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AULAS DE 1 A 10 - Contabilidade Tributária(1)

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definido na Carta Magna, o modelo substituição tributária ainda é objeto de debates e questionamentos judiciais. A maior parte dos contribuintes alega não existir ainda o fato gerador para pagamento do tributo referente ao contribuinte substituído. 
A principal característica da substituição tributária é a retenção (maioria das vezes) do imposto pelo fabricante, no momento da venda para o atacadista, distribuidor ou comerciante varejista. A substituição tributária será utilizada somente para os produtos previstos na legislação aplicada a cada estado da Federação, sujeitos ao regime. Assim, cada estado define os produtos que serão cobrados de forma antecipada em seu território.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o refrigerante é um produto sujeito a substituição tributária, o que significa que as indústrias localizadas no estado devem recolher o ICMS próprio e também o ICMS (presumido) de comerciantes varejistas localizados no Rio de Janeiro ou nos estados que façam parte do Protocolo para aplicação deste regime nas operações inte​restaduais.
Assim, mesmo que o consumidor adquira um refrigerante em local remoto terá a convicção da tributação do ICMS sobre aquele produto, pois o recolhimento foi feito pela indústria, no momento da venda para o distribuidor, que se encarregou de revender o produto para o bar.
Suponha que a Cia. Sol seja uma indústria de cervejas localizada no Estado do Rio de Janeiro e venda seu produto para três contribuintes, sendo um localizado no próprio Estado do Rio, outro em São Paulo e um terceiro contribuinte localizado na Bahia. Caso o Estado da Bahia não faça parte do protocolo para recolhimento do ICMS pelo regime de substitui​ção tributária para este produto, a Cia. Sol não deverá reter o ICMS na condição de substituto da empresa lá localizada. Contudo, deverá reter e recolher o imposto dos outros dois contribuintes, recolhendo a parte do contribuinte localizado em São Paulo no agente arrecadador designado por aquele estado.
Contribuintes
No sistema de substituição tributária existem o contribuinte substituto e o contribuinte substituído. Por exemplo, quando uma indústria de sorvete vende seus produtos para uma rede de supermercados, ela já cobra o ICMS que seria devido por ocasião da venda do sorvete para o consumi​.:lar final. Assim, a indústria é o contribuinte substituto. O supermercado, -: substituído. O consumidor final não é nem substituto e nem substituído. '\a prática, é ele quem assume o ônus do imposto.
O contribuinte substituído não será responsável, caso o contribuinte substituto não recolha o imposto retido na operação de venda com este contribuinte. Ele somente será responsabilizado se o ICMS não for retido na operação, o que poderá ser facilmente identificado através da nota fiscal.
Fato Gerador Presumido
Nas vendas de produtos sujeitos a substituição tributária, verifi​ca-se a existência de duas realidades distintas, sobretudo por este regime abranger duas operações, quais sejam: a operação própria, onde existe o fato gerador e as operações posteriores, onde o fato gerador ainda irá acontecer.
Sobre a operação própria do contribuinte substituto, não há ques​tionamento, pois o fato gerador ocorreu de forma efetiva, fazendo nascer a obrigação tributária de pagar o imposto.
Por outro lado, nas operações subseqüentes, ainda não se verifica a ocorrência concreta da hipótese de incidência, abstratamente prevista na Lei. Neste caso, cobra-se o tributo de forma antecipada, sem, no entanto, observar o acontecimento do fato gerador efetivo da obrigação tributá​ria. Na realidade, presume-se que esta hipótese de incidência (revenda) irá ocorrer no futuro.
Exemplo: 
Suponha dois contribuintes, uma Cia. Industrial, que processa e vende determinado produto, incluído na legislação de substituição, e a Cia. Varejista, sendo ambas localizadas no mesmo estado, com alíquota de 18% para o produto. A margem de lucro definida em Lei para fins de substituição tributária do produto será de 25%. A Cia. Industrial vende R$4.000 de produtos para a Cia. varejista, sendo a primeira a substituta que deverá recolher o ICMS por substituição tributária.
O ICMS próprio será de R$720, admitindo que a empresa não possua crédito do imposto. Este valor é devido, não há dúvida, pois existiu o fato gerador que foi a venda dos produtos.
O ICMS substituição tributária será recolhido também pela Cia.Varejista, pelo valor de R$180 (18% de R$1.000). O cálculo foi feito da seguinte forma:
�
BASE: R$ 4.000 x 1,25 = R$5.000 x 18%................................R$900
(-) O ICMS (PRÓPRIO) PAGO PELA CIA.VAREJISTA...................R$720
(=) ICMS DEVIDO COMO SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA..............R$180
Assim, a nota fiscal de venda da Cia. Industrial a Cia. Varejista será emitida pelo valor total de R$ 4.180, sendo destacados na nota fiscal tanto o ICMS próprio (valor de R$ 720) como o do comprador, no valor de R$180, sendo retido e recolhido pela vendedora. Os registros contábeis da venda são os seguintes:
�
CIA. INDUSTRIAL:
Débito: Clientes....................................R$4.180
Crédito: Receita de Vendas....................R$4.180
Débito: ICMS s/ Vendas.........................R$720
Débito: ICMS por Substituição...............R$180 
Crédito: C/C ICMS................................R$900
CIA. VAREJISTA:
Débito: Mercadorias..............................R$4.180
Crédito: Fornecedores...........................R$4.180 
A substituição tributária não alterou o resultado da operação de venda, onde a empresa substitu​ta apenas assume a obrigação de ser a responsável pelo recolhimento do ICMS, que seria devido pelo varejista. Este, por sua vez, não terá nenhum valor de ICMS a Recuperar, já que o fato gerador foi presumido, ou seja, uma provável venda ao consumidor final pelo preço total de R$ 5.000.
O problema é que nem sempre a venda ocorre exatamente pelo va​lor presumido pelo legislador. Em alguns casos, a venda nem acontece.
Se houver devolução de vendas, a Industrial poderá registrar a parcela devolvida no ativo, como crédito de ICMS. Caso a venda não seja realizada em virtude de perda, roubo, quebra ou extravio, a compradora po​derá pedir restituição do ICMS cobrado na aquisição.
IPI, Frete, Desconto e o ICMS ST
A base de cálculo do ICMS contempla os gastos com frete e segu​ro, quando incluídos na nota fiscal, além de considerar os descontos incon​dicionais concedidos em no documento fiscal. Já o IPI não faz parte da base do ICMS, pelo menos nas operações entre empresas contribuintes do imposto.
Então, admita-se a venda de mercadorias da indústria de um estado para uma empresa comercial em outro estado, por R$30.000, com IPI de 10%, frete e seguro de 5% e ICMS de 18%, cuja discriminação é seguinte:
(+) Preço de Venda........................R$30.000
(+) Frete e Seguro.........................R$ 1.500
(+) IPI..........................................R$ 3.150
(=) PREÇO FINAL...........................R$34.650
A base de cálculo do ICMS seria R$31.500, pois o produto é para revenda, bem como considera o frete e o seguro. Apenas o IPI, dentre os itens descritos, fica de fora. O ICMS próprio, no caso, seria de 18% de R$31.500, no montante de R$5.670.
Para aplicação da Margem de Valor Agregado (MVA), para fins de cálculo do ICMS ST, são considerados o frete, o seguro e o IPI, não con​siderando o desconto incondicional. Portanto, admitindo que o produto vendido pela Indústria seja objeto de substituição tributária e que a MVA seja 30%, o cálculo do ICMS ST seria o seguinte:
BASE DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA
Preço de Venda.......................................................R$30.000,00
Frete e Seguro........................................................R$ 1.500,00
ICMS PRÓPRIO (18%)..............................................R$ 5.670,00
IPI.........................................................................R$ 3.150,00
BASE p/ APLICAÇÃO MVA.........................................R$34.650,00

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