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Ergonomia e Medicina do Trabalho 
2 
AUTORIA 
Elaine Christine Pessoa Delgado 
Sou formada em administração de empresas pela Universidade Federal de Campina 
Grande (2007), e tenho uma experiência técnico-profissional de mais de 10 anos na 
área de gerência de empresas. 
Marcos Rodolfo da Silva 
Sou Graduado em Enfermagem, Pós-Graduado em Enfermagem do Trabalho, Técnico 
em Radiologia e Instrumentador Cirúrgico pelo Centro Universitário da Fundação de 
Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB), 2010 - 2012 e 2008, respectivamente. Além disso, 
ao longo de minha carreira, participei de cursos na área de urgência e emergência e 
atuei como enfermeiro supervisor no Pronto Socorro Municipal Dr. Oscar Pirajá Martins, 
na cidade de São João da Boa Vista (SP), de março de 2011 a janeiro de 2014. 
Atualmente sou acadêmico do 5° ano do curso de Medicina no Centro Universitário das 
Faculdades Associadas de Ensino Unifae, São João da Boa vista (SP). Além disso, 
desenvolvo materiais didáticos como professor conteudista nas áreas de saúde pública, 
saúde do idoso, direito à saúde e áreas correlatas. 
Giselly Santos Mendes 
Sou Mestre em Qualidade Ambiental, Tecnóloga em Polímeros, Administradora, 
Educadora com uma experiência técnico-profissional de mais de 12 anos na área de 
Processos Gerenciais e Educacionais. 
Somos apaixonados pelo que fazemos e gostamos de transmitir nossas experiências 
de vidas àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fomos convidados 
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos 
muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
conosco! 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
3 
ICONOGRAFIA 
Estes iconográficos irão aparecer toda vez que: 
 
INTRODUÇÃO 
uma nova unidade 
letiva estiver sendo 
iniciada, indicando que 
competências serão 
desenvolvidas ao seu 
término; 
 
 
VOCÊ SABIA 
curiosidades e indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo forem necessárias; 
 
DEFINIÇÃO 
houver necessidade de 
se apresentar um novo 
conceito; 
 
 
REFLITA 
houver necessidade de se 
chamar a atenção sobre 
algo a ser refletido ou 
discutido sobre; 
 
NOTA 
forem necessárias 
observações ou 
complementação para 
o conhecimento; 
 
 
ACESSE 
for preciso acessar um ou 
mais sites para fazer 
download, assistir a um 
vídeo, ler um texto, ouvir 
um podcast, etc.; 
 
IMPORTANTE 
as observações 
escritas tiverem que ser 
priorizadas; 
 
 
RESUMINDO 
for preciso se fazer um 
resumo acumulativo das 
últimas abordagens; 
 
EXPLICANDO 
MELHOR 
algo precisar ser 
melhor explicado ou 
detalhado; 
 
 
SAIBA MAIS 
um texto, referências 
bibliográficas e links para 
fontes de aprofundamento 
se fizerem necessários; 
 
ATIVIDADES 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem for 
aplicada; 
 
 
TESTANDO 
chegar o momento ideal 
para o aluno responder ao 
enunciado de algumas 
questões do banco, ou 
mesmo de forma 
intempestiva, em meio ao 
livro didático; 
Assim vai ficar mais fácil nos comunicarmos. Basta olhar para um desses ícones e você saberá 
exatamente o que virá logo em seguida. 
 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
4 
 
 
INTRODUÇÃO 
Você sabia que a Medicina do Trabalho não busca apenas a prevenção de doenças e 
de acidentes do trabalho? Sabia que existem várias medidas preventivas de Medicina 
do Trabalho? A vida dos funcionários e o seu bem-estar são essenciais para conservar 
um bom ambiente laboral. Para que os locais de trabalho sejam efetivamente ambientes 
seguros, existem medidas obrigatórias que devem ser tomadas para evitar doenças 
ocupacionais e acidentes de trabalho, auxiliando nos casos de trabalhos insalubres ou 
perigosos. A Medicina do Trabalho busca a prevenção das doenças e dos acidentes de 
trabalho, a promoção da saúde e da qualidade de vida, com o intuito de possibilitar uma 
boa relação entre pessoas e o seu trabalho. Existem alguns programas que são 
fundamentais para auxiliar na prevenção às doenças e aos acidentes de trabalho, como 
o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e o Programa de Prevenção de 
Riscos Ambientais. Nesta unidade iremos compreender a Medicina do Trabalho e as 
normas referentes a esse campo, as atividades perigosas e insalubres, a toxicologia 
ocupacional e as respectivas medidas preventivas e especiais de proteção, como 
também as doenças ocupacionais, as doenças do trabalho e a atuação médica 
relacionada com a Medicina do Trabalho. 
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! 
 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
5 
Competências 
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no 
desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa 
de estudos: 
1. Definir medicina do trabalho, compreendendo sua legislação e os impactos das 
doenças ocupacionais sobre a saúde e segurança dos trabalhadores. 
2. Discernir sobre as atividades insalubres e perigosas, entendendo a toxicologia 
ocupacional e seus impactos sobre a saúde do trabalhador. 
3. Descrever as medidas preventivas e as especiais de proteção da medicina do 
trabalho. 
4. Analisar os acidentes de trabalho, identificando as doenças ocupacionais 
associadas e as respectivas condutas médico-operacionais relacionadas. 
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
6 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
7 
SUMÁRIO 
ICONOGRAFIA ............................................................................................................................. 3 
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 4 
COMPETÊNCIAS .......................................................................................................................... 5 
1. MEDICINA DO TRABALHO, CONCEITO E LEGISLAÇÃO ............................................... 8 
1.1 Conceito de Medicina do Trabalho ........................................................................... 8 
1.2 Legislação da medicina do trabalho ......................................................................... 9 
1.3 Impactos do trabalho sobre a saúde e segurança dos trabalhadores ................... 13 
2. ATIVIDADES INSALUBRES, PERIGOSAS E A TOXICOLOGIA OCUPACIONAL ......... 17 
2.1 Atividades perigosas ............................................................................................... 17 
2.2 Atividades insalubres .............................................................................................. 20 
2.3 A toxicologia ocupacional relacionada com a Medicina do Trabalho ..................... 23 
3. MEDIDAS PREVENTIVAS E ESPECIAIS DE PROTEÇÃO ............................................. 26 
3.1 Medidas preventivas de Medicina do Trabalho ...................................................... 26 
3.2 Medidas especiais de proteção .............................................................................. 29 
4. CONDUTA MÉDICO-OPERACIONAL .............................................................................. 34 
4.1 Acidentes de trabalho ............................................................................................. 34 
4.2 Doenças ocupacionais ............................................................................................ 37 
4.3 Conduta médico-operacional pertinente à Medicina do Trabalho .......................... 41 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................... 43 
 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
8 
1. Medicina do trabalho, conceito e legislação 
 
INTRODUÇÃO 
Ao término deste capítulo você será capaz de identificar o conceito 
de Medicina do Trabalho, quem são os médicos dotrabalho, explicar 
a legislação da Medicina do Trabalho e os impactos do trabalho 
sobre a saúde e segurança dos trabalhadores. E então, motivado 
para desenvolver esta competência? Avante! 
 
1.1 Conceito de Medicina do Trabalho 
Macedo (2008) define a Medicina do Trabalho como a especialidade que aborda as 
relações entre a saúde dos homens e mulheres trabalhadores e seu trabalho, buscando 
não apenas a prevenção das doenças e dos acidentes de trabalho, mas também a 
promoção da saúde e da qualidade de vida, por meio de ações propícias para garantir 
a saúde individual e possibilitar uma relação saudável entre as pessoas e seu trabalho. 
Para Prazeres (2018), a Segurança e Medicina do Trabalho pode ser conceituada como 
uma das divisões do Direito do Trabalho, encarregada de fornecer condições de 
proteção à saúde dos empregados no ambiente laboral e de sua recuperação quando 
não tiverem condições de realizar suas atividades. 
 
NOTA 
Ela é uma especialidade médica que tem como propósito a 
promoção, a proteção e a recuperação da saúde das pessoas que 
laboram nos mais variados trabalhos e com as mais diferentes 
relações empregatícias, mencionam Bandini et al. (2017). 
A Medicina do Trabalho é baseada na ciência e deve buscar comprovadas tecnologias 
disponíveis como instrumentos de trabalho, assim como tem raízes no humanismo 
pragmático e engloba aspectos de relacionamento humano, ético, jurídico trabalhista e 
previdenciário, afirma Souto (2005). 
A Medicina do Trabalho deve ser compreendida como a arte de estudar, precaver e 
cuidar das doenças que derivam do trabalho, fazendo uso dos fundamentos técnico-
científicos da Medicina em suas execuções pessoais e coletivas, tendo como ponto 
inicial as relações mútuas que conectam os problemas de saúde (Figura 1) ou doença 
dos trabalhadores ao ambiente físico e social no qual trabalham ou convivem, esclarece 
Souto (2005). 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
9 
Figura 1 - Problemas de saúde 
 
Fonte: Freepik. 
Macedo (2008) afirma que compete ao Serviço de Medicina do Trabalho adotar os 
variados instrumentos e mecanismos que estão ao seu alcance, com o propósito de 
resguardar a saúde dos trabalhadores, seja resolvendo os problemas existentes, seja 
na prevenção de futuros. 
O médico do trabalho tem um campo de atuação muito amplo, 
extrapolando o âmbito tradicional da prática médica. Não basta ao 
médico do trabalho ter conhecimento apenas na sua área, ele também 
necessita de uma noção ampla de outras áreas como Clínica Médica e 
Saúde Pública, por exemplo, para que possa realizar programas de 
prevenção, ou mesmo chegar a diagnósticos mais precisos. Também 
o médico do trabalho deve trabalhar com uma equipe multidisciplinar. 
Para isso, deve contar com o crucial auxilio de engenheiros de 
segurança do trabalho, técnicos em segurança do trabalho, 
fonoaudiologistas, fisioterapeutas e outros profissionais capacitados 
para a promoção da saúde no ambiente laboral. Vários são os campos 
de atuação para o médico do trabalho. Entre os principais destacam-
se as empresas, perícia médica da previdência social e judicial, 
assessoria sindical, consultoria privada e toxicologia. (MACEDO, 2008, 
p. 23) 
 
Todas as ações médico-sanitárias operacionalizadas dentro de uma coletividade de 
trabalho devem ser incentivadas pela compreensão de que a saúde do trabalhador é 
um meio imprescindível ao desenvolvimento econômico e social, um motivo de 
valorização do homem e que, deste modo, garante sua participação efetiva no progresso 
e na paz social, expõe Souto (2005). 
 
1.2 Legislação da medicina do trabalho 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
10 
Conforme Oliveira (2017), para que o Estado cumpra seu papel fundamental para a 
garantia dos direitos relacionados aos ambientes do trabalho, é imprescindível que seja 
exigido dos empregadores o zelo pela segurança e pela saúde dos trabalhadores, em 
observância ao ordenamento jurídico. 
A legislação da Medicina do Trabalho é bem ampla e inclui vários diplomas legais, que 
vão desde a Constituição Federal até leis, convenções, normas regulamentadoras, entre 
outros. 
A Constituição Federal é a Carta Magna (Lei Soberana), destinada a 
assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a 
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça 
como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem 
preconceitos. Os demais dispositivos (CLT, Código Civil, Código de 
Processo Civil e legislação Previdenciária) são as leis 
infraconstitucionais, típicas ou comuns, aprovadas pela maioria dos 
parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal 
presentes durante a votação. As Norma Regulamentares, por sua vez, 
constituem normas infra legais que tratam da segurança e saúde do 
trabalhador. (OLIVEIRA, 2017, p. 16) 
A Constituição Federal estabelece o direito à vida e à saúde como um direito de todos 
e garante acesso universal e igualitário, que deve ser garantido por políticas sociais e 
econômicas que busquem a redução dos riscos de acidentes inerentes ao trabalho, 
demonstra Oliveira (2017). 
 
IMPORTANTE 
Merece destaque o art. 7º da CF, que estabelece os direitos dos 
trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social. 
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece as normas que regulam as 
relações individuais e coletivas de trabalho, especialmente relativas à Segurança e 
Medicina do Trabalho previstas em seu Capítulo V, explicita Oliveira (2017). Prazeres 
(2018) menciona que a CLT trouxe muitos benefícios aos empregados, isto é, cada vez 
mais garantias de saúde, integridade física e outros benefícios são garantidos por essa 
lei, para que os empregados possam desempenhar suas tarefas de maneira segura e 
correta. 
A legislação previdenciária, conforme o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tem 
como propósito garantir os benefícios acidentários (auxílio-doença acidentário, auxílio 
doença, aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial, pensão por morte e 
reabilitação). 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
11 
Em resposta aos problemas que os acidentes de trabalho (Figura 2) manifestam, o 
Ministério da Previdência Social tem elaborado uma série de normas, com a finalidade 
de estimular o investimento em saúde e segurança no trabalho, prevenção de acidentes 
e doenças ocupacionais, afirma Oliveira (2017). 
Figura 2 - Acidente de trabalho 
 
Fonte: Freepik. 
As normas regulamentadoras referentes à segurança e saúde do trabalhador são 
disposições complementares à CLT, fundamentando-se em obrigações, direitos e 
deveres a serem seguidos por empregadores e trabalhadores, com o objetivo de 
assegurar um trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes 
de trabalho, esclarece Oliveira (2017). 
Pretti (2011) destaca que a Portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho aprovou as 
normas que normatizam os compromissos relacionados com a segurança e medicina 
do trabalho, que ao longo do tempo sofreram modificações de toda ordem, e mais cinco 
Normas Regulamentadoras para o trabalhador rural. Entre essas normas destacam-se: 
• NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio. 
• NR 6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI. 
• NR 7 – Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional. 
• NR 9 – Avaliação e Controle das Exposições Ocupacionais a Agentes físicos, 
químicos e biológicos. 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
12 
• NR 15 – Atividades e Operações Insalubres. 
• NR 16 – Atividades e Operações Perigosas. 
Essas normas regulamentadoras são de cumprimento obrigatório pelas empresas 
públicas e privadas, órgãos da administração direta e indireta e dos Poderes Legislativo 
e Judiciário, que tenham empregados regidos pela CLT, relata Pretti (2011). 
Existem também diversas Convenções da Organização Internacional do Trabalho que 
abordamdireitos dos trabalhadores e que foram ratificadas pelo Brasil. Essas 
convenções são Tratados Internacionais que estabelecem padrões e pisos mínimos a 
serem verificados e realizados por todos os países que os ratificam. 
 
ACESSE 
Aprofunde-se nesse tema conhecendo as convenções ratificadas pelo 
Brasil clicando aqui: https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/lang-
-pt/index.htm 
 
O Código Civil assegura o direito a indenizações por danos resultantes de acidentes ou 
doenças do trabalho. O Código de Processo Civil determina regras e procedimentos 
legais para o cumprimento de perícias judiciais acidentárias, aposentadoria, 
insalubridade, periculosidade, entre outros tópicos aplicáveis, e o Código Penal 
possibilita a responsabilização criminal do empregador por sujeitar a vida ou a saúde do 
trabalhador ao perigo direto ou iminente, explana Oliveira (2017). 
 
https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/lang--pt/index.htm
https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/lang--pt/index.htm
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
13 
Figura 3 - Perigo direto 
 
Fonte: Pixabay. 
Cabe ainda destacar que a CLT determina a obrigação do cumprimento dessas normas, 
tanto pelo empregador quanto pelo trabalhador: 
Art. 157 - Cabe às empresas: 
I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do 
trabalho; 
II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às 
precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou 
doenças ocupacionais; 
III - adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão 
regional competente; 
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. 
 Art. 158 - Cabe aos empregados: 
I - observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive 
as instruções de que trata o item II do artigo anterior 
II - colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste 
Capítulo. 
III - conhecer, em segunda e última instância, dos recursos voluntários 
ou de ofício, das decisões proferidas pelos Delegados Regionais do 
Trabalho em matéria de segurança e higiene do trabalho. (BRASIL, 
1943) 
 
Oliveira (2017) afirma que a legislação de segurança e saúde do trabalhador tem como 
propósito a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e a 
prevenção e acidentes e de danos à saúde referentes ao trabalho ou que aconteçam 
durante este, por meio da extinção ou diminuição dos riscos no local de trabalho. 
 
1.3 Impactos do trabalho sobre a saúde e segurança dos 
trabalhadores 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
14 
O ambiente de trabalho é o campo primordial dos riscos profissionais e é nele que deve 
estar o foco das orientações dos trabalhadores referentes à segurança e saúde no 
trabalho, com o propósito de alcançar melhorias necessárias, informa Stonoga (2020). 
De acordo com Macedo (2008, p. 65), a “Organização Mundial da Saúde (OMS) define 
saúde como um perfeito estado de bem-estar físico, psíquico e social.” Embora a saúde 
seja a meta de todos, o trabalhador pode, em seu ambiente de trabalho, submeter-se a 
situações que o prejudiquem. 
Contudo, se o trabalho também é fundamental para sociedade e para o próprio 
indivíduo, a perda da saúde é um motivo da redução da capacidade laborativa e, no 
decorrer do tempo, pode ocasionar a diminuição da qualidade de vida. 
Muitos profissionais são acometidos por acidentes em seu local de trabalho ou por 
doenças que têm origem no próprio ambiente laboral, sejam elas ergonômicas, de 
intoxicações, psíquicas, entre várias outras. 
Além dos perigos de ambiente de trabalho característicos, trabalho e saúde estão 
relacionados a outros modos e causam maiores impactos em saúde (Figura 4), pois as 
condições de trabalho, tipo de trabalho, estado profissional e localização geográfica do 
ambiente de trabalho também têm um impacto intenso no estado social e bem-estar dos 
trabalhadores, elucida Stonoga (2020). 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
15 
Figura 4 - Impactos em saúde 
 
Fonte: Freepik. 
Stonoga (2020) afirma que muitos serviços de Medicina Ocupacional são limitados ao 
desempenho associado ao atendimento a acidentes de trabalho e, ocasionalmente, 
consultas médicas admissionais, periódicas e demissionais. Entretanto, Macedo (2008) 
explica que o Serviço de Medicina do Trabalho deve transcender esses serviços e contar 
com funções de prevenção, protegendo a saúde do trabalhador e, consequentemente, 
a conservação da força produtiva de trabalho. 
A grande pluralidade de problemas de saúde ocupacional relacionados com os riscos 
para a saúde e suas repercussões na esfera global têm uma quantificação muito 
complexa. Determinadas estimativas são fundamentadas para demonstrar os danos 
profissionais e doenças informadas em estatísticas oficiais. Contudo, um grande número 
de danos e doenças originados no ambiente de trabalho não é informado, lembra 
Stonoga (2020). 
 
 
RESUMINDO 
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Neste capítulo você deve ter entendido que a Medicina do Trabalho 
aborda as relações entre a saúde dos homens e mulheres 
trabalhadores e seu trabalho, promovendo a saúde, qualidade de 
vida e prevenção e doenças e acidentes de trabalho e que a saúde 
do trabalhador é um meio imprescindível para o desenvolvimento 
econômico e social, um motivo de valorização do homem e que, 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
16 
deste modo, garante sua participação efetiva no progresso e na paz 
social. Você viu também que a legislação da Medicina do Trabalho 
é bem ampla e inclui vários diplomas legais, que vão desde a 
Constituição Federal até leis, convenções, normas 
regulamentadoras, entre outros. Por fim, você compreendeu que 
muitos profissionais são acometidos por acidentes em seu local de 
trabalho ou por doenças que têm origem no próprio ambiente 
laboral, sejam elas ergonômicas, de intoxicações, psíquicas, entre 
várias outras, e que a Medicina do Trabalho não deve se limitar 
apenas ao atendimento a acidentes de trabalho e, ocasionalmente, 
consultas médicas admissionais, periódicas e demissionais, mas 
deve também ter funções de prevenção, protegendo a saúde do 
trabalhador e, consequentemente, a conservação da força produtiva 
de trabalho. 
 
 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
17 
2. Atividades insalubres, perigosas e a toxicologia 
ocupacional 
 
INTRODUÇÃO 
Neste capítulo iremos definir as atividades insalubres e perigosas e 
entender a toxicologia ocupacional, compreendendo seus principais 
pontos e como ela é encontrada no ambiente laboral. 
2.1 Atividades perigosas 
As atividades perigosas são aquelas que, por seu caráter ou processos de trabalho, 
põem em risco a vida dos trabalhadores diante da intensa exposição permanente 
sofrida. 
De acordo com a Norma Regulamentadora 16, são classificadas como atividades e 
operações perigosas aquelas que compreendem o trabalho associado com explosivos, 
produtos inflamáveis, segurança pessoal ou patrimonial, energia elétrica, locomoção em 
motocicletas, radiações ionizantes ou substâncias radioativas, demonstram Barsano e 
Barbosa (2018). 
A CLT aponta como perigosas apenas as situações que envolvem inflamáveis, 
explosivos, energia elétrica, roubos ou outras espécies de violência física nas atividades 
profissionais de segurança pessoal ou patrimonial e as atividades de trabalhador em 
motocicleta. Contudo, a OJ – SD11 – 345 do TST reconhece como atividade perigosa a 
exposição à radiação ionizante ou substâncias radioativas. 
 
IMPORTANTE 
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 7º XXXIII, veda 
expressamente o trabalho em condições de periculosidade a 
menores de dezoito anos. 
A Norma Regulamentadora 16 indica como atividades ou operações perigosas as 
realizadas com explosivos submetidos a degradação química ou auto catalíticae ação 
de agentes exteriores, tais como calor, umidade, faíscas, fogo, fenômenos sísmicos, 
choque e atritos. 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
18 
Barsano e Barbosa (2018) destacam que as atividades de transporte de inflamáveis 
(Figura 5), líquidos ou gasosos liquefeitos, em todos os tipos de recipientes e a granel, 
são classificadas como situações de periculosidade – salvo para o transporte em 
pequenas quantidades, até o limite de duzentos litros para os inflamáveis líquidos e 
cento e trinta e cinco quilos para os inflamáveis gasosos liquefeitos. 
Figura 5 - Transporte de inflamáveis 
 
Fonte: Freepik. 
Correia (2018) afirma que o adicional de periculosidade cabe quando a exposição ao 
risco é permanente ou intermitente (com intervalos), mas é indevido se o contato for 
puramente casual ou se, mesmo que habitual, acontecer por tempo muito reduzido. Ou 
seja, o trabalhador tem direito ao adicional de periculosidade mesmo que existam 
intervalos na sua jornada, mas não tem direito caso passe pouco tempo sujeito à 
condição perigosa. 
Mas o que é esse adicional de periculosidade? 
O adicional de periculosidade é uma porcentagem paga ao trabalhador como uma forma 
de compensação no desempenho dessas atividades perigosas. 
O adicional de periculosidade consistirá em 30% calculado sobre o salário-base, sem 
os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios, etc. (CLT, art. 193, § 1º). 
SUM 132 O adicional de periculosidade, pago em caráter permanente, 
integra o cálculo de indenização e de horas extras (ex-Prejulgado nº 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
19 
3). (ex-Súmula nº 132 - RA 102/1982, DJ 11.10.1982/ DJ 15.10.1982 - 
e ex-OJ nº 267 da SBDI-I - inserida em 27.09.2002) II - Durante as 
horas de sobreaviso, o empregado não se encontra em condições de 
risco, razão pela qual é incabível a integração do adicional de 
periculosidade sobre as mencionadas horas. (ex-OJ nº 174 da SBDI-I 
- inserida em 08.11.2000) Histórico: Súmula mantida - Res. 121/2003, 
DJ 19, 20 e 21.11.2003 Nº 132 Adicional de periculosidade O adicional 
de periculosidade pago em caráter permanente integra o cálculo de 
indenização (ex-Prejulgado nº 3). Redação original - RA 102/1982, DJ 
11.10.1982 e DJ 15.10.1982 Nº 132 O adicional-periculosidade pago 
em caráter permanente integra o cálculo de indenização (ex-
Prejulgado nº 3). (TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, 2020) 
 
Segundo a súmula 132 do TST, quando o trabalhador estiver de sobreaviso, ou seja, de 
plantão ou esperando o chamado para o serviço ou qualquer momento, não é 
considerado o adicional de periculosidade, pois ele não está em contato direto com a 
atividade perigosa. A mesma súmula determina, também, que esse adicional deverá 
incorporar o cálculo de indenizações e horas extras, caso seja pago em caráter 
permanente. 
A OJ-SDI1-259 do TST estabelece que o adicional de periculosidade deve fazer parte 
da base de cálculo do adicional noturno, pois neste horário o trabalhador também 
continua sob as condições de risco. 
Mas como se identifica a periculosidade de uma atividade? A atividade perigosa é 
atestada por meio de perícia. 
Barsano e Barbosa (2018) informam que é opcional às empresas e aos sindicatos das 
categorias profissionais interessadas solicitar ao Ministério do Trabalho, por meio das 
Delegacias Regionais do Trabalho, a efetuação de perícia na organização ou setor da 
empresa, com a finalidade de distinguir, especificar ou determinar a atividade perigosa 
(Figura 6). 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
20 
Figura 6 - Atividade perigosa 
 
Fonte: Freepik. 
Entretanto, existem muitas situações em que o trabalhador ingressa na justiça para 
requerer o adicional de periculosidade. Para isso, durante o curso da ação é chamado 
um perito, pois apenas por meio da prova técnica é que poderá ser atestado se o 
ambiente põe em risco a integridade física do trabalhador. 
 
2.2 Atividades insalubres 
Conforme Correia (2018), as atividades insalubres são aquelas que sujeitam o 
trabalhador a agentes nocivos à sua saúde e que excedem o limite de tolerância, como 
os agentes químicos (chumbo), biológicos (bactérias) e físicos (ruídos). 
Art. 189 da CLT - Serão consideradas atividades ou operações 
insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de 
trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima 
dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade 
do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. (BRASIL, 1943) 
 
O adicional de insalubridade é pago ao funcionário como uma maneira de compensar o 
trabalho em condições mais danosas à sua saúde. O Direito do Trabalho, com seu 
caráter protetivo, beneficia a saúde do trabalhador, de forma que o adicional de 
insalubridade não se integra, de maneira definitiva, ao patrimônio do empregado, pois 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
21 
quando interrompido o agente insalubre, também acabará o pagamento de adicional, 
esclarece Moura (2017). 
Para que o adicional de insalubridade seja concedido, é obrigatório que dois requisitos 
sejam preenchidos, segundo Correia (2018): 
• A atividade nociva deverá ser averiguada por meio de perícia por profissional 
habilitado, médico ou engenheiro do trabalho. 
• É obrigatório que o agente esteja compreendido na relação oficial do Ministério 
do Trabalho e Emprego. 
 
SAIBA MAIS 
Quer se aprofundar neste tema? TST afasta possibilidade de 
cumulação de adicionais de insalubridade e de periculosidade, 
clique aqui: https://www.tst.jus.br/adicional-de-insalubridade 
Ao contrário da periculosidade, que tem apenas uma porcentagem para todos os casos, 
na insalubridade são estabelecidos graus de estabilidade. O máximo é um adicional de 
40% sobre o salário, o médio é de 20% sobre o salário e o mínimo é de 10% sobre o 
salário. 
A súmula nº 47 do TST diz que o trabalho realizado em condições insalubres, em caráter 
intermitente, não afasta, só por essa circunstância, o direito à percepção do respectivo 
adicional. Ou seja, mesmo que o trabalhador tenha horários com intervalos, ele tem o 
direito de receber o adicional. Contudo, este entendimento não é válido para o 
trabalhador eventual, pois este não tem o adicional de insalubridade (Figura 7). 
 
https://www.tst.jus.br/adicional-de-insalubridade
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
22 
Figura 7 - Insalubridade 
 
Fonte: Freepik. 
A CLT, em seu art. 191, estabelece que a extinção ou a neutralização da insalubridade 
acontecerá com: 
• A tomada de medidas que mantenham o ambiente de trabalho dentro dos limites 
de tolerância. 
• O emprego de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que 
reduzam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância. 
Diante dessa normativa, devemos observar duas súmulas do TST que são importantes: 
a súmula 80, que impõe que “a eliminação da insalubridade mediante fornecimento de 
aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente do Poder Executivo exclui a 
percepção do respectivo adicional”, e a súmula 289, que determina que apenas o 
fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o desobriga do pagamento 
do adicional de insalubridade, pois devem ser adotadas as medidas que levem à 
redução ou eliminação da nocividade, inclusive as referentes à utilização efetiva do 
equipamento pelo trabalhador. 
 
EXPLICANDO MELHOR 
Para que seja excluído o adicional de insalubridade, não basta 
apenas a entrega dos equipamentos de proteção, mas é necessário 
que a insalubridade seja considera eliminada. 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
23 
Correia (2018) informa que o adicional de insalubridade integra as demais verbas 
trabalhistas quando este for pago com habitualidade, sendo incluído no décimo terceiro 
salário, nas férias, no FGTS e no aviso-prévio, ficando excluído deste o descanso 
semanal remunerado. 
 
2.3 A toxicologia ocupacional relacionada com a Medicina do 
TrabalhoPara Buschinelli (2020), a possibilidade de um trabalhador ficar doente pela exposição 
a um agente químico em um ambiente laboral é a preocupação inicial da Toxicologia 
Ocupacional. Por esse motivo, as análises dos ambientes e dos processos produtivos 
dos trabalhadores deve ser realizado com cautela, buscando sempre diminuir esta 
possibilidade o máximo possível. 
Macedo (2008, p. 26) define a intoxicação como sendo “toda e qualquer manifestação 
clínica ou laboratorial de efeitos adversos”. É um estado doentio originado por um 
agente químico que causa o desequilíbrio do organismo, provocando desde simples 
distúrbios de saúde até o óbito. 
A Toxicologia pesquisa as consequências danosas de substâncias químicas nos 
organismos vivos, levando em consideração a prevenção e, em situações de falha, o 
tratamento dos atingidos. Entretanto, não existem substâncias químicas (Figura 8) com 
ou sem efeitos danosos, mas sim quantidades de substâncias com potencial nocivo. 
Essa quantidade é a que pode ser efetivamente absorvida pelo organismo a ponto de 
afetá-lo, explicita Buschinelli (2020). 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
24 
Figura 8 - Substâncias químicas 
 
Fonte: Freepik. 
A Toxicologia Ocupacional é altamente preventiva, sendo imprescindível para ela a 
adequada avaliação do risco ao qual o trabalhador está exposto. Para isso, o primeiro 
passo é a informação qualitativa, que é a verificação de quais são as substâncias que 
estão sendo empregadas ou produzidas no processo, menciona Buschinelli (2020). 
 
NOTA 
É imprescindível que o profissional de saúde e segurança do 
trabalho (em específico o médico do trabalho e o higienista) entenda 
de química para tratar de modo correto os riscos químicos nos 
ambientes de trabalho (BUSCHINELLI, 2020). 
O ambiente de trabalho pode proporcionar vários fatores de risco para o trabalhador, 
contudo, a emissão de gases mediante vazamentos de alguns equipamentos é uma das 
principais causas de intoxicação no trabalho. 
Fatores como o armazenamento feito de forma inapropriada dos produtos tóxicos 
podem provocar acidentes que acarretam a intoxicação. Outro fator importante é a 
resistência física do trabalhador, pois quanto mais baixa a resistência, maior o risco de 
contaminação, afirma Macedo (2008). 
Macedo (2008) lembra que o próprio trabalhador pode cometer alguns erros que 
acabam provocando a intoxicação, como a falta ou o uso incorreto dos equipamentos 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
25 
de proteção individual (EPIs). Outro erro é quando, em um ambiente aberto, os 
trabalhadores aplicam produtos tóxicos contra o vento, o que também pode provocar 
intoxicações. 
 
 
RESUMINDO 
Neste capítulo você deve ter compreendido que as atividades 
perigosas põem em risco a vida dos trabalhadores, por causa da 
exposição intensa e permanente à atividades associadas com 
explosivos, produtos inflamáveis, segurança pessoal ou patrimonial, 
energia elétrica, locomoção em motocicletas, radiações ionizantes 
ou substâncias radioativas e que, por causa desse risco, os 
trabalhadores tem direito a um adicional de 30% nos casos de 
exposição permanente ou intermitente. Você viu também que as 
atividades insalubres sujeitam o trabalhador a agentes nocivos a 
sua saúde, como os agentes químicos, biológicos e físicos. Nessas 
situações, o trabalhador receberá adicionais de 40, 20 ou 10 por 
cento, dependendo do grau de insalubridade detectado. Por fim, 
você compreendeu a Toxicologia Ocupacional, que é altamente 
preventiva, imprescindível para ela a adequada avaliação do risco 
ao qual o trabalhador está exposto e que o ambiente de trabalho 
pode proporcionar vários fatores de risco para o trabalhador, 
contudo, a emissão de gases mediante vazamentos de alguns 
equipamentos é uma das principais causas de intoxicação no 
trabalho. 
 
 
 
 
 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
26 
3. Medidas preventivas e especiais de proteção 
 
INTRODUÇÃO 
Neste capítulo iremos descrever as medidas preventivas de 
Medicina do Trabalho e as medidas especiais de proteção. Vamos 
lá! 
3.1 Medidas preventivas de Medicina do Trabalho 
Segundo Pretti (2011), a Segurança e Medicina do Trabalho abrange uma série de 
medidas preventivas que devem ser seguidas no ambiente de trabalho, buscando tornar 
mínimos os acidentes e as doenças ocupacionais, como também proteger a integridade 
e a capacidade de trabalho do empregado. 
A CLT, em seu art. 168, determina que os empregadores deverão providenciar, 
obrigatoriamente, exame médico em caso de admissão, demissão e periodicamente, 
respeitando as condições estabelecidas na Lei e nas instruções emitidas pelo Ministério 
do Trabalho em casos de demissão e em situações complementares. 
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional é proposto para a prevenção e 
o controle da saúde dos empregados. Ele é realizado por meio da gestão de inspeções 
médicas permanentes e tem como finalidade a prevenção dos casos de doenças 
ocupacionais. 
Refere-se a um programa de caráter preventivo, que realiza o rastreamento e o 
diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive daqueles 
que acontecem sem manifestação de sintomas. Além disso, verifica a existência de 
casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. 
Desse modo, seu planejamento e implementação devem ser baseados nos riscos à 
saúde dos trabalhadores, explica Oliveira (2018). 
É por meio desse programa que que são executados e acompanhados os resultados 
dos exames médicos obrigatórios segundo as atividades desenvolvidas na empresa. 
Gattai (2020) esclarece que o exame admissional deve ser feito antes da contratação 
efetiva do novo empregado, e o exame tem como propósito avaliar o estado de saúde 
física e psíquica indispensável para o desempenho do cargo que o novo funcionário irá 
executar. 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
27 
Outro intuito é o de oferecer orientação para as pessoas em situações especiais de 
saúde que ocuparão a vaga de emprego. Além do mais, o exame admissional é uma 
forma da organização se proteger e comprovar que está contratando uma pessoa 
inteiramente capaz de realizar aquele trabalho. 
 
NOTA 
Médicos especializados em Medicina do Trabalho são os 
encarregados de realizar os exames admissionais, demissionais e 
periódicos e são eles que detectam as enfermidades ocupacionais. 
Os exames devem ser renovados a cada ano (exame periódico) e também são 
obrigatórios quando acontece a demissão de empregados (exame demissional), 
menciona Gattai (2020). 
Figura 9 - Exame médico 
 
Fonte: Freepik. 
O exame demissional, de acordo com Rojas (2015), é uma garantia para o trabalhador, 
já que ele precisa demonstrar ser capaz de exercer suas atividades em outras 
empresas, e para o empregador, que fica informado das condições de saúde do ex-
funcionário, impedindo, dessa forma, futuros problemas com reclamações trabalhistas 
e ações indenizatórias. 
Todo exame efetuado pelo médico do trabalho deve ser seguido do atestado de saúde 
ocupacional (ASO) e, conforme a Norma regulamentadora 7, deverá compreender, no 
mínimo: 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
28 
a) razão social e CNPJ ou CAEPF da organização; 
 b) nome completo do empregado, o número de seu CPF e sua função; 
c) a descrição dos perigos ou fatores de risco identificados e classificados no PGR que 
necessitem de controle médico previsto no PCMSO, ou a sua inexistência; 
d) indicação e data de realização dos exames ocupacionais clínicos e complementares 
a que foi submetido o empregado; 
e) definição de apto ou inapto para a função do empregado; 
f) o nome e número de registro profissional do médico responsável pelo PCMSO, se 
houver; 
g) data, número de registro profissional e assinatura do médico que realizou o exame 
clínico. 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) encara como a principalfinalidade dos 
exames médicos ocupacionais a verificação da efetividade das medidas de controle do 
ambiente de trabalho. Outros propósitos são: a constatação de anormalidades clínicas 
ou pré-clínicas em um momento no qual uma intervenção é benéfica à saúde dos 
indivíduos; a prevenção de um futuro desgaste da saúde dos trabalhadores; a 
contribuição do aconselhamento relativo aos métodos de trabalho seguros e de 
manutenção da saúde; a avaliação da aptidão para um verificado tipo de trabalho, sendo 
a principal preocupação a adequação do ambiente de trabalho para o trabalhador, 
explicita Buschinelli (2020). 
A Consolidação das Leis Trabalhistas ainda determina que deverá ser mantido no 
estabelecimento o material indispensável à prestação de primeiros socorros médicos 
(Figura 10), conforme o risco da atividade. 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
29 
Figura 10 - Primeiros socorros médicos 
 
Fonte: Pixabay. 
Outro ponto importante é a realização de exames toxicológicos, pois a Consolidação de 
Leis Trabalhistas estabelece que serão exigidos esses exames antes da admissão e em 
casos de demissões de trabalhadores que atuem como motoristas profissionais, sendo 
resguardado o direito à contraprova, caso o resultado tenha sido positivo e garantido 
que esses resultados sejam confidenciais. 
 
3.2 Medidas especiais de proteção 
A CLT estabelece outras medidas especiais de proteção, sendo a primeira delas 
referente ao uso de equipamentos de proteção individual em obras de construção, 
demolição ou reparos, e às medidas de prevenção de acidentes. 
Oliveira (2017) explica que podem ser empregados equipamentos de proteção coletiva 
ou equipamentos de proteção individual, contudo, deve-se sempre dar prioridade à 
proteção coletiva. Ao implantar as medidas de proteção, as organizações devem 
verificar cada local de trabalho e procurar a opção mais apropriada para oferecer ao 
trabalhador uma boa condição de trabalho. 
A NR 6 define que os equipamentos de proteção individual (EPI) são os dispositivos ou 
produtos de uso individual utilizados pelo trabalhador. Eles são adotados para a 
proteção contra riscos eu ameaçam a segurança e a saúde dos trabalhadores. Além 
disso, a NR 6 regulamenta o uso dos equipamentos de proteção individual e estabelece: 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
30 
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI 
adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e 
funcionamento, bem como exigir seu uso, substituir quando 
necessário, dentre outras obrigações. 
 
Outra medida está relacionada com os depósitos, armazenagem e manuseio de 
combustíveis, inflamáveis e explosivos, além do trânsito e continuação nas áreas 
relativas, assim como o trabalho em escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras, 
especialmente quanto à prevenção de explosões, incêndios, desmoronamentos, 
soterramentos, eliminação de poeiras, gases, entre outros. 
Deve existir proteção contra insolação, calor, frio, umidade e vento, especialmente no 
local de trabalho a céu aberto, com o fornecimento de água potável, alojamento e 
profilaxia de endemias, determina a Consolidação das Leis trabalhistas. 
 
A NR 21 regulamenta os trabalhos realizados a céu aberto (Figura 11) e determina que 
“serão exigidas medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação 
excessiva, o calor, o frio, a umidade e os ventos inconvenientes”. 
 
Figura 11 - Céu aberto 
 
Fonte: Freepik. 
 
A CLT, em seu art. 200, VI, prevê a proteção do trabalhador exposto a substâncias 
químicas nocivas, radiações ionizantes e não ionizantes, ruídos, vibrações e 
trepidações ou pressões anormais ao ambiente de trabalho. 
 
Cabe ao Ministério do Trabalho regulamentar a especificação das medidas cabíveis 
para extinção ou diminuição desses efeitos, dos limites máximos quanto ao tempo de 
exposição, da intensidade da ação ou de seus efeitos sobre o organismo do trabalhador, 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
31 
assim como regulamentar os exames médicos obrigatórios, os limites de idade, o 
controle permanente dos locais de trabalho e as demais exigências imprescindíveis. 
Uma norma muito importante para a saúde dos trabalhadores é a NR 9 - avaliação e 
controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, que 
estabelece: 
Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece os requisitos para a 
avaliação das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e 
biológicos quando identificados no Programa de Gerenciamento de 
Riscos - PGR, previsto na NR-1, e subsidiá-lo quanto às medidas de 
prevenção para os riscos ocupacionais. 
 
Os riscos ambientais são os agentes físicos, químicos e biológicos presentes no 
ambiente de trabalho que podem causar danos à saúde quando estão acima dos limites 
toleráveis. 
Deve existir, também, proteção contra incêndios com a medidas preventivas 
adequadas, como portas e paredes com revestimentos especiais, construção de 
paredes contrafogo, saídas amplas e protegidas etc., como estabelece a CLT. 
 
NOTA 
A NR 23 (proteção contra incêndio) estabelece que os 
empregadores devem seguir as medidas de prevenção de incêndios 
disponibilizadas pelos respectivos estados e as normas técnicas 
correspondentes. 
Não se deve esquecer, ainda, a higiene nos locais de trabalho. Devem existir medidas 
como: instalações sanitárias, fornecimento de água potável, condições de limpeza no 
ambiente laboral, tratamento de resíduos industriais, entre outros, determina a CLT. 
Souto (2005) informa que, na política de medicina do trabalho subordinada à aprovação 
da Direção Superior da Empresa ou Instituição, devem estar contidos, pelo menos, os 
seguintes princípios e propósitos: 
• Trocar, controlar ou diminuir as situações adversas do trabalho. 
• Determinar requisitos para o atendimento imediato de acidentes, oferecendo 
transporte rápido e efetivo de acidentados para atendimento médico-hospitalar. 
• Apresentar formas de tratar as manifestações transitórias de doenças que 
aconteçam na empresa durante o período de trabalho. 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
32 
• Seguir as medidas que fazem parte da legislação específica de medicina do 
trabalho; se apropriado, oferecer apoio aos programas disponibilizados por 
ações voluntárias extramuro; se for o caso, fazer a negociação coletiva de 
trabalho, na existência de condições determinadas sobre medicina do trabalho; 
oferecer os meios para efetuação de outras ações que sejam aceitas e 
acordadas pela empresa. 
• Oferecer garantia de que os trabalhadores serão ouvidos e incentivados a 
contribuir em todas as fases do processo de gestão de medicina do trabalho. 
• Possibilitar os meios administrativos e financeiros para que exista uma contínua 
preocupação de aperfeiçoar o sistema de gestão de Medicina do Trabalho da 
empresa. 
Por meio desses princípios, a direção demonstra o compromisso de garantir proteção 
para todas as pessoas que trabalham na empresa, mediante medidas preventivas. 
Todas as medidas adotadas no ambiente de trabalho devem levar em consideração que 
a saúde do trabalhador é muito importante para os trabalhos efetuados nas 
organizações. 
 
 
RESUMINDO 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que as medidas preventivas visam diminuir 
os acidentes e as doenças ocupacionais, bem como proteger a 
integridade e a capacidade de trabalho do empregado, sendo uma 
dessas medidas a obrigatoriedade de exame médico em casos de 
demissão, admissão e periódicos, conforme o programa de controle 
médico de saúde ocupacional. Você compreendeu, também, que 
deve existir materiais de primeiros socorros nos estabelecimentos e 
que a realização de exames toxicológicos é necessária. Você viu 
que existem várias medidas especiais de proteção, como o uso de 
equipamentos de proteçãoindividual; os trabalhos com depósitos 
armazenagem e manuseio de combustíveis e líquidos inflamáveis; 
trabalho com escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras, 
especialmente quanto à prevenção de explosões, incêndios, 
desmoronamentos, soterramentos, eliminação de poeiras, gases; 
trabalhos realizados a céu aberto; exposição a substâncias 
químicas, radiações, ruídos, vibrações e trepidações; prevenção 
contra incêndios e a higiene no local de trabalho. Por fim, você 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
33 
entendeu alguns princípios relativos à medicina do trabalho que 
devem ser considerados nos ambientes laborais. 
 
 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
34 
4. Conduta médico-operacional 
 
INTRODUÇÃO 
Neste capítulo iremos analisar os acidentes de trabalho, identificar 
as doenças ocupacionais e esclarecer a conduta médico-
operacional. 
4.1 Acidentes de trabalho 
O processo de trabalho deve ser devidamente planejado, pois quando isso não 
acontece, são geradas várias formas de perdas – principalmente relacionadas com os 
trabalhadores – que afetam a saúde e bem estar, por meio de acidentes de trabalho ou 
doenças ocupacionais. Mas o que é um acidente de trabalho? 
A Lei nº 8.213/91 define o acidente do trabalho como toda lesão corporal ou perturbação 
funcional que acontece com o empregado durante suas atividades a serviço da empresa 
ou do empregador doméstico, provocando a morte, a perda ou redução, temporária ou 
permanente, da capacidade para o trabalho. 
Segundo Macedo (2008, p. 117), “Essa lesão pode ser caracterizada apenas pela 
redução da função de determinado órgão ou segmento do organismo, como os 
membros, por exemplo.” 
Monteiro e Bertagni (2016) afirmam que se refere a um episódio único, inesperado, 
imprevisto, bem configurado no espaço e no tempo e de resultados, na maioria das 
vezes, imediatos. 
 
IMPORTANTE 
Adversidades no ambiente de trabalho podem acabar resultando em 
danos graves e até fatais, meses ou anos após o seu 
acontecimento, sendo exigido o nexo de causalidade e a lesividade, 
explana Macedo (2016). 
Dessa forma, para que algo seja considerado como acidente de trabalho, deve existir a 
lesão e também a relação clara entre o acidente, o dano causado e o trabalho (Figura 
12). 
 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
35 
Figura 12 - Dano causado e trabalho 
 
Fonte: Freepik. 
Mattos e Másculo (2011) afirmam que, hoje em dia, entende-se que o acidente de 
trabalho começa a ocorrer quando algum componente do processo laboral passa a não 
funcionar como planejado, isto é, quando ele apresenta uma alteração. 
Essa alteração não se apresenta somente como originária de falhas ou quebras, ou 
seja, não é decorrência apenas do não alcance completo do resultado principal do 
produto, mas pode acontecer também de um resultado secundário, que não tenha 
função positiva no processo de produção, informam Mattos e Másculo (2011). 
De acordo com a Lei 8.213: 
Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos 
desta Lei: 
 I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a 
causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, 
para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou 
produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação; 
 II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do 
trabalho, em consequência de: 
 a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por 
terceiro ou companheiro de trabalho; 
 b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de 
disputa relacionada ao trabalho; 
 c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro 
ou de companheiro de trabalho; 
 d) ato de pessoa privada do uso da razão; 
 e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou 
decorrentes de força maior; 
 III - a doença proveniente de contaminação acidental do 
empregado no exercício de sua atividade; 
 IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e 
horário de trabalho: 
 a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a 
autoridade da empresa; 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
36 
 b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para 
lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; 
 c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando 
financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da 
mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, 
inclusive veículo de propriedade do segurado; 
 d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste 
para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo 
de propriedade do segurado. (BRASIL, 1991) 
 
Assim, Macedo (2008) separa os tipos de acidentes em três, sendo eles: 
• O acidente típico, que é aquele resultante da natureza da atividade profissional 
que o trabalhador desempenha. 
• O acidente de trajeto, que acontece no trajeto entre a residência do trabalhador 
e o lugar de trabalho e vice-versa. 
• As doenças profissionais ou do trabalho, que são provocadas pela execução de 
determinada função, peculiar a um emprego específico. 
A caracterização do acidente de trabalho ocorre por meio de uma observação pericial, 
que deve determinar uma relação direta entre o acidente e a lesão gerada. Quando isto 
acontecer, o médico perito examinará o paciente e poderá determinar se ele poderá 
voltar ou não às atividades normais designadas ao seu cargo. 
Caso o perito determine o afastamento, será definido também, a partir de sua avaliação 
clínica, se o funcionário permanecerá em afastamento temporário ou definitivo do 
emprego, explícita Macedo (2008). 
 
NOTA 
O afastamento definitivo ou temporário dependerá do grau da lesão 
sofrida, se esta lesão será revertida com o tempo ou se é um tipo de 
lesão definitiva, que impossibilita a atividade laboral. 
Mattos e Másculo (2011) destacam o fato de que preocupar-se exclusivamente com o 
agente causador da lesão pode ser uma atitude limitada com relação à prevenção de 
acidentes. 
Villela (2010) lembra que a culpa do empregado não impossibilita a qualificação do 
acidente de trabalho, contudo, o dolo do empregado, que ocorre quando este se 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
37 
acidenta propositalmente e de forma espontânea, retira as consequências ocupacionais 
do fato. 
 
4.2 Doenças ocupacionais 
As doenças ocupacionais se dividem em doença profissional e doença do trabalho. De 
acordo com Râmissa (2019), a doença profissional e a doença do trabalho são 
classificadas como espécies do gênero de doença ocupacional que, por sua vez, é 
espécie de acidente do trabalho. Vejamos a diferença entre elas. 
Segundo Monteiro e Bertagni (2016), as doenças profissionais também são chamadas 
de ergopatias, tecnopatias ou doenças profissionais típicas, e são aquelas produzidas 
ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar à determinada atividade. Derivam 
de micro traumas que habitualmente acometem e vulneram as defesas biológicas e, por 
conta do efeito cumulativo, acabam vencendo-as, provocando o processo doentio. 
Já as doenças do trabalho (Figura 13), também conhecidas como mesopatias ou 
moléstias laborais atípicas, são aquelas desencadeadas por condições especiais em 
que o trabalho é realizado, se relacionando diretamente com ele. Elas também derivam 
de micro traumas mas, por serem atípicas, determinam a constatação do nexo de 
causalidade com o trabalho, normalmente por meio da vistoria do ambiente de trabalho, 
esclarecem Monteiro e Bertagni (2016). 
Figura 13 - Doenças do trabalho 
 
Fonte: Freepik. 
Ergonomia e Medicina do Trabalho 
38 
Furtado et al. (2016) explica que, na esfera da Saúde do Trabalhador, é comum a 
utilização da classificação de Schilling para caracterizar a relação existente entre as 
doenças ocupacionais. Schilling assegurouque o trabalho poderia se relacionar com as 
doenças, agrupando-os de três formas distintas, que são: 
• GRUPO I: engloba as situações nas quais o trabalho é causa necessária da 
doença, representadas pelas doenças profissionais em seu sentido literal, e 
pelas intoxicações agudas de procedência ocupacional, como quando há a 
intoxicação por chumbo. 
• GRUPO II: compreende as situações nas quais o trabalho é um fator de risco e 
não a principal causa da doença, como nos casos das doenças triviais, mais 
regulares ou que ocorrem mais cedo em certos grupos ocupacionais e para as 
quais o nexo causal é de natureza eminentemente epidemiológica, como 
neoplasias malignas (cânceres), em alguns grupos ocupacionais ou profissões. 
• GRUPO III: abrange as situações nas quais o trabalho é motivador de um 
possível distúrbio, ou até mesmo intensifica uma doença já instituída ou 
preexistente, caracterizadas pelas doenças alérgicas de pele e respiratórias e 
pelos distúrbios mentais, em certos grupos ocupacionais ou profissões, como a 
asma e as doenças mentais. 
A Lei 8.213/1991 determina alguns casos que não são considerados como doença do 
trabalho: 
Art 20, § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: 
 a) a doença degenerativa; 
 b) a inerente a grupo etário; 
 c) a que não produza incapacidade laborativa; 
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de 
região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é 
resultante de exposição ou contato direto determinado pela 
natureza do trabalho. (BRASIL, 1991). 
 
 
IMPORTANTE 
Nos casos em que a doença não provoca o afastamento do trabalho, 
não é reconhecido o acidente do trabalho, pois a cobertura do 
seguro acidentário está atrelada à atividade laborativa, esclarece 
Villela (2010). 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
39 
Macedo (2008) afirma que as doenças ocupacionais podem ser provocadas por alguns 
agentes existentes no ambiente laboral que causam riscos, podendo ser caracterizados 
como físicos, ergonômicos, biológicos ou químicos. 
Os riscos físicos são aqueles originados por agentes capazes de alterar as propriedades 
físicas do meio ambiente, o que, posteriormente, originará agressões em quem estiver 
nele presente, explicam Mattos e Másculo (2011). 
EXEMPLO: Os ruídos capazes de gerar danos ao aparelho auditivo, iluminação, calor, 
vibrações, radiações etc. 
Macedo (2008) destaca que algumas das consequências indesejadas dos ruídos podem 
ser psicológicas (Figura 14), como nervosismo e neuroses, além de perda de audição, 
dor de cabeça, vômitos, diminuição do controle muscular, entre outros. Nos casos das 
vibrações, elas podem originar síndromes dolorosas de origem vertebral, desordens 
gastrintestinais, aumento da frequência cardíaca, etc. Já as radiações podem acarretar 
conjuntivites e cataratas, além de queimaduras e lesões cutâneas. 
Figura 14 – Consequências psicológicas 
 
Fonte: Freepik. 
Os riscos químicos compreendem substâncias, compostos ou produtos que possam 
adentrar no organismo, por conta da exposição crônica ou acidental. Assim, o contato 
com esses produtos pode causar várias consequências, tais como o aparecimento de 
câncer, mutações, doenças sistêmicas, entre outros, informam Mattos e Másculo 
(2011). 
Barsano e Barbosa (2013) definem os riscos ergonômicos como aqueles que podem 
provocar distúrbios psicológicos e fisiológicos nos trabalhadores, como nos casos de 
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esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura 
inapropriada, monotonia e repetitividade etc. 
Já os riscos biológicos abrangem os agentes que contaminam os ambientes 
ocupacionais, que são os micro-organismos como vírus, bactérias, protozoários, fungos, 
artrópodes, parasitas e derivados de animais vegetais (agentes que causam alergias). 
Geralmente eles estão em hospitais, ambientes de serviços de saúde em geral, 
matadouros, laboratórios de análises e pesquisas, empresas de coleta e reciclagem de 
lixo, entre outros, descreve Brevigliero et al. (2020). 
Mattos e Másculo (2011) ainda mostram os riscos mecânicos, que são aqueles que se 
caracterizam por agir em pontos específicos do ambiente laboral, geralmente atuando 
sobre usuários diretos do agente causador do risco e acarretando, algumas vezes, 
lesões agudas e imediatas. 
EXEMPLO: Os materiais cortantes, os aquecidos, os perfuro cortantes, os que estão 
em movimento, os energizados etc. 
Existem diversas doenças ocupacionais que atingem os trabalhadores. Vamos observar 
apenas algumas delas, que são muito recorrentes, conforme Rojas (2015): 
• O distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT), que atinge os 
membros superiores em torno do ombro e da região cervical por causa do uso 
repetitivo dos músculos ou de postura imprópria na execução das atividades 
profissionais. 
• Perda Auditiva induzida pelo ruído ocupacional (PAIR), que surge com a redução 
gradual da audição resultante da exposição contínua a níveis elevados de 
ruídos. 
• Dermatoses ocupacionais, que podem ser causadas por agentes biológicos, 
físicos e mecânicos, e podem aparecer como dermatite irritativa de contato (que 
é aquela causada pela manipulação de detergentes, solventes orgânicos e 
inorgânicos, resinas, óleos de corte e outros produtos) e como dermatite alérgica 
de contato (que é a ocasionada pelo contato com borracha e seus aditivos, 
cromatos, resinas, metais plásticos, tintas, pigmentos e madeiras). 
• Distúrbios neurológicos, que podem ser causados por toxinas que estão no 
ambiente laboral, como solventes orgânicos, metais e pesticidas. 
 Ergonomia e Medicina do Trabalho 
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• Doenças associadas ao estresse, que podem ser a irritabilidade, fadiga, medo 
de acidente, de assalto e de desemprego, sonolência, ansiedade, depressão, 
tensão e distúrbios do sono. 
Râmissa (2019) menciona uma dessas doenças, que é a síndrome do esgotamento 
profissional, conhecido também como síndrome de Burnout. Essa doença é o resultado 
de um estresse sem fim, que provoca uma exaustão emocional e física relacionada a 
um trabalho muito desgastante, no qual a exigência é alta, as metas são quase 
impossíveis de serem atingidas ou, ainda, quando existe uma carência de 
reconhecimento do profissional. 
O Burnout, nos dias atuais, tem sido objeto de definições em diversas áreas, contudo, 
todos concordam que o campo profissional é o ambiente mais favorável para o 
aparecimento do esgotamento. 
 
4.3 Conduta médico-operacional pertinente à Medicina do Trabalho 
Os médicos desempenham um papel muito importante no auxílio ao trabalhador. 
Macedo (2008) explica que muitos dos serviços de Medicina Ocupacional limitam-se ao 
desempenho associado ao atendimento de acidentes de trabalho e, eventualmente, 
consultas médicas admissionais e demissionais. 
Figura 15 - Medicina Ocupacional 
 
Fonte: Freepik. 
 
Outra atuação que merece destaque é quanto ao médico perito. Barros e Teixeira (2015) 
afirmam que, em geral, os médicos peritos do trabalho são responsáveis por verificar se 
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42 
o trabalhador está ou esteve doente e determinar se a doença tem nexo de causalidade 
com o trabalho, como também avaliar se existem sequelas que diminuam a capacidade 
laborativa. 
 
NOTA 
Em litígios na justiça que envolvam trabalhadores, são constantes 
os diagnósticos relacionados com depressão, síndrome do pânico, 
transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de ansiedade 
generalizada, síndrome de Burnout e assédio moral, informam 
Barros e Teixeira (2015). 
O Conselho Federal de Medicina, em sua resolução nº 2.183, de 21 de junho de 2018, 
determina que: 
Art. 13. São atribuições e deveres do médico perito judicial eassistentes técnicos: 
I - examinar clinicamente o trabalhador e solicitar os exames 
complementares, se necessários; 
II - o médico perito judicial e assistentes técnicos, ao vistoriarem o local 
de trabalho, devem fazer-se acompanhar, se possível, pelo próprio 
trabalhador que está sendo objeto da perícia, para melhor 
conhecimento do seu ambiente de trabalho e função; 
III - estabelecer o nexo causal, considerando o exposto no artigo 2º e 
incisos (redação aprovada pela Resolução CFM nº 1.940/2010) e tal 
como determina a Lei nº 12.842/2013, ato privativo do médico. (CFM, 
2018) 
 
Macedo (2008) ainda lembra que é fundamental que os profissionais de Medicina do 
Trabalho tenham o seu trabalho abalizado nos Códigos de Ética Médica e de Conduta 
do Médico do Trabalho. 
 
RESUMINDO 
Neste capítulo você deve ter compreendido que o acidente de 
trabalho é toda lesão corporal ou perturbação funcional que 
acontece com o empregado durante suas atividades laborais, que 
os tipos de acidentes podem ser acidente típico, acidente de trajeto 
e doenças profissionais ou do trabalho. Você viu que as doenças 
profissionais são aquelas produzidas ou desencadeadas pelo 
exercício profissional peculiar à determinada atividade e que as 
doenças do trabalho são aquelas desencadeadas em função de 
condições especiais em que o trabalho é realizado, assim como 
também entendeu que elas podem ser provocadas pelos agentes 
físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos. Por fim, 
você conheceu como deve ser a conduta do médico do trabalho e 
do perito: pautadas na ética e na conduta médica do trabalho. 
 
 
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