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FACULDADE ESTACIO DE SA DIMILSON VENANCIO DE SOUZA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA 2026 Vila velha es FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ DIMILSON VENANCIO DE SOUZA HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA Trabalho apresentado como requisito obrigatório para conclusão do curso de história licenciatura, no formato de artigo científico, resultante da pesquisa desenvolvida no ano de 2026, sob a orientação do tutor: Fabio Vargas. 2026 VILALHA ES RESUMO A história e cultura afro-brasileira constituem um dos pilares fundamentais da identidade nacional, fruto de séculos de resistência e trocas culturais entre povos de diversas regiões da África (principalmente dos grupos bantos e sudaneses) e a sociedade colonial brasileira. começa com a chegada forçada de africanos escravizados ao Brasil partir do século XVI. Milhões de homens e mulheres foram trazidos de diversas regiões da África, como Angola, Moçambique, Nigéria e Guiné, cada um com suas próprias culturas, línguas e tradições. No Brasil, esses povos foram submetidos à escravidão, mas resistiram e preservaram muitos aspectos de suas culturas, adaptando-os e fundindo-os com elementos indígenas e europeus. palavra-chave: resistência; luta; igualdade; cultural. 1. INTRODUÇAO Grande parcela da população brasileira é formada por negros e pardos; segundo pesquisas, o Brasil é o país com a segunda maior população de origem africana no mundo, ficando atrás apenas da Nigéria. Os africanos trouxeram para o país suas crenças, sua culinária e suas formas de sociabilidade. Todavia, com toda a riqueza da influência das matrizes africanas em nossa cultura, sabemos muito pouco sobre esse continente e sua cultura, assim como a sua contribuição para a cultura brasileira. A força e a influência da cultura que os africanos reconstruíram em terras brasileiras são inegáveis. No entanto, até pouco tempo atrás essas contribuições culturais não eram reconhecidas ou valorizadas; quando eram, remetiam a uma situação de diferença entre negros e brancos, porque eram pensadas em termos raciais. Os livros didáticos, os noticiários dos jornais e outros meios de informação, na sua grande maioria, apresentam um conhecimento simplificado da África, que muitas vezes não permite estabelecer relações com a real importância do continente na construção de nosso país. Com a publicação da Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o trabalho com a temática cultura afro-brasileira e africana, toda a cultura africana passou a ser valorizada, e esse povo reconhecido e valorizado como ser humano; é uma forma de reparar todo o sofrimento que eles passaram ao serem escravizados, discriminados. Este trabalho visa discutir a aplicabilidade da Lei nº 10.639/03 no contexto escolar, a fim de conhecer como se dá essa abordagem e sua importância. (PEREIRA ARAUJO, 2012 P.34) para a valorização da cultura e do respeito à diversidade. Este artigo apresenta inicialmente breve contextualização da história dos africanos no Brasil; em seguida, reflete acerca da Lei nº 10.639/03 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana, documento que embasa a Lei nº 10.639/03 (MATTOS 2007 P.19) ‘’Traços da cultura af ro-brasileira estão presentes hoje na música popular, na literatura, no cinema, no teatro, na televisão, para não mencionar a culinária, o carnaval e várias outras práticas populares. ’’(Mattos regiane,2005 p. 27) A história da chegada do povo afro-brasileiro ao Brasil é marcada pela violência e exploração da escravidão. Diferentemente de uma imigração voluntária, africanos foram trazidos à força para o país ao longo de mais de três séculos, a partir do século XVI. O tráfico negreiro foi um empreendimento lucrativo para a coroa portuguesa e para os comerciantes envolvidos. Navios negreiros zarpavam da Europa carregados de produtos manufaturados, que eram trocados por africanos escravizados na costa da África. Estes, por sua vez, eram trazidos para o Brasil para trabalhar principalmente na lavoura de cana-de-açúcar, na mineração e, posteriormente, nas plantações de café. (SANTOS LOPES,2017 P.37) Os africanos trazidos para o Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos e culturais, cada um com suas próprias línguas, costumes e tradições. Apesar da diversidade, foram submetidos a um sistema escravista que buscava apagar suas identidades e explorar sua força de trabalho. A violência física, psicológica e cultural era uma constante na vida dos escravizados. Vindo de varis regioe da africa como; Angola, Moçambique, Nigéria, Benin, Congo. Apesar da riqueza cultural, a população afro-brasileira enfrenta desafios persistentes, como o racismo, a desigualdade social e a discriminação. A análise dos dados revela a importância da luta por igualdade e justiça, bem como a necessidade de valorizar e preservar a memória e a história afrobrasileira. A resistência cultural e a busca por reconhecimento são marcas da trajetória afro- brasileira. Através da arte, da música, da religião e da luta política, a comunidade afrodescendente tem reafirmado sua identidade e contribuído para a construção de um Brasil mais justo e igualitário. A resistência à escravidão foi uma constante na história afro-brasileira. (SANTOS LOPES, 2017) Os quilombos, comunidades formadas por escravos fugidos, como o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, foram símbolos de luta e liberdade. Além da resistência, os africanos e seus descendentes contribuíram significativamente para a formação da cultura brasileira em diversas áreas: Religião Desafios e Resistência O candomblé e a umbanda são religiões afro-brasileiras que sincretizam elementos africanos e católicos. O samba, o maracatu, o jongo e a capoeira são expressões culturais afro- brasileiras que influenciaram a música e a dança do Brasil. A culinária afro-brasileira é rica e diversificada, com pratos como a feijoada, o acarajé, o vatapá e o caruru. Introduziu ingredientes como o azeite de dendê, leite de coco, quiabo e feijão-fradinho. Pratos icônicos incluem o acarajé, vatapá, caruru e a própria feijoada (adaptada pelos escravizados). (SANTOS LOPES, 2017) Principais Áreas de Influência A culinária afro-brasileira é rica em sabores e ingredientes, transmitida de geração em geração. As religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, preservam rituais e crenças ancestrais. A música afro-brasileira é um elemento essencial da cultura nacional, com ritmos e danças que expressam a história e a identidade do povo afrodescendente. A influência na linguagem é notável, com diversas palavras de origem africana incorporadas ao português brasileiro. Palavras de origem africana no vocabulário cotidiano. O vocabulário brasileiro cotidiano é amplamente influenciado por línguas africanas, principalmente o quimbundo, quicongo e iorubá, com mais de 1.500 palavras incorporadas. Termos Como moleque, caçula, dengo, cafune, fubá, bagunça, moqueca e quitanda fazem parte do nosso dia a dia, herdados da época da escravidão. (PEREIRA araujo,2012p,85) Aqui estão alguns dos exemplos mais comuns, divididos por contexto.relacionamento e sentimentos Dengo (quicongo) manhã, carinho mimo. Cafune (quicongo) carinho feito na cabeça. Moleque (quimbundo) menino garoto. Caçula (quicongo) o filho mais novo. Manhã (quimbundo) choro infantil birra. A influência africana e uma herança cultural e histórica central na formação do português brasileiro, representando resistência e adaptação. Alimentação Fubá (quimbundo) farinha de milho e arroz. Dendê ( Loruba ) azeite extraído de uma palmeira. Moqueca (quimbundo) caldeirada de peixe. Angu (banto) mingau grosso de fubá. Quitanda (quimbundo) local de venda de produto cotidiano e cultura Bagunça (quicongo) desordem, baderna. Muvuca (quimbundo) aglomeração, barulho. Axé ( Loruba) energia positiva, saudação. Ginga (quimbundo) movimento de capoeira ou gingado. Samba (quimbundo) gênero musical. (D`AMORIM 2016) A influência da cultuar afro-brasileira na sociedade A cultura afro-brasileira permeia a sociedade brasileira em todos os níveis desde a arte e a leitura até a política e a economia. A luta por igualdade racial e o reconhecimento da contribuição dos afrodescendentes para construção do país, são temas cada vez mais presentes no debate público. A valorização da cultura afro-brasileira e fundamental para a construção da uma sociedade mais justa e igualitária. (SANTOS Lopes,2017p112) Importância Social O estudo dessa temática busca desconstruir visões eurocêntricas e estereotipadas, valorizando os negros brasileiros como descendentes de civilizações que desenvolveram ciência, agricultura e artes complexas muito antes da colonização. A cultura afro-brasileira é pilar fundamental da identidade nacional, moldando a estrutura social através da resistência, religiosidade, culinária e música. Sua importância social reside na promoção da diversidade, na luta contra o racismo estrutural e na preservação de saberes ancestrais que definem a singularidade brasileira. A importância social do povo afro-brasileiro é estruturante na formação da sociedade brasileira, abrangendo desde a base econômica histórica até a construção da identidade cultural contemporânea. A presença africana é o pilar de diversos aspectos da cultura, religião, culinária, música e artes no país. Originada da adaptaçãodepovos escravizados, a cultura afro-brasileira é um ato de resistência histórica, mantendo vivas tradições (como o candomblé/umbanda) e formas de organização comunitária. Manifestações como samba,maracatu, capoeira e a culinária (aca rajé, feijoada) integram o cotidiano de todo brasileiro, enriquecendo o patrimônio cultural nacional. A Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, fundamental para a conscientização, valorização da ancestralidade e combate à discriminação. Ainfluência é evidentenoportuguêsfalado(palavras como caçula, moleque, dengo) e na valorização da ancestralidade. Avalorização dessaculturaéferramenta no fortalecimento da comunidade negra, promovendo oportunidades e espaços de reflexão contra o racismo, como apontado pela UNESCO. Em suma, a cultura afro-brasileira não é apenas um componente do Brasil, mas a base de sua formação social e de sua identidade plural . No campo das políticas públicas de patrimônio cultural, as referências culturais5 de matriz africana e afro-brasileira sempre foram invisibilizadas. Até pouco tempo, a prática política e institucional de preservação cultural no Brasil, como em outras partes do mundo ocidental, seguiu tendência conservadora. No entanto, aqui essa prática assume maior gravidade tendo em vista os marcadores ideológicos que fundaram as bases da nossa formação social, política, histórica e cultural. O fato é que após 130 anos de pós-abolição, o país ainda não superou as mazelas provocadas pelo sistema escravista associado ao modelo capitalista de expropriação, cujas bases das instituições do Estado foram assentadas sob a lógica do racismo institucional. Desde a década de 1930, a política de preservação criada e institucionalizada opera de forma restrita, limitada e excludente numa sociedade formada pela pluralidade e multiculturalidade. Uma política construída sob a centralidade dos valores civilizatórios europeus e do mundo judaico-cristão em uma conjuntura marcada pela ideologia nacionalista, compartilhada por uma elite intelectual e política, em busca de uma identidade nacional única, a política de preservação cultural brasileira foi consolidada oficialmente sob a ausência das referências culturais dos povos indígenas e africanos escravizados, formadores da sociedade brasileira. Em oitenta anos de existência, o IPHAN tombou em torno de 3836 bens em todo país. O Quadro 1 abaixo mostra que destes, apenas 13 (treze) dizem respeitos à cultura afro-brasileira, o que é muito pouco quando se atesta a participação dos africanos escravizados e seus descendentes, os afro-brasileiros, na formação social e cultural no país. (MATTOS augusto 2007, p97) O uso do termo referência cultural é devido ao fato dele invocar uma compreensão da pluralidade, da descentralização de critérios objetivos e dos sujeitos detentores do bem cultural. Trata-se de uma expressão que considera os sujeitos para os quais essas referências fazem sentido (referências para quem?) e a compreensão da diversidade da produção material, dos sentidos e dos valores atribuídos pelos diferentes sujeitos aos bens e práticas sociais instituídas por eles próprios, segundo. Para esta autora, a aplicação deste conceito faz com que os instrumentos legais de acautelamento precisam ser amparados por políticas específicas de preservação, para a efetivação do patrimônio cultural e a garantia da preservação da cultura. FONSECA; 2012,p56) PATRIMÔNIOS CULTURAIS AFRO-BRASILEIROS TOMBADOS NOMEDO BEMÁREADEABRANGÊNCIA/UFANOMuseu daMagiaNegra Rio de Janeiro - RJ 1938 Serra da Barriga União dos Palmares/AL 1986 Terreiro da Casa Branca Ilê Axé Iyá Nassô Oká Salvador/BA 1986 Terreiro do Axé Opô Afonjá Salvador/BA 2000 Terreiro Casa das Minas Jeje São Luís/MA 2005 Terreiro de Candomblé Ilê Iyá Omim Axé Iamassé (Gantois) Salvador/BA 2005 Terreiro do Alaketo, Ilê MaroiáLáji Salvador/BA 2004 Terreiro de Candomblé do Bate-Folha Salvador/BA 2005 Terreiro de Candomblé Ilê Axé Oxumaré Salvador/BA 2014 Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde (Roça do Ventura) Cachoeira/BA 2015 Terreiro Culto aos ancestrais - Omo Ilê Agbôulá Itaparica/BA 2015 Terreiro Tumba Junsara Salvador/BA 2018 Terreiro Ilê Obá Ogunté Sítio Pai Adão Recife/PE 2018 Fonte: IPHAN, 2018 . O primeiro bem tombado relacionado ao universo religioso dos afro-brasileiros, foi denominado “Museu da Magia Negra” e transformado em patrimônio da cultural nacional pelo IPHAN, no ano de 1938 mostrado no Quadro 1 acima. Foi o primeiro tombamento de caráter etnográfico realizado no país, fato curioso considerando a época marcada pela ideologia do nacionalismo que buscava símbolos que expressassem a nacionalidade a partir dos valores eurocêntricos. Trata-se do tombamento de um acervo ou coleção de peças vinculadas ao universo afro-religioso apreendidas pela Polícia Civil (Seção de Tóxicos e Mistificações) do antigo Distrito Federal, hoje cidade do Rio de Janeiro. Este tombamento é até hoje objeto de polêmica e disputa. tendo em vista a forma como foi realizado que teve início mediante solicitação do chefe da polícia. Foi um equívoco segundo Lima (2012, p. 47), por desconsiderar “as percepções negativas” contra os afro-brasileiros e suas práticas culturais, o tombamento nesse período corrobora ou reifica a “ideologia da satanização e diabolização da arte e da cultura afro- brasileira” (CORRÊA apud LIMA, Op. cit.). Ao analisar o processo de tombamento dessa Coleção, a autora coloca que o mesmo não resulta de uma “„preocupa ção "do Sphan com a cultura negra, massim a preservação do modo como as elites intelectuais, inclusive àquelas associadas à construção do patrimônio nacional pensavam naquele período as práticas religiosas vinculadas a esse universo cultural” (Idem). Mostra ainda que o valor patrimonial atribuído para transformar essas referências em “bem cultural” foi pautada pelo “olhar policial” e não por uma “valorização positiva da cultura negra” (Idem). Podemos dizer esse “olhar policial” é o olhar do Estado em uma época em que os seus órgãos de repressão agiam com base na condenação das práticas religiosas afro-brasileiras proibidas pelo CódigoPenal Republicano de 1890 (Artigo 197), vistas como “espiritismo” e “magia” . Até o nome “Museuda Magia Negra” é infelizmente revelador deste ambiente marcado pelo racismo institucionalizado contra a população negra. Recentemente um movimento da sociedade civil no Rio de Janeiro reivindica a repatriação desses símbolos sagrados ao IPHAN fomentando o debate público para alterar também o nome do museu. No ano passado (2017) esse movimento vem desenvolvendo a campanha #LIBERTE O NOSSO SAGRADO, organizada por lideranças religiosas dos terreiros com apoio de alguns deputados estaduais. O mais interessante no caso do “Museu da Magia Negra” é o fato do seu tombamento ter permanecido invisibilizado durante 40 anos, isto é, fora do catálogo de bens tombados pelo IPHAN até a década de 1980. Em situação inversa ao deste Museu, o tombamento de duas importantes referências para a história e cultura dos afro-brasileiros, a “Serra da Barriga” no estado de Alagoas e o “Terreiro da Casa Branca”, terreiro de candomblé localizado em Salvador, no estado da Bahia, cujo nome original na língua yorubá é Ilé Áṣę Ìyá Nàsó Ǫká, ambos tombados no contexto de democratização do país marcado por um intenso o processo de mobilização política reivindicação histórica dos movimentos sociais negros na busca pelo reconhecimento e valorização da herança africana e símbolos da afirmação da identidade afro-brasileira. Sobre isso, afirma (Nogueira 2008, p. 242) Do movimento da consciência negra, está à radicalização da luta contra qualquer forma de preconceito e discriminação racial, exigindo, com base no direito à diferença, o estudo e a valorização dos aspectos da cultura afro- brasileira (2008nogueira p. 236). Nos dois casos acima, o processo de tombamento foi iniciado por iniciativas dos representantes dos movimentos negros, de grupos locais, de instituições culturais e acadêmicas revelando a apropriação do tombamento por parte da sociedade civil na política de preservação (Idem, p. 243). Porém, especificamente em relação ao Terreiro da Casa Branca, diz Nogueira Simbólico e emblemático, o tombamento do Terreiro Casa Branca representou, antes de tudo, uma vitória política dos grupos envolvidos, tendo em vista a iminente ameaça real de despejo do local. De alguma forma, sugere o começo de uma política de reparos à violência histórica que marcou a comunidade religiosa afro-brasileira, nesse e noutros espaços similares por todo o Brasil, desde o início da Primeira República (Idem, p. 142). PATRIMÔNIOS CULTURAIS AFRO-BRASILEIROS REGISTRADOS NOME DO BEM ÁREA DE ABRANGÊNCIA/UF ANO Samba de Roda do Recôncavo Baiano Recôncavo Baiano 2004 Ofício de Baiana de Acarajé Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo 2005 Jongo do Sudeste Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais 2005 Tambor de Crioula Maranhão 2007 Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e sambaenredo Rio de Janeiro 2007 Ofício dos Mestres de Capoeira Nacional 2008 Roda de Capoeira Nacional 2008 Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão Maranhão 2010 Festa do Senhor Bom Jesus do Bomfim Bahia 2013 Maracutu Nação Pernambuco 2014 Maracatu Baque Solto Pernambuco 2014 Cavalo Marinho Pernambuco 2014 Caboclinho Pernambuco 2016 Dos 41 bens registrados pelo IPHAN a partir da instituição do Registro até 2017 , 13 (treze) são relacionados ao universo cultural afro-brasileiro. O reconhecimento desses bens ocorre mediante a elaboração do inventário para o registro. Nogueira ressalta a importância do inventário e do registro, na medida em que ambos contribuírem para a preservação da diversidade étnica e cultural e na disseminação de informações para todos, sem exceção, o que permite que os procedimentos para o 7 http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Lista_Bens_Registrados_por_esta do_2017.pdf Acesso em 22/09/2018 reconhecimento do bem como patrimônio cultural se torne mais democrático e participativo (Op. cit., p. 247). As etapas para o Registro do Bem a ser registrado pressupõe a identificação, documentação, investigação, preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão (essencialmente por meio da educação formal e não formal) e revitalização do patrimônio imaterial em seus diversos aspectos, em constante construção participativa da comunidade detentora, conforme preconiza o Decreto nº 3.551/2000. Deste modo, um conjunto de medidas se faz necessário para garantir a permanência do bem cultural. (africano brasil 2019) PRESENÇA NEGRA No continente americano, o Brasil foi o país que importou mais escravos africanos. Entre os séculos XVI e meados do XIX, vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro. Uma contabilidade que não é exatamente para ser comemorada. Desembarque estimado de africanos no Brasil - Séculos XVI-XVIII - Períodos 1531- 1575 a 1771-1780 Períodos No período 1531-1575 10000 1576-1600 40000 1601-1625 100000 1626-1650 100000 1651-1670 185000 1676-1700 175000 1701-1710 153700 1711-1720 139000 1721-1730 146300 1731-1740 166100 1741-1750 185100 1751-1760 169400 1761-1770 164600 1771-1780 161300 (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000. Desembarque estimado de africanos no Brasil - Século XVIII e quinquênios de 1781-1785 a 1851-1855 1781-1785 63100 1786-1790 97800 1791-1795 125000 1796-1800 108700 1801-1805 117900 1806-1810 123500 1811-1815 139400 1816-1820 188300 1821-1825 181200 1826-1830 250200 1831-1835 93700 1836-1840 240600 1841-1845 120900 1846-1850 157500 1851-1855 6100 Total 2113900 (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000. Os africanos foram trazidos para trabalhar num dos ramos mais avançados da indústria ocidental no século XVI: a indústria açucareira. A mão-de-obra escrava foi empregada em atividades que exigiam trabalho qualificado, tais como conserto de barris, tinas (tanoeiros), atividades de preparação do açúcar, atividades de ferreiros, etc. Os primeiros africanos chegaram aos engenhos do Recôncavo Baiano, uma das regiões pioneiras no estabelecimento da economia açucareira. O trabalho do negro substituiu o do indígena por várias razões Uma dessas razões, por exemplo, foi por ser a mão-de-obra negra mais qualificada do que a indígena. Outra forte razão, foram os altos lucros que o tráfico de escravos africanos rendia para os comerciantes. O tráfico era, sem dúvida, uma das atividades mais lucrativas do sistema colonial. (Debret, 1839) A partir da segunda metade do século XVI, os africanos foram pouco a pouco substituindo os índios também nos partidos de cana. São as seguintes as razões que explicam essa substituição: declínio da população nativa; sua inexperiência e resistência ao trabalho contínuo na lavoura; o interesse português no tráfico de escravos africanos, tendo em vista a sua lucratividade. No Brasil, o trabalho escravo predominou em quase todosos setores econômicos Além de ser empregado no setor da produção de açúcar, foi utilizado também: na agricultura de abastecimento interno; na criação de gado; nas pequenas manufaturas; no trabalho doméstico; em toda ordem de ocupações urbanas. A seguir, estão alguns exemplos de negros em suas atividades de trabalho, ilustradas nos desenhos do (Barão Von Löwenstern,1836). (Barão Von Löwenstern,1836) Nas cidades, eram os escravos que se encarregavam do transporte de objetos, dejetos e pessoas, além de serem responsáveis por uma considerável parcela da distribuição do alimento que abastecia pequenos e grandes centros urbanos. Escravos vendedores ambulantes e quitandeiros, sobretudo mulheres, povoavam as ruas de Recife, Salvador, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades Era grande a variedade de termos que designavam os grupos negros no Brasil. Entretanto, mesmo confundidos sob uma única denominação étnica, cada africano conservava a sua tradição cultural, ou seja, sabia que "tinha sua terra", como declarou um dos escravos envolvidos na rebelião de 1835 na Bahia. A maioria dessas denominações foram adquiridas no circuito do tráfico, mas com frequência acabaram adotadas e reconstruídas no Brasil pelos próprios escravos. Confira no quadro a baixo alguns dos grupos negros e suas denominações no Brasil. As denominações étnicas, além de não serem as mesmas na África e no Brasil, variavam dentro do próprio país. Os nagôs, jejes, haussás e outros grupos eram identificados como minas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Esses africanos declaravam não só que "tinham sua terra", mas também declaravam saber que viviam em "terra de branco", onde as chances de escapar pacificamente da escravidão, embora existissem, eram poucas. Essa certeza gerou o anseio de liberdade e, em consequência, os movimentos e as tentativas de que assumiram as mais diversas formas (resistência à escravidão) (Jean Baptiste Debret,1839) A história da resistência dos escravos é longa e penosa. As revoltas, em movimentos grandes e pequenos, ou foram planejadas, visando à abolição geral, como nos quilombos, ou foram golpes mais modestos que previam punir um senhor ou feitor mais tirano. Jean Baptiste Debret ilustrou os castigos que eram aplicados aos escravos que cometiam crimes graves, como o roubo, a fuga e os ferimentos em brigas. Fugas As fugas representaram um estilo mais constante de rebeldia, tanto por aqueles que as empreenderam como aventura individual, misturando-se aos negromestiços livres, quanto pelos que se juntaram para formar quilombos. (Jean Baptiste Debret,1839) Quilombos Os quilombos floresceram em grande número, em cada lugar onde a escravidão fincou raízes, fosse no mato, na montanha ou nas vizinhanças de fazendas e vilas, pequenas e grandes cidades. Esta também foi uma forma de revolta, caracterizada pelo fingimento de doenças, o trabalho mal feito e as estratégias de negociação para extrair pequenas vantagens de seus senhores. A longa permanência do negro no Brasil acabou por abrasileirá-lo. De um lado, o africano se tornou ladino e tornou seus filhos crioulos e mestiços de várias espécies: mulato, pardo, cabra, caboclo. A crioulização e a mestiçagem são temas inevitáveis da história do negro no Brasil. De outro lado, raros são os aspectos de nossa cultura que não trazem a marca da cultura africana. O assunto já foi muito tratado por historiadores e antropólogos, que estudaram dos negros a família, a língua, a religião, a música, a dança, a culinária e a arte popular em geral. Confira as parcelas de negros e pardos na tabela abaixo, que representa a distribuição da população brasileira segundo a cor. Evolução da população brasileira, segundo a cor - 1872/1991 (IBGE,2000) INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. C or 1 872 18 90 19 40 19 50 19 60 19 80 19 91 Br ancos 3 787289 63 02198 26. 171.778 32 027661 42 838639 64 540467 75 704927 Pr etos 1 954452 20 97426 60 35869 56 92657 61 16848 70 46906 73 35136 P ardos 4 188737 59 34291 87 44365 13 786742 20 706431 46 233531 62 316064 A marelos 0 0 24 2320 32 9082 48 2848 67 2251 63 0656 S em declaraç ão 0 0 41 983 10 8255 46 604 51 7897 53 4878 To tal 9 930478 14. 333.915 41 236315 51 944397 70 191370 11 9011052 14 6521661 (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: 2000. A partir da segunda metade do século XIX, a população negra e mestiça cresceu, mas não como decorrência de alforrias, e sim devido a um crescimento natural: era gente livre tendo filhos livres. A população livre "de cor", sobretudo os afromestiços, chegou a constituir parcelas expressivas das camadas urbanas. Os escravos africanos e seus descendentes crioulos e mestiços influenciaram em profundidade a formação cultural do País, desde a época em que este era América portuguesa. Raros serão os aspectos de nossa cultura que não tenham sido moldados com a ajuda da mão e da inteligência africanas e afro-brasileiras. Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas. Influência religiosa A pesquisa dos sentimentos religiosos é uma tarefa complexa quando se trata do passado mais remoto, pela dificuldade que se tem de penetrar livremente na alma do crente mais ainda quando este deixou pouco testemunho direto sobre sua fé, como foi o caso do escravo. Observa-se que, ao invés do isolamento, os africanos e seus descendentes aprenderam a conviver e a recrutar para seu universo religioso outros setores da sociedade, até mesmo pessoas livres e brancas. Favoreceu essa convivência a mentalidade comum a ambos os grupos étnicos - brancos e negros - de que a prática religiosa estava voltada para a satisfação de algum desejo material ou ideal. As promessas a santos, pagas com o sacrifício da missa, apresentavam semelhanças com os pedidos feitos aos deuses e espíritos africanos em troca de oferendas de diversos tipos. Mas, nos primeiros séculos de sua existência no Brasil, os africanos não tiveram liberdade para praticar os seus cultos religiosos. No período colonial, a religião negra era vista como arte do Diabo; no Brasil-Império, como desordem pública e atentado contra a civilização. Assim, autoridades coloniais, imperiais e provinciais, senhores, padres e policiais se dividiram entre tolerar e reprimir a prática de seus cultos religiosos. A tolerância com os batuques religiosos, entretanto, devia-se à conveniência política: era mantida mais como um antídoto à ameaça que a sua proibição representava do que por aceitação das diferenças culturais. Outras manifestações culturais negras também foram alvo da repressão. Estão neste caso o samba, revira, capoeira, entrudo e lundu negros. (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (IBGE,2000) Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano, predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Esse ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acessoa certas profissões, as "profissões de branco" (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro. Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afro- brasileira, surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo. O samba e a capoeira Fonte : INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (PRAZERES, heitor,1966) Heitor dos Prazeres nasceu no Rio de Janeiro em 1898 e faleceu em 1966. Cresceu entre o Mangue e a Praça Onze. Foi tipógrafo, sapateiro, alfaiate, marceneiro, e sempre dizia "O meu mestre foi o mundo". Foi compositor e fundador de várias escolas de samba, entre as quais a Mangueira. A partir de 1937 começou a pintar, levando para as telas seu ambiente preferido: o samba, as mulatas, os malandros, as favelas, o trabalho rural. Durante o período da revolução de 30, os próprios núcleos de cultura negra se movimentaram para ganhar espaço. A criação das escolas de samba no final dos anos vinte já representara um passo importante nessa direção. Elas, que durante a República Velha foram sistematicamente afastadas de participação do desfile oficial do carnaval carioca, dominado pelas grandes sociedades carnavalescas, terminaram sendo plenamente aceitas posteriormente. (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA No rastro do samba, a capoeira e as religiões afro-brasileiras também ganharam terreno. Antes considerada atividade de marginais, a capoeira seria alçada a autêntico esporte nacional, para o que muito contribuiu a atuação do baiano Mestre Bimba, criador da chamada capoeira regional. Tal como os sambistas alojaram o samba em "escolas", Bimba abrigaria a capoeira em "academias", que aos poucos passaram a ser frequentadas pelos filhos da classe média baiana, inclusive muitos estudantes universitários. CONSIDERAÇOES FINAL Mais do que escolher um tema, realizar uma pesquisa, defender uma dissertação e assim almejar um tão sonhado título de graduaçao, esse trabalho significa um trilhar de caminhos em busca de mudanças sociais. Trata-se de uma contribuição para um mundo melhor. Um sonho? Uma utopia? Não sei! Sei apenas que acredito que tudo pode mudar, é preciso continuar a trilhar os caminhos propostos nas lutas. O objetivo deste trabalho foi analisar práticas pedagógicas/educativas escolares antirracistas, a partir dos objetivos propostos pela Lei 10.639/03. Tal legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases tornando obrigatória a inclusão do ensino de História da África e da Cultura Afro- Brasileira nos currículos dos estabelecimentos escolares, públicos e privados. Este objetivo é o principal e se justifica mediante a importância dada à escola enquanto uma instituição que tanto pode reforçar estereótipos racistas como pode colaborar para a desconstrução dos mesmos. Historicamente a escola tem exercido, infelizmente, o primeiro papel. Com isso, inúmeras pesquisas e dados nos mostram que a população negra tem sofrido com diversos mecanismos capazes de eliminar, furtar seus direitos enquanto seres humanos. Na escola, as crianças negras são as maiores vítimas da exclusão, que resulta na evasão, em níveis baixos de aprendizagem, na formação de baixa autoestima, entre outras questões. Há muitos anos, portanto, grupos e movimentos negros vêm se reunindo e buscando enumerar maneiras de se reverter tal situação. No campo educacional, muitas dessas lutas pleitearam e viabilizaram as políticas de ações afirmativas, voltadas para a reparação e criação de programas orientados a um tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens criadas e mantidas pela estrutura social excludente e discriminatória. Uma dessas políticas possibilitou a implantação da Lei acima já citada. Considerando que mudanças estruturais ocorrem, mesmo que lentamente, a intenção deste trabalho foi perceber de que maneira a implementação poderia/estava ocorrendo. Diante do interesse de pesquisa e da revisão teórica delineada, o problema que formulamos para iniciar o estudo foi: Como se dão as 145 práticas educativas no interior de uma escola pública que pretende efetivar o Ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira? A partir desta problemática principal, desenharam-se questões que pautaram o processo de escolhas metodológicas e conduziram nosso olhar no campo. Relembrando: - A escola apresenta em seu Projeto Político Pedagógico uma preocupação com o desenvolvimento de práticas sobre relações étnico-raciais? - Existem atividades que visem a desconstrução de possíveis estereótipos sobre o negro, a história africana no Brasil, os problemas vividos pelos negros atualmente devido às práticas discriminatórias? - As atividades são realizadas de maneira isolada ou perpassam diversos momentos, promovendo interdisciplinaridade? - As/os estudantes traduzem no cotidiano a sensibilização para o convívio com as diferenças (focando nas étnico - raciais)? - As atividades realizadas favorecem que as crianças questionem suas próprias identidades étnico-raciais? - O diálogo intercultural é estimulado? Como? A metodologia se baseou em análise de documentos, em especial o Projeto Político Pedagógico da unidade escolar em foco, observações nos espaços da escola (pátio, refeitório, sala de leitura, salas de aula) enfatizando as atividades pedagógicas propostas aos alunos e entrevistas semi-estruturadas com a diretora geral, a diretora adjunta, a orientadora pedagógica e sete professoras regentes de sala de aula. A pesquisa de campo propiciou inúmeros momentos de reflexão sobre os dados. As aulas observadas, as conversas informais entre e com alunos/as e professoras, as idas à Secretaria de Educação, as participações nos encontros de capacitação de professores para a temática racial somente fizeram enriquecer as discussões aqui apresentadas. Nesse sentido, tentamos responder as questões acima apresentadas, as quais chamamos de "resultados": - A escola apresenta em seu Projeto Político Pedagógica a questão da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira, o que a princípio, demonstra a preocupação da equipe pedagógica com a inserção da temática enquanto algo que atravesse as demais as práticas da unidade escolar. A temática é inserida enquanto 146 uma disciplina, na grade curricular. Segundo os depoimentos recolhidos com as entrevistas este fato não congela a temática a meros conteúdos curriculares, apenas impõe que a prática deve acontecer, como de fato acontece. Ainda segundo as professoras, tal questão já está tão presente nas práticas pedagógicas que conseguem articular com as outras disciplinas e até trabalhá-la mais de uma vez na semana, sem imposições. - A literatura é um caminho possível para uma educação antirracista, visto que promove o fortalecimento de identidades com enredos africanos ou afrobrasileiros e apresenta personagens negros e negras com os quais as crianças se identificam e podem estabelecer vínculos diferentes dos que estabelecem com outras literaturas. Por isso, refletem no empoderamento dos/as alunos/as enquanto sujeitos de direitos e histórias. REFERENCIAS 1 PEREIRA, Araujo, Amílcar. Ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas. Ed padrão. 2012 Rio de janeiro: pallas,290. 2 MATTOS,egiane.História e cultura afro-brasileira. Ed1.2009 sao paulo sp. 3 SANTOS, ynae lopes. história da africa e do brasil. Ed pallas 2017. 4 D´AMORIM, Eduardo. africa e brasil historia e cultura. Ed 2016 . 5 BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabeleceas diretrizes : http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. 6 HENRIQUE, Ricardo. Raça e gênero nos sistemas de ensino: os limites do universalismo. Brasília: Unesco, 2002. 7 HERNÁNDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à História Contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2008. 8 LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da Metodologia Científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. 9 SILVA, Petronilha B. G. Diversidade étnico-cultural e currículos escolares. Caderno Cedes, São Paulo, nº 32, 1993. 10 IBGE,2000 Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.