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Educação e Docência Formação de Mediadores: A Leitura como Cultura Enap, 2023 Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional Conteudista/s Rosângela Silveira Garcia (Conteudista, 2023); Curso desenvolvido no âmbito da Diretoria de Desenvolvimento Profissional – DDPRO 3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Sumário Apresentação e Boas-vindas................................................................................... 4 Módulo 1 – Leitura: prática sociocultural e interfaces Unidade 1 – Leitura: prática sociocultural e interfaces ......................................5 1.1 A leitura constituída histórico-socialmente ............................................................. 5 1.2 Evolução das práticas e interfaces de leitura: do papiro à web. .......................... 6 Referências ............................................................................................................... 8 Módulo 2 – Ler e mediar: a leitura na cultura oral e grafocêntrica Unidade 1 – Ler e mediar ........................................................................................ 9 1.1 Leitura e Cultura Oral ................................................................................................. 9 1.2 Leitura e Cultura Grafocêntricas ............................................................................ 10 1.3 Ler e mediar da infância à fase adulta: o que há para saber? ............................ 12 Referências ............................................................................................................. 13 Módulo 3 – A mediação literária na formação do leitor Unidade 1 – A mediação literária na formação do leitor ..................................15 1.1 Competências do mediador .................................................................................... 15 1.2 Leitura e multimodalidade ...................................................................................... 16 1.3 Leitura e acessibilidades .......................................................................................... 16 Referências ............................................................................................................. 18 Módulo 4 – Construindo projetos de leitura em diferentes espaços Unidade 1 – Leitura em diferentes espaços ........................................................ 20 1.1 - Design de projetos e cases .............................................................................. 20 1.2 Mão na massa: construindo um projeto de mediação de leitura ...................... 25 Referências ............................................................................................................. 26 4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Vídeo 1 – Apresentação e Boas-vindas Apresentação e Boas-vindas Prefácio Olá! Desejamos boas-vindas ao Curso Formação de Mediadores: A Leitura como Cultura. Neste curso, você vai aprender a atuar como mediador da leitura em espaços escolares e não escolares, reconhecendo a leitura como uma prática social e cultural. Da mesma forma, vai compreender como ser um(a) mediador(a) da leitura e a construir projetos de leitura mediada para formação de leitores proficientes. Aceite o desafio e navegue por novos mares! Bom estudo! https://youtu.be/vMEkpcQRM3g 5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Módulo 1 Leitura: prática sociocultural e interfaces Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer a leitura como prática social e cultural e as interfaces da leitura. Unidade 1 – Leitura: prática sociocultural e interfaces 1.1 A leitura constituída histórico-socialmente Se formos analisar, de forma mais abrangente e profunda, o papel da leitura em nossa vida ultrapassa a sala de aula; ela antecede a nossa história, a própria história da humanidade, que está entrelaçada de forma inseparável. A leitura faz parte de nossas vivências, atravessa nossas relações com o mundo por meio dos sentidos que produz e se entrelaça com a cultura. Quer saber mais do assunto? Vem comigo e conheça mais sobre a relação da leitura com o nosso mundo e com a cultura. Vídeo 2 – A leitura constituída histórico-socialmente. Fonte: Garcia (2022). Assista ao documentário História da Leitura e Cultura, produzido por alunos do curso de Biblioteconomia, disponível no link: https://youtu.be/7kuzzeKcNQk. https://youtu.be/XwGSLe6xRpw 6Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Leia o debate entre Pierre Bourdie e Roger Chartier: A leitura como uma prática cultural: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile. php/2501351/mod_resource/content/1/TEXTO%20BOURDIEU%20 E%20CHARTIER.pdf. 1.2 Evolução das práticas e interfaces de leitura: do papiro à web. As práticas de leitura e as suas interfaces – materialidades onde a leitura se constitui – evoluem quase no mesmo ritmo em que a humanidade evolui. Você sabia que esta evolução acontece a partir das necessidades e dos desejos do leitor? Por exemplo: no mundo contemporâneo, muitos leitores preferem o acesso rápido à leitura de jornais, revistas e outros espaços virtuais de produção de conteúdo através de dispositivos móveis. Entretanto, outros leitores não abrem mão do contato com o livro físico, o qual permite ao leitor a sensação de passar os dedos, folha a folha, e fazer anotações nas margens. Quem nunca foi a uma biblioteca ou a um sebo (local onde se vendem livros usados) e circulou pelos corredores na antecipação da escolha de uma leitura? O ato de leitura é um encontro de emoção, do leitor com a obra e do leitor com o escritor. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2501351/mod_resource/content/1/TEXTO%20BOURDIEU%20E%20CHARTIER.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2501351/mod_resource/content/1/TEXTO%20BOURDIEU%20E%20CHARTIER.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2501351/mod_resource/content/1/TEXTO%20BOURDIEU%20E%20CHARTIER.pdf 7Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública História da Leitura e Interfaces 1. GRANDES MARCOS DA LEITURA 2. HISTÓRIA DA LEITURA 3. DO PAPEL A TELA Fonte: Garcia (2022). .Clique nas imagens para visualizar o conteúdo https://www.youtube.com/watch?v=evpsKDGSpBk 8Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Aplicativos móveis podem ser utilizados para auxiliar os leitores durante a prática da leitura social, a partir da análise dos diferentes recursos disponíveis. Analise no estudo “Aplicativos móveis para praticar a leitura social: análise e avaliação de recursos úteis” desenvolvido por Dantas (2018), como aplicativos móveis podem contribuir para a prática da leitura social. O papiro foi uma planta de grande importância para os egípcios, uma vez que era abundante em seu território; com ela, os egípcios desenvolveram seu suporte para a escrita. Para a produção do papiro como um suporte para a escrita, retiravam-se pequenas fatias do seu caule, formando uma trama, que depois era prensada, seca e polida. O papiro se mostrou um suporte de grande qualidade, tanto em maleabilidade quanto em sensibilidade à tinta. Tal suporte proporcionou o grande triunfo que foi a biblioteca de Alexandria e também fez com que outros povos aderissem ao uso do mesmo material. (MACIEL, 2018, n.p.). Referências DANTAS, T. Aplicativos móveis para praticar a leitura social: análise e avaliação de recursos úteis. Dossier Libros electrónicos y lectura digital: los escenarios del cambio. Universidad Nacional de La Plata. Disponível em: https://www. redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20 considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20 texto%20(. Acesso em: out. 2023. KLEIMAN, A. Aspectos cognitivos da leitura. Campinas, SP: Pontes, 2004. MACIEL, J. L. História sobre o papel.Núcleo de Ações Educativas UFMG. 2020. Disponível em: https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/historia-sobre-papel/. Acesso em: out. 2023. WEIGMANN, J. A História da Leitura em 5 grandes marcos. Leitura Orgânica. 2020. Disponível em:https://www.youtube.com/@LeituraOrganica. Acesso em: out. 2023. https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.redalyc.org/journal/3505/350554796005/html/#:~:text=Levando%20em%20considera%C3%A7%C3%A3o%20todas%20as,mesmo%20o%20autor%20do%20texto%20( https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/historia-sobre-papel/ https://www.youtube.com/@LeituraOrganica 9Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Ler e mediar: a leitura na cultura oral e grafocêntrica Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a correlação entre leitura, escrita e oralidade na perspectiva da cultura; identificar a correlação entre leitura e cultura grafocêntrica; bem como, identificar ações e estratégias para a escolha do material de leitura, diretamente relacionadas à idade do leitor e aos espaços de leitura. Unidade 1 – Ler e mediar 1.1 Leitura e Cultura Oral A oralidade, durante muito tempo, foi a forma como o homem se comunicava, transmitia conhecimentos e garantia que a memória de sua cultura passasse de geração a geração. As rodas de conversa ao redor da fogueira, a oratória dos gregos nas praças são exemplos de oralidade e sua manifestação cultural. A fala marca as interações entre as pessoas e as narrativas que são contadas para as crianças nos lares, na escola e nos espaços culturais. Vamos, nesta unidade, compreender um pouco mais sobre as relações da leitura e da cultura oral? Ainda hoje existem culturas em diferentes lugares do mundo que não fazem uso da escrita. No Brasil, por exemplo, persiste a tradição oral em algumas tribos indígenas. Leia o artigo A Literatura do Povo Baniwa na tradição oral (LUCIANO et al, 2020). Módulo 2 https://pdfs.semanticscholar.org/d5ff/5bf9b361cf13792917dfdba787673b30f507.pdf 10Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Vídeo 3 – A leitura e a cultura oral. Fonte: Garcia (2022). Onde está o saber de sua comunidade? Muitas vezes ele está presente somente na tradição oral. Assista ao vídeo De Boca a Ouvido: a tradição oral: https://youtu.be/-RBLJwCxYQw . A tradição oral na África ainda é muito presente em algumas regiões. Assista o vídeo disponível em: https://youtu.be/ QFFGUKEA90w . 1.2 Leitura e Cultura Grafocêntricas Se você se sente mais confortável em pensar a leitura vinculada à escrita, não se preocupe, pois esta, durante muito tempo, foi a relação mais simbiótica conhecida. A cultura grafocêntrica quer dizer aquela que tem como representação o código escrito e surgiu da necessidade de o homem registrar o conhecimento de sua sociedade; mesmo que no início a “escrita” fosse mais simbólica – representando objetos e narrativas do cotidiano (da caça às conquistas de território). A escrita, seguida da invenção da imprensa, são elementos de registros da memória humana e nos permitem, hoje, resgatar a história de outros tempos. E se formos pensar, a leitura pode ser um meio de acesso a histórias, narrativas e memórias – e cultura – de outros tempos e outros povos. A cultura grafocéntrica está centrada na escrita como representação gráfica da linguagem. A leitura se conecta a cultura grafocêntrica quando o registro da escrita passa também a ser um registro da cultura. Leitura e cultura grafocêntrica https://youtu.be/xWMogsTWNtc https://youtu.be/-RBLJwCxYQw https://youtu.be/QFFGUKEA90w https://youtu.be/QFFGUKEA90w 11Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A escrita: o ínicio? A escrita e a memória A escrita passou por um longo processo evolutivo e surgiu com os simbolos usados pelo homem pré-histórico para registro de suas memórias A escrita foi uma invenção decisiva para que o conhecimento sobre a história da humanidade não fosse perdido. Sua criação permitiu romper as barreiras do tempo e a preservar informações sobre o modo de vida dos povos que viveram há milhares de anos. Leitura e suas interfaces Porta da Cultura A leitura evoluiu com a escrita. Da grafia de desenhos em pedras - registros da narrativa do homem pré-histórico. dos papiros e pergaminhos, passamos a leitura em interfaces mais complexas e hoje lemos na tela digital A escrita e a leitura são indissociáveis, ocupam diferentes espaços, aderem a todos os tipos de leitores e suas funções derivam da "necessidade" ou intenção do leitor. É o diálogo com o mundo. através da composição de letras. Fonte: Garcia (2022). Os pictogramas foram utilizados em diferentes épocas e por diferentes povos. Eles representam não o som – como nosso alfabeto –, mas palavras, ideias, objetos da nossa realidade (ROSSI, 2015). A pictografia foi a base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos. Assista ao vídeo A Escrita antes da Escrita: ideogramas e pictogramas: https://youtu.be/s5Qtk4nh5NM. https://youtu.be/s5Qtk4nh5NM 12Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.3 Ler e mediar da infância à fase adulta: o que há para saber? Mediação é um ato de interlocução entre o livro, o leitor (ou leitores) e o autor. É uma ação que demanda estratégias específicas e um objetivo muito claro por parte do mediador. Estas ações e estratégias, bem como a escolha do material de leitura, estão diretamente relacionadas à idade do leitor e aos espaços de leitura. Me acompanhe e vamos saber mais sobre este tema. Podcast 1 – Mediar da infância à fase adulta: o que há para saber? Fonte: Garcia (2022). Um espaço culturalmente importante para fomento da leitura são as bibliotecas comunitárias. As bibliotecas comunitárias são ações coletivas ou individuais para proporcionar acesso à leitura de forma gratuita. O acervo é composto por livros de literatura infantil, infantojuvenil e de adulto, mesclando-se entre clássicos nacionais, best-sellers internacionais e obras de autores locais, gibis, CDS e DVS dos mais variados gêneros, oriundos de compra ou doação (COELHO e BORTOLINI, 2018, p. 1386-1388). Quer saber como identificar as obras mais adequadas para cada faixa etária? Leia as recomendações em: Indicações de livros para cada faixa etária. Próprias para o desenvolvimento intelectual e também afetivo. Afinal, existem livros adequados para cada idade? Agora que você já sabe como identificar as leituras mais adequadas para as diferentes faixas etárias, e sabe que os projetos de leitura podem ocorrer em diferentes espaços, analise os cases: Projeto Geladeira de Livros (Recife e São Paulo), Poesia no metrô (Rio de Janeiro/Brasil e Portugal-França/Europa). https://www.escolaaed.com.br/dicas/livros-criancas https://www.escolaaed.com.br/dicas/livros-criancas https://www.escolaaed.com.br/dicas/livros-criancas https://leiturinha.com.br/blog/livros-adequados-para-cada-idade/ https://leiturinha.com.br/blog/livros-adequados-para-cada-idade/ https://www.institutoacervo.org.br/projetos/projeto-geladeira-de-livros/ https://www.geledes.org.br/poesia-no-metro-faz-viagem-ficar-mais-leve-e-da-sustento/ https://www.geledes.org.br/poesia-no-metro-faz-viagem-ficar-mais-leve-e-da-sustento/https://www.agendalx.pt/events/event/poesia-no-metro/ 13Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública “As bibliotecas são instituições irreversivelmente sociais, a que compete difundir valores que integrem a cultura de nações e povos, o que pressupõe a adoção da mediação cultural, em conceito amplo e em evocação restrita, a mediação da leitura. Não obstante as distinções conceituais que marcam a civilização, a mediação cultural impõe-se como ação educativa essencial ao diálogo de diferentes públicos com novas imagens e novos códigos visuais de consumo seguidos na contemporaneidade. A mediação da leitura incorpora múltiplas práticas para atrair e formar leitores. Ambas – mediação cultural e/ou mediação da leitura – podem estar presentes em qualquer tipo de biblioteca”. (TARGINO, 2020, p. 1) Referências BORDENAVE, J. D. O Que É Comunicação - Col. Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 2004. FREITAS, A.F. de. Os avanços das tecnologias da comunicação e seu dimensionamento em sala de aula, discutidos a partir da música “O principio básico de escurinho”. UEP, Paraíba, 2016. MARCUSCHI, L. A. Oralidade e Escrita. Signótica, n 9, p. 119-145, jan/dez. Goiás, 1997. MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001. RAMOS, L. Na minha pele. São Paulo: Objetiva, 2017. Disponível em: http://www. sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise/pdf/Na%20minha%20pele%20-%20 Lazaro%20Ramos.pdf. Acesso em: ago. 2022. SALDANHA, L.C.D. Fala, oralidade e práticas sociais. Curitiba: Intersaberes, 2016 TARGINO, M das G. Mediação cultural e mediação da leitura como estratégia de inclusão social: bibliotecas comunitárias. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 16, p. 1-17, 2020. Disponível em: https://rbbd.febab. org.br/rbbd/article/view/1400/1215. Acesso em: ago. 2022. http://www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise/pdf/Na%20minha%20pele%20-%20Lazaro%20Ramos.pdf http://www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise/pdf/Na%20minha%20pele%20-%20Lazaro%20Ramos.pdf http://www.sedes.org.br/Departamentos/Psicanalise/pdf/Na%20minha%20pele%20-%20Lazaro%20Ramos.pdf https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1400/1215 https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1400/1215 14Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A mediação literária na formação do leitor. Ao final deste módulo, você será capaz de compreender e aplicar princípios e processos de mediação da leitura para formar leitores proficientes, será capaz de identificar as características de textos multimodais e seus usos, e compreender as facetas da acessibilidade. Unidade 1 – A mediação literária na formação do leitor 1.1 Competências do mediador Já compreendemos o que é ser um mediador. Mediação é um ato de interlocução entre o livro, o leitor (ou leitores) e o autor. É uma ação que demanda estratégias específicas e um objetivo muito claro por parte do mediador. Mas o que é competência? Como ser um mediador competente? E quais competências devem ser desenvolvidas? Como, através da mediação, formar leitores proficientes? Me acompanhe e vamos saber como ser um mediador competente. Podcast 2 – Competências do mediador e formação de leitores. Fonte: Garcia (2022). Quer saber o que é competência leitora? Assista as dicas do professor Ricardo Seixas. Disponível em: https://youtu.be/ JwOCNhPSA7I. Módulo 3 https://youtu.be/JwOCNhPSA7I https://youtu.be/JwOCNhPSA7I 15Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.2 Leitura e multimodalidade Atualmente, há uma diversidade imensa de gêneros textuais e interfaces de leitura. Nas interfaces podemos considerar o livro físico e o livro virtual, que podem gerar sensações diferentes de leitura e mobilizar leitores de formas diferentes. Em relação aos gêneros, os multimodais podem provocar o interesse pela leitura de alguns tipos de leitores pela sua dinamicidade e interatividade. Apresentar estas possibilidades é uma tarefa do mediador. Me acompanhe e vamos saber mais sobre este tema. Vídeo 4 – Leitura e multimodalidade. Fonte: Garcia (2022). Quer saber o que é multimodalidade e leitura? Faça uma leitura atenta do artigo da Profa. Paloma Borba, Ensino de leitura: Por que precisamos falar sobre multimodalidade. Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog/leitura/ensino-de-leitura-e- multimodalidade/. 1.3 Leitura e acessibilidades Em muitos contextos, a acessibilidade é relacionada à inclusão de pessoas portadoras de necessidades específicas em distintos espaços e cenários. Entretanto, sua aplicação é muito mais ampla e engloba diversos aspectos da vida humana e suas necessidades. No contexto de nossas reflexões, em sua relação com a leitura, o termo será usado para se referir à acessibilidade aos atos de leitura. Vamos descobrir um pouco mais sobre o tema? https://youtu.be/T-I6tpQNnE8 https://www.edocente.com.br/blog/leitura/ensino-de-leitura-e-multimodalidade/ https://www.edocente.com.br/blog/leitura/ensino-de-leitura-e-multimodalidade/ 16Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Fonte: Garcia (2022). Quer saber um pouco mais sobre o perfil do leitor e acessibilidade da leitura? Faça uma leitura atenta da pesquisa de “Retratos da leitura no Brasil”, promovida pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural. Disponível em: https://prolivro.org.br/wp-content/ uploads/2020/09/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL- compactado.pdf. “Diante do arsenal tecnológico disponibilizado na era informacional, as bibliotecas – espaços socioculturais gerenciadores de informações que são – permitem avanços e qualificações na ciência informacional, contribuindo com a formação e o desenvolvimento intelectual de cidadãos, além de colaborar com a resolução de questões enfrentadas cotidianamente, como a formação e a recuperação de leitores. As pessoas com deficiências visuais, durante muito tempo, foram marginalizadas e excluídas social e digitalmente. Hoje, interagem com comunidades diversas de forma dinâmica e consistente, graças ao uso das tecnologias da informação e do conhecimento. Beneficiam-se de recursos informacionais, como a impressora Braille, o audiolivro, o livro falado, celulares, recursos que contribuem para seu desenvolvimento social e intelectual. .Clique nos botões para visualizar o conteúdo https://prolivro.org.br/wp-content/uploads/2020/09/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf https://prolivro.org.br/wp-content/uploads/2020/09/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf https://prolivro.org.br/wp-content/uploads/2020/09/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf https://youtu.be/Cl4LooHBagE http://www.ce.ufpb.br/nedesp/contents/noticias/audiodescricao-recurso-de-acessibilidade-de-inclusao-cultural#:~:text=O%20Que%20%C3%89%20Audiodescri%C3%A7%C3%A3o.,o%20que%20pode%20ser%20visto https://youtu.be/YuMwSYHjlr4 https://youtu.be/e5RlZcl0jzk https://fundacaodorina.org.br/nossa-atuacao/distribuicao-de-livros/formatos-acessiveis/livro-braille/ https://observatorio3setor.org.br/noticias/bibliotecas-comunitarias-democratizam-acesso-a-leitura-diz-pesquisa/ https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/151235/001009111.pdf?sequen 17Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Inclusão social, para um cidadão, significa estar incluído nas atividades socioeconômicas de seu país, ter desenvolvimento educacional, acesso às novas tecnologias da informação e do conhecimento, para uma ação participativa junto à sua comunidade. (MENEZES e FRANKLIN, 2008, p. 2 e 3). Com base no cenário posto por Menezes e Franklin (2008), considere que você atua em uma biblioteca comunitária que possui, em sua comunidade, idosos com baixa visão e pessoas com deficiência visual. Desse modo, quais formatos de livros e leituras poderia propor? Quais recursos precisa para atender a esse público leitor? Vídeo 5 – Síntese - Feedback Desafio Módulo 02. Fonte: Garcia (2022). ReferênciasDINIZ, L. de M. O processo de interdiscursividade entre as artes: literatura e cinema. REEL – Revista Eletrônica de Estudos Literários, Vitória, a. 3, n. 3, 2007. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/reel/article/view/3481. Acesso em: abr. 2022. LUCIANO, R.R. de F.; SIMAS, H.C.P; SILVA, J.G da R. A literatura do Povo Baniwa na tradição oral. Revista Eletrônica da Educação. v.14,2020. Disponível em: https:// pdfs.semanticscholar.org/d5ff/5bf9b361cf13792917dfdba787673b30f507.pdf. Acesso em: out. 2023. MENEZES, N.C; FRANKLIN, S. AUDIOLIVRO: uma importante contribuição tecnológica para os deficientes visuais; um estudo de caso no Setor Braille da Biblioteca Pública do Estado da Bahia. CINFORM, UFBA, 2008. Disponível em: http://www.cinform2008.ici. ufba.br/layout/padrao/azul/cinform/Documentos/Comunica%C3%A7%C3%B5es/ AUDIOLIVRO%20uma%20importante%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20 tecnol%C3%B3gica%20para%20os%20deficientes%20visuais....pdf. Acesso em: set. 2022. NEITZEL, A. de A.; CARVALHO, C. A movência do leitor na leitura do literário. Raído, Dourados, v. 8, n. 17, jul./dez. 2014. Disponível em: http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/ Raido/article/viewFile/3364/2026.. Acesso em: 5 nov. 2019. PELLEGRINI, T. Narrativa verbal e narrativa visual: possíveis aproximações. In:_ Literatura, cinema e televisão. PELLEGRINI, T. et al.. São Paulo: Senac, 2003. VAN LEEUWEN, T. Multimodality. In: SIMPSON, J. (Ed.). The Routledge handbook of applied linguistics. New York: Routledge, 2011. p. 668-682. https://youtu.be/gvcZV7dtvWk https://periodicos.ufes.br/reel/article/view/3481 https://pdfs.semanticscholar.org/d5ff/5bf9b361cf13792917dfdba787673b30f507.pdf https://pdfs.semanticscholar.org/d5ff/5bf9b361cf13792917dfdba787673b30f507.pdf http://www.cinform2008.ici.ufba.br/layout/padrao/azul/cinform/Documentos/Comunica%C3%A7%C3%B5es/AUDIOLIVRO%20uma%20importante%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20tecnol%C3%B3gica%20para%20os%20deficientes%20visuais....pdf http://www.cinform2008.ici.ufba.br/layout/padrao/azul/cinform/Documentos/Comunica%C3%A7%C3%B5es/AUDIOLIVRO%20uma%20importante%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20tecnol%C3%B3gica%20para%20os%20deficientes%20visuais....pdf http://www.cinform2008.ici.ufba.br/layout/padrao/azul/cinform/Documentos/Comunica%C3%A7%C3%B5es/AUDIOLIVRO%20uma%20importante%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20tecnol%C3%B3gica%20para%20os%20deficientes%20visuais....pdf http://www.cinform2008.ici.ufba.br/layout/padrao/azul/cinform/Documentos/Comunica%C3%A7%C3%B5es/AUDIOLIVRO%20uma%20importante%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20tecnol%C3%B3gica%20para%20os%20deficientes%20visuais....pdf http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/viewFile/3364/2026. http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/viewFile/3364/2026. 18Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Construindo projetos de leitura em diferentes espaços. Ao final deste módulo, você será capaz de construir projetos de leitura mediada em espaços escolares e não escolares. Unidade 1 – Leitura em diferentes espaços 1.1 - Design de projetos e cases Finalmente chegou a parte que você mais esperava e vamos pensar juntos várias abordagens e formas de construir um projeto de leitura mediada. Acompanhe as etapas, lembrando que, quando necessário, é possível fazer adaptações nas etapas ou identificar as que são necessárias ou não, o que depende muito do escopo do projeto. Lembre-se: o curso é dialógico, portanto, sempre que sentir necessidade, retome os materiais anteriores como forma de qualificar seu projeto. Como há muitos projetos em espaços escolares, aqui focaremos em propostas que visem a mediação de leitura em espaços não escolares. Agora é mão na massa. Vamos começar? Vídeo 6 – Estruturas e etapas de projeto de mediação de leitura. Fonte: Garcia (2022). Agora que você sabe um pouco mais sobre a estrutura do projeto, vamos conhecer algumas iniciativas bem sucedidas? Módulo 4 https://youtu.be/dl4gGVchqbE 19Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Museu é para ler? Com certeza. O projeto Tramas Urbanas é o clube de leitura idealizado e realizado mensalmente pelo Núcleo Educativo do Museu da Cidade de São Paulo desde 2017. (https://www.facebook.com/ profile.php?id=100067461319199). O Museu da Imigração em São Paulo também oferta espaços e atividades de mediação da leitura (https://museudaimigracao.org.br/eventos/programacao/ mediacao-de-leitura). A praça é lugar de encanto, encontros e letras. A Tigrinhos Comunidade – Educando Educadores Sociais, em parceria com a Elektro – Distribuidora de Energia e SETA – Sociedade Educativa de Trabalho e Assistência, realizou o projeto Leitura na Praça com o objetivo de estimular o hábito da leitura em crianças com pouco acesso a livros e bibliotecas (https:// portalcbncampinas.com.br/2016/09/projeto-social-promove- leitura-e-distribuicao-gratuita-de-livros-em-cinco-pracas-de- campinas/). O programa Leitura na Praça, coordenado pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci) em parceria com as secretarias da Cultura (Secultfor) e da Gestão Regional (Seger), acontece nos quiosques instalados em praças distribuídas pelas 12 Secretarias Regionais de Fortaleza. (https://www.fortaleza.ce.gov.br/ noticias/programa-leitura-na-praca-e-retomado-nesta-terca- feira-31-08). Vai para o trabalho? Curta uma boa leitura. Projeto Leitura em Movimento atende quarenta bairros na periferia de Campinas (https://alb.org.br/arquivo-morto/edicoes_ anteriores/anais16/sem02pdf/sm02ss03_01.pdf). O Cultura no Ônibus nasceu de uma iniciativa do Antônio da Conceição, atualmente conhecido como Antônio do Livro, que ainda era cobrador quando deu início ao projeto. O principal objetivo do Cultura no Ônibus é incentivar a leitura, a escrita e o entendimento, de forma gratuita, além de tornar as viagens de ônibus mais prazerosas. (https://www.culturanoonibus.com.br/). https://www.facebook.com/profile.php?id=100067461319199 https://www.facebook.com/profile.php?id=100067461319199 https://museudaimigracao.org.br/eventos/programacao/mediacao-de-leitura https://museudaimigracao.org.br/eventos/programacao/mediacao-de-leitura https://portalcbncampinas.com.br/2016/09/projeto-social-promove-leitura-e-distribuicao-gratuita-de-livros-em-cinco-pracas-de-campinas/ https://portalcbncampinas.com.br/2016/09/projeto-social-promove-leitura-e-distribuicao-gratuita-de-livros-em-cinco-pracas-de-campinas/ https://portalcbncampinas.com.br/2016/09/projeto-social-promove-leitura-e-distribuicao-gratuita-de-livros-em-cinco-pracas-de-campinas/ https://portalcbncampinas.com.br/2016/09/projeto-social-promove-leitura-e-distribuicao-gratuita-de-livros-em-cinco-pracas-de-campinas/ https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/programa-leitura-na-praca-e-retomado-nesta-terca-feira-31-08 https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/programa-leitura-na-praca-e-retomado-nesta-terca-feira-31-08 https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/programa-leitura-na-praca-e-retomado-nesta-terca-feira-31-08 https://www.culturanoonibus.com.br/ 20Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Do inverno ao verão, a leitura é uma boa pedida. Projeto Gelateca: geladeiras viram bibliotecas e estimulam leitura para crianças e adolescentes. A primeira Gelateca foi instalada na comunidade do Pilar, no Recife Antigo. (https:// www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca- geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas- e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20 geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20 geladeira). Projeto Geladeira de Livros em São Paulo é a forma de estimular a leitura em espaço público, através do depósito dos livros em geladeiras que não estão sendo mais utilizadas. Tem como propósito incentivar o gosto e o acesso facilitado à leitura, proporcionar meios de cultura e diversão, dando utilidade às geladeiras velhas que estão em desuso nas casas, oficinas ou empresas. (https://www.institutoacervo.org. br/projetos/projeto-geladeira-de-livros/). Como você pode observar,não há limites para a criatividade e para os espaços que podem ser ocupados e ressignificados em projetos de mediação da leitura. Agora que você está cheio de ideias, vamos ver como produzir um projeto? 1.2 Mão na massa: construindo um projeto de mediação de leitura Você está de parabéns, pois conseguiu segurar a ansiedade até nosso gran finale. Todo o percurso nos levou até esse momento: o momento de construir um projeto de mediação. Ideias não devem faltar, mas o segredo do sucesso é o planejamento. Para auxiliar você nessa organização, apresento uma matriz de projeto. Analise e elabore o seu próprio projeto de mediação leitora. https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.brasildefatope.com.br/2022/02/16/projeto-gelateca-geladeiras-viram-bibliotecas-e-estimulam-leitura-para-criancas-e-adolescentes#:~:text=Se%20voc%C3%AA%20tem%20uma%20geladeira,at%C3%A9%20voc%C3%AA%20buscar%20a%20geladeira https://www.institutoacervo.org.br/projetos/projeto-geladeira-de-livros/ https://www.institutoacervo.org.br/projetos/projeto-geladeira-de-livros/ Design da matriz do projeto Perfil do leitor Objetivos Desenvolvimento Estratégias Recursos Período de desenvolvi- mento Avaliação Referenciais Ações Responsáveis Nesta eta- pa, deve-se identificar interesses e vias de acesso do público leitor aos materiais de leitura. Nesta eta- pa, definir os objetivos do projeto. Nesta eta- pa, deve-se descrever o plane- jamento, como por exemplo: desenvol- ver meto- dologias; recursos pedagógi- cos; flexi- bilização/ adapta- ções; e estratégias para atingir os objetivos do projeto de media- ção de lei- tura. Definir os responsá- veis por cada ação e o prazo em que deverão ser realizadas. Nesta etapa, de- fine-se as estratégias para atingir os objetivos do proje- to e para ações de mediação. Descrever todos os recursos que serão usados no desenvolvi- mento do projeto de mediação. Recomen- da-se de- talhar os recursos para cada etapa a ser desenvolvi- da. Crono- grama de desenvolvi- mento do projeto. Descrever os procedi- mentos de avaliação. Sempre re- lacionando aos objeti- vos. Nesta eta- pa, listam- -se todas as obras que serão usadas no projeto de mediação. Fonte: Garcia (2022). 21Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 22Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Como você deve ter percebido, as etapas propostas na matriz do projeto dialogam entre si de forma harmônica, no entanto, lembre-se: não há receita mágica quando se trata de elaborar projetos. O planejamento deve ser flexível e, sempre que possível, dialogue com o leitor, pois ele é o ator central de qualquer mediação. Mas, o que você acha de, para encerrar com chave de ouro, simularmos a construção de um projeto de mediação juntos? Gostou da ideia? Vamos começar! Vídeo 7 – Simulando um Projeto de Mediação da Leitura. Fonte: Garcia (2022). https://youtu.be/IGEaUHrwW7Q 23Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Matriz de projeto preenchida Perfil do leitor Objetivos Desenvolvimento Estraté- gias Recursos Período de de- senvol- vimento Avaliação Referenciais Ações Responsáveis Grupo de 7 mulhe- res e 4 homens com idade entre 74 e 85 anos. Alfabetizados. Um deficiente visual. 30% realizam algum tipo de leitura diária. 70% leram um livro completo nos últi- mos dois anos. Todos preferem um livro físico. 80% têm preferência por romances e 20% por poesias. Nenhum participou de projetos de leitu- ra ou clube do livro. 100% gostam de ter mais do que uma opção de livro para seleção. Escolhem a obra pelo seu resumo. 60% compram ou ganham livros que lê e 40% faz a leitura de obras empresta- das por amigos ou recorrem à biblio- teca. Incentivar a regularidade nas práticas de leitura. Promover acessibilida- de da leitura a todos os públicos. Promover o bem-estar mental e a reflexão so- bre o enve- lhecimento na sociedade de hoje. Definir cronogra- ma e espaços. Fazer a seleção de obras a par- tir da temática (envelhecimento na sociedade de hoje). Pesquisar, anali- sar e selecionar recursos para o leitor com defi- ciência visual. Conversa de sensibilização e apresentação do projeto ao públi- co leitor. Desenvolvimento do projeto Avaliação do Pro- jeto por feedback dos participantes Avaliação do Pro- jeto pelo grupo organizador Grupo Orga- nizador. Bibliotecário. Bibliotecário e Grupo Or- ganizador. Bibliotecário. Bibliotecário. Grupo Orga- nizador. Grupo Orga- nizador. Roda de leitura. Seminá- rios de leitura. Conversa com pro- fissionais de outras áreas sobre o tema: geriatras, psicólo- gos. Sala com cadeiras e mesas confortá- veis. Obras se- lecionadas para leitu- ra. Mural em diferentes espaços para avisos e comuni- cação com os leitores. Obras em Braille ou dispositi- vo digital com leitor de tela ou audiobook. Profissio- nais convi- dados para discutir a temática. Março a dezem- bro do ano cor- rente. Questio- nário de feedback do leitor que pode ser apli- cado em diferentes etapas do projeto. Para sempre Alice (Lisa Ge- nova). Uma lição de vida (Meir Schneider). Conversas e Memórias – Narrativas do Envelhecer (Gonçalves de Luiz de Melo e Adriana Rodri- gues). Velhos são os outros (An- drea Pachá). Vó (Jean Gal- vão). A máquina de fazer espa- nhóis (Valter Hugo Mãe). Cem, o que aprendemos na vida (Heike Faller). Adulta sim, madura nem sempre (au- diobook Ca- mila Fremder) Autoria: Rosangela Garcia (2022). 24Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Lembre-se ... A leitura, como ato social, promove a autonomia do sujeito e sua inserção em distintos âmbitos da sociedade; organiza-se como “um instrumento de poder, porque dá ao sujeito a capacidade de ampliar seus conhecimentos e as suas possibilidades comunicativas, [...] enriquecendo-o e permitindo transformar para transformar a realidade em que está inserido (VITORIO, 2007, s.p.)”. Tendo como base a interação com o livro, a mediação se materializa como: um acolhimento e permite que aqueles que buscam adentrar o mundo da leitura, façam uso dessa hospitalidade para apoiar-se e dar materialidade a suas buscas e desejos de compreensão da palavra, da vida. Principalmente, para elaborar, construir seu próprio lugar de leitor. (BARBOSA e BARBOSA, 2013, p. 11). Bons Estudos e Sucesso! 25Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências AUDIBLE. Audiolivros grátis. Amazon, n.d. Disponível em: https://www.amazon. com.br/b?ie=UTF8&node=21199071011. Acesso em: set. 2022. BARBOSA, J.B; BARBOSA, M.V. Leitura e mediação: reflexões sobre a formação do professor. 1. ed. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2013. COELHO, C. D.; BORTOLIN, S. A mediação da leitura literária na rede leitora terra das palmeirasde São Luís-MA. Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação, n. XIX ENANCIB, 2018. Disponível em: http://hdl.handle. net/20.500.11959/brapci/102847. Acesso em: set. 2022. DANTAS, T. Aplicativos móveis para praticar a leitura social: análise e avaliação de recursos úteis. Palabra Clave (La Plata), vol. 7, núm. 2, Universidad Nacional de La Plata, 2018. 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Referências Ler e mediar: a leitura na cultura oral e grafocêntrica Unidade 1 – Ler e mediar 1.1 Leitura e Cultura Oral 1.2 Leitura e Cultura Grafocêntricas 1.3 Ler e mediar da infância à fase adulta: o que há para saber? Referências A mediação literária na formação do leitor. Unidade 1 – A mediação literária na formação do leitor 1.1 Competências do mediador 1.2 Leitura e multimodalidade 1.3 Leitura e acessibilidades Referências Construindo projetos de leitura em diferentes espaços. Unidade 1 – Leitura em diferentes espaços 1.1 - Design de projetos e cases 1.2 Mão na massa: construindo um projeto de mediação de leitura Referências Und 27: Txt und 27: Und 28: Txt und 29: