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Psicologia da Saúde I
A Psicologia da Saúde estuda a relação entre saúde, doença, comportamento e contexto psicossocial. Todas as psicologias estão dentro da saúde.
Seu foco não é apenas a doença, mas a pessoa como um todo, considerando aspectos:
· físicos; psicológicos; sociais;
· familiares e culturais.
Objetivos principais: promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento, reabilitação e auxílio no enfrentamento do adoecimento.
· Fazer com que as pessoas incluam no seu projeto de vida, um conjunto de atitudes e comportamentos ativos que as levem a promover a saúde e prevenir a doença;
· Compreender o papel das variáveis psicológicas (emoções, pensamentos, crenças, atitudes…) sobre a manutenção da saúde, o desenvolvimento de doenças e seus comportamentos associados.
· Desenvolver pesquisas realizar intervenções com o objetivo de prevenir doenças e auxiliar no manejo ou no enfrentamento das mesmas 
"A pessoa está doente, mas não é a doença."
A Psicologia da Saúde busca compreender como o sujeito vive e experimenta seu estado de saúde ou doença, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. 
	Qual a necessidade da psicologia da Saúde?
Surge da necessidade de entender e pensar o processo saúde/doença numa dimensão psicossocial e de compreender e intervir sobre os contextos do indivíduo ou grupos, expostos a diferentes doenças e condições de saúde impróprias.
Conceito de saúde — OMS
Em 1948, a OMS definiu a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença.
Isso amplia a visão de saúde:
Saúde ≠ simplesmente não estar doente.
Modelo biomédico × modelo biopsicossocial
Modelo biomédico
É o modelo tradicional, baseado principalmente no aspecto biológico.
Características:
· Organicista → prioriza o organismo;
· Nosológico → foco na doença/diagnóstico;
· Reducionista → reduz problemas complexos principalmente ao biológico.
A lógica é:
Doença → diagnóstico → tratamento
Modelo biopsicossocial
Amplia essa visão:
Biológico + psicológico + social
A doença pode ser influenciada pela história, comportamento, relações, condições de vida e contexto social.
Percurso até a Psicologia da Saúde
Uma forma de entender a evolução:
Medicina tradicional (foco no corpo e na doença) → psicossomática (relação mente-corpo) → comportamento (influência dos hábitos e atitudes na saúde) → modelo biopsicossocial (integração dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais) → Psicologia da Saúde (promoção, prevenção, tratamento e reabilitação).
Psicossomática
Busca compreender a relação entre aspectos psicológicos e manifestações corporais.
Freud é uma referência histórica importante nesse percurso.
Posteriormente, a Psicologia passou a estudar também comportamentos relacionados à saúde e à doença.
Comportamentos patogênicos e imunogênicos
Patogênicos
Comportamentos que podem favorecer o adoecimento.
Ex.: sedentarismo, alimentação inadequada, uso prejudicial de substâncias, não adesão ao tratamento.
Imunogênicos
Comportamentos que podem favorecer a proteção da saúde.
Ex.: atividade física, alimentação adequada, sono, vacinação, autocuidado e acompanhamento de saúde.
Atitude → comportamento
Por isso, o psicólogo busca compreender as atitudes, crenças e conhecimentos que influenciam o comportamento.
	A atitude possui três componentes:
· Cognitivo: o que a pessoa pensa ou acredita.
· Afetivo: o que a pessoa sente.
· Comportamental: a tendência que a pessoa tem de agir.
Esses três componentes formam uma predisposição para determinado comportamento.
Por isso, dizemos que a atitude precede o comportamento: a forma como a pessoa pensa e sente sobre algo influencia a maneira como ela tende a agir.
—----
O psicólogo chega a atitude perguntar para ele se ele sabe o que é saúde; falar que ele é responsável também pelas suas atitudes.
Papel do psicólogo da saúde
O psicólogo pode:
· promover saúde;
· prevenir doenças;
· trabalhar educação em saúde;
· incentivar autocuidado;
· auxiliar na adesão ao tratamento;
· trabalhar enfrentamento e qualidade de vida;
· compreender fatores psicológicos relacionados ao adoecimento;
· realizar pesquisas e intervenções;
· atuar com indivíduos, famílias, grupos e comunidades.
Objetivo
Fazer com que a pessoa consiga incorporar ao seu projeto de vida atitudes e comportamentos que promovam saúde e previnam doenças.
Compreender ≠ concordar.
O psicólogo deve compreender o comportamento dentro da realidade do sujeito, mesmo que não concorde com ele.
Psicologia Clínica × Hospitalar × Saúde
Psicologia Clínica
Foco no atendimento psicológico e no sofrimento psíquico, podendo acontecer em diferentes contextos. É um auto cuidado
Psicologia Hospitalar
Atua no contexto hospitalar, considerando paciente, família, equipe e repercussões psicológicas do adoecimento e hospitalização. É mais especializada.
Psicologia da Saúde
Tem a ver com políticas públicas e atenção básica. Atuação mais ampla, voltada para promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e qualidade de vida, em diferentes contextos. Pode atuar em:
· hospitais; UBS;
· atenção básica;
· comunidade; políticas públicas;
· prevenção e promoção da saúde.
A Psicologia da Saúde não se limita ao hospital.
Interdisciplinaridade × Multiprofissionalidade
Multiprofissionalidade
Diferentes profissionais atuam em uma mesma equipe.
Ex.: psicólogo + médico + enfermeiro + assistente social.
Interdisciplinaridade
Além de existirem diferentes profissionais, ocorre troca e integração dos conhecimentos.
Resumo:
Multiprofissionalidade = diferentes profissionais.
Interdisciplinaridade = troca entre os saberes.
Tecnologias em Saúde
INSTRUMENTALIDADE é o conjunto de saberes. Se não tem isso, o uso de instrumento não é feito de forma eficaz.
Tecnologias duras
Equipamentos e instrumentos.
Ex.: aparelhos, máquinas e exames.
Tecnologias leve-duras
Conhecimentos estruturados.
Ex.: protocolos, teorias e conhecimentos técnicos.
Tecnologias leves
Relacionadas à relação profissional-usuário.
Ex.: escuta, acolhimento, vínculo, diálogo e comunicação.
Trabalho vivo × trabalho morto
Trabalho vivo: acontece no encontro com o usuário → escuta, vínculo, diálogo e decisões.
Trabalho morto: aquilo que já está produzido/estruturado → protocolos, equipamentos, normas.
SUS e Psicologia da Saúde
1986 — 8ª Conferência Nacional de Saúde
Discutiu e definiu propostas para mudar a saúde pública brasileira, defendendo uma visão ampliada de saúde e ajudando a construir as bases do SUS.
1988 — Constituição Federal
Reconheceu a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantindo o acesso à saúde como um direito social.
1990 — Lei nº 8.080
Organizou e regulamentou o SUS, definindo como os serviços de saúde devem funcionar.
· Universalidade → todos têm direito à saúde.
· Integralidade → cuidado completo, considerando as diferentes necessidades da pessoa.
· Equidade → oferecer mais atenção a quem mais precisa.
1994 — PSF
Criou o Programa Saúde da Família, levando o cuidado para mais perto das famílias e comunidades, com foco em prevenção, promoção e acompanhamento da saúde. Posteriormente, passou a ser chamado de ESF — Estratégia Saúde da Família.
2008 → NASF (Núcleos de Apoio à Saúde da Família )
O psicólogo passou a integrar equipes multiprofissionais, oferecendo apoio em saúde mental e ações de promoção, prevenção e cuidado. 
UBS, RAS e RAPS
UBS
Unidade Básica de Saúde.
É um dos principais serviços da Atenção Primária à Saúde, realizando promoção, prevenção, acompanhamento e cuidados básicos.
RAS
Rede de Atenção à Saúde.
Organiza os diferentes serviços de saúde de forma articulada.
RAPS
Rede de Atenção Psicossocial.
É voltada para o cuidado em saúde mental, articulando diferentes serviços da rede.
Psicologia na Atenção Básica
A inserção da Psicologia na Atenção Básica ganhou força com o trabalho multiprofissional, incluindo experiências como o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família, chamado depois de Núcleo Ampliado de Saúde da Família) é uma equipe com vários tipos de profissionais de saúde que ajuda os postos de saúde da família no Brasil).
 Nãoé correto dizer que o psicólogo entrou porque "o médico não dava conta". O correto é:
As necessidades de saúde da população são complexas e exigem diferentes profissionais e saberes trabalhando de forma integrada.
Reforma Psiquiátrica Brasileira
Mudou a forma de compreender o cuidado em saúde mental.
Defende:
· cuidado em liberdade;
· direitos humanos;
· inclusão social;
· cuidado no território;
· serviços comunitários;
· fortalecimento da RAPS.
CREPOP
CREPOP = Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas.
Produz referências técnicas para orientar a atuação de psicólogos nas políticas públicas.
Joseph Matarazzo
Joseph Matarazzo é uma referência fundamental na história da Psicologia da Saúde.
Ele ajudou a consolidar e definir a área, especialmente a partir da compreensão de que a Psicologia poderia contribuir para:
· promoção da saúde;
· prevenção da doença;
· identificação de fatores relacionados ao adoecimento;
· tratamento;
· reabilitação;
· melhoria dos sistemas de saúde.