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CURSO - Fundamentos de Governança e boas práticas da regulação Dimensões da governança regulatória Ponto 6 – Consistência e proporcionalidade • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito - UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira . José Carlos de Oliveira Professor na Universidade Estadual Paulista - UNESP Lei n. 9784/1999 – regula o processo administrativo A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. • adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; • indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; • adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; • interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Consistência. Segurança Jurídica. • Estabilidade das relações jurídicas. Boa-fé/lealdade do cidadão que acredita e espera que os atos praticados pelo poder público, sejam lícitos, previsíveis e proporcionais. Ato Administrativo como Manifestação da administração pública - A Administração não iniciará qualquer atuação material relacionada com a esfera jurídica dos particulares sem a prévia expedição de ato administrativo que lhe sirva de fundamento salvo na hipótese de expressa previsão legal. • A proporcionalidade é o meio para avaliar se o ato administrativo esta em condição de obter o fim previamente fixado, com o menor sacrifício dos interesses em conflitos. • A proporcionalidade requer um comportamento equilibrado da administração pública. • O excesso que extrapole a equilibrada relação entre meio e fim, entrará conflito com a Legalidade. • Agente/competência – Poder de decisão • Forma – exteriorização da vontade da administração • Motivo - situação de Fato/Direito que autoriza a atuação da administração. • Conteúdo do ato – Efeito jurídico que o ato produz. • Finalidade – Interesse público • Motivação – Justificativa de uma escolha. • Controle judicial dos atos administrativos regulatórios • Vício de legalidade Os pressupostos da aplicação da regra de proporcionalidade A aplicação da regra de proporcionalidade exige inicialmente que sejam estudados alguns pressupostos, sem os quais não há possibilidade de proceder ao exame mais apurado daquela. Um primeiro aspecto a ser verificado é que o emprego da regra de proporcionalidade depende da existência de um caso in concreto que favoreça a aplicação de uma medida concreta que se destine à realização de uma finalidade pública, cuja utilização poderá ou não restringir os direitos e necessidades básicas do administrado. Portanto, o administrador público, antes de utilizar determinada medida, deverá fazer as seguintes indagações: 1) a medida a ser adotada é favorável para atingir a finalidade pública?; (Conformidade/adequação) 2) dentre todas as medidas disponíveis para atingir o fim, qual a menos restritivas (ou mais suave) e que cause menor lesão ao interesse do particular?; (necessidade/exigibilidade) 3) o beneficio ao interesse público compensa a desvantagem provocada ao interesse particular com a adoção da medida escolhida? (máxima do Sopesamento). Aplicação da proporcionalidade • Cuida-se de aferir a compatibilidade da lei com os fins constitucionalmente previstos ou de constatar a observância do princípio da proporcionalidade. • A violação ao princípio da proporcionalidade ou da proibição de excesso, que se revela mediante contraditoriedade, incongruência, e irrazoabilidade ou inadequação entre meios e fins. • Portanto, na base da regra de proporcionalidade, três elementos devem ser considerados: • o meio, o fim, e a situação de fato (caso concreto). • Deve ser observada a existência de três sub-regras ou máximas (ou sub-princípios): • Conformidade ou adequação, necessidade ou exigibilidade e proporcionalidade em strictu sensu ou máxima do Sopesamento. LINDB – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Artigo incluído pela Lei n. 13.655 de 2018 Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. Bloco de legalidade. A Administração não age apenas de acordo com a lei: necessário atentar à moralidade, à boa-fé, à igualdade, à boa administração, à razoabilidade, à proporcionalidade – enfim, aos princípios que adensam o conteúdo das imposições legais. A proporcionalidade-necessidade significa a ausência de validade de uma decisão que produza restrições superiores ao mínimo necessário à realização do fim buscado. Avaliar as diversas alternativas propiciadas pela disciplina jurídica e escolher aquela que se revelar como a mais compatível com a realização dos fins buscados e a menos restritiva possível. Proporcionalidade em sentido restrito, proíbe solução que acarrete o sacrifício de valores protegidos constitucionalmente. Controle judicial. Legalidade x proporcionalidade = adequação/necessidade Referências GARCIA, Enrique Alonso. “El principio de igualdad del articulo 14 de la constitucion española”, Revista de Administracion Publica, p. 37, 57 e 63, ns. 100-102, enero/diciembre, 1983. GONZALEZ-CUELLAR SERRANO, Nicolas. Proporcionalidad y derechos fundamentales en el proceso penal. Madrid: Colex, 1990. OLIVEIRA, José Carlos de. A vinculação da administração pública ao conteúdo da lei e do direito. In: DUARTE NETO, J. (Org.) TEMAS DE DIREITO PÚBLICO III. São Paulo: Cultura Acadêmica Editora, 2013, v. 1, p. 197-207. OLIVEIRA, José Carlos de; PIRES, A. F. . TRANSPARÊNCIA E ACCOUNTABILITY: Por que não funciona?. In: FIGUEIRAS, M.S. (Org.) TEMAS DE DIREITO PÚBLICO II. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012, v. 1, p. 157-194. RIBAS, C.L; CASTRO, G.A.P. O controle jurisdicional dos atos administrativos discricionários. Revista de direito administrativo, Rio de Janeiro, v. 268, p. 83-116, jan/abr. 2015 SAMIENTO, Daniel. El principio de proporcionalidad y la defensa de la autonomia local. Revista de Administracion Publica, p.154, n. 162, sep./dic. 2003. VAZQUEZ, Javier Barnés. Introduccion al principio de proporcionalidad en el derecho comparado y comunitário. Revista de Administracion Publica, p. 531-534, n. 135, sep./dic. 1994. Obrigado! Centro de estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos. www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br