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Mobilização Precoce
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Terapia Respiratória Faculdade Santa MarcelinaFaculdade Santa Marcelina

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## Resumo sobre Mobilização Precoce em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)A mobilização precoce é uma intervenção terapêutica que ganhou destaque a partir da década de 1970, quando fisioterapeutas passaram a integrar as equipes das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), especialmente com a criação da especialidade de Fisioterapia Respiratória. Essa prática visa iniciar atividades de mobilização logo após a estabilização das condições fisiológicas do paciente, não esperando a retirada da ventilação mecânica ou a alta da UTI. O objetivo principal é reduzir os efeitos negativos do imobilismo prolongado, que historicamente foi considerado necessário, mas que hoje se sabe causar diversas complicações. A mobilização precoce traz benefícios físicos e psicológicos, diminui o tempo de ventilação mecânica e reduz a incidência de infecções hospitalares e internações prolongadas.### Impactos do Imobilismo e Critérios de SegurançaO repouso absoluto, antes considerado padrão para pacientes críticos, mostrou-se prejudicial, pois o imobilismo prolongado afeta vários sistemas do corpo. No sistema cardiovascular, ocorre diminuição do volume sanguíneo e da concentração de hemoglobina. No sistema respiratório, há redução da capacidade vital e da capacidade residual funcional. O sistema metabólico sofre com o aumento da excreção de cálcio e nitrogênio, enquanto o sistema musculoesquelético apresenta perda de massa e força muscular. Para garantir a segurança da mobilização precoce, é fundamental que o paciente esteja hemodinamicamente estável, mesmo que inconsciente, e que sejam observados critérios neurológicos (como pressão intracraniana e resposta a comandos verbais), cardiovasculares (frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e média) e respiratórios (frequência respiratória, saturação de oxigênio, parâmetros da ventilação mecânica).### Indicações, Contraindicações e Protocolo de MobilizaçãoPacientes indicados para mobilização precoce são adultos estáveis hemodinamicamente e respiratoriamente, com reserva nutricional e cardiovascular adequada, internados em UTI por pelo menos 72 horas, preferencialmente cooperativos e sem hipertensão intracraniana. Contraindicações incluem doenças terminais, hipertensão arterial sistólica acima de 170 mmHg, saturação de oxigênio abaixo de 90%, hipertensão intracraniana, fraturas instáveis, infarto recente, feridas abdominais abertas e quedas significativas da frequência cardíaca durante a mobilização. Para facilitar a decisão clínica, um sistema de cores foi desenvolvido: verde indica baixo risco, amarelo requer avaliação multidisciplinar e vermelho contraindica a mobilização.O protocolo de mobilização precoce inclui uma variedade de exercícios e técnicas, como cinesioterapia (mobilização passiva, exercícios ativos e resistidos, posicionamento), eletroestimulação neuromuscular, treino de sedestação, controle de tronco, mobilidade para transferências no leito, ortostatismo, marcha e cicloergometria para membros superiores e inferiores. A dose e intensidade dos exercícios devem ser individualizadas, respeitando os critérios de segurança e a tolerância do paciente.### Avaliação Funcional e Considerações FinaisPara monitorar a força muscular e funcionalidade dos pacientes críticos, utilizam-se escalas específicas. A Escala Medical Research Council (MRC) avalia a força muscular em seis movimentos dos membros superiores e inferiores, com pontuação de 0 (plegia) a 5 (força normal) por movimento, totalizando até 60 pontos. Essa escala ajuda a identificar a "fraqueza adquirida na UTI", geralmente simétrica e bilateral. Já a Escala Functional Status Score (FSS) avalia a funcionalidade pós-alta da UTI, considerando cinco tarefas funcionais (rolamento, transferências, sentar-se e caminhar), com pontuação de 0 a 7 para cada tarefa, totalizando até 35 pontos. Escores mais altos indicam maior independência funcional.A mobilização precoce é considerada segura, com efeitos adversos mínimos e geralmente não graves, e não aumenta a mortalidade dos pacientes. Ela contribui para minimizar os impactos da hospitalização, melhora os resultados funcionais, especialmente após a alta, e favorece a reinserção social do paciente. O sucesso da intervenção depende do preparo e conhecimento da equipe multidisciplinar, que deve estar atenta às medidas de segurança para prevenir e manejar possíveis complicações. O acompanhamento contínuo após a alta é fundamental para garantir a recuperação plena do paciente.---### Destaques- A mobilização precoce inicia-se logo após a estabilização do paciente, reduzindo complicações do imobilismo e tempo de ventilação mecânica.- O imobilismo prolongado afeta negativamente os sistemas cardiovascular, respiratório, metabólico e musculoesquelético.- Critérios rigorosos de segurança e contraindicações são essenciais para a aplicação segura da mobilização precoce.- Protocolos incluem cinesioterapia, eletroestimulação, treino de mobilidade e exercícios progressivos individualizados.- Escalas MRC e FSS são ferramentas importantes para avaliar força muscular e funcionalidade, auxiliando no acompanhamento da recuperação.

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