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@ juf roe so do nto Odontopediatria Traumatologia Trauma Trauma dentário é uma lesão de gravidade, extensão e intensidade variáveis, causada por forças que atuam sobre o elemento dentário. Essas lesões podem ocorrer de forma acidental ou intencional. Prevalência e incidência Por que os traumatismos são tão comuns em crianças? As crianças possuem algumas características anatômicas que favorecem a ocorrência de traumas: ● A cabeça é proporcionalmente maior que o corpo, facilitando quedas. ● O osso infantil é mais poroso e maleável: garante maior absorção do impacto pelos tecidos de suporte. Fatores de risco Algumas condições aumentam a chance de traumatismo dentário: A obesidade também é um fator de risco, aumentando o risco de quedas. Causas: ● Quedas acidentais ● Acidentes automobilísticos ● Violência. O trauma pode começar antes mesmo do nascimento dos dentes: recém-nascidos que receberam intubação traqueal (que passa pela boca até a traqueia) podem apresentar alterações no esmalte dentário. Prevenção ao trauma Adequação física dos ambientes: uso de pisos antiderrapantes em creches e escolas, proteção de quinas e de brinquedos. Informação e orientação à comunidade: pais, responsáveis e professores devem receber orientações sobre primeiros socorros, prevenção, etc. Uso de protetores bucais e faciais: indicados principalmente em esportes radicais e de contato. Controle de hábitos deletérios: prevenção de hábitos deletérios auxilia no desenvolvimento adequado da oclusão e evitar futuros traumas. Correções ortodônticas: o tratamento ortodôntico pode reduzir fatores predisponentes ao trauma, como overjet acentuado e mordida aberta, Primeiros socorros 1. Sempre primeiro orientar a manter a calma 2. Limpar ferimentos sangrantes com água corrente (para avaliar extensão da ferida nesse momento) 3. Conter hemorragia por meio da pressão local com gaze ou tecido por 5 minutos. 4. Avaliar se as lesões de pele precisam de sutura e encaminhar para um médico, se houver lesões extraorais. 5. Se houver lesões dentárias encaminhar para um odontopediatra. 6. Em casos mais severos, encaminhar a criança para pronto socorro a fim de que o pediatra realize a abordagem multiciplinar da lesão. (criança muito tonta, sangramento no ouvido, andando cambaleando) O atendimento em situações de trauma é sempre dificil! (pai e mãe e criança estão fragilizados. A consulta precisa ser dirigida com muita destreza.) Elaboração do diagnóstico: Anamnese direcionada ao trauma: ● História médica do paciente: se possui alguma doença, alergia ou toma algum medicamento. ● Idade Onde foi o trauma? se for em um local contaminado - profilaxia antibiótica (utiliza a dose diária de um antibiótico de uma única vez). Verificar a validade da vacina antitetânica. Quando foi o trauma? quanto tempo decorrido após o trauma Como foi? Como o acidente ocorreu pode esclarecer o tipo de trauma sofrido. Exame clínico Manejo comportamental O ambiente de urgência gera medo e ansiedade. Devem-se utilizar técnicas de psicologia para acalmar o paciente: ● Dizer - Mostrar - Faz: explicar o que será feito com linguagem infantil, mostrar os instrumentos (como o espelhinho) e só então realizar o procedimento. ● Reforço Positivo: elogiar e premiar o bom comportamento da criança durante o atendimento para gerar confiança. ● Expressar preocupação em curtos intervalos: demonstrar empatia e perguntar frequentemente se a criança está bem ou se sente dor, mantendo o acolhimento. Antes de qualquer exame, deve-se realizar a antissepsia e limpeza da lesão com Clorexidina (solução aquosa) para remover sujeiras, permitindo a visualização nítida dos tecidos. Exame clínico extra-oral 1. Avaliar lesões na região extra oral. 2. Avaliação da ATM (Articulação Temporomandibular): O impacto no queixo pode deslocar o côndilo ou fraturá-lo. Deve-se verificar se a mandíbula apresenta desvios na abertura, assimetria ou se a criança relata incapacidade/dor ao abrir a boca. 3. Laceração de Língua: Cortes profundos na ponta da língua exigem sutura obrigatória, devido ao alto risco de cicatrização incorreta gerar uma língua bífida (partida ao meio). Exame clínico intra-oral Avaliação detalhada de dentes, osso e tecidos internos: 1. Palpação e movimentação óssea: palpar os tecidos para identificar se há deslocamento ou movimentação em bloco de alguma estrutura óssea (sinal de fratura). 2. Saliências e Crepitação: A presença de degraus ósseos ou barulho de estalo/atrito (crepitação) durante a palpação indica fratura do osso. 3. Mobilidade Dentária: avaliar o grau de mobilidade do dente. É importante checar com os responsáveis se o dente já tinha alguma mobilidade fisiológica (por estar na época de trocar) ou se o amolecimento foi decorrente estritamente da queda. 4. Alteração de cor (escurecimento): o dente pode mudar de cor logo após o trauma devido ao extravasamento de sangue para dentro dos canalículos dentinários. Testes de sensibilidade não são realizados no atendimento inicial devido à falta de confiabilidade das respostas da criança e à resposta neurológica temporariamente "dormente" do dente traumatizado. Exames Complementares (Radiográficos) A radiografia é indispensável para guiar a conduta. Seus objetivos principais são: 1. Avaliar a relação da raiz do dente decíduo com o germe do dente permanente sucessor. 2. Diagnosticar a presença e a localização exata de fraturas radiculares. 3. Identificar o espessamento do ligamento periodontal (sinal de deslocamento/luxação). 4. Avaliar o grau de rizólise (reabsorção natural da raiz do decíduo). Protocolo IADT para traumas na dentição decídua Traumas nos tecidos dentários: Trinca de esmalte: Definição: fratura incompleta do esmalte. Não tem perda de estrutura do esmalte. Diagnóstico: transluminescência. Tratamento: não requer tratamento. Caso o paciente sinta sensibilidade, realiza-se aplicação tópica de flúor. Fratura de esmalte: Definição: Perda de estrutura dentária restrita apenas ao esmalte Tratamento: regularização das bordas com tira de lixa ou restauração (é mais dificil). O tratamento é principalmente em bebês que são amamentados. Fratura de esmalte e dentina sem exposição pulpar Definição: Perda de estrutura que atinge esmalte e dentina sem exposição da polpa. Tratamento: o ideal é a restauração com resina composta. Para crianças não colaborativas (segundo a IADT) realiza-se o polimento das bordas e restaura com CIV. Fratura de esmalte e dentina com exposição pulpar Definição: Perda de estrutura (esmalte + dentina) com exposição direta do tecido pulpar Tratamento: ● Dentes com rizogênese incompleta: pulpectomia ou pulpotomia. ● Avaliar tempo que expôs, se possui cárie naquele dente. ● Se possui muito tempo e cárie, indica-se a pulpectomia. Fratura coronorradicular Definição: perda de estrutura que envolve simultaneamente esmalte + dentina + raiz. Pode ser complicada (B) (com exposição de polpa) ou não complicada (A) (sem exposição). Tratamento: ● Grande parte das fraturas coronoradiculares complicadas evoluem para exodontia. ● Se obteve exposição pulpar mas pouca perda de estrutura dentária - pulpectomia + restauração. ● Se obter uma fratura coronoradicular >4mm abaixo do nível cervical, é indicada a exodontia. Fratura coronoradicular com indicação de pulpectomia + restauração. http://dente.se Fratura coronoradicular com indicação de exodontia Fratura radicular O tratamento para fraturas radiculares ds dentes decíduos nem sempre é exodontia. A conduta clínica irá depender da localização dessa fratura. Fratura radicular cervicalQuando ela ocorre no terço próximo a cervical dos dentes decíduos o tratamento é exodontia. Devido a inviabilidade de restauração. Fratura radicular médio/apical Possui um melhor prognóstico porque o dente está mais estabilizado. Tratamento: proservar esse dente. ● Se ele fistular: realiza tratamento endodôntico até a linha de fratura e continua proservação. ● Está com mobilidade: contenção flexível/semi-rígida com fio de nylon. Para preservar a mobilidade fisiológica. Fraturas de tecido de suporte Concussão: Dente: não apresenta mobilidade, não apresenta deslocamento, não apresenta sangramento. Tratamento: não é necessário tratamento, mas sim acompanhamento, devido a chance de evoluir para uma alteração pulpar. É necessário pedir para o responsável avisar se houver qualquer alteração: fistula, edema, etc. Sintomas: pode haver dor na mastigação. ● Se houver dor: realizar desgaste do dente antagonista para evitar contato (de acordo com a IADT). ● Realizar repouso alimentar e remoção de hábitos de sucção. (melhor opção sempre). Subluxação Dente: mobilidade aumentada (porém discreta), sangramento marginal na gengiva (característico da subluxação), sem mudança de posição. Tratamento: Não é necesário tratamento; realizar repouso alimentar e remover hábitos de sucção. Acompanhamento: 1 semana e após 6-8 semanas. Radiografia apenas na suspeita de necrose. Luxação lateral Dente: com muita mobilidade (para vestibular, palatina/lingual, mesial ou distal), ocorre a mudança de posição para uma das faces devido a fratura da tábua óssea. Tratamento: 1. Deslocamento acentuado que afeta o germe do dente permanente (ex: coroa muito vestibularizada): indicação de exodontia. 2. Se não houver risco de comprometimento de sucessor (não teve deslocamento severo) e precisar de atendimento imediato - reposiciona o dente e contenção de 15 a 21 dias. (acompanhamento de 7 dias, 15 dias, 21 dias). 3. Deslocamento muito discreto (dente para palatina): a própria língua reposiciona o dente. Como realizar: ● Usar fio de nylon grosso ou fio metálico ● Realizar condicionamento ácido da superfície dentária com ácido fosfórico no centro do dente. ● Envolver 1 a 2 antes de cada lado do dente traumatizado. ● Aplicar adesivo ● Aplicar pequena quantidade de resina composta para prender o fio e fotoativar. Luxação extrusiva Dente: apresenta-se deslocado parcialmente para fora do alvéolo, possui mobilidade aumentada e parece alongado. Tratamento: é necessário medir o dente extruído. ● Se o dente possuir extrusão de >3mm: exodontia, devido risco ao permanente no reposicionamento. ● Se a extrusão for