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ATITUDES E HABILIDADES 
PARA PRÁTICA DE 
ENFERMAGEM II 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Johannes Abreu de Oliveira 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
 Neste estudo, vamos iniciar um tema essencial para a prática profissional: 
a administração de medicamentos. Este é um momento que exige mais do que 
conhecimento técnico – envolve responsabilidade ética, raciocínio clínico, 
segurança do paciente e, acima de tudo, compromisso com a vida. 
 Pense por um instante: quantas vezes, no decorrer de um plantão, um(a) 
enfermeiro(a) administra medicamentos? Agora, reflita: quantas vidas podem ser 
impactadas por uma única decisão equivocada nesse processo? 
 É por isso que vamos muito além do “fazer por fazer”. Vamos discutir 
conceitos fundamentais, como vias de administração, cálculo de doses, 
farmacocinética e farmacodinâmica, mas também refletir sobre habilidades 
práticas e atitudes críticas: checagem correta, comunicação com a equipe, 
prescrição segura e atenção plena à singularidade de cada paciente. 
 Esperamos que você não apenas construa competência técnica, mas 
também desenvolva o olhar clínico e ético necessário para agir com segurança 
e autonomia. Afinal, administrar um medicamento é um ato de cuidado, e o 
cuidado em enfermagem começa no saber fazer com intenção e 
responsabilidade. Vamos juntos nesta jornada? 
TEMA 1 – SEGURANÇA DO PACIENTE NA ADMINISTRAÇÃO DE 
MEDICAMENTOS E PREVENÇÃO DE ERROS 
Quando uma pessoa enfrenta um problema de saúde, pode recorrer a 
diferentes caminhos para tentar melhorar ou manter sua condição. Um dos 
recursos mais comuns é o uso de medicamentos, substâncias que ajudam no 
diagnóstico, no tratamento, no alívio, na cura ou na prevenção de doenças. 
Independentemente de onde o cuidado acontece, seja em um hospital, 
seja em uma unidade de saúde, seja até mesmo em casa, o(a) enfermeiro(a) 
tem um papel fundamental nesse processo. Cabe a nós preparar, administrar e 
acompanhar cuidadosamente os efeitos desses medicamentos nos pacientes. 
Em muitos casos, especialmente no ambiente domiciliar, familiares, 
amigos ou cuidadores formais também assumem essa tarefa, sobretudo quando 
o paciente não tem condições de fazê-lo sozinho. Ainda assim, o(a) 
enfermeiro(a) continua sendo responsável por avaliar como esses 
medicamentos estão afetando a saúde da pessoa, orientar sobre o uso correto, 
 
 
3 
explicar possíveis efeitos colaterais, incentivar a continuidade do tratamento e 
verificar se o paciente e/ou o cuidador têm condições de administrar os remédios 
com segurança. 
Por isso, é essencial que o(a) enfermeiro(a) compreenda com 
profundidade como os medicamentos agem no organismo e quais efeitos podem 
provocar. Mais do que saber aplicar uma medicação, é preciso desenvolver um 
raciocínio clínico sólido, que leve em conta conhecimentos de farmacologia, 
anatomia, fisiologia, fisiopatologia, matemática (sim, cálculo de doses é 
essencial!) e também os aspectos éticos e legais envolvidos nesse cuidado 
(Potter et al., 2024). 
A segurança do paciente está diretamente relacionada à forma como os 
medicamentos são prescritos, dispensados, administrados e acompanhados nos 
serviços de saúde. Cada uma dessas etapas exige atenção, conhecimento e 
responsabilidade dos profissionais envolvidos para que os erros não ocorram. 
Erro de medicação é “qualquer evento evitável que, de fato ou 
potencialmente, pode levar ao uso inadequado de medicamento. Isso significa 
que o uso inadequado pode ou não lesar o paciente, e não importa se o 
medicamento se encontra sob o controle de profissionais de saúde, do paciente 
ou do consumidor” (Cofen, 2010). 
Os erros relacionados à medicação, em sua maioria, acontecem por 
diversos fatores que dificultam a comunicação e a compreensão clara das 
informações. Entre as causas mais frequentes estão: falhas ou ausência na 
comunicação entre os profissionais, nomes de medicamentos parecidos entre si 
(na forma escrita, na pronúncia ou até mesmo na aparência das embalagens), 
além do uso de abreviações, siglas ou recomendações pouco claras que podem 
gerar interpretações equivocadas (Cofen, 2010; Brasil, 2010). Além disso, 
técnicas e procedimentos realizados de forma inadequada e o uso incorreto dos 
medicamentos pelos próprios pacientes, muitas vezes por falta de orientação 
compreensível, também aumentam o risco de erro. 
É importante lembrar que os erros de medicação costumam ser situações 
complexas, que envolvem várias etapas, profissionais e decisões. Por isso, 
prevenir esses erros exige uma atuação atenta, colaborativa e bem informada 
por parte de toda a equipe de saúde. 
Conforme orientações do Cofen (2010), ao investigar um erro de 
medicação, é essencial revisar todas as etapas do ciclo do medicamento, 
 
 
4 
identificando pontos de falha e analisando as possíveis causas. A Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) descreve que essa investigação pode 
contemplar os seguintes processos: 
1. Prescrição: 
o avaliar a real necessidade do medicamento e escolher o fármaco 
adequado; 
o definir o regime terapêutico de forma individualizada; 
o determinar a resposta terapêutica esperada. 
2. Dispensação: 
o conferir e validar a prescrição; 
o processar corretamente as solicitações; 
o preparar e misturar medicamentos de forma segura; 
o garantir que a dispensação seja realizada no tempo certo e nas 
condições adequadas 
3. Administração: 
o assegurar que o medicamento certo seja administrado ao paciente 
certo; 
o administrar nos horários e nas situações indicadas; 
o orientar o paciente sobre o uso do medicamento; 
o incluir o paciente como participante ativo no processo 
4. Monitoramento: 
o observar e registrar a resposta clínica do paciente; 
o identificar e notificar possíveis eventos adversos; 
o reavaliar a escolha do medicamento, da dose, da frequência e da 
duração do tratamento. 
5. Sistemas e gestão do cuidado: 
o favorecer a comunicação e o trabalho conjunto entre os profissionais 
de saúde; 
o revisar e gerenciar periodicamente o regime farmacoterapêutico do 
paciente. 
Após a revisão dessas etapas, é possível levantar hipóteses sobre as 
causas do erro. Como a maioria desses eventos é prevenível, é fundamental 
elaborar planos corretivos e preventivos para evitar que a situação se repita. A 
Anvisa recomenda que cada instituição de saúde disponha de um programa 
 
 
5 
institucional de avaliação e prevenção de erros de medicação, com objetivos 
como: 
• detectar e prevenir erros de origem humana ou institucional; 
• incorporar novos conhecimentos sobre riscos à segurança do paciente; 
• estimular a conscientização e a comunicação sobre segurança; 
• desenvolver estratégias informativas, educativas e colaborativas para 
melhorar os cuidados. 
Para que esse programa seja efetivo, ele deve: 
• identificar, registrar e analisar eventos adversos; 
• compreender o impacto das mudanças nos sistemas de saúde com base 
nos erros detectados; 
• criar métodos para evitar eventos adversos preveníveis; 
• avaliar a eficácia das medidas implementadas para mudar práticas e 
aumentar a segurança. 
Vale destacar que erros ocorridos em uma instituição podem também 
acontecer em outras. Por isso, a notificação à vigilância sanitária, mesmo que 
de forma anônima, é uma prática que contribui para reduzir ou prevenir falhas 
semelhantes em outros locais (Cofen, 2010). 
Quando um serviço de saúde se organiza bem, adotando protocolos, 
treinamentos e práticas seguras para evitar erros, o risco para o paciente diminui 
significativamente. Isso significa que, quanto mais preparado estiver o ambiente 
de cuidado, mais protegido estará quem recebe esse cuidado (Potter et al., 
2024). 
1.1 Os nove certos da administração de medicamentos 
No cotidiano da enfermagem, a prevenção de erros se traduz em ações 
concretas: checar corretamente os dados do paciente, conhecerbem o 
medicamento, seguir as rotinas de segurança e estar atento aos sinais que o 
corpo do paciente dá. Tudo isso faz parte de uma cultura de prevenção, que 
coloca o bem-estar da pessoa em primeiro lugar. Os nove certos da 
administração segura de medicamentos são descritos a seguir (Anvisa, 2021). 
 
 
 
6 
1. Paciente certo 
o Confirmar o nome completo antes de administrar o medicamento, 
utilizando pelo menos dois identificadores: 
▪ Pulseira de identificação. 
▪ Nome no leito. 
▪ Nome no prontuário. 
o Sempre que possível, evitar que pacientes com o mesmo nome 
permaneçam no mesmo quarto ou enfermaria. 
2. Medicamento certo 
o Conferir se o nome do medicamento em mãos corresponde ao 
prescrito. 
o Verificar se o paciente não tem alergia ao fármaco. 
o Identificar pacientes alérgicos com pulseira diferenciada e aviso no 
prontuário, comunicando toda a equipe. 
3. Via certa 
o Confirmar a via de administração indicada na prescrição. 
o Realizar higienização das mãos antes do preparo e da administração. 
o Checar o diluente (tipo e volume) e a velocidade de infusão prescritos, 
avaliando a compatibilidade com o medicamento e a via de 
administração, especialmente para uso endovenoso. 
o Garantir a compatibilidade com os dispositivos utilizados (seringas, 
cateteres, sondas, equipos). 
o Certificar-se da conexão correta quando a administração for por sonda 
nasogástrica, nasoentérica ou via parenteral. 
o Fazer antissepsia adequada no local de aplicação para medicação 
parenteral. 
o Esclarecer previamente quaisquer dúvidas com enfermeiro, prescritor 
ou farmacêutico, inclusive sobre legibilidade da prescrição. 
4. Hora certa 
o Cumprir rigorosamente os horários prescritos para garantir eficácia 
terapêutica. 
o Antecipações ou atrasos devem ser autorizados pelo enfermeiro e pelo 
prescritor. 
 
 
7 
5. Dose certa 
o Conferir a dose prescrita, com atenção especial a números com 
vírgulas, pontos e zeros. 
o Confirmar a unidade de medida utilizada e, em caso de dúvida, 
consultar o prescritor. 
o Avaliar a velocidade de gotejamento e a programação de bombas de 
infusão contínua. 
o Realizar dupla checagem nos cálculos e na programação de bombas, 
principalmente para medicamentos de alta vigilância (ex.: 
anticoagulantes, opiáceos, insulina, eletrólitos concentrados). 
o Para medicamentos “se necessário”, seguir rigorosamente a dose, a 
posologia e as condições de uso estabelecidas. 
6. Documentação certa (registro) 
o Registrar o horário de administração na prescrição e checar a cada 
dose. 
o Documentar ocorrências como adiamentos, cancelamentos, falta de 
estoque, recusa do paciente e eventos adversos. 
7. Razão/orientação certa 
o Certificar-se do motivo da prescrição, posologia e demais informações 
antes de administrar. 
o Orientar o paciente quanto a: 
▪ Nome do medicamento 
▪ Indicação terapêutica 
▪ Efeitos esperados e possíveis reações 
o Garantir que o paciente conheça o aspecto (cor, formato), a frequência 
e a finalidade do medicamento, contribuindo para prevenir erros. 
8. Forma certa 
o Verificar se a forma farmacêutica (comprimido, cápsula, solução etc.) e 
a via de administração coincidem com o prescrito. 
o Confirmar se estão adequadas à condição clínica do paciente. 
o Sanar dúvidas com enfermeiro, farmacêutico ou prescritor. 
o Sempre que necessário, seguir orientações para trituração de 
medicamentos em uso por sondas, com apoio de manual de diluição e 
preparo. 
 
 
8 
9. Resposta certa 
o Observar o paciente para avaliar se o efeito esperado foi alcançado. 
o Registrar e comunicar ao prescritor qualquer reação diferente da 
prevista. 
o Manter comunicação aberta com paciente e/ou cuidador, valorizando 
seus relatos sobre efeitos percebidos. 
o Anotar parâmetros de monitorização pertinentes (ex.: sinais vitais, 
glicemia capilar). 
Saiba mais 
Importante: não deverão ser administrados medicamentos em casos de 
prescrições vagas, como "fazer se necessário", “conforme ordem médica” ou “a 
critério médico”. 
Tome nota: Segundo a RDC n. 36/2013 da Anvisa, todos os eventos 
adversos, incluindo os erros de medicação ocorridos nos serviços de saúde do 
país, devem ser notificados, pelo Núcleo de Segurança do Paciente, ao Sistema 
Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), por meio do sistema Notivisa. 
Ao estudar sobre administração de medicamentos, lembre-se: não se 
trata apenas de aplicar uma medicação, mas de garantir que cada etapa desse 
processo seja realizada com consciência, técnica e compromisso com a vida. 
TEMA 2 – ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DA ADMINISTRAÇÃO DE 
MEDICAMENTOS PELA ENFERMAGEM 
A administração de medicamentos é uma atribuição legal da enfermagem, 
prevista no Decreto n. 94.406, de 8 de junho de 1987 (Brasil, 1987), que 
regulamenta a Lei n. 7.498, de 25 de junho de 1986 (Brasil, 1986), legislação 
que estabelece o exercício profissional da enfermagem no Brasil. Esses 
documentos definem direitos, competências das diferentes categorias 
profissionais e penalidades para infrações aos preceitos éticos (Coren-CE, 
2025). 
O art. 8º do Decreto n. 94.406/1987, ao descrever as responsabilidades 
do enfermeiro, destaca como funções essenciais: “O planejamento, organização, 
coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de enfermagem, 
bem como a prescrição da assistência de enfermagem” (Brasil, 1987). Assim, o 
 
 
9 
ato de administrar medicamentos integra não apenas uma prática técnica, mas 
também um processo que exige planejamento, coordenação e avaliação, 
fundamentado na legislação e nos princípios éticos da profissão (Coren-CE, 
2025). 
No Brasil, o exercício da enfermagem é orientado pelo Código de Ética 
dos Profissionais de Enfermagem (Cepe), que reconhece tanto o direito da 
população a uma assistência de qualidade quanto os deveres e os direitos dos 
profissionais e suas instituições. Esse código tem como base o respeito à 
pessoa, à família e à coletividade e compreende que os trabalhadores da 
enfermagem devem atuar ao lado dos usuários na busca por uma assistência 
segura, acessível e livre de riscos e danos desnecessários (Cofen, 2017). 
Alguns artigos do CEPE apontam especificamente para as questões 
sobre administração de medicamentos, destacando a responsabilidade ética e 
legal dos profissionais nesse processo e reforçando a importância de práticas 
baseadas no conhecimento técnico-científico: 
Art. 45. [Deveres] Prestar assistência de enfermagem livre de danos 
decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. 
Art. 46. [Deveres] Recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e 
Médica na qual não constem assinatura e número de registro do 
profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência. 
§ 1º O profissional de Enfermagem deverá recusar-se a executar 
prescrição de Enfermagem e Médica em caso de identificação de erro 
e/ou ilegibilidade da mesma, devendo esclarecer com o prescritor ou 
outro profissional, registrando no prontuário. 
§ 2º É vedado ao profissional de Enfermagem o cumprimento de 
prescrição à distância, exceto em casos de urgência e emergência e 
regulação, conforme Resolução vigente. 
[...] 
Art. 78. [Proibições] Administrar medicamentos sem conhecer 
indicação, ação da droga, via de administração e potenciais riscos, 
respeitados os graus de formação do profissional. 
Art. 79. [Proibições] Prescrever medicamentos que não estejam 
estabelecidos em programas de saúde pública e/ou em rotina aprovada 
em instituição de saúde, exceto em situações de emergência. 
Art. 80. [Proibições] Executar prescrições e procedimentos de 
qualquer natureza que comprometam a segurança da pessoa. (Cofen, 
2017) 
A administração de medicamentos é um dos momentos mais críticos da 
prática profissional em enfermagem, exigindo atenção, conhecimento técnico e 
compromisso ético. Ao longo deste material, vamos fortalecer os fundamentos 
necessários para que vocêdesenvolva esse cuidado com segurança, ética e 
responsabilidade. 
 
 
 
10 
TEMA 3 – FUNDAMENTOS DE FARMACOLOGIA E FARMACOCINÉTICA 
3.1 Nomes dos medicamentos 
Determinados fármacos podem ter até três denominações distintas. O 
nome químico descreve com precisão a composição e a estrutura molecular da 
substância. No entanto, esse nome raramente é utilizado na prática clínica pelos 
profissionais de enfermagem, em razão de sua complexidade e da 
predominância do uso de nomes mais acessíveis no cotidiano assistencial. Um 
exemplo de nome químico é N-acetil-para-aminofenol, comumente conhecido 
como Tylenol®. O fabricante que desenvolve o medicamento pela primeira vez 
determina seu nome genérico, e o paracetamol é um exemplo de nome genérico 
para Tylenol® (Potter et al., 2024). 
3.2 Classificação dos medicamentos 
A forma como os medicamentos são classificados está relacionada ao 
sistema orgânico que eles afetam, aos sintomas que ajudam a aliviar ou ao efeito 
terapêutico que se espera obter. Em geral, cada classe farmacológica reúne 
vários medicamentos que atuam em um mesmo tipo de problema de saúde. Por 
exemplo, pessoas com asma costumam utilizar diferentes fármacos 
pertencentes à classe dos agonistas beta2-adrenérgicos, que ajudam a controlar 
os sintomas respiratórios. Além disso, alguns medicamentos podem ser 
incluídos em mais de uma categoria, a depender de seus efeitos. Um exemplo é 
o ácido acetilsalicílico, que atua como analgésico, antipirético e anti-inflamatório, 
sendo, portanto, classificado em múltiplas funções terapêuticas (Potter et al., 
2024). 
3.3 Formas farmacêuticas 
Os medicamentos estão disponíveis em diversas apresentações (ou 
formulações), e cada uma delas influencia diretamente a via de administração e 
a forma como o organismo absorve e metaboliza o princípio ativo. Uma mesma 
substância pode ser encontrada em comprimidos, cápsulas, xarope, suspensão, 
supositórios, entre outros. Por isso, é fundamental verificar se a apresentação 
utilizada está adequada à prescrição médica e à condição do paciente, 
 
 
11 
garantindo, assim, a eficácia e a segurança da administração (Potter et al., 
2024). 
TEMA 4 – MECANISMOS DE AÇÃO, EFEITOS E INTERAÇÕES 
MEDICAMENTOSAS 
Para que um fármaco exerça sua ação terapêutica, é necessário que ele 
seja administrado, absorvido pelo organismo, distribuído até seu local de ação, 
metabolizado e, por fim, excretado. O estudo desses processos constitui o 
campo da farmacocinética, cuja compreensão é essencial para decisões 
clínicas relacionadas à escolha da via de administração, à determinação dos 
horários de medicação e à avaliação da resposta terapêutica individual (Potter 
et al., 2024). 
A absorção refere-se à passagem do fármaco do local de administração 
para a corrente sanguínea. Diversos fatores influenciam essa etapa, incluindo a 
via utilizada, a solubilidade do fármaco, o fluxo sanguíneo local, a área de 
superfície de contato e a lipossolubilidade do composto. Fármacos 
administrados por via oral tendem a apresentar absorção mais lenta, enquanto 
aqueles administrados por via intravenosa atingem a circulação sistêmica de 
forma imediata. A apresentação farmacêutica também é determinante: soluções 
e suspensões são absorvidas mais rapidamente do que comprimidos ou 
cápsulas. Ainda, medicamentos com caráter ácido tendem a atravessar a 
mucosa gástrica com maior facilidade, enquanto os alcalinos são mais 
eficazmente absorvidos no intestino delgado (Potter et al., 2024). 
A velocidade de absorção também é influenciada pelo suprimento 
sanguíneo no local da administração – locais mais vascularizados promovem 
absorção mais rápida. De igual modo, a área de superfície corporal em contato 
com o medicamento pode acelerar a absorção, justificando, por exemplo, a maior 
eficiência do intestino delgado em comparação ao estômago nesse processo. A 
lipossolubilidade do fármaco é outro fator importante, uma vez que substâncias 
lipossolúveis atravessam mais facilmente a bicamada lipídica das membranas 
celulares (Potter et al., 2024). 
A presença de alimentos no trato gastrointestinal, assim como a 
administração concomitante de múltiplos fármacos, pode alterar 
significativamente a absorção. Por isso, o planejamento terapêutico deve 
 
 
12 
considerar tanto os intervalos alimentares quanto possíveis interações entre 
medicamentos (Potter et al., 2024). 
Cada via de administração de um medicamento apresenta uma 
velocidade de absorção diferente. Quando os medicamentos são aplicados na 
pele, a absorção é lenta, em razão da composição física da pele. Como 
medicamentos administrados por via oral (VO) adentram o trato gastrintestinal 
(GI), sua velocidade de absorção é geralmente lenta. Medicamentos depositados 
em membranas mucosas e vias respiratórias são absorvidos rapidamente, 
porque esses tecidos contêm muitos vasos sanguíneos. A administração 
intramuscular (IM) e subcutânea promove uma absorção mais rápida que a VO, 
com a primeira promovendo absorção mais rápida que a segunda. A injeção 
intravenosa (IV) produz a absorção mais rápida, porque os medicamentos já 
ficam disponíveis imediatamente quando adentram a circulação sistêmica (Potter 
et al., 2024). 
A distribuição é o processo de transporte do fármaco absorvido até seu 
local de ação. Essa etapa depende das características físico-químicas do 
composto, do débito cardíaco, da permeabilidade das membranas biológicas e 
da ligação do fármaco às proteínas plasmáticas, como a albumina. A 
vascularização dos tecidos afeta diretamente a distribuição: tecidos bem 
perfundidos recebem o fármaco mais rapidamente; em contrapartida, patologias 
como insuficiência cardíaca podem reduzir a perfusão tecidual e retardar ou 
impedir o alcance terapêutico (Potter et al., 2024). 
A permeabilidade das membranas biológicas impõe barreiras adicionais, 
como no caso da barreira hematoencefálica, que limita a entrada de fármacos 
hidrossolúveis no sistema nervoso central. A presença de proteínas plasmáticas, 
por sua vez, regula a fração livre e ativa do fármaco – fundamental para a 
resposta terapêutica. Estados patológicos que afetam a produção proteica, como 
doenças hepáticas ou desnutrição, podem intensificar os efeitos de certos 
medicamentos em virtude do aumento da fração livre circulante (Potter et al., 
2024). 
O metabolismo, ou biotransformação, refere-se à conversão do fármaco 
em compostos menos ativos ou inativos, geralmente facilitando sua eliminação. 
Essa transformação ocorre predominantemente no fígado, sob ação de enzimas 
especializadas, embora também possa envolver pulmões, rins, intestinos e 
sangue. Disfunções hepáticas, particularmente em idosos ou pacientes com 
 
 
13 
doenças crônicas, comprometem o metabolismo, elevando o risco de toxicidade 
por acúmulo do fármaco (Potter et al., 2024). 
A etapa final da farmacocinética é a excreção, responsável pela 
eliminação do fármaco do organismo. Os principais órgãos envolvidos são rins, 
pulmões, fígado, glândulas sudoríparas e intestino. A via renal é a mais comum 
e depende da taxa de filtração glomerular e da função tubular renal. A ineficiência 
renal exige ajustes na posologia para evitar acúmulo tóxico. Fármacos também 
podem ser excretados pela bile, com possibilidade de reabsorção intestinal (ciclo 
entero-hepático), ou pelas glândulas mamárias, o que requer cautela em 
mulheres lactantes (Potter et al., 2024). 
A administração segura de medicamentos exige conhecimento 
aprofundado de todos os aspectos farmacocinéticos, considerando-se as 
particularidades fisiológicas e clínicas de cada paciente. A incorporação desses 
conhecimentos ao planejamento terapêutico, associada à prática colaborativa 
com farmacêuticos e outros profissionais da saúde, é indispensável para garantir 
eficácia e segurança no cuidado medicamentoso (Potter et al., 2024). 
4.1 Mecanismos deação e efeitos dos medicamentos: implicações clínicas 
para a prática segura 
 A resposta terapêutica aos medicamentos é influenciada por uma ampla 
gama de fatores farmacológicos e individuais. A variabilidade individual na 
resposta a um mesmo fármaco, inclusive entre administrações sucessivas, 
evidencia a complexidade dos mecanismos de ação farmacológica e exige dos 
profissionais de saúde uma compreensão aprofundada sobre os diferentes tipos 
de efeitos provocados pelos medicamentos no organismo humano (Potter et al., 
2024). 
Efeitos terapêuticos correspondem à resposta fisiológica desejada 
decorrente da administração de um fármaco. Essa resposta está diretamente 
relacionada ao objetivo clínico da intervenção farmacológica. Por exemplo, a 
nitroglicerina promove a vasodilatação coronariana, resultando em redução da 
demanda miocárdica por oxigênio (Potter et al., 2024). Alguns medicamentos 
apresentam múltiplos efeitos terapêuticos simultâneos, como é o caso da 
prednisona, um corticosteroide com propriedades anti-inflamatórias, 
imunossupressoras e antialérgicas. O conhecimento detalhado acerca desses 
efeitos possibilita uma avaliação clínica precisa da eficácia terapêutica e permite 
 
 
14 
a adequada orientação dos pacientes quanto ao uso racional da medicação 
(Potter et al., 2024). 
Efeitos adversos referem-se a respostas não intencionais e 
potencialmente danosas decorrentes do uso de medicamentos, variando de 
manifestações leves a reações graves ou fatais. Tais eventos podem ser 
imediatos ou retardados, e sua ocorrência é mais prevalente em populações 
vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes, pacientes polimedicados, com 
distúrbios hepáticos ou renais, ou com peso corporal fora dos parâmetros usuais. 
Em casos de efeitos adversos leves e toleráveis, a manutenção da terapêutica 
pode ser considerada; no entanto, reações intensas ou com risco à integridade 
do paciente demandam a imediata interrupção do tratamento e a notificação aos 
sistemas de farmacovigilância (Potter et al., 2024). 
Efeitos colaterais constituem respostas previsíveis que ocorrem em 
doses terapêuticas habituais, muitas vezes inevitáveis, e que podem variar de 
incômodos leves a eventos clinicamente significativos; um exemplo clássico é a 
disfunção erétil associada a determinados anti-hipertensivos. Quando os efeitos 
colaterais interferem significativamente na qualidade de vida ou superam os 
benefícios terapêuticos, a substituição do fármaco deve ser considerada. Entre 
os efeitos mais comumente relatados estão anorexia, náuseas, constipação, 
diarreia, tontura e vômitos, frequentemente implicados na não adesão ao 
tratamento (Potter et al., 2024). 
Efeitos tóxicos resultam do acúmulo do medicamento no organismo, 
geralmente por uso prolongado, metabolismo ineficaz ou eliminação 
comprometida. Esses efeitos podem ser dose-dependentes e, em casos 
extremos, letais. A toxicidade da morfina, por exemplo, manifesta-se por 
depressão respiratória severa. A farmacoterapia segura requer monitoramento 
de níveis séricos e, quando necessário, uso de antídotos específicos, como a 
naloxona para intoxicação por opioides (Potter et al., 2024). 
Reações idiossincráticas são respostas incomuns e imprevisíveis, 
resultantes de fatores genéticos ou de mecanismos ainda não completamente 
compreendidos. Tais reações podem incluir respostas exacerbadas ou 
paradoxais. Um exemplo é a excitação psicomotora em crianças após a 
administração de difenidramina, um anti-histamínico comumente associado à 
sedação. Até o momento, não existem ferramentas clínicas confiáveis para 
predizer a ocorrência dessas reações (Potter et al., 2024). 
 
 
15 
Reações alérgicas configuram respostas imunológicas anormais, 
geralmente após sensibilização prévia ao fármaco, seus metabólitos ou 
excipientes. A exposição subsequente pode desencadear manifestações clínicas 
que variam de urticária leve a reações anafiláticas graves, caracterizadas por 
broncoconstrição, edema de vias aéreas e risco iminente de morte. A 
identificação prévia de alergias, o uso de pulseiras de alerta e a educação do 
paciente são estratégias fundamentais para prevenir eventos adversos dessa 
natureza (Potter et al., 2024). 
Interações medicamentosas ocorrem quando a ação de um fármaco é 
modificada pela presença de outro. Tais interações podem ser farmacocinéticas 
(alterações na absorção, no metabolismo ou na excreção) ou farmacodinâmicas 
(modificação da ação terapêutica). O efeito sinérgico pode ser desejado, como 
em combinações terapêuticas para hipertensão arterial envolvendo diuréticos e 
vasodilatadores, ou indesejado, como ocorre entre álcool e depressores do 
sistema nervoso central, elevando o risco de sedação excessiva (Potter et al., 
2024). A avaliação criteriosa de potenciais interações é imprescindível, 
especialmente em pacientes em uso de múltiplos fármacos. 
A tolerância farmacológica refere-se à redução progressiva da resposta 
a um fármaco com o uso contínuo, exigindo doses crescentes para alcançar o 
mesmo efeito terapêutico. Essa adaptação é comum em medicamentos como 
opioides, nitratos e etanol, mas não se desenvolve em curto prazo, sendo mais 
frequente em tratamentos prolongados. É fundamental distinguir a tolerância da 
dependência, que pode ser de natureza física, caracterizada por sintomas de 
abstinência na ausência do fármaco, ou psicológica, em que o paciente 
desenvolve forte desejo pelo uso da substância, geralmente associado ao alívio 
emocional ou ao prazer subjetivo (Potter et al., 2024). 
A abordagem clínica de pacientes com dependência deve ser empática, 
livre de estigmas e baseada em evidências científicas que favoreçam a adesão 
ao tratamento e a reabilitação. O manejo seguro e humanizado desses 
indivíduos, aliado à vigilância ativa dos efeitos adversos e à educação em saúde, 
constitui uma responsabilidade compartilhada entre todos os profissionais 
envolvidos no cuidado farmacoterapêutico. 
 
 
 
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TEMA 5 – TEMPO DE RESPOSTA, MEIA-VIDA E MONITORIZAÇÃO 
TERAPÊUTICA 
A via de administração de um fármaco determina de maneira significativa 
a velocidade com que este atinge a circulação sistêmica e, consequentemente, 
inicia sua ação terapêutica. Medicamentos administrados por via intravenosa (IV) 
têm absorção imediata, pois são diretamente introduzidos na corrente 
sanguínea, produzindo efeitos farmacológicos quase instantâneos. Em 
contraste, fármacos administrados por vias alternativas como a oral (VO), a 
subcutânea (SC) ou a intramuscular (IM) requerem processos de absorção e 
distribuição que retardam o início da ação clínica (Potter et al., 2024). 
Após sua introdução no organismo, a concentração plasmática do 
medicamento sofre flutuações dinâmicas resultantes de processos 
farmacocinéticos, como distribuição tecidual, metabolismo e eliminação. Esses 
fatores modulam a biodisponibilidade do fármaco em diferentes compartimentos 
corporais no decorrer do tempo. Dessa forma, a frequência e o intervalo entre as 
doses prescritas são ajustados de acordo com as características específicas de 
início de ação, intensidade do efeito terapêutico e duração esperada do fármaco 
(Potter et al., 2024). 
O conceito de concentração efetiva mínima (CEM) refere-se ao menor 
nível plasmático necessário para que o medicamento exerça seu efeito 
terapêutico. Abaixo desse limiar, a ação farmacológica torna-se ineficaz. Em 
contrapartida, a concentração tóxica representa o limite superior da faixa 
terapêutica, acima do qual ocorrem efeitos adversos ou reações tóxicas 
potencialmente prejudiciais. A prescrição racional busca manter a concentração 
sérica do medicamento dentro de uma faixa terapêutica segura (Figura 1), 
delimitada entre a CEM e a concentração tóxica, de modo a maximizar os 
benefícios clínicos e minimizar os riscos (Potter et al., 2024). 
Quando um medicamento é administradode forma repetida, observa-se 
um padrão oscilatório nos níveis séricos entre as doses sucessivas. O valor 
máximo alcançado após a administração é denominado nível de pico, enquanto 
o ponto mais baixo, antes da dose subsequente, é conhecido como nível de vale. 
Esses parâmetros são fundamentais na monitorização terapêutica de 
medicamentos com estreita margem de segurança, como a vancomicina. 
Nesses casos, a dosagem é frequentemente ajustada com base nas 
 
 
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concentrações plasmáticas obtidas: o nível de vale é geralmente aferido 30 
minutos antes da administração subsequente, enquanto o pico é medido no 
momento previsto de sua máxima concentração, conforme a farmacocinética do 
fármaco (Potter et al., 2024). 
Figura 1 – Faixa terapêutica de um medicamento: situada entre a concentração 
efetiva mínima e a concentração tóxica 
 
Fonte: Potter et al., 2024. 
A velocidade com que um medicamento atinge sua concentração máxima 
depende de múltiplos fatores, incluindo sua formulação, a via de administração 
e os parâmetros individuais de absorção e metabolismo. Na administração 
intravenosa, o pico ocorre de forma quase imediata, mas é seguido de uma 
queda rápida na concentração sérica, o que exige vigilância rigorosa na titulação 
das doses para a manutenção da eficácia terapêutica e a prevenção de efeitos 
tóxicos (Potter et al., 2024). 
A meia-vida biológica de um fármaco refere-se ao tempo necessário para 
que sua concentração plasmática seja reduzida em 50%, por meio dos 
processos de biotransformação e excreção. Esse parâmetro farmacocinético é 
essencial para o delineamento de regimes terapêuticos eficazes e seguros, pois 
influencia diretamente a frequência e o intervalo entre as administrações. A 
manutenção de concentrações plasmáticas estáveis, dentro da faixa terapêutica, 
requer a administração de doses em intervalos regulares e consistentes (Potter 
et al., 2024). Essa estratégia é particularmente relevante para medicamentos de 
uso contínuo, como analgésicos em pacientes oncológicos, nos quais a 
administração em horários fixos se mostra mais eficaz do que a dosagem sob 
 
 
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demanda, permitindo uma concentração estável do princípio ativo no organismo 
e promovendo um controle mais adequado da dor (Burchum; Rosenthal, 2019). 
Após a administração da dose inicial, frequentemente denominada dose 
de ataque, as doses subsequentes devem ser programadas de acordo com a 
meia-vida do fármaco, de modo a garantir que a próxima administração coincida 
com o ponto de declínio farmacológico da dose anterior, evitando tanto picos 
excessivos quanto quedas abaixo da concentração efetiva mínima. A adesão 
rigorosa ao regime posológico é, portanto, um fator determinante para a eficácia 
terapêutica e a prevenção de eventos adversos, exigindo atenção tanto de 
profissionais de saúde quanto dos próprios pacientes (Potter et al., 2024). 
Para uma compreensão acurada do perfil de ação dos medicamentos, é 
fundamental conhecer os principais marcos temporais relacionados à sua 
farmacodinâmica, segundo Potter et al. (2024): 
1. Período de latência: intervalo entre a administração do fármaco e o início 
de sua ação terapêutica perceptível. Esse parâmetro está diretamente 
relacionado à velocidade de absorção e à biodisponibilidade do princípio 
ativo. 
2. Pico de ação: momento em que o medicamento atinge sua concentração 
máxima no plasma, correspondendo ao efeito terapêutico máximo 
esperado. 
3. Vale: ponto de menor concentração plasmática imediatamente antes da 
administração da próxima dose. A monitorização desse valor é crítica para 
garantir que os níveis séricos permaneçam dentro da faixa terapêutica, 
especialmente em medicamentos com estreita margem de segurança. 
4. Duração de ação: intervalo de tempo durante o qual a concentração 
plasmática do fármaco permanece suficiente para exercer efeito 
terapêutico clínico. 
5. Platô terapêutico: estado de equilíbrio farmacocinético em que a 
concentração plasmática do medicamento se estabiliza após doses 
múltiplas administradas em intervalos constantes. Esse platô é 
fundamental para terapias de longo prazo e é atingido geralmente após 
cerca de quatro a cinco meias-vidas do fármaco. 
O conhecimento e a aplicação prática desses parâmetros favorecem a 
racionalização do uso de medicamentos, otimiza sua eficácia e reduz a 
incidência de eventos adversos. A monitorização terapêutica, particularmente 
 
 
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em fármacos com índice terapêutico estreito, deve ser guiada por esses 
princípios para assegurar um cuidado clínico baseado em evidências. 
 NA PRÁTICA 
Você está em um hospital de média complexidade e é responsável pelo 
cuidado de um paciente de 70 anos, com histórico de insuficiência cardíaca 
congestiva e doença renal crônica estágio 3. Ele está internado por uma 
descompensação cardíaca e foram prescritas digoxina 0,25 mg/dia e furosemida 
40 mg IV a cada 12 horas. No terceiro dia de internação, o paciente relata 
náuseas, apresenta confusão leve e bradicardia (FC = 48 bpm). 
1. Qual é sua suspeita clínica principal? Quais possíveis efeitos 
farmacológicos estão envolvidos? 
2. Quais ações de enfermagem devem ser tomadas imediatamente? 
3. Como a condição renal pode interferir na farmacocinética desses 
medicamentos? 
4. Como o conhecimento sobre pico, vale e meia-vida pode orientar sua 
conduta nesse caso? 
5. Quais cuidados devem ser implementados para evitar a reincidência 
desse evento adverso? 
(Prefeitura de Santa Bárbara-MG/Fundep/2018) De acordo com o Protocolo de 
Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos (BRASIL, 
2013), os nove certos não garantem que os erros de administração não 
ocorrerão, mas segui-los pode prevenir significativa parte desses eventos, 
melhorando a segurança e a qualidade da assistência prestada ao paciente 
durante o processo de administração de medicamentos. Fazem parte dos nove 
certos na administração de medicamentos, exceto: 
a) Paciente certo, medicamento certo, ação certa. 
b) Via certa, hora certa, forma certa. 
c) Dose certa, registro certo, resposta certa. 
d) Razão, documentação, profissional hábil. 
 
 
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FINALIZANDO 
Finalizamos este estudo conscientes de que administrar medicamentos 
vai muito além de uma prática técnica. Trata-se de um ato clínico, ético e 
relacional, que exige do profissional de enfermagem domínio teórico, julgamento 
crítico e sensibilidade diante da singularidade de cada paciente. 
Ao conhecer os fundamentos da farmacocinética e da farmacodinâmica e 
os diferentes tipos de reações medicamentosas, você amplia sua capacidade de 
avaliar, intervir e educar com precisão e responsabilidade. A compreensão dos 
conceitos de meia-vida, platô terapêutico, pico e vale, bem como dos efeitos 
adversos e das interações medicamentosas, constitui um pilar para o cuidado 
seguro e baseado em evidências. 
Entretanto, conhecimento por si só não basta. A excelência no cuidado 
medicamentoso exige atenção contínua, comunicação eficaz, registro fidedigno 
e escuta ativa. Significa reconhecer que cada medicamento tem um potencial 
terapêutico, mas também um risco e que o enfermeiro está na linha de frente 
para garantir que o primeiro prevaleça sobre o segundo. 
Na prática diária, você será o elo entre a prescrição e a resposta do corpo 
humano, entre a norma técnica e a experiência vivida pelo paciente. Por isso, 
cultive sempre o perfil investigativo, questione rotinas quando necessário e 
mantenha-se atualizado. O cuidado com medicamentos é também cuidado com 
a vida e não há missão mais nobre para a enfermagem. 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim de 
Farmacovigilância n. 8. Brasília, 2019. Disponível em: 
.Acesso em: 15 
ago. 2025. 
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Práticas Seguras na 
Administração de Medicamentos. Brasília, 2021. Disponível em: 
. Acesso em: 15 ago. 2025. 
BRASIL. Decreto-lei n. 94.406, de 8 de junho de 1987. Diário Oficial da União, 
Poder Executivo, Brasília, DF, 8 jun. 1987. Disponível em: 
. Acesso 
em: 15 ago. 2025. 
BRASIL. Lei n. 7.498, de 25 de junho de 1986. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 25 jun. 1986. Disponível em: 
. Acesso em: 15 ago. 
2025. 
BURCHUM, J. R.; ROSENTHAL, L. D. Lehne’s Pharmacology for Nursing 
Care. 10. ed. St. Louis: Elsevier, 2019. 
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem. Anvisa disponibiliza formulário 
de erro de medicação aos profissionais da saúde. 10 dez. 2010. Disponível 
em: . Acesso em: 15 ago. 
2025. 
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem. Resolução n. 564, de 6 de 
novembro de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 nov. 2017. 
Disponível em: . 
Acesso em: 15 ago. 2025. 
 
 
22 
COREN-CE – Conselho Regional de Enfermagem do Ceará. Parecer Técnico 
n. 012/2024 (PAD 854-2024): Acompanhamento e infusão de contraste iodado. 
Parecerista: Dra. Susana Beatriz de Souza Pena. Fortaleza, jan. 2025. 
Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2025. 
POTTER, P. A. et al. Fundamentos de enfermagem. 11. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2024.

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