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As Três Ondas do Direito Comercial/Empresarial (Sistemas): o Fase Subjetiva (Idade Média): O Direito era dos comerciantes (membros de corporações de ofício). O foco era na pessoa. o Fase Objetiva (Século XIX): O Direito era dos atos de comércio (listados em lei). O foco era na atividade, mas de forma limitada. o Fase da Empresa (Século XX/XXI): O Direito é da atividade econômica organizada (a empresa). O foco é na organização e no profissionalismo, abrangendo o empresário e o estabelecimento. • Pilares do Direito Empresarial Moderno: o Empresa: A atividade em si (o "fazer"). o Empresário: A pessoa que exerce a atividade (o "quem"). o Estabelecimento: O conjunto de bens para a atividade (o "com o quê"). • Elementos da Empresa: Organização, Atividade Profissional (Habitualidade), Busca de Lucro, Capital, Trabalho, Insumos, Tecnologia. • Perfis da Empresa (Asquini): Subjetivo (pessoa), Funcional (atividade), Objetivo (bens), Corporativo (instituição humana). • Quem Não é Empresário: Profissões intelectuais (salvo se elemento de empresa), Cooperativas e Sociedades de Advogados (por força legal), Produtor Rural (se não se registrar na Junta Comercial). • Fontes e Autonomia: As regras vêm de leis, costumes e princípios. O Direito Empresarial é autônomo porque tem princípios próprios, leis específicas e é reconhecido pela Constituição Direito Empresarial: Regula a atividade econômica organizada, não o comerciante ou atos isolados. • Empresa: É a própria atividade econômica organizada, não a pessoa ou o estabelecimento. • Empresário: Quem exerce essa atividade de forma profissional, econômica, organizada, com assunção de risco e direcionamento ao mercado. • Tipos: Empresário Individual (patrimônio confuso), Sociedade Empresária (patrimônio separado), EIRELI (revogada, substituída por Sociedade Limitada Unipessoal), Empresário Rural (opção por regime empresarial), MEI (simplificado). • Capacidade: Plena capacidade civil é a regra; incapazes podem continuar empresa sob condições. Pessoas com deficiência são capazes. • Exclusões/Impedimentos: Profissionais intelectuais (salvo "elemento de empresa", exceto advogados), cooperativas, e pessoas com proibições legais (falidos, servidores, etc.) não são empresários no sentido da lei. • Princípios: o Função Social: Empresa serve à sociedade. o Preservação: Manter a atividade da empresa. o Livre Iniciativa: Liberdade para empreender. o Livre Concorrência: Competição justa. o Boa-fé Objetiva: Lealdade e cooperação nas relações. Registro Empresarial: Essencial para a regularidade da atividade, conferindo publicidade, segurança e eficácia aos atos. Realizado pelas Juntas Comerciais, sob a supervisão do DREI. • Natureza do Registro: Geralmente declaratória (confere regularidade); constitutiva apenas para o empresário rural que opta por se registrar. • Atividade Irregular: Empresários que não se registram perdem acesso a benefícios cruciais como a recuperação judicial e a validade de seus livros como prova. • Desburocratização: Leis recentes (Liberdade Econômica, etc.) visam simplificar o registro (ex: CNPJ como nome, revogação EIRELI, SERP). • Nome Empresarial: Nome oficial da empresa (Firma, Denominação, CNPJ). Deve seguir os princípios da veracidade e novidade. Sua proteção é estadual. • Título do Estabelecimento: Nome "popular" ou "de fachada". Não possui registro próprio, mas pode ser protegido como marca. • Escrituração: Registro contábil obrigatório para o empresário, com funções administrativa, probatória e fiscal. Exige autenticação pela Junta Comercial e obedece a princípios (uniformidade, fidelidade, sigilo). A ausência acarreta sérias consequências. • Livros: Diário é o principal obrigatório; outros são facultativos ou especiais. • Exibição de Livros: Pode ser total (judicialmente, em casos específicos) ou parcial. Autoridades fiscais têm acesso irrestrito. • Demonstrações Contábeis: Balanço Patrimonial e Balanço de Resultado Econômico são obrigatórios para a maioria dos empresários, essenciais para apresentar a saúde financeira da empresa. Sociedades de grande porte têm requisitos adicionais Estabelecimento Empresarial: É o complexo de bens (materiais e imateriais) organizado para o exercício da atividade empresarial. Não é a empresa, nem o empresário, nem apenas o local. Inclui elementos como máquina, estoque, marcas, patentes, nome empresarial, domínios de internet, licenças de software, segredos de negócio, entre outros. • Natureza Jurídica: É uma universalidade de fato (conjunto de bens unidos pela vontade do empresário para um fim comum), conforme Orlando Gomes e a doutrina majoritária, em distinção à universalidade de direito. • Elementos: Os bens que o compõem (máquinas, estoque, marcas, patentes, o ponto comercial, nome empresarial, domínios de internet, etc.). O trabalho não é elemento. Imóveis são elementos se próprios, ou o direito de uso se alugados. • Atributos: Qualidades que agregam valor: o Aviamento:Capacidade de gerar lucros (o "potencial de valor" do negócio). Não é um bem, mas uma qualidade. o Clientela: Grupo de clientes fiéis. Também não é um bem, mas uma situação de fato que valoriza o aviamento, sendo considerada parte do estabelecimento se ligada ao local. o Ambos são atributos, não bens, e são protegidos indiretamente. • Ponto Comercial: Local onde o empresário fixa seu estabelecimento, atraindo clientela. É um bem incorpóreo, diferente do imóvel. Sua proteção é crucial. Pode ser físico ou virtual (domínio de internet). • Ação Renovatória: Protege o ponto comercial do inquilino empresário. Permite a renovação compulsória do aluguel se cumprir os requisitos (contrato escrito e determinado, 5 anos de locação ininterruptos, 3 anos no mesmo ramo, ajuizada no prazo de 6 meses do último ano do contrato). Pode gerar indenização se a renovação for negada em certas situações de exceção de retomada.