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1 A Importância da Libras na Área da Saúde: Inclusão e Humanização no Atendimento ao Paciente Surdo Daniela Gorgen RESUMO A comunicação é núcleo do cuidado em saúde e atravessa todas as etapas do processo assistencial. No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida legalmente como meio de comunicação e expressão da comunidade surda (Lei nº 10.436/2002; Decreto nº 5.626/2005), o que torna sua incorporação aos serviços de saúde uma exigência para garantir equidade, segurança e qualidade do cuidado. Este artigo discute a importância da Libras na área da saúde, dialogando com evidências nacionais recentes e marcos normativos. Apresenta-se o impacto da falta de formação em Libras na qualidade do atendimento, os efeitos sobre a experiência do paciente e a necessidade de políticas de capacitação e inclusão curricular nos cursos de saúde. Propõem-se estratégias operacionais para gestores e equipes, incluindo protocolos de acessibilidade linguística, articulação com intérpretes e uso criterioso de tecnologias assistivas Palavras-chave: Libras; Saúde; SUS; Inclusão; Comunicação; Atendimento Humanizado. 1. INTRODUÇÃO A educação é um processo que depende de dois pilares fundamentais tais que são a família e a escola. A associação conjunta destes fatores, em harmonia, possui como objetivo o desenvolvimento infantil. Sabe-se que a família é a base do desenvolvimento da criança como um indivíduo, pois, desde o momento do seu nascimento a criança começa a viver em sociedade e a receber a educação básica (GARCIA, 2015). A parceria entre a família e a escola é de elevada importância para o sucesso no desenvolvimento intelectual, moral e na formação do indivíduo na faixa etária escolar. […] afinal, porque até hoje em pleno século XXI a escola ainda reclama da pouca ou insignificante participação da família na escola, e na vida escolar de seus filhos? (GARCIA, 2015). É evidente a importância da família e da escola dentro da formação da criança e sua inserção na sociedade, principalmente quando esta criança é portadora de alguma deficiência. Contemplando não só estudantes com deficiência, mas todos aqueles, que, ao longo do seus percurso escolar, possam apresentar dificuldades específicas na aprendizagem (BRASIL, 1998). Os familiares possuem como um papel a estimulação do comportamento dos educandos, ofertando um complemento a isso, com o oferecimento de conteúdo e formação educacional. Contudo, é notória a percepção de que em diversos estudos e relatos, que, com uma maior frequência aos estudantes chegam à escola com menos limites trabalhados pela família e muitos pais chegam até mesmo a passar toda a responsabilidade para a escola (FERREIRA, 2016). Por fim, para que a parceria família e escola obtenha o resultado necessário o comprometimento e responsabilidade da família acerca da importância que tem o necessitar de uma consciência em torno do valor de estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos. 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. A Educação Especial: legislação e educação inclusiva A educação especial, termo este designado para a educação direcionada aos portadores de necessidades específicas, é considerada pela Constituição Federal brasileira, como parte fundamental ao direito à educação (BRASIL, 2015). Compreende-se por educação especial uma modalidade da educação escolar com processo educacional definido por uma proposta pedagógica que garante recursos e serviços educacionais e especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais regulares, de forma a assegurar a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos (BRASIL-MEC/SEESP, 2015). O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 54, III, ressalta que “É dever do estado assegurar à criança e ao adolescente […] atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. O MEC por intermédio desenvolve em sua Secretaria de Educação Especial uma política almejando à integração das crianças portadoras de necessidades específicas ao sistema de ensino, promovendo a inclusão destas crianças nas instituições de ensino infantil (MEC, 2016). A Educação Inclusiva como política foi introduzida nas políticas públicas do sistema educacional brasileiro por meio da Política Nacional de Educação Especial (PNEE). Onde tais documentos afirmam que a proposta dessa modalidade está instituída no Sistema Educacional Brasileiro (MEC, 2016). O termo empregado para a Educação Inclusiva na Declaração de Salamanca (1994), que influenciou e passou a originar políticas públicas associadas à Educação Inclusiva. Este documento defende que “as crianças e os jovens com necessidades educativas específicas devem ter acesso às escolas regulares, que elas devem se adequar” (UNESCO, 1994). Educação Inclusiva é o modo mais eficaz para a construção de solidariedade entre crianças com necessidades educacionais especiais e seus colegas. O encaminhamento de crianças a escolas especiais ou a classe especial ou a seções especiais dentro da escola em caráter permanente deveriam constituir exceções, a ser recomendado somente naqueles casos infrequentes onde fique claramente demonstrado que a educação na classe regular seja incapaz de atender as necessidades educacionais ou sociais da criança 60 ou quando sejam requisitados em nome do bem estar da criança ou de outras crianças (UNESCO, 1994). De acordo com as Diretrizes e Bases da Educação Especial na Educação Básica destaca-se o parecer n⁰ 17/2001, no qual se identifica a conceituação de inclusão. Além disso, no contexto, relaciona-se a inclusão social e a inclusão educacional (MANTOAN, 2016). Nesse contexto, a escola inclusiva deve manter o processo educativo de forma a ser compreendido como um processo social, onde todas as crianças portadoras de necessidades específicas e de distúrbios de aprendizagem possuem o direito à escolarização ou mais próximo possível do normal, ou seja, uma modalidade de ensino igualitária para todos. 2.2. A família A família é considerada como o principal grupo social, pois, é através dela que o ser humano aprende a conhecer o mundo e a forma de identidade social do ser. Ao decorrer da história, a família vem passando por uma série de modificações, oriundas das transformações culturais e socioeconômicas. Tais alterações influenciam na sua formação, isto é, o núcleo familiar que passa da formação de pai, mãe e filhos para um modelo de família monoparental, ou seja, que tem a mulher como chefe de família (MIOTO, 2017). O campo familiar é alvo de diversas investigações em variadas áreas das ciências humanas, as quais debatem acerca da definição do termo família e as polêmicas que as norteiam. A família é uma instituição cujas as origens remontam aos ancestrais da espécie humana e confundem-se com a própria trajetória da evolução. A organização familiar não é exclusiva do homem, vamos encontrá-las em outras espécies animais quer entre os vertebrados, como também, entre os invertebrados. Assim como na espécie humana, também entre os animais se encontram distintas formas de organização familiar. Há famílias nas quais após o acasalamento a prole fica aos cuidados de um só dos genitores, geralmente a fêmea; mas também poderá ser o macho quem se encarrega dos cuidados com os descendentes, como em certas espécies de peixe (OSÓRIO, 2015). Por fim, de acordo com a Constituição Federal da República Brasileira (1988), em seu artigo. 226 enfatiza que “A família, base da sociedade, possui especial proteção do Estado”. Já no art. 19 da Lei 8.069/90 que se trata dos Direitos Fundamentais que relata que “toda a criança ou adolescente tem direito de ser criado e educado no seio de sua família e excepcionalmente, em famílias substituta assegurada e convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de entorpencentes”. Evidencia-se que em ambos os documentos,observa-se a importância da família como uma entidade social e seu papel fundamental, juntamente com a preocupação do Estado em protegê-la. 2.3. A parceria de cooperação entre a família e a escola Sabe-se que a família e a escola são entidades que possuem o objetivo educar as crianças e os adolescentes, assim, ambas devem manter uma boa relação de cooperação e proximidade. Esse fato, entretanto, é óbvio e não ocorre realmente. Nota-se que um lado a escola, a qual reclama do descaso e da ausência familiar no acampamento escolar da criança ou adolescente. Por outro lado, possui a família que reclama da grande cobrança por parte da escola para que os pais tenham responsabilidade pela educação dos filhos (SANTOS, 2015). O que é possível constatar assim, é a falta de integração e comunicação entre a família e a escola, evidenciando a função de cada uma, para evitar que o jogo de empurra-empurra, ao qual o estudante, principalmente aquele com necessidades educacionais especiais, ao qual é o papel de destaque nesse processo de ensino-aprendizagem (PIAGET, 2000). O momento de inclusão ocorre quando a família está em constante presença na escola, visto que tal elo é a base da educação inclusiva, pois não se tem como acompanhar um educando sem a parceria com a família e a escola necessita de informações desse estudante para que se tenha um acompanhamento mais abrangente (BRASIL, 2016). O desenvolvimento resulta de combinações entre o que o organismo promove e as circunstâncias ofertadas pelo meio e pelos esquemas de assimilação vão se transformando progressivamente, considerando os estágios de desenvolvimento. Nesse sentido, é correto afirmar que de fato o âmbito escolar no que se refere ao espaço físico possui relação com a aprendizagem, a família precisa estar consciente e mobilizada apoiar e estar junto com a escola para o aprendizado do filho, desta forma contribuirá para o desenvolvimento do aprendizado de seus filhos (PIAGET, 2000). Art.60- Os pais são os principais associados no tocante às necessidades educativas especiais de seus filhos, e a eles deveria competir, na medida do possível, a escolha do tipo de educação que desejam seja dada aos seus filhos. Art.61- Deverão ser estreitadas as relações de cooperação e apoio entre administradores das escolas, educadores e pais, fazendo que estes últimos e na supervisão e no apoio da aprendizagem de seus filhos (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994). Portanto, a escola e a família devem estreitar seus laços, especialmente quando se relaciona de crianças com deficiência direcionado o indivíduo à margem de suas necessidades sociais, econômicas e culturais, ou em problemas concretos em que se encontra inserido, mas sim a um sujeito, formado de direitos a uma cidadania concreta. O estudante, especialmente aquele com deficiência, necessita não somente de ser inserido nos processos educacionais, mas também permanecer no ambiente escolar. Neste enfoque, a família deve prover atenção integral para que ele tenha condições de manutenção de seu estudo, ou seja, condições de nutrição, higiene pessoal, vestimenta, segurança e locomoção até o ambiente escolar, são fatores decisivos para que os educandos possa exercer sua função com conforto e tranquilidade (CARNEIRO, 2015). 2.4. A interação é necessária Muitos pensam que o educador é o único que pode educar, qual ideologia deve ser quebrada. Os educadores necessitam da participação dos pais na educação das crianças, o docente não é dono do saber e sim o orientador da aprendizagem, que necessita da colaboração de todos, propiciando assim aos pais parceiros da educação, ou seja, expressando a sua opinião acerca dos assuntos que, contempla a educação dos seus filhos (CARVALHO, 2016). As práticas curriculares ainda não assumiram o compromisso de considerar o interpretar da família e sua participação como enriquecedora do trabalho pedagógico. De forma a acreditar, que são ignorantes, pouco aptos a opinar e tomar decisões conjuntamente com a equipe docente da escola (RÉGIA, 2015). Em relação a tomada de decisão, cabe salientar a necessidade de evitar situações que convidam os familiares a uma pseudoparticipação quando na verdade as questões a serem decididas já foram resolvidas pela equipe docente. Este tipo de atitude marcará o sentido verdadeiro da participação, o qual deve ser construído com a base na discussão na negociação do poder e não do autoritarismo (BORDENAVE, 2012). É comum os pais acharem que é papel da escola tomar a iniciativa de procurá-los, enquanto a escola, por sua vez, coloca todas as responsabilidades sobre os pais. Em diversos casos, a família só são chamadas para falar acerca dos filhos quando ocorre algum problema. Quando os pais ou responsáveis tomam a iniciativa de procurar a escola. Isto nem sempre se apresenta preparada para acolhê-los e o inverso também pode ocorrer, onde os diretores que tentam atrair as famílias, mas não conseguem. O grande desafio é romper essa inércia e criar uma agenda positiva, que busca estratégias de aproximação em todos os momentos (MITTER, 2016). 3. CONCLUSÃO O processo de ensino-aprendizagem ocorre por meio da adaptação da criança ou adolescente ao seu ambiente. Para que o estudante desenvolva a capacidade de aprendizagem, o mesmo necessita desenvolver as funções cognitivas adequadas. Portanto, a aprendizagem se apresenta como um resultado de uma rede de vínculos, sendo o principal família e escola. O principal objetivo deste trabalho norteou-se sem refletir a importância da educação inclusiva de crianças e adolescentes com necessidades específicas no ensino e a relação com sua família. Após a realização da revisão bibliográfica evidenciou-se que a educação brasileira necessita de mais atenção por parte do Estado brasileiro, assim, como a família deve estar ciente de suas obrigações diante da educação de seus filhos. Sabe-se que a família é o primeiro lugar em que a criança está inserida, já desenvolvendo padrões de socialização e vivendo sentimentos que irão influenciar em seu comportamento no ambiente escolar. Procura-se assim, o engajamento família é essencial para a inserção e permanência do educando com necessidades específicas no ensino regular, favorecendo o desempenho dos mesmos e os auxiliando na superação das necessidades e nos conflitos enfrentados. Em relação a educação inclusiva essa parceria deve ser ampliada, para que a criança ou adolescente com necessidades especiais tenham acesso e permanência na escola. Uma das condições para esse processo obtenha êxito é o atendimento educacional especializado, visto que fornecerá uma suplementação na vida do estudante, promovendo autonomia em seu meio familiar e educacional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. Brasília: MEC/SEESP, 2015. BRASIL, MEC. Conselho Escolar e Direitos Humanos. Brasília, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2016. BRASIL . Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares: estratégias para a educação de estudantes com necessidades educacionais especiais. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: MEC, 1998. BRASIL. Ministério da Educação. Lei 9394, de 23 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Ministério da Educação, 1996. BORDENAVE, J.D. Estratégias de Ensino-aprendizagem. 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