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RESUMO A ATENÇÃO APRISIONADA (ALICIA FERNÁNDEZ) 
1. Visão Geral (Resumo de Alto Nível) 
No trecho da obra A Atenção Aprisionada: Psicopedagogia da capacidade atencional, Alicia 
Fernández propõe uma redefinição psicopedagógica dos processos atencionais, deslocando o 
foco da patologização/déficit para o resgate das capacidades subjetivas do sujeito. A autora 
argumenta que a capacidade atencional não é uma mera função orgânica ou receptividade 
passiva, mas sim uma construção corporal, relacional e intersubjetiva que se desenvolve e se 
nutre a partir do brincar e do modo como o sujeito é atendido pelo outro. 
Fernández critica a redução institucional e psiquiátrica que equaciona "prestar atenção" com o 
ato de contemplar passivamente ou focar de forma unilinear em um objetivo estático (como no 
modelo escolar tradicional). Em contrapartida, defende que a verdadeira atenção aprendente 
exige uma mobilidade flutuante, momentos de distração e a participação de um olhar-escutar 
criativo. Por meio do conceito de cenas atencionais — da relação inicial com a mãe até o 
objeto de conhecimento —, a obra demonstra que o brincar e a experiência de alteridade são a 
base indispensável para a constituição de uma atitude atencional saudável e autoral. 
2. Resumo Detalhado por Seções 
Seção I: A Capacidade Atencional e o "Olhar" 
1. Abordagem Psicopedagógica vs. Visão Patologizante 
• Mudança de Paradigma: A investigação psicopedagógica deve partir das capacidades 
do sujeito e não da definição prévia de seus déficits. 
• Atividades Constitutivas: A atenção se desenvolve na articulação de diversas 
atividades corporais: o olhar, o escutar, o tocar/acariciar/agarrar e o brincar. 
• A "Nova Cena" (Protótipo Diagnóstico e Atencional): Narrada a partir da interação 
em que uma criança de 3 anos descobre sua imagem pequenininha nos olhos da avó. 
o Lição Diagnóstica: O profissional/diagnostador deve se reconhecer "pequeno" 
perante a complexidade e a grandeza do sujeito atendido. 
o Função do Diagnóstico: Oferecer uma superfície de acolhimento para que a 
pessoa se descubra além do sintoma que a trouxe. 
2. Etimologia e Sentidos do "Olhar" 
• Diferença entre Ver e Olhar: O organismo provê a visão (função biológica); o corpo 
(atravessado pelo desejo e pela significação intersubjetiva) constrói o olhar. Aprendemos 
a olhar sob a marca daqueles que nos olham. 
• Evolução Etimológica (Mirari): 
o Origem (Latim/Espanhol antigo): Maravilhar-se, assombrar-se, surpreender-se, 
sentir curiosidade e admirar a diferença. 
o Deslizamento Semântico (Século VII em diante): Perda da curiosidade ativa, 
reduzindo-se ao ato de contemplar passivamente. 
• Representações Sociais vs. Práticas (Pesquisa SPPA - EPsiBA): 
o Ambiente Escolar: Crianças escolarizadas e até alunos bem-sucedidos associam 
"prestar atenção" a uma visão vertical, unidirecional e passiva em relação a um 
objeto (quadro, livro, professor). 
o População Não Escolarizada: Mantém o sentido de surpresa, descoberta, 
interesse ativo e acolhimento. 
o A Prática Efetiva: Para aprender de fato, mesmo os alunos bem-sucedidos 
utilizam um olhar-escutar amplo e flutuante que inclui necessariamente momentos 
de distração. 
3. Crítica à Instituição Psiquiátrica e ao Impacto Mídia-Escola 
• Reducionismo do DSM-IV: Manuais psiquiátricos cristalizam a representação de 
"atender = contemplar/reproduzir", classificando como patológica qualquer modalidade 
atencional que fuja a essa norma passiva. 
• Efeito Teletecnomidiático: A cultura midiática exige velocidade, simultaneidade e 
amplitude do olhar. 
• A Paradoja da Exclusão/Inclusão: Parâmetros rígidos geram diagnósticos de "déficit" 
que excluem crianças da escola, para posteriormente tentar "incluí-las". 
• Proposta da Autora: Resgatar a atenção desautorizada: um olhar flutuante, criativo, 
não direcionado e desconcentrado, capaz de se deixar surpreender pelo imprevisível. 
Seção II: Conceito e Tipologia das Cenas Atencionais 
O que é uma "Cena"? 
• Definição: É uma construção entre o que se vê e o que se olha, envolvendo a relação 
com o outro. A dramatização/espacialização permite libertar a atenção de ficar 
aprisionada em um único centro. 
• Dupla Etimologia de "Cena": 
1. Latim (Scaena): Cenário/teatro; superfície de alojamento transitório para 
representar e produzir múltiplos sentidos. 
2. Grego: Tenda ou choça transitória de nômades; espaço de abrigo temporário que 
permite continuar a travessia. 
Mapeamento das Cenas no Desenvolvimento Atencional 
[Cena Zero / Lúdica Original] ──> [Estágio do Espelho] ──> [Nova Cena] ──> [Confluência de 
Olhares no Objeto] 
 (Acariciar/Mama) (Imagem Replicada) (Diferenciação) (Objeto de 
Conhecimento) 
1. Cena Zero (Cena Lúdica Original e Permanente): 
o Exemplo Paradigmático: O bebê mamando nos braços da mãe. 
o Mecanismo: O bebê se alimenta enquanto brinca com o botão da blusa, o colar, a 
orelha ou o nariz da mãe. 
o Conceito de Distração Saudável: O bebê só se alimenta e desenvolve a atenção 
porque não está com a atenção rigidamente focada no leite ou no seio; ele está 
atendido, atendendo-se e "distraído" no brincar. 
o Do Desenho na Pele ao Papel: As carícias e toques no rosto materno constituem 
a primeira "escritura" e o primeiro desenho da figura humana sobre a pele, que 
anos mais tarde será transferido para o papel. 
2. Estágio do Espelho vs. Nova Cena (Aproximadamente aos 3 anos): 
o Estágio do Espelho: A criança se vê duplicada com o outro, mas ainda sem a 
clareza da multiplicidade e da alteridade plena. 
o Nova Cena (Atravessando o Espelho): A criança se vê nos olhos (superfície 
carnal) do outro. 
o Propriedades da Imagem nos Olhos do Outro: 
▪ Aparece diminuída, alterada e duplicada nos dois olhos. 
▪ Ocorre no espaço "entre" (não pertence exclusivamente a nenhum dos 
dois). 
▪ Exige que o outro aceite ver-se pequeno e reconheça a impossibilidade de 
enxergar exatamente o que a criança vê. 
▪ Ocorre em um espaço estritamente lúdico e efêmero. 
3. Cena de Sustentação ("Ajuda-me a Olhar"): 
o Ilustração: A criança diante da imensidão do mar pedindo a presença silenciosa e 
a mão dada do pai. 
o Função: A atenção exige um ambiente confiável e um espaço/tempo transicional. 
O adulto não determina o que olhar, mas oferece sustentação para que a criança 
suporte a intensidade da experiência. 
4. Confluência de Olhares no Objeto de Conhecimento: 
o Aplicação: Situações de aprendizagem formal, como a escrita alfabética. 
o Dinâmica: Exige articular as regras do código/cultura e a própria palavra autoral. 
o Risco do Excesso de Atenção: A permanência do traço no papel/pedra pode 
assustar a criança. O foco excessivo no produto gera inibição atencional. Nesses 
casos, estratégias como "escrever de olhos fechados" resgatam o sentido de 
autoria do gesto. 
Seção III: Dialética da Atenção: Continuidade, Descontinuidade e Subjetivação 
1. Articulação Atenção / Distração 
• Natureza da Atenção: Não é um fluxo contínuo ou linear, mas sim uma oscilação 
contínua de rupturas. 
• Distração vs. Desatenção: A distração é uma atitude humana habitual e necessária. É 
nas "frestas" da atenção (na distração) que a singularidade do sujeito se nutre para criar 
sentidos. 
2. Matriz Diferencial de Conceitos 
Dimensão Bio-Orgânica 
(Mecanismo) 
Dimensão Corpóreo-Subjetiva (Experiência) 
Ver (olho, luz, física/biologia) 
Olhar (atravessado pelo desejo e pela 
alteridade) 
Ouvir (aparelho auditivo) Escutar (significação e presença) 
Movimento (deslocamento motor) Gesto (expressão e autoria) 
Memória (retenção de dados) 
Recordação (singularidade do trabalho 
psíquico) 
3. O Brilho do Olhar e os Riscos da Saturação Midiática 
• O Brilho do Olhar: Equivalente humano ao "objeto móvel" de atração nas espécies 
animais. O brilho afetuoso do olhar materno não pode ser substituído por nenhum objeto 
inanimado.• Sobressaturação de Imagens Táticas/Midiáticas: 
o Telas e mídias oferecem hipermovimento e fragmentação de imagens que 
aparentam olhar para o sujeito, mas não o olham de fato. 
o Efeito: Provoca a desubjetivação do olhar e "embarga" a capacidade atencional, 
capturando a atenção sem permitir a construção transicional de sentido. 
 
3. Principais Conclusões (Para Revisão Rápida) 
• Atenção é Relação: Não prestamos atenção isoladamente; "atendemos porque nos 
atendem e conhecemos porque nos reconhecem". 
• Brincadeira como Matriz: Toda capacidade atencional funcional e criativa nasce 
ancorada no espaço transicional do brincar (Cena Lúdica). 
• Legitimação da Distração: A distração não é a patologia da atenção, mas sua parceira 
necessária. O aprender ocorre na alternância entre a recepção concentrada e a 
flutuação distraída. 
• Diferença entre Ver e Olhar: O olhar exige a presença do outro, o mistério e a 
capacidade de maravilhar-se (mirari). 
• Crítica ao Diagnóstico Reducionista: Diagnósticos pautados em checklists de 
comportamentos visíveis (como o DSM) confundem a norma escolar de passividade com 
a verdadeira saúde atencional. 
• Autoria de Pensamento: Aprender exige dispersar a atenção do poder do ensinante ou 
do objeto rígido para dar espaço ao surgimento do gesto singular do aprendente.

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