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REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS E LOGÍSTICA INTERNACIONAL Concepção e Desenvolvimento: Sebrae/RJ Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional Bibliotecário catalogador – Leandro Pacheco de Melo – CRB 7ª 5471 S454 Segalis, Gabriel. Regimes aduaneiros especiais e logística internacional / Gabriel Segalis ; Fabiana Freitas [coordenação e revisão]. - Rio de janeiro : Sebrae/RJ, 2021. 118 p. ISBN 978-65-5818-079-1 1. Aduana. 2. Comércio internacional. 3. Logística. I. Freitas,Fabiana. II. Sebrae/RJ. III. Título. CDD 382 CDU 339.5 ©2021. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro – Sebrae/RJ - Rua Santa Luzia, 685, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro /RJ. Telefone: (21) 2212-7700. Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610/1998). PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO ESTADUAL Antônio Florêncio de Queiroz Junior DIRETOR-SUPERINTENDENTE Antônio Alvarenga Neto DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO Sergio Malta DIRETOR DE PRODUTO E ATENDIMENTO Júlio Cezar Rezende de Freitas COORDENAÇÃO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS Maurício Chacur – Assessor do Diretor-superintendente Miriam Ferraz – Coordenadora Flávia Alves – Analista GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO Antonio Carlos Kronemberger – Gerente COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA EMPREENDEDORA Amanda Alexandre Borges Fernandes – Coordenadora Renan Barbosa Santos – Analista CONSULTORES Gabriel Segalis – Conteudista Fabiana Freitas – Revisão e Coordenação Pedagógica Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional Sumário Apresentação ..........................................................................................................................07 Unidade 1: Regimes aduaneiros .................................................................................08 Regimes aduaneiros: definição .................................................................................08 Atribuições da Receita Federal do Brasil .................................................................09 Regimes aduaneiros especiais ...................................................................................10 Requisitos dos regimes aduaneiros especiais ......................................................13 Trânsito aduaneiro .................................................................................................................16 Admissão temporária ...........................................................................................................18 Drawback ....................................................................................................................................19 Drawback Suspensão ...........................................................................................................21 Drawback Isenção ..................................................................................................................23 Drawback Restituição ..........................................................................................................25 Regimes atípicos de Drawback .....................................................................................25 REPETRO ......................................................................................................................................27 RECOF ............................................................................................................................................30 Armazéns alfandegados .....................................................................................................31 Entreposto aduaneiro ..........................................................................................................31 Entreposto industrial ............................................................................................................33 Unidade 2: Logística Internacional .......................................................................35 O que é logística ......................................................................................................................35 Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional Conceitos básicos de Supply Chain e integração das funções...................36 Integração dos subsistemas da Cadeia de Suprimentos ...............................42 Suprimento Internacional .................................................................................................43 Distribuição Física Internacional ...................................................................................43 Natureza e características das cargas .......................................................................47 Tipos de cargas ........................................................................................................................48 Natureza da carga ..................................................................................................................49 Características da carga .....................................................................................................49 Diversas formas de unitização da carga ...................................................................50 Noções de cargas perigosas ...........................................................................................52 Tipos e funções de embalagem .....................................................................................56 Marketing ....................................................................................................................................57 Logística .......................................................................................................................................57 Gestão ambiental ...................................................................................................................58 Informações visuais das embalagens ........................................................................58 Unitização de cargas e contêineres ............................................................................59 Contêiner .....................................................................................................................................61 Tipos de contêiner, dimensões e padronização ISO ..........................................62 Tipos de instalações de armazenagem e suas finalidades ...........................64 Armazém .....................................................................................................................................66 Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional Galpão ............................................................................................................................................67 Pátio ................................................................................................................................................67 Tanque ...........................................................................................................................................68 Unidade 3: Tipos de transportes ....................................................................................69 Transporte terrestre internacional: rodoviário e ferroviário ........................69 Transporte rodoviário ..........................................................................................................70 Transporte ferroviário ..........................................................................................................70 Cálculo do frete .......................................................................................................................72 Transporte aéreo .....................................................................................................................72 Cálculo do frete .......................................................................................................................76porcentagem da mercadoria sobre o valor da nota fiscal da carga transportada, agregada ao custo de frete. Eventualmente, o frete pode ser cobrado considerando a unidade de transporte na modalidade de frete fechado ou global, podendo ou não ser cobrada a taxa ad valorem. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 73 A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aérea (Infraero) e a iniciativa privada administram uma rede de 67 aeroportos, porém a movimentação de carga aérea no país continua concentrada em 15 aeroportos. Tendo em vista as restrições impostas, o transporte aéreo pode transportar apenas cargas específicas. Veja, abaixo, quais são elas: Gêneros alimentícios Bens perecíveis Animais e plantas vivos Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 74 Equipamentos eletrônicos Bens de alto valor Ourivesaria Joias Artigos de moda De maneira geral, são produtos que demandam rápidos deslocamentos a longas distâncias para atender áreas onde os demais modais são precários ou, ainda, em locais onde as condições geográficas determinam que o frete aéreo seja mais viável que a implantação de rodovias ou ferrovias, a exemplo de algumas localidades na Amazônia. Em ambos os casos, a velocidade da entrega ou a segurança são os pontos mais importantes a serem considerados, superando os comparativos de custos. Para que exista tráfego aéreo, é necessária a implantação de infraestruturas caras. Essa é a principal razão de o setor ser dominado por grandes empresas. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 75 Nos países continentais, o transporte marítimo não consegue atender toda a extensão territorial. As regiões mais interioranas não dispõem da alternativa marítima. Assim, o transporte aéreo oferece a elas a flexibilidade necessária, desde que associado a outras formas de transporte. Veja abaixo algumas curiosidades sobre os transportes multimodais: Com o acelerado incremento observado no comércio internacional, já são comuns os serviços multimodais aeromarítimos de abrangência transcontinental. Esse tipo de serviço oferece a vantagem de ser muito mais rápido que o rodomarítimo e muito mais barato do que se todo o trecho fosse coberto via aérea. Um outro multimodal que se torna opção é o transporte rodoaéreo (terrestre e aéreo). Com a clientela cada vez mais exigente, que necessita de entregas rápidas, nas rotas nacionais mais longas, sua utilização para cargas menores torna-se mais barata do que usar apenas o modal rodoviário. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 76 As cargas típicas desse transporte são extremamente fracionadas, com alto valor agregado e necessidade de um tempo de trânsito máximo de 24 a 48 horas, situação em que o modal rodoviário não se revela competitivo. Cálculo do frete O valor do frete internacional por via aérea pode ser calculado de acordo com as seguintes tarifas: ∙ Mínima; ∙ Geral – subdividida em: normal até 45 kg e quantitativa a partir desse peso; ∙ Quantitativa; ∙ Para mercadorias específicas; ∙ Classificadas; ∙ Para expedição em Unidades de Carga (ULD). A cubagem será fator importante para determinar o valor do frete. A aplicação da fórmula a seguir determina a quantidade mínima de quilogramas que deverá ser embarcada dentro da caixa. (Comp. X Largura X Alt.) em cm 6.000 = Kg (Comp. X Largura X Alt.) em cm 6.000 = Kg Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 77 Caso o valor resultante seja maior do que o verdadeiramente embarcado, ele será tomado como base de cálculo. Porém, se o valor obtido for menor ou igual ao verdadeiro, este último será a base de cálculo do frete. Exemplo de cálculo do frete 2 caixas de madeira com as seguintes dimensões/peso: 60 cm ( C ) X 80 cm ( A ) X 50 cm ( L ) = 240.000 cm³(cada caixa) x 2 = 480.000 cm³ Peso bruto verdadeiro das duas caixas = 70,00 kg Aplicando a fórmula, temos: Nesse exemplo, o frete será calculado sobre os 80,00 kg (peso cubado) e não sobre os 70,00 kg (peso bruto verdadeiro). 480.000 cm³ 6.000 cm³ = 80,00Kg Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 78 Transporte marítimo internacional - nomenclaturas, características, vantagens e desvantagens Acompanhe, abaixo, como o transporte marítimo internacional evoluiu e quais são suas características: O transporte marítimo é o modal empregado por excelência no comércio internacional. No final do século XIX, foram inventadas novas formas de propulsão naval (vapor e, subsequentemente, diesel). A partir de então, foram introduzidas inúmeras melhorias no aperfeiçoamento das chapas de aço que compõem o casco e até mesmo nos projetos de navios, possibilitando aumentar a sua velocidade operacional. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 79 Hoje, há embarcações de variados tamanhos e calados transportando as mais diferentes cargas possíveis. As principais rotas do comércio marítimo internacional são orientadas a regiões de elevada importância econômica, nas quais são movimentadas milhões de toneladas de mercadorias destinadas à comercialização, redistribuição ou processamento, gerando uma grande quantidade de negócios que movimentam vultosas somas em dinheiro. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 80 O Brasil possui mais de 7.500 km de costa atlântica, o que revela enorme potencial para a expansão dos serviços portuários do transporte marítimo e de cabotagem. Sendo um país de abrangência continental, o modal marítimo no Brasil pode ser um dos maiores impulsionadores do crescimento econômico e social, transportando interna e externamente mercadorias e passageiros. Valor do frete marítimo O valor do frete marítimo, conforme se apresenta a seguir, pode ser calculado, fundamentalmente, pela utilização de duas variáveis diferentes: frete aberto e frete fechado. Frete aberto Para o frete básico, será considerado como base de cálculo o peso por tonelada ou cubagem da carga a ser comprada. Cabe ao armador escolher a medida maior entre as duas, o que significará maior ingresso em conceito de frete marítimo. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 81 A soma do valor do frete básico e o montante da sobretaxa de combustível darão como resultado o valor do frete marítimo internacional. Em determinadas situações, serão acrescidos ao frete internacional outros custos, denominados adicionais, sendo que alguns deles são mencionados a seguir: • Adicional ad valorem; • Adicional ou taxa para volumes pesados; • Adicional ou taxa para volumes de grandes dimensões; • Adicional ou taxa de porto congestionado; • Adicional de porto secundário; • Adicional de travessia de canal; • Fator de ajuste cambial (Currency Adjustment Factor). A sobretaxa de combustível (Bunker Surcharge) é o percentual que incide sobre o frete básico utilizado para cobrir as despesas com combustível despendido durante o percurso internacional, e o percentual será maior quanto mais longo for o percurso do navio. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 82 Frete fechado No caso de transporte de cargas conteinerizadas, o valor do frete internacional é determinado pela combinação de duas siglas: FCL ou Full Container Load Determina que, no caso da exportação, a ovação do contêiner é feita pelo exportador e, na importação, a desova é feita pelo importador. LCL ou Less than a Container Situação na qual a empresa de navegação ova o contêiner quando da exportação e o desova no caso da importação. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 83 Assim, surgem quatro alternativas: A mais utilizada é a primeira, FCL-FCL, e, ao incluir o frete básico, o adicional de combustível e demais adicionais passa a ser conhecida como all in. É importante destacar que, ao utilizar um contêiner, o contratante do frete deve perguntar em que prazo ele deve serdevolvido à empresa armadora, pois eventuais multas podem ser cobradas pela demora na devolução, conhecidas como demurrage. Outra modalidade de cotação do frete internacional O NOS é aplicado às mercadorias que não constam na tarifa de fretes. Informação necessária para a cotação de fretes Para que a companhia de navegação ou a agência de navegação possa calcular o valor do frete, o exportador deverá fornecer, no mínimo, os dados a seguir: FCL - FCL FCL - LCL LCL - FCL LCL - LCL Frete not otherwise specified (NOS) Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 84 Tipo e descrição da mercadoria. Peso bruto total em toneladas. Volume ou cubagem total em m³. Tipo e quantidade de embalagem. Valor da carga. Porto de origem e porto de destino. De posse dessas informações, a companhia de navegação ou o armador poderá classificar a mercadoria dentro de uma determinada tarifa de frete. Portos Os portos não são apenas locais onde se realizam a movimentação, o armazenamento e o transbordo de cargas. Eles representam, hoje, um elo fundamental na integração entre os modais terrestre e marítimo, colaborando para a elevação da competitividade das empresas e o aumento das exportações do país. O problema dessa forma de transporte está relacionado com a falta de obras de dragagem, necessárias para a manutenção Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 85 e o aprofundamento do calado dos canais. Em alguns portos, essas manutenções não são realizadas há vários anos, o que é mais comum nos canais de acesso. Além disso, os problemas relacionados aos acessos terrestres por via rodoviária agravaram-se nos últimos quatro anos. O número alto de produtos aumentou a busca na economia em escalas, o que resultou em novos projetos de reorientação, novas áreas e operações realizadas nos portos, que se especializaram em soluções que aumentam a produtividade nas operações com carga geral, contêineres, granéis, veículos etc. É necessário, também, que os horários de funcionamento dos órgãos de fiscalização sejam readequados às necessidades do comércio marítimo brasileiro. Outro aspecto destinado a dar mais competitividade aos portos brasileiros é a revisão dos procedimentos burocráticos, notadamente na cabotagem. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 86 O crescimento das cargas em trânsito nas rotas internacionais determinou a busca de economia de escala, reorientando os projetos, as áreas e as operações realizadas nos portos, que se especializaram com base nos tipos de carga predominante e na tecnologia dos navios por eles atendidos, buscando soluções para aumentar a produtividade nas operações com carga geral, contêineres, granéis, veículos etc. Veja, abaixo, alguns fatores que explicam o desenvolvimento de alguns portos em detrimento de outros: Localização em país que apresenta condições de estabilidade política e econômica. Sistemas aduaneiros ágeis e modernos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 87 Localização em áreas de condições naturais favoráveis e de fácil acesso. Proximidade de grandes centros produtores e/ou consumidores. Intermodalidade, multimodalidade e as vantagens da multimodalidade Nem sempre é possível fazer todo o trecho do transporte em um único modal. Para driblar essa limitação, já foi considerado usual o modelo de transporte intermodal. Nele, o proprietário da mercadoria tinha que se responsabilizar pela contratação de operadores para os diferentes tipos de transporte. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 88 Essa condição acarretava a necessidade de uma complicada coordenação da armazenagem e o transbordo entre a chegada de um modal à saída do próximo. Havia também problemas de ordem jurídica: quando ocorriam avarias, a solução comumente era demorada devido ao número de seguradoras envolvidas, dificultando a apuração e a imputação da responsabilidade e, consequentemente, a indenização correspondente. As cobranças por lucros cessantes, perda de mercado, flutuação de preços etc. eram praticamente impossíveis e, considerando as dificuldades acima, muito prováveis de acontecerem. Um exemplo de ponto crítico seria que o atraso de um dos modais poderia acarretar a perda do transporte reservado nos demais modais. Isso poderia resultar em “frete morto”, que é a obrigação do pagamento apenas pela reserva de praça, mesmo que no fim o transporte não tenha sido concluído com sucesso. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 89 Para efetuar o transporte internacional das mercadorias, existe a possibilidade de se utilizar empresas especializadas que atuam em nome do embarcador, sendo que a legislação em vigor impede que a ele sejam imputados por falhas cometidas pelo modais envolvidos na operação ou por erros vinculados com a coordenação da operação, cabendo ao embarcador esperar que tudo saia conforme planejado. Finalizada a Segunda Guerra Mundial, surgiu uma nova opção visando agilizar o transporte internacional: a unitização de cargas. Ela funciona em paralelo, de maneira que uma das empresas transportadoras venha a ser a responsável pela guarda em forma integral e, assim, assuma, perante o embarcador, a devida responsabilidade pelo total do percurso e pela contratação dos trechos que ele não efetuava. Essa nova modalidade passou a ser conhecida como transporte multimodal. No Brasil, essa modalidade foi juridicamente reconhecida pela Lei 9.611/98, em 19/02/98, regulamentada pelo Decreto n. 3.411, de 12/04/2000, porém essa normativa, ao revogar a Lei 6.288/75, não reconheceu a existência do contêiner fora do contexto da multimodalidade. O transporte multimodal acontece quando uma carga é transportada entre uma determinada origem (país do exportador) e um determinado destino (país do importador) através de vários modais de transporte, porém é amparada por um único contrato de transporte ou conhecimento de embarque, sendo ele um documento indivisível e inviolável. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 90 Obviamente, existem agentes especializados em coordenar o transporte, mas tudo é feito em nome do embarcador, e a legislação deixa de imputar a esse agente a responsabilidade por eventuais falhas que algum dos modais envolvidos cometa ou, ainda, pela má coordenação de todo o processo, pouco mais restando ao embarcador do que esperar que tudo saia conforme planejado. Com a utilização intensiva de equipamentos de transferência, surgiu a ideia de que uma das empresas de transporte internacional venha a ser responsável pela custódia total da mercadoria, assumindo perante o embarcador a responsabilidade por todo o percurso e subcontratando os trechos por ele não cobertos. A isso se denominou transporte multimodal, ou seja, quando a carga é transportada em caráter sistêmico ao longo de todo o seu percurso, utilizando duas ou mais modalidades de transporte, abrangidas por um único contrato de transporte, de forma indivisível e inviolável. Transporte multimodal no Brasil Vamos agora falar, especificamente, do transporte multimodal no Brasil e de algumas leis importantes que regulam essa modalidade. Transporte multimodal Com a promulgação da Lei 9.611/98, em 19/02/98, regulamentada pelo Decreto n. 3.411 de 12/04/2000, o Brasil consagrou o transporte multimodal através da instituição de um único responsável durante todo o percurso (contrato único com o embarcador), dando à carga Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 91 facilidades operacionais e burocráticas para a passagem de um modo de transporte a outro, com responsabilidades definidas em lei. Revogação da Lei Entretanto, de forma ambígua, a Lei 9.611 revogou a Lei 6.288/75, descaracterizando a existência do contêiner fora do contexto da multimodalidade. Área de conflito Além disso, o Decreto 3.411 apresenta, em seu artigo 8º, o seguinte texto: “Ao Operadorde Transporte Multimodal é facultada a descarga direta de mercadoria importada, desde que esta permaneça em recinto alfandegado, no aguardo de despacho aduaneiro”, estabelecendo uma área de conflito com as atribuições do operador portuário, normatizadas pela Lei 8.630/93. Por essa razão, o transporte multimodal ainda vem sendo utilizado no Brasil de maneira bastante incipiente. Atuação do Operador de Transporte Multimodal (OTM) O OTM deve celebrar contratos entre si e os demais envolvidos, repassando um único contrato de transporte ao embarcador. Nesse contrato estão abrangidas a coordenação entre todos os intervenientes e a responsabilidade pelas movimentações, transbordos e transportes durante todo o percurso e modais envolvidos. OTM Operador de Transporte Multimodal Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 92 Aspecto operacional Sob o aspecto operacional, é necessário que a carga seja unitizada, de forma indivisível e inviolável. Signif ica dizer que a unidade será integralmente transferida de um modo de transporte para outro sem que as suas frações sejam manuseadas diretamente. Deve também possuir um caráter sistêmico, onde as unidades de carga possam transitar pelos vários modos de transporte facilmente. Aspecto fiscal Sob o aspecto fiscal, a carga deve ser inspecionada apenas na origem e/ou destino, não ocorrendo desagregação das suas unidades de carga durante todo o transporte. Na contratação do transporte multimodal, solicita-se ao transportador que receba a mercadoria em determinado lugar e a entregue em outro. Há apenas um pagamento e a negociação é feita com uma só empresa, a qual detém total responsabilidade por todo o percurso. Para o OTM, cabe reservar espaço nos vários modais, nos armazéns e nos pontos de baldeação, firmando contratos, protocolos, acordos (por períodos) com os modais, armazéns etc., onde são garantidos os preços e os espaços, geralmente relacionados com grandes quantidades, exclusividade, entre outras questões. Depois, fará um único contrato, em separado, com o embarcador. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 93 Se o OTM subcontratar empresas aéreas ou marítimas que mantenham linha regular, bastará a ele dispor do mapa das escalas dos navios ou aviões e solicitar reservas de praça com antecedência. No tráfego doméstico, essa operação é simples. Quando o OTM recebe no Brasil por todo o transporte, deve solicitar permissão no Banco Central para remeter o frete dos modais estrangeiros. Antes de autorizar, o Banco Central deve certificar-se de que o valor pago é exatamente o devido. Quando o transportador recebe o frete pago no exterior por um transporte iniciado ou terminado no Brasil, o Banco Central também verificará se a transferência cambial está correta. Couriers e Serviço Postal Como resultado da globalização da economia, vem-se observando uma gradativa redução das barreiras comerciais entre os países, com a intensificação do comércio eletrônico (catálogos de produtos disponibilizados na internet) para efetuar transações de compra e venda de mercadorias internacionais. Quanto ao aspecto financeiro, o OTM recebe o frete multimodal do embarcador e paga aos modais, armazéns e outros envolvidos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 94 Além disso, a necessidade do recebimento de mercadorias em caráter de urgência ou em prazos cada vez mais reduzidos vem determinando o crescimento dos serviços logísticos expressos com prazo de entrega garantido, realizados através dos serviços oficiais de Correios ou pelas empresas especializadas, conhecidas como Courier. As operadoras mais conhecidas internacionalmente nesse segmento de serviço são a DHL, a Fedex e a UPS. Essa forma de transporte internacional é também inovadora quanto às formas de pagamento, tradicionalmente realizadas pela área de câmbio dos bancos que operam no país. Devido à especificidade do serviço e a sua velocidade operacional, os pagamentos costumam ser efetuados nas seguintes modalidades: F/D Frete internacional e custos de internação da mercadoria no país de destino por conta do exportador. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 95 P/P Frete internacional por conta do exportador. Caso incidam outros custos para a liberação da entrada do produto no país, esses encargos serão de responsabilidade do importador. F/C Frete internacional e custos de nacionalização por conta do importador. A atividade de Courier somente é permitida no Brasil para os seguintes tipos de produtos e condições: Documentos Livros, jornais e periódicos sem finalidade Sem finalidade comercial Bens a exportar Bens na condição de venda não devem ultrapassar os US$ 50 mil ou seu equivalente em outras moedas Bens a serem devolvidos ao exterior Bens nacionais em retorno ao país não podem ultrapassar o valor de 3 mil dólares Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 96 Serviço Postal Os Correios (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT), conta com recintos alfandegários da Receita Federal em suas instalações, chamados de Serviço Postal. Esses recintos alfandegários visam facilitar o trâmite aduaneiro dos serviços de remessas postais internacionais. Os serviços postais são permitidos nas modalidades Exporta Fácil e Importa Fácil. Confira a seguir informações sobre elas. Exporta Fácil Facilidades disponibilizadas pelos Correios, em todas as cidades brasileiras, para empresas e pessoas físicas (artesãos, agricultores etc.) que desejam exportar de maneira mais simples produtos com peso de até 30 quilos e valor máximo de US$ 50 mil (cinquenta mil dólares ou equivalente em outras moedas), oferecendo os seguintes tipos de serviço: Sedex mundi Prazo de entrega garantido: 1, 2, 3 ou 4 dias úteis. Expressa (EMS) Prazo de entrega estimado: de 3 a 7 dias úteis. Mercadoria econômica Prazo de entrega estimado: de 14 a 30 dias úteis. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 97 Leve prioritária Prazo de entrega estimado: de 4 a 13 dias úteis. Leve econômica Prazo de entrega estimado: de 14 a 30 dias úteis. Esses prazos podem variar de acordo com a origem e o destino das remessas. Através desses serviços, a ECT registra a operação no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) da Receita Federal do Brasil e providencia a entrega da mercadoria no país de destino. Basta seguir alguns passos, como indicado abaixo: Procurar uma das agências dos Correios ou entrar no site da ECT na internet (http://www.correios.com.br). Preencher o formulário único de postagem do serviço (AWB), cujo teor é autoexplicativo. http://www.correios.com.br Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 98 Emitir a nota fiscal de venda (saída do estoque), a fatura comercial internacional (Commercial Invoice) e os demais documentos que forem exigidos, conforme o tipo de mercadoria e a legislação do país de destino. Fazer a postagem na agência. Importa Fácil Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 99 Facilidades disponibilizadas pelos Correios em todas as cidades brasileiras para cientistas, empresas e pessoas físicas que desejam importar produtos. O importador pede o licenciamento pela Internet na página dos Correios, que fará o desembaraço via meio eletrônico e entregará a encomenda no local indicado. Para que o serviço de Correios brasileiro tenha condições de executar o processo, é imprescindível que o fornecedor envie a encomenda pelo Operador Público Postal de seu país, além de pagar o frete na origem. Como os Correios internacionais formam uma rede mundial, a encomenda chegará aos Correios do Brasil, que concluirá os trâmites alfandegários e fará a entrega no local indicado. Outra observação importante é solicitar que o exportador faça a postagem no exterior em uma modalidade postal em que a importação chegue diretamente aos Correios do Brasil. Alguns países,como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Eslovênia, Holanda, Noruega, Suíça, dentre outros, terceirizam a modalidade expressa, acarretando o não recebimento da encomenda internacional por parte da ECT. Para esses países, o importador deve utilizar as modalidades postais econômica ou prioritária. Cabe mencionar que a ECT não está autorizada a efetuar a nacionalização de produtos que exijam controles prévios ao embarque ou na entrada no país por parte de algum órgão anuente ou regulador brasileiro (Anvisa, MDIC, CNEN, Inmetro, Ibama etc.), exceto para as importações do serviço Importa Fácil Ciência. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 100 O fornecedor deve ser alertado para encaminhar a encomenda acompanhada pela fatura comercial internacional (Commercial Invoice), com a via original assinada pelo exportador, além de outros documentos que possam ser exigidos pela autoridade aduaneira brasileira (alfândega). Riscos e seguros da carga A ocorrência de avaria após a sua saída da expedição do fornecedor e o efetivo recebimento final pelo cliente geram disputas sobre a responsabilidade do fato, acarretando na interveniência de comissários de avarias das seguradoras envolvidas para fins da averiguação de responsabilidades, ocasionando atrasos na entrega do produto. Por exemplo, para o envio expresso a partir dos Estados Unidos, a melhor opção é a modalidade Express Mail Service (EMS), que é enviada diretamente para o correio brasileiro. Não utilizar a modalidade Global Express Guaranteed (GEG) do correio norte-americano, cuja entrega no Brasil não é feita pela ECT. Avaria significa qualquer dano ou prejuízo causado a mercadorias, instalações ou equipamentos de movimentação e/ou de transporte. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 101 O planejamento dos recursos necessários e cuidados a serem adotados durante o transporte rodoviário, principalmente no tocante a cargas especiais, leva em conta o peso unitário e as dimensões dos volumes, além da eventual necessidade de acompanhamento por batedores e outros procedimentos especiais. Esses aspectos interessam, particularmente, às seguradoras, que costumam participar de estudos envolvendo o planejamento de rotas e percursos seguros para as mercadorias por elas seguradas, sobretudo as de maior valor comercial. Apesar das inúmeras iniciativas governamentais nos últimos anos, direcionadas a economizar combustível com a diversificação dos modais empregados no transporte interno de mercadorias, a exemplo da privatização da malha ferroviária e dos investimentos nas hidrovias, o transporte rodoviário continua ocupando lugar de destaque no transporte interno brasileiro. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 102 Não obstante, além da precariedade das rodovias, a falta de segurança nas estradas é corresponsável pela desenfreada onda de roubos e assaltos a caminhões e saques às mercadorias sinistradas nas estradas do país. Seguros Internacionais Os seguros envolvem o transportador, o detentor da posse da mercadoria (consignatário), conforme o Incoterm, definido no contrato de compra e venda internacional, e a mercadoria objeto do seguro. Tipos de apólices obrigatórias durante o transporte internacional Os seguros no âmbito do transporte são muito específicos para cada modal, sendo bem mais complexos no transporte marítimo. Os tipos de cobertura e valores do prêmio a ser pago podem variar de acordo com: • Terminais de embarque e de descarga e respectivos países onde estão localizados; • Modais de transporte utilizados e tempo de trânsito internacional; • Natureza da carga e respectivas classes de risco; • Quantidade de movimentos ou transbordos que a carga sofrerá no percurso; Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 103 • Taxa de sinistralidade registrada para aquele tipo de mercadoria ou transportador; • Legislação de cada um dos países por onde a mercadoria transitará; • Solvência do segurado; • Exigências do agente financeiro que intermedeia a transação. Em qualquer modal de transporte, cabe ao transportador a contratação de dois tipos de apólice: Seguro-casco Tem como objeto indenizá-lo pela eventual perda de seu equipamento. Seguro de responsabilidade civil Seu objetivo é cobrir danos de responsabilidade do transportador eventualmente gerados a terceiros. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 104 Em troca do pagamento de uma importância denominada “prêmio”, a seguradora assumirá os riscos por possíveis avarias ou perdas da mercadoria durante o percurso da viagem em um determinado modal (ou modais) de transporte, nas diversas movimentações que sofrerá ou, ainda, durante os transbordos a serem feitos. Assim, ao dono da mercadoria, seja ele o embarcador ou o consignatário, cabe, adicionalmente, a responsabilidade sobre o seguro-carga, que pode ter vários tipos de cobertura. Tipos de avarias no transporte marítimo Existem dois tipos de avarias relacionados ao transporte marítimo. Veja abaixo os detalhes de cada uma. Avaria grossa ou comum Se define como avaria grossa ou comum quaisquer danos produzidos ao navio ou carga feitos de forma proposital, caso o navio ou a carga se defrontem com um perigo real e iminente, sendo seu propósito salvar vidas, o próprio navio ou outras cargas. O ressarcimento do dano é feito em forma proporcional por todos os beneficiados com o ocorrido. Para que avaria grossa ou comum seja qualificada como tal, devem estar presentes os requisitos a seguir: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 105 Alguns casos de avaria grossa: Cargas explosivas ou perigosas jogadas ao mar por estarem soltas no convés e colocarem em perigo o próprio navio e as outras cargas. Caso o navio não tenha condições de continuar o seu percurso, os custos vinculados com a retirada, o transbordo e o frete das cargas transportadas por um segundo navio até seu destino final. Carga que, como consequência de um combate a incêndio, ficou molhada com água salgada. Avaria simples ou particular É considerada avaria simples ou particular quando o dano ao navio ou à carga foi causado de forma involuntária. Para que a avaria simples seja reconhecida como tal, deve acontecer: O ato de ser proposital Os benefícios serem para todos Não ter sido o dano provocado pelos interessados A presença de um perigo que coloque em risco a segurança do navio ou da própria carga Não ter sido o dano provocado pelos interessados Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 106 São exemplos de avaria comum ou simples: Com isso, finalizamos a nossa última unidade do curso! Vamos responder às últimas questões para verificar seu conhecimento? Carga jogada ao mar como consequência de um fenômeno climatológico. Manuseio culposo da carga por parte da tripulação, com o claro objetivo de cometer um ato ilegal e fraudulento. Manuseio doloso da carga por parte da tripulação, sem a intenção de lesar. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 107 Atividade de encerramento Agora que você já finalizou o curso, é hora de testar seus conheci- mentos. Siga em frente e responda ao quiz! Quiz 1 Assinale a alternativa que apresenta apenas tipos de regimes aduaneiros. a. Regimes aduaneiros aplicados em áreas especiais e regime Unificado Internacional. b. Regime de tributação especial e regime unificado interna- cional. c. Regimes aduaneiros especiais e regime comum. Quiz 2 Assinale a alternativa que apresenta todos os requisitos neces- sários para operar em regime especial. a. Termo de responsabilidade, análise de requerimento, ga- rantia e sistema de controle contábil. b. Termo de responsabilidade, autorização do banco central, garantia e sistema de controle contábil. c. Termo de responsabilidade, análise de requerimento, ates- tado de nacionalidade e sistema de controle contábil. Regimes AduaneirosEspeciais e a Logística Internacional 108 Quiz 3 Assinale a alternativa que apresenta apenas os tipos de cargas que podem ser transportados pelo transporte aéreo. a. Ourivesaria, materiais explosivos, animais e plantas vivos. b. Gêneros alimentícios, bens perecíveis, bens de alto valor. c. Artigos de moda, joias e eletrodomésticos. Quiz 4 Assinale a alternativa que apresenta apenas as condições que qualificam uma avaria grossa ou comum. a. O ato de ser proposital e não ter sido o dano provocado pe- los interessados. b. A presença de um perigo que coloque em risco a seguran- ça do navio ou da própria carga e não ter sido o dano pro- vocado pelos interessados. c. O ato de ser proposital e os benefícios serem para todos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 109 Também tivemos acesso às ferramentas básicas da logística internacional que permitem a gestão do fluxo internacional de mercadorias. Ao dominar esses assuntos, você estará preparado para conduzir seus negócios com uma percepção clara e realista das perspectivas de sucesso. Lembre-se de reler e rever este material sempre que julgar necessário. Encerramento Chegamos ao f im do curso. Ao longo dele, conhecemos o funcionamento dos regimes aduaneiros especiais que serão aplicados no seu dia a dia. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 110 Referências bibliográficas BLOCH, Arthur. Murphy’s Law. Los Angeles: Price, Stern & Sloan Publishers Inc., 1977. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Banco de dados. Disponível em: http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_ regulamentaDORAS/Default.asp. Acesso em: 11 nov. 2008. BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CEPED- UFSC. Transporte rodoviário de produtos perigosos: procedimentos de primeira resposta no atendimento a emergências. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Florianópolis, 2012. ECT. Banco de dados. Disponível em: http://www.correios.com.br/ correio_internacional/default. Acesso em: 13 nov. 2020. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Pesquisa rodoviária nacional. Banco de dados. Disponível em: www.cnt.org.br. Acesso em: 18 nov. 2008. DEMING, W. Edwards. Out of the crisis. USA, Boston: MIT Press, 1986. JURAN, Joseph. Quality control handbook. USA, NYC: McGraw- Hill, 1988. MAGNOLI, Demétrio. Globalização Nacional e Espaço Mundial. São Paulo: Moderna, 1999. ROCHA, Paulo Cesar Alves de. Regulamento Aduaneiro comentado com textos legais transcritos. 14. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2010. RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio. Gestão estratégica da armazenagem. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 111 RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio. Introdução aos sistemas de transporte no Brasil e à logística internacional. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007. SILVA, Luiz Augusto Tagliacollo. Logística no comércio exterior. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2008. VON BERTALANFFY, Ludwig. Teoria Geral dos Sistemas. Petrópolis: Vozes, 1975. WERNECK, Paulo. Comércio Exterior e Despacho Aduaneiro. 4. ed, revista e ampliada. Curitiba: Juruá, 2007. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 112 #1 - Requisitos dos Regimes Aduaneiros Especiais Você sabe o que é necessário para sua empresa operar em regime especial? Confira este podcast! Para operar em regime especial, sem habilitação, você pode utilizar o Exporta Fácil da Empresa Brasileira de Correios. Assim como outros mecanismos que amparam exportações e im- portações de menor valor, as operações aduaneiras ficam sob res- ponsabilidade dos transportadores. Atualmente, o limite máximo para utilização desse serviço é o valor de três mil dólares, incluindo o valor do frete e seguro internacional, ou o mesmo valor equivalente em outras moedas. Em geral, nesses casos, é aplicado o regime de tributação simplificada. Antes de realizar a operação de comércio exterior, você deve procurar a Receita Federal para solicitar a habilitação de seu representante legal. Para operar um regime especial, é necessário, antes de tudo, que a sua empresa tenha um sistema de controle contábil, nos padrões determinados pela Receita Federal do Brasil. Dessa forma, será possível demonstrar todos os registros da opera- ção de importação ou exportação nesse regime. Essa exigência tem como objetivo facilitar e desburocratizar a fisca- lização, obtendo mais informações sobre os produtos beneficiados pelo regime aduaneiro e facilitar a movimentação desses bens pelo contribuinte. Transcrições dos podcasts Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 113 Lembre-se de que, em regimes mais simples, bastará apresentar um requerimento informando a operação desejada, os motivos e o prazo pretendido. Ficamos por aqui. Até mais! Clique aqui para voltar ao conteúdo. #2 - Drawback Isenção Você já conhece o Drawback Isenção? Confira o assunto neste podcast. O Drawback Isenção também é concedido pela SECEX, porém, a análise documental é atribuição do Banco do Brasil S. A., por sua ca- pilaridade e histórico de trabalho com o tema. Nessa modalidade, você exporta um bem e, posteriormente, é ha- bilitado a importar insumos estrangeiros e a comprar no mercado interno insumos equivalentes aos usados na operação de industria- lização do bem exportado. Dessa forma, você repõe seus estoques com isenção de todos os impos- tos e taxas incidentes na importação e compra interna, exceto o ICMS. A vantagem dessa modalidade é que sua empresa não tem que as- sumir compromissos de exportação, podendo desonerar as exporta- ções efetivadas pela contabilização da futura isenção. Considerando que a reposição de estoque de mercadorias ocorre em função da mercadoria industrializada já exportada, os insumos importados com isenção não serão, necessariamente, aplicados em produtos para uma nova exportação, podendo ser destinados ao mercado interno. Ficamos por aqui. Até mais! Clique aqui para voltar ao conteúdo. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 114 #3 - Entreposto aduaneiro Você sabe o que é um entreposto aduaneiro? Confira o assunto nes- te podcast. O entreposto aduaneiro permite o depósito de mercadorias estran- geiras em armazéns alfandegados. Atualmente, também permite que a mercadoria nele admitida sofra operações de industrialização, fique em exposição ou, ainda, seja testada. Um ponto curioso é que a denominação entreposto aduaneiro é aplicada ao depósito, ou seja, às instalações físicas que são alfande- gadas para armazenar as mercadorias, objetos do regime. Ao mesmo tempo, essa expressão denomina o regime aduaneiro aplicado a essas mercadorias. Assim, uma mercadoria, para ser admitida no regime aduaneiro es- pecial de entreposto aduaneiro, deverá estar armazenada em um armazém alfandegado, denominado entreposto aduaneiro. Ficamos por aqui. Até mais! Clique aqui para voltar ao conteúdo. #4 - Supply Chain Você sabe o que é Supply Chain? Confira esse assunto neste podcast. Supply Chain é um conceito de logística integrada, apresentado por Bowersox, que trata da competência que vincula a empresa a seus clientes e fornecedores. Os fluxos de informações de e para clientes fluem de forma sistê- mica pela empresa através das atividades de previsões de vendas e gerenciamento de pedidos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 115 As informações são obtidas através de planos de compras e de pro- dução, de forma a gerar o suprimento dos insumos e materiais ne- cessários ao processo de transformação. Dessa forma, inicia-se um fluxo de bens que resulta na transferência de produtos acabados aos clientes. O processo passa a ter fundamental importância na integração de todas as funções e atividades logísticas. Bowersox alerta que, embora essa integração seja pré-requisito, isso não é suficiente para garantir que a empresa alcanceas suas metas de desempenho. Isso porque, para ser eficaz no atual ambiente competitivo, a empre- sa deve expandir a sua abordagem de integração para incorporar clientes e fornecedores. Para que isso possa ocorrer, é imprescindível que, primeiro, as em- presas se integrem internamente, para somente então passarem à integração externa a fornecedores e clientes. Ficamos por aqui. Até mais! Clique aqui para voltar ao conteúdo. #5 - Noções de cargas perigosas O que você conhece sobre cargas perigosas? Confira o assunto neste podcast. Em todas as fases da movimentação, armazenagem e transporte de mercadorias perigosas, as normas de segurança específicas para cada caso devem ser obrigatórias e rigorosamente cumpridas. Caso isso não ocorra, pode-se perder o controle sobre o nível de risco e originar situações de desastre iminente. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 116 Cada substância tem um número de identificação individual e um nome, que são peculiares, ambos atribuídos pela Organização Maríti- ma Internacional ou IMO. Esses nomes e números devem constar em qualquer documento re- lativo a essa mercadoria ao longo de todo o processo logístico. Cada substância perigosa é enquadrada em algumas classes nume- radas de 1 a 8, conforme consta na publicação da IMO denominada International Maritime Dangerous Goods. Ficamos por aqui. Até mais! Clique aqui para voltar ao conteúdo. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 117 Gabarito dos quizzes Confira agora as respostas dos quizzes desta jornada. Quiz 1 Resposta: letra C. Feedback: São regimes aduaneiros: regimes aduaneiros especiais e regime comum. Quiz 2 Resposta: letra A. Feedback: Os requisitos necessários para operar em regime especial são: termo de responsabilidade, análise de requerimento, garantia e sistema de controle contábil. Quiz 3 Resposta: letra B. Feedback: Os tipos de cargas que podem ser transportadas pelo transporte aéreo são: gêneros alimentícios, bens perecíveis, bens de alto valor. Quiz 4 Resposta: letra C. Feedback: As condições que qualificam uma avaria grossa ou co- mum são o ato de ser proposital e os benefícios serem para todos. Concepção e Desenvolvimento: Sebrae/RJExemplo de cálculo do frete ............................................................................................77 Transporte marítimo internacional - nomenclaturas, características, vantagens e desvantagens ...........................................................78 Valor do frete marítimo ......................................................................................................80 Frete aberto ................................................................................................................................80 Frete fechado ............................................................................................................................82 Outra modalidade de cotação do frete internacional .....................................83 Informações necessária para a cotação de fretes ..............................................83 Portos .............................................................................................................................................84 Intermodalidade, multimodalidade e as vantagens da multimodalidade ..............................................................................................................87 Transporte multimodal no Brasil ..................................................................................90 Atuação do Operador de Transporte Multimodal (OTM) ......................................91 Couriers e Serviço Postal ....................................................................................................93 Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional Serviço Postal ...........................................................................................................................96 Exporta Fácil ..............................................................................................................................96 Importa Fácil .............................................................................................................................98 Riscos e seguros da carga .................................................................................................100 Seguros internacionais........................................................................................................102 Tipos de apólices obrigatórias durante o transporte internacional .........102 Tipos de avarias no transporte marítimo .................................................................104 Avaria grossa ou comum....................................................................................................104 Avaria simples ou particular.............................................................................................105 Atividade de encerramento ..........................................................................................107 Encerramento ..........................................................................................................................109 Referências bibliográficas .............................................................................................110 Transcrições dos podcasts ............................................................................................112 Gabarito dos quizzes ..........................................................................................................117 Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 7 Seja bem-vindo(a)! Neste curso, você encontrará dois grandes temas do comércio exterior: os regimes aduaneiros especiais e a logística internacional. Você aprenderá sobre o funcionamento do regime aduaneiro, especialmente sobre os regimes aduaneiros especiais mais gerais. Isso lhe permitirá uma visão mais abrangente e a aplicação dos conhecimentos em seu dia a dia. Já no tópico sobre logística internacional, você terá acesso às ferramentas básicas para a gestão do fluxo internacional de mercadorias. Elas auxiliarão na condução de seus negócios, pois permitirão uma percepção clara e realista das perspectivas de sucesso. Neste curso, você irá: • Conhecer a importância da aplicação dos regimes aduaneiros especiais para reduzir o custo das operações de exportação e importação, bem como para viabilizar a escolha adequada do meio de transporte internacional, de acordo com o tipo de carga que é comercializada. • Aprender a tomar as decisões estratégicas necessárias, de acordo com as informações compartilhadas. • Conhecer instrumentos para que possa formar os custos vinculados aos regimes aduaneiros especiais (Drawback, admissão temporária com fins econômicos etc.) ou calcular os custos envolvidos na logística internacional. Vamos começar? Apresentação Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 8 Unidade 1: Regimes aduaneiros Regimes aduaneiros: definição Os regimes aduaneiros são os tratamentos fiscais aplicados aos itens, aos bens, às mercadorias e aos produtos importados e exportados. Para entender o processo de internacionalização, precisamos, antes, entender o que são os territórios aduaneiros. O território aduaneiro corresponde ao local onde serão aplicadas as normas aduaneiras mencionadas no Regulamento Aduaneiro e na legislação complementar, com a fiscalização de entrada e saída de mercadorias, pessoas, veículos e animais em cada país. O território aduaneiro corresponde ao território nacional, incluídas as águas territoriais e o espaço aéreo, que, por sua vez, é dividido em duas áreas (zonas). Conheça cada uma delas a seguir: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 9 Atribuições da Receita Federal do Brasil Zona primária: corresponde aos pontos de entrada e saída de mercadorias do país. Nela, em geral, as mercadorias não se encontram desembaraçadas. Como exemplo, temos: ∙ Portos alfandegados; ∙ Aeroportos alfandegados; ∙ Pontos de fronteira e alfândegas; ∙ Recintos alfandegados: pátios dos aeroportos, armazéns portuários, terminais, dependências de lojas francas. Zona secundária: composta pelas demais áreas do território aduaneiro. As mercadorias podem ser aplicadas às atividades a que se destinam, com ou sem restrições, conforme o modo pelo qual tenham sido nela admitidas: ∙ Águas territoriais; ∙ Espaço aéreo; ∙ Áreas terrestres; ∙ Recintos alfandegados: portos secos, entrepostos, depósitos, terminais etc. O papel da Aduana, ou Alfândega (Receita Federal) é o de realizar a fiscalização aduaneira de bens físicos e, por delegação do Banco Central, controlar a movimentação física de divisas e metais preciosos. Já à Polícia Federal cabe o controle de emigração e imigração. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 10 Regime comum Regimes aduaneiros especiais Regime de Tributação Simplificada (RTS) Regime de Tributação Unificada (RTU) Regimes aduaneiros aplicados em áreas especiais Regime de Tributação Especial (RTE) Neste curso, o foco estará na compreensão dos regimes aduaneiros especiais, isso porque são esses regimes que permitem a isenção ou a suspensão dos tributos que pagamos para exportar ou importar um produto. Regimes aduaneiros especiais Os regimes aduaneiros especiais são operações especiais nas quais se preveem, de acordo com o Regulamento Aduaneiro e a Portaria Veja, abaixo, quais são os tipos de regimes aduaneiros: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 11 SECEX 23/2011 consolidada, a suspensão ou a isenção de tributos. Esses regimes existem para facilitar o crescimento econômico e social ao desonerar a taxação de algumas operações. Enquanto a mercadoria estiver com importação ou exportação sob a regência de um regime especial, a forma mais frequente de desoneração é a suspensão de tributos. Essa suspensão pode ocorrer de duas formas: Isenção O tributo não é devido. Restituição O tributo cobrado é restituído. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 12 Todos os regimes especiais têm prazo paracomeçar e para serem extintos. Cada regime especial apresenta sua própria regra, logo, o prazo varia de um para outro. Para evitar a má utilização do benefício, são estabelecidos controles adequados, os quais também mudam conforme as especificidades de cada regime. Veja, a seguir, alguns pontos importantes sobre os regimes especiais: Prazo de concessão Nenhum regime é concedido para sempre. Os prazos podem ser negociados e, consequentemente, estendidos, desde que o pedido de prorrogação seja feito antes do término do prazo original, ou seja, quando for relevante e durante a análise do pedido, o prazo de concessão fica prorrogado implicitamente. Se, ao final do período de concessão do benefício, o pedido for negado, o beneficiário terá um prazo para promover a reexportação do bem. Controle As formas de controle são estabelecidas de acordo com o tipo de regime e as características das mercadorias. Você pode entender controle como a lacração de caminhões, contentores ou embalagens. O controle acontece dessa forma para prevenir o mau uso, ou seja, para que não haja a utilização de um regime especial para bens que estão fora das finalidades previamente autorizadas pela autoridade aduaneira. Lacração A lacração pode acontecer quando a Receita Federal do Brasil (RFB) coloca um lacre mecânico no container, na embalagem ou na faixa plástica, com o símbolo da RFB, ao redor do veículo. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 13 Requisitos dos regimes aduaneiros especiais Agora, vamos ver como você pode operar em regime especial. No podcast Requisitos dos regimes aduaneiros especiais você conhecerá mais sobre esse assunto! #1 - Requisitos dos regimes aduaneiros especiais Clique aqui para acessar a transcrição. Podcast Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 14 Identif icou os requisitos necessários para operar em regimes especiais? Vamos relembrar quais são todos eles abaixo: Termo de responsabilidade Nesse termo, o benef iciário se declara responsável pelos tributos suspensos e, caso não atenda às condições para permanência no regime solicitado, antes de sua devida extinção, irá responder e/ou pagar pela totalidade dos valores de tributos suspensos devidos. Além do termo, pode ser exigida a prestação de garantia. Análise do requerimento É o documento no qual o beneficiário se responsabiliza pelo pagamento dos tributos suspensos em caso de descumprimento de suas condições. Talvez tenha um valor mais educativo que propriamente garantidor, pois não é autoexecutável. A Receita verificará sua legalidade, bem como a conveniência e a oportunidade da eventual concessão. Analisará, também, se interessa ao país que o regime seja concedido ou se será apenas um risco dispensável. O interessado pode não ter o direito ao benefício. Quanto à legalidade, a questão é saber se os requisitos do regime estão sendo atendidos pelo interessado quanto à conveniência e à oportunidade. Garantia Em certas ocasiões, é solicitada uma garantia, caso os créditos se tornem exigíveis. Assim, se o contribuinte não pagar o devido, o terceiro que prestou a garantia tem de fazê-lo. No caso de depósito, a aduana simplesmente transfere o dinheiro da conta em que foi depositado para o Tesouro Nacional. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 15 Sistema de controle contábil Para operar um regime especial, a empresa precisa de um sistema nos padrões determinados pela Receita Federal. Esse sistema deve demonstrar todos os registros da operação de importação/exportação nesse regime. Essa exigência facilita a f iscalização dos bens benef iciados pelo regime aduaneiro, assim como a movimentação desses bens pelo contribuinte. Os regimes aduaneiros especiais, sem considerar o Drawback Suspensão e Isenção, iniciam-se quando a autoridade aduaneira defere o requerimento apresentado pelo benef iciário e, como regra geral, são extintos quando a autoridade reconhece que a condição prevista para a concessão foi atingida. Isso acontece, por exemplo, em um trânsito aduaneiro, quando a mercadoria chegou ao destino, ou em uma exportação temporária, quando a mercadoria retornou ao país. Entretanto, também podem ocorrer outras situações, como a transferência da mercadoria para outro regime, sua destruição ou sua entrega para a Fazenda Nacional. Operacionalmente, os regimes aduaneiros especiais podem ser divididos em 3 grandes grupos. Confira, a seguir, quais são esses grupos e sua aplicabilidade: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 16 APLICADOS A OPERAÇÕES LOGÍSTICAS REGIMES ESPECIAIS DE ADMISSÃO OU EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA APLICADOS À INDÚSTRIA E AOS SERVIÇOS Loja franca Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo Entreposto industrial Depósito especial Repex Drawback Depósito afiançado Repetro Recof Depósito alfandegado certificado Exportação temporária Entreposto aduaneiro para construção de bens destinados ao Repetro Depósito franco Exportação temporária para aperfeiçoamento passivo Zona Franca de Manaus - Entreposto Industrial da ZFM Área de livre comércio Zona de Processamento de Exportação e Aeroporto Industrial Reporto Trânsito aduaneiro Admissão temporária Entreposto aduaneiro na importação Agora, vamos conhecer em detalhes os regimes aduaneiros mais comuns. Trânsito aduaneiro Constitui-se como um trânsito de interesse logístico que permite o transporte de uma mercadoria sem pagamento de tributos. Por meio dele, procedimentos aduaneiros de maior peso, como despacho de importação e exportação, podem ser realizados em local mais adequado, mais próximo do interessado ou mais seguro. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 17 As modalidades de trânsito aduaneiro são: Exportação Permite o transporte de mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro com a mercadoria já desembaraçada e com suspensão do pagamento de tributos. Importação Permite o transporte de mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro com a mercadoria ainda não desembaraçada e com suspensão do pagamento de tributos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 18 Admissão temporária Já o segundo grupo do regime especial é a admissão temporária, com a suspensão dos tributos ou o pagamento proporcional de tributos sobre o valor declarado de bens que ficarão no Brasil por prazo fixo, para determinadas finalidades. Nesse caso, ele deve retornar ao exterior sem sofrer modificações, com exceção dos estragos causados pelo uso. Nessas situações, o bem deve ser importado sem que seja objeto de contrato de compra e venda que possibilite um pagamento, nem mesmo uma transferência de propriedade por doação, com permissão de que o bem seja alugado. Portanto, o importador deve pagar pelo uso da mercadoria. Além da reexportação ou devolução ao exterior, o regime pode ser extinto por: ∙ Nacionalização; ∙ Transferência para outro regime aduaneiro; ∙ Entrega à Fazenda Nacional – quando o órgão estiver de acordo; ∙ Destruído sob controle aduaneiro. Para a nacionalização do bem, o produto deve estar apto a ser nacionalizado na concessão do regime de admissão temporária. Vale lembrar que os bens devem ser adequados à finalidade para a qual foram importados e efetivamente utilizados nessa finalidade. Como será confirmada a reexportação do bem, essa informação deve ser perfeitamente identificada na entrada. Nacionalização Define-se nacionalização de um bem o ato pelo qual o importador recolhe os tributos correspondentes ao produto no momento anterior ao registro da declaração de importação. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 19 Veja a seguir os tipos de admissão temporária: Com suspensão total do pagamento de tributos Aplica-se aos casos descritos na norma, dentre os quais feiras, exposições, espetáculos, provasdesportivas. Para utilização econômica Aplica-se aos demais casos. Trata-se de admissão temporária com pagamento proporcional de tributos (e suspensão dos não recolhidos). Para aperfeiçoamento ativo Permite o ingresso para permanência no país, com a suspensão do pagamento de tributos, de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas, destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. Drawback Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 20 O Drawback é um regime especial que suspende ou elimina tributos incidentes da aquisição de insumos utilizados na industrialização de bens que serão exportados. Esse regime deve ser visto como um grande incentivo à exportação, pois possibilita a redução do custo de produção desses bens e melhora sua competitividade no mercado internacional. No vídeo Drawback abordaremos mais sobre sua concessão. A industrialização pode ser entendida como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação, a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo. Podemos classificá- la como: transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou recondicionamento e renovação. Drawback Para vê-lo na íntegra, acesse o curso online.Vídeo Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 21 Se após a utilização dos bens importados houver resíduo superior a 5% da quantidade importada, ele deve ser nacionalizado, sendo que o beneficiário do regime poderá demonstrar no laudo técnico, apresentado na solicitação do Ato Concessório, que o material residual não tem valor comercial. É obrigatório que, no mesmo Ato Concessório, caso haja diversos fornecedores estrangeiros, sejam descritos integralmente os insumos envolvidos no processo de industrialização, mesmo que tenham prazos de entrega diferentes. O sistema Drawback pode ser de diferentes tipos. Veja a seguir cada um deles. Drawback Suspensão Você pode utilizar o Drawback Suspensão na importação de insumos, com suspensão de tributos federais e estaduais, e na compra no mercado interno, com suspensão de tributos federais. Esses insumos, necessariamente, devem ser aplicados em operações de industrialização de bens, de forma direta ou indireta. Tais bens deverão ser exportados e podem ser, por exemplo, matérias-primas, partes, peças, componentes, entre outros. Fica a cargo da SECEX a emissão do Ato Concessório, sendo tarefa da Receita Federal fiscalizar o cumprimento do regime, isto é, desembaraçar as importações, controlar as compras no mercado interno e verificar se os compromissos de exportação foram cumpridos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 22 Os incentivos do Drawback Suspensão, na importação, abrangem os seguintes tributos: ∙ Imposto de Importação (II); ∙ Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); ∙ PIS/COFINS; ∙ Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Trans- porte e de Comunicação (ICMS); ∙ Para as mercadorias importadas por via marítima, o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha mercante, e, no caso do aéreo, a redução do Adicional da Tabela Aeroportuária ATA - aéreo). Veja também, os critérios utilizados para avaliar a concessão ou não ao Ato Concessório: Critério I Compatibilidade entre as mercadorias a importar ou a adquirir no mercado interno e o processo produtivo dos produtos a exportar. Critério II Relação entre as quantidades de mercadorias a importar ou a adquirir no mercado interno e as quantidades de produtos a exportar. Nas compras de mercado interno, os incentivos abrangem: IPI, PIS/COFINS e ICMS. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 23 Critério III Expectativa de agregação de valor na operação a ser realizada. O prazo para que o beneficiário do regime possa comprovar ter atendido o compromisso de exportação é de um ano, contado a partir da emissão do Ato Concessório, e esse prazo pode ser prorrogado por um período semelhante sempre que o pedido de prorrogação for solicitado antes do vencimento do primeiro período. Drawback Isenção Agora, vamos conhecer a modalidade do Drawback Isenção. No podcast Drawback Isenção você conhecerá mais sobre esse assunto! A seguir, confira quais são os critérios utilizados para avaliar a concessão ou não do Ato Concessório para essa modalidade de Drawback: #2 - Drawback Isenção Clique aqui para acessar a transcrição.Podcast Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 24 Compatibilidade Compatibilidade entre as mercadorias a importar ou adquirir no mercado interno e o processo produtivo dos produtos a exportar. Relação entre quantidades Relação entre as quantidades de mercadorias a importar ou adquirir no mercado interno e as quantidades de produtos a exportar. Relação de equivalência Relação de equivalência entre as mercadorias originalmente importadas ou adquiridas no mercado interno e aquelas a serem adquiridas ou importadas ao amparo do regime. Agregação de valor Existência de agregação de valor no processo produtivo dos bens exportados. Oscilação de preço A oscilação de preço das mercadorias a serem importadas ou adquiridas no mercado interno, em relação àquelas originalmente importadas ou adquiridas no mercado interno. O prazo para solicitar o Ato Concessório que permita a importação para reposição do estoque é de 720 dias, contados a partir da primeira Declaração de Importação, na qual se demonstre a importação de bens sem benefício fiscal. Após Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 25 sua concessão, o prazo para importar os bens é de 360 dias, existindo a possibilidade de importar matérias-primas de melhor qualidade que as originalmente importadas sem benefício, porém, nesse caso, a quantidade a importar com benefício estará limitada pelo valor total autorizado. Drawback Restituição Esta modalidade de Drawback é concedida pela Receita Federal. Na modalidade Restituição, o interessado recebe crédito tributário equivalente aos tributos federais que incidiram na importação dos insumos usados na operação de industrialização do bem exportado. O prazo máximo para solicitar o crédito fiscal à Receita Federal é de 90 dias corridos após a última exportação dos bens em que foram usadas, na industrialização, matérias-primas, partes e peças etc. importadas sem os benefícios fiscais. Regimes atípicos de Drawback A partir da publicação da Portaria 44/2020, passaram a existir os regimes atípicos de Drawback. Confira a seguir suas características: Empresas optantes pelo Simples, bem como as optantes pelo lucro presumido ou arbitrado do Imposto de Renda, podem ser beneficiadas pelo sistema. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 26 Para a industrialização de embarcações Aplicado a embarcações que, se fossem exportadas, teriam o benefício da suspensão, bem como a isenção de recolhimento dos tributos incidentes na importação de mercadorias aplicadas à construção de navios destinados ao mercado interno. Fornecimento no mercado interno em decorrência de licitações Se beneficia com a suspensão de pagamentos dos tributos incidentes na importação de matérias-primas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação nacional de máquinas e equipamentos a serem fornecidos ao mercado em decorrência de licitação pública internacional. Os bens importados devem ser pagos com moeda conversível atrelada a financiamento internacional concedido por entidade financeira internacional, sendo os recursos captados no exterior. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 27 Repetro É o Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados à Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro). O pilar do Repetro é a admissão temporária, sem pagamento proporcional de tributos, embora amparando bens certamente destinados à utilização econômica. Confira a seguir quais são esses bens:Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e às destinadas ao apoio e à estocagem nas referidas atividades. Fornecimento no mercado interno em decorrência de licitações Tal regime pode ser concedido a empresas subcontratadas pela empresa vencedora da licitação, desde que a sua participação seja devidamente comprovada pela apresentação da proposta ou no contrato de fornecimento. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 28 Plataformas de perfuração e produção de petróleo ou gás natural, bem como as destinadas ao apoio nas referidas atividades. Máquinas, aparelhos, instrumentos, ferramentas e equipamentos destinados às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 29 Veículos automóveis montados com máquinas, aparelhos, instrumentos, ferramentas e equipamentos destinados às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural. O regime poderá ser aplicado, ainda, às máquinas e aos equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aos aparelhos e a outras partes e peças destinados a garantir a operacionalidade dos bens referidos na lista acima. Além da admissão temporária, o Repetro também ampara a exportação com saída ficta de bens de produção nacional destinados a serem admitidos temporariamente sob sua égide. Estruturas especialmente concebidas para suportar plataformas. Saída ficta Define-se como saída ficta a entrega de um bem nacional dentro do território nacional a um representante local do comprador estrangeiro, quando amparado por um regime aduaneiro especial, nesse caso, o Repetro. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 30 Essa alternativa tem por objetivo não prejudicar os fabricantes nacionais perante seus concorrentes estrangeiros. Como o Repetro só ampara admissão temporária, sem o recurso da saída ficta, as mercadorias nacionais teriam que ser transportadas e retornadas, onerando-as com dois fretes e demais custos logísticos. Além disso, o Repetro também permite que os fabricantes nacionais importem insumos sob o regime de Drawback para aumentar sua competitividade. As empresas que pretenderem se beneficiar desse regime devem se habilitar previamente. Recof Agora, vamos conhecer mais um sistema aduaneiro atípico, o Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado ou Recof. No vídeo Recof abordaremos mais sobre esse assunto! Apesar de amplamente utilizada, a expressão “exportação ficta” é inadequada, pois a exportação, do ponto de vista fiscal e tributário, é real; porém, fisicamente o bem será entregue no Brasil, de acordo com o solicitado pelo adquirente do bem. O termo correto é saída ficta. Recof Para vê-lo na íntegra, acesse o curso online.Vídeo Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 31 Armazéns alfandegados Os armazéns alfandegados podem ser do tipo entreposto aduaneiro ou entreposto industrial. Conheça, a seguir, detalhes de cada um deles. Entreposto aduaneiro O primeiro tipo de armazém alfandegado que vamos conhecer é o entreposto aduaneiro. No podcast Entreposto aduaneiro, você conhecerá mais sobre esse assunto! Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 32 #3 - Entreposto aduaneiro Clique aqui para acessar a transcrição.Podcast Agora que você já sabe o que é um entreposto aduaneiro, veja algumas operações de industrialização que podem ser realizadas nessas áreas: ∙ Acondicionamento ou reacondicionamento; ∙ Montagem; ∙ Beneficiamento; ∙ Renovação; ∙ Recondicionamento. Um exemplo de operação realizada em um entreposto aduaneiro é o preparo de alimentos para consumo a bordo de aeronaves e embarcações utilizadas no transporte comercial internacional ou destinados à exportação, também considerada uma operação de industrialização. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 33 O conceito de depósito tem sido ampliado para abarcar, por exemplo, plataformas destinadas à pesquisa e à lavra de jazidas de petróleo e gás natural em construção ou conversão no país e mesmo estaleiros navais ou outras instalações industriais localizadas à beira-mar, destinadas à construção de estruturas marítimas, plataformas de petróleo e módulos para plataformas. O Recof é de uso exclusivo para armazenar insumos importados a serem consumidos na produção da indústria beneficiária. Entreposto industrial O Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) assemelha-se ao entreposto aduaneiro, mas é de uso público. Permite a entrada de mercadorias nacionais com suspensão de IPI, PIS/Pasep e Cofins, e de mercadorias estrangeiras também com suspensão de tais impostos. As mercadorias, objetos do regime, podem ser importadas com cobertura cambial. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 34 Se a mercadoria admitida no regime for exportada no estado ou incorporada ao produto da empresa, o regime é extinto. Entretanto, se for destinada ao mercado interno, os tributos deverão ser recolhidos. Além dos benef ícios tributários, apresenta a vantagem da proximidade do depósito à linha de produção. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 35 Unidade 2: Logística internacional O que é logística? O fluxo de mercadorias deve ser otimizado, protegido e transportado até a sua chegada ao consumidor. O papel da logística é de adquirir, movimentar, transportar, distribuir e controlar, eficazmente, os bens disponíveis. Assim, os seus principais objetivos são: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 36 Conceitos básicos de Supply Chain e integração das funções Você sabe o que signif ica Supply Chain? Reduzir custos Alcançar altos giros de estoques Obter fluxos contínuos de suprimentos Entregar rapidamente Dispor de controles e informações confiáveis Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 37 No podcast Supply Chain você conhecerá mais sobre esse assunto! Agora que você já sabe o que é o Supply Chain, que tal conhecer as principais etapas envolvidas? Para isso, é só acompanhar o conteúdo abaixo: Compras/suprimentos A função de suprimentos responde pela aquisição de todos os materiais e serviços necessários para garantir a eficácia operacional dos processos de fabricação de uma empresa. A função de compras envolve a escolha de fontes de obtenção dos fornecimentos, a determinação da forma de aquisição, o calendário de compras, as formas de pagamento, a definição de preços e de prazos de entrega, o controle de qualidade e muitas outras atividades correlatas. Com a globalização, o ambiente econômico em constante mudança e o acesso a novos fornecedores, há uma enorme diversidade na disponibilidade, qualidade, prazos de entrega e custos dos materiais, tornando a função de compras extremamente importante no processo logístico. #4 - Supply Chain Clique aqui para acessar a transcrição.Podcast Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 38 Movimentação de materiais Trata de todos os aspectos relativos aos fluxos de matérias-primas, estoques de semiacabados e acabados dentro de qualquer empresa, fábrica ou armazém. Toda movimentação gera custo para a empresa. Uma movimentação deficiente pode levar ao extravio ou à avaria de produtos, à insatisfação do cliente, a atrasos na produção e à ociosidade de mão de obra e equipamentos. A movimentação de materiais tem papel fundamental na redução de estoques, na economia de custos e no aumento de produtividade. Distribuição Física Internacional (DFI) É o conjunto de estratégias utilizadas para disponibilizar produtos em outros países. Isso se dá a partir da movimentação e estocagem dos produtos acabados, do processamento de pedidos, da movimentação física na fábrica, da consolidação do lote, da obtençãode licenças e procedimentos documentais, da contratação de seguros, da movimentação e da armazenagem nos terminais de embarque de fretes e do transporte internacional até a entrega ao cliente. As empresas devem analisar com cuidado as diversas fases da Dis- tribuição Física Internacional (DFI), pois ela é um fator primordial de competitividade internacional. Dela dependem: ∙ O equilíbrio entre oferta e demanda; ∙ A continuidade do fluxo de escoamento dos suprimentos; ∙ No caso de existir a logística reversa, a retirada em tempo hábil dos diversos elementos, tais como embalagens, sobras de material etc., além do manuseio adequado das embalagens e produtos pelos diversos integrantes da cadeia de distribuição e da possibilidade de se tornar uma barreira para a entrada de concorrentes. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 39 Para definir o projeto de distribuição física internacional, deve-se considerar, entre outros fatores: ∙ Localização geográfica do vendedor e do comprador; ∙ Estrutura de distribuição do mercado-alvo; ∙ Tipo e características dos modais internacionais; ∙ Infraestrutura física dos locais de armazenagem; ∙ Distribuição disponível no país de origem; ∙ Eventuais pontos de transbordo; ∙ Mercado a conquistar. Além das etapas vistas anteriormente, a logística engloba etapas complementares, que você pode conferir em detalhes abaixo: Pós-venda A responsabilidade da logística não cessa quando o produto é entregue ao cliente. Além da movimentação de matérias-primas e da manutenção do inventário de produtos semiacabados e acabados, Atualmente, existe a possibilidade de usar uma ferramenta para o gerenciamento de dados e informações, a Distribution Planning Resources (DRP), que possibilita coordenar todas as operações da DFI. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 40 ela também é responsável quando o produto vendido apresenta problemas de funcionamento, sofre desgastes ou quebras. A logística deve cuidar de todas as atividades relacionadas ao fornecimento de peças de reposição, se, quando, e onde o cliente vier a exigi-las. Esse procedimento é conhecido como pós-venda. Refugos Qualquer subproduto do processo de fabricação é denominado refugo ou rejeito. Se esse material não puder ser reutilizado para produzir outros produtos, de alguma maneira deve ser removido. Qualquer que seja o subproduto, a logística é responsável pela sua movimentação, transporte, armazenamento e destinação. Caso seja reutilizável ou reciclável, a logística deve promover a sua remoção para os locais especificamente destinados ao seu reprocessamento. Do contrário, deve providenciar o seu descarte, em consonância com os dispositivos legais vigentes na região ou país. Logística reversa O comprador pode devolver parte ou todo o lote dos produtos adquiridos em razão de defeito, excesso, itens incorretos ou por quaisquer outras razões. A logística reversa já foi comparada a trafegar na contramão por uma rua de mão única, já que os produtos expedidos, comumente, fluem em uma única direção. A maioria dos sistemas logísticos é mal aparelhada para administrar o movimento do produto em marcha à ré. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 41 Em muitas indústrias, quando clientes devolvem produtos ainda em garantia para reparo, conserto ou até mesmo para troca, o custo da logística reversa pode ser bastante elevado. Em alguns casos, as mercadorias devolvidas não podem ser transportadas, estocadas ou movimentadas facilmente, resultando em custos mais altos. A logística reversa vem crescendo de importância não só pelo fato de os clientes exigirem políticas de devolução mais flexíveis e tolerantes, mas também à medida que a reciclagem e a legislação ambiental se tornam mais restritivas no âmbito internacional. As exigências para a redução do prazo de entrega são tão numerosas quanto as fases da cadeia logística, que não param de aumentar. Diferentes combinações desses elementos ocasionam a formação de preços diferenciados. A falta de dados confiáveis e de políticas bem definidas acaba fomentando essas perdas, que se refletem no custo dos produtos. Essa situação torna-se ainda mais grave ao nos aproximarmos dos setores primários da economia, onde a falta de padrões adequados de transporte, movimentação e armazenagem tem levado o país a perdas expressivas de alimentos. A movimentação, o transporte e a armazenagem inadequados têm sido os grandes vilões das perdas observadas na economia brasileira, o que equivale a, pelo menos, 10% do nosso PIB. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 42 É preciso lembrar que, somado a essas perdas, no mercado internacional lidamos com moedas estrangeiras, diferentes sistemas cambiais, políticas econômica e tributária dos países, barreiras alfandegárias e não alfandegárias, incentivos fiscais, diferentes infraestruturas de transporte e terminais de transferência. E, ainda, os níveis de transporte e respectivos fretes são definidos pelas leis de oferta e demanda, variando do excelente ao péssimo, além da enorme diversidade cultural, e tudo isso interfere no preço final dos produtos. Integração dos subsistemas da cadeia de suprimentos Agora, vamos conhecer como os diversos subsistemas da cadeia de suprimentos se integram entre si. Subsistemas da cadeia de suprimentos CONCEITO DE INTEGRAÇÃO Suprimento Movimentação Distribuição física Pós-venda Logística reversa Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 43 A implantação de estruturas logísticas internacionais racionaliza custos, viabilizando a realização de operações complexas ao longo dos diferentes estágios de transformação, transporte e distribuição. Rodrigues (2007b) entende que as funções de suprimento internacional e Distribuição Física Internacional devem ser integradas ao longo da cadeia logística. Confira mais sobre elas a seguir. Suprimento internacional Vimos que logística de suprimento é a gestão da entrada de matérias-primas, componentes ou insumos no processo produtivo. Como estamos tratando de cadeias de suprimento internacionais, com ciclos mais longos, entende-se essa gestão como um processo integrador de serviços próprios da organização compradora, aliado aos serviços de parceiros estratégicos, comumente envolvendo uma colaboração estreita entre os fornecedores e o comprador, na maioria das vezes situados em diferentes países. Distribuição física internacional Chama-se Distribuição Física Internacional a saída dos produtos vendidos e o acompanhamento do seu trânsito até que sejam entregues ao comprador. Alguns fatores influenciam a composição de custos da Distribuição Física Internacional (DFI), podendo até inviabilizá-la (RODRIGUES, 2007b). Na gestão logística da distribuição, todos os elementos que compõem o sistema de custos devem ser cuidadosamente avaliados e, se possível, alterados de forma a obter vantagem competitiva. Esses elementos são: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 44 Distância É um dos principais elementos no custo do transporte. Dentre outros atributos, o valor do frete leva em conta o tempo de operação do equipamento de transporte e a disponibilidade de mão de obra para executar o serviço. Densidade da carga É a relação entre o peso e o volume da carga, também conhecida como fator de estiva, expressa em m³/t. Os fretes são cobrados pelo peso ou pelo volume, considerando sempre o que for maior. Tamanho do lote O rateio do frete por unidade transportada diminui proporcionalmente à medida que o tamanho do lote aumenta, o que, em logística, é conhecido como trade-off. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 45 Facilidade de acondicionamento Equivale às medidas unitárias dos volumes a serem transportados e a sua relação com o aproveitamento do espaço nos equipamentos de transporte. Quanto menoro aproveitamento do espaço, mais caro será o frete. Responsabilidade Está relacionada à fragilidade, ao tempo de vida útil (perecibilidade) ou à possibilidade de roubo e/ou furto da mercadoria. Ou seja, afeta diretamente o valor do prêmio (custo) da apólice de seguro contratada pelo transportador para cobrir a sua responsabilidade civil. Facilidade de movimentação Deve ser considerado o tipo de equipamento necessário para a movimentação da mercadoria, além do tempo médio necessário para se realizar as operações de carga e descarga. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 46 Devemos ainda levar em conta algumas dificuldades típicas nos nossos procedimentos de distribuição física internacional: • Distância do Brasil aos grandes centros de negócios internacionais. • Excessiva burocracia imposta pelo governo brasileiro. • Elevada carga tributária no Brasil, com impostos incidindo uns sobre os outros. • Aumento do número de competidores no mercado global, levando-nos a concorrer com conglomerados transnacionais e novos entrantes. • O atual ambiente protecionista em diferentes países, impondo barreiras de caráter tarifário, tais como regulamentações de caráter fitossanitário, exigência da apresentação de certificados de desempenho ou de segurança mínimos etc. • Exacerbação da xenofobia das “guerras santas” que, muitas vezes, interrompem os fluxos de carga, elevando os custos com demorados desvios. • Mercados cada vez mais exigentes e consumidores conscientes dos seus direitos. • Necessidade de ganhar economia de escala na produção em série, porém atuando em mercados que exigem a possibilidade de customizar os produtos. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 47 Natureza e características das cargas Alguns conceitos em logística podem gerar confusões. Por exemplo, a diferença entre mercadoria e carga e a classif icação das cargas quanto à natureza e às características. A seguir, saiba mais sobre o assunto. Mercadoria Todo e qualquer produto que esteja sendo objeto de comércio. Ou seja, o termo mercadoria define qualquer produto sob a ótica do seu proprietário. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 48 Carga É tudo o que se transporta ou se armazena. O termo pode ser utilizado para designar mercadorias, bagagens, documentos, encomendas, minerais, animais ou vegetais. Ou seja, é a mercadoria, porém considerada sob a ótica do prestador de serviços logísticos. Portanto, a carga é a mercadoria a partir do momento em que é entregue a terceiros para: • Ser transportada mediante o pagamento de frete (remuneração pelo transporte de mercadorias de um ponto a outro); • Ser armazenada mediante o pagamento de tarifa. Tipos de cargas Veja, abaixo, como as cargas podem ser organizadas: Carga geral Mercadorias em embalagens heterogêneas. Podem ser subclassifi- cadas como contêineres, veículos ou cargas especiais. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 49 Granel Carga homogênea, sem invólucro ou embalagem, apresentada na forma de sólidos, líquidos e gases. Natureza da carga Agora, veja o tipo de embalagem de acordo com a natureza da carga: Características da carga Por fim, confira as principais características relacionadas às cargas: Peso unitário Determina o tipo e a capacidade dos equipamentos de movimentação. Medidas Fora dos padrões, podem exigir cuidados especiais. GranelCarga geral Sólidos, líquidos e gases, sem embalagem. Mercadorias heterogêneas, em caixas, sacas, fardos, cartões, aramados, tambores etc. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 50 Volume Espaço ocupado na armazenagem e no transporte. Valor Responsabilidade sobre a carga. Fragilidade Possibilidade de avarias. Perecibilidade Prazo de validade muito curto. Mercadorias com prazos de validade curtos exigem procedimentos rápidos, além de um rígido controle de estoque na modalidade PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai). Se isso não acontece, corre-se o risco de extrapolar a vida útil do produto durante o processo logístico. A mesma situação se aplica aos produtos passíveis de contamina- ção, que exigem cuidados especiais em sua movimentação, trans- porte e armazenagem, de forma a garantir a preservação de suas qualidades físicas e químicas. Diversas formas de unitização da carga Veja, abaixo, alguns exemplos de unitização da carga: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 51 Sacos de armazenamento sendo carregados no navio. Pilhas de paletes. Sacos de armazenamento. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 52 Noções de cargas perigosas Para as cargas perigosas, foi estabelecido um conjunto de normas padronizadas internacionalmente para reduzir os riscos de acidentes, bem como eventuais danos ou contaminações decorrentes de seu extravasamento, dependendo da quantidade e das características do produto. No podcast Noções de cargas perigosas você conhecerá mais sobre essas normas. #5 - Noções de cargas perigosas Clique aqui para acessar a transcrição.Podcast Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 53 Ainda sobre as cargas perigosas, veja abaixo as características específicas para o transporte desse tipo de mercadoria. Segregação É o ato de armazenar cargas incompatíveis de tal forma que, mesmo vindo a ocorrer eventual vazamento, borrifo ou rompimento da embalagem, seja totalmente impossível que venham a ter contato entre si, podendo integrar-se e gerar um terceiro produto de caráter danoso. A numeração relativa à classe ou subclasse de risco de cada mercadoria encontra-se na parte inferior do rótulo de risco. Ela é colocada após a transcrição do nome correto do produto, de acordo com a Portaria n. 204/97 do Ministério dos Transportes e NBR 7500 da ABNT, revisada em março de 2000, bem como na discriminação dos produtos perigosos relacionados no documento fiscal, juntamente com os seus respectivos nomes e número IMO. Diferentemente do que se costuma crer, a mercadoria perigosa é apenas potencialmente capaz de causar riscos ao ser humano, ao meio ambiente, às demais cargas e ao patrimônio ao seu redor, e não significa que efetivamente o fará. A diferença está única e exclusivamente na embalagem, cuja responsabilidade de adequação é total e diretamente do seu proprietário. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 54 Placares ou rótulos São os adesivos identificadores de cada uma das classes de risco, padronizados internacionalmente em modelo e em tamanho (0,33 m x 0,33 m), que devem ser, obrigatoriamente, colados em qualquer embalagem de mercadoria perigosa ou contêiner que contenha cargas perigosas. Todos os terminais ou armazéns de carga, transportadoras, operadores logísticos, além de quaisquer outras empresas que movimentam mercadorias perigosas, devem disponibilizar às suas equipes operacionais pelo menos um exemplar do International Maritime Dangerous Goods. Além disso, devem possuir um estoque de placares adesivos para identificação de todas as classes de mercadorias perigosas para fins de reposição em casos de perda ou de vandalismo. Por ocasião da entrega ao transportador, além da ficha técnica, o embarcador de cargas perigosas é obrigado a fornecer um documento denominado Shipping Certificate, no qual deverá estar consignado o texto abaixo: Declaro que a carga acima mencionada está propriamente descrita, marcada, classificada, rotulada e em condições próprias para transporte. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 55 Todas as mercadorias perigosas devem ser transportadas conforme o capítulo 12 do Código de Carga Perigosa Marítima Internacional (Dangerous Goods) e de acordo com os regulamentos nacionais dos países, respectivamente, de origem e de destino. As informações relativas aos produtos classificados como mercadorias perigosas devem ser obtidas com oembarcador, principalmente quanto aos compostos químicos em sua formulação e não sobre os nomes comerciais pelos quais são conhecidos. É necessário, também, verificar as ações a serem adotadas em caso de acidente. Em nenhuma hipótese as mercadorias perigosas de quaisquer naturezas e classes podem ser colocadas dentro do mesmo contêiner no qual houver qualquer tipo de alimento. Os contêineres contendo cargas perigosas necessitam ser rotulados em cada lado e em cada canto superior, exceto o das portas. Verifique, abaixo, os placares utilizados no transporte de carga perigosa: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 56 Tipos e funções de embalagem Um item muito importante dentro do processo logístico é a embalagem. No vídeo Embalagens abordaremos mais sobre esse assunto! Embalagens Para vê-lo na íntegra, acesse o curso online.Vídeo Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 57 Marketing Além das características técnicas, as embalagens também contam com um trabalho cuidadoso de marketing, que tem como função divulgar a marca, identificar e apresentar o produto, além de transmitir informações e, assim, potencializar a sua venda. A definição das cores, as fotografias, as informações e as instruções de uso contidas na parte externa da embalagem são cuidadosamente planejadas, de forma a oferecer informações capazes de despertar no potencial comprador a vontade de consumir. Logística As embalagens podem ter dois tipos de classificação dentro da logística, tendo como foco aumentar a eficiência da movimentação. Essas classificações levam em consideração o tamanho, o peso unitário e a altura de cada volume, de maneira a otimizar o uso dos equipamentos, do sistema de armazenagem e do transporte. Veja, abaixo, cada um desse tipos: Embalagem de comercialização Considera aspectos relativos à adequada arrumação do produto nas prateleiras dos pontos de venda, a exemplo dos cartões de papelão contendo 12 unidades com um litro de leite do tipo longa vida ou o conjunto de 6 garrafas PET fechadas com filme a quente (shrink wrap). Embalagem de movimentação Considera aspectos relativos às precauções que devem ser Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 58 tomadas durante a movimentação, à facilitação e à velocidade operacional da arrumação, armazenagem e transporte de produtos. É formada pela agregação de uma determinada quantidade de volumes unitários indivisíveis, de maneira que resista aos agentes externos de caráter ambiental, f ísico, mecânico, químico, natural e humano. Gestão ambiental Tem como objetivo fazer com que seja cumprida a legislação ambiental vigente e aplicável a cada produto, que as embalagens sejam capazes de se degradar na natureza ou ainda que possam ser facilmente recicladas após cumprirem com a sua finalidade. Informações visuais das embalagens A seguir, apresentamos alguns dos mais conhecidos símbolos pictóricos da série ISO-780 que servem para marcar as embalagens, transmitindo informações visuais úteis em sua movimentação: • Unitização de cargas; • Conteinerização; • Tipos; • Dimensões; • Padronização de contêineres. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 59 Unitização de cargas e contêineres O objetivo da unitização é facilitar a movimentação, a armazenagem e o transporte, além de reduzir os custos de sua movimentação, obtendo maior produtividade operacional e gerando segurança adicional. De maneira geral, quase toda mercadoria considerada como carga geral pode ser unitizada. Veja, a seguir, os tipos de unitização utilizados na logística: Paletização Colocação de volumes homogêneos de carga (cartões, caixas, tambores, aramados etc.) sobre diferentes tipos de estrados padronizados, contendo, obrigatoriamente, aberturas com 15 cm de altura na base, destinados aos garfos das empilhadeiras, podendo ser descartáveis ou reutilizáveis. Podem ser construídos em madeira, metal, plástico, isopor ou outros materiais. O conjunto é precintado ou recoberto de filme plástico a quente (shrink wrap), formando uma unidade de carga destinada à movimentação com empilhadeiras ou paleteiras. No Brasil, os paletes são normalizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, por meio das normas NBR-8252 e NBR-8334. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 60 Big Bags Contentores flexíveis, confeccionados em tecido sintético resistente (em geral, poliéster ou náilon), tendo soldas eletrônicas em vez de costuras. São impermeabilizados com revestimento de neoprene ou borracha sintética, que sofre tratamento antifogo e proteção contra os raios ultravioleta, e utilizados para a unitização de granéis sólidos. Pré-lingagem Destina-se, primordialmente, à unitização de mercadorias embaladas em sacos, mais conhecidas como sacaria. O processo se dá pelo emprego de slings ou cintas especiais, especificamente projetadas em formato adequado a essa finalidade. São fabricadas em materiais sintéticos de alta resistência (náilon, poliéster, poliestireno etc.), podendo ser descartáveis ou reutilizáveis. Após a colocação da mercadoria, as cintas se entrelaçam, formando conjuntos compactos, surgindo em sua parte superior quatro alças destinadas ao içamento do conjunto. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 61 Contêiner Os contêineres são estruturas de aço em formato retangular com medidas padronizadas internacionalmente pela International Standardization Organization (ISO), cada qual registrado com uma numeração exclusiva que o identifica entre os demais, composta por 4 letras e 7 algarismos. É importante observar que o contêiner não é considerado embalagem, mas um acessório pertencente ao veículo transportador. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 62 O processo de colocação e arrumação de diferentes volumes no interior do contêiner é chamado de conteinerização, estufagem ou ovação. Nesse processo, é formada uma unidade indivisível, podendo ser um único lote homogêneo ou não, porém, tudo deve estar devidamente amarrado de forma segura. Já o processo inverso, quando ocorre a retirada de cargas de dentro de um contêiner, é chamado de desestufagem ou desova de contêineres. Sempre que ocorrer qualquer transferência de responsabilidade sobre um contêiner, deve-se fazer uma rápida vistoria para verificar se não há avarias que, posteriormente, lhe possam ser imputadas. No caso de ser constatada alguma avaria, ela deve ser registrada em formulário adequado, e ele deve ser assinado por quem entregou o contêiner. Tipos de contêiner, dimensões e padronização ISO Segundo o seu padrão de construção e as respectivas f inalidades a que se destinam, os contêineres podem ser agrupados em diferentes tipos: Contêineres para vias marítimas a. Carga geral: dry cargo, open top, open side, half containers, ventilados, flat rack e plataforma. b. Cargas especiais: térmicos (reefers), tanque, graneleiros. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 63 Contêineres para vias aéreas Para o transporte por via aérea também existem contêineres ou ULD (Unit Load Device) fabricados em materiais leves e formas específ icas aos espaços internos das aeronaves, bem como ao tipo de mercadoria a ser transportada. Contêineres para o transporte ferroviário Neste tipo de modal, os contêineres se transformam em vagões de carga e são, na sua maioria, fabricados em aço e resistentes o suf iciente para suportarem os esforços a que as cargas são submetidas durante o transporte. Os contêineres operados no Brasil têm comprimentos de: ∙ 10 metros (empregados no tráfego aéreo); ∙ 20 metros (destinados às cargas mais densas, ou seja, quando o peso predomina sobre o espaço ocupado); ∙ 40 metros (destinados a cargas mais volumosas, ou seja, quan- do o espaço ocupado predomina sobre o peso). A capacidade máxima de carga consta emuma placa afixada na parte inferior da porta, ali colocada pela sociedade classificadora que testou o referido contêiner. Esse limite deve ser cuidadosa- mente observado, computando-se para sempre a tara do contêiner e o peso da carga. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 64 Tipos de instalações de armazenagem e suas finalidades O que é armazenar? Armazenar é guardar uma mercadoria em um determinado local adequado, durante algum período, protegendo-a de quaisquer agentes humanos ou ambientais, preservando a sua integridade física e garantindo a manutenção de todas as suas características físicas e químicas até o momento em que a mercadoria vier a ser necessária, seja para uso próprio ou para ser entregue a clientes. A armazenagem é constituída das seguintes fases: Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 65 Recebimento Ato de examinar e conferir o material quanto à quantidade, em confronto com o documento que acompanha a entrega (nota fiscal, nota de simples remessa, fatura comercial, packing list etc.). Conferência Ato de vistoriar ou efetuar exame técnico detalhado, de forma a se certificar que o material recebido está de acordo com as características técnicas desejadas. Estocagem Arrumação do material recebido em alguma área que for adequada e previamente definida para tal finalidade, obtendo-se o melhor aproveitamento do espaço disponível dentro de parâmetros que permitam a sua rápida e segura movimentação quando necessário. Guarda Capacidade de manter o material salvaguardado de quaisquer danos f ísicos, extravios ou furtos. Conservação Capacidade de manter asseguradas as características do produto armazenado durante todas as fases entre a sua produção e o respectivo consumo. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 66 Denominam-se instalações de armazenagem todo o conjunto de espaços, em áreas cobertas ou descobertas, destinados a receber, armazenar e proteger adequadamente mercadorias soltas ou embaladas de diferentes naturezas, tipos e características, oferecendo total segurança às pessoas que lá trabalham, bem como à movimentação de equipamentos. Segundo Rodrigues (2007a), a diversidade das instalações de armazenagem é, nada menos, que o resultado das exigências que surgem pela natureza de cada mercadoria a ser alocada. A seguir, veja os tipos de instalações de armazenagens e como são utilizadas. Armazém Construção coberta, fechada por todos os lados, com portas ou docas para recebimento de mercadorias. Pode ter características diversas, conforme suas diferentes f inalidades, como: Volumes pequenos e leves Padrão supermercado, elevação da armazenagem na altura, com uso de prateleiras, estantes ou gavetas. Volumes grandes e pesados Para máquinas diversas, com construção baixa e grandes portas. Precisam ter equipamentos com capacidade de elevação suficiente para suportar a movimentação dessas mercadorias. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 67 Mercadorias refrigeradas Construções especiais, forradas com materiais isolantes, dispondo de sistema de refrigeração e câmaras frigoríf icas, de forma a possibilitar o armazenamento de mercadorias com temperaturas diferentes, mantendo-se o controle individual sobre essas temperaturas. Mercadorias deterioráveis no calor Para produtos químicos, pigmentos de tinta etc., são armazéns com sistemas de ar condicionado nas áreas de armazenagem. Galpão Construção coberta, mais simples que o armazém. Tem como finalidade a guarda de ferramentas ou materiais diversos, tais como paletes e acessórios dos equipamentos. Comumente são também utilizados como área suplementar para armazenagem rápida em momentos de grande demanda. Pátio Área descoberta nivelada, drenada e pavimentada, com vias de acesso definidas para os equipamentos de movimentação. Da mesma maneira que os armazéns, os pátios podem ter características específicas, de acordo com suas finalidades. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 68 Tanque Construção especialmente projetada para a armazenagem de granéis líquidos com diferentes características físicas e químicas, pesos específicos, viscosidade e pontos de fulgor, por exemplo, os derivados de petróleo, produtos químicos etc. Devem possuir sistemas de segurança máxima, tubulações compatíveis com os produtos a serem armazenados, sistemas para pesagem dinâmica dos fluxos e laboratório para controle de qualidade de amostras. Esse tipo de instalação de armazenagem é muito utilizado na indústria do petróleo e gás. Tanto o tanque propriamente dito quanto o conjunto de dutos e bombas podem apresentar características totalmente diferentes entre si, uma vez que são orientados às características dos produtos a serem armazenados. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 69 Unidade 3: Tipos de transportes Agora que você já entendeu a logística integrada e suas funções, conheceu os principais tipos de embalagens e entendeu a importância de transportar as cargas perigosas com os devidos cuidados, veja os tipos de transportes internacionais. Transporte terrestre internacional: rodoviário e ferroviário O tempo de trânsito internacional afeta diretamente o prazo de ressuprimento, abrangendo o tempo despendido na consolidação e manuseio, o tempo de viagem propriamente dito, os tempos Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 70 necessários aos transbordos e o tempo necessário à liberação da carga. Qualquer atraso pode paralisar uma linha de produção caso o estoque de reserva seja muito baixo. Por sua vez, a possibilidade de avarias aumenta na mesma proporção da quantidade de movimentações e transbordos. Às vezes, a fragilidade da mercadoria justif ica utilizar um modal cujo frete seja sensivelmente mais caro. Transporte rodoviário O primeiro modal terrestre que veremos aqui é o transporte rodoviário. No vídeo Transporte rodoviário abordaremos mais sobre esse assunto! Transporte ferroviário Apesar de ter seus custos fixos elevados, tanto para a implantação quanto para a manutenção, o transporte ferroviário apresenta grande eficiência energética, desde que seja 100% eletrificado, o que não é o caso no Brasil. Transporte rodoviário Para vê-lo na íntegra, acesse o curso online.Vídeo Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 71 Pelo fato de exigir via permanente (trilhos), nem sempre há disponibilidade de linhas, seja na origem ou no destino. Por suas características operacionais, só oferece vantagens quando há grande quantidade de carga a ser transportada a longas distâncias. Distância e densidade do tráfego são fatores determinantes para a viabilização da ferrovia. O parâmetro internacional usual é destinar à ferrovia lotes de mercadorias cuja distância de transporte exceda a 500 km. Portanto, pode-se afirmar que esse é o modal, por excelência, para grandes volumes de cargas. Um ponto que precisa ser considerado no transporte ferroviário é o tempo de viagem irregular, considerando as demoras para a formação da composição, paradas em terminais intermediários para carga e descarga, transferências de bitolas, congestionamentos de linhas etc. Regimes Aduaneiros Especiais e a Logística Internacional 72 Cálculo do frete Os fretes ferroviários normalmente têm por base a quilometragem a ser percorrida, combinada com o peso da carga. O frete será calculado considerando os seguintes fatores: • Frete básico; • Taxa ad valorem; • Taxa de expediente. Transporte aéreo O transporte aéreo é, sem dúvida, o modal mais rápido, mas o seu custo tende a ser bastante elevado, pois são utilizados equipamentos muito caros, as instalações dos terminais são altamente sofisticadas e a eficiência energética é reduzida. Ad valorem O ad valorem (ou frete valor) é uma taxa cobrada dentro da tabela de fretes que representa o custo do seguro da carga. Seu cálculo é feito pela