Conclusão: As ações da iniciativa privada juntamente com as políticas 
públicas desenvolvidas e implementadas no Brasil ainda acontecem de forma 
muito tímida, comparadas com a realidade desta sociedade, que possui em sua 
grande maioria indivíduos com dificuldades e limitações para a escrita, leitura e 
reflexão. 
Palavras-chave: Políticas Públicas. Responsabilidade Social. Leitura.
Introdução 
Ao longo dos anos, a Sociedade tem sido denominada principalmente 
de acordo com os seus insumos econômicos. Quando sua base econômica era 
a Agricultura, foi denominada de Sociedade Agrícola. Durante a revolução 
industrial, passou a ser denominada de Sociedade Industrial. Na Terceira Onda, 
como sua base econômica é a informação, recebeu o nome de Sociedade da 
Informação ou ainda Sociedade do Conhecimento, dentre outros termos. 
Na atualidade, a informação configurou-se como elemento fundamental, 
assumindo ao longo dos anos um importante papel na vida das pessoas, estando 
presente de maneira intensiva em todos os aspectos e em todos os momentos 
de forma exaustiva. Nessa sociedade, a informação se configura como um 
insumo capaz de proporcionar uma transformação social. Mas, para isso, o 
desenvolvimento da competência em informação nas pessoas é essencial, pois 
não significa somente garantir o acesso à informação, mas ensiná-las a utilizá-la 
e aplicá-la ao seu contexto social. A capacidade de leitura, vinculada ao universo 
da informação, se configura, então, como uma competência essencial para que 
se consiga utilizar a informação em toda a sua potencialidade, pois quando os 
indivíduos não possuem a capacidade de ler e, assim, não têm acesso à informação, 
torna-se difícil formar cidadãos de fato e de direito.
Diante disso, esse artigo tem como objetivo discorrer sobre políticas 
públicas e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais, 
no âmbito de suas estratégias de responsabilidade social. Para isso, por meio de 
uma pesquisa de natureza exploratória e qualitativa, elaboramos uma revisão da 
literatura com o objetivo de apresentar as políticas públicas voltadas ao incentivo 
à leitura, bem como, com base no ranking de 2015 das 500 maiores empresas 
segundo a Revista Fortune, escolhemos as 7 empresas brasileiras constantes desse 
ranking para demonstrar o que elas têm feito para incentivar a leitura no Brasil. 
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
85
Além disso, o tema desse artigo se justifica, pois, apesar da obtenção de 
avanços, como a diminuição do índice de analfabetismo, que passou de 50% em 
1950 para 6% em 2011, o índice de livros lidos por ano no Brasil ainda é baixo, de 
apenas 3,1, conforme pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, edição de 2011.
Informação e Leitura 
Terceira Onda, Era da Informação ou Sociedade da Informação, Sociedade 
em Rede, Sociedade do Conhecimento, Sociedade da Aprendizagem e Economia 
Informacional são alguns termos usados para descrever uma nova Era, marcada 
por grandes mudanças (COUTINHO; LISBÔA, 2011). 
Nessa Sociedade, seu insumo econômico principal é a informação, que, 
além de levar à criação de riquezas e prosperidade, proporciona a inclusão social, 
isto é, a cidadania. Corroborando-se a isso, para Bourdieu (1998 apud HOLANDA; 
OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2013), o acesso à informação é capaz de dividir uma 
sociedade entre aqueles que possuem mais ou menos informações. 
Belluzzo (2014) afirma que somente os acessos à informação ou ao 
conhecimento não são suficientes, mas deve-se saber qual o uso e significado 
da informação para saber entendê-la e disseminá-la. Assim, a utilização da 
informação pressupõe o desenvolvimento nos indivíduos da Competência em 
Informação (CoInfo), um: 
[...] processo contínuo de interação e internalização de fundamentos 
conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais 
à compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da 
fluência e das capacidades necessárias à geração do conhecimento 
novo e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades 
ao longo da vida (BELLUZO, 2005, p. 38).
A capacidade de leitura, vinculada ao universo da informação, se 
configura, então, como uma competência essencial para que se consiga utilizar a 
informação em toda a sua potencialidade, ou seja, Castro Filho e Romão (2011, p. 
137) sustentam que “os gestos de leitura sempre se apoiam em saberes e dizeres 
já falados antes, sendo que ao leitor cabe renegociar o já-sabido com o texto/livro/
enunciado que tem em mãos”. 
De acordo com Castro Filho (2008, p. 83), “as leituras são essenciais no 
início do desenvolvimento intelectual do sujeito, e o entreter da leitura direciona 
do mágico para o real, que tem como base principal, informar, independente dos 
suportes que se pode oferecer”. 
Para Manguel (1997), na análise que elabora da maneira de ler de Santo 
Agostinho, relata que “tomando do livro uma ideia, uma frase, uma imaginação, 
ligando-se a outro texto preservado na memória, amarrando o conjunto com 
reflexões próprias, produzirá na verdade, um texto novo de autoria do leitor”. 
“Leitores inferem, deduzem, completam vão e voltam, “levantam a cabeça” (como 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
86
bem disse Roland Barthes), rabiscam, subvocalizam, aumentam ou diminuem o 
ritmo” (RIBEIRO, 2011, p. 100). 
Nesse aspecto, a leitura passa a contribuir para a formação do indivíduo 
como uma atitude positiva, de reconhecimento de novas possibilidades, de 
interpretação do material conhecido e de descobrimento de novos caminhos para 
entender e interpretar a leitura. A descoberta da imprensa possibilitou que mais 
pessoas tivessem acesso aos textos, que, devido aos pouquíssimos exemplares das 
obras, tinham acesso restrito, pertencendo aos detentores do poder à época, como 
ordens religiosas, reis ou nobres. Apesar de junto com a revolução mercantil, que 
marcou o início da modernidade, ter começado a ascensão da burguesia e do 
regime político democrático, permitindo o acesso de mais pessoas a essas obras, 
ainda assim poucas pessoas tinham acesso aos livros, devido aos altos índices de 
analfabetismo.
Retratos da Leitura no Brasil 
Criado em 2006 pelas entidades do livro Abrelivros, CBL e SNEL, o 
Instituto Pró-Livro (IPL) tem como objetivo o fomento à leitura e à difusão do livro 
no Brasil. Em 2011, o IPL foi o responsável pela elaboração da terceira edição da 
Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que evidencia o comportamento do leitor 
no país desde 2000, ano de realização da primeira edição da pesquisa. Além de 
demonstrar o comportamento do leitor, a pesquisa também mede a intensidade, 
forma, motivação e condições de leitura da população brasileira, bem como traça 
o perfil dos leitores de livros digitais, além de avaliar a percepção dos usuários de 
bibliotecas públicas (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2012). 
Em relação aos conceitos, em 2011, a pesquisa definiu como leitor aquele 
que declarou, no ato da pesquisa, ter lido pelo menos um livro nos últimos três 
meses. E, não-leitor aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos 
três meses. Dessa forma, o índice de leitura tem como referência a leitura dos 
últimos três meses anteriores à pesquisa (INSTITUTO PRÓLIVRO, 2012). 
A partir da segunda edição (2007), realizada pelo recém-criado Instituto 
Pró-Livro, a pesquisa adotou uma metodologia desenvolvida pela UNESCO e 
pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), com o objetivo de orientar 
as pesquisas sobre leitura realizadas na América Latina. Com isso, a pesquisa 
buscoualcançar um padrão internacional de medição a fim de comparar a questão 
da leitura nos países da região. 
Considerando-se as diferenças metodológicas entre as edições, visando 
apresentar uma comparação entre elas, o IPL, em 2011, separou na 3º edição da 
pesquisa para estudo em cada amostra um grupo com o mesmo perfil: população 
acima de 15 anos, com no mínimo 3 anos de escolaridade, que leu pelo menos 1 
livro nos últimos 3 meses. Os resultados desta comparação constam da Tabela 1.
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
87
Os dados mostram que o índice de leitura piorou da segunda (2007) para a 
terceira edição (2011) da pesquisa, passando de 3,7 para 3,1 quantidade de livros 
lidos por ano. Além disso, ao analisar o índice considerando-se as diferenças de 
raça/cor, renda, gênero, escolaridade, regiões, a pesquisa concluiu que quanto 
mais rico é o entrevistado, maior é a penetração da leitura e média de livros lidos 
nos últimos três meses (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2012). 
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, bem como aquelas realizadas 
pelo IBGE sobre escolaridade, alfabetismo e indicadores sociais e econômicos, 
têm subsidiado a criação de políticas públicas de leitura no nosso país. 
Políticas Públicas de Leitura no Brasil 
Segundo Holanda, Oliveira e Oliveira (2013), o povo procura no Estado 
apoio para suprir as suas necessidades, visando alcançar o seu direito à cidadania. 
Dessa forma, a política social faz parte das políticas públicas, que, segundo 
Saravia (2006, p. 28-29), consistem em:
[...] um fluxo de decisões públicas, orientado a manter o equilíbrio 
social ou a introduzir desequilíbrios destinados a modificar essa 
realidade. Decisões condicionadas pelo próprio fluxo e pelas reações 
e modificações que elas provocam no tecido social, bem como pelos 
valores, ideias e visões dos que adotam ou influem na decisão. É 
possível considerá-las como estratégias que apontam para diversos 
fins, todos eles, de alguma forma, desejados pelos diversos grupos 
que participam do processo decisório. Com uma perspectiva mais 
operacional, poderíamos dizer que ela é um sistema de decisões 
públicas que visa a ações ou omissões, preventivas ou corretivas, 
destinadas a manter ou modificar a realidade de um ou vários setores 
da vida social, por meio da definição de objetivos e estratégias de 
atuação e da alocação dos recursos necessários para atingir os objetivos 
estabelecidos.
Este fluxo de decisões públicas quando voltado às ações sociais recebe o 
nome de políticas públicas sociais. Para Holanda, Oliveira e Oliveira (2013), as 
políticas públicas sociais não se restringem somente ao Estado, pois atuam “de 
e para” todos nas políticas voltadas à universalização dos direitos sociais. Secchi 
(2014, p. 2) define política pública como uma “diretriz elaborada para enfrentar 
um problema público que possui dois elementos fundamentais: intencionalidade 
pública e resposta a um problema público”. 
FONTE: Instituto Pró-Livro (2012, p.73)
TABELA 1 – Comparação 2000-2007-2011 da quantidade de livros/ano lidos no período de 3 meses
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
88
Holanda, Oliveira e Oliveira (2013) defendem que as políticas sociais 
relacionadas ao direito à informação são voltadas à viabilização do acesso aos 
instrumentos sociais e suportes comunicacionais que, por meio da informação, 
proporcionam uma transformação social. 
Nesse sentido, informação, leitura e cidadania se complementam, pois 
quando os indivíduos não possuem a capacidade de ler e, assim, não têm acesso 
à informação, torna-se difícil formar cidadãos de fato e de direito. 
Wethein (2008) defende que, por meio dos livros, se chega ao conhecimento 
e este é caminho para que “os conflitos naturais da vida em sociedade resultem em 
crescimento do bem-estar e redução das desigualdades”. O Brasil, ao longo dos 
anos, criou e implantou diversas políticas públicas para o livro, leitura, literatura 
e biblioteca. Oliveira e Prados (2015, p. 104) elencam as seguintes:
• Criação do Instituto Nacional do Livro (INL) em 1937; 
• Implantação de pequenas bibliotecas a partir as primeiras décadas 
do século XX; 
• Descentralização das atividades do INL a partir do final da década 
de 60 e início da década de 70, para o campo das bibliotecas. Foram 
criados: o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – SNBP (1976), 
Sistemas Estaduais de Bibliotecas Pública - SEBP; 
• Fundação Pró-Leitura (1988);
• Fundação Biblioteca Nacional (1990). Neste período foram extintos 
o INL, SNBP e Fundação Pró-Leitura, sendo as atividades desses 
institutos centralizadas pela Fundação Biblioteca Nacional.
• Política Nacional do Livro (Lei nº 10.753, a Lei do Livro) em 2003.
• Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em 2006. Em 2012, a 
Diretoria do Livro, Leitura e Literatura (DLLL) incorporou o SNBP, 
acrescentando então o “B” ao Plano, passando a ser chamado de 
Plano Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PNLLLB).
Em 2014, os Ministérios da Cultura e da Educação publicaram uma edição 
atualizada e revisada do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). O PNLL reúne 
diretrizes para uma política pública voltada à leitura e à literatura no Brasil e, em 
particular, à biblioteca e à formação de mediadores. Essas diretrizes consideram 
a importância dessas instâncias para o desenvolvimento social e da cidadania, 
pois a formação de uma sociedade leitora é condição essencial para a “inclusão 
social de milhões de brasileiros no que diz respeito a bens, serviços e cultura, 
garantindo-lhes uma vida digna e a estruturação de um país economicamente 
viável” (PNLL, 2014, p. 2). Diante desse contexto, o PNLL (2014) estabeleceu 
quatro eixos: a) democratização do acesso; b) fomento à leitura e à formação de 
mediadores; c) valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor 
simbólico; d) desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção 
intelectual e ao desenvolvimento nacional; que orientam a sua organização, e 
dentro de cada eixo as ações. Além desses eixos e ações, o PNLL (2014, p. 15) 
valoriza cinco fatores identificados pela UNESCO:
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
89
a) o livro deve ocupar destaque no imaginário nacional, sendo 
valorizado por amplas faixas da população;
b) devem existir famílias leitoras que compartilhem práticas de leitura, 
de modo que as gerações se influenciem mutuamente e construam 
representações afetivas em torno da leitura;
c) deve haver escolas que saibam formar leitores, valendo-se de 
mediadores bem formados (professores, bibliotecários, mediadores 
de leitura) e de múltiplas estratégias e recursos para alcançar essa 
finalidade.
d) deve ser garantido o acesso ao livro, com um número suficiente de 
bibliotecas e livrarias;
e) o preço do livro deve ser acessível a grandes contingentes de 
potenciais leitores.
Além desses eixos, ações e fatores, as políticas voltadas para o livro, leitura, 
literatura e bibliotecas seguem as diretrizes da competência em informação 
e do aprendizado ao longo da vida, que têm recebido especial atenção da 
UNESCO em diretrizes e políticas mundiais voltadas para o desenvolvimento, 
prosperidade e liberdade e para criar condições plenas de inclusão social (PNLL, 
2014). Conscientes de que as políticas públicas não têm sido suficientes para o 
alcance do objetivo de assegurar e democratizar o acesso à leitura, ao livro, à 
literatura e às bibliotecas a toda a sociedade, organizações do terceiro setor e da 
iniciativa privada, no âmbito da responsabilidade social, têm realizado ações que 
contribuam para o alcance desse objetivo.
Responsabilidade Social 
A Responsabilidade Social (RS) refere-se ao cumprimento dos deveres e 
obrigações dos indivíduos enquanto seres sociais e das organizações para com a 
coletividade. Dizrespeito ao exercício cidadão e ao pensar sustentável pautado 
na ética e na legalidade. Concretiza-se por meio de ações, tomadas de decisões, 
comportamentos e práticas construtivas, que contribuem de forma eficaz para a 
preservação e melhoria do bem-estar de todos. Para Ashley (2002, p. 6):
responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que 
uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio 
de atos e atitudes que a afetam positivamente, de modo amplo, ou 
a alguma comunidade, de modo específico, agindo proativamente e 
coerentemente no que tange ao seu papel específico na sociedade e a 
sua prestação de contas para com ela.
Ela acontece de forma voluntária pelas organizações, uma vez que adotam 
posturas integralizadoras que beneficiam seu público interno ou externo no que 
tange à sociedade. Por ser composta de ações voluntárias, não deve ser confundida 
como medidas compulsórias impostas pelo governo, pois a responsabilidade 
social transcende essas questões, já que sua essência está na transformação das 
pessoas em agentes socialmente ativos que buscam um ambiente mais digno e 
sustentável para todos. 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
90
No cenário mundial contemporâneo, observam-se inúmeras 
transformações nas esferas econômicas, políticas, sociais, culturais que modificam 
as relações e as formas de trabalho. De acordo com Melo Neto (2001, p. 26), a 
responsabilidade social deve ser entendida pelas organizações como:
a forma ética e responsável pela qual a empresa desenvolve todas 
as suas ações, políticas, suas práticas, suas atitudes, tanto com a 
comunidade quanto com o seu corpo funciona. Enfim, com o ambiente 
interno e externo à organização, e com todos os agentes interessados 
no processo.
O ambiente organizacional atual anseia por um pensar pautado na postura 
cidadã, sustentável com responsabilidades voltadas à coletividade. Houve um 
despertar para o coletivo, as organizações agora precisam alcançar convergência 
entre metas econômicas e sociais. Segundo o Instituto Ethos (2016, p. 8), um 
negócio sustentável e responsável consiste em uma:
[...] atividade econômica orientada para a geração de valor 
econômico-financeiro, ético, social e ambiental, cujos resultados 
são compartilhados com os públicos afetados. Sua produção e 
comercialização são organizadas de modo a reduzir continuamente 
o consumo de bens naturais e de serviços ecossistêmicos, a conferir 
competitividade e continuidade à própria atividade e a promover e 
manter o desenvolvimento sustentável da sociedade.
Com o passar do tempo, o termo responsabilidade social modificou-se e 
amadureceu em sua essência e em seus principais objetivos, ocasionando algumas 
variações complementares ou distintas. Entre esses termos estão:
• Responsabilidade Social Empresarial (RSE): está diretamente relacionada 
com o público interno de sua empresa, sejam eles funcionários; colaboradores; 
dentre outros. 
• Responsabilidade Social Corporativa (RSC): conceito frequentemente utilizado 
por grandes organizações (denominadas de grande porte), que se fundamenta 
em ações voltadas em benefício à economia local; ao meio ambiente; moradia; 
transporte; educação; políticas públicas em geral que contribuem positivamente 
para a melhoria da sociedade e organizações. 
• Responsabilidade Social Ambiental (RSA): tem seus princípios e valores 
arraigados em preocupações com a preservação e manutenção do meio 
ambiente, ações intimamente ligadas com o pensar sustentável.
A sociedade atual exige de seus indivíduos uma nova forma de pensar 
e agir, uma vez que a globalização é um marco na era contemporânea e a 
responsabilidade social, pautada na postura cidadã e no exercício sustentável, 
engloba práticas que abrem caminho para uma sociedade mais humana e 
igualitária, pois a globalização e seus benefícios devem ser fatores de inclusão 
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS
91
e não de exclusão, sendo necessário estabelecer comportamentos baseados em 
princípios e valores coletivos, criar noções de integralização, pois a dignidade é 
um direito elementar à vida de qualquer cidadão.
 
De modo a contribuir para a consolidação da responsabilidade social, 
foram criadas diversas regulamentações que reconhecem uma organização como 
sendo socialmente responsável. Dentre os indicadores mais destacados desta área, 
ressaltam-se os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social, reconhecido como 
o mais importante, que classifica anualmente as ações e organizações envolvidas 
em questões sociais e seu grau de comprometimento. Esses indicadores captam 
informações nas seguintes dimensões: a) Visão e estratégia; b) Governança e 
Gestão; c) Social; e d) Ambiental (INSTITUTO ETHOS, 2016). 
Dentre as tendências de mercado e com a intenção de estabelecer 
sempre uma padronização dos processos organizacionais por meio de selos e 
especificações técnicas, surgiram as certificações socioambientais que buscam, 
além da adequação das normas de excelência, a divulgação das boas práticas 
empresariais pautadas nos princípios da responsabilidade social. Uma organização 
voltada para o desenvolvimento da responsabilidade social planeja em seus 
negócios um horizonte multidimensional e integrado, proporcionando, assim, 
uma visão holística sobre a ambiência empresarial, transformando suas ações em 
estratégias para o exercício da vantagem competitiva, assegurando os direitos 
civis; econômicos; sociais; políticos e ambientais, contribuindo efetivamente para 
uma sociedade mais justa e igualitária.
Considerações finais
As ações de incentivo à leitura da iniciativa privada juntamente com as 
políticas públicas desenvolvidas e implementadas no Brasil acontecem de forma 
muito tímida comparadas com a realidade desta sociedade, que possui em sua 
grande maioria indivíduos com dificuldades e limitações para a escrita, leitura 
e reflexão, conforme evidenciado no Indicador de Alfabetismo Funcional e na 
pesquisa Retratos da Leitura no Brasil apresentados neste artigo. 
Essas questões precisam ser levadas em consideração de forma mais 
contundente, uma vez que as políticas públicas devem ser pensadas como um 
conjunto de ações que modifiquem de fato a realidade social, transformando as 
pessoas em agentes sociais, pois o pensar coletivo pautado na ética e na legalidade 
é elementar para o mundo contemporâneo. 
É necessário trabalhar o conhecimento em sua totalidade, pois isso reflete 
diretamente na vida das pessoas, modificando e alterando padrões, exigindo uma 
nova maneira de pensar e agir perante o mundo. A Competência em Informação 
transforma os indivíduos em seres sociais, detentores do próprio saber, 
transformando-os em agentes ativos e autônomos no que tange à informação, 
produção e disseminação do conhecimento em sua potencialidade. 
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
92
A Era digital é incontestável nos dias de hoje, mas será que vivemos em 
um país globalizado? Ou vivemos em uma sociedade parcialmente evoluída no 
que se refere à ciência e à tecnologia? Será que a globalização vivida na sociedade 
brasileira é meramente parcial e acaba se transformando em um fator de exclusão e 
não de inclusão? O governo em todos os seus níveis de atuação (municipal, estadual 
e federal) tem o dever de promover ações e políticas para o desenvolvimento da 
leitura e do aprendizado, nesse sentido, ressalta-se a importância do papel das 
organizações empresariais, pois para haver progresso e crescimento é necessário 
convergência entre metas econômicas e sociais. Diante disso, concluímos que, 
para a promoção da leitura em nosso país, é imprescindível o pensar sustentável, 
o exercício da cidadania e a busca pelo aprendizado ao longo da vida, pois o 
ambiente atual anseia por ações de extensão mais ativas com base em uma visão 
integralizadora sob a ótica da responsabilidadesocial.
FONTE: FERREIRA, Adam Felipe; SARDELARI, Íris Marques Tavares; CASTRO FILHO, Claudio 
Marcondes de. Políticas públicas e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações 
empresariais sob a ótica da responsabilidade social. Biblioteca Escolar em Revista, Ribeirão Preto, 
v. 5, n. 1, p. 64-82, 2016. Disponível em: 10.11606/issn.2238-5894.berev.2016.110279. Acesso em: 
10 jun. 2019.
93
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Nos Estados Unidos, a política pública é vista como área do conhecimento e 
como disciplina acadêmica nascida em universidades.
• A análise de políticas públicas aconteceu no período pós-guerra visando à 
resolução de problemas. Nas universidades, a ideia de desenvolvimento do 
conhecimento e da informação foi evidenciada porque auxiliava na governança.
• Harold Lasswell, Herbert Simon, Charles Lindblom e David Easton são 
considerados os “fundadores” do estudo das políticas públicas.
• As políticas públicas, enquanto objeto de estudo, configuram, em primeiro 
lugar, processos complexos e multidimensionais que se desenvolvem em 
múltiplos níveis de ação e de decisão. Em segundo lugar, há diferentes atores 
– governantes, legisladores, eleitores, administração pública, grupos de 
interesse, públicos-alvo e organismos transnacionais, que agem em quadros 
institucionais e em contextos geográficos e políticos específicos, visando à 
resolução de problemas públicos, mas também a distribuição de poder e de 
recursos.
• O ciclo de políticas públicas é um processo interativo, não linear composto por 
cinco fases principais.
• Os atores que fazem parte do ciclo de políticas são: governo, gabinete, 
servidores públicos, partidos políticos, mídia, grupos de interesse, sistema 
legal e o público.
• Existem instrumentos de políticas que são técnicas à disposição do governo 
para a implementação dos objetivos das políticas. Exemplos de instrumentos 
de política: gastos, regulamentos, parcerias, troca de informações, tributação, 
licenciamento, prestação direta de serviços, contratos e subsídios.
• São três os objetivos dos instrumentos de políticas públicas: a) Proporcionar 
mudanças de comportamento nos indivíduos; b) Trazer condições sociais, 
políticas ou econômicas à população; c) Fornecer serviços ao público, conforme 
demanda.
• Os tipos de instrumentos de política são: Doing nothing, Information-based, 
Expenditure-based, Regulation e Acting directly.
94
• Os instrumentos de políticas do governo são influenciados pelo governo e 
governança e pela influência internacional.
• A análise de política visa diminuir problemas sociais por intermédio do 
aperfeiçoamento na formulação e na implementação de políticas públicas além 
de entender o porquê e para quem uma política foi criada, e não só olhar o 
conteúdo em si de tal política.
• A análise de políticas públicas – compreendida como uma ciência social – 
originou-se de duas vertentes de interesse: a) a partir das dificuldades que as 
pessoas idealizadoras e elaboradoras de políticas tinham frente à complexidade 
dos problemas que buscavam resolver; e b) a atenção dada por pesquisadores 
e acadêmicos em ciências sociais que buscavam estudar questões relacionadas 
às políticas públicas visando aplicarem seu conhecimento para resolver 
problemas concretos no setor público.
• Na ciência política, o estudo de políticas públicas está centrado no poder e suas 
relações (como é mantido, conquistado, distribuído e compartilhado o poder), 
assim como nos processos de aquisição dos recursos de poder, processos de 
participação no poder, a competição e as alianças realizadas.
• A análise das políticas públicas partiu das bases teóricas trazidas da ciência 
política, assim como da economia, psicologia, sociologia, história e estudos das 
organizações.
• Existem diferentes tipos de análise de políticas, a saber: estudo do conteúdo das 
políticas públicas, estudo da elaboração das políticas, estudo dos resultados 
das políticas, avaliação de políticas, informação para elaboração de políticas, 
informação para elaboração de políticas e defesa de políticas.
• Uma política possui três elementos-chaves: uma definição de problema, metas 
a serem atingidas e os instrumentos de política para abordar o problema e 
atingir as metas.
• Existem quatro modelos teóricos para compreensão do processo e problemas 
das políticas públicas, a saber: o modelo sequencial ou do ciclo político; o 
modelo dos fluxos múltiplos; o modelo do equilíbrio interrompido e o quadro 
analítico das coligações de causa ou de interesse.
95
AUTOATIVIDADE
1 Com base na leitura complementar intitulada “Políticas públicas e ações de 
incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais sob a ótica 
da responsabilidade social”, marque a resposta que se refere ao conceito de 
responsabilidade social:
a) ( ) Apresenta, de forma didática e em linguagem simples, informações 
sobre a Lei de Acesso à Informação (LAI) e orientações aos gestores 
públicos estaduais e municipais sobre as medidas necessárias para a 
efetiva implementação dessa Lei, bem como sua regulamentação.
b) ( ) É o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, 
expresso por meio de atos e atitudes que a afetam positivamente, de 
modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo 
proativamente e coerentemente no que tange ao seu papel específico 
na sociedade e a sua prestação de contas para com ela. 
c) ( ) Admite a prestação de serviços em dois regimes jurídicos distintos. No 
chamado regime privado, a empresa recebe uma outorga denominada 
autorização, enquanto no chamado regime público, a outorga é 
conhecida como concessão.
d) ( ) É o estudo da manifestação e da evolução do fenômeno informação 
e representa uma promissora ferramenta para a compreensão das 
dinâmicas de poder nos contextos sociais, onde estão incluídas as 
esferas econômicas e políticas.
e) ( ) Realiza a busca, no marco legal das telecomunicações, quais são os 
serviços enquadrados no regime jurídico público e no privado.
2 Conforme Estevão e Ferreira (2018), uma política três elemento-chaves. 
Marque qual a resposta se refere à resposta correta, segundo abordado 
pelos autores no texto.
 
a) ( ) Os três elementos-chave são: uma definição de problema, metas a 
serem atingidas e os instrumentos de política para abordar o problema 
e atingir as metas. 
b) ( ) Os três elementos-chave são: defesa do processo de elaboração, defesa 
de políticas e informação para a elaboração de políticas.
c) ( ) Os três elementos-chave são: estudo da elaboração das políticas, estudo 
do conteúdo das políticas públicas e a avaliação de políticas.
d) ( ) Os três elementos-chave são: afetação de recursos, o papel da interação, 
o papel dos atores e das instituições e as regras de funcionamento da 
política.
3 Para Estevão e Ferreira (2018) existem diferentes tipos de análises de 
política e a escolha de qual análise será utilizada depende do analista que a 
desenvolve. Entre os tipos de análise estão:
96
I. Estudo do conteúdo das políticas públicas: se refere à atenção dada para 
questões que fazem parte das influências na formulação de políticas.
II. Estudo das regras das políticas: visa identificar porque gastos e serviços 
são variáveis em diferentes áreas buscando compreender as políticas no 
que se refere aos fatores sociais, econômicos, tecnológicos etc.
III. Estudo da elaboração das políticas: neste tipo o analisa investiga como 
determinada política surgiu, foi implementada e quais os resultados 
obtidos a partir de sua implementação.
IV. Avaliação de políticas: neste tipo se procura identificar os impactos das 
políticas sobre a população.
V. Defesa do processo de elaboração da política: os estudos se forcam no 
melhoramento dos processos de elaboração de políticas e a máquina do 
governo.
VI. Defesa de políticas: neste item o analista defende a adoção de ideias e 
opções no processo de elaboração de políticas.VII. Informação para elaboração de políticas: neste tipo busca-se organizar os 
dados para auxiliar os elaboradores de políticas na tomada de decisão.
A partir do estudo do tópico, identifique a resposta CORRETA:
a) ( ) As questões I, II, III, IV e VI estão corretas.
b) ( ) As questões II, III, IV, V e VI estão corretas.
c) ( ) As questões I, II, III, V e VI estão corretas.
d) ( ) As questões IV, V, VI e VII estão corretas. 
e) ( ) As questões IV, III, VI e VII estão corretas.
f) ( ) Nenhuma das questões está correta.
g) ( ) Todas as questões estão corretas.
4 Conforme estudado no Tópico 1 existem três níveis de análise de políticas 
que se referem ao funcionamento da estrutura administrativa, ao processo 
de decisão e a relação entre o Estado e a sociedade. Dessa forma, explique 
qual é o nível denominado como “nível da essência ou estrutural”.
5 O Tópico 1 desta unidade demonstrou que existem quatro modelos teóricos 
para a compreensão do processo e problemas das políticas púbicas. Dessa 
forma, a partir da citação abaixo:
Enquanto objetivo, este modelo possibilita a exploração e 
investigação do processo de políticas públicas visando reduzir sua 
complexidade. Assim, a ação pública é “analisada como um processo 
sequencial e inacabado que se repete e reconstrói, em resultado de 
mudanças induzidas por efeito de feedback das próprias políticas 
públicas, ou por alterações do contexto ou da relação entre os atores 
e instituições envolvidos” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 18).
Identifique o modelo que a citação se refere:
a) ( ) Multiple Streams Framework.
b) ( ) Policy Cicle.
c) ( ) Punctuated Equilibrium Theory.
d) ( ) Advocacy Coalition Framework – ACF.
97
TÓPICO 2
POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O presente tópico aborda o processo de incorporação da cultura nas 
ações públicas. Embora tenha diversos conceitos a partir de diversas perspectivas 
teóricas, pode-se entender que a cultura é a consciência coletiva que vincula os 
sujeitos uns aos outros (ORTIZ, 2013). 
A cultura também pode ser entendida como um conjunto de tradições, 
códigos, valores e práticas transferidas em vários sentidos. Há um entendimento 
de que a “compreensão sobre um dado grupo, um coletivo e suas respectivas 
produções ou reproduções culturais, é relevante, útil e necessário para o processo 
de formulação de políticas públicas” (LEITE, 2015, p. 21).
Neste tópico, você aprenderá o conceito de políticas públicas culturais, 
estudará um breve histórico sobre o desenvolvimento das políticas culturais no 
Brasil e conhecerá o Sistema Nacional de Cultura e Plano Nacional de Cultura.
2 O QUE SÃO POLÍTICAS CULTURAIS?
A primeira instituição responsável pela formulação e implementação de 
políticas públicas para a cultura foi o Departamento Municipal de Cultural da 
cidade de São Paulo, criada no Brasil em 1935 por Mário de Andrade. A partir 
deste marco que aponta a evolução do poder público visando à cultura, foi 
possível verificar o processo de construção da cultura como campo de atuação 
do poder público, até que, em 1985, foi criado o Ministério da Cultura, órgão este 
com atuação nacional (LEITE, 2015).
As políticas públicas realizadas e promovidas pelo Ministério da Cultura 
englobam projetos de abrangência nacional e apelo social e incorporam inúmeras 
ações definidas em função das demandas vindas da população. Estas ações 
necessitam de estruturas complexas para operar, bem como, de esforços de 
comunicação interna e externa, em âmbito nacional e internacional, visando ao 
alcance dos objetivos e a promoção dos resultados (LEITE, 2015).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
98
Embora seja um objeto recente de estudos, as Políticas culturais podem ser 
definidas como “formulações e/ou propostas desenvolvidas pela administração 
pública, organizações não-governamentais e empresas privadas, com o objetivo de 
promover intervenções na sociedade através da cultura” (FÉLIX; FERNANDES, 
2006, p. 1).
Para Canclini (2001, p. 65), as políticas culturais são um “conjunto de 
intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis e grupos comunitários 
organizados a fim de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as 
necessidades culturais da população e obter consenso para um tipo de ordem ou 
de transformação social”. Coelho Neto (1997, p. 292) complementa a definição 
acima afirmando que as iniciativas feitas por estes grupos objetivam “promover 
a produção, a distribuição e o uso da cultura, a preservação e divulgação 
do patrimônio histórico e o ordenamento do aparelho burocrático por elas 
responsável”.
À medida que a política cultural traz uma resposta de uma autoridade 
política a um determinado problema do campo social ou artístico, ela 
condiciona de forma efetiva a economia dos bens culturais e as suas instituições, 
determinando, assim, a gênese e a história do campo de produção cultural 
(ALBUQUERQUE, 2011).
Existem duas dimensões da cultura, a dimensão sociológica e a dimensão 
antropológica. A primeira – a dimensão sociológica – é privilegiada pelas políticas 
culturais e referem-se ao mercado, à cultura concebida de modo intencional e 
explícito visando à construção de sentidos e alcançar um público específico, 
por intermédio de meios específicos de expressão (BOTELHO, 2001; FÉLIX; 
FERNANDES, 2006). A segunda se refere à cultura produzida no cotidiano e 
representada por pequenos mundos construídos pelos sujeitos, que promove a 
eles o equilíbrio e a estabilidade no convívio social. Esta perspectiva é aquela que 
tem sido o desafio dos gestores da cultura (FÉLIX; FERNANDES, 2006).
Para Albuquerque (2011), as políticas culturais são processos sociais 
institucionais. Em outras palavras, são “práticas de intervenção que vêm agregar 
e dar sentido a um conjunto necessariamente heteróclito de actos, discursos, 
despesas e práticas administrativas” (DUBOIS, 1999 apud ALBUQUERQUE, 
2011, p. 91) “onde se jogam duas dimensões fundamentais das relações sociais: a 
cultura e o poder” (COSTA, 1997 apud ALBUQUERQUE, 2011, p. 91).
 
Para além do Estado, as políticas culturais podem ser elaboradas por 
diversos setores e agentes sociais podendo estes, inclusive, atuar em conjunto 
para a realização de tais políticas. “Este é, particularmente, um alinhamento 
exigido pelas novas demandas sociais emergidas das constantes transformações 
culturais observadas na contemporaneidade” (FÉLIX; FERNANDES, 2006, p. 2). 
O campo cultural está presente de forma transversal em todas as áreas 
da vida social como a comunicação, o comportamento, a diversidade, a política 
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS
99
nacional, a economia, entre outros, e demanda das políticas uma articulação 
que ultrapasse as fronteiras da dimensão sociológica da cultura (FÉLIX; 
FERNANDES, 2006).
As desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país 
são um exemplo de indicadores que tornam visíveis a necessidade de políticas 
de acesso a bens culturais. Além disso, a aceitação e convivência com diferentes 
grupos étnico-raciais, religiosos e culturais, o apoio à pluralidade de segmentos 
sociais e culturais e de manifestações também fazem parte dos desafios na 
elaboração e na prática de políticas culturais (FÉLIX; FERNANDES, 2006).
Entre as dificuldades, está o corte de verbas para pagamento de dívidas 
que acaba, por retirar dos setores da cultura os investimentos para a elaboração 
de políticas públicas, o que atrasa o processo de inovação e desenvolvimento 
econômico do Brasil (FÉLIX; FERNANDES, 2006). 
3 POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL
As políticas culturais começaram no Brasil juntamente com a chegada 
da corte portuguesa no século XIX a partir da criação das primeiras instituições 
culturais, tais como o Museu Histórico Nacional, a Biblioteca Nacional etc. 
(MUSA; PASSADOR; PASCHOALOTTO, 2017). 
No entanto foi na Era Vargas que começaram a de fato existir intervenções 
do Estado relacionadas àcultura. Com o intuito de estabelecer uma identidade 
nacional e de novo cenário político, Getúlio Vargas estruturou instituições 
nacionais de cultura e de incentivo à produção cultural (MUSA; PASSADOR; 
PASCHOALOTTO, 2017).
Já no período de ditadura civil-militar, o desenvolvimento de políticas 
públicas culturais foi contido de forma quase total. Inúmeros artistas e ativistas 
da área da cultura foram obrigados a pedir asilo, visto que houve perseguição 
e violência do Estado. Com o estabelecimento da Constituição Federal de 1988, 
passa a ser obrigação do Estado o financiamento de atividades culturais, assim 
como são garantidas manifestações culturais em sua forma diversa e total com 
fundos destinados à cultura (MUSA; PASSADOR; PASCHOALOTTO, 2017).
Nos anos 1990, a parceria com empresas privadas por intermédio das leis 
de incentivo fiscal à cultura se tornou o meio de desenvolver as políticas públicas 
para a cultura durante este período. Neste ponto, o Estado é aquele que passou 
a facilitar e estimular o financiamento de atividades culturais por intermédio de 
capital privado. O Estado tinha como compromisso encontrar empresas privadas 
para garantir a receita para a viabilização de eventos e movimentos culturais 
(MIRANDA; ROCHA; ELGLER, 2014).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
100
Já nos governos Lula, a partir de 2003, a cultura passa a ocupar lugar de 
destaque para a formação de uma sociedade inclusiva, democrática, produtora, 
autônoma e protagonista de práticas econômicas, sociais e culturais mais justas. 
“No primeiro mandato do Governo Lula [...] passamos a observar uma retomada 
na construção de diretrizes para o estabelecimento de uma política verdadeira 
para o campo da cultura, notadamente na gestão do Ministro Gilberto Gil” 
(LEITE, 2015, p. 35). 
Assim, “há a recuperação das políticas de democratização e 
descentralização, a partir das discussões sobre a pertinência da Lei de 
Incentivo Fiscal e a reavaliação sobre o papel do Estado como formulador 
e gestor de políticas públicas” (LEITE, 2015, p. 35). Dessa forma, a política 
cultural elaborada para o Ministério da Cultura (MinC) a partir de 2003 
“orienta-se para a criação de programas de apoio direto a iniciativas culturais 
realizadas em todo o país, buscando se estender ao plano do cotidiano e 
dirigidas a diversos segmentos sociais, considerando o protagonismo dos 
artistas brasileiros” (LEITE, 2015, p. 35).
Neste período, houve o avanço das políticas públicas para a cultura por 
intermédio do Sistema Nacional de Cultura (SNC), visava focar nas políticas 
culturais e tirá-las da situação em que se encontrava nos governos anteriores. 
Organizado em regime de colaboração, centralizado e participativo, possui como 
objetivo a promoção do desenvolvimento social e econômico com pleno exercício 
dos direitos culturais. 
O SNC é definido como um “processo de gestão e promoção das 
políticas públicas de cultura, em regime de colaboração de forma democrática 
e participativa entre os três entes federados (União, estados e municípios) e a 
sociedade civil, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social 
e econômico com pleno exercício dos direitos culturais” (BRASIL, 2010, s.p.). 
Como princípios, o SNC possui:
I- diversidade das expressões culturais;
II- universalização do acesso aos bens e serviços culturais;
III- fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e 
bens culturais;
IV- cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e 
privados atuantes na área cultural;
V- integração e interação na execução das políticas, programas, 
projetos e ações desenvolvidas;
VI- complementaridade nos papéis dos agentes culturais;
VII- transversalidade das políticas culturais;
VIII- autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade 
civil;
IX- transparência e compartilhamento das informações;
X- democratização dos processos decisórios com participação e 
controle social;
XI- descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e 
das ações;
XII- ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos 
públicos para a cultura (BRASIL, 2019, s.p.).
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS
101
FIGURA 5 – LOGO DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA (SNC)
FONTE: <http://cultura.gov.br/wp-content/uploads/2019/02/snc-novos-municipios-interna_1.
png>. Acesso em: 11 jul. 2019.
Acesse o site do Sistema Nacional de Cultura e leia na íntegra os manuais 
publicados, as legislações, publicações e dados sobre o assunto. FONTE: <http://portalsnc.
cultura.gov.br/sobre/o-que-e-o-snc/>. Acesso em: 8 out. 2019.
DICAS
A partir da observação da adaptação de outros modelos de políticas 
públicas do país, como o Sistema único de Saúde (SUS), a ideia para as políticas 
públicas culturais foi idealizada. Nos governos de Dilma e Temer, passou-se a 
ter uma perda simbólica e efetiva no campo da cultura (MUSA; PASSADOR; 
PASCHOALOTTO, 2017). A seguir, será apresentada a evolução histórica das 
políticas públicas culturais no Brasil de forma resumida.
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
102
QUADRO 4 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL
PERÍODO CARACTERÍSTICA PRINCIPAIS AÇÕES
Era Vargas
Início das intervenções 
do Estado na cultura 
do país
- Valorização do patrimônio histórico e 
artístico. 
- Foco na democratização da cultura 
(Constituição de 1934)
- Criação do CNC
Ditadura Militar 
e início da 
redemocratização
Repressão, censura, 
autoritarismo e 
investimentos
- AI-5 
- Investimento em infraestrutura em 
telecomunicações 
- Criação do CFC, de instituições 
culturais e do primeiro PNC 
- Criação do Ministério da Cultura 
(MinC)
- Constituição de 1988
1990 a 2002 Modelo neoliberal
- Extinção do MinC e de outras 
instituições públicas de cultura 
- Lei Rouanet e PRONAC 
- Parceria com empresas privadas 
- Desigualdade de distribuição de 
recursos
Governo Lula Gestão compartilhada e participativa
- Reestruturação do MinC 
- Reformulação das leis de incentivo 
fiscal 
- Criação do Programa Cultura Viva e 
dos Pontos de Cultura 
- Conferência Nacional de Cultura I e 
II 
- Criação do SNC
Governo Dilma, 
impeachment e o 
presidente interino 
Michel Temer
SNC como objetivo 
principal
- SNC introduzido na Constituição 
Federal 
- Aprovação da distribuição de 
recursos do FNC aos entes aderidos ao 
SNC 
- Vale-cultura 
- III Conferência Nacional de Cultura 
- Extinção do MinC por um curto 
período de tempo
FONTE: Musa, Passador e Paschoalotto (2017, p. 362)
4 PLANO NACIONAL DE CULTURA (PNC)
O Plano Nacional de Cultura (PNC) é definido como “um conjunto 
de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias, ações e metas que orientam o 
poder público na formulação de políticas culturais. Previsto no artigo 215 da 
Constituição Federal, o Plano foi criado pela Lei n° 12.343, de 2 de dezembro 
de 2010” (BRASIL, 2010, s.p.). O referido plano possui como objetivo “orientar 
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS
103
o desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais que garantam a 
valorização, o reconhecimento, a promoção e a preservação da diversidade 
cultural existente no Brasil” (BRASIL, 2010, s.p.).
Sob a supervisão do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), o 
PNC foi elaborado após a realização de seminários, fóruns e consultas públicas. 
Possui como um marco importante de seu processo de construção a 1ª Conferência 
Nacional de Cultura, realizada em 2005, após as conferências municipais e 
estaduais (BRASIL, 2010).
O CNPC foi instituído pela Constituição Federal, art. 216-A, § 2º, inciso 
II, pelo Decreto nº 5.520/2005 e pela Portaria nº 28/2016 e é definido como “um 
órgão colegiado que compõe o Sistema Nacional de Cultura (SNC) e integra a 
estrutura básica da Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania” 
(BRASIL, 2010, s.p.). Sua finalidade é propor a formulação de políticas públicas 
visando a promoção da articulaçãoe debate de diferentes níveis de governo e 
sociedade civil organizada para desenvolver e fomentar atividades culturais em 
território nacional.
A partir do novo governo de 2019, foi modificado o CNPC. Acesse o site do 
Conselho Nacional de Cultura e leia o Decreto que regulamenta o novo formato para o 
Conselho Nacional de Política Cultural. 
FONTE: <http://cnpc.cultura.gov.br/2019/07/01/decreto-regulamenta-novo-formato-para-
o-conselho-nacional-de-politica-cultural/>. Acesso em: 10 jun. 2019.
DICAS
O Plano Nacional de Cultura (PNC) possui a vigência de 10 anos, estando 
válido até 2 de dezembro de 2020 (BRASIL, 2010). Os eixos norteadores do PNC 
são baseados em três dimensões de cultura, a saber:
• a cultura como expressão simbólica;
• a cultura como direito de cidadania;
• a cultura como potencial para o desenvolvimento econômico (BRASIL, 2010).
A responsabilidade pela execução do PNC é da Secretaria Especial da 
Cultura, coordenadora executiva do Plano, responsável pelo monitoramento de 
ações necessárias para sua execução, conforme o artigo 3 da Lei nº 12.343/2010 
(BRASIL, 2010).
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
104
Com relação à sua estrutura, o PNC possui os seguintes componentes:
a) Órgãos gestores da cultura: executa as ações previstas no plano. Pode ser 
secretaria, fundação ou uma unidade gestora ligada a uma secretaria;
b) Conselhos de política cultural: contribui com a formulação e o acompanhamento 
das políticas culturais, colabora com a organização do plano – orientado pelas 
diretrizes estabelecidas na conferência de cultura – e aprova sua forma final;
c) Conferências de cultura: encarregada de avaliar as políticas culturais, analisar 
a conjuntura cultural e propor diretrizes para o Plano de Cultura;
d) Sistemas de financiamento à cultura: conjunto dos instrumentos de 
financiamento público da cultura, tanto para as atividades desenvolvidas pelo 
Estado, como para apoio e incentivo a programas, projetos e ações culturais 
realizadas pela Sociedade;
e) Planos de cultura: documento de planejamento para orientar a execução da 
política cultural da cidade. Ele estabelece estratégias e metas, define prazos e 
recursos necessários à sua implementação a partir das diretrizes definidas pela 
Conferência de Cultura. O Plano é elaborado pelo órgão gestor da cultura com 
a colaboração do Conselho de Política Cultural, a quem cabe aprová-lo;
f) Sistemas setoriais de cultura: são subsistemas do SNC que se estruturam para 
responder com maior eficácia à complexidade da área cultural, que se divide 
em muitos setores, com características distintas, exemplo disso são o Sistema 
Brasileiro de Museus e o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas;
g) Comissões intergestores: são instâncias de negociação e operacionalização do 
Sistema Nacional de Cultura;
h) Sistemas de informações e indicadores culturais: conjunto de instrumentos 
de coleta, organização, análise e armazenamento de dados – cadastros, 
diagnósticos, mapeamentos, censos e amostras – a respeito da realidade 
cultural sobre a qual se pretende atuar; e
i) Programas de formação na área da cultura: conjunto de iniciativas de 
qualificação técnico-administrativa – cursos, seminários e oficinas – de agentes 
públicos e privados envolvidos com a gestão cultural, a formulação e a execução 
de programas e projetos culturais (BRASIL, 2010).
Conheça o guia de orientações para os Estados do Sistema Nacional de 
Cultura, disponível em: http://pnc.cultura.gov.br/wp-content/uploads/sites/16/2017/10/
Guia-de-orienta%C3%A7%C3%A3o-para-os-estados-perguntas-e-respostas-Dez-2011.pdf.
Conheça o guia de orientações para os Municípios do Sistema Nacional de Cultura, 
disponível em: http://pnc.cultura.gov.br/wp-content/uploads/sites/16/2017/10/Guia-de-
orienta%C3%A7%C3%A3o-para-os-munic%C3%ADpios-perguntas-e-respostas-Dez-2012.pdf.
DICAS
105
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você aprendeu que:
• Para que servem as políticas públicas culturais.
• Há um histórico evolutivo de políticas públicas culturais no Brasil começando 
pela Era Vargas e terminando no governo Temer.
 
• Políticas culturais podem ser definidas como “formulações e/ou propostas 
desenvolvidas pela administração pública, organizações não governamentais 
e empresas privadas, com o objetivo de promover intervenções na sociedade 
através da cultural.
• Existem duas dimensões da cultura, a dimensão sociológica e a dimensão 
antropológica.
• Para além do Estado, as políticas culturais podem ser elaboradas por diversos 
setores e agentes sociais podendo estes, inclusive, atuar em conjunto para a 
realização de tais políticas.
• O campo cultural está presente de forma transversal em todas as áreas da 
vida social como a comunicação, o comportamento, a diversidade, a política 
nacional, a economia, entre outros, e demanda das políticas uma articulação 
que ultrapasse as fronteiras da dimensão sociológica da cultura.
• As desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país são 
um exemplo de indicadores que tornam visíveis a necessidade de políticas de 
acesso a bens culturais. Além disso, a aceitação e convivência com diferentes 
grupos étnico-raciais, religiosos e culturais, o apoio à pluralidade de segmentos 
sociais e culturais e de manifestações também fazem parte dos desafios na 
elaboração e na prática de políticas culturais.
• Sistema Nacional de Cultura (SNC) visava focar nas políticas culturais e tirá-
las da situação em que se encontrava nos governos anteriores.
• O SNC é considerado um “processo de gestão e promoção das políticas públicas 
de cultura, em regime de colaboração de forma democrática e participativa 
entre os três entes federados (União, estados e municípios) e a sociedade civil, 
tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico 
com pleno exercício dos direitos culturais”.
106
• Plano Nacional de Cultura (PNC) é vinculado à Secretaria Especial da Cultura 
e tem como objetivo orientar o desenvolvimento de programas, projetos e 
ações culturais que garantam a valorização, o reconhecimento, a promoção e a 
preservação da diversidade cultural existente no Brasil.
• O PNC possui três dimensões da cultura como norte: a cultura e sua expressão 
simbólica, como direito de cidadania e como potencial para o desenvolvimento 
econômico.
• O PNC possui como elementos que o compõe: os órgãos gestores de 
cultura, conselhos de política cultural, conferências de cultura, sistemas de 
financiamento à cultura, planos de cultura, sistemas setoriais de cultura, 
comissões intergestores, sistemas de informações e indicadores culturais e 
programas de formação na área da cultura.
• Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) é um órgão colegiado cujo 
objetivo é propor a formulação de políticas públicas visando a promoção 
da articulação e debate de diferentes níveis de governo e sociedade civil 
organizada para desenvolver e fomentar atividades culturais em território 
nacional.
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pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
CHAMADA
107
AUTOATIVIDADE
1 Conforme estudado no Tópico 2, selecione a resposta correta que traz a 
definição de políticas culturais, segundo os estudos de Canclini (2001):
a) ( ) As políticas culturais referem-se ao mercado, à cultura concebida de 
modo intencional e explícito visando à construção de sentidos e alcançar 
um público específico, por intermédio de meios específicos de expressão.
b) ( ) As políticas culturais são um “conjunto de intervenções realizadas 
pelo Estado, instituições civis e grupos comunitários organizados a fim 
de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as necessidades 
culturais da população e obter consenso para um tipo de ordem ou de 
transformação social”.
c) ( ) As políticas culturais são “práticas de intervenção que vêm agregar e dar 
sentidoa um conjunto necessariamente heteróclito de atos, discursos, 
despesas e práticas administrativas”.
d) ( ) As políticas culturais são um insumo capaz de proporcionar uma 
transformação social.
e) ( ) As políticas culturais são essenciais no início do desenvolvimento 
intelectual do sujeito, e o entreter da leitura direciona do mágico para o 
real, que tem como base principal, informar, independente dos suportes 
que se pode oferecer.
2 A partir do conteúdo estudado, identifique o conceito de Planos de cultura, 
componente elementar da estrutura do Plano Nacional de Cultura:
a) ( ) Encarregados de avaliar as políticas culturais, analisar a conjuntura 
cultural e propor diretrizes para o Plano de Cultura.
b) ( ) Conjunto dos instrumentos de financiamento público da cultura, tanto 
para as atividades desenvolvidas pelo Estado, como para apoio e incentivo 
a programas, projetos e ações culturais realizadas pela Sociedade.
c) ( ) Documento de planejamento para orientar a execução da política 
cultural da cidade. Ele estabelece estratégias e metas, define prazos 
e recursos necessários à sua implementação a partir das diretrizes 
definidas pela Conferência de Cultura. O Plano é elaborado pelo órgão 
gestor da cultura com a colaboração do Conselho de Política Cultural, 
a quem cabe aprová-lo.
d) ( ) Executa as ações previstas no plano. Pode ser secretaria, fundação ou 
uma unidade gestora ligada a uma secretaria.
3 A política cultural elaborada pelo Ministério da Cultura orientava-se para 
a criação de programas de apoio direto a iniciativas culturais realizadas 
em todo o país. Entre os avanços trazidos para as políticas públicas, estão 
aqueles trazidos pelo Sistema Nacional de Cultura. De acordo com o 
conteúdo estudado, este Sistema é definido como:
108
a) ( ) Processo de gestão e promoção das políticas públicas de cultura, em 
regime de colaboração de forma democrática e participativa entre os três 
entes federados (União, Estados e Municípios) e a sociedade civil, tendo 
por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico 
com pleno exercício dos direitos culturais.
b) ( ) Conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias, ações e metas 
que orientam o poder público na formulação de políticas culturais.
c) ( ) Uma instância colegiada da estrutura da Secretaria Especial da Cultura 
do Ministério da Cidadania elaborada pelo órgão gestor da cultura com 
a colaboração do Conselho de Política Pública Cultural, a quem cabe 
aprová-lo. 
d) ( ) Sistema de gestão de políticas de informação, voltado para a articulação, 
formação, fomento e promoção de políticas de informação.
4 A partir do estudo deste tópico, responda qual é a finalidade do Conselho 
Nacional de Política Cultural (CNPC) e a qual órgão se encontra vinculado.
5 No Tópico 2 foram abordados desafios para a elaboração e prática de 
políticas públicas culturais. A partir do texto estudado, identifique qual das 
alternativas a seguir representam os desafios elencados no texto.
I . Desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país.
II. A convivência e aceitação de diferentes grupos étnico-raciais, religiosos e 
culturais.
III. O apoio à pluralidade de segmentos sociais e culturais.
IV. O apoio a manifestações.
Conforme as alternativas, marque a opção CORRETA:
a) ( ) As alternativas I, II estão corretas.
b) ( ) As alternativas II e III estão corretas.
c) ( ) As alternativas III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a alternativa IV está correta.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
109
UNIDADE 3
DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE 
INFORMAÇÃO NO CONTEXTO 
NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS 
DO LIVRO, DA LEITURA E PARA 
BIBLIOTECAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer experiências de políticas governamentais brasileiras voltadas ao 
fomento da Sociedade da Informação, em especial, o Governo Eletrônico 
(e-GOV) e o Programa Sociedade da Informação – Livro Verde e Livro 
Branco;
• aprender os conceitos de Sociedade da Informação, governo eletrônico e 
outras políticas públicas de informação;
• entender alguns elementos constituintes de políticas públicas para a 
promoção do livro, leitura, biblioteca e literatura; 
• conhecer as políticas nacionais de informação para a promoção do livro, 
da leitura e da biblioteca;
• conhecer as políticas públicas destinadas às minorias sociais, em especial, 
às pessoas idosas e às populações negras.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.
TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO 
NACIONAL
TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA 
BIBLIOTECAS NO BRASIL
TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS 
SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E 
AS POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE 
PÚBLICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
110
111
TÓPICO 1
POLÍTICAS PÚBLICAS DE 
INFORMAÇÃO NO 
CENÁRIO NACIONAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Desde o início da humanidade, a informação sempre foi uma 
parte fundamental para estabelecer o controle social, a mudança social e o 
estabelecimento de relações sociais. A partir da informação relevante adquire-se 
o conhecimento, e como a construção de novos conhecimentos realiza a mudança 
nas estruturas que nos cercam. Viver em uma sociedade com plenitude é possuir 
a informação como insumo para a superação de desigualdades, agregação de 
valor, criação de empregos, propagação do bem-estar e pleno exercício dos 
direitos básicos garantidos na Constituição. 
No dia a dia estamos em contato com a Sociedade da Informação quando 
nos conectamos à internet, quando acessamos, via nossos smartphones, as mídias 
sociais ou redes sociais on-line como twitter, facebook e instagram, quando falamos 
ao telefone ou via webconferência por acesso remoto, enviamos e-mails, acessamos 
nosso internet banking e fazemos transações bancárias, entre outras atividades 
cotidianas. A Sociedade da Informação propicia a geração de novas oportunidades 
para os sujeitos e também promove o crescimento e desenvolvimento econômico 
de diversos países (OLIVEIRA; SHIMA, 2012).
Neste sentido serão apresentadas, neste tópico, algumas experiências 
de políticas governamentais brasileiras voltadas ao fomento da Sociedade da 
Informação, em especial, o Governo Eletrônico (e-GOV) e o Programa Sociedade 
da Informação – Livro Verde e Livro Branco que serão aqui destacados.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
112
2 GOVERNO ELETRÔNICO COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA 
DE INFORMAÇÃO
A Sociedade da Informação surge a partir dos avanços tecnológicos em rede 
e as novas exigências do mercado, que possui a informação como um bem social 
e elemento crucial para emancipação cidadã e da ação governamental. Conforme 
Nharreluga (2009), o governo eletrônico (e-GOV) constitui-se em um discurso 
propagado pela Sociedade da Informação, que emergiu devido ao capitalismo em 
países desenvolvidos e se ramifica para países em desenvolvimento. Esta política 
encontra-se fundamentada na relação entre o Estado e a Informação enquanto 
duas categorias. 
Dentro das políticas de governo desenvolvidas para o acesso à informação 
no Brasil, encontra-se o e-GOV. O conceito de Governo Eletrônico surgiu a 
partir do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, em 
especial, da internet, que propiciou à Administração Pública novas formas de se 
relacionar com a sociedade e vice-versa. Assim, promoveu a prestação de serviços 
governamentais sem a necessidade da presença física (BRASIL, 2014).
FIGURA 1 – LOGO DO GOVERNO ELETRÔNICO (E-GOV) BRASILEIRO
FONTE: <http://pedbrasil.org.br/wp-content/uploads/2019/08/9cnVd1BF_400x400.png>.Acesso em: 20 ago. 2019.
O programa de Governo Eletrônico do Brasil surgiu a partir dos anos 2000, 
a partir da criação de um Grupo de Trabalho Interministerial, via Decreto de 3 de 
abril de 2000, para examinar e propor políticas, normas e diretrizes vinculadas às 
novas formas de interação eletrônica (BRASIL, 2000a).
Nos diagnósticos realizados pelo GTTI identificou-se a existência 
de várias ações isoladas na área de serviços ao cidadão, oferecidos 
por meio da Internet como a entrega de declarações do Imposto de 
renda, divulgação de editais de compras governamentais, emissão 
de certidões de pagamentos e impostos, acompanhamentos de 
processos judiciais e prestação de informações sobre aposentadorias e 
benefícios da previdência social, entre outros. À mesma época, entrou 
em produção uma nova versão do Rede Governo, com melhorias e 
expansão dos serviços (http://www.redegoverno.gov.br). O projeto 
que teve como objetivo se transformar em um portal único de serviços 
e informações à sociedade (a primeira versão do ambiente entrou no 
ar em 25 de janeiro de 1999) (BRASIL, 2014, s.p.).
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
113
Os diagnósticos identificaram ainda boas iniciativas e também 
evidenciaram a ocorrência de infraestrutura deficitária, sendo esta composta por 
uma malha de diversas redes administrativas de forma isolada. Por este motivo, 
os serviços não possuíam um padrão de desempenho e interatividade, nem se 
apresentava interfaces amigáveis para o usuário, além de haver um descompasso 
na assimilação das TICs pelos diversos órgãos do governo. Corroborando a isso, 
os sistemas do Governo Federal eram pouco integrados entre si e sua estrutura 
era focada na gestão de funções e não de processos (BRASIL, 2014).
O tema da exclusão digital também apareceu como um forte fator 
delimitador para a expansão da internet, em especial, pela dificuldade de acesso 
às linhas telefônicas e também às organizações provedoras de acesso aos usuários. 
Além disso, o custo dos equipamentos de informática eram outra barreira para 
grande parte da população brasileira. A partir daí as ações foram formalizadas 
em 12 de maio de 2000, pela Portaria da Casa Civil nº 23, e passaram a fazer parte 
das metas do Programa Sociedade da Informação (BRASIL, 2000b).
Em junho de 2000, o Grupo de Trabalho propôs uma política de interação 
eletrônica do Governo com a sociedade. Como justificativa, apresentou o relatório 
de diagnóstico da situação brasileira de infraestrutura e serviços do Governo, as 
aplicações que existiam e quais eram aquelas requisitadas e também a situação 
da legislação sobre tal tema. Posteriormente, apresentou a Proposta de Política 
de Governo Eletrônico para o Poder Executivo Federal, que tinha como objetivos 
macros “estabelecer um novo paradigma cultural de inclusão digital, focado 
no cidadão/cliente, com a redução de custos unitários, a melhoria na gestão e 
qualidade dos serviços públicos, a transparência e a simplificação de processos” 
(BRASIL, 2000c, p. 5). Nesta proposta, são estabelecidas ainda as diretrizes gerais, 
o plano de metas para o ano de 2000 a 2003, os aspectos legais, a capacitação e as 
metas prioritárias e responsáveis (BRASIL, 2000c).
Em outubro de 2000, foi criado o Comitê Executivo de Governo Eletrônico 
(GECE) com a finalidade de formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer 
a coordenação e a articulação de ações de implantação do Governo Eletrônico 
(BRASIL, 2014). Entre as competências do GECE estão:
• Coordenar e articular a implantação de programas e projetos para a 
racionalização da aquisição e da utilização da infraestrutura, dos serviços e 
das aplicações de tecnologia da informação e comunicações no âmbito da APF.
• Estabelecer as diretrizes para a formulação, pelos Ministérios, de plano anual 
de tecnologia da informação e comunicações.
• Estabelecer diretrizes e estratégias para o planejamento da oferta de serviços e 
de informações por meio eletrônico, pelos órgãos e pelas entidades da APF;
• Definir padrões de qualidade para as formas eletrônicas de interação.
• Coordenar a implantação de mecanismos de racionalização de gastos e de 
apropriação de custos na aplicação de recursos em tecnologia da informação e 
comunicações, no âmbito da APF.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
114
• Estabelecer níveis de serviço para a prestação de serviços e informações por 
meio eletrônico.
• Estabelecer diretrizes e orientações e manifestar-se, para fins de proposição e 
revisão dos projetos de lei do Plano Plurianual, de Diretrizes Orçamentárias 
e do Orçamento Anual, sobre as propostas orçamentárias dos órgãos e das 
entidades da APF, relacionadas com a aplicação de recursos em investimento e 
custeio na área de tecnologia da informação e comunicações (BRASIL, 2014).
O programa de Governo Eletrônico (e-GOV) brasileiro prioriza a 
utilização de tecnologias de informação e comunicação para democratizar o 
acesso à informação, buscando, assim, a ampliação do debate e da participação 
da população na construção de políticas públicas e no aprimoramento da 
qualidade de informações e serviços públicos prestados aos cidadãos (BRASIL, 
2014). A política do e-GOV do Brasil se baseia em um conjunto de diretrizes 
que estão fundamentadas em três ideias: a participação cidadã, a melhoria do 
gerenciamento interno do Estado e a integração entre parceiros e fornecedores 
(BRASIL, 2014).
Desde sua criação, o Programa de Governo Eletrônico busca transformar 
as relações entre o Governo e os cidadãos brasileiros, as organizações privadas 
e outros órgãos governamentais a fim de aprimorar a prestação de serviços, 
promover maior interação entre indústria e empresas, bem como fortalecer 
a participação do cidadão por intermédio do acesso à informação e uma 
administração pública eficiente (BRASIL, 2014).
No que concerne ao e-GOV, este busca ampliar a oferta e a qualidade 
das informações e serviços prestados via meios eletrônicos, independentemente 
da origem de quem demanda por tais informações. O e-GOV “compreende a 
definição de padrões, a normatização, a articulação da integração de serviços 
eletrônicos, a disponibilização de boas práticas, a criação e construção de super 
infraestrutura tecnológica entre outras questões” (BRASIL, 2014, s.p.).
A formulação da Política de Governo Eletrônico e a sua implementação 
promoveu o desenvolvimento de diversas ações e projetos. Entre eles destaca-
se o Programa “Sociedade da Informação”, conduzido pelo Ministério da 
Ciência e Tecnologia. Este programa está detalhadamente apresentado em um 
documento publicado no ano 2000 intitulado “Livro Verde” no qual faz referência 
às atribuições do Governo Eletrônico em seu Capítulo 6, chamado “Governo ao 
Alcance de todos” (BRASIL, 2019b). Além deste destacam-se outras contribuições 
que auxiliaram na reflexão e implantação de diretrizes do governo eletrônico 
brasileiro, tais como a Medida Provisório nº 2.200, de 2001 – que instituiu a 
criação da Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil) e possibilitou o uso 
de assinaturas eletrônicas, a criação da certificação digital e validade legal de 
documentos que circulam ou são criados em meio eletrônico – e o Decreto n. 
3.697, de dezembro de 2000, o qual regulamentou o pregão eletrônico dentro da 
administração federal (BRASIL, 2014).
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
115
3 PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, O LIVRO 
VERDE E O LIVRO BRANCO
A sociedade da Informação engloba diversos países, e no Brasil, o Governo 
e a sociedade precisaram se unir para assegurar que os benefícios trazidos pela 
Sociedade da Informação alcançassem a todos. O surgimento da Sociedade da 
Informação promove novas formas de organizar e produzir em escala mundial, 
assim como de redefinir a inserção dos países na sociedade internacional e no 
sistema econômico mundial. 
Com a vindada internet, o Governo deve realizar a universalização do 
acesso e uso crescente dos meios eletrônicos de informação visando gerar uma 
administração eficiente e transparente em todos os sentidos. Oferecer e criar 
serviços equitativos e universais para atendimento de cidadãos devem contar 
entre as prioridades de quaisquer ações públicas. Cabe ainda ao Governo, 
implementar e promover políticas visando à inclusão social, para que as pessoas 
acompanhem os avanços tecnológicos e sociais ocorridos em sociedade. 
FIGURA 2 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
FONTE: <https://www.todoestudo.com.br/wp-content/uploads/2018/07/sociedade-da-
informa%C3%A7%C3%A3o.png>. Acesso em: 10 ago. 2019.
Pensando nisso, em 1999, foi criado o Programa Sociedade da Informação 
(SOCINFO), lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O grupo de 
Implantação do Programa Sociedade da Informação, composto por representantes 
do Ministério da Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada e instituições públicas 
e privadas de ensino, foi quem originou o documento que é conhecido como Livro 
Verde (SARDENBERG, 2000). 
O objetivo do Programa Sociedade da Informação é realizar a integração, 
coordenação e fomento de ações para o uso de tecnologias de informação e 
comunicação (TICS) visando contribuir para a inclusão de todas as pessoas na 
sociedade da informação brasileira, e, em paralelo, contribuir para que a economia 
do país consiga competir com o mercado global (MENEZES; SANTOS, 2001). Para 
a execução deste Programa é preciso o compartilhamento de responsabilidades 
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
116
entre o governo, a iniciativa privada e a sociedade civil. Para isso, o Programa 
se desenvolve em sete grandes linhas de ação, a saber: a) mercado, trabalho e 
oportunidades; b) universalização de serviços e formação para a cidadania; c) 
a educação na sociedade da informação; d) conteúdos e identidade cultural; e) 
governo ao alcance de todos, f) P&D, tecnologias-chave e aplicações e também, g) 
infraestrutura avançada e novos serviços (MENEZES; SANTOS, 2001).
Para Oliveira e Shima (2012), existem razões que levaram o Ministério 
da Ciência e Tecnologia à proposição do Programa Sociedade da Informação, a 
saber:
1) O papel central de Tecnologias de Informação (TI) na viabilização 
de competitividade econômica do país, não somente através 
da criação de novos produtos e serviços, mas especialmente por 
meio da renovação das estruturas tradicionais de produção e 
comercialização de bens e serviços. 
2) A importância competitiva que TI pode assegurar a países em 
comércio internacional, através da implantação/uso de mecanismos 
de pagamento eletrônico, transporte de bens com acompanhamento 
em tempo real, alfândegas eletrônicas, entre outros.
3) A necessidade de uma infraestrutura avançada de redes e 
de computação para suporte a todas as atividades do país, 
perpassando desde educação e pesquisa até comércio de bens e 
serviços, destacando o oferecimento de serviços públicos eficientes. 
4) A urgência de viabilizar a democratização do acesso à informação 
visando contribuir para o exercício pleno da cidadania (PROGRAMA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, 2000 apud OLIVEIRA; SHIMA, 
2012, p. 2).
De posse de tais informações, o Ministério da Ciência e Tecnologia 
considerou que o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em 
uma infraestrutura nacional poderia propiciar a diminuição da distância entre 
países em desenvolvimento e países ricos no campo social, econômico e cultural 
(OLIVEIRA; SHIMA, 2012). Assim, foi criado um cronograma para o Programa 
Sociedade da Informação distribuído em duas etapas, sendo a primeira etapa 
a de implantação e a outra etapa de execução. Para Takahashi (2000), a fase 
de implantação era compreendida pela: a) elaboração de uma proposta inicial 
detalhada de Programa, no chamado “Livro Verde”, b) processo de consulta 
ampla à sociedade e; c) consolidação do plano definitivo com as atividades do 
Programa no chamado “Livro Branco”, contendo a inserção das ideias trazidas 
pelo Livro Verde e opiniões coletadas durante o processo de consulta. 
O Livro Verde do Programa Sociedade da Informação é uma das ações que 
elaboradas para apresentar à sociedade, metas de implementação do Programa e 
é composto por uma súmula consolidada de possíveis aplicações de Tecnologias 
da Comunicação e Informação. Nesse sentido, 
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
117
contempla um conjunto de ações para impulsionarmos a Sociedade da 
Informação no Brasil em todos os seus aspectos: ampliação do acesso, 
meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à 
pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico, desenvolvimento 
de novas aplicações. Esta meta é um desafio para o Governo e para a 
sociedade (SARDENBERG, 2000, p. 5).
Tal documento aponta inicialmente uma proposta de ações concretas 
que engloba planejamento, orçamento, execução e acompanhamento específicos. 
“Estará exposto a toda a sociedade brasileira e a comunidade internacional, 
convidadas a participar de um processo de crítica, consulta e debates em torno 
de seu conteúdo” (ORGANIZACIÓN..., 2000, s.p.). Como resultado, esperou-se a 
depuração das propostas que promovesse a construção conjunta de um projeto que 
compartilhasse as responsabilidades entre o governo, as organizações privadas, 
a sociedade civil e o setor acadêmico – modelo básico de apoio à Sociedade da 
Informação (ORGANIZACIÓN..., 2000). 
FIGURA 3 – PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL - LIVRO VERDE
FONTE: <http://livros01.livrosgratis.com.br/ci000005.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2019.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
118
No que se refere ao papel governo (incluindo seus diversos níveis: federal, 
estadual, municipal), este deve proporcionar e assegurar o acesso de forma 
universal às TICs e seus benefícios, independentemente da localização geográfica 
do sujeito ou população e da situação social em que este cidadão se encontra. 
Para tal, deve-se garantir o oferecimento de serviços mínimos e estimular a 
interoperabilidade de tecnologias e redes. Cabe ainda ao governo, estimular e 
viabilizar que ocorra a participação de organizações sem fins lucrativos, pequenas 
empresas e diversos segmentos sociais marginalizados e de minorias. Dessa 
forma, possibilitará que este segmento da população tenha acesso aos benefícios 
propiciados pela Sociedade da Informação e também aqueles que ainda poderá 
proporcionar. 
Ademais, cabe ao governo o estabelecimento de condições equitativas 
de competição entre os diferentes segmentos da população e seus agentes 
econômicos, sem retirar as iniciativas de investimento e de novos negócios, 
bem como implementar além de políticas públicas, instrumentos de 
regulação legal, flexível e que promova a proteção dos interesses dos 
cidadãos e estimule o desenvolvimento dos diversos setores da sociedade 
(ORGANIZACIÓN..., 2000).
No que se refere às organizações privadas, estas são as que dispõem 
de maior capacidade de investir e inovar, de dinamizar e obter condições 
abrangentes de ações e de capilarização. Neste setor, a partir da colaboração 
com diferentes atores, pode-se decidir investir em tecnologias e aplicações. 
Por intermédio de tal parceria, deve também voltar-se para desenvolver 
produtos de alta qualidade e serviços inovadores que viabilizem oportunidades 
de novos mercados e melhorem as condições de vida de todas as pessoas 
(ORGANIZACIÓN..., 2000).
Quanto à sociedade civil, esta precisa zelar pelo interesse público, 
buscando organizar seus setores para monitorar e influenciar os poderes públicos 
e as organizações de cunho privado. As organizações não governamentais (ONGs) 
ocupam importante papel na mobilização da sociedade, buscando garantir que 
os objetivos comuns sejam respeitados.Ademais, cada cidadão precisa atuar de 
forma ética, no que se refere a disseminar e utilizar conteúdos por intermédio de 
redes eletrônicas, em especial, na internet (ORGANIZACIÓN..., 2000).
As universidades e outras instituições educacionais possuem um 
importante papel para o desenvolvimento e alcance de metas do Programa, visto 
que estão vinculadas à formação de pessoal qualificado e na construção de ciência 
e tecnologia. Por fim, todos os setores (governo, setor privado, setor acadêmico e 
cidadãos) precisam se unir para participar na concepção e conversão do projeto 
da Sociedade da Informação (ORGANIZACIÓN..., 2000).
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
119
No que concerne à informação disponibilizada e acessível no mundo 
digital, tal programa “considerou em suas metas as bibliotecas públicas pontos 
focais naturais para difusão, captação e processamento de conteúdos de interesse 
público” (MACHADO, 2010, p. 101). O livro Verde tornou-se uma referência para 
pesquisadores, gestores públicos, empresários e demais interessados no tema de 
políticas de Ciência e Tecnologia do Brasil. A partir de debates, assembleias e 
resoluções e, principalmente, da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e 
Inovação ocorrida em setembro de 2001 foram publicados os resultados no Livro 
Branco. Conforme Pacheco (2001), não restam dúvidas de que o Livro Branco 
é o “ponto culminante de uma trajetória de reforma do sistema nacional” de 
Ciência e Tecnologia, que ainda não foi completado, mas que possui um rumo a 
ser seguido.
O Livro Branco não traz detalhadamente o “como” implementar as 
diretrizes discutidas na Conferência Nacional (BRASIL, 2002). No entanto, 
propõe uma síntese do que os participantes, debatedores, pesquisadores e demais 
integrantes da Conferência acordaram: “uma agenda de consensos que norteia 
uma direção” (PACHECO, 2001, p. 15). Esse documento traça rumos para os anos 
vindouros da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) brasileiras, num quadro de 
transformações mundiais. Realiza uma síntese do que os inúmeros interlocutores 
da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em 
setembro de 2001 acordaram entre si para formar e consolidar, em um ambiente 
estimulante e indutor da inovação, um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia 
e Inovação cuja base científica e tecnológica seja internacionalmente competitiva, 
ampla, diversificada e nacionalmente distribuída (BRASIL, 2002).
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
120
LEITURA COMPLEMENTAR
O Programa Sociedade da Informação também foi instituído em outros 
países. A seguir, será realizada a leitura com o exemplo de aplicação do Programa 
em Portugal. Este é um trecho retirado do artigo “Sociedade da Informação no 
Brasil e Portugal: um panorama dos livros Verdes, escrito por Georgete Medleg 
Rodrigues, João Batista Simão e Patrícia Simas de Andrade e publicado na Revista 
Ciência da Informação, v. 32, n. 3, 2003.
PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO EM PORTUGAL
A iniciativa de Portugal para a criação de uma sociedade da informação 
baseia-se no Programa do 13º Governo Constitucional. Nele foram delineadas as 
intenções para o período 1995-1999. A Iniciativa Nacional para a Sociedade da 
Informação foi estruturada em torno de quatro temas: a escola – tecnologia da 
informação na educação; a empresa informatizada; a administração pública local 
e regional – o Estado aberto; o conhecimento – bibliotecas, museus, bancos de 
dados e instituições de pesquisa e desenvolvimento.
O Livro Verde de Portugal aborda 11 tópicos: caráter democrático da 
sociedade da informação: o Estado aberto; o conhecimento disponível; as escolas 
conectadas – aprendendo na sociedade da informação; a empresa na sociedade 
da informação; o emprego na sociedade da informação; o mercado e a indústria 
de informação; as implicações sociais da sociedade da informação; as implicações 
jurídicas da sociedade da informação; infraestrutura nacional de informação; a 
pesquisa e o desenvolvimento na sociedade da informação.
O Livro Verde pretende ser uma reflexão estratégica que define meios para 
implementação de uma sociedade da informação em Portugal. A construção dessa 
sociedade não é apenas uma questão tecnológica, nem o resultado de inovações 
da era digital. Trata-se de um desafio para a construção de uma democracia, na 
qual estão implícitos princípios de liberdade e igualdade. Pretende-se garantir o 
acesso de todos, independentemente de origem social, combatendo a infoexclusão 
e as desigualdades culturais, sociais e econômicas.
Os princípios da democracia, consagrados na Constituição da República 
Portuguesa, devem ser respeitados para que se possa implementar uma sociedade 
da informação em Portugal. São eles:
a) todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei 
(art.13º);
b) direito à identidade pessoal, à cidadania, ao bom nome e reputação, à reserva 
da intimidade da vida privada e familiar (art. 26º);
c) direito à liberdade e à segurança (art. 27º);
d) liberdade de criação intelectual, artística e científica (art. 42º);
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
121
e) a informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes à vida 
intima ou privada dos cidadãos (art. 35º);
f) o direito à livre expressão do pensamento e o direito de informação (art. 37º).
O documento destaca ainda que o abismo existente entre os diferentes 
níveis de renda aprofunda-se aceleradamente e que as evidências mostram que 
cidadãos excluídos socialmente revelam falta de informação e de leitura e são 
fragilizados pela ausência de reconhecimento social e político.
Para diminuir esse abismo, são necessárias medidas de iniciativa pública 
que criem condições de igualdade de acesso nas escolas, bibliotecas, autarquias e 
outros locais públicos, bem como o desenvolvimento de programas de apoio às 
associações culturais, centros de juventude e outras associações que contribuam 
para o combate à iniquidade nos meios de acesso e de assimilação dos benefícios 
que a sociedade da informação pode oferecer. Devem ser elaborados planos de 
ação visando à adequação das tecnologias da informação aos cidadãos portadores 
de necessidades especiais.
Em cada um dos 11 tópicos do Livro Verde, foram apresentados 
programas em desenvolvimento e concluídos que concretizam as medidas 
apontadas. As diretrizes e medidas propostas correspondem às opções de 
política governamental, mas não contêm detalhes ou estimativas de custo para 
sua implementação.
No que se refere ao primeiro tópico, O Caráter Democrático da Sociedade 
da Informação, vale a pena ressaltar o Programa Internet na Escola do Ministério 
da Ciência e Tecnologia (MCT), uma vez que o sistema de ensino é um meio 
privilegiado para combater a desigualdade. O programa consiste na ligação à 
Internet das bibliotecas de todas as escolas públicas, privadas e profissionais 
do ensino fundamental por meio da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade 
(RCTS). Foram criados, em todo o país, 15 pontos de acesso (POP), sediados 
em instituições universitárias e de pesquisa. No âmbito do MCT, foi criada a 
Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (Uarte), que acompanha todo o 
programa, disponibilizando um serviço de apontadores de recursos educativos. 
Foram estabelecidos também protocolos entre o MCT e as câmaras municipais, 
com o objetivo de disponibilizar a alunos e professores das escolas do ensino 
fundamental a utilização educativa da internet.
Outro programa que merece ser destacado é o Sistema Interdepartamental 
de Informação ao Cidadão (Infocid), direcionado à informação de cidadania e 
resultado da cooperação dos ministérios, que disponibiliza vasto conjunto de 
temas: cidadão e família; saúde; educação; juventude; vida cívica; trabalho; 
emprego; segurança social; direito e tribunais; habitação, empresa e economia.A informação é disseminada em quiosques, prédios públicos e terminais 
multibancos. O programa foi considerado exemplar pela Organização de 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
122
Em relação ao segundo tópico, O Estado Aberto, é evidenciada a 
importância do papel decisivo do Estado para colocar Portugal em posição 
competitiva no mercado global, onde ele tem poder para intervir nas estruturas 
internacionais, assegurando as opções nacionais em matéria de desenvolvimento 
da sociedade da informação. O Estado deve estimular a evolução e as mudanças 
necessárias nos setores relevantes e dar exemplos de uso das novas tecnologias 
para desburocratizar, simplificar e melhorar a eficiência da administração pública.
O Ministério da Saúde possui um projeto denominado Cartão de 
Identificação do Usuário do Serviço Nacional de Saúde, que tem como objetivo a 
identificação dos cidadãos por meio de um número único em nível nacional, bem 
como a gestão de doentes nos órgãos prestadores de serviços de saúde, tanto em 
hospitais, quanto em centros de saúde.
É de grande importância o processo de informatização da administração 
pública. O estatuto da informação existente em cada serviço deve ser claro, 
fazendo-se uma distinção entre a “informação de cidadania” (que deve ser 
universal e gratuita), a “informação para o desenvolvimento”, que é destinada 
principalmente aos agentes econômicos e sociais (pode ser remunerada a preço 
simbólico ou eventualmente gratuita), e a “informação de valor agregado” (que 
deve ser fornecida de acordo com as regras de mercado). O objetivo é que a 
administração pública ofereça condições de acesso à informação pública existente 
nos arquivos e disponibilize meios de coleta de informação por meio eletrônico. 
Estes procedimentos devem respeitar normas de proteção de dados pessoais e 
empresariais e de transferência eletrônica de dados.
O cartão “Caixa Automática Universidade/Politécnico” é um exemplo de 
cartão de identificação que permite aos seus titulares, em sua maioria estudantes, 
docentes e funcionários de estabelecimentos de ensino superior, acesso direto à 
Internet com possibilidade de requisição de artigos e livros e ainda (no caso dos 
estudantes) acesso a estágios curriculares na instituição. Além disso, é possível 
obter créditos com taxas de juros reduzidas, crédito para habitação e seguros.
Outro projeto que assegura troca de informações entre a administração 
pública, as empresas e os cidadãos pertence ao Ministério da Saúde, que 
dispõe na Internet de um sistema de informação sobre todas as áreas de sua 
responsabilidade contendo dados produzidos por suas instituições. A Rede de 
Informação de Saúde (RIS) tem como objetivo dotar o Ministério da Saúde dos 
meios (equipamento, software e serviços) que permitam a instalação de uma 
espinha dorsal de telecomunicações. A cobertura total do país torna possível a 
troca direta de informação clínica e administrativa entre instituições e a consulta 
às bases de dados.
Visando tornar a administração pública mais eficiente, os dados 
disponíveis em registros públicos devem estar sempre sendo processados. O 
reaproveitamento da informação administrativa deve ser promovido de modo a 
eliminar a repetição do pedido da mesma informação aos cidadãos e às empresas 
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
123
por parte da administração pública. Exemplo disso é o projeto “Dados dos Óbitos 
Substituem Prova de Vida”, que tem como objetivo facilitar a comunicação dos 
óbitos entre os órgãos envolvidos.
A integração de informação geográfica digital no Sistema Nacional de 
Informação Geográfica e a existência de uma base cartográfica digitalizada na 
escala 1:25.000 são importantes para dar apoio às funções de ordenamento do 
território, como, por exemplo, o controle de desmatamento, incêndios etc.
O quarto tópico refere-se ao conhecimento, que, mais do que em 
qualquer época, é poder. O país que tiver melhores condições para liderar a 
revolução da informação será mais poderoso do que qualquer outro. A criação e 
o apoio a uma rede de pesquisa científica, cultural e de educação são formas de 
o Estado contribuir para o aumento da percepção da importância da informação 
e da cultura. A consolidação da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS) 
é uma medida estratégica que envolve o MCT, a Fundação para a Computação 
Científica Nacional e a Portugal Telecom. A rede promove a conexão telemática 
de escolas, bibliotecas, associações científicas e culturais, universidades e 
instituições de pesquisa, contribuindo para uma disseminação mais rápida do 
conhecimento por todas as camadas sociais. Em 1997, foram firmados protocolos 
com a Associação Nacional dos Municípios e com a Fundação Calouste 
Gulbenkian, com o objetivo de equipar as bibliotecas da rede da Fundação com 
computadores multimídia com acesso à Internet e interligados à RCTS. O MCT 
cooperará na identificação de bibliografia científica e tecnológica, em língua 
portuguesa, destinada a enriquecer as bibliotecas, que, por sua vez, atuarão 
como polos dinamizadores da cultura científica.
A cultura portuguesa deve ser afirmada no mundo por uma rede da 
lusofonia, principalmente nos países de colonização portuguesa, onde Portugal 
deixou marcas culturais importantes. Um dos projetos nessa área, o Projeto 
Terravista, permite a hospedagem gratuita de conteúdos e a criação de uma 
comunidade virtual de língua portuguesa. Em 1999, o governo, em parceria com 
a Associação Terravista, lançou Gentes e Lugares, um projeto de dinamização 
da utilização da Internet como ferramenta de trabalho e de valorização dos 
conteúdos portugueses.
O governo empreendeu ainda esforços para o lançamento de um programa 
de pesquisa e desenvolvimento sobre o processamento computacional da língua 
portuguesa em que tornava obrigatória aos órgãos públicos a disponibilização, 
em formato digital na Internet, de toda publicação e informação por eles 
produzidas. O programa visa à criação de software de reconhecimento da escrita 
e da voz em língua portuguesa, bem como sua difusão e utilização mundial. 
Em 2000, o Ministério da Ciência e Tecnologia firmou protocolo com o jornal. 
O Público Comunicação Social, S.A., que se comprometia a ceder ao MCT, em 
formato digital, trechos de textos publicados no jornal, cobrindo vários anos de 
publicação e abrangendo várias seções do jornal. Os textos organizados pelo MCT 
são denominados Cetem Público. O Cetem destina-se a ser usado como fonte de 
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
124
informação em projetos de pesquisa e desenvolvimento na área do processamento 
computacional da língua portuguesa e foi enviado a mais de 150 pesquisadores 
em todo o mundo e disponibilizado na Internet.
As bibliotecas públicas precisam ser equipadas com novos equipamentos 
para se tornarem cada vez mais aptas a levar às populações os conhecimentos 
de que necessitam. Devem ser o ponto de acesso para os que estão excluídos 
por razões socioeconômicas e/ou culturais. Os arquivos e o patrimônio cultural 
devem ser divulgados na Internet.
O conceito de educação deve ultrapassar as fronteiras do espaço e do 
tempo, dando lugar a um processo de aprendizagem durante toda a vida. Cabe 
ao sistema educativo fornecer, a todos, meios para dominar a proliferação de 
informações, de as selecionar e hierarquizar, com espírito crítico, preparando-os 
para lidar com uma quantidade enorme de informação que poderá ser efêmera e 
instantânea. Devem ser feitas adaptações ao sistema de ensino no que se refere a 
programas, conteúdos, formação de professores e recursos, e devem ser criados 
conteúdos educacionais, culturais e meios de auxílio e pesquisa para apoiar 
atividades docentes. Uma das prioridades consiste nautilização de computadores 
e no acesso às redes eletrônicas de informação pelos alunos de todos os graus de 
ensino, como já foi visto anteriormente no Programa Internet nas Escolas e na 
consolidação da RCTS.
O Programa Nonio-Século XXI, lançado pelo Ministério da Educação, 
incentivou a criação de centros de competência, localizados em instituições de 
ensino superior, que, em conjunto com escolas do ensino fundamental e secundário, 
cooperam no uso das novas tecnologias da comunicação e da informação para a 
melhoria do ensino e do uso das novas tecnologias.
A Rede Comunicação para Universitários é um projeto lançado, em 
colaboração com o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, pela 
Portugal Telecom (PT), cuja finalidade é proporcionar o uso da Rede Digital de 
Serviços Integrados a estudantes e professores de diversas universidades.
Quanto aos tópicos empresa e emprego, Portugal deve inserir-se no 
movimento global de mudança econômica decorrente do que se tem convencionado 
como “revolução digital”, adotando medidas que promovam a competitividade 
das empresas e reinventem a organização do trabalho e do emprego.
O teletrabalho pode ser um estímulo importante ao desenvolvimento 
econômico e tecnológico de empresas, principalmente às pequenas e médias 
empresas que poderão competir melhor com as empresas maiores que não 
optem por métodos de trabalho inovadores. O Teleman é um corretor (broker) de 
teletrabalho português que presta apoio ativo a pessoas que não têm igualdade 
de oportunidades no mercado de trabalho tradicional e fomenta o autoemprego. 
A rede se estende a 10 países europeus. A inclusão do Brasil, prevista para 2000, 
não foi implementada.
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
125
É preciso que a política de emprego seja mais orientada para investimento 
em recursos humanos. A questão da qualificação profissional é crucial porque 
melhora a produtividade e qualidade do emprego.
O Projeto Mercúrio criou, com o apoio do Procon, um espaço na Internet 
e desenvolveu infraestruturas de suporte ao uso das novas tecnologias de 
informação e comunicação no setor do comércio – parte do projeto de incentivo 
às transações seguras e à defesa do consumidor on-line.
Um mercado dinâmico e uma forte indústria da informação são os 
alicerces da sociedade da informação. As telecomunicações providenciam as 
infraestruturas de transporte e acesso para que a informação possa ser consultada, 
transmitida e trocada entre os seus utilizadores.
As indústrias de conteúdos, software e audiovisual devem ser dinamizadas 
por meio de mecanismos de investimento que englobem a digitalização de arquivos 
que pertençam ao patrimônio cultural e artístico português, o desenvolvimento 
de software e conteúdos multimídia para utilização de escolas, bibliotecas, 
hospitais e administração pública, bem como uma estratégia para exportação de 
conteúdos desenvolvidos por empresas nacionais para os mercados de língua 
portuguesa e para o mercado global. As parcerias entre o setor público e privado 
devem ser apoiadas, e o acesso à informação existente em arquivos nacionais 
públicos e privados, melhorado.
Em relação às empresas nacionais, deve-se promover mecanismos para 
envolvê-las em parcerias internacionais e criar instrumentos para promover seu 
acesso a formas diversificadas de capital de risco para concretização de projetos 
de inovação. As implicações sociais resultantes do uso das novas tecnologias e 
suas aplicações atingem diversos setores da sociedade, afetando o modo de vida 
de uma maneira muito profunda e contribuindo para a melhoria da qualidade de 
vida e bem-estar dos cidadãos. Em contrapartida, a complexidade e o custo das 
novas tecnologias aumentam as desigualdades entre aqueles que têm acesso e 
os que não a têm, conduzindo à infoexclusão e a uma deterioração da qualidade 
de vida. Para assegurar um nível adequado de utilização das novas tecnologias, 
é preciso fomentar programas extraescolares e de formação profissional de 
infoalfabetização para atingir um nível mínimo de literacia em informática.
Os grupos socialmente desfavorecidos são objeto de medidas específicas 
para que não se deparem com situações regressivas. O sistema Dixi destina-se 
a crianças com paralisia cerebral, servindo como ferramenta de aprendizagem 
na fase de associação de sons a letras. O sistema está sendo adaptado para ser 
utilizado por pessoas portadoras de necessidades especiais, principalmente 
visuais.
Alguns tópicos relevantes no âmbito da sociedade da informação são 
de natureza global e, por este motivo, só podem ser abordados por meio de 
cooperação internacional entre os países membros da União Europeia. Com o 
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
126
intuito de conciliar os diversos interesses, a União Europeia iniciou a elaboração 
de diretrizes em domínios como privacidade, comércio eletrônico, direito autoral 
etc. Contudo, algumas questões requerem intervenção normativa do Estado e já 
se encontram regulamentadas. São elas:
– Decreto-lei nº 58, de 17.03.1998 – dispõe sobre o regime de aquisição de bens e 
serviços de informática;
– Lei nº 59, Art. 190º, de 25.08.1998 – revisão do Código de Processo Penal – o 
correio eletrônico passa a ter um regime de interceptação mais exigente do que 
o aplicável ao correio pelos meios tradicionais;
– Lei nº 65, de 02.09.1998 – revisão do art.221º sobre burla na informática e nas 
comunicações e agrava a punição da pedofilia;
– Lei nº 67, de 26.10.1998 – regulamentação da diretiva 95/46/CE, de 24.10.1995, 
do Parlamento Europeu, relativa à proteção das pessoas singulares no que diz 
respeito ao tratamento de dados pessoais e sua livre circulação;
– Lei nº 69, de 28.10.1998 – regulamentação do tratamento dos dados pessoais e a 
proteção da privacidade no setor das comunicações;
– Lei do Orçamento de Estado de 1999 – inclui no Estatuto dos Benefícios Fiscais 
um artigo referente a software;
– Decreto-lei nº 290-D, de 02.08.1999 – dispõe sobre o reconhecimento e o valor 
jurídico dos documentos eletrônicos e da assinatura digital, confia o controle da 
atividade de certificação de assinaturas a uma entidade a ser designada e define 
poderes e procedimentos desta, bem como as condições de credenciamento da 
atividade e os deveres das entidades certificadoras;
– Decreto-lei nº 375, de18.09.1999 – dispõe sobre equiparação da fatura eletrônica 
à fatura emitida em papel, regulando igualmente a sua forma de conservação;
– Lei nº 30C, de 29.12.2000 – altera o art.49 do Decreto-Lei 215, de 01.07.1989, que 
dispõe sobre o Estatuto dos Benefícios Fiscais;
– Decreto-lei nº 234, de 25.09.2000 – cria o Conselho Técnico de Credenciamento 
como estrutura de apoio ao Instituto das Tecnologias da Informação na 
Justiça no exercício das funções de autoridade credenciadora de entidades 
certificadoras de assinaturas digitais;
– Decreto-lei nº 51, de 02.03.2002 – atribui relevância jurídica à disponibilização 
e submissão por meio eletrônico de modelos dos formulários dos organismos e 
serviços públicos integrados na administração pública;
– Decreto-lei nº 67, de 20.03.2002 – atribui competência para a constituição de 
um sítio na Internet para publicação de oferta de emprego na área científica e 
tecnológica.
As Resoluções do Conselho de Ministros aprovaram as iniciativas e 
estratégias para a sociedade da informação. Na quarta revisão da Constituição, 
foram feitas alterações com a intenção de aperfeiçoá-la em matéria de novos 
direitos, liberdades e garantias. São elas:
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL
127
– Art. 34 – foi consagrada a proibição de ingerência indevida das autoridades em 
todas as comunicações dos cidadãos, qualquer que seja o suporte tecnológico 
que estes usem;
– Art. 35/2 – define o conceito de dados pessoais, bem como as condições 
aplicáveis ao seu tratamentoautomatizado, conexão, transmissão e utilização. 
Garante a sua proteção através de entidade administrativa independente;
– Art. 35/4 – reformula a proibição de acesso a dados pessoais de terceiros, salvo 
em casos excepcionais previstos na lei;
– Art. 35/6 – garante o livre acesso às redes informáticas de uso público.
A infraestrutura nacional de informação representa a plataforma 
tecnológica de suporte à sociedade da informação, na qual se integrarão todos 
os recursos nacionais disponíveis no mundo da informação, inclusive as pessoas 
que criam e desenvolvem produtos e aplicações ou que atuam como facilitadoras 
para a utilização dos mecanismos da sociedade da informação. 
Sua importância deve ser avaliada em termos dos benefícios produzidos 
econômica e socialmente. Cabe-lhe desempenhar um papel-chave em uma 
transição com êxito para uma nova economia na qual a criação de riqueza esteja 
baseada na inovação tecnológica e na utilização da informação como um bem 
precioso, assegurando distribuição dos benefícios econômicos.
Para que seja implementada essa infraestrutura, é preciso uma 
interoperabilidade de todos os recursos, fornecendo as condições de capacidade 
e largura de banda, assim como entre aplicações e serviços, possibilitando a 
transmissão de voz, dados e imagens de forma eficiente para qualquer lugar, e 
uma atuação conjunta do setor privado e público. Cabe ao governo o papel de 
desenvolver e aplicar uma política para o setor de informação e comunicação, 
incluindo uma política de pesquisa e desenvolvimento.
A pesquisa científica e o desenvolvimento experimental desempenham 
papel fundamental no desenvolvimento da sociedade da informação e devem ser 
promovidos por meio de racionalização e canalização de recursos, para definir e 
financiar um Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, em articulação 
com os programas internacionais em que sejam identificados projetos prioritários 
de pesquisa, executados de forma cooperativa entre as instituições de pesquisa 
do Estado e do setor privado.
FONTE: RODRIGUES, Georgete Medleg; SIMÃO, João Batista; ANDRADE, Patrícia Simas de. 
Sociedade da Informação no Brasil e em Portugal: um panorama dos Livros Verdes. Ciência da 
Informação, v. 32, n. 3, 2003.
128
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Existem algumas experiências de políticas governamentais brasileiras voltadas 
ao fomento da Sociedade da Informação.
• A Sociedade da Informação surge a partir dos avanços tecnológicos em rede 
e das novas exigências do mercado, que possui a informação como um bem 
social e elemento crucial para emancipação cidadã e da ação governamental.
• O conceito de Governo Eletrônico surgiu a partir do desenvolvimento das 
tecnologias de informação e comunicação, em especial, da internet, que 
propiciou à Administração Pública novas formas de se relacionar com a 
sociedade e vice-versa.
• O programa de Governo Eletrônico do Brasil surgiu a partir dos anos 2000, a 
partir da criação de um Grupo de Trabalho Interministerial. 
• O Comitê Executivo de Governo Eletrônico (GECE) com a finalidade de 
formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer a coordenação e a articulação 
de ações de implantação do Governo Eletrônico. 
• O programa de Governo Eletrônico (e-GOV) brasileiro prioriza a utilização 
de tecnologias de informação e comunicação para democratizar o acesso 
à informação, buscando, assim, a ampliação do debate e da participação 
da população na construção de políticas públicas e no aprimoramento da 
qualidade de informações e serviços públicos prestados aos cidadãos.
• O e-GOV compreende a definição de padrões, a normatização, a articulação 
da integração de serviços eletrônicos, a disponibilização de boas práticas, a 
criação e construção de super infraestrutura tecnológica entre outras questões.
• O grupo de Implantação do Programa Sociedade da Informação, composto por 
representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada e 
instituições públicas e privadas de ensino, foi quem originou o documento que 
é conhecido como Livro Verde.
129
• O objetivo do Programa Sociedade da Informação é realizar a integração, 
coordenação e fomento de ações para o uso de tecnologias de informação e 
comunicação (TICS) visando contribuir para a inclusão de todas as pessoas na 
sociedade da informação brasileira, e, ao mesmo tempo, em que contribui para 
que a economia do país consiga competir com o mercado global.
• O papel governo (incluindo seus diversos níveis: federal, estadual, municipal) 
na Sociedade da Informação deve ser o de proporcionar e assegurar o acesso de 
forma universal às TICs e seus benefícios, independentemente da localização 
geográfica do sujeito ou população e da situação social em que esse cidadão se 
encontra.
• O papel da sociedade civil é o de zelar pelo interesse público, buscando 
organizar seus setores para monitorar e influenciar os poderes públicos e as 
organizações de cunho privado.
• As universidades e outras instituições educacionais possuem o papel para que 
está vinculado ao desenvolvimento e alcance de metas do Programa, pois são 
elas que estão vinculadas à formação de pessoal qualificado e na construção 
de ciência e tecnologia. Por fim, todos os setores (governo, setor privado, 
setor acadêmico e cidadãos) precisam se unir para participar na concepção e 
conversão do projeto da Sociedade da Informação.
• O Livro Verde é composto por um conjunto de ações para impulsionarmos a 
Sociedade da Informação no Brasil em todos os seus aspectos: ampliação do 
acesso, meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à 
pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico, desenvolvimento de novas 
aplicações. 
• O Livro Branco propõe uma síntese do que os participantes, debatedores, 
pesquisadores e demais integrantes da Conferência acordaram: “uma agenda 
de consensos que norteia uma direção.
130
1 Sobre os motivos que levaram à criação do Programa Sociedade da 
Informação, marque com V para verdadeiro e F para falso as opções a seguir:
a) ( ) O papel central de Tecnologias de Informação (TI) na viabilização de 
competitividade econômica do país, não somente através da criação de 
novos produtos e serviços, mas especialmente por meio da renovação 
das estruturas tradicionais de produção e comercialização de bens e 
serviços. 
b) ( ) O desenvolvimento da discussão ampla de sua situação como cidadãos, 
suas reivindicações e direitos, além da valorização do potencial de 
vivência dentro das comunidades.
c) ( ) A importância competitiva que TI pode assegurar a países em 
comércio internacional, através da implantação/uso de mecanismos de 
pagamento eletrônico, transporte de bens com acompanhamento em 
tempo real, alfândegas eletrônicas, entre outros.
d) ( ) A utilização de infraestruturas de outros países para a propagação de 
redes de monitoramento de pessoal de TI no contexto mundial.
e) ( ) A necessidade de uma infraestrutura avançada de redes e de 
computação para suporte a todas as atividades do país, perpassando 
desde educação e pesquisa até comércio de bens e serviços, destacando 
o oferecimento de serviços públicos eficientes.
f) ( ) A urgência de viabilizar a democratização do acesso à informação 
visando contribuir para o exercício pleno da cidadania.
2 Conforme estudado no Tópico 1, para Takahashi (2000), a fase de implantação 
do Programa Sociedade da Informação era compreendida por:
 
a) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, no 
chamado “Livro Branco” seguido do processo de consulta ampla à 
elite da sociedade e, por fim, a consolidação do plano definitivo com 
as atividades do Programa no chamado “Livro Verde”, sem conter a 
inserção das ideias trazidas pelo Livro Branco e opiniões coletadas 
durante o processo de consulta.
b) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, no 
chamado “Livro Verde”, seguido pelo processo de consulta ampla 
à sociedade e; por fim,a consolidação do plano definitivo com as 
atividades do Programa no chamado “Livro Branco”, contendo a 
inserção das ideias trazidas pelo Livro Verde e opiniões coletadas 
durante o processo de consulta.
c) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, intitulado 
de “Livro Amarelo”, seguido pelo processo de inserção do modelo na 
sociedade enquanto um protótipo e; por fim, a consolidação do plano 
definitivo com as atividades do Programa no chamado “Livro Verde”, 
contendo a inserção das ideias trazidas pelo Livro Verde e opiniões 
coletadas durante o processo de consulta.
AUTOATIVIDADE
131
d) ( ) A elaboração de uma proposta inicial de descentralização e 
regionalização da P&D, conhecida como “Livro Verde”, seguida da 
realização de pesquisas com comunidades vulneráveis da sociedade e, 
por fim, a implantação de tais ideias no “Livro Branco”.
3 Conforme estudado neste tópico, a política do Governo Eletrônico (Egov) 
do Brasil se baseia em um conjunto de diretrizes que estão fundamentadas 
em três ideias. Quais são elas?
4 O órgão que possui a finalidade de formular políticas, estabelecer diretrizes, 
fazer a coordenação e a articulação de ações de implantação do Governo 
Eletrônico é:
a) ( ) Comitê Executivo de Governo Eletrônico.
b) ( ) Assembleia Executiva do Governo Federal.
c) ( ) Grupo de Trabalho de Governo Eletrônico.
d) ( ) Política de Interação Eletrônica do Governo.
e) ( ) Portal Eletrônico do Governo Federal.
5 Segundo o site do Governo Eletrônico (Egov), em outubro de 2000 foi criado 
o Comitê Executivo de Governo Eletrônico (GECE). A partir dos estudos 
realizados neste tópico, identifique nas opções a seguir a finalidade de tal 
Comitê:
a) ( ) Realizar ações de promoção de debate, via redes sociais na internet, 
sobre as ações realizadas pela Administração Pública Federal, assim 
como realizar a coordenação do site do Governo Eletrônico.
b) ( ) Promover a criação de diretrizes curriculares para a inserção do estudo 
das TICs nos cursos tecnológicos, técnicos e bacharelados. Além disso, 
estabelecer a articulação entre Organizações não governamentais e a 
criação de políticas públicas informacionais.
c) ( ) Formar profissionais capacitados para gerenciar softwares e realizar a 
gestão eletrônica de documentos nos espaços da internet, assim como 
promover o debate acerca da coordenação do Governo Eletrônico e 
suas ações.
d) ( ) Formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer a coordenação e a 
articulação de ações de implantação do Governo Eletrônico. 
e) ( ) Ampliar o acesso às Tics e aos computadores pelas populações com 
menor poder aquisitivo via programas assistenciais de concessão de 
computadores para pessoas de baixa renda.
6 Conforme estudado neste tópico, o Programa Sociedade da Informação 
possui o objetivo de:
a) ( ) Realizar a integração, coordenação e fomento de ações para o uso de 
tecnologias de informação e comunicação (TICS) visando contribuir 
para a inclusão de todas as pessoas na sociedade da informação 
132
brasileira, e, em paralelo, contribuir para que a economia do país 
consiga competir com o mercado global.
b) ( ) Realizar a construção do projeto Mais Bibliotecas Públicas, criado com 
o objetivo de dar continuidade aos investimentos na ampliação do 
número de bibliotecas públicas e qualificação das já existentes, como 
uma ação estratégica dentro das políticas culturais voltadas para as 
bibliotecas públicas no Brasil.
c) ( ) Focalizar as políticas de C&T no Brasil, ressaltando o papel 
desempenhado pelo Portal de Periódicos da Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), especialmente 
no que se relaciona às tecnologias da informação e comunicação (TICs).
d) ( ) Realizar a integração, a coordenação e a proposição de políticas de 
promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra e outros 
segmentos raciais e étnicos da população brasileira.
e) ( ) Elaborar o regimento interno do e-GOV e decidir sobre as alterações 
propostas por seus membros.
133
TÓPICO 2
POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA 
LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Existem algumas iniciativas governamentais em torno de políticas públicas 
que buscam tornar possível a popularização da leitura e do livro, bem como a 
ampliação, modernização, criação e desenvolvimento de bibliotecas no Brasil 
(SANTOS, 2013). No Brasil, existem algumas iniciativas, como o Plano Nacional 
de Cultura (PNC), o Plano Nacional do Livro (PNLL), entre outras ações, que 
vinculadas a outras políticas públicas poderão mudar a realidade brasileira no 
que concerne ao acesso ao livro, à leitura e à biblioteca.
Neste sentido, apresentam-se alguns elementos constituintes de políticas 
públicas para a promoção do livro, leitura, biblioteca e literatura. A seguir serão 
apresentadas as políticas nacionais de informação para a promoção do livro, 
leitura e da biblioteca, a saber: Programa Nacional de Incentivo à Leitura, Política 
Nacional do Livro, Plano Nacional do Livro e da Leitura, Programa de Bibliotecas 
Rurais Arca das Letras, Política Nacional de Leitura e Escrita, entre outros.
2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS BIBLIOTECAS NO BRASIL
No Brasil, as políticas públicas para bibliotecas ainda não estão 
estabelecidas de forma definitiva. Embora nas últimas tenham as políticas 
governamentais tenham incluído as bibliotecas em seu foco, ainda falta um longo 
caminho para o estabelecimento completo de políticas públicas nacionais para 
bibliotecas.
No que se refere aos marcos históricos, antes do ano de 1937, os governos 
buscavam criar bibliotecas públicas como ações governamentais sem participação 
cidadã (MACHADO, 2010). Foi em 1937 que houve a criação do Instituto Nacional 
do Livro pelo então ministro Gustavo Capanema. Neste Instituto havia a previsão 
de atribuições quanto à edição de obras literárias que tivessem interesse para 
a formação cultural da população, a elaboração de enciclopédia e dicionário 
nacional, além de promover a expansão do número de bibliotecas. (FGV, 2019).
134
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
No ano de 1992, foi criado o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas 
(SNBP) que visava fortalecer as bibliotecas públicas via implementação de 
processo sistêmico com ações para integrar as bibliotecas em âmbito nacional. 
Para que ocorresse, foi criado o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), 
que visa articular ações de diversas bibliotecas públicas municipais. Sob a 
responsabilidade do SNBP, encontrava-se a responsabilidade de ações como 
o programa “Livro Aberto”, criado em 2004, que visava inserir bibliotecas em 
municípios que não as possuem, assim como conceder bolsas na área do livro 
e leitura, realizar cadastros de bibliotecas existentes, revitalizar bibliotecas, 
capacitar os recursos humanos dessas unidades de informação, entre outros 
(MACHADO, 2010; PAIVA; ANDRADE, 2014). 
O Programa Livro Aberto existiu durante o período de 2004 a 2011, e a 
partir dele foram criadas 1.705 novas bibliotecas e revitalizadas 682. Tais ações do 
Programa foram realizadas por intermédio do estabelecimento de contratos entre 
a Fundação Biblioteca Nacional e a Prefeitura beneficiada de forma a garantir a 
entrega de materiais, equipamentos, mobiliários e acervo (SISTEMA NACIONAL 
DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).
No ano seguinte, o lançamento do programa “Uma biblioteca em cada 
município”, do Ministério da Educação, que surgiu com o objetivo de implementar 
bibliotecas no país e realizava a distribuição de estantes, livros e oferecia 
capacitação para gestão de bibliotecas (MACHADO, 2010; PAIVA; ANDRADE, 
2014). Para Machado (2010), esse era um exemplo de política que era elaborado 
no estilo universalista, centralizado e tecnocrático.
Foi ainda no ano de 1992, que o Programa Nacional de Incentivo à Leitura 
(PROLER) foi criado vinculado à FundaçãoBiblioteca Nacional via Decreto n. 
519, de 13 de maio. Por intermédio de comitês regionais, o PROLER desenvolve 
ações em conjunto com secretarias municipais e estaduais de cultura e educação 
no Brasil. Na Casa de Leitura, sede do Programa no Rio de Janeiro são oferecidos 
diversos cursos para formação, promoção e incentivo à leitura, bem como 
capacitação de professores, agentes da leitura e bibliotecários (MACHADO, 2010). 
FIGURA 4 – LOGO DO PROLER
FONTE: <http://proler.culturadigital.br/wp-content/arquivos/sites/5/2018/04/logo_proler2.png>. 
Acesso em: 20 ago. 2019.
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
135
O objetivo do PROLER é contribuir para a ampliação da leitura, promoção 
de acesso à prática de leitura e escrita críticas e criativas. Assim, visa articular a 
leitura com expressões de cultura, proporcionar o acesso a materiais escritos e 
abrir novos espaços de leitura e integração com práticas de leitura e hábitos da 
sociedade, de forma a constituir uma sociedade leitora com ampla participação 
cidadã no processo democrático em sociedade (PROLER, 2019). Pretende ainda, 
ser referência na valorização da leitura e da escrita no país, com qualidade, 
diversidade e inovação (PROLER, 2019).
Além desses, outros marcos legais foram criados referentes às bibliotecas 
e políticas públicas no país, conforme demonstrado no Quadro 1. 
QUADRO 1 – MARCOS LEGAIS COM AS POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS PARA BIBLIOTECAS 
NO PERÍODO DE 1990 A 2006
ANO DESCRIÇÃO
1990 Lei nº 8.028: Extingue o Ministério da Cultura e o substitui pela Secretaria da Cultura.
1991 Lei nº 8.313: Lei Rouanet, principal ferramenta de fomento à cultura, via renúncia fiscal dos patrocinadores.
1992 Lei nº 8.029: extingue o Instituto Nacional do Livro (INL, dentro da Fundação Pró-Leitura) e cria a Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
1992 Decreto nº 99.240: extingue a Fundação Nacional Pró-Leitura (desdobramento da Lei nº 8.029).
1992 Decreto nº 519: cria o Proler (Programa Nacional e Incentivo à Leitura).
1992 Decreto nº 520: cria o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) dentro da FBN.
1992 Lei nº 8.490: Recria o Ministério da Cultura (MINC), sem, contudo, reestabelecer a estrutura anterior.
1995 Decreto-Lei nº 1.494: Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC).
1996 Programas “Uma biblioteca em cada município”, do MINC e “Livro Aberto” da FBN.
1999 Decreto nº 3.049: aprova a estrutura e os cargos do Ministério da Cultura, tendo em sua estrutura a Secretaria do Livro e da Leitura (SLL).
1999 Decreto nº 3.294: Sociedade da Informação
2000 Livro Verde da Sociedade da Informação.
2002 Cadastro Nacional de Bibliotecas (CNB).
2003 Extinção da Secretaria Nacional do Livro e da Leitura.
2003 Novo estatuto da Fundação Biblioteca Nacional.
2003 Criação da Câmara Setorial do Livro, Literatura e Leitura (CSLLL).
2004 Programa Fome do Livro.
2004 Portaria nº 234 MINC: Institui o Grupo de Trabalho do livro e da leitura para formular a Política Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas.
2004 Lei nº 11.033: Decreta a desoneração do PIS/Cofins para o livro.
2005 Ano Viva leitura.
136
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
2005 Lei nº 11.116: Complementa a lei anterior e permite a utilização dos créditos do PIS/Cofins.
2005 Emenda Constitucional 48, institui o Plano Nacional da Cultura.
2006 Lançamento do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), com texto e objetivos, em 13 de março.
2006 Portaria Interministerial nº 1442 – Institucionalização do PNLL, (agosto).
2006 PNLL: texto programático conceitual (dezembro).
FONTE: Paiva e Andrade (2014, p. 102-103)
Em 2010, junto à Diretoria do Livro, Leitura e Literatura (DLLL), que estava 
vinculada à Secretaria de Articulação Institucional (SAI), do Ministério da Cultura 
(MinC), foi lançado o I Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais. Tal 
censo visava identificar o perfil dos equipamentos de cultura no Brasil. A partir 
desse período, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas tem trabalhado na coleta 
de dados e validação de informações junto aos Sistemas Estaduais de Bibliotecas 
Públicas, com objetivo de embasar políticas, investimentos públicos e ações 
para a área das bibliotecas no Brasil (SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS 
PÚBLICAS, 2019).
No ano de 2012, o Decreto nº 7.747, de 6 de junho de 2012, promulgou a 
incorporação da DLLL e da SAI-MinC pela Fundação Biblioteca Nacional, a qual 
começou a ser chamada de Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas 
(DLLLB) e o Sistema Nacional De Bibliotecas Públicas (SNBP) passou a ser 
subordinado à DLLLB, da FBN e não mais à Presidência da FBN Brasil (BRASIL, 
2012; SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).
Em 2014, o Decreto nº 8.297, de 15 de agosto de 2014, alterou a configuração 
e a subordinação do SNBP, o qual foi transferido junto da DLLB para Brasília 
e passou a fazer parte da Secretaria Executiva (SE) do Ministério da Cultura. 
Dois anos depois, o Decreto nº 8.837, de 17 de agosto de 2016, estabeleceu uma 
nova estrutura no MinC. A partir dele, a Diretoria de Livro, Leitura, Literatura 
e Bibliotecas foi transformada no Departamento de Livro, Leitura, Literatura e 
Bibliotecas (DLLLB), ficando vinculado à Secretaria da Cidadania e da Diversidade 
Cultural (SCDC). (BRASIL, 2014; BRASIL, 2016; SISTEMA NACIONAL DE 
BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).
Já em 2017, a Portaria nº 84, de 8 de setembro de 2017 implementou a 
delegação de competências de políticas de programas do DLLLB ao Secretário 
da Economia e da Cultura, do Ministério da Cultura. No entanto, esta portaria 
foi revogada pela Portaria nº 30, de 8 de março de 2018. Este foi o mesmo ano em 
que o Ministério da Cultura reestruturou a Secretaria da Economia da Cultural 
por intermédio do Decreto nº 9.411, de 18 de junho de 2018. Atualmente, o DLLLB 
é composto por duas coordenações-gerais e três coordenações (BRASIL, 2017; 
BRASIL, 2018b; SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
137
Destaca-se ainda, o Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras, 
desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no ano de 
2003. Este programa contribui para o acesso ao livro pela população rural do país. 
No contexto brasileiro, sabe-se que ainda não há bibliotecas públicas em todos 
os municípios, e esse Programa busca ser um mecanismo de apoio e condições 
para o acesso ao livro e estímulo à leitura na zona rural, desempenhando, assim, 
a participação democrática da leitura (PECHI, 2017).
FIGURA 5 – LOGO DO PROGRAMA DE BIBLIOTECAS RURAIS ARCA DAS LETRAS DESTINADO À 
REALIZAÇÃO DE BIBLIOTECAS NAS ZONAS RURAIS
FONTE: <http://www.mda.gov.br/arcadasletras/inicio-arca-das-letras.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2019.
A Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento 
Agrário adotou a iniciativa de levar bibliotecas à zona rural dos municípios, 
visando possibilitar o acesso à informação, ao livro e à leitura para que ocorra 
a diminuição das desigualdades sociais no meio rural. As ações que o Programa 
executa são elaboradas pela Coordenação Geral de Ação Cultural (GCAC). O 
programa é visto também como um mecanismo de inclusão estratégica para 
enfrentar as dificuldades de acesso à informação (PECHI, 2017).
Voluntários da comunidade, após passarem pelo processo de capacitação, 
são aqueles que colaboram com o cuidado, gestão, guarda, empréstimo e mediação 
de leitura na biblioteca e começam a atuar como Agentes de leitura nesse espaço. 
A partir da aderência à criação da biblioteca rural dentro da comunidade, as ações 
começam a transcorrer de forma colaborativa e estimulante, o que colabora para 
o desenvolvimento de ações e atividades pela e na biblioteca. Dessa forma, todas 
as atividades buscam ser planejadas de forma a incluir e envolver os usuários 
nas práticas de mediação da leitura,acesso ao livro e à promoção da cultura da 
comunidade (PECHI, 2017).
138
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
Para conhecer mais sobre o Programa Arca das Letras, leia o Manual do 
Programa produzido em 2013. Este material está disponível no link: <http://www.mda.
gov.br/sitemda/sites/sitemda/files/user_arquivos_383/cartilha_10_anos.pdf>. Acesso em: 
10 ago. 2019.
DICAS
3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: CONHECENDO A 
POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO E O PLANO NACIONAL DO 
LIVRO E DA LEITURA (PNLL)
A Política Nacional do Livro foi sancionada em 30 de outubro de 2003 
pela Lei Federal nº 10.753. Voltadas para as questões do livro, por meio desta 
lei foi instituído como o instrumento legal que autoriza o Poder Executivo criar 
e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à leitura (BRASIL, 2003a). O 
livro é conceituado dentro desta política como “a publicação de textos escritos 
em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume 
cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer 
formato e acabamento” (BRASIL, 2003a, s.p.). Entre as diretrizes trazidas, a 
Política aborda que:
a) Visa assegurar o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro 
aos cidadãos; 
b) Busca trazer fomento e apoio para a produção, edição, difusão, a 
distribuição e também a comercialização do livro; 
c) Trazer estímulo à produção de escritores e autores brasileiros, tanto 
de obras científicas como culturais; 
d) Promover a leitura e incentivar o hábito da leitura; 
e) Proporcionar meios para que o Brasil se torne um grande centro 
editorial; 
f) Promover a competitividade no mercado internacional de livros de 
forma a ampliar a exportação de livros produzidos no Brasil; 
g) Dar apoio para a livre circulação de livros no Brasil;
h) Promover a capacitação da população para a utilização do livro, 
a ser visto como um fator de fundamental importância para o 
desenvolvimento intelectual, político, justo, social, e de promoção 
igualitária de renda; 
i) Realizar a ampliação do número de livrarias, bibliotecas e pontos 
de venda do livro;
j) Proporcionar aos editores, autores, distribuidores e livreiros as 
condições para o cumprimento da lei da Política Nacional do Livro 
e, por fim, 
k) proporcionar o acesso à leitura às pessoas com deficiência visual 
(BRASIL, 2003a, s.p.).
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
139
No que se refere ao Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), este foi 
criado por intermédio da Portaria Interministerial nº 1.442, de 10 de agosto de 
2006, pelos ministros da Cultura e da Educação, durante o encerramento do Fórum 
PNLL/Vivaleitura 2006/2008 (ROSA; ODDONE, 2006). Inicialmente, o PNLL 
surgiu como uma política pública de cultura, cuja proposta estava em planejar, 
organizar, discutir e implementar projetos que fomentassem, disseminassem e 
incentivassem à leitura no Brasil (PLANO..., 2019).
Oriundo de mais de 150 reuniões públicas em todo o país realizadas 
entre 2005 e 2006, o Plano foi elaborado a partir de sugestões realizadas por 
representantes de editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de 
papel, editores, educadores, bibliotecários, especialistas em livro e leitura, e 
demais interessados em geral. (PLANO..., 2019). Neste sentido, pretende-se que 
o Plano possua “a dimensão de uma Política de Estado, de natureza abrangente, 
que possa nortear, de forma orgânica, políticas, programas, projetos e ações 
continuadas desen volvidos no âmbito de ministérios – em particu lar os da 
Cultura e da Educação –, governos esta duais e municipais, empresas públicas e 
privadas, organizações da sociedade e, em especial, todos os setores interessados 
no tema” (PLANO..., 2019, s.p.).
O PNLL possui quatro eixos estratégicos, contendo vinte linhas de ação e 
um calendário anual de eventos. É considerado uma 
ação liderada pelo governo federal para converter esse tema em 
política pública mediante a concentração e articulação dos esforços 
desenvolvidos pelos diversos atores sociais: Estado, universidade, 
setor privado e demais organizações da sociedade civil que formam o 
chamado terceiro setor. Tem como objetivo central melhorar a realidade 
da leitura no país e, por isso, é construído e se desenvolve por meio de 
um processo que transcende a imediatez (PNLL, 2006, p. 5).
Em 1º de setembro de 2011, o PNLL foi instituído via decreto nº 7.559, 
firmado pela então presidente Dilma Rousseff (BRASIL, 2011). Trata-se de “um 
conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, 
literatura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidos pelo Estado 
(em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade” (PLANO..., 2013, s.p.). 
O PNLL está baseado em quatro eixos orientadores de sua organização, a saber: 
a) Eixo 1 – Democratização do acesso; b) Eixo 2 – Fomento à leitura e à formação 
de mediadores; c) Eixo 3 – Valorização institucional da leitura e incremento de 
seu valor simbólico; d) Eixo 4 – Desenvolvimento da economia do Livro.
140
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
FIGURA 6 – LOGO DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA
FONTE: <http://antigo.cultura.gov.br/documents/10919/957546/header-pnll-1.png/bc1383ff-
0a72-4b9e-92fd-75ae26ebbf4b?t=1457015369746>. Acesso em: 12 jul. 2019.
A seguir, será descrito cada eixo e as linhas de ações que este engloba, 
com base no que está instituído no próprio PNLL.
3.1 EIXO 1 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO
A democratização do acesso está delineada em seis pontos norteadores 
com sugestões de linhas de ações a serem realizadas para tornar a democratização 
do acesso ao livro e leitura algo efetivo.
FIGURA 7 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO LIVRO E À LEITURA
FONTE: <http://aaapucrio.com.br/wp-content/uploads/Untitled-185.png>. Acesso em: 16 ago. 2019.
A primeira ação se refere à implantação de novas bibliotecas, sejam 
elas de acesso público, estaduais, escolares e municipais. Tais bibliotecas devem 
possuir acervos que busquem ao atendimento dos requisitos recomendados pela 
UNESCO, que incluem a disponibilização de livros em formato braille, digital, 
audiolivros etc., assim como computadores conectados à internet, revistas e 
jornais. Além disso, essas bibliotecas precisam funcionar como centros de ampla 
produção e disseminação da cultura. A implementação de bibliotecas comunitárias 
também é algo incentivado pelo PNLL para a democratização do acesso. Essas 
bibliotecas podem ser criadas em comunidades periféricas, hospitais, creches, 
zonas rurais e outros espaços sociais (PLANO..., 2010).
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
141
A segunda ação se refere ao fortalecimento da rede atual de bibliotecas 
por intermédio da consolidação e fortificação do sistema nacional de bibliotecas 
públicas, de forma a existir um sistema integrado de bibliotecas que possibilite 
a circulação de acervos, a informatização dos catálogos existentes, bem como a 
capacitação de gestores e bibliotecários para serem promotores de leitura.
A terceira ação de democratização do acesso se refere à conquista de 
novos espaços de leitura. Esta ação se relaciona com a criação de salas de leituras, 
pontos de leitura (como ônibus, vans, peruas, barcos etc.) e bibliotecas circulantes. 
Incentiva ainda a realização de atividades de leituras em aeroportos, estações de 
metrô, trem e ônibus, atividades em livrarias, parques, entre outros. A leitura em 
penitenciárias, praças e consultórios, asilos e hospitais, assim como com crianças 
em situação de rua também são outros pontos elencados.
FIGURA 8 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS EM PONTOS DE LEITURA VISANDO À 
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À LEITURA E AO LIVRO: CASE DO BOOKTRUCK, DA 
BIBLIOTECÁRIA CÁTIA LINDEMANN
FONTE: <http://www.feiradolivro-poa.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Fotografia-Bere-Fischer-3.jpg>. Acesso em: 16 ago. 2019.
A quarta ação de democratização do acesso se refere à distribuição de 
livros gratuitos por meio de programas de distribuição de livros didáticos e não 
didáticos. Tal distribuição deve visar alunos e professores de escolas públicas e 
privadas, como também adultos, jovens, crianças e idosos que estejam presentes 
em outros contextos da sociedade, tais como, as penitenciárias, os hospitais, 
entre outros. 
A quinta ação se refere à melhoria do acesso ao livro e as outras formas de 
expressão da leitura, que pode ser realizada em feiras de livros, no atendimento 
de necessidades de informação de pessoas com deficiência pela coedição de livros 
digitais, livros em braille e audiolivros. Essa melhoria pode acontecer também via 
projetos editoriais e campanhas de doação de livros.
142
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
A sexta e última ação se relaciona à incorporação e uso de tecnologias 
de informação e comunicação, que pode acontecer via criação de técnicas e 
aprimoramento das técnicas existentes que facilitem o acesso à informação, ao 
livro e à leitura. Essa ação incentiva a capacitação continuada para o efetivo 
aproveitamento das tecnologias da informação e comunicação. Sugere-se ainda, 
a criação e desenvolvimento de tecnologias que visem preservar os acervos, bem 
como ampliar e difundir bens culturais (livros digitais, bibliotecas digitais e 
informatização de bibliotecas).
3.2 EIXO 2 – FOMENTO À LEITURA E À FORMAÇÃO DE 
MEDIADORES
Esse eixo é composto por cinco sugestões de linhas de ações a serem 
realizadas para fomentar a leitura e a formação de mediadores de leitura. O 
primeiro ponto sugerido é a formação de mediadores de leitura por intermédio 
de programas de capacitação de bibliotecários, educadores e demais mediadores 
de leitura. Sugere também a criação de cursos estratégicos de formação para 
educadores e estudantes, inclusive via educação à distância, com foco no 
fomento à leitura, formação de promotores de leitura em bibliotecas, escolas e 
comunidades.
O segundo ponto se refere aos projetos sociais para fomento da leitura, 
que podem compreender rodas de leitura, atividades de formação do leitor na 
escola, clubes de leitura, atividades de leitura em comunidades quilombolas, 
indígenas, apenados em penitenciárias, comunidades rurais e outras excluídas 
da sociedade. Incentiva ainda a criação de projetos de formação de novos leitores 
e de diferentes contextos, bem como a criação de oficinas que visem à produção 
literária por crianças e jovens.
FIGURA 9 – A) BIBLIOTECA EM ZONA RURAL E O ACESSO AO LIVRO. B) MEDIAÇÃO DA 
LEITURA EM ESCOLA DA ZONA RURAL
a) b)
FONTES: Imagem a: <http://www.mda.gov.br/sitemda/sites/sitemda/files imagem_destaque/
casca-rs-fot_eduardo_quadros_0.jpg>. Acesso em: 16 ago. 2019. 
Imagem b: <https://www.amambainoticias.com.br/media/images/1118/132190/
5cbf508a015649386799157a4f647819c9014e6a3efb9.jpg>. Acesso em: 16 ago. 2019.
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
143
O terceiro ponto se refere aos estudos e fomento à pesquisa nas áreas 
do livro e da leitura, que visem à realização de diagnósticos da situação atual da 
leitura e do livro no Brasil. Indica ainda a necessidade de elaboração de pesquisas 
que identifiquem os hábitos de leitura e de consumo de livros dos cidadãos, bem 
como a busca por experiências exitosas e inovadoras de leitura.
Penúltimo ponto aborda sobre os sistemas de informação nas áreas 
de bibliotecas, da bibliografia e do mercado editorial. Este ponto incentiva 
a realização de estudos e pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre as 
realidades das editoras, das bibliotecas, das livrarias e do consumo de livros no 
nosso país. Sugere ainda levantamentos para averiguar a quantidade de livrarias, 
bibliotecas, investimentos no setor editorial, entre outros.
O quinto e último ponto se relaciona à concessão de prêmios e 
reconhecimento de ações de incentivo e fomento às práticas sociais de leitura. 
Essa sugere a realização de concursos para premiar e reconhecer aquelas 
experiências que inovaram e promoveram a leitura e a literatura no país. Incentiva 
ainda a concessão de prêmios para ações que visem ao fomento da leitura e que 
são realizadas em escolas, comunidades, bibliotecas, organizações entre outros. 
3.3 EIXO 3 – VALORIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA LEITURA E 
INCREMENTO DO SEU VALOR SIMBÓLICO
Este eixo possui, como pontos norteadores, três sugestões de linhas de 
ações, a saber: 
a) Ações para converter o fomento às práticas sociais da leitura em Política do 
Estado: 
Sugere a implementação de programas governamentais de fomento à 
leitura, a formulação de planos municipais e estaduais de livro e leitura, assim 
como a formulação de políticas e planos nacionais, estaduais e municipais de 
leitura e do livro. Propõe a realização de fóruns, congressos, jornadas e seminários 
que buscam propor agendas para a promoção do livro e da leitura, assim como, a 
execução de pesquisas sobre políticas públicas do livro, leitura e bibliotecas.
144
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
Você sabia que existe um Guia para elaboração e implantação dos Planos 
estadual e municipal do livro e leitura? Esse guia traz orientações e o passo a passo 
para a concretização dos Planos do Livro e da Leitura, além de complementar as outras 
ferramentas desse programa.
DICAS
Para conhecer, acesse o link disponível em: https://drive.google.com/file/
d/0B5QJujJhZbE9ckUwS2lwMjdLX0E/view. 
a) Ações para criar consciência sobre o valor social do livro e da leitura: 
Sugere a criação de campanhas institucionais para a valorização do livro, 
leitura, literatura e das bibliotecas em redes de televisão, jornais, outdoors, 
cinema e demais mídias. Traz ainda a sugestão para elaboração de campanhas de 
conscientização da importância da biblioteca e também contendo testemunhos 
de pessoas que sejam formadoras de opinião contando suas experiências com o 
livro e leitura, bem como a publicação de histórias de leitura e dicas de pessoas 
sobre livros.
b) Publicações impressas e outras mídias dedicadas à valorização do livro e da 
leitura:
Publicar cadernos, seções, revistas, portais e sites na internet sobre livro, 
leitura, biblioteca e literatura é uma das opções indicadas neste tópico. Além disso, 
incentiva a elaboração de resenhas para jornais e revistas com atuais lançamentos 
de editoras.
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
145
FIGURA 10 – VALORIZAÇÃO DO LIVRO E DA LEITURA
FONTE: <https://valberlucio.files.wordpress.com/2011/11/liv.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2019.
3.4 EIXO 4 - DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DO 
LIVRO
Este último eixo é composto por cinco sugestões de linhas de ações, a 
saber:
a) Desenvolvimento da cadeia produtiva do livro:
Este primeiro ponto está relacionado às linhas de financiamento destinadas 
às gráficas, editoras, livrarias e distribuidoras para a confecção e edição de livros. 
Engloba ainda, os programas do governo que se relacionam à aquisição que busca 
integrar a cadeia produtiva e os interesses das práticas sociais de leitura no Brasil, 
bem como, os programas de apoio à formação de editores, livreiros e demais 
profissionais que fazem parte do mercado editorial. 
b) Fomento à distribuição, circulação e consumo de bens de leitura:
A sugestão engloba a política de fomentação à abertura de livrarias e apoio 
às já existentes. Refere-se também à criação de livrarias em praças públicas, à 
inserção de livros em bancas de jornais, ao apoio e financiamento ao setor livreiro 
e também aos programas para criação de pontos alternativos de venda. 
c) Apoio à cadeia criativa do livro:
Refere-se à concessão de prêmios em diferentes áreas e bolsas para apoio 
aos escritores. Inclui tambémapoio à circulação e presença de escritores em feiras, 
escolas e bibliotecas, assim como a defesa dos direitos do escritor sobre sua obra e 
o apoio à publicação de novos autores.
146
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
d) Maior presença no exterior da produção nacional literária científica e cultural 
editada:
Inclui a participação em feiras internacionais, programas de exportação 
e apoio à tradução de livros de autores brasileiros para serem publicados no 
exterior. Assim como, à difusão de escritores e a literatura brasileira em diversos 
países e à reedição de obras clássicas.
3.5 POLÍTICA NACIONAL DE LEITURA E ESCRITA (PNLE)
Vinculado ao PNLL, encontra-se a Política Nacional de Leitura e Escrita 
(PNLE), sancionada em 12 de julho de 2018 pela Lei nº 13.696, que busca promover 
o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil. 
O PNLE veio para tornar institucional a responsabilidade na construção e revisão 
de Planos direcionados para o setor do livro, da leitura e das bibliotecas (BRASIL, 
2018c). 
Conforme o documento desta política, esta será “implementada pela 
União, por intermédio do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, 
em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e com a 
participação da sociedade civil e de instituições privadas” (BRASIL, 2018c, s.p.). 
Como diretrizes, a PNLE trata:
a) Universalização do direito ao acesso ao livro, à escrita, à leitura, à literatura e 
às bibliotecas;
b) Reconhecer a leitura e a escrita como um direito de todos. Incentivar, inclusive, 
por intermédio de políticas de estímulo à leitura, as condições para exercer 
a cidadania de forma plena para viver de forma digna e contribuir com a 
construção da sociedade;
c) Fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), no âmbito do 
Sistema Nacional de Cultura (SNC);
d) Articular com outras políticas que estimulem à leitura, ao conhecimento, às 
tecnologias e ao desenvolvimento educacional, cultural e social do país, em 
especial, com a Política Nacional do Livro;
e) Reconhecer as cadeias criativas, produtiva e mediadora do livro, leitura, escrita, 
da literatura e das bibliotecas como integrantes fundamentais e dinamizadoras 
da economia criativa (BRASIL, 2018c).
Esta Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) observará princípios e 
diretrizes de planos nacionais estruturantes, em especial, no Plano Nacional de 
Educação (PNE), Plano Nacional de Cultura (PNC), Plano Plurianual da União 
(PPA). Assim, a PNLE traz como objetivos:
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL
147
I. Democratizar o acesso ao livro e aos diversos suportes à leitura 
por meio de bibliotecas de acesso público, entre outros espaços de 
incentivo à leitura, de forma a ampliar os acervos físicos e digitais 
e as condições de acessibilidade.
II. Fomentar a formação de mediadores de leitura e fortalecer ações 
de estímulo à leitura, por meio da formação continuada em 
práticas de leitura para professores, bibliotecários e agentes de 
leitura, entre outros agentes educativos, culturais e sociais.
III. Valorizar a leitura e o incremento de seu valor simbólico e 
institucional por meio de campanhas, premiações e eventos de 
difusão cultural do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas.
IV. Desenvolver a economia do livro como estímulo à produção 
intelectual e ao fortalecimento da economia nacional, por meio 
de ações de incentivo ao mercado editorial e livreiro, às feiras 
de livros, aos eventos literários e à aquisição de acervos físicos e 
digitais para bibliotecas de acesso público.
V. Promover a literatura, as humanidades e o fomento aos processos 
de criação, formação, pesquisa, difusão e intercâmbio literário 
e acadêmico em território nacional e no exterior, para autores 
e escritores, por meio de prêmios, intercâmbios e bolsas, entre 
outros mecanismos.
VI. Fortalecer institucionalmente as bibliotecas de acesso público, 
com qualificação de espaços, acervos, mobiliários, equipamentos, 
programação cultural, atividades pedagógicas, extensão 
comunitária, incentivo à leitura, capacitação de pessoal, 
digitalização de acervos, empréstimos digitais, entre outras ações.
VII. Incentivar pesquisas, estudos e o estabelecimento de indicadores 
relativos ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas, 
com vistas a fomentar a produção de conhecimento e de 
estatísticas como instrumentos de avaliação e qualificação das 
políticas públicas do setor.
VIII. Promover a formação profissional no âmbito das cadeias criativa 
e produtiva do livro e mediadora da leitura, por meio de ações de 
qualificação e capacitação sistemáticas e contínuas;
IX. Incentivar a criação e a implantação de planos estaduais, distrital 
e municipais do livro e da leitura, em fortalecimento ao SNC.
X. Incentivar a expansão das capacidades de criação cultural 
e de compreensão leitora, por meio do fortalecimento de 
ações educativas e culturais focadas no desenvolvimento das 
competências de produção e interpretação de textos (BRASIL, 
2018, s.p.).
Como pode ser analisado a partir da leitura deste tópico, as políticas 
de informação estabelecidos no âmbito do livro, leitura, literatura e bibliotecas 
contribuíram para a promoção do hábito da leitura, para o estabelecimento de 
bibliotecas em lugares ainda não abarcados pelas bibliotecas públicas (como 
as instituídas em zonas rurais), bem como contribuem para a modificação da 
realidade social tanto do sujeito, quanto da comunidade a qual ele se insere. 
Destaca-se ainda que o papel do bibliotecário é fundamental na mediação, 
incentivo, aplicação e fortalecimento de tais políticas públicas informacionais.
148
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
Para saber um pouco mais do PNLL, leia o livro “Plano Nacional do Livro e 
Leitura: Textos e História 2006-2010” sob organização de José Castilho Marques Neto, 
este livro é composto pelo PNLL, incluindo princípios norteadores, objetivos e metas, 
assim como seus eixos de ação e estrutura para implementação. Além disso, apresenta 
documentos, artigos e as realizações do Plano.
DICAS
Para baixar, acesse o link disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B5QJujJhZ
bE9Y3hIeEJqVS1taG8/view. 
149
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Políticas públicas para bibliotecas ainda não estão consolidadas.
• Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) visa fortalecer as bibliotecas 
públicas via implementação de processo sistêmico com ações para integrar as 
bibliotecas em âmbito nacional.
• Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), que visa articular ações de 
diversas bibliotecas públicas municipais.
• Programa Livro Aberto, Uma Biblioteca em cada município, Programa Nacional 
de incentivo à leitura (PROLER) e Programa de Bibliotecas Rurais Arca das 
Letras são alguns dos programas que visavam à inclusão de bibliotecas em 
estados e municípios brasileiros.
• O objetivo do PROLER é contribuir para a ampliação da leitura, promoção de 
acesso à prática de leitura e escrita críticas e criativas. Assim, visa articular a 
leitura com expressões de cultura, proporcionar o acesso a materiais escritos e 
abrir novos espaços de leitura e integração com práticas de leitura e hábitos da 
sociedade, de forma a constituir uma sociedade leitora com ampla participação 
cidadã no processo democrático em sociedade. (PROLER, 2019).
• Existem marcos legais com as políticas governamentais para bibliotecas criados 
desde o período de 1990.
• A Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento 
Agrário adotou a iniciativa de levar bibliotecas à zona rural dos municípios, 
visando possibilitar o acesso à informação, ao livro e à leitura para que ocorra 
a diminuição das desigualdadessociais no meio rural.
• Dentro das bibliotecas rurais, os agentes de leitura são aqueles sujeitos da 
própria comunidade treinados para realizar a mediação de leitura, gestão, 
guarda e empréstimo de livros.
• A Política Nacional do Livro tornou-se um instrumento legal que autoriza 
o Poder Executivo criar e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à 
leitura.
• O Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL possui quatro eixos estratégicos, 
contendo vinte linhas de ação e um calendário anual de eventos.
150
AUTOATIVIDADE
1 Conforme estudado no Tópico 2, o Decreto nº 519, de 13 de maio de 1992, 
instituiu o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER). Tal 
programa atua 
[...] por meio de uma rede de Comitês sediados em prefeituras, 
secretarias de estados e municípios, fundações culturais ou educacionais, 
universidades e outras entidades públicas e privadas coordenados pela 
Coordenação-Geral de Leitura, Departamento do Livro, Leitura, Literatura 
e Bibliotecas (DLLLB), Secretaria da Economia da Cultura (SEC), Ministério 
da Cultura (MinC), e por seu Conselho Consultivo formado por gestores 
do MinC, do Ministério da Educação (MEC) e do Plano Nacional de Livro e 
Leitura (PNLL) e representantes dos Comitês. Tais instâncias de coordenação 
dedicam-se a estabelecer diretrizes que consolidem ações e planos na área do 
livro e da leitura e promovam ações de fortalecimento deste programa sem 
determinar a direção e ritmo de crescimento dessa rede, mas coligando os fios 
existentes, promovendo o diálogo entre diferentes concepções e iniciativas 
(PROLER, 2019, s.p.).
A partir disso, identifique os objetivos que se referem ao Programa:
a) ( ) I – promover o interesse nacional pelo hábito da leitura; II – estruturar 
uma rede de projetos capaz de consolidar, em caráter permanente, 
práticas leitoras; III – criar condições de acesso ao livro.
b) ( ) I – ampliar a divulgação de arquivos e bibliotecas; II – construir uma 
rede de bibliotecas e arquivos para trocas de documentos; III – criar 
condições para acesso ao documento e ao livro;
c) ( ) I – promover o acesso às tecnologias da informação e da comunicação; 
II – construir, via rede de computadores, softwares para bibliotecas 
públicas; III – fortalecer as bibliotecas digitais acessíveis.
d) ( ) I – estabelecer a construção de políticas de informação para incentivo 
da leitura; II – estruturar uma corrente de capacitação de professores 
leitores; III – incentivar o acesso à literatura e à leitura.
2 Conforme o Quadro 1 referente aos Marcos Legais com políticas 
governamentais para bibliotecas no período de 1990 a 2016, no ano de 1999 
foi estabelecido, via Decreto 3.294, o Programa que possui como objetivo 
viabilizar a nova geração da Internet e suas aplicações em benefício da 
sociedade brasileira. Com base nisso, indique a que Programa este Decreto 
se refere:
a) ( ) Programa Fome do Livro;
b) ( ) Programa Nacional de Apoio à Cultura;
c) ( ) Programa Sociedade da Informação;
151
d) ( ) Programa Nacional e Incentivo à Leitura;
e) ( ) Programa de Softwares Livres para Bibliotecas.
3 A partir da leitura do Tópico 2 e aprendizagem sobre o Plano Nacional 
de Livro e Leitura (PNLL), seus eixos estratégicos e suas linhas de ação, 
identifique com V (Verdadeiro) e F (Falso) as sentenças a seguir:
a) ( ) O PNLL foi instituído pelo Decreto n. 7.559, de 1 de setembro de 2011.
b) ( ) O PNLL está baseado em quatro eixos orientadores de sua organização, 
a saber: a) Eixo 1 – Democratização do acesso; b) Eixo 2 – Fomento 
à leitura e à formação de mediadores; c) Eixo 3 – Valorização 
institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; d) Eixo 
4 – Desenvolvimento da economia do Livro.
c) ( ) A implementação dos programas, projetos e ações instituídos no âmbito 
do PNLL poderá ser realizada com a participação de instituições 
públicas ou privadas, mediante a celebração de instrumentos previstos 
em Lei.
d) ( ) O Eixo 1 – Democratização do acesso possui seis linhas de ação.
e) ( ) A linha de ação “criação de novos espaços de leitura” pertence ao Eixo 3.
f) ( ) A linha de ação “promoção de atividades de reconhecimento de ações 
de incentivo e fomento à leitura” pertence ao Eixo 2.
g) ( ) O Eixo 3 se refere à valorização institucional da leitura e de seu valor 
simbólico e uma de suas linhas de ação é o “apoio à cadeia criativa do 
livro e incentivo à leitura literária”.
h) ( ) O Eixo 3 se refere à valorização institucional da leitura e de seu valor 
simbólico e uma de suas linhas de ação são “ações para criar consciência 
sobre o valor social do livro e da leitura”.
i) ( ) A formação de mediadores de leitura e de educadores leitores está 
vinculada ao Eixo 2.
4 Conforme estudado neste tópico, qual a finalidade do Programa de 
Bibliotecas Rurais Arca das Letras?
5 Atribua verdadeiro (V) ou falso (F) para as seguintes sentenças:
a) ( ) A Política Nacional do Livro busca assegurar o pleno exercício do 
direito de acesso e uso do livro aos cidadãos.
b) ( ) A Política Nacional do Livro visa trazer fomento e apoio para a 
produção, edição, difusão, a distribuição e também a comercialização 
do livro.
c) ( ) A Política Nacional do Livro estimula a produção de escritores e autores 
brasileiros, tanto de obras científicas como culturais.
d) ( ) A Política Nacional do Livro busca promover a leitura e incentivar o 
hábito da leitura.
e) ( ) A Política Nacional do Livro deixa de proporcionar meios para que o 
Brasil se torne um grande centro editorial.
f) ( ) A Política Nacional do Livro a ampliação do número de livrarias, 
bibliotecas e pontos de venda do livro.
152
153
TÓPICO 3
POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E 
MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO 
AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS 
VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Entre as populações existentes que são consideradas minorias sociais, 
embora não quantidade, mas sim em aspectos representativos, estão as populações 
negras e população idosa. A primeira compõe cerca de 54% da população 
brasileira, quando contados os declarados negros e pardos. Já a segunda será, 
em alguns anos, a maioria populacional independentemente do pertencimento 
étnico-racial. Neste sentido, o foco deste tópico será para a compreensão das 
políticas públicas já criadas para tais populações, visto que os bibliotecários e 
profissionais da informação serão aqueles que oferecerão produtos e serviços 
informacionais voltados a tais públicos, bem como, será o mediador da leitura, 
da literatura e promotor do livro e da leitura. 
Assim, neste tópico, você irá aprender as políticas públicas informacionais 
que visam atender às demandas dessas populações que se encontram à margem 
da sociedade brasileira e que precisam ser devidamente atendidas pelos serviços 
e produtos de informação disponibilizados em bibliotecas e demais unidades 
informacionais.
A seguir, iremos conhecer as políticas voltadas para as populações idosa 
e negra. Serão apresentadas algumas políticas tais como, Política Nacional do 
Idoso, Estatuto do Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Conselho 
Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Secretaria de Políticas para 
Comunidades Tradicionais (SECOMT) que conduzia, elaborava e monitorava 
políticas para as comunidades tradicionais.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
154
2 POLÍTÍCAS PÚBLICAS PARA AS PESSOAS IDOSAS: BREVE 
CONTEXTUALIZAÇÃO
Em diversos países do globo temos assistido o aumento do número 
de pessoas idosas, que se deve, em especial, à melhora na qualidade de vida, 
à redução da natalidade e ao declínio da mortalidade de pessoas ao redor do 
mundo. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é classificado 
como toda a pessoa que possui idade acima de 60 anos.Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018), 
a população com idade acima de 60 anos representa 13,5% dos brasileiros e as 
projeções indicam que em até duas décadas e meia, esse número irá aumentar 
para 24,5% (Gráfico 1). Conforme o IBGE, “a revisão 2018 mostrou que o 
envelhecimento do padrão da fecundidade é determinado pelo aumento na 
quantidade de mulheres que engravidam entre 30 e 39 anos e pela redução da 
participação de mulheres entre 15 e 24 anos na fecundidade em todas as grandes 
regiões do país” (IBGE, 2018, s.p.). Uma das tendências até 2060 é que o número 
de idosos aumente nos próximos anos e o número de crianças diminua. 
GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA POR FAIXA ETÁRIA
FONTE: <https://img.r7.com/images/populacao-25072018132753264>. Acesso em: 10 set. 2019.
Quando é analisado o contexto histórico, percebe-se que a implantação 
de uma política nacional para idosos só aconteceu do ano de 1994. Antes deste 
período, a proteção para estas pessoas encontrava-se mencionada em alguns 
artigos do Código Civil, Código Pena, Código Eleitoral e outros (RODRIGUES, 
2001). Antes da década de 1970, o trabalho feito com idosos era de cunho caritativo, 
realizado por ordens religiosas ou entidades filantrópicas. A partir da década de 
1970 começou a aumentar o número de idosos na sociedade brasileira, algo que 
trouxe preocupação para os setores governamentais e privado e despertou para 
as questões sociais dessa população (RODRIGUES, 2001).
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
155
No ano de 1976 foram realizados três seminários regionais que visavam 
diagnosticar a questão do envelhecimento a nível nacional e apresentar as linhas 
básicas de políticas de assistência e promoção social de pessoas idosas. A partir 
desses eventos, foi elaborado pelo Ministério da Previdência e Assistência 
Social um documento intitulado “Políticas para a 3ª Idade – Diretrizes Básicas” 
(RODRIGUES, 2001).
No entanto, este não foi o primeiro Programa voltado para a velhice, 
houve também o Programa de Assistência ao Idoso (PAI) realizado pelo Instituto 
Nacional de Previdência Social (INPS). Em 1977, criou-se o Sistema Nacional 
de Previdência e Assistência Social, sistema responsável por atender, em nível 
nacional, às pessoas idosas. Dez anos depois, houve restruturação e o PAI passou 
a ser chamado de Projeto de Apoio à Pessoa Idosa (PAPI), que visava realizar 
ações direcionadas para pessoas idosas, desenvolver discussões sobre a situações 
de tais cidadãos, buscar responder às suas reivindicações e direitos, bem como 
valorizar o potencial de viverem em sociedade. A partir delas, outros marcos 
históricos referentes às políticas públicas destinadas a essa população foram 
criados, conforme demonstrado no Quadro 2.
QUADRO 2 – CRONOLOGIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS ÀS PESSOAS IDOSAS
Ano Descrição da Política para Pessoas Idosas
1974
Por meio da Lei nº 6.179, foi criada a Renda Mensal Vitalícia, através do 
então Instituto Nacional de Previdência Social – INPS (18), e de decretos, 
leis, portarias, referentes, principalmente, à aposentadoria.
1977
Foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), 
(Lei nº 6.439) integrando: o Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, 
o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS, 
a Fundação Legião Brasileira de Assistência – LBA, a Fundação Nacional do 
Bem-Estar do Menor FUNABEM, a Empresa de Processamento de Dados da 
Previdência Social – DATAPREV, o Instituto de Administração Financeira 
da Previdência e Assistência Social – IAPAS, para unificar a assistência 
previdenciária.
1982
Foi realizada a I Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento (ONU), 
em Viena, que traçou as diretrizes do Plano de Ação Mundial sobre o 
Envelhecimento, publicado em Nova York em 1983. Esse Plano de Ação 
almejou sensibilizar os governos e sociedades do mundo todo para a 
necessidade de direcionar políticas públicas voltadas para os idosos, bem 
como alertar para o desenvolvimento de estudos futuros sobre os aspectos 
do envelhecimento.
1986 Foi realizada a 8ª Conferência Nacional de Saúde que propôs a elaboração de uma política global de assistência à população idosa.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
156
1988
Foi promulgada a Constituição Cidadã – Constituição Federal, que destacou 
no texto constitucional a referência ao idoso. Essa foi, de fato, a primeira vez 
em que uma constituição brasileira assegurou ao idoso o direito à vida e à 
cidadania: 
A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, 
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e 
bem-estar e garantindo-lhe o direito à vida. - § 1º Os programas de amparo 
aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares. - § 2º Aos 
maiores de 65 anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos 
(CONSTITUIÇÃO FEDERAL...1988, s.p.).
1993
Foi aprovada a Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS – Lei nº 8.742/93, 
que regulamenta o capítulo II da Seguridade Social da Constituição Federal, 
que garantiu à Assistência Social o status de política pública de seguridade 
social, direito ao cidadão e dever do Estado. A LOAS inverte a cultura 
tradicional dos programas vindos da esfera federal e estadual como pacotes, 
e possibilita o reconhecimento de contextos multivariados e, por vezes 
universais, de riscos à saúde do cidadão idoso. Cita o benefício de prestação 
continuada, previsto no art. 20 que é a garantia de um salário mínimo mensal 
à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com setenta anos ou mais e que 
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de 
tê-la provida por sua família.
1994
Foi aprovada a Lei nº 8.842/1994 que estabelece a Política Nacional do Idoso 
(PNI), posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 1.948/96, e cria o 
Conselho Nacional do Idoso. Essa Lei tem por finalidade assegurar direitos 
sociais que garantam a promoção da autonomia, a integração e a participação 
efetiva do idoso na sociedade, de modo a exercer sua cidadania. Estipula 
o limite de 60 anos e mais, de idade, para uma pessoa ser considerada 
idosa. Como parte das estratégias e diretrizes dessa política, destaca-se a 
descentralização de suas ações envolvendo estados e municípios, em parceria 
com entidades governamentais e não governamentais. A Lei em discussão 
rege-se por determinados princípios, tais como: assegurar ao idoso todos os 
direitos de cidadania, com a família, a sociedade e o Estado os responsáveis 
em garantir sua participação na comunidade, defender sua dignidade, bem-
estar e direito à vida. O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade 
de forma geral e o idoso não deve sofrer discriminação de nenhuma natureza, 
bem como deve ser o principal agente e o destinatário das transformações 
indicadas por essa política. E, por fim, cabe aos poderes públicos e à sociedade 
em geral a aplicação dessa lei, considerando as diferenças econômicas e 
sociais, além das regionais.
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
157
1999
Foi implantada a Política Nacional da Saúde do Idoso pela Portaria nº 
1.395/1999 do Ministério da Saúde (MS) que estabelece as diretrizes 
essenciais que norteiam a definição ou a redefinição dos programas, planos, 
projetos e atividades do setor na atenção integral às pessoas em processo 
de envelhecimento e à população idosa. Essas diretrizes são: a promoção 
do envelhecimento saudável, a prevenção de doenças, a manutenção da 
capacidade funcional, a assistência às necessidades de saúde dos idosos, à 
reabilitação da capacidade funcional comprometida, a capacitação derecursos 
humanos, o apoio ao desenvolvimento de cuidados informais, e o apoio aos 
estudos e pesquisas. E ainda, tem a finalidade de assegurar aos idosos sua 
permanência no meio e na sociedade em que vivem desempenhando suas 
atividades de modo independente.
2002
Foi realizada a II Assembleia Mundial sobre Envelhecimento em Madrid – 
Plano Internacional do Envelhecimento – que tinha o objetivo de servir de 
orientação às medidas normativas sobre o envelhecimento no século XXI. 
Esperava-se alto impacto desse plano nas políticas e programas dirigidos 
aos idosos, principalmente, nos países em desenvolvimento, como o Brasil. 
Dessa feita, ele foi fundamentado em três princípios básicos: 1) participação 
ativa dos idosos na sociedade, no desenvolvimento, na força de trabalho e 
na erradicação da pobreza; 2) promoção da saúde e bem-estar na velhice; e 
3) criação de um ambiente propício e favorável ao envelhecimento.
2003
Foi realizada a Conferência Regional Intergovernamental sobre 
Envelhecimento da América Latina e Caribe, no Chile, na qual foram 
elaboradas as estratégias regionais para implantar as metas e objetivos 
acordados em Madrid. Foi recomendado aos países que, de acordo com 
suas realidades nacionais, propiciassem condições que favorecessem um 
envelhecimento individual e coletivo com seguridade e dignidade. Na área 
da saúde, a meta geral foi oferecer acesso aos serviços de saúde integrais e 
adequados à necessidade do idoso, de forma a garantir melhor qualidade 
de vida com manutenção da funcionalidade e da autonomia.
2003
No Brasil, entra em vigor a Lei nº 10.741, que aprova o Estatuto do Idoso 
destinado a regular os direitos assegurados aos idosos. Esse é um dos 
principais instrumentos de direito do idoso. Sua aprovação representou um 
passo importante da legislação brasileira no contexto de sua adequação às 
orientações do Plano de Madrid.
2006
Foi realizada a I Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, na 
qual foram aprovadas diversas deliberações, divididas em eixos temáticos, 
que visou garantir e ampliar os direitos da pessoa idosa e construir a Rede 
Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa – RENADI.
FONTE: Fernandes e Soares (2012, p. 1497)
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
158
Mas o que isso tem a ver com as políticas públicas de informação? Tudo! 
Como já estudamos nos tópicos anteriores, as políticas públicas existem para o 
atendimento de demandas da sociedade, e a população idosa é uma delas, pois 
esta necessita do atendimento de suas demandas de informação para melhor 
qualidade de vida. Os idosos do presente e do futuro precisam ter qualidade 
de vida para que possam exercer os seus direitos mínimos básicos, como por 
exemplo, saúde, trabalho, assistência social, educação, cultura, esporte, habitação 
e meio de transportes. Esse direito está garantido, além da Constituição da 
República de 1988, na Política Nacional do Idoso (1994) e também no Estatuto do 
Idoso (2003). 
Os desafios que permeiam as vivências dos idosos estão vinculados à 
solução de problemas como a seguridade social, a dependência, a promoção do 
envelhecimento ativo e protagonismo social dos idosos que estão em conjunto 
com os direitos sociais fundamentais, como a noção de cidadania (VETTER, 
2018). Nesse sentido, o profissional da informação e o bibliotecário precisam 
estar atentos para como auxiliar esta população a exercer o direito de acessar 
informações e modificar suas realidades sociais. A seguir, iremos apreender mais 
sobre algumas políticas, a saber: Política Nacional do Idoso, Estatuto do Idoso e a 
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.
2.1 POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO
Existem legislações e políticas realizadas que buscam proporcionar 
proteção social básica aos idosos. A Política Nacional do Idoso foi criada em 
4 de janeiro de 1994 e possui a finalidade de “assegurar os direitos sociais do 
idoso” (BRASIL, 1994, s.p.), de forma a criar meios e condições que promovam 
sua autonomia, sua integração e sua participação na sociedade de forma efetiva 
(BRASIL, 1994). Dentro dessa política, estão descritos os princípios que a regem, 
tais como:
I- a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso 
todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na 
comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à 
vida;
II- o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, 
devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos;
III- o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza;
IV- o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das 
transformações a serem efetivadas através desta política;
V- as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as 
contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser 
observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral, na 
aplicação desta lei (BRASIL, 1994, s.p.).
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
159
Dessa forma, é dever, não só da família e da sociedade, mas também 
do estado, assegurar que a pessoa idosa possa ter uma qualidade de vida e 
pleno exercício de direitos. Outro ponto fundamental acima é que não se deve 
discriminar o idoso. Essa afirmativa vai ao encontro do que está fundamentado no 
Código de Ética e Deontologia do Bibliotecário brasileiro, visto que este Código 
afirma que os serviços de informação oferecidos pelo profissional precisam ser 
disponibilizados de forma indiscriminada a todos os cidadãos (CONSELHO 
FEDERAL..., 2018). 
FIGURA 11 – IDOSOS EM MOMENTOS DE LAZER
FONTE: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/images/agenciadenoticias/revista_retratos/
Revista16/idosos_not1-Licia.jpg>. Acesso em: 11 jul. 2019.
Existem barreiras que trazem dificuldades à vida dos idosos, tais como 
problemas psicossociais, redução da independência e capacidade de gerenciar 
atividades cotidianas, dificuldades com as transformações trazidas pelo 
envelhecimento, problemas de saúde, necessidade de maior número de medicação, 
entre outros. Além disso, existem fatores que podem agravar o quadro, tais como, 
o isolamento social, privações por causa de problemas financeiros, perda de 
capital ou baixa renda, entre outros pontos que afetam os idosos (VETTER, 2018). 
Foi por intermédio da Política Nacional do Idoso que houve a 
regulamentação do atendimento de idosos em espaços que não sejam aqueles 
na modalidade asilar, os quais são denominados de Centros de Convivência. A 
biblioteca, por exemplo, pode possuir um Centro de Convivência destinado à 
recepção e oferecimento de serviços ao público idoso de forma a proporcionar 
um ambiente de socialização, integração e engajamento entre os usuários. 
Atividades como saraus literários, encontros com autores e leitores, cursos e 
demais atividades físicas, recreativas (a depender do espaço disponibilizado para 
tal), culturais e associativas que possam ser oferecidas para tal público.
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
160
2.2 ESTATUTO DO IDOSO
O Estatuto do Idoso regulamenta as prioridades estabelecidas para o 
idoso, e estabelece prioridades para a efetivação do direito à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, 
à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Em 
seu artigo 3º, inciso VII, aborda sobre o estabelecimento de mecanismos que 
busquem divulgar informações educativas sobre os aspectos biopsicossociais de 
envelhecimento. Além disso, aborda sobre os direitos fundamentais, divididos 
entre o direito à vida e também sobre o direito à liberdade, respeito e dignidade. 
Aborda ainda, sobre o direito à saúde, educação, cultura, esporte, lazer, entreoutros (BRASIL, 2003). 
No que se refere às políticas, o Estatuto do Idoso aborda a Política de 
Atendimento ao Idoso. Dentro dessas políticas de atendimento, destaca-se 
as “políticas de serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de 
negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão” (BRASIL, 
2003, s.p.). Pensando as bibliotecas, o trabalho bibliotecário e as estratégias de 
aplicação do referido Estatuto, pode-se, por exemplo, disponibilizar uma linha 
segura para denúncias de maus-tratos dentro da biblioteca. Além disso, realizar 
cursos para formação dos idosos sobre abusos, violências e proteção jurídica-
social. Outra ressalva poderia ser a realização de parcerias ou convênios junto às 
entidades assistenciais para o oferecimento de serviços para pessoas idosas, tais 
como o atendimento psicológico, assistência jurídica, atendimento médico, entre 
outros.
Importante também que a biblioteca esteja atenta às instalações físicas 
oferecidas para o uso por idosos, visto que estas devem estar em condições 
adequadas para ser habitadas, estarem higienizadas, ter salubridade e segurança 
(BRASIL, 2003).
2.3 POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA
No Brasil, o idoso surgiu como uma prioridade de Políticas Públicas de 
Saúde somente no ano de 2006 no Pacto pela Vida, que auxiliou na promulgação 
da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSI) (MARIN; PANES, 2015). A 
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa foi aprovada pela Portaria nº 2.538, 
de 19 de outubro de 2006. A finalidade de tal Política é realizar a recuperação, 
manutenção e promoção da autonomia e independência de sujeitos idosos, 
direcionando mediadas de saúde de ordem coletiva e individual para tal público. 
O público-alvo desta Política é a população com ou mais de 60 anos. 
Enquanto diretrizes, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa 
contempla:
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
161
I. Promover o envelhecimento ativo e saudável.
II. Atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa.
III. Estimular ações intersetoriais, com o objetivo de integralizar a atenção à 
pessoa idosa. 
IV. Prover com recursos que assegurem a qualidade da atenção à saúde da 
pessoa idosa”. 
V. Estimular a participação e fortalecimento do controle social.
VI. Formar e educar de forma permanente os profissionais de saúde do Sistema 
Único de Saúde (SUS) na área de saúde da pessoa idosa.
VII. Promover a divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da 
Pessoa Idosa para gestores, profissionais de saúde e usuários do Sistema 
Único de Saúde (SUS).
VIII. Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na 
atenção à saúde da pessoa idosa.
IX. Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas (BRASIL, 2006).
2.4 PENSANDO O IDOSO E O ACESSO ÀS TECNOLOGIAS 
DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO (TICs)
Os estudos sobre políticas públicas de inclusão digital buscam, em sua 
maior parte, priorizar os aspectos econômicos vinculados aos deveres do Estado. 
Para Morato (2018, s.p.), isso
constitui um dado real de uma sociedade heterogênea na qual a 
oportunidade de ascensão social por meio da educação frequentemente 
esbarra em limitações relativas não apenas ao acesso, mas à 
possibilidade de permanência nas instituições de ensino que deveriam 
efetivar as oportunidades a um mercado de trabalho cada vez mais 
excludente em face das rodadas tecnológicas – e as instituições 
financeiras constituem um exemplo adequado – que inviabilizam a 
inserção dos jovens que não apresentem a formação esperada e, com 
isso, os condenam ao desemprego ou ao subemprego.
Nesse sentido, pensar a inclusão do idoso na sociedade da informação 
por intermédio da sua inclusão digital é importante para a garantia de direitos 
desses cidadãos. No imaginário social, ainda há o pensamento de que o idoso não 
pertence mais à sociedade devido ao fato de não trazer mais rendimentos para o 
Estado via força de trabalho. No entanto, não se pode esquecer que a sociedade 
contemporânea só é possível graças àqueles que trabalharam para construir o que 
se tem hoje (MORATO, 2018).
Pensando no acesso à informação básica para subsistência e à própria 
qualidade de vida, não se pode permitir a exclusão digital dos idosos para que 
estes não fiquem vulneráveis às informações falsas que podem podar seu pleno 
exercício crítico de cidadania. Na Constituição Federal, está estabelecido que são 
deveres do Estado e da sociedade ampararem os idosos e fornecerem a eles tais 
condições de plena existência (MORATO, 2018). 
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
162
Na profissão bibliotecária, é imprescindível garantir o acesso do idoso à 
informação (seja em forma digital, impressa, audiovisual etc.) que ele precisa. 
Dessa forma, uma opção para a biblioteca é oferecer cursos sobre noções básicas 
de informática, sendo esta uma das ações que podem ser realizadas para que a 
pessoa idosa possa procurar a informação relevante para ela na internet, assim 
como se conectar com amigos e familiares via acesso remoto. Pensando nas 
políticas públicas, estas devem oferecer possibilidades para que o sujeito participe 
“ativamente dos processos de inteligência coletiva que representam o principal 
interesse coletivo do ciberespaço” e, com isso, favorecer a ‘autonomia das pessoas 
ou grupos envolvidos’” (LÉVY, 1999, p. 238). 
A perda de autonomia da pessoa idosa não está presente somente no 
plano físico, mas também tecnológica, uma vez que depende de familiares, 
amigos e cuidadores para lhe auxiliar no uso da tecnologia. Dessa forma, o 
idoso passa a sofrer com a exclusão digital, visto que não consegue compreender 
adequadamente as tecnologias da informação (MORATO, 2018). Para Morato 
(2018), a exclusão digital do idoso é semelhante ao analfabetismo, uma vez que 
traz dificuldades para a inserção e socialização desse idoso no cotidiano, assim 
como interfere nos seus momentos de lazer e convívio social, visto que pode trazer 
limitações para que seja um sujeito ativo dentro do contexto que está inserido.
Há, no entanto, exemplos de estratégias realizadas para que o idoso 
tenha aperfeiçoamento para fazer parte da sociedade da informação. Aqui serão 
destacadas duas ações, a saber:
a) Projeto Silver-Code – Esta ação é financiada pela União Europeia e “visa 
melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas no nosso mundo digital 
através do desenvolvimento de conhecimentos e competências para aproveitar 
plenamente a tecnologia digital” (SILVER-CODE, 2019, s.p.). Além disso, 
permitiu o debate sobre as medidas adequadas à inclusão dos idosos, tais 
como análise das razões para a exclusão, o ensino e também os equipamentos 
necessários (MORATO, 2018).
FIGURA 12 – PROJETO SILVER-CODE
FONTE: <https://www.silvercodeproject.eu/fls/img/logos/home.png>. Acesso em: 10 jul. 2019.
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
163
b) Mapa da Inclusão Digital – Elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, este 
Mapa realiza a análise, por região do país, da exclusão de idosos ao acesso às 
tecnologias da informação no ano de 2012 (NERI, 2012; MORATO, 2018).
Você sabia que o Projeto Silver-Code oferece curso para pessoas idosas de 
competências digitais e programação básica? 
O curso é distribuído em três módulos, a saber:
Módulo 1 – Competências digitais básicas
Módulo 2 – Programação web básica
Módulo 3 – O pensamento computacional & competências transversais
Módulo 4 – Fundamentos da programação de computadores
Módulo 5 – Codificação no quotidiano
Módulo 6 – Glossário
Ficou curioso? 
Acesse o site: https://www.silvercodeproject.eu/pt/course.html
DICAS
3 POLÍTICAS PÚBLICAS PELA PROMOÇÃO DA IGUALDADE 
RACIAL: MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROSE A INFLUÊNCIA 
EM POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA
A luta do Movimento Negro começou desde que os primeiros africanos 
escravizados chegaram ao Brasil (PEREIRA, 2007; SILVA, 2016). O Movimento 
Negro é constituído por um “conjunto de entidades, organizações e indivíduos 
que lutam contra o racismo e por melhores condições de vida para a população 
negra, seja através de práticas culturais, de estratégias políticas, de iniciativas 
educacionais etc.” (PEREIRA, 2007, p. 235).
Com a Proclamação da República (1889-1937) e o Golpe do Estado Novo 
começou a primeira fase do Movimento Negro que buscava retirar os libertos, ex-
cativos e seus descendentes da linha de marginalização instituída pela República, 
visto que, após abolição da escravatura, a população negra não obteve nenhum 
ganho material ou simbólico (DOMINGUES, 2007; SILVA, 2016). Como forma 
de articulação, foram criadas irmandades negras e sociedades beneficentes, de 
forma a promover a sociabilização e engajamento político de tais comunidades. 
Dessa forma, os movimentos sociais negros mobilizaram-se e criaram dezenas de 
grêmios, clubes e associações com o intuito de dar assistência e ser recreativo e/
ou cultural para estas populações (DOMINGUES, 2007; SILVA, 2016). Passando 
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
164
pelo período do Estado Novo até à sociedade brasileira atual, os Movimentos 
Negros se articularam para lutar por direitos básicos como saúde, moradia, 
emprego digno, educação, equidade social e econômica, respeito, entre outros. 
Outro ponto de mobilização do movimento negro esteve na:
[...] Marcha de Zumbi [que] foi, em primeiro lugar, uma estratégia 
do movimento negro para deslocar o foco das atenções da data da 
Abolição da Escravatura, 13 de maio, para o dia 20 de novembro, 
em razão do Dia Nacional da Consciência Negra. Em segundo, esse 
evento contou com uma forte mobilização popular, sendo estimada 
a participação de 30 mil pessoas na Marcha, o que propiciou um 
destaque incomum à temática racial no cenário público brasileiro. Por 
fim, este evento teve a formalização de uma proposta com a entrega 
do "Programa de Superação do Racismo e da Desigualdade Racial" 
ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. O documento 
apresentava um diagnóstico da desigualdade racial e da prática do 
racismo, com ênfase nos temas de educação, saúde e trabalho (LIMA, 
2010, s.p.).
Entre as ações, legislação, planos e políticas públicas que foram 
reivindicadas pela luta do Movimento, estão:
a) A introdução da História do Negro no Brasil nos currículos escolares com a 
criação da Lei Federal nº 10.639/03 que trata da obrigatoriedade do ensino 
de História e Cultura Africana e Afro-brasileira nos ensinos fundamental e 
médio de instituições públicas e privadas brasileiras (BRASIL, 2003c).
b) A Lei Federal nº 12.711/2012, chamada de Lei de Cotas, que permitiu o acesso 
de alunos autodeclarados negros às universidades brasileiras (SILVA, 2016).
c) A criação de Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEABs) em universidades 
públicas, privadas e comunitárias do país (SILVA, 2016).
d) No que concerne ao âmbito internacional, uma das conquistas do movimento 
negro foi a realização, em 2001, da III Conferência Mundial contra o Racismo, 
a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, 
promovida pela ONU, na cidade de Durban, na África do Sul. Esta conferência 
permitiu explicitar as questões relacionadas à população negra e as formas de 
racismo, preconceito e discriminação sofridos por elas (SILVA, 2016).
e) Houve também, a criação de Planos Nacionais para a Implementação da 
Lei Federal nº 10.639/03, a criação das Diretrizes Curriculares Nacionais 
sobre a História e Cultura Africana e Afro-brasileira, a criação das Diretrizes 
Curriculares Quilombolas (2014), a criação das Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de 
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004), entre outras (SILVA, 
2016).
f) Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) via 
Lei 10.678/2003.
g) Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) via Decreto nº 
4.885, novembro de 2003.
h) Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT) que 
conduzia, elaborava e monitorava políticas para as comunidades tradicionais.
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS 
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO
165
i) Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) via Decreto nº 
4.886, novembro de 2003.
A seguir, abordaremos algumas políticas públicas oriundas, entre outros 
motivos, pelas reivindicações dos movimentos sociais negros brasileiros. Ressalta-
se que o movimento negro busca a criação de políticas públicas, de leis, de meios de 
comunicação em massa e imprensa que representem a população afro-brasileira 
e outros fatores que valorizem a história e a memória das populações africanas 
e afrodescendentes do Brasil. Além disso, tal movimento reivindica melhores 
condições de vida, a erradicação do racismo e o fortalecimento identitário desta 
população (SILVA, 2016).
3.1. SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO 
DA IGUALDADE (SEPPIR) E AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA 
POPULAÇÃO NEGRA E QUILOMBOLA
A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
(SEPPIR) foi um órgão do Poder Executivo brasileiro instituído em março de 2003 
e extinto em outubro de 2015. Possuía como finalidade promover a igualdade e 
a proteção dos grupos étnico-raciais pertencentes à sociedade brasileira que são 
afetados pela discriminação e outras formas de intolerância. Entre as populações 
que sofrem racismo, destaca-se a população negra, indígena, judia, entre outras, 
que, em geral, encontram-se à margem da sociedade.
Entre as políticas públicas implementadas com o foco na promoção da 
igualdade racial promovidas pela SEPPIR, elenca-se:
a) I Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (I CONAPIR), 
cujo resultado trouxe a orientação para elaboração do Plano Nacional de 
Promoção da Igualdade Racial, legitimado pela democracia e controle social.
b) Política para Remanescentes de Quilombos e o Programa Brasil Quilombola
c) Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) instituída pelo 
Decreto n.º. 4.886, novembro de 2003 possui como objetivo geral a redução das 
desigualdades étnico-raciais no Brasil, especialmente para a população negra, 
mediante a realização de ações executadas a médio, curto e longo prazos, 
visando atender às demandas imediatas e áreas prioritárias de atuação. 
Defende os direitos das populações negras e indígenas, afirma o caráter 
pluriétnico da sociedade brasileira; busca a implementação de ações que 
proíbam ações discriminatórias de populações negras e indígenas em todos 
os setores da sociedade; defende a ação afirmativa e promove a eliminação 
de quaisquer formas de discriminação e desigualdade raciais, entre outros 
fatores (BRASIL, 2003d).
d) Criação de Grupo de Trabalho em Saúde da População Negra, de 
assessoramento à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade 
Racial (WERNECK, 2010).
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, 
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS
166
e) O documento intitulado “Política Nacional de Saúde da População Negra: 
uma questão de equidade” foi criado em 2001, a partir da realização do 
Workshop Interagencial de Saúde da População Negra, com a participação 
de representantes de todas as agências das Nações Unidas presentes no Brasil 
e especialistas em saúde da população negra (WERNECK, 2010).
f) Decreto nº 4.885, novembro de 2003 dispõe sobre a composição, estruturação, 
competências e funcionamento do Conselho Nacional de Promoção da 
Igualdade Racial (CNPIR), um órgão colegiado de caráterconsultivo e 
integrante da estrutura básica da Secretaria Especial de Políticas de Promoção 
de Igualdade Racial (SEPPIR). Sua função é propor políticas de promoção da 
igualdade racial, com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e 
étnicos da população brasileira (BRASIL, 2003e).
g) Criada em 2006 a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra 
com a finalidade de enfrentar dois problemas: o racismo e a mortalidade na 
população negra (WERNECK, 2010).
Para apreender um pouco mais sobre políticas públicas e desigualdades 
raciais, recomenda-se a leitura do livro:
O livro apresenta um conjunto de estudos enfocando diversos aspectos da questão racial 
no Brasil. Inicia com um enfoque histórico (capítulo 1), que analisa a formação do mercado 
de trabalho brasileiro à luz do passado escravista e da transição para o trabalho livre. Na 
sequência, há um capítulo (2) sobre a discriminação racial e a ideologia do branqueamento 
que ganham força, sobretudo a partir da abolição.
O terceiro capítulo trata do tema racial tendo em vista as diferentes abordagens sobre a 
questão da mobilidade social, proporcionando um rico quadro da trajetória dos estudos 
relacionados ao tema. Os capítulos 4 e 5 tratam dos dados mais recentes sobre as 
desigualdades raciais, extraídos da Pnad: um sobre os aspectos demográficos outro sobre os 
diferencias de renda. Já o capítulo 6 trata das políticas públicas de combate à desigualdade 
racial no Brasil, seus limites e abrangência. Finalmente, no capítulo 7 são apresentadas 
algumas conclusões com base no que foi discutido nos capítulos anteriores.
FONTE: THEODORO, Mário; GUERREIRO, Luciana Jaccoud Rafael; SOARES, Osório Sergei. 
As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição. 
Brasília: IPEA, 2008. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/Livro_
desigualdadesraciais.pdf. Acesso em: 10 ago. 2019.
DICAS
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CHAMADA
167
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Dentre as populações existentes que são consideradas minorias sociais, embora 
não quantidade, mas sim em aspectos representativos, estão as populações 
negras e população idosa.
• Existem as políticas públicas informacionais que visam atender às demandas 
dessas populações que se encontram à margem da sociedade brasileira e que 
precisam ser devidamente atendidas pelos serviços e produtos de informação 
disponibilizados em bibliotecas e demais unidades informacionais.
• As políticas públicas existem para o atendimento de demandas da sociedade, 
e a população idosa é uma delas, pois esta necessita que suas demandas de 
informação sejam supridas para melhorar sua qualidade de vida.
• A população idosa terá um aumento de 24,5% até o ano de 2060.
• Os desafios que permeiam as vivências dos idosos estão vinculados à solução 
de problemas como a seguridade social, a dependência, a promoção do 
envelhecimento ativo e protagonismo social dos idosos que estão em conjunto 
com os direitos sociais fundamentais, como a noção de cidadania.
• Existe uma cronologia de políticas públicas destinadas às pessoas idosas. 
Dentre as primeiras políticas criadas com ênfase na população idosa está o 
documento “Políticas para a 3ª Idade – Diretrizes Básicas” e “Programa de 
Assistência ao Idoso (PAI)” realizado pelo Instituto Nacional de Previdência 
Social (INPS).
• Dentre as políticas públicas destinadas à população idosa encontra-se: Política 
Nacional do Idoso; Estatuto do Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa 
Idosa.
• Política Nacional do Idoso possui a finalidade de assegurar os direitos sociais 
do idoso (BRASIL, 1994), de forma a criar meios e condições que promovam sua 
autonomia, sua integração e sua participação na sociedade de forma efetiva.
• Política Nacional da Saúde do Idoso estabelece as diretrizes essenciais 
que norteiam a definição ou a redefinição dos programas, planos, projetos 
e atividades do setor na atenção integral às pessoas em processo de 
envelhecimento e à população idosa.
168
• Foi por intermédio da Política Nacional do Idoso que houve a regulamentação 
do atendimento de idosos em espaços que não sejam aqueles na modalidade 
asilar, os quais são denominados de Centros de Convivência.
• O Estatuto do Idoso regulamenta as prioridades estabelecidas para o idoso, e 
estabelece prioridades para a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, 
à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, 
à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
• Pensando no acesso à informação básica para subsistência e à própria qualidade 
de vida, não se pode permitir a exclusão digital dos idosos para que estes não 
fiquem vulneráveis às informações falsas que podem podar seu pleno exercício 
crítico de cidadania.
• A perda de autonomia da pessoa idosa não está presente somente no plano 
físico, mas também tecnológica, uma vez que depende de familiares, amigos 
e cuidadores para lhe auxiliar no uso da tecnologia. Dessa forma, o idoso 
passa a sofrer com a exclusão digital, visto que não consegue compreender 
adequadamente as tecnologias da informação.
• Existem políticas públicas criadas para a inclusão dos idosos na sociedade da 
informação, tais como Projeto Silver Code e o Mapa da Inclusão Digital.
• As políticas de promoção da igualdade racial derivam das lutas dos movimentos 
sociais negros para acesso a direitos básicos, tais como, saúde, educação, 
trabalho digno, igualdade social, entre outros.
• Dentre as políticas públicas destinadas à população negra, destacam-se: 
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), 
Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Secretaria de 
Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT), entre outras.
• A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) foi 
um órgão do Poder Executivo brasileiro que tinha como finalidade promover 
a igualdade e a proteção dos grupos étnico-raciais pertencentes à sociedade 
brasileira que são afetados pela discriminação e outras formas de intolerância.
• A Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) possui 
como objetivo geral a redução das desigualdades étnico-raciais no Brasil, 
especialmente para a população negra, mediante a realização de ações 
executadas a médio, curto e longo prazos, visando atender às demandas 
imediatas e áreas prioritárias de atuação
• O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) é um órgão 
colegiado de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR). 
169
AUTOATIVIDADE
1 A partir da leitura das opções abaixo e com base no tópico estudado, 
identifique com V ou F as questões que se referem às políticas públicas para 
pessoas idosas:
a) ( ) A implantação de uma política nacional para pessoas idosas só 
foi acontecer em 1994, antes dela a proteção desta população era 
mencionada em alguns artigos do Código Civil, Código Pena, Código 
Eleitoral e outros.
b) ( ) Foi em 1986 que foram realizados três Seminários regionais que 
visavam diagnosticar a questão do envelhecimento a nível nacional 
e apresentar as linhas básicas de políticas de assistência e promoção 
social de pessoas idosas.
c) ( ) O primeiro programa criado para a pessoas idosas foi o Programa de 
Assistência ao Idoso (PAI).
d) ( ) Em 1994, foi aprovada a Lei nº 8.842/1994, que estabelece a Política 
Nacional do Idoso (PNI), posteriormente regulamentada pelo Decreto 
nº 1.948/96, e cria o Conselho Nacional do Idoso.
2 Conforme estudado, a Política Nacional da Saúde do Idoso pela Portaria 
nº 1.395/1999, do Ministério da Saúde (MS), que estabelece as diretrizes 
essenciais que norteiam a definição ou a redefinição

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