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Toxicologia Veterinária 📄 AVISO LEGAL E TERMO DE USO Este material é um resumo didático destinado exclusivamente ao suporte de estudos de estudantes e profissionais da Medicina Veterinária. O conteúdo não substitui a consulta a livros-trato oficiais, bulas de medicamentos ou o julgamento clínico do médico veterinário atuante. Os autores não se responsabilizam por condutas clínicas adotadas com base neste resumo. Créditos Visuais: Todos os elementos gráficos, ilustrações, vetores e imagens iconográficas utilizados na diagramação deste material foram obtidos e licenciados sob os termos de uso da plataforma Canva para fins de distribuição comercial. 🚫 PROTEÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS (Lei nº 9.610/98) É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste arquivo, seu armazenamento em sistemas recuperáveis, ou sua transmissão por qualquer meio (eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação, compartilhamento em grupos de WhatsApp, Telegram ou Drive) sem a autorização prévia por escrito do detentor dos direitos autorais. A violação dos direitos autorais configura crime previsto no artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Todos os direitos reservados. [Scientia Vet], 2026. 2 2.Síndrome toxicológicas As toxidromes são conjuntos de sinais clínicos e vitais que, agrupados, sugerem fortemente a classe do agente tóxico envolvido. São ferramentas cruciais de triagem: 1.Conceitos e causas Todo medicamento visa atingir um efeito terapêutico principal, mas a resposta biológica pode incluir manifestações indesejadas, classificadas didaticamente em: Efeito Colateral: É um efeito previsível, esperado e inerente ao mecanismo de ação farmacológico do medicamento, ocorrendo em doses terapêuticas. Pode ser favorável ou desfavorável ao paciente. Exemplo: A sonolência provocada por anti- histamínicos de 1ª geração, ou a êmese induzida pela xilazina em felinos (onde o fármaco é usado para sedação, mas ativa o centro do vômito). Reação Adversa ao Medicamento (RAM): É uma resposta nociva, indesejada e não esperada (imprevisível), que ocorre em doses normalmente utilizadas para profilaxia, diagnóstico ou tratamento. Não está ligada ao efeito farmacológico principal e costuma ter base imunológica ou idiossincrática. Exemplo: Reações de hipersensibilidade (choque anafilático) após a administração de penicilinas. Toxicidade Medicamentosa: Fenômeno nocivo severo decorrente, na maioria das vezes, de fatores extrínsecos ao fármaco em condições normais, tais como: uso off- label (sem indicação em bula), superdosagem, erros de prescrição, ingestão acidental por negligência ou administração em espécies estritamente contraindicadas. Intoxicação por medicamentos 3.Biotransformação hepática O objetivo primário da biotransformação é converter compostos lipossolúveis (capazes de atravessar membranas) em metabólitos hidrossolúveis, facilitando sua posterior excreção renal ou biliar. Esse processo divide-se em duas fases integradas: Fase I (Funcionalização / Oxidação) O Mecanismo: Catalisada majoritariamente pelas enzimas do complexo Citocromo P450 (CYP450) no retículo endoplasmático liso dos hepatócitos. Consiste em reações de oxidação, redução ou hidrólise. O Impacto Toxicológico: Esta fase pode inativar um fármaco, ativar uma pró-droga ou, criticamente, realizar a bioativação. A bioativação ocorre quando a Fase I transforma um composto originalmente inofensivo em um metabólito altamente reativo e tóxico (como ocorre com o paracetamol ao gerar o NAPQUI). Fase II (Conjugação) O Mecanismo: Envolve a união covalente do fármaco (ou do metabólito da Fase I) com uma molécula endógena (como o ácido glicurônico, sulfato, glicina ou glutationa). O Impacto Toxicológico: Neutraliza a reatividade química do composto e aumenta drasticamente sua polaridade, gerando complexos estáveis práticos para a eliminação. Se a Fase II falhar por esgotamento de substrato (ex: glutationa) ou por deficiência de espécie (ex: glicuronidação em felinos), a toxicidade celular é imediata. Dinâmica de Indução e Inibição Enzimática A velocidade e a segurança da biotransformação podem ser alteradas por coadministrações medicamentosas: Indutores Enzimáticos (Ex: Fenobarbital, Rifampicina): Estimulam a síntese e aumentam a atividade das enzimas do CYP450. Se o fármaco em questão sofrer bioativação, o indutor irá acelerar e aumentar a formação de metabólitos tóxicos, agravando a lesão tecidual. Inibidores Enzimáticos (Ex: Cetoconazol, Cimetidina): Bloqueiam competitivamente a atividade das enzimas do CYP450. Isso diminui a taxa de depuração (clearance) de outros fármacos, prolongando sua meia-vida no organismo e favorecendo o acúmulo sistêmico até níveis de superdosagem tóxica. 13 Paracetamol Metabólitos atóxicos Glicuronidação/sulfatação (Via alternativa exarcebada) NAPQUI Citocromo P450 (CYP) PAP Gatos Via deficiente 3.Principais Grupos e Mecanismos de Ação A) Paracetamol (Tylenol): é um analgésico e antipirético de uso humano comum, mas que representa uma das principais emergências toxicológicas na rotina de pequenos animais, sendo extremamente letal para felinos. Mecanismo: Em doses terapêuticas (em humanos), o paracetamol é metabolizado no fígado por duas vias principais de conjugação, gerando metabólitos atóxicos: Conjugação com Ácido Glicurônico (Glicuronidação) Sulfatação Por que os gatos são tão sensíveis? Os felinos possuem uma deficiência congênita na enzima glicuronil transferase, realizando apenas cerca de 10% da via de glicuronidação. Ao ingerirem paracetamol, a via de sulfatação satura-se rapidamente. Sem as vias principais, o metabolismo é desviado para a via oxidativa do Citocromo P450, resultando na formação massiva de dois metabólitos altamente hepatotóxicos e oxidantes: NAPQUI (N-acetil-p-benzoquinona imina): É um radical livre que se liga covalentemente às proteínas celulares e ao DNA dos hepatócitos, desencadeando sinalização de apoptose e necrose hepática aguda severa (gerando hipoalbuminemia secundária). PAP (p-aminofenol): Potente agente oxidante que ataca as hemácias. Ele oxida o ferro da hemoglobina (Fe2+ para Fe3+), transformando-a em metemoglobinemia (incapaz de transportar oxigênio). O Papel da Glutationa (GSH): O organismo tenta inativar o NAPQUI e o PAP conjugando-os com a glutationa. Contudo, em 16 a 24 horas após a ingestão, ocorre a depleção total dos estoques de glutationa. Sem ela, os metabólitos acumulam-se livremente, gerando falência no transporte de oxigênio, corpúsculos de Heinz, cianose e lise celular. Nota: As hemácias dos felinos são radicalmente mais sensíveis à oxidação porque possuem um elevado número de pontes de sulfidrila (8 a 10 grupos -SH) em sua hemoglobina. Nota: Cães possuem as vias de conjugação funcionais e, por isso, não costumam ser intoxicados por doses baixas/acidentais, embora a overdose também cause necrose hepática. PARACETAMOL Estágios Clínicos em Felinos 1º Estágio (0 a 12 horas): Sinais inespecíficos e respiratórios. Vômito, apatia profunda, anorexia, fraqueza progressiva, dispneia e cianose (mucosas roxas/azuladas devido à incapacidade de oxigenação). 2º Estágio (12 a 24 horas): Alterações hemodinâmicas e vasculares. Edema clássico de face (focinho e região periocular) e de membros, incoordenação motora, urina de coloração marrom (metemoglobinúria), convulsões, coma e óbito. 3º Estágio (24 a 48 horas): Insuficiência hepática fulminante. Icterícia severa, encefalopatia hepática, coma profundo e morte. Métodos Diagnósticos Rápidos Spot Test (Teste da Gota): Pinga-se uma gota de sangue do paciente em um papel toalha poroso ao lado de uma gota de sangue controle (saudável). Se o sangue mantiver uma coloração marrom-achocolatada após secar, indica que mais de 50% da hemoglobina foi convertida em metemoglobina. Esfregaço Sanguíneo: Visualização microscópica de Corpúsculos de Heinz (precipitados de hemoglobina oxidada agregados à membrana da hemácia) e presença de excentrócitos, confirmando a injúria oxidativa severa. Protocolo de tratamento Antidototerapia EspecíficaN-acetilcisteína (NAC): É o antídoto de eleição. Atua como precursor direto da glutationa, restaurando os estoques hepáticos e eritrocitários para que o organismo volte a neutralizar o NAPQUI e o PAP. Além disso, pode reduzir em até 50% a meia-vida do paracetamol. Janela terapêutica: Altamente eficaz se instituída nas primeiras 8 horas pós-ingestão. Dose: 140 mg/kg por via intravenosa (IV) como dose de ataque (utilizar filtro biológico ou administrar de forma lenta e diluída), seguida por doses de manutenção. 14 COX-1 PGE2 e PGI2 Descontaminação de Emergência Até 1 hora da ingestão: Indução de êmese (se o paciente estiver totalmente consciente) seguida da administração de carvão ativado (1 a 2 g/kg) para adsorver o fármaco residual no lúmen gástrico. De 1 a 6 horas da ingestão: Administração de um catártico (como o sorbitol 70%) associado ao carvão para acelerar o trânsito intestinal e impedir a absorção entero-hepática. Terapia de Suporte e Proteção Hepática Cimetidina (10 mg/kg IV de ataque, seguido de 5 mg/kg IV a cada 6h nas primeiras 24h): Utilizada aqui não pelo seu efeito gástrico, mas sim por ser um potente inibidor do Citocromo P450. Ao bloquear essa via enzimática, reduz drasticamente a conversão do paracetamol residual nos metabólitos tóxicos NAPQUI e PAP. S-Adenosil L-Metionina (SAM-e): Atua como protetor hepático e antioxidante celular, auxiliando na estabilização das membranas dos hepatócitos. Sulfato de Sódio: Fornece uma fonte exógena de sulfato para tentar reativar e prolongar a via de sulfatação hepática. Oxigenoterapia e Transfusão Sanguínea: Suporte com O2 100% umidificado para compensar as hemácias inoperantes. A transfusão de sangue total ou concentrado de hemácias é estritamente indicada se os níveis de metemoglobinemia forem críticos ou se o hematócrito despencar por hemólise B) Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs) e Aspirinas: Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como o diclofenaco e o ibuprofeno, e os salicilatos, como o ácido acetilsalicílico (AAS/Aspirina), representam uma parcela massiva das intoxicações iatrogênicas (por erro de prescrição do tutor) em cães e gatos. 1.Anti-inflamatórios Não Esteroidais (Ibuprofeno e Diclofenaco): Embora o diclofenaco seja contraindicado para cães e gatos em qualquer dose, o ibuprofeno frequentemente causa toxicidade por superdosagem acidental. Mecanismo de ação: O principal mecanismo de toxicidade decorre da inibição não seletiva das enzimas ciclooxigenases (COX-1 e COX-2): Bloqueio da COX-1 Constitutiva: Reduz drasticamente a síntese de prostaglandinas citoprotetoras (PGE2 e PGI2). No estômago, isso diminui a produção de muco e bicarbonato e aumenta a secreção de ácido clorídrico. Nos rins, reduz a perfusão renal Ciclo Entero-Hepático: Esses compostos sofrem intensa biotransformação hepática (via Citocromo P450 e glicuronidação) e são excretados pela bile, retornando ao lúmen intestinal. Essa reabsorção cíclica prolonga o tempo de contato com a mucosa gástrica e intestinal, exacerbando as lesões locais. Efeito Mitocondrial: Em doses elevadas, causam o desacoplamento da fosforilação oxidativa, prejudicando a produção de ATP celular. Sinais clínicos Trato Gastrointestinal (TGI): Vômitos, anorexia, dor e sensibilidade abdominal, hematêmese (vômito com sangue), melena (sangue digerido nas fezes é um sinal clássico), hematoquezia (sangue vivo nas fezes), enteropatia crônica com perda proteica (induzindo hipoalbuminemia) e, em casos graves, intussuscepção ou perfuração gástrica. Sistema Renal: Isquemia renal devido à perda da vasodilatação mediada por prostaglandinas. Resulta em queda acentuada da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), retenção hídrica, azotemia, hipercalemia e Insuficiência Renal Aguda (IRA). Outros Efeitos: Disfunção hepática (icterícia e elevação de enzimas), disfunções na agregação plaquetária (prolongamento do tempo de sangramento) e sinais neurológicos secundários à uremia ou toxicidade direta (depressão, convulsões e coma). Manejo terapêutico Não há antídoto específico. O tratamento é essencialmente de suporte e sintomático. Proteção Gastrointestinal Ativa: Fluido intravenosa (parenteral) para manter a volemia, associada a protetores de mucosa (sucralfato), antagonistas H2 (ranitidina) ou inibidores de bomba de prótons (omeprazol), além do análogo sintético de prostaglandina (misoprostol). Terapia de Resgate (Lipídeo IV/Resgate Intralipídico): Consiste na administração de uma emulsão lipídica intravenosa em bolus lento. Os lipídeos criam uma fase hidrofóbica no plasma (lipid sink), capturando e retendo as moléculas livres de drogas altamente lipossolúveis (mecanismo extremamente eficaz para o ibuprofeno), impedindo que ajam nos tecidos-alvo. 15 2.Salicilatos: Ácido Acetilsalicílico (Aspirina / AAS) Mecanismo de ação: Os felinos são extremamente sensíveis à aspirina devido a uma dupla deficiência metabólica Baixa capacidade de Glicuronidação (glicuronil transferase deficiente). Produção severamente limitada do metabólito conjugado com glicina (ácido salicilúrico), que é a principal via de eliminação do AAS. Consequência: A meia-vida da aspirina em felinos é até 10 vezes maior que em humanos ou cães. Enquanto um cão metaboliza o fármaco a cada 8 horas, o intervalo de dose seguro para um gato exige 38 a 48 horas. O erro comum dos responsáveis é administrar o comprimido em intervalos humanos (8-8h ou 12-12h), gerando intoxicação cumulativa fatal.almente de suporte e sintomático. Toxicodinâmica em Doses Elevadas Desacoplamento da Fosforilação Oxidativa: O salicilato inibe as desidrogenases do ciclo de Krebs e aminotransferases. Sem a conversão de energia em ATP, as mitocôndrias (principalmente no tecido muscular esquelético e neurônios) liberam energia na forma de calor, gerando hipertermia. Distúrbios Ácido-Básicos: Ocorre o acúmulo de ácidos orgânicos no sangue. Inicialmente, o fármaco estimula o centro respiratório, gerando hiperventilação (alcalose respiratória compensatória), que evolui rapidamente para uma severa acidose metabólica. Ação Anticoagulante: Inibição irreversível do tromboxano A2 nas plaquetas, abolindo a agregação plaquetária. Sinais clínicos Depressão profunda do SNC, anorexia, náusea e vômitos decorrentes de severa irritação gástrica direta e central. Hiperventilação mecânica e hipertermia induzida pelo colapso mitocondrial. Petéquias, equimoses e hemorragias generalizadas pela via antitrombótica. Corpúsculos de Heinz: Lesão oxidativa eritrocitária (especialmente em gatos). ASPIRINA C) Medicamentos para o SNC 1.Benzodiazepínicos (Ex: Diazepam, Alprazolam, Clonazepam): Embora apresentem uma margem de segurança relativamente alta isolados, a superdosagem ou a associação com outros depressores do SNC gera quadros graves de intoxicação. Mecanismo de ação e toxicodinâmica Modulação Alostérica Positiva: Os benzodiazepínicos ligam-se a sítios específicos no complexo de receptores GABAA (o principal neurotransmissor inibitório do SNC). Efeito Dominó: Essa ligação potencializa a afinidade do GABA pelo receptor, promovendo uma maior abertura dos canais de Cloro (Cl-). A entrada massiva de cargas negativas hiperpolariza a membrana pós- sináptica, tornando o neurônio refratário a estímulos. O resultado é uma depressão generalizada da atividade neural. Stat: Modulação Alostérica Positiva Benzodiazepínicos Ligação ao Receptor GABAA Maior influxo de Cloro (Cl-)Hiperpolarização Neuronal Depressão Total do SNC Manejo terapêutico Não há antídoto específico. Foco total em suporte intensivo Diurese Alcalina Forçada: Administração de fluidoterapia associada ao Bicarbonato de Sódio (NaHCO3). O objetivo é alcalinizar a urina (pH > 7,5). Em meio básico, o ácido salicílico se ioniza, o que impede sua reabsorção tubular renal (aprisionamento iônico) e acelera drasticamente sua excreção. Controle Térmico: Resfriamento externo ativo do paciente (banhos frios, tapetes gelados, ventiladores) devido à hipertermia não mediada por pirógenos. Suporte Hemodinâmico: Transfusão de sangue totalse houver hemorragia ativa ou anemia hemolítica por oxidação severa. 16 O flumazenil possui uma meia-vida curta. O animal pode voltar a ser sedado após o término do efeito do antídoto, exigindo doses repetidas. Além disso, ele não substitui a assistência respiratória (oxigenoterapia/ventilação mecânica) se o paciente estiver em apneia. Sinais clínicos Efeitos Anticolinérgicos (Clássicos): Mucosa oral seca, midríase acentuada, retenção urinária, diminuição da motilidade intestinal, diaforese (sudorese excessiva, mais evidente em coxins/espécies específicas) e hipertermia severa. Efeitos Neurológicos: Agitação psicomotora, vocalização, delírios, alucinações aparentes, tremores e crises convulsivas generalizadas. Efeitos Cardiotóxicos (Fatais): Taquicardia sinusal inicial, prolongamento dos intervalos PR e QRS no eletrocardiograma (ECG), hipotensão severa, arritmias ventriculares graves e choque cardiogênico. Manejo Terapêutico (O que fazer e o que nunca fazer) Não há antídoto. O tratamento visa estabilização e controle dos sintomas. Descontaminação Gástrica: Lavagem gástrica e administração de carvão ativado devem ser feitas precocemente, com monitoração rigorosa das vias aéreas (risco de convulsão súbita e aspiração). Antagonista Serotoninérgico: A Ciproheptadina (antagonista não seletivo de receptores 5-HT) pode ser administrada por via oral ou retal para mitigar os efeitos centrais da síndrome serotoninérgica. Manejo das Arritmias: O uso de Bicarbonato de Sódio (NaHCO3) intravenoso é indicado se houver alargamento do complexo QRS. O sódio extra ajuda a vencer o bloqueio dos canais de sódio cardíacos provocados pelo fármaco. PROIBIÇÃO ABSOLUTA: Nunca utilize Atropina no tratamento da intoxicação por antidepressivos tricíclicos. Como esses medicamentos já possuem uma atividade anticolinérgica intrínseca e potente, o uso da atropina exacerbará a taquicardia, a hipertermia e o bloqueio muscarínico, podendo induzir arritmias letais e íleo paralítico fatal. Sinais clínicos Neurológicos: Ataxia severa, relaxamento muscular profundo (hipotonia), letargia, depressão do nível de consciência, estupor e coma. Cardiorrespiratórios: Depressão respiratória progressiva (hipoventilação), hipotensão arterial, bradicardia ou taquicardia reflexa e arritmias em quadros severos. Manejo terapêutico e antídoto Antídoto Específico (Flumazenil): Atua como um antagonista competitivo puro nos mesmos sítios de ligação dos benzodiazepínicos no receptor GABAA, revertendo a sedação e melhorando a função respiratória. Suporte: Fluidoterapia intravenosa para manter a pressão arterial e suporte ventilatório. 2.Antidepressivos Tricíclicos (Ex: Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina): São fármacos altamente tóxicos para pequenos animais, com uma janela terapêutica estreita. O início dos sintomas é agudo, manifestando-se em média até 2 horas após a ingestão. Mecanismo de ação e toxicodinâmica Inibição da Recaptura de Monoaminas: Bloqueiam os transportadores pré-sinápticos de Serotonina (5-HT) e Noradrenalina (NOR), causando um acúmulo massivo desses neurotransmissores na fenda sináptica e gerando hiperestimulação central (Síndrome Serotoninérgica). Ação Anticolinérgica: Atuam como antagonistas competitivos potentes de receptores muscarínicos, mimetizando um bloqueio parassimpático severo. Bloqueio de Canais de Sódio (Na+): Em doses tóxicas, bloqueiam os canais de sódio voltagem-dependentes no miocárdio. Isso retarda a condução cardíaca (efeito quinidina-like), sendo a principal causa de morte por parada cardíaca. Na Na Na Na D) Antiparasitários: As lactonas macrocíclicas englobam as avermectinas (ivermectina, doramectina, selamectina) e as milbemicinas (moxidectina, milbemicina oxima). Embora possuam uma margem de segurança extremamente alta para a maioria dos mamíferos, geram quadros neurotóxicos graves em indivíduos com sensibilidade genética ou barreiras biológicas imaturas. 17 Mecanismo de ação e toxicodinâmica molecular: Nos parasitas (invertebrados), esses fármacos ligam-se a canais de cloro regulados por glutamato, causando paralisia flácida e morte. nos mamíferos, esses canais específicos não existem. Contudo, em cenários de superdosagem ou penetração indevida no Sistema Nervoso Central (SNC), as lactonas macrocíclicas atuam como potencializadoras dos canais de Cloro regulados pelo neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico): Efeito no SNC: O fármaco estimula a liberação pré- sináptica de GABA e intensifica sua ligação aos receptores pós-sinápticos. Isso promove a abertura prolongada dos canais de Cloro (Cl-). Consequência: O influxo massivo de cargas negativas hiperpolariza os neurônios, bloqueando a condução de estímulos nervosos e resultando em uma depressão severa e generalizada do SNC. Alerta Clínico Importante: Animais homozigotos para essa mutação também apresentarão toxicidade severa se expostos a outros fármacos substratos da Gp-P, como a eritromicina (antimicrobiano) e a clorpromazina (tranquilizante). Dica de Manejo Comercial: A selamectina é considerada segura para uso tópico nessas raças sensíveis nas doses recomendadas de bula, pois sua farmacocinética minimiza a absorção sistêmica a níveis capazes de sobrecarregar o SNC. a) Problema: Essa mutação gera uma falha na síntese da Glicoproteína-P. Sem essa bomba funcional, a Barreira Hematoencefálica torna-se altamente permeável. A ivermectina acumula-se no tecido cerebral em concentrações até 100 vezes maiores que o normal, desencadeando neurotoxicidade severa mesmo em doses terapêuticas (baixas). Vulnerabilidades em Outras Espécies Bezerros Jovens (ácido-básico. c) Estímulo à diurese e manejo de suporte ao paciente em decúbito (mudança de lado a cada 4 horas para evitar atelectasia pulmonar e escaras). 18 Referências SPINOSA, Helenice de S.; GÓRNIAK, Silvana L.; PALERMO-NETO, João. Toxicologia aplicada à medicina veterinária 2a ed.. 2. ed. Barueri: Manole, 2020. E-book. p.III. ISBN 9788520458990. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520458990/. https://www.petmosfera.com/revista-digital https://www.petmosfera.com/galeria-plantas https://saude.petlove.com.br/doencas/intoxicacao-por-domissanitarios https://www.premierpet.com.br/wp-content/uploads/2021/12/af_5a-Ed-Rev-Criador_simples.pdf https://www.crmv-al.org.br/2016/07/12/medicamentos-humanos-sao-perigosos-para-caes-e-gatos/ https://caesegatos.com.br/medicamentos-humanos-toxicos/ CANVA. Banco de elementos gráficos e imagens digitais. Disponível em: https://www.canva.com. Licença de uso comercial aplicada ao projeto Scientia Vet, 2026. 29 https://www.petmosfera.com/domissanitarios https://www.canva.com/ Toxicologia Veterinária Referências