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Elaboração e 
organização 
técnica do texto
Rosiani Machado 
Elaboração e organização 
técnica do texto
2
Introdução
Para que um texto seja bem elaborado e compreensível pelo leitor, é necessário que 
apresente uma estruturação adequada ao tipo e ao gênero. Assim, seu sentido será 
dado por sua organização interna, valendo-se de elementos contextuais que darão 
suporte às ideias nele contidas.
Neste conteúdo, você verá como se dá a estrutura de um texto dissertativo, além de 
compreender a organização de um parágrafo-modelo para que sua produção textual 
cumpra o papel proposto.
Além disso, irá aplicar os conceitos de coesão e coerência, compreendendo que o 
sentido do texto se dá em uma organização coesa e coerente de seus elementos.
Esperamos que você apreenda os conhecimentos necessários para que seus textos 
sejam produzidos como um todo organizado de sentido. 
Bons estudos!
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender o texto como um todo organizado de sentido.
• Identificar a estrutura interna de um parágrafo-modelo.
• Compreender a coesão textual como parte integrante da clareza 
• textual.
• Compreender a coerência textual como parte integrante da objetividade tex-
tual.
• Aplicar os elementos de coesão na produção de texto.
• Construir texto dissertativo.
• Distinguir as partes que compõem o texto escrito. 
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O texto como um todo organizado de sentido
O sentido de um texto não é dado somente por seu vocabulário. Ele é construído, 
também, por fatores externos ao texto. Ou seja, informações que não estão contidas 
no texto, mas que o leitor deverá lançar mão para compreensão da leitura.
A habilidade de produção e de leitura de um texto verbal escrito é definida pelo contexto 
que envolve o texto. 
Contexto
Uma mesma sentença poderá ter resultados interpretativos diferentes se produzida 
em contextos distintos. Observe as sentenças a seguir: 
(1) A Mata Atlântica está sendo destruída pouco a pouco.
(2) Essa água pura, vinda direto da fonte, mata minha sede.
Quadro 1 - Contexto
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
A palavra “mata” foi usada em duas situações diferentes:
(1) com o significado de floresta;
(2) com o significado de saciar, satisfazer.
Assim, dizemos que o contexto é uma unidade linguística maior em que uma unidade 
linguística menor está inserida. Observe o esquema a seguir:
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Figura 1 - Esquema de contexto
Fonte: Elaborada pela autora (2018).
Observando o esquema, percebemos que a palavra está inserida no contexto da frase 
que, por sua vez, insere-se no contexto parágrafo, dando contexto maior ao texto em 
sua totalidade.
Retomando o exemplo dado, em que usamos a palavra “mata” em duas situações 
contextuais distintas, podemos dizer que, a partir da leitura das sentenças, não 
houve a necessidade de buscar entendimento fora delas. A esse tipo de contexto 
denominamos de contexto explícito, ou seja, a explicação está no próprio texto ou na 
sentença dada. 
Já o contexto implícito irá tratar de algo externo ao texto ou à sentença. 
Vila passa sem luxo mas com samba no pé (KABARITE, 
2018) .
Quadro 2 - Contexto implícito
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
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Para compreendermos o que o título da reportagem sugere, são necessárias algumas 
inferências.
(1) “Vila” é o apelido carinhoso dado à escola de samba Unidos de Vila Isabel, do Rio 
de Janeiro.
(2) “Sem luxo” faz referência ao uso de fantasias e alegorias simples, singelas, sem 
ostentação.
(3) “Com samba no pé” remete ao objetivo maior dos desfiles carnavalescos, quer 
seja, o de sambar na avenida.
Lembrando que essas são possíveis interpretações desenhadas a partir somente da 
leitura do título da reportagem. Com a leitura aprofundada do texto é que poderemos 
saber se realmente a interpretação está de acordo com o que o repórter quis expressar 
ou não.
Em relação ao texto, o contexto diz respeito ao que está fora, ou seja, informações que 
não estão explícitas no texto, mas que devem ser acessadas para sua compreensão. 
Vejamos um exemplo:
Para Mercadante, fala de Temer estava “fora do contexto” 
(LADEIRA, 2015).
Quadro 3 - Informações não explícitas para o contexto
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
A “fala” mencionada pelo título da reportagem foi enunciada pelo então à época 
vice-presidente da República, Michel Temer, sobre a presidente, Dilma Roussef, não 
resistir até o final do mandato. A resposta do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio 
Mercadante, foi dada em uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, publicada no 
dia 6 de setembro de 2015.
Situações como essa são comuns, sobretudo no meio midiático. Um recorte mal feito 
de uma fala ou de uma escrita poderá resultar em uma interpretação equivocada. No 
exemplo dado, o que se pode perceber é o contexto sendo usado como argumento, 
como recurso para explicar uma fala que produziu um desconforto para o governo, à 
época.
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Elementos estruturais do texto
O texto é tido como um todo estruturado de forma coesa, una e coerente. Desse modo, 
deve haver uma interligação entre as frases que, por sua vez, devem estar em acordo 
com o parágrafo, demonstrando um sentido único a ser dado quando de sua leitura 
e, consequentemente, da sua interpretação. Segundo Medeiros (2013), para que um 
texto seja considerado como tal, deve apresentar três qualidades essenciais: unidade, 
coerência e coesão. Ainda de acordo com o autor, 
Todas as partes devem estar interligadas e manifestar um direcionamento 
único. Assim, um fragmento que trata de diversos assuntos não pode ser 
considerado texto. Da mesma forma, se lhe falta coerência, se as ideias são 
contraditórias, também não se constitui texto. Se os elementos da frase 
que possibilitam a transição de uma ideia para outra não estabelecem 
coesão entre as partes expostas, o fragmento não se configura um texto. 
(MEDEIROS, 2013, p. 28). 
Desse modo, o texto apresenta alguns elementos considerados essenciais, os 
elementos estruturais do texto. Veja quais são eles no quadro que segue.
Saber partilhado Conhecimento compartilhado com os indivíduos.
Informação nova Dado novo apresentado pelo texto; nova maneira de ver o 
mesmo fato.
Provas Fundamentação das afirmações feitas pelo autor.
Referência Assunto do texto, sobre o que o texto trata.
Tema Perspectiva sobre a qual o texto foi construído.
Quadro 4 - Elementos estruturais do texto
Fonte: Adaptado de Medeiros (2013).
Os elementos estruturais formarão, portanto, uma unidade do texto, compreendida 
por sua completude. 
Estrutura do texto
Um texto deve seguir uma sequência lógica, ordenado de modo a estabelecer uma 
estrutura que delimite seu início e seu final. Uma dissertação, tipo textual que tem 
recebido um foco maior em nosso conteúdo, está assim estruturada:
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• introdução – chama o leitor para o assunto do texto. É um convite para a leitu-
ra, uma apresentação daquilo que será exposto no texto;
• desenvolvimento – exposição progressiva do tema, com apresentação de ar-
gumentos e ideias que darão sentido ao texto; 
• conclusão – momento em que se faz uma retomada das ideias abordadas ao 
longo do texto, convergindo em seu fechamento.
Figura 2 - Estrutura do texto dissertativo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Essa é a estrutura mais adotada em textos do tipo dissertativo e, para que haja 
perfeita sincronia entre os elementos que compõem o texto, mantendo sua estrutura, 
é necessário que seus parágrafos também sigam uma ordenação sistematizada. 
Veja, no tópico que segue, como o parágrafo pode ser elaborado e como está 
estruturado. 
Elaboração de parágrafo
“Ponto final, nova linha, parágrafo”. Quantas vezes ouvimos isso de nossos professores? 
Inúmeras. Para sinalizar o parágrafo, deixava-se um espaço em branco (geralmente 
indicado pela largura do dedo indicador) entre a linha da margem esquerda e o início 
da primeira frase. Assim aprendemos o que é parágrafo em um texto.
No entanto, ao longo de nossa escolarização, compreendemos que parágrafo envolve 
muito mais do que isso. Significaa divisão de um texto em partes conectadas e 
coesas, responsáveis por dar o formato de texto.
Vamos analisar um parágrafo para compreendermos como sua estrutura está 
estabelecida e qual sua função.
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(1) A alimentação balanceada é a chave para uma vida saudável. (2) Para que isso ocorra, 
é preciso comer bem e na hora certa, com atenção à qualidade nutricional dos alimentos 
ingeridos. Além disso, combinar os alimentos e prepará-los de modo a retirar deles os 
nutrientes essenciais e adequados também trarão resultados eficazes ao comportamento 
alimentar. (3) Essas atitudes certamente irão auxiliar na busca por uma vida mais saudável 
e com alimentação adequada (PERDIZ, 2018).
Quadro 5 - Exemplo de parágrafo-modelo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Dividindo o parágrafo em partes, temos o seguinte:
(1)
Introdução
A alimentação balanceada é a chave para uma vida 
saudável.
(2) Desenvolvimento
Para que isso ocorra, é preciso comer bem e na 
hora certa, com atenção à qualidade nutricional 
dos alimentos ingeridos. Além disso, combinar os 
alimentos e prepará-los de modo a retirar deles os 
nutrientes essenciais e adequados também trarão 
resultados eficazes ao comportamento alimentar.
(3)
Conclusão
Essas atitudes certamente irão auxiliar na busca por 
uma vida mais saudável e com alimentação adequada.
Quadro 6 - Estrutura do parágrafo-modelo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Como podemos observar, o parágrafo-modelo, aqui exemplificado, encontra-se 
estruturado em três partes. A introdução (1) apresenta a ideia principal que dominar 
o parágrafo. A essa ideia denominamos de tópico frasal que, nesse caso, refere-se à 
alimentação saudável. No desenvolvimento (2), o tópico frasal é desdobrado em ideias 
secundárias, apresentadas de forma expositiva e esclarecedora do tema abordado, ou 
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seja, o que é necessário fazer para que se consiga alimentar-se de forma saudável. 
O encerramento da ideia central do parágrafo é dado na conclusão (3), momento em 
que se retoma o tópico frasal e, caso o texto tenha continuidade, encaminha-se para o 
parágrafo seguinte. Em nosso exemplo, temos um fechamento com o termo “essas”, 
remetendo ao que foi exposto anteriormente.
Podemos verificar que, embora de maneira autônoma, o parágrafo assim estruturado, 
fará parte de um encadeamento progressivo do texto.
Para uma redação de qualidade, é necessária uma delimitação do 
tema, com o objetivo de condensar as ideias até chegar à ideia 
principal. Para tanto, pode-se realizar um exercício de afunilamento 
dessas ideias. Um tema amplo, como a natureza, por exemplo, 
deverá ser desdobrado em outros subtemas até chegar à ideia 
principal, destruição da natureza pelo ser humano. Assim você 
poderá abordar um tema de modo objetivo e, consequentemente, 
eficaz. 
Atenção
A clareza de um texto é guiada pelo uso de elementos de ligação que darão sentido 
ao texto. Esses elementos são a coesão e a coerência, assuntos de nossos próximos 
tópicos.
Coesão textual
A coesão é fator indispensável para produzir sentido em um texto. Por meio dos 
elementos de ligação, forma-se um texto coeso e com sentido próprio, proporcionando 
ao leitor a interpretabilidade necessária em determinada situação de comunicação. 
Medeiros (2013, p. 337) afirma que 
[...] um texto não é um amontoado de palavras, mas uma rede de palavras 
que se encadeiam semanticamente e contribuem para transmitir uma 
ideia. Esse encadeamento é proporcionado pela coesão, ou seja, uma 
forma de recuperar informações já́ apresentadas para que o texto possa 
progredir.
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A coesão pode ser estudada sob diversos ângulos. Um deles é a coesão por retomada 
ou antecipação. O estudo dessa modalidade de coesão textual se dá por dois tipos de 
conectivos:
• Os anafóricos – termos que servem para retomar outros termos esboçados 
no texto;
• Os catafóricos – termos que antecipam outros que serão mencionados na 
sequência textual.
A coesão se dá pelo uso dos conectores, também chamados operadores discursivos. 
Exemplos de conectores: então, portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas assim, 
daí, dessa forma, isto é.
Cada um desses termos estabelece relação semântica clara, indicando causa, 
finalidade, conclusão, contradição, entre outras possibilidades. Por isso, ao escrever, 
é necessário utilizar o conector adequado para produzir a relação desejada. Vamos 
retomar o exemplo apresentado no conteúdo: 
Vila passa sem luxo mas com samba no pé (KABARITE, 2018).
Quadro 7 - Conectivo para coesão textual
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Para que a sentença apresente o sentido desejado, o conectivo “mas” foi fundamental. 
Ele definiu a ideia de que, mesmo sem luxo, a escola de samba mostrou que é possível 
apresentar um espetáculo de cultura carnavalesca com o samba no pé.
De acordo com Medeiros (2013, p. 337), a coesão pode se dar de diversas maneiras.
• Por referência – utilizando-se pronomes, advérbios, artigos definidos, que da-
rão o sentido de fazer referência a algo que já foi ou será dito. 
Por exemplo: 
Elisa saiu e esqueceu-se de sua bolsa. 
Gosto de usar tênis e sandálias, pois ambos são muito confortáveis.
• Por elipse – omissão de algo que já foi referido.
Por exemplo:
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Às quintas, Joana faz dança e (Joana faz) aula de piano.
• Por escolha lexical – uso de palavras ou expressões com significados próxi-
mos para evitar a repetição.
Por exemplo:
 O Rio de Janeiro é um lugar extraordinário, com paisagens belíssimas. Mas a cidade 
maravilhosa está perdendo seu encanto em meio a tanta violência.
De sua horta retirava todos os legumes usados em suas refeições, sendo que espinafre, 
alface e couve eram seus preferidos.
• Por substituição – retoma o que foi dito por meio de um conectivo ou expres-
são.
Por exemplo: 
Choveu muito ontem à noite. Por isso, não haverá jogo hoje à tarde.
Saíram os noivos, seus dois cães e os padrinhos, respectivamente.
Veremos, no quadro que segue, algumas formas possíveis de coesão textual.
Gradação
até, mesmo, até mesmo, inclusive, ao 
menos, pelo menos, no mínimo, no 
máximo, quando muito
Ligação de argumentos em favor de uma 
mesma conclusão
e, também, ainda, nem, não só́... mas 
também, tanto... como, além de, além 
disso, a par de
Introdução de argumentos que levam a 
conclusões opostas
ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso 
contrário
Conclusão portanto, logo, por conseguinte, pois
Comparação de superioridade, 
inferioridade ou igualdade
tanto... quanto, tão... quanto, mais... (do) 
que, menos... (do) que
Explicação ou justificativa com relação ao 
enunciado anterior porque, já́ que, pois
Argumentação decisiva, com acréscimo aliás, além de tudo, além disso, ademais
Generalização ou amplificação do que foi 
dito
de fato, realmente, aliás, também, é 
verdade que
Especificação ou exemplificação por exemplo, como
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Correção, esclarecimento, 
desenvolvimento ou redefinição do 
primeiro enunciado
ou melhor, de fato, pelo contrário, ao 
contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em 
outras palavras
Explicitação, confirmação ou ilustração do 
que foi dito assim, desse modo, dessa maneira
Quadro 8 - Formas de coesão
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Já na coesão por justaposição é realizado o sequenciamento das ideias. Esse 
sequenciamento pode ser temporal, de ordenação, para introduzir uma nova ideia etc.
Sequência temporal depois, meses depois, uma semana antes, 
um pouco mais cedo
Ordenação primeiramente, em seguida, a seguir, 
finalmente
Introdução de novo tema ou assunto a propósito, por falar nisso, mas voltando 
ao assunto, fazendo um parêntese
Quadro 9 - Coesão por justaposição
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Para finalizar nosso tema sobre elementos de coesão, tenha muita cautela ao escrever 
um texto: reflita sobre a relação de sentido que você deseja construir e utilize o conector 
adequado, pois o uso equivocado pode contradizer seu argumento.
Segundo Fernandes (2017, s.p.): “A coesão textual tem como 
foco a articulação interna,ou seja, as questões gramaticais. Já a 
coerência textual trata da articulação externa e mais profunda da 
mensagem”. Por isso, é necessário ter muita atenção ao utilizar os 
elementos coesivos pois, de forma adequada, serão importantes 
aliados na busca pela compreensão daquilo que você quer 
comunicar. 
Reflita
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Coerência textual
De acordo com Koch e Travaglia (2005, p. 11), “[...] a coerência é algo que se estabelece 
na interação, na interlocução, numa situação comunicativa entre dois usuários”. A 
coerência, ainda de acordo com os autores, segue o princípio de interpretabilidade do 
texto.
Para Medeiros (2013, p. 342), “[...] as partes de um texto revelam coerência se, 
relacionadas, não apresentam contradições. Se as divisões não concorrem para o 
estabelecimento do todo, faltará consistência ao texto. Por isso, a necessidade de 
ordem e inter-relação”. 
A fundamentação da coerência irá depender do estabelecimento de alguns fatores, 
como:
• elementos linguísticos;
• conhecimento de mundo;
• conhecimento partilhado;
• inferências;
• relevância;
• intertextualidade.
Basicamente, são três as modalidades de coerência textual: narrativa, argumentativa 
e figurativa.
Coerência narrativa
A narração deve apresentar uma sequência lógica de fatos a fim de que se contextualize 
a situação narrada. Vejamos o seguinte exemplo:
A fábrica estava repleta de preguiçosos. Nada ia para frente. Solange, a supervisora de 
produção, foi até a gerência comunicar a situação. Passou duas horas por lá. Quando 
voltou, já tínhamos terminado todo o lote.
Quadro 10 - Coerência narrativa
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Qual a incoerência desse relato? Ora, se todos eram preguiçosos, como o lote todo 
poderia ter sido terminado apenas durante a conversa da supervisora com a gerência? 
Só fará sentido se esclarecermos o contexto, como, por exemplo, pontuando que, por 
receio de serem demitidos, os funcionários resolveram trabalhar.
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Coerência argumentativa
Em um texto, devemos desenvolver um assunto atentando para alguns desdobramentos 
ao longo da argumentação: dados, analogias, conclusões. Tem-se um pressuposto e, 
a partir dele, são realizadas as considerações. 
Se as conclusões a que se chega em um texto não estão amparadas pelos dados 
apresentados, então se comete a incoerência argumentativa. 
Observe o exemplo:
O cigarro e a bebida alcoólica fazem parte das drogas ilícitas que o jovem maior de idade 
consome em nosso país. O poder de liberdade dado a esse público faz com que comecem 
a usar esses produtos cada vez mais tarde.
Quadro 11 - Coerência argumentativa
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
Analisando o texto do exemplo, observamos duas situações de incoerência. A primeira: 
a exposição do cigarro e da bebida alcoólica como drogas ilícitas no Brasil, o que não 
é verdade. A segunda situação de incoerência está na segunda sentença. Note que, 
se os jovens têm liberdade, poderiam, de acordo com o texto, começar a fazer uso da 
bebida alcoólica e do cigarro cada vez mais cedo, e não cada vez mais tarde.
As afirmações não têm suporte de verdade, ficando, com isso, desamparadas e 
incoerentes.
Coerência descritiva
Neste caso, a coerência diz respeito à determinada descrição. Por exemplo, em um 
relatório de estágio, o estudante descreve a seguinte situação:
Fui contratado para trabalhar no turno matutino. Meu trabalho no escritório consistia em, 
dentre outras coisas, checar os e-mails do setor de atendimento ao cliente, sempre antes 
das 14h.
Quadro 12 - Coerência descritiva
Fonte: Elaborado pela autora (2018).
A incoerência está na descrição temporal: se o estagiário foi contratado para trabalhar 
no turno matutino, não poderia realizar qualquer tipo de serviço na parte da tarde. 
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Existem textos sem elementos coesivos que podem ser 
considerados coerentes. Um exemplo clássico é o texto “O que se 
diz”, de Carlos Drummond de Andrade (1985), que foi construído 
quase sem o uso de elementos de coesão. Veja um trecho:
Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo! Que bacana! 
Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira! Que esperança! 
[...] Assim, em plena floresta de exclamações, vai se tocando pra 
frente. 
O que torna o texto coerente é o título e a sentença ao final do 
texto. .
Curiosidade
Encerramos, assim, este conteúdo que abordou, de forma direcionada, a estrutura 
textual, o parágrafo-modelo, a coesão e a coerência.
Esperamos que você possa apreender deste conteúdo os saberes necessários para a 
construção de seus textos.
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Conclusão
Neste conteúdo, você estudou que:
• O sentido de um texto é construído a partir de fatores externos a ele.
• A habilidade de produção e de leitura de um texto verbal escrito é definida pelo 
contexto, é uma unidade linguística maior em que uma unidade linguística 
menor está inserida no contexto que envolve o texto.
• Em relação ao texto, o contexto diz respeito ao que está fora do texto, infor-
mações que não estão explícitas, mas que devem ser acessadas para sua 
compreensão.
• O texto é tido como um todo estruturado de forma coesa, una e coerente.
• Os elementos estruturais do texto são o saber partilhado, a informação nova, 
as provas, a referência e o tema.
• O texto dissertativo está estruturado em introdução, desenvolvimento e con-
clusão.
• O parágrafo-modelo deve seguir a mesma estrutura para que faça parte de um 
encadeamento progressivo do texto.
• A coesão é fator indispensável para produzir sentido em um texto. Por meio 
dos elementos de ligação, forma-se um texto coeso e com sentido próprio.
• A coesão dá-se por referência, por elipse, por escolha lexical e por substitui-
ção.
• A coerência é responsável pela interpretabilidade do texto.
• Coerência narrativa, argumentativa e descritiva são três modalidades de coe-
rência textual.
Tanto a coesão quanto a coerência fazem do texto um todo 
organizado de sentido. Um texto com elementos coesivos 
equivocados resultará em uma comunicação igualmente 
equivocada. A coerência, por sua vez, diz respeito à lógica atribuída 
ao texto.Para enriquecer seu conhecimento sobre esse assunto, 
acesse o link http://www.filologia.org.br/xvi_cnlf/tomo_1/006.pdf 
e faça o download direto do artigo “A importância da coesão e da 
coerência em nossos textos”. Boa leitura!
Saiba mais
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Referências
ANDRADE, C. D. O poder ultrajovem. Rio de Janeiro: Record, 1985. 
FRENANDES, M. Coesão e Coerência. Toda Matéria, nov. 2017. Disponível em: https://
www.todamateria.com.br/coesao-e-coerencia/. Acesso em: 27 mar. 2018.
KABARITE, S. Vila passa sem luxo, mas com samba no pé. Jornal de Brasília, Brasília, 
26 fev. 2018. Disponível em: http://www.jornaldebrasilia.com.br/brasil/vila-passa-
sem-luxo-mas-com-samba-no-pe/. Acesso em: 26 fev. 2018.
KOCH, I. TRAVAGLIA, L. C. Texto e coerência. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2005.
LADEIRA, P. “O governo foi além do que podia na política anticíclica”, diz Mercadante. 
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MACHADO, A. M. B. VILAÇA, M. L. C. A importância da coesão e coerência em nossos 
textos. In: CONGRESSO NACIONAL DE LINGUISTICA E FILOSOFIA, 16., 2012, Rio de 
Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de 
Letras, 2012, v. 16, n. 4, p. 76-83. Disponível em: http://www.filologia.org.br/xvi_cnlf/
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MEDEIROS, J. B. Português instrumental. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
PERDIZ, P. 3 dicas para melhorar seus hábitos alimentares. Mais Equilíbrio, São Paulo, 
2018. Disponível em: http://www.maisequilibrio.com.br/bem-estar/alimentacao-mais-
saudavel-7503.html. Acesso em: 26 fev. 2018.

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