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SAÚDE DA FAMÍLIA
Profª Ana Paula Tominaga
INTRODUÇÃO
• A saúde da família e a estratégia que o Ministério da
Saúde escolheu para reorientar o modelo assistencial do
Sistema Único de Saúde a partir da atenção básica.
• Esta estratégia foi iniciada em junho de 1991, com a
implantação do Programa de Agentes Comunitários de
saúde (PACS). Em janeiros de 1994 foram formadas as
primeiras equipes, incorporando a atuação dos agentes
numa proporção média de um agente para 575 pessoas
acompanhadas.
• Segundo o Ministério da Saúde, uma unidade de saúde
da família se destina a “realizar atenção contínua nas
especialidades básicas, com uma equipe
multiprofissional habilitada para desenvolver as
atividades de promoção, proteção e recuperação da
saúde, características do nível primário de atenção.”
Resumindo
• . Representa uma porta de entrada.
• . É o primeiro contato com os serviços de saúde.
• . Organiza a referência e contra referência para os
diferentes níveis do sistema.
• Acredita-se que as unidades básicas sejam capazes de
resolver 85% dos problemas de saúde em suas
comunidades, prestando atendimento de qualidade,
evitando internações desnecessárias e melhorando a
qualidade de vida da população.
REVALORIZAÇÃO DA ATENÇÃO
BÁSICA
• A partir de 1949, a Organização Mundial de Saúde
passou a conceituar Saúde como sendo um “ completo
estado de bem estar físico, mental e social e não apenas
ausência de doença”. A partir da década de 1950,
entretanto, houve a priorização excessiva da
medicalização do processo saúde/doença, em
detrimento da prevenção e do conceito ampliado de
saúde.
• Marc Lalonde, ministro da Saúde canadense, em 1974,
chamou a atenção para os exercícios gastos com os
serviços de saúde e destacou a importância do estilo de
vida, da biologia humana e dos fatores ambientais como
os principais determinantes do processo saúde / doença.
• Em 1978, a Conferência de Alma Ata (na antiga União
Soviética) estabeleceu as estratégias da atenção
primária à saúde, objetivando alcançar a “Saúde para
todos no ano 2000”.
• Em 1986, no Canadá, a I Conferência Internacional de
Promoção de Saúde, na Carta de Ottawa, enfatizou a
importância e o impacto das dimensões
socioeconômicas, políticas e culturais sobre as
condições de saúde.
• A partir da Agenda 21, em 1992, ao conceito de
promoção da saúde une-se o de cidade saudável,
entendida em sua dimensão tríplice.
• Saúde: alicerçada na qualidade de vida.
• Intersetorialidade e
• Participação popular.
• Neste contexto, a estratégia da saúde da família
proposta pelo governo brasileiro elege a família como
núcleo social alvo em um território definido e agrega
ainda os princípios da responsabilidade social,
interdisciplinaridade e intersetorialidade, além da
vigilância em saúde.
Atenção básica não é:
• Saúde pobre, para pobres.
• Sinal de baixa resolutividade.
• Lugar para profissionais com baixa qualificação
profissional.
Atenção básica é:
Serviço de alta qualidade e resolutividade.
Valorização da promoção e proteção da saúde.
Parte de um sistema hierarquizado.
OBJETIVOS DO MODELO DE
SAÚDE DA FAMÍLIA
Segundo o Ministério da Saúde, no documento “Saúde da
Família: uma estratégia para a reorientação do modelo
assistencial” (Brasília -1998), os objetivos da implantação
do modelo de saúde da família são:
• . Prestar assistência integral, continua, com
resolubilidade e boa qualidade às necessidades de
saúde da população adscrita.
• Intervir sobre os fatores de risco aos quais a população
esta exposta.
• Humanizar as práticas de saúde através do
estabelecimento de um vínculo entre os profissionais de
saúde e a população.
• Proporcionar o estabelecimento de parcerias através do
desenvolvimento de ações interssetoriais.
• Contribuir para a democratização do conhecimento do
processo saúde/doença, da organização dos serviços e
da produção social da saúde.
• Fazer com que a saúde seja reconhecida como um
direito de cidadania e, portanto, expressão da qualidade
de vida.
• Estimular a organização da comunidade para o efetivo
exercício do controle social.
COMO FUNCIONAM AS UNIDADES
DE SAÚDE DA FAMÍLIA
As unidades de saúde da família funcionam segundo algumas
diretrizes operacionais e conceitos próprios.
• Adscrição da clientela: Cada unidade é responsável pelo
cadastramento e acompanhamento da população vinculada
(adscrita) a uma área (território de abrangência). Cada
unidade de saúde da família pode atuar com uma ou mais
equipes de profissionais, dependendo do número de famílias
a ela vinculada. Uma equipe é responsável por uma área
onde residam entre 600 a 1.000 famílias, com limite máximo
de 4.500 habitantes.
• Cadastramento: As equipes deverão realizar o
cadastramento das famílias através de visitas aos
domicílios, de acordo com a área territorial que foi
preestabelecida para a adscrição.
• Integralidade e hierarquização: A unidade de saúde da
família esta inserida no primeiro nível de ações e
serviços do sistema local de assistência, chamado
atenção básica. Necessita estar vinculada à rede de
serviços, de forma que seja garantida atenção integral
aos indivíduos e às famílias e que sejam asseguradas a
referência e a contra referência para níveis superiores
de complexidade.
• Equipe multiprofissional: Cada equipe é composta, no
mínimo, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de
enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de
saúde. Outros profissionais, como dentista, assistentes
sociais e psicólogos, podem ser incorporados às equipes
ou formar equipes de apoio.
ATRIBUIÇÕES DAS EQUIPES
As equipes de saúde da família devem estar capacitadas
para:
.Identificar a realidade epidemiológica e sociodemográfica
das famílias adscritas.
.Reconhecer os problemas de saúde prevalentes e
identificar os riscos aos quais a população esta exposta.
.Planejar o enfrentamento dos fatores desencadeantes do
processo saúde/doença.
.Atender a demanda programada e expontânea.
• Utilizar corretamente o sistema de referência e contra
referência.
• Promover educação à saúde e melhorar o autocuidado
dos indivíduos.
• Incentivar ações interssetoriais para enfrentar os
problemas identificados.
COMPOSIÇÃO DAS EQUIPES DE
SAÚDE DA FAMÍLIA
O profissional médico:
O médico da família deve ter sólida formação geral visto
ter por função atender a todos os componentes das
famílias, independente do sexo ou idade.
Deve procurar acompanhar os indivíduos, as famílias e a
sociedade em todas as fases do seu ciclo vital, e não
apenas nos momentos do adoecer.
Segundo o ministério da saúde, suas principais
atribuições são:
. Prestar assistência integral aos indivíduos.
.Valorizar a relação médico/paciente e médico/família
como parte do processo terapêutico.
.Aproveitar os contatos com a comunidade para abordar
aspectos de educação em saúde.
.Empenhar-se em manter as pessoas saudáveis.
.Executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária
em seu território.
• .Executar as ações de assistência, inclusive primeiros
atendimentos nas urgências e pequenas cirurgias.
• .Promover a qualidade de vida.
• Ajudar a desenvolver junto à equipe e à comunidade o
conceito de cidadania.
• .Participar do processo de programação e planejamento
das ações e da organização do processo de trabalho das
unidades.
CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS EM UM
MÉDICO DE FAMÍLIA
• Gosto pelo trabalho em equipe.
• Sensibilidade para aspectos psicológicos e sociais.
• Capacidade de adaptar-se a situações novas.
• Facilidade no trato com pessoas de diferentes faixas
etárias.
• Habilidade em planejamento e programação.
• Equilíbrio.
• Resistência a frustrações.
• Empatia.
ENFERMEIRO
• O enfermeiro desenvolve seu processo de trabalho em
dois locais: na unidade de saúde, junto a equipe de
saúde e na comunidade, onde apoia e supervisiona o
trabalho dos agentes comunitários de saúde e assiste às
pessoas que necessitam de atenção de enfermagem.
• Segundo o Ministério da Saúde, suas atribuições básicas
são:
• No nível de sua competência, responsabilizar-sepelas ações
de vigilância sanitária e epidemiológica.
• Capacitar os agentes comunitários de saúde e auxiliares de
enfermagem.
• Aproveitar os contatos com a comunidade para promover
ações de educação em saúde.
• Promover a qualidade de vida e contribuir para tornar o meio
ambiente mais saudável.
• Discutir junto a equipe da unidade e com os indivíduos e
famílias de sua área de atuação as relações existentes entre
cidadania e saúde.
• Programar e planejar as ações e a organização do trabalho
da unidade, em conjunto com os demais profissionais da
equipe.
CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS EM UM
ENFERMEIRO QUE ATUE NA SAÚDE DA
FAMÍLIA
• Gosto pelo trabalho em equipe.
• Liderança.
• Facilidade em trabalhar com planejamento e
programação em saúde.
• Empatia.
• Capacidade de organizar grupos e reuniões comunitárias.
• Interesse pelos aspectos psicológicos e sociais do
processo saúde / doença.
• Qualificação profissional adequada às práticas de saúde
pública.
AUXILIAR DE ENFERMAGEM
• O auxiliar de enfermagem desenvolve suas ações na
unidade de saúde, nos domicílios e na comunidade.
• Segundo o Ministério da Saúde, suas principais
atribuições são:
• Junto com os ACS, atuar na identificação das famílias
de risco.
• Auxiliar os ACS nas visitas domiciliares.
• Acompanhar as consultas de enfermagem.
• Executar, segundo sua qualificação profissional,
procedimentos de vigilância sanitária e epidemiológica.
• Participar das discussões e organização do processo de
trabalho da unidade de saúde.
AGENTE COMUNITÁRIA DE SAÚDE
• O agente comunitário de saúde desenvolve suas ações
nos domicílios de sua área de responsabilidade e
participa da programação das unidades onde, também,
suas atividades são supervisionadas.
• Segundo o Ministério da Saúde, suas principais
atribuições são:
• Mapear sua área de atuação.
• Cadastrar as famílias de sua área, mantendo o cadastro
sempre atualizado.
• Identificar indivíduos e famílias expostos a situação de
risco.
• Realizar visitas domiciliares mensais.
• Colher dados para análise da situação das famílias
acompanhadas.
• Desenvolver ações básicas de promoção da saúde e
prevenção de doenças.
• Promover educação em saúde e mobilização comunitária
para melhorar a qualidade de vida.
• Incentivar a formação de conselhos locais de saúde.
• Informar a equipe da dinâmica social da comunidade, suas
disponibilidades e necessidades.
• Participar do processo de programação e planejamento local
de ações de saúde.
• O agente comunitário de saúde é
o elo de ligação entre a UBS e a
comunidade.
• Para que a relação entre o agente comunitário de saúde
e a comunidade seja favorável, torna-se indispensável
que o agente, além de pertencer à comunidade, tenha
méritos por ela reconhecidos, devendo ainda ser por ela
escolhido.
CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS
EM UM ACS
• Liderança.
• Empatia.
• Dinamismo.
• Discrição.
• Capacidade de planejas e programar.
• Gosto por ações educativas.
• Simpatia.
• Entender a importância fundamental de seu trabalho.
• Conhecer a sua comunidade.
PROFISSIONAIS DE SAÚDE BUCAL
De maneira genérica, o Ministério da Saúde atribui as
seguintes responsabilidades aos profissionais de saúde
bucal:
• . Participar do planejamento, acompanhamento e
avaliação das ações desenvolvidas pela equipe.
• .Identificar as necessidades e expectativas da população
com relação à saúde oral.
• .Executar medidas de promoção da saúde, atividades
educativas e preventivas em saúde bucal.
• . Executar ações básicas de vigilância epidemiológica.
• . Sensibilizar as famílias para a importância da saúde
bucal.
• . Desenvolver ações interssetoriais para a promoção da
saúde bucal.
CIRURGIÃO DENTISTA
Segundo o Ministério da Saúde são atribuições do
cirurgião dentista:
.Realizar exames clínicos para diagnósticos
epidemiológicos.
. Realizar os procedimentos clínicos previstos pela Norma
Operacional Básica –NOB-SUS/96 e Normas de
Assistência à Saúde – NOAS – MS/2001:
• Procedimentos coletivos.
• Aplicação de fluor.
• Aplicação de cariostático.
• Aplicação de selante.
• Controle de placa bacteriana.
• Escariação.
• Raspagem, alisamento e polimento.
• Curetagem supragengival e polimento dentário.
• Selamento da cavidade com cimento provisório.
• Capeamento pulpar direto em dente permanente.
• Pulpotomia.
• Restauração a primo.
• Restauração com amálgama de uma, duas ou mais
faces.
• Restauração com compósito.
• Restauração com silicato.
• Restauração com fotopolimerizável.
• Restauração com ionômero de vidro.
• Exodontia.
• Remoção de resto radicular.
• Tratamento de hemorragias.
• Glossorrafia.
• Ulotomia.
• Ulectomia.
• Necropulpectomia.
• Encaminhar, quando necessário, os usuários para níveis
de maior complexidade.
• Realizar atendimento inicial nas urgências.
• Realizar pequenas cirurgias.
• Prescrever medicamentos de sua área de atuação.
• Emitir documentação sobre assuntos de sua
competência.
• Estabelecer plano de prioridade locais.
• Coordenar ações coletivas voltadas para a promoção e
prevenção em saúde bucal.
• Supervisionar seus auxiliares.
A CONSTRUÇÃO SOCIAL
• A construção social do novo sistema de saúde exige
mudanças na concepção do processo saúde/doença, no
paradigma sanitário e na prática sanitária.
• A concepção saúde/doença deixa de ser centrada na
doença e passa a ser centrada na saúde.
• Cada equipe de saúde da família é capacitada para
conhecer a realidade das famílias pelas quais é
responável e para elaborar, com a participação da
comunidade, um plano local que vise enfrentar os
determinantes do processo saúde/doença.
REFERÊNCIAS
• Saúde da Família – uma abordagem interdisciplinar.
Copyright C 2004 by Livraria e Editora Rubio LTDA.

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