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Design thinking e experiência do usuário A disciplina Design Thinking e experiência do usuário aborda aspectos atuais, de grande relevância e adaptabilidade a diferentes contextos organizacionais, dos quais profissionais de diversas áreas fazem parte, independentemente do nível hierárquico que ocupam na organização. Para compreender a relevância deste conteúdo é necessário descrever alguns termos que, por si só, já apresentam sua importância. Design é o processo que conduz uma informação do campo das ideias para o campo da prática, tendo como input a criatividade e a inteligência coletiva e, como output, novas soluções que podem ser produtos, serviços ou mesmo (novos) modelos de negócios. Já Thinking está ligado à arte de pensar, em um movimento de divergência e convergência de ideias, que passeiam pelo fértil campo dos conhecimentos sobre um tema. Assim, o Design Thinking ou, em tradução literal, “pensamento de design”, é uma metodologia, que, na prática, busca encontrar o modelo exato de uma solução, unindo recursos humanos e tecnológicos e aplicando-os nos negócios (LEWRICK; LINK; LEIFER, 2019). Saiba Mais LEWRICK, M.; LINK, M.; LEIFER, P. A Jornada do Design Thinking: transformação digital prática de equipes, produtos, serviços, negócios e ecossistemas. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. (Disponível em Minha Biblioteca) Do outro lado há a experiência do usuário, que se une com a metodologia, uma vez que, por meio desta experiência, é possível atender às principais necessidades, desejos e limitações do cliente, e a partir daí, gerar soluções de alto valor agregado. No cenário profissional, esta disciplina contribui de forma direta para a construção e experimentação do melhor caminho para potencializar a capacidade de inovação e competição das organizações, buscando, a partir da metodologia do Design Thinking, um ponto de equilíbrio entre as necessidades da empresa e do cliente (BROWN, 2020). Saiba Mais BROWN, T. Design Thinking – Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Atlas Books, 2020. (Disponível em Minha Biblioteca) Objetivos Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de: • Discutir conceitos, características e aspectos chave sobre criatividade, inovação aplicada a negócios, Design Thinking e experiência do usuário. • Conhecer elementos da fase de empatia para identificação de aspectos chave da proposta de solução do problema. • Sistematizar elementos da fase de ideação para a identificação de aspectos chave da proposta de solução do problema. • Conceber elementos da fase de prototipagem e teste da solução para identificação de aspectos chave da proposta de solução do problema. Conteúdo Programático Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades: • Unidade 1 – Da ideia à inovação nos negócios: entendendo métodos e personas • Unidade 2 – Fases 1 e 2 do DT: empatia/definição do problema • Unidade 3 – Fase 3 do DT: ideação • Unidade 4 – Fases 4 e 5 do DT: prototipagem/ teste da solução Autoria Morjane Armstrong Santos de Miranda Bacharel em Secretariado Executivo pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (2007). Bacharel em Administração pela Universidade Estácio de Sá – Unesa ( 2017), tendo gerado como TCC artigo sobre processo de inovação em empresas de tecnologia (publicado no ENANPAD 2017). Especialista em Relações Internacionais pela UFBA (2009). Mestre em Administração pela UFBA (2013), cujo tema da dissertação versou sobre interação universidade – empresa – governo para inovação (artigo publicado em revista). Doutora em Administração pela UFBA (2018), tendo como tese a investigação da gestão da informação no processo de inovação em MPES de serviço de tecnologia (artigo publicado em evento internacional, nacional e revista). Atualmente é docente em ensino superior nas áreas de Tecnologia, Inovação e Competitividade na UFBA, SENAI CIMATEC e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA, pesquisadora do grupo de pesquisa Oficina do Saber (SENAI CIMATEC) e do Grupo de Pesquisa NACIT - Núcleo de Política e Administração em Ciência e Tecnologia (EAUFBA). Mentora em modelos de negócios (SEBRAE/GRUPO REDE MAIS). Autora do Podcast EmpreendAê (Spotify) e das Lives Cola Comigo (@empreenderufba) Linktr.ee: https://linktr.ee/Morjane.ssa (morjanessa@gmail.com) https://linktr.ee/Morjane.ssa Da ideia à inovação nos negócios: entendendo métodos e personas Criatividade é algo que todos apreciam, mas que poucas pessoas possuem ou sabem como desenvolver. Na verdade, muitas pessoas acham que isso nem é para todo mundo, mas o que elas não sabem é que, uma vez decidindo ser criativo e praticando bastante, isso pode dar muito certo! Confrontos estimulam um olhar sob diferentes perspectivas para o mesmo objeto. É no confronto que saberes e experiências são requisitados, a fim de pensar de forma criativa em resoluções para um mesmo problema. Nos processos de inovação (melhoria nova ou significativa em produtos, serviços e processos), que são inerentes às organizações e à vida do indivíduo em geral, ideias são a semente para a jornada de criação do novo, reveladas por meio de uma opinião, um ponto de vista ou conhecimento. Uma vez tendo explorado o campo das ideias, vistas como um meio (visão) para se chegar a um fim (inovação), é importante utilizar métodos adequados que as refinem de forma criativa, a exemplo do Design Thinking. Aqui, entender com clareza os objetivos e as ferramentas que viabilizam cada etapa é crucial para que a entrega de valor se torne possível. As ideias de design precisam, entretanto, ser apresentadas e articuladas para testar a receptividade do público-alvo e ganhar a aprovação do cliente. Neste ponto, a definição, entendimento e desenho das personas que serão impactadas pela inovação é o aspecto chave que precisa ser compreendido e experimentado. Então agora o palco de inovações é a vida e o mundo dos negócios, as ferramentas de trabalho são as ideias e a criatividade, e o mágico é você. A transição da ideia para a inovação está em suas mãos, aproveite! Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Discutir conceitos, características, aspectos chave e gatilhos sobre criatividade, inovação aplicada a negócios, Design Thinking e experiência do usuário. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 - Criatividade e inovação • Tema 2 - Design Thinking • Tema 3 - Experiência do usuário “ Os grandes pensadores aos quais devo tanto, não são como mostram os livros de luxo sobre pioneiros, mestres e ícones do design moderno. Eles não eram membros minimalistas ou esotéricos da fechada elite do design. Eles foram inovadores criativos capazes de fechar o abismo entre pensar e fazer porque eram apaixonados pela meta de criar uma vida melhor e um mundo melhor. Hoje em dia, temos a oportunidade de seguir o exemplo deles e liberar o poder do design thinking como uma forma de explorar novas possibilidades, criar novas escolhas e levar novas soluções para o mundo! (BROWN, Tim, 2020. Tradução de apresentação em “Design Thinking”, por Renato Braga Fernandes) ” https://www.coursehero.com/file/41616611/1-design-thinking-renato-bragapdf/ Tema 1 Criatividade e inovação Como a criatividade pode impulsionar a inovação nas organizações? Criatividade é a capacidade de criar coisas novas e de gerar novas ideias, seja a partir do que já existe ou baseada em um pensamento futurista. Ela não é um elemento restrito a um grupo seleto de pessoas, e muito menos um dom inato e impossível de ser desenvolvido. A criatividade é o fruto de uma menteaberta a dados e informações que vêm e vão nas mais variadas direções e campos de conhecimento. A criatividade requer a integração de diferentes recursos e habilidades que conversam entre si: habilidades intelectuais, conhecimento, estilos de pensamento, personalidade, motivação e ambiente (STERNBERG, 2005). Saiba Mais STERNBERG, R. J. The WICS Model of giftedness. In: STERNBERG, R. J.; DAVIDSON, J. R. (org.). Conceptions of giftedness. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, p. 327- 343, 2005. Apesar de cada pessoa apresentar níveis diferentes desses recursos, a decisão de usá-los é a fonte mais importante de diferenciação entre os ditos criativos e não criativos, funcionando, de diferentes formas, como um gatilho para a atuação criativa do indivíduo. A seguir alguns elementos de gatilho. As habilidades intelectuais no campo da criatividade referem-se à capacidade de sair do pensamento convencional na análise de problemas, reconhecer as melhores ideias e ter poder de persuasão para apresentação delas. Já o conhecimento refere- se ao aprofundamento de informações acerca do campo de estudo e análise, o que torna possível o seu avanço. Os estilos de pensamento são o modo como cada indivíduo decide usar sua habilidade. Na essência, são decisões sobre como empregar as habilidades disponíveis. A personalidade retrata características pessoais inatas ao indivíduo que potencializam sua ação criativa, tais como disposição para riscos e ambiguidades. Em contrapartida, a motivação não é algo intrínseco ao sujeito, e precisa ser estimulada por elementos externos, porém mediante aceitação interna. Por fim, o sujeito precisa de um ambiente que o apoie e recompense pelas ideias criativas, especialmente para garantir que, tendo ou não as demais habilidades, a criatividade floresça a contento. No universo das organizações, a criatividade pode ser descrita desta forma: “ Criatividade é a geração de ideias, processos, produtos e/ou serviços novos (para aquele indivíduo/grupo ou naquele contexto) que possam produzir alguma contribuição valiosa para a organização e/ou para o bem-estar das pessoas que trabalham naquele contexto e que possuam elementos essenciais à sua implementação. (BRUNO; FARIA, 2003, p. 117) ” Saiba Mais BRUNO-FARIA, M. F. Criatividade, inovação e mudança organizacional. In: S. M. V. Lima (ed.), Mudança Organizacional: Teoria e gestão. Rio de Janeiro: FGV, 2003. Cap. 3. Ao contrário da criatividade, que é uma habilidade altamente (porém não exclusivamente) cognitiva, a inovação é um processo. No contexto das organizações, inovar é sinônimo de adaptação, sempre tendo em vista formas diferentes de gerar produtos e serviços comercializáveis, levando em conta o componente comercial/econômico (PORTER, 1990). Saiba Mais PORTER, M., The Competitive Advantage of Nations. Free Press: New York. 1990. As oportunidades de inovação são identificadas de diversas maneiras, caracterizando o que chamamos de gatilhos para inovação. Neste caso, os gatilhos podem advir de fontes internas, como experiência pessoal, hobbies, motivações e paixões próprias, ou fontes externas, como diferentes modelos de negócios, questões de impacto mundial (ex.: socioambientais); novas tecnologias e outros fatores em destaque no mercado. Embora com conceitos diferentes, a criatividade e a inovação são altamente complementares, senão indispensáveis uma à outra. Enquanto a criatividade é a capacidade de produzir ideias novas e inéditas, o conceito de inovação se refere à concretização dessas abstrações. Esse caminho trilhado de forma conjunta possibilita que a organização impacte a sociedade de forma radical ou incremental e em diferentes níveis de abrangência (novo para a empresa, o mercado ou mesmo o mundo). Nesta concretização, a inovação pode se materializar das seguintes formas (OCDE, 2005): Saiba Mais ORGANIZAÇÃO para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Tradução: FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, 2005. 136 p. • Inovação em produto: melhorias incrementais (um aperfeiçoamento) ou estruturais (algo completamente novo) nas características e funcionalidades de um produto. • Inovação em processo: melhorias incrementais (um aperfeiçoamento) ou estruturais (algo completamente novo) em um método de produção, ou logístico, ou, ainda, na composição da matéria-prima, equipamentos e/ou softwares. • Inovação em marketing: melhorias incrementais (um aperfeiçoamento) ou estruturais (algo completamente novo) na forma de relacionamento com o cliente, seja na sua aquisição ou retenção ao negócio. • Inovação organizacional: melhorias incrementais (um aperfeiçoamento) ou estruturais (algo completamente novo) nos métodos de gestão dos recursos físicos (ex.: maquinário) e intelectuais (ex.: colaboradores) da organização. Em síntese, empresas que conseguem sintonizar profissionais criativos, capazes de gerar ideias de forma contínua e disruptiva, com uma cultura de inovação consistente, conseguem sair do campo abstrato da imaginação para o campo concreto das soluções inovadoras, a partir das técnicas e metodologias mais efetivas. Tema 2 Design Thinking Como o método do Design Thinking pode ser aplicado a negócios? Sair da zona de conforto, converter necessidades em demanda, desenhar uma matriz mental, (re)construir para pensar, submergir com novas soluções e divulgar a mensagem são algumas ações que contemplam a metodologia do design, que tem sido amplamente utilizada para explorar cenários, entender problemas e pensar soluções (BROWN, 2020). Saiba Mais BROWN, T. Design Thinking – Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Atlas Books, 2020. (Disponível em Minha Biblioteca) O método do Design Thinking, embora pareça tão disruptivo e moderno, nasceu na década de 1970, em um período em que valores como empatia e altruísmo fundamentaram o pensamento de muitos estudiosos e colegas de profissão. O Design Thinking se apresenta como uma metodologia que converge características e funcionalidades de produtos e serviços com as necessidades emergentes do cliente. Em outras palavras, a metodologia transforma desafios em oportunidades, na medida em que a inovação gerada a partir do método preenche lacunas e necessidades do usuário. Entretanto, o Design Thinking vai além da estética de produtos ou serviços. No mundo dos negócios, esse conceito está relacionado à inovação. Para tanto, ele demanda dos atores organizacionais uma nova forma de pensar e enxergar o mundo, agora usando a lente dos designers para cumprir tal tarefa (AMBROSE; HARRIS, 2010). Saiba Mais AMBROSE, G.; HARRIS, P. Basic Design 08. Design Thinking. Seatle Pacific University. Singapore: AVA Book Production Pte. Ltd., 2010. Imagine o contexto das organizações e de mercado, cercado por contingências de toda natureza (aspectos políticos, econômicos, sociais, legais, ambientais, tecnológicos etc.), por necessidades ilimitadas dos clientes (inclusive por conta do constante estímulo à demanda) e por recursos físicos e intelectuais internos cada vez mais escassos. Não parece um cenário simples de interpretar e por onde caminhar, não é? Na verdade, isso é mais comum do que se imagina, e é exatamente aí que entra a necessidade de metodologias que consigam transformar problemas em oportunidades de inovação e encontrar novas e disruptivas soluções de impacto organizacional, sejam focadas no cliente interno (colaboradores) ou externo (consumidores). Neste contexto, o Design Thinking se operacionaliza como uma forma diferente de abordar os problemas, gerindo informaçõesa respeito deste a fim de convertê-las em soluções para o cliente, tendo como foco sua experiência enquanto usuário… O gatilho do Design Thinking é o cliente. A ideia é, a partir da observação da rotina do cliente, levantar questionamentos sobre o que para eles é necessário e também o que geraria um ganho extraordinário, superando as suas expectativas. Isso levaria ao desafio principal da metodologia, que é responder, de forma criativa e objetiva, às demandas (principais e secundárias) do segmento de clientes. Para aplicar essa metodologia em uma empresa, é necessário primeiro mudar a mentalidade das pessoas que dela fazem parte, orientando-as a processos mais criativos, colaborativos e cooperativos, o que, em uma dimensão mais ampla, pode redesenhar a cultura da organização. Para que o método funcione, ele deve se basear em três pilares que, em uma mistura mágica, podem ser aplicados a qualquer área do negócio. São eles (Figura 1): Figura 1 – Pilares do Design Thinking. Fonte: A autora (2021). Empatia Para transportar o cliente e sua experiência para o centro do processo. Criatividade Para propor novas e disruptivas soluções a partir da inteligência coletiva. Razão Para ver se a ideia é inovadora, viável e impactante. Inovação É o processo de fazer de uma oportunidade uma nova ideia e colocá-la em uso da maneira mais ampla possível. O método do Design Thinking, sistematizado pela IDEO (KELLEY; KELLEY, 2013), difundido pelo Instituto de Design da Universidade de Stanford e amplamente utilizado no desenvolvimento de inovações, possui, em geral, cinco etapas, que, embora ocorram de forma encadeada e lógica, permitem que o usuário as revisite a todo instante. São elas (Figura 2): Saiba Mais KELLEY, T.; KELLEY, D. Entrevista no Live talks business forum. Disponível em: http://vimeo.com/78689533. Acesso em: 15 jan. 2022. Figura 2 – Método do Design Thinking. Fonte: A autora (2021). http://vimeo.com/78689533 • Empatia: etapa de colocar-se no lugar do outro para, uma vez livre de pré- conceitos e pressupostos, entender todo o problema ou oportunidade de inovação. • Definição do problema: etapa em que se delimita qual o problema a ser resolvido, ou seja, escolha do foco do projeto, que corresponde a três elementos bem definidos, tais como qual a necessidade/problema a ser abordado? Quem é o público-alvo? Qual a visão do projeto (objetivo)? • Ideação: etapa de externalização de ideias e soluções sem medo de errar. • Prototipagem: etapa de criação de protótipo para teste da solução. • Teste: etapa de interação com potenciais consumidores e o público foco de impacto a fim de verificar se a proposta de valor da solução é convergente às necessidades de mercado. O diferencial gerado pelo uso dessa metodologia é, em primeira instância, uma redução de custo, na medida em que o principal insumo para que ela funcione é o pensamento criativo dos indivíduos, podendo envolver todos os atores que conformam o ambiente de relacionamento interno e entre empresas, a saber: gestor, colaboradores, clientes, fornecedores, concorrentes, parceiros e a sociedade em geral. Outro ganho claro desse processo é a agregação de valor em todas as áreas da empresa, resultando em colaboradores mais comunicativos, integrados, envolvidos com os objetivos estratégicos da organização e, consequentemente, motivados para o trabalho. Aqui, a visão sistêmica, elemento importante para construir estratégias organizacionais, também é um ganho significativo para as pessoas envolvidas, na medida em que é requisitada a todo momento durante o desenvolvimento do método. Por fim, o maior diferencial do Design Thinking é sua eficiência para encontrar soluções para as demandas mais estratégicas da empresa, o que é fundamental para o crescimento em escala e excelência do negócio. A partir do método é possível encontrar soluções criativas, viáveis e impactantes para diversas demandas internas e externas à organização. Vídeo Para saber mais sobre Design Thinking e Empatia, assista ao vídeo Design Thinking: saindo do monocromático com a inovação, publicado na unidade da disciplina no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Tema 3 Experiência do usuário Quais são os principais elementos de validação da experiência do cliente? Fonte: elaboração própria (2022) Quantas vezes a organização, em seu processo de concepção de uma solução (seja para o seu público interno ou externo), repete estas frases até sem perceber? E isso é normal! O que não é normal é acreditar que tais afirmações são suficientes para que ela realmente consiga entregar algo de valor a quem está do outro lado. Nesta perspectiva, ter pontos de contato frequentes e cada vez mais profundos com a experiência do usuário é o gatilho que faz toda diferença na concepção da solução inovadora; e aqui vale muito o conselho do autor, professor e empreendedor renomado na área de novos negócios, Steve Blank: “Saia do prédio!” A experiência do usuário abrange todas as interações do (potencial) cliente com a marca, e no cenário digital (USER EXPERIENCE – UX) essa experiência se voltou principalmente para sites, aplicativos móveis e diversas ferramentas tecnológicas. Isso reconfigura o que se entende por satisfação do cliente, que agora não mais depende inteiramente da qualidade dos produtos ou serviços. Para as empresas, isso implica maior esforço para ter uma presença frequente e empática junto ao cliente, seja antes, durante e até mesmo depois da primeira experimentação da solução. Neste caso, a palavra que bem representa essa interação se chama validação (MADRUGA, 2021). Saiba Mais MADRUGA, R. Gestão do Relacionamento e Customer Experience: a revolução na experiência do cliente. 2. ed. Barueri: Atlas, 2021. A validação é o ato de testar hipóteses por meio de experimentos. Em geral, observa-se um fenômeno, definem-se algumas afirmações passíveis de investigação (hipóteses); a partir daí se planeja e executa o experimento e, por último, mas talvez o momento mais importante, observam-se os resultados (RIES, 2012). Saiba Mais RIES, E. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. Tradução: Texto Editores. São Paulo: Lua de Papel, 2012. Os processos de validação realizados pelas organizações do início ao fim da concepção de novas soluções ajudam a impulsionar produtos sem demanda no mercado, reduzir o desperdício de verba, quebrar a resistência em colher feedback e críticas para os protótipos, melhorar significativamente o marketing da organização e eliminar a angústia de não saber exatamente o que o público foco de impacto quer e/ou precisa. Novas soluções começam, em geral, com um nível de incerteza alto. Para que se reduzam os riscos é necessário reduzir as incertezas quanto aos aspectos de desejabilidade, praticabilidade e viabilidade das soluções na perspectiva dos clientes. Vejamos as definições a seguir: Desejabilidade Praticabilidade Viabilidade Esta variável se refere às necessidades intrínsecas do cliente, ou seja, aquelas que lhe causam dor ou que despertam algum desejo ainda subtendido. Aqui, a definição/validação da proposta de valor da solução, ou seja, a forma como o cliente é impactado em sua rotina pela solução, é o principal output desta variável. Variável que representa as necessidades operacionais da solução, ou seja, as atividades, recursos e parcerias chave para garantir a entrega da solução/proposta de valor ao cliente. Esta variável representa a qualidade do que é viável (com fortes probabilidades de se materializar em uma solução inovadora por reunir todas as circunstâncias/caract erísticas necessáriaspara uso). Esta variável se refere às necessidades intrínsecas do cliente, ou seja, aquelas que lhe causam dor ou que despertam algum desejo ainda subtendido. Aqui, a definição/validação da proposta de valor da solução, ou seja, a forma como o cliente é impactado em sua rotina pela solução, é o principal output desta variável. No processo de validação recomenda-se que as variáveis sejam testadas na ordem acima, por entendermos que, assim, o lado mais sensível e cognitivo do cliente é experimentado primeiro (o que é bastante coerente uma vez que este é, na maioria dos casos, o principal gatilho para o processo decisório do cliente). Nesse mergulho na experiência do usuário, a validação utiliza também algumas ferramentas e técnicas que ajudam na coleta e análise das informações. O Mapa de Empatia, de Osterwalder (2011), é bastante sensível no que se refere ao movimento de empatia inicial com o cliente. Saiba Mais OSTERWALDER, A. Business Model Generation - Inovação em Modelos de Negócios: um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. 300p. Disponível em: https://www.academia.edu/37331003/Livro_business_model_gene ration Este mapa (Figura 3) é uma ferramenta visual que permite processar conteúdo das entrevistas e/ou sessões de observação; fazer inferências sobre pensamentos e sentimentos dos usuários com base no que eles dizem e/ou fazem; e identificar suas necessidades e/ou problemas. https://www.academia.edu/37331003/Livro_business_model_generation https://www.academia.edu/37331003/Livro_business_model_generation Figura 3 – Mapa de Empatia. Além desta ferramenta há diversas formas de experimentos para validação, apresentando diferentes impactos de resultado (fraco, médio, forte e alto), a depender da solução em teste. A tabela a seguir traz alguns exemplos: Fraca Fraca para média Média para forte Alta Entrevistas com clientes. Entrevistas com stakeholders e specialistas e parceiros. Campanhas por e-mail. Concierge. Feedback de vendas ou suporte. Protótipo navegável. Campanhas em redes sociais. Piloto funcional. Protótipo de papel. Um dia na vida. Crowdfunding A seguir, o significado de alguns termos técnicos essenciais para que seja possível avançar na compreensão dos conteúdos das próximas unidades: • MVP (Produto Mínimo Viável): consiste em desenvolver uma versão simplificada da solução contendo apenas os aspectos básicos em termos de funcionalidade e layout ou interface que serão experimentados pelo cliente. • Stakeholders: atores externos à organização e que podem influenciá-la diretamente, seja no que se refere a aquisição de clientes, matéria-prima, parcerias ou novos concorrentes. • Entrevistas: conversa entre duas ou mais pessoas com um fim determinado e roteiro prévio de perguntas abertas. • Feedback: retorno sobre os resultados de uma conduta. • Protótipo de papel: modelo em papel construído para testar um conceito, produto ou processo, algo para se replicar ou aprender com. • Protótipo navegável: modelo baseado em tecnologia construído para testar um conceito, produto ou processo, algo para se replicar ou aprender com. • “Um dia na vida”: técnica de substituição temporária de função para sentir, de forma experimental, as sensações do usuário. • Campanhas: um conjunto de ações de divulgação pública previamente planejadas e que tem como foco atrair clientes. • Concierge: um MVP que tem por objetivo testar a solução com os primeiros clientes previamente selecionados. Estes clientes têm, por esta natureza, tratamento especial e diferenciado durante a execução do MVP, tanto em termos de uso quanto de feedback. • Piloto funcional: esse tipo é considerado um dos ideais, pois acontece no momento em que o produto está sendo desenvolvido; dessa forma a validação de processos é aplicada durante o lote piloto. • Crowdfunding: financiamento coletivo da solução a partir da apresentação ao mercado. Esse tipo de validação é interessante porque permite perceber o quanto potenciais clientes e/ou público foco de impacto enxergam valor na solução. Segundo Ries (2012, p. 54), Saiba Mais RIES, E. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedida. Tradução: Texto Editores. São Paulo: Lua de Papel, 2012. “ “O desafio da validação é superar o pensamento administrativo vigente, que deposita sua fé em planos bem pesquisados.” ” Isso porque o planejamento é uma ferramenta que só tem sentido se vier acompanhada de um longo e estável processo operacional. Mudar essa mentalidade é difícil, mas fundamental para a geração de soluções de impacto. Encerramento Como a criatividade pode impulsionar a inovação nas organizações? As organizações existem para entregar valor para seus clientes internos (colaboradores) e externos (consumidores). Esta entrega de valor, que implica benefícios de impacto, só acontece quando dificuldades que os clientes vivenciam no dia a dia são removidas ou soluções com características que superam as suas expectativas são geradas. Para isso, novas e diferentes soluções devem ser criadas e testadas permanentemente, e é aí que entra o processo criativo, entendido como a capacidade de gerar novas ideias a partir do que já é conhecido e também daquilo que é previsto ou imaginado para o futuro. Como o método do Design Thinking pode ser aplicado a negócios? Design Thinking consiste em olhar o mundo como um designer, o que gera a perspectiva de usar lentes diferentes para elaborar e testar novas soluções. Esse método auxilia empresas a compreender as motivações e necessidades funcionais, sociais e emocionais de potenciais usuários de uma inovação a partir de uma dinâmica interativa, colaborativa e prática, analisando cenários, identificando problemas, desenvolvendo ideias e construindo soluções que entreguem mais valor às partes interessadas. Vale lembrar que o método do Design Thinking representa um modelo de pensamento que vai além da necessidade de criar um produto ou serviço. Esse método tem uma espécie de visão futurista, buscando, por meio de técnicas adequadas, entrar na vida do consumidor e desenhar comportamentos e necessidades futuras. Quais são os principais elementos de validação da experiência do cliente? A experiência do cliente trata de redesenhar a interação do usuário com o produto nos pontos e ocasiões de contato. Tal interação permite que os promotores da inovação validem a solução que, por sua natureza própria, começa com um nível de incerteza alto. Nessa validação experimentos são feitos em diferentes momentos e formas, mas todos perpassam a análise de três elementos que, em convergência, coadunam com o que se entende por solução inovadora. Os elementos são: desejabilidade, que trata das necessidades intrínsecas do cliente; praticabilidade, que envolve as necessidades operacionais da solução; viabilidade, que é a qualidade do que é viável (com fortes probabilidades de se materializar em uma solução inovadora por reunir todas as circunstâncias/características necessárias para uso). Resumo da Unidade Pessoas criativas são aquelas que têm vontade e aptidão para “comprar ideias na baixa e vender na alta”, uma analogia à linguagem utilizada nas bolsas de valores, proposta por Sternberg (2005). Nesta linha, a inovação, que tem como fonte as ideias, se apresenta com insumos férteis para agregar positivamente as organizações, precisando, para tanto, de métodos adequados para dar vida a soluções que entreguem valor tanto para a empresa quanto para seus clientes. O método do Design Thinking, que, na prática, busca encontrar o modelo exato de uma solução,unindo os recursos humanos e tecnológicos e aplicando-os nos negócios, cumpre esse papel junto às ideias no processo de inovação, tendo a experiência do usuário como o grande balizador do impacto das soluções geradas.