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FACULDADE ESTACIO DE SA 
 
 
 
 
 
 
 DIMILSON VENANCIO DE SOUZA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2026 
 Vila velha es 
 FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ 
 
 
 DIMILSON VENANCIO DE SOUZA 
 
 
 HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA 
 
 Trabalho apresentado como requisito 
obrigatório para conclusão do curso de história 
licenciatura, no formato de artigo científico, 
resultante da pesquisa desenvolvida no ano de 
2026, sob a orientação do tutor: Fabio Vargas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2026 
 
 VILALHA ES 
 
 
 
RESUMO 
 
A história e cultura afro-brasileira constituem um dos pilares fundamentais da 
identidade nacional, fruto de séculos de resistência e trocas culturais entre povos de 
diversas regiões da África (principalmente dos grupos bantos e sudaneses) e a sociedade 
colonial brasileira. começa com a chegada forçada de africanos escravizados ao Brasil 
partir do século XVI. Milhões de homens e mulheres foram trazidos de diversas regiões 
da África, como Angola, Moçambique, Nigéria e Guiné, cada um com suas próprias 
culturas, línguas e tradições. No Brasil, esses povos foram submetidos à escravidão, 
mas resistiram e preservaram muitos aspectos de suas culturas, adaptando-os e 
fundindo-os com elementos indígenas e europeus. 
palavra-chave: resistência; luta; igualdade; cultural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇAO 
 
 Grande parcela da população brasileira é formada por negros e pardos; segundo 
pesquisas, o Brasil é o país com a segunda maior população de origem africana no 
mundo, ficando atrás apenas da Nigéria. Os africanos trouxeram para o país suas 
crenças, sua culinária e suas formas de sociabilidade. Todavia, com toda a riqueza da 
influência das matrizes africanas em nossa cultura, sabemos muito pouco sobre esse 
continente e sua cultura, assim como a sua contribuição para a cultura brasileira. A força 
e a influência da cultura que os africanos reconstruíram em terras brasileiras são 
inegáveis. No entanto, até pouco tempo atrás essas contribuições culturais não eram 
reconhecidas ou valorizadas; quando eram, remetiam a uma situação de diferença entre 
negros e brancos, porque eram pensadas em termos raciais. Os livros didáticos, os 
noticiários dos jornais e outros meios de informação, na sua grande maioria, apresentam 
um conhecimento simplificado da África, que muitas vezes não permite estabelecer 
relações com a real importância do continente na construção de nosso país. Com a 
publicação da Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o trabalho com a temática cultura 
afro-brasileira e africana, toda a cultura africana passou a ser valorizada, e esse povo 
reconhecido e valorizado como ser humano; é uma forma de reparar todo o sofrimento 
que eles passaram ao serem escravizados, discriminados. Este trabalho visa discutir a 
aplicabilidade da Lei nº 10.639/03 no contexto escolar, a fim de conhecer como se dá 
essa abordagem e sua importância. 
(PEREIRA ARAUJO, 2012 P.34) 
para a valorização da cultura e do respeito à diversidade. Este artigo apresenta 
inicialmente breve contextualização da história dos africanos no Brasil; em seguida, 
reflete acerca da Lei nº 10.639/03 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
 
 
 
 
Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-
Brasileira e Africana, documento que embasa a Lei nº 10.639/03 
(MATTOS 2007 P.19) 
‘’Traços da cultura af ro-brasileira estão presentes hoje na 
música popular, na literatura, no cinema, no teatro, na 
televisão, para não mencionar a culinária, o carnaval e 
várias outras práticas populares. ’’(Mattos regiane,2005 p. 
27) 
 
A história da chegada do povo afro-brasileiro ao Brasil é marcada pela violência e 
exploração da escravidão. Diferentemente de uma imigração voluntária, africanos foram 
trazidos à força para o país ao longo de mais de três séculos, a partir do século XVI. O 
tráfico negreiro foi um empreendimento lucrativo para a coroa portuguesa e para os 
comerciantes envolvidos. Navios negreiros zarpavam da Europa carregados de produtos 
manufaturados, que eram trocados por africanos escravizados na costa da África. Estes, 
por sua vez, eram trazidos para o Brasil para trabalhar principalmente na lavoura de 
cana-de-açúcar, na mineração e, posteriormente, nas plantações de café. 
 (SANTOS LOPES,2017 P.37) 
Os africanos trazidos para o Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos e 
culturais, cada um com suas próprias línguas, costumes e tradições. Apesar da 
diversidade, foram submetidos a um sistema escravista que buscava apagar suas 
identidades e explorar sua força de trabalho. A violência física, psicológica e cultural era 
uma constante na vida dos escravizados. Vindo de varis regioe da africa como; Angola, 
Moçambique, Nigéria, Benin, Congo. 
Apesar da riqueza cultural, a população afro-brasileira enfrenta desafios 
persistentes, como o racismo, a desigualdade social e a discriminação. A análise dos 
dados revela a importância da luta por igualdade e justiça, bem como a necessidade de 
valorizar e preservar a memória e a história afrobrasileira. 
A resistência cultural e a busca por reconhecimento são marcas da trajetória afro-
brasileira. Através da arte, da música, da religião e da luta política, a comunidade 
afrodescendente tem reafirmado sua identidade e contribuído para a construção de um 
Brasil mais justo e igualitário. A resistência à escravidão foi uma constante na história 
afro-brasileira. 
(SANTOS LOPES, 2017) 
 
 
 
 
Os quilombos, comunidades formadas por escravos fugidos, como o Quilombo 
dos Palmares, liderado por Zumbi, foram símbolos de luta e liberdade. Além da 
resistência, os africanos e seus descendentes contribuíram significativamente para a 
formação da cultura brasileira em diversas áreas: Religião Desafios e Resistência O 
candomblé e a umbanda são religiões afro-brasileiras que sincretizam elementos 
africanos e católicos. 
O samba, o maracatu, o jongo e a capoeira são expressões culturais afro-
brasileiras que influenciaram a música e a dança do Brasil. A culinária afro-brasileira é 
rica e diversificada, com pratos como a feijoada, o acarajé, o vatapá e o caruru. 
Introduziu ingredientes como o azeite de dendê, leite de coco, quiabo e feijão-fradinho. 
Pratos icônicos incluem o acarajé, vatapá, caruru e a própria feijoada (adaptada pelos 
escravizados). 
(SANTOS LOPES, 2017) 
 
Principais Áreas de Influência 
A culinária afro-brasileira é rica em sabores e ingredientes, transmitida de 
geração em geração. As religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, 
preservam rituais e crenças ancestrais. A música afro-brasileira é um elemento 
essencial da cultura nacional, com ritmos e danças que expressam a história e a 
identidade do povo afrodescendente. A influência na linguagem é notável, com diversas 
palavras de origem africana incorporadas ao português brasileiro. 
Palavras de origem africana no vocabulário cotidiano. O vocabulário brasileiro 
cotidiano é amplamente influenciado por línguas africanas, principalmente o 
quimbundo, quicongo e iorubá, com mais de 1.500 palavras incorporadas. Termos Como 
moleque, caçula, dengo, cafune, fubá, bagunça, moqueca e quitanda fazem parte do 
nosso dia a dia, herdados da época da escravidão. 
(PEREIRA araujo,2012p,85) 
 
Aqui estão alguns dos exemplos mais comuns, divididos por contexto.relacionamento e sentimentos Dengo (quicongo) manhã, carinho mimo. Cafune 
(quicongo) carinho feito na cabeça. Moleque (quimbundo) menino garoto. Caçula 
 
 
 
 
(quicongo) o filho mais novo. Manhã (quimbundo) choro infantil birra. A influência 
africana e uma herança cultural e histórica central na formação do português brasileiro, 
representando resistência e adaptação. 
Alimentação Fubá (quimbundo) farinha de milho e arroz. Dendê ( Loruba ) azeite 
extraído de uma palmeira. Moqueca (quimbundo) caldeirada de peixe. Angu (banto) 
mingau grosso de fubá. Quitanda (quimbundo) local de venda de produto cotidiano e 
cultura Bagunça (quicongo) desordem, baderna. Muvuca (quimbundo) aglomeração, 
barulho. Axé ( Loruba) energia positiva, saudação. Ginga (quimbundo) movimento de 
capoeira ou gingado. Samba (quimbundo) gênero musical. 
(D`AMORIM 2016) 
A influência da cultuar afro-brasileira na sociedade A cultura afro-brasileira 
permeia a sociedade brasileira em todos os níveis desde a arte e a leitura até a política e 
a economia. A luta por igualdade racial e o reconhecimento da contribuição dos 
afrodescendentes para construção do país, são temas cada vez mais presentes no 
debate público. A valorização da cultura afro-brasileira e fundamental para a construção 
da uma sociedade mais justa e igualitária. 
(SANTOS Lopes,2017p112) 
Importância Social 
O estudo dessa temática busca desconstruir visões eurocêntricas e 
estereotipadas, valorizando os negros brasileiros como descendentes de civilizações 
que desenvolveram ciência, agricultura e artes complexas muito antes da colonização. 
A cultura afro-brasileira é pilar fundamental da identidade nacional, moldando a 
estrutura social através da resistência, religiosidade, culinária e música. Sua 
importância social reside na promoção da diversidade, na luta contra o racismo 
estrutural e na preservação de saberes ancestrais que definem a singularidade 
brasileira. A importância social do povo afro-brasileiro é estruturante na formação da 
sociedade brasileira, abrangendo desde a base econômica histórica até a construção da 
identidade cultural contemporânea. A presença africana é o pilar de diversos aspectos 
da cultura, religião, culinária, música e artes no país. Originada da adaptaçãodepovos 
escravizados, a cultura afro-brasileira é um ato de resistência histórica, mantendo vivas 
tradições (como o candomblé/umbanda) e formas de organização comunitária. 
Manifestações como samba,maracatu, capoeira e a culinária (aca rajé, feijoada) 
 
 
 
 
integram o cotidiano de todo brasileiro, enriquecendo o patrimônio cultural nacional. A 
Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, 
fundamental para a conscientização, valorização da ancestralidade e combate à 
discriminação. Ainfluência é evidentenoportuguêsfalado(palavras como caçula, 
moleque, dengo) e na valorização da ancestralidade. Avalorização 
dessaculturaéferramenta no fortalecimento da comunidade negra, promovendo 
oportunidades e espaços de reflexão contra o racismo, como apontado pela UNESCO. 
Em suma, a cultura afro-brasileira não é apenas um componente do Brasil, mas a base 
de sua formação social e de sua identidade plural . 
 
No campo das políticas públicas de patrimônio cultural, as referências culturais5 
de matriz africana e afro-brasileira sempre foram invisibilizadas. Até pouco tempo, a 
prática política e institucional de preservação cultural no Brasil, como em outras partes 
do mundo ocidental, seguiu tendência conservadora. No entanto, aqui essa prática 
assume maior gravidade tendo em vista os marcadores ideológicos que fundaram as 
bases da nossa formação social, política, histórica e cultural. O fato é que após 130 anos 
de pós-abolição, o país ainda não superou as mazelas provocadas pelo sistema 
escravista associado ao modelo capitalista de expropriação, cujas bases das 
instituições do Estado foram assentadas sob a lógica do racismo institucional. Desde a 
década de 1930, a política de preservação criada e institucionalizada opera de forma 
restrita, limitada e excludente numa sociedade formada pela pluralidade e 
multiculturalidade. Uma política construída sob a centralidade dos valores civilizatórios 
europeus e do mundo judaico-cristão em uma conjuntura marcada pela ideologia 
nacionalista, compartilhada por uma elite intelectual e política, em busca de uma 
identidade nacional única, a política de preservação cultural brasileira foi consolidada 
oficialmente sob a ausência das referências culturais dos povos indígenas e africanos 
escravizados, formadores da sociedade brasileira. Em oitenta anos de existência, o 
IPHAN tombou em torno de 3836 bens em todo país. O Quadro 1 abaixo mostra que 
destes, apenas 13 (treze) dizem respeitos à cultura afro-brasileira, o que é muito pouco 
quando se atesta a participação dos africanos escravizados e seus descendentes, os 
afro-brasileiros, na formação social e cultural no país. 
 
 
 
 
(MATTOS augusto 2007, p97) 
 
O uso do termo referência cultural é devido 
ao fato dele invocar uma compreensão da 
pluralidade, da descentralização de critérios 
objetivos e dos sujeitos detentores do bem 
cultural. Trata-se de uma expressão que 
considera os sujeitos para os quais essas 
referências fazem sentido (referências para 
quem?) e a compreensão da diversidade da 
produção material, dos sentidos e dos valores 
atribuídos pelos diferentes sujeitos aos bens e 
práticas sociais instituídas por eles próprios, 
segundo. Para esta autora, a aplicação deste 
conceito faz com que os instrumentos legais de 
acautelamento precisam ser amparados por 
políticas específicas de preservação, para a 
efetivação do patrimônio cultural e a garantia da 
preservação da cultura. 
FONSECA; 2012,p56) 
 
 
 
 
PATRIMÔNIOS CULTURAIS AFRO-BRASILEIROS TOMBADOS NOMEDO 
BEMÁREADEABRANGÊNCIA/UFANOMuseu daMagiaNegra Rio de Janeiro - RJ 1938 Serra 
da Barriga União dos Palmares/AL 1986 Terreiro da Casa Branca Ilê Axé Iyá Nassô Oká 
Salvador/BA 1986 Terreiro do Axé Opô Afonjá Salvador/BA 2000 Terreiro Casa das Minas 
Jeje São Luís/MA 2005 Terreiro de Candomblé Ilê Iyá Omim Axé Iamassé (Gantois) 
Salvador/BA 2005 Terreiro do Alaketo, Ilê MaroiáLáji Salvador/BA 2004 Terreiro de 
Candomblé do Bate-Folha Salvador/BA 2005 Terreiro de Candomblé Ilê Axé Oxumaré 
Salvador/BA 2014 Terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde (Roça do Ventura) 
Cachoeira/BA 2015 Terreiro Culto aos ancestrais - Omo Ilê Agbôulá Itaparica/BA 2015 
Terreiro Tumba Junsara Salvador/BA 2018 Terreiro Ilê Obá Ogunté Sítio Pai Adão 
Recife/PE 2018 Fonte: IPHAN, 2018 . 
O primeiro bem tombado relacionado ao universo religioso dos afro-brasileiros, 
foi denominado “Museu da Magia Negra” e transformado em patrimônio da cultural 
nacional pelo IPHAN, no ano de 1938 mostrado no Quadro 1 acima. Foi o primeiro 
 
 
 
 
tombamento de caráter etnográfico realizado no país, fato curioso considerando a época 
marcada pela ideologia do nacionalismo que buscava símbolos que expressassem a 
nacionalidade a partir dos valores eurocêntricos. Trata-se do tombamento de um acervo 
ou coleção de peças vinculadas ao universo afro-religioso apreendidas pela Polícia Civil 
(Seção de Tóxicos e Mistificações) do antigo Distrito Federal, hoje cidade do Rio de 
Janeiro. Este tombamento é até hoje objeto de polêmica e disputa. tendo em vista a 
forma como foi realizado que teve início mediante solicitação do chefe da polícia. Foi um 
equívoco segundo Lima (2012, p. 47), por desconsiderar “as percepções negativas” 
contra os afro-brasileiros e suas práticas culturais, o tombamento nesse período 
corrobora ou reifica a “ideologia da satanização e diabolização da arte e da cultura afro-
brasileira” (CORRÊA apud LIMA, Op. cit.). Ao analisar o processo de tombamento dessa 
Coleção, a autora coloca que o mesmo não resulta de uma “„preocupa ção "do Sphan 
com a cultura negra, massim a preservação do modo como as elites intelectuais, 
inclusive àquelas associadas à construção do patrimônio nacional pensavam naquele 
período as práticas religiosas vinculadas a esse universo cultural” (Idem). Mostra ainda 
que o valor patrimonial atribuído para transformar essas referências em “bem cultural” 
foi pautada pelo “olhar policial” e não por uma “valorização positiva da cultura negra” 
(Idem). Podemos dizer esse “olhar policial” é o olhar do Estado em uma época em que 
os seus órgãos de repressão agiam com base na condenação das práticas religiosas 
afro-brasileiras proibidas pelo CódigoPenal Republicano de 1890 (Artigo 197), vistas 
como “espiritismo” e “magia” . Até o nome “Museuda Magia Negra” é infelizmente 
revelador deste ambiente marcado pelo racismo institucionalizado contra a população 
negra. Recentemente um movimento da sociedade civil no Rio de Janeiro reivindica a 
repatriação desses símbolos sagrados ao IPHAN fomentando o debate público para 
alterar também o nome do museu. No ano passado (2017) esse movimento vem 
desenvolvendo a campanha #LIBERTE O NOSSO SAGRADO, organizada por lideranças 
religiosas dos terreiros com apoio de alguns deputados estaduais. O mais interessante 
no caso do “Museu da Magia Negra” é o fato do seu tombamento ter permanecido 
invisibilizado durante 40 anos, isto é, fora do catálogo de bens tombados pelo IPHAN até 
a década de 1980. Em situação inversa ao deste Museu, o tombamento de duas 
importantes referências para a história e cultura dos afro-brasileiros, a “Serra da Barriga” 
 
 
 
 
no estado de Alagoas e o “Terreiro da Casa Branca”, terreiro de candomblé localizado 
em Salvador, no estado da Bahia, cujo nome original na língua yorubá é Ilé Áṣę Ìyá Nàsó 
Ǫká, ambos tombados no contexto de democratização do país marcado por um intenso 
o processo de mobilização política reivindicação histórica dos movimentos sociais 
negros na busca pelo reconhecimento e valorização da herança africana e símbolos da 
afirmação da identidade afro-brasileira. Sobre isso, afirma 
 (Nogueira 2008, p. 242) 
 
 
Do movimento da consciência negra, está 
à radicalização da luta contra qualquer forma de 
preconceito e discriminação racial, exigindo, com 
base no direito à diferença, o estudo e a 
valorização dos aspectos da cultura afro-
brasileira (2008nogueira p. 236). 
 
 
Nos dois casos acima, o processo de tombamento foi iniciado por iniciativas dos 
representantes dos movimentos negros, de grupos locais, de instituições culturais e 
acadêmicas revelando a apropriação do tombamento por parte da sociedade civil na 
política de preservação (Idem, p. 243). 
Porém, especificamente em relação ao Terreiro da Casa Branca, diz Nogueira 
Simbólico e emblemático, o tombamento do Terreiro Casa Branca representou, antes de 
tudo, uma vitória política dos grupos envolvidos, tendo em vista a iminente ameaça real 
de despejo do local. De alguma forma, sugere o começo de uma política de reparos à 
violência histórica que marcou a comunidade religiosa afro-brasileira, nesse e noutros 
espaços similares por todo o Brasil, desde o início da Primeira República (Idem, p. 142). 
PATRIMÔNIOS CULTURAIS AFRO-BRASILEIROS REGISTRADOS NOME DO BEM 
ÁREA DE ABRANGÊNCIA/UF ANO Samba de Roda do Recôncavo Baiano Recôncavo 
Baiano 2004 Ofício de Baiana de Acarajé Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito 
Federal, São Paulo 2005 Jongo do Sudeste Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, 
Minas Gerais 2005 Tambor de Crioula Maranhão 2007 Matrizes do Samba no Rio de 
Janeiro: partido alto, samba de terreiro e sambaenredo Rio de Janeiro 2007 Ofício dos 
Mestres de Capoeira Nacional 2008 Roda de Capoeira Nacional 2008 Complexo Cultural 
 
 
 
 
do Bumba-meu-boi do Maranhão Maranhão 2010 Festa do Senhor Bom Jesus do Bomfim 
Bahia 2013 Maracutu Nação Pernambuco 2014 Maracatu Baque Solto Pernambuco 2014 
Cavalo Marinho Pernambuco 2014 Caboclinho Pernambuco 2016 Dos 41 bens 
registrados pelo IPHAN a partir da instituição do Registro até 2017 , 13 (treze) são 
relacionados ao universo cultural afro-brasileiro. O reconhecimento desses bens ocorre 
mediante a elaboração do inventário para o registro. Nogueira ressalta a importância do 
inventário e do registro, na medida em que ambos contribuírem para a preservação da 
diversidade étnica e cultural e na disseminação de informações para todos, sem 
exceção, o que permite que os procedimentos para o 7 
http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Lista_Bens_Registrados_por_esta
do_2017.pdf Acesso em 22/09/2018 reconhecimento do bem como patrimônio cultural 
se torne mais democrático e participativo (Op. cit., p. 247). As etapas para o Registro do 
Bem a ser registrado pressupõe a identificação, documentação, investigação, 
preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão (essencialmente por meio 
da educação formal e não formal) e revitalização do patrimônio imaterial em seus 
diversos aspectos, em constante construção participativa da comunidade detentora, 
conforme preconiza o Decreto nº 3.551/2000. Deste modo, um conjunto de medidas se 
faz necessário para garantir a permanência do bem cultural. 
(africano brasil 2019) 
 
 
 
 
PRESENÇA NEGRA 
No continente americano, o Brasil foi o país que importou mais escravos 
africanos. Entre os séculos XVI e meados do XIX, vieram cerca de 4 milhões de homens, 
mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro. Uma 
contabilidade que não é exatamente para ser comemorada. 
Desembarque estimado de africanos no Brasil - Séculos XVI-XVIII - Períodos 1531-
1575 a 1771-1780 
Períodos No período 
 
 
 
 
1531-1575 10000 
1576-1600 40000 
1601-1625 100000 
1626-1650 100000 
1651-1670 185000 
1676-1700 175000 
1701-1710 153700 
1711-1720 139000 
1721-1730 146300 
1731-1740 166100 
1741-1750 185100 
1751-1760 169400 
1761-1770 164600 
1771-1780 161300 
(IBGE,2000) 
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. 
Rio de Janeiro, 2000. 
Desembarque estimado de africanos no Brasil - Século XVIII e quinquênios de 
1781-1785 a 1851-1855 
 
1781-1785 63100 
1786-1790 97800 
1791-1795 125000 
1796-1800 108700 
1801-1805 117900 
1806-1810 123500 
 
 
 
 
1811-1815 139400 
1816-1820 188300 
1821-1825 181200 
1826-1830 250200 
1831-1835 93700 
1836-1840 240600 
1841-1845 120900 
1846-1850 157500 
1851-1855 6100 
Total 2113900 
(IBGE,2000) 
 
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. 
Rio de Janeiro, 2000. 
 
Os africanos foram trazidos para trabalhar num dos ramos mais avançados da 
indústria ocidental no século XVI: a indústria açucareira. 
A mão-de-obra escrava foi empregada em atividades que exigiam trabalho 
qualificado, tais como conserto de barris, tinas (tanoeiros), atividades de preparação do 
açúcar, atividades de ferreiros, etc. 
Os primeiros africanos chegaram aos engenhos do Recôncavo Baiano, uma das 
regiões pioneiras no estabelecimento da economia açucareira. 
O trabalho do negro substituiu o do indígena por várias razões 
 
Uma dessas razões, por exemplo, foi por ser a mão-de-obra negra mais 
qualificada do que a indígena. Outra forte razão, foram os altos lucros que o tráfico de 
escravos africanos rendia para os comerciantes. O tráfico era, sem dúvida, uma das 
atividades mais lucrativas do sistema colonial. 
 
 
 
 
 
 
(Debret, 1839) 
 
A partir da segunda metade do século XVI, os africanos foram pouco a pouco 
substituindo os índios também nos partidos de cana. São as seguintes as razões que 
explicam essa substituição: 
declínio da população nativa; 
sua inexperiência e resistência ao trabalho contínuo na lavoura; 
o interesse português no tráfico de escravos africanos, tendo em vista a sua 
lucratividade. 
No Brasil, o trabalho escravo predominou em quase todosos setores econômicos 
 
Além de ser empregado no setor da produção de açúcar, foi utilizado também: 
na agricultura de abastecimento interno; 
na criação de gado; 
nas pequenas manufaturas; 
no trabalho doméstico; 
em toda ordem de ocupações urbanas. 
 
 
 
 
A seguir, estão alguns exemplos de negros em suas atividades de trabalho, 
ilustradas nos desenhos do (Barão Von Löwenstern,1836). 
 
(Barão Von Löwenstern,1836) 
Nas cidades, eram os escravos que se encarregavam do transporte de objetos, 
dejetos e pessoas, além de serem responsáveis por uma considerável parcela da 
distribuição do alimento que abastecia pequenos e grandes centros urbanos. Escravos 
vendedores ambulantes e quitandeiros, sobretudo mulheres, povoavam as ruas de 
Recife, Salvador, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades 
Era grande a variedade de termos que designavam os grupos negros no Brasil. 
Entretanto, mesmo confundidos sob uma única denominação étnica, cada africano 
conservava a sua tradição cultural, ou seja, sabia que "tinha sua terra", como declarou 
um dos escravos envolvidos na rebelião de 1835 na Bahia. 
A maioria dessas denominações foram adquiridas no circuito do tráfico, mas com 
frequência acabaram adotadas e reconstruídas no Brasil pelos próprios escravos. 
 
 
 
 
Confira no quadro a baixo alguns dos grupos negros e suas denominações no 
Brasil. 
As denominações étnicas, além de não serem as mesmas na África e no Brasil, 
variavam dentro do próprio país. Os nagôs, jejes, haussás e outros grupos eram 
identificados como minas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do 
Sul. 
Esses africanos declaravam não só que "tinham sua terra", mas também 
declaravam saber que viviam em "terra de branco", onde as chances de escapar 
pacificamente da escravidão, embora existissem, eram poucas. 
Essa certeza gerou o anseio de liberdade e, em consequência, os movimentos e 
as tentativas de que assumiram as mais diversas formas 
(resistência à escravidão) 
 
(Jean Baptiste Debret,1839) 
 
 
 
 
 
A história da resistência dos escravos é longa e penosa. As revoltas, em 
movimentos grandes e pequenos, ou foram planejadas, visando à abolição geral, como 
nos quilombos, ou foram golpes mais modestos que previam punir um senhor ou feitor 
mais tirano. 
 
 
 
 
Jean Baptiste Debret ilustrou os castigos que eram aplicados aos escravos que 
cometiam crimes graves, como o roubo, a fuga e os ferimentos em brigas. 
Fugas 
 
As fugas representaram um estilo mais constante de rebeldia, tanto por aqueles 
que as empreenderam como aventura individual, misturando-se aos negromestiços 
livres, quanto pelos que se juntaram para formar quilombos. 
 
 (Jean Baptiste Debret,1839) 
Quilombos 
 
Os quilombos floresceram em grande número, em cada lugar onde a escravidão 
fincou raízes, fosse no mato, na montanha ou nas vizinhanças de fazendas e vilas, 
pequenas e grandes cidades. 
Esta também foi uma forma de revolta, caracterizada pelo fingimento de doenças, 
o trabalho mal feito e as estratégias de negociação para extrair pequenas vantagens de 
seus senhores. A longa permanência do negro no Brasil acabou por abrasileirá-lo. De um 
lado, o africano se tornou ladino e tornou seus filhos crioulos e mestiços de várias 
espécies: mulato, pardo, cabra, caboclo. A crioulização e a mestiçagem são temas 
inevitáveis da história do negro no Brasil. De outro lado, raros são os aspectos de nossa 
 
 
 
 
cultura que não trazem a marca da cultura africana. O assunto já foi muito tratado por 
historiadores e antropólogos, que estudaram dos negros a família, a língua, a religião, a 
música, a dança, a culinária e a arte popular em geral. Confira as parcelas de negros e 
pardos na tabela abaixo, que representa a distribuição da população brasileira segundo 
a cor. 
Evolução da população brasileira, segundo a cor - 1872/1991 
(IBGE,2000) INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
C
or 
1
872 
18
90 
19
40 
19
50 
19
60 
19
80 
19
91 
Br
ancos 
3
787289 
63
02198 
26.
171.778 
32
027661 
42
838639 
64
540467 
75
704927 
Pr
etos 
1
954452 
20
97426 
60
35869 
56
92657 
61
16848 
70
46906 
73
35136 
P
ardos 
4
188737 
59
34291 
87
44365 
13
786742 
20
706431 
46
233531 
62
316064 
A
marelos 
0 0 
24
2320 
32
9082 
48
2848 
67
2251 
63
0656 
S
em 
declaraç
ão 
0 0 
41
983 
10
8255 
46
604 
51
7897 
53
4878 
To
tal 
9
930478 
14.
333.915 
41
236315 
51
944397 
70
191370 
11
9011052 
14
6521661 
(IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de 
povoamento. Rio de Janeiro: 2000. 
A partir da segunda metade do século XIX, a população negra e mestiça cresceu, 
mas não como decorrência de alforrias, e sim devido a um crescimento natural: era 
gente livre tendo filhos livres. A população livre "de cor", sobretudo os afromestiços, 
chegou a constituir parcelas expressivas das camadas urbanas. 
 
 
 
 
 
Os escravos africanos e seus descendentes crioulos e mestiços influenciaram em 
profundidade a formação cultural do País, desde a época em que este era América 
portuguesa. Raros serão os aspectos de nossa cultura que não tenham sido moldados 
com a ajuda da mão e da inteligência africanas e afro-brasileiras. 
Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar 
da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas. 
Influência religiosa 
 
A pesquisa dos sentimentos religiosos é uma tarefa complexa quando se trata do 
passado mais remoto, pela dificuldade que se tem de penetrar livremente na alma do 
crente mais ainda quando este deixou pouco testemunho direto sobre sua fé, como foi o 
caso do escravo. 
Observa-se que, ao invés do isolamento, os africanos e seus descendentes 
aprenderam a conviver e a recrutar para seu universo religioso outros setores da 
sociedade, até mesmo pessoas livres e brancas. 
Favoreceu essa convivência a mentalidade comum a ambos os grupos étnicos - 
brancos e negros - de que a prática religiosa estava voltada para a satisfação de algum 
desejo material ou ideal. As promessas a santos, pagas com o sacrifício da missa, 
apresentavam semelhanças com os pedidos feitos aos deuses e espíritos africanos em 
troca de oferendas de diversos tipos. 
Mas, nos primeiros séculos de sua existência no Brasil, os africanos não tiveram 
liberdade para praticar os seus cultos religiosos. No período colonial, a religião negra era 
vista como arte do Diabo; no Brasil-Império, como desordem pública e atentado contra 
a civilização. 
Assim, autoridades coloniais, imperiais e provinciais, senhores, padres e policiais 
se dividiram entre tolerar e reprimir a prática de seus cultos religiosos. 
A tolerância com os batuques religiosos, entretanto, devia-se à conveniência 
política: era mantida mais como um antídoto à ameaça que a sua proibição representava 
do que por aceitação das diferenças culturais. 
Outras manifestações culturais negras também foram alvo da repressão. Estão 
neste caso o samba, revira, capoeira, entrudo e lundu negros. 
 
 
 
 
 
(IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
 
 
 
 
 
 Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (IBGE,2000) 
Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao 
preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil 
republicano, predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo 
a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Esse ideal, 
portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, 
mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela 
repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acessoa certas profissões, as 
"profissões de branco" (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de 
acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, 
e muitas outras formas de rejeição ao negro. 
 
 
 
 
Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afro-
brasileira, surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais 
negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi 
fechada em 1937 pelo Estado Novo. 
O samba e a capoeira 
 Fonte : INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
 
(PRAZERES, heitor,1966) 
 
Heitor dos Prazeres nasceu no Rio de Janeiro em 1898 e faleceu em 1966. Cresceu entre 
o Mangue e a Praça Onze. Foi tipógrafo, sapateiro, alfaiate, marceneiro, e sempre dizia 
"O meu mestre foi o mundo". Foi compositor e fundador de várias escolas de samba, 
entre as quais a Mangueira. A partir de 1937 começou a pintar, levando para as telas seu 
ambiente preferido: o samba, as mulatas, os malandros, as favelas, o trabalho rural. 
 
 
 
 
 
Durante o período da revolução de 30, os próprios núcleos de cultura negra se 
movimentaram para ganhar espaço. A criação das escolas de samba no final dos anos 
vinte já representara um passo importante nessa direção. Elas, que durante a República 
Velha foram sistematicamente afastadas de participação do desfile oficial do carnaval 
carioca, dominado pelas grandes sociedades carnavalescas, terminaram sendo 
plenamente aceitas posteriormente. 
 
 (IBGE,2000) Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA 
No rastro do samba, a capoeira e as religiões afro-brasileiras também ganharam 
terreno. Antes considerada atividade de marginais, a capoeira seria alçada a autêntico 
esporte nacional, para o que muito contribuiu a atuação do baiano Mestre Bimba, criador 
da chamada capoeira regional. Tal como os sambistas alojaram o samba em "escolas", 
Bimba abrigaria a capoeira em "academias", que aos poucos passaram a ser 
 
 
 
 
frequentadas pelos filhos da classe média baiana, inclusive muitos estudantes 
universitários. 
 
 
CONSIDERAÇOES FINAL 
 
Mais do que escolher um tema, realizar uma pesquisa, defender uma dissertação 
e assim almejar um tão sonhado título de graduaçao, esse trabalho significa um trilhar 
de caminhos em busca de mudanças sociais. Trata-se de uma contribuição para um 
mundo melhor. Um sonho? Uma utopia? Não sei! Sei apenas que acredito que tudo pode 
mudar, é preciso continuar a trilhar os caminhos propostos nas lutas. O objetivo deste 
trabalho foi analisar práticas pedagógicas/educativas escolares antirracistas, a partir 
dos objetivos propostos pela Lei 10.639/03. Tal legislação alterou a Lei de Diretrizes e 
Bases tornando obrigatória a inclusão do ensino de História da África e da Cultura Afro-
Brasileira nos currículos dos estabelecimentos escolares, públicos e privados. Este 
objetivo é o principal e se justifica mediante a importância dada à escola enquanto uma 
instituição que tanto pode reforçar estereótipos racistas como pode colaborar para a 
desconstrução dos mesmos. Historicamente a escola tem exercido, infelizmente, o 
primeiro papel. Com isso, inúmeras pesquisas e dados nos mostram que a população 
negra tem sofrido com diversos mecanismos capazes de eliminar, furtar seus direitos 
enquanto seres humanos. Na escola, as crianças negras são as maiores vítimas da 
exclusão, que resulta na evasão, em níveis baixos de aprendizagem, na formação de 
baixa autoestima, entre outras questões. Há muitos anos, portanto, grupos e 
movimentos negros vêm se reunindo e buscando enumerar maneiras de se reverter tal 
situação. No campo educacional, muitas dessas lutas pleitearam e viabilizaram as 
políticas de ações afirmativas, voltadas para a reparação e criação de programas 
orientados a um tratamento diferenciado com vistas a corrigir desvantagens criadas e 
mantidas pela estrutura social excludente e discriminatória. Uma dessas políticas 
possibilitou a implantação da Lei acima já citada. Considerando que mudanças 
estruturais ocorrem, mesmo que lentamente, a intenção deste trabalho foi perceber de 
que maneira a implementação poderia/estava ocorrendo. Diante do interesse de 
 
 
 
 
pesquisa e da revisão teórica delineada, o problema que formulamos para iniciar o 
estudo foi: Como se dão as 145 práticas educativas no interior de uma escola pública 
que pretende efetivar o Ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira? A partir 
desta problemática principal, desenharam-se questões que pautaram o processo de 
escolhas metodológicas e conduziram nosso olhar no campo. Relembrando: - A escola 
apresenta em seu Projeto Político Pedagógico uma preocupação com o 
desenvolvimento de práticas sobre relações étnico-raciais? - Existem atividades que 
visem a desconstrução de possíveis estereótipos sobre o negro, a história africana no 
Brasil, os problemas vividos pelos negros atualmente devido às práticas 
discriminatórias? - As atividades são realizadas de maneira isolada ou perpassam 
diversos momentos, promovendo interdisciplinaridade? - As/os estudantes traduzem no 
cotidiano a sensibilização para o convívio com as diferenças (focando nas étnico -
raciais)? - As atividades realizadas favorecem que as crianças questionem suas próprias 
identidades étnico-raciais? - O diálogo intercultural é estimulado? Como? A metodologia 
se baseou em análise de documentos, em especial o Projeto Político Pedagógico da 
unidade escolar em foco, observações nos espaços da escola (pátio, refeitório, sala de 
leitura, salas de aula) enfatizando as atividades pedagógicas propostas aos alunos e 
entrevistas semi-estruturadas com a diretora geral, a diretora adjunta, a orientadora 
pedagógica e sete professoras regentes de sala de aula. A pesquisa de campo propiciou 
inúmeros momentos de reflexão sobre os dados. As aulas observadas, as conversas 
informais entre e com alunos/as e professoras, as idas à Secretaria de Educação, as 
participações nos encontros de capacitação de professores para a temática racial 
somente fizeram enriquecer as discussões aqui apresentadas. Nesse sentido, tentamos 
responder as questões acima apresentadas, as quais chamamos de "resultados": - A 
escola apresenta em seu Projeto Político Pedagógica a questão da História e da Cultura 
Africana e Afro-brasileira, o que a princípio, demonstra a preocupação da equipe 
pedagógica com a inserção da temática enquanto algo que atravesse as demais as 
práticas da unidade escolar. A temática é inserida enquanto 146 uma disciplina, na grade 
curricular. Segundo os depoimentos recolhidos com as entrevistas este fato não congela 
a temática a meros conteúdos curriculares, apenas impõe que a prática deve acontecer, 
como de fato acontece. Ainda segundo as professoras, tal questão já está tão presente 
 
 
 
 
nas práticas pedagógicas que conseguem articular com as outras disciplinas e até 
trabalhá-la mais de uma vez na semana, sem imposições. - A literatura é um caminho 
possível para uma educação antirracista, visto que promove o fortalecimento de 
identidades com enredos africanos ou afrobrasileiros e apresenta personagens negros e 
negras com os quais as crianças se identificam e podem estabelecer vínculos diferentes 
dos que estabelecem com outras literaturas. Por isso, refletem no empoderamento 
dos/as alunos/as enquanto sujeitos de direitos e histórias. 
 
 
REFERENCIAS 
1 PEREIRA, Araujo, Amílcar. Ensino de história e culturas afro-brasileiras 
e indígenas. Ed padrão. 2012 Rio de janeiro: pallas,290. 
2 MATTOS,egiane.História e cultura afro-brasileira. Ed1.2009 sao paulo sp. 
3 SANTOS, ynae lopes. história da africa e do brasil. Ed pallas 2017. 
4 D´AMORIM, Eduardo. africa e brasil historia e cultura. Ed 2016 . 
5 BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabeleceas diretrizes 
: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. 
6 HENRIQUE, Ricardo. Raça e gênero nos sistemas de ensino: os limites do 
universalismo. Brasília: Unesco, 2002. 
7 HERNÁNDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à História 
Contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2008. 
8 LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da 
Metodologia Científica. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. 
9 SILVA, Petronilha B. G. Diversidade étnico-cultural e currículos escolares. 
Caderno Cedes, São Paulo, nº 32, 1993. 
10 IBGE,2000 Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.

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