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Página 1 de 6 AFYA FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DE MANACAPURU CURSO DE MEDICINA NOTA FINAL Aluno: GABARITO TIPO 01 Componente Curricular: SISTEMAS ORGÂNICOS INTEGRADOS III Professor (es): Alessandra Paiva, Karolaine Bentes e Tássia Mendes Período: 2025/01 Turma: MEDIT403A Data: 02/05/2025 PROVA TIPO 01 2ª Avaliação Multiestações - SOI III MULTIESTAÇÃO 01 Situação Clínica Situação Clínica: Paciente do sexo feminino, 60 anos, hipertensa e diabética mellitus. Foi atendida no pronto-socorro com febre alta, calafrios e cansaço que segue por mais de uma semana. Informa ainda perda de peso desintencional e transpiração noturna. Ao exame físico, foi auscultado um sopro cardíaco novo, de intensidade moderada, em foco mitral, e presença de petéquias em extremidades. Estação 01 (0,75 pontos): Questão de Imagem Para realização de ecocardiograma para avaliação de possível doença valvar. Qual o tipo de transdutor a ser utilizado? a) Transdutor Convexo. b) Transdutor Endocavitário. c) Transdutor Setorial. d) Transdutor Linear. Resposta comentada: (alternativa C CORRETA). O transdutor setorial é o utilizado no ecocardiograma transtorácico. Ele permite uma imagem em formato de leque com boa penetração e resolução, ideal para visualizar estruturas cardíacas profundas, como as válvulas. É o padrão dos exames ecocardiográficos convencionais. a) Incorreta. O transdutor convexo é utilizado em exames abdominais e obstétricos, pois oferece boa penetração, mas com resolução menor para estruturas cardíacas. Não é o mais apropriado para ecocardiografia. b) Incorreta. Esse tipo de transdutor é usado em exames ginecológicos e urológicos (ex: via transvaginal ou transretal), e não para avaliação cardíaca. d) Incorreta. O transdutor linear é indicado para exames superficiais, como vasculares, tireoide ou estruturas musculoesqueléticas. Tem alta resolução, mas pouca penetração, o que o torna inadequado para visualização cardíaca profunda. Referência: FALCÃO, Creso. A.; II, Jeronimo. M. Cardiologia - Diagnóstico e Tratamento. MedBook Editora, pag 541-551, 2017. Estação 02 (0,75 pontos): Questão de Farmacologia/Patologia Clínica Em relação ao paciente diagnosticado com endocardite infecciosa, com base na hemocultura positiva para Staphylococcus aureus, além do antibiograma indicando resistência à amoxicilina e clindamicina e sensibilidade à vancomicina e ceftriaxona, assinale qual é a principal implicação para o tratamento do paciente: a) O tratamento com amoxicilina e clindamicina pode ser iniciado imediatamente, pois as duas drogas são eficazes contra Staphylococcus aureus. Página 2 de 6 b) A resistência do Staphylococcus aureus aos antibióticos não afeta a escolha do tratamento, que pode ser baseado em critérios clínicos apenas. c) O antibiótico de escolha deve ser a amoxicilina, uma vez que a resistência a clindamicina e amoxicilina é irrelevante nesse caso. d) A vancomicina e a ceftriaxona devem ser utilizadas, pois o Staphylococcus aureus demonstrou sensibilidade a essas drogas, indicando que são as opções mais eficazes. Resposta comentada: (alternativa D CORRETA). O antibiograma demonstra sensibilidade do Staphylococcus aureus à vancomicina e à ceftriaxona. Isso significa que essas drogas têm maior probabilidade de serem eficazes no combate à infecção. A escolha entre elas, ou a combinação, dependerá de outros fatores clínicos, da gravidade da infecção, da presença de alergias e das diretrizes de tratamento para endocardite por Staphylococcus aureus. No entanto, com base apenas no antibiograma, essas são as opções a serem consideradas como as mais eficazes. a) Incorreta. O antibiograma claramente indica resistência à amoxicilina e clindamicina. Utilizar esses medicamentos resultaria em falha terapêutica, pois o Staphylococcus aureus isolado não é suscetível a eles. b) Incorreta. A resistência bacteriana aos antibióticos é um fator determinante na escolha do tratamento da endocardite infecciosa. Ignorar o antibiograma e basear o tratamento apenas em critérios clínicos seria negligente e levaria a um tratamento inadequado. c) Incorreta. A resistência à amoxicilina é uma informação relevante e indica que este antibiótico não será eficaz contra a infecção do paciente. A afirmação de que a resistência é irrelevante é falsa e perigosa. Referência: MURRAY, Patrick R.; ROSENTHAL, Ken S.; PFALLER, Michael A. Microbiologia Médica. 9th ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2022. E-book. p.171. ISBN 9788595159662. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159662/. Estação 03 (0,75 pontos): Questão de Anatomopatologia/Patologia Geral A partir do quadro clínico apresentado e dos achados típicos da endocardite infecciosa, assinale a alternativa que descreve corretamente as características macroscópicas e histológicas das lesões vegetantes em valvas cardíacas. a) As vegetações são estruturas lisas e friáveis, compostas predominantemente por tecido fibroso e de células inflamatórias. b) As vegetações costumam ser friáveis, irregulares, aderidas às valvas, compostas por fibrina, células inflamatórias e colônias de microrganismos. c) As lesões vegetantes são calcificações nodulares que se formam exclusivamente em valvas cardíacas. d) As vegetações da endocardite apresentam aspecto nodular, histologicamente apresentam áreas de necrose, e são ricas em plasmócitos. Resposta Comentada: (alternativa B CORRETA). Essa alternativa descreve com precisão os achados macroscópicos e histológicos típicos da endocardite infecciosa. As vegetações são friáveis (risco de embolização), irregulares, e compostas por fibrina, neutrófilos e colônias bacterianas. a) Incorreta. As vegetações da endocardite não são lisas, e sim irregulares e de aspecto grosseiro. Além disso, o tecido fibroso aparece em fases crônicas e cicatriciais, não sendo o componente predominante das vegetações ativas. As células inflamatórias estão presentes, mas a fibrina e os microrganismos predominam nas lesões infecciosas agudas. Página 3 de 6 c) Incorreta. Essa descrição é compatível com valvopatias degenerativas (ex: calcificação da valva aórtica senil), mas não com endocardite. As vegetações da endocardite não são calcificações nodulares, e embora afetem com mais frequência as valvas, não se formam exclusivamente nelas. d) Incorreta. O aspecto típico das vegetações na endocardite infecciosa é irregular, volumoso e friável, e não necessariamente "nodular". e indica predomínio de plasmócitos, o que não condiz com o padrão histológico clássico da endocardite infecciosa aguda, onde há predomínio de neutrófilos. Referência: FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E- book. p.393. ISBN 9788527738378. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738378/. MULTIESTAÇÃO 02 Situação Clínica Paciente masculino, 68 anos, com fibrilação atrial crônica em uso irregular de varfarina, apresenta dor e edema na perna esquerda há 5 dias. Ao exame, panturrilha esquerda edemaciada e dolorosa. Realizado US Doppler venoso que confirma TVP na veia poplítea e tibiais esquerdas. No pronto-socorro, o paciente inicia com súbita falta de ar e dor torácica. A radiografia de tórax é normal. Diante da suspeita clínica de embolia pulmonar, é solicitada angiotomografia de tórax. Foram solicitados os seguintes exames para avaliar a hemostasia: TAP (tempo de protrombina) com razão normalizada internacional (INR), TPPA, fibrinogênio e D-dímero. Histórico adicional relevante: Paciente sedentário, realizou viagem aérea longa há 3 semanas. Estação 04 (0,75 pontos): Questão de Imagem Com base na imagem, assinale a alternativa correta: a) A seta mostra um vaso sem falhas de enchimento na sua luz.Neste exame não se fez necessário o uso do contraste. b) A seta mostra as falhas de enchimento dentro dos vasos em corte coronal. Os vasos normais sem embolia vermos bem densificados, branco. c) A seta evidencia o trombo central localizado dentro da artéria pulmonar com formato arredondado, sem contraste iodado. d) A seta mostra uma imagem hipodensa onde é visualizado o trombo. A artéria se encontra preenchida por contraste. Página 4 de 6 Resposta comentada: (alternativa D CORRETA). A seta aponta para uma imagem hipodensa (escura) no interior da artéria pulmonar, compatível com trombo. O contraste iodado realça a luz do vaso, permitindo a identificação clara da falha de enchimento, característica do tromboembolismo pulmonar (TEP). a) Incorreta. O vaso apontado apresenta uma falha de enchimento visível (imagem hipodensa), característica de trombo. Além disso, o exame foi feito com contraste, como evidenciado pela hiperdensidade (área branca) ao redor do trombo. b) Incorreta. A afirmação sobre a opacificação dos vasos está correta, mas a imagem está em corte axial, não coronal. c) Incorreta. Embora identifique corretamente a presença de trombo, a afirmação de que não há contraste está equivocada. O contraste está presente e é essencial para evidenciar o trombo como falha de enchimento. Referência: MOREIRA, Fernando A. Guia de Diagnóstico por Imagem. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.44. ISBN 9788595154872. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595154872/. MARCHIORI, Edson. Introdução à Radiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. E-book. p.29. ISBN 978-85-277-2702-0. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978- 85-277-2702-0/. Estação 05 (0,75 pontos): Questão de Farmacologia/Patologia Clínica Considerando um paciente com suspeita de distúrbio de coagulação, a avaliação laboratorial inicial frequentemente inclui o Tempo de Protrombina (TP ou TAP) e o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TPPA). Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a relação desses exames com as vias da cascata de coagulação? a) O TP (TAP) avalia a via extrínseca (fator VII) e a via comum (fatores X, V, II, I), enquanto o TPPA avalia a via intrínseca (fatores XII, XI, IX, VIII) e a via comum (fatores X, V, II, I). b) O TP (TAP) avalia principalmente a via intrínseca (fatores XII, XI, IX, VIII), enquanto o TPPA avalia a via extrínseca (fator VII). Ambos convergem na ativação do fator X. c) O TP (TAP) avalia a via comum (fatores X, V, II, I), enquanto o TPPA avalia as vias intrínseca e extrínseca de forma combinada. d) O TP (TAP) e o TPPA avaliam exclusivamente a via comum, sendo utilizados para monitorar anticoagulantes que atuam nesse ponto da cascata. Resposta comentada: (alternativa A CORRETA). • O Tempo de Protrombina (TP ou TAP) é um teste de coagulação que avalia a integridade da via extrínseca da cascata de coagulação, dependente do fator VII, e também da via comum (fatores X, V, II - protrombina, e I - fibrinogênio). É o exame utilizado para monitorar a terapia com varfarina, que age inibindo a síntese dos fatores dependentes da vitamina K (incluindo o fator VII). • O Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TPPA) é outro teste de coagulação que avalia a integridade da via intrínseca da cascata de coagulação, envolvendo os fatores XII, XI, IX e VIII, bem como a via comum (fatores X, V, II e I). É o exame utilizado para monitorar a terapia com heparina não fracionada, que potencializa a ação da antitrombina III, inibindo principalmente a trombina (fator IIa) e o fator Xa. Referência: SILVA, Paulo H.; ALVES, Hemerson B.; COMAR, Samuel R.; et al. Hematologia Laboratorial. Porto Alegre: ArtMed, 2015. E-book. p.384. ISBN 9788582712603. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582712603/. Estação 06 (0,75 pontos): Questão de Anatomopatologia/Patologia Geral Página 5 de 6 Estação 06 (0,75 pontos): Questão de Anatomopatologia/Patologia Geral Considerando a história clínica e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, assinale a alternativa que descreve corretamente um dos componentes da tríade de Virchow e sua relação com a trombose venosa profunda (TVP). a) O fluxo anormal, como estase sanguínea que ocorre após longos períodos de imobilidade ou viagens prolongadas, é um fator importante para o desenvolvimento de TVP. b) A lesão endotelial contribui para a ativação de fatores de fibrinólise e expressão de moléculas trombóliticas, favorecendo a formação do trombo. c) A presença de embolia pulmonar descarta a hipótese de trombose venosa profunda como causa primária. d) A hipercoagulabilidade, especialmente em contextos adquiridos como o uso regular e adequado de anticoagulantes, é um componente da tríade de Virchow relacionado à trombose venosa. Resposta comentada: (alternativa A CORRETA). A estase venosa é um dos pilares da tríade de Virchow e favorece o desenvolvimento de trombose venosa profunda, especialmente em situações de imobilização prolongada. b) Incorreta. A lesão endotelial favorece a formação de trombos ao induzir um estado pró-coagulante, com ativação de plaquetas e exposição do fator tecidual. Já a fibrinólise e as moléculas trombolíticas atuam na dissolução do coágulo, sendo, portanto, processos antagônicos à trombose. c. Incorreta. A TVP é a principal causa de embolia pulmonar. Um trombo formado em veias profundas, geralmente dos membros inferiores, pode se desprender e migrar até a circulação pulmonar. d. Incorreta. O uso adequado de anticoagulantes, como a varfarina, tem justamente o objetivo de reduzir o risco de trombose. O risco aumenta em caso de uso irregular ou suspensão, e não com a adesão correta à terapia. Referência: FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. 10th ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E- book. p.204. ISBN 9788527738378. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738378/. MULTIESTAÇÃO 03 Situação Clínica Paciente do sexo feminino, 25 anos, com histórico de rinite alérgica e asma desde a infância, procura atendimento por piora da dispneia, tosse seca noturna e chiado no peito há três dias. Relata uso irregular de medicação preventiva e exposição recente a poeira durante faxina. Ao exame físico, apresenta sibilos difusos e aumento do tempo expiratório. Foi realizada espirometria, que mostrou obstrução reversível ao uso de broncodilatador. Iniciou-se tratamento com corticoide inalatório associado a broncodilatador de curta ação. Estação 07 (0,75 pontos): Questão de Imagem Assinale a opção ao qual demonstra sinais radiológicos característicos de DPOC na radiografia de Tórax: Página 6 de 6 a) Hiperinsuflação muito acentuada de ambos os pulmões. Planificação das cúpulas diafragmáticas e aumento do espaço aéreo intercostal. b) Grande presença de líquido visto à direita. Obliteração do seio costofrênico esquerdo com curva do menisco empurrando o coração para o lado contralateral. c) Aumento da radiotransparência (hiperlucência) de ambos os pulmões. Ausência de trama vascular com deslocamento de estruturas mediastinais. d) Lesão escavada com traqueia desviada. Discreta irregularidade na base do pulmão direito. Redução da opacidade no pulmão direito. Resposta comentada: (Alternativa A CORRETA). Esses são os principais sinais radiológicos de DPOC: Pulmões hiperinsuflados (aumento da transparência pulmonar). Diafragmas planificados. Aumento do espaço intercostal. Aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax (tórax em barril). Esses achados estão visíveis na imagem apresentada. b) Incorreta. Essa descrição é compatível com derrame pleural, não com DPOC. Além disso, a imagem não mostra obliteração dos seios costofrênicos nem desvio do mediastino. c)Incorreta. Embora a hiperlucência ocorra no DPOC, o deslocamento de estruturas mediastinais é mais típico de pneumotórax hipertensivo, e ausência total da trama vascular não é esperada — ela pode estar reduzida, mas não ausente. d) Incorreta. Essa descrição é mais compatível com processos cavitários, como tuberculose ou abscesso pulmonar. Não são características do DPOC. Referência: MOREIRA, Fernando A. Guia de Diagnóstico por Imagem. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2017. E-book. p.44. ISBN 9788595154872. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595154872/. Estação 08 (0,75 pontos): Questão de Farmacologia/Patologia Clínica Considerando a paciente de 25 anos com histórico de asma que apresenta piora da dispneia e chiado no peito, sendo iniciado o tratamento com corticoide inalatório associado a broncodilatador de curta ação, assinale qual a principal diferença no mecanismo de ação dessas duas classes de medicamentos para o controle dos sintomas da asma: a) Broncodilatadores atuam diretamente na redução da produção de muco, enquanto corticoides diminuem o edema da parede brônquica. b) Broncodilatadores de curta ação controlam os sintomas a longo prazo, enquanto corticoides proporcionam alívio rápido durante as crises agudas. c) Broncodilatadores inibem a resposta inflamatória nas vias aéreas, enquanto corticoides relaxam a Página 7 de 6 musculatura lisa brônquica. d) Broncodilatadores promovem o relaxamento da musculatura lisa brônquica, aliviando o broncoespasmo, enquanto corticoides reduzem a inflamação e a hiper-reatividade das vias aéreas. Resposta comentada: (alternativa D CORRETA). Ela descreve os mecanismos de ação primários de cada classe de medicamento no controle da asma. Os broncodilatadores atuam no alívio imediato do broncoespasmo, enquanto os corticoides tratam a inflamação subjacente, que é a principal causa da hiper-reatividade brônquica e dos sintomas a longo prazo. a) Incorreta. Embora os broncodilatadores possam facilitar a expectoração ao abrir as vias aéreas, eles não têm um efeito direto significativo na redução da produção de muco. Os corticoides inalatórios, ao diminuírem a inflamação, consequentemente reduzem o edema da parede brônquica e a produção de muco, mas seu mecanismo principal é a ação anti-inflamatória. b) Incorreta. Os broncodilatadores de curta ação são utilizados para o alívio rápido dos sintomas agudos (crises), pois promovem o relaxamento imediato da musculatura lisa brônquica. Os corticoides inalatórios são medicamentos de controle a longo prazo, utilizados diariamente para reduzir a inflamação subjacente e prevenir os sintomas e exacerbações. c) Incorreta. Ela inverte os mecanismos de ação primários. Os corticoides inalatórios são os que atuam principalmente inibindo a resposta inflamatória nas vias aéreas. Os broncodilatadores são os que promovem o relaxamento da musculatura lisa brônquica. Referência: LOSCALZO, Joseph; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024. E-book. p.2156. ISBN 9786558040231. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040231/. Estação 09 (0,75 pontos): Questão de Anatomopatologia/Patologia Geral Assinale a alternativa que descreve corretamente achados anatomopatológico típicos das vias aéreas em pacientes com asma brônquica. a) Destruição das paredes alveolares e rarefação do parênquima pulmonar, com infiltrado linfocitário leve. b) Proliferação de pneumócitos tipo II e acúmulo de exsudato fibrinoso nos alvéolos, com eosinofilia. c) Hiperplasia das glândulas submucosas com aumento do índice de Reid e infiltrado neutrofílico denso. d) Secreção abundante na luz das vias respiratórias, infiltrado eosinofílico na submucosa, espessamento da membrana basal e hipertrofia da musculatura lisa brônquica. Resposta comentada: (alternativa D CORRETA). Esses são achados clássicos da asma, refletindo a inflamação alérgica crônica e o remodelamento das vias aéreas. a) Incorreta. Essa descrição é típica do enfisema, forma de DPOC, e não da asma. Na asma, o parênquima alveolar geralmente está preservado. b) Incorreta. Essa descrição é compatível com pneumonia eosinofílica ou fases da síndrome da angústia respiratória aguda (SDRA), e não com asma. c) Incorreta. Esses achados são típicos de bronquite crônica, outra forma de DPOC. O infiltrado predominante na asma não é neutrofílico, exceto em formas graves. Referências: FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E- book. p.428. ISBN 9788527738378. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738378/. Página 8 de 6 MULTIESTAÇÃO 04 Situação Clínica Uma estudante de medicina de 22 anos, natural e residente de Manacapuru, realiza o teste de Mantoux (PPD) como parte do rastreamento anual obrigatório da universidade. A leitura após 72 horas revela uma enduração de 12 mm. A paciente encontra-se assintomática, sem história de contato conhecido com pessoas com tuberculose ativa e a radiografia de tórax realizada na mesma ocasião é normal. Nega tabagismo, etilismo ou outras comorbidades. É diagnosticada com Infecção Latente da Tuberculose (ILTB) e inicia tratamento com isoniazida (INH) diária por 6 meses. Estação 10 (0,75 pontos): Questão Integrada A isoniazida (INH) é um dos principais fármacos utilizados no tratamento da tuberculose, tanto na doença ativa quanto na infecção latente. Com base nisso, assinale a seguir, qual alternativa apresenta o principal mecanismo de ação da isoniazida no Mycobacterium tuberculosis: a) Inibição da síntese da parede celular bacteriana através da ligação à peptidoglicano transpeptidase. b) Interferência na síntese de ácidos nucleicos, ligando-se à RNA polimerase dependente de DNA. c) Inibição da síntese de ácido micólico, um componente essencial da parede celular do micobactério. d) Bloqueio da síntese proteica bacteriana ao ligar-se à subunidade 30S do ribossomo. Resposta comentada: (alternativa C CORRETA). O principal mecanismo de ação da isoniazida (INH) envolve a inibição da síntese do ácido micólico. O ácido micólico é um componente único e essencial da parede celular do Mycobacterium tuberculosis, conferindo-lhe características como resistência à desidratação e a certos antibióticos. A INH atua como um pró-fármaco que é ativado pela catalase-peroxidase micobacteriana (KatG). Uma vez ativada, a INH forma um complexo com a proteína carreadora AcpM e a enzima sintetase KasA, bloqueando a síntese dos ácidos micólicos de cadeia longa. A interrupção dessa síntese compromete a integridade da parede celular do micobactério, levando à sua morte. As outras opções descrevem mecanismos de ação de outros antibióticos: a) Incorreta. A inibição da síntese da parede celular através da ligação à peptidoglicano transpeptidase é o mecanismo de ação dos antibióticos betalactâmicos (como a penicilina). b) Incorreta. A interferência na síntese de ácidos nucleicos ao ligar-se à RNA polimerase dependente de DNA é o mecanismo principal da rifampicina. d) Incorreta. O bloqueio da síntese proteica ao ligar-se à subunidade 30S do ribossomo é o mecanismo de ação de antibióticos como a estreptomicina e a tetraciclina. Referências: BRUTON, L L.; HILAL-DANDAN, R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. 13. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2018. E-book. p.1319. ISBN 9788580556155. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556155/.