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Toxicologia Veterinária 📄 AVISO LEGAL E TERMO DE USO Este material é um resumo didático destinado exclusivamente ao suporte de estudos de estudantes e profissionais da Medicina Veterinária. O conteúdo não substitui a consulta a livros-trato oficiais, bulas de medicamentos ou o julgamento clínico do médico veterinário atuante. Os autores não se responsabilizam por condutas clínicas adotadas com base neste resumo. Créditos Visuais: Todos os elementos gráficos, ilustrações, vetores e imagens iconográficas utilizados na diagramação deste material foram obtidos e licenciados sob os termos de uso da plataforma Canva para fins de distribuição comercial. 🚫 PROTEÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS (Lei nº 9.610/98) É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste arquivo, seu armazenamento em sistemas recuperáveis, ou sua transmissão por qualquer meio (eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação, compartilhamento em grupos de WhatsApp, Telegram ou Drive) sem a autorização prévia por escrito do detentor dos direitos autorais. A violação dos direitos autorais configura crime previsto no artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Todos os direitos reservados. [Scientia Vet], 2026. 2 Domissanitários 1. Introdução Os domissanitários compreendem materiais e químicos de limpeza doméstica. A intoxicação por esses agentes é uma rotina comum, onde a triagem frequentemente se inicia por telefone, sendo crucial orientar o proprietário a levar a embalagem ou amostra do produto suspeito para identificação. A) Atendimento Inicial (Triagem) Consiste na coleta de dados básicos (espécie, raça, peso) concomitante à estabilização imediata do paciente. O foco deve estar nos seguintes sistemas: Respiratório e Neurológico: Avaliação de padrão respiratório e nível de consciência. Circulatório: Monitoramento de frequências (taquicardia/bradicardia), coloração de mucosas (palidez), presença de fraqueza extrema ou hemorragias por orifícios. Gastrintestinal: Controle de vômitos contínuos para evitar desidratação e distúrbios eletrolíticos. B) Métodos de Descontaminação Dérmica e Ocular: Lavagem abundante com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15–20 minutos. Gástrica (Indução de Êmese): Indicada para a ingestão recente (geralmente até 2 horas) de substâncias não corrosivas. ⚠ Contraindicações Absolutas da Êmese: 1.Substâncias: Ingestão de agentes cáusticos, ácidos/alcalinos fortes ou derivados de petróleo (risco de nova lesão esofágica ou pneumonia aspirativa). 2.Estado do Paciente: Presença de alterações neurológicas (depressão do SNC), convulsões, fraqueza extrema ou perda do reflexo de deglutição/tosse. 3.Particularidade de Espécie: Roedores, lagomorfos (coelhos) e equinos não realizam o reflexo do vômito anatomicamente. Em felinos, evita-se o uso de água oxigenada devido ao risco de gastrite hemorrágica severa. 2.Sabões e detergentes Os sabões são classificados quimicamente como sais de ácidos graxos (agentes alcalinos + gordura). Comercialmente, a gravidade do quadro clínico varia drasticamente conforme a procedência do produto: A)Sabonetes de banheiro e Sabões Neutros Perfil Clínico: Baixa toxicidade. Podem causar irritação gástrica leve e êmese. Conduta: Hidratação oral e administração de demulcentes (protetores de mucosa). B)Sabões em Pedra e Artesanais (Caseiros) Perfil Clínico: Alta toxicidade. Devido ao uso de soda cáustica, apresentam pH de até 13. Causam irritação severa, diarreia, corrosão química de mucosas e hematêmese. Conduta Emergencial: Fluidoterapia: Hidratação por via parenteral para suporte volêmico e correção ácido-base. Proteção Gástrica: Sucralfato (como citoprotetor) associado a bloqueadores de bomba de prótons (omeprazol). Manejo de Sintomas: Antieméticos potentes são estritamente necessários para cessar o vômito e impedir o refluxo do agente cáustico pelo esôfago. Corticoides e antimicrobianos podem ser instituídos se houver choque inflamatório ou hipertermia (febre). PROIBIDO: Nunca utilize sais de carbonato (ex: bicarbonato de sódio) para tentar neutralizar o pH. A reação com o HCl estomacal libera calor e CO2, gerando distensão gástrica aguda e risco iminente de perfuração gástrica. Nota: Esse procedimento pode ser iniciado pelo tutor em ambiente domiciliar para diminuir o tempo de exposição. 7 B) Formaldeído (Formol) Mecanismo de Lesão: Provoca necrose de coagulação tecidual e dermatite severa por contato/ingestão. Por via inalatória, induz a espasmo ou edema de laringe imediato. Tratamento Específico: Administração de carbonato de amônio e bicarbonato de sódio (ambos reagem com o formol no lúmen gástrico gerando metenamina, um metabólito atóxico). Se houver edema pulmonar secundário, administra-se manitol. C) Hipocloritos (Água Sanitária) Mecanismo: Em contato com o suco gástrico (HCl), o hipoclorito se converte em ácido hipocloroso, altamente irritante para a mucosa digestiva. Clínica: Dor abdominal aguda, gastrite severa e hematêmese (vômito sanguinolento). Tratamento: Protetores de mucosa, demulcentes e tiossulfato de sódio a 1% (agente redutor). D) Ácido Bórico Clínica: Vômitos hemorrágicos, quadros convulsivos e insuficiência renal aguda anúrica (interrupção da produção de urina). Tratamento: Lavagem gástrica apenas se o paciente for atendido imediatamente após a ingestão. Diante de sintomas instalados, institui-se suporte com fluidoterapia e bicarbonato de sódio. Casos refratários podem exigir diálise peritoneal. ERRO CLÁSSICO: Nunca tente neutralizar a água sanitária administrando soluções ácidas (como vinagre). Isso acelera a liberação de gás cloro (Cl2), que é extremamente hepatotóxico, nefrotóxico e irritante para as vias aéreas. Atenção: Evitar lavagem gástrica se houver suspeita de corrosão severa. A) Fenóis e Cresóis (Ex: Creolina) Grupo de Risco: Felinos (devido à deficiência severa na enzima glicuronil transferase, dificultando a conjugação e excreção do composto). Clínica: Metemoglobinemia (cianose/mucosas escuras), formação de corpúsculos de Heinz, convulsões e úlceras de córnea (por contato). Manejo Terapêutico Cutâneo: Lavagem e aplicação de pomadas protetoras (Vitamina A / Óxido de zinco). Sistêmico: Benzodiazepínicos (para convulsão), protetores de mucosa, N-acetilcisteína e Azul de Metileno IV (ou ácido ascórbico) para reverter a metemoglobinemia. Nota: Nunca use óxido de zinco nos olhos. 3.Agentes Específicos e Toxicidade C) Builders (Tripolifosfatos) Aditivos de produtos de limpeza cuja função original é quelar minerais da água. Toxicidade: No organismo do animal, quelam o cálcio sérico, induzindo a um quadro de hipocalcemia aguda (sinalizada por tremores musculares e tetania). Tratamento: Suporte com gluconato de cálcio a 10% por via intravenosa lenta, sob monitoração cardíaca. D) Detergentes Catiônicos (ex: Cloreto de Benzalcônio) São amplamente utilizados em desinfetantes hospitalares e de canis (quaternários de amônia). Gravidade: Emergência médica. Diferente dos detergentes aniônicos comuns, os catiônicos são altamente corrosivos e rapidamente absorvidos, provocando sinais sistêmicos graves, depressão do SNC, colapso circulatório e convulsões. 8 Protocolo Terapêutico: O sucesso do tratamento depende do bloqueio da metabolização hepática antes que as lesões renais se instalem (janela terapêutica ideal de até 8 a 12 horas). a) Antídototerapia (Competição Enzimática): Etanol Farmacêutico (20%): Administrar 5,5 mL/kg por via intravenosa (IV), a cada 4 horas (em cães). O etanol possui maior afinidade pela enzima do que o etileno glicol, poupando o organismo da formação de oxalatos. Uso Emergencial (Vodka): Na ausência do padrão farmacêutico, administra-se vodka (diluída a 20%) por via oral ou sonda nasogástrica, na dose de 2 a 3 mL/kg. b) Manejo de Suporte Essencial: Descontaminação: Êmese e carvão ativado (apenas se a ingestão for extremamente recente, pois a absorção gastrointestinal é muito rápida). Correção da Acidose: Infusão calculada de Bicarbonato de Sódio (NaHCO3) na fluido de suporte. ProteçãoRenal: Fluidoterapia agressiva associada ao Manitol (diurético osmótico) para forçar a taxa de filtração glomerular e tentar "lavar" os túbulos renais, impedindo a fixação dos cristais. E) Iodo Clínica: Vômitos intensos por ação corrosiva direta. Se o animal consumiu fontes de amido (como pão) antes da intoxicação, o vômito apresentará uma coloração azul- escura, decorrente da formação do complexo atóxico iodo-amido. Tratamento Químico: Administração de solução de amido de milho (15g em 500 mL de água) para inativar o iodo livre. Seguir com catarse salina (sulfato de sódio) associada ao amido para acelerar a eliminação intestinal, além de hidratação intravenosa de suporte. F) Etileno Glicol (Anticongelante) O etileno glicol é rapidamente absorvido e metabolizado no fígado pela enzima álcool desidrogenase, originando metabólitos tóxicos (como o ácido oxálico). Este ácido liga- se ao cálcio sérico, precipitando-se nos túbulos renais na forma de cristais de oxalato de cálcio, que são altamente nefrotóxicos. Fase Neurológica (30 min a 12h): Sinais semelhantes à embriaguez (ataxia, depressão, poliúria/polidipsia). Fase Cardiorrespiratória (12h a 24h): Taquipneia, taquicardia e depressão severa decorrentes de uma grave acidose metabólica com anion gap elevado. Fase Renal (24h a 72h): Insuficiência renal aguda severa, caracterizada por dor lombar, oligúria ou anúria, vômitos urêmicos e uremia progressiva. 9 Referências SPINOSA, Helenice de S.; GÓRNIAK, Silvana L.; PALERMO-NETO, João. Toxicologia aplicada à medicina veterinária 2a ed.. 2. ed. Barueri: Manole, 2020. E-book. p.III. ISBN 9788520458990. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520458990/. https://www.petmosfera.com/revista-digital https://www.petmosfera.com/galeria-plantas https://saude.petlove.com.br/doencas/intoxicacao-por-domissanitarios https://www.premierpet.com.br/wp-content/uploads/2021/12/af_5a-Ed-Rev-Criador_simples.pdf https://www.crmv-al.org.br/2016/07/12/medicamentos-humanos-sao-perigosos-para-caes-e-gatos/ https://caesegatos.com.br/medicamentos-humanos-toxicos/ CANVA. Banco de elementos gráficos e imagens digitais. Disponível em: https://www.canva.com. Licença de uso comercial aplicada ao projeto Scientia Vet, 2026. 29 https://www.petmosfera.com/domissanitarios https://www.canva.com/ Toxicologia Veterinária Referências