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AVALIAÇÂO: DIFICULDADES E DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM 
1ª) Ao falarmos sobre a Psicologia Cognitiva é incorreta: 
a) tem por base, especialmente, os conceitos da Epistemologia Genética de Jean 
Piaget e seu construtivismo. Severino (1994) considera que a Epistemologia 
Genética está vinculada ao movimento denominado de racionalista 
transpositivista. A opção investigativa de Piaget (1995) não se foca nas condições 
externas que envolvem a produção e a elaboração do conhecimento, ele defende 
que é a atividade da criança que produz o conhecimento e essa atividade não 
decorre das pressões do mundo externo. Piaget (1994) coloca o processo de 
desenvolvimento como um monólogo, em que a criança enfrenta o mundo sozinho 
e tem como tarefa (que corresponda a seu nível de desenvolvimento) construir uma 
representação desse mundo, podendo assimilar e acomodar os resultados, de 
acordo com os processos lógicos, de um jogo, por exemplo. 
b) na Teoria do desenvolvimento, Piaget (1999) desenvolveu sua teoria do 
desenvolvimento, considerando o processo biológico e maturacional que a criança 
vem a ter ao longo de sua vida. Ele considerou aspectos que envolvem a ação da 
criança no mundo e seu grau de interação com os objetos. À medida que a 
maturidade cognitiva avança na criança, maior é sua ação em busca de 
descobertas. Cada criança apresenta um ritmo diferente em seu processo mental, 
todavia Piaget (2011) elegeu aspectos importantes do desenvolvimento, 
relacionando-os a diferentes níveis, denominados de estágios. 
c) estágio sensório-motor: ocorre de 0 a 2 anos e é dominado pelos reflexos. A 
maturidade cognitiva avança e propicia à criança o domínio sensorial e perceptivo 
de sua realidade, fazendo com que sua motricidade também ganhe em qualidade. 
Para Piaget (2011), a inteligência surge antes da linguagem e se caracteriza como 
inteligência prática. No fim desse estágio, espera que a criança tenha domínio 
cognitivo em relação à noção do eu e consiga diferenciar os objetos. 
d) estágio pré-operatório: vai dos 2 aos 6-7 anos, sendo caracterizado pelo 
surgimento da inteligência representativa. Piaget (1999) considera que esse 
processo envolve o pensamento egocêntrico, em que a criança se volta para si e 
ignora situações a sua volta. A criança se liberta do comportamento egocêntrico 
fazendo uso de conceitos de reversibilidade, o que lhe possibilita elaborar novas 
ações e ampliar o seu processo intelectual. Neste estágio se ampliam as ações 
coletivas e as brincadeiras, que implicam no surgimento de novas habilidades, 
tanto motoras quanto cognitivas. 
2ª) Quando se trata da Psicologia da Forma/Figura é incorreta: 
a) tem origem na palavra Gestalt, tendo como ênfase a compreensão de 
fenômenos subjetivos e sociais a partir de sensações e percepções do indivíduo. 
Esses parâmetros constituíram os princípios que envolvem a Psicologia da 
Forma/Figura, desenvolvida por Wolfgang Köhler, Max Wertheimer e Kurt Koffka. 
Psicologia da Forma/Figura considera que o conhecimento é anterior à experiência 
e se embasa na organização de estruturas cognitivas, que já estão previamente 
formadas no sujeito. Em seu sistema racionalista, a Psicologia da Forma/Figura 
entende que as estruturas cognitivas não sofrem influências da objetividade e que 
a apreensão da realidade demanda da pessoalidade de cada indivíduo. Assim, as 
questões históricas e sociais não são determinantes para as condutas, o que 
implica no entendimento de que o processo central é a percepção e não a 
aprendizagem. 
b) A Psicologia da Forma/Figura valoriza os processos perceptivos e os insights, 
considerando que é a solução de problemas que permite a compreensão de uma 
situação, não a aprendizagem (que seria um processo mecânico que 
impossibilitaria o domínio de conhecimentos, o que faria o indivíduo simplesmente 
repetir informações). Os gestaltistas destacam o conceito de totalidade como 
irredutível à soma ou ao produto das partes e que o processo perceptivo-cognitivo 
é apreendido de modo imediato através do insight. Assim, os processos 
psicológicos são percebidos pelo indivíduo com uma forma particular do que ele é 
na realidade. 
c) o tema central da Psicologia da Gestalt é a percepção, que considera a 
disposição de diferentes fenômenos para a organização perceptiva do indivíduo, 
que irá agir cognitivamente sobre elementos unitários para compor a totalidade. 
Cada problema apresenta algo novo à pessoa envolvida. Apesar de que muitos 
elementos do problema possam ser familiares, alguns não o são. 
Consequentemente, cada ato na solução de problemas complexos requer algum 
grau de originalidade ou criatividade. (Bigge, 1977, p. 112) 
d) percepções ou fenômenos perceptivos são compreendidos na Psicologia da 
Gestalt como a elaboração cognitiva de experiências individuais demarcadas 
aprioristicamente, pois se refere a um modo imediato de compreensão de 
determinado fenômeno em sua totalidade. Assim, a Psicologia da Gestalt destaca 
que a percepção envolve uma sensação que permite uma solução para um 
problema vivido pelo indivíduo, sendo caracterizado inicialmente por hipóteses 
sem consistência, que ao agregarem diversas informações podem chegar a uma 
percepção e a uma conclusão adequada. 
3ª) Sobre o sistema nervoso central é incorreta: 
a) o cérebro humano é uma estrutura complexa formada por agrupamentos de 
neurônios que auxiliam no reconhecimento do mundo, contudo ele precisa de 
estímulos adequados para o seu bom desenvolvimento. Ou seja, o cérebro é o local 
onde a aprendizagem acontece, e é nele que se desenvolvem a coordenação 
motora, a linguagem, o pensamento, a consciência, a memória, a atenção, a 
percepção, a cognição, entre outras funções psicológicas superiores. 
b) educar as crianças desde a mais tenra idade em um ambiente enriquecedor, 
estimulando a linguagem falada, cantada e escrita, criando um clima estruturado 
com afetividade diversificando positivamente as sensações, com a presença de 
cor, de música, de interações sociais e de jogos, visando o desenvolvimento de 
suas capacidades cognitivas e memórias futuras, favorecendo assim o seu 
processo de aprendizagem. 
c) o cérebro é dividido em hemisfério direito e esquerdo. O hemisfério direito 
(predominante na maioria das pessoas) auxilia no domínio linguístico, afetivo e 
intelectual. Já o hemisfério esquerdo tem como característica auxiliar no domínio 
perceptivo das diferentes formas dos objetos, na direção (orientação espacial e 
temporal), na compreensão artística e na escrita (ortografia, desenho). 
d) embora os hemisférios tenham características específicas, ambos atuam em 
sintonia para que o indivíduo possa compreender o ambiente em que vive, 
desenvolvendo novas habilidades e todo o seu potencial de aprendizagem. 
4ª) Quando se refere a dislalia e o papel do mediador é incorreta: 
a) a finalidade do trabalho com uma criança dislálica é possibilitar a ela o domínio 
da articulação correta dos sons que envolvem a fala. Para isso, é necessário um 
trabalho constante de estimulação, em primeiro lugar verificando os sons que a 
criança conhece e é capaz de produzir e reproduzir (tanto vogais como 
consoantes). Depois, é necessário orientar a criança de modo que ela aprenda a 
reconhecer um som, compará-lo com outro e posteriormente diferenciá-lo. 
b) é importante que a criança saiba organizar sua motricidade em relação à 
verbalização de cada som. Para isso, é necessário ensiná-la a coordenar o 
movimento dos sons em que ela apresenta dificuldades, sendo necessários alguns 
exercícios para os lábios, a mandíbula, o palato e a língua, visando uma melhor 
articulação de palavras por parte da criança dislálica. 
c) exercícios para o lábio: o trabalho de estimulação na dislalia deve envolver uma 
relação interdisciplinar com a participação da família. Por isso, exercícios regulares 
podem auxiliar em uma melhor expressão verbal por parte da criança. Alguns deles 
são: "Fazer gargarejos. Tossir várias vezes. Falar ding-dong várias vezes.Falar an/a, 
en/e, in/i, on/o, un/u. Falar k, k, k e g, g, g" (José; Coelho, 2006, p. 66). 
d) exercícios para a mandíbula: para que a dislalia não se estabeleça, são 
necessários modelos verbais que vislumbrem o domínio adequado da fala por parte 
da criança. Os adultos, ao falarem adequadamente, sem imitarem as expressões 
da criança, a estimulam a buscar a forma correta da linguagem falada. Quando a 
dislalia se torna presente, alguns exercícios para a mandíbula, podem auxiliá-las 
em uma melhor expressão da fala. São eles: "Abrir e fechar a boca bem devagar. 
Abrir e fechar a boca rapidamente. Bocejar amplamente. Mastigar com os lábios 
fechados. Falar ma abrindo bem a boca" (José; Coelho, 2006, p. 66). 
5ª) Sobre genética e ambiente sociocultural é incorreta: 
a) a aprendizagem é, segundo Tomaselli (2018), um processo que tem por base uma 
série de fatores, entre eles, a genética e o ambiente sociocultural. A genética gera 
influências no modo como uma pessoa se envolve no domínio de informações e 
como elabora/aplica o conhecimento. Por sua vez, o ambiente sociocultural 
possibilita a disponibilidade de recursos educacionais, métodos de ensino e a 
qualidade na sistematização do conhecimento. 
b) a genética desempenha um papel importante tanto na superação quanto na 
produção de dificuldades de aprendizagem. Se as pessoas crescerem em locais 
com pouco acesso às boas condições de vida e tiverem recursos educacionais 
limitados, a qualidade de ensino será inferior às suas potencialidades, implicando 
maiores dificuldades na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades 
afetivas e cognitivas. 
c) as dificuldades de aprendizagem são associadas, de modo geral, a problemas 
cognitivos ou mesmo aos comportamentos impulsivos; contudo, elas também 
podem estar relacionadas às dificuldades afetivas e emocionais enfrentadas pelo 
indivíduo (Rotta; Ohlweiler; Riesgo, 2018). 
d) Os educadores devem ter ciência do modo como as dificuldades afetivas e 
emocionais afetam a aprendizagem, agindo no sentido de desenvolver abordagens 
e métodos de ensino para atender às necessidades do aprendiz. Um ambiente 
seguro e acolhedor para todos os alunos e a implementação de atividades que 
valorizem o bem-estar emocional podem auxiliar na redução da ansiedade e 
potencializar a aprendizagem da criança (Tavares et al., 2021). 
6ª) Em relação a formação e aprendizagem é incorreta: 
a) a formação de professores comprometidos com os processos de aprendizagem 
propicia uma forma adequada para se lidar de maneira eficaz com as dificuldades 
de aprendizagem dos alunos. O conhecimento sobre os métodos de intervenção 
adequados, bem como o conhecimento sobre as características que envolvem as 
dificuldades de aprendizagem podem melhorar as práticas acadêmicas, auxiliando 
os alunos no domínio do conteúdo escolar (Veiga; Santos, 2022). 
b) os professores devem ter habilidades para identificar de modo precoce possíveis 
dificuldades de aprendizagem do(s) estudante(s), e, assim, aplicar estratégias de 
ensino que atendam à demanda específica de cada aluno, com orientações 
regulares aos colegas que fazem parte da turma e também aos pais (Rotta; 
Ohlweiler; Riesgo, 2018). 
c) a educação é um direito fundamental de todos os cidadãos, é essencial para a 
construção da participação ativa na sociedade e para o exercício da cidadania 
plena. A educação cidadã deve contribuir para que a aprendizagem seja um 
processo de fluxo contínuo ao longo da vida, o que implica garantir aos estudantes, 
desde cedo, o desenvolvimento de suas potencialidades (Veiga; Santos, 2022). 
d) cidadania depende do modo como a criança se adapta às regras apresentadas 
pela escola e ao modo como elas estão vinculadas ao processo de ensino e ao 
processo de aprendizagem. A boa adaptação da criança à cultura escolar 
possibilita maiores oportunidades para o sucesso acadêmico e social (Nelsen; Lott; 
Glenn, 2020). 
7ª) Alunos com TDAH apresentam um melhor desempenho comportamental e 
escolar quando fazem parte de grupos menores, o que permite uma melhor 
aprendizagem e interação social com os demais colegas na elaboração dos 
trabalhos acadêmicos. É importante evitar que a criança fique "voando" ou 
mantenha comportamentos impulsivos desordenados tanto no espaço escolar 
quanto no espaço familiar, pois a ausência de tarefas definidas leva a criança a 
agir impulsivamente, de modo desordenado e desatento em seu ambiente. 
 
i) a família desempenha um papel essencial no auxílio à criança com TDAH, com 
ações que envolvem acolhimento afetivo, apoio no processo de aprendizagem e 
busca por informações que envolvem o TDAH. À medida que a família compreende 
as características do TDAH, ela pode orientar a criança e agir de modo adequado 
nas situações em que a desatenção, a impulsividade e a hiperatividade estiverem 
presentes. Aos pais, especialmente, cabem as seguintes ações: explicar que o 
TDAH não é uma deficiência ou um comportamento maldoso, que o TDAH não deve 
ser usado pela criança ou familiares como desculpa para os seus comportamentos 
e orientar a criança para que explique às outras pessoas sobre o seu quadro de 
TDAH. 
 
ii) os pais devem mudar os seus modos de agir no ambiente familiar para que a 
criança com TDAH mude suas ações e compreenda o seu papel social. Todas as 
orientações para a família só ganham significado real se todos atuarem de modo a 
transformar o cotidiano vivido em um ambiente agradável para lidar com os 
conflitos, quando eles surgirem. Condemarín, Gorosteguie e Milicic (2006) 
orientam que Manter uma relação familiar estimulante, tranquila e acolhedora, 
concentrando-se mais nos aspectos positivos da relação do que nos conflitantes. 
Da mesma maneira, concentrar-se nos pontos fortes que a criança possa ter, de 
modo a assegurar-lhe uma imagem pessoal e autoestima positivas. (Condemarín; 
Gorosteguie; Milicic, 2006, p. 191) ; 
 
iii) algumas sugestões para o trabalho dos pais em relação às especificidades do 
TDAH envolvem, de acordo com Hallowell e Ratey (1999), os seguintes aspectos: 
diagnóstico preciso e com orientações sobre o manejo do TDAH; orientação sobre 
o que é o TDAH para todos os familiares; explicar que não há culpa e culpados pelo 
TDAH; confrontar a criança em tudo o que for preciso, porém, se ocorrerem, sempre 
continuidade a assuntos que forem necessários a correção; pais e familiares 
devem estabelecer estratégias adequadas de ação; estabelecer regras de conduta 
na/para a família; bom humor e confiança nas relações familiares; e estabelecer 
horários negociados para as atividades diárias da criança com TDAH, como 
horários de dormir, de acordar, das refeições e do estudo. 
a) i e ii corretas 
b) i e iii corretas 
c) i e ii incorretas 
d) i e iii incorretas 
 
8ª) Relativamente a disortografia é incorreta: 
a) a criança pode falar e copiar palavras sem cometer erros, porém quando inicia 
um processo de construção escrita de seus pensamentos, os erros aparecem de 
modo constante. José e Coelho (2006, p. 96) destacam que a disortografia 
"caracteriza-se pela incapacidade de transcrever corretamente a linguagem oral, 
havendo trocas ortográficas e confusão de letras. Essa dificuldade não implica a 
diminuição da qualidade do traçado das letras". 
b) a escrita disortográfica pode ser pobre na qualidade do que está sendo exposto, 
pois a elaboração escrita é insuficiente para a exposição do conteúdo pensado pelo 
indivíduo. 
c) a criança disortográfica tem dificuldades em sua coordenação motora, fazendo 
com que ela não consiga adequadamente trabalhar os processos simbólicos ao 
executar a escrita. Também é possível observar uma escrita tensa, desorganizada e 
irregular. O que se espera é que a criança a partir dos 7 anos de idade tenha um 
controle psicomotor adequado e já consiga reproduzir tanto desenhos quanto 
palavras de modo satisfatório ao indicado pelo professor em sala de aula, mesmo 
que faltem partes de um desenho e que as palavras ainda se misturem na 
construção da escrita.d) envolve problemas em transcrever um estímulo sonoro para um símbolo gráfico 
(palavra impressa), ocorrendo confusão entre as letras e erros de ortografia. Drouet 
(2000, p. 131) considera que a disortografia "é uma incapacidade de apresentar 
uma escrita correta, com o uso adequado dos símbolos gráficos. A criança não 
respeita a individualidade das palavras. Junta palavras, troca sílabas e omite 
sílabas ou palavras". 
9ª) Sobre as orientações à escola e à família é incorreta: 
a) as orientações têm como finalidade auxiliar somente a escola para que haja um 
bom domínio de aprendizagem por parte da criança que apresenta suas 
dificuldades, bem como uma relação que priorize o afeto ao invés da 
estigmatização. No ambiente escolar, cabe a cada criança compreender como se 
dá a apropriação de conhecimentos, tanto em relação às suas habilidades quanto 
em relação às suas dificuldades. À medida que o professor compreende a 
finalidade da relação ensino-aprendizagem como um processo transformador, 
também irá perceber o grau de domínio de habilidades por parte da criança, bem 
como suas dificuldades. 
b) dificuldades: uma concepção de superação, em uma pesquisa realizada por Bos 
e Vaughn (2019), crianças chamadas de "normais" para o processo de ensino-
aprendizagem representavam apenas 25% da população escolar. As demais 
crianças, segundo Bos e Vaughn (2019), eram consideradas com dificuldades ou 
transtornos de aprendizagem (75%). Nos dados apresentados, 25% teriam 
dificuldades ou transtornos não especificados relatados por professores; 25% 
insucesso escolar relacionados às notas baixas; 20% necessidade de ensino 
especial (também sem especificação e com base em relatos dos professores); e 5% 
com disfunção cerebral mínima (com avaliações de especialistas na área). 
c) a escola deve entrar em contato com os pais para que possam contar um pouco 
sobre a criança no dia a dia. Muitas vezes, para os pais, determinados 
comportamentos das crianças são considerados adequados para a sua idade, 
embora eles possam não ter domínio sobre como ocorre o desenvolvimento e a 
aprendizagem da criança. 
d) a preocupação principal dos pais envolve suprir as necessidades básicas de vida 
das crianças, especialmente em relação à saúde. Posteriormente, eles vão se 
preocupar com o processo educativo. Ou seja, desde o nascimento da criança, os 
pais devem estabelecer vínculos que envolvam o cuidado, a qualidade na 
alimentação e o carinho. E aí já se inicia o processo de ensino-aprendizagem, 
objetivando em longo prazo o pleno desenvolvimento de habilidades por parte da 
criança, além do domínio da cultura em que ela está inserida. 
10ª) O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio 
neuropsiquiátrico crônico que se caracteriza por comportamentos 
relacionados à hiperatividade/impulsividade e à desatenção. A inadequação 
de comportamentos de quem possui o TDAH pode implicar problemas no 
ambiente de trabalho, social e de relacionamentos afetivos, causando também 
dificuldades psicológicas ao indivíduo. 
 
i) as crianças descritas como desatentas geralmente não chamam atenção da 
família ou dos professores, sendo descritas como preguiçosas ou que não se 
dedicam até o fim na resolução de uma atividade. Para Barkley (2002, p. 149), as 
crianças desatentas são: Mais passivas ou mais medrosas e apreensivas sobre as 
coisas do que outras crianças de sua idade. Elas também são mais sonhadoras ou 
"espaçosas" que as outras, agindo como se estivessem sempre em confusão 
mental e não muito atentas ao que está acontecendo à volta. A criança com o 
transtorno do neurodesenvolvimento relacionado à desatenção apresenta um 
comportamento de distrair-se com facilidade em assuntos ou coisas que não têm 
relação com aquilo que ela começou a fazer, bem como distrair-se com seus 
pensamentos, como se estivesse sonhando com olhos abertos. Além disso, elas 
"parecem apresentar um problema para filtrar a informação dada em instruções, 
seu filtro mental parece menos capaz de separar o relevante do irrelevante" 
(Barkley, 2002, p. 149). 
 
ii) na desatenção, a criança perde objetos com facilidade (chaves da casa, por 
exemplo), esquece de atividades ou compromissos, não tem atenção a detalhes 
pela dificuldade de concentração e realiza suas ações de modo equivocado em 
relação ao que foi solicitado. Em um jogo ou brincadeira, ela tem dificuldade em 
prestar atenção às regras e segui-las de modo adequado, e, como não presta 
atenção às orientações, não consegue terminar as tarefas que iniciou. É comum 
nesse transtorno o comportamento de deixar de lado tarefas que necessitem de um 
trabalho mental consistente e a criança realiza suas atividades de modo 
desorganizado e sem planejamento. A Associação de Psiquiatria Americana 
(American Psychiatric Association, 2014, DSM-5, p. 59) considera que a elaboração 
do diagnóstico deve ter "seis (ou mais) dos seguintes sintomas [que] persistem por 
pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do 
desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e 
acadêmicas/profissionais". 
 
iii) o transtorno do neurodesenvolvimento relacionado à hiperatividade e à 
impulsividade considera que a elaboração do diagnóstico deve ter "seis (ou mais) 
dos seguintes sintomas [que] persistem por pelo menos seis meses em um grau 
que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo 
diretamente nas atividades sociais e acadêmicas/profissionais". A criança não 
consegue ficar quieta e atrapalha outras crianças que estão à sua volta, implicando 
em uma desorganização do ambiente. Muitas vezes, os colegas consideram que 
essa criança os incomoda e se afastam dela. O transtorno do 
neurodesenvolvimento relacionado à hiperatividade e à impulsividade é 
persistente e crônico, com presença de déficits na concentração, no controle das 
emoções e em prestar atenção ao que é dito ou mostrado. Com isso, a criança 
acaba apresentando dificuldades relacionadas à resolução de problemas em que 
tem que pensar antes de agir ou ser persistente em uma atividade por um período 
longo de tempo. 
a) ii e iii corretas 
b) i e ii corretas 
c) ii e iii incorretas 
d) i e ii incorretas 
 
 
 
AVALIAÇÃO 02: DIFICULDADES E DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM 
1ª) Sobre as orientações à escola e à família é incorreta: 
a) as orientações têm como finalidade auxiliar somente a escola para que haja um 
bom domínio de aprendizagem por parte da criança que apresenta suas 
dificuldades, bem como uma relação que priorize o afeto ao invés da 
estigmatização. No ambiente escolar, cabe a cada criança compreender como se 
dá a apropriação de conhecimentos, tanto em relação às suas habilidades quanto 
em relação às suas dificuldades. À medida que o professor compreende a 
finalidade da relação ensino-aprendizagem como um processo transformador, 
também irá perceber o grau de domínio de habilidades por parte da criança, bem 
como suas dificuldades. 
b) dificuldades: uma concepção de superação, em uma pesquisa realizada por Bos 
e Vaughn (2019), crianças chamadas de "normais" para o processo de ensino-
aprendizagem representavam apenas 25% da população escolar. As demais 
crianças, segundo Bos e Vaughn (2019), eram consideradas com dificuldades ou 
transtornos de aprendizagem (75%). Nos dados apresentados, 25% teriam 
dificuldades ou transtornos não especificados relatados por professores; 25% 
insucesso escolar relacionados às notas baixas; 20% necessidade de ensino 
especial (também sem especificação e com base em relatos dos professores); e 5% 
com disfunção cerebral mínima (com avaliações de especialistas na área). 
c) a escola deve entrar em contato com os pais para que possam contar um pouco 
sobre a criança no dia a dia. Muitas vezes, para os pais, determinados 
comportamentos das crianças são considerados adequados para a sua idade, 
embora eles possam não ter domínio sobre como ocorre o desenvolvimento e a 
aprendizagem da criança. 
d) a preocupaçãoprincipal dos pais envolve suprir as necessidades básicas de vida 
das crianças, especialmente em relação à saúde. Posteriormente, eles vão se 
preocupar com o processo educativo. Ou seja, desde o nascimento da criança, os 
pais devem estabelecer vínculos que envolvam o cuidado, a qualidade na 
alimentação e o carinho. E aí já se inicia o processo de ensino-aprendizagem, 
objetivando em longo prazo o pleno desenvolvimento de habilidades por parte da 
criança, além do domínio da cultura em que ela está inserida. 
2ª) Sobre diferentes concepções de aprendizagem é incorreta: 
a) a constituição histórica do processo ensino-aprendizagem leva em conta 
caminhos diferentes, que buscam explicar como o conhecimento é produzido, 
compreendido e apropriado pelos indivíduos. Embora apresentem estruturas de 
análises específicas, cada fundamentação busca a melhor forma de interpretar a 
realidade e contribuir para o avanço do conhecimento científico. 
b) Platão (2001) retrata sua teoria da reminiscência no diálogo entre Sócrates e 
Mênon, em que a questão chave era a rememoração ao ensinar um escravo 
(menino) argumentando que não há necessidade de o escravo aprender, pois o 
conhecimento já está dentro dele: 
c) Aristóteles (1996) - embora tenha sido aluno da escola de Platão - inverte a 
concepção platônica/socrática. Por exemplo, em relação à virtude, Aristóteles 
considerava que ela era uma prática, um hábito, fruto de um processo de ensino. 
Aristóteles (1996, p. 33) também associava a aprendizagem ao processo de 
imitação, argumentando que "Imitar é natural ao homem desde a infância". 
d) Rafael Sanzio (1509/1510) pintou na Stanza della Segnatura no Vaticano um 
afresco denominado A Escola de Atenas, em que retrata como personagens 
centrais Platão e Aristóteles. Platão aponta para o alto (mundo das ideias), 
enquanto a mão de Aristóteles faz um movimento para baixo (empirismo), 
demarcando a diferença entre as duas concepções de aprendizagem 
3ª) Sobre terminologias das dificuldades e dos transtornos é incorreta: 
a) tanto a expressão "distúrbio" quanto a expressão "transtorno" designam 
alterações fisiológicas e, especialmente, cognitivas no indivíduo. O distúrbio é 
considerado uma alteração que afeta a estrutura neurológica, os hábitos de vida 
diária e os vínculos sociais, gerando perdas na aprendizagem. 
b) "Distúrbios de aprendizagem" é um termo que desperta a atenção para a 
existência de crianças que frequentam escolas e apresentam dificuldades de 
aprendizagem, embora não aparentem defeito físico, sensorial, intelectual ou 
emocional (Ross, 1979, p. 13) Além disso, Ross (1979) salienta que o termo 
"distúrbio" envolve uma série de situações que podem interferir na qualidade do 
aprendizado da criança, sendo necessário identificar as causas para que haja uma 
ação eficiente de estimulação em áreas do conhecimento como "leitura, dicção ou 
aritmética" (Ross, 1979, p. 14). 
c) o termo "dificuldades de aprendizagem" caracteriza-se como uma perturbação 
da estrutura mental que pode implicar desequilíbrio psiquiátrico, relacionado às 
falhas na organização neuroquímica cerebral, implicando comportamentos 
confusos ou incapacitantes. Contudo, apesar de especificidades, os termos trazem 
como núcleo comum aspectos relacionados ao funcionamento cerebral. 
d) os problemas de aprendizagem estão relacionados aos processos educativos e 
também não implicam desestruturação do sistema nervoso central. A criança pode 
apresentar limitações iniciais no processo mnemônico, o que leva ao não domínio 
da leitura, da escrita ou da matemática. Apesar do uso das duas terminologias, elas 
são entendidas como relacionadas a um mesmo processo, com necessidade de 
orientações e estratégias de aprendizagem para o bom domínio do conhecimento. 
4ª) Ao falarmos sobre a Psicologia Cognitiva é incorreta: 
a) tem por base, especialmente, os conceitos da Epistemologia Genética de Jean 
Piaget e seu construtivismo. Severino (1994) considera que a Epistemologia 
Genética está vinculada ao movimento denominado de racionalista 
transpositivista. A opção investigativa de Piaget (1995) não se foca nas condições 
externas que envolvem a produção e a elaboração do conhecimento, ele defende 
que é a atividade da criança que produz o conhecimento e essa atividade não 
decorre das pressões do mundo externo. Piaget (1994) coloca o processo de 
desenvolvimento como um monólogo, em que a criança enfrenta o mundo sozinho 
e tem como tarefa (que corresponda a seu nível de desenvolvimento) construir uma 
representação desse mundo, podendo assimilar e acomodar os resultados, de 
acordo com os processos lógicos, de um jogo, por exemplo. 
b) na Teoria do desenvolvimento, Piaget (1999) desenvolveu sua teoria do 
desenvolvimento, considerando o processo biológico e maturacional que a criança 
vem a ter ao longo de sua vida. Ele considerou aspectos que envolvem a ação da 
criança no mundo e seu grau de interação com os objetos. À medida que a 
maturidade cognitiva avança na criança, maior é sua ação em busca de 
descobertas. Cada criança apresenta um ritmo diferente em seu processo mental, 
todavia Piaget (2011) elegeu aspectos importantes do desenvolvimento, 
relacionando-os a diferentes níveis, denominados de estágios. 
c) estágio sensório-motor: ocorre de 0 a 2 anos e é dominado pelos reflexos. A 
maturidade cognitiva avança e propicia à criança o domínio sensorial e perceptivo 
de sua realidade, fazendo com que sua motricidade também ganhe em qualidade. 
Para Piaget (2011), a inteligência surge antes da linguagem e se caracteriza como 
inteligência prática. No fim desse estágio, espera que a criança tenha domínio 
cognitivo em relação à noção do eu e consiga diferenciar os objetos. 
d) estágio pré-operatório: vai dos 2 aos 6-7 anos, sendo caracterizado pelo 
surgimento da inteligência representativa. Piaget (1999) considera que esse 
processo envolve o pensamento egocêntrico, em que a criança se volta para si e 
ignora situações a sua volta. A criança se liberta do comportamento egocêntrico 
fazendo uso de conceitos de reversibilidade, o que lhe possibilita elaborar novas 
ações e ampliar o seu processo intelectual. Neste estágio se ampliam as ações 
coletivas e as brincadeiras, que implicam no surgimento de novas habilidades, 
tanto motoras quanto cognitivas. 
5ª) Em relação a plasticidade neural e o processo de aprendizagem é incorreta: 
a) a plasticidade neural está relacionada à formação de novas conexões nervosas, 
que alteram funções do cérebro durante seu crescimento. À medida que o indivíduo 
interage com seu meio, novos elementos de aprendizagem vão ocorrendo e 
modificando sua estrutura neurológica. A plasticidade neural deixa de atuar 
também em casos de lesões no sistema nervoso central (SNC), buscando uma 
adaptação do indivíduo ao seu ambiente. Existem outros termos correlatos usados 
na literatura para a plasticidade neural: plasticidade neuronal e plasticidade 
cerebral. 
b) para Gazzaniga, Ivry e Mangun (2006, p. 739), plasticidade é a "habilidade para 
mudar, como na maleabilidade dos materiais plásticos. No sistema nervoso, a 
plasticidade está envolvida, durante o desenvolvimento, na recuperação de lesões 
e no aprendizado diário". É fundamental afirmar que esse processo não se dá ao 
acaso ou como fruto do desenvolvimento biológico do indivíduo; é necessário todo 
um processo de estimulação e mediação com outras pessoas para que o indivíduo 
possa aprender ou reaprender em casos de lesão neurológica. Oliveira (2000, p. 
173) explica esse processo, argumentando que: 
c) o aprendizado de qualquer coisa amplia a capacidade de continuar aprendendo 
outras coisas através da "plasticidade" neuronal formada pela multiplicação de 
novas ramificações e brotamentos sinápticos a partir da estrutura neuro-anátomo-
histo-citológica original que se aperfeiçoa pelos sistemas neuroquímicos, 
característicos do SNC humano. O cérebro humano aprende a aprender. 
Entretanto, se não for estimulado por coisas novas limita-sea repetir funções 
antigas e vai desaprendendo pela desconfiguração dos circuitos em desuso. 
d) a plasticidade age positivamente no indivíduo quando os conteúdos aprendidos 
são intercalados com novos desafios, ampliando o potencial de aquisição para os 
conhecimentos. Entretanto, esse processo pode ocorrer de modo inverso quando 
o indivíduo não tem acesso ao seu pleno potencial de desenvolvimento, ficando 
limitado a uma estimulação insuficiente. 
6ª) Sobre dislalia é incorreta: 
a) envolve problemas na articulação de fonemas em que se torna difícil coordenar 
movimentos de expressão da fala, interferindo diretamente sobre a qualidade na 
pronúncia de consoantes e vogais. Isso pode ocorrer tanto em relação a um som 
em específico quanto a vários sons. 
b) a alteração da fala apresentada pela criança envolve, conforme José e Coelho 
(2006, p. 47), "omissão, substituição ou acréscimo de sons da palavra falada". Outra 
característica é o uso de sons isolados que podem estar relacionados a problemas 
respiratórios ou articulatórios (aqui há a necessidade de um trabalho de 
discriminação auditiva e de coordenação motora fina). 
c) alteração na expressão da fala em que a criança não pronuncia adequadamente 
os fonemas, apresentando imprecisão fonoarticulatória. Mesmo com a fala 
incorreta das palavras com substituição, omissão, distorção e/ou acréscimo de 
letras, isso não pode afetar o aprendizado da escrita, bem como gerar situações de 
rebaixamento da autoestima da criança. 
d) lima (2008) destaca a etimologia da palavra dislalia, pois: a designação "dislalia" 
apresenta as suas bases etimológicas nas referências gregas dys, que quer dizer 
dificuldade e lalein, correspondente ao verbo falar. Portanto, na base desta 
designação estão dificuldades tão amplas quanto as manifestas para a produção 
da fala. (Lima, 2008, p. 151, grifos do original). 
7ª) Sobre genética e ambiente sociocultural é incorreta: 
a) a aprendizagem é, segundo Tomaselli (2018), um processo que tem por base uma 
série de fatores, entre eles, a genética e o ambiente sociocultural. A genética gera 
influências no modo como uma pessoa se envolve no domínio de informações e 
como elabora/aplica o conhecimento. Por sua vez, o ambiente sociocultural 
possibilita a disponibilidade de recursos educacionais, métodos de ensino e a 
qualidade na sistematização do conhecimento. 
b) a genética desempenha um papel importante tanto na superação quanto na 
produção de dificuldades de aprendizagem. Se as pessoas crescerem em locais 
com pouco acesso às boas condições de vida e tiverem recursos educacionais 
limitados, a qualidade de ensino será inferior às suas potencialidades, implicando 
maiores dificuldades na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades 
afetivas e cognitivas. 
c) as dificuldades de aprendizagem são associadas, de modo geral, a problemas 
cognitivos ou mesmo aos comportamentos impulsivos; contudo, elas também 
podem estar relacionadas às dificuldades afetivas e emocionais enfrentadas pelo 
indivíduo (Rotta; Ohlweiler; Riesgo, 2018). 
d) Os educadores devem ter ciência do modo como as dificuldades afetivas e 
emocionais afetam a aprendizagem, agindo no sentido de desenvolver abordagens 
e métodos de ensino para atender às necessidades do aprendiz. Um ambiente 
seguro e acolhedor para todos os alunos e a implementação de atividades que 
valorizem o bem-estar emocional podem auxiliar na redução da ansiedade e 
potencializar a aprendizagem da criança (Tavares et al., 2021). 
8ª) Em relação a dislexia é incorreta: 
a) a criança disléxica não apresenta um bom domínio de leitura e de escrita, mesmo 
que sejam oferecidas a ela situações de aprendizagem similares a de outras 
crianças. Ferreira Pinto (2012, p. 22) considera que: A dislexia é uma incapacidade 
específica de aprendizagem de origem neurobiológica. É caraterizada por 
dificuldades na correção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa 
competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um défice 
fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às 
condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de 
compreensão leitora, experiências de leitura reduzida que pode impedir o 
desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais. 
b) Candido (2013, p. 13) ressalta que: A dislexia é um transtorno de aprendizagem 
que se caracteriza por dificuldades em ler, interpretar e escrever. Sua causa tem 
sido pesquisada e várias teorias tentam explicar o porquê da dislexia. Há uma forte 
tendência que relaciona a origem à genética e a neurobiologia. Ou seja, os 
disléxicos possuem uma leitura inconsistente e lenta, caracterizada por ser silábica 
e insegura, mesmo quando há empenho por parte da criança em tentar ler uma 
frase. A leitura é monótona, apresenta confusão entre uma linha e outra e não 
respeita as regras de pontuação. Em relação à escrita, ela é irregular, mal 
construída, desorganizada e ocorre o uso inadequado da pontuação, sendo que 
letras maiúsculas e minúsculas podem se misturar dentro de uma mesma palavra. 
c) dislexia: dinâmica social: se caracteriza com a criança repetindo palavras, sem 
dominar a compreensão da leitura. Ela lê bem e em voz alta, porém a leitura é 
realizada de modo mecânico. Por exemplo, no ambiente familiar, muitas vezes, a 
criança é vista como tão capaz quanto qualquer outra, pois demonstra-se 
inteligente e com boa coordenação motora; porém, quando chega à escola, os 
problemas de aprendizagem começam a surgir e a família não compreende como 
isso pode estar ocorrendo. Por vezes a criança é taxada de preguiçosa no ambiente 
familiar e isso se estende para o ambiente escolar. 
d) a dislexia pode ser caracterizada de acordo com sua especificidade; assim, 
temos as seguintes dislexias: da linguagem interior; auditiva; visual; fonológica (ou 
disfonética); e do desenvolvimento de superfície (ou diseidética). A leitura depende 
de dois elementos fundamentais: visão e audição; na dislexia auditiva a criança 
perde o elemento audição, fazendo com que ela não compreenda o que está 
tentando ler, pois a leitura depende de saber diferenciar sons de uma palavra e de 
encontrar elementos similares. Alguns aspectos que se destacam na dislexia 
auditiva envolvem uma busca por parte da criança de tarefas visuais e dificuldades 
em tarefas que tem por base a memória auditiva. 
9ª) Ao falarmos da Classificação Internacional de Doenças (CID 11) é incorreta: 
a) criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), busca investigar 
estatisticamente a saúde no mundo, com foco em situações de prevenção de 
doenças, bem como de morbidade e de mortalidade. A CID 11 (WHO, 2018) 
também aborda transtornos relacionados à aprendizagem, definindo-os como 
transtornos do desenvolvimento da aprendizagem que podem afetar a criança 
desde o seu nascimento. Para ela (WHO, 2018), os transtornos envolvem limitações 
que podem se tornar persistentes ao longo da vida e geralmente são percebidas no 
âmbito acadêmico. 
b) o aprendiz não consegue acompanhar os ensinamentos e apresenta um 
desempenho inferior ao mínimo necessário, o que pode demonstrar perdas na 
elaboração mental de problemas relacionados ao ambiente escolar ou familiar do 
aluno. Também pode ocorrer uma defasagem na idade cronológica, com atrasos 
em processos que necessitam ser bem compreendidos. A CID 11 (WHO, 2018) 
destaca os seguintes transtornos: transtorno com comprometimento na leitura; 
transtorno com prejuízo na expressão escrita; e transtorno com comprometimento 
em matemática. 
c) o transtorno do desenvolvimento da aprendizagem com comprometimento da 
leitura é definido pela CID 11 (WHO, 2018) como a presença de limites persistentes 
e constantes que afetam as habilidades acadêmicas de leitura. O aprendiz não 
consegue estabelecer uma leitura fluente e não demonstra compreensão do 
conteúdo em que faz a tentativa de leitura. Frequentemente, mesmo com a 
apresentação de modelos, o aluno não memoriza os dados paraaplicar em uma 
nova questão, demonstrando um nível cognitivo abaixo da sua idade cronológica. 
Esse transtorno não pode estar vinculado às deficiências intelectuais, auditivas e 
visuais; aos distúrbios motores, à ausência de domínio da língua materna (no caso 
de um aluno estrangeiro); e à ausência de acesso à educação. 
d) a CID 11 (WHO, 2018) destaca que o transtorno do desenvolvimento da 
aprendizagem com prejuízo na expressão escrita envolve fragilidades que o 
aprendiz apresenta especialmente na gramática, na pontuação e na ortografia. 
Além disso, deve-se observar que, nesse transtorno, a exposição de conceitos e 
ideias está desarticulada em relação ao que é exposto no texto escrito. O aluno 
demonstra prejuízo no desenvolvimento das atividades, que ficam aquém do 
esperado para a sua idade cronológica, causando prejuízos no acompanhamento 
dos conteúdos e perdas significativas de conhecimentos acadêmicos. 
10ª) Em relação as dificuldades/problemas de aprendizagem é incorreta: 
a) Ênfase no baixo desempenho associado à capacidade intelectual e disfunção do 
sistema nervoso central: o conceito de Kirk (2014) considera especialmente os 
problemas relacionados à linguagem e ao desempenho escolar, que podem estar 
relacionados a dificuldades neurológicas, emocionais ou comportamentais. Já 
Bateman (1965) acrescenta a relação entre educação e potencial intelectual, 
ampliando a definição de Kirk. 
b) Ênfase na inadequação das funções psicológicas gerando inabilidades: conceito 
defendido pelo The Council for Exceptional Children e pela Division for Children 
with Learning Disabilities, de acordo com Cruz (1999, p. 55), considera que "um 
indivíduo DA não podia apresentar simultaneamente problemas educativos, 
deficiência mental, cegueira, surdez, ou distúrbios emocionais". Esse conceito teve 
pouco apoio por considerar as dificuldades de aprendizagem de modo isolado. 
c) Ênfase nas dificuldades de aprendizagem diversas ao longo da vida, nas 
dificuldades na linguagem falada e nas dificuldades acadêmicas: conceito da The 
Northwestern University sobre as dificuldades de aprendizagem destaca que 
problemas na orientação espacial afetam o domínio de conceitos abstratos, 
embora considere que a má elaboração cognitiva não possa ser considera como 
uma desordem do pensamento. 
d) Ênfase nas dificuldades acadêmicas, de linguagem e de conceitos abstratos: o 
The 1976 U.S. Office of Education e o The 1977 U.S. Office of Education abordam as 
dificuldades de aprendizagem sob o prisma cognitivo, associando as perdas 
acadêmicas ao mau desenvolvimento linguístico.

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