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Toxicologia Veterinária
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Todos os direitos reservados. [Scientia Vet], 2026.
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Os rodenticidas dividem-se em duas grandes categorias
regulatórias: os legais (comercialização autorizada,
representados pelos anticoagulantes) e os
clandestinos/ilegais (proibidos por lei, mas com alta
casuística criminal ou acidental).
São os raticidas permitidos para uso doméstico e industrial.
Dividem-se em compostos de 1ª geração (ex: varfarina, de
eliminação mais rápida) e de 2ª geração (ex: brodifacoum,
bromadiolona), que possuem altíssima potência e longa
meia-vida tecidual, criados após o desenvolvimento de
resistência biológica pelos roedores.
A) Mecanismo de Ação Molecular
A toxicodinâmica baseia-se no bloqueio do ciclo de
reciclagem da Vitamina K, um cofator obrigatório para a
síntese hepática de fatores de coagulação.
Rodenticida Anticoagulante Inibição da
Epóxido Redutase
Impedimento da regeneração
da Vitamina K Ativa
Ausência de Ativação dos
Fatores II, VII, IX e X
Colapso da Cascata Hemorragias Fatais
⚠ Aviso: Nunca administrar Vitamina K1 por via
intravenosa (IV) devido ao risco iminente de reações
anafilactoides graves. O tratamento deve durar de 14
a 28 dias (especialmente para os compostos de 2ª
geração, que persistem no organismo).
Rodenticidas
1.Rodenticidas Anticoagulantes (Legais)
1. Inibição Enzimática: O fármaco inibe especificamente a
enzima Vitamina K Epóxido Redutase.
2.Esgotamento da Vitamina K: O bloqueio impede a
conversão da Vitamina K epóxido (inativa) em sua forma
reduzida (hidroquinona, ativa). Sem a forma ativa, cessa a
γ -carboxilação dos resíduos de ácido glutâmico das
proteínas de coagulação.
3.Falência Hemostática: Como consequência, o fígado
torna-se incapaz de ativar os fatores dependentes de
Vitamina K: II (protrombina), VII (proconvertina), IX (fator
Christmas) e X (fator Stuart). A coagulação colapsa por
completo.
Janela de Latência: Os sinais clínicos não surgem
imediatamente pós-ingestão. Existe um período de latência
de 3 a 5 dias, tempo necessário para o consumo natural
dos fatores de coagulação que já estavam ativos e
circulantes no plasma.
B) Sinais Clínicos
Espécies mais Acometidas: Cães (pelo hábito de
ingestão direta de iscas) e, secundariamente, gatos (por
predação/exposição indireta ao ingerirem roedores
intoxicados).
Quadro Clínico: Hemorragias generalizadas. Manifesta-
se por epistaxe, hematúria, hematoquezia, sangramentos
gengivais, sufusões, petéquias e hematomas em áreas
de apoio. Casos graves evoluem com hemotórax
(provocando dispneia severa e abafamento de bulhas),
hemopericárdio e hemoabdômen.
C) Diagnóstico
Achados Laboratoriais: Aumento expressivo do Tempo
de Protrombina (TP) — que avalia a via extrínseca e é o
primeiro a se alterar devido à meia-vida curta do fator VII
(seguido do aumento do Tempo de Tromboplastina
Parcial Ativada (TTPA)).
D) Conduta Terapêutica
Atendimento Recente (com
Diazepam, relaxantes musculares de ação central
(Metocarbamol) ou anestesia geral em infusão contínua
com Propofol ou barbitúricos se as crises forem
refratárias. Se necessário, instituir ventilação mecânica.
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4.Aldicarb ("Chumbinho")
Embora seja tecnicamente um inseticida carbamato de uso
agrícola (cuja venda foi proibida/restrita pelo desvio), o
aldicarb é o agente mais associado ao termo "chumbinho" no
mercado ilegal de raticidas domésticos, vendido na forma de
microgrânulos cinzas ou azulados.
A) Mecanismo de Ação Molecular
Atua como um agente anticolinesterásico reversível.
Fisiopatologia: Liga-se ao sítio ativo da enzima
Acetilcolinesterase, bloqueando temporariamente a sua
capacidade de degradar o neurotransmissor acetilcolina
na fenda sináptica. Ocorre o acúmulo agudo de
acetilcolina, resultando em uma hiperestimulação
massiva de receptores muscarínicos e nicotínicos em
todo o corpo.
B) Sinais Clínicos (Toxidrome Colinérgica)
Espécies mais Acometidas: Cães e gatos (alvos
frequentes de intoxicações intencionais/criminosas).
Quadro Clínico
Síndrome Muscarínica: Sialorréia profusa,
lacrimejamento, micção involuntária, diarreia, cólicas
abdominais severas, miose puntiforme (pupilas
totalmente contraídas) e bradicardia severa.
Efeitos Nicotínicos: Tremores musculares
localizados, fasciculações e paralisia flácida por
bloqueio despolarizante. O óbito ocorre por
insuficiência respiratória decorrente da broncorreia
(excesso de secreção pulmonar), broncoespasmo e
paralisia diafragmática.
C) Conduta Terapêutica
Antídoto Antagonista: Atropina (Antagonista muscarínico
competitivo). Administra-se na dose de 0,2 a 0,5 mg/kg}
(1/4 da dose IV e o restante SC ou IM).
⚠ Pulo do Gato: O objetivo da atropinização não é dilatar a
pupila, mas sim cessar a broncorreia e restabelecer a
frequência cardíaca. O protocolo é repetido até as vias aéreas
estarem limpas.
Reativadores Enzimáticos (Oximas): Na intoxicação pura
por carbamatos (como o aldicarb), a reativação
enzimática espontânea é rápida, tornando o uso de
oximas (Pralidoxima) geralmente dispensável se
comparado aos organofosforados, mas a atropinização é
mandatória.
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Referências
SPINOSA, Helenice de S.; GÓRNIAK, Silvana L.; PALERMO-NETO, João. Toxicologia aplicada à medicina veterinária 2a
ed.. 2. ed. Barueri: Manole, 2020. E-book. p.III. ISBN 9788520458990. Disponível em:
https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520458990/.
https://www.petmosfera.com/revista-digital
https://www.petmosfera.com/galeria-plantas
https://saude.petlove.com.br/doencas/intoxicacao-por-domissanitarios
https://www.premierpet.com.br/wp-content/uploads/2021/12/af_5a-Ed-Rev-Criador_simples.pdf
https://www.crmv-al.org.br/2016/07/12/medicamentos-humanos-sao-perigosos-para-caes-e-gatos/
https://caesegatos.com.br/medicamentos-humanos-toxicos/
CANVA. Banco de elementos gráficos e imagens digitais. Disponível em: https://www.canva.com. Licença de uso
comercial aplicada ao projeto Scientia Vet, 2026.
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https://www.petmosfera.com/domissanitarios
https://www.canva.com/
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Referências