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Capítulo 4 SUTURAS Maria Clara S. B. Pereira / Márcio Rivison Definição: É a união ou aproximação de estruturas através de um ou mais pontos. O ponto é a porção do fio compreendida entre os furos ou locais de apoio realizados nos tecidos. Elementos da Sutura: São usados porta-agulhas, agulhas, fios, grampos metálicos, pinças ou aparelhos aplicadores, pinças auxiliares diretas anatômicas ou com dentes e pinças auxiliares indiretas, como as hemostáticas. Classificação: A sutura pode ser determinada sob vários aspectos: Profundidade Superficial Profunda Planos anatômicos Por planos Em massa Mista Fio usado Absorvível Inabsorvível Tipo de ponto Simples Especial Finalidade Hemostática de aproximação De sustentação Estética Espessura do tecido Perfurante total Perfurante parcial Seqüência de pontos De pontos separados Continua Posição das bordas De confrontamento Invaginante De eversão Técnica das suturas de pontos separados ou sutura descontinua: Existe um grande número de pontos separados para síntese dos tecidos, sendo usados elementos metálicos e fios. Iremos abordar aqui as suturas mais utilizadas. Sutura de pontos separados com fio • Ponto simples: É um dos mais usados, formando o fio uma única alça dentro do tecido, com um orifício de entrada e outro de saída, dando bom confrontamento tanto das partes superficiais como nas profundas. O ponto simples invertido tem as pontas para dentro, ficando o nó oculto dentro do tecido subcutâneo ou para o lado da mucosa, em órgãos ocos. Quando se coloca entre a pele e a alça externa do ponto simples um segmento de tudo ou ajustador plástico é chamado de ponto simples apoiado, aplicado em sutura de sustentação. IMPORTANTE: É importante determinar a distância ideal entre o local de entrada e saída do fio e o espaço entre um ponto e outro. A distância A-A não deverá ser maior que o próprio ponto A-B. • Ponto em U vertical ou Donati: É utilizado quando o ponto simples, apesar de ser dado com todos os rigores da técnica, não proporciona uma perfeita coaptação das bordas. Ele começa a ser dado tal qual o ponto simples, e com os mesmos cuidados. Uma vez completado o ponto simples, a agulha é voltada no sentido do inicio do ponto, pegando uma porção da derme e epiderme, dos dois lados da ferida. De tal forma que quando o no é atado, as bordas, ainda que tendentes a invaginarem, serão suspensas em nível dermo-epidérmico. Existe uma variante do Ponto Donati que é também muito eficiente na aproximação das bordas irregulares, porém de execução um pouco mais trabalhosa. Em uma das bordas da ferida o ponto não é exteriozado, passando apenas em nível subcutâneo e dérmico. Sua vantagem é a exteriorização apenas de um lado, evitando a marcação do ponto em um dos lados. • Ponto em U horizontal ou ponto de colchoeiro: É o ponto semelhante ao anterior ficando a alça do fio em posição horizontal. É aplicado para produzir hemostasias e em suturas com tensão (cirurgia de hérnias, suturas de aponeurose). • Ponto em X, Z ou 8 horizontal: Chamado também de ponto cruzado ou de reforço e é usado para aumentar a superfície de apoio de uma sutura para hemostasia ou aproximação. • Fechamento do Subcutâneo: Como demonstrado na figura abaixo, o fechamento do subcutâneo deve ser alocado em uma profundidade adequada, não muito próximo da pele. Apesar do subcutâneo parecer um plano frágil, o seu fechamento adequado pode evitar o surgimento de hérnias abdominais. O fechamento do subcutâneo não deve ser muito próximo da pele, pois além de dificultar a realização da sutura da mesma favorece o surgimento de um “túnel” que predispõe o acúmulo de fluidos. Outras suturas descontínuas menos utilizadas: Ponto helicoidal, ponto em 8 vertical, ponto capitado, ponto em cadarço de sapato, ponto de transfixação, ponto recorrente ou em polia. Técnica das suturas contínuas: São amplamente usados em quase todos os tecidos e em várias situações, existindo de vários tipos. • Sutura com chuleio simples: É de fácil e rápida execução e aplicada em bordas não muito espessas e pouco separadas. É muito usada em sutura de vasos por ser bastante hemostática, podendo ser feita isoladamente ou sobre uma sutura preexistente, como uma barra grega. Tem aplicação também em músculos, aponeurose, peritônio e tela subcutânea. • Sutura de chuleio ancorado: Consiste na realização de um chuleio simples sendo que o fio depois de passado é ancorado sucessivamente na alça anterior ou apenas a cada quatro ou cinco pontos. O ancoramento é para dar firmeza à sutura, principalmente nas suturas longas. • Sutura contínua em bolsa: É um conjunto de pontos simples dispostos em círculo. Usado para apertar canais ou orifícios existentes como efeito hemostático ou isolar cavidades do exterior. • Sutura contínua intradérmica longitudinal: É uma sutura intradérmica de efeito estético, sendo superior às outras técnicas. Constitui-se por uma seqüência de pontos simples longitudinais alternados nas bordas da pele, resultando excelente confrontamento anatômico. Outras suturas contínuas menos utilizadas: Sutura em ponto atrás ou retrógrada; sutura em barra grega, colchoeiro ou U horizontal; Sutura em U vertical superficial, de Lambert; Sutura em U vertical profunda, de Donati. FALHAS DA TÉCNICA DE SUTURA: Presença de espaço morto Profundidade insuficiente Invaginação das bordas Nó sobre a ferida