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PERICIA FORENSE: DOCUMENTOSCOPIA Profª mestre Daniella Diniz 1 2 Temas de aprendizagem FRAUDE DOCUMENTAL A fraude documental é considerada crime no Brasil e está prevista no Código Penal Brasileiro, inserida no capítulo dos crimes contra a fé pública. Ela engloba diversas condutas, como falsificar ou alterar documentos públicos ou particulares, com penas que podem chegar a anos de prisão, dependendo da gravidade e do tipo de documento. Falsificação de Documento Público (Art. 297): Falsificar no todo ou em parte, ou alterar documento público verdadeiro (como RG, CNH, Passaporte, Diploma). Pena: reclusão de 2 a 6 anos e multa. Falsificação de Documento Particular (Art. 298): Falsificar ou alterar documento particular (contratos, recibos). Pena: reclusão de 1 a 5 anos e multa. Uso de Documento Falso (Art. 304): Fazer uso de qualquer um dos documentos falsificados ou alterados acima mencionados. A pena é a mesma da falsificação. 3 Diferenças e Detalhes Importantes Falsidade Material vs. Ideológica: A falsidade material altera a forma física do documento (rasuras, montagens). A falsidade ideológica altera a verdade dos fatos relatados no documento. Falsidade de Atestado Médico (Art. 302): Dar atestado falso sobre estado de saúde para obter vantagem. Pena: detenção de um mês a um ano. Documentos Equiparados: Para fins penais, cartões de crédito/débito, testamentos e livros mercantis são equiparados a documentos particulares. Consunção (Súmula 17 do STJ): Se o uso de documento falso for apenas um meio para cometer estelionato, o crime de uso de documento falso é absorvido pelo estelionato, caso o documento não possua potencialidade lesiva para outros fins. A prática, portanto, não é apenas um ilícito civil, mas uma infração penal séria, pois fere a fé pública, que é a confiança que a sociedade e o Estado depositam nos documentos. Uso de Documento Falso (Art. 304): Fazer uso de qualquer um dos documentos falsificados ou alterados acima mencionados. A pena é a mesma da falsificação. 4 5 Você já esteve diante de uma falsificação documental? Seria capaz de identificar um documento idôneo que sofreu uma fraude? Ou afirmar que o tal documento não sofreu fraude, mas sim, produzido “totalmente do zero” pelo falsário, ou seja, que é um documento “inventado”? PADRÕES DE CONFRONTO • Consiste no modelo que se toma como ponto de partida para as comparações. • Trata-se de peças autênticas, sobre as quais não há qualquer dúvida de sua autenticidade ou autoria. • Qualquer peça pode servir de padrão. • Quando se trata de grafismo (lançamentos manuscritos), têm-se os padrões gráficos ou lançamentos padrões 6 PEÇAS QUESTIONADAS Referem-se a documentos ou escritas, sejam elas mecanografadas ou grafadas manualmente (os grafismos) sobre os quais recai a suspeição de falsidade. São os documentos questionados que serão submetidos aos exames periciais a fim de confirmar (ou não) a suspeição da falsidade dos mesmos. Os referidos exames periciais, a que são submetidos os Documentos Questionados, nada mais são do que analises comparativas entre eles e os Documentos Padrões (ou Padrões de Confronto). Havendo convergência entre Documentos Questionados e Padrões, pode-se tratar de que a suspeita de falsidade que recaisobre o Documento Questionado não se sustenta (quando a assinatura presente no documento é, de fato, autêntica, não tendo sofrido falsificações ou alterações, como alegava seu autor visando fugir de alguma responsabilidade), ou também, pode-se estar diante da autoria de uma falsificação (quando se descobre o autor de uma falsificação). 7 PEÇAS QUESTIONADAS Referem-se a documentos ou escritas, sejam elas mecanografadas ou grafadas manualmente (os grafismos) sobre os quais recai a suspeição de falsidade. São os documentos questionados que serão submetidos aos exames periciais a fim de confirmar (ou não) a suspeição da falsidade dos mesmos. Os referidos exames periciais, a que são submetidos os Documentos Questionados, nada mais são do que analises comparativas entre eles e os Documentos Padrões (ou Padrões de Confronto). Havendo convergência entre Documentos Questionados e Padrões, pode-se tratar de que a suspeita de falsidade que recaisobre o Documento Questionado não se sustenta (quando a assinatura presente no documento é, de fato, autêntica, não tendo sofrido falsificações ou alterações, como alegava seu autor visando fugir de alguma responsabilidade), ou também, pode-se estar diante da autoria de uma falsificação (quando se descobre o autor de uma falsificação). 8 A IMPORT Vantagens 9 Simulado 1 – 30/09/2025 No caso de divergência, pode-se estar diante de um Documento Inautêntico (neste caso, a divergência decorre do fato de que a assinatura presente do documento questionado não ser oriunda do mesmo punho da vítima, ou seja, a pessoa detentora da competência de assinar o documento). A FRAUDE DOCUMENTAL Ela pode ser distribuída por três categorias: falsificações, alterações e autenticidades. Tipos de fraude documental FALSIFICAÇÕES • Sem imitação; • De memória; • Servil; • Exercitada; e • Por decalques (glossário) – direto e indireto ALTERAÇÕES Podem ser: Físicas: por meio de rasuras ou acréscimos cursivos e mecanográficos; Químicas: por meio de lavagem química. 10 Simulado 1 – 30/09/2025 AUTENTICIDADES Subdividem-se em: servil; Autofalsificação; Simulação do falso; Negativa de autenticidade; e Transplante (glossário) TIPOS DE FALSÁRIOS Os falsários podem ser divididos em dois grandes grupos: OCASIONAIS OU EVENTUAIS São aqueles que não fazem da falsificação um meio de vida. Quando surge a oportunidade, valem-se da falsificação para se locupletarem desonestamente. PROFISSIONAIS Tanto podem agir isoladamente com em quadrilha, em que cada elemento tem uma função. . 11 Simulado 1 – 30/09/2025 TIPOS DE FALSIFICAÇÕES Falsificação sem imitação • É a reprodução de assinatura, sem se preocupar em imitar as formas das assinaturas legítimas, que se desconhece. Este processo é utilizado por falsários eventuais ou primários. • É o caso do desocupado que, encontrando um talão de cheques, preenche escrevendo o nome do proprietário do referido talão. O lançamento falso não guarda semelhança formal com a assinatura do proprietário do cheque e, por isso, não passa em uma verificação de firma em um estabelecimento bancário, por exemplo. • Nas falsificações sem imitação, não se encontram coincidências genéticas nem mesmo nos elementos formais. • A prova de autoria é relativamente fácil, pois o falsário simplesmente escreve o nome do terceiro com seu próprio grafismo. • Podem ser introduzidos artificialismos, prejudicando as formas, mas os elementos genéticos do falsário ali estão para a prova de autoria 12 Simulado 1 – 30/09/2025 13 Simulado 1 – 30/09/2025 14 Simulado 1 – 30/09/2025 15 Simulado 1 – 30/09/2025 Falsificação de memória É aquela em que o falsário, estando familiarizado com a assinatura de sua vítima, procura reproduzi-la sem ver o modelo, valendo-se da memória. • É praticado por pessoas que manuseiam os cheques de seus patrões, por exemplo. • O falsário guarda de memória os gestos mais aparentes da assinatura que vai reproduzir, como as letras iniciais, maiúsculas, as cetras (traços ornamentais que arrematam as assinaturas), mas não memoriza o conjunto todo. • O traçado dessas falsificações é híbrido: há traços morosos, aqueles que estão sendo reproduzidos pela memória e outros mais rápidos, que são resultantes da própria escrita do falsário. • O êxito desse tipo de falsificação é relativo e vai depender da atenção do verificador de firmas. • Nas perícias oficiais, o embuste é desmascarado sem grande dificuldade. • O confrontomostra dissociações genéticas. Podem ser registradas pequenas semelhançasformais, contudo as discrepâncias são em número maior. 16 Simulado 1 – 30/09/2025 17 Simulado 1 – 30/09/2025 Imitação servil É o mais pobre dos processos: o falsário, fiel ao modelo, o reproduz no documento que está forjando. • Copiar não é fácil, depois de cada gesto, o falsário é obrigado a parar e olhar o modelo, voltando afazer outro trecho do lançamento. • A comparação entre a assinatura legítima e o produto da imitação mostra diferença na qualidade do traçado e total discrepância dos elementos genéticos. Há apenas coincidências de ordem formal. • Alguns retoques podem ser realizados pelo falsário após a execução da cópia, deixando mais marcas. 18 Simulado 1 – 30/09/2025 19 Simulado 1 – 30/09/2025 Falsificações exercitadas É o mais perigoso e difícil tipo de falsificação. O falsário se apossa de um modelo autêntico e, depois de cuidadoso treino, o reproduz. • O confronto entre uma falsificação exercitada com o modelo guarda coincidência na qualidade do traço. • Pode haver semelhança quanto aos elementos formais. • Antagonismo gráfico: O lançamento questionado apresenta traçado relativamente rápido. Os gestos mais aparentes apresentam alguma semelhança. Pode haver algum retoque, mas a gênese(movimentação do punho escritor) apresentará conflito. 20 Simulado 1 – 30/09/2025 Decalques: são processos primários de falsificação, pois os resultados são grosseiros. Subdividem-se em: Direto: o modelo é colocado sob o suporte da peça que se prepara, e por transparência: o traçado é recoberto. • Apresentam semelhança formal com o modelo, mas o seu traçado é bem lento, cheio de trêmulos e hesitações, com paradas do instrumento escrevente e subsequente retomada do traço. • Os elementos genéticos ficam prejudicados pela operação (cópia). • Quando examinado isoladamente, o decalque se confunde com as falsificações servis, porém, ao se verificar uma série de documentos, a perfeita superposição das várias assinaturas entre sievidencia o processo. • Para se demonstrar a fraude basta fotografar as duas assinaturas e copiá-las, em mesmo grau de ampliação, e fazer a prova de superposição. Indireto : O falsário reproduz o modelo primeiramente a lápis, ou transfere, com emprego de papel carbono, para depois recobrir. • O produto resultante, consequentemente, apresenta vícios dessas operações. O traço é vagaroso, eivado de trêmulos e indecisões. Apresenta paradas anormais do instrumento e vestígios de texto subjacente. Há de se acrescentar que os decalques (diretos e indiretos) não permitem a prova da autoria, ou seja, não permitem a identificação dos autores da falsificação. 21 22 Bibliografia Básica HEIMOSKI, V.T.M.; TIMI, S.R.R. Fraudes contábeis e documentais. Curitiba: Contentus, 2020 Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Loader/184440/pdf PARODI, Lorenzo. Falsificação de documentos em processos eletrônicos. São Paulo: Brasport, 2018. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/164695/epub/ WENDT, E.; LOPES, F.M.(Orgs.). Investigação criminal: ensaios sobre a arte de investigar iidi2014 2018. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/164695/epub/ WENDT, E.; LOPES, F.M.(Orgs.). Investigação criminal: ensaios sobre a arte de investigar crimes. Rio de Janeiro: Brasport, 2014 Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/160688/epub 23 Bibliografia complementar D'ÁLMEIDA, Maria Luiza Otero; KOGA, Mariza Eiko Tsukuda; GRANJA, Silvana Manzi. Documentoscopia: o papel como suporte de documentos.. São Paulo, 2015.: Disponível em: https://www.ipt.br/download.php?filename=1455Livro_documentoscopia.pdf JORGE, H.V.N. Investigação criminal tecnológica. v.1: contém modelos de representações e requisições, além de procedimentos para investigação em fontes abertas. Rio de Janeiro: Brasport, 2018 Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/167979/epub MENDRONI, Marcelo Batlouni. Curso de investigação criminal. 3.ed.. São Paulo: Atlas, 2013 Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788522476947 PECK, Patricia. Direito digital. 6. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2016 Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788502635647 RANGEL, Paulo. Investigação criminal direta pelo Ministério Público: visão crítica. 5. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2016 Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788597008647 24 Bons estudos. Até a próxima aula! Profª Ms. Daniella Diniz 25 image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.emf image13.png image14.png image15.emf image16.emf image17.png image18.png