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167 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO 7 OBJETIVOS DA ORGANIZAÇÃO EM INGRESSAR NO COMÉRCIO INTERNACIONAL Sob o ponto de vista da economia nacional, um dos principais motivos para um país exportar é a necessidade que ele tem de pagar suas importações. Já analisando sob o ponto de vista empresarial, o exportador absorve tecnologia e atinge novos mercados, o que provoca maior notoriedade nacional e internacionalmente, além de aumentar sua produtividade. A exportação proporciona ao país uma abertura para o mundo e é uma forma de se pôr à prova em outros mercados para verificar sua capacidade tecnológica. Dessa maneira, as empresas exportadoras assimilam e agregam técnicas e conceitos aos seus produtos e à sua estratégia no mercado interno; por exemplo: Maior produtividade – exportar implica aumentar a escala de produção existente mediante a utilização plena da capacidade da empresa, otimizando os processos produtivos. Assim, a empresa poderá, inclusive, minimizar seus custos de operação e aumentar sua margem de lucro, tornando-se mais competitiva e rentável. Quando uma empresa começa a exportar, sua produção aumenta numérica e qualitativamente. Isso pode ocorrer por meio da redução da capacidade ociosa existente ou da revisão dos seus processos produtivos. Com o aumento da produção, aumenta também a capacidade de negociação para a compra de matéria-prima. Com isso, o custo da fabricação, por exemplo, dos calçados tende a diminuir, tornando-os mais competitivos e aumentando a margem de lucro. Diminuição da carga tributária – a empresa pode conseguir uma compensação no recolhimento dos impostos devidos internamente por meio da exportação, da seguinte forma: I. Sobre produtos exportados não incide o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. II. Sobre produtos industrializados, semielaborados, primários ou prestação de serviço que forem exportados, não incide a cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. III. Para o cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, as receitas decorrentes da exportação são excluídas. IV. As receitas provenientes da exportação também são isentas para o cálculo do Programa de Integração Social – PIS e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep. Unidade III 168 Unidade III V. O Imposto sobre Operações Financeiras – IOF, aplicado também à exportação de produtos e serviços por meio das operações de câmbio tem alíquota zero. VI. Drawback – outro importante instrumento de estímulo às exportações é a operação de drawback que, criado em 1970, permite ao produtor importar insumos (máquinas e componentes) sem impostos quando a produção se destina ao mercado externo. Redução da dependência das vendas no mercado interno – o ingresso em mercados externos proporciona ao exportador maior segurança contra possíveis oscilações na demanda interna. Aumento da capacidade inovadora – as empresas exportadoras tendem a ser mais inovadoras, pois a concorrência externa “obriga” a uma constante adaptação tecnológica. Com isso, acabam introduzindo novos processos de fabricação e padrões de qualidade mais rigorosos. A qualidade do produto também tende a aumentar, pois a empresa tem que adaptá-lo às exigências do mercado ao qual se destina, o que a impõe a aperfeiçoá-lo. A empresa que exporta adquire, de graça, uma transferência de tecnologia, pois os países desenvolvidos transferem ao exportador normas e exigências que, com o tempo, passam a ser rotineiras e, assim, todos os seus negócios posteriores com o exterior ou com o mercado interno serão feitos dentro dessas normas. Aprimoramento de recursos humanos – as empresas exportadoras destacam-se também por investirem em seus funcionários, oferecendo treinamentos, melhores salários e oportunidades de ascensão. Geralmente, quando uma empresa passa a exportar, obtém melhoras significativas tanto dentro da empresa (novos padrões gerenciais, novas tecnologias, novas formas de gestão, qualificação da mão de obra, agregação de valor à marca) como fora dela (melhoria da imagem frente a clientes, fornecedores e concorrentes). Aperfeiçoamento dos processos industriais e comerciais – por meio da constante melhoria na qualidade e na apresentação dos seus produtos, a empresa se torna mais competitiva tanto no mercado interno quanto no mercado externo. As empresas exportadoras tendem a adotar programas de qualidade, passando a implantar mecanismos que garantam a qualidade, para evitar problemas com os importadores e até uma possível devolução do produto. Imagem da empresa – o fato de a empresa atuar no mercado internacional torna-a uma importante referência no Brasil, pois sua imagem passa a ser associada a padrões internacionais de qualidade, o que reflete positivamente para os seus clientes e fornecedores. Quando uma empresa inicia sua atividade exportadora, sua imagem muda; seu nome e sua marca passam a ser uma referência em relação à concorrência e ela passa a imagem de uma empresa de produtos de qualidade. Portanto, a exportação é o caminho mais eficaz para uma empresa garantir o seu espaço em um mercado globalizado e competitivo. Entretanto, existe um preço para a conquista desse espaço: as empresas que desejam exportar devem estar plenamente capacitadas para enfrentar a concorrência internacional, o que implica aporte de recursos financeiros. 169 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Para a economia brasileira, a atividade exportadora também possui uma grande importância estratégica: por contribuir com a geração de emprego e renda, por gerar divisas para equilibrar a balança comercial e por promover o desenvolvimento econômico nacional. Saiba mais Por meio do site do Ministério da Economia é possível obter dados semanais, mensais e anuais sobre a Balança Comercial Brasileira. Disponível em: http://www.mdic.gov.br. Acesso em: 22 dez. 2011. O IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – concluiu o seu estudo denominado Censo das Empresas Entidades Públicas e Privadas Brasileiras – Empresômetro, que apresenta a totalidade das empresas, das entidades privadas (associações, institutos, igrejas, fundos etc.) e das entidades públicas (federais, estaduais e municipais) que se encontram em atividade no país, cuja criação do empreendimento se deu até 30 de setembro de 2012. Segundo a publicação, o Brasil possui atualmente 12.904.523 empreendimentos, incluindo seus estabelecimentos matriz e filiais. Destes, 90%, que representam 11.663.454 empresas são empreendimentos privados. Outros 9%, ou, 1.144.081, são entidades privadas sem fins lucrativos, e 1%, 96.988 são entidades públicas governamentais. De acordo com o antigo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, atual Ministério da Economia, apenas 21482 exportaram de janeiro a dezembro de 2012, o que representa 0,184% do total de estabelecimentos privados. Além das dificuldades que envolvem falta de informação e insegurança, existem outras variáveis que acabam dificultando às pequenas e médias empresas brasileiras o ingresso no comércio internacional, tais como a: • adaptação e a modificação dos processos produtivos às exigências internacionais; • falta de planejamento de médio e longo prazo; • falta de recursos para investir em novos produtos e serviços; • não observância às leis de preservação ambiental e aos preceitos internacionais sobre os direitos humanos. Logo, pode-se constatar que as pequenas e médias empresas estão inseguras para atuar no mercado internacional. E não se pode ignorar esse fato, porque essas empresas respondem por cerca de 20% do PIB brasileiro. 170 Unidade III Como se sabe, as crises têm dificultado a economia brasileira a um ajustamento mais eficaz, considerando que os problemas do Brasil passam pela educação e pela sua infraestrutura. As microempresas trabalham de maneira mais empirista possível, por diversas causas: • o seu montante de capital circulantequando o produto a ser exportado é de alta tecnologia ou produzido sob encomenda, o pagamento antecipado servirá como uma garantia para o exportador contra o risco do cancelamento do pedido. Ao exportador, cabe encaminhar os documentos originais de exportação ao importador no momento em que embarcar a mercadoria, para que este consiga desembaraçá-la no seu destino. Cópias dos documentos de exportação devem ser remetidas pelo exportador ao banco responsável pela contratação do câmbio. Essa é a opção mais interessante para o exportador, que recebe o pagamento antes do envio da mercadoria; e mais arriscada para o importador, que pode não receber a mercadoria ou até mesmo recebê-la em condições que não foram acordadas com o exportador. 8.9.2 Remessa direta (ou remessa sem saque) Nessa modalidade, o importador paga somente após o produto ter sido embarcado e ele haver recebido a documentação para o desembaraço aduaneiro. A remessa direta ou sem saque pode ser utilizada sob as seguintes circunstâncias: • quando se deseja evitar o custo com a intermediação bancária da operação; • quando se trata do envio para empresas interligadas (matriz e filial). O risco representado para o exportador é muito elevado, pois toda a transação é baseada somente na confiança no importador. Logo, tal modalidade é recomendada para transações entre clientes tradicionais. 197 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO 8.9.3 Cobrança documentária Nessa modalidade, após o embarque da mercadoria, o exportador emite a letra de câmbio (ou “saque” ou “cambial”), que é encaminhada ao banco negociador do câmbio (banco remetente) juntamente com os documentos de embarque. Este encaminha a letra de câmbio e os documentos para o desembaraço da mercadoria ao seu banco correspondente no país do importador (banco cobrador), via carta cobrança. Ao receber toda a documentação, o banco cobrador remete ao importador, mediante o pagamento (se a transação for com pagamento à vista) ou o aceite do saque na letra de câmbio (se a transação for com pagamento a prazo). Já com os documentos em mãos, o importador desembaraça e retira a mercadoria no ponto de destino acordado com o exportador. Há casos em que o exportador pode enviar diretamente ao importador os documentos para a retirada da mercadoria. Dessa forma, o banco cobrador deve apresentar a letra de câmbio ao importador para receber o pagamento ou o aceite. Nesse caso, se na letra de câmbio o importador se recusar a pôr o seu “aceite”, o exportador ficará incapacitado legalmente para acioná-lo judicialmente, uma vez que o importador já está de posse dos documentos para retirar a mercadoria. Logo, dentro do procedimento normal, se a operação for acordada à vista, o risco do exportador é limitado, pois os documentos que irão desembaraçar a mercadoria serão liberados somente após o pagamento. Mas no caso de ter sido acordada a cobrança a prazo, o importador poderá retirar os documentos do banco cobrador para desembaraçar a mercadoria somente após dar o seu “aceite” na letra de câmbio, que lhe será apresentada para pagamento após o prazo acordado ter decorrido. 8.9.4 Carta de crédito A carta de crédito é uma ordem de pagamento emitida por um banco (banco emissor) na praça do importador (tomador de crédito) a seu pedido, em favor de um exportador (beneficiário) que somente receberá o pagamento se atender a todas as exigências nela descritas como valor da transação, beneficiário, documentação exigida, prazo, local de embarque e desembarque, descrição da mercadoria, quantidade e outros dados necessários para a exportação. Após a mercadoria ter sido embarcada, o exportador deve entregar os documentos para desembaraçá-la a um banco (banco avisador) de sua praça, que geralmente é o mesmo banco negociador do câmbio. Este, após conferir os documentos estabelecidos na carta de crédito, paga o exportador e remete os documentos ao banco emissor, que entrega os documentos ao importador para desembaraçar a mercadoria. Vale ressaltar que o pagamento ao exportador depende somente dele, isto é, que cumpra o que está descrito na carta de crédito (prazo, seguro, transporte etc.). A carta de crédito é válida para operações com pagamento à vista ou a prazo e, por ser uma garantia bancária, acarreta custos ao importador, como taxas e comissões. Esses custos variam em função da análise cadastral do importador, da sua capacidade financeira, das garantias oferecidas, do prazo de pagamento, das condições internas do país etc. 198 Unidade III Portanto, essa modalidade é uma alternativa ao exportador que não quer assumir riscos comerciais, uma vez que o responsável pelo pagamento é o banco emissor da carta de crédito no país do importador. A carta de crédito, quanto à sua classificação, pode ser: • irrevogável: não permite o seu cancelamento unilateralmente, salvo se houver concordância expressa entre o banco emissor e o exportador. Beneficia o exportador; • intransferível: não permite que o beneficiário (exportador) transfira seu valor a terceiros. Beneficia o importador; • confirmada: beneficia o exportador ao garantir o seu pagamento, por um terceiro banco, que remeterá divisas ao país onde o exportador mantém suas atividades, em caso de inadimplemento do banco emissor. Qualquer alteração dessas três características deve estar expressamente acordada entre as partes. A Câmara Internacional de Comércio – CIC estabeleceu as normas para emissão e utilização dessa modalidade, utilizada entre 11 e 15% das operações de comércio internacional, que são aceitas mundialmente por meio da publicação Uniform Customs and Practice for Documentary Credits, 2007 Revision – UCP600 (Costumes e Práticas Uniformes para Créditos Documentários, Revisão 2007 – UPC600). 8.9.5 Aspectos cambiais na exportação Ao se vender produtos ao mercado internacional, a empresa deve fazer sua conversão para a moeda padrão: o dólar americano. Há outras moedas que podem ser utilizadas na conversão como o euro, o iene e a libra esterlina. Mas o pagamento da empresa brasileira exportadora é feito na moeda nacional, ou seja, em reais. Lembrete Dá-se o nome de câmbio a essas operações de compra e venda de moedas estrangeiras. Como o câmbio está vinculado aos valores que as moedas assumem em seus respectivos países, as oscilações nas taxas de câmbio são comuns. Logo, o exportador deve estar atento ao efetuar suas transações com o exterior, para as oscilações não o prejudicarem financeiramente. Para evitar possíveis prejuízos, as empresas que negociam com o exterior, usualmente, assinam um contrato de câmbio com os agentes autorizados a realizar operações de câmbio. 199 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Observação A pessoa jurídica tem o seu credenciamento para acesso e utilização do Sisbacen condicionado à celebração de contrato de prestação de serviços com o Banco Central. 8.9.5.1 Contrato de câmbio As vendas realizadas ao exterior são vinculadas a um contrato de câmbio, pelo qual o exportador vende a moeda estrangeira a um banco credenciado a operar com câmbio. Assim, como qualquer contrato que determina as obrigações das partes envolvidas, neste o vendedor (exportador) deve disponibilizar a moeda estrangeira vendida ao comprador (banco), que deve pagar o valor correspondente de acordo com o câmbio acertado em moeda nacional. Todo contrato de câmbio é consensual, oneroso e cumulativo, ou seja, o interesse entre as partes irá resultar em transferências de capital entre ambos, e cada um recebe uma contraprestação equivalente. Nele devem constar a identificação das partes, o valor da operação, a taxa de câmbio acordada, o prazo para liquidação do câmbio, os dados bancários do exportador, as condições de financiamento, a identificação do importador, a identificação da corretora de câmbio (se houver) com a sua respectiva comissão e tudo mais que se faça necessário. É muito comum que o exportador contrate uma corretora de câmbio para a intermediaçãoda negociação do câmbio. Isso é facultativo, uma vez que essa decisão irá implicar custos adicionais ao exportador. 8.9.5.2 Contratação do câmbio na exportação Nas exportações com prazo igual ou inferior a 180 dias (contados a partir da data do embarque), o fechamento do câmbio com o agente financeiro é formalizado mediante o preenchimento do formulário do Banco Central, destinado a operações de exportação. Ao ser preenchido, o formulário é registrado no Sistema de Informações do Banco Central – Sisbacen, que monitora todas as operações de câmbio. A contratação do câmbio implica em alguns compromissos por parte do exportador, como: • negociar as divisas obtidas com o agente financeiro, com base na taxa de câmbio acordada; • entregar os documentos que comprovem a exportação em data fixada que, de acordo com a determinação do Bacen, não deve ultrapassar o limite de 15 dias, contados a partir do embarque da mercadoria; • liquidar o câmbio no prazo acordado, que é definido após a entrada da moeda estrangeira. 200 Unidade III O câmbio, na operação de exportação, pode ser fechado antes ou depois do embarque da mercadoria. Se o pagamento ao exportador for antecipado, a mercadoria deve ser embarcada em até 360 dias, contados a partir da data do fechamento do câmbio. Porém, se o pagamento for após o embarque, as operações de câmbio podem ser contratadas antes ou depois do embarque, desde que o pagamento ocorra em até 180 dias. Se a operação de câmbio for contratada antes do embarque, terá de ser fechada em até 360 dias antes do embarque. Mas se a operação de câmbio for contratada após o embarque, o seu fechamento deve ocorrer em até 180 dias após o embarque. A data de embarque é determinada pela data do conhecimento deste. O Bacen estabelece 15 dias como prazo máximo para que o exportador entregue todos os documentos que comprovem a exportação da mercadoria ao banco autorizado, que os remeterá ao banco emissor no país do importador após a devida conferência. O momento mais apropriado para fechar o contrato de câmbio irá depender de uma série de variáveis como a necessidade de recursos financeiros por parte do exportador para iniciar a produção contratada, a taxa de juros vigente, as possíveis oscilações da taxa de câmbio entre as datas de contratação e de liquidação do câmbio. 8.9.5.3 Liquidação do câmbio A liquidação do câmbio consiste em o exportador repassar a moeda estrangeira ao agente financeiro, que lhe pagará em moeda nacional de acordo com a taxa de câmbio contratada. Essa se trata da última obrigação do exportador com relação à operação de câmbio. O repasse da moeda estrangeira pode ocorrer de duas formas: • o importador deposita o valor direto na conta do agente financeiro com o qual foi contratado o câmbio e esse paga o exportador. A legislação brasileira determina que o prazo para a liquidação do câmbio é de dez dias, no máximo, após a entrega dos documentos (transação à vista) ou após o vencimento da letra de câmbio (transação a prazo); • quando a operação é por meio de carta de crédito, a entrega dos documentos que comprovam a exportação ao banco é equivalente ao repasse de moeda estrangeira, que deverá ser efetuada até o 15° dia subsequente ao embarque da mercadoria. O banco liquidará o contrato de câmbio em, no máximo, dez dias após a entrega dos documentos pelo exportador, independentemente se a operação for à vista ou a prazo. 8.9.5.4 Alterações no contrato de câmbio O contrato de câmbio é sujeito a alterações, desde que sejam acordadas entre as partes e, em alguns casos, mediante a concordância do Bacen. Mas há informações constantes nos contratos de câmbio que não podem ser alteradas como as identificações das partes, as informações que dizem respeito às moedas estrangeira e nacional, e à taxa de câmbio contratada. Todos os demais elementos estipulados no contrato podem ser modificados, desde que acordados entre as partes e, obrigatoriamente, registrados no Sisbacen. 201 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Há casos em que as mercadorias já foram embarcadas e o exportador necessita alterar as datas no contrato de câmbio como a data de entrega dos documentos ou a data de liquidação do câmbio. Então: • a prorrogação é permitida, desde que o contrato de câmbio tenha prazo inferior a 180 dias e a nova data não ultrapasse a data limite, contada a partir do fechamento do câmbio. Em casos de fatores que fujam ao controle do exportador e os 180 dias já tenham transcorrido, pode ser concedido um período não superior a 30 dias ao exportador para o embarque da mercadoria. Na realidade, a data que se está prorrogando é a data para o embarque, porque o prazo para a entrega da documentação é de 15 dias após a data do embarque; • a prorrogação é possível, desde que o exportador obtenha a concordância do importador para que esse pague os juros da letra de câmbio correspondentes ao prazo adicional e substitua-a por uma nova, na qual sejam incluídos ao valor original os juros pagos pelo importador. Vale ressaltar que a nova data não pode ultrapassar 180 dias do embarque. No caso de as mercadorias ainda não terem sido embarcadas, o exportador pode ganhar uma prorrogação no prazo de vinte dias para entrega da documentação ao banco. Para viabilizar essa opção, o exportador deve comunicar seu interesse pela prorrogação antes do vencimento do prazo. Esse novo prazo não poderá exceder 360 dias da data da contratação do câmbio. 8.9.5.5 Cancelamento do contrato de câmbio O contrato de câmbio é passível de cancelamento dentre as seguintes condições: • se a mercadoria não foi embarcada: até 20 dias após a entrega da documentação pode haver o cancelamento, mas o exportador irá arcar com todos os encargos financeiros, o pagamento do IOF (caso tenha recebido o pagamento antecipado) e outras despesas incorridas na transação comercial; • se a mercadoria já foi embarcada: o cancelamento poderá ser efetuado desde que esteja condicionado a algum dos seguintes fatores: uma ação judicial em andamento contra o importador, o retorno da mercadoria com o respectivo desembaraço, estando vinculado ao Registro de Exportação – RE no Siscomex ou uma redução de preço da mercadoria que foi exportada com a anuência da Secex. Como no caso anterior, o exportador irá arcar com encargos financeiros, taxas e outras despesas. Vale ressaltar que o cancelamento do câmbio, na condição de a mercadoria já haver sido embarcada, exige que o exportador esteja atento e tome todas as providências legais e administrativas para obter o seu pagamento, mantendo as autoridades monetárias sempre informadas do processo, além de providenciar a venda da moeda estrangeira ao agente financeiro autorizado assim que receber o pagamento. 202 Unidade III Resumo Nessa unidade, buscou-se esclarecer os procedimentos necessários para o acesso ao mercado internacional, as razões para a empresa ingressar nesse interessante setor da economia e as formas de fazê-lo, considerando o que exportar, para onde e como promover suas exportações. A forma de habilitação e credenciamento, os serviços de desembaraço aduaneiro e seus procedimentos, tanto na importação como exportação, a formação de preços, como as cargas são desembaraçadas na importação ou despachadas na exportação e as formas de parametrização, e o passo a passo para que a empresa ingresse no comércio internacional, foram esclarecidos com o necessário para executar essas operações com alguma segurança. Também foram salientadas as formas de pagamento ou recebimento das operações internacionais, que são controladas por meio do Banco Central do Brasil – Bacen ou agentes credenciados. Espera-se que, ainda que não se tenha esgotado todo o assunto, ao menos o necessário tenha sido explicitado para a Gestão dos Processos. Não se deve deixar de verificar as indicações de sites, que remetem a autoridades e órgãos governamentais, disponibilizando informações complementares e normas de comércio, e a própria bibliografiaindicada ao final, pois, com certeza, complementará os conhecimentos para o melhor desempenho no emocionante comércio internacional. 203 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Exercícios Questão 1. Observe o fluxo a seguir: Confirmação de chegada (Mantra) Registro da DI (Siscomex) Pagamento de impostos e taxas Desembaraço aduaneiro Nota fiscal Armazém do importador Customs Liberação sem conferência Conferência de documentos Conferência documental e física Avaliação de preços Figura 9 No fluxo apresentado após o registro da DI (Siscomex), um dos seguintes canais serão atribuídos: liberação sem conferência; conferência de documentos; conferência documental e física; avaliação de preços. As cores utilizadas nesse sistema, respectivamente, são: A) Cinza; amarelo; verde; vermelho. B) Amarelo; verde; cinza; vermelho. C) Verde; vermelho; verde e cinza. D) Verde; cinza; vermelho e amarelo. E) Verde; amarelo; vermelho e cinza. Resposta correta: alternativa E. 204 Unidade III Análise da questão Os critérios utilizados são os seguintes: Canal verde – as mercadorias serão liberadas sem a realização do exame documental ou da verificação física da mercadoria e do exame preliminar. O importador entrega o conhecimento de transporte averbado na alfândega. Canal amarelo – as mercadorias serão liberadas após a realização do exame documental, sem a verificação física e o exame preliminar do valor. Canal vermelho – as mercadorias serão desembaraçadas somente após o exame documental e a conferência física. Canal cinza – pelo qual o desembaraço somente será realizado após o exame documental, a verificação da mercadoria, o exame preliminar do valor aduaneiro e do pagamento de todos os tributos incidentes. Portanto, a única alternativa que atende ao solicitado é a alternativa E. Questão 2. (Enade 2006) Muitas empresas brasileiras têm tentado exportar os seus produtos. No entanto, a exportação pode requerer que estes sejam adaptados. Sobre isso, analise as afirmativas a seguir: I - Produtos importados sempre devem ser analisados à luz da cultura local. Porque II - A decisão de compra é influenciada, entre outros fatores, pelo nível de conhecimento do consumidor a respeito do produto que compra. Analisando as afirmações anteriores, conclui-se que: A) As duas afirmações são corretas, e a segunda justifica a primeira. B) As duas afirmações são corretas, e a segunda não justifica a primeira. C) A primeira afirmação é correta, e a segunda é incorreta. D) A primeira afirmação é incorreta, e a segunda é incorreta. E) As duas afirmações são incorretas. Resposta correta: alternativa B. 205 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Análise das afirmativas I - Afirmativa correta. Justificativa: como Kotler afirma não só os fatores culturais influenciam o comportamento de compra do consumidor, como são aqueles de maior intensidade. Assim é fundamental que produtos importados sejam analisados frente à cultura do mercado alvo. A decisão de compra é influenciada, entre outros fatores, pelo nível de conhecimento do consumidor a respeito do produto que compra. II - Afirmativa correta. Justificativa: o grau de conhecimento do consumidor a respeito do produto que compra não só influencia a decisão de compra como é parte integrante e fundamental do próprio processo de decisão. Apesar de as duas afirmativas serem verdadeiras não existe relacionamento entre elas, ou seja, são se pode estabelecer relação de causa e efeito. Assim, as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. 206 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 Adaptada de United Nations Conference on Trade and Development – UNCTAD, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, Indicadores da Economia Mundial, Organização das Nações Unidas – ONU. Figura 2 Adaptada de: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC. Balança Comercial Brasileira, 2013. Figura 3 Adaptada de: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC. Balança Comercial Brasileira, 2013. Figura 4 Adaptada de: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC. Balança Comercial Brasileira, 2013. Figura 5 Adaptada de: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC. Balança Comercial Brasileira, 2013. Figura 6 Adaptada de BRASIL. Secretaria de Portos da Presidência da República – SEP/PR, [s.d.]. Figura 7 Adaptada de International Chamber of Commerce – ICC –World Business Organization, [s.d.]. 207 REFERÊNCIAS Textuais ABIEC. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes. Halal e Kosher. [s.d.]. Disponível em: http://www.abiec.com.br/3_hek.asp. Acesso em: 19 maio 2014. AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL (ANAC). Dados do anuário do transporte aéreo. Disponível em: https://www.anac.gov.br/assuntos/dados-e-estatisticas/mercado-de-transporte-aereo/anuario-do- transporte-aereo/dados-do-anuario-do-transporte-aereo. Acesso em: 25 jun. 2019. AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT). Infraestrutura ferroviária. [s.d.]. Disponível em: http://www.antt.gov.br/ferrovias/index.html. Acesso em: 25 jun. 2019. ASHIKAGA, C. E. G. Análise da tributação na importação e na exportação. 5ª ed. São Paulo: Aduaneiras, 2010. BAER, W. A industrialização e o desenvolvimento econômico do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1988. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxas de juros básicas: histórico. 2019. Disponível em: https://www.bcb. gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros. Acesso em: 25 jun. 2019. BIBLIOTECA VIRTUAL DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. História da exportação de produtos no Brasil. São Paulo. Disponível em: http://www.bv.sp.gov.br. Acesso em: 16 abr. 2011. BRASIL. Instrução normativa RFB nº 1598, de 09 de dezembro de 2015. Brasília, 2015. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=70204&visao=anotado. Acesso em: 6 maio 2019. BRASIL. Ministério da Fazenda. Carga tributária no Brasil 2017: análise por tributos e bases de incidência. Brasília, 2018b. Disponível em: http://receita.economia.gov.br/dados/receitadata/estudos-e- tributarios-e-aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/carga-tributaria-2017.pdf. Acesso em: 25 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Fazenda. Receita Federal. Estudos tributários nº 21 - Carga tributária no Brasil – 2005 a 2009. 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Acesso em: 24 fev. 2012. 213 Lista de abreviaturas e siglas AÇOMINAS Aço Minas Gerais S/A AFRMM Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante AID Associação Internacional de Desenvolvimento ALADI Associação Latino-Americana de Integração ALALC Associação Latino-Americana de Livre-Comércio ALCA Área de Livre-Comércio das Américas ANAC Agência Nacional de Aviação Civil ANCINE Agência Nacional do Cinema ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica ANP Agência Nacional de Petróleo ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANZCERTA Acordo Comercial sobre Relações Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia APEX-BRASIL Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos ASEAN Associação de Nações do Sudeste Asiático BACEN Banco Central do Brasil BB Banco do Brasil BID Banco Interamericano de Desenvolvimento BIRD Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento BIRD Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIT Bens de Informática e Telecomunicações BK Bens de Capital BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDESPAR BNDES Participações S/A BNH Banco Nacional de Habitação BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul CACEX Carteira de Comércio Exterior CAEX Comitê de Análise de Ex-tarifários CAN Comunidade Andina de Nações CAP Conselhos de Autoridade Portuária 214 CCEX Comitê de Crédito às Exportações CCM Comissão de Comércio do Mercosul CDI Conselho de Desenvolvimento Industrial CDINT Coordenação-Geral de Diálogo Econômico Internacional CE Coordenadoria de Assuntos Econômicos CENIPA Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes CFGE Gestor do Seguro de Crédito às Exportações CFI Corporação Financeira Internacional CGC Coordenação Geral de Contenciosos CGPIN Coordenação-Geral de Políticas para Instituições Internacionais CHESF Companhia Hidro Elétrica do São Francisco CIAPR Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República CITES Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora CMC Conselho do Mercado Comum CNEN Comissão Nacional de Energia Nuclear CNI Confederação Nacional das Indústrias CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico COAFI Coordenação-Geral de Assuntos Financeiros COALCA Coordenação Geral para as negociações da ALCA COANA Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro COINT Coordenação-Geral de Integração Comercial CONEX Conselho Consultivo do Setor Privado COPOL Coordenação-Geral de Políticas Comerciais COPOM Comite de Política Monetária COREC Coordenação-Geral de Recuperação de Crédito CORG Coordenação Geral de Organização Econômica COSEC Coordenação-Geral de Seguro de Crédito à Exportação COSIPA Companhia Siderúrgica Paulista CPA Conselho de Política Aduaneira CPI Comissão Parlamentar de Inquérito CPRM Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais 215 CSC-IMO International Convention for safe Containers - International Maritime Organization CSN Companhia Siderúrgica Nacional CT.1 Comitê Técnico nº 1 CTMC Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas CVRD Companhia Vale do Rio Doce CZPE Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação DAC Departamento de Aviação Civil DCT Departamento de Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica DE Declaração de Exportação DEAEX Departamento de Estatística e Apoio à Exportação DEC Departamento Econômico DECEA Departamento de Controle do Espaço Aéreo DECOM Departamento de Defesa Comercial DEINT Departamento de Negociações Internacionais DERIN Departamento da Dívida Externa e de Relações Internacionais DFPC Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados DI Declaração de Importação DIN Departamento de Integração Latino-Americana DIR Divisão de Integração Regional DIREX Diretoria de Assuntos Internacionais DMC Divisão de Integração do Mercado Comum do Sul DNC Departamento Nacional de Café DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral DOC Divisão de Operações de Promoção Comercial DOU Diário Oficial da União DPF Departamento de Polícia Federal DPR Departamento de Promoção Comercial DSE Declaração Simplificada de Exportação ECT Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos EEE Espaço Econômico Europeu EMBRAER Empresa Brasileira de Aeronáutica 216 FGE Fundo de Garantia à Exportação FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FIEP Federações das Indústrias do Estado do Paraná FIERGS Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul FIESC Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo FINAME Agência Especial de Financiamento Industrial FMI Fundo Monetário Internacional FUNCEX Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior GATT General Agreement on Tariffs and Trade GECEX Comitê Executivo de Gestão GENCE Gerência-Executiva de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros GMC Grupo Mercado Comum GMC Grupo Mercado Comum GTDC Grupo Técnico de Defesa Comercial HDI Human Development Index IAA Instituto do Açúcar e do Álcool IATA Associação de Transporte Aéreo Internacional IATA International Air Transport Association IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBPC Instituto Brasileiro de Patrimônio Cultural IBRAM Instituto Brasileiro de Museus ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IDA International Development Association IDH Índice de Desenvolvimento Humano IE Imposto de Exportação IFC International Finance Corporation IGP/DI Inflação Geral de Preços/Disponibilidade Interna II Imposto de Importação IMF International Monetary Fund INFRAERO Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária 217 INMETRO Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPI Imposto sobre Produtos Industrializados ITO Internacional Trade Organization LI Licença de Importação MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e AbastecimentoMD Ministério da Defesa MEFP Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento MERCOSUL Mercado Comum do Sul MICT Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo MIGA Multilateral Investment Guarantee Agency MJSP Ministério da Justiça e Segurança Pública MMA Ministério do Meio Ambiente MME Ministério das Minas e Energia MPMEs Micro, Pequenas e Médias Empresas MRE Ministério das Relações Exteriores do Brasil NALADI/SH Nomenclatura Aduaneira da Associação Latino-Americana de Integração da ALADI NCM Nomenclatura Comum do Mercosul NESH Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias OGMO Órgãos Gestores de Mão de Obra OIC Organização Internacional do Comércio OIE Organização Mundial de Saúde Animal OMA Organização Mundial das Alfândegas ONG Organização Não Governamental ONU Organização das Nações Unidas OTM Operador de Transporte Multimodal PAC Programa de Aceleração de Crescimento PAEG Programa de Ação Econômica do Governo PEE Programa Especial de Exportações PER Requerimento para Exportação de Material Radioativo 218 PETROBRAS Petróleo Brasileiro S/A PGNI Programa de Geração de Negócios Internacionais PIB Produto Interno Bruto PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PROEX Programa de Financiamento às Exportações PT Partido dos Trabalhadores RAIS Relação Anual de Informações Sociais RBT Receita Bruta Total RC Registro de Crédito RE Receita Exportação RE Registro de Exportação RE Registro de Exportação REI Registro de Exportadores e Importadores RES Registro de Exportação Simplificado RES Registro de Exportação Simplificada RFB Receita Federal do Brasil RMCCI Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais ROF Registro de Operação Financeira RTU Regime de Tributação Unificada RV Registro de Venda SADC Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral SADCC Southern Africa Development Co-ordination Conference SAIN Secretaria de Assuntos Internacionais SD Solicitação de Despacho SDA Secretaria de Defesa Agropecuária SDP Secretaria de Desenvolvimento da Produção SEAE Secretaria Especial de Assuntos Econômicos SEAIN Secretaria de Assuntos Internacionais SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa SECEX Secretaria de Comércio Exterior SECOMS Setores de Promoção Comercial 219 SEP/PR Secretaria de Portos da Presidência da República SGP Sistema Geral de Preferências SGPC Sistema Global de Preferências Comerciais SH Sistema Harmonizado SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIN Secretaria de Inovação SISBACEN Sistema de Informações do Banco Central do Brasil SISCOMEX Sistema Integrado de Comércio Exterior SPA Secretaria de Política Agrícola SPC Secretaria de Produção e Comercialização SPE Secretaria de Política Econômica SPI Secretaria de Política Industrial STI Secretaria de Tecnologia Industrial SUDENE Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste SUDENE Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUFRAMA Superintendência da Zona Franca de Manaus TEC Tarifa Externa Comum TRIC Transporte Rodoviário Internacional de Cargas UDN União Democrática Nacional UE União Europeia UNCTAD United Nations Conference on Trade and Development UNDP United Nations Development Programme UNE União Nacional dos Estudantes URV Unidade Real de Valor USIMINAS Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A ZLC Zona de Livre-Comércio 220 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000ser muito pequeno e não ter condições de agregar em seus quadros pessoas que tenham melhores orientações; • não existe orientação governamental no sentido de assegurar a essa instituição uma razoável aplicação do insumo capital, quer próprio ou de empréstimo; • a instabilidade econômica não deixa que se faça, mesmo em seu nível precário, um planejamento de suas atividades; • o microempresário sempre foi considerado numa economia capitalista como produtor marginal, sem condições de competição, de produção e, sobretudo, de sobrevivência. Com esse quadro, o que resta ao micro e médio empresário? Vale ressaltar que há formas de superar esses obstáculos para explorar o mercado exterior por meio da articulação de lideranças para uma organização em sistemas de cooperativas, consórcios ou sindicatos, por exemplo. Com o intuito de poder proporcionar maior competitividade aos produtos nacionais no mercado internacional, o governo brasileiro vem se estruturando e desenvolvendo uma série de ações que viabilizam programas e linhas de crédito que apoiem as empresas interessadas em atuar no mercado internacional. Mas antes de elaborar qualquer prognóstico, é vital que empresas estejam devidamente preparadas para o desafio da concorrência internacional, o que implica condicionar corretamente todas as suas potencialidades, como: • capacitar, treinar e motivar constantemente o pessoal; • conhecer as normas cambiais internacionais; • ter bons profissionais na área de comércio exterior envolvidos no processo; • ter acesso às principais fontes e condições de financiamentos para capital de giro, exportações e importações; • traçar uma política de marketing estrategicamente sintonizada com o mercado-alvo; • redobrar as atenções com alguns componentes de produto como preços, embalagem, especificações técnicas, qualidade, rótulo, logística, condições de transporte, dentre outros. 171 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO No entanto, há muita resistência por parte de muitos pequenos e médios empresários brasileiros em comercializar seus produtos e/ou serviços no mercado internacional. Essas resistências estão mais relacionadas à falta de informação e insegurança do que a qualquer fator de ordem econômica. Por exemplo: • não sabem como exportar; • não têm conhecimento sobre os programas e instrumentos de apoio à exportação e linhas próprias para financiamento ao exportador; • não acreditam na política externa brasileira, ao ponto de não investirem em produtos, serviços e maquinários voltados ao comércio internacional; • não veem vantagens em atuar no mercado externo. Se houvesse incentivos melhores e as informações estivessem mais acessíveis e de forma mais clara aos pequenos e médios empresários, o quadro poderia ser otimizado. Nesse sentido, podem ser considerados como fatores que as motivam para o processo de internacionalização de suas atividades: o desenvolvimento de novas fontes tecnológicas de informações e aperfeiçoamento nos processos de produção, a diversificação de mercados, o aumento na escala de produção, a redução da dependência do mercado interno, entre outros. 7.1 O acesso ao mercado internacional Comércio é a compra e venda de mercadorias entre pessoas, isto é, o vendedor entrega a mercadoria ao comprador, em troca, o comprador paga o preço combinado ao vendedor e a operação está sujeita à cobrança de tributos internos sobre a circulação de mercadorias, tais como Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Se vendedor e comprador estão em diferentes países, trata-se de comércio internacional, e a operação se sujeita aos tributos internos e também aos tributos aduaneiros como Imposto de Importação – I.I e Imposto de Exportação – IE. Essa operação de venda, por incluir a saída de mercadorias do país, transporte internacional e a “entrada” em outro território com leis, procedimentos e hábitos diferentes do Brasil é mais complexa em função de diversos fatores como diferenças de língua, de costumes, de moeda, de legislação e maiores distâncias. Os países, por sua soberania, podem autorizar ou proibir a importação ou exportação de determinadas mercadorias. Os países importam mercadorias que não podem (ou não querem) produzir por falta de tecnologia ou mesmo de condições econômicas ou naturais, por exemplo, falta de matérias-primas naturais como petróleo, minério de ferro, minério de cobre; industrializados como químicos, fertilizantes, alimentos e mercadorias de consumo como roupas, eletrodomésticos e veículos. 172 Unidade III Platão, filósofo grego, afirmou em A república que uma cidade ideal, num lugar tal que não seja preciso importar nada, é quase impossível: a cidade sempre precisará de comerciantes, marinheiros, mercado e moeda. O Brasil exportou por muito tempo produtos básicos como café, açúcar, cacau e madeira, mas hoje, a pauta está mais diversificada; de minério de ferro a aviões, de álcool a veículos e, até mesmo, o serviço de impressão de moedas de outros países, como ocorreu, durante um certo tempo, na exportação para o Peru. O que leva os países a comercializarem entre si? Segundo a teoria das vantagens comparativas (Ricardo, 1996), que se constituiu na base essencial da teoria do comércio internacional: • as possibilidades de produção entre os países atrelada às vantagens comparativas de produzir de forma mais eficiente um produto de melhor qualidade; • o fato de um país não ser autossuficiente em tudo o que precisa. Exporta o excesso de produção, e que não consome, e importa o que falta para atender às necessidades de produção e consumo. Os motivos para exportar são simples e poderosos. Há vários fatores que podem levar uma empresa a disputar o mercado internacional: • grandes empresas internacionais oferecendo produtos melhores ou com preços menores podem entrar em seu mercado nacional; • a empresa pode descobrir que alguns mercados externos apresentam maiores oportunidades de lucro do que o mercado doméstico; • pode necessitar de uma base maior de consumidores para obter economia de escala, aumentando o seu mercado, logo, as vendas; • pode desejar diminuir sua dependência de um único mercado e, assim, reduzir o risco; • obriga à constante evolução da tecnologia de produção com o aperfeiçoamento de seus produtos. Antes de tomar a decisão de ir ao exterior, a empresa deve ponderar vários fatores: • pode não conhecer as preferências dos consumidores estrangeiros e oferecer um produto nada atraente, e com preço além das expectativas do consumidor; • pode não entender a cultura gerencial do país estrangeiro ou não saber como lidar eficazmente com seus executivos; • pode subestimar as leis estrangeiras e incorrer em custos inesperados; 173 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO • pode perceber que seus gerentes não têm experiência internacional; • o país estrangeiro pode mudar suas leis comerciais, desvalorizar sua moeda ou empreender uma revolução política e desapropriar a propriedade estrangeira. Não menos importante, a empresa também deve decidir seu comportamento. A Confederação Nacional das Indústrias – CNI classifica as empresas em categorias, das quais devem passar por etapas até se transformarem em exportadoras ativas: • não interessada: mesmo que receba eventuais manifestações de interesse por parte de clientes estrangeiros, a empresa prefere vender no mercado interno; • parcialmente interessada: a empresa atende aos pedidos recebidos de clientes estrangeiros, mas não estabelece um plano permanente de vendas internacionais; • exportadora experimental: a empresa vende apenas aos países vizinhos, em razão da proximidade; • exportadora ativa: a empresa adapta os seus produtos para atender aos mercados no exterior – a atividade exportadora é parte da estratégia da empresa. Nos últimos dez anos, o comércio internacional de bens ganhou uma enorme projeção, somando, em 2013, a quantia aproximada de US$ 18,8 trilhões,segundo a organização World Trade Organization – WTO, representando, assim, um mercado com grandes possibilidades de negócios para os exportadores brasileiros, que no mesmo ano atingiu US$ 242,2 bilhões na exportação e US$ 239,6 bilhões na importação. Exportar também significa diminuir riscos ao evitar as instabilidades econômicas locais. Ao optar por vender os seus produtos no estrangeiro, o empresário minimiza os seus riscos, porque a expansão da sua empresa não fica condicionada ao ritmo da economia nacional, abrindo possibilidade para a elaboração de um planejamento de longo prazo e assegurando receitas em moedas fortes. Quanto à escolha do modo de entrada no mercado internacional, esta deverá ser feito a partir dos recursos disponíveis, em termos de capacidades e competências, e questões econômicas, assim como as políticas dos países de destino. 7.2 O que exportar? Primeiro, é necessário definir o que será vendido no mercado externo. A princípio, todo produto pode ser exportado, mas a empresa deve identificar, em sua linha de produtos, aquele que atenda melhor a oportunidade que se apresenta, levando em conta as preferências dos consumidores e as normas técnicas que os produtos devem seguir no país de destino. Para isso, é necessário que a empresa reúna todas as informações possíveis sobre o mercado para o qual deseja exportar. Para ajudar no levantamento dessas informações existe, no Brasil, o Departamento 174 Unidade III de Promoção Comercial – DPR vinculado ao Ministério das Relações Exteriores – MRE que, dentre muitas funções, é responsável por: • realizar pesquisas de mercado no exterior; • colher informações sobre produtos brasileiros com potencial para exportação; • identificar oportunidades de exportação; • fornecer orientações sobre como exportar. As empresas brasileiras que desejarem informações comerciais sobre as oportunidades de exportar para um determinado mercado deverão, inicialmente, cadastrarem-se na BrazilGlobalNet, disponível em: http://www.brasilglobalnet.gov.br, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores – MRE. Após conseguir as informações necessárias sobre alguns potenciais compradores no exterior, o empresário deve entrar em contato com eles para informar sobre o interesse existente em exportar e sobre o perfil da empresa e dos seus produtos. Por isso, quando se planeja ingressar no mercado internacional, é importante que o empresário viaje ao exterior, com o objetivo de explorar mercados com potencial para importar seus produtos, além de manter contato direto com possíveis importadores e consumidores. A participação em feiras internacionais é uma boa forma de se aproximar e poder observar todas as oportunidades de negócios existentes sem se expor muito. Outra boa sondagem de mercado são as missões empresariais, organizadas, geralmente, por entidades de classe. E, para auxiliar a agenda de contatos no exterior, o governo brasileiro coloca à disposição do empresário brasileiro a Divisão de Operações de Promoção Comercial – DOC. As feiras e exposições no Brasil, que recebem empresários estrangeiros como visitantes, também são muito proveitosas, pois podem se estabelecer importantes contatos comerciais e resultar em negócios. Portanto, ao serem identificados os mercados-alvo e o tipo de produto que irá atender aos consumidores estrangeiros, a empresa deverá reformular sua linha de produção para poder lidar com essa demanda de forma sistemática, isto é, se ela deseja obter sucesso no mercado escolhido. 7.3 Promoção comercial O sistema de promoção comercial coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores – MRE tem como objetivo aproximar a oferta brasileira da demanda mundial, utilizando a BrazilGlobalNet como instrumento para captar e disseminar, via internet, as informações sobre oportunidades para a exportação brasileira e sobre investimentos estrangeiros. 175 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO O Ministério das Relações Exteriores, mediante o Departamento de Promoção Comercial – DPR vem desenvolvendo ações de promoção comercial no exterior com o objetivo de aumentar e diversificar as exportações brasileiras. No exterior, o Departamento de Promoção Comercial – DPR presta assistência aos exportadores brasileiros por intermédio de uma rede composta por Setores de Promoção Comercial – Secoms, que são as “antenas” do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores, instalados em 100 postos estratégicos, em 79 países, conforme informação disponibilizada pelo site BrazilGlobalNet e são responsáveis pela captação e divulgação de informações sobre demandas de importação de produtos brasileiros e de investimento. Apoiam empresas brasileiras em busca de novos mercados e negócios, bem como a participação de empresários em feiras, missões e outros eventos. Produzem pesquisas de mercado e de outros produtos, além de análises de competitividade e concorrência. As Embaixadas ou os Consulados do Brasil, utilizando os recursos da BrazilGlobalNet, oferecem apoio aos empresários brasileiros e estrangeiros que têm interesse em manter negócios com empresas brasileiras ou investir no país. O departamento de promoção comercial apoia as empresas brasileiras no exterior por intermédio das seguintes ações: • identificar os potenciais importadores estrangeiros; • identificar oportunidades de negócios; • coletar e fornecer dados técnicos e econômicos de interesse à atividade exportadora; • divulgar as listas de produtos e serviços exportáveis por empresas brasileiras às empresas estrangeiras; • divulgar no Brasil as pesquisas de mercado elaboradas no exterior; • apoiar a participação brasileira em feiras e exposições no exterior; • organizar missões comerciais e viagens de negócios; • elaborar e divulgar publicações interessantes ao exportador brasileiro. 7.4 Marketing internacional Atualmente, as implicações políticas, econômicas e sociais sobre o resultado das ações comerciais de uma nação no âmbito internacional são extremamente importantes no contexto da globalização. Da mesma forma, as ações comerciais das empresas na arena internacional devem ser precedidas de uma cuidadosa estratégia de marketing. A ciência que estuda essas ações e suas implicações é o marketing internacional, “é um processo que visa otimizar os recursos e orientar os objetivos de uma organização por meio das oportunidades de um mercado global” (KEEGAN, 1999). 176 Unidade III Segundo Philip Kotler (2006, p. 4), reconhecido como uma das maiores autoridades mundiais em marketing atualmente, o marketing é “um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros”. Essa é uma definição genérica e, a partir desse conceito, a administração do marketing envolve: • planejamento; • pesquisa; • identificação; • conhecimento; • segmentação de mercado; • estudo sobre o comportamento de compra do consumidor; • decisões de produto; • preço; • canais de distribuição; • comunicação de marketing. Observação O conceito de marketing mix se baseia nos estudos de Neil Borden. Jerome McCarthy aprimorou a Teoria de Borden e definiu os quatro grandes grupos: produto, preço, praça e promoção. 7.4.1 Diferenças entre marketing internacional e local O marketing é universal, mas algumas de suas práticas variam de país para país. Para se entender o marketing internacional, portanto, deve-se partir do marketing genérico e em seguida distinguir as particularidades do marketing na sua versão internacional. Pode-se afirmar que o marketing internacional se diferencia do marketing local, pois o mercado a ser atendido está em outro país e existe a necessidade de adaptação, uma vez que as estratégias deverão ser adequadas às características de cada nação, já que os países e os povos do mundo se diferem uns dos outros, e uma técnica bem-sucedida em um país poderá não funcionar em outro.177 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Analisar cada ambiente para que a cultura de um país possa ser respeitada pelos profissionais de marketing e para que se possa obter sucesso nos negócios, assim, antes de se tomar a iniciativa à exportação, alguns pontos devem ser bem considerados: • riscos para o marketing internacional – o marketing internacional deve avaliar cada país sob o ponto de vista econômico como o PIB, a inflação, a renda per capita do país etc.; • áreas de instabilidade política – o ambiente governamental é importante, pois há países com instabilidade política e, por isso, muita empresas evitam investir ou negociar com os mesmos, a menos que os retornos financeiros sejam muito altos; • as patentes no mercado internacional – questões legais que envolvem marcas e patentes, e que devem ser protegidas da pirataria, contrabando e outros crimes; • respeito às regras internacionais – avaliação do papel de órgãos como a Organização Mundial do Comércio – OMC nas relações comerciais entre países, e buscar saber se esses órgãos são respeitados no país onde for comercializar. O êxito nas exportações está relacionado à divulgação das empresas e de seus produtos no exterior, motivo pelo qual os exportadores brasileiros devem atribuir sua atenção a essa atividade. São condições essenciais para desenvolver com excelência o marketing internacional: • identificar as necessidades de consumo: antes de exportar para um mercado, o exportador deve sondar as necessidades desse mercado-alvo; • disponibilizar o produto da forma correta: além da oferta do produto, o exportador deve estar atento às preferências dos consumidores quanto a cor, tamanho, design e estilo, e aos aspectos técnicos do produto, como materiais utilizados (cuidados com saúde e segurança), desempenho (manutenção, durabilidade, credibilidade, força, imagem, resistência etc.) e especificações técnicas (dimensões, voltagem, durabilidade etc.); • manter a comunicação entre exportador e importador: a ausência de comunicação inviabiliza a operação comercial. É essencial aos exportadores brasileiros a atenção com os fatores a que as empresas estrangeiras atribuem alta relevância no momento de fechar um contrato. Por exemplo, são fatores relevantes: • perfil da empresa exportadora: tempo de atuação, experiência exportadora, dimensões da fábrica, equipamentos utilizados, número de empregados, referências bancárias etc.; • descrição dos produtos: folhetos ou catálogos devem ser enviados ao importador com endereço completo da empresa, fotos dos produtos, descrição detalhada dos produtos (dimensão, volume, identificação do material etc.); 178 Unidade III • lista de preços: devem constar os preços de todos os produtos, na modalidade FOB. Necessário lembrar que, quando for feita uma cotação CIF, o importador assumirá que o exportador pagará por todos os custos de transporte e seguro, até o porto de destino. Nesse caso, é primordial que seja feita uma cotação com os agentes logísticos, do custo do transporte desde o porto de origem até o porto desejado pelo importador e informá-lo o mais rapidamente possível. Em termos gerais, faz sentido operar em menor número de países com compromisso mais intenso de penetrar em cada um deles. Uma empresa deve entrar em alguns países e os países candidatos devem, inicialmente, ser avaliados em três importantes critérios: atratividade de mercado, vantagem competitiva e risco, e nas seguintes condições: • os custos de entrada e de controle do mercado são altos; • os custos do produto e de adaptação das comunicações são elevados; • a população, a renda e a taxa de crescimento são altas; • as empresas estrangeiras dominantes podem estabelecer altas barreiras à entrada de novos concorrentes. 7.5 Comércio eletrônico As transações por meio de transferências eletrônicas de dados têm apresentado, nos últimos anos, um volume acima do esperado. Via de regra, essas transações ocorrem entre empresas privadas, ou entre empresas e órgãos públicos ou dentro de grandes corporações. A grande responsável por esse cenário eletrônico é a internet, que se tornou um elemento indispensável para o comércio sem fronteiras que se vê hoje. De acordo com um relatório anual sobre comércio via internet do J. P. Morgan, Nothing But Net: 2011 Internet Investment Guide, citado pelo site brasileiro E-commerce Brasil, “as vendas mundiais de e-Commerce devem alcançar a cifra de US$ 963 milhões até 2013, com uma taxa composta de crescimento anual de 19,4%”. No entanto, vale uma ressalva feita pelo estudo do Ministério da Fazenda, atual Ministério da Economia, Secretaria da Receita Federal de 2001, sob o título O Brasil e o comércio eletrônico: A dinâmica e crescente importância do comércio eletrônico é bem documentada na imprensa internacional. O volume das operações, no entanto, carece de uma estimação precisa e confiável. Previsões acerca do seu crescimento anual variam de 20% a 150%. Os próprios números são abertos à interpretação. A maioria das empresas que pesquisam o assunto faz não com base nas vendas, mas no tráfego pela internet – quando mais de 98% é apenas consulta a sites e não efetivação do negócio. As poucas empresas que pesquisam o volume de vendas realizam o seu trabalho por meio de pesquisas de opinião e não de relatório de vendas dos websites (BRASIL, 2001, p. 4.). 179 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Mas mesmo com toda a evolução alcançada pela internet, o incremento ocorrido nas vendas eletrônicas entre produtor e consumidor final não deverão alterar as estimativas traçadas para o futuro, e a maior parte das transações comerciais via internet no mundo ainda continuará a ocorrer entre empresas e consumidores. Nesse contexto, o comércio eletrônico tende a interferir no ambiente das pequenas e médias empresas (PMEs) que, aliás, é um mercado que apresenta um dos maiores potenciais de ganho. Vale ressaltar que é por intermédio do comércio eletrônico que muitas empresas são contatadas para a realização de vendas. Muitas negociações internacionais são iniciadas mediante a internet. A difusão de catálogos e informações (gerais ou técnicas) sobre empresas e produtos na internet alcança, a um baixo custo, os consumidores em todo o mundo de uma forma extremamente rápida. Logo, a internet, como um instrumento de rápido acesso ao mercado, dará maiores condições aos pequenos e microempresários brasileiros para se projetarem pelo mundo. Porém, as empresas devem estar atentas à velocidade das mudanças nos padrões de distribuição, pois, com o acesso à internet generalizado no mundo, a demanda gerada poderá ser maior e mais pulverizada que o projetado. 7.6 Para onde exportar A empresa brasileira que deseja exportar seus produtos deve definir não somente o que exportar mas também para onde exportar. O grau de dificuldade em sondar a necessidade dos consumidores estrangeiros é o mesmo para identificar o mercado em que os consumidores estão. 8 HABILITAÇÃO PARA UTILIZAR O SISCOMEX Conforme visto no item 6.3 Aspectos administrativos na exportação, o interessado em realizar uma exportação ou importação de mercadorias por meio do Siscomex, seja ela comum ou simplificada, deve providenciar junto à Secretaria da Receita Federal – SRF, sua habilitação e o credenciamento de seus representantes para as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro. O procedimento de habilitação pode ocorrer em quatro modalidades, conforme o tipo e a atuação do interveniente, quais sejam: I. Ordinária: para as pessoas jurídicas que atuem frequentemente no comércio exterior. II. Simplificada: para pessoas físicas, empresas públicas ou sociedades de economia mista, entidades sem fins lucrativos e, também, para as pessoas jurídicas que se enquadrarem nas seguintes situações: • obrigadas a apresentar, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, conforme estabelecido no Art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 786/07; • constituídassob a forma de sociedade anônima de capital aberto, bem como suas subsidiárias integrais; 180 Unidade III • habilitadas a utilizar o despacho aduaneiro expresso (Linha Azul); • que atuem exclusivamente como pessoa jurídica encomendante; • que realizem apenas importações de bens destinados à incorporação ao seu ativo permanente; • que atuem no comércio exterior em valor de pequena monta, conforme definido no Art; 2º, §§ 2º e 3º, da própria IN SRF nº 650/06, também incluído, nessa modalidade, o importador por conta e ordem de terceiros. III. Especial: para órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações públicas, organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais. IV. Restrita: exclusivamente para a realização de consultas ou retificações de declarações aduaneiras de pessoas físicas ou jurídicas que tenham operado anteriormente no comércio exterior e não estejam habilitadas em nenhuma das modalidades anteriores. De acordo com o Art. 17 da IN SRF nº 650/06, as pessoas físicas ou jurídicas estão dispensadas do procedimento de habilitação para realizarem operações não sujeitas a registro no Siscomex ou aquelas que a legislação faculte a transmissão da declaração simplificada por servidor da SRF, mesmo que a declaração seja transmitida por representante nomeado pelo interessado. Para bagagem desacompanhada de viajantes, não é necessário que o interessado esteja habilitado no Siscomex, pois, de acordo com o parágrafo 2º do Art. 7º e o parágrafo 3º do Art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 611/06, a declaração simplificada de importação ou de exportação pode ser registrada por servidor aduaneiro que atue na unidade de despacho dos bens. Também estão dispensadas do procedimento de habilitação as operações realizadas por intermédio dos Correios ou de empresa de transporte expresso internacional (Courier). 8.1 Habilitação e credenciamento de responsável legal A atuação da pessoa jurídica em operações de comércio exterior (importação, exportação, trânsito aduaneiro e internação da Zona Franca de Manaus) depende de análise prévia pela SRF de suas informações cadastrais e fiscais. Vide o item 6.3 Aspectos administrativos na exportação, a forma de habilitação e credenciamento dos responsáveis legais da empresa no Siscomex. 8.2 Despachante aduaneiro Conforme determina o Art. 4º do Decreto nº 646/92, o interessado, pessoa física ou jurídica, somente pode exercer atividades relacionadas ao despacho aduaneiro: • por intermédio do despachante aduaneiro; 181 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO • pessoalmente, se pessoa física; • se pessoa jurídica, também mediante: • dirigente; • empregado; • empregado de empresa coligada ou controlada, tal como definida nos §§ 1° e 2º do Art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; • funcionário ou servidor especificamente designado, no caso de órgão da administração pública, missão diplomática ou representação de organização internacional. Consequentemente, somente essas mesmas pessoas podem ser credenciadas como representantes do interessado para atuar em seu nome no Siscomex. Observação O exercício da profissão somente é permitido ao inscrito no Registro de Despachante Aduaneiros, mantido pelo Departamento da Receita Federal. Lembrete O exercício das profissões de despachante aduaneiro e de ajudante de despachante aduaneiro somente será permitido à pessoa física (não jurídica) inscrita na Secretaria da Receita Federal do Brasil. O despachante aduaneiro e seus ajudantes podem praticar os atos relacionados ao despacho aduaneiro de bens ou de mercadorias, inclusive bagagem de viajante, transportados por qualquer via, na importação ou na exportação, em nome das empresas que os nomeiam. A principal função do despachante aduaneiro é a elaboração da declaração aduaneira de importação ou de exportação, informando a destinação a ser dada aos bens submetidos ao controle aduaneiro, indicando qual o regime aduaneiro a aplicar às mercadorias. A verificação da mercadoria é realizada na presença do importador ou de seu representante, nesse caso, o despachante aduaneiro, podendo este recebê-la após o seu desembaraço. É necessário o despachante aduaneiro ser credenciado no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex pelo responsável legal pela pessoa jurídica, atuando como representante da empresa para os atos relacionados ao despacho aduaneiro. 182 Unidade III Segundo a Receita Federal, no caso de pessoa física, o credenciamento de seu representante pode ser feito pelo próprio interessado, se ele for habilitado a utilizar o Siscomex, ou mediante solicitação para a unidade da SRF de despacho aduaneiro como, por exemplo, nos casos de bagagem desacompanhada. 8.3 Despacho aduaneiro de exportação No despacho aduaneiro de mercadorias na exportação são verificados todos os dados declarados e sua exatidão pelo exportador em relação às mercadorias, bem como a conferência dos documentos apresentados para o seu desembaraço e a sua saída para o exterior. Toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a admitida temporariamente e reexportada, está sujeita a despacho de exportação. Em geral, o despacho de exportação é processado por meio de Declaração de Exportação – DE, registrada no Siscomex, com a vinculação de um ou mais Registros de Exportação – RE, mas em algumas situações, pode-se optar pelo despacho aduaneiro simplificado. 8.3.1 Início da operação de exportação A exportação se inicia pela fase administrativa/comercial, controlada pela Secretaria de Comércio Exterior – Secex. Esse controle é composto de três operações principais realizadas no sistema: • Registro de Venda – RV. • Registro de Crédito – RC. • Registro de Exportação – RE. As instruções para o correto preenchimento dos RV, RC e RE estão disponíveis no sistema. O Registro de Venda – RV é o conjunto de informações que caracteriza a operação de exportação de produtos negociados em bolsas internacionais de mercadorias ou de commodities como o açúcar, a soja e derivados. O preenchimento do RV é prévio ao Registro de Exportação – RE e deve ser vinculado e anterior ao embarque da mercadoria. O Registro de Crédito – RC representa informações de caráter cambial e financeiro relativas à exportação financiada. É obrigatório para operações com prazos de pagamento superior a 180 dias e com prazos iguais ou inferiores, sempre que houver incidência de juros. O RC tem um prazo de validade para embarque e, como regra geral, o exportador deve solicitar o RC e obter o seu deferimento antes do RE previamente ao embarque da mercadoria. O Registro de Exportação – RE centraliza todas as informações comercial, financeira, cambial e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e deve ser obtido previamente à Declaração de Exportação – DE. É nessa fase que é realizado o chamado tratamento administrativo da exportação. 183 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Obter o RE é o passo inicial da grande maioria das operações de exportação e todas as informações necessárias com os códigos utilizados no seu preenchimento estão disponíveis no próprio sistema. Concluído o seu preenchimento, o RE passará para a situação “efetivado” ou, no caso de existência de tratamento administrativo, “pendente de efetivação”, quando então será analisado pela Secex e/ou anuentes, até ser efetivado, estando disponível para ser vinculado a uma declaração de exportação – DE. 8.3.2 Declaração de exportação A formulação da Declaração de Exportação – DE inicia o despacho aduaneiro de exportação e é por meio da DE que o exportador informa os Registros de Exportação – RE já efetivados, que serão submetidos a despacho e as mercadorias que ele pretende destinar ao exterior. 8.3.2.1 Documentos de Instrução da DE Regra geral, os documentos que servem de base para o Despacho de Exportação são: • primeira via da nota fiscal; • via original do Conhecimento e do Manifesto Internacional de Carga, nas exportaçõespor via terrestre, fluvial ou lacustre; • outros indicados em legislação específica como certificado de classificação, certificado fitossanitário, autorização expedida pelo Ibama; • quando se trata de exportação para país membro do Cone Sul (Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia e Peru), o Manifesto Internacional de Carga é substituído: — pelo Manifesto Internacional de Carga Rodoviária / Declaração de Trânsito Aduaneiro – MIC- DTA, quando se tratar de transporte rodoviário; — pelo Conhecimento – Carta de Porte Internacional / Declaração de Trânsito Aduaneiro – TIF- DTA, quando se tratar de transporte ferroviário. Os documentos de instrução da DE devem ser entregues à fiscalização da SRF sempre que solicitados e, por essa razão, o importador deve mantê-los pelo prazo previsto na legislação, nunca inferior a cinco anos. 8.3.2.2 Seleção parametrizada Assim que registrada a declaração de exportação e iniciado o despacho aduaneiro, com a análise fiscal e selecionada para um dos canais de conferência, recebe o nome de parametrização. Os canais de conferência são três: verde, laranja e vermelho. 184 Unidade III A exportação selecionada para o canal verde é desembaraçada automaticamente sem qualquer verificação. O canal laranja significa conferência dos documentos de instrução da DE e das informações constantes na declaração. Quando a DE é selecionada para o canal vermelho há, além da conferência dos documentos, a conferência física da mercadoria. 8.3.2.3 Desembaraço aduaneiro A Receita Federal define que “desembaraço aduaneiro na exportação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência. É com o desembaraço aduaneiro que é autorizada a entrega da mercadoria ao importador e é ele o último ato do procedimento de despacho aduaneiro”. 8.4 Despacho aduaneiro de importação O despacho aduaneiro de mercadorias na importação é o procedimento em que são verificados os dados declarados pelo importador sobre as mercadorias importadas e os documentos apresentados, em cumprimento à legislação de importação para o seu desembaraço aduaneiro. Toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deve ser submetida a despacho de importação. Em geral, o despacho de importação é processado por meio de DI e DSI eletrônica que são os documentos base do despacho de importação, registrada no Siscomex, mas, em algumas situações, o importador pode optar pelo despacho aduaneiro simplificado. O despacho aduaneiro de importação é dividido, basicamente, em duas categorias: I. O despacho para consumo seja na indústria ou no comércio para revenda. II. Despacho para admissão em regime aduaneiro especial. O despacho para consumo ocorre quando as mercadorias forem destinadas ao uso, pela indústria nacional, como insumos, matérias-primas, bens de produção e produtos intermediários, bem como quando forem destinadas ao consumo próprio e à revenda. Ao despacho para consumo, aplica-se o regime comum de importação, inclusive de drawback. O despacho para admissão em regimes aduaneiros especiais tem por objetivo a entrada no país de produtos ou bens do exterior, que deverão permanecer sob o regime por prazo determinado e conforme a finalidade destinada num dos seguintes regimes especiais ou atípicos, como Admissão Temporária; Entreposto Aduaneiro; Entreposto Industrial; Depósito Especial Alfandegado; Área de Livre-Comércio; Zona Franca de Manaus; Entreposto Internacional da ZFM; Depósito Aduaneiro de Distribuição; Loja Franca; ou Consumo e Admissão Temporária, sem a incidência de tributos dos quais permanecem suspensos até a extinção do regime. 185 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Entre outros, aplicam-se às mercadorias em trânsito aduaneiro (para outro ponto do território nacional ou com destino a outro país) e em admissão temporária, caso em que as mercadorias devem retornar ao exterior após cumprirem a sua finalidade. É necessário verificar se a mercadoria a ser importada está sujeita a controle administrativo, porque se for exigido, este deve ser efetuado anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior, sob a pena de pagamento de multa. 8.4.1 Importação por conta e ordem de terceiro Entende-se por operação de importação por conta e ordem de terceiro aquela na qual uma pessoa jurídica promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado. O registro da DI pelo contratado é condicionado à sua prévia habilitação no Siscomex para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. 8.4.2 Importação por encomenda É considerada como operação de importação por encomenda aquela na qual uma pessoa jurídica faz, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias por ela adquiridas no exterior, para revenda à empresa predeterminada, em razão de contrato firmado entre elas. O registro da DI fica condicionado à prévia habilitação no Siscomex tanto do encomendante quanto do importador por encomenda e à prévia vinculação entre eles, realizada nesse sistema. 8.4.3 Declaração de Importação – DI O despacho aduaneiro de importação é feito com base em declaração apresentada à unidade aduaneira. A DI deve conter, entre outras informações, a identificação do importador e do adquirente ou encomendante, caso não sejam a mesma pessoa, assim como a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria. A DI é formulada pelo importador ou seu representante legal no Siscomex com informações que estão separadas em dois grupos: • gerais – correspondentes à operação de importação; • específicas (adição) – contendo dados de natureza comercial, fiscal e cambial sobre cada tipo de mercadoria. O tratamento aduaneiro a ser aplicado à mercadoria importada é determinante para a escolha do tipo de declaração a ser preenchida pelo importador. 186 Unidade III 8.4.4 Tributos incidentes na importação Os tributos incidentes estão relacionados no item 5.2.2 Tributos incidentes na importação. O próprio Siscomex contém as alíquotas dos tributos aplicáveis e, com base nas informações fornecidas pelo importador, executa os cálculos necessários e debita os valores devidos diretamente na conta corrente informada, no momento do registro da DI. 8.4.5 Início do despacho aduaneiro de importação O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex, salvo nos casos de despacho antecipado, que geralmente é utilizado para cargas a granel, as quais são descarregadas para silos de terminais ou da própria empresa. É nesse momento que ocorre o pagamento de todos os tributos federais devidos na importação. Se o despacho de importação não for iniciado nos prazos que variam entre 45 a 90 dias da chegada da mercadoria ao país, ela é considerada abandonada, o que acarretará a aplicação da pena de perdimento. O mesmo acontece com a mercadoria cujo despacho de importação tenha seu curso interrompido durante 60 dias, por ação ou por omissão do importador. 8.4.6 Documentos de instrução da DI Em regra geral, os documentos que servem de base para as informações contidas na DI são: • via original do conhecimento de carga ou documento equivalente; • via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; • romaneio de carga (packing list), quando aplicável; • outros, exigidos em decorrência de acordos internacionais ou de legislação específica. Os documentos de instrução da DI devem ser entregues à fiscalização da SRF sempre que solicitados e, por essa razão, o importador deve mantê-los pelo prazo previsto na legislação, nunca inferior a cinco anos. 8.4.7 Parametrização (canais verde, amarelo, vermelho e cinza) Uma vez registrada a declaração de importação e iniciado o procedimento de despacho aduaneiro, a DI é submetida à análise fiscal e selecionada para um dos canais de conferência – a parametrização.Na importação, os canais de conferência são quatro: verde, amarelo, vermelho e cinza. A importação selecionada para o canal verde é desembaraçada automaticamente sem qualquer verificação. O canal amarelo implica na conferência dos documentos de instrução da DI e das 187 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO informações constantes na declaração. No caso de canal vermelho, há, além da conferência documental, a conferência física da mercadoria. Finalmente, quando a DI é selecionada para o canal cinza, é realizado o exame documental, a verificação física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro para verificação de elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria (valoração aduaneira). 8.4.8 Desembaraço aduaneiro O desembaraço aduaneiro é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira. É a partir do desembaraço aduaneiro que se autoriza a efetiva entrega da mercadoria ao importador e é ele o último ato do procedimento de despacho aduaneiro. 8.5 Formação do preço para a exportação Um dos problemas mais comuns entre as empresas que desejam exportar seus produtos é determinar corretamente o preço de exportação do produto. É preciso conhecer não somente a composição do produto mas também todos os custos e as condições do mercado de destino. Apesar da inexistência de órgãos fiscalizadores de preços no mercado internacional, a própria concorrência interfere diretamente nos preços nas operações de comércio exterior. Normalmente, quando as empresas estrangeiras desejam importar produtos, é realizada uma cotação de preços e vence a empresa que oferecer o menor preço, as melhores condições de qualidade, o prazo de pagamento e de entrega etc. Portanto, preço é elemento primário para as condições de competição do produto a ser exportado. 8.5.1 Metodologia para a fixação do preço de exportação 8.5.1.1 Com base no preço do produto no mercado interno O preço de exportação se situa em um amplo intervalo de variação, no qual o preço máximo é dado pelas condições de mercado, enquanto o preço mínimo é estabelecido pelo custo variável. É usual a empresa calcular preços diferentes para as vendas internas e externas. A seguir, tem-se a estrutura de estabelecimento do preço de exportação, que toma como ponto de partida o preço no mercado interno. Sugere-se, para efeito do cálculo: • excluir os impostos que compõem normalmente o preço do produto no mercado interno como, por exemplo, ICMS, IPI, PIS, além de outros custos como transporte e seguro, e que não tomarão parte no preço de exportação; • incluir as despesas que farão parte do preço de exportação, na modalidade FOB, como gastos com a embalagem de exportação, despesas com o transporte do produto até o local de embarque, comissão de agente no exterior, despesas de despacho aduaneiro e impostos, se existentes. 188 Unidade III Com a finalidade de fornecer roteiro, que poderá ser adaptado segundo as peculiaridades de cada empresa, segue exemplo de apuração do preço de exportação, baseado no preço de mercado interno: Quadro 2 – Cálculo de preço de exportação (simulação pelo autor – dados hipotéticos) Preço de mercado interno sem o IPI – (Para efeito de cálculo das deduções) R$ 5.000,00 Preço de mercado interno (inclusive IPI de 14%) R$ 5.700,00 Deduções IPI (14% sobre o preço de mercado sem IPI) R$ 700,00 ICMS (18% sobre o preço de mercado sem IPI) R$ 900,00 Cofins (3% sobre o preço de mercado sem IPI) R$ 150,00 PIS (0,65% sobre o preço de mercado sem IPI) R$ 32,50 Lucro no mercado interno (10% sobre o preço de mercado sem IPI) R$ 500,00 Embalagem de mercado interno R$ 40,00 Total das deduções R$ 2.322,50 Primeiro subtotal (Diferença entre o preço com o IPI R$ 5.700,00 e o total de deduções R$ 2.322,50) R$ 3.377,50 Inclusões Embalagem de exportação R$ 55,00 Frete e seguro da fábrica ao local de embarque R$ 100,00 Outras despesas (despachante, taxas etc.) R$ 100,00 Total das inclusões R$ 255,00 Segundo subtotal (Soma do primeiro subtotal R$ 3.377,50 com o total das inclusões R$ 255,00) R$ 3.632,50 Margem de lucro pretendida (15% calculado sobre o segundo subtotal) R$ 544,88 Preço FOB (R$ 3.632,50 mais R$ 544,88) R$ 4.177,38 Tomando-se uma taxa de câmbio hipotética de US$ 1,00 = R$ 1,70 tem-se o preço FOB de US$ 2.457,28 No exemplo anterior, poderão ser considerados também como elementos a deduzir do preço interno a comissão de vendas não incidente na exportação, gastos de distribuição do produto no mercado interno, despesas financeiras específicas de mercado interno e outros componentes do preço interno, que não façam parte da exportação. 189 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Por outro lado, poderão ser acrescentados valores correspondentes à comissão de agentes no exterior, despesas consulares, se necessário despesas com o despachante aduaneiro e outros gastos que porventura a empresa tenha de realizar na operação de exportação. O empresário brasileiro de micro e pequeno porte, que vai iniciar atividades em comércio exterior, precisa pensar sobre como introduzir no mercado externo seu produto, para obter boa aceitação junto aos seus novos consumidores. A comercialização em um novo mercado gera resultados a médio e longo prazo. O acompanhamento constante sobre a entrada de produtos concorrentes e até alterações nos hábitos de consumo são importantes para o planejamento comercial do exportador. Para um bom planejamento, é preciso levar em consideração importantes questões, como: • Quais são os concorrentes do produto? • Qual o comportamento do consumidor? • Quais são os preços praticados pela concorrência internacional? • Qual é o custo total da produção? • Que novas tecnologias podem ser agregadas ao produto para torná-lo diferente? • Quais planos nacionais de financiamento ao exportador estão disponíveis? • Como é o tratamento tributário, no país-alvo, aplicável à exportação? • Quais são as despesas com exportação? Inicialmente, com a colocação do produto junto a consumidores externos, o exportador poderá até vendê-lo a um preço menor do que o praticado pelos concorrentes com produtos semelhantes (com o óbvio sacrifício de sua margem de lucro), até que ele se torne conhecido entre os consumidores. No contrato comercial estabelecido entre o exportador brasileiro e o importador estrangeiro são definidas as responsabilidades referentes à saída do produto a partir da fábrica e a sua disponibilização ao cliente final, utilizando os termos do Incoterms. 190 Unidade III 8.6 Passo a passo para a exportação 8.6.1 Fluxograma de exportação Por que Exportar A exportação aumenta a competitividade da empresa, no país e no exterior. Planejamento Adaptar os produtos para os mercados no exterior. A atividade exportadora deve fazer parte da estratégia da empresa. O que Exportar Pesquisa de mercado. Oportunidades de negócio. Participação em feiras, exposições. Marketing. Contatos com potenciais importadores. Tratamento tributário e financiamento. Os exportadores devem conhecer e saber utilizar plenamente os mecanismos fiscais e financeiros. Determinação do preço de exportação. Como exportar Acesso ao Siscomex. Nomeação de despachante aduaneiro. Cadastramento. Definição das condições de venda (Incoterms). Contratação de seguro e fretes. Definição das formas de pagamento. Registro da Exportação (RE) e preparação dos demais documentos requisitados pelas normas brasileiras e do importador. Contratação do câmbio Pode ser feita antes ou depois do embarque. Preparação e embarque da mercadoria. Averbação do embarque no Siscomex. Remessa dos documentos para o importador. Recebimento do pagamento em Reais, por intermédio do banco autorizado. Figura 8 – Fluxograma de exportação 1º passo: preparar a empresa. Efetuar o registro de exportador na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia ou na Delegacia da ReceitaFederal mais próxima; 2º passo: selecionar um canal para a exportação dos produtos. Caso a exportação não seja direta, a empresa poderá utilizar consórcios de exportação, tradings companies, agentes de comércio exterior, empresas comerciais exportadoras etc.; 3º passo: identificar os mercados. Estabelecer contato com compradores (importadores) no exterior. Ao identificar o importador, fornecer informações sobre quantidade disponível, aspectos técnicos, condições de venda, prazo de entrega e preço unitário da mercadoria; 191 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO 4º passo: análise de mercado para avaliar a viabilidade da exportação. Uma vez identificado o mercado, a empresa deve efetuar uma análise com relação a preços praticados no país, diferenças cambiais, nível de demanda, sazonalidades, embalagens, exigências técnicas e sanitárias, custo de transporte e outras informações que influenciarão a operação; 5º passo: contato inicial com o importador. Identificado o cliente, é imprescindível que seja enviado a ele o maior número possível de informações sobre o produto; pode-se utilizar catálogo, lista de preços e amostra, por exemplo; 6º passo: confirmado o fechamento do negócio, o exportador deve formalizar a negociação, enviando uma fatura proforma. Não existe um modelo de fatura proforma. Nela devem constar informações sobre o importador e o exportador, descrição da mercadoria, peso líquido e bruto, quantidade e preço unitário e total, condição de venda e modalidade de pagamento, meio de transporte e tipo de embalagem; 7º passo: caso não haja mercadoria em estoque, o exportador deve agilizar a produção; atentar às questões como controle de qualidade, embalagem, rotulagem e marcação de volumes; 8º passo: confirmação da carta de crédito. Embora haja outras formas de pagamento, o grau de segurança oferecido pela modalidade carta de crédito torna o instrumento o mais utilizado no comércio internacional. O exportador deverá pedir ao importador a abertura da carta de crédito. Ao final do processo, o banco enviará cópia ao exportador; 9º passo: o exportador deverá providenciar a emissão dos documentos de exportação ou embarque: • documentos necessários para circulação da mercadoria no país de origem: romaneio de embarque – nota fiscal – certificados adicionais, quando necessários; • documentos necessários para o embarque ao exterior: romaneio de embarque – nota fiscal – registro de exportação – certificados – conhecimento de embarque (emitido após o embarque). 10º passo: efetuar a contratação da operação de câmbio, ou seja, negociar com a instituição financeira autorizada o pagamento em reais ou a conversão da moeda estrangeira recebida pela aquisição das mercadorias exportadas. Essa operação é formalizada mediante um contrato de câmbio; 11º passo: embarque da mercadoria e despacho aduaneiro. Após todos esses procedimentos, deverá ser efetuado o embarque da mercadoria e o desembaraço na aduana (alfândega): • o embarque aéreo ou marítimo da mercadoria é efetuado por agentes aduaneiros mediante o pagamento da taxa de capatazia; • o embarque rodoviário é efetuado no próprio estabelecimento do produtor ou em local pré-estabelecido pelo importador; 192 Unidade III • a liberação da mercadoria para embarque é feita mediante a verificação física e documental realizada por agentes da Receita Federal nos terminais aduaneiros. Todas as etapas do despacho aduaneiro são feitas por intermédio do Siscomex. 12º passo: preparação dos documentos pós-embarque: • documentos para negociação junto ao banco (pagamento): fatura comercial – conhecimento de embarque – letra cambial ou saque - carta de crédito (original) – fatura e/ou visto consular – certificados adicionais (quando necessário) – apólice ou certificado de seguro (caso a condição seja CIF) – borderô ou carta de entrega; • documentos contábeis (arquivamento) – fatura comercial – conhecimento de embarque – nota fiscal – apólice ou certificado de seguro – contrato de câmbio. 13º passo: apresentação dos documentos ao banco do importador. No caso de a operação ter sido efetuada com carta de crédito, deve-se apresentar ao banco indicado pelo importador os documentos que comprovem que a transação foi efetuada conforme combinado; 14º passo: liquidação do câmbio. Após a transferência para o banco do exportador, deverá ser feita a liquidação do câmbio, conforme as condições descritas no contrato de câmbio. O recebimento deverá ser em reais (R$). 8.7 Passo a passo para importar 1º passo: registro da empresa – atualizar o objeto social da empresa, incluindo a atividade de importação e os tipos de produtos que serão importados; 2º passo: inscrição no REI – Registro de Exportadores e Importadores – o registro no REI será fornecido automaticamente pelo Siscomex, mediante cadastramento na Receita Federal para obtenção de um número-código, com o qual deverá dirigir-se ao Serpro para solicitação do software de acesso ao sistema; 3º passo: análise e seleção dos potenciais fornecedores – empresas que desejam importar e ingressar nesse setor devem selecionar os fornecedores externos por meio de análise e pesquisa de mercado, definindo o produto a ser importado de acordo com interesses e estratégias próprios (da empresa), assim como as necessidades do seu público-alvo; 4º passo: caracterização do produto a ser importado – seleção do produto a ser importado e classificação tarifária do produto para verificação dos impostos incidentes sobre as mercadorias, tratamentos administrativos e benefícios de redução de alíquotas por meio dos acordos internacionais; 5º passo: contato com o exportador – negociação – como início das negociações, o importador solicitará a cotação dos produtos a serem importados. As empresas interessadas em importar poderão valer-se de algum tipo de intermediário para concluir a operação, como agentes comerciais e representantes, corretoras etc.; 193 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO 6º passo: despachante (opcional) – nomear um despachante aduaneiro que esteja acostumado a trabalhar com produtos similares a fim de fazer o desembaraço da mercadoria e documentação no prazo certo; 7º passo: análise da fatura proforma – de posse da fatura proforma, o importador tem condições de analisar todos os aspectos que envolvem a operação, começando pela verificação da classificação tarifária a ser adotada para poder definir, com maior segurança, os procedimentos a serem seguidos em relação ao regime cambial, administrativo e tributário da importação; 8º passo: observar mercadoria/operação, se sujeitos a controles especiais – quando se tratar de mercadoria ou operação de importação sujeita a controles especiais do órgão licenciador (Secex) ou dos demais órgãos federais que atuem como anuentes, a importação estará sujeita a licenciamento não automático. Nesse caso, o importador deverá solicitar no Siscomex a Licença de Importação (LI) antes do embarque, ao receber a fatura proforma. Em caso de licenciamento não automático, o importador lança os dados no Siscomex e aguarda a anuência do órgão competente, dependendo do tipo de mercadoria a ser importada; 9º passo: elaboração de planilha de estimativa de custos da importação – o preço final para o mercado interno será obtido adicionando-se ao preço FOB da mercadoria o valor dos seguintes custos: frete internacional, seguro de transporte internacional, Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, despesas bancárias, taxas portuárias e taxas de armazenagem, ICMS, despachante aduaneiro e frete interno etc.; 10º passo: fechamento do negócio – o importador receberá a formalização do pedido confirmado por carta, telex, fax ou e-mail etc. Uma vez confirmada a operação, o exportador deverá enviar uma fatura proforma ao importador (prática de comércio internacional de aceitação geral). Essa fatura tem como objetivo habilitar o importador a obter licença de importação no país de destino e, ao mesmo tempo, éprova de confirmação do negócio tratado; 11º passo: emissão de documentos de embarque – o exportador estrangeiro prepara a emissão da fatura comercial, conhecimento de transporte original e demais documentos necessários para o desembaraço da mercadoria no Brasil; 12º passo: câmbio – o importador deverá se dirigir a uma das carteiras de câmbio de bancos a autorizar a operar com câmbio pelo Banco Central do Brasil, para contratar o câmbio, observadas as normas do Banco Central do Brasil, conforme a modalidade de pagamento pactuada entre as partes; 13º passo: contratação do transporte – quando o importador for o responsável pela contratação do transporte da mercadoria (aquisição na condição Ex ou FOB), deverá fazê-lo junto à companhia transportadora internacional. De qualquer forma, o responsável pela contratação do transporte deverá fornecer à empresa transportadora todos os dados referentes aos volumes a serem embarcados, tais como descrição da mercadoria, ponto de origem e destino, peso líquido e bruto, volume e embalagem, de modo a possibilitar à transportadora reservar o espaço necessário no veículo transportador; 14º passo: contratação do seguro – deverá ser contratado pelo importador; 194 Unidade III 15º passo: embarque da mercadoria – o importador só poderá autorizar o embarque da mercadoria após contratação do seguro e do frete, no caso das mercadorias sem licenciamento automático, após a emissão da Licença de Importação. Uma vez embarcada a mercadoria, o exportador deverá remeter ao importador os documentos necessários ao desembaraço e à liberação da mesma na aduana brasileira. São eles: fatura comercial, conhecimento de embarque e outros documentos exigidos pelas autoridades brasileiras; 16º passo: liberação da mercadoria – após a chegada dos documentos originais, processar a liberação da mercadoria com a preparação da Declaração de Importação (Dl), o pagamento dos tributos federais, Impostos de Importação (II) e Impostos sobre Produtos Industrializados (lPl), das despesas de transporte e recolhimento do ICMS por meio de débito em conta corrente do importador, em uma agência bancária, mediante cadastramento prévio; 17º passo: registro da DI – registrar a DI mediante o Siscomex Importação e entregar o extrato da DI e demais documentos na alfândega; 18º passo: análise da DI – aguardar a análise da alfândega, dependendo do canal atribuído na Dl. A conferência aduaneira selecionará os despachos para cada um dos seguintes canais, chamados de ‘seleção parametrização de importação’, o mecanismo que permite a autoridade alfandegária a proceder a classificação e conferência, por meio de canais específicos, da declaração de importação de toda mercadoria importada: • canal verde – as mercadorias serão liberadas sem a realização do exame documental ou da verificação física da mercadoria e do exame preliminar. O importador entrega o conhecimento de transporte averbado na alfândega; • canal amarelo – as mercadorias serão liberadas após a realização do exame documental, sem a verificação física e o exame preliminar do valor; • canal vermelho – as mercadorias serão desembaraçadas somente após o exame documental e a conferência física; • canal cinza – pelo qual o desembaraço somente será realizado após o exame documental, a verificação da mercadoria, o exame preliminar do valor aduaneiro e do pagamento de todos os tributos incidentes. 19º passo: pagamento das despesas – após a liberação da mercadoria pela alfândega, efetuar o pagamento das despesas portuárias ou aéreas para retirar a mercadoria e emitir a nota fiscal de entrada; 20º passo: pagamento/contratação/liquidação do câmbio – o pagamento ao exportador se dará mediante a contratação de câmbio junto a uma das carteiras de câmbio do Banrisul. O importador terá sua conta debitada em reais, com a remessa da moeda estrangeira equivalente para pagamento ao exportador no exterior. O momento exato dessa remessa dependerá da modalidade de pagamento tratada entre as partes e do prazo de pagamento pactuado; 195 COMÉRCIO EXTERIOR - EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO 21º passo: registros fiscais, contábeis, administrativos e de arquivo – a empresa deverá manter em seus arquivos contábeis os documentos pertinentes à importação: nota fiscal de entrada, DI – Declaração de Importação, comprovante de importação (desembaraço), fatura comercial, contrato de câmbio, conhecimento de embarque e DARFS dos impostos pagos. Por segurança, caso a contabilidade da empresa seja terceirizada, é conveniente a elaboração de arquivo individual dos originais, englobando os documentos que fizerem parte do processo. Esses documentos deverão ser guardados pelo prazo de cinco anos. 8.8 Documentos necessários para importação Referentes ao importador: Licença de Importação – licenciamento não automático exigido para os produtos ou operações com análise prévia ao embarque no exterior ou ao desembaraço aduaneiro no Brasil. Deve ser emitido via Siscomex, pelo próprio importador ou pelas corretoras de câmbio, despachantes aduaneiros ou bancos comerciais credenciados. DI – Declaração de Importação emitida via Siscomex pelo próprio importador ou por despachantes aduaneiros; indispensável ao desembaraço aduaneiro da mercadoria. Contrato de câmbio – preenchido eletronicamente pelo banco ou corretor de câmbio via Sisbacen e assinado pelas partes envolvidas; pode ser indispensável no desembaraço aduaneiro da mercadoria importada, conforme o prazo de pagamento ou o tipo de operação, abertura da carta de crédito ou conforme combinado com o exportador no estrangeiro – pagamento à vista, a prazo determinado, saque etc. Referentes ao exportador: commercial invoice (fatura comercial) – emitida e enviada do exterior pelo exportador. Packing list (romaneio de embarque) –emitido e enviado do exterior pelo exportador, se necessário. Bill of lading ou airway bill (conhecimento de embarque) – emitido pelo transportador internacional; certificados de origem Aladi ou Mercosul, se mercadorias procedentes dessa origem. Draft (saque ou cambial) – emitido e enviado do exterior pelo exportador. Certificado fitossanitário – emitido pelo órgão competente no exterior; certificado de origem; outros documentos como: Legalização Consular, certificado ou apólice de seguro. Como regra geral, os documentos emitidos no exterior são remetidos à empresa importadora brasileira por meio do sistema bancário; exceção feita às operações entre empresas do mesmo grupo ou na modalidade de pagamento antecipado, cujos documentos de exportação são enviados diretamente ao importador brasileiro pelo exportador estrangeiro. 8.9 Modalidades de pagamento Para evitar os riscos que se correm em qualquer transação comercial, as partes envolvidas (vendedor e comprador) devem tomar certas precauções quanto ao pagamento e ao recebimento da mercadoria. O exportador, ao remeter a mercadoria ao exterior, deve ter garantido o pagamento, enquanto o importador deve estar seguro quanto ao recebimento da mercadoria, de acordo com o que foi negociado com o exportador. É extremamente relevante, em uma transação internacional, que a forma de pagamento e as condições de recebimento da mercadoria estejam definidas com clareza entre as partes. Logo, a modalidade de 196 Unidade III pagamento escolhida deve englobar os interesses dos envolvidos, em particular, nas áreas comercial, financeira e de segurança. Assim, as partes podem optar por algumas modalidades, como veremos nos subtópicos seguintes: 8.9.1 Pagamento antecipado Na modalidade pagamento antecipado, o importador paga ao exportador antes do embarque do produto nos seguintes casos: • quando o importador não transmite credibilidade ou quando o exportador é inexperiente e não conhece seus parceiros; • quando é necessário o financiamento para iniciar a produção ou para reforçar o capital de giro do exportador; • quando o valor da transação é baixo; • quando o importador quer garantir-se de oscilações de preço; •