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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM SAÚDE, DIREITOS HUMANOS E
SEGURANÇA PÚBLICA
ACHLEY RAVENA DE MATTOS
ALBERTO PEREIRA DA SILVA
MARIO OLIVEIRA
SAMARA SOARES SANTOS
SAÚDE MENTAL E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES NA
REALIDADE DE POLICIAIS MILITARES NO BRASIL
VITÓRIA,ES
2024
ACHLEY RAVENA DE MATTOS
ALBERTO PEREIRA DA SILVA
MARIO OLIVEIRA
SAMARA SOARES SANTOS
SAÚDE MENTAL E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES NA
REALIDADE DE POLICIAIS MILITARES NO BRASIL
Trabalho apresentado ao Programa de
Pós-Graduação em Saúde, Direitos Humanos
e Segurança Pública do Centro de Ciências
da Saúde da Universidade Federal do Espírito
Santo, como requisito parcial para obtenção
de nota na disciplina de Metodologia da
Pesquisa Científica II, ministrada pela
professora Dra. Suzanny Oliveira Mendes.
VITÓRIA, ES
2024
RESUMO
Os efeitos negativos do trabalho em policiais militares no Brasil originam-se de
variáveis complexas e alarmantes. A natureza da função e as condições de trabalho
adversas são fatores cruciais para o desencadeamento de problemas psicológicos
entre estes profissionais. Por meio de revisão de literatura, o objetivo dessa
pesquisa foi relacionar as intervenções voltadas para a saúde mental, as práticas
integrativas complementares (PICs) e a atuação de policiais militares no Brasil,
conforme descrito na literatura científica nacional. Para a busca de artigos
científicos, foram utilizadas as bases de dados eletrônicas Scientific Electronic
Library Online (SciELO Brasil) e Google Acadêmico, utilizando-se os termos "Polícia
Militar", "saúde mental" e “Práticas Integrativas Complementares” Os artigos foram
selecionados com base na relevância direta ao tema abordado, após análise inicial
de seu conteúdo. Os estudos relacionados à saúde mental de policiais militares no
Brasil evidenciam um contexto no qual emergem impactos psicológicos típicos, e
como resultados, observou-se que a implementação de intervenções psicológicas e
programas de prevenção em instituições policiais, além da avaliação da eficácia
dessas abordagens na redução do estresse e promoção do bem-estar mental nos
programas já instituídos mostraram-se promissores e contribuíram para o
acolhimento do sofrimento profissional. A análise dos artigos evidenciou o estresse
como um fator crítico, sendo vital o estudo desse fenômeno para abordar a saúde
mental nas instituições policiais. Assim, desenvolvendo apontamentos
implementação de estratégias de prevenção e tratamento eficazes, contribuindo
para a integridade e o bem-estar das forças policiais brasileiras.
Palavras-chave: Polícia Militar. Saúde Mental; Práticas Integrativas
Complementares.
ABSTRACT
The negative effects of work on military police officers in Brazil originate from
complex and alarming variables. The nature of the job and adverse working
conditions are crucial factors triggering psychological problems among these
professionals. Through a literature review, the aim of this research was to relate
interventions aimed at mental health, complementary integrative practices (CIPs),
and the role of military police officers in Brazil, as described in the national scientific
literature. For the search for scientific articles, the Scientific Electronic Library Online
(SciELO Brazil) and Google Scholar electronic databases were used, employing the
terms "Military Police," "mental health," and "Complementary Integrative Practices."
Articles were selected based on their direct relevance to the topic after an initial
analysis of their content. Studies related to the mental health of military police
officers in Brazil reveal a context in which typical psychological impacts emerge, and
as a result, the implementation of psychological interventions and prevention
programs in police institutions, along with the assessment of the effectiveness of
these approaches in reducing stress and promoting mental well-being in established
programs, have proven promising and have contributed to addressing professional
distress. The analysis of the articles highlighted stress as a critical factor,
emphasizing the importance of studying this phenomenon to address mental health
in police institutions. Thus, developing insights into the implementation of effective
prevention and treatment strategies contributes to the integrity and well-being of
Brazilian police forces.
Key words: Military Police, Mental Health; Complementary Integrative Practices.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 8
2 OBJETIVOS 13
2.1 OBJETIVO GERAL 13
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 13
3 METODOLOGIA 14
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 15
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 16
6 REFERÊNCIAS 19
1 INTRODUÇÃO
A importância da saúde e bem-estar dos profissionais de segurança pública, mais
especificamente em policiais militares, apresenta desafios e reflexões
contextualizadas na realidade atual, pois desempenham um papel fundamental na
manutenção da ordem pública e na proteção dos cidadãos, enfrentando
rotineiramente situações de risco e desafios físicos e psicológicos. Azeredo et al
(2021) e Santos e Saturnino (2023) ressaltam que a natureza da profissão expõe os
policiais militares a uma série de desafios físicos, psicológicos e sociais, o que deixa
sua saúde vulnerável.
A profissão policial é reconhecida por suas demandas específicas e pelo potencial
de exposição ao estresse ocupacional (Sousa et al, 2022). Estudos nacionais e
internacionais têm destacado que as características do trabalho policial, como os
riscos inerentes à profissão, a falta de efetivo, equipamentos inadequados e o
excesso de trabalho, estão associadas a altos níveis de estresse entre os policiais.
Os policiais militares estão expostos a uma série de contingências que afetam sua
saúde mental, como a burocracia, a rigidez hierárquica, a falta de controle sobre o
processo de trabalho, o contato direto com a sociedade e o constante perigo ao qual
estão expostos, conforme apresentam Moura (2019) e Bombarda et al (2022).
Sousa et al (2024) alertam para percebe-se “uma fenda na literatura”, em relação às
políticas de saúde mental para os profissionais de segurança pública no Brasil,
devendo ser considerado que o policial militar saudável pode contribuir melhor
para a sociedade e o Estado, porém para promover saúde mental, a administração
precisa empreender projetos e programas que estejam de acordo com a gestão da
qualidade da corporação.
Urbani et al (2019) descrevem várias fontes de adoecimento referentes à atividade
policial militar: risco de morte, a pressão e responsabilidade inerente à função,
questões relacionadas à infraestrutura da corporação (sobrecarga e o acúmulo de
tarefas por falta de efetivo), considerando ainda a inadequação de instalações,
equipamentos e sistemas que são disponibilizados para a rotina do trabalho. Todos
esses fatores contribuem para prejuízos a curto e longo prazo da saúde em geral
dos policiais militares expostos a condições de trabalho inadequadas e o dia-a-dia
de suas atividades.
O estresse ocupacional, resultante de fontes físicas e psicossociais presentes no
ambiente de trabalho, pode ter impactos significativos na saúde mental, na
satisfação profissional e no desempenho dos policiais. Portanto, compreender e
abordar o estresse ocupacional entre os policiais é fundamental não apenas para
garantir seu bem-estar, mas também para promover uma atuação policial eficaz e
para a segurança da população. Destaca-se o impacto do estresse ocupacional na
saúde mental,que é descrito como uma resposta complexa a situações
desafiadoras, que pode levar a consequências negativas para a saúde se não for
gerenciado adequadamente. Para Santos et al (2021,p. 5988):
O ambiente e o processo de trabalho dos policiais militares trazem implicações importantes
para a saúde, o bem-estar e a produtividade destes profissionais, refletindo diretamente na
qualidade e resolutividade do serviço de segurança.
O estresseé uma resposta complexa do organismo a situações que demandam
adaptação e enfrentamento, envolvendo componentes psicológicos, físicos e
mentais. Embora seja uma reação natural e até mesmo necessária em certas
circunstâncias, a exposição prolongada ao estresse ou a predisposição do indivíduo
a determinadas doenças pode resultar em efeitos prejudiciais à saúde. Estudos
anteriores destacam a relação entre o estresse e a saúde dos profissionais de
segurança pública. Dejours (2007) aborda as questões relacionadas à carga física e
mental no trabalho, enquanto Carvalho et al. (2008) identifica a prevalência de
bruxismo e estresse emocional em policiais militares. Além disso, Minayo, Souza e
Constantino (2007) evidenciaram o sofrimento mental enfrentado pelos policiais em
sua atividade profissional.
As análises dos diversos estudos que evidenciam os desafios enfrentados pelos
policiais, incluindo a exposição a situações de violência e a sensação de
desvalorização profissional; Dessa forma, deve-se pensar no indivíduo que veste a
farda, sendo indispensável um processo de alívio e principalmente de prevenção de
tensões, que possam levar à apatia, desmotivação, chegando até a destruição do
homem (Rosa, 2021).
Há uma crescente atenção à saúde mental dos policiais, intensificada por pesquisas
e coberturas midiáticas, destacando a necessidade de políticas e práticas que
promovam seu bem-estar. As abordagens aos determinantes sociais de saúde
sugere que as condições de vida e trabalho são fatores cruciais que afetam a saúde
dos trabalhadores. Os determinantes sociais de saúde, como definidos por Buss e
Filho (2007), abrangem uma ampla gama de fatores que influenciam a ocorrência de
problemas de saúde e seus fatores de risco na população, incluindo aspectos
sociais, econômicos, culturais, étnico-raciais, psicológicos e comportamentais.
Nesse contexto, o trabalho ocupa um papel central, uma vez que as condições de
vida e de trabalho podem impactar significativamente a saúde dos trabalhadores.
A saúde dos trabalhadores, compreendida em sua totalidade física, mental e social,
tem sido objeto de crescente interesse nas discussões acadêmicas e práticas de
saúde pública. Para Figueiredo (2023), a prática de atividade física organizada
precisa de motivação, que pode ser analisada como agente decorrente da
compreensão de estímulos de motivação intrínseca e extrínseca, englobando
desde a satisfação produzida pelo exercício a fatores ambientais e organizacionais.
Embasada pelo conceito da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2022), que
define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não
apenas a ausência de doença, a abordagem dos determinantes sociais de saúde
(DSS) tem se destacado como um importante campo de estudo e intervenção.
Desde a década de setenta, a saúde mental ganhou destaque no Brasil,
intensificando-se nos últimos anos por meio de pesquisas científicas, cobertura de
noticiários nacionais e relatos de casos em cada estado que evidenciam graves
problemas relacionados à saúde mental dos policiais militares. Alves et al (2021)
apontam que a presença de estresse em policiais militares é frequente,
causando comprometimentos psicológicos e físicos, o que enseja a elaboração de
ações de promoção de saúde e prevenção dos transtornos mentais, sendo
primordial ainda a melhoria das condições laborais que são geradoras de
adoecimento.
Casagrande (2020), ao estudar o fenômeno do suicídio entre policiais, aponta a
discrepância de dados entre os Estados, ressaltando ainda a existência de
iniciativas, como o programa Saúde Preventiva, para a realização de exames com
os policiais militares da ativa para tabulação de dados e subsidiar estudos mais
avançados, além do acompanhamento psicológico disponível em algumas Unidades
da Federação.
Castro et al (2019) trazem em seu estudo que a ampliação de repertórios de
controle e prevenção ainda na fase de formação do policial, junto à organização de
espaços e grupos de discussão para troca de experiências e vivências são
reconhecidamente recursos que contribuem para a saúde mental e desenvolvimento
profissional nas organizações militares. Ao se investigar as fontes estressoras no
processo do adoecimento associadas às condições e organização do trabalho do
policial, bem como a percepção de risco, fatores de proteção e estratégias de
enfrentamento utilizadas por policiais militares permite variações metodológicas que
não apenas abordam fatores individuais, mas também de outras variáveis de
contexto preditoras de adoecimento ocupacional.
As relações interpessoais trazem em si um contexto particular, pois policiais militares
estão expostos a regras de convivência e cultura organizacional específicas. Para
Nascimento et al (2020), existe uma correlação entre indicadores de qualidade das
relações interpessoais e indicadores de saúde mental, mais especificamente
incluindo as possíveis associações entre estresse e depressão, o que mostra a
importância da avaliação do relacionamento entre os integrantes da corporação e
seus reflexos.
Carvalho et al (2020) alertam em seu estudo que dentre os principais problemas que
afetam a saúde mental dos policiais militares podem ser destacados a exaustão
emocional, a depressão e os sentimentos de impotência frente às atividades a
serem realizadas em seu dia-a-dia, ressaltando ainda a inexistência de assistência
ou método de enfrentamento relacionados ao controle e o cuidado com a saúde
mental, fazendo emergir sintomas psicossomáticos que podem se agravar e
favorecer a incidência de transtornos mentais.
O Modelo de Dahlgren e Whitehead, citado por Badziak e Moura (2010), apresenta
uma estrutura que vai desde características individuais até macrodeterminantes,
passando por estilos de vida, redes sociais e comunitárias, e fatores relacionados às
condições de vida e trabalho. Dentro dessa perspectiva, é crucial considerar a saúde
mental como parte integrante dos determinantes de saúde, uma vez que o ambiente
laboral pode tanto ser afetado pelo sofrimento mental do trabalhador quanto ser um
fator etiológico desse sofrimento.
O cenário da segurança pública no Brasil é marcado por uma série de desafios e
adversidades que impactam diretamente a vida dos profissionais que atuam nessa
área. Constantemente expostos ao medo de errar, convivendo em meio ao risco
tanto no ambiente de trabalho quanto em suas comunidades, esses profissionais
enfrentam uma série de pressões e ameaças que permeiam sua rotina diária.
Destarte, é fundamental ampliar o conhecimento sobre a relação entre saúde
mental e trabalho entre os profissionais militares, a fim de subsidiar políticas e
práticas de promoção e prevenção em saúde direcionadas a essa população. Este
projeto de pesquisa tem como objetivo realizar uma revisão da literatura nesse
campo, visando identificar lacunas de conhecimento e propor estratégias para
futuras investigações e intervenções.
No contexto do atendimento ao policial militar e dos cuidados com a saúde mental,
torna-se crucial o desenvolvimento de estratégias conhecidas como Práticas
Integrativas e Complementares (PICS). Estas práticas oferecem tratamentos
fundamentados em teorias que consideram os aspectos ambientais e visam
estimular os mecanismos naturais de prevenção e controle de doenças de forma
segura, conduzidos por profissionais capacitados no âmbito da atenção primária à
saúde.
A relevância desta pesquisa é justificada pelo aumento no número de pacientes que
manifestam algum tipo de transtorno mental, influenciados por uma variedade de
fatores, incluindo o aumento de casos de estresse, sobrecarga de trabalho e
isolamento social, entre outros. Portanto, é fundamental a implementação e
aprimoramento dos serviços de saúde mental. Abordar essa temática é de extrema
importância, pois as PICS podem atenuar os problemas de saúde mental na
Atenção Primária à Saúde (APS), proporcionando melhorias significativas para os
usuários.Diante do exposto, cada vez mais percebe-se a necessidade de explorar e
compreender mais profundamente esses desafios enfrentados pelos profissionais de
segurança pública, que incluem desde a possibilidade de serem alvos de violência
mesmo durante os momentos de folga até a jornada de trabalho extenuante e a
sensação de desvalorização da profissão. Nesse contexto, surge uma crescente
produção científica que busca compreender o nexo entre trabalho e saúde mental,
com ênfase nos profissionais de segurança pública. No entanto, ainda existem
lacunas de conhecimento a serem exploradas, o que justifica a necessidade deste
estudo para sistematizar tendências de pesquisa e identificar possíveis gaps na
literatura existente.
Considerando a promoção da saúde mental como um desafio significativo para o
policial militar no exercício diário, formulou-se a seguinte pergunta norteadora para a
pesquisa: "Os programas voltados à saúde mental do policial militar são efetivos no
Brasil?
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão da literatura científica brasileira,
para explorar a relação entre a saúde mental, as Práticas Integrativas
Complementares (PICs) e a atuação dos policiais militares no Brasil.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Identificar estudos relacionados à saúde mental do policial militar do Brasil;
- Relacionar se as intervenções descritas se encontram no rol das PICs, bem
como explorar sua relevância;
- Apontar desafios físicos, psíquicos e sociais relacionados ao exercício da
função policial militar, levando em conta sua exposição constante à violência.
3 METODOLOGIA
Para a busca de artigos científicos, foram consultadas as bases de dados
eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO Brasil) e Google Acadêmico,
utilizando-se os termos indexados em Descritores em Ciências da Saúde (DeCS):
"Polícia Militar", "saúde mental", “Práticas integrativas Complementares” em
português, conforme características da base de dados, junto dos operadores AND e
OR.
Após a busca, foram selecionados os artigos com base nos seguintes critérios de
exclusão: a) Estudos realizados no Brasil, considerando que a realidade da
segurança pública no Brasil tem suas particularidades e difere das de outros países,
sendo excluídas teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso; b) Tenham
como desfecho principal a saúde mental de policiais militares; c) Publicados entre
2019 a 2024. Foi ainda admitida a utilização de literatura específica sobre a
temática, que pudesse embasar as questões suscitadas pelo estudo e esclarecer
conceitos específicos.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme os procedimentos adotados, foram selecionados 14 artigos, categorizados
em 3 grupos: 1) Revisões Bibliográficas; 2) Avaliações/Diagnósticos; 3) Propostas de
Intervenção e analisados com base nos conceitos basilares presentes na literatura
selecionada como suporte teórico.
O grupo 1 , referente às “Revisões Bibliográficas”, concentrou o maior volume de
estudos, em um total de 7; dessa forma, podemos observar que as questões ligadas
à saúde mental que envolvem a profissão policial militar é um campo que possui
embasamento teórico sistematizado e que está em constante análise por
pesquisadores que reúnem e avaliam o estágio do conhecimento que está sendo
produzido, ajudando a atualizá-lo constantemente, para discussões.
Em relação ao grupo 2, que traz a categoria que abarca “Avaliações/Diagnósticos”,
foi composta por 5 estudos, sendo que 4 deles tiveram foco em coletar e analisar
dados, fazendo correlações e apresentando conclusões acerca de efeitos na saúde
mental de policiais militares, como ansiedade, depressão, estresse e dor
ocasionados por condições laborais; 1 artigo aborda o fenômeno do suicídio,
trazendo uma reflexão baseada em estudos e dados pretéritos, propondo
acompanhamento psicológico desde o recrutamento do policial.
A categoria “Propostas de Intervenção”, pertencentes ao grupo 3, foi composta por 2
estudos, caracterizando propostas a serem implementadas para assistência
psicológica para policiais militares. O volume discreto de estudos que descrevam
iniciativas concretas indica um gap, uma lacuna entre teoria e prática, ou em última
análise, na apresentação de soluções para uma temática que possui relevante corpo
de conhecimento produzido e com embasamento em estudos que caracterizam os
desafios da profissão policial militar.
O recorte apresentado evidencia que as Práticas Integrativas e Complementares em
Saúde ainda são pouco utilizadas e/ou relatadas no que diz respeito ao cuidado dos
trabalhadores da segurança pública, daí o número reduzido de artigos que
apresentem propostas concretas de intervenção. Os estudos apontam rumos e
possíveis mudanças no comportamento, que trariam melhorias significativas na
qualidade de vida e saúde mental dos trabalhadores que tiverem acesso às Práticas
Integrativas e Complementares.
A análise conjunta dos estudos selecionados aponta a relação entre a carga
excessiva de trabalho, a insatisfação com as funções desempenhadas, o
relacionamento interpessoal e hierárquico, e o acúmulo de atividades que levam ao
estresse, afetando diretamente o desempenho funcional dos policiais, além da
exposição excessiva à violência. De forma relevante, dois fatores se destacam: a
importância da prática de exercícios físicos para o desempenho e saúde mental dos
policiais militares, especialmente em um contexto de grande carga de trabalho e
estresse, e a falta de tempo e a indisposição causada pela intensidade do trabalho,
levando a uma alimentação inadequada e a um estilo de vida sedentário e trazendo
consequências negativas para a saúde física e mental desses profissionais.
A ausência de registro de iniciativas não reflete as considerações apresentadas, de
maneira geral, que trazem a necessidade de se repensar os modelos de relação
profissional e pessoal dentro da instituição policial, valorizando o respeito ao
indivíduo e reconhecendo as limitações dos profissionais diante das demandas do
trabalho. Destaca-se a necessidade de proporcionar espaços para que os policiais
possam expressar suas preocupações e sugestões, independentemente de sua
posição hierárquica.
Destarte, para um cenário ocupacional ansiogênico, uma rotina de ações
"ansiolíticas", tais como a prática das PICs com a intenção de melhoria da saúde
mental dos profissionais da segurança pública no Brasil, garantindo um exercício de
suas funções de uma forma mais saudável e com eficácia, sintetiza as conclusões e
considerações dos textos analisados, que trazem múltiplos fatores e consequências
negativas das condições que afetam o policial militar em suas atividades laborais.
Não obstante as PICs, outras práticas demonstraram significativa relevância para
que os impactos do estresse laboral da segurança pública alcance ao menos sua
mitigação, e se direcione para uma melhora na saúde mental dos policiais quanto ao
exercício da profissão, seja através de um suporte social mais forte e a importância
da saúde mental ser reconhecida por parte das próprias instituições.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nas últimas décadas houve um aumento na pesquisa sobre os agravos relacionados
aos transtornos mentais dos operadores de segurança pública. Contudo, torna-se
urgente a realização de estratégias voltadas para o cuidado em saúde mental
desses trabalhadores, com a finalidade de promover a redução dos sintomas e o
aumento da percepção do bem-estar e da saúde mental.
Nesse sentido, o presente estudo buscou conhecer e integrar as PICS entrelaçadas
com a saúde mental, buscando a possibilidade de melhoria da qualidade de vida de
policiais militares; realizar uma revisão de literatura; além de apontar políticas
públicas, sejam elas governamentais ou não, inclusive aplicadas no Estado.
O avanço nas discussões sobre a saúde mental de policiais militares pode ser
observada mediante o volume de estudos de revisão disponíveis, porémnão estão
atrelados a intervenções recentes , o que não possibilitou elencar se as iniciativas
disponíveis para esses profissionais encontram-se no rol das PICs: os resultados
apresentados mostram, por um lado, o baixo reconhecimento da oferta das PICs, e
de outro, uma base sólida de estudos que mostram a importância do tema saúde
mental nas corporações militares no Brasil, sendo de vital importância, como Sousa
colaboradores (2024) concluíram, a elaboração e implementação de políticas de
segurança pública que articulem a reformulação de acordo com as particularidades
de cada corporação.
Nesse sentido, no contexto da saúde mental de policiais militares no Brasil, e com
os desafios da implementação das PICS e seus benefícios para os atuantes em
segurança, faz necessário a ampliação de estudos sobre a temática para o
aprimoramento de discussões de quais métodos apresentam maior eficácia a
depender do estresse de cada paciente que foi submetido a essas práticas
integrativas, já que o tema apresenta baixa quantidade de estudos relevantes que
contribua de forma positiva e resolutiva para a melhora da sintomatologia dos
atuantes da segurança pública.
Também é importante ressaltar que a implementação das PICS no contexto da
segurança pública requer uma abordagem integrada e colaborativa entre diferentes
setores, incluindo as instituições de segurança pública, os serviços de saúde, as
universidades e a comunidade. É necessário investir em capacitação e
sensibilização dos profissionais de saúde e dos policiais militares sobre os
benefícios das PICS, bem como garantir o acesso equitativo a essas práticas,
independentemente da posição hierárquica ou cargo ocupado.
A presente revisão alcança seu objetivo ao apresentar um panorama dos estudos
nacionais que exploram a relação entre saúde mental e o trabalho do policial militar,
considerando que os estressores estão, muitas vezes, relacionados às atividades
exercidas e às produções sociais da profissão, que impõem aos profissionais a
uniformidade e a superioridade enquanto sujeitos afetados biopsicossocialmente,
como apontaram Silva e colaboradores (2024). Também evidencia a emergência de
modelos teóricos mais complexos e sofisticados, que ampliam nossa compreensão
dos processos subjacentes à saúde mental. Esses modelos não só consideram os
fatores do trabalho policial, mas também integram recursos pessoais como
resiliência, autoeficácia e competências emocionais, além da interação entre a vida
profissional e pessoal e fatores grupais, esclarecendo seu papel na modulação do
estresse e seu impacto na saúde mental.
Os resultados sobre fatores organizacionais demonstram que a falta de suporte,
recursos adequados e boas relações no trabalho têm um impacto negativo mais
significativo nos indicadores de saúde mental do que sua presença favorece
positivamente, como apontado por Minayo e colaboradores (2007), ao ressaltarem
que diferentes variáveis se associam à vivência de risco, destacando-se as
condições de trabalho, em especial, o exercício de outras atividades no período legal
de descanso. Em contrapartida, a percepção de suporte organizacional e recursos
no trabalho, como autonomia e apoio social de colegas e superiores, funcionam
como moderadores, atenuando os efeitos adversos do estresse.
Os recursos pessoais provam ser essenciais para a manutenção da saúde mental
no trabalho policial, mesmo sob condições adversas. As competências emocionais e
as estratégias de regulação emocional, além de predizer a saúde mental, também
servem como moderadores eficazes, minimizando os impactos negativos dos
estressores (Nascimento et al, 2020). É importante observar que, embora algumas
estratégias de enfrentamento sejam classificadas como adaptativas ou
desadaptativas, suas consequências podem variar conforme o contexto. Por
exemplo, estratégias focadas na resolução de problemas tendem a ser mais
benéficas do que as de evitação, embora estas últimas possam ser úteis
temporariamente em situações em que o controle é limitado (Carvalho et al, 2022;
Santos et al 2021).
Em termos práticos, os resultados deste estudo podem subsidiar políticas e
programas destinados a melhorar a saúde mental e reduzir o estresse entre
profissionais de segurança pública, focando especialmente nos estressores,
recursos de trabalho, apoio organizacional e social, relações interpessoais e
equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, sendo positivo o acompanhamento
psicológico para auxiliar os policiais militares, conforme destaca Casagrande (2022).
Esses fatores são de suma importância e, se não geridos adequadamente, podem
representar riscos psicossociais significativos, com consequências prejudiciais para
a saúde e o desempenho dos policiais e suas respectivas atividades, e como
destacam Castro e colaboradores (2019), a criação de políticas públicas com vistas
à prevenção e promoção da saúde de policiais militares não pode ignorar a presença
de diagnósticos de transtornos mentais, que evidenciam a importância da atenção
às condições de trabalho desses profissionais, que podem ser consideradas
preditoras de adoecimento ocupacional. em categorias profissionais evidencia a
necessidade de maior atenção às condições de trabalho, que constituem variáveis
de contexto preditoras de morbidade ocupacional.
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