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1 Crédito Tributário 1. Constituição do crédito tributário pelo lançamento A norma tributária descreve um fato que pode ensejar a obrigação tributária. Quando este fato se concretiza, correspondendo a hipótese descrita na lei, ocorrerá o fato imponível e, em consequência, a obrigação tributária. Ocorre que, para que o Poder Público possa exigir o tributo, é necessário que a obrigação tributária seja liquidada pela autoridade administrativa, através do lançamento. O lançamento, tributário, “(...) é procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor, a aplicação da penalidade cabível” (art. 142 do Código Tributário Nacional). O lançamento é um ato administrativo que tornará o crédito tributário líquido, certo e exigível, impondo, portanto, a obrigação tributária, desde a data do fato gerador, sendo regido pela lei vigente à época da ocorrência do fato gerador, não sofrendo qualquer alteração em virtude de modificação ou revogação desta lei. O lançamento é um ato administrativo vinculado, possuindo caráter obrigatório, sujeitando os funcionários públicos à responsabilidade funcional, caso deixem de efetuá-lo. - Para Hugo de Brito Machado o lançamento é um ato constitutivo do crédito tributário e declaratório da obrigação correspondente. 1.1. Alteração do lançamento O art. 145 do Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que, o lançamento tributário poderá ser alterado, após a notificação do sujeito passivo: I. Impugnação do sujeito passivo; II. Recurso de ofício (caso o lançamento seja julgado improcedente na primeira instância); III. iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149.” A revisão do lançamento, por sua vez, só pode se iniciar enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública (art. 149, parágrafo único do CTN). 1.2. Modalidades de lançamento: a) Lançamento de ofício: realizado pela autoridade administrativa, independentemente de qualquer colaboração do sujeito passivo; 2 b) Lançamento por declaração: realizado através da atuação conjunta da Administração e do sujeito passivo. Primeiramente, o sujeito passivo apresenta uma declaração obrigatória por lei e, posteriormente, o Fisco realiza o lançamento; c) Lançamento por homologação: nesta modalidade o contribuinte antecipa o pagamento do tributo, sendo que, posteriormente o fisco homologado por parte da autoridade administrativa. 1.3. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário Consiste na sustação temporária da exigibilidade do tributo Efeitos da suspensão: o Fisco fica impedido de prosseguir na cobrança do tributo, ou seja, de inscrever o crédito na dívida e de ajuizar a ação de execução fiscal. O art. 151 do CTN prevê as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário: a) Moratória: é a prorrogação do prazo para pagamento do crédito tributário, Depende de lei (art. 97, inciso VI do CTN); Salvo disposição legal em contrário, a moratória somente poderá beneficiar os créditos já definitivamente constituídos ou aqueles cujo lançamento já tenha sido iniciado por ato preparatório notificado o sujeito passivo (art. 154 do CTN). b) Depósito: O sujeito passivo pode depositar o montante integral do crédito tributário objetivando a suspensão da exigibilidade deste; Na hipótese do contribuinte perder a ação judicial, o depósito será convertido em renda da Fazenda Pública. c) Reclamações e recursos: Com a notificação do lançamento, o contribuinte pode efetuar o pagamento do tributo ou apresentar Impugnação administrativa (reclamação), no prazo legal. A apresentação de impugnação administrativa leva a instauração de um processo administrativo tributário; 3 Na hipótese da decisão administrativa de primeira instância ser desfavorável ao contribuinte ele ainda poderá interpor Recurso administrativo voluntário que será julgado pela segunda instância administrativa; Tanto a Impugnação (Reclamação administrativa), como o Recurso Administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, impedindo que o Fisco prossiga na cobrança do tributo, enquanto o contribuinte estiver discutindo a sua exigibilidade na esfera administrativa; O processo administrativo se encerrará com uma decisão administrativa irreformável que poderá ser: C.1) favorável ao contribuinte: esta decisão extinguirá o crédito tributário, de acordo com o art. 156, IX do Código Tributário Nacional. C.2) desfavorável ou parcialmente favorável ao contribuinte: com o encerramento do processo administrativo tributário o lançamento ficará definitivamente constituído e o fisco poderá prosseguir na cobrança de seu crédito; d) Medida liminar em mandado de segurança: A mera propositura da ação de mandado de segurança não suspende a exigibilidade do crédito tributário, ou seja, apenas a concessão da liminar em mandado de segurança é capaz de impedir que o fisco prossiga na cobrança do tributo, ressalvado o seu direito de constituir o crédito para evitar a decadência. e) Concessão de liminar ou tutela antecipada em outras ações judiciais A LC nº 104/01 acrescentou o inciso V, ao art. 151 do CTN, que prevê que a liminar ou tutela antecipada concedida em qualquer outra espécie de ação judicial suspendem a exigibilidade do crédito tributário; Assim, a antecipação dos efeitos da tutela (tutela provisória) em ação declaratória de inexigibilidade do tributo (geralmente ajuizada antes do lançamento do tributo), ou em ação anulatória de débito fiscal (normalmente ajuizada após o lançamento do tributo) também suspendem a exigibilidade do crédito tributário. A Ação anulatória de débito fiscal fundamenta-se no art. 38 da Lei 6.830/80 ● Esta ação deverá ser ajuizada após o lançamento tributário e objetiva anular o lançamento tributário. ● Exigência do depósito judicial: o art. 38 da Lei 6830/80 exige o depósito judicial do montante integral do débito para a propositura da ação anulatória. 4 “Art. 38 da Lei 6830/80: “ A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos”. ● A Súmula 274 do antigo TFR já previa: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. 38 da Lei 6.830 de 1980”. Hoje a Súmula vinculante n. 281 do STF reconhece a inconstitucionalidade da exigência do depósito judicial como condição para a propositura de ação objetivando a discussão da exigibilidade do crédito tributário: ● A partir da Constituição Federal de 1988, em face do direito de acesso ao judiciário amplamente assegurado pela Carta Magna, a doutrina e a jurisprudência vêm se manifestando quanto a inconstitucionalidade do art. 38 supra transcrito, na parte em que exige o depósito judicial como condiçãopara a propositura da ação anulatória de débito fiscal. ● O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ação anulatória de débito fiscal e pedido de antecipação dos efeitos da tutela: o Código Tributário Nacional também prevê expressamente que a antecipação dos efeitos da tutela é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em consequência, a jurisprudência vem admitindo a possibilidade de se antecipar os efeitos da tutela na ação anulatória de débito fiscal quando estiverem presentes os requisitos. f. Parcelamento: O parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, até o pagamento da última parcela. Caso o parcelamento não seja cumprido, total ou parcialmente, cessará a suspensão da exigibilidade do crédito tributário que voltará a ser cobrado judicialmente, através da ação de execução fiscal. Depende de lei. 1.4. Extinção do crédito tributário: Decadência e Prescrição a. Decadência É a perda do direito do fisco em efetuar o lançamento, no prazo legal, nos termos do art. 173, I do CTN; 5 b. Prescrição É a perda do direito de ação do fisco. Na prescrição a Fazenda Pública perde o direito de cobrar judicialmente o seu crédito, nos termos do art. 174 do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública proponha a ação de execução fiscal é de 5 anos contados da sua constituição definitiva (art. 174 do CTN). Para que a prescrição seja interrompida, não basta a mera propositura da ação de execução fiscal, sendo indispensável que o juiz tenha despachado determinando citação (inciso I), para que a prescrição se interrompa. Portanto, o termo inicial da contagem do prazo de prescrição é a constituição definitiva do crédito tributário e o termo final da contagem do prazo de prescrição é o despacho do Juiz determinando a citação do devedor na ação de execução fiscal. Antes do advento da Lei Complementar 116/2005, o art. 174, I do CTN previa que a prescrição se interromperia apenas com a citação do devedor na ação de execução fiscal. Ocorre que, com a superveniência da lei supracitada, a redação do inciso I, do art. 174 do CTN foi alterada passando a dispor que a interrupção da prescrição ocorrerá com o despacho do juiz ordenando a citação. Por outro lado, uma vez ocorrendo a prescrição, o juiz da ação de execução fiscal poderá acolher a arguição do executado realizada através de Exceção de Pré-Executividade ou de Embargos à Execução. Registre-se finalmente que, de acordo com o art. 156, inciso V do CTN, a prescrição é uma das causas de extinção do crédito tributário. 2) PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO: AÇÃO DE INICIATIVA DO FISCO: a. Ação de Execução fiscal O crédito tributário é constituído pelo lançamento, sendo que a notificação do contribuinte do lançamento tributário ou do auto de infração poderá resultar: 1. No pagamento do tributo e na extinção do crédito tributário, de acordo com o art. 156 do CTN, ou; 2. a apresentação de impugnação administrativa e, em consequência, na instauração de processo administrativo tributário; 2.1 O processo administrativo se encerrará com uma decisão administrativa irreformável que poderá ser: 6 2.1.1 favorável ao contribuinte: esta decisão extinguirá o crédito tributário, de acordo com o art. 156, IX do Código Tributário Nacional. 2.1.2 desfavorável ou parcialmente favorável ao contribuinte : com o encerramento do processo administrativo tributário o lançamento ficará definitivamente constituído Verifica-se, portanto, que o Fisco poderá prosseguir na cobrança do seu crédito: ● quando o contribuinte for notificado do lançamento e deixar de realizar o pagamento do tributo e de apresentar a impugnação administrativa, ou; ● na hipótese de decisão administrativa irreformável desfavorável ou parcialmente favorável ao contribuinte. ● Nestas hipóteses a Fazenda Pública deverá inscrever o seu crédito na dívida ativa² , antes da propositura da ação judicial objetivando sua cobrança. A cobrança judicial do crédito tributário da União Federal, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal, das Autarquias e das Fundações Públicas dar-se-á através da ação de execução fiscal, regulada pela Lei 6.830/80 e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. a. Dívida Ativa A ação de execução fiscal deverá ser instruída com um título executivo extrajudicial, ou seja, com a certidão da dívida ativa. O art. 2º, parágrafo 3º da Lei 6.830/80 prevê que a inscrição na dívida ativa do crédito tributário constitui um ato de controle administrativo da legalidade, devendo ser realizada pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito. A presunção de liquidez e certeza da inscrição na dívida ativa está condicionada à observância de todos os requisitos do art. 202 do Código Tributário Nacional e do art. 2º, parágrafo 5º da Lei 6.830/80. TRIBUTOS EM ESPÉCIES 1. Conceito de tributo “Tributo é toda a prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Artigo. 3º do Código Tributário Nacional). 7 2) Classificação das espécies de tributos O art. 145 da CF dispõe: “Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.” A interpretação literal do art. 145 da CF leva ao entendimento de que existiriam apenas três espécies de tributos: os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Entretanto, a interpretação sistemática dos arts. 145, 148 e 149 da Constituição Federal leva à conclusão de que os tributos se classificam nas seguintes espécies: ● impostos (art. 145, I da CF); - taxas (art. 145, II da CF); ● contribuições de melhoria (art. 145, III da CF); - empréstimos compulsórios (art. 148 da CF): ● Contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico, de interesses de categorias profissionais ou econômicas e contribuições para a Seguridade Social (art. 149 e 195 da CF); ● Contribuição de iluminação pública-COSIP (art. 149-A da CF) 3) IMPOSTOS: A definição dos impostos encontra-se no art. 16: "Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. Como se verifica, a hipótese prevista na lei que gerará a obrigação de pagar o imposto não está vinculada a nenhuma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Nesse contexto, o art. 167, IV da Constituição Federal proíbe a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. 3.1) Competência para instituição de impostos a) União Federal - Impostos Federais (art. 153 da CF): ● Imposto sobre importação (II); ● Imposto sobre a exportação (IE); ● Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR); ● Imposto sobre produtos industrializados (IPI); 8 ● Impostosobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativo a títulos ou valores mobiliários (IOF). ● Imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR); ● Imposto sobre grandes fortunas (IGF). ● produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) b) Estados – membros e Distrito Federal- Impostos Estaduais e do Distrito Federal (art. 155 da CF): ● Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD); ● Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual ou Intermunicipal e Comunicação (ICMS); (Vide Emenda Constitucional nº 132, de 2023) ● Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). c) Municípios e DF - Impostos municipais e do Distrito Federal (art. 156 da CF): ● Imposto sobre a propriedade predial territorial urbano (IPTU). ● Imposto sobre transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física e de direitos reais sobre imóveis (ITBI). ● Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. (Vide Emenda Constitucional nº 132, de 2023) I- IMPOSTOS FEDERAIS I.1- Imposto Territorial Rural Competência: A competência para instituição do ITR é da União Federal (art.153, inciso VI da CF). Segundo o art. 158, inciso II da CF pertencem aos Municípios 50% do ITR arrecadado pela União, relativamente aos imóveis neles situados. De acordo com o art. 153, § 4º, III da CF, o total da arrecadação do ITR caberá aos Municípios que, na forma da Lei 11.250/2005, optarem por sua arrecadação e fiscalização, desde que não implique em redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal. 9 Ressalte-se que, nesta hipótese, o Município não irá instituir ou majorar o Imposto Territorial Rural- ITR , tendo em vista que a competência tributária atribuída à União Federal para a sua instituição é indelegável . O Município que, na forma da lei, optar pela arrecadação e fiscalização deste imposto ficará com o 100% da sua arrecadação. Aspecto material: propriedade territorial rural. O fato gerador do ITR, de acordo com o art. 29 do CTN, será a propriedade , o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do Município. Bens imóveis: de acordo com o art. 79 do CC são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Pequenas Glebas rurais: O ITR não incide sobre pequenas glebas rurais quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF). O parágrafo único, do art. 2º da Lei 9.393/96 define as pequenas glebas rurais como sendo os imóveis com área igual ou inferior a: I - 100 ha , se localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense; II - 50 ha , se localizado em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental ; III - 30 ha , se localizado em qualquer outro município. O ITR - Imposto Territorial Rural é um imposto de função extremamente regulatória extrafiscal , ou seja, trata-se de um imposto utilizado pelo governo para a política agrária. O ITR tem uma função extrafiscal tendo em vista que, os imóveis improdutivos possuem uma tributação mais onerosa (alíquotas maiores) e os bens imóveis produtivos de menores glebas possuem uma tributação menos onerosa. ÁREA RURAL Para fins de incidência do ITR, este imposto incidirá sobre os imóveis localizados na área rural , ou seja, sobre a área remanescente não pertencente à zona urbana do Município (critério da localização) . ZONA URBANA DO MUNICÍPIO 10 A zona urbana deve ser definida em lei municipal, observado o requisito mínimo da existência de pelo menos 2 (dois) dos seguintes melhoramentos, construídos ou mantidos pelo Poder Público (§ 1º, do art. 32 do Código Tributário Nacional): I. meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II. abastecimento III. sistema de esgotos sanitários; IV. rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. Portanto, se o imóvel não estiver localizado na zona urbana do Município, este bem será considerado um imóvel rural e será tributado pelo ITR-Imposto Territorial Rural. CRITÉRIO DA DESTINAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO ITR (art. 15 do Decreto- Lei 57/66): O imóvel que for destinado à exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, ainda que localizado em área urbana , é considerado um imóvel rural para fins de incidência do ITR. A respeito a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no julgamento do REsp 1112646 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/0051088-6 (Data da Publicação/Fonte DJe 28/08/2009, RDDT vol. 171 p. 195, RT vol. 889 p. 248): “ TRIBUTÁRIO. IMÓVEL NA ÁREA URBANA. DESTINAÇÃO RURAL. IPTU.NÃO INCIDÊNCIA. ART. 15 DO DL 57/1966. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. 1. Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que comprovadamente utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966). 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-Cdo CPC e da Resolução 8/2008 do STJ.” No mesmo sentido já havia se manifestado a 2ª Turma do SUPERIOR Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 472.628 - RS 2002/0135326-8 (DJU 27/11/2004), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IPTU E ITR. INCIDÊNCIA. IMÓVEL URBANO. IMÓVEL RURAL.CRITÉRIOS A SEREM OBSERVADOS. LOCALIZAÇÃO E DESTINAÇÃO.DECRETO-LEI N. 57/66. VIGÊNCIA. 1. Não se conhece do recurso especial quanto a questão federal não prequestionada no acórdão recorrido (Súmulas n. 282 e 356/STF). 2. Ao disciplinar o fato gerador do imposto sobre a propriedade imóvel e definir competências, optou o legislador federal, num primeiro momento, pelo estabelecimento de critério topográfico, de sorte que, localizado o imóvel na área 11 urbana do município, incidiria o IPTU, imposto de competência municipal; estando fora dela, seria o caso do ITR, de competência da União. 3. O Decreto-Lei n. 57/66, recebido pela Constituição de 1967 como lei complementar, por versar normas gerais de direito tributário, particularmente sobre o ITR, abrandou o princípio da localização do imóvel, consolidando a prevalência do critério da destinação econômica. O referido diploma legal permanece em vigor, sobretudo porque, alçado à condição de lei complementar, não poderia ser atingido pela revogação prescrita na forma do art. 12 da Lei n. 5.868/72. 4. O ITR não incide somente sobre os imóveis localizados na zona rural do município, mas também sobre aqueles que, situados na área urbana, são comprovadamente utilizados em exploração extrativa, vegetal, pecuária ou agroindustrial. 5. Recurso especial a que se nega provimento. No mesmo sentido: STJ (RESP492.869 e 738.628) e STF (Recurso Extraordinário 140.773-5). Verifica-se, portanto, que de acordo com a Jurisprudência do STJ e do STF, sobre o imóvel localizado na zona urbana do Município incide IPTU e sobre o imóvel excluído da zona urbana incide ITR, de competência da União Federal. Entretanto, o imóvel que comprovadamente seja destinado a exploração extrativa, vegetal, pecuária ou agroindustrial, ainda que situado na zona urbana do Município, estará sujeito ao ITR. Contribuinte: O contribuinte do ITR-Imposto Territorial Rural é o proprietário, o titular do domínio útil e o possuidor (art. 31 do CTN e art. 4º da Lei 9393/96). Caso os elementos da propriedade estejam reunidos sob o poder de uma única pessoa, o ITR- Imposto Territorial Rural incidirá sobre a propriedade. Caso os elementos da propriedade não estejam reunidos sob o poder de uma única pessoa, o ITR- Imposto Territorial Rural incidirá sobre aquele que detém a sua posse ou seu domínio útil . A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região já se manifestou quanto à ilegalidade da incidência do ITR- Imposto Territorial Rural sobre aquele que não possui qualquer vínculo com o imóvel, seja a propriedade, o domínio útil ou, ao menos, a posse a qualquer título (AC8493-MT). A 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível 2005.70.00.023000-5 (D.E. 08/01/2008) reconheceu a imunidade do ITR-Imposto Territorial Rural em favor de uma entidade de assistência social proprietária de imóvel rural Constituição Federal, in verbis: 12 “DIREITO TRIBUTÁRIO. ITR. IMUNIDADE. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 150, VI, 'C', DA CRFB. REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN. PREENCHIMENTO. 1. A imunidade prevista no art. 150, VI, 'c', da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o ITR, que incide sobre imóveis utilizados na prestação de serviços específicos. 2. A entidade filantrópica e sem fins lucrativos está ao abrigo de imunidade, não podendo sofrer a imposição de impostos, nos termos do art. 150, VI, 'c', da Constituição Federal, em especial de ITR, quando preencher os requisitos do art. 14 do CTN. 3. In casu, a prova produzida é apta a demonstrar a utilização do imóvel rural da entidade de assistência social à consecução de seus fins. 4. Apelação improvida.” No mesmo sentido a decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos autos da AMS 4966 RS, processo número 2001.71.00.004966-6 (DJ 15/02/2006 página: 399), in verbis : “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ITR. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Imunidade do art. 150, VI, c, da Constituição. Regulamentação decorrente da Lei 9.532/97 suspensa. Aplicação do art. 14 do CTN. Caracterização inequívoca como entidade assistencial. Fundação com suas contas, ano a ano, aprovadas pelo Ministério Público. Bens imóveis destinados a sua atividade fim, sendo que, ainda que assim não fosse, de qualquer modo todas as receitas seriam vertidas às finalidades institucionais, sendo certo que, presente tal requisito, o STF tem reconhecido a imunidade inclusive relativamente a imóveis alugados.. Inocorrência de violação ao art.150, § 4º, da CF. Afastamento da exigência de ITR enquanto a Impetrante persistir na busca de seus fins assistenciais e continuar tendo suas contas aprovadas.” O artigo 5º, da Lei 9.393/96, prevê que o sucessor , a qualquer título, é responsável tributário , nos termos dos arts. 128 a 133 do Código Tributário Nacional, tendo em vista 16 que os impostos incidentes sobre o patrimônio (ITR-Imposto territorial rural e IPTU - Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana) decorrem de relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência de fato imponível baseado na titularidade de direito real. A dívida tributária decorrente do não pagamento do ITR - Imposto territorial rural acompanha o imóvel, mesmo estando relacionada com fatos geradores anteriores à alienação do bem imóvel. A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1144982 / PR, manifestou o entendimento de que é ilegal a cobrança de ITR do proprietário de imóvel rural que sofreu invasão do movimento "sem terra “, tendo em vista que, na 13 hipótese não existe mais posse, uso ou fruição do bem, não havendo, portanto, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para o proprietário. Base de cálculo: A base de cálculo do ITR é o valor fundiário do imóvel (art. 30 do Código Tributário Nacional). Alíquota: As alíquotas do ITR – Imposto Territorial Rural serão progressivas (artigo 153, § 4º, da Constituição Federal), de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas.