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SUTURASmaterialcomplementar_20230311174131

Capítulo do manual de cirurgia em cães e gatos (BSAVA 2014) sobre padrões de suturas e nós cirúrgicos. Aborda seleção e princípios de sutura, classificação (contínua vs interrompida; efeito sobre alinhamento, tensão e camadas), vantagens/desvantagens e aplicações como linha alba, incisões profundas e anastomose intestinal.

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Trecho extraído do manual de cirurgia em cães e gatos- BSAVA 2014 
 
PADRÕES DE SUTURAS E NÓS CIRURGICOS 
 
Thomas Sissener 
 
Introdução 
 
A seleção de um padrão de sutura apropriado é importante para o desfecho 
bem-sucedido da cirurgia. O objetivo do cirurgião é escolher um padrão de sutura 
que fechará a incisão e dará o máximo de suporte mecânico com o mínimo de 
reação tecidual. Os princípios cirúrgicos de Halsted são tão aplicáveis durante o 
fechamento da incisão quanto o são para a sua abertura. Usar o padrão de sutura 
correto ajudará a restaurar o alinhamento anatômico dos tecidos, removerá o 
espaço morto, minimizará o trauma tecidual e preservará o suprimento sanguíneo 
aos tecidos. 
Talvez o componente mais vital do padrão de sutura correto seja o nó 
cirúrgico. Atar um nó seguro proporcionará ancoramento para o padrão permanecer 
intacto e exercer seu objetivo pretendido. Este capítulo revisará vários dos padrões 
de sutura comuns usados na cirurgia de pequenos animais e fornecerá uma base 
para a seleção racional de padrões para feridas particulares, bem como discutirá a 
importância da seleção do nó e das técnicas para atá-los. 
 
Classificação dos padrões 
 
Um grande número de padrões de sutura foi descrito na cirurgia veterinária. 
Eles são tipicamente classificados com relação ao seguinte: 
• Colocação de maneira contínua ou interrompida 
• Efeito no alinhamento anatômico do tecido (i. e., de aproximação, inversora, 
eversora) 
• Padrões de sutura de uma camada versus de duas camadas 
• Efeito na tensão (p. ex., sutura aliviadora de tensão) 
• Localização anatômica das suturas (p. ex., subcutâneo, pele). 
Essas categorias ajudam a compreender como a escolha do padrão de 
sutura afetará o fechamento de uma ferida particular. Essas escolhas também 
podem afetar diretamente a duração da cirurgia e o processo de cicatrização. 
 
Padrões interrompidos versus contínuos 
Tanto os padrões interrompidos quanto os contínuos contam com 
argumentos a favor e contra (Tabela 22.1). Muitos cirurgiões novatos podem ficar 
mais confortáveis com o uso de suturas interrompidas simples, mas estudos 
demonstraram que um padrão de sutura contínua simples pode ser igualmente 
efetivo para fechar uma variedade de incisões cirúrgicas. 
 
Suturas simples interrompidas 
• Suturas simples interrompidas são fáceis de colocar e resultam na aposição dos 
tecidos, a menos que se aplique tensão excessiva (o que resulta em inversão leve) 
• Como cada sutura individual é atada com um nó, a falha de uma sutura não leva 
necessariamente à ruptura da linha inteira da sutura 
• Contudo, isso resulta em mais nós e mais material de sutura na ferida, 
ocasionando, potencialmente, mais reação inflamatória a material estranho e risco 
elevado de infecção. 
 
Suturas contínuas 
• Um padrão de sutura contínuo é um método rápido e eficaz de fechar uma incisão 
• O material de sutura é contínuo em todo o fechamento, com apenas um nó em 
cada extremidade, o que diminui a quantidade de material estranho na ferida 
• Contudo, se um dos nós se desfizer, a linha inteira da sutura pode cair 
• Padrão de sutura contínua simples é considerado relativamente resistente ao 
extravasamento de líquido e de gás e as forças de tensão são distribuídas mais 
uniformemente ao longo da linha de sutura 
• Demonstrou-se que o uso do fechamento em um padrão de sutura contínua na 
cirurgia intestinal aumenta o risco de deiscência quando comparado com o 
fechamento interrompido simples (Weisman et al., 1999) e, em alguns casos, como 
na anastomose traqueal, o padrão contínuo simples mostrou-se melhor (Demetriou 
et al., 2006). 
Como com todos os padrões de sutura, o fechamento bem-sucedido usando 
um padrão contínuo depende da seleção correta do material de sutura, de atar o nó 
com segurança, da identificação adequada e da incorporação dos tecidos das 
camadas de sustentação. O manuseio gentil dos tecidos e do material de sutura por 
si só também é importante. 
 
Aplicações 
Linha alba (branca). Falha de um padrão de sutura de fechamento abdominal 
contínuo em geral se deve a um erro do cirurgião em não colocar as suturas 
corretamente na camada de sustentação da força (fáscia) ou problemas com o nó, 
não com o padrão de sutura por si. Portanto, desde que se tome cuidado para incluir 
a linha alba e a bainha do músculo reto externo e se dedique atenção ao atar o nó, 
na seleção e na colocação correta da sutura, o fechamento contínuo simples da 
linha alba é mais rápido e mais eficiente do que a sutura interrompida simples. 
Incisões profundas. Devido à dificuldade de se colocarem suturas e atar nós 
em localizações profundas, um padrão de sutura contínua com frequência é mais 
fácil para o fechamento de incisões, tais como aquelas para reparo de hérnia 
diafragmática e gastropexia incisional. 
Anastomose intestinal. Tanto padrões de sutura contínua simples quanto de 
sutura interrompida simples tipicamente prevenirão o extravasamento depois do 
fechamento do tecido intestinal saudável contanto que a submucosa seja incluída e 
o espaçamento da sutura não seja muito distante uma da outra. O extravasamento 
depois da anastomose intestinal ocorre caracteristicamente na superfície 
mesentérica, de modo que se deve tomar cuidado particular nessa localização, onde 
é mais difícil a visualização durante a colocação da sutura. O fechamento da 
anastomose intestinal usando uma sutura de aproximação contínua simples pode 
ser conseguido, mas se sugere que possa ser preferível usar dois pacotes de 
sutura, um para cada lado; tais lados se encontram no meio da superfície 
antimesentérica. Isso pode ajudar a prevenir o estreitamento em “pescoço de 
garrafa” ou estenose no lúmen, que pode resultar de usar um pacote de sutura. 
Flaps cutâneos extensos e gengivais. Padrões de sutura interrompidos são 
indicados para o fechamento de flaps gengivais e flaps cutâneos extensos. Falha ou 
necrose de parte do flap pode resultar na separação da linha de sutura inteira, em 
vez de uma área local, se for usado um padrão contínuo. 
 
Padrões de aproximação, inversores e eversores 
 
• Suturas de aproximação trazem as margens do tecido para uma distância próxima, 
com as margens do tecido em contato como elas estavam antes da incisão 
• Padrões de sutura inversora resultam em margens do tecido que se viram para 
longe do cirurgião (p. ex., para dentro do lúmen de um órgão visceral oco) 
• Os padrões de sutura eversora viram as margens do tecido para fora e em direção 
 
Suturas de aproximação ou aposição 
Tem havido mudança rumo ao uso de padrões de sutura de aproximação ao 
longo dos últimos anos. Isso se deve em parte a estudos que documentam que é 
pelo menos equivalente, se não superior, a cicatrização comparada com os padrões 
de suturas inversoras mais tradicionais que eram usados para fechar vísceras ocas. 
A crença errônea de que o contato serosa a serosa era necessário para conferir 
vedação impermeável a líquido não se justifica mais, e trazer os tecidos para um 
alinhamento anatômico correto (um dos princípios de Halsted) pode de fato acelerar 
o processo de cicatrização e reduzir potencialmente a incidência de estenose 
(Radasch et al., 1990; Kirpensteijn et al., 2001). 
O fechamento de enterotomias ou enterectomias pode ser conseguido tanto 
com suturas de aproximação interrompidas simples quanto contínuas simples para 
evitar a inversão e um potencial estreitamento do lúmen intestinal. Os padrões de 
sutura de aproximação também são muito úteis para o fechamento de planos 
fasciais, pele, músculos e tendões. A exceção pode se dar em áreas de tensão, 
onde alguns tipos de padrões de sutura aliviadora de tensão podem resultar em leve 
eversão tecidual. 
 
Suturas inversoras 
Padrões de suturas inversoras viram as margens da incisão para longe do 
cirurgião e para dentro, aproximando as camadas mais externas da incisão contra 
as outras. Essas suturas têm sido usadas tradicionalmente para fechar vísceras 
ocas como, por exemplo, o tratogastrintestinal, a bexiga e o útero. A inversão faz 
com que as camadas individuais do tecido nas margens da incisão não se 
aproximem, o que pode comprometer a cicatrização primária e retardar a deposição 
de um selo de fibrina precoce impermeável a líquido através da mucosa no local de 
incisão. 
Sabe-se agora que um padrão de aproximação interrompido proporciona 
força de ruptura mecânica igual a um padrão inversor contínuo no fechamento da 
bexiga sem o estreitamento do espaço luminal (Radasch et al., 1990). Isso é menos 
importante em vísceras com diâmetro maior, e padrões inversores podem ainda ser 
utilizados em procedimentos como a invaginação gástrica para acessar o tecido da 
parede gástrica questionavelmente viá vel durante uma cirurgia de dilatação 
volvulogástrica (DVG). A pele não cicatriza bem quando invertida. 
 
Suturas eversoras 
Os padrões de sutura fazem com que as margens do tecido se dobrem para 
fora em direção do cirurgião. Essas suturas devem ser evitadas em cirurgias de 
vísceras porque isso pode aumentar o risco de adesões. Por essa razão, elas são 
usadas primariamente na pele para ajudar a dissipar tensão ao longo da linha de 
fechamento da pele, embora sua tendência de eversão não seja ideal para o 
fechamento da pele. Evitar a tensão da pele usando outros métodos de lidar com a 
tensão ou usando técnicas reconstrutivas para mobilizar tecido adicional é preferível 
para lutar contra a tensão com suturas de pele de alívio de tensão. Os padrões de 
sutura eversora são usados para conseguir contato endotélio com endotélio quando 
se fecham incisões em vasos sanguíneos e no coração para evitar a formação de 
trombos no colágeno exposto. 
 
Padrões de sutura de uma camada versus duas camadas 
Os padrões de sutura também podem ser descritos com relação à sua 
utilidade para fechar camadas múltiplas de tecidos. Alguns padrões podem fechar 
parcialmente uma incisão (como o padrão contínuo simples) e, portanto, um 
fechamento em duas camadas consistiria no fechamento da(s) camada(s) 
remanescente(s) no topo, como pode ser usada para fechar uma incisão de 
gastrotomia, com uma linha de sutura na mucosa e submucosa e uma na camada 
sero muscular. Outros padrões podem exigir que todas as camadas de sutura sejam 
presas para serem aplicadas adequadamente na primeira camada (p. ex., padrão de 
sutura Gambee), no topo da qual um segundo padrão de sutura inversora pode ser 
usado para completar o fechamento em duas camadas. 
 
Suturas de alívio de tensão 
Há relativamente poucas indicações para esses tipos de suturas. Suturas 
encavilhadas ou captonadas usam um material de implante cirúrgico adicional e, 
portanto, são restritas apenas à pele. Preferencialmente, toda a tensão deve ser 
sustentada por tecidos subcutâ neos mais fortes da ferida, de modo que haja tensão 
mínima ou nenhuma nas próprias suturas de pele. O alívio da tensão ao longo da 
linha da sutura é conseguido melhor pela boa aproximação e suturas de tensão nas 
camadas fasciais de sustentação mais profundas em vez de na pele. 
 
 
Padrões de sutura 
 
Suturas de aproximação 
 
Sutura interrompida simples 
Esse é o padrão de sutura mais básico de todos e possivelmente o mais 
usado. 
1. Para iniciar o padrão, introduz-se a agulha a 2 a 5 mm de distância da margem do 
tecido. Para um cirurgião destro, isso em geral se faz a partir da margem superior da 
incisão se o fechamento for horizontal, ou da margem direita se o fechamento for 
vertical. 
2. Vira-se o pulso com a curvatura da agulha para penetrar o tecido afastado na 
mesma distância da margem (tipicamente 2 a 5 mm). Se diferença maior existir 
entre os tecidos, a agulha pode ser pega depois de passar através da primeira 
margem do tecido e então reintroduzida no mesmo nível através da outra margem 
tecidual. 
3. O nó é então atado e deixado recuado de modo que ele não repouse na incisão. 
4. As extremidades são cortadas, tipicamente deixando “pontas” de 2 a 3 mm, mas 
isso depende da seleção do material de sutura. Para a pele, normalmente se cortam 
as extremidades da sutura mais longas para facilitar a remoção da sutura. 
 
Sutura intradérmica interrompida (nó sepultado) 
A irritação dos tecidos superficiais pelos nós nos tecidos subcuticular e 
subcutâ neo pode levar a lambedura e autotraumatismo. Além disso, sepultar o nó 
em um fechamento subcutâ neo pode resultar em aparência cosmética melhor. O 
padrão de sutura intradérmica interrompida é essencialmente uma sutura 
interrompida simples de cabeça para baixo. 
1. Em vez de iniciar da extremidade mais distante, inicia-se a sutura da extremidade 
mais próxima e do mais profundo dentro da incisão. A agulha sai justo embaixo da 
pele e atravessa a incisão para entrar no mesmo nível bem abaixo da pele, 
curvando a agulha para sair de novo profundamente na incisão. 
2. Quando se ata o nó, deve-se tomar cuidado para ter a agulha e a extremidade da 
ponta no mesmo lado do laço sendo puxado para baixo para sepultar o nó. 
 
Sutura cruzada interrompida 
O padrão de sutura cruzada interrompida (ou em X ou figura de oito) é 
essencialmente duas suturas interrompidas simples ligadas e amarradas com um 
nó. Isso diminui o número de nós e aumenta a velocidade da colocação sobre as 
suturas interrompidas simples. Ela também pode ajudar a espalhar a tensão 
localizada de um modo melhor que nas suturas interrompidas simples. É uma 
alternativa razoá vel para cirurgiões que querem um fechamento mais rápido, mas 
que permanecem desconfortáveis com os padrões contínuos. 
O padrão é colocado de maneira idêntica a um padrão interrompido simples, 
mas em vez de atar depois que a primeira sutura é colocada, uma segunda sutura 
interrompida simples é colocada próximo à primeira, com espaçamento igual (3 a 5 
mm) e a ponta e a extremidade da agulha são então atadas. Deve-se tomar cuidado 
para cortar ambos os laços da sutura antes de removê-la para evitar arrastar 
pedaços de material de sutura que foram expostos ao ambiente externo de volta 
através da ferida. 
 
Sutura de Gambee 
A sutura de Gambee é um padrão especializado usado primariamente para o 
fechamento do intestino para prevenir eversão excessiva da mucosa intestinal, o 
que pode ser um desafio durante o fechamento. Essa sutura não é usada 
comumente na cirurgia de pequenos animais porque é difícil de se colocar com 
precisão. 
1. Essa sutura é muito semelhante à sutura interrompida simples e começa com 
uma perfuração através da serosa para dentro da mucosa e do lúmen, mas a agulha 
é retornada através da mucosa e para dentro da muscular antes de atravessar a 
incisão no mesmo nível da muscular do lado oposto e para fora da mucosa. 
2. A agulha é então reintroduzida a partir do lúmen através da mucosa e os níveis 
dos tecidos remanescentes para sair da serosa. 
3. O nó é então atado como na sutura interrompida simples. 
 
A sutura de Gambee modificada é colocada de modo semelhante, mas não 
penetra o lúmen visceral. 
Um padrão de sutura interrompida alternativo, conhecido como sutura de 
Poth-Gold, também pode ser usado para o fechamento intestinal. Ela é colocada de 
modo semelhante a uma sutura interrompida simples, mas apertada ao ponto que 
ela corte através da serosa e muscular para apertar a camada submucosa, que é a 
camada de sustentação da sutura. 
 
Sutura contínua simples 
O padrão de sutura contínua simples é iniciado com uma sutura interrompida 
simples, mas apenas a extremidade sem a agulha (a extremidade da “ponta”) é 
cortada. Esse padrão continua então fazendo uma perfuração adjacente 
apropriadamente espaçada com a agulha perpendicular à incisão. O resultado é que 
o material de sutura avança diagonalmente através da incisão, mas 
perpendicularmente abaixo dela. A linha de sutura é finalizada atando-se o último 
laço da sutura exterior aos tecidos a uma única linha acoplada à agulha. 
Uma sutura corrida contínua simples é a sutura contínua simples em que o 
material de sutura avança diagonalmente tanto através da incisão quantoabaixo 
dela. 
 
Sutura intradérmica contínua 
O padrão de sutura intradérmica contínua com frequência é usado para 
proporcionar a aproximação da pele e remover tensão das suturas da pele. Um 
material de sutura absorvível é tipicamente usado e a maioria dos cirurgiões utilizará 
um padrão contínuo, como o intradérmico contínuo, para aproximar os tecidos 
subcutâneos superficiais. Estudos demonstraram que a sutura subcutânea contínua 
sepultada pode resultar em aparência cosmética melhor da pele depois de ovário-
histerectomia canina no momento da reavaliação. 
1. O padrão inicia-se com um nó sepultado e apenas a extremidade da ponta é 
cortada. 
2. O material de sutura na extremidade da agulha é então avançado para a frente na 
derme ou no tecido subcuticular paralelo ao eixo maior da incisão. 
3. A fim de conseguir um fechamento em linha reta e hábil, é importante que a 
agulha e o material de sutura entrem no mesmo nível de tecido no lado oposto da 
incisão que saiu do outro lado. 
4. A linha de sutura se completa com um nó sepultado usando o último laço do 
material de sutura e o único fio acoplado à agulha. 
 
Um padrão de sutura subcutânea contínua é a versão contínua da sutura 
intradérmica interrompida em que as perfurações correm perpendiculares às 
margens da pele em vez de paralelas a ela. 
 
Entrelaçamento de Ford 
A sutura de entrelaçamento de Ford (“ponto de cobertor”) é um padrão de 
sutura contínua que oferece algumas das vantagens de um padrão interrompido por 
“entrelaçar” parcialmente cada sutura no lugar conforme o padrão progride e tendo 
cada laço da sutura atravessando a ferida perpendicular à margem do corte. 
O padrão é muito semelhante ao padrão contínuo simples e começa da 
mesma maneira, mas conforme a linha de sutura progride, a extremidade da agulha 
é colocada através do laço do lado oposto, resultando no entrelaçamento do laço. 
A natureza contínua da sutura significa que o fechamento é mais rápido do 
que em padrões interrompidos simples e que ela distribui melhor a tensão. As 
margens da ferida também podem ser mais bem aproximadas porque as 
perfurações atravessam a ferida cirúrgica perpendicularmente a ela. A característica 
de entrelaçamento significa que é menos provável que a linha se rompa 
completamente como conse quência de autotraumatismo pelo paciente. 
Esse padrão de sutura não é econômico com o material de sutura e pode 
consumir mais tempo para remoção do que suturas interrompidas simples ou 
contínuas, já que cada laço da sutura deve ser cortado individualmente para evitar 
que se puxe, através da ferida, material de sutura que foi exposto ao ambiente 
externo. 
 
Suturas inversoras 
 
Lembert 
O padrão de Lembert é semelhante ao padrão de colchoeiro vertical e é 
usado para fechar vísceras ocas tanto de maneira interrompida quanto contínua. A 
agulha não deve penetrar o lúmen, mas deve penetrar a submucosa. Já que a 
camada de sustentação importante é a submucosa, o cirurgião deve se certificar de 
que essa camada tenha sido envolvida, até mesmo se isso significar entrar 
ocasionalmente no lúmen. 
1. O padrão começa pela introdução da agulha dentro da superfície da 
serosa de 8 a 10 mm de distância da incisão, penetrando para baixo através da 
submucosa e seguindo a curvatura da agulha, saindo a cerca de 3 a 4 mm da 
margem da incisão, no mesmo lado em que ela entrou. 
2. A agulha então atravessa a incisão perpendicularmente e entra na serosa 
a 3 a 4 mm de distância da margem, penetrando para baixo no nível da submucosa 
e seguindo a curvatura da agulha para sair de novo a cerca de 8 a 10 mm de 
distância. 
3. Conforme a sutura é apertada, ela inverte os tecidos. 
Na versão contínua, as perfurações da sutura são colocadas 
perpendicularmente à incisão (o que diferencia esse padrão dos padrões de Cushing 
e Connell; ver posteriormente). 
 
Halsted 
O padrão de Halsted é uma variação do de Lembert e essencialmente são 
duas suturas de Lembert colocadas lado a lado com as extremidades amarradas. 
Assim como duas suturas interrompidas simples ligadas constituem uma sutura de 
colchoeiro horizontal, duas suturas de Lembert ligadas formam uma sutura de 
Halsted. Ela produz um padrão inversor interrompido. 
 
Connell e Cushing 
Esses dois padrões contínuos semelhantes são talvez os padrões inversores 
mais amplamente utilizados para fechar vísceras ocas. Os padrões são quase 
idênticos, exceto pelo fato de que o padrão de Connell penetra através da mucosa 
para dentro do lúmen, ao passo que o padrão de Cushing não penetra. Uma boa 
maneira de lembrar a diferença entre esses dois é que a palavra “Connell” contém 
um “l” para “lúmen”. 
1. O padrão tipicamente começa com uma sutura interrompida simples ou de 
Lembert com um nó em uma extremidade da incisão. 
2. A agulha avança então paralela à incisão, sendo introduzida através da 
serosa e para dentro dos tecidos muscular e submucosa para um padrão de 
Cushing e para dentro do lúmen para o padrão de Connell. 
3. A agulha é passada paralelamente à incisão ao longo da curvatura da 
agulha girando-se levemente o pulso até que a agulha saia da serosa de novo. 
4. A sutura é trazida para o outro lado da incisão e reintroduzida dentro da 
serosa naquele lado diretamente através do ponto de saída do outro lado. A sutura 
deve atravessar a incisão perpendicularmente. 
5. Continua-se a sutura então de modo semelhante, descendo a linha. 
6. Quando o material de sutura é puxado com tensão, a incisão se inverte. 
7. O padrão de sutura é finalizado da mesma maneira que os outros padrões 
contínuos, atando-se o fio da extremidade da agulha ao último laço. 
 
Padrão de Utrecht 
Esse padrão é muito semelhante ao padrão de Cushing e é usado 
primariamente para fechar o útero durante a cesariana. A razão é que a inversão do 
tecido uterino pode ajudar a diminuir a incidência de adesões abdominais, embora 
possa não haver quaisquer vantagens inerentes sobre o padrão de Cushing, mais 
comum. 
O padrão começa com uma sutura interrompida simples, uma sutura de 
Lembert ou um nó sepultado e então prossegue de modo semelhante ao padrão de 
Cushing, exceto que a agulha avança a um ângulo de 30 a 45° com a incisão, em 
vez de paralela a ela, resultando em um padrão de fechamento tipo “osso de 
arenque”. 
 
Sutura sobreposta de Parker-Kerr 
Recomenda-se esse padrão para fechar o coto de uma víscera oca; ele 
inverterá as margens de volta para dentro do coto. 
1. Essa sutura utiliza a pinça hemostática temporariamente para segurar o 
coto fechado, suturando sobre ela com um padrão de Cushing. 
2. Retira-se então a pinça hemostática lentamente de baixo do padrão de 
Cushing e, conforme se aperta a sutura, as margens se invertem. 
3. Uma segunda camada consistindo em um padrão de Lambert é então 
usada para suturar sobre o coto e a extremidade da agulha é amarrada à 
extremidade da ponta deixada no início do padrão de Cushing. 
Clinicamente, há poucas aplicações para esse padrão, e ele não é 
comumente usado devido a preocupações sobre a inversão excessiva do tecido e 
abscessos de coto. Versões modificadas da técnica de sutura sobreposta têm sido 
usadas para dar segurança adicional no fechamento a alguns procedimentos, como 
a lobectomia pulmonar parcial. Essas modificações consistem no uso de suturas de 
colchoeiro horizontais interrompidas através do parênquima, e especialmente os 
brônquios, seguido por um padrão contínuo simples suturado sobreposto na 
margem ressectada. 
 
Sutura em bolsa de tabaco 
As indicações para o uso de um padrão de sutura em bolsa de tabaco são o 
fechamento de cotos viscerais e a fixação de tubos percutâ neos que entram em 
uma víscera (p. ex., tubos de gastrostomia, enterostomia e cistostomia). 
1. Esse padrão é uma variação circular do padrão de Lembert. Entradas 
iguais da agulha são feitas ao redor da circunferência do coto, da víscera oca ou do 
local planejado para a “ostomia” até que a agulha de sutura termine a volta ao ponto 
de início. 
2. A suturatipicamente é pré-colocada antes de se inserir o tubo para evitar 
comprometer o lúmen do tubo ou que o material de sutura prenda o tubo no local, 
dificultando sua remoção. 
3. A sutura é apertada ao redor do tubo de “ostomia” colocado e as 
extremidades são atadas uma à outra para fixar um fecho ao redor do tubo. 
Para o fechamento de uma víscera oca, as margens precisam ser enroladas 
para dentro com um instrumento conforme a sutura é apertada para conseguir a 
inversão da mucosa e vedação impermeável a líquido. 
 
 
 
 
 
Suturas eversoras 
 
Sutura de colchoeiro horizontal 
1. O padrão de sutura de colchoeiro horizontal usa duas passagens paralelas 
e equidistantes do material de sutura através da incisão, resultando em um nó 
colocado excentricamente na lateral da linha de incisão. 
2. A primeira sutura interrompida simples atravessa a linha de incisão; a 
segunda sutura interrompida simples se inicia do lado mais distante e volta-se em 
direção ao cirurgião. 
3. Puxar a sutura conforme ela é apertada coloca pressão sobre uma área 
ampla longe da margem da incisão, tornando assim menos provável que ela rompa 
através das margens do tecido. 
As preocupações de que a pressão do filamento da sutura correndo paralelo 
com a margem da ferida possa reduzir o fluxo sanguí neo cutâ neo da margem da 
ferida entre as duas alças da sutura não são substanciadas pelos estudos de 
fluxometria por laser Doppler (Sagi et al., 2008). Mais tensão na sutura resultará em 
mais eversão dos tecidos. O padrão também pode ser realizado como um padrão de 
colchoeiro horizontal contínuo que então é iniciado com uma sutura interrompida 
simples, como para a maioria dos padrões contínuos. 
 
Suturas de alívio de tensão 
 
Sutura de colchoeiro vertical 
Esse padrão de sutura interrompida também é usado primariamente na pele 
ou fáscia para dissipar tensão ao longo de uma linha de sutura. 
1. Ela é iniciada inserindo-se a agulha a 8 a 10 mm de distância da margem 
da pele e a passando para baixo nos tecidos subjacentes, através da linha de 
incisão, para sair a cerca da mesma distância (8 a 10 mm) no lado mais distante. 
2. A agulha é então reintroduzida no lado distante no mesmo nível, 
perpendicular a onde ela saiu, mas a apenas 3 a 4 mm da margem da incisão. 
3. A agulha então atravessa a linha de incisão de novo e sai a 3 a 4 mm da 
margem e no mesmo nível perpendicular onde foi introduzida primeiro. 
4. Ata-se então o nó depois que a tensão adequada foi colocada no material 
de sutura. 
 
Padrões próximo e distante 
Esses dois padrões são modificações leves do padrão de colchoeiro vertical, 
nos quais a sutura é passada acima da ferida duas vezes e também são usadas em 
áreas de tensão. Elas são a consequência de se passar a agulha através dos 
tecidos em uma ordem diferente do que para a sutura de colchoeiro vertical, 
portanto, resultando em um nó que repousa sobre a incisão em vez de um 
excentricamente colocado para uma lateral. 
Esses padrões podem ser usados para o fechamento de camadas mais 
profundas de tecido e podem ser úteis em procedimentos de reconstrução em que a 
tensão ao longo da ferida possa ser um desafio. Essas suturas também são usadas 
ocasionalmente para fechar tendões achatados menores, uma vez que elas resistem 
bem à tensão porque todas as passagens das suturas são no mesmo plano vertical. 
 
Sutura encavilhada 
Um padrão de sutura encavilhada ou captonada é usado tipicamente 
combinado com uma sutura interrompida simples para sustentar o fechamento em 
áreas de tensão. Uma cavilha ou tubo oco é definido como o material usado para 
distribuir a tensão da sutura ao longo de uma área superficial maior. Os materiais 
adequados para a cavilha incluem rolos de gaze de diâmetro pequeno ou um equipo 
intravenoso. Uma sutura de colchoeiro vertical pode ser usada para prender o tubo 
em ambas as extremidades da incisão ao longo da linha de fechamento ou peças 
pequenas de 10 a 15 mm de um equipo de líquido intravenoso podem ser cortadas e 
suturas de colchoeiro horizontais podem ser colocadas diretamente através do tubo 
em ambos os lados da incisão. O nó acaba em cima de cada um dos tubos. Alguns 
cirurgiões preferem passar o material de sutura através do lúmen do tubo. 
 
Sutura em oito ou borboleta dupla 
Esse padrão de sutura interrompida descrito mais recentemente tem sido 
usado com sucesso para fechar áreas de tensão durante procedimentos oncológicos 
de reconstrução. Essa sutura requer menos força para fechar uma dada distância 
sob tensão que outros padrões de sutura interrompida simples ou de colchoeiro 
horizontal, o que reduz o risco de necrose isquêmica, deiscência e de arrancada da 
sutura (Austin e Henderson, 2006). É mais útil em tecidos mais profundos para 
reduzir a tensão na pele. 
1. Inicia-se o padrão introduzindo-se a agulha em tecidos mais profundos 
paralelos ao eixo maior da margem da ferida e saindo mais acima da incisão. 
2. A agulha e a sutura atravessam a incisão e perfuram a margem oposta 
horizontal à incisão, então atravessam a incisão e voltam para a margem próxima 
com entrada da agulha semelhante. 
3. A incisão é atravessada uma última vez e a outra entrada da agulha nos 
tecidos é horizontal. 
4. Isso resulta em um padrão em figura de oito dentro de tecidos mais 
profundos, e horizontal às margens da pele. 
 
Walking sutures 
As walking sutures são suturas de nós sepultados colocados em tecidos 
subcutâneos escavados, ancorando-os na fáscia subjacente. Eles são atados sob 
tensão, puxando (“caminhando”) os tecidos subcutâneos para a frente para o ponto 
de ancoramento, com frequência resultando em pequena ondulação visível na pele 
sobrejacente. A sutura não deve penetrar a própria pele. Se fileiras de walking 
sutures forem colocadas, tipicamente elas são colocadas em linhas coordenadas, 
como os tijolos em uma parede, para evitar comprometer os vasos sanguíneos 
locais. Ao apertar a fáscia subjacente, a tensão é tirada do fechamento da pele. 
Essa é uma técnica de fechamento extremamente útil, particularmente 
quando combinada com o escavamento da pele. Prefere-se a colocação de walking 
sutures ao uso de stent ou de suturas captonadas quando possível. Além disso, 
arrastar as margens de uma grande ferida da pele em conjunto usando suturas de 
sustentação para controlar a tensão da ferida e facilitar a colocação de suturas 
subdérmicas é preferível em relação a todos os tipos de suturas de alívio de tensão 
mencionados anteriormente. 
 
Mayo modificada 
Esse é um padrão especializado usado principalmente para imbricação ou 
para apertar o tecido da fáscia retinacular durante o tratamento cirúrgico da ruptura 
do ligamento cruzado cranial, luxação de patela ou herniorrafia abdominal. Ela 
resulta na sobreposição de tecidos em vez de aposição do tecido, apertando assim 
os tecidos no lado da aplicação. Embora muito eficaz para esse objetivo, ela tem 
outras poucas aplicações porque não proporciona aposição direta das camadas 
teciduais. 
Esse padrão de sutura interrompida se assemelha às suturas de colchoeiro 
horizontais e é colocado de modo semelhante exceto pela direção das entradas da 
agulha no segundo lado da ferida que será penetrada (i. e., as entradas da agulha 
em ambos os lados da ferida são colocadas de modo superficial a profundo, em vez 
de ser revertida no segundo lado, como ocorre na sutura de colchoeiro horizontal). 
 
Seleção racional do padrão para fechamento de feridas particulares 
O cirurgião não precisa de um repertório muito grande de padrões de sutura 
para fechar a maioria das feridas e incisões encontradas diariamente. Para uma 
grande parte dos fechamentos de feridas, os padrões de sutura interrompida 
simples, interrompida simples com o nó sepultado, sutura contínua simples e talvez 
a sutura de entrelaçamento de Ford ou cruzada sejam suficientes. 
Os elementos principais para um fechamento bem-sucedido são reconhecer 
a camada de sustentação do tecido, certificar-se de que ela tenha sido envolvida 
pelasutura e assegurar que haja tensão mínima no fechamento da pele. As 
camadas de sustentação tipicamente são tecidos fibrosos, como o tecido 
subdérmico da pele, a fáscia sobre o músculo, os tendões e os ligamentos e a 
submucosa nas vísceras. O fechamento de camadas como os tecidos subcutâneo e 
adiposo pode afetar a aparência cosmética da ferida e reduzir o risco de 
desenvolvimento de seroma ou hematoma, mas contribuirá minimamente com a 
força da própria ferida como um todo. 
 
Fatores de seleção 
Fatores que devem ser considerados quando se seleciona um padrão de 
sutura incluem: 
• Comprimento da incisão 
• Localização da incisão 
• Forma da ferida 
• Espessura e tendência de as camadas de tecido se 
separarem 
• Fechamentos resultando em vedação 
• Tensão dos padrões de sutura 
• Espécies 
• Disposição do paciente 
• Necessidade de fechamento rápido 
• Preferência do cirurgião. 
 
Comprimento da incisão 
Incisões de biopsias intestinais em geral são fechadas com suturas de 
aproximação de uma camada interrompida simples porque elas não são incisões 
compridas. Incisões maiores, como aquelas resultantes da transposição de flaps de 
padrão axial, tipicamente são fechadas com padrões de sutura contínua para 
aumentar a velocidade. 
Localização da incisão 
O fechamento de incisões ou feridas profundas, como aquelas de ruptura 
diafragmática, normalmente é feito com um padrão contínuo porque pode ser difícil 
atar vários nós interrompidos na profundidade do abdome. 
Forma da ferida 
Algumas feridas podem ter linhas retas enquanto outras são curvas ou se 
compõem de margens de ferida que são de comprimentos diferentes. Os padrões de 
sutura contínua funcionam melhor em incisões relativamente retas ou levemente 
curvas. Suturas interrompidas conseguirão corrigir mais facilmente o alinhamento da 
margem da ferida em feridas com formatos estranhos e conseguirão compensar a 
diferença de comprimentos entre as margens da ferida. 
Espessura e tendência de separação 
Algumas vísceras podem prestar-se mais facilmente ao fechamento em duas 
camadas. Uma incisão de gastrotomia geralmente separa-se em duas camadas 
distintas (mucosa e submucosa juntas e muscular e serosa juntas), que podem ser 
fechadas usando técnicas de fechamento em duas camadas. A maioria das cirurgias 
em bexiga ocorre em pacientes com doenças crônicas e paredes vesiculares 
espessadas, e duas camadas distintas normalmente são aparentes depois da 
cistotomia, como descrito anteriormente. A bexiga normal tem paredes muito finas e 
prefere-se o fechamento em camada única. 
Fechamentos resultando em vedação 
É obrigatório que o fechamento de alguns tecidos deva resultar em vedação 
hermética ou impermeável a líquido para evitar o extravasamento do conteúdo 
luminal. Cirurgias dos tratos gastrintestinal e urogenital requerem a seleção de 
padrões de sutura que assegurem que se forme vedação adequada para prevenir 
complicações pós-operatórias significativas. Uma boa vedação com frequência é 
obtida por padrões de sutura de aproximação bem posicionados. 
Tensão dos padrões de sutura 
As suturas de pele devem ser colocadas de maneira mais frouxa do que em 
outras camadas durante o fechamento porque isso permitirá o inchaço pós-
operatório. A falha em realizar isso resultará em isquemia local, contusão e 
desconforto do paciente. Embora a tensão da pele seja evitada melhor por 
fechamento apropriado dos tecidos mais profundos ou uso de técnicas 
reconstrutivas, alguns tipos de ferida podem requerer suturas de alívio de tensão. 
O fechamento temporário das pálpebras sobre um globo com proptose é uma boa 
indicação para o uso de suturas captonadas. Essa técnica de fechamento tira a 
tensão dos tecidos na pálpebra e facilita a remoção. Deve-se tomar cuidado para 
assegurar que as perfurações da sutura sejam de espessura parcial, uma vez que a 
penetração inteira do material de sutura pode levar à esfregação da córnea e 
resultar em úlceras de córnea. 
Espécies 
Gatos têm espessuras de pele diferentes dos cães e, portanto, pode ser mais 
difícil colocar alguns padrões de sutura, como o intradérmico contínuo. Uma boa 
aproximação do subcutâneo em gatos normalmente pode ser conseguida com uma 
linha de sutura contínua simples. 
Disposição do paciente 
Pacientes irascíveis, ou aqueles que provavelmente não serão reexaminados 
para a remoção da sutura, se beneficiarão da escolha de uma sutura intradérmica 
sem suturas de pele. 
Necessidade de fechamento rápido 
A redução do tempo no centro cirúrgico beneficiará pacientes com doença 
crítica ou quando se depara com problemas intraoperatórios ou complicações 
associadas à anestesia. Padrões de sutura contínua podem diminuir o tempo 
cirúrgico e isso pode fazer diferença na recuperação de pacientes criticamente 
doentes. 
Embora normalmente mais estáveis, pacientes em procedimentos 
reconstrutivos importantes ou com fechamentos extensos da linha alba também se 
beneficiarão da redução do tempo cirúrgico usando um padrão de sutura contínua. 
Preferência do cirurgião 
O conforto do cirurgião com certos padrões de sutura também pode afetar a 
escolha. Vários padrões podem conseguir um fechamento semelhante, mas é 
importante que o cirurgião se sinta confiante no padrão que selecionou. 
. 
Realização do nó 
 
Atar corretamente o nó é essencial para o sucesso do padrão de sutura e o 
fechamento da incisão. Normalmente é o nó que falha, e não o material de sutura. 
Nós atados de modo ruim podem resultar em deiscência da incisão e complicações 
consequentes. 
Define-se o nó como duas laçadas em cima uma da outra, podendo ter 
várias formas, como o nó quadrado, o nó triplo, o nó de cirurgião e o nó simples. 
Vários nós quadrados oferecem o ancoramento mais confiável para um padrão de 
sutura ou ligadura. 
Os principais fatores que contribuem para a segurança do nó são: 
• Tipo do material de sutura 
• Comprimento das extremidades cortadas (“pontas”) 
• Estrutura própria do nó 
• A tensão com a qual se ata o nó. 
Como regra geral, materiais de sutura multifilamentares apresentam 
segurança de nó melhor que os materiais de sutura monofilamentares. Tensionar 
corretamente no nó é importante, mas, para evitar o estrangulamento dos tecidos, a 
tensão não deve ser excessiva. Isso é particularmente importante com suturas de 
pele, porque a tensão excessiva pode causar irritação e desconforto e estimular o 
autotraumatismo das suturas. 
Tipos de nós 
O tipo de nó formado durante a amarração depende amplamente da técnica 
do cirurgião. 
• Nós quadrados são produzidos pela reversão da direção em cada laçada 
sucessiva e manutenção homogênea da tensão 
• Falha em reverter a direção resultará em nó falso ou triplo 
• Falha em apertar um nó quadrado com tensão homogênea resultará em nó 
cedido ou meio-apertado. 
 
Nó quadrado 
Esse nó é o mais importante de se familiarizar e é usado para ancorar a 
maioria dos padrões de sutura e ligaduras. Inicia-se o nó com um nó simples com 
uma laçada e reverte-se a direção durante cada laçada sucessiva. Tensão 
homogênea com ambos os filamentos paralelos ao plano do nó assegurará que ele 
fique corretamente preso no local. 
 
Nó cedido (nó meio-apertado) 
O nó cedido é o mesmo que um nó quadrado exceto que a tensão 
homogênea não é mantida nos filamentos: um filamento é mantido com pressão 
mais ascendente. Isso resulta em um nó que pode deslizar para baixo para apertar, 
mas igualmente pode se afrouxar facilmente a menos que seja convertido em um nó 
quadrado ou tenha nós quadrados laçados sobre ele para firmar o nó inicial. 
 
Nó de cirurgião 
O nó de cirurgião é semelhante ao nó quadrado, exceto que o primeiro nó 
tem um filamento passado sobre o instrumento ou o dedo duas vezes, assim criando 
um coeficiente de fricção maior e mantendo temporariamente a primeira laçada 
apertada enquanto uma segunda laçada de nó quadrado padrão é colocada em 
cima. Devido à natureza assimétrica do primeiro nó, o nó de cirurgião deve sempre 
ser seguido por um nóquadrado para garantir sua segurança. 
Esse nó pode ser usado para a vantagem do cirurgião para segurar 
pedículos ou áreas sob tensão leve. Não se recomenda o uso de um nó de cirurgião 
com categute devido à tendência do material de se desgastar com a tensão elevada. 
Vários nós quadrados sobre o nó de cirurgião inicial ajudarão a mantê-lo seguro. Os 
cirurgiões devem procurar se tornar eficientes tanto com o nó cedido quanto com o 
nó de cirurgião. 
 
Nó triplo 
Um nó triplo ou falso é o resultado de não se reverter a direção cada vez que 
uma laçada simples é feita enquanto se ata um nó quadrado. Para muitos tipos de 
sutura esse não é um nó tão seguro quanto o nó quadrado e não é recomendado 
(Rosin e Robinson, 1989). 
 
Armadilha de dedo chinesa 
A armadilha de dedo chinesa é uma série de nós atados ao longo de um tubo 
para fixá-lo à pele. Conforme se coloca tensão ao puxar o tubo, a armadilha de dedo 
aperta e impede a remoção do tubo. 
Essa série de nós se inicia com uma sutura interrompida simples na pele, 
próximo à saída do tubo, deixando longas ambas as extremidades das pontas. O 
material de sutura é passado em linhas cruzadas ao longo do tubo para cada lado, 
com laçada única ou dupla ou nó quadrado ou nó de cirurgião colocado em cada 
lado para enchanfrar levemente, mas sem ocluir o tubo. Isso é repetido a intervalos 
de 0,5 a 1 cm pelo menos cinco ou seis vezes, até que se encerre com um nó 
contendo laçadas múltiplas para segurança. 
 
Nó de Aberdeen 
O nó de Aberdeen se compõe de múltiplos nós simples e é usado para 
encerrar linhas com padrões de sutura contínua. Ele é rápido de atar e permite que 
o nó resultante seja escondido facilmente. 
O nó é produzido pela passagem de uma alça derivada de uma única ponta 
na extremidade em formato de alça através da alça, e então arrastando-se essa alça 
resultante apertando para baixo, repetindo essas etapas várias vezes, normalmente 
de quatro a seis vezes. O nó é finalizado colocando-se o único filamento 
completamente através da alça e arrastando-o de modo apertado. O filamento único 
(ainda com a agulha nele) pode ser introduzido através da incisão e para fora a uma 
distância de 0,5 a 1 cm e, conforme é apertado, o nó fica escondido. O fio sepultado 
contém apenas uma ponta em vez das típicas três da extremidade de uma linha 
contínua.