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AULAS DE 1 A 10 - Contabilidade Tributária(1)

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do patrimônio e de seus resultados. 
RESPONSABILIDADE DO CONTADOR
Conforme já observado a carga tributária no Brasil é uma das mais elevadas do mudo e o nosso sistema é um dos mais complexos, deixando empresários e executivos extremamente preocupados com os custos dos tributos incidentes, manutenção e cumprimento de obrigações acessórias, estas últimas demandando grande esforço organizacional para gerir toda a estrutura necessária ao completo acompanhamento e procedimentos necessários. Com base nestes argumentos, nas últimas décadas a gestão tributária passou a ter peso estratégico nas organizações de qualquer porte, independentemente da atividade econômica desenvolvida. Assim, os gestores, além de enfrentar todas as ameaças e flutuações das variáveis econômicas do dia-a-dia das organizações, tem que suportar um alto custo tributário, que quando mal acompanhado inviabiliza o negócio. Nesse ambiente, os contadores precisam de profundos conhecimentos da legislação tributária e procedimentos contábeis vinculados a apuração e registro dos inúmeros institutos tributários, assumindo vital importância e grande responsabilidade na sobrevivência organizacional.
RESPONSABILIDADE LEGAL
Nos termos da legislação cível e comercial vigente, a escrituração contábil é de responsabilidade dos contabilistas legalmente habilitados. Estas normas visam a defesa dos interesses dos proprietários, sócios, credores e outros interessados nas atividades organizacionais. Não obstante, para atender aos interesses da arrecadação, a legislação tributária constantemente se reporta às legislações citadas e aos princípios contábeis no intuito de resguardar os interesses da fazenda. Pode-se citar como exemplo a Legislação do Imposto de Renda, que determina a adoção da Legislação Comercial e Fiscal, no que tange a correta escrituração de todas as operações realizadas pelo contribuinte, apuração de resultados, critérios de reconhecimento contábil e de avaliação de estoques, bem como os tipos de inventário permitidos nos segmentos comercial e industrial.
Neste contexto, caracteriza-se como crime a elaboração e assinatura de qualquer documento ou demonstrativo contendo informações inverídicas, tendenciosas ou eivadas de má fé. Também é considerado crime, a elaboração de demonstrativos divergentes dos registros nos livros oficiais da entidade ou suportados em escrita, sem a devida documentação comprobatória ou desqualificada para tais registros. 
ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
As pessoas jurídicas devem manter escrituração com observância das leis cíveis, comerciais e fiscais, devendo abranger todas as operações, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, sendo facultado às pessoas jurídicas que possuírem filiais, sucursais ou agências manter contabilidade não centralizada, devendo incorporar ao final de cada mês, na escrituração da matriz, os resultados de cada uma delas.
Processamento Eletrônico de Dados 
Os livros comerciais e fiscais poderão ser escriturados por sistema de processamento eletrônico de dados, em folhas contínuas, que deverão ser numeradas, em ordem seqüencial, mecânica ou tipograficamente.
Falsificação da Escrituração 
A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstrações contábeis, que tenham por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber.
Livros Comerciais
A pessoa jurídica é obrigada a seguir ordem uniforme de escrituração, mecanizada ou não, utilizando os livros e papéis adequados, cujo número e espécie ficam critério da organização.
Livro Diário 
O Livro Diário é obrigatório a todas organizações, devendo ser encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica, devendo conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos.
Os livros auxiliares, tais como Caixa e Contas-Correntes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. 
No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.
Livro Razão 
A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação, cuja a escrituração deve ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações.
A não manutenção do livro, nas condições legais determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica.
Livros Fiscais
As pessoas jurídicas, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverão possuir os livros de acordo com as legislações específicas de cada tributo, como por exemplo a legislação do imposto de renda determina a adoção de livros como: Registro de Inventário; Registro de Entradas (compras); LALUR ou LALUC; Registro Permanente de Estoque; Movimentação de Combustíveis, entre outros. Apresentamos na tabela abaixo uma relação de livros com parte dos livros fiscais obrigatórios a serem escriturados pelos contribuintes.
	Tipo
	Modelo
	Contribuinte
	Registro de Entradas
	1
	IPI e ICMS
	Registro de Entradas
	1-A
	ICMS
	Registro de Saídas
	2
	IPI e ICMS
	Registro de Saídas
	2-A
	ICMS
	Registro de Controle da Produção e Estoque
	3
	Indústrias
	Selo Especial de Controle
	4
	Produtores de cigarros, bebidas, relógios, etc.
	Registro de Impressão de Doc. Fiscais
	5
	ICMS
	Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências
	6
	ICMS
	Registro de Inventário
	7
	ICMS e IPI
	Registro de Apuração de IPI
	8
	IPI
	Registro de Apuração do ICMS
	9
	ICMS
	Controle de Crédito de ICMS (Imobilizado)
	
	IPI e ICMS
	Movimentação de Combustíveis
	
	Distribuidores e Postos
	Notas Fiscais de Serviços Prestados
	51
	Prestadores de serviços
	Notas Fiscais-Faturas de Serviços Prestados
	53
	Prestadores de serviços
	Movimento Diário de Ingressos em Diversões Públicas
	54
	Prestadores de serviços
	Recebimento de Impressos Fiscais e Termos de Ocorrência
	57
	Prestadores de serviços
	Impressão de Documentos Fiscais
	58
	Prestadores de serviços
	LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real
	
	IRPJ – Lucro Real
	LALUC – Livro de Apuração do Lucro Contábil
	
	IRPJ – SAs
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES (Art. 292 a 296 - RIR/99)
O Regulamento do Imposto de Renda dispõe que ao final de cada período de apuração a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques, considerando como tal:
As mercadorias ou produtos prontos para a venda;
Os produtos em processamento;
Materiais de embalagem;
As matérias-primas e os bens em almoxarifado.
Os bens acima devem ser avaliados pelo custo de aquisição, enquanto os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção.
A entidade que mantiver sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados, neste caso é considerado sistema de contabilidade