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Cirurgia Bariátrica e 
Metabólica
PROF FERNANDA MARQUES
Indicações da Cirurgia Bariátrica
Compreensão, por parte do paciente e dos familiares, dos riscos e das 
mudanças de hábitos inerentes a uma cirurgia de grande porte sobre o 
tubo digestivo e da necessidade de acompanhamento pós-operatório 
com a equipe multidisciplinar em longo prazo
Indicações da Cirurgia Bariátrica
A resolução CFM nº 2.429/2025 atualizou os critérios, reduzindo o IMC mínimo e incluindo adolescentes.
IMC ≥ 40 kg/m²
Independente de comorbidades
IMC ≥ 35 kg/m²
Com ao menos uma comorbidade agravada pela 
obesidade
IMC 30–35 kg/m²
Com DM2, DCV grave, apneia severa, doença hepática 
com fibrose, entre outras
IMC > 60 kg/m²
Com avaliação da capacidade estrutural do hospital e 
preparo da equipe
Adolescentes e Contraindicações
Adolescentes (≥ 16 anos)
Elegíveis com os mesmos critérios dos adultos, desde que 
haja:
• Maturidade psicológica e fisiológica
• Compreensão dos riscos e benefícios
• Suporte familiar
Entre 14 e 16 anos, apenas em casos excepcionais com 
IMC > 40 kg/m² e risco de vida.
Contraindicações
• Obesidade tratável clinicamente
• Abuso de drogas não controlado
• Gestação
• Incapacidade de aderir ao acompanhamento 
multiprofissional
CONTRAINDICAÇÕES
Quando a Cirurgia Não é 
Indicada
Condições Clínicas 
Graves
Insuficiência cardíaca 
descompensada, doença 
pulmonar grave, hepatopatia 
avançada (SBCBM, 2016)
Distúrbios Psiquiátricos
Transtornos não tratados ou 
instabilidade psicológica 
aumentam risco de 
complicações pós-operatórias
Gestação
Contraindicação temporária. Gravidez deve ser adiada por 12–18 
meses após a cirurgia (ASMBS, 2016)
Procedimentos: O que o CFM Recomenda
Técnicas principais
• Gastroplastia em Y de Roux (BGYR)
• Gastrectomia vertical (sleeve)
Alternativas (revisionais)
• Gastrectomia vertical com switch duodenal
• Bypass gástrico com anastomose única
• Gastrectomia com bipartição do trânsito intestinal
Endoscópicos reconhecidos
• Balão intragástrico
• Gastroplastia endoscópica
Não recomendadas pelo CFM
Banda gástrica 
ajustável
Cirurgia de 
Scopinaro
Essas cirurgias não são autorizadas pelo CFM em 
razão dos resultados insatisfatórios. A banda 
gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro 
apresentam percentual proibitivo de complicações 
graves pós-operatórias.
Grampeamento de parte do estômago, e um 
desvio do intestino inicial
• Desde anos 60
• Mais utilizada - 70% das cirurgias realizadas no BR
• Perda de até 70%
• Restrição: O tamanho reduzido do novo 
estômago limita a quantidade de comida ingerida.
• Dissorção: O alimento percorre um trecho do 
intestino sem se misturar aos sucos digestivos, 
reduzindo a absorção de calorias e nutrientes.
• Hormonal: A cirurgia altera hormônios como 
a grelina (diminuindo a fome) e o GLP-
1 (melhorando a saciedade e o controle do 
diabetes).
• Mortalidade 0,5%
Bypass Gástrico: Derivação gástrica em Y-de-Roux (DGYR)
O estômago é transformado em um tubo, 
com capacidade de 60 a 100 mililitros (ml). 
Redução de cerca de 70% a 80%.
• Desde 2000
• Restrição Mecânica: O volume reduzido 
limita drasticamente a quantidade de comida 
ingerida por refeição.
• Alteração Hormonal: A parte removida (o 
fundo gástrico) é o principal local de 
produção da grelina, o hormônio 
responsável pela sensação de fome. Com a 
retirada dessa área, o paciente sente 
significativamente menos apetite.
• Preserva absorção intestinal
Gastrectomia Vertical ( manga sleeve ou Sleeve Gástrico )
• Técnicas cirúrgicas reconhecidas pelo Conselho Federal de 
Medicina (CFM) para obesidade e distúrbios metabólicos 
Cirurgias alternativas reconhecidas, com indicação 
principalmente para procedimentos revisionais:
• Duodenal switch com gastrectomia vertical; 
• Bypassgástrico com anastomose única;
• Gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal;
• Gastrectomia vertical com bipartição do trânsito intestinal.
Essas cirurgias podem ser consideradas 
como alternativas cirúrgicas a serem 
realizadas de acordo com a necessidade 
do paciente, desde que com a aprovação 
da equipe multidisciplinar, além da 
compreensão e do consentimento do 
paciente, que deve estar ciente que essas 
cirurgias não são as que oferecem maior 
eficácia e segurança quando realizadas 
como procedimentos primários.
Evolução da técnica Scopinaro (1979)
Gastrectomia vertical (sleeve) → o estômago é reduzido em 
forma de tubo (preserva o piloro e parte do duodeno).
Secciona-se o duodeno logo após o piloro e o reconecta mais 
distalmente ao íleo (duodenoileostomia).
Cria-se também uma alça biliopancreática longa e uma alça 
alimentar.
O canal comum (onde ocorre absorção) é maior — cerca de 75–
100 cm (mais longo que no Scopinaro).
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Derivação Biliopancreática – com duodenal switch 
(BPD/DS)
Tecnicamente complexa e de alto risco de deficiências 
(precisa de suplementação e seguimento vitalício).
Pode ocorrer deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, 
E, K), ferro, cálcio, zinco e proteína.
Risco de hipoproteinemia e osteopenia se não houver 
acompanhamento.
Duodenal switch: gastrectomia vertical com 
preservação do piloro e anastomose entre o 
íleo e a primeira porção do duodeno (alça 
intestinal de 75 a 100 cm)
Associação Americana de Gastroenterologia – AGA (2021) para indivíduos com IMC 
maior que 30 kg/m²; Já as indicações, de acordo com o consenso brasileiro, seriam: 
idade mínima acima de 12 anos, com avaliação multidisciplinar, sem limite para idade 
máxima, IMC acima de 25 kg/m2 com ganho de peso progressivo e falha no tratamento 
medicamentoso
• Terapia auxiliar para preparo 
pré-operatório;
•O balão é preenchido com 500 
ml do líquido azul de metileno, 
que, em caso de vazamento ou 
rompimento, será expelido na 
cor azul pela urina.
• Pode-se usar por apenas 6 
meses, e para recoloca-lo 
deve-se esperar 30 dias. 
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Técnica Não Cirúrgica – Balão Intragástrico
Técnica Não Cirúrgica – Balão Intragástrico
Comparativo
das 
Técnicas
A escolha da técnica deve ser individualizada, 
considerando:
• Perfil clínico e comorbidades do paciente
• Preferências pessoais e expectativas
• Risco de deficiências nutricionais pós-operatórias
Não existe técnica universalmente superior — a decisão 
deve ser compartilhada entre médico e paciente.
COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS
Riscos e Complicações
O manejo eficaz das complicações exige 
coordenação contínua entre profissionais de 
saúde:
• Monitorização nutricional a longo prazo
• Suporte psicológico contínuo
• Cuidados perioperatórios preventivos
Avaliação Nutricional Pré e 
Pós-operatória
O nutricionista é peça central em todas as fases — pré, peri e pós-
operatória — conduzindo avaliação sistemática e individualizada.
• Pré operatório
O período que antecede a cirurgia, o objetivo é minimizar os riscos no peri e pós-operatório, assim como iniciar a 
reeducação alimentar para adoção de bons hábitos alimentares, correção das deficiências nutricionais, perda de peso 
corporal (para redução do volume hepático e melhor acesso cirúrgico) e abreviação do jejum pré-operatório, que 
contribuirá para acelerar a recuperação pós-operatória. 
• Incluindo avaliação de micronutrientes, dietas hipocalóricas com proteína adequada e suplementação direcionada, 
promove reduções significativas no volume hepático, melhora o perfil metabólico e reduz riscos intra e pós-
operatório
• Correção de deficiências nutricionais se necessário
Acompanhamento Nutricional
O que Avaliar no Pré-operatório
Antropometria
IMC, circunferência da cintura (risco cardiometabólico) e 
circunferência do pescoço (preditor de apneia: >32 cm 
mulheres / >38 cm homens).
Bioquímica
Glicemia, HbA1c, lipidograma, ferro, B12, B9, vitaminas A, D 
e E, função hepática, renal e pancreática.
Consumo Alimentar
Registro de 3 dias e questionário de frequência alimentar 
para definir estratégiascomportamentais.
Composição Corporal
Bioimpedância elétrica multifrequencial — método não 
invasivo e de baixo custo, apesar de limitações nessa 
população.
• Pós operatório
Acompanhamento nutricional individualizado, contínuo e por toda vida 
deverá estar de acordo com a técnica operatória realizada e a presença 
das comorbidades existentes. O propósito do tratamento nutricional é 
minimizar os impactos nutricionais, dar continuidade ao processo de 
reeducação alimentar, suplementar os macro e micronutrientes 
necessários e promover a introdução precoce da dieta no pós-operatório 
com redução das complicações.
Acompanhamento Nutricional
Evolução da Dieta Pós-operatória
A progressão é gradual, adaptativa e deve respeitar a técnica cirúrgica e a tolerância individual.
Fase 1
Líquida restrita · 
0–48h · 20 ml/10 
min
Fase 2
Líquida completa · 
2–14 dias · 
progressiva
Fase 3
Pastosa · 15–30 
dias · proteína 
suplementar
Fase 4
Branda · 30–45 
dias · texturas 
leves
Fase 5
Consistência 
normal · ≥45 dias · 
reintrodução 
gradual
Em todas as fases: evitar açúcar, cafeína e bebidas gaseificadas. Suplementação proteica deve ser iniciada 
quando a ingestão não atingir 60–80 g/dia.
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BRASPEN 2025
BRASPEN 2025
Metas Nutricionais a Médio e Longo Prazo
Recomendações diárias
Proteína
60–120 g/dia ou 1,5 g/kg de peso ideal
Carboidratos
Iniciar com 50 g/dia, progredir até 130 g/dia
Lipídios
20–35% do VET, com predomínio de GPI
Hidratação
Superior a 1,5 litros/dia; não ingerir 
líquidos durante as refeições
Terapia nutricional no Pós-Operatório da Cirurgia Bariátrica
Suplementação Pré e Pós-operatória
Deficiências nutricionais são frequentes após a CBM. A suplementação individualizada é pilar essencial do 
manejo perioperatório.
Cirurgia Principais Riscos Suplementação Recomendada
Bypass em Y de Roux Ferro, B12, cálcio, vitamina D Multivitamínico 200% DRI; Ferro 45–60 mg; 
Cálcio 1200–1500 mg; B12 350–500 mcg; 
Proteína 1,2–1,5 g/kg PI
Gastrectomia Vertical B12 e ferro Multivitamínico 100% DRI; Ferro 18–36 mg; B12 
350–500 mcg; Proteína 1–1,5 g/kg PI
Derivação Biliopancreática Vitaminas lipossolúveis, proteínas, ferro, 
cálcio, B12, D
Multivitamínico 200% DRI; suplementação 
intensiva de A, D, E e K; Proteína até 2 g/kg PI
Uma revisão sistemática confirmou que intervenções nutricionais individualizadas reduzem em até 25% as 
deficiências vitamínicas no primeiro ano pós-cirurgia.
BRASPEN 2025
Frequência do Acompanhamento Pós-operatório
Protocolo de monitoramento
1Até 6º mês
Avaliação 
antropométrica e 
bioquímica mensal 2 6º mês ao 1º ano
Antropometria 
trimestral; bioquímica 
semestral31º ao 2º ano
Avaliações semestrais 
de composição 
corporal e consumo 
alimentar
4 A partir do 3º ano
Acompanhamento 
anual — por toda a vida
Calcanhar de Aquiles: Estudo da Universidade de Chicago 
mostrou adesão ao acompanhamento de apenas 61,9% em 
3 meses, 29,6% em 12 meses e 6,5% em 2 anos. O 
seguimento contínuo é o maior desafio da CBM.
Todas as equipes devem seguir os pacientes por no mínimo 2 anos
após a cirurgia, conforme Portaria GM/MS nº 425/2013.
Hipoglicemia e 
Hiperinsulinemia Reativa
Complicações metabólicas relevantes, mais frequentes após o BGYR, 
que impactam a qualidade de vida.
Dumping vs. Hipoglicemia Hiperinsulinêmica
Intervenção Nutricional na HH
• Carboidratos: 30 g/refeição e 15 g/lanche, baixo 
índice glicêmico
• Proteínas: 1,5–2,1 g/kg de peso ideal
• Fracionar refeições a cada 3–4 horas
• Evitar álcool, cafeína, líquidos durante refeições e 
carboidratos simples pré-exercício
Quando a intervenção nutricional é insuficiente, associar 
farmacoterapia (acarbose, diazóxido) ou intervenção 
endoscópica/cirúrgica.
Característica Dumping Precoce Dumping Tardio
Tempo de Início 15 a 30 minutos após a refeição. 1 a 3 horas após a refeição.
Gatilho Principal Alimentos de alta osmolaridade 
(açúcar/gordura).
Carboidratos simples (açúcar de 
rápida absorção).
Mecanismo Fisiológico Desvio Osmótico: O alimento 
"puxa" água do sangue para o 
intestino.
Resposta Insulínica: Absorção 
rápida de açúcar causa 
hiperinsulinemia.
Alteração Vascular Distensão intestinal e queda do 
volume plasmático (hipovolemia 
relativa).
Hipoglicemia Reativa: A insulina 
excessiva faz a glicose 
despencar.
Sintomas Gastrointestinais Fortes: Náuseas, cólicas, diarreia 
e plenitude gástrica.
Raros ou ausentes.
Sintomas Vasomotores Taquicardia, tontura, suor frio e 
rubor facial.
Tremores, fraqueza, confusão 
mental e fome súbita.
Dumping vs. Hipoglicemia Hiperinsulinêmica
POR QUE EVITAR ÁLCOOL E CAFEÍNA NO DUMPING?
1. O EFEITO DO ÁLCOOL (Metabólico e Vascular)
• Absorção: Sem o piloro e com o desvio intestinal, o álcool atinge o sangue quase instantaneamente.
• Gatilho de Hipoglicemia: O álcool inibe a produção de glicose pelo fígado. Somado ao desvio do Bypass, 
causa Hipoglicemia Severa (Dumping Tardio).
• Risco de Lesão: Irritação química direta na emenda (anastomose), favorecendo o surgimento de úlceras.
• Consequência: Embriaguez precoce, desmaios e dor abdominal aguda.
2. O EFEITO DA CAFEÍNA (Mecânico e Osmótico)
• Hiperestimulação Peristáltica: A cafeína acelera os movimentos do intestino, forçando um esvaziamento 
gástrico ainda mais veloz.
• Potencializador do Dumping Precoce: Acelera a chegada de partículas ao intestino, piorando o desvio de 
líquidos do sangue.
• Efeito Diurético: Aumenta a perda de fluidos, agravando a desidratação e a queda de pressão típicas da 
crise de dumping.
• Consequência: Taquicardia (palpitações), tremores, tontura e urgência fecal.
Recorrência de Peso
Principais causas
Aumento da ingestão calórica
Principal fator — não falhas anatômicas
Falta de adesão alimentar
Atividade física inadequada e estresses psicossociais
Fatores fisiológicos
Memória imunológica da obesidade, microbioma, 
controle hipotalâmico do apetite
Estratégias de prevenção
Dietas ricas em proteínas, baseadas em vegetais, 
mediterrânea ou DASH auxiliam na manutenção do peso. 
Fibras melhoram a microbiota e reduzem inflamação crônica.
Fatores psicológicos (alimentação emocional, 
compulsão) afetam até 65% dos pacientes durante a 
recorrência. Apoio psicológico é indispensável.
Situações Especiais
Gestação
Planejar após 12–18 meses da CBM. 
Rastreamento trimestral de ferro, B12, 
folato, cálcio e vitaminas lipossolúveis. 
Proteína ≥ 60 g/dia. Preferir SG ao 
BGYR quando possível.
Vegetarianismo
Dieta viável após CBM se bem 
planejada. Necessidade proteica igual 
aos onívoros (60–120 g/dia). Monitorar 
B12, vitamina D, ferro e zinco a cada 3–
6 meses.
Nutrição Enteral e Parenteral
NE indicada quando ingestão oral é 
insuficiente — iniciar em ≤24h. NP 
reservada para obstruções, fístulas de 
alto débito e vômitos refratários. 
Prevenir síndrome de realimentação.
Conclusão: O Sucesso 
Depende do 
Acompanhamento
Equipe Multidisciplinar
Cirurgião, nutricionista, 
psicólogo, endocrinologista e 
cardiologista atuando de forma 
integrada
Nutrição como Eixo 
Central
Suplementação individualizada 
e acompanhamento contínuo 
previnem complicações e 
mantêm resultados
Seguimento por Toda a Vida
Detecção precoce de deficiências, reganho de peso e alterações 
psicológicas garantem qualidade de vida a longo prazo
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