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1. Visão Geral: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário 
● Epidemiologia: A grande maioria dos casos cirúrgicos (85%) envolve o trato 
urinário inferior (bexiga e uretra) e são patologias obstrutivas. 
 
2. Urolitíase (Cálculos Vesicais) 
Desordem metabólica comum com alta taxa de recorrência. 
● Tipos de Cálculos (Mais Comuns): 
○ Estruvita (47,6%) e Oxalato de Cálcio (37,9%) são a grande maioria. 
○ Outros: Urato (Purina), Cistina, Sílica. 
● Fatores Predisponentes: 
○ Baixa ingestão de água e supersaturação da urina. 
○ Dietas ricas em minerais/proteínas e distúrbios metabólicos. 
○ Infecção do trato urinário (ITU). 
● Sinais Clínicos: 
○ Hematúria (sangue na urina), Polaciúria (micções frequentes em pouca 
quantidade), Disúria (dor) e Estrangúria (micção lenta e difícil). 
● Complicações Graves (Atenção redobrada aqui): 
○ Obstrução gerando azotemia pós-renal. 
○ Hipercalemia (aumento de potássio) e acidose metabólica. 
● Tratamento Cirúrgico (Cistotomia): 
○ É preferível retroceder o cálculo para a bexiga (urohidropropulsão) e fazer a 
Cistotomia do que abrir a uretra (Uretrotomia). 
○ Regra de Ouro do Pré-Operatório: Deve-se corrigir a hipercalemia e a 
azotemia antes da cirurgia, além de iniciar antibioticoterapia. 
 
3. Ruptura de Bexiga (Alta incidência em provas) 
● Causas: Traumas externos (atropelamento), internos (sondagem incorreta), 
obstrução uretral crônica ou neoplasias. Uma bexiga cheia rompe mais fácil no 
impacto por agir como um órgão macio. 
● Pegadinha Clássica: O fato de o paciente conseguir urinar não descarta a ruptura 
da bexiga (pode ser uma ruptura pequena e dorsal). 
● Diagnóstico Definitivo (Líquido Abdominal vs. Sangue): 
○ Potássio e Ureia estarão altos em ambos. 
○ A Creatinina estará muito mais elevada no líquido abdominal do que no 
sangue. 
● Manejo e Estabilização (Ponto Crítico): 
○ NÃO é uma urgência cirúrgica imediata!. 
○ A prioridade absoluta é corrigir o desequilíbrio eletrolítico (principalmente a 
hipercalemia) e a uremia antes de anestesiar. Utiliza-se fluidoterapia (NaCl 
0,9%), insulina/glicose ou gluconato de cálcio. 
 
4. Obstrução e Estenose Uretral 
● Sinais Clínicos de Obstrução: Anúria, distensão abdominal, tenesmo e sinais de 
uremia (vômito, depressão, desidratação). 
● Estenose Uretral (Estreitamento): 
○ Causada por fibrose secundária a uretrites, cirurgias prévias ou traumas 
(mordeduras). 
● Intervenções Cirúrgicas na Uretra: 
○ Uretrotomia (ex: Pré-escrotal): Abertura temporária da uretra (geralmente 
para retirar cálculos alojados). 
○ Uretrostomia (ex: Escrotal): Criação de uma abertura permanente 
(estoma). É o tratamento definitivo indicado para resolver estenoses 
extrapélvicas. 
RESUMO: HÉRNIA PERINEAL EM CÃES 
1. O Que É e Predisposição (Muito cobrado!) 
● Conceito: Consiste no enfraquecimento e separação da musculatura do diafragma 
pélvico, permitindo a passagem de órgãos (gordura, reto, próstata, bexiga) para a 
região sob a pele ao redor do ânus. 
● Perfil Clássico: Cães machos, idosos e NÃO castrados. Acredita-se que 
hormônios testiculares causem atrofia da musculatura, logo a castração 
(orquiectomia) é passo fundamental do tratamento. 
2. Sinais Clínicos e Diagnóstico 
● Aumento de volume na região perineal. 
● Dificuldade e dor para defecar (tenesmo/disquesia) e constipação (devido ao desvio 
do reto). 
● ALERTA (Emergência): Sinais urinários como disúria ou anúria indicam retroflexão 
da bexiga para dentro da hérnia. 
● Diagnóstico: O toque retal é o exame de eleição (identifica o desvio do reto e a 
falha muscular). Ultrassom e RX ajudam a confirmar o conteúdo herniado. 
3. Conduta Cirúrgica (Dicas do Material) 
O material de estudo destaca etapas vitais da cirurgia: 
● A escolha técnica cirúrgica correta é o ponto de partida. 
● Fazer sutura em bolsa de fumo no ânus antes de iniciar a cirurgia, lembrando de 
retirá-la ao final. 
● Utilizar bonecas de gaze para auxiliar na redução (reposicionamento) do conteúdo 
da hérnia. 
● Sondar o paciente antes de começar. 
● Utilizar agulha de circunferência para facilitar a sutura muscular. 
● Manobra de Sutura: Passar todos os fios na musculatura primeiro e anodar 
(amarrar) somente depois. 
● Teste de Segurança: Ao terminar, retirar a sonda e passar novamente para checar 
se há resistência, o que garante que a uretra não foi suturada por acidente. 
4. Principais Complicações Pós-Operatórias 
As complicações destacadas pela professora incluem: 
● Deiscência (abertura dos pontos cirúrgicos) e Infecção. 
● Lesão em ramificações nervosas importantes: nervo isquiático ou nervo pudendo. 
● Incontinência, que pode ser tanto fecal quanto urinária. 
● Erro de técnica resultando em suturas acidentais no lúmen do reto ou nos sacos 
anais. 
● Necrose da vesícula urinária (bexiga), geralmente consequência de uma 
retroflexão grave não tratada rapidamente. 
● Recorrência (recidiva) do quadro herniário. 
5. Prognóstico e Recidivas 
● Quanto mais precoce for realizada a correção cirúrgica, mais favorável será o 
prognóstico. 
● Em casos em que ocorreu a retroflexão da bexiga, o prognóstico é reservado. 
● Fator Castração: A taxa de recorrência tem se mostrado 2,5 vezes maior em cães 
que não são castrados, tornando o procedimento obrigatório. 
● Em caso de recidivas, a conduta indicada é reoperar, aguardando o tempo 
adequado para a recuperação dos tecidos antes da nova intervenção. 
RESUMO: Hérnias Abdominais 
1. CONCEITOS BÁSICOS E CLASSIFICAÇÃO 
● O que é: Falha na integridade da cavidade abdominal que permite a protrusão de 
órgãos ou tecidos para o subcutâneo. 
● Classificação por Origem: 
○ Externa: Defeito na parede externa do abdômen. 
○ Interna: Deslocamento por um anel dentro da própria cavidade abdominal, 
como as hérnias diafragmáticas e hiatais. 
● Classificação Funcional (MUITO COBRADO EM PROVA): 
○ Redutível: O conteúdo manipulado consegue retornar ao seu local de 
origem. 
○ Irredutível - Encarcerada: O conteúdo sai pelo anel, mas não consegue 
voltar. 
○ Irredutível - Estrangulada: É o encarceramento associado ao corte do 
suprimento sanguíneo (isquemia). Causa necrose e risco de morte. 
○ Atenção: Quanto menor o diâmetro do anel em relação ao conteúdo, maior a 
probabilidade de estrangulamento. 
2. ANATOMIA DE UMA HÉRNIA 
A hérnia possui 3 partes principais: 
1. Anel Herniário: O limite anatômico do defeito na musculatura. Pode ser natural ou 
adquirido. 
2. Conteúdo Herniário: O órgão que protrui. O intestino é o mais comum (devido à 
mobilidade), seguido por bexiga, útero e omento. 
3. Saco Herniário: Camada de peritônio que envolve o conteúdo. PEGADINHA DE 
PROVA: O saco herniário é ausente em hérnias traumáticas agudas. Suas partes 
são: orifício (entrada), colo (porção mais estreita), corpo e fundo. 
3. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL (Conceito Essencial) 
Saber diferenciar essas três condições é vital: 
● Hérnia: Possui pele íntegra e origem a partir de um defeito anatômico pré-existente. 
● Eventração: Possui pele íntegra, mas tem origem em um trauma ou cirurgia. É 
considerada uma "falsa hérnia", pois as vísceras passam por uma ruptura muscular 
onde não havia cavidade. 
● Evisceração: Evolução grave onde a pele é rompida e as vísceras ficam expostas. 
É uma emergência absoluta. 
4. ETIOLOGIA E PREDISPOSIÇÃO (Perfil Clínico) 
● Umbilical: Comum em bovinos jovens ou associada ao aumento de pressão 
intra-abdominal (tosse, gestação, timpanismo). 
● Inguinal: Comum em cadelas e rara em cães machos e gatos. Associada a 
obesidade, gestação ou tumores mamários. 
● Perineal: Relacionada a desequilíbrio hormonal, constipação crônica e 
enfraquecimento do diafragma pélvico. Nota de Tratamento: A castração costuma 
ser realizada de forma conjunta. 
● Diafragmática: Anomalia congênita ou adquirida por trauma violento. Causa 
ocupação de espaço no tórax e interfere na expansão pulmonar. 
5. ABORDAGEM E TRATAMENTO CIRÚRGICO 
● O tratamento padrão é cirúrgico (herniorrafia). 
● Redução Fechada: O conteúdo éempurrado de volta para a cavidade e o saco 
herniário é ligado, torcido ou simplesmente empurrado para dentro (enfossamento). 
Tem maior risco de recidiva. 
● Redução Aberta: Exige a abertura do saco herniário. É obrigatória em casos de 
aderências, mas carrega maior risco de causar peritonite. 
● Alertas de Emergência: Hérnia inguinal contendo útero com piometra (risco de 
toxemia/ruptura) ou bexiga (causa retroflexão e bloqueio urinário) exigem 
intervenção imediata. 
 
 
	1. Visão Geral: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário 
	2. Urolitíase (Cálculos Vesicais) 
	3. Ruptura de Bexiga (Alta incidência em provas) 
	4. Obstrução e Estenose Uretral 
	1. CONCEITOS BÁSICOS E CLASSIFICAÇÃO 
	2. ANATOMIA DE UMA HÉRNIA 
	3. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL (Conceito Essencial) 
	4. ETIOLOGIA E PREDISPOSIÇÃO (Perfil Clínico) 
	5. ABORDAGEM E TRATAMENTO CIRÚRGICO